sábado, 18 de maio de 2013

Estrada Real: 4º dia

  
10 de maio de 2013 sexta feira
Lobo Leite- Congonhas - Pequeri

    Tive uma ótima noite de sono e acordei com as energias renovadas. O sono foi tão reparador que as dores musculares sumiram. Às cinco da manhã já estava acordado, esperando o dia clarear.
    Quando o despertador do celular me avisou que eram sete horas, arrumei minha mochila a fim de seguir para o distrito de Lobo Leite, distante sete quilometros de Miguel Burnier. Mas simplesmente esqueço onde coloquei a chave do alojamento, que o Tuia havia me passado no dia anterior. Cheguei a pensar em não trancar a porta, pois o distrito é bem tranquilo mesmo. Procuro a chave em todos os lugares, no quarto inteiro, na cozinha, no banheiro e não a acho. Decido então pular a janela para ir embora e agradecer a hospitalidade do Tuia, mas ai veio a boa surpresa: a chave estava na cama ao lado, e eu havia colocado a minha mochila exatamente sobre ela! Fiquei super feliz, pois estava muito sem graça só de pensar em falar para o Tuia que havia perdido a chava da hospedaria. 
    As roupas não estavam completamente secas, mas dava para colocar na mochila. O Tuia ainda estava dormindo e então pedi a sua esposa que agradecesse em meu nome a confiança e a hospitalidade. 
     A única mercearia do distrito ainda estava fechada e tive que me contentar com os biscoitos de água e sal e granola que sempre carrego na mochila, em caso de alguma emergência. Na saída do distrito, encontro uma moradora debruçada na janela de sua casa e peço um cafezinho, para me animar para a jornada do dia. Meu joelho esquerdo está um pouco dolorido, desde Santo Antônio do Leite, mas não encontrei nenhuma farmácia pelo caminho para comprar um anti-inflamatório.
Igreja Matriz de Lobo Leite


Trilha para Lobo Leite

o boi que gosta de uma câmera
      A estrada para Lobo Leite também está ótima, mas o tráfego de caminhões é intenso, devido as atividades da mineradora. Resolvo então pegar uma carona, o que não foi difícil. Em Lobo Leite sigo uma trilha com subidas bem ingremes. Depois de dois dias, consigo usar o banheiro(mato). Estava comendo só sanduiches, frutas e biscoitos e fora do horário habitual. Até que o yakult estava conseguindo encontrar pelo caminho, mas nessas condições não tem como o intestino funcionar normalmente. 
    Sinto-me até mais leve para proseguir a trilha. No meio do caminho sou parado por quatro bois. Resolvo tirar uma foto deles e o maior da turma, calmamente se aproxima de mim, como que pedindo para ser fotografado e filmado. A impressão é que ele estava fazendo até pose para ficar bem na foto, pois os bois geralmente não tem o costume de se aproximar tanto das pessoas. 
     Cheguei em Congonhas por volta das onze horas e almocei em um restaurante próximo da rodoviária. Depois consegui encontrar uma ótima e enorme lan house, com cerca de quarenta computadores, e que tem um preço bastante camarada: um real a hora.



Sigo então para o distrito de Alto Maranhão e, por sorte, a famosa basílica fica no caminho, e aproveito para tirar algumas fotos dos profetas. A estrada nesse trecho está em boas condições e rapidamente chego ao distrito, onde tiro a foto de uma prisão em ruinas. O caminho, na maior parte, é coberto por árvores, proporcionando uma bela sombra o que faz com que eu chegue rapidamente ao meu destino final do dia: o distrito de Pequeri. No único bar da localidade, a balconista me cobra preços exorbitantes, e depois, ao me ver sentado descansando, me pergunta se eu não vou prosseguir o caminho, ou seja, dar o fora. Fiquei meio assustado com a receptividade, mas, analisando o distrito, que deve ter no máximo uns quinhentos moradores, chego a conclusão que eles meio que se assustam com estranhos. Ainda bem que sempre trago frutas, biscoitos e granola em minha mochila. Tento puxar conversa com os moradores do distrito, mas eles me olham com desconfiança e são monossílábicos em suas respostas.
cadeia em ruínas

    Após uma breve vasculhada pelo distrito, consigo achar um bom local para montar a minha barraca: o vestiário do campo de futebol, que tem um gramado muito bonito, mais bem conservado do que muito campos de futebol profissionais. 
    Consigo recarregar a bateria da câmera na casa de uma evangélica que me deu um livro para ler no caminho. Aliás, foi a única pessoa do distrito que falou mais de uma sílaba ao falar comigo. No começo, como sempre, pensei que não foram com a minha cara especificamente, mas, analisando bem a situação, chego a conclusão de que é normal esse "estranhamento", já que o distrito é menor do que um bairro de uma cidade de porte médio.
os marcos possuem muitas informações, inclusive históricas

-obs: desculpem a demora em postar, é que dificilmente encontro uma lan house pelo caminho, e quando encontro elas são lentas pra caramba, nem dá para postar todas as fotos. 

4 comentários:

  1. Muito legal sua caminhada , bacana as fotos inclusive a do boi :)

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    1. Valeu por visitar o blog. O boi era tão manso e caminhou até mim e parou, parecia que queria mesmo ser fotografado, ai não teve jeito.

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  2. Oi Júlio,
    Passei por aqui só pra ver se está tudo bem com você.Fico feliz pois vejo que está bem. Suas fotos estão lindas.
    Um abraço.
    Sonia.

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