sábado, 29 de junho de 2013

Manifestação contra os gastos na copa do mundo: Belo Horizonte


    Ontem, estava pacificamente ouvindo minhas músicas, perto do quartel do exército, aqui em Belo Horizonte. Estava na dúvida se iria participar ou não da manifestação contra os gastos para a realização da copa do mundo e os aumentos de passagem de ônibus.
   Hoje é dia do "jogaço" no mineirão: "TaitixNigéria". Estava meio desanimado de ir, além de  não gostar muito de aglomerações.
    Mas o intenso vai e vem de helicópteros no batalhão me deixou um pouco insatisfeito com o exército.Em quase 30 anos de Belo Horizonte, nunca vi um helicóptero no quartel. Agora, por que estamos na copa das confederações, o estado quer fazer gracinha para os gringos verem. Aliás, eu nem sei o que o exército faz aqui em Belo Horizonte, a não ser ficar correndo pelas ruas do Barro Preto(um bairro próximo ao centro). O exército para mim teria que ficar vigiando melhor as fronteiras do nosso país, para que não entrasse tantas armas e drogas. Ou então que inventassem qualquer coisa para se fazer aqui em BH. Todo dia de manhã eles ficam jogando bola no quartel, pois eu vou muito ali naquele local, por ser bem tranquilo de dia. A noite a bandidagem anda a solta, na minha barraca já vi três assaltos, e ontem eu mesmo fui assaltado, roubaram o meu celular, queimando parte da minha barraca. Logo após, passou uma viatura da polícia, fiz sinal para que parasse, mas o policial nem me deu atenção.
    Resolvi então ir para a manifestação. Cerca de 15 mil pessoas, a maioria estudantes, tomaram conta do centro de BH e rumaram juntos para o estádio do mineirão, fechando totalmente uma das principais avenidas da capital mineira: a Antônio Carlos.

Como foi a manifestação na Antônio Carlos





    Eu estava bem em frente a manifestação, que era pacífica, até os policiais começararem a usar da violência para conter a manifestação. Balas de borracha, bombas de efeito moral e muito gás lacrimogênio. Segundo os policiais, os estudantes ultrapassaram o cordão de isolamento, um limite que foi imposto pela FIFA, para que os frequentadores do estádio não pudessem ver a manifestação. Alguém poderia me responder se esses "policiais" trabalham para a FIFA ou para a população, que é quem paga os salários desses caras? Espero que esses "defensores da lei", quando quiserem um aumento de salário, façam uma viagem até a Suiça, que é onde se situa a sede da FIFA.
   Como vocês já viram, em posts anteriores, sempre elogiei a policia de Minas Gerais. Mas desta vez, pisaram na bola, e feio. A manifestação iria seguir pacificamente até o Mineirão, mas esses "funcionários da fifa", pagos por nós, não deixaram que ela proseguisse. Após os primeiros disparos de bala de borracha e bombas de efeito moral, os vândalos, que eram poucos, começaram a quebradeira. Os alvos principais eram as vidraças de bancos e lojas de carros.
   Espero que na próxima manifestação a polícia reconheça que temos o direito de nos manifestar, não vai ser uma lei estadual feita de última hora é quem vai me calar. Faltou inteligência e sobrou covardia por parte da policia militar ontem. Será que a polícia tem medo da fifa?
    A manifestação foi feita em sua maioria por estudantes. Algumas pessoas devem estar perguntando: o que esse esquizofrenico aposentado está dando seus pitacos? Simples, vou dar só um exemplo: na última vez que fui pegar o meu diazepan, o sistema de saúde estava em greve. Posso ter problemas sérios se ficar sem o medicamento, cheguei a implorar para o pessoal do posto de saúde para que me liberassem o medicamento, mas eles não me ouviram. O medicamento é muito barato, custa dois reais vinte unidades, mas nem dava para comprar na farmácia, pois a receita já estava carimbada. Aquele posto de saúde não me forneceu 60 comprimidos de uma vez, alegando que tinha que me fiscalizar, para ver se eu estava tomando só um por dia. Oras, se todo dia falta médico e o atendimento é uma bagunça, por que eles pedem que eu vá ao posto uma vez por mês, sendo que eu posso ir de dois em dois meses? Consequência: como não podia ficar sem o medicamento, e já havia passado por dois postos de saúde, e ainda mais, sabia que poderia pirar literalmente sem o medicamento, tive que fazer uma loucura antecipada: tentar arrombar a porta do posto de saúde e pegar o medicamento a força. Fiz questão que chamassem a polícia primeiro, pois no posto só havia mulheres e não sou covarde, detesto violência, mas era a minha sanidade mental que estava em jogo. Depois de alguns chutes no portão, e perceberem que eu não estava brincando, é que as atendentes resolveram liberar o meu medicamento. Repito: detesto violência, mas foi a única solução que encontrei, pois o hospital Raul Soares, que só atende emergências, me ajudou duas vezes para conseguir a receita do diazepan e me disseram que não iriam fazer isso mais, me encaminhando para o posto de saúde do Barro Preto. O que vocês fariam numa situação dessas, já que nem tenho condições de pagar um psiquiatra particular?

2 comentários:

  1. Bom video e muito chato lo de teus medicamentos fico triste por teu celular e tua barraca mais o Brasil vai mudar e espero para melhior o gigante ja acordo um abraço Julio , te cuida muito ok.

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    1. Foi complicado gravar o vídeo e manter a calma, mas deu para mostrar como são as coisas aqui no Brasil. A saúde nunca esteve tão mal em nosso país, e se gasta quase 30 bilhões com a copa. Acho que agora os políticos irão pensar duas vezes antes de tentarem enganar o povo mais uma vez. Obrigado por visitar o blog. Em relação ao celular, ele já estava nas últimas mesmo, nem liguei muito, só as músicas que estavam no cartão de memória é que vou sentir falta.

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