sexta-feira, 26 de julho de 2013

Divagações esquizofrenicas


    Já fazem mais de vinte dias( a frase está correta? me corrijam, please, estou na lan house e fica complicado olhar a maneira correta) que estou tentando de parar de tomar o diazepan. Já cheguei a tomar dois por dia, quer dizer, por noite. Voltei a tomar um e agora estou tomando só meio comprimido, à noite. Na época braba dos surtos não saia de casa sem o pan nosso de cada dia. Toda vez que me estressava, botava um na goela abaixo, às vezes sem água mesmo, em plena luz do dia.  Hoje sei que, se continuasse naquele ritmo, em pouco tempo estaria tomando uns cinco por noite para manter o efeito tranquilizante e sedativo.
    Um dos efeitos colaterais desse medicamento que sei que me afeta e muito é a memória recente. Fatos antigos, da infância e da adolescência, parecem estarem preservados em minha mente. Mas vira e mexe esqueço algo que aconteceu no dia anterior, por exemplo. Não tive tantas dificuldades em relação a memória ao escrever o livro Mente Dividida, pois os fatos narrados ocorreram antes que eu começasse a tomar o medicamento. Se soubesse que seria assim, nunca teria botado um comprimido de diazepan em minha boca nessa minha vida. O sono, antes de usar o remédio não era dos melhores, mas, o diazepan, mesmo quando dormimos, não nos proporciona a restauração de um bom sono natural.
    Mas não fiquei "emburrecido" com o remédio.Aos quarenta anos, resolvi fazer um curso de informática, estava me sentindo um extraterrestre por não saber mexer em um PC. Até que me sai bem, tirando boas notas. Tinha receio de entrar no curso e dar vexame, mas aconteceu exatamente o contrário. Em dia de prova, os outros alunos, a maioria na faixa dos vinte anos, procuravam sentar perto de mim, a fim de pegar uma colinha.
    Tenho dificuldades em decorar letras de músicas novas, mas as antigas consigo guardar na memória, inclusive uma em inglês, a "Love of my life", do Queen.
    Esses dias de abstinência foram e estão sendo muito complicados para mim. Parar com o diazepan deve ser algo parecido com a tentativa de um viciado de parar com as drogas(aliás, todo medicamento é uma droga né?).  A diferença é que eu não pedi para ficar viciado no medicamento. Irritação, aquele vira e mexe na hora de dormir são alguns dos incômodos. E eu, como psicótico que sou, tenho que vigiar o tempo inteiro, pois não tomo nenhum medicamento para a esquizofrenia. Já surtei feio uma vez quando parei de tomar o diazepan de uma hora para outra. O medicamento estava em falta no posto de saúde, e a balconista sempre dizia que na "semana que vem" iria chegar. Então, em cerca de três semanas, surtei. Na época não sabia que o medicamento era tão barato. Ganhava por produção no meu trabalho, e, como não estava conseguindo exercer a minha função, a grana estava curta. Foi um surto bem complicado, e nunca mais quero passar por isso. Não foi à toa que tive que apelar para a ignorância quando não consegui nem comprar o remédio quando os médicos estavam de greve, há uns dois meses atrás. A receita estava carimbada e eu teria que me consultar com um psiquiatra particular para conseguir a receita. Ai é demais né?
    O último médico que consultei para pegar o diazepan foi muito atencioso e legal.  Parece ser daquelas pessoas que trabalham pelo prazer de exercer a medicina. Perguntou-me se eu queria consultar com um "meio" psiquiatra para tentar ajudar a resolver as minhas paranoias que ainda persistem em me incomodar. Disse que aceitava só para não ser deselegante. Mas, se um psiquiatra inteiro no SUS já é complicado, imaginem "meio"? Não que o profissional seja ruim, é que a pessoa não tem condições de trabalho e ainda por cima tem que atender um número muito grande de pessoas em um curto espaço de tempo. Só sei que não quero usar mais remédios, por dois motivos:
1- depender do SUS dá mais raiva do que a própria patologia
2- Os inúmeros efeitos colaterais. A bula da fluoxetina, por exemplo, é do tamanho de um livro de história infantil. E, para acabar com os efeitos colaterais desses medicamentos, principalmente os antipsicóticos, os médicos acabam receitando um outro medicamento. É como se fosse uma bola de neve, e o paciente, no final, acaba tomando um coquetel de remédios. Por exemplo, quem toma o haldol, tem que obrigatoriamente tomar o biperideno.

    Quanto eu tomava a sertralina cheguei a ter um efeito colateral bem indesejável: movimentos involuntários das pernas, como se estivesse chutando uma bola de futebol. Isso me dava cada susto! Já pensou se eu chutasse alguém? Jogador de futebol é que não pode tomar. Já pensou  se ele marca um gol contra por causa disso? Imagine a entrevista depois do jogo:
    - É, o time jogou bem, fomos melhores do que o adversário, mas infelizmente eu marquei aquele gol contra, mas foi sem querer, eu tomo sertralina...
    O pior de tudo é que desconto essa ansiedade e irritação na comida. Não tenho problemas com drogas e álcool, mas sempre me empapuço quando estou meio agitado. Há duas semanas atrás até cheguei a vomitar, depois de comer uns três salgados, dois brigadeiros, um pudim e outras cositas mas, junto com uma boa Coca Cola. Tudo piorou quando fiz um suco de uva de Tang super concentrado. Coloquei  todo o conteúdo do envelope em uma garrafinha de 500ml de água mineral. Ficou super enjoativo, mas, nessas situações eu consigo ingerir isso tudo. O resultado foi uma dor de cabeça terrível e muito enjoo, e ai tive que colocar o dedo na goela afora para dar uma aliviada.
    Alguns dias atrás, depois do almoço, comprava algumas frutas para comer de tarde, no lanche. Mas a ansiedade era tão grande que não conseguia esperar. Comia tudo antes da hora e não conseguia fazer absolutamente nada, tinha que esperar um tempo para o estômago dar uma esvaziada, pois o metabolismo não é mais o mesmo de alguns anos atrás.
eu, quando estou ansioso depois do almoço
      Hoje até que estou melhor, acho que a pior fase dessa tentativa de parar com o diazepan já passou. Se não conseguir parar, pelo menos irei continuar nessa dose atual de 5mg por noite.
    O trânsito de Belo Horizonte está um caos, por causa das obras da copa do mundo( a verdade é essa, as obras são para a copa, e não para o povo, se não tivesse copa, o prefeito não teria feito nada). Andar no centro está cada dia mais complicado. Preciso urgente de um pouco de paz e silêncio. Para complicar tudo, o atlético foi campeão da libertadores, e ai o resto vocês sabem. Os atleticanos são muito fanáticos e chatos( todo torcedor do time adversário é chato né? mas os atleticanos são um pouquinho mais...rsrs). Foguetes rolaram direto na noite de quarta para quinta e prosseguiram no dia seguinte também. Fora o buzinaço. Fecharam o principal cruzamento de BH, a avenida Amazonas com Afonso Pena. Muita gritaria. O complicado é depois ver um cara chegando numa UPA e reclamando do atendimento, vestindo a camisa de clube de futebol...

    Diante desse cenário em que está a capital mineira, no início do mês que vem irei começar uma pequena viagem, por alguns municípios de Minas Gerais. É um trecho de 160km, muito bonito, e com muitas cachoeiras e belas paisagens. Já me equipei para dormir no meio do mato, comprando uma boa barraca e um saco de dormir. Porém gostava e muito de montar a barraca nas cidades, perto das pessoas do interior de Minas. Assim que puder, postarei as fotos desta viagem aqui no blog.

8 comentários:

  1. O bom é que você não perde o bom humor Júlio... Isto que é importante...
    Boa sorte na diminuição do remédio!
    Abraços

    Caio

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    1. Verdade, isso é muito importante, claro que, algumas vezes eu fico irritado ou com raiva de alguma coisa, mas no meu caso passa logo. E bola pra frente!

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  2. Grande Julio, melhoras pra você! Imagino que determinados remédios devem ter um efeito bem pesado mesmo, fora as contraindicações... Mas é aquela coisa: Ruim com eles, pior sem eles!

    Quanto à nova viagem, vou acompanhar novamente. Que bom que já conseguiu uma barraca melhor e um bom saco de dormir. Agora vai ser bem menos "perrengoso", rs.

    Abração!

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    1. Olá Wendell, realmente o diazepan é um dos medicamentos mais viciantes que já ouvi falar, por isso acho que os médicos deveriam informar os pacientes na hora de passar o medicamento. Mas o pior já passou, estou conseguindo ficar bem só com meio comprimido e, quem sabe consiga parar de tomá-lo definitivamente. Verdade, consegui comprar uma barraquinha melhor, a dilma lançou um programa "minha barraca minha vida" rsrsrsrs. Brincadeiras à parte, agora vou poder descansar e dormir sem receio de ser abordado, se bem que era legal dormir perto das pessoas do interior de Minas e conhecê-las. Obrigado pela visita ao blog.

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  3. Oi, Júlio!
    "Já faz mais de vinte anos", é o certo.
    Verbo fazer, empregado no sentido de tempo, não varia.
    Escrever corretamente é importante.
    Mas erros de português não tiram o valor de textos com conteúdos úteis, interessantes e bem elaborados, como os seus.
    Grande abraço.

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  4. Obrigado pela correção. Na época eu estava ainda nas minhas andanças, e os meus posts eu escrevia nas lan houses que encontrava. E ai já viu né? Tempo é dinheiro... Hoje quando tenho alguma dúvida sempre recorro ao Dr. Google.
    Obs: o plural de lan house eu acertei, primeiro digitei e depois conferi, mas havia acertado.
    Obrigado pela visita ao blog e pela correção, gosto desse tipo de crítica, que ajuda a nos tornar melhores.
    Abraços

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    1. Só passei a informação por causa da pergunta ao lado da frase...
      Acho que era uma brincadeira sua e eu não percebi... Rs
      Estou lendo agora seus posts sobre suas andanças até Parati...
      Estou gostando muito!
      Beijo!

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    2. Era uma brincadeira sim, mas baseado na realidade. Eu tinha essa dúvida, ou até nem tinha, é que na lan house ficava meio apressado e deixava de revisar os posts com maiores cuidados.
      Sim, a viagem até Paraty foi inesquecível. Foram muitos perrengues, mas valeram e muito a pena.

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