quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Estrada Real Caminho de Sabarabuçu 1ª parte

   Existem quatro caminhos da estrada real, aqui em Minas Gerais. Como a maioria já sabe, já fiz um:o caminho velho, entre Ouro Preto(MG) à Paraty(RJ). Esse caminho, conhecido como Sabarabuçu, é o menor dentre os quatro(110km+-). Mas é muito bonito também. Pretendo, futuramente, fazer os outros dois, que têm 500km cada um. 
8 de agosto de 2013
Cocais

    Pego um ônibus em Belo Horizonte, com destino a Cocais, por volta do meio dia. É nesse pequeno e pacato distrito que se inicia o caminho de sabarabuçu, o menor dentre os quatro caminhos da estrada real em Minas Gerais. No meio da viagem, um senhor, aparentando uns 60 anos de idade, senta-se ao meu lado. Carrega um terço nas mãos e constantemente faz o sinal da cruz. Como "bom paranoico" que sou, logo penso que ele não foi com a minha cara e que estava fazendo aquele gesto por minha causa. "Mas então por que ele não se senta em outra poltrona?", me pergunto. Aquilo estava me incomodando, e muito, mas claro que não disse nada para o senhor, já quebrei a cara algumas vezes ao tentar conversar com as pessoas que eu cismava que estavam falando ou planejando algo contra a minha pessoa. Hoje em dia sei lidar melhor com essa situação e uso muito a terapia do "tô nem ai". Isso mesmo, tô nem ai se os meus pensamentos são frutos de minha paranoia ou se o que estou pensando é fruto da realidade mesmo.

    Nunca fui de fazer muito esforço para agradar as pessoas, e não seria agora que me aposentei é que faria isso. Não é arrogância de minha parte, só gostaria que as pessoas gostassem  da minha pessoa do jeito que sou, apenas isso. 
    Voltando a viagem, resolvo então mudar de poltrona, já que o senhor não parava de fazer o sinal da cruz. Ao me sentar no novo lugar, o cara, com um sorriso no rosto, me entrega o jornal que eu havia esquecido . Esse pequeno gesto fez com que minha desconfiança diminuísse , e acabei chegando a conclusão de que o homem era apenas muito religioso e que estava pedindo a Deus para que a viagem transcorresse tranquilamente. É a velha mania de perseguição que me persegue...
    Chego a Cocais por volta das duas horas da tarde e vou logo me informando sobre os dois principais pontos turísticos do distrito: a cachoeira e a famosa pedra pintada, com suas pinturas rupestres, de cerca de seis mil anos atrás(já até apareceu na Globo). Cocais é um distrito bem pacato, distante 100km da capital. Quase ninguém andando pelas ruas de pedra, um ou outro carro passando pela via principal e algumas crianças brincando no parquinho em frente à igreja. Quase toda pequena cidade do interior de Minas tem uma igreja com uma pracinha em frente.
distrito de Cocais
     Depois de um lanche, sigo para a pedra pintada, a fim de tirar algumas fotos. Subida bem íngreme, e logo começo a ficar ofegante, há muito tempo não fazia essas caminhadas. O peso da mochila(13,5kg) parece que vai aumentando a medida que vou caminhando. Depois de 3,5km de pura subida, já bem cansado, consigo chegar a entrada da atração turística, que é vigiada por um casal que mora no local.
    Sou alegremente recebido por um daqueles cachorros de orelhas grandes e corpo espichado, parecendo uma salsicha. O caseiro então aparece e me convida a entrar. Me leva por uma pequena trilha até o lugar onde foram feitas as pinturas. O cachorrinho sempre ia na frente, como já sabendo o que iríamos ver. A paisagem lá de cima é deslumbrante, vale a pena a subida. As pinturas foram feitas no alto de uma pedra, e é preciso focar um pouco a visão para ver e distinguir as figuras de alguns animais.

    Não fico muito tempo apreciando as pinturas, pois queria também ver e tomar um bom banho na cachoeira de Cocais, que fica à 1km de distância da pedra pintada, na mesma subida íngreme. Para o meu azar, a porteira da entrada estava trancada com cadeado. A cerca era de madeira e arame farpado, mas, mesmo assim, resolvi pular a cerca, já que a cachoeira não se situava em uma propriedade particular. Qualquer deslize na cerca poderia me machucar bastante, principalmente as pernas e os países baixos. 
    Depois da porteira, tive que caminhar uns 300 metros por uma descida bem acentuada. Mas valeu a pena, esse lugar também é muito bonito. Não quis arriscar a continuar a caminhada para ver a queda d'água,  por causa do horário(5 horas). Se escurecesse, estaria em sérios apuros. Então, tomei um belo banho (pelado, é claro) na cristalina água daquela cachoeira, que não estava muito gelada. O dia tinha sido muito quente. As cachoeiras do caminho para Paraty são mais congelantes.
vista do alto da pedra pintada
      Depois do banho resolvi ir embora, afinal, tinha que montar a barraca antes que escurecesse. Após uma breve procura, encontro um local plano e gramado, próximo a porteira da cachoeira. Foi uma sensação diferente que tive, ao fincar os ganchinhos na terra. Era a primeira vez que iria acampar no meio do mato.
   Já dentro da barraca ligo o rádio, mas só consigo sintonizar três estações: na primeira,  um pastor não parava de falar, não tinha música. A outra tocava só "breganejo" (respeito a original música sertaneja, mas não  esses "sertanejos" que aparecem por ai). A terceira já apresentava um programa que só noticiava crimes e mortes. Cheguei a conclusão de que seria melhor ouvir os grilos cantarem mesmo.
    Às seis horas da tarde já havia escurecido, não dava para ver muita coisa. Estava um pouco apreensivo, principalmente em relação à temperatura, afinal, já estamos no inverno. Apesar de ter comprado um saco de dormir, não tinha ideia de como seria essa primeira noite no meio do mato.



09 de agosto de 2013
Cocais-Antônio dos Santos

minha nova casa nova
    A noite foi super tranquila. Quando os grilos paravam de cantar, não se ouvia nada, silêncio total. Nem mesmo ao longe se ouvia uma voz. Não sei por que motivo, mas no mato conseguimos ouvir sons que estão distantes de nós. 
    Quanto à temperatura, não fez o frio que estava esperando. Fiquei meio decepcionado, afinal o saco de dormir me custara 130 reais, e queria por que queria ter motivos para usá-lo. Na viagem à Paraty passei alguns apertos em relação ao frio em algumas cidades, principalmente no sul de Minas. Agora que dormi no meio do mato e em pleno inverno, não fez muito frio, só a manta foi o suficiente para espantar o frio. 
    Acordo por volta das oito da manhã. Havia comprado um relógio do Paraguai, já que não tinha mais o meu amigo celular, que nunca tocava as músicas que eu queria ouvir em determinados momentos, pois já estava meio avariado e só tocava as músicas no modo aleatório. O larápio que roubou o aparelho deve ter ficado meio decepcionado, e ainda bloqueei o celular na operadora. Aconselho a todos a fazerem o mesmo, é rápido e fácil. Se todos bloquearem os aparelhos roubados, provavelmente os ladrões não terão tanto ânimo em nos roubar. 
    Após desmontar a barraca, pulo a perigosa cerca de arame e vou em direção à queda d'água da cachoeira da Cocais. Depois da longa descida caminhei por alguns metros por uma trilha até chegar aos pés daquela maravilha da natureza. O caminho é um pouco cansativo, mas vale a pena o esforço. Creio que a queda deva ter uns quarenta metros de altura. Os habitantes de Cocais me informaram que existem sete quedas no total, uma depois da outra, sendo que a primeira tem cerca de 70 metros. Mas resolvi ficar nessa primeira queda, afinal tinha que pegar estrada na parte da tarde. O tempo estava meio nublado, mas não poderia perder a oportunidade de tomar um banho em um lugar tão bonito. Ao contrário do dia anterior, a água estava muito gelada, mas com o tempo o corpo vai se acostumando com a temperatura e entro bem debaixo da queda, deixando a água cair com força em minhas costas. A mãe natureza é uma ótima massagista, e saio da cachoeira revigorado, com vontade de voltar em uma outra oportunidade, para ver as outras quedas.
árvore meio morta meio viva
     Comi uma bela de uma feijoada em um restaurante do distrito e à uma hora já estava caminhando rumo ao povoado de Antônio dos Santos, distante 20km de Cocais. O caminho é muito bonito, mas muito desgastante. Quando não estamos subindo, estamos descendo. Poucas retas para dar uma aliviada na musculatura. O sol do inverno estava de rachar, e o peso da mochila estava fazendo com que o caminho deixasse de ser um prazer. Chego a conclusão de que o máximo de peso que consigo carregar sem sofreguidão é dez quilos. Na viagem do caminho do padre Anchieta carreguei sete, e foi uma maravilha. Só retas pelo caminho e a sensação era  de que não estava carregando nada. Já na viagem para Paraty foram dez quilos. Incomodava um pouco, mas era suportável. Agora, quase 14 quilos já era demais. Pensei em desistir, pegar um ônibus e voltar para BH, mas, como vocês já sabem, não sou de desistir assim tão fácil. Agora que consegui comprar uma barraca que suporta chuvas, e um saco de dormir para me aquecer, posso dormir no meio do mato mesmo. Por causa do peso e das fortes subidas, irei  caminhar menos por dia, sem pressa, mas irei até o fim. Então começo a cantar "é devagar, é devagar" do Martinho da Vila. Gosto deste tipo de samba, mas não sou muito chegado naqueles pagodes tipo "lá lá lá" e "lê lê lê'.
    Essas músicas têm muita sabedoria. Não é coisa de intelectual, mas é a sabedoria popular, que merece ser respeitada. Não tenho nada contra quem gosta de Sócrates e outros pensadores, mas essa não é a minha praia. São complicados por demais para a minha cabeça já complicada. Já até tentei ler Nieztche, por volta dos vinte e poucos anos, para impressionar as mulheres, dando uma de intelectual, bom de papo,etc. 
Mas confesso que parei na segunda página do livro, sabia que iria pirar se tentasse ler e entender os pensamentos desse cara. 
    Mas, voltando a viagem, resolvo parar de andar por volta das quatro e meia da tarde. Estou bastante cansado, após percorrer 12km de fortes subidas. Já havia caminhado cerca de 5km de manhã, da cachoeira até o centro de Cocais. Ou seja, caminhei 17km no dia. Com o tempo irei melhorar o meu condicionamento físico.
    Consigo encontrar um bom local para armar a barraca, o que não é tão facil assim neste caminho de sabarabuçu. São cinco horas da tarde e já está fazendo um pouco de frio. Creio que esta noite irei estrear o saco de dormir e ter que fechá-lo e ficar dentro dele, apesar de ser um pouco claustrofóbico.
no final da viagem à Paraty, não imaginava que sentiria saudades dos marcos da estrada real



10 de agosto de 2013
Antônio dos Santos-Caeté

     A noite foi bem fria, mas o saco de dormir realmente faz uma boa proteção e consegui dormir bem. Por volta das sete horas da noite, um cara, em um fusquinha branco, parou em frente a barraca. Deixou os faróis ligados e saiu do veículo. A principio fiquei um pouco assustado, não tinha a mínima ideia de quem poderia ser e o que queria. Escuridão total. Mas o cara era gente boa e quando sai da barraca ele já estava com dois sanduíches de mortadela para me oferecer. Enquanto comia conversamos bastante. Os moradores do caminho têm curiosidade sobre o motivo de uma pessoa estar caminhando por essas estradas e com tanto peso nas costas. Já me perguntaram se sou devoto, se estou pagando penitência, se trabalho na estrada real ou se vou ganhar algum prêmio no final da caminhada. A maioria das pessoas não conseguem entender, dá para perceber isso em suas fisionomias quando falo sobe o meu destino. Só uma pequena parte é que entende e acha bacana esse ato de sair caminhando por ai.



    Tirando a visita do cara do fusquinha, nada demais aconteceu nesta noite. Silêncio e escuridão total.
    A distância entre o distrito de Cocais e a cidade de Caeté é de 40km. Mas ontem, por causa das fortes subidas e do calor, caminhei apenas 12km do percurso, na parte da tarde. A mochila pesada e a falta de ritmo de caminhada também contribuíram para o meu baixo rendimento. 
    Acordei as sete horas com o sol aquecendo a barraca. Pouco antes das oito já estava pronto para partir quando um morador da região, à cavalo, veio até a mim para prosear e me convidar para tomar um café. Coisa de mineiro né? Conhecer os moradores das pequenas cidades e distritos é tão bom quanto caminhar. A residência do cara é bem antiga, estilo casarão mineiro mesmo, com piso de madeira. Tinha muitos cachorros. Morava com sua família, seus filhos estavam jogando vídeo game. Tinha uma parabólica no quintal. Sinais dos tempos, a modernidade chegando aos rincões de Minas. Novamente a conversa sobre a caminhada, sobre o que fazia da vida, etc.
    Depois de saciada a fome, me despeço de todos e começo a seguir o trecho do dia. Faltam 28km para se chegar a Caeté. Com a experiência do dia anterior, planejo fazer o percurso em dois dias, não dá para tirar algum peso da mochila no meio do caminho, só se eu comer a granola toda de uma vez.
    O sol hoje também está de rachar, mas já estou caminhando em um ritmo melhor. Por volta das onze horas chego ao povoado de Antônio dos Santos, mas, para o meu azar, a dona do único bar que oferece almoço está doente. O jeito foi recorrer ao tradicional sanduba de presunto e queijo, com iogurte. De sobremesa, maçã e banana para ajudar a musculatura com potássio.
subidas e mais subidas
    Como não fiquei de barriga cheia, deu para voltar a caminhar sem fazer uma cesta. Após comer uma laranja, meu intestino dá sinais de vida. É só viajar e mudar a rotina que ele sai do ritmo. Foi um pouco complicado para me aliviar, pois esse trecho da estrada real é cercado dos dois lados, e, para piorar, costuma passar carros com uma certa frequência. O jeito foi achar um matinho e contar com a sorte.
    Estou me sentindo bem e já penso em chegar a Caeté hoje mesmo, apesar das fortes subidas que predominam neste trecho, que conta com muitas sombras para nos proteger do sol. Durante a caminhada, vou pensando seriamente em passar alguns dias acampado em alguma das inúmeras cachoeiras de Rio Acima, que é o ponto final desta minha viagem. Não vou seguir o percurso da estrada real por completo, pois, no caminho para Paraty, já conheci o distrito de Glaura. Os dias neste inverno aqui em Minas estão sendo muito quentes, e vai ser ótimo para tomar bons banhos de cachoeira. Rio Acima tem algumas cachoeiras não muito longe da área urbana, então vai dar para desmontar a barraca na hora de almoçar para pegar um rango em um restaurante qualquer da cidade. Chego a pensar se não seria uma boa morar definitivamente perto de uma cachoeira, longe da confusão da cidade grande. Gosto muito de Belo Horizonte, mas as coisas andam meio complicadas, trânsito maluco, violência, etc.
    Em um bom ritmo, para minha surpresa, chego a Caeté antes das quatro horas da tarde. Não estou muito cansado, mas os ombros estão um pouco doloridos. Consigo tomar um bom banho quente no ginásio da cidade e depois passo algumas horas na lan house a fim de saber o que está acontecendo pelo mundo.
    Depois da net, procuro um local para dormir. Encontro uma praça bem legal, com bastante grama, mas tinha um pequeno problema: um tal de Naldo(nem sei quem é, mas parece que tá fazendo sucesso por ai), irá fazer um show bem perto da praça, ou seja, a área vai estar bastante movimentada esta noite. Como na praça da igreja matriz também irá ter show, resolvo montar a barraca na rodoviária, que, depois das nove horas já não tem muito movimento.
chegada à Caeté


11 de agosto de 2013-domingo
Caeté-Sabará

    Não tive maiores problemas em dormir na rodoviária da cidade. Com exceção de alguns moleques que a todo instante balançavam a barraca e depois saiam correndo, não fui importunado por ninguém. 
    De manhã tomo um ótimo desjejum: um pão de sal bem quentinho e café com leite. Depois comi um  mamão, banana e laranja de sobremesa. Ah! E o yakult não poderia faltar né?
interior da igreja matriz de Caeté
      Caeté tem inúmeros pontos turísticos para se visitar, mas seria preciso mais de um dia para visitá-los. Como o município situa-se próximo a Belo Horizonte, deixo uma visita para depois.
  O trecho para Morro Vermelho também é complicado,muitas subidas, mas com belas paisagens. Por ser de manhã, o sol não estava castigando tanto assim, e consegui caminhar em um bom ritmo, chegando ao povoado pouco antes das onze horas.
    Como era domingo, comi no almoço o que tive vontade de comer, como bom mineiro que sou: feijão tropeiro, carne de porco e um ovo tipo disco voador. E, para completar, uma coca bem gelada! Não sou muito de fazer essas estripulias alimentícias, mas sabe como é né? Domingo pode!!!

    Depois do rango, é claro, me bateu um sono danado e tirei um cochilo de meia horinha. Ao meio dia já estava pronto para percorrer os 20km restantes até a cidade de Sabará. O caminho neste trecho é mais tranquilo, não tem tantas subidas. Mas o sol estava de rachar! A umidade do ar parece que está baixa, o clima está muito seco neste inverno aqui em Minas. No meio do caminho já começo a sentir algumas dores musculares nas pernas, principalmente a esquerda, para variar. Realmente o meu limite de conforto é dez quilos é já começo a pensar sobre o que retirar para a próxima viagem(passos dos Jesuítas-SP)
A sede incomoda muito mais do que a fome, acho que a maioria das pessoas concordam com isso. Podemos ficar vários dias sem comer, mas se não bebermos água... Há pouquíssimas casas e fazendas no percurso, e tenho que racionar esse líquido tão precioso. Por volta das quatro horas já estou bem cansado, e penso em acampar antes de chegar a Sabará, mas, analisando a região, vejo que a única fonte de água é a de um rio que talvez sirva de esgoto para o povoado de Morro Vermelho e que acompanha o viajante até Sabará.
    O jeito foi partir para o sacrifício, num cenário desanimador: muito sol e pouca água. Quase nenhum sinal de vida pelo caminho, não passando muitos veículos na estrada. Tirando a vegetação verde, a sensação era de que estava em um deserto, por causa do clima seco e hostil.
    A mistura bombástica do almoço resultou em torpedos com gazes violentíssimos. Era uma rajada que saia a todo momento. Se fosse em um elevador...
    A mochila estava ficando absurdamente mais pesada a cada quilômetro andado, e a dor na batata da perna já me incomoda bastante. Mas com muito esforço e sacrifício chego em Sabará por volta das seis horas da tarde, em frangalhos.

    Como estou muito cansado e com dores, chego a conclusão de que preciso descansar em uma boa e confortável cama. Depois de uma longa procura, consigo achar na cidade um hotel com preço acessível. É a estrada dos reais!
    Lavo minhas roupas e tomo um longo e demorado banho. As dores estão me incomodando muito e resolvo tomar um comprimido que me faz apagar e que só tomo de vez em quando. Amanhã tenho que estar recuperado para prosseguir a viagem.

12 de agosto de 2013-segunda feira
A decisão

    Acordei às sete horas, sonolento e meio dopado pelo efeito dos medicamentos. Não tenho o costume de tomá-los, só uso o pan nosso de cada dia mesmo  Esses medicamentos só tomo quando estou muito estressado e quando preciso dar uma "zerada" em minhas idéias.
     Demoro mais de uma hora para tomar um banho e arrumar a mochila. Uma imensa vontade de não fazer nada tomou conta de mim. Após muito refletir, resolvo desistir do caminho, ou melhor, adiá-lo, pois não sou de desistir assim tão fácil. Missão dada é missão cumprida! Mas, claro que temos que reconhecer nossas limitações e recuar, para depois avançar em melhores condições. Já não sou um garoto(44 anos este mês, já estou aceitando presentes rsrsrs) e sei que tenho que reduzir o peso da mochila para caminhar sem sofreguidão.
    Mas o que mais atrapalhou mesmo foi o efeito do medicamento. Deveria ter tomado uma dose menor. Por experiência própria sei que o efeito só irá acabar por completo à noite, e o mais sensato é voltar para Belo Horizonte mesmo.
    Antes de voltar, dei uma voltinha pelo centro histórico de Sabará para tirar algumas fotos.
centro histórico de Sabará
     Esses medicamentos, além de me deixarem lento e dopado, fazem com que eu me sinta meio robotizado, como se anulassem as minhas emoções. Fico apático e não acho graça em nada, nem mesmo nas belas paisagens desse nosso Brasil.
    Por esses motivos o melhor é dar um tempo e voltar melhor em uma outra oportunidade. Até a próxima pessoal, com o relato da segunda e última parte da viagem.

igreja sem teto, segundo moradores, a obra não foi terminada ou o teto desabou depois de pronto

4 comentários:

  1. Grande Julio,

    Às vezes precisamos dar um passo pra trás pra poder ver melhor o caminho que temosa frente. Tenho certeza que em breve você voltará nesse caminho, nos brindando com belas fotos e relatos de suas aventuras!

    Quanto ao saco de dormir, mochila e barraca nova, que bom que você as comprou. Imagino que o conforto deva ser bem maior. Não sei se você tem um fogareiro - desses à base álcool mesmo -, mas também pode ser uma boa para cozinhar um miojinho na calada da noite, rs.

    O peso é que é sempre o grande problema... ultimamente, em minhas pedaladas/caminhadas, estou reduzindo bastante as roupas. Levo no máximo duas camisas, além da que estou usando, por exemplo. E sempre feitas de poliester, que são mais leves (e às vezes até mais abratas) dos que a de algodão. Considero como "camisa" uma segunda pele que tenho (paguei uns R$39), que fica coladinha com o corpo e faz a temperatura circular e aquecer. É uma maravilha!

    Outra coisa que vem me ajudando é uma calça que vira bermuda, com zíper na perna. É outra belezura, rs.

    Mas tudo isso a gente vai vendo com o tempo, e se acostumando/mudando conforme as necessidades. Te desejo boa sorte nas próximas caminhadas, e desde já um FELIZ ANIVERSÁRIO, COM MUITAS FELICIDADES E ANOS DE VIDA!

    Forte abraço!

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    1. Olá Wendell, realmente o caminho é como a vida, ou melhor, a vida é um caminho. Temos que saber lidar com as dificuldades e tirar lições delas, mas sempre é um prazer andar por ai, vale a pena o esforço. Sou um desastre na cozinha, o máximo que consigo fazer é ovo cozido rsrsrs Então o jeito é só levar granola e biscoitos na mochila mesmo. Quanto a camisa, realmente descobri que o algodão não é o melhor material, até para as meias, comprei umas com menos algodão, que suam menos diminuindo o chulé. Obrigado e tudo de bom para vc por ai.

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  2. Ola julio,

    Achei o sabarabucu mais difícil do que o caminho velho, muitas subidas e descidas fortes.......
    Tem razão, 14 quilos é muito peso.

    Mario lucio

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    1. Verdade, o caminho de sabarabuçu é relativamente curto, mas muito difícil mesmo. A mochila realmente estava pesada, e ai o caminho deixa de ser um prazer. A mochila também parece que não se adaptou ao meu corpo, parte dela fica bem na "poupança" atrapalhando a caminhada. Ai tentei levantá-la na regulagem, e ai o peso ficou todo nos ombros. Na hora de comprar uma mochila é preciso realmente experimentá-la, pedir ao vendedor para enche-la com alguma coisa e assim darmos umas voltas na loja para ver se ela ficou bem em nós. Mas futuramente irei comprar uma que se adapte ao meu corpo. Na mochila menor(35L)eu carregava 11kg sem muito desconforto, mas com essa(50l) estou carregando apenas 9kg. Mas é isso ai, essas coisas vamos aprendendo com a prática. Obrigado por visitar o blog.

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