sábado, 11 de abril de 2015

Divagações esquizofrênicas 8

    Esta semana não irei falar sobre um tema específico, daí o título divagações. Sempre temos algo a dizer, e ai vamos divagando sobre vários temas aqui e acolá neste mundo tão complexo e fascinante que é o comportamento humano.

    São poucas emoções
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    A maioria dos leitores sabe que não sou muito adepto de ficar usando os medicamentos, apesar de ser um hipocondríaco grau moderado. Hipocondria não quer dizer necessariamente tomar um monte de medicamentos, e sim achar que alguma doença nos atormenta, e também enxergamos bactérias em tudo o que é quanto lugar (o que não deixa de ser uma verdade). Mas, justamente por ser hipocondríaco é que não tomo remédios, pois já fico quase doente só de ler as bulas de alguns remédios. Assim acontece com os antipsicóticos, 
    Só me arrisco a tomar  os neurolépticos quando as paranoias estão em um nível elevado, mais ou menos no grau 8. Com o tempo e um pouco de autoconhecimento, às vezes sentimos quando estamos prestes a surtar. 
    Não tomo os antipsicóticos por vários motivos, sendo que a maioria deles já descrevi neste blog. Esta semana assisti o vídeo acima (para assisti-lo completo, basta clicar no  link). É sobre a esquizofrenia e resolvi selecionar a parte em que um portador que toma a quetiapina dá o seu depoimento. Havia também psiquiatras e o apresentador. O portador falava maravilhas da quetiapina, mas, em nenhum momento chegou a esboçar um sorriso, fazer uma brincadeira, apesar da esquizofrenia ser um assunto sério. Parecia ter o raciocínio lento e meio robotizado, emocionalmente falando. Sei mais ou menos o que ele deve estar sentindo, ou melhor, não sentindo, ou seja, nada.... Algumas reações adversas dos antipsicóticos se assemelham aos sintomas da esquizofrenia, como a apatia e o embotamento afetivo. Quando tomei a quetiapina, a sensação era de que as minhas emoções haviam sumido. Não sei a gravidade do caso deste cara, talvez seja necessário mesmo usar a medicação, mesmo em alta dose, mas me desculpem, não é isso o que quero para mim. Prefiro o depoimento da psicóloga Eleonor Longden, que também é esquizofrênica, mas me pareceu mais humana e emotiva, chegando a se emocionar ao contar o seu depoimento. Para acessar o vídeo do depoimento, basta clicar no link(palavra na cor azul, ou então no lado direito do blog).
    O portador afirma no vídeo que não conseguiu trabalhar novamente, ou seja, apenas teve uma recuperação parcial, se tivesse se recuperado completamente, estaria trabalhando, ou não? Como abordei no post Diálogo aberto, a verdadeira recuperação é não voltar a usar os medicamentos e ter uma vida pelo menos parecida com a que tínhamos antes dos surtos. 
     Eu mesmo não me recuperei totalmente,  tenho os meus perrengues, sendo o principal deles o convívio social. Passo cerca de 22 horas por dia no meu quarto, no notebook, na TV, ouvindo música e, às vezes, escrevendo para o blog. Até que não me queixo muito disso, prefiro ficar sozinho do que mal acompanhado, e este mundo em que vivemos está uma verdadeira loucura, e, a cada dia que passa vou me sentindo uma pessoa normal ao ler os noticiários na net ou ver na TV. 
    Mas prefiro passar os perrengues e não abrir mão dos meus sentimentos positivos e alegres. Quero me emocionar quando vejo algo legal, uma atitude bacana, seja no mundo real ou virtual. Quero vibrar com os gols do meu time, e, por que não, ficar chateado quando ele perde. Mas quero me emocionar, independente de qual seja o sentimento que estiver em meu coração. Aquela frase da música do Roberto Carlos é bem clichê, mas o importante é que emoções eu vivi....
   
A difícil relação com a "Clô"
    No dia 14 de março publiquei o post "Tive que reatar com a Clô", pois a situação estava ficando crítica. Mas, depois de me estabilizar, resolvi me separar definitivamente dela. É uma relação complicada demais, perdi a conta de quantas vezes me separei e reatei com ela. Essa agora é a última vez, tive um pouco de alergia, apesar de estar tomando concomitantemente (olha o médico baixando..) o fenergan, que é justamente para tirar esse efeito colateral, além de dar um sono danado.
    Fiquei com urticária e vermelhidão no braço. E sem vontade de fazer nada, do jeito que as coisas iam, não iria terminar o meu segundo livro Divagações Esquizofrênicas nunca! 
   Então, analisando os prós e os contras, decidi ter com a Clô uma relação aberta, sem maiores compromissos. Ficaremos separados, cada um no seu canto, e, quando sentir a sua falta, voltaremos a ficar juntos por um tempo. Vai ser melhor para nós dois, quem quiser ficar com a Clô que fique à vontade...

Paranoias diárias
    Essa semana fui à uma loja de materiais de construção, para comprar cola de sapateiro. Não gosto de deixar os fios de energia, das caixas de som, da antena, etc aparecendo e ficando espalhados no chão ou pendurados na parede. Por isso gosto de usar as canaletas, sou pobre mas gosto das coisas nos seus devidos lugares.... O jeito é fazer gambiarra mesmo, mas existe a boa gambiarra... Gambiarra mal feita costuma pegar fogo...
    Mas, voltando à loja de material de construção, a atendente me olhou bem nos olhos quando pedi a cola de sapateiro. Era como se ela estivesse afirmando que eu era um cheirador de cola, um drogado!
    Também fiquei olhando para seus olhos, como que dizendo mentalmente que não era um drogado, e cheguei até a balançar a cabeça. Até hoje eu tenho um pouco disso, de pensar que as pessoas sabem o que eu estou pensando, em momentos de stress. E o contato humano para mim é um stress e tanto. 
Até cheguei a mostrar o meu dedo machucado, pois, à princípio havia tentado fixar as canaletas com pregos, mas em vão, pois as paredes do quarto são praticamente impenetráveis com pregos...
    Outra paranoia que ainda me segue é creio que não vai me largar é a de achar que todo mundo pensa que sou um bandido, um ladrão. Hoje em dia quem está paranoica são as pessoas de um modo geral, devido ao grande número de furtos que ocorrem nas grandes cidades. Quando uma mulher passa perto de mim segurando com firmeza sua bolsa é como se estivesse me chamando de ladrão. Quando vou ao banco sacar algum dinheiro, já entro com o cartão na mão, para o segurança ver... 

Meu amigo fone de ouvido
o fone é pequeno para a minha cabeçona

    Assim que sai das ruas e aluguei o quarto em que estou morando atualmente, resolvi comprar um fone de ouvido bacana, daqueles grandes, que dão um grave legal. O som era muito bom realmente, mas ele não era muito resistente, era de plástico. E, na hora de colocá-lo na minha cabeçona, acabou quebrando, para a minha infelicidade. 
    Fiquei três meses sem fone de ouvido. Mais descartável do que esse item, só fralda de criança mesmo. Nesse tempo pude constatar como um fone é muito importante na minha vida, principalmente quando estou andando pelas ruas. Ouvindo música, consigo me desligar do mundo, e não reparo em nada do que está acontecendo à minha volta, mais ou menos como era antes dos surtos. 
     Nesse tempo que estava sem os fones, andava pelas ruas apressado, reparando nas pessoas e no que estava acontecendo à minha volta. Estava andava mais apressado do que o normal, quando saia para almoçar quase que voltava correndo para casa. 
    Tinha alguns fones estragados, e  resolvi consertá-los. Comprei dois plugs e, com alguma dificuldade, consegui consertá-los. Geralmente o que estraga no fone é o cabo que fica perto do plug, e, como estudei eletrônica, consigo soldar esses fiozinhos finos e fazerem com que os fones voltem a funcionar novamente. Agora consigo sair de casa com mais tranquilidade, ouvindo uma boa música e me desligando do mundo, sem reparar em nada e em ninguém. Hoje até consegui ir ao parque ecológico e me exercitar, pois estou muito sedentário, nem de longe lembrando o cara que andava 30km por dia com uma mochila nas costas. E também uso o fone contra as vozes, apesar de hoje em dia não ter tanto esse tipo de problema. É uma tentativa de burlar a esquizofrenia, pois, ouvindo músicas em uma certa altura, não é possível ouvir vozes de seres humanos, e, as que eventualmente ouvir, provavelmente são alucinações...
  
Central de Downloads do esquizo
    Resolvi criar uma central de downloads, para compartilhar livros e outras coisas relacionadas a esquizofrenia e outros temas também. Para começar, estou disponibilizando o livro "Uma mente inquieta", um testemunho de uma mulher com transtorno de humor (bipolaridade). 
    Podem baixar sem medo, não tem vírus, os arquivos são hospedados no meu email, em um serviço chamado one drive, onde guardo os meus arquivos, caso o HD do note estrague. Só que os arquivos para download são configurados como "público", ou seja, qualquer pessoa pode acessar e baixar os arquivos. Não é difícil, as imagens abaixo já explicam tudo. 
    Resolvi também disponibilizar o "toque especial do esquizo para celular". É um toque único e exclusivo, criado e editado por mim, que acorda quem tem o mais pesados dos sonos... Está na pasta músicas, e o livro está na pasta livros sobre esquizofrenia. 
para acessar a central de downloads basta clicar no link no final da página
        Estou na dúvida se na semana que vem disponibilizo para download um livro famoso sobre esquizofrenia, de um psiquiatra conhecido. O livro é bom, muito informativo, mas nada de tão extraordinário assim, só li algumas páginas, mas é usada uma linguagem simples, o que é muito bom. Estou na dúvida, em minha mente o anjinho e o diabinho estão falando aqui na minha cabeça...
    - Não faça isso, o livro está à venda nas livrarias do Brasil, você estará prejudicando o autor do livro. - o anjinho me aconselha.
    - Cara, pode colocar o livro para as pessoas baixarem, não tem nada haver, o cara já está rico mesmo, não vai fazer falta nenhuma para ele...- o diabinho fica insinuando...
     Claro que não existe o diabinho e o anjinho na minha mente, é a minha consciência que está dividida. E vocês, o que acham?
    Coloco ou não o livro para download, apesar de correr um certo e pequeno risco de uma retaliação do autor do livro? Eu não gostaria que fizessem isso com o meu livro, mas eu ganho um salário mínimo, e às vezes a venda dos livros quebram um galho, apesar de não ganhar muita coisa, pois é complicado mandar imprimir livros em pequena quantidade. Já o psiquiatra está rico e deve cobrar cerca de 300 reais por consulta. 
     Mas, se de um lado a minha consciência me condena por disponibilizar algo que não é de minha autoria, ela mesmo também me incentiva a fazer tal gesto, por assim ajudar as pessoas a entenderem um pouco melhor a esquizofrenia. Gostaria de saber a sua opinião, na enquete quente e polêmica. Por favor, votem, o blog até que tem um bom número de acessos, mas poucas pessoas participam das enquetes. E, dessa vez preciso da opinião de vocês, para colocar ou não o livro para download. 


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    Esse é o meu toque personalizado, disponível na central de downloads do esquizo. 
    Este é o link para a central de downloads públicos:


  O cara acima se passava pelo baterista do Elton John. Foi até procurado pela polícia, mas é um cara inofensivo. Vive no seu mundo, na sua loucura positiva. Se medicarem ele, não irá ter mais esse delírio, mas ele vai ser feliz? Sei que ele não toma os remédios, pela sua disposição e alegria, mesmo que baseada em uma falsa crença? É melhor viver feliz em nossas viagens fora da realidade ou viver triste dentro da realidade do mundo atual? 

11 comentários:

  1. Gostei muito do post, e mais ainda do vídeo porque além da matéria tem uma propaganda que gostei muito sobre vendas. O cara do vídeo é muito engraçado, não poderia imaginar que ele é esquizofrenico.
    quanto aos remédios...eu tomo clonazepan (rivotril) e me sinto bem, tem horas que eu acho que não sou esquizofrenica...porque eu não me identifico muito com estes sintomas , ou não os percebo...sou bem humorada até demais, acho que sou um pouco palhaça como aquele cara do vídeo...rs eu sou esquizita. Tai, me encaixei em um padrão.

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    1. Olá, obrigado pela visita ao blog. Em relação ao cara do vídeo, eu não sei se ele é esquizofrênico, mas creio que ele tenha algo semelhante. Na verdade ele não tentou se passar como o baterista do Elton John para tirar algum proveito financeiro, creio que ele se imaginou sendo o baterista como uma espécie de delírio mesmo. Acho que ele é feliz dessa forma, e neste caso, os remédios o deixariam dopado e ele voltaria para a triste realidade. Eu era um pouco assim também, meio fora da realidade, e acho que por isso era mais feliz.

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  2. As vezes é melhor não se assumir e passar dispercebida por algumas pessoas.
    Infelizmente o preconceito ainda é muito grande, por isso eu acho mais fácil EU FINJO SER NORMAL , ELES FINGEM QUE ACREDITAM, Só assim eu consigo levar a vida algumas vezes.


    Um abraço!

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  3. Estava lendo que você ficou com" urticaria e vermelhidão nos braços", eu estou assim, tb, coça tanto que até fere. E da quetiapina? Aprendo muito lendo seu blog, excelente.

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    1. Olá. A alergia que tive foi da "Clô"(clorpromazina) por isso tive que me separar dela e acabar com essa relação de uma vez por todas. Depois leia na bula do remédio que você toma se ele causa alguma reação alérgica. Obrigado pela participação e pela visita ao blog.

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  4. Legal esse post você poderia falar o nome do livro? ser for bom eu vou comprar

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    1. Compre os meus, é a esquizofrenia na visão de um portador. O profissional pode estudar por muitos anos, mas só quem tem o transtorno é que sabe o que é realmente esse problema. E tem promoção, se comprar os dois terá um desconto....

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  5. Olá Julio, antes de mais nada gostaria de parabenizá-lo pelo blog. Você tem muita coragem em contar sobre a sua vida para todos. Ler seus textos me deixou emocionada. Você me ajudou muito a entender verdadeiramente como é a vida de uma pessoa com esquizofrenia, totalmente diferente do que vemos na mídia por ai.Obrigada. Continue o bom trabalho. Tenha muita força sempre! Fique em paz.

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    1. Obrigado Ana, fico feliz em saber que o objetivo do blog está sendo feito, que é informar as pessoas sobre o que é realmente a esquizofrenia. Não estou dizendo que não existem esquizofrênicos que podem se tornarem agressivos durante um surto, mas isso não é a regra. A maioria dos portadores fazem mais mal a si mesmo do que a outras pessoas. Felicidades.

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  6. Esse relato de que medicamento Genérico não eh o mesmo que o original eh totalmente verdadeiro porque aconteceu o mesmo comigo quando deixei de tomar Pondera e comecei a tomar o Cloridrato de Paroxetina.

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    1. Olá, muitas se queixam do mesmo problema que você relatou. Alguns psiquiatras afirmam que os genéricos não são obrigados a terem a dose indicada na bula, levando os pacientes a terem que aumentar a dose do genérico. Ou seja, se isso for verdadeiro mesmo, então é uma fraude, pois se na bula está indicando x mg do componente e no genérico não tem, então é propaganda enganosa. Mas creio que na verdade é a falta de qualidade mesmo, se existe essa lei então foi feita para que as indústrias dos genéricos possam lucrar com a venda desses medicamentos. E ainda tem psiquiatra que defende esses laboratórios dos genéricos. Eles tem que informar a dose certa que contém cada comprimido, assim evita novas recaídas dos usuários.

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