domingo, 24 de setembro de 2017

Ajudem a manter o blog

     Hoje não irei falar sobre saúde mental, sobre andanças e nem sobre o que costumo postar normalmente aqui no blog.
Serei o mais breve e simples possível. O titulo da postagem se refere à ajuda para a manutenção do blog, mas não é bem isso. A verdade é que não tenho custo nenhum em escrever estas humildes postagens. Faço tudo isso com o maior prazer, sempre gostei de escrever, e se puder com isso ajudar de alguma forma as pessoas, também estará ajudando a mim mesmo, me tornando uma pessoas mais útil para a sociedade.
    Acredito sim que o que escrevo tenha alguma utilidade sim, pois infelizmente no Brasil o atendimento na área da saúde mental ainda deixa muito a desejar, apesar de alguns progressos. Um atendimento mais humanizado, em que a consulta seja um verdadeiro "Diálogo Aberto" é o que sempre desejei que acontecesse. Mas infelizmente o que vejo é a falta de diálogo e confiança na relação paciente e médico. E também deixa a desejar por falta de estrutura, apesar de termos sim bons profissionais e bem intencionados.
   Mas voltando a questão da manutenção do blog, repito que não existe gasto nenhum.  Já houve algum gasto, quando estava fazendo as minhas andanças e aí tinha que pagar pelo acesso à internet em alguns locais. Mas também repito que foi e é o maior prazer tentar ajudar algumas pessoas, quando estou me sentindo bem.
    Então o que peço nesta postagem não é uma ajuda para a manutenção do blog, e sim para mim mesmo. Estou em uma situação financeira um pouco complicada, pois atualmente estou morando em um local um pouco acima do meu orçamento. Estou morando atualmente neste local pois é o que consegui achar, pois os quesitos que mais aprecio em uma morada são: a paz, a tranquilidade e o respeito. Infelizmente tive que sair de dois locais com um aluguel mais barato devido ao fato de não poder dormir direito, devido à bagunça e a falta de respeito ao sono alheio, já que alguns moradores ficavam até altas horas da madrugada conversando e fazendo outras coisas que não são adequadas em um local onde várias pessoas de hábitos diferente convivem.
   Devido à este aluguel em alguns meses a situação fica complicada, mas dá para ir levando. Poderiam me dizer para voltar a trabalhar. Confesso que se tivesse condições para tal, nem teria cogitado a possibilidade de me aposentar. No momento tenho que ir me virando com o salário mínimo da aposentadoria, ou seja, quase metade do salário é para o aluguel. No momento ainda estou à procura de algum quarto mais barato, mas que tenha o mínimo de tranquilidade, pois sei que as horas de sono são muito importantes para a minha saúde mental. Aliás, é para todos.

    Muitas pessoas já me ajudaram desde que o blog foi fundado. Mas não peço nenhum sacrifício por parte dos leitores. Não é uma obrigação, Qualquer valor é bem vindo, pois com todos ajudando com pouco poderei sair desta situação. O valor pode ser depositado em qualquer agência lotérica ou em qualquer banco e até através do internet banking, na seguinte conta:
Caixa Econômica Federal
   Julio Cesar dos Santos de Oliveira
   Agência 2332 Ipatinga MG
   Caixa Econômica Federal
   Operação 013
   Conta 00035331-3
email: juliocesar-555@hotmail.com
   Atualmente estou morando em Belo Horizonte, a conta ainda é da cidade de Ipatinga, mas ainda a uso para estes fins aqui no blog, pois não uso o cartão que recebo a minha aposentadoria para outros fins. Também a compra do livro que escrevi me ajudaria bastante, no momento estou vendendo somente no formato PDF, que é enviado através do email ou pelo facebook mesmo.
O link para maiores informações sobre o livro Mente Dividida
http://memoriasdeumesquizofrenico.blogspot.com.br/2012/08/mente-divida-memorias-de-um.html

   Caso não tenha condições de ajudar, não tem problema algum. O blog como já  disse é feito com o maior prazer e sem intenção de algum tipo de retorno financeiro. Só o fato de me sentir uma pessoa útil já é o bastante e suficiente para continuar a escrever. A participação de todos pelos comentários também ajuda bastante a enriquecer as postagens.
Obrigado.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A pessoa que tem esquizofrenia pode morar sozinha?


     Outro dia desses, nas minhas andanças virtuais me deparei com uma matéria em que o assunto era exatamente o título desta postagem. Desta vez não precisei gastar os meus poucos neurônios que me restam para bolar um título chamativo para mais uma das minhas trezentas e tantas publicações.
     O que me incomoda mais é o rótulo, pois  geralmente se referem a nós como "o esquizofrênico", ou até mesmo de uma forma mais interessante como essa do título da postagem. 
    Já vi e ouvi todo tipo de  pergunta: 
    "O esquizofrênico pode dirigir"? "O esquizofrênico pode casar e ter filhos"?, etc.. Esse tipo de questionamento me dá a impressão de que as pessoas em geral imaginam que todo mundo que tem esquizofrenia é igual, que temos as mesmas características, o mesmo comportamento, o mesmo nível de inteligência, habilidades. etc...
     Mas nessa postagem irei apenas falar sobre a questão de morar ou não sozinho. Me considero apto a falar sobre o assunto, pois saí de casa aos 17 anos para começar a trabalhar. A minha avó materna, que sustentava a família havia falecido e a mordomia se acabou. Tive que parar o meu curso de eletrônica no último ano e então comecei a trabalhar na área de sonorização, graças à uma mentirinha "branca" (pode isso Arnaldo?) que contei para o dono da firma em que estava procurando emprego. Cheguei logo falando que já era técnico em eletrônica e que sabia consertar todo tipo de amplificador. Fui contratado na hora, mas também não demorou muito para o dono descobrir que eu apenas era um iniciante no assunto da eletrônica de equipamentos de sonorização....
     Mas ele não me mandou embora e assim comecei a aprender os mistérios daqueles inúmeros botõezinhos das mesas de som. E foi mais ou menos assim que fui levando a vida, sendo eu mesmo em empregos que era exigido sim o compromisso e seriedade, mas também não era preciso ficar com a cara carrancuda o tempo todo, ou então fingir para tentar agradar à todos se trabalhasse com vendas, por exemplo. Acredito que nunca iria dar certo em outros trabalhos em que fosse necessário usar um disfarce, como em um banco. Teria que usar um disfarce de uma pessoa certinha, que tem horário para tudo, enfim, uma pessoa considerada normal pela sociedade.
    E assim fui levando a vida, até os 32 anos de idade, quando os surtos começaram a aparecer, juntamente com um sentimento de culpa exageradíssissimo e o complexo messiânico também, afinal estava prestas a completar 33 anos e meu nome começava também com as mesmas iniciais do messias dos católicos.
    E fui feliz nesses anos todos? Me arrependo de algo que fiz ou que não fiz?
    Claro que fui feliz, a liberdade de ser quem eu sou não tem preço. Também tive muitos momentos tristes, como qualquer ser humano deste planeta. Desconfio muito de pessoas que afirmam serem felizes o tempo todo, talvez seja um disfarce também dos normais. E também me arrependo de muitas cagadas que fiz em minha vida, e de muita coisa que não fiz ou deixei de falar. Não sou perfeito e nem tenho a pretensão de ser, então errei e creio que continuarei a errar por um bom tempo. Mas, claro que não uso e nem usarei a imperfeição como pretexto para meus deslizes...
    Resumindo, a pessoa que tem esquizofrenia pode ou não morar sozinha, assim como também acontece com alguns "ditos normais" que não tem maturidade o suficiente para morarem sozinhos ou mesmo responsabilidade, sempre vivendo ao lado dos pais. Ou falta coragem também, sei lá. Mas a minha intenção aqui nesta postagem não é a de querer mostrar que o correto é sair de casa e morar sozinho, não é isso. Acho legal uma família unida, bem estruturada em que haja o diálogo e respeito em toda parte. Mas, caso isso não aconteça, o que tem demais em ir morar sozinho? Se uma pessoa não é compreendida e respeitada em seu próprio lar, não seria mais fácil e melhor morar sozinha, mesmo que com algumas inseguranças e perrengues? A pessoa com esquizofrenia muitas vezes sai de casa justamente por que não é respeitada em seu lar, é chamada de fresca ou preguiçosa, quando na verdade está muito sonolenta por causa dos efeitos adversos dos antipsicóticos.
    A pessoa que tem esquizofrenia tem sua individualidade. O que pode acontecer é que boa parte dos portadores possam ter alguns comportamentos semelhantes, como a desconfiança exagerada e ser uma pessoa mais arredia. Cada um tem seu nível de inteligência, sua maneira de ser e pensar. Acredito que boa parte se sente melhor quando estão sós, o que é o meu caso. A pessoa que tem esquizofrenia pode morar sozinha, pode dirigir, pode namorar, casar e ter filhos. Pode até escrever um blog como eu escrevo. Um blog meio maluco, mas é um blog...

    Então, como acontece com os "ditos normais" alguns portadores de esquizofrenia tem capacidade de morar sozinhos, enquanto outros já não conseguiriam ter essa independência. Tudo também depende da gravidade do caso, é óbvio.
    Um fator que pode ajudar muito na questão da independência de morar sozinho é o autoconhecimento. Uma pessoa que tem esquizofrenia precisa e muito se conhecer. Saber quando as coisas estão mais ou menos dentro da normalidade, saber quando está prestes a surtar, etc.. Sim, é possível sentir em alguns casos quando estamos prestes a surtar, claro que isso só vem infelizmente com a prática no assunto surtos.... Não é rara a auto internação, quando a pessoa sente que não está bem e que o melhor é dar um tempo e seguir o tratamento em um local que ela ache mais adequado.
    Um exemplo para ilustrar como aprendi algo com a prática nos surtos. Me lembro muito bem da segunda vez que pirei e saí fora da realidade. Ainda estava trabalhando, dormia na firma mesmo. Éramos vizinhos de uma serralheria, e os caras começavam a trabalhar por volta das sete e meia da manhã, hora em que eu ainda estava começando a pensar em levantar da cama, pois muitas vezes já estava acordado, apenas cochilando
    E sempre ouvia aquele barulho irritante daquelas máquinas cortando metais para confecção de portas, janelas e outros itens. Era um som irritante, mas suportável. Mas, me lembro muito bem, quando estava surtando pela segunda vez, a cada dia que passava tinha a sensação de que as máquinas estavam se aproximando de mim, de tamanha irritação que o som delas me provocava. Quando o surto veio a impressão que tinha era de que a minha cama havia sido tele transportada para o meio daquela serralheria...
     Então, atualmente quando sinto que fico facilmente estressado e apavorado com os sons do dia a dia começo a ligar o meu estado de alerta, e aí analiso se vale a pena ou não  reatar a minha relação com a "Clô"...
Obs: Para quem não acompanha o blog, "Clô" é o apelido que dei para um antipsicótico antigo chamado cloprormazina, que, para o meu caso quebra um galho nesse tipo de situação. Só não tomo por um prazo maior pois me dá uma prisão de ventre muito forte, além de dores na barriga, urticária (dermatite de contato), torcicolos... E também tenho receio dos sintomas extrapiramidais, que podem aparecer com o uso prolongado: tremores, rigidez muscular, movimentos involuntários da face e de outros músculos...


    Já são 30 anos morando sozinho, e pretendo continuar assim. "Ah, mas se você envelhecer, quem irá cuidar de você"? Sei lá, talvez eu vá para um asilo, ou um outro lugar que me acolha com um salário mínimo. Ou então eu vá morar por aí, continue as minhas andanças, sei lá. Só sei que a "solitude" é uma condição indispensável para a minha paz interior e para minha alegria. E também nunca iria ter filhos pensando na minha velhice, caso tivesse queria que eles curtissem a vida com responsabilidade antes de começarem a terem responsabilidades, ao invés de ficarem cuidado de um velhinho maluco que deverei ser...

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O domingão do esquizo....

    Estou algum tempo em silêncio e algumas pessoas que acompanham o blog chegam a me perguntar o porque de não estar publicando mais com certa frequência. Bem, são vários motivos que me levaram à essa ausência de postagens:
    1-Creio que a falta de paz no local onde moro seja o principal motivo. A falta de respeito ao sono alheio me incomoda demais, não sei se mais do que deveria. Mas gostaria apenas que as pessoas respeitassem o meu sono assim como respeito o sono dos outros. Sem um sono razoável minha saúde física e mental vão pro espaço. Sem contar os xingamentos durante o dia, palavrões impublicáveis durante o dia inteiro, ameaças,  e outras palavras que para mim trazem uma energia negativa. Claro que não sou santo, às vezes falo palavrão, principalmente quando me machuco, mas daí para se tornar palavras comuns no dia a dia é uma longa distância...
    2-Falta de assunto- Este também é um motivo importante. Afinal são quase cinco anos de blog, 268 postagens (algumas até boas, outras nem tanto, e outras nem tenho tanta coragem de ler...).  Se é para ficar postando merda melhor nem postar né? Mas sempre estou entrando no blog para responder às dúvidas e comentários das pessoas, o qual faço com o maior prazer. Os posts mais visitados são sobre os medicamentos, mas garanto que irão achar muita coisa boa no meio dessas quase 300 postagens, principalmente as crônicas, em que falo sobre assuntos banais e do nosso cotidiano.
no final da página é possível pesquisar o blog através dos "marcadores"... 

    Até que ultimamente o local onde moro voltou a ser um local tranquilo de se morar, após a saída de um dos "badernistas". O "badernista" remanescente parece estar um pouco amuado, pois no momento não há um outro badernista no local para ele conversar, e a proprietária não está permitindo muito a entrada de visitantes, evitando assim que a laje acabe se tornando um maconhódromo. Maconhódromo tem acento? Depois dessas reformas gramaticais, agora nem o google resolve.. E se não tiver no dicionário, podem me considerar o criador dessa designação de locais aonde se pode pitar a erva danada sem ser incomodado. 
   Com essa tranquilidade, pude enfim ter algumas noites tranquilizantes e revitalizantes. Ouvir o som do silêncio por alguns minutos também me ajuda e muito no equilíbrio físico e emocional. Estou mais disposto, calmo e tranquilo. Estou tão animado que resolvi escrever esta postagem que fala sobre os meus domingos atuais. Confesso que cheguei a pensar em comprar uma barraca e me enfiar no meio do mato por alguns dias...
   Quando criança não gostava muito dos domingos: não tinha aula (não que gostasse das aulas, gostava sim do recreio, de fazer bagunça na sala, etc...), os colegas do bairro iam nadar nos clubes com suas famílias,iam  ao zoológico ou em parques. E eu ficava em casa, esperando a tarde chegar para assistir ao jogo do meu time de coração, que passei a torcer desde os oitos anos de idade e que não irei falar no blog qual é, para evitar divergências, pois sei que o meu time é o melhor do Brasil e que só está passando por uma "fasesinha" ruim e está sem conquistar um grande título desde 2009. A copa do Brasil de 2013 não conta não.
     Depois que comecei a trabalhar como operador de som domingo passou a significar dia de trabalho, e o dia de dormir o dia inteiro passou a ser a segunda feira. Fim de semana e feriado eram os dias que mais trabalhava. Trabalhei até no natal algumas vezes, comendo hambúrguer de ceia... Mas não é uma reclamação, pois se existia algo que eu gostava de fazer era trabalhar como operador de som. É um desejo meio esquisito, é algo parecido como juiz de futebol: só aparece quando algo dá errado, quando o som está ruim, quando tem microfonia e outras coisas mais. A banda pode ser ruim, o cantor desafinado, mas a culpa é sempre do operador de som. Mas era um prazer quando regulava o som e saía tudo certinho. Me sentia um regente de uma ópera, apesar de ninguém estar percebendo, afinal só estava fazendo a minha obrigação.  Era cada situação que daria um livro para contar essa vida de um operador de som.
   E os meus domingos atuais? Para um aposentado e fóbico social o domingo é apenas mais um dia da semana, como todos os outros. Na minha situação é um dia que não gosto muito, pois o restaurante popular fica fechado e aí tenho que gastar uma grana a mais para almoçar. Cheguei a pensar em ir aos domingos em locais de doação de comida que ia quando estava morando nas ruas, devido ao meu surto psicótico, mas prefiro ficar em casa mesmo.
    Quando me mudei para o endereço atual, passei a adotar a seguinte estratégia aos domingos: me empanturrar de rocamboles e outras besterias na padaria na parte da manhã e voltar a cochilar e acordar somente na parte da tarde, para assistir ao jogo de futebol no domingão. A digestão era tão lenta que me sentia uma cobra após comer um boi... O restante do dia passo e acho que ainda vou passar por um bom tempo na frente do notebook, no facebook, visualizando os vídeos de animais, lendo as páginas sobre saúde, sobre como abaixar os triglicerídes e outras coisas mais que todo bom hipocondríaco gosta de ler, sobre as doenças que ele tem e as que imagina ter, sobre as bebidas e chás milagrosos que prometem nos dar a saúde em 30 dias, etc...
    De tarde comia um ovo cozido (ovo frito é complicado de se fazer...) e depois comia alguma fruta. E me sentia bem assim, pois era um dia da semana em que tinha o menor contato possível com os seres humanos....
   Mas na segunda feira não me sentia bem, uma bambeza nas pernas, uma fraqueza... Então decidi voltar a almoçar de verdade no centro da cidade aos domingos: 3km para ir e mais três para voltar, não é longe para quem foi a pé de Ouro Preto até Paraty pelos caminhos da estrada real. 
    E, para a minha surpresa, o trecho do centro pelo qual tenho que seguir no domingo praticamente é vazio, e o contato com as pessoas é quase nulo, ao contrário dos dias da semana, em que temos que ficar nos desviando das pessoas que andam em um ritmo mais lento do que o meu. Como bom fóbico social ando muito rápido pelo centro, a fim de retornar para o meu cantinho da paz. Creio que no domingo 99% das pessoas que estão no centro de Belo Horizonte estão concentradas na Avenida Afonso Pena, frequentando as barraquinhas de comida e artesanato da famosa e tradicional feira hippie de BH.
feira hippie de BH, vista do alto de um prédio na Av. Afonso Pena. 

    Agora vou ao restaurante, faço a minha refeição com tranquilidade, e me sinto melhor fisicamente, pois querendo ou não, um dia sem os nutrientes do arroz e feijão fazem uma falta danada ao nosso organismo. Quando não estava dormindo bem devido aos badernistas, me sentia tão cansado que o simples ato de teclar era um sacrifício e tanto, sem contar que não aparecia nada de interessante para postar por aqui no blog. Espero que venham mais dias assim...

domingo, 16 de julho de 2017

Antipsicóticos e ganho de peso, como evitar

     Em primeiro lugar, gostaria de dizer que as informações contidas nesta postagem são apenas relatos de minha experiência com os medicamentos e as minhas tentativas de não ganhar muito peso no uso dos medicamentos usados no combate da esquizofrenia.
    Não sou nutricionista, médico, apenas sou uma pessoa que tem esquizofrenia e que sempre foi curiosa sobre alimentação, dicas de saúde, um pouco hipocondríaco até, chegando a ler todas as bulas dos medicamentos que usei e alguns que nem cheguei a usar. Afinal, de médico e de louco...
   Gostaria também de dizer que tudo também depende do organismo de cada pessoa, alguns chegam a engordar, outros nem tanto. E ainda temos que lembrar que algumas pessoas podem ter algum problema relacionado à tireoide, que as fazem engordar sem ingerirem muitas calorias.
   Esse humilde blog que vos escrevo, como disse anteriormente, é baseado quase que exclusivamente nas minhas experiências relacionadas à esquizofrenia, aliadas à um breve estudo sobre o assunto, sempre procurando informações em sites confiáveis e também com amigos com os mais variados tipos de transtornos mentais.
    Mas, afinal, por que os antipsicóticos engordam? Eles realmente aumentam o apetite?
    Em primeiro lugar, vamos ao fator que é o mais óbvio de todos: a sedação, a sonolência provocada por esses medicamentos nos deixam menos animados a praticar qualquer atividade física. Menos exercícios, menos calorias gastas...
    E em segundo lugar, que acredito ser o principal fator para o ganho de peso é o aumento do apetite. Os antipsicóticos mais modernos causam menos efeitos colaterais extrapiramidais (as tremedeiras, enrijecimento muscular, movimento involuntário dos músculos da face, etc), mas, em contrapartida tem o ganho de peso como principal efeito colateral indesejável, em boa parte dos casos.
   Ainda não se chegou à uma conclusão exata e definitiva sobre o que realmente causa esse aumento de apetite em alguns pacientes, mas sinto que seja algo relacionado à região do cérebro responsável pela  saciedade, ou algo mais ou menos parecido. A única coisa que sei é que o estômago parece não ter fundo, e no meu caso passei a comer cerca de 50% a mais do que de costume, para ficar saciado.
    Além do prejuízo estético devido ao aumento de peso, os antipsicóticos mais modernos (olanzapina, quetiapina, risperidona, etc), podem causar também aumento significativo nas taxas de triglicerídeos, colesterol e açúcar no sangue. E, também um certo prejuízo financeiro, pois a vontade que dá é de nos empanturrar com massas, doces e tudo quanto é besteirada que encontramos pela frente. Dá vontade de perguntar para o psiquiatra se ele irá pagar a conta da padaria... 
   Mas o que podemos fazer para amenizar essa situação?
   Em primeiro lugar, converse com o seu médico, caso ele seja aberto ao diálogo e seja paciente. Afinal, quem ter que ser paciente são eles...
  No meu caso, tomo vários cuidados, mas, claro, ainda como muita besteira, fui muito mal acostumado quando criança, a minha avó fazia um delicioso pudim de leite. 
      Mas tomo vários cuidados para manter o meu peso de quando tinha  20 e poucos anos, sempre me peso nas farmácias que encontro pelo caminho.
    As minhas dicas são simples e baratas, que qualquer pessoa desprovida de recursos financeiros como eu poderá fazer:
    1- Água
       Tome bastante água, de preferência meia hora antes e duas horas depois das refeições. Enquanto você está desfrutando daquele rango gostoso da mamãe pode beber água sim, mas somente o suficiente para a comida descer goela abaixo e você não ficar engasgado com aquele feijão tropeiro de sábado. Aqui em Beuzonte se costuma comer o tropeiro também no domingo, na segunda, na terça, na quarta... 
   Não precisa cronometrar o momento de beber a água, não precisa ser exatamente meia hora antes ou duas horas depois, é só uma base mesmo. Dizem que se tomarmos água meia hora antes das refeições conseguir "enganar" o cérebro, pois o mesmo passa a informar ao organismo que o nosso estômago está cheio. E depois das refeições podemos tomar a água quando sentirmos que o alimento foi digerido, para não ficarmos olhando o relógio a todo momento. 

2-Fibras
    Por que as fibras estão na lista, logo em segundo lugar? Vou tentar explicar, de uma maneira simples também, que é costume neste humilde blog. 
      Desde os 16 anos que consumo as fibras. Conheci as vantagens de consumi-las ao ler um livro antigo sobre  alimentação natural. São tantos benefícios para a nossa saúde que não irei relatá-los todos aqui nesta postagem. Mas o principal que sinto é a saciedade que elas nos dão. Sinto que algumas fibras "incham" dentro do meu estômago e quase não sinto fome na parte da manhã, pois faço uma vitamina, que não fica muito saborosa, mas que me faz sentir muito bem, principalmente por ajudar na prisão de ventre. É uma gororoba muito ruim, que batizei de "ração" antes mesmo de aparecer aquela moda da ração humana. O gosto deve ser parecido com ração de cavalo ou cachorro.
  Então vamos à receita da ração humana que é "animal" do esquizo:
  Primeira coisa a se providenciar é um pote grande, para armazenar os seguintes ingredientes:
    -500gr de aveia
    -500gr de gérmen de trigo
    -200gr de farelo de trigo
    -1kg de leite de soja (fica a critério da pessoa usar o leite de soja ou não, pode usar leite comum)
Obs: pode-se diminuir a quantidade da mistura, mas procure manter a mesma proporção. O leito de soja tem que ser o que vem com sabor, pois se usar o sem sabor vai ser difícil de descer pela goela. 
 No lugar do leite de soja, pode usar qualquer outro artifício para melhorar o sabor da mistura, isso depende de cada um, pois também ultimamente se comenta muito que a soja pode fazer mal a nossa saúde, principalmente se for a transgênica.
    Agora é só ir colocando os ingredientes dentro do pote aos poucos, e ir misturando, para que fique tudo bem homogêneo. 
    Com a mistura pronta, coloque um copo de água americano no liquidificador Depois coloque quatro colheres de sopa (ou menos) da mistura, bata tudo e tome rapidamente, pois fica ruim pra caramba. Não se esqueça de sempre tomar muita água, pois as fibras sem a água podem fazer efeito contrário e congestionar ainda mais o intestino, funcionando como uma rolha. Também pode se colocar alguma fruta para melhorar o sabor, mas acho um desperdício, melhor tomar tudo rápido mesmo e depois saborear a fruta sozinha
    Com essa ração sinto menos fome, o meu intestino passa a funcionar muito melhor, sinto-me um pouco mais disposto e melhor na questão muscular. 


3-Limão com água morna
     Há muitos anos que ouvi falar que limão com água morna emagrece. Resolvi testar essa dica, pois devido ao meu problema no pé tenho feito poucos exercícios físicos. Estou tomando há alguns meses e não cheguei a emagrecer significativamente, mas noto que diminui um pouco o índice de gordura corporal, pois tenho comido muito ovo cozido e notei que em algumas partes do corpo as gorduras deram lugar à alguns músculos, principalmente no braço e nas pernas. Tenho 48 anos e posso dar o tchauzinho sem muita preocupação, já a gordura da barriga já é de nascença, apenas deu uma pequena melhorada, com algumas abdominais também. Dizem que se colocar bicarbonato de sódio nessa água os efeitos são ainda melhores, mas recomendo que pesquisem bastante antes de tomar

                                             4- Substituição dos alimentos
      Essa também é uma dica simples e que vejo sempre dar resultado, pelo menos no meu caso. É difícil, mas devemos tentar substituir aquela linda e deliciosa pizza por frutas, de preferência aquelas que dão aquela saciedade; maçã, banana, abacaxi, laranja, etc... 
    Também são bem vindo o iogurte, a granola, gelatina, etc...
    Não devemos confundir regime com privação alimentar, devemos trocar os alimentos e não parar de comê-los. 
    E na internet se encontra ótimas receitas de alimentos menos calóricos e mais saudáveis, já vi até dica de leite condensado saudável. Tem também dicas de pães e bolos sem farinha. Enfim, inúmeras possibilidades de forrar o nosso estômago quando ficamos famintos por causa dos antipsicóticos.
Mas não vou me estender muito nessas receitas,  pois o máximo que aprendi a fazer até hoje foi ovo cozido. A minha tentativa de fazer ovo frito foi um pouco traumática...


       5- Exercícios físicos

    Essa última dica provavelmente seja a mais difícil de ser seguida para quem usa antipsicóticos, devido à sonolência que eles costumam causar. Claro que tudo depende da dosagem e do organismo de cada pessoa. Mas, se de manhã sentes muito sono, nada impede de que faça alguns exercícios à noite, quando estiveres mais disposto.
    Só quem tomou algum antipsicótico é que pode dizer o quanto ficamos cansados, lentos e sonolentos, e às vezes essa dica pode até soar como uma ironia ou algo parecido. Alguns antipsicóticos que tomei me fizeram sentir que estava com uma "dengue permanente". Mas como disse e volto a repetir, tudo depende da dosagem. Talvez o psiquiatra possa diminuir a medicação, caso sinta que seja possível ao notar que o paciente está mais estabilizado. 
    Acima coloquei a imagem da galera andando de bicicleta pois se pudermos aliar a prática de exercícios com a diversão tudo sairá de uma forma mais leve e fluída. No meu caso, jogo um futebolzinho e nem sinto o tempo passar. Além de tirar o stress, a pelada ajuda a botar todos os pensamentos negativos para fora, juntamente com o suor. 
    Sempre seguir essas dicas e hoje em dia estou apenas com um quilo a mais do que quando tinha 25 anos, no momento estou pesando 83kg mais ou menos bem distribuídos em 1.78m de altura. Gosto de me cuidar nessas questões, mas não me privo de um delicioso pudim de leite, de um doce de leite, de um rocambole e de outros quitutes mais da culinária mineira.
      Sinto também que o ômega 3 ajuda na redução do peso.
      https://drrocha.com.br/omega-3-emagrece/
   

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Eu que sou doido? 5



        "Ator" Bruno de Luca é condenado a pagar R$ 15 mil por agressão a recepcionista

    O ator Bruno de Luca terá que desembolsar R$ 15 mil por ter agredido fisica e verbalmente o recepcionista de um hotel em Florianópolis. O episódio aconteceu em novembro de 2009, e agora a 1ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina não só manteve a condenação da primeira estância como aumentou a indenização por danos morais, inicialmente fixada em dez mi reais.
    Segundo o TJ, Bruno chegou ao hotel por volta das cinco horas da manhã, acompanhado de amigos. Outros hóspedes se incomodaram com o som alto e o barulho no apartamento do grupo e fizeram uma reclamação na portaria. O funcionário pediu para que eles diminuíssem a algazarra, mas não foi atendido.
    Quando soube que o caso seria registrado no livro de hóspedes, o ator, acompanhado de uma amiga, foi até a recepção. De acordo com a nota, os dois estavam bastante alterados e aparentemente alcoolizados, e acabaram por agredir física e verbalmente o recepcionista e seu colega.
    Relator da apelação, o desembargador Raulino Brüning considerou que as provas audiovisuais e os depoimentos das testemunhas que presenciaram a cena comprovam que as agressões não foram recíprocas, como alegou Bruno em sua defesa.
    "O estado da etilidade do réu pode até explicar o seu comportamento, mas não justifica sua conduta. A ninguém é dado embriagar-se e, neste estado de desorientação psiconeurossomática, fazer o que bem entende", afirmou o magistrado.
Fonte: UOL  https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2017/07/11/bruno-de-luca-e-condenado-a-pagar-r-15-mil-por-agressao-a-recepcionista.htm

     Resumo do caso
   O ator chegou da balada às cinco da manhã e quis continuar a farra no hotel, o que não é permitido. Ele, ao ser chamado a atenção, se sentiu contrariado, e, por se achar acima do bem e do mal e por ser "ator" da globo, resolveu sentar a porrada no funcionário do hotel, que apenas estava cumprindo suas obrigações. 
    Casos como esse são bem comuns envolvendo os famosos, basta ler os noticiários, seja no jornal impresso, internet, televisão, rádio, etc...
    Na primeira postagem da série "Eu que sou doido" falei sobre um episódio  parecido, envolvendo o ator Marcelo Faria. O global, ao ser barrado na área vip em uma casa de shows, simplesmente resolveu quebrar uma garrafa na cabeça do segurança, que acabou levando seis pontos. 
   Diante desses fatos, me pergunto: "Eu que sou o doido"? Analiso o meu comportamento desde o dia em que me conheço por gente, e a cada dia que passa, me sinto a pessoa mais normal do mundo, principalmente depois dos meus surtos, quando passei a me entender e a me conhecer melhor. Antes de surtar apenas pensava que me conhecia, vivia refletindo sobre a velha frase de Sócrates, e apenas me considerava uma pessoa excessivamente tímida e retraída, com alguns complexos, principalmente o de inferioridade.
   Depois de passar a me conhecer melhor em consequência dos surtos fui me acalmando cada vez mais e uma paz interior tomou conta de mim, apesar das paranoias tomarem conta de minha cabeça. Analiso a minha vida e o rumo que escolhi dar para ela e me sinto um vencedor, apesar de não ter conseguido acumular nenhum tipo de bem material, só o suficiente para me entreter quando estou no meu quarto: uma tv LCD, um home theather, um notebook e um frigobar. O rumo que decidi dar a minha vida é o de uma pessoa que tem a consciência tranquila, a de quem preferiu se retirar dessa mundo enlouquecedor, onde o ter é mais importante do que o ser. Não queria fazer parte desse jogo de interesses que é a vida, se pudesse continuaria a trilhar enquanto tivesse forças os caminhos da estrada real, e, quando tivesse terminado, começaria tudo de novo.
     Às vezes no silêncio do meu quarto, relembrando tudo o que fiz em minha vida, sinto que fiz a minha parte, joguei limpamente o jogo da vida, e talvez por isso não tenha medo de certas coisas que a maioria das pessoas ditas normais têm. Quando você joga limpo você pode desagradar muitas pessoas, o excesso de sinceridade talvez pode ser prejudicial. Então prefiro ficar calado, e geralmente na maioria dos dias dá para se contar as palavras que saíram de meus lábios carnudos(zoação os lábios carnudos shasuashashasuahsuashs).
    Quando estou sozinho, não tenho tantos pensamentos negativos e persecutórios. Me lembro que quase cheguei ao êxtase quando estava caminhando pela estrada real e em um certo momento foi possível ouvir o bater das asas de uma ave no céu. Fiquei ali parado, ouvindo o silêncio por alguns minutos... Não tenho medo de ficar sozinho, convivo bem comigo mesmo e com os meus pensamentos. Já com a maioria dos seres humanos... A convivência não só é perto do zero pois existem as necessidades básicas que somos obrigados a fazer, e, claro, existem humanos que eu tenho o prazer de conviver.
    Também a maturidade ajuda e muito também no combate á esquizofrenia. Com o passar do tempo aprendemos a lidar com certas situações e vamos evitando o que nos estressa. Também passamos a nos acostumar com as vozes  e a sensação que tenho é que elas ficam meio que "desanimadas" quando não conseguem nos desestabilizar como antigamente.
    Na adolescência e idade adulta tive a fase de sair por aí para tomar "umas" com os amigos. Mas não agredia ninguém pelo fato de ser contrariado. A verdade é que não gostava muito de beber, e, para me enturmar com a galera do heavy metal aqui em Belo Horizonte na maioria das vezes fingia que bebia e também fingia que ficava bêbado. Assim tinha uma boa desculpa para explicar melhor as palhaçadas que fazia na adolescência. Não ficava agressivo, apenas dava vazão à criança que ainda estava em mim (estava?) e saia por aí falando com estranhos e fazendo muitas palhaçadas, e às vezes não  me importava de passar por ridículo para fazer os outros sorrirem...
    E também quando estava bêbado não perturbava o sono alheio. Fazia muita bagunça, mas era nos shows e na rua mesmo, coisa de aborrecente mesmo. Quando chegava em casa, já havia gasto todas as minhas energias e queria somente dormir mesmo. 
   O que passa na cabeça desses atores? Falta de humildade, loucura, mania de grandeza? 

                                                    Está todo mundo louco?
    Mas não é somente os atores que cometem alguns atos de violência. Hoje em dia se está matando até por causa de uma cerveja. Os "ditos normais" estão matando até em nome do amor. "Se não for meu, não vai ser de ninguém", é o que afirmam quando tiram a vida de suas parceiras (os). 
   Os seres humanos ditos normais estão matando, estuprando, humilhando uns aos outros. Por esses e outros motivos não tenho vergonha de dizer que tenho um transtorno mental que ficou conhecido no Brasil como esquizofrenia. Não sou violento, não matei ninguém e não tenho o costume de sair agredindo quem quer que seja quando sou contrariado. Sou pacífico e prego a paz e o diálogo para se resolver certas questões. Há alguns dias atrás os vizinhos do meu quarto quase chegaram as vias de fato por causa de uma lavadora de roupas velha. Um queria que ficasse perto do seu quarto, e o outro também, e se não fosse a turma do deixa disso o pau tinha quebrado por aqui onde moro... 
    E também posso garantir que a maioria das pessoas que têm esquizofrenia não são violentas, não são de sair por aí atirando pedra em todo mundo, como a mídia tenta mostrar. A maioria das pessoas que têm esquizofrenia fazem mais mal a si mesmas do que aos outros. Não consegui encontrar uma estatística confiável pela internet, mas o número de pessoas que têm esquizofrenia e que cometem o autoextermínio não é pequeno. Os que tentaram e não conseguiram deve ser alto também. Alguns chegam a cometer atos de violência sim, mas eles não são violentos, eles "estão" violentos por estarem em uma outra realidade, a realidade das alucinações, das paranoias, a de que o mundo inteiro está contra eles.  O que acontece é que a mídia em geral não mostra essa triste realidade, e a internet está sendo o melhor veículo para se informar sobre os mais variados assuntos, apesar de muitos afirmarem que só tem coisas sem valor na web. 

                                                                       Os cuspes
   Uma forma de agressão que acho tremendamente pesada é o cuspe na cara. O cuspe acho tão agressivo quanto um soco na cara.  
    Quando estava perto de surtar, há muitos anos atrás, cheguei a ficar cuspindo no chão, como forma de extravasar a minha raiva, ao ficar imaginando que as pessoas estavam tramando algo contra a minha pessoa. Mas nunca passou pela minha cabeça cuspir em alguém. É uma forma de humilhação muito grande. Infelizmente essa prática é comum, principalmente em jogadores de  futebol, quando estão nervosinhos ao ficarem  em desvantagem no placar. 
é cuspindo que eles se entendem...

    Que eu saiba o único animal que tem o costume  de cuspir é a lhama, que faz isso apenas para se defender . Se você não a perturbar, provavelmente não será alvo de uma cusparada... 
video

                                                               Não sou santo

     Não tenho a intenção através desta postagem de mostrar que sou um cara certinho, correto. Tenho as minhas falhas sim, mas sempre procurei aprender com os meus erros e atitudes que não pensei direito antes. Até tive uma fase de querer ser o valentão, de querer bater em todo mundo. Mas foi uma fase bem curta, por volta dos oito nove anos de idade, quando estava estudando em um colégio de freiras, aqui em Belo Horizonte. Era uma forma errada que encontrei de descarregar a minha raiva por não ter uma família como a dos meus outros amigos: confesso que na época tinha um pouco de inveja quando via os pais dos meus amigos buscando-os na saída da escola. E então, para descontar, resolvi sair brigando, mas só escolhia os alunos mais fracos do que eu. Na primeira vez que cismei em brigar com um menino mais forte, levei um tremendo soco no meio do focinho que saiu aquele monte de sangue e eu logo percebi que esse negócio de querer bancar o valentão não dava certo não. Podia até ser meio maluquinho, mas não era burro né?
    E continuei errando e continuarei até o resto da minha vida. Mas o fato de ser um ser humano não pode ser um pretexto para os nossos erros, devemos saber separar as coisas. Não tenho lembranças do meu pai e a minha mãe tem problemas de audição, quase não se comunica com as pessoas. Então tive que ir aprendendo com a vida o que a sociedade considerado certo ou errado.
    E posso dividir a minha vida em duas: antes e depois dos surtos. Hoje não tenho mais aquela inocência que tinha até por volta dos 30 anos. Sim, até por volta dessa idade até uma criança de seis anos poderia me enganar. Confesso que tenho saudades dessa época, em que não enxergava maldade em nada, e que saía pelas ruas despreocupadamente, não enxergando a maldade em nenhum lugar. Mas dia menos dia aprendemos e conhecemos a maldade do ser humano, e cabe a nós não entrarmos nesse mundo. Acho que é nessa transição que muitas pessoas piram, quando conhecem a realidade do mundo adulto.
    Procuro tirar proveito de tudo, até das situações mais difíceis. Surtar e enlouquecer me fez entender um pouco de minha confusa mente.
   Nada de ficar lamentando ou procurar culpados, o que aconteceu tinha que acontecer, algumas pessoas, claro que se aproveitaram da situação para me colocarem ainda mais pra baixo, mas não conseguiram.
   Abaixo o vídeo de uma estudante que surtou por volta dos vinte anos de idade. Ela não desistiu e procurou também aprender com a vida e hoje ajuda outras estudantes que estão passando pela mesma situação pela qual ela passou no início de seu problema.


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Livro de poesias: Diário de um poeta esquizofrênico


    Acredito que exista uma relação muito forte entre a arte e os mais variados tipos de transtornos mentais. Talvez seja pelo fato das pessoas acometidas pelo sofrimento mental serem um pouco mais sensíveis do que o restante da população "dita normal" pragmática. Talvez pelo fato também de tentarmos enxergar e compreender o que está além do alcance de nossas vistas, de tentarmos entender mais o que sentimos do que o que vimos na rotina do nosso dia a dia.
   Aqui no blog sempre procuro postar a arte de pessoas que de uma forma ou de outra foram acometidas por algum tipo de sofrimento mental. As obras estão na seção que denominei "Galeria de arte". Qualquer pessoa que estiver interessada em divulgar seu trabalho entre em contato comigo, por aqui mesmo no blog, através dos comentários. O único requisito é que tenha algum tipo de sofrimento mental, nada contra os chamados normais, mas é para não fugir da temática deste humilde blog que vos escrevo.
    Neste post exibo o trabalho do poeta e escritor Altieres Rocha, o livro Diário de um poeta esquizofrênico.

Prefácio
Versos esquizofrênicos
    "Com pena ácida, vívida, despida de medos e fragilidades (sensível!) Altieres se faz sentir em poemas que parecem ao mesmo tempo contar e buscar histórias.
    Ele grita "Onde está o meu amor;?" pede "Me dá um colo;" "anda por ruas, reverencia a vida e a morte, o deus e a deusa; faz convites a quem queira conhecer seu mundo repleto de domingos calados, valsas canções, espíritos libertos, dor, vozes e (por que não?) esperança. Ela é sútil, marca o ritmo e o tom dos protestos ditos e não ditos pelo autor.
    Esquizofrênicos são nossos dias, horas, a dor que ocultamos do mundo, a voz que escondemos de nós mesmos.
    Altieres não se cala, não se esconde e nem oculta. Ele é nossa voz.

Roberta Nogueira da Silva Oliveira
Letras (português-inglês), formação em Design Instrucional e estudante de antropologia do feminino e sua relação com o sagrado.

Para maiores informações sobre como adquirir o livro, entre em contato com o autor através das redes sociais:
https://www.facebook.com/alteres.rocha

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Vamos fugir...

 
    Praticamente um mês sem postar nada. Ideias e ideais até que aparecerem, mas a energia que antes me acompanhava só a vejo diminuindo a cada dia.
    Quem acompanha o blog sabe o problema que estou passando devido à uma lesão no meu pé esquerdo. Dinheiro faz falta, mas andar na minha opinião é muito mais importante. Andar até atualmente estou andando, mas dói tudo que é articulação e músculos, devido ao fato de ter que poupar a articulação do dedão. São três anos andando de forma incorreta à espera de um atendimento digno pelo sus. Somente agora consegui uma palminha própria para o problema, mas que não resolveu absolutamente nada e ainda deu uma forte dor no joelho direito.
    A psiquiatra me indicou um "novo" medicamento, afirmando que o mesmo não daria sono e outros efeitos colaterais indesejáveis. Claro que não aceitei, não foi por falta de tentativas que não estou tomando atualmente um antipsicótico. Desisti de qualquer medicamento desse tipo depois da frustrada tentativa com a olanzanpina, que me deixou dois dias dormindo direto. O que mais me desanimou é que o medicamento é muito caro. Se por acaso me desse bem, iria ser uma luta continuar conseguindo pelo sus, já que ultimamente até o haldol anda faltando, e que custa dez centavos o comprimido...
    É aquele velho ditado: se ficar o bicho pega, se correr o bicho come"... Sem antipsicóticos não saio de casa por causa das paranoias, mas também com eles não iria sair, pois ficaria dormindo boa parte do dia e da noite, como um vizinho que tenho e que ronca um bocado alto, ainda bem que o meu quarto é um pouco distante do dele.
   E quem acompanha o blog há mais tempo sabe o quanto não gosto das drogas antipsicóticas, as lícitas, e que também muito menos aprecio as drogas ilícitas. Mas não sou moralista, quem quer usar sustentando o próprio vício e sem prejudicar a vida alheia que faça essa escolha, sabendo que isso poderá lhe trazer vários problemas de saúde, inclusive mental.
    Já fui diversas vezes em São Thomé das Letras, e lá tinha muito hippie que gostava de dar umas pitadas na erva danada. Não sou e nem quero ser o dono da verdade, os hippies abrem mão de várias coisas para terem essa liberdade de escolha, sustentando o vício com o artesanato que fazem. E quem sou eu para falar o que é certo e o  errado. Já experimentei algumas vezes há muito tempo atrás e aquela "paz" que a droga prometia dar eu tinha de verdade em meu coração e na minha mente. Usei e vi que não precisava daquilo.
    Não gosto do ambiente que cerca as drogas e nem o comércio dela. Em 2012 saí de Ipatinga pois o local onde morava estava tomado pelo tráfico de drogas. Tinha um vizinho que mandava os usuários de crack fazerem fila para comprar a droga. Só faltava distribuir a senha.
     Era um aluguel barato, o quarto era espaçoso e perto do restaurante popular. E o dono me fazia um preço muito bom. Mas de que adiantava ter aquilo se não tinha a paz? Não pensei duas vezes e vendi "tudo" o que eu tinha: o pc novo dual core de 4gb e com processador i3, a tv de tubo, o home theather, o frigobar e outros pertences. Vendi tudo baratinho e comprei uma mochila e uma barraca para sair livremente por onde eu quiser. Se é para correr riscos e não ter paz, melhor morar na rua, por que pelo menos não pagamos aluguel. Mas não me arrependi de nada do que fiz e faria até de novo, se não fosse o problema no meu pé.
   Infelizmente as drogas estão em todo lugar. Depois das andanças, resolvi me aquietar um pouco e aluguei um quartinho aqui em Belo Horizonte. Tudo ia muito bem até aparecer um usuário de drogas que roubou tudo o que viu pela frente para sustentar o seu vício: botijão de gás, dinheiro, playstation 2 do vizinho, e outras coisas mais. Só não roubou o que eu tinha pois eu ficava praticamente o dia inteiro no meu quarto e a porta era de ferro. Uma vez até chegou a tentar roubar o modem da casa, mas para o azar dele estava no meu quarto e corri para o modem assim que a net caiu, pois ele já estava desligando o aparelho.
    Depois disso fui para um outro local, e, para a minha infelicidade, havia um usuário de droga que levava pessoas para a casa e aí ficavam até duas horas da madrugada conversando alto sendo que em uma oportunidade saiu uma briga e sobrou até para a cadeira de plástico. A dona do imóvel quis cobrar a cadeira de todos os moradores. E os caras são tão folgados que nem assumiram a cadeira quebrada, ou seja, temos que dormir na hora que eles dormem e ainda pagar pelos estragos que fazem na casa. Não fiquei mais do que 30 dias no local. Saí alegando que o mesmo era muito quente, pois o sol batia praticamente o dia inteiro nele. Mas a proprietária quis me passar para o andar debaixo, onde não batia o sol, e era onde os usuários de drogas ficavam conversando a noite inteira. Aí não achei uma outra desculpa e falei a verdade: é uma situação complicada essa de ter que contar a verdade, não se sabe qual será a reação do usuário. Mas ele teve uma conversa comigo e viu que tentei ocultar o fato, mas não tinha como mais inventar desculpas.
    Depois de mais essa tentativa, aluguel um outro quarto, em novembro do ano passado, mas sem antes perguntar para a proprietária a posição que ela tinha em relação as drogas. Como ela afirmou que não aceitava o uso de drogas no local, resolvi mudar, e é onde moro atualmente.
   No começo foi tudo às mil maravilhas. Sem drogas, sem confusão, apenas um ou outro atrito que acontece em locais onde várias pessoas moram. Mas, um certo dia apareceu um novo morador. Achei estranho o fato dele não trabalhar, apesar de afirmar que tinha uma profissão. Mas assim como eu, quase não saía da casa... O cheiro da erva já dava para ser sentido nos primeiros dias, e, com o tempo, um entra e sai de pessoas desconhecidas. Primeiro assoviavam do lado de fora, e, ele de dentro da casa respondia com outro assovio. Com o tempo, algumas pessoas permaneciam na casa até de madrugada, falando e dando gargalhadas. O sossego e a tranquilidade foram embora. Não quero e nem pretendo consertar o mundo, mas deveriam pelo menos alugar uma casa para que não se atrapalhe o sono e a vida dos outros moradores.
   Gasto quase metade do meu salário para pagar o aluguel, e acho que deveria ter o direito de escolher morar onde não tenha drogas. Cheguei a pensar em morar em alguma república evangélica ou algo parecido, mas gosto de andar sem camisa e de bermuda nos dias de calor. E às vezes, bem raramente falo meus palavrões, principalmente quando machuco ou levo uma pancada. Já terei que procurar um outro local, se meu pé estivesse bom já teria começado as minhas andanças novamente. Computador, tv, som a gente vende e compra de novo, o que não tem preço é a paz.
Mas de que adianta perguntar se o proprietário tolera as drogas? Com essa crise as pessoas estão aceitando todo mundo que aparece. É verdade que alguns são rígidos, mas os que achei o aluguel era além do que posso pagar.
   Tenho saudades das minhas andanças, tive muitos perrengues, mas poderia mudar de lugar quando aparecesse algo ou alguém inoportuno: bastava desmontar a barraca e pronto. E foi a época em que melhor me senti tanto fisicamente como mentalmente. As andanças são o melhor antipsicótico que já encontrei, não recomendo a ninguém que faça a mesma coisa, pois cada um tem a sua maneira de ser.
Algumas pessoas já entraram em contato comigo querendo fazer essas viagens comigo, mas infelizmente no meu caso a solidão é a melhor companhia. São experiências únicas e que não podem ser compartilhadas, a não ser pelos escritos e vídeos.
   Às vezes chego a pensar se o melhor não seria o autoextermínio. De que adianta essa vida, sem poder andar sem sentir dor? Que vida é essa que estou vivendo? Preso pelas minhas próprias paranoias e sem condições físicas de fazer o que mais gosto? Não tenho coragem de pular de um prédio, de me atirar na frente de um carro. Pagar um assassino de aluguel não seria uma boa, pois só iria confiar se fosse possível pagar depois do serviço prestado...
     O cara que é chegado nas drogas aqui onde moro até chegou a ouvir um conselho de um amigo:
    - Ele te enfrenta por que talvez não tenha medo de você...
    Realmente não tenho medo, nem da morte tenho medo. E já vi a morte em um dos meus surtos. Estava perambulando pela BR durante a noite quando vi uma sombra idêntica a da morte deslizando pela BR. Na primeira vez que a vi confesso que fiquei um pouco arrepiado, mas não era um medo, era um espanto, se é que existe alguma diferença. Não saí correndo, apenas observando a sombra deslizar pela Br até sumir. E continuei a caminhar normalmente até vê-la novamente, e desta vez nem um fio de cabelo meu ficou arrepiado. Iria conversar com ela numa boa caso ela se aproximasse de mim. Mas ela foi embora como da primeira vez, talvez não tenha encontrado quem estava procurando.
    Esse vizinho no momento está meio calado. Talvez esteja bolando algo contra mim, ou talvez não. Já retirou sua antena da "skygato". Talvez seja para colocar um outro vizinho contra a minha pessoa, pois ele vende a skygato para outras pessoas. Creio que se fizerem uma votação na casa sobre quem deve sair tudo pode acontecer, mas creio que irão optar pelo cara que sabe fazer mais amizades e eu que procuro ser uma pessoa correta seria o eliminado.
    Será sempre a fuga uma solução? Ou é na fuga onde nos entramos?

Muitos pensam que andar por aí é loucura. Se é, então não estou sozinho nesse mundo.

 

sábado, 20 de maio de 2017

O esporte salvou a minha vida

   
    Falar que praticar esportes faz bem para a saúde é como chover no molhado. Depois de fazer exercícios físicos, o nosso organismo libera algumas substâncias que nos dão aquela sensação de prazer. Ficamos mais relaxados, menos estressados e mais dispostos para enfrentar os problemas do nosso dia a dia cada vez mais estressante, principalmente nas grandes cidades. 
    Por isso não vou me estender sobre os benefícios de se praticar esportes, seja ele qual for. 
    Estava um dia desses em casa, sonhando com a estrada real, quando comecei a pensar sobre como me ajudou o esporte em toda a minha vida. Primeiro na infância, que foi maravilhosa, apesar de alguns pequenos problemas que tinha, acho que já nasci meio maluquinho mesmo. Na década de 70 e no início da de 80 ainda se podia brincar nas ruas aqui de Belo Horizonte e então passava o dia inteiro jogando futebol na rua. O jogo era verdadeiro, a estratégia era simples; marcar mais gols do que o adversário, nada de apertar botão esquerdo do mouse para atirar em ninguém. De tarde, na escola, durante o recreio, jogávamos futebol de tampinha, pois a diretora havia proibido a bola de meia, devido às inúmeras vidraças quebradas por alguns pernas de pau. Juro que nunca cheguei a quebrar uma, sempre tive um bom chute. E, de noite, para aproveitar a escuridão, brincávamos de "pegadô- de- esconde", também conhecido como esconde-esconde. Só que a brincadeira não era na garagem do prédio do vizinho ou em algum quintal Era no quarteirão inteiro! Entrávamos nos prédios, subíamos nos telhados das casas que na época não tinham cercas elétricas. A maioria das casas ainda não tinham muros grandes ou portões elétricos, e também serviam de esconderijo. Era atividade o dia inteiro e a noite também.  E chegava cansado em casa, pronto para mais uma noite de sono. 
    E continuei assim até os dias de hoje. Claro que deixei o esconde-esconde de lado, e hoje sempre procuro jogar o meu futebolzinho  e fazer a minha caminhada, onde quer que esteja. 
    Um dia desses relembrei de algo que está diretamente relacionado ao esporte e que posso dizer que me salvou de uma situação que poderia ser bem complicada. Estava morando nas ruas, devido aos surtos psicóticos que estava tendo com frequência, por volta do ano de 2004. Já sem condições de trabalhar e sem energia para lutar, resolvi desistir de tudo: comprei um colchonete e umas vinte pilhas para o meu radinho. Queria me desligar do mundo e não podia dar ouvido aos meus pensamentos e aquelas vozes. Não tive "coragem" (ou covardia) de tentar o autoextermínio naquela oportunidade e então deitei em uma calçada na rua e fiquei assim por dois dias, durante o final de semana. 
     Na segunda feira houve um reboliço na cidade, apareceu polícia e até ambulância, quando souberam que fiquei ali sem me alimentar (só comi uma coxinha e um refrigerante, que uma pessoa me deu). Estava tomando o meu diazepan praticamente de duas em duas horas, pois sentia que poderia surtar a qualquer momento. Creio que esse fato chamou a atenção de um morador da cidade que resolveu chamar a polícia. Estava deitado no meu colchonete e ouvi o diálogo do policial com uma mulher, que mais tarde fiquei sabendo que era uma assistente social:
    - "Mas ele sempre foi de praticar esportes"... foi o que deu para ouvir. Era a assistente social me defendendo, pois senti que a intenção do policial era investigar um morador de rua que á todo instante estava tomando comprimidos. Depois o policial me cumprimentou, perguntou se eu estava bem e até me pediu desculpas. Horas antes apareceu um outro policial, e começou a gritar o meu nome. Como eu estava ouvindo o meu radinho de pilha, demorei para atender, e ai o homem da lei deu um tapão nas minhas costas. Dei um pulo tão alto que o guarda até se assustou. Não sei como consegui fazer aquilo. Estava deitado de costas, e, num pulo, consegui me virar e fiquei como um gato em posição de alerta. O policial deu uma olhada em mim e perguntou se eu estava bem. Depois se retirou. 
    Isso aconteceu em uma pequena cidade do interior. Provavelmente a assistente social chegou a me ver fazendo as minhas caminhadas pelas ruas daquela cidade. E sempre andava com camisetas esportivas, que, além de serem leves, são bem fáceis de lavar, coisa que detesto fazer. 
     Ou seja, as minhas caminhadas e o futebolzinho que eu jogava me salvaram de uma situação que poderia ser bastante complicada para mim, caso fosse um usuário de alguma droga ilícita, ou mesmo da maconha, que muitos insistem em afirmar que não faz nenhum mal à saúde. Se eu não fosse uma pessoa que tinha prazer em trabalhar e praticar esportes creio que a assistente social não iria ter vontade de me ajudar. Não é preconceito, mas as pessoas ficam um pouco na dúvida ao tentar ajudar uma pessoa que esteja fazendo o uso de drogas. Não tem a certeza de que valerá a pena o esforço gasto. Sei que o vício das drogas é algo sério e as pessoas atingidas não estão satisfeitas com a situação, quando morei nas ruas vi de perto o que o crack pode fazer: já vi catadores de material reciclável gastando todo o dinheiro ganho em um dia para comprar a droga. 
  E, durante os surtos, as atividades físicas que havia praticado em toda a minha vida também me ajudaram. Cheguei a ficar um período perambulando pelas BR’s, sem me alimentar, pois tudo o que comia eu acabava vomitando, pois sempre ouvia alguém dizer que o que eu havia comido estava envenenado. E andava praticamente o dia todo, sem pausa para descanso, pois cheguei a imaginar que haviam dezenas de pessoas no meu encalço para me pegarem e me lincharem. Cheguei a perder cerca de 25kg, e acredito que, se não fosse a minha resistência provavelmente não teria resistido à toda essa prova pela qual passei. 
pedido de ajuda de uma pessoa que passou a ouvir vozes com o uso da maconha...

    O que posso dizer em relação à maconha nesse tempo que escrevo o blog e participo de vários grupos sobre transtorno mental é que ela pode ou não fazer mal ao indivíduo. Creio que tenha algo a ver com a genética da pessoa, ou um outro fator parecido. Talvez a droga seja um gatilho para as psicoses e os transtornos mentais para aquelas pessoas que tenham alguma tendência a desenvolvê-las. Mas como saber distinguir quem tem alguma tendência a desenvolver uma esquizofrenia, por exemplo? Por meio das dúvidas não seria melhor não experimentar? Sempre procuro ajudar as pessoas, seja aqui no blog ou na minha página no facebook E não é raro o relato de pessoas que passaram a desenvolver quadros psicóticos e que até foram diagnosticadas com esquizofrenia paranoide depois que passaram a fazer o uso da maconha. 
    Não exponho as pessoas que conversam comigo em particular aqui no blog, por isso vou apenas postar um print de uma pessoa que conversou comigo no facebook pedindo ajuda e que relatou passar a ter psicoses depois do uso da maconha, "a erva natural que não pode te prejudicar"... (está entre aspas, é uma frase da música de uma banda de rock nacional).
    Como podem ver no relato acima, as vozes aumentam quando a pessoa usa a maconha. Outros já relataram que começaram a ouvi-las depois do uso da erva.  Creio que já devo ter falado sobre isso em uma outra postagem, mas só experimentei maconha três vezes em minha vida, entre 17 e 23 anos de idade. Não senti nada diferente, apenas em uma vez fiquei mais relaxado. Era uma pessoa tranquila e até certo ponto distraída, e não me preocupava com nada a minha volta. Já tinha a verdadeira paz em meu coração. No meu caso foram outros gatilhos que ajudaram a desencadear os surtos psicóticos e a esquizofrenia. 
    Por isso não tenho vergonha de dizer que sou careta e que pretendo continuar a ser. Posso ser chamado de maluco, de doido, mas não sou a ponto de querer estragar os poucos neurônios que ainda me restam né? Então vamos caminhar, chutar, rebater, pular, nadar, enfim, movimentarmos!!!

sábado, 22 de abril de 2017

Código de ética-Psicologia Download

                                Mais um livro para a CDE(Central de Downloads do Esquizo).
   Creio que a maioria dos leitores do blog sabem o que é a CDE, mas, para quem não sabe, é o onde hospedo alguns livros que sinto que sejam de grande valia para quem tem algum envolvimento, direto ou indireto, com o tema transtornos mentais. Ainda não tem a quantidade de arquivos que desejo, pois ultimamente não tenho tido aquela vontade inicial que tinha de ler, quando comecei a escrever este humilde blog. Mas, com o tempo e a ajuda de amigos, irei postando mais livros para tentar ajudar as pessoas de alguma maneira nesse mundo tão misterioso e cercado de estigmas e preconceitos.
    O livro que estou comentando nesta postagem acredito não ser somente de interesse exclusivo dos psicólogos. Também é de muita valia para os clientes dos psicólogos, tentou ou não algum tipo de transtorno mental, grave ou não. Afinal não é somente os considerados loucos que procuram o serviço desses profissionais.
    Sempre é bom sabermos como o psicólogo (a) deve se portar e conduzir uma sessão. Devemos saber os nossos direitos, principalmente na questão da privacidade e também de sabermos sobre a nossa patologia, seja ela a esquizofrenia, a bipolaridade, etc...
    Devemos sempre estar atentos aos nossos direitos, pois, como em todas as áreas, sempre existem os maus profissionais, e na área da saúde mental não poderia ser diferente. Gostaria de deixar bem claro que não tenho nada contra os psicólogos, não sou da antipsiquiatria e nem da psiquiatria.
    Para quem ainda não sabe, antipsiquiatria é um movimento que basicamente não acredita na existência dos  transtornos mentais, e que tudo não passa de uma invenção da indústria farmacêutica, juntamente com uma turma de psiquiatras, para obterem lucro fácil com a invenção de novas doenças e, consequentemente, a criação de novos medicamentos. Já a psiquiatria a maioria já deve saber, muitos seguidores dela acreditam que quase tudo se resolve com uma pílula mágica, até mesmo para se tratar de nossas emoções mais profundas.
    Não sou de ficar em cima do muro, mas neste caso não estou de nenhum lado. Na minha humilde opinião o cérebro pode sim adoecer, como qualquer outro órgão do nosso corpo humano.Acredito sim que existam os transtornos mentais, mas também acho que a psiquiatria pega pesado querendo classificar tudo e a todos... A cada edição o DSM (manual de diagnóstico de transtornos mentais) cresce assustadoramente.  Também sinto que existem sim os profissionais gananciosos em busca de lucro fácil, mesmo que isso valha a saúde de seus clientes. Espero que os profissionais de saúde mental que estejam lendo esta postagem não fiquem zangados, pois felizmente esses maus profissionais são uma minoria e devem ser combatidos por todos, usuários do serviço de saúde mental e os bons profissionais.
    Não sou muito fã da terapia e muito menos dos medicamentos. Mas nem por causa disso saio por aí pelos quatro cantos do mundo aconselhando as pessoas a fazerem o mesmo que eu, que é se virar por aí com o s.o.s chamado diazepan e viver recluso em suas moradas. Algumas pessoas se dão bem com a terapia, precisam ter alguém para falar, e cada ser é único e tem a sua maneira de ser e agir. No meu caso, duas de minhas terapias prediletas são: escrever e praticar esportes, principalmente o futebol. No futebol todo o meu stress vai embora, é como uma verdadeira sessão de descarrego, todos os pensamentos ruins vão embora juntamente com o suor. E gosto de zoar, semana passada fiquei no gol, por que o meu dedão está detonado, e apostei com o atacante adversário um cafezinho por cada gol que ele fizesse em mim. Ainda bem que eu estava bem no dia e levei somente um gol...
    E escrevendo também sinto que boto pra fora meus pensamentos, sentimentos e até alguns ressentimentos, através dos rabiscos da caneta. Já escrevia muito antes de começar este blog, narrando basicamente assuntos sem importância, do meu cotidiano.
    O blog é democrático, e todos são muito bem vindos: pessoas que sofrem de algum tipo de transtorno mental e familiares e amigos, os profissionais que cuidam dessas pessoas e também aqueles que não tem nenhum tipo de transtorno mental, mas que procuram sempre se informar sobre os mais variados assuntos, pois a finalidade principal do blog é a de tentar, mesmo que de uma forma quase que imperceptível, a diminuir o estigma e o preconceito que cercam os transtornos da mente. Como o pássaro que enche o seu bico e tenta apagar o incêndio na floresta, já que quem deveria fazer isso mais atrapalha do que ajuda. Não vou falar que são alguns meios de comunicação para não causar discórdia aqui no blog.

                              A minha curta relação com as psicólogas
    Desde pequeno minha avó já me achava meio esquisito e diferente dos demais garotos de minha idade. Me lembro que por volta dos oito anos fui levado à um hospital para fazer um eletroencefalograma, que provavelmente não deve ter detectado nada, pois não fui levado à nenhum manicômio. Vi naquelas folhas as ondas cerebrais da minha cabeça, e não me recordo de ter vista nenhuma onda mais alta do que a outra, parecia tudo mais ou menos em ordem. Mas confesso que quase caguei nas calças quando a enfermeira passou o gel em minha cabeça e começou a colocar aquele monte de fios. Pensei que iria levar uns choques que iriam consertar a minha mente e assim parar com as minhas maluquices de criança.
    - "Não precisa cerrar os dentes"... -pediu a enfermeira, assim que o exame começou. Fiquei espantado como ela sabia que eu estava apertando os dentes, uns contra os outros. Mas ela também bem que poderia ter me preparado psicologicamente para aquele exame né?
    E assim fui seguindo a minha vida, um cara meio estranho, esquisito, que gostava de fazer palhaçadas. As pessoas me achavam esquisito, e eu também me achava, o que me fazia levar uma vida mais reclusa, mas que, quando saía para me divertir, não reparava em nada em minha volta. Ou seja, a minha esquisitice me prejudicava um pouco, mas dava para ir levando a vida, e deixando a vida me levar, não me preocupando muito com o futuro, até que as cismas começaram a virar neuroses, e daí foi um pulo para as paranoias.
   Então, alguns meses depois do meu primeiro surto psicótico consegui uma consulta com o psiquiatra, que depois de me receitar os medicamentos, me passou para a psicóloga, que apenas ficou me encarando, e depois me indicou uma oficina de música. Mas o que eu queria mesmo saber era a resposta para toda aquela maluquice que eu havia vivido naqueles últimos meses (acho que aquele surto psicótico durou uns três meses, mais ou menos, pois me lembro que fiquei "apenas" dois meses nas ruas esperando por essa consulta).
    Confesso que deveria ter tocado no assunto com essa primeira psicóloga nas outras sessões que tive, mas a verdade é que ainda estava muito assustado com tudo aquilo, e a ideia de era algo espiritual  toda aquela loucura ainda não havia passado em minha cabeça. E também na época eu não tinha muito noção do que era esquizofrenia, confesso que tinha os mesmos preconceitos do que a maioria da população tem, ou seja, de que a pessoa com esquizofrenia é violenta, agressiva, completamente louca em todos os momentos, que fala sozinha, etc... A única referência que eu tinha sobre esquizofrenia era a capa do álbum da banda Sepultura, que teve as suas origens aqui em Belo Horizonte e que hoje em dia é mais conhecida no exterior do que aqui nas terras tupiniquins.
disco da banda Sepultura
    Então, depois de três sessões, desisti de encontrar respostas para o que havia acontecido comigo com aquela psicóloga. Também estava me sentindo muito bem disposto, como há muito tempo não me sentia. Estava mais acreditando que Deus estava me dando uma segunda chance do que tivesse me recuperado de um surto psicótico grave. Voltei então a trabalhar, mas sempre frequentado algum centro de saúde mental, com receio de que aquilo tudo pudesse acontecer novamente.
   Na época em que estava morando nas ruas, também cheguei a conversar algumas vezes com um pastor psicólogo muito gente boa que me atendia gratuitamente. Na verdade não era uma terapia, apenas ficávamos conversando sobre variados assuntos, juntamente com um outro cara que ia no consultório dele, que ficava em cima de igreja em que ele era pastor. Confesso que ia lá também para filar um cafezinho com alguns biscoitos. Na verdade não eram alguns biscoitos, eram muitos mesmo, para compensar o tempo que fiquei sem comer durante o surto, pois havia emagrecido 25kg naquela loucura toda, perambulando pelas br's fugindo dos meus inimigos imaginários...
   A segunda psicóloga com quem tive contato tinha uma abordagem diferente: fazia muitas perguntas e anotava algo em um caderninho. Mas também não chegou a tocar no assunto esquizofrenia comigo. Com ela tive várias sessões, pois como estava trabalhando comecei a ter uma piora e surtei novamente. Me lembro que no mês de dezembro cheguei a ter consultas semanais, pois acreditava que, assim como no primeiro surto, tudo iria se repetir neste mês que considero um pouco triste para mim, e que deveria se chamar "deprembro". ..
quem nunca idealizou uma psicóloga perfeita?

    E depois dessa, desisti de fazer terapia. Confesso que no início idealizava um pouco  as psicólogas: uma mulher bonita, atraente, bem resolvida, que não tinha problemas e que não ficava estressada nunca, mesmo quando estava na TPM. Que estavam sempre prontas e de bom humor para nos ouvir, nos dando conselhos com aquela voz suave e serena...
   Mas hoje sei que as psicólogas, assim como todos os profissionais da área da saúde mental são seres humanos como todos nós, e que também precisam às vezes de ajuda.
    Mas acredito e sinto que se deveria falar mais sobre o diagnóstico ou o possível diagnóstico, caso o profissional não tenha fechado o mesmo. Vejo várias pessoas nos grupos do facebook fazendo indagações, dando a impressão de que o assunto não é debatido durante as consultas e sessões. 
É um direito da pessoa com transtorno mental saber tudo sobre a sua patologia, assim bem como o tratamento administrado. Recorrentemente várias pessoas me procuram para tirarem suas dúvidas, mas gostaria de frisar que também sou uma pessoa com transtorno mental e cheia de problemas, mas isso não me impede de tentar ajudar no que posso, devido à minha experiência prática no assunto e também aos meus estudos. Não recebo nenhum dinheiro com esse blog, mas é muito gratificante ouvir o agradecimento das pessoas, seja aqui nos comentários no blog, ou no facebook ou por email. Procuro mais responder aqui pois assim outras pessoas também poderão interagir e tirar suas dúvidas.
Nem sempre estou bem para responder, espero que compreendam, mas continuem sempre participando através dos comentários, seja através de dúvidas ou sugestões. 
Abaixo o link para fazer o download do código de ética do psicólogo e do psiquiatra também, assim como o polêmico DSM V.


    Sempre gosto de escrever ouvindo música. O ideal é fazer isso no silêncio total, mas como moro em um quarto alugado, sempre tem aquelas  interferências externas (vizinho gritando, vizinho funkeiro que ainda não conhece o significado da palavra fone de ouvido, etc...). No player de áudio que uso, tem de tudo: desde heavy metal até música clássica, e quando terminei de revisar a postagem estava tocando esta música, coincidentemente ou não.