domingo, 16 de julho de 2017

Antipsicóticos e ganho de peso, como evitar

     Em primeiro lugar, gostaria de dizer que as informações contidas nesta postagem são apenas relatos de minha experiência com os medicamentos e as minhas tentativas de não ganhar muito peso no uso dos medicamentos usados no combate da esquizofrenia.
    Não sou nutricionista, médico, apenas sou uma pessoa que tem esquizofrenia e que sempre foi curiosa sobre alimentação, dicas de saúde, um pouco hipocondríaco até, chegando a ler todas as bulas dos medicamentos que usei e alguns que nem cheguei a usar. Afinal, de médico e de louco...
   Gostaria também de dizer que tudo também depende do organismo de cada pessoa, alguns chegam a engordar, outros nem tanto. E ainda temos que lembrar que algumas pessoas podem ter algum problema relacionado à tireoide, que as fazem engordar sem ingerirem muitas calorias.
   Esse humilde blog que vos escrevo, como disse anteriormente, é baseado quase que exclusivamente nas minhas experiências relacionadas à esquizofrenia, aliadas à um breve estudo sobre o assunto, sempre procurando informações em sites confiáveis e também com amigos com os mais variados tipos de transtornos mentais.
    Mas, afinal, por que os antipsicóticos engordam? Eles realmente aumentam o apetite?
    Em primeiro lugar, vamos ao fator que é o mais óbvio de todos: a sedação, a sonolência provocada por esses medicamentos nos deixam menos animados a praticar qualquer atividade física. Menos exercícios, menos calorias gastas...
    E em segundo lugar, que acredito ser o principal fator para o ganho de peso é o aumento do apetite. Os antipsicóticos mais modernos causam menos efeitos colaterais extrapiramidais (as tremedeiras, enrijecimento muscular, movimento involuntário dos músculos da face, etc), mas, em contrapartida tem o ganho de peso como principal efeito colateral indesejável, em boa parte dos casos.
   Ainda não se chegou à uma conclusão exata e definitiva sobre o que realmente causa esse aumento de apetite em alguns pacientes, mas sinto que seja algo relacionado à região do cérebro responsável pela  saciedade, ou algo mais ou menos parecido. A única coisa que sei é que o estômago parece não ter fundo, e no meu caso passei a comer cerca de 50% a mais do que de costume, para ficar saciado.
    Além do prejuízo estético devido ao aumento de peso, os antipsicóticos mais modernos (olanzapina, quetiapina, risperidona, etc), podem causar também aumento significativo nas taxas de triglicerídeos, colesterol e açúcar no sangue. E, também um certo prejuízo financeiro, pois a vontade que dá é de nos empanturrar com massas, doces e tudo quanto é besteirada que encontramos pela frente. Dá vontade de perguntar para o psiquiatra se ele irá pagar a conta da padaria... 
   Mas o que podemos fazer para amenizar essa situação?
   Em primeiro lugar, converse com o seu médico, caso ele seja aberto ao diálogo e seja paciente. Afinal, quem ter que ser paciente são eles...
  No meu caso, tomo vários cuidados, mas, claro, ainda como muita besteira, fui muito mal acostumado quando criança, a minha avó fazia um delicioso pudim de leite. 
      Mas tomo vários cuidados para manter o meu peso de quando tinha  20 e poucos anos, sempre me peso nas farmácias que encontro pelo caminho.
    As minhas dicas são simples e baratas, que qualquer pessoa desprovida de recursos financeiros como eu poderá fazer:
    1- Água
       Tome bastante água, de preferência meia hora antes e duas horas depois das refeições. Enquanto você está desfrutando daquele rango gostoso da mamãe pode beber água sim, mas somente o suficiente para a comida descer goela abaixo e você não ficar engasgado com aquele feijão tropeiro de sábado. Aqui em Beuzonte se costuma comer o tropeiro também no domingo, na segunda, na terça, na quarta... 
   Não precisa cronometrar o momento de beber a água, não precisa ser exatamente meia hora antes ou duas horas depois, é só uma base mesmo. Dizem que se tomarmos água meia hora antes das refeições conseguir "enganar" o cérebro, pois o mesmo passa a informar ao organismo que o nosso estômago está cheio. E depois das refeições podemos tomar a água quando sentirmos que o alimento foi digerido, para não ficarmos olhando o relógio a todo momento. 

2-Fibras
    Por que as fibras estão na lista, logo em segundo lugar? Vou tentar explicar, de uma maneira simples também, que é costume neste humilde blog. 
      Desde os 16 anos que consumo as fibras. Conheci as vantagens de consumi-las ao ler um livro antigo sobre  alimentação natural. São tantos benefícios para a nossa saúde que não irei relatá-los todos aqui nesta postagem. Mas o principal que sinto é a saciedade que elas nos dão. Sinto que algumas fibras "incham" dentro do meu estômago e quase não sinto fome na parte da manhã, pois faço uma vitamina, que não fica muito saborosa, mas que me faz sentir muito bem, principalmente por ajudar na prisão de ventre. É uma gororoba muito ruim, que batizei de "ração" antes mesmo de aparecer aquela moda da ração humana. O gosto deve ser parecido com ração de cavalo ou cachorro.
  Então vamos à receita da ração humana que é "animal" do esquizo:
  Primeira coisa a se providenciar é um pote grande, para armazenar os seguintes ingredientes:
    -500gr de aveia
    -500gr de gérmen de trigo
    -200gr de farelo de trigo
    -1kg de leite de soja (fica a critério da pessoa usar o leite de soja ou não, pode usar leite comum)
Obs: pode-se diminuir a quantidade da mistura, mas procure manter a mesma proporção. O leito de soja tem que ser o que vem com sabor, pois se usar o sem sabor vai ser difícil de descer pela goela. 
 No lugar do leite de soja, pode usar qualquer outro artifício para melhorar o sabor da mistura, isso depende de cada um, pois também ultimamente se comenta muito que a soja pode fazer mal a nossa saúde, principalmente se for a transgênica.
    Agora é só ir colocando os ingredientes dentro do pote aos poucos, e ir misturando, para que fique tudo bem homogêneo. 
    Com a mistura pronta, coloque um copo de água americano no liquidificador Depois coloque quatro colheres de sopa (ou menos) da mistura, bata tudo e tome rapidamente, pois fica ruim pra caramba. Não se esqueça de sempre tomar muita água, pois as fibras sem a água podem fazer efeito contrário e congestionar ainda mais o intestino, funcionando como uma rolha. Também pode se colocar alguma fruta para melhorar o sabor, mas acho um desperdício, melhor tomar tudo rápido mesmo e depois saborear a fruta sozinha
    Com essa ração sinto menos fome, o meu intestino passa a funcionar muito melhor, sinto-me um pouco mais disposto e melhor na questão muscular. 


3-Limão com água morna
     Há muitos anos que ouvi falar que limão com água morna emagrece. Resolvi testar essa dica, pois devido ao meu problema no pé tenho feito poucos exercícios físicos. Estou tomando há alguns meses e não cheguei a emagrecer significativamente, mas noto que diminui um pouco o índice de gordura corporal, pois tenho comido muito ovo cozido e notei que em algumas partes do corpo as gorduras deram lugar à alguns músculos, principalmente no braço e nas pernas. Tenho 48 anos e posso dar o tchauzinho sem muita preocupação, já a gordura da barriga já é de nascença, apenas deu uma pequena melhorada, com algumas abdominais também. Dizem que se colocar bicarbonato de sódio nessa água os efeitos são ainda melhores, mas recomendo que pesquisem bastante antes de tomar

                                             4- Substituição dos alimentos
      Essa também é uma dica simples e que vejo sempre dar resultado, pelo menos no meu caso. É difícil, mas devemos tentar substituir aquela linda e deliciosa pizza por frutas, de preferência aquelas que dão aquela saciedade; maçã, banana, abacaxi, laranja, etc... 
    Também são bem vindo o iogurte, a granola, gelatina, etc...
    Não devemos confundir regime com privação alimentar, devemos trocar os alimentos e não parar de comê-los. 
    E na internet se encontra ótimas receitas de alimentos menos calóricos e mais saudáveis, já vi até dica de leite condensado saudável. Tem também dicas de pães e bolos sem farinha. Enfim, inúmeras possibilidades de forrar o nosso estômago quando ficamos famintos por causa dos antipsicóticos.
Mas não vou me estender muito nessas receitas,  pois o máximo que aprendi a fazer até hoje foi ovo cozido. A minha tentativa de fazer ovo frito foi um pouco traumática...


       5- Exercícios físicos

    Essa última dica provavelmente seja a mais difícil de ser seguida para quem usa antipsicóticos, devido à sonolência que eles costumam causar. Claro que tudo depende da dosagem e do organismo de cada pessoa. Mas, se de manhã sentes muito sono, nada impede de que faça alguns exercícios à noite, quando estiveres mais disposto.
    Só quem tomou algum antipsicótico é que pode dizer o quanto ficamos cansados, lentos e sonolentos, e às vezes essa dica pode até soar como uma ironia ou algo parecido. Alguns antipsicóticos que tomei me fizeram sentir que estava com uma "dengue permanente". Mas como disse e volto a repetir, tudo depende da dosagem. Talvez o psiquiatra possa diminuir a medicação, caso sinta que seja possível ao notar que o paciente está mais estabilizado. 
    Acima coloquei a imagem da galera andando de bicicleta pois se pudermos aliar a prática de exercícios com a diversão tudo sairá de uma forma mais leve e fluída. No meu caso, jogo um futebolzinho e nem sinto o tempo passar. Além de tirar o stress, a pelada ajuda a botar todos os pensamentos negativos para fora, juntamente com o suor. 
    Sempre seguir essas dicas e hoje em dia estou apenas com um quilo a mais do que quando tinha 25 anos, no momento estou pesando 83kg mais ou menos bem distribuídos em 1.78m de altura. Gosto de me cuidar nessas questões, mas não me privo de um delicioso pudim de leite, de um doce de leite, de um rocambole e de outros quitutes mais da culinária mineira.
      Sinto também que o ômega 3 ajuda na redução do peso.
      https://drrocha.com.br/omega-3-emagrece/
   

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Eu que sou doido? 5



        "Ator" Bruno de Luca é condenado a pagar R$ 15 mil por agressão a recepcionista

    O ator Bruno de Luca terá que desembolsar R$ 15 mil por ter agredido fisica e verbalmente o recepcionista de um hotel em Florianópolis. O episódio aconteceu em novembro de 2009, e agora a 1ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina não só manteve a condenação da primeira estância como aumentou a indenização por danos morais, inicialmente fixada em dez mi reais.
    Segundo o TJ, Bruno chegou ao hotel por volta das cinco horas da manhã, acompanhado de amigos. Outros hóspedes se incomodaram com o som alto e o barulho no apartamento do grupo e fizeram uma reclamação na portaria. O funcionário pediu para que eles diminuíssem a algazarra, mas não foi atendido.
    Quando soube que o caso seria registrado no livro de hóspedes, o ator, acompanhado de uma amiga, foi até a recepção. De acordo com a nota, os dois estavam bastante alterados e aparentemente alcoolizados, e acabaram por agredir física e verbalmente o recepcionista e seu colega.
    Relator da apelação, o desembargador Raulino Brüning considerou que as provas audiovisuais e os depoimentos das testemunhas que presenciaram a cena comprovam que as agressões não foram recíprocas, como alegou Bruno em sua defesa.
    "O estado da etilidade do réu pode até explicar o seu comportamento, mas não justifica sua conduta. A ninguém é dado embriagar-se e, neste estado de desorientação psiconeurossomática, fazer o que bem entende", afirmou o magistrado.
Fonte: UOL  https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2017/07/11/bruno-de-luca-e-condenado-a-pagar-r-15-mil-por-agressao-a-recepcionista.htm

     Resumo do caso
   O ator chegou da balada às cinco da manhã e quis continuar a farra no hotel, o que não é permitido. Ele, ao ser chamado a atenção, se sentiu contrariado, e, por se achar acima do bem e do mal e por ser "ator" da globo, resolveu sentar a porrada no funcionário do hotel, que apenas estava cumprindo suas obrigações. 
    Casos como esse são bem comuns envolvendo os famosos, basta ler os noticiários, seja no jornal impresso, internet, televisão, rádio, etc...
    Na primeira postagem da série "Eu que sou doido" falei sobre um episódio  parecido, envolvendo o ator Marcelo Faria. O global, ao ser barrado na área vip em uma casa de shows, simplesmente resolveu quebrar uma garrafa na cabeça do segurança, que acabou levando seis pontos. 
   Diante desses fatos, me pergunto: "Eu que sou o doido"? Analiso o meu comportamento desde o dia em que me conheço por gente, e a cada dia que passa, me sinto a pessoa mais normal do mundo, principalmente depois dos meus surtos, quando passei a me entender e a me conhecer melhor. Antes de surtar apenas pensava que me conhecia, vivia refletindo sobre a velha frase de Sócrates, e apenas me considerava uma pessoa excessivamente tímida e retraída, com alguns complexos, principalmente o de inferioridade.
   Depois de passar a me conhecer melhor em consequência dos surtos fui me acalmando cada vez mais e uma paz interior tomou conta de mim, apesar das paranoias tomarem conta de minha cabeça. Analiso a minha vida e o rumo que escolhi dar para ela e me sinto um vencedor, apesar de não ter conseguido acumular nenhum tipo de bem material, só o suficiente para me entreter quando estou no meu quarto: uma tv LCD, um home theather, um notebook e um frigobar. O rumo que decidi dar a minha vida é o de uma pessoa que tem a consciência tranquila, a de quem preferiu se retirar dessa mundo enlouquecedor, onde o ter é mais importante do que o ser. Não queria fazer parte desse jogo de interesses que é a vida, se pudesse continuaria a trilhar enquanto tivesse forças os caminhos da estrada real, e, quando tivesse terminado, começaria tudo de novo.
     Às vezes no silêncio do meu quarto, relembrando tudo o que fiz em minha vida, sinto que fiz a minha parte, joguei limpamente o jogo da vida, e talvez por isso não tenha medo de certas coisas que a maioria das pessoas ditas normais têm. Quando você joga limpo você pode desagradar muitas pessoas, o excesso de sinceridade talvez pode ser prejudicial. Então prefiro ficar calado, e geralmente na maioria dos dias dá para se contar as palavras que saíram de meus lábios carnudos(zoação os lábios carnudos shasuashashasuahsuashs).
    Quando estou sozinho, não tenho tantos pensamentos negativos e persecutórios. Me lembro que quase cheguei ao êxtase quando estava caminhando pela estrada real e em um certo momento foi possível ouvir o bater das asas de uma ave no céu. Fiquei ali parado, ouvindo o silêncio por alguns minutos... Não tenho medo de ficar sozinho, convivo bem comigo mesmo e com os meus pensamentos. Já com a maioria dos seres humanos... A convivência não só é perto do zero pois existem as necessidades básicas que somos obrigados a fazer, e, claro, existem humanos que eu tenho o prazer de conviver.
    Também a maturidade ajuda e muito também no combate á esquizofrenia. Com o passar do tempo aprendemos a lidar com certas situações e vamos evitando o que nos estressa. Também passamos a nos acostumar com as vozes  e a sensação que tenho é que elas ficam meio que "desanimadas" quando não conseguem nos desestabilizar como antigamente.
    Na adolescência e idade adulta tive a fase de sair por aí para tomar "umas" com os amigos. Mas não agredia ninguém pelo fato de ser contrariado. A verdade é que não gostava muito de beber, e, para me enturmar com a galera do heavy metal aqui em Belo Horizonte na maioria das vezes fingia que bebia e também fingia que ficava bêbado. Assim tinha uma boa desculpa para explicar melhor as palhaçadas que fazia na adolescência. Não ficava agressivo, apenas dava vazão à criança que ainda estava em mim (estava?) e saia por aí falando com estranhos e fazendo muitas palhaçadas, e às vezes não  me importava de passar por ridículo para fazer os outros sorrirem...
    E também quando estava bêbado não perturbava o sono alheio. Fazia muita bagunça, mas era nos shows e na rua mesmo, coisa de aborrecente mesmo. Quando chegava em casa, já havia gasto todas as minhas energias e queria somente dormir mesmo. 
   O que passa na cabeça desses atores? Falta de humildade, loucura, mania de grandeza? 

                                                    Está todo mundo louco?
    Mas não é somente os atores que cometem alguns atos de violência. Hoje em dia se está matando até por causa de uma cerveja. Os "ditos normais" estão matando até em nome do amor. "Se não for meu, não vai ser de ninguém", é o que afirmam quando tiram a vida de suas parceiras (os). 
   Os seres humanos ditos normais estão matando, estuprando, humilhando uns aos outros. Por esses e outros motivos não tenho vergonha de dizer que tenho um transtorno mental que ficou conhecido no Brasil como esquizofrenia. Não sou violento, não matei ninguém e não tenho o costume de sair agredindo quem quer que seja quando sou contrariado. Sou pacífico e prego a paz e o diálogo para se resolver certas questões. Há alguns dias atrás os vizinhos do meu quarto quase chegaram as vias de fato por causa de uma lavadora de roupas velha. Um queria que ficasse perto do seu quarto, e o outro também, e se não fosse a turma do deixa disso o pau tinha quebrado por aqui onde moro... 
    E também posso garantir que a maioria das pessoas que têm esquizofrenia não são violentas, não são de sair por aí atirando pedra em todo mundo, como a mídia tenta mostrar. A maioria das pessoas que têm esquizofrenia fazem mais mal a si mesmas do que aos outros. Não consegui encontrar uma estatística confiável pela internet, mas o número de pessoas que têm esquizofrenia e que cometem o autoextermínio não é pequeno. Os que tentaram e não conseguiram deve ser alto também. Alguns chegam a cometer atos de violência sim, mas eles não são violentos, eles "estão" violentos por estarem em uma outra realidade, a realidade das alucinações, das paranoias, a de que o mundo inteiro está contra eles.  O que acontece é que a mídia em geral não mostra essa triste realidade, e a internet está sendo o melhor veículo para se informar sobre os mais variados assuntos, apesar de muitos afirmarem que só tem coisas sem valor na web. 

                                                                       Os cuspes
   Uma forma de agressão que acho tremendamente pesada é o cuspe na cara. O cuspe acho tão agressivo quanto um soco na cara.  
    Quando estava perto de surtar, há muitos anos atrás, cheguei a ficar cuspindo no chão, como forma de extravasar a minha raiva, ao ficar imaginando que as pessoas estavam tramando algo contra a minha pessoa. Mas nunca passou pela minha cabeça cuspir em alguém. É uma forma de humilhação muito grande. Infelizmente essa prática é comum, principalmente em jogadores de  futebol, quando estão nervosinhos ao ficarem  em desvantagem no placar. 
é cuspindo que eles se entendem...

    Que eu saiba o único animal que tem o costume  de cuspir é a lhama, que faz isso apenas para se defender . Se você não a perturbar, provavelmente não será alvo de uma cusparada... 
video

                                                               Não sou santo

     Não tenho a intenção através desta postagem de mostrar que sou um cara certinho, correto. Tenho as minhas falhas sim, mas sempre procurei aprender com os meus erros e atitudes que não pensei direito antes. Até tive uma fase de querer ser o valentão, de querer bater em todo mundo. Mas foi uma fase bem curta, por volta dos oito nove anos de idade, quando estava estudando em um colégio de freiras, aqui em Belo Horizonte. Era uma forma errada que encontrei de descarregar a minha raiva por não ter uma família como a dos meus outros amigos: confesso que na época tinha um pouco de inveja quando via os pais dos meus amigos buscando-os na saída da escola. E então, para descontar, resolvi sair brigando, mas só escolhia os alunos mais fracos do que eu. Na primeira vez que cismei em brigar com um menino mais forte, levei um tremendo soco no meio do focinho que saiu aquele monte de sangue e eu logo percebi que esse negócio de querer bancar o valentão não dava certo não. Podia até ser meio maluquinho, mas não era burro né?
    E continuei errando e continuarei até o resto da minha vida. Mas o fato de ser um ser humano não pode ser um pretexto para os nossos erros, devemos saber separar as coisas. Não tenho lembranças do meu pai e a minha mãe tem problemas de audição, quase não se comunica com as pessoas. Então tive que ir aprendendo com a vida o que a sociedade considerado certo ou errado.
    E posso dividir a minha vida em duas: antes e depois dos surtos. Hoje não tenho mais aquela inocência que tinha até por volta dos 30 anos. Sim, até por volta dessa idade até uma criança de seis anos poderia me enganar. Confesso que tenho saudades dessa época, em que não enxergava maldade em nada, e que saía pelas ruas despreocupadamente, não enxergando a maldade em nenhum lugar. Mas dia menos dia aprendemos e conhecemos a maldade do ser humano, e cabe a nós não entrarmos nesse mundo. Acho que é nessa transição que muitas pessoas piram, quando conhecem a realidade do mundo adulto.
    Procuro tirar proveito de tudo, até das situações mais difíceis. Surtar e enlouquecer me fez entender um pouco de minha confusa mente.
   Nada de ficar lamentando ou procurar culpados, o que aconteceu tinha que acontecer, algumas pessoas, claro que se aproveitaram da situação para me colocarem ainda mais pra baixo, mas não conseguiram.
   Abaixo o vídeo de uma estudante que surtou por volta dos vinte anos de idade. Ela não desistiu e procurou também aprender com a vida e hoje ajuda outras estudantes que estão passando pela mesma situação pela qual ela passou no início de seu problema.


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Livro de poesias: Diário de um poeta esquizofrênico


    Acredito que exista uma relação muito forte entre a arte e os mais variados tipos de transtornos mentais. Talvez seja pelo fato das pessoas acometidas pelo sofrimento mental serem um pouco mais sensíveis do que o restante da população "dita normal" pragmática. Talvez pelo fato também de tentarmos enxergar e compreender o que está além do alcance de nossas vistas, de tentarmos entender mais o que sentimos do que o que vimos na rotina do nosso dia a dia.
   Aqui no blog sempre procuro postar a arte de pessoas que de uma forma ou de outra foram acometidas por algum tipo de sofrimento mental. As obras estão na seção que denominei "Galeria de arte". Qualquer pessoa que estiver interessada em divulgar seu trabalho entre em contato comigo, por aqui mesmo no blog, através dos comentários. O único requisito é que tenha algum tipo de sofrimento mental, nada contra os chamados normais, mas é para não fugir da temática deste humilde blog que vos escrevo.
    Neste post exibo o trabalho do poeta e escritor Altieres Rocha, o livro Diário de um poeta esquizofrênico.

Prefácio
Versos esquizofrênicos
    "Com pena ácida, vívida, despida de medos e fragilidades (sensível!) Altieres se faz sentir em poemas que parecem ao mesmo tempo contar e buscar histórias.
    Ele grita "Onde está o meu amor;?" pede "Me dá um colo;" "anda por ruas, reverencia a vida e a morte, o deus e a deusa; faz convites a quem queira conhecer seu mundo repleto de domingos calados, valsas canções, espíritos libertos, dor, vozes e (por que não?) esperança. Ela é sútil, marca o ritmo e o tom dos protestos ditos e não ditos pelo autor.
    Esquizofrênicos são nossos dias, horas, a dor que ocultamos do mundo, a voz que escondemos de nós mesmos.
    Altieres não se cala, não se esconde e nem oculta. Ele é nossa voz.

Roberta Nogueira da Silva Oliveira
Letras (português-inglês), formação em Design Instrucional e estudante de antropologia do feminino e sua relação com o sagrado.

Para maiores informações sobre como adquirir o livro, entre em contato com o autor através das redes sociais:
https://www.facebook.com/alteres.rocha

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Vamos fugir...

 
    Praticamente um mês sem postar nada. Ideias e ideais até que aparecerem, mas a energia que antes me acompanhava só a vejo diminuindo a cada dia.
    Quem acompanha o blog sabe o problema que estou passando devido à uma lesão no meu pé esquerdo. Dinheiro faz falta, mas andar na minha opinião é muito mais importante. Andar até atualmente estou andando, mas dói tudo que é articulação e músculos, devido ao fato de ter que poupar a articulação do dedão. São três anos andando de forma incorreta à espera de um atendimento digno pelo sus. Somente agora consegui uma palminha própria para o problema, mas que não resolveu absolutamente nada e ainda deu uma forte dor no joelho direito.
    A psiquiatra me indicou um "novo" medicamento, afirmando que o mesmo não daria sono e outros efeitos colaterais indesejáveis. Claro que não aceitei, não foi por falta de tentativas que não estou tomando atualmente um antipsicótico. Desisti de qualquer medicamento desse tipo depois da frustrada tentativa com a olanzanpina, que me deixou dois dias dormindo direto. O que mais me desanimou é que o medicamento é muito caro. Se por acaso me desse bem, iria ser uma luta continuar conseguindo pelo sus, já que ultimamente até o haldol anda faltando, e que custa dez centavos o comprimido...
    É aquele velho ditado: se ficar o bicho pega, se correr o bicho come"... Sem antipsicóticos não saio de casa por causa das paranoias, mas também com eles não iria sair, pois ficaria dormindo boa parte do dia e da noite, como um vizinho que tenho e que ronca um bocado alto, ainda bem que o meu quarto é um pouco distante do dele.
   E quem acompanha o blog há mais tempo sabe o quanto não gosto das drogas antipsicóticas, as lícitas, e que também muito menos aprecio as drogas ilícitas. Mas não sou moralista, quem quer usar sustentando o próprio vício e sem prejudicar a vida alheia que faça essa escolha, sabendo que isso poderá lhe trazer vários problemas de saúde, inclusive mental.
    Já fui diversas vezes em São Thomé das Letras, e lá tinha muito hippie que gostava de dar umas pitadas na erva danada. Não sou e nem quero ser o dono da verdade, os hippies abrem mão de várias coisas para terem essa liberdade de escolha, sustentando o vício com o artesanato que fazem. E quem sou eu para falar o que é certo e o  errado. Já experimentei algumas vezes há muito tempo atrás e aquela "paz" que a droga prometia dar eu tinha de verdade em meu coração e na minha mente. Usei e vi que não precisava daquilo.
    Não gosto do ambiente que cerca as drogas e nem o comércio dela. Em 2012 saí de Ipatinga pois o local onde morava estava tomado pelo tráfico de drogas. Tinha um vizinho que mandava os usuários de crack fazerem fila para comprar a droga. Só faltava distribuir a senha.
     Era um aluguel barato, o quarto era espaçoso e perto do restaurante popular. E o dono me fazia um preço muito bom. Mas de que adiantava ter aquilo se não tinha a paz? Não pensei duas vezes e vendi "tudo" o que eu tinha: o pc novo dual core de 4gb e com processador i3, a tv de tubo, o home theather, o frigobar e outros pertences. Vendi tudo baratinho e comprei uma mochila e uma barraca para sair livremente por onde eu quiser. Se é para correr riscos e não ter paz, melhor morar na rua, por que pelo menos não pagamos aluguel. Mas não me arrependi de nada do que fiz e faria até de novo, se não fosse o problema no meu pé.
   Infelizmente as drogas estão em todo lugar. Depois das andanças, resolvi me aquietar um pouco e aluguei um quartinho aqui em Belo Horizonte. Tudo ia muito bem até aparecer um usuário de drogas que roubou tudo o que viu pela frente para sustentar o seu vício: botijão de gás, dinheiro, playstation 2 do vizinho, e outras coisas mais. Só não roubou o que eu tinha pois eu ficava praticamente o dia inteiro no meu quarto e a porta era de ferro. Uma vez até chegou a tentar roubar o modem da casa, mas para o azar dele estava no meu quarto e corri para o modem assim que a net caiu, pois ele já estava desligando o aparelho.
    Depois disso fui para um outro local, e, para a minha infelicidade, havia um usuário de droga que levava pessoas para a casa e aí ficavam até duas horas da madrugada conversando alto sendo que em uma oportunidade saiu uma briga e sobrou até para a cadeira de plástico. A dona do imóvel quis cobrar a cadeira de todos os moradores. E os caras são tão folgados que nem assumiram a cadeira quebrada, ou seja, temos que dormir na hora que eles dormem e ainda pagar pelos estragos que fazem na casa. Não fiquei mais do que 30 dias no local. Saí alegando que o mesmo era muito quente, pois o sol batia praticamente o dia inteiro nele. Mas a proprietária quis me passar para o andar debaixo, onde não batia o sol, e era onde os usuários de drogas ficavam conversando a noite inteira. Aí não achei uma outra desculpa e falei a verdade: é uma situação complicada essa de ter que contar a verdade, não se sabe qual será a reação do usuário. Mas ele teve uma conversa comigo e viu que tentei ocultar o fato, mas não tinha como mais inventar desculpas.
    Depois de mais essa tentativa, aluguel um outro quarto, em novembro do ano passado, mas sem antes perguntar para a proprietária a posição que ela tinha em relação as drogas. Como ela afirmou que não aceitava o uso de drogas no local, resolvi mudar, e é onde moro atualmente.
   No começo foi tudo às mil maravilhas. Sem drogas, sem confusão, apenas um ou outro atrito que acontece em locais onde várias pessoas moram. Mas, um certo dia apareceu um novo morador. Achei estranho o fato dele não trabalhar, apesar de afirmar que tinha uma profissão. Mas assim como eu, quase não saía da casa... O cheiro da erva já dava para ser sentido nos primeiros dias, e, com o tempo, um entra e sai de pessoas desconhecidas. Primeiro assoviavam do lado de fora, e, ele de dentro da casa respondia com outro assovio. Com o tempo, algumas pessoas permaneciam na casa até de madrugada, falando e dando gargalhadas. O sossego e a tranquilidade foram embora. Não quero e nem pretendo consertar o mundo, mas deveriam pelo menos alugar uma casa para que não se atrapalhe o sono e a vida dos outros moradores.
   Gasto quase metade do meu salário para pagar o aluguel, e acho que deveria ter o direito de escolher morar onde não tenha drogas. Cheguei a pensar em morar em alguma república evangélica ou algo parecido, mas gosto de andar sem camisa e de bermuda nos dias de calor. E às vezes, bem raramente falo meus palavrões, principalmente quando machuco ou levo uma pancada. Já terei que procurar um outro local, se meu pé estivesse bom já teria começado as minhas andanças novamente. Computador, tv, som a gente vende e compra de novo, o que não tem preço é a paz.
Mas de que adianta perguntar se o proprietário tolera as drogas? Com essa crise as pessoas estão aceitando todo mundo que aparece. É verdade que alguns são rígidos, mas os que achei o aluguel era além do que posso pagar.
   Tenho saudades das minhas andanças, tive muitos perrengues, mas poderia mudar de lugar quando aparecesse algo ou alguém inoportuno: bastava desmontar a barraca e pronto. E foi a época em que melhor me senti tanto fisicamente como mentalmente. As andanças são o melhor antipsicótico que já encontrei, não recomendo a ninguém que faça a mesma coisa, pois cada um tem a sua maneira de ser.
Algumas pessoas já entraram em contato comigo querendo fazer essas viagens comigo, mas infelizmente no meu caso a solidão é a melhor companhia. São experiências únicas e que não podem ser compartilhadas, a não ser pelos escritos e vídeos.
   Às vezes chego a pensar se o melhor não seria o autoextermínio. De que adianta essa vida, sem poder andar sem sentir dor? Que vida é essa que estou vivendo? Preso pelas minhas próprias paranoias e sem condições físicas de fazer o que mais gosto? Não tenho coragem de pular de um prédio, de me atirar na frente de um carro. Pagar um assassino de aluguel não seria uma boa, pois só iria confiar se fosse possível pagar depois do serviço prestado...
     O cara que é chegado nas drogas aqui onde moro até chegou a ouvir um conselho de um amigo:
    - Ele te enfrenta por que talvez não tenha medo de você...
    Realmente não tenho medo, nem da morte tenho medo. E já vi a morte em um dos meus surtos. Estava perambulando pela BR durante a noite quando vi uma sombra idêntica a da morte deslizando pela BR. Na primeira vez que a vi confesso que fiquei um pouco arrepiado, mas não era um medo, era um espanto, se é que existe alguma diferença. Não saí correndo, apenas observando a sombra deslizar pela Br até sumir. E continuei a caminhar normalmente até vê-la novamente, e desta vez nem um fio de cabelo meu ficou arrepiado. Iria conversar com ela numa boa caso ela se aproximasse de mim. Mas ela foi embora como da primeira vez, talvez não tenha encontrado quem estava procurando.
    Esse vizinho no momento está meio calado. Talvez esteja bolando algo contra mim, ou talvez não. Já retirou sua antena da "skygato". Talvez seja para colocar um outro vizinho contra a minha pessoa, pois ele vende a skygato para outras pessoas. Creio que se fizerem uma votação na casa sobre quem deve sair tudo pode acontecer, mas creio que irão optar pelo cara que sabe fazer mais amizades e eu que procuro ser uma pessoa correta seria o eliminado.
    Será sempre a fuga uma solução? Ou é na fuga onde nos entramos?

Muitos pensam que andar por aí é loucura. Se é, então não estou sozinho nesse mundo.

 

sábado, 20 de maio de 2017

O esporte salvou a minha vida

   
    Falar que praticar esportes faz bem para a saúde é como chover no molhado. Depois de fazer exercícios físicos, o nosso organismo libera algumas substâncias que nos dão aquela sensação de prazer. Ficamos mais relaxados, menos estressados e mais dispostos para enfrentar os problemas do nosso dia a dia cada vez mais estressante, principalmente nas grandes cidades. 
    Por isso não vou me estender sobre os benefícios de se praticar esportes, seja ele qual for. 
    Estava um dia desses em casa, sonhando com a estrada real, quando comecei a pensar sobre como me ajudou o esporte em toda a minha vida. Primeiro na infância, que foi maravilhosa, apesar de alguns pequenos problemas que tinha, acho que já nasci meio maluquinho mesmo. Na década de 70 e no início da de 80 ainda se podia brincar nas ruas aqui de Belo Horizonte e então passava o dia inteiro jogando futebol na rua. O jogo era verdadeiro, a estratégia era simples; marcar mais gols do que o adversário, nada de apertar botão esquerdo do mouse para atirar em ninguém. De tarde, na escola, durante o recreio, jogávamos futebol de tampinha, pois a diretora havia proibido a bola de meia, devido às inúmeras vidraças quebradas por alguns pernas de pau. Juro que nunca cheguei a quebrar uma, sempre tive um bom chute. E, de noite, para aproveitar a escuridão, brincávamos de "pegadô- de- esconde", também conhecido como esconde-esconde. Só que a brincadeira não era na garagem do prédio do vizinho ou em algum quintal Era no quarteirão inteiro! Entrávamos nos prédios, subíamos nos telhados das casas que na época não tinham cercas elétricas. A maioria das casas ainda não tinham muros grandes ou portões elétricos, e também serviam de esconderijo. Era atividade o dia inteiro e a noite também.  E chegava cansado em casa, pronto para mais uma noite de sono. 
    E continuei assim até os dias de hoje. Claro que deixei o esconde-esconde de lado, e hoje sempre procuro jogar o meu futebolzinho  e fazer a minha caminhada, onde quer que esteja. 
    Um dia desses relembrei de algo que está diretamente relacionado ao esporte e que posso dizer que me salvou de uma situação que poderia ser bem complicada. Estava morando nas ruas, devido aos surtos psicóticos que estava tendo com frequência, por volta do ano de 2004. Já sem condições de trabalhar e sem energia para lutar, resolvi desistir de tudo: comprei um colchonete e umas vinte pilhas para o meu radinho. Queria me desligar do mundo e não podia dar ouvido aos meus pensamentos e aquelas vozes. Não tive "coragem" (ou covardia) de tentar o autoextermínio naquela oportunidade e então deitei em uma calçada na rua e fiquei assim por dois dias, durante o final de semana. 
     Na segunda feira houve um reboliço na cidade, apareceu polícia e até ambulância, quando souberam que fiquei ali sem me alimentar (só comi uma coxinha e um refrigerante, que uma pessoa me deu). Estava tomando o meu diazepan praticamente de duas em duas horas, pois sentia que poderia surtar a qualquer momento. Creio que esse fato chamou a atenção de um morador da cidade que resolveu chamar a polícia. Estava deitado no meu colchonete e ouvi o diálogo do policial com uma mulher, que mais tarde fiquei sabendo que era uma assistente social:
    - "Mas ele sempre foi de praticar esportes"... foi o que deu para ouvir. Era a assistente social me defendendo, pois senti que a intenção do policial era investigar um morador de rua que á todo instante estava tomando comprimidos. Depois o policial me cumprimentou, perguntou se eu estava bem e até me pediu desculpas. Horas antes apareceu um outro policial, e começou a gritar o meu nome. Como eu estava ouvindo o meu radinho de pilha, demorei para atender, e ai o homem da lei deu um tapão nas minhas costas. Dei um pulo tão alto que o guarda até se assustou. Não sei como consegui fazer aquilo. Estava deitado de costas, e, num pulo, consegui me virar e fiquei como um gato em posição de alerta. O policial deu uma olhada em mim e perguntou se eu estava bem. Depois se retirou. 
    Isso aconteceu em uma pequena cidade do interior. Provavelmente a assistente social chegou a me ver fazendo as minhas caminhadas pelas ruas daquela cidade. E sempre andava com camisetas esportivas, que, além de serem leves, são bem fáceis de lavar, coisa que detesto fazer. 
     Ou seja, as minhas caminhadas e o futebolzinho que eu jogava me salvaram de uma situação que poderia ser bastante complicada para mim, caso fosse um usuário de alguma droga ilícita, ou mesmo da maconha, que muitos insistem em afirmar que não faz nenhum mal à saúde. Se eu não fosse uma pessoa que tinha prazer em trabalhar e praticar esportes creio que a assistente social não iria ter vontade de me ajudar. Não é preconceito, mas as pessoas ficam um pouco na dúvida ao tentar ajudar uma pessoa que esteja fazendo o uso de drogas. Não tem a certeza de que valerá a pena o esforço gasto. Sei que o vício das drogas é algo sério e as pessoas atingidas não estão satisfeitas com a situação, quando morei nas ruas vi de perto o que o crack pode fazer: já vi catadores de material reciclável gastando todo o dinheiro ganho em um dia para comprar a droga. 
  E, durante os surtos, as atividades físicas que havia praticado em toda a minha vida também me ajudaram. Cheguei a ficar um período perambulando pelas BR’s, sem me alimentar, pois tudo o que comia eu acabava vomitando, pois sempre ouvia alguém dizer que o que eu havia comido estava envenenado. E andava praticamente o dia todo, sem pausa para descanso, pois cheguei a imaginar que haviam dezenas de pessoas no meu encalço para me pegarem e me lincharem. Cheguei a perder cerca de 25kg, e acredito que, se não fosse a minha resistência provavelmente não teria resistido à toda essa prova pela qual passei. 
pedido de ajuda de uma pessoa que passou a ouvir vozes com o uso da maconha...

    O que posso dizer em relação à maconha nesse tempo que escrevo o blog e participo de vários grupos sobre transtorno mental é que ela pode ou não fazer mal ao indivíduo. Creio que tenha algo a ver com a genética da pessoa, ou um outro fator parecido. Talvez a droga seja um gatilho para as psicoses e os transtornos mentais para aquelas pessoas que tenham alguma tendência a desenvolvê-las. Mas como saber distinguir quem tem alguma tendência a desenvolver uma esquizofrenia, por exemplo? Por meio das dúvidas não seria melhor não experimentar? Sempre procuro ajudar as pessoas, seja aqui no blog ou na minha página no facebook E não é raro o relato de pessoas que passaram a desenvolver quadros psicóticos e que até foram diagnosticadas com esquizofrenia paranoide depois que passaram a fazer o uso da maconha. 
    Não exponho as pessoas que conversam comigo em particular aqui no blog, por isso vou apenas postar um print de uma pessoa que conversou comigo no facebook pedindo ajuda e que relatou passar a ter psicoses depois do uso da maconha, "a erva natural que não pode te prejudicar"... (está entre aspas, é uma frase da música de uma banda de rock nacional).
    Como podem ver no relato acima, as vozes aumentam quando a pessoa usa a maconha. Outros já relataram que começaram a ouvi-las depois do uso da erva.  Creio que já devo ter falado sobre isso em uma outra postagem, mas só experimentei maconha três vezes em minha vida, entre 17 e 23 anos de idade. Não senti nada diferente, apenas em uma vez fiquei mais relaxado. Era uma pessoa tranquila e até certo ponto distraída, e não me preocupava com nada a minha volta. Já tinha a verdadeira paz em meu coração. No meu caso foram outros gatilhos que ajudaram a desencadear os surtos psicóticos e a esquizofrenia. 
    Por isso não tenho vergonha de dizer que sou careta e que pretendo continuar a ser. Posso ser chamado de maluco, de doido, mas não sou a ponto de querer estragar os poucos neurônios que ainda me restam né? Então vamos caminhar, chutar, rebater, pular, nadar, enfim, movimentarmos!!!

sábado, 22 de abril de 2017

Código de ética-Psicologia Download

                                Mais um livro para a CDE(Central de Downloads do Esquizo).
   Creio que a maioria dos leitores do blog sabem o que é a CDE, mas, para quem não sabe, é o onde hospedo alguns livros que sinto que sejam de grande valia para quem tem algum envolvimento, direto ou indireto, com o tema transtornos mentais. Ainda não tem a quantidade de arquivos que desejo, pois ultimamente não tenho tido aquela vontade inicial que tinha de ler, quando comecei a escrever este humilde blog. Mas, com o tempo e a ajuda de amigos, irei postando mais livros para tentar ajudar as pessoas de alguma maneira nesse mundo tão misterioso e cercado de estigmas e preconceitos.
    O livro que estou comentando nesta postagem acredito não ser somente de interesse exclusivo dos psicólogos. Também é de muita valia para os clientes dos psicólogos, tentou ou não algum tipo de transtorno mental, grave ou não. Afinal não é somente os considerados loucos que procuram o serviço desses profissionais.
    Sempre é bom sabermos como o psicólogo (a) deve se portar e conduzir uma sessão. Devemos saber os nossos direitos, principalmente na questão da privacidade e também de sabermos sobre a nossa patologia, seja ela a esquizofrenia, a bipolaridade, etc...
    Devemos sempre estar atentos aos nossos direitos, pois, como em todas as áreas, sempre existem os maus profissionais, e na área da saúde mental não poderia ser diferente. Gostaria de deixar bem claro que não tenho nada contra os psicólogos, não sou da antipsiquiatria e nem da psiquiatria.
    Para quem ainda não sabe, antipsiquiatria é um movimento que basicamente não acredita na existência dos  transtornos mentais, e que tudo não passa de uma invenção da indústria farmacêutica, juntamente com uma turma de psiquiatras, para obterem lucro fácil com a invenção de novas doenças e, consequentemente, a criação de novos medicamentos. Já a psiquiatria a maioria já deve saber, muitos seguidores dela acreditam que quase tudo se resolve com uma pílula mágica, até mesmo para se tratar de nossas emoções mais profundas.
    Não sou de ficar em cima do muro, mas neste caso não estou de nenhum lado. Na minha humilde opinião o cérebro pode sim adoecer, como qualquer outro órgão do nosso corpo humano.Acredito sim que existam os transtornos mentais, mas também acho que a psiquiatria pega pesado querendo classificar tudo e a todos... A cada edição o DSM (manual de diagnóstico de transtornos mentais) cresce assustadoramente.  Também sinto que existem sim os profissionais gananciosos em busca de lucro fácil, mesmo que isso valha a saúde de seus clientes. Espero que os profissionais de saúde mental que estejam lendo esta postagem não fiquem zangados, pois felizmente esses maus profissionais são uma minoria e devem ser combatidos por todos, usuários do serviço de saúde mental e os bons profissionais.
    Não sou muito fã da terapia e muito menos dos medicamentos. Mas nem por causa disso saio por aí pelos quatro cantos do mundo aconselhando as pessoas a fazerem o mesmo que eu, que é se virar por aí com o s.o.s chamado diazepan e viver recluso em suas moradas. Algumas pessoas se dão bem com a terapia, precisam ter alguém para falar, e cada ser é único e tem a sua maneira de ser e agir. No meu caso, duas de minhas terapias prediletas são: escrever e praticar esportes, principalmente o futebol. No futebol todo o meu stress vai embora, é como uma verdadeira sessão de descarrego, todos os pensamentos ruins vão embora juntamente com o suor. E gosto de zoar, semana passada fiquei no gol, por que o meu dedão está detonado, e apostei com o atacante adversário um cafezinho por cada gol que ele fizesse em mim. Ainda bem que eu estava bem no dia e levei somente um gol...
    E escrevendo também sinto que boto pra fora meus pensamentos, sentimentos e até alguns ressentimentos, através dos rabiscos da caneta. Já escrevia muito antes de começar este blog, narrando basicamente assuntos sem importância, do meu cotidiano.
    O blog é democrático, e todos são muito bem vindos: pessoas que sofrem de algum tipo de transtorno mental e familiares e amigos, os profissionais que cuidam dessas pessoas e também aqueles que não tem nenhum tipo de transtorno mental, mas que procuram sempre se informar sobre os mais variados assuntos, pois a finalidade principal do blog é a de tentar, mesmo que de uma forma quase que imperceptível, a diminuir o estigma e o preconceito que cercam os transtornos da mente. Como o pássaro que enche o seu bico e tenta apagar o incêndio na floresta, já que quem deveria fazer isso mais atrapalha do que ajuda. Não vou falar que são alguns meios de comunicação para não causar discórdia aqui no blog.

                              A minha curta relação com as psicólogas
    Desde pequeno minha avó já me achava meio esquisito e diferente dos demais garotos de minha idade. Me lembro que por volta dos oito anos fui levado à um hospital para fazer um eletroencefalograma, que provavelmente não deve ter detectado nada, pois não fui levado à nenhum manicômio. Vi naquelas folhas as ondas cerebrais da minha cabeça, e não me recordo de ter vista nenhuma onda mais alta do que a outra, parecia tudo mais ou menos em ordem. Mas confesso que quase caguei nas calças quando a enfermeira passou o gel em minha cabeça e começou a colocar aquele monte de fios. Pensei que iria levar uns choques que iriam consertar a minha mente e assim parar com as minhas maluquices de criança.
    - "Não precisa cerrar os dentes"... -pediu a enfermeira, assim que o exame começou. Fiquei espantado como ela sabia que eu estava apertando os dentes, uns contra os outros. Mas ela também bem que poderia ter me preparado psicologicamente para aquele exame né?
    E assim fui seguindo a minha vida, um cara meio estranho, esquisito, que gostava de fazer palhaçadas. As pessoas me achavam esquisito, e eu também me achava, o que me fazia levar uma vida mais reclusa, mas que, quando saía para me divertir, não reparava em nada em minha volta. Ou seja, a minha esquisitice me prejudicava um pouco, mas dava para ir levando a vida, e deixando a vida me levar, não me preocupando muito com o futuro, até que as cismas começaram a virar neuroses, e daí foi um pulo para as paranoias.
   Então, alguns meses depois do meu primeiro surto psicótico consegui uma consulta com o psiquiatra, que depois de me receitar os medicamentos, me passou para a psicóloga, que apenas ficou me encarando, e depois me indicou uma oficina de música. Mas o que eu queria mesmo saber era a resposta para toda aquela maluquice que eu havia vivido naqueles últimos meses (acho que aquele surto psicótico durou uns três meses, mais ou menos, pois me lembro que fiquei "apenas" dois meses nas ruas esperando por essa consulta).
    Confesso que deveria ter tocado no assunto com essa primeira psicóloga nas outras sessões que tive, mas a verdade é que ainda estava muito assustado com tudo aquilo, e a ideia de era algo espiritual  toda aquela loucura ainda não havia passado em minha cabeça. E também na época eu não tinha muito noção do que era esquizofrenia, confesso que tinha os mesmos preconceitos do que a maioria da população tem, ou seja, de que a pessoa com esquizofrenia é violenta, agressiva, completamente louca em todos os momentos, que fala sozinha, etc... A única referência que eu tinha sobre esquizofrenia era a capa do álbum da banda Sepultura, que teve as suas origens aqui em Belo Horizonte e que hoje em dia é mais conhecida no exterior do que aqui nas terras tupiniquins.
disco da banda Sepultura
    Então, depois de três sessões, desisti de encontrar respostas para o que havia acontecido comigo com aquela psicóloga. Também estava me sentindo muito bem disposto, como há muito tempo não me sentia. Estava mais acreditando que Deus estava me dando uma segunda chance do que tivesse me recuperado de um surto psicótico grave. Voltei então a trabalhar, mas sempre frequentado algum centro de saúde mental, com receio de que aquilo tudo pudesse acontecer novamente.
   Na época em que estava morando nas ruas, também cheguei a conversar algumas vezes com um pastor psicólogo muito gente boa que me atendia gratuitamente. Na verdade não era uma terapia, apenas ficávamos conversando sobre variados assuntos, juntamente com um outro cara que ia no consultório dele, que ficava em cima de igreja em que ele era pastor. Confesso que ia lá também para filar um cafezinho com alguns biscoitos. Na verdade não eram alguns biscoitos, eram muitos mesmo, para compensar o tempo que fiquei sem comer durante o surto, pois havia emagrecido 25kg naquela loucura toda, perambulando pelas br's fugindo dos meus inimigos imaginários...
   A segunda psicóloga com quem tive contato tinha uma abordagem diferente: fazia muitas perguntas e anotava algo em um caderninho. Mas também não chegou a tocar no assunto esquizofrenia comigo. Com ela tive várias sessões, pois como estava trabalhando comecei a ter uma piora e surtei novamente. Me lembro que no mês de dezembro cheguei a ter consultas semanais, pois acreditava que, assim como no primeiro surto, tudo iria se repetir neste mês que considero um pouco triste para mim, e que deveria se chamar "deprembro". ..
quem nunca idealizou uma psicóloga perfeita?

    E depois dessa, desisti de fazer terapia. Confesso que no início idealizava um pouco  as psicólogas: uma mulher bonita, atraente, bem resolvida, que não tinha problemas e que não ficava estressada nunca, mesmo quando estava na TPM. Que estavam sempre prontas e de bom humor para nos ouvir, nos dando conselhos com aquela voz suave e serena...
   Mas hoje sei que as psicólogas, assim como todos os profissionais da área da saúde mental são seres humanos como todos nós, e que também precisam às vezes de ajuda.
    Mas acredito e sinto que se deveria falar mais sobre o diagnóstico ou o possível diagnóstico, caso o profissional não tenha fechado o mesmo. Vejo várias pessoas nos grupos do facebook fazendo indagações, dando a impressão de que o assunto não é debatido durante as consultas e sessões. 
É um direito da pessoa com transtorno mental saber tudo sobre a sua patologia, assim bem como o tratamento administrado. Recorrentemente várias pessoas me procuram para tirarem suas dúvidas, mas gostaria de frisar que também sou uma pessoa com transtorno mental e cheia de problemas, mas isso não me impede de tentar ajudar no que posso, devido à minha experiência prática no assunto e também aos meus estudos. Não recebo nenhum dinheiro com esse blog, mas é muito gratificante ouvir o agradecimento das pessoas, seja aqui nos comentários no blog, ou no facebook ou por email. Procuro mais responder aqui pois assim outras pessoas também poderão interagir e tirar suas dúvidas.
Nem sempre estou bem para responder, espero que compreendam, mas continuem sempre participando através dos comentários, seja através de dúvidas ou sugestões. 
Abaixo o link para fazer o download do código de ética do psicólogo e do psiquiatra também, assim como o polêmico DSM V.


    Sempre gosto de escrever ouvindo música. O ideal é fazer isso no silêncio total, mas como moro em um quarto alugado, sempre tem aquelas  interferências externas (vizinho gritando, vizinho funkeiro que ainda não conhece o significado da palavra fone de ouvido, etc...). No player de áudio que uso, tem de tudo: desde heavy metal até música clássica, e quando terminei de revisar a postagem estava tocando esta música, coincidentemente ou não.

sábado, 15 de abril de 2017

INSS corta quase 90% dos benefícios de auxílio doença


  O INSS acabou de cancelar cerca de 76 mil benefícios de auxílio doença em todo país nessa última revisão. Também mais de 11 mil pessoas tiveram seus  benefícios cortados pelo não comparecimento à perícia convocada pelo instituto. É uma porcentagem altíssima (84%). Apesar de ser aposentado, concordo plenamente com uma operação pente fino, para detectar quem realmente está apto ou não para o trabalho renumerado. Mas também acredito que os peritos não observam somente as condições de trabalho do requente do benefício, pois, durante esses cinco anos de perícias observei que muita gente sem condições de trabalho tinham seus pedidos indeferidos. Sinto que as condições financeiras também são observadas, se o requerente tem familiares que possam sustentá-lo durante o período de inatividade ou até mesmo para o restante da vida no caso da aposentadoria. (Fonte UOL Folha)
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/04/1875169-pente-fino-cancela-84-dos-auxilios-doenca-e-aposentadorias-por-invalidez.shtml
    Durante as minhas idas ao INSS nas perícias, vi uma senhora com mais de 60 anos não ter seu pedido de aposentadoria deferido. Ela estava muito debilitada e tremia muito. Talvez tenha sido alguma questão documental ou não. No meu caso muitos chegam a me perguntar como me aposentei. Não teve nenhuma trama ou truque, durante todas as minhas perícias falei somente a verdade. Não deixei a minha barba crescer para ficar com aparência ruim, e nem o cabelo. Fui em todas as perícias com roupas limpas e as que uso no dia a dia. Nunca tomei algum medicamento para ficar com cara de dopado, e a maioria das perícias fui sozinho na agência, apesar de me recomendarem ir acompanhado. Oras, a esquizofrenia no meu caso pelo menos me causa um extremo isolamento social, então teria que procurar alguém que comparecesse na agência comigo e inventasse alguma história, fingindo ser algum conhecido meu, e eu teria que fingir que não consigo me deslocar e resolver alguns problemas do dia a dia.
    A esquizofrenia infelizmente no meu caso me incapacitou para o trabalho que eu tanto gostava: operador de som. Era a minha alegria, a minha diversão trabalhar nas festas nas cidades do interior de Minas Gerais. Ajudar, mesmo que de uma forma indireta para a alegria daquelas pessoas fazia a minha vida ter sentido. Perdia finais de semana, feriados e não me queixava. Não precisava mais do que duas semanas de férias. Ficava deprimido no mês de janeiro, época de pouco serviço na área de sonorização. Já trabalhei com dengue, virose, mão quebrada, pé machucado,e até por várias horas sem poder me alimentar devido à correria que é ser operador de som. Fora os finais de semana trabalhando direto, com direito a apenas duas horas de sono. Mas não encontrei a fórmula secreta para trabalhar corretamente com um transtorno chamado esquizofrenia...
    Não me aposentei logo no meu primeiro surto Me lembro que me recuperei bem, mas logo tive recaídas ao tentar voltar ao trabalho. Não tem como trabalhar medicado, pois os antipsicóticos em sua maioria causam muita sonolência e lentidão. Quase sofri um acidente mais grave ao deixar uma mesa de som cair, por sorte consegui colocar a mão e proteger a minha perna. Ficava então usando o diazepan como s.o.s, sempre tomava uns dois comprimidos pouco  antes dos eventos, quando o pessoal começava a chegar para assistir os shows. Não consigo mais ficar no meio de uma multidão. Som alto, então, nem pensar. Poderia procurar um outro trabalho? Qual? Um que não tivesse muito contato com as pessoas? E se usar um antipsícótico, como acordar cedo, e não esquecer das coisas, pois fico com o raciocínio lento? E como conseguir um trabalho, sem contar ou relatar que tenho esquizofrenia? Alguém poderia dizer se existe no país uma empresa que contrata pessoas com esquizofrenia?
O INSS não está perdoando nem quem tem câncer...
http://odia.ig.com.br/economia/2016-10-30/pente-fino-inss-suspende-auxilio-doenca-de-segurada-com-cancer.html
Roberta Souza teve o seu benefício cortado, apesar de estar se tratando de um cânce

    Já ouvi muitas pessoas dizerem que levo uma vida boa, mas sinceramente não acho graça nenhuma em viver quase que 24 horas por dia em um pequeno quarto, contando os reais e centavos para pagar um aluguel de 400 reais. Obviamente sou muito grato à todas as pessoas que me ajudaram nos momentos mais difíceis, principalmente quando estava nas ruas de Belo Horizonte. Tive a sorte de encontrar pessoas muito bondosas que me ajudaram nas horas certas. Acredito que a minha parcial recuperação não teria acontecido sem a ajuda dessas pessoas. Mas às vezes me pergunto se não teria sido melhor ter ido dessa para outra, principalmente no meu primeiro surto, quando fiquei vários dias sem me alimentar, chegando a perder cerca de 25 quilos. Esses cinco anos de perícias foram muito desgastantes para mim, na época ainda não existia o telefone da previdência, tínhamos que dormir na agência para conseguirmos o atendimento sem ter perder boa parte do dia.
E agora essa incerteza, pois a partir do mês de agosto as aposentadorias serão revisadas. Não tenho medo, mas a incerteza gera muito desgaste. Se for convocado, farei como sempre fui, usarei a minha roupa que uso no dia a dia, o cabelo cortado, a barba mais ou menos por fazer, pois não gosto muito de ficar passando o barbeador no rosto, me corto pra caramba.
  Se cortarem a minha aposentadoria, não farei escândalo. Mas gostaria que a mesma rigidez da revisão também fosse feita para os políticos, militares e outras classes "trabalhadoras" do nosso país.
Gostaria muito que pelo menos "consertassem" o meu pé, pois tive uma lesão em novembro de 2014 e até hoje não consegui um atendimento digno pelo SUS. Somente agora no início do mês de maio é que terei acesso à uma palmilha que poderá dar um alivio para o meu problema. Palmilha que custa em média 500 reais e que com muito custo iria conseguir comprar, apesar da ajuda que recebi aqui no blog através de uma leitora. E também não comprei pelo fato de ser um simples alívio, caso fosse uma solução para o problema teria vendido o meu notebook ou a televisão sem pensar duas vezes.
Se o tempo para conseguir uma palmilha foi de dois anos e meio, imagino a demora que deve ser para conseguir o procedimento cirúrgico que é indicado para o meu caso...
Se morar nas ruas com boas condições físicas já é difícil, imagine com dificuldades para se locomover? Além das dores no pé, tenho atualmente vários problemas devido ao sedentarismo desses últimos dois anos. Jogo bola, mas fico no gol e corro um pouco, apesar das dores que sinto. Andar e correr é uma necessidade básica para mim, é o meu principal antipsicótico para não pirar. Confesso que a minha saúde mental também piorou muito depois dessa lesão.
    Gostaria muito também que os pesquisadores criassem um medicamento específico para os chamados "sintomas negativos" da esquizofrenia, que são bem parecidos com os da depressão e que geralmente é confundido com frescura, preguiça, etc... Sempre vejo na internet sobre medicamentos novos, mas todos atuando nos sintomas negativos. Alguns psiquiatras afirmam que alguns antipsicóticos costumam dar resultado nos sintomas negativos, mas me pergunto como que um medicamento que dá sonolência pode ser eficaz em sintomas como o desânimo, a apatia, a falta de energia... É uma grande contradição na minha modesta opinião.
Fui um bom profissional na área de sonorização, poderia muito bem ser um grande técnico de som, se me esforçasse para isso, mas no fundo queria trabalhar mas sem ter muito contato com as pessoas, e assim procurava trabalhar nas pequenas empresas sem muitas exigências.
    Como disse, é necessário sim o pente fino, pois existe sim muitas irregularidades, nem é preciso entrar em detalhes, acredito que todo mundo sabe que isso acontece em nosso país. Mas que pelo menos a lei valesse para todos, a começar pelos políticos, que não sei por que conseguem se aposentar aos 50 anos...

Entrevista que a globo não reprisou, sobre a questão da idade mínima da aposentadoria... Por que será, hein? Na verdade não tenho certeza se reprisou ou não, mas o que me passaram é que a entrevista foi concedida e apresentada em um jornal matinal da emissora carioca. Se foi reprisada na parte da tarde ou até mesmo à noite não posso responder, pois não tenho o costume de assistir a programação da globo. Mas acredito que, pelo teor da entrevista e pela sinceridade do entrevistado, a entrevista não foi e nunca será reprisada na globo, ainda bem que temos outros canais de informação.
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Gostaria de agradecer também á todos os grupos das redes sociais que me apoiam e que publicam as minhas postagens. Infelizmente ultimamente muitos grupos estão deixando de publicar o que posto, o motivo até hoje não me passaram, apesar das minhas indagações...

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Paranoias diárias do dia a dia de um esquizofrênico

   

    Estava fazendo o meu roteiro diário para almoçar no restaurante popular de Belo Horizonte, quando, ao passar próximo à uma "boca de fumo" ouvi um dos meliantes gritar:
    - "Tá normal, tá!".
    Esse é um aviso de que está tudo bem, de que não há presença de policiais ou homens da lei à paisana no local. Sempre passo por este lugar, não tem como fugir, a não ser que eu ande mais uns 500 metros, ao fazer o desvio passando pela rodoviária. Já são 1.1km para ir mais 1.1km para voltar, e com as condições em que está o meu "hálux rigidus" (=dedão do pé detonado) parece que andei mais de 50km pela estrada real. Sem chances...
    Sempre fico meio tenso nesse local, apesar de ser um pacato cidadão que procura estar sempre de acordo com a lei. Fico imaginando que os pequenos traficantes estejam com a certeza de que eu seja um policial à paisana e que assim que dobrar a esquina, irei dar o aviso pelo rádio para dar uma geral na galera.  Mas o contrário também acontece, quando os policiais estão fazendo uma busca no local, tenho a certeza quase absoluta de que os homens da lei estão pensando que eu esteja no local para pegar alguma droga. Ai faço questão de passar perto deles, para mostrar que não tenho nada a ver com a movimentação daquele local, só faltando pegar a minha identidade e mostrar para eles. Bem que poderia ser uma piada, mas infelizmente já perdi a conta de quantas vezes me deu vontade de mostrar a minha identidade para os policias, e dizer:
    - Trabalhei 17 anos como operador de som!...
    Mas dessa vez que o vigia da boca de fumo gritou "Tá normal, tá", fiquei um pouco preocupado. Geralmente eles dizem somente o "Tá normal". Notei que dessa vez o rapaz falou o 'Tá normal, Tá", frisando bem  o "tá" no finalzinho da frase. Não é paranoia minha não, deu para ouvir claramente.
Ai pensei: Seria um novo código secreto criado pelos meliantes, tipo para dizer que está "mais ou menos" normal? Que tem elemento suspeito na área?
    Confesso que já deu vontade de parar naquele lugar e dizer para os caras que não sou da polícia e que também não sou "caguete", pois de problemas a minha vida já está cheia e que não quero mais confusão para o meu lado. Mas só fiquei na vontade, não tenho previsão nenhuma de qual será a reação do pessoal daquele lugar.
    Não tem como sair desse tipo de pensamento. É a mania de perseguição que me persegue... Quando frequentei uma igreja, pensava que todos os outros membros estavam  afirmando que eu era dado às coisas do tinhoso. Se por acaso for no mineirão, para assistir o clássico do futebol mineiro "atlético x Cruzeiro", e ficar na torcida atleticana, tenho certeza de que ficarei cismado de que os atleticanos estarão pensando que eu sou cruzeirense, e o contrário também acredito que irá acontecer, mas não torço para nenhum time daqui de Minas, apesar de ter nascido na minha querida Beuzonte.
Acredito que a maioria já deve saber que torço para o time mais querido do Brasil, que tem a maior torcida, o melhor time, o ônibus mais bonito, as cores mais bonitas. Mas não irei revelar o nome dese time para não haver discórdias aqui no blog... Brincadeira, não sou mais fanático só sou um, ops, já ia falar o nome do time, mas hoje sou um saudável torcedor do time mais querido do Brasil.
   -"Ah, mas se você tomar o remedinho tudo vai melhorar e esses pensamentos irão passar"... Já me disseram e ainda me dizem por ai. Mas o que eles nãos sabem é que não foi por falta de tentativa que parei com os antipsicóticos. Os pensamentos e delírios de perseguição podem passar, mas junto também passam a vontade de acordar, de levantar da cama, de tomar banho, de andar, enfim, de viver como qualquer cidadão normal. Este é um caminho que decidi trilhar, entre a loucura e  a razão, mas sempre do lado do bem e com a consciência tranquila, acima de tudo (só devo aos bancos mesmo, mas isso não faz pesar a minha consciência, não me lembro de ter atrasado um mês de aluguel nesses últimos 12 anos de minha vida de aposentado).
    Esse é o caminho que resolvi seguir, e não quero dizer que é o melhor, pode ser para mim, mas não para todos. Vou seguindo nos trilhos da vida, às vezes saio dele, mas confesso que a cada dia que passa me sinto uma pessoa normal, ao ver por aí que os "zé maias"  da vida acham normal tocarem no que nem sempre deve ser tocado, ao constatar que o jornal mais vendido é o que mais violência mostra, que o que dá audiência na tv é a desgraça alheia e os bbbs que vez ou outra tem seus integrantes envolvidos em caso de polícia...
 Não aconselho a ninguém que pare de tomar suas medicações, mas também posso sugerir que conversem com seus respectivos médicos caso não estejam sentindo bem com os medicamentos que estejam tomando. A minha loucura pode fazer mal, às vezes, mas somente para a minha pessoa. A partir do momento que eu esteja sentindo que eu esteja prejudicando alguém, serei o primeiro a procurar algum tipo de ajuda, mesmo que essa ajuda seja os detonadores antipsicóticos, que tiram a minha vontade de viver e de me emocionar.
 
 

domingo, 19 de março de 2017

Divagações esquizofrênicas -15

O trovão 

    Ontem foi mais um daqueles monótonos sábados que fazem parte de minha rotina atual: acordar tarde, tomar dois copos de água em jejum, esperar meia hora e depois tomar a minha ração matinal (aveia, gérmen de trigo, fibras e leite de soja), Depois cochilar mais um pouquinho e almoçar. Final de semana sempre exagero na comilança de doces e outros guloseimas. Ai, depois do almoço bate aquele soninho e cochilo mais um pouquinho. Por volta das quatro horas da tarde acordo e fico na net até a hora de começar o jogo do meu time, que prefiro não revelar aqui no blog.
    O embotamento afetivo está em um nível tão elevado que não me importo muito com as dificuldades que o meu time de coração enfrentou durante o jogo e não me emocionei muito na hora do suado gol da vitória, já nos minutos finais da partida. Aliás nem me importaria se o time tivesse empatado ou perdido. Ai nem sofreria como antigamente, quando nem almoçava no dia seguinte após uma derrota na  final de um campeonato. Fico me perguntando se isso é uma vantagem ou desvantagem, pois no futebol não tem como um time ganhar sempre tudo em todos os anos. Fico avaliando as alegrias que tive nas comemorações e o sofrimento nas derrotas, e ainda ter que ouvir a zoação dos amigos. Mas chego à conclusão de que vale a pena sim ficar sem o embotamento afetivo, e sorrir, chorar, sofrer e se emocionar.
 Essa ausência de sentimentos até que ajuda em algumas situações. Às vezes sou zoado aqui no bairro onde moro, algumas pessoas jogam indiretas sobre o fato de ser aposentado e não ter que trabalhar. Outros jogam indireta pelo fato de ter esquizofrenia e não raramente me chamam de louco, doido, etc, apesar de ser uma pessoa reservada e não falar muito. Mas passo por essas pessoas sem o menor problema e nem olho o rosto desses indivíduos. Acho que o problema está neles e não em mim, já que não se deve mexer com quem está quieto. É uma indiferença muito grande que sinto nesta fase da minha vida que sinceramente gostaria ser aquela pessoa emotiva como era antes da esquizofrenia aparecer em minha vida, mesmo que os comentários alheios me incomodassem.
    Já são quase dez da noite. Então, depois do jogo, vou assistir TV aberta, para pegar no sono novamente. E como estava demorando muito para "cair nos braços de Morfeu" (não pense que é "bobice" olhe o significado no link), vou procurar um filme no notebook para assistir na TV, graças ao salvador e bendito cabo HDMI de dez metros que comprei na loja de eletrônica, aqui no centro de"Beuzonte". Custou 59 reais, mas o investimento valeu cada centavo...
    Após vasculhar muito na net, achei o filme "Minha mãe é uma peça 2". Como a primeira parte foi muito boa de se assistir, não tenho dúvidas e coloco o player para carregar o vídeo e assim tentar achar graça nesse entediante vida que venho levado atualmente, ainda mais por que não posso andar muito por causa do meu dedão do pé que está detonado e o pessoal do sus acha que é só um probleminha de nada. Na próxima postagem irei mostrar os meus exames de triglicerídeos antes e depois do meu dedão do pé estar arrebentado para ver se é brincadeira. Acho que se eu pegar o caminho da estrada real nessas condições, irei ter logo no primeiro dia um AVC ou então um fulminante infarto do miocárdio.
    Mas, voltando a película, confesso que fiquei meio decepcionado. Foi o tal do "mais do mesmo". O filme explorou muito o que a personagem principal apresentou na primeira versão: ser esquentada e estressada demais, falando alguns palavrões às vezes. Praticamente uma repetição do primeiro filme, só que agora a personagem principal está rica e comanda um programa de televisão. Devido à esse fato, a sonolência bate forte e então resolvo desligar a TV para dormir novamente. Creio que não estão passando mais aos sábados aquele programa que mostra o trabalho da polícia nas ruas. Acho divertido as situações que os homens da lei têm que enfrentar no dia a dia: brigas de casais bêbados, traficantes negando que a droga não pertencia a eles, etc... Acho engraçado também que os policiais são muito educados com alguns que dão uma má resposta durante a abordagem, tenho quase certeza que se não fosse a câmera o pau iria comer solto, ou pelo menos, iriam dar umas bordoadas no elemento suspeito.
     Mas uma coisa incrível acontece no exato momento em que vou apertar a tecla power do controle remoto: um estrondoso trovão se faz ouvir em praticamente toda a cidade, creio eu. O barulho foi tão forte que a sensação é que caiu em cima do telhado do meu quarto. Mas o barulho foi tão forte que começo a desligar tudo quanto é aparelho elétrico aqui no meu cafofo: o notebook e o cabo de rede (sim, o aparelho pode queimar através do cabinho azul da net), a TV, o frigobar, o home theather da LG que custei a comprar. Só o velho ventilador é que continuou ligado.
     Mas a sincronia entre o som provocado pelo raio e o momento em que desligo a TV foi tão exato que começo a pensar que fosse algum castigo de Deus, ou um aviso, sei lá, assim como pensavam os homens das cavernas. Faço então mentalmente uma lista dos pecados que tenho cometido ultimamente e começo a pedir perdão, apesar de que, devido a pasmaceira que tenho estado não tenho cometido tantos deslizes assim, a não ser o pecado da preguiça mesmo, juntamente com o da gula.
    Mais alguns minutos e mais um raio, e o medo aumenta, pois até então o céu estava extremamente limpo, quase sem nuvens. Fico me perguntando como o tempo pode mudar assim tão de repente. Mas, minutos depois de analisar a situação, me acalmo um pouco: o dia realmente estava limpo, com poucas nuvens, mas, devido ao forte calor, houve uma rápida evaporação da água na terra que se acumulou mais rapidamente no céu e que então fez as nuvens aparecem e dai os raios, que são resultado da colisão das partículas de gelo que são formadas dentro da nuvem (não sei nada desses assuntos, pesquisei tudo no google). E também tem o fato de que fiquei a tarde toda dentro do quarto, não acompanhando a mudança do tempo aqui na capital mineira. Aos poucos fui me acalmando e a sensação de culpa exagerada foi se dissipando aos poucos como as nuvens do céu que caíam sobre a cidade...
nem Jesus escapa dos raios....


São Thomé das letras
"pirâmide", em São Thomé
  Uma característica dessas postagens denominadas "Divagações esquizofrênicas" são as temáticas, que são bem diversificadas dentro da mesma postagem, como podem observar. 
Então, resolvi falar um pouco sobre a minha experiência com a mística e encantadora cidade de São Thomé das Letras, no extremo sul de Minas Gerais. 
    Desde criança sempre gostei do sobrenatural, de filmes de terror. E quando cresci e o tédio tomou conta da  minha vida, comecei a querer ter algum tipo de experiências mística, sobrenatural, sei lá. Qualquer coisa que fosse diferente do meu dia a dia eu acharia bem legal. Mas nunca me enveredei pelos caminhos das drogas, já era meio maluquinho de nascença mesmo, não precisando de artifícios para me acharem meio maluco. Achava minha vida tão entediante que não ficava em um emprego por mais de um ano. Mas achava minha vida tão entediante, mas tão entediante que, se por acaso aparecesse um disco voador na minha frente não iria sair correndo, como a maioria das pessoas:
     - E aí gente boa, tem jeito de dar uma voltinha nessa nave? - provavelmente era o que iria dizer para o ser de outro planeta que estivesse pilotando a nave. 
     Queria tanto um encontro intergalático que iria sentir mais curiosidade do que medo no momento em que avistasse um ser de outro planeta. E pelo que já pesquisei em anos remotos, existem várias raças de et's, Tem os tais dos nórdicos, que se parecem muito com os seres humanos.E vai que dou sorte e encontro uma "eteia" nórdica bunitinha? Iríamos dar um rolé pelo espaço sideral e conhecer altas galáxias e quem sabe iriamos fazer um amor intergalático no espaço sideral. Mas também tem os et's maus, que gostam de sequestrar as pessoas para fazerem pesquisas. Mas falando sério já faz um bom tempo que parei de estudar e acreditar nessas coisas, e hoje em dia apenas acredito na possibilidade da existência de vida em outros planetas. 
"eteia" nórdica bunitinha
    Então, como o sul de Minas Gerais é muito conhecido pelas famosas aparições de et's, resolvi fazer uma visita à mística cidade de São Thomé das Letras, muito frequentado pelos hippies e pela galera que curte o som do  Raul Seixas. Aí fica a dúvida se na região aparece realmente as naves ou se o pessoal exagerou nos "chazinhos" né?
     Na primeira vez que fui em São Thomé não encontrei nada de sobrenatural, apesar de me embrenhar pela mata afora. Ficava andando praticamente o dia inteiro sem rumo, pelas cachoeiras, pelos vales, mas nada de encontrar um duende, um ser da natureza qualquer para me alegrar. Mas valeu e muito a pena essa minha primeira visita, o ar puro daquela região renova a alma de qualquer pessoa que esteja estressada, desenganada,...
    Na segunda vez já aconteceram coisas estranhas. E uma delas aconteceu perto do chamado vale das borboletas, que, óbvio tem muitas borboletas realmente. Mas o que me chamou a atenção foi algo que não sei realmente explicar: havia um pequeno veio de água que aparentemente descia para o rio.
O guia turístico de repente se virou para mim e afirmou que a água estava subindo o monte e não descendo, como deveria ser. Claro que achei graça e imaginei que o cara estiva me zuando, mas, para a minha surpresa pude constatar que  ele estava falando realmente a verdade, pois ele jogou um pedacinho de papel na água que imediatamente começou a subir o monte. Não me perguntem como isso acontece, pois nem o guia soube me explicar.
   Um outro fato que me chamou a atenção em São Thomé das Letras foi a ladeira do amendoin. O guia turístico nos levou para o local e afirmou que o ônibus iria subir a ladeira sozinho. Dessa vez não fiquei tanto na dúvida, depois que vi  a água subindo o monte não passei a duvidar de mais nada naquela cidade. Ele deixou o ônibus bem no início da ladeira, desengrenou e sai. No mesmo instante e inexplicavelmente o veículo começou a subir a ladeira. Eu e o grupo de pessoas que ali estava começamos a rir, pois a cena era realmente engraçada. O guia nos explicou que o magnetismo do solo seria a explicação para tal fato. E rapidamente ele teve que ir ao encontro do ônibus, pois já subia a ladeira em boa velocidade.
    Mas encontrar seres de outros planetas não encontrei não, apesar de perambular pela mata até de madrugada. Não achei nada de estranho, nem um ruído sequer, para a minha frustração.  Mas que tem uma atmosfera diferente naquela cidade, isso tem.