sábado, 22 de abril de 2017

Código de ética-Psicologia Download

                                Mais um livro para a CDE(Central de Downloads do Esquizo).
   Creio que a maioria dos leitores do blog sabem o que é a CDE, mas, para quem não sabe, é o onde hospedo alguns livros que sinto que sejam de grande valia para quem tem algum envolvimento, direto ou indireto, com o tema transtornos mentais. Ainda não tem a quantidade de arquivos que desejo, pois ultimamente não tenho tido aquela vontade inicial que tinha de ler, quando comecei a escrever este humilde blog. Mas, com o tempo e a ajuda de amigos, irei postando mais livros para tentar ajudar as pessoas de alguma maneira nesse mundo tão misterioso e cercado de estigmas e preconceitos.
    O livro que estou comentando nesta postagem acredito não ser somente de interesse exclusivo dos psicólogos. Também é de muita valia para os clientes dos psicólogos, tentou ou não algum tipo de transtorno mental, grave ou não. Afinal não é somente os considerados loucos que procuram o serviço desses profissionais.
    Sempre é bom sabermos como o psicólogo (a) deve se portar e conduzir uma sessão. Devemos saber os nossos direitos, principalmente na questão da privacidade e também de sabermos sobre a nossa patologia, seja ela a esquizofrenia, a bipolaridade, etc...
    Devemos sempre estar atentos aos nossos direitos, pois, como em todas as áreas, sempre existem os maus profissionais, e na área da saúde mental não poderia ser diferente. Gostaria de deixar bem claro que não tenho nada contra os psicólogos, não sou da antipsiquiatria e nem da psiquiatria.
    Para quem ainda não sabe, antipsiquiatria é um movimento que basicamente não acredita na existência dos  transtornos mentais, e que tudo não passa de uma invenção da indústria farmacêutica, juntamente com uma turma de psiquiatras, para obterem lucro fácil com a invenção de novas doenças e, consequentemente, a criação de novos medicamentos. Já a psiquiatria a maioria já deve saber, muitos seguidores dela acreditam que quase tudo se resolve com uma pílula mágica, até mesmo para se tratar de nossas emoções mais profundas.
    Não sou de ficar em cima do muro, mas neste caso não estou de nenhum lado. Na minha humilde opinião o cérebro pode sim adoecer, como qualquer outro órgão do nosso corpo humano.Acredito sim que existam os transtornos mentais, mas também acho que a psiquiatria pega pesado querendo classificar tudo e a todos... A cada edição o DSM (manual de diagnóstico de transtornos mentais) cresce assustadoramente.  Também sinto que existem sim os profissionais gananciosos em busca de lucro fácil, mesmo que isso valha a saúde de seus clientes. Espero que os profissionais de saúde mental que estejam lendo esta postagem não fiquem zangados, pois felizmente esses maus profissionais são uma minoria e devem ser combatidos por todos, usuários do serviço de saúde mental e os bons profissionais.
    Não sou muito fã da terapia e muito menos dos medicamentos. Mas nem por causa disso saio por aí pelos quatro cantos do mundo aconselhando as pessoas a fazerem o mesmo que eu, que é se virar por aí com o s.o.s chamado diazepan e viver recluso em suas moradas. Algumas pessoas se dão bem com a terapia, precisam ter alguém para falar, e cada ser é único e tem a sua maneira de ser e agir. No meu caso, duas de minhas terapias prediletas são: escrever e praticar esportes, principalmente o futebol. No futebol todo o meu stress vai embora, é como uma verdadeira sessão de descarrego, todos os pensamentos ruins vão embora juntamente com o suor. E gosto de zoar, semana passada fiquei no gol, por que o meu dedão está detonado, e apostei com o atacante adversário um cafezinho por cada gol que ele fizesse em mim. Ainda bem que eu estava bem no dia e levei somente um gol...
    E escrevendo também sinto que boto pra fora meus pensamentos, sentimentos e até alguns ressentimentos, através dos rabiscos da caneta. Já escrevia muito antes de começar este blog, narrando basicamente assuntos sem importância, do meu cotidiano.
    O blog é democrático, e todos são muito bem vindos: pessoas que sofrem de algum tipo de transtorno mental e familiares e amigos, os profissionais que cuidam dessas pessoas e também aqueles que não tem nenhum tipo de transtorno mental, mas que procuram sempre se informar sobre os mais variados assuntos, pois a finalidade principal do blog é a de tentar, mesmo que de uma forma quase que imperceptível, a diminuir o estigma e o preconceito que cercam os transtornos da mente. Como o pássaro que enche o seu bico e tenta apagar o incêndio na floresta, já que quem deveria fazer isso mais atrapalha do que ajuda. Não vou falar que são alguns meios de comunicação para não causar discórdia aqui no blog.

                              A minha curta relação com as psicólogas
    Desde pequeno minha avó já me achava meio esquisito e diferente dos demais garotos de minha idade. Me lembro que por volta dos oito anos fui levado à um hospital para fazer um eletroencefalograma, que provavelmente não deve ter detectado nada, pois não fui levado à nenhum manicômio. Vi naquelas folhas as ondas cerebrais da minha cabeça, e não me recordo de ter vista nenhuma onda mais alta do que a outra, parecia tudo mais ou menos em ordem. Mas confesso que quase caguei nas calças quando a enfermeira passou o gel em minha cabeça e começou a colocar aquele monte de fios. Pensei que iria levar uns choques que iriam consertar a minha mente e assim parar com as minhas maluquices de criança.
    - "Não precisa cerrar os dentes"... -pediu a enfermeira, assim que o exame começou. Fiquei espantado como ela sabia que eu estava apertando os dentes, uns contra os outros. Mas ela também bem que poderia ter me preparado psicologicamente para aquele exame né?
    E assim fui seguindo a minha vida, um cara meio estranho, esquisito, que gostava de fazer palhaçadas. As pessoas me achavam esquisito, e eu também me achava, o que me fazia levar uma vida mais reclusa, mas que, quando saía para me divertir, não reparava em nada em minha volta. Ou seja, a minha esquisitice me prejudicava um pouco, mas dava para ir levando a vida, e deixando a vida me levar, não me preocupando muito com o futuro, até que as cismas começaram a virar neuroses, e daí foi um pulo para as paranoias.
   Então, alguns meses depois do meu primeiro surto psicótico consegui uma consulta com o psiquiatra, que depois de me receitar os medicamentos, me passou para a psicóloga, que apenas ficou me encarando, e depois me indicou uma oficina de música. Mas o que eu queria mesmo saber era a resposta para toda aquela maluquice que eu havia vivido naqueles últimos meses (acho que aquele surto psicótico durou uns três meses, mais ou menos, pois me lembro que fiquei "apenas" dois meses nas ruas esperando por essa consulta).
    Confesso que deveria ter tocado no assunto com essa primeira psicóloga nas outras sessões que tive, mas a verdade é que ainda estava muito assustado com tudo aquilo, e a ideia de era algo espiritual  toda aquela loucura ainda não havia passado em minha cabeça. E também na época eu não tinha muito noção do que era esquizofrenia, confesso que tinha os mesmos preconceitos do que a maioria da população tem, ou seja, de que a pessoa com esquizofrenia é violenta, agressiva, completamente louca em todos os momentos, que fala sozinha, etc... A única referência que eu tinha sobre esquizofrenia era a capa do álbum da banda Sepultura, que teve as suas origens aqui em Belo Horizonte e que hoje em dia é mais conhecida no exterior do que aqui nas terras tupiniquins.
disco da banda Sepultura
    Então, depois de três sessões, desisti de encontrar respostas para o que havia acontecido comigo com aquela psicóloga. Também estava me sentindo muito bem disposto, como há muito tempo não me sentia. Estava mais acreditando que Deus estava me dando uma segunda chance do que tivesse me recuperado de um surto psicótico grave. Voltei então a trabalhar, mas sempre frequentado algum centro de saúde mental, com receio de que aquilo tudo pudesse acontecer novamente.
   Na época em que estava morando nas ruas, também cheguei a conversar algumas vezes com um pastor psicólogo muito gente boa que me atendia gratuitamente. Na verdade não era uma terapia, apenas ficávamos conversando sobre variados assuntos, juntamente com um outro cara que ia no consultório dele, que ficava em cima de igreja em que ele era pastor. Confesso que ia lá também para filar um cafezinho com alguns biscoitos. Na verdade não eram alguns biscoitos, eram muitos mesmo, para compensar o tempo que fiquei sem comer durante o surto, pois havia emagrecido 25kg naquela loucura toda, perambulando pelas br's fugindo dos meus inimigos imaginários...
   A segunda psicóloga com quem tive contato tinha uma abordagem diferente: fazia muitas perguntas e anotava algo em um caderninho. Mas também não chegou a tocar no assunto esquizofrenia comigo. Com ela tive várias sessões, pois como estava trabalhando comecei a ter uma piora e surtei novamente. Me lembro que no mês de dezembro cheguei a ter consultas semanais, pois acreditava que, assim como no primeiro surto, tudo iria se repetir neste mês que considero um pouco triste para mim, e que deveria se chamar "deprembro". ..
quem nunca idealizou uma psicóloga perfeita?

    E depois dessa, desisti de fazer terapia. Confesso que no início idealizava um pouco  as psicólogas: uma mulher bonita, atraente, bem resolvida, que não tinha problemas e que não ficava estressada nunca, mesmo quando estava na TPM. Que estavam sempre prontas e de bom humor para nos ouvir, nos dando conselhos com aquela voz suave e serena...
   Mas hoje sei que as psicólogas, assim como todos os profissionais da área da saúde mental são seres humanos como todos nós, e que também precisam às vezes de ajuda.
    Mas acredito e sinto que se deveria falar mais sobre o diagnóstico ou o possível diagnóstico, caso o profissional não tenha fechado o mesmo. Vejo várias pessoas nos grupos do facebook fazendo indagações, dando a impressão de que o assunto não é debatido durante as consultas e sessões. 
É um direito da pessoa com transtorno mental saber tudo sobre a sua patologia, assim bem como o tratamento administrado. Recorrentemente várias pessoas me procuram para tirarem suas dúvidas, mas gostaria de frisar que também sou uma pessoa com transtorno mental e cheia de problemas, mas isso não me impede de tentar ajudar no que posso, devido à minha experiência prática no assunto e também aos meus estudos. Não recebo nenhum dinheiro com esse blog, mas é muito gratificante ouvir o agradecimento das pessoas, seja aqui nos comentários no blog, ou no facebook ou por email. Procuro mais responder aqui pois assim outras pessoas também poderão interagir e tirar suas dúvidas.
Nem sempre estou bem para responder, espero que compreendam, mas continuem sempre participando através dos comentários, seja através de dúvidas ou sugestões. 
Abaixo o link para fazer o download do código de ética do psicólogo e do psiquiatra também, assim como o polêmico DSM V.


    Sempre gosto de escrever ouvindo música. O ideal é fazer isso no silêncio total, mas como moro em um quarto alugado, sempre tem aquelas  interferências externas (vizinho gritando, vizinho funkeiro que ainda não conhece o significado da palavra fone de ouvido, etc...). No player de áudio que uso, tem de tudo: desde heavy metal até música clássica, e quando terminei de revisar a postagem estava tocando esta música, coincidentemente ou não.

sábado, 15 de abril de 2017

INSS corta quase 90% dos benefícios de auxílio doença


  O INSS acabou de cancelar cerca de 76 mil benefícios de auxílio doença em todo país nessa última revisão. Também mais de 11 mil pessoas tiveram seus  benefícios cortados pelo não comparecimento à perícia convocada pelo instituto. É uma porcentagem altíssima (84%). Apesar de ser aposentado, concordo plenamente com uma operação pente fino, para detectar quem realmente está apto ou não para o trabalho renumerado. Mas também acredito que os peritos não observam somente as condições de trabalho do requente do benefício, pois, durante esses cinco anos de perícias observei que muita gente sem condições de trabalho tinham seus pedidos indeferidos. Sinto que as condições financeiras também são observadas, se o requerente tem familiares que possam sustentá-lo durante o período de inatividade ou até mesmo para o restante da vida no caso da aposentadoria. (Fonte UOL Folha)
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/04/1875169-pente-fino-cancela-84-dos-auxilios-doenca-e-aposentadorias-por-invalidez.shtml
    Durante as minhas idas ao INSS nas perícias, vi uma senhora com mais de 60 anos não ter seu pedido de aposentadoria deferido. Ela estava muito debilitada e tremia muito. Talvez tenha sido alguma questão documental ou não. No meu caso muitos chegam a me perguntar como me aposentei. Não teve nenhuma trama ou truque, durante todas as minhas perícias falei somente a verdade. Não deixei a minha barba crescer para ficar com aparência ruim, e nem o cabelo. Fui em todas as perícias com roupas limpas e as que uso no dia a dia. Nunca tomei algum medicamento para ficar com cara de dopado, e a maioria das perícias fui sozinho na agência, apesar de me recomendarem ir acompanhado. Oras, a esquizofrenia no meu caso pelo menos me causa um extremo isolamento social, então teria que procurar alguém que comparecesse na agência comigo e inventasse alguma história, fingindo ser algum conhecido meu, e eu teria que fingir que não consigo me deslocar e resolver alguns problemas do dia a dia.
    A esquizofrenia infelizmente no meu caso me incapacitou para o trabalho que eu tanto gostava: operador de som. Era a minha alegria, a minha diversão trabalhar nas festas nas cidades do interior de Minas Gerais. Ajudar, mesmo que de uma forma indireta para a alegria daquelas pessoas fazia a minha vida ter sentido. Perdia finais de semana, feriados e não me queixava. Não precisava mais do que duas semanas de férias. Ficava deprimido no mês de janeiro, época de pouco serviço na área de sonorização. Já trabalhei com dengue, virose, mão quebrada, pé machucado,e até por várias horas sem poder me alimentar devido à correria que é ser operador de som. Fora os finais de semana trabalhando direto, com direito a apenas duas horas de sono. Mas não encontrei a fórmula secreta para trabalhar corretamente com um transtorno chamado esquizofrenia...
    Não me aposentei logo no meu primeiro surto Me lembro que me recuperei bem, mas logo tive recaídas ao tentar voltar ao trabalho. Não tem como trabalhar medicado, pois os antipsicóticos em sua maioria causam muita sonolência e lentidão. Quase sofri um acidente mais grave ao deixar uma mesa de som cair, por sorte consegui colocar a mão e proteger a minha perna. Ficava então usando o diazepan como s.o.s, sempre tomava uns dois comprimidos pouco  antes dos eventos, quando o pessoal começava a chegar para assistir os shows. Não consigo mais ficar no meio de uma multidão. Som alto, então, nem pensar. Poderia procurar um outro trabalho? Qual? Um que não tivesse muito contato com as pessoas? E se usar um antipsícótico, como acordar cedo, e não esquecer das coisas, pois fico com o raciocínio lento? E como conseguir um trabalho, sem contar ou relatar que tenho esquizofrenia? Alguém poderia dizer se existe no país uma empresa que contrata pessoas com esquizofrenia?
O INSS não está perdoando nem quem tem câncer...
http://odia.ig.com.br/economia/2016-10-30/pente-fino-inss-suspende-auxilio-doenca-de-segurada-com-cancer.html
Roberta Souza teve o seu benefício cortado, apesar de estar se tratando de um cânce

    Já ouvi muitas pessoas dizerem que levo uma vida boa, mas sinceramente não acho graça nenhuma em viver quase que 24 horas por dia em um pequeno quarto, contando os reais e centavos para pagar um aluguel de 400 reais. Obviamente sou muito grato à todas as pessoas que me ajudaram nos momentos mais difíceis, principalmente quando estava nas ruas de Belo Horizonte. Tive a sorte de encontrar pessoas muito bondosas que me ajudaram nas horas certas. Acredito que a minha parcial recuperação não teria acontecido sem a ajuda dessas pessoas. Mas às vezes me pergunto se não teria sido melhor ter ido dessa para outra, principalmente no meu primeiro surto, quando fiquei vários dias sem me alimentar, chegando a perder cerca de 25 quilos. Esses cinco anos de perícias foram muito desgastantes para mim, na época ainda não existia o telefone da previdência, tínhamos que dormir na agência para conseguirmos o atendimento sem ter perder boa parte do dia.
E agora essa incerteza, pois a partir do mês de agosto as aposentadorias serão revisadas. Não tenho medo, mas a incerteza gera muito desgaste. Se for convocado, farei como sempre fui, usarei a minha roupa que uso no dia a dia, o cabelo cortado, a barba mais ou menos por fazer, pois não gosto muito de ficar passando o barbeador no rosto, me corto pra caramba.
  Se cortarem a minha aposentadoria, não farei escândalo. Mas gostaria que a mesma rigidez da revisão também fosse feita para os políticos, militares e outras classes "trabalhadoras" do nosso país.
Gostaria muito que pelo menos "consertassem" o meu pé, pois tive uma lesão em novembro de 2014 e até hoje não consegui um atendimento digno pelo SUS. Somente agora no início do mês de maio é que terei acesso à uma palmilha que poderá dar um alivio para o meu problema. Palmilha que custa em média 500 reais e que com muito custo iria conseguir comprar, apesar da ajuda que recebi aqui no blog através de uma leitora. E também não comprei pelo fato de ser um simples alívio, caso fosse uma solução para o problema teria vendido o meu notebook ou a televisão sem pensar duas vezes.
Se o tempo para conseguir uma palmilha foi de dois anos e meio, imagino a demora que deve ser para conseguir o procedimento cirúrgico que é indicado para o meu caso...
Se morar nas ruas com boas condições físicas já é difícil, imagine com dificuldades para se locomover? Além das dores no pé, tenho atualmente vários problemas devido ao sedentarismo desses últimos dois anos. Jogo bola, mas fico no gol e corro um pouco, apesar das dores que sinto. Andar e correr é uma necessidade básica para mim, é o meu principal antipsicótico para não pirar. Confesso que a minha saúde mental também piorou muito depois dessa lesão.
    Gostaria muito também que os pesquisadores criassem um medicamento específico para os chamados "sintomas negativos" da esquizofrenia, que são bem parecidos com os da depressão e que geralmente é confundido com frescura, preguiça, etc... Sempre vejo na internet sobre medicamentos novos, mas todos atuando nos sintomas negativos. Alguns psiquiatras afirmam que alguns antipsicóticos costumam dar resultado nos sintomas negativos, mas me pergunto como que um medicamento que dá sonolência pode ser eficaz em sintomas como o desânimo, a apatia, a falta de energia... É uma grande contradição na minha modesta opinião.
Fui um bom profissional na área de sonorização, poderia muito bem ser um grande técnico de som, se me esforçasse para isso, mas no fundo queria trabalhar mas sem ter muito contato com as pessoas, e assim procurava trabalhar nas pequenas empresas sem muitas exigências.
    Como disse, é necessário sim o pente fino, pois existe sim muitas irregularidades, nem é preciso entrar em detalhes, acredito que todo mundo sabe que isso acontece em nosso país. Mas que pelo menos a lei valesse para todos, a começar pelos políticos, que não sei por que conseguem se aposentar aos 50 anos...

Entrevista que a globo não reprisou, sobre a questão da idade mínima da aposentadoria... Por que será, hein? Na verdade não tenho certeza se reprisou ou não, mas o que me passaram é que a entrevista foi concedida e apresentada em um jornal matinal da emissora carioca. Se foi reprisada na parte da tarde ou até mesmo à noite não posso responder, pois não tenho o costume de assistir a programação da globo. Mas acredito que, pelo teor da entrevista e pela sinceridade do entrevistado, a entrevista não foi e nunca será reprisada na globo, ainda bem que temos outros canais de informação.
Gostaria de agradecer também á todos os grupos das redes sociais que me apoiam e que publicam as minhas postagens. Infelizmente ultimamente muitos grupos estão deixando de publicar o que posto, o motivo até hoje não me passaram, apesar das minhas indagações...

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Paranoias diárias do dia a dia de um esquizofrênico

   

    Estava fazendo o meu roteiro diário para almoçar no restaurante popular de Belo Horizonte, quando, ao passar próximo à uma "boca de fumo" ouvi um dos meliantes gritar:
    - "Tá normal, tá!".
    Esse é um aviso de que está tudo bem, de que não há presença de policiais ou homens da lei à paisana no local. Sempre passo por este lugar, não tem como fugir, a não ser que eu ande mais uns 500 metros, ao fazer o desvio passando pela rodoviária. Já são 1.1km para ir mais 1.1km para voltar, e com as condições em que está o meu "hálux rigidus" (=dedão do pé detonado) parece que andei mais de 50km pela estrada real. Sem chances...
    Sempre fico meio tenso nesse local, apesar de ser um pacato cidadão que procura estar sempre de acordo com a lei. Fico imaginando que os pequenos traficantes estejam com a certeza de que eu seja um policial à paisana e que assim que dobrar a esquina, irei dar o aviso pelo rádio para dar uma geral na galera.  Mas o contrário também acontece, quando os policiais estão fazendo uma busca no local, tenho a certeza quase absoluta de que os homens da lei estão pensando que eu esteja no local para pegar alguma droga. Ai faço questão de passar perto deles, para mostrar que não tenho nada a ver com a movimentação daquele local, só faltando pegar a minha identidade e mostrar para eles. Bem que poderia ser uma piada, mas infelizmente já perdi a conta de quantas vezes me deu vontade de mostrar a minha identidade para os policias, e dizer:
    - Trabalhei 17 anos como operador de som!...
    Mas dessa vez que o vigia da boca de fumo gritou "Tá normal, tá", fiquei um pouco preocupado. Geralmente eles dizem somente o "Tá normal". Notei que dessa vez o rapaz falou o 'Tá normal, Tá", frisando bem  o "tá" no finalzinho da frase. Não é paranoia minha não, deu para ouvir claramente.
Ai pensei: Seria um novo código secreto criado pelos meliantes, tipo para dizer que está "mais ou menos" normal? Que tem elemento suspeito na área?
    Confesso que já deu vontade de parar naquele lugar e dizer para os caras que não sou da polícia e que também não sou "caguete", pois de problemas a minha vida já está cheia e que não quero mais confusão para o meu lado. Mas só fiquei na vontade, não tenho previsão nenhuma de qual será a reação do pessoal daquele lugar.
    Não tem como sair desse tipo de pensamento. É a mania de perseguição que me persegue... Quando frequentei uma igreja, pensava que todos os outros membros estavam  afirmando que eu era dado às coisas do tinhoso. Se por acaso for no mineirão, para assistir o clássico do futebol mineiro "atlético x Cruzeiro", e ficar na torcida atleticana, tenho certeza de que ficarei cismado de que os atleticanos estarão pensando que eu sou cruzeirense, e o contrário também acredito que irá acontecer, mas não torço para nenhum time daqui de Minas, apesar de ter nascido na minha querida Beuzonte.
Acredito que a maioria já deve saber que torço para o time mais querido do Brasil, que tem a maior torcida, o melhor time, o ônibus mais bonito, as cores mais bonitas. Mas não irei revelar o nome dese time para não haver discórdias aqui no blog... Brincadeira, não sou mais fanático só sou um, ops, já ia falar o nome do time, mas hoje sou um saudável torcedor do time mais querido do Brasil.
   -"Ah, mas se você tomar o remedinho tudo vai melhorar e esses pensamentos irão passar"... Já me disseram e ainda me dizem por ai. Mas o que eles nãos sabem é que não foi por falta de tentativa que parei com os antipsicóticos. Os pensamentos e delírios de perseguição podem passar, mas junto também passam a vontade de acordar, de levantar da cama, de tomar banho, de andar, enfim, de viver como qualquer cidadão normal. Este é um caminho que decidi trilhar, entre a loucura e  a razão, mas sempre do lado do bem e com a consciência tranquila, acima de tudo (só devo aos bancos mesmo, mas isso não faz pesar a minha consciência, não me lembro de ter atrasado um mês de aluguel nesses últimos 12 anos de minha vida de aposentado).
    Esse é o caminho que resolvi seguir, e não quero dizer que é o melhor, pode ser para mim, mas não para todos. Vou seguindo nos trilhos da vida, às vezes saio dele, mas confesso que a cada dia que passa me sinto uma pessoa normal, ao ver por aí que os "zé maias"  da vida acham normal tocarem no que nem sempre deve ser tocado, ao constatar que o jornal mais vendido é o que mais violência mostra, que o que dá audiência na tv é a desgraça alheia e os bbbs que vez ou outra tem seus integrantes envolvidos em caso de polícia...
 Não aconselho a ninguém que pare de tomar suas medicações, mas também posso sugerir que conversem com seus respectivos médicos caso não estejam sentindo bem com os medicamentos que estejam tomando. A minha loucura pode fazer mal, às vezes, mas somente para a minha pessoa. A partir do momento que eu esteja sentindo que eu esteja prejudicando alguém, serei o primeiro a procurar algum tipo de ajuda, mesmo que essa ajuda seja os detonadores antipsicóticos, que tiram a minha vontade de viver e de me emocionar.