sábado, 22 de abril de 2017

Código de ética-Psicologia Download

                                Mais um livro para a CDE(Central de Downloads do Esquizo).
   Creio que a maioria dos leitores do blog sabem o que é a CDE, mas, para quem não sabe, é o onde hospedo alguns livros que sinto que sejam de grande valia para quem tem algum envolvimento, direto ou indireto, com o tema transtornos mentais. Ainda não tem a quantidade de arquivos que desejo, pois ultimamente não tenho tido aquela vontade inicial que tinha de ler, quando comecei a escrever este humilde blog. Mas, com o tempo e a ajuda de amigos, irei postando mais livros para tentar ajudar as pessoas de alguma maneira nesse mundo tão misterioso e cercado de estigmas e preconceitos.
    O livro que estou comentando nesta postagem acredito não ser somente de interesse exclusivo dos psicólogos. Também é de muita valia para os clientes dos psicólogos, tentou ou não algum tipo de transtorno mental, grave ou não. Afinal não é somente os considerados loucos que procuram o serviço desses profissionais.
    Sempre é bom sabermos como o psicólogo (a) deve se portar e conduzir uma sessão. Devemos saber os nossos direitos, principalmente na questão da privacidade e também de sabermos sobre a nossa patologia, seja ela a esquizofrenia, a bipolaridade, etc...
    Devemos sempre estar atentos aos nossos direitos, pois, como em todas as áreas, sempre existem os maus profissionais, e na área da saúde mental não poderia ser diferente. Gostaria de deixar bem claro que não tenho nada contra os psicólogos, não sou da antipsiquiatria e nem da psiquiatria.
    Para quem ainda não sabe, antipsiquiatria é um movimento que basicamente não acredita na existência dos  transtornos mentais, e que tudo não passa de uma invenção da indústria farmacêutica, juntamente com uma turma de psiquiatras, para obterem lucro fácil com a invenção de novas doenças e, consequentemente, a criação de novos medicamentos. Já a psiquiatria a maioria já deve saber, muitos seguidores dela acreditam que quase tudo se resolve com uma pílula mágica, até mesmo para se tratar de nossas emoções mais profundas.
    Não sou de ficar em cima do muro, mas neste caso não estou de nenhum lado. Na minha humilde opinião o cérebro pode sim adoecer, como qualquer outro órgão do nosso corpo humano.Acredito sim que existam os transtornos mentais, mas também acho que a psiquiatria pega pesado querendo classificar tudo e a todos... A cada edição o DSM (manual de diagnóstico de transtornos mentais) cresce assustadoramente.  Também sinto que existem sim os profissionais gananciosos em busca de lucro fácil, mesmo que isso valha a saúde de seus clientes. Espero que os profissionais de saúde mental que estejam lendo esta postagem não fiquem zangados, pois felizmente esses maus profissionais são uma minoria e devem ser combatidos por todos, usuários do serviço de saúde mental e os bons profissionais.
    Não sou muito fã da terapia e muito menos dos medicamentos. Mas nem por causa disso saio por aí pelos quatro cantos do mundo aconselhando as pessoas a fazerem o mesmo que eu, que é se virar por aí com o s.o.s chamado diazepan e viver recluso em suas moradas. Algumas pessoas se dão bem com a terapia, precisam ter alguém para falar, e cada ser é único e tem a sua maneira de ser e agir. No meu caso, duas de minhas terapias prediletas são: escrever e praticar esportes, principalmente o futebol. No futebol todo o meu stress vai embora, é como uma verdadeira sessão de descarrego, todos os pensamentos ruins vão embora juntamente com o suor. E gosto de zoar, semana passada fiquei no gol, por que o meu dedão está detonado, e apostei com o atacante adversário um cafezinho por cada gol que ele fizesse em mim. Ainda bem que eu estava bem no dia e levei somente um gol...
    E escrevendo também sinto que boto pra fora meus pensamentos, sentimentos e até alguns ressentimentos, através dos rabiscos da caneta. Já escrevia muito antes de começar este blog, narrando basicamente assuntos sem importância, do meu cotidiano.
    O blog é democrático, e todos são muito bem vindos: pessoas que sofrem de algum tipo de transtorno mental e familiares e amigos, os profissionais que cuidam dessas pessoas e também aqueles que não tem nenhum tipo de transtorno mental, mas que procuram sempre se informar sobre os mais variados assuntos, pois a finalidade principal do blog é a de tentar, mesmo que de uma forma quase que imperceptível, a diminuir o estigma e o preconceito que cercam os transtornos da mente. Como o pássaro que enche o seu bico e tenta apagar o incêndio na floresta, já que quem deveria fazer isso mais atrapalha do que ajuda. Não vou falar que são alguns meios de comunicação para não causar discórdia aqui no blog.

                              A minha curta relação com as psicólogas
    Desde pequeno minha avó já me achava meio esquisito e diferente dos demais garotos de minha idade. Me lembro que por volta dos oito anos fui levado à um hospital para fazer um eletroencefalograma, que provavelmente não deve ter detectado nada, pois não fui levado à nenhum manicômio. Vi naquelas folhas as ondas cerebrais da minha cabeça, e não me recordo de ter vista nenhuma onda mais alta do que a outra, parecia tudo mais ou menos em ordem. Mas confesso que quase caguei nas calças quando a enfermeira passou o gel em minha cabeça e começou a colocar aquele monte de fios. Pensei que iria levar uns choques que iriam consertar a minha mente e assim parar com as minhas maluquices de criança.
    - "Não precisa cerrar os dentes"... -pediu a enfermeira, assim que o exame começou. Fiquei espantado como ela sabia que eu estava apertando os dentes, uns contra os outros. Mas ela também bem que poderia ter me preparado psicologicamente para aquele exame né?
    E assim fui seguindo a minha vida, um cara meio estranho, esquisito, que gostava de fazer palhaçadas. As pessoas me achavam esquisito, e eu também me achava, o que me fazia levar uma vida mais reclusa, mas que, quando saía para me divertir, não reparava em nada em minha volta. Ou seja, a minha esquisitice me prejudicava um pouco, mas dava para ir levando a vida, e deixando a vida me levar, não me preocupando muito com o futuro, até que as cismas começaram a virar neuroses, e daí foi um pulo para as paranoias.
   Então, alguns meses depois do meu primeiro surto psicótico consegui uma consulta com o psiquiatra, que depois de me receitar os medicamentos, me passou para a psicóloga, que apenas ficou me encarando, e depois me indicou uma oficina de música. Mas o que eu queria mesmo saber era a resposta para toda aquela maluquice que eu havia vivido naqueles últimos meses (acho que aquele surto psicótico durou uns três meses, mais ou menos, pois me lembro que fiquei "apenas" dois meses nas ruas esperando por essa consulta).
    Confesso que deveria ter tocado no assunto com essa primeira psicóloga nas outras sessões que tive, mas a verdade é que ainda estava muito assustado com tudo aquilo, e a ideia de era algo espiritual  toda aquela loucura ainda não havia passado em minha cabeça. E também na época eu não tinha muito noção do que era esquizofrenia, confesso que tinha os mesmos preconceitos do que a maioria da população tem, ou seja, de que a pessoa com esquizofrenia é violenta, agressiva, completamente louca em todos os momentos, que fala sozinha, etc... A única referência que eu tinha sobre esquizofrenia era a capa do álbum da banda Sepultura, que teve as suas origens aqui em Belo Horizonte e que hoje em dia é mais conhecida no exterior do que aqui nas terras tupiniquins.
disco da banda Sepultura
    Então, depois de três sessões, desisti de encontrar respostas para o que havia acontecido comigo com aquela psicóloga. Também estava me sentindo muito bem disposto, como há muito tempo não me sentia. Estava mais acreditando que Deus estava me dando uma segunda chance do que tivesse me recuperado de um surto psicótico grave. Voltei então a trabalhar, mas sempre frequentado algum centro de saúde mental, com receio de que aquilo tudo pudesse acontecer novamente.
   Na época em que estava morando nas ruas, também cheguei a conversar algumas vezes com um pastor psicólogo muito gente boa que me atendia gratuitamente. Na verdade não era uma terapia, apenas ficávamos conversando sobre variados assuntos, juntamente com um outro cara que ia no consultório dele, que ficava em cima de igreja em que ele era pastor. Confesso que ia lá também para filar um cafezinho com alguns biscoitos. Na verdade não eram alguns biscoitos, eram muitos mesmo, para compensar o tempo que fiquei sem comer durante o surto, pois havia emagrecido 25kg naquela loucura toda, perambulando pelas br's fugindo dos meus inimigos imaginários...
   A segunda psicóloga com quem tive contato tinha uma abordagem diferente: fazia muitas perguntas e anotava algo em um caderninho. Mas também não chegou a tocar no assunto esquizofrenia comigo. Com ela tive várias sessões, pois como estava trabalhando comecei a ter uma piora e surtei novamente. Me lembro que no mês de dezembro cheguei a ter consultas semanais, pois acreditava que, assim como no primeiro surto, tudo iria se repetir neste mês que considero um pouco triste para mim, e que deveria se chamar "deprembro". ..
quem nunca idealizou uma psicóloga perfeita?

    E depois dessa, desisti de fazer terapia. Confesso que no início idealizava um pouco  as psicólogas: uma mulher bonita, atraente, bem resolvida, que não tinha problemas e que não ficava estressada nunca, mesmo quando estava na TPM. Que estavam sempre prontas e de bom humor para nos ouvir, nos dando conselhos com aquela voz suave e serena...
   Mas hoje sei que as psicólogas, assim como todos os profissionais da área da saúde mental são seres humanos como todos nós, e que também precisam às vezes de ajuda.
    Mas acredito e sinto que se deveria falar mais sobre o diagnóstico ou o possível diagnóstico, caso o profissional não tenha fechado o mesmo. Vejo várias pessoas nos grupos do facebook fazendo indagações, dando a impressão de que o assunto não é debatido durante as consultas e sessões. 
É um direito da pessoa com transtorno mental saber tudo sobre a sua patologia, assim bem como o tratamento administrado. Recorrentemente várias pessoas me procuram para tirarem suas dúvidas, mas gostaria de frisar que também sou uma pessoa com transtorno mental e cheia de problemas, mas isso não me impede de tentar ajudar no que posso, devido à minha experiência prática no assunto e também aos meus estudos. Não recebo nenhum dinheiro com esse blog, mas é muito gratificante ouvir o agradecimento das pessoas, seja aqui nos comentários no blog, ou no facebook ou por email. Procuro mais responder aqui pois assim outras pessoas também poderão interagir e tirar suas dúvidas.
Nem sempre estou bem para responder, espero que compreendam, mas continuem sempre participando através dos comentários, seja através de dúvidas ou sugestões. 
Abaixo o link para fazer o download do código de ética do psicólogo e do psiquiatra também, assim como o polêmico DSM V.


    Sempre gosto de escrever ouvindo música. O ideal é fazer isso no silêncio total, mas como moro em um quarto alugado, sempre tem aquelas  interferências externas (vizinho gritando, vizinho funkeiro que ainda não conhece o significado da palavra fone de ouvido, etc...). No player de áudio que uso, tem de tudo: desde heavy metal até música clássica, e quando terminei de revisar a postagem estava tocando esta música, coincidentemente ou não.

8 comentários:

  1. olá Júlio
    obrigado pelos seus textos são muito bons, e espero que você esteja bem [na medida do possível]

    eu tenho uma curiosidade sobre o efeito das bebidas alcoólicas e a esquizofrenia.
    o que você me diz ?
    pode servir como um SOS ?

    valeu irmão, muita força para você
    abs.

    -Hermes

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    1. Olá
      Estou bem sim, na medida do possível como você frisou.
      Obrigado pelas palavras.
      Álcool e esquizofrenia não combinam, na minha humilde opinião, mesmo que a pessoa não esteja tomando medicamentos. Se ela apenas eventualmente um vinho, uma cerveja sem estar tomando os medicamentos, creio que não vá causar problemas não, pelo menos é o que acontece comigo, mas bebo raramente, mesmo, tipo uma lata de cerveja nos últimos 10 anos, e uma cidra também. Já vinho bebo um pouquinho mais.
      Mas o álcool em excesso pode piorar o quadro das psicoses, pois a bebida dificulta a absorção da vitamina b pelo organismo, vitamina essa que é essencial para o bom funcionamento do cérebro.
      E se a pessoa estiver tomando antipsicóticos na minha opinião não deve de maneira nenhuma pensar em beber, exceto quando tenha conversado com o psiquiatra e tenha a permissão do mesmo, o que acho difícil de acontecer.
      Já quem não toma nenhum tipo de medicamento, ai vai de cada um saber o seu limite.
      Espero ter ajudado e obrigado pela visita ao blog.

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  2. Oi, eu sou esposa de um homem que tem esquizofrenia. Mas ele não aceita que tem a doença.
    Gostaria de saber como vc tem tanta consciência da doença.
    Meu marido já há doença há vinte anos e não assume. Se ele assumisse seria tudo mais fácil.
    Parabéns pelo seu trabalho. Abç

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    1. Tenho consciência pelo simples fato de não querer me enganar. Aceito sem problema a minha condição e não tem vergonha dela. A cada dia que vejo o noticiário através dos diversos meios de comunicação me sinto a pessoa mais normal do mundo, quando vejo o que os "ditos normais" andam fazendo por aí.
      Seu marido não precisa sair por ai assumindo a condição dele, basta assumir perante si mesmo, e esse é o primeiro passo e mais difícil em busca de uma estabilização e assim tentar partir para levar uma vida pelo menos próxima do normal. Nesta postagem conto um pouco como foi o meu processo:
      http://memoriasdeumesquizofrenico.blogspot.com.br/2013/10/os-12-passos-do-esquizofrenico.html
      Obrigado pela visita ao blog.

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  3. Olá! Encontrei seu blog por acaso há alguns meses enquanto pesquisava sobre sintomas psicóticos na internet. Meu objetivo é ler seu blog inteiro, mas preciso de tempo para isso, então peço perdão se meu comentário pareça desinformado ou coisa assim. Eu sou uma pessoa com doenças mentais, mas não sou esquizofrênico; sou diagnosticado com transtorno de personalidade borderline, depressão e ansiedade. Eu sou o tipo borderline que tem sintomas psicóticos, então eu tenho alucinações, delírios e paranoia. Faço tratamento com medicação e psicoterapia e concordo muito com você quando diz que os terapeutas deveriam dar mais informações aos pacientes a respeito das doenças. Eu só tive meu diagnóstico depois que eu mesmo disse à minha terapeuta que eu achava ter essa doença, porque antes disso eu só tinha o genérico "depressão e ansiedade", que parece ser com o que os psiquiatras diagnosticam todo mundo que entra no consultório. Eu já me questionei sobre várias doenças e todas elas me davam muito medo. Meu diagnóstico é recente, e eu ainda estou no processo de entender o que ele significa para mim. Eu fiz recentemente (hoje, na verdade), um blog para me ajudar a lidar com a minha saúde mental, e também ajudar outras pessoas a respeito disso: http://neurotico-psicotico.blogspost.com (eu sei que o título soa meio ofensivo, mas tem uma explicação para ele no primeiro post). Por enquanto só tem o post de apresentação, mas pretendo escrever mais quando puder.

    Eu vi que você escreve bastante sobre os direitos das pessoas com doenças mentais, então eu suponho que você entenda bastante disso: nós temos direito a algum auxílio financeiro do governo se não formos saudáveis o bastante para trabalhar? Eu estou terminando a faculdade (com muita dificuldade), mas pelo o que eu vejo de mim mesmo, eu não tenho certeza se consigo trabalhar. Tenho crises com muita frequência, tenho muitas dificuldades sociais e a única coisa que eu consigo fazer de verdade é escrever, mas não é sempre por causa dos surtos frequentes. Os remédios que eu tomo me debilitam fisicamente por causa dos efeitos colaterais, então eu não posso dirigir ou operar máquinas.

    Agradeço por ter feito esse blog tão informativo.

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  4. Olá
    Eu que agradeço pela sua visita e pela sua participação.
    Escrever realmente é uma boa terapia, claro que existem outras, cada um tem que achar um meio de expressar os seus pensamentos e sentimentos. Não precisa necessariamente expor publicamente como faço aqui no blog, ai cabe a cada um decidir o que é melhor para si.
    Em relação ao benefício, se você faz tratamento com medicamentos creio que você deva tentar sim o benefício, mas não antes de tentar exercer alguma atividade. Talvez você encontre algo que não te estresse tanto. Por experiência própria, posso dizer que a aposentadoria é a última opção, confesso que não acho muita grança nessa vida de aposentado, mas foi o que tive que fazer, após algumas tentativas de voltar ao trabalho que tanto gostava.
    Abraços.

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  5. olá! Diferente de você eu não tenho esquizofrenia, mas tenho alguns problemas parecidos, como paranoias, principalmente com os olhares das pessoas, Além disso tenho muita dificuldade com a comunicação. Meu médico passou para eu tomar risperidona 2mg à noite e 1 de manhã, além de glonazepan à noite, decidi parar de tomar a risperidona por conta própria porque estava me deixando inquieto e com o raciocinio muito prejudicado, além de estar com disfunção erétil. O que você acha? poderia me aconselhar um medicamento para eu falar com o médico?

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    1. Olá
      Obrigado pela visita ao blog e pela confiança, mas, por questões de ética, não posso e creio que também não devo aconselhar medicamentos baseados em um breve relato.
      Tente conversar com o seu médico, é obrigação dele ouvir suas queixas sobre os medicamentos, afinal ele ganha para isso, seja no sus ou particular. Caso ele não esteja aberto ao diálogo, aconselho a trocar de médico, afinal quem deve ser paciente são os médicos.

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