quarta-feira, 29 de agosto de 2018

The Good Doctor-Download



    Muitas pessoas se interessaram por esta série. Abaixo links para baixar a primeira temporada completa. Para baixar este tipo de arquivo recomendo usar um programa chamado Free Download Manager. Abaixo o link para baixá-lo. É um ótimo programa, sem vírus e arquivos maliciosos. 
E, além de tudo o programa ainda baixa vídeos do youtube e outros sites. 

Sinopse e link para baixar a série
    Shaun Murphy (Freddie Highmore, de Bates Motel) é um jovem cirurgião com síndrome de Savant que se muda de uma vida tranquila no interior para se juntar à unidade cirúrgica de um hospital de prestígio. Sozinho no mundo e incapaz de se conectar pessoalmente com aqueles que o rodeiam, Shaun usa seus dons médicos extraordinários para conquistar seus colegas e salvar as vidas dos pacientes.


   Quem preferir pode assistir online também, não tendo o trabalho de baixar as legendas e depois inseri-las na hora de visualizar o vídeo.
 1º Passo


2º Passo

Depois é só aguardar


domingo, 26 de agosto de 2018

Dia do psicólogo

   
    Para alguns, o psicólogo é o profissional que te ajuda a ficar bem, ouve com paciência tudo o que você tem para dizer, seus dilemas, suas paranoias e tudo mais. E também te dá conselhos que te ajudam a resolver esses problemas. 
     Outros já não pensam assim: dizem que psicólogo é para loucos, que esses profissionais recebem muita grana só para ouvir nossas conversas e que nada é resolvido em uma sessão. Pode até ser impressão minha, mas sinto que boa parte dos homens pensa que psicólogo é frescura, coisa de mulher que não tem nada o que fazer. Não sei dizer a porcentagem, mas creio que ainda hoje em dia boa parte dos pacientes dos consultórios de psicologia sejam mulheres. Aliás cerca de 85% dos profissionais dessa área são mulheres. 
    No meu caso em particular, sempre idealizava as psicólogas: fora do consultório também seriam mulheres lindas, perfeitas, compreensivas e que nunca ficariam zangadas, mesmo estando com TPM. Aliás, nem teriam TPM. Assim até o esquizo também queria casar com essa mulher perfeita, que não se zangaria ao ver a bagunça do meu quarto, de me ver tomando água na boca da garrafa, e que não se chatearia com o meu humor matinal. Sempre estaria pronta para me ouvir com aquela voz calma e serena. 
    Mas, para a felicidade geral da nação a perfeição não existe. Os psicólogos são seres humanos como nós, e também têm seus problemas. São pessoas que estudaram para nos ajudar a resolver nossas questões. Podem apenas nos ajudar a nos entender e a entender nossos dilemas, mas eles não têm o poder de nos fazer sentir a melhor pessoa do mundo, quando temos problemas financeiros, por exemplo. 
psicólogos podem atuar em várias áreas. 

    Psicólogos não são para os loucos, eles podem atuar nas escolas, no ambiente esportivo, nas empresas, hospitais, postos de saúde, no Detran, etc... Também podem ajudar na questão da escolha de qual curso o estudante deve escolher. Não deve ser fácil escolher uma profissão que vamos seguir o resto de nossas vidas quando temos apenas uns 17 anos. Acho que muitas pessoas se desiludem com muitas profissões com o passar do tempo. E, por falar em tempo, hoje em dia até psicólogo para cachorros está tendo...
    Não sei se psicólogos são profissionais comuns nas delegacias e nos batalhões de polícia, mas se não for deveria ser, afinal o policial vive todo dia lidando com o ser humano. Às vezes o policial é chamado para atender uma ocorrência,  a tal desinteligência. E se for uma briga de casal às vezes uma simples conversa pode resolver não sendo necessária uma ida à delegacia. 
    A seleção da Alemanha que jogou a copa do mundo de 2014 no Brasil teve acompanhamento psicológico e o resultado todos nós já sabemos né? Mas psicologia não ganha jogo, apenas ajuda, já que a própria Alemanha teve um rendimento pífio na copa de 2018. Temos que cuidar da cabeça e dos pés também.
psicólogos não são apenas para ficar nos ouvindo

     No meu caso em particular, os psicólogos não me ajudaram muito, principalmente na questão da esquizofrenia. Quando tive meus primeiros surtos, o mundo parecia ter vido abaixo: estava muito assustado, e pensava que toda aquela loucura era de origem espiritual e vivia procurando igrejas para tentar solucionar o problema. 
   Nas consultas as psicólogas apenas me ouviam e anotavam algo em um pedaço de papel. Sei que é difícil de fechar um diagnóstico e dizer "na lata" que uma pessoa tem esquizofrenia, por causa do estigma e o preconceito que cerca esse transtorno. Mas aí fica a dúvida: é melhor ficar fazendo o tratamento sem o conhecimento da doença ou se informar sobre o assunto para assim começar a se conhecer melhor? 
    Mas não é por que não me ajudou é que penso que não poderá ajudar outras pessoas. Cada um tem sua maneira de ser e pensar e de agir. E, como em todas as profissões existem os bons e maus profissionais. Existem sim bons psicólogos e para eles vai esta singela homenagem no seu dia. 

sábado, 25 de agosto de 2018

Samy minha amiga e companheira

    Quando a encontrei ela não estava nada bem. Mal conseguia andar. Ninguém cuidava dela e estava jogada em uma casa. Foi paixão à primeira vista e resolvi cuidar dela. 
    Não tinha experiência no assunto e procurei vídeos no youtube sobre como recuperá-la e deixá-la bem novamente. 
     Fiz um empréstimo no banco e comprei o que foi necessário para deixá-la bem. Não foi fácil, mas, com muita insistência aprendi como cuidar dela. 
    Aos poucos ela foi melhorando e começou a andar. No início com alguma dificuldade, mas, após os cuidados necessários começou a andar melhor e até a correr como antigamente. 
    Hoje ela está bem ainda falta alguns cuidados necessários para ser como era antes, mas tenho certeza de que tudo vai dar certo com a Samy.
    Fui passear com ela por 2km e ela adorou e não teve nenhum problema. Havia recuperado a energia e o vigor de antigamente.  
    Hoje não separo dela por nada e vamos passear pelo Brasil inteiro! Ela é a Samy, uma bicicleta que comprei usada e que estava com muitos problemas, mal dava para andar nela.
    O bom de tudo é que comprando uma bicicleta usada e com muitos problemas acabei aprendendo a fazer uma boa manutenção na magrela. 
    Não vou pintá-la pois pode atrair a atenção dos larápios. 
    Essa é a vida de um fóbico social, onde objetos acabam tomando conta de nossos corações. Tenho um carinho enorme pela TV LCD que comprei com muito custo, pelo notebook CCE que comprei em São Paulo e que tive que apanhar muito para não ser assaltado. Ele é CCE mas é meu amigo. Pensei até em vendê-lo para comprar um melhor, mas foi uma dificuldade em criar o anúncio. Fiquei com um afeto muito grande pelo notebook que resolvi fazer um upgrade e trocar a memória, o HD e o processador. Hoje ele funciona muito bem para minhas finalidades. 
My friend, Chimbinha
    Gosto também de animais e se pudesse teria um cachorro. Até tive quando estava nas minhas andanças. O encontrei no parque ecológico e, no inicio não atendia ao meu chamado. Ficava parado, indeciso, provavelmente já tinha sofrido na mão de algum ser humano. Mas, um dia finalmente Chimbinha se aproximou de mim e nos tornamos grandes amigos. Não desgrudava de mim de jeito nenhum. Todo dia de manhã me aguardava no parque e corria velozmente ao meu encontro. Sempre trazia um bocado de ração e pão molhado com café com leite que ele adorava. Com o tempo foi ganhando peso e estava muito serelepe, pulando até a cerca e nadando na lagoa onde ficavam os patos. Ele tinha uma impulsão muito boa. 
    Ele então marcou território no parque e não deixava ninguém passar perto de mim. Latia pra caramba até assustar os transeuntes e voltava olhando para mim, como que pedindo aprovação pela proteção que ele estava me dando. A verdade é que eu que dava proteção para ele, pois na verdade Chimbinha era muito manso e medroso. 
    Mas, voltando a Samy, tenho certeza de que seremos grandes amigos e iremos viajar juntos por boa parte do Brasil. Cuidarei dela e ela me levará para lugares que não poderia ir, pois meu dedão do pé esquerdo está quebrado. Espero que não a roubem quando estiver dormindo na minha barraca após um longo dia de pedalanças. 
minha amiga Samy

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Doutor Google

     Um dos temas mais polêmicos atualmente na questão da saúde é o tal do Dr. Google. Quem nunca consultou o motor de buscas para saber mais sobre alguma doença que supostamente acha que tenha, só por que está sentindo uma dorzinha no corpo, um desconforto abdominal, uma febre, um cansaço não muito comum... Acho que os hipocondríacos adoram consultar o Google, ou melhor, os cybercondríacos, os chamados hipocondríacos virtuais. 
    Muitos adoram, outros já não gostam tanto, afirmando que existem inúmeros riscos em se consultar sites de origem duvidosa. Mas por que as pessoas preferem consultar a internet do que uma pessoa que estudou o assunto por vários anos?
    A resposta é óbvia: a praticidade e falta de opção mesmo. O ideal seria irmos ao médico após marcar uma consulta no posto de saúde. Essa consulta não deveria demorar tanto tempo para ser realizada após a marcação. O posto de saúde não deveria ter tantas filas assim e os funcionários não deveriam ter tantos motivos para ficarem estressados. Deveria ter um pouco de conforto no local: água gelada, boa ventilação, etc... . O médico deveria ser paciente, e não a gente. Deveria fazer todas as perguntas necessárias, ter o tempo necessário para se fazer um atendimento decente, e não apenas cinco ou dez minutos, como geralmente acontece no SUS. Com base nos relatos do paciente e após uma análise, o médico deveria então pedir os exames necessários, que também não deveriam demorar muito para serem feitos. (exames mais complexos costumam demorar meses e até anos...). E então, com base nos exames, o tratamento seria feito com medicamentos com preços acessíveis ou então fornecidos pelo estado, caso sejam muito caros e o paciente não tenha condições de comprá-los.
por que procurar o Dr. Google? E por acaso está tendo o Dr "Real"? 

    Mas infelizmente estão não é a realidade no atendimento na saúde pública na maioria das cidades Oras, estamos no Brasil, onde a virose é diagnóstico para quase tudo.... Muitos hospitais estão sucateados, sem aparelhos. Filas enormes, erros médicos, paciente tomando injeção na veia... Não tem como, o jeito é consultar o Dr. Google mesmo. Poderia fazer um post mais extenso, mas a explicação para esse fenômeno é simples e a imagem acima já responderia por si só: o atendimento pelo SUS não é o adequado, seja na saúde mental, ortopedia, etc... Estou com o dedão do pé quebrado desde 2014 e fui em vários médicos pelo SUS e nem exames pediram.. Um ortopedista sequer examinou o meu pé e me receitou antiinflamatórios.... E a consulta demorou meses para sair. Enquanto fiquei esperando o tratamento ou a operação sair e minhas articulações ficaram bastante prejudicadas. Hoje sei que tenho que operar meu dedo do pé, mas a fila no sus para esses procedimentos na ortopedia está enorme. Consegui um atendimento gratuito em uma rede e foi constatada a fratura no dedo, fratura essa que os médicos do sus indicavam pomadas, fisioterapia e medicamentos...
 

Minha experiência com o Dr. Google
     Surtei gravemente pela segunda vez no ano de 2002. Fui parar nas ruas por causa de uma mania de perseguição absurda. Fiquei morando nas ruas por um período de cinco meses. Tive a sorte de ser  muito ajudado pelas pessoas que encontrei por esse difícil caminho e aos poucos fui me recuperando. Só estava com uma dúvida enorme: o que era aquilo o que eu tive? Seria alguma droga que alguém havia colocado em minha comida ou bebida? Ou seria algo espiritual? E se voltasse tudo de novo?
    Após refletir muito, resolvi procurar ajuda médica. Na primeira tentativa o psiquiatra chegou a me ouvir por uns vinte minutos, diante de um estranho, que talvez fosse um paciente. Mas ele disse que não poderia me atender, pois, como estava morando nas ruas, não tinha um endereço fixo. Me desculpe, mas esse médico é um pouco desprovido de inteligência ou sei lá o que... Se o motivo de parar nas ruas foi o transtorno, então teria que melhorar sozinho, voltar a trabalhar e novamente ter um endereço fixo para ser atendido?... Nota zero para esse primeiro atendimento.
    Na recepção do posto de saúde disse em um tom de voz moderado (não cheguei a gritar) que meu endereço então seria a entrada daquele lugar e que só sairia dali caso fosse atendido. As atendentes falaram que eu era doido e então me indicaram o Cersam do bairro Padre Eustáquio, aqui em Belo Horizonte. Andei cerca de 5km até chegar lá, e a enfermeira, ao me ver, disse que ali não era o meu lugar. Talvez por estar andando com roupas limpas e estar com a barba feito e o cabelo cortado.. Ou seja, com apenas um olhar a enfermeira já fez um diagnóstico...
Nem nota zero merece esse atendimento pelo simples fato de não ter sido atendido. 
   Bateu um certo desânimo em mim e já estava sem saber o que fazer. O jeito foi então voltar para o posto de saúde. Lá, após muita insistência e dar um piti (às vezes temos que dar piti para sermos atendidos pelo SUS) me indicaram um outro posto de saúde, distante uns 3km. Fui correndo para lá, na época estava com uma disposição incrível. Mas, para decepção minha, a consulta seria realizada em 60 dias. Ou seja, teria que esperar dois meses nas ruas para ser atendido. Na época havia um abrigo para morador de ruas em Belo Horizonte, chamado Tia Branca, mas o local era muito sujo, os cobertores tinham mau cheiro e era melhor dormir nas ruas mesmo. E, para piorar a situação, esse abrigo ficava perto de um dos lugares mais perigosos de Belo Horizonte: a pedreira Prado Lopes, onde há um intenso tráfico de drogas. Uma noite  teve um tiroteio bem perto e parece que algumas balas caíram lá dentro. 
    Depois de dois meses de espera, o dia da consulta havia chegado. Estava esperançoso, finalmente iria descobrir o que havia acontecido comigo e iria começar o tratamento. Mas, já na fila, uma outra decepção: as pessoas entravam e não ficavam no consultório não mais do que uns cinco ou sete minutos. Fiquei um pouco ansioso, afinal como iria explicar tudo o que havia me acontecido em tão pouco tempo?
    Quando chegou a minha vez, outra decepção: fui atendido por um psiquiatra frio, que sequer olhou para mim. Fez algumas perguntas e logo me receitou um antipsicótico chamado melleril. Ele também era um pouco impaciente, pois não respondeu minhas perguntas. Também me receitou um ansiolítico pois estava me queixando de noites mal dormidas. Sequer me avisou sobre os riscos de dependência física e psicológica que os diazepínicos podem causar. Hoje sou dependente dessa droga e com muito custo estou conseguindo parar. Minha memória recente está péssima. Se na época tivesse acesso à internet teria consultado o Dr. Google e saberia que poderia ficar viciado nessa droga lícita...
    E assim fiquei por vários anos, na dúvida sobre o que eu tinha, pulando de igreja em igreja para tentar expulsar os supostos espíritos que estavam me atormentando. As psicólogas apenas me faziam perguntas e anotavam tudo em um pedaço de papel... Só fui ter contato com o CID da esquizofrenia (F20) quando já não tinha mais condições de trabalhar, pois havia tentado várias vezes voltar ao batente após o meu primeiro surto grave. Na época ainda não sabia usar um computador e o jeito foi pesquisar na biblioteca da cidade. Não fiquei revoltado ao saber que o que tinha era chamado de esquizofrenia, pois comecei a encontrar respostas para muitas dúvidas sobre o meu comportamento e jeito de ser. Às vezes é preciso surtar para começarmos a entender certas coisas. 
     Quando consegui o auxílio doença, resolvi fazer um teste: fazer um cursinho de informática, pois pensava que esquizofrenia era sinônimo de incapacidade de realizar várias coisas, até de pensar mesmo. Tinha vários preconceitos sobre esse transtorno, por isso não culpo tanto as pessoas que tem um pouco de preconceito. Comprei um PC em doze suaves prestações nas Casas Bahia e comecei a entrar nas comunidades do orkut sobre esquizofrenia e outros transtornos mentais. Saber que não era a única pessoa do mundo a ter aqueles sintomas me ajudou bastante. Comecei a fazer amizades e a trocar experiências com outros portadores de esquizofrenia. Aprendi muito nesse convívio virtual. E comecei a acessar alguns sites sobre o assunto, que no início não curti muito pois usavam uma linguagem muito científica. De complicado já basta o transtorno né?
    E assim fui me informando mais e mais sobre a esquizofrenia. A informação é a melhor arma para se aprender a conviver com essa situação, Tem sites confiáveis na internet sim. E, modéstia à parte, o blog que escrevo é um deles, pois procuro, com responsabilidade, passar as minhas experiências e assim ajudar as pessoas. Atualmente não tomo com frequência os antipsicóticos(somente em casos extremos), mas não é por isso que saio por aí recomendando à todos que façam o mesmo. Um blog feito por um portador não chega à um milhão de visualizações por acaso. Recebo algumas criticas, mas são minoria, fico muito feliz e lisonjeado por receber inúmeras mensagens de apoio e elogios ao meu trabalho.


        Infelizmente muitos profissionais da saúde mental pensam que quem tem que ser paciente somos nós. A verdade é que são eles que têm que ter paciência. Afinal estudaram para entenderem como funciona a mente, o cérebro do ser humano. Ou não sabiam que iriam ter que ficar o dia inteiro ouvindo as dúvidas dos pacientes? Se muitas pessoas procuram tirar alguma dúvida com um portador de esquizofrenia é por que certamente não obtiveram respostas nos consultórios.... Não é uma crítica generalizada, me refiro aos maus profissionais da saúde mental, assim como em qualquer área existem sempre os profissionais que não se dedicam como deveriam à sua profissão. E muitos infelizmente colocam o interesse financeiro acima de tudo.
    Então, infelizmente, posso dizer que o Dr. Google só me fez bem. Se eu fosse bem atendido provavelmente nem teria começado a procurar na internet soluções para os problemas que vinha e ainda venho enfrentando. No facebook existem inúmeros grupos de transtornos mentais, com milhares de pessoas cheias de dúvidas e receios que não foram esclarecidos devidamente pelos médicos.
    Crítico muito o SUS, mas não os funcionários. Sei que existem sim bons profissionais no SUS e muito  bem intencionados, mas infelizmente a estrutura não os permite terem um bom trabalho e atendimento aos pacientes.
    Para finalizar, sim, o Dr. Google é válido sim, desde que o usemos com responsabilidade e soubermos filtrar o que pode e o que não pode nos beneficiar. A internet não é ruim, ruim são algumas pessoas que fazem parte dela. Na vida real podemos filtrar nossas companhias e nos afastar de pessoas que não nos querem bem. Assim também é no mundo virtual, e é até mais fácil, com apenas dois cliques podemos evitar pessoas que não nos fazem bem. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Vozes na esquizofrenia

 
    A alucinação auditiva é um dos sintomas clássicos da esquizofrenia. Nem toda pessoa com esse transtorno tem esse tipo de alucinação. Ouvir vozes também não é exclusividade de quem tem esquizofrenia. Quem está em depressão  também pode ouvir vozes (depressão psicótica). Assim como os bipolares em crise, que podem ter delírios e psicoses. 
    Uma das curiosidades principais que as pessoas têm acerca da esquizofrenia são as vozes. O que elas nos dizem? São vozes dos “amigos” imaginários que talvez possamos ter ou criar? São vozes do bem ou do mal? ou são vozes do além?
  Até hoje os cientistas não sabem explicar o verdadeiro motivo pelos quais as pessoas com esquizofrenia ouvem vozes. Estudos não faltam, mas até hoje não foram conclusivos. Existe a teoria de que seja a área responsável pela audição que fica com uma superatividade durante um surto psicótico. Devem existir várias outras, mas explicar a origem deste fenômeno não é o objetivo principal desta postagem. Afinal, sou apenas uma pessoa com esquizofrenia, que, além de curiosa, procura também ajudar a esclarecer esse transtorno que ainda é um mistério para a ciência. 
    Em primeiro lugar, gostaria de dizer que a maioria das pessoas com esquizofrenia não tem amigos imaginários, e sim muitos inimigos imaginários, devido, principalmente, a mania de perseguição. Também se faz necessário ressaltar que cada esquizofrenia é única, pois é um transtorno que envolve muito o lado psicológico do indivíduo, não sendo apenas um mero desequilíbrio químico do cérebro (aumento de dopamina). Obviamente existem os sintomas e comportamentos semelhantes, como a desconfiança exagerada, a reclusão, etc. Por isso irei citar as minhas vozes e algumas que já ouvi dizer que muitos ouvem por ai, mas que não aconteceram comigo.
    Antes dos surtos, já era uma pessoa um bocado desconfiada e um pouco retraída. Mas nada que me impedisse de ter uma vida relativamente normal. Ia à shows, cinema, trabalhava, etc... Às vezes saía sozinho e às vezes com uma namorada ou outra.(meus relacionamentos não duravam mais do que duas semanas). 
    Mas, por volta dos 28 anos as coisas começaram a mudar em minha vida. Morava em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais e realmente era uma pessoa bem comentada por lá. Mas geralmente falavam bem de mim, por ser uma pessoa honesta e trabalhadora. Era um bom operador de som e não sei por que muitas garotas e mulheres daquela cidade me achavam bonito. O fato de morar na capital também acredito que ajudou para que eu tornasse uma pessoa bem falada naquele lugar.
- Olha, um gato andando com um cachorro. (cheguei a ouvir quando estava passeando com um cão)
- Ele está magro.
-Ele está gordo.
-Ele é bonito.
-Ele é feio.
    Acima alguns dos comentários que eu ouvia logo quando cheguei na cidade. Isso me incomodava um pouco, mesmo os elogios, pois as pessoas pareciam ter um pouco de receio de falar com aquele cara esquisito e caladão que eu era. 
   Também ouvia de verdade muitos comentários a respeita de minha sexualidade. Não ficava com todas as garotas que se aproximavam de mim, e muitos pensam que todos os homens tem que “pegar” todas que aparecem pela frente, caso contrário o cara é gay.
   E, como já relatei,  era um cara caladão, um pacato cidadão mesmo. E isso, para alguns moradores daquela cidade  era legal, mas, para outros era sinônimo de “mitidez”. Acredito que quem seja muito calado e que não saia cumprimentando todo mundo seja visto com um pouco de antipatia. Acho engraçado as pessoas não gostarem tanto das pessoas caladas e já acharem normal a fofoca e um monte de merdas que algumas pessoas saem falando por aí. Ou seja, para ser bem visto é melhor falar bobagem do que ficar calado... Vá entender os "normais"...  Não tenho paciência para ficar falando do tempo e da vida alheia, os assuntos mais usados para quem não tem assunto para conversar... 
pessoas fofoqueiras existem em todo lugar, tudo o que é ruim se alastra mais rapidamente...

    Com o passar do tempo e pelo fato de ser um bom empregado criei algumas inimizades no trabalho, já que eu ganhava um pouco mais do que o restante dos funcionários da empresa em que trabalhava. Aquela situação de ter algumas inimizades no trabalho me fez uma pessoa mais retraída e desconfiada do que eu já era.
    Após alguns anos trabalhando naquela cidade passei a ouvir mais comentários do que costumava ouvir no início. Ouvia comentários depreciativos das pessoas, mesmo elas estando há uns trinta ou mais metros de distância de mim. 
   No início eram comentários zombeteiros, depreciativos mesmo. As vozes comentavam coisas banais do dia a dia, falavam coisas que eu estava fazendo:
- Ele nem consegue correr direito. - ouvi quando estava fazendo caminhada.
- Ele está com a mesma roupa de ontem.
- Ele gosta de Roberto Carlos...
- Ele está com aids...
    Esse último comentário foi o que mais me prejudicou. Isso aumentou principalmente em uma fase em que estava um pouco triste e parecia que o meu sistema imunológico estava em baixa, pois foi um período em que tive muita diarreia e outros problemas que os médicos classificavam como virose, depois da ida ao hospital. Também peguei dengue duas vezes quase que seguidamente.
   E, numa dessas emagrecidas o boato de que eu estava com aids acabou meio que se tornando real naquela cidade. Se tornou tão real que até eu mesmo acreditei e nem fiz o exame, por medo do resultado e também por acreditar que realmente estava com aids, apesar de não ser uma pessoa promiscua e sempre usar o preservativo. E, para piorar a situação, os sintomas  que eu estava apresentando eram bem parecidos com os da aids: fraqueza, diarreia, emagrecimento rápido e exagerado. O jeito era esperar os sintomas mais severos aparecerem para dar um fim a minha vida.
    As vozes começaram a disparar com o tempo:
    - Ele está se preparando para virar um mendigo. – tinha ouvido essa voz bem nítida em minha mente, mas o engraçado é que o cara estava na outra ponta do quarteirão. E a voz era sussurrada, logo o cara teria que gritar para que eu ouvisse esse comentário.
    Comecei a ouvir também que os evangélicos viviam comentando que eu estava com demônio no corpo, tanto que cheguei a procurar algumas igrejas para expulsar o suposto tinhoso que tinha se apossado do meu corpo.
    Com o tempo as vozes que eram comentaristas e zombeteiras passaram a ser ameaçadoras:
    -Vamos pegar ele hoje de noite?
    Essas vozes ameaçadoras eram as piores. Acho que são elas que fazem boa parte das pessoas com esquizofrenia a terem algum tipo de reação violenta. Mas a maioria se tranca em casa mesmo, ao contrário do que muita gente pensa.
    Essas vozes ameaçadoras são tão complicadas que resolvi pedir demissão do meu serviço e ir parar nas ruas. Tinha que fugir desses “inimigos imaginários” que queriam me pegar de qualquer jeito.
  Também tive algumas vozes sem noção, ou seja, não diziam coisa com coisa. Uma vez, de madrugada, comecei a ouvir uma voz que parecia estar falando em alemão. Era alta parecia estar falando ao microfone e também gritava. E isso me fez pensar que era o pastor da igreja que ficava perto do local onde morava na época.
    Fiquei rindo por um bom tempo com aquela gritaria toda, pois ela não parava um instante sequer. Cheguei a pensar que o dono dessa voz iria ter um ataque do coração, pois não parava nem para respirar. Hoje sei que essa voz foi uma grande alucinação, pois aconteceu de madrugada e provavelmente a vizinhança teria reclamado por causa do suposto som alto vindo da igreja. 
    Tive outras vozes sem noção.Quando estava surtado morando nas ruas de Belo Horizonte, uma voz aguda e feminina ficou horas seguidas pedindo para que entrasse em alguns locais. Eu obedecia, entrava e ficava esperando ela dar mais ordens. Como ela não me dizia mais nada, ia embora e voltava a ficar sentado nas calçadas das ruas. Essa voz era bem estranha mesmo, não dizia coisa com coisa, ainda bem que durou apenas algumas horas. 
    E também tem a voz da nossa consciência, que acredito que muitas pessoas confundem com alucinações. Acho que em determinada fase de nossas vidas começamos a refletir se fomos boas pessoas, se agimos corretamente diante dos fatos. Talvez seja a crise da meia idade, ou a idade de Cristo. Muitas pessoas começam a se culpar exageradamente por certas atitudes que tiveram pelo caminho de suas vidas. Dependendo da pessoa e da situação, podem até surtar. (foi o meu caso).  Na bíblia (não sou evangélico e nem católico), dizem que Judas se matou depois de ter traído Jesus. (é só um exemplo).
   O sentimento de culpa exagerado é também um dos sintomas da esquizofrenia. Não está atualmente citada no CID atual, mas já esteve. Também retiraram o complexo messiânico dos sintomas que constavam no CID, o motivo por qual não sei. Talvez alguns queiram reduzir a esquizofrenia a somente um desequilíbrio químico, ou seja, o excesso de dopamina. Já ouvi psiquiatra afirmando que esquizofrenia é igual a diabetes, é só tomar o remedinho que tudo está bem e controlado. O problema é que a dopamina é necessária ao nosso organismo, na dosagem certa, é claro. Os antipsicóticos reduzem essa substância para diminuir nossa reação diante dos pensamentos e alucinações, mas também diminuem a nossa vontade de realizar as tarefas básicas do dia a dia. A dopamina é a responsável pela motivação, pela vontade de executar as ações. 
a luta entre o bem e o mal em nossas consciências 

    Então, quem tem esquizofrenia pode ter o sentimento de culpa exagerado, e as vozes de nossa consciência podem se tornar tão brutais que podem nos levar á uma crise de consciência braba e nos julgar por atos que não foram tão cruéis assim. No meu caso me senti culpado por tudo. A voz foi incessante e me culpou por muita coisa, de coisas que havia feito e outras que não havia feito. Me senti muito culpado também pelo fato de achar que estava com aids e supostamente ter contaminado as poucas pessoas com quem tive relacionamento sexual sem preservativo. Na época em que comecei minha vida sexual a aids ainda era quase que exclusividade dos homossexuais, os casos de mulheres infectadas com o vírus do HIV estavam começando a aparecer. Como penso que quem transmite o vírus da aids conscientemente seja um assassino, também passei a me consideram um, e a voz foi cruel comigo e não me perdoou, tanto é que cheguei a pedir para um policial me prender durante a fase aguda do meu segundo surto psicótico.
    Essas vozes parecem vir de fora, é como se fossem ecos. Elas parecem bater em alguma coisa e voltar para nossas mentes, talvez por isso temos a convicção de que são outras pessoas falando.
    Como podem ter observado, tive quatro tipos de vozes: comentaristas, zombeteiras ameaçadoras e as sem noção. Ainda existem as vozes de comando, que são bem comuns nas pessoas com esquizofrenia. Tive a sorte de não ter esse tipo de voz, pois poderia representar algum perigo para outras pessoas. Mas por sorte só representei perigo para mim. e talvez por isso não cheguei a ser internado. E do jeito que falam sobre os manicômios, foi melhor ficar nas ruas mesmo até melhorar. Tive a sorte de encontrar muita gente boa pelo caminho. 
    Até hoje ouço essas vozes, mesmo estando com o fone de ouvidos na maior altura ouvindo um heavy metal. Mas elas não me fazem tanto mal como antigamente. A gente meio que se acostuma com elas, tudo o que é novidade pode nos assustar, mas hoje não dou tanta importância a elas e parece que elas acabam ficando meio sem graça para continuar a me importunar.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Paranoias diárias na vida de um esquizofrênico-3


Surto ou indignação?
   Quinta feira 2 de julho de 2018 23 horas
    "Amanhã recebo o pagamento, feliz por ter chegado ao fim do mês sem ter que ficar pedindo dinheiro emprestado ou indo aqui no blog para fazer a mendicância virtual. 
   Ganho um salário e não tenho do que reclamar, poderia ser pior, nem poderia estar vivo para contar as minhas histórinhas. Foram algumas tentativas de autoextermínio e inúmeras situações perigosas que vivi durante os surtos que tive. Em um deles cheguei a perder 25kg por ficar fugindo dos meus inimigos imaginários e esquecendo de me alimentar. Poderia ter sido atropelado andando sem rumo pelas Brs e pelas ruas de Belo Horizonte. 
    Também passei por situações complicadas devidos aos meus delírios, pois acreditava piamente que tinha superpoderes e que também tinha um anjo da guarda muito forte me protegendo.(as palavras na cor azul são links que explicam melhor o contexto da postagem). Vamos clicar para chegarmos logo à um milhão de visualizações pessoal!). 
   Mas, por motivos de força maior sobrevivi e vou levando a vida, com sustos e surtos. E na última sexta feira a situação ficou por demais complicada. 
   Tive uma noite de sono razoável e acordei bem disposto. Tomei um banho gelado para tirar a ressaca da pouca dose de diazepan que ainda tenho que tomar para não ter uma crise de abstinência e quem sabe surtar novamente. Comi um delicioso pão de queijo recheado com queijo na padaria e fui para a lotérica sacar meu pagamento para pagar o aluguel e comprar a minha ração matinal(aveia, leite de soja, gérmen de trigo e fibra de trigo). Além é claro, o ômega 3 e o cloreto de magnésio no mercado central.
   Haviam duas pessoas na fila e a lotérica ainda estava fechada. Estava bem humorado, dinheiro não é tudo mas também mal não faz né?
   Com paciência que geralmente costumo ter esperei a agência lotérica abrir para sacar meu dinheirinho, que considero uma recompensa por ter sido uma pessoa de bem, mesmo nos momentos mais difíceis de minha vida. Quando chegou minha vez de sacar o dinheiro, uma surpresa nada agradável quase me fez enfartar: zero reais de saldo na minha conta!!!
   Logo pensei um palavrão e olhei para o funcionário da agência. Na minha paranoica mente ele era a primeira pessoa suspeita de ter sacado o meu precioso dinheirinho. Pensava (e ainda penso) que ele tem acesso à todas as minhas informações, pois, enquanto eu fico digitando a senha ele fica olhando para a tela do computador da agência. Penso que de alguma maneira ele consegue saber a senha. Dei uma encarada nele e ele também ficou me encarando. Mas eu não disse nada, apenas fiquei calado. Se eu falasse tudo o que penso provavelmente estaria trancado em um hospício de segurança máxima.
   Corri então para a agência da caixa econômica mais próxima para obter uma resposta para o suposto sumiço do meu pagamento. No meio do caminho senti falta da carteira de identidade e tive que voltar na lotérica para pegar o documento. Coração disparado, corri para o banco. Novamente tentei sacar o dinheiro, agora no terminal da agência. Para o meu desespero, o problema não era na lotérica e sim na minha conta mesmo. Por um breve momento cheguei a pensar se algum hacker teria invadido minha conta. Mas esse pensamento logo sumiu, pois não uso a minha conta da aposentadoria na internet. E também os hackers não iriam ter um trabalho danado para descobrir meus dados para pegar uma micharia né?  Mas pensei nos meus inimigos imaginários e logo voltei a pensar que poderiam ter contratado um hacker só para me prejudicar.

    Acredito que, dentre os milhares de inimigos imaginários que tenho alguns sejam reais mesmo. Hoje em dia está tudo complicado, e, basta estar em paz consigo mesmo e feliz para atrair uma negatividade imensa. Se estamos tristes e com cara fechada também as pessoas reparam. Enfim, se olharmos a opinião alheia podemos ir para um caminho não muito bom. 
    Mas voltando ao tema da postagem, do lado do caixa em que eu estava tentando sacar o pagamento um cara também reclamava de que estava tendo problemas com sua conta. Me espantei com a calma que estava estampada em seu rosto. Ele falou isso com uma naturalidade incrível. Talvez eu também consiga transparecer toda essa calma, mesmo se minha mente estiver vivendo um turbilhão de pensamentos paranoicos e conflitantes. Talvez eu fique apenas com os olhos esbugalhados nessa situações de intensa agitação mental. 
    À essa altura do campeonato  estava pensando que o INSS  havia cancelado o meu benefício. Já estava planejando vender "minhas coisinhas", acabar de arrumar minha bike para terminar os dois caminhos da estrada real. Pensaria como seria minha vida daqui pra frente sem minha aposentadoria. Teria que voltar a morar nas ruas e ficar na mendicância. Quem leu o meu livro sabe que morei por alguns meses nas ruas de Belo Horizonte no ano de 2002. Mas naquela época as coisas estavam menos violentas do que atualmente. Fui muito ajudado e consegui me recuperar. Mas hoje em dia talvez por conta do crack e do crescente número de assaltos as ruas estão cada vez mais perigosas. Pensei então que poderia virar um andarilho e viver perambulando pelas estadas do Brasil afora. 
   Cheguei a ter esses pensamentos antes de fazer a perícia da revisão do meu benefício. Mas estava menos agitado, pois tinha tempo para pensar e planejar tudo. Agora, receber a notícia do dia para noite que teria que morar nas ruas é bem mais difícil de se assimilar. 
    O jeito então foi esperar o atendimento na agência da caixa funcionar para conversar com o funcionário sobre o problema com o saldo zero da minha conta. Na fila por um breve momento pensei em autoextermínio, mas logo sumiu. Acredito que já passei por essa fase e quero viver por muito tempo, para a minha felicidade, é claro. Tentando manter a maior calma possível, ou pelo menos aparentar, esperei o atendimento e o funcionário da caixa não soube explicar o ocorrido, mesmo após ter consultado o bendito "sistema". Sistema é como se fosse virose, é o culpado de tudo de errado que acontece nas empresas, instituições, bancos, etc... Agora uma pergunta: "E quem opera o sistema? Um outro sistema?
    O funcionário me aconselhou a ir na agência que fui cadastrado, aqui no centro de Beuzonte. Voltei para casa e a dona do imóvel já me veio cobrando o aluguel. Ela sempre vem cedo me cobrar, pois sou um bom pagador e não atraso o aluguel. Aparentando tranquilidade, informei, mesmo não tendo certeza, de que o sistema da caixa econômica estava com problemas e não havia recebido o pagamento. 
    À essa altura estava mais calmo realmente, principalmente depois de saber que outras pessoas também estavam tendo o mesmo problema do que eu. Saber que não somos a única pessoa do mundo a passar por determinada situação ajuda muito, mas não resolve o problema quando se trata de uma mente paranoica como a minha. 
    Peguei então um ônibus e fui para a agência no centro da cidade. O atendente afirmou que houve uma pane no sistema (ainda bem que não estava  em um avião) e que a Caixa Econômica estava trabalhando para resolver a situação e que eu poderia voltar para casa. Na porta da agência, resolvi esperar um pouco, para quem sabe o problema seja solucionado até o meio dia e aí já aproveito e compro minha ração no mercado central. E também tinha que desacelerar um pouco meus pensamentos e já estava um pouco esgotado, devido ao stress todo dessa complicação da conta. Havia acordado bem disposto, mas esse problema me deixou um pouco cansado e fiquei na agência, aproveitando a água geladinha e o ar condicionado. 
      Já recuperado fisicamente depois de uma hora sentado, voltei a olhar o meu  saldo: zero reais...
    Voltei para casas, e a solução era esperar mesmo. Quando desci do ônibus, fiquei com cara de paisagem ao passar em frente ao restaurante em que estava devendo dois almoços... 
    Já no meu quartinho, telefonei algumas vezes para o SAC da caixa, que nunca resolve nada. A gente demora quase dez minutos para ser atendido, temos que ficar esperando para clicar nos números para ouvir que o problema só pode ser resolvido na agência...
    Pesquisei no google e vi nos resultados de busca que realmente muitas pessoas com conta na caixa estavam com problemas para receber o pagamento. Quem tinha conta em outros bancos estava recebendo normalmente. Isso me deixou bem mais aliviado, por saber que o problema não era no INSS. A perícia de revisão já havia me detonado bem... 
As horas se passaram e já de noite o problema não havia sido solucionado. Passei na agência lotérica por volta das três horas da tarde e no banco às seis horas e nada do pagamento cair na conta. Era sexta feira e teria que passar o final de semana comendo pão e ovo?
    Por volta da meia noite resolvi telefonar novamente para o SAC da caixa e eles informaram que não sabiam de nada, afirmando que o sistema estava normal. Perdi a paciência e falei coisas que não podem ser publicadas aqui no blog. Também falei algumas coisas para o segurança da agência quando fui lá por volta das seis horas. O problema maior era a desinformação: ninguém sabia de nada. Achei isso uma falta de consideração total. A Caixa Econômica deveria ter enviado uma nota sobre o assunto. Afinal temos nossos compromissos e contas a pagar. 

    Como não uso internet banking na conta que recebo o pagamento, tive que então tomar o meu pedacinho de diazepan, ou melhor, tomei 10mg para não surtar e consegui ter uma razoável noite de sono. Já de manhã a dona do imóvel veio batendo na minha porta à procura de notícias sobre o pagamento. O jeito foi cadastrar minha conta no internet banking e acessar pelo celular, já que pouco uso o telefone para navegar na internet, só uso mesmo para me desconectar do mundo, ouvindo minhas músicas prediletas. Não acesso o internet banking pelo notebook, pois acesso alguns sites suspeitos e complicados que podem ter vírus. Quem pensou em site pornográfico errou shasuahsuashauss Os sites que visito e que são complicados são sites que transmitem jogos online, e também baixo muitos filmes e às vezes jogos pirata. Ou seja, notebook é só para diversão mesmo, pois até o windows que uso é piratão. Já o android é original pois é um sistema gratuito... 
    Acessando minha conta, alívio geral: o meu salário estava constando no sistema  Que alívio ver os zeros apenas no final. Que peso senti saindo do meu corpo naquele momento. Logo pensei na frustração dos meus inimigos imaginários e nos reais também. Não seria desta vez que iria para as ruas novamente. 
   Corri para a lotérica, saquei o meu dinheirinho e paguei o aluguel. Parecia que eu havia emagrecido vinte quilos, a energia havia voltado e estava mais leve realmente. Fui para o centro, comprei minha ração, as peças para arrumar minha bike e, para celebrar fiz uma bela refeição, fazendo aquela montanha no self service. 
    E assim vou levando a vida, sem os medicamentos temos que nos policiar e nos conhecer bastante para não surtar novamente. É uma vida que pode ser um pouco perigosa, mas tenho a minha fé também que ajuda bastante nessas horas. Com os medicamentos provavelmente não iria me estressar tanto, mas também não teria forças e energia para resolver a situação. Não posso perder metade do dia dormindo no meu quarto, moro sozinho e tenho que resolver meus problemas. E é assim que me sinto bem, no meu cantinho, sendo eu mesmo e sem dever nada para ninguém, a não ser que o "sistema" falhe novamente.... 
    Abraços à todos e até a próxima postagem... 
 
 

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Aposentados estão com dificuldades de receber o benefício na caixa econômica


  Quem tem o seu benefício final 8 e  recebe o pagamento no terceiro dia útil de cada mês teve e está tendo uma surpresa nada agradável: simplesmente o valor  não aparece no saldo da conta do beneficiado. Provavelmente quem recebe auxílio doença e outros benefícios do governo também está tendo essa dificuldade.
    Mas, dos males, o menor: o problema não tem nenhuma relação com o INSS e sim com o sistema operacional da caixa econômica federal. 
   Segundo a instituição  o problema está sendo solucionado e até à noite de hoje (03/08/18) todos poderão sacar  seus pagamentos normalmente.