segunda-feira, 3 de agosto de 2026

27º dia pedalanças Belo Horizonte à Belém do Pará-Taguatinga-TO à Novo Jardim-TO

 14/08/2014
Tocantins, um estado surpreendente!


     A noite no posto de gasolina em Taguatinga foi novamente agitada, por conta das festividades da padroeira da cidade. Os feirantes e alguns visitantes foram ao local para tomar um banho. Mas, por volta da meia noite a situação foi ficando tranquila e deu para dormir relativamente bem.
    O dia de descanso de ontem foi bom não somente para as canelas como também para a mente. Mudar a rotina é sempre bom, apesar de que nas estradas os dias nunca são iguais, você acaba conhecendo lugares e pessoas diferentes. Mas sinto a necessidade de parar pelo menos uma vez por semana durante essas minhas viagens de bike pelo Brasil. Nem tanto pelo cansaço físico, mas como relatei, mais para mudar um pouco a rotina, enfim, fazer nada mesmo. Sentar no banco de uma pracinha e ficar ali, parado, deixando o tempo passar sem maiores problemas e preocupações. 
Por incrível que pareça o cansaço físico não é um grande problema. Não sei qual neurotransmissor seja o responsável pelo fato de ficar pedalando tanto tempo sem parar, mas sei que na estrada acho motivação para fazer coisas que em casa não tenho. Talvez seja um pouco de adrenalina com um pouco de endorfina. E,claro, a sensação de liberdade. Ser livre não somente para ir onde quiser, a maior liberdade que podemos ter é de sermos o que somos de verdade, sem máscaras e subterfúgios. 
   Depois do bom café da manhã na mesma padaria do dia anterior, sigo pedalando em um bom ritmo até chegar a cidade de Ponte Alta. Uma típica cidade interiorana daquele estado. Poucas pessoas nas ruas. 
    A natureza de Tocantins é muito bela, surpreende quem não conhece o estado. Parei em um belo rio e fiquei ali, descansando, apenas curtindo a natureza, o silêncio, a paz, a quietude do local. Acredito que fiquei naquele estado contemplativo por cerca de uma hora, até o momento em que  a barriga começou a roncar, anunciando que era hora de almoçar. 


    Mais adiante seguindo o rio encontrei um clube que servia almoço. Entrei sem cerimônia. Também fico menos inibido durante as minhas pedalanças. O lugar era lindo, havia alguns brinquedos,e eu, para despertar a minha criança interior, fui para a balança, sem me preocupar com os olhares dos nativos da cidade. Sou um cara caladão, e sei que as pessoas têm curiosidade para saber quem é essa pessoa esquisita que surge em uma bicicleta também meio esquisita. Mas não forço a barra me tornando o rei da comunicação. Tento falar o básico, às vezes consigo fazer amizades e aí converso igual pobre na chuva. Não sei de onde veio essa expressão, mas é um momento que curto muito também. Mas também me sinto bem no meu cantinho, não sou um ser muito sociável mesmo, acho que tenho uma cota, um certo limite de socialização por dia. E tem dias que nem quero seguir essa  cota mínima. 
Descansando as canelas


   O almoço estava ótimo, excelente comida do restaurante daquele clube. Tinha quadras de futebol, mas o maior atrativo era o rio mesmo. 
    Resolvi não ficar mais tempo naquela linda cidade, pois o céu estava começando a ficar nublado. Até que uma chuvinha naquele calor não atrapalha muito, pois a mochila está com lonas. Só a bike mesmo é que sofre, precisando de uma limpeza e lubrificação no dia  seguinte. 
A estrada neste trecho não está ok, o acostamento tomado pelo mato em vários pontos, e tive que redobrar o cuidado para não ser atropelado por uma carreta. 
    Apesar desses perrengues, está sendo ótimo pedalar por Tocantins. Não estou preocupado com o final da viagem, que não tem um objetivo, uma meta a ser alcançada. É apenas pedalar, curtir a vida e a natureza. Não quero saber quantos quilômetros faltam para chegar em Belém, o maior barato da viagem é a viagem e não o destino final. Aliás, muitas pessoas param para conversar comigo, perguntando de onde venho e para onde vou. Quando esboçam dizer quantos kms faltam para se chegar à Belém interrompo a pessoa. É um pouco psicológico, se a gente ficar contando todos os dias a distância a ser percorrida acabamos ficando mais cansados ainda. 
    Por volta das duas da tarde o sol apareceu novamente, com poucas nuvens. Resolvi dar uma parada e evitar o calor que tomou conta da estrada.  Estou pensando em fazer pedaladas noturnas. Só tive duas experiências de viajar a noite em 2019. E foi complicado pois nem lanterna tinha, um breu total. Mas eram estradas com pouco movimento e sem nenhuma carreta. Com o forte calor, o jeito foi tirar um cochilo mesmo na parte da tarde. 
Ao contrário do esperado, está sendo muito bom pedalar no Tocantins



    Depois do descanso, volto a pedalar com mais disposição. Deve ser umas quatro horas da tarde, ou um pouco mais. O sol está mais brando, o céu começando a ficar rosado. É a parte do dia em que me sinto melhor fisicamente. Pedalar e sentir aquela brisa no rosto é revigorante. Acho que vou fazer isso todos os dias, apesar do receio de pedalar à noite por uma região que acabei de conhecer. 
    Cheguei em Jardim Novo em boas condições e achei um local ótimo para dormir: um galpão ao lado do posto de gasolina da cidade. O local era sossegado, nem muito escuro e nem muito claro. E tinha várias tomadas para carregar meus eletrônicos. Enfim, um dia feliz e tranquilo no estado de Tocantins. 



85km bem percorridos, apesar do forte calor típico da região. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário