segunda-feira, 29 de abril de 2024

O café em minha vida


 

O Café na infância na infância e na adolescência. 

     Na minha infância e adolescência não costumava tomar café, nem mesmo de manhãzinha, ao despertar. Acordava elétrico e já tinha bastante energia e ficava o dia inteiro jogando futebol, brincando de pegado-de-esconde no quarteirão inteiro, e às vezes saia andando pela cidade meio que sem destino, ficando perdido algumas vezes. E, claro, fazia muita bagunça, como ficar apertando a campainha do vizinho e sair correndo. E também pegar manga na casa do vizinho, apesar da geladeira estar lotada dessa fruta maravilhosa. E apesar do próprio vizinho nos doar uma sacola enorme da fruta que era abundando entre os meses de novembro e fevereiro. De noite eu e meus colegas montávamos uma operação especial para pegar as frutas fresquinhas no pé. Três pulavam o muro, um subia no pé o outro ia juntando as mangas e  o outro ia levando até o balde que era amarrado por uma corda. Já um ficava encima do muro para puxar a corda e entrega o balde cheio para um outro que ficava no prédio vizinho. E depois repartíamos igualmente entre todos os envolvidos na operação pega manga do vizinho. 
  O meu café e lanche consistia em Neston, nescau, biscoitos, cereais em flocos, etc. E comia muito besteira, doce sorvete, chocolate, rocambole e outros quitutes da culinária mineira. E adorava bolo também, principalmente de chocolate e a broa de fubá. Não engordava pois gastava muita energia na escola e na rua.    

Quando comecei a necessitar realmente de café

    A minha relação com o café começou em uma firma onde trabalhava, por volta dos 22 anos de idade. De tardezinha a empresa fornecia um pãozinho com manteiga e café. Com o tempo percebi que ficava mais animadinho depois de tomar o grão moído dessa fruta. Sim, o café é uma fruta. É algo que a maioria toma todos os dias e não sabe que se trata de uma fruta.  E então passei a tomar várias xícaras por dia, pois sempre ficava uma garrafa cheia de café no escritório da firma. Acho que fazem isso de propósito, para os funcionários ficarem mais produtivos. 
    Não sei exatamente quando a esquizofrenia apareceu em minha vida. Acredito que ela sempre esteve comigo, desde a infância, devido ao meu jeito meio maluquinho de ser. Afinal esquizofrenia não é somente os surtos e aquela piração toda. Me lembro que quando tinha uns oito anos de idade minha avó me levou à um hospital para fazer um eletroencefalograma por talvez suspeitar que eu tivesse algum tipo de problema ou transtorno mental. Sempre fui muito bagunceiro, agitado e brincalhão,  tive uma fase um pouco agressiva na minha infância, acho que dos sete aos dez anos de idade.  Me lembro que fiquei com um medo danado quando a enfermeira colocou aquele monte de fiozinho na minha cabeça. Imaginava que aquilo tudo era o tratamento para a minha agitação e maluquices, que iriam dar uns choquezinhos na minha cabeça para que ela ficasse boa. Por falar em choque, confesso que tinha uma mania meio estranha de botar um monte de formiguinha em um recipiente de plástico com água e depois ligar dois fios desencapados na tomada e deixar no baldezinho, só para ver as formiguinhas se contorcendo. Vi isso em um livro que um outro menino maluquinho e meio perverso fazia. Mas, felizmente essa fase de serial killer de formiguinhas durou pouco tempo. Mas tudo que via na TV ou então lia nas revistas eu fazia. Não separava a ficção da realidade, para mim era tudo a mesma coisa.
     Tinha várias outras manias e maluquices, mas isso contarei em outra postagem. 
    -Não precisa ficar cerrando os dentes.-disse a enfermeira, com voz suave. Aquilo me acalmou um pouco, mas fiquei espantado como ela havia adivinhado que eu estava apertando meus dentes. Claro que hoje sei que tudo é mostrado nas ondas elétricas que aparecem na folha do eletroencefalograma.     Mas aquele teste provavelmente não havia detectado nada, pois não fui levado à nenhuma psicóloga e nem cheguei a tomar nenhuma medicação na infância. 
   A esquizofrenia sempre esteve comigo, mas os surtos vieram por volta dos 29 anos de idade. E os sintomas positivos me fizeram abandonar o serviço, a perambular pelas brs, a morar nas ruas etc... E ainda não era chegado a tomar um cafezinho com frequência, apesar de ser um bom mineiro comedor de pão de queijo. Mas, com o passar dos anos, os sintomas positivos parecem ter dado lugar aos sintomas negativos. Confesso que fiquei um pouco apático, não achando graça em coisas que achava engraçadas antes. Acho que os sintomas negativos  não tomaram conta totalmente de mim por ter sido uma pessoa muito emotiva, e por isso ter sobrado um pouco de emoção em meu coração. 


    A energia foi baixando, e, no início achava que era a idade chegando. Mas não era bem isso.Comecei a estudar a esquizofrenia e havia descoberto que não é somente aquela piração de ter que ficar amarrado em uma camisa de força. Sim, eu tinha muitos preconceitos antes dos surtos aparecerem. 
    Enfim, com os sintomas negativos passei a sentir a necessidade de tomar um cafezinho. E comecei a tomar toda manhãzinha e às vezes de tardinha. E passei a apreciar essa bebida saborosa e estimulante. 
Mas, para mim era estimulante demais. Ficava um pouco agitado, um pouquinho nervoso às vezes e acho que um pouco mais paranoico, talvez por aumentar demais os níveis de dopamina no meu cérebro. 
    Quando tomava um cafezinho e andava de bike ficava mais sensível as emoções e aventuras de acelerar no pedal e sentir o ventinho no rosto. E, para piorar ficava escutando heavy metal na maior altura nos fones de ouvidos! Bike, café e rock n roll!!! Afinal café é uma droga que altera o nosso comportamento. Já o sexo no meu caso não entra na clássica frase pois, depois que os surtos aparecerem
em minha vida nem confusão passei a arrumar. No meu caso é eu e minha bike Margarida mesmo, a nossa relação não é deste mundo. 
  
     Não acho que o café seja uma bebida maléfica, desde que seja tomada com moderação. E cada um 
tem o seu organismo, obviamente. No caso das pessoas com transtornos mentais essa deliciosa bebida pode não fazer bem. 
    Em primeiro lugar por que a maioria das pessoas psicóticas tem problemas relacionados ao sono. E sabemos a importância de uma boa noite nos braços do Morfeu para uma boa saúde mental. 
   Em segundo lugar, pelo fato de ficarmos mais agitados e nervosos mesmo.  E era o que estava acontecendo comigo, se bem que sou uma pessoa bem tranquila, pois consigo me manter calmo mesmo sem situações estressantes. Mas aquelas situações acabavam meio que tirando minhas energias. Passei a tomar chás na parte da noite para ter uma boa noite de sono. 
Mas isso não bastava. Teria que largar o café para não ficar dependente de algo para realizar certas tarefas e também me sentir melhor. Não sou de esbravejar, elevar o tom de voz ou partir para a briga. Quando estava nervoso o meu tom de voz era bem baixo, apenas falava algumas coisas, evitava certas situações e saía de certos lugares e situações que me estressavam.
     E fiquei cerca de três anos nesse vício tão gostoso. Era tão bom tomar no centro da cidade aquele cafezinho moído na hora! E o cheiro então! Um dos mais deliciosos que já senti.

                               Como foi o meu processo de descafeinação. 

    Simplesmente resolvi parar de uma vez. Parei de fazer o cafezinho matinal para acordar. Levantar da cama até que era fácil, o problema era acordar de verdade para fazer certas coisas. O meu dia começava depois de tomar o cafezinho. 
    No início da minha descafeinação fiquei e ainda estou meio lento. Os primeiros dias foram terríveis. Lerdeza, fraqueza, desânimo total. Raciocínio lento, mas estava mais tranquilo e em paz, não me estressando com coisas banais, nem com os vizinhos chatos que têm por aqui. Alguns falam somente sobre futebol e era meio complicado de ficar ouvindo aquela mesma conversa de anos. Mas agora é como se estivesse passando direto por um ouvido e saindo por outro. E tem aqueles que reclamam do tempo e outros que falam da vida alheia. E outros falam somente de política. Dizem que sou inteligente, mas na verdade apenas procurei em minha vida ouvir e estar perto de pessoas inteligentes antes da internet aparecer. Aprendi muita coisa observando pessoas inteligentes. Hoje, como bom antissocial que sou procuro aprender coisas positivas surfando na net mesmo, que é como a vida real, a gente escolhe o caminha a seguir. Na vida são os caminhos, na net são os endereços que digitamos nos navegadores. 
E ainda tem a facilidade de se bloquear pessoas inconvenientes com apenas dois cliques e está tudo resolvido. Simples né?


    Então as duas primeiras semanas foram terríveis. Muito lento mesmo. Mas aos poucos meu sono foi melhorando e  sinto que estou acordando melhor e com o raciocínio melhorando também. Acredito que isso também tem a ver com o biorritmo de cada um. Alguns funcionam bem de noite e outros já funcionam melhor de dia. 
    

Estou me sentindo muito bem sem o café 


    Mas, no geral, ficar sem café está trazendo resultados positivos, apesar de ser quase um sacrilégio para um bom mineiro. Já faz algum tempo que não tomo antipsicóticos, que diminuem muito a dopamina e quase que nos obriga a tomar vários cafezinhos por dia para ter ânimo de realizar alguma tarefa. 
     Estou tomando um cafezinho uma vez por semana, para jogar futebol no centro de convivência. Me deixa mais alerta e com rapidez para tomar as decisões e fazer as jogadas certas. 

Não me estressei com a atendente de telemarketing!

Estou me sentindo tão bem sem o café que hoje conversei com a atendente do cartão do meu cartão de crédito quase estourado para me explicar certos valores que não entendi como apareceram na lista de compras. 
A fatura quando a gente compra um produto e devolve é um pouco complicada de se entender. A gente paga 3 parcelas, a empresa faz um crédito no valor total do produto e aí as parcelas continuam aparecendo nas faturas seguintes. Não seria mais fácil devolver apenas as parcelas pagas e assim acabar com a novela?
    Pois bem, essa era uma das dúvidas que eu iria tirar. Após digitar o meu CPF três vezes, os últimos quatro números da minha conta, os quatro números da data do meu aniversário, e teclar as opções para falar sobre o cartão de crédito finalmente eu entrei para a fila de espera para falar com uma atendente. 
Até que não demorou muito, mas a musiquinha que somos obrigados a ouvir enquanto esperamos é muito chata e a qualidade do som, péssima. Deveriam colocar uma música clássica com uma qualidade de som melhor né?
    Para piorar foi uma complicação danada para me entender com a moça, pois não entendia como funcionava no cartão os valores a receber de uma mercadoria devolvida. Acessa a fatura atual, acessa a fatura anterior, aquele monte de número e informações na fatura, etc...
    E não é que não perdi a paciência? Conversei com a atendente numa boa e após um bom tempo entendi como funciona o esquema de valores na devolução de mercadorias. Concordo que as empresas devem dificultar um pouco essa devolução, se o valor for devolvido na hora na conta o que vai ter de gente "comprando" equipamentos para testar não é brincadeira. 
     E até conversei um pouco mais com a atendente. Só no final que errei na hora de dar a nota, pois a conversa foi um pouco cansativa e fui logo dando nota 5 cinco pensando que quanto mais alta melhor. Mas era o contrário, teria que teclar a opção 1, que seria a melhor avaliação para o atendimento, pois ela foi bem legal comigo. Mas ficou com a consciência pesada o resto do dia. Acho que atendente de telemarketing e de reclamações e informações deveria ser classificada como insalubre. Não aquela insalubridade da qualidade do ar e de outros fatores, seria uma insalubridade mental, afinal elas têm que aguentar muita coisa durante a jornada de trabalho. 
     Me lembro que por volta do ano de 2008 descarreguei minha raiva toda em uma atendente de telemarketing da operador de internet que havia contratado. Na época a velocidade era de míseros 150Kbps. Tinha que ter bastante paciência para abrir o orkut e outros sites. Mas, para piorar, na parte da tarde a velocidade caía bastante. E a justificativa era de que morava no centro da cidade. Enfim, o que já era ruim ficava ainda pior em boa parte do dia. Mas a atendente não tinha culpa nenhuma da situação. Enfim, a bomba estoura toda nas mãos das atendentes. 

  
Não estou me importando mais com as indiretas do facebook




    Até um pouco tempo atrás imaginava que qualquer crítica em uma postagem do face era diretamente direcionada à minha pessoa. Às vezes respondia, ás vezes ignorava e muitas vezes bloqueava o autor da postagem. Mas a verdade é que também esta rede social está se tornando uma rede cheia de pessoas santinhas julgando as outras e ditando o que é certo e o errado. Nem vai precisar de Deus no juízo final julgar as pessoas. As beatas do face  já o fizeram.
     Mas hoje passo direto nas postagens que são indiretas para alguém ou são apenas de pessoas que se acham melhores do que as outras e têm tempo de sobra para postagem lição de moral no face. Eu já tenho tempo de sobra é para postar meme mesmo. rsrsrsrs
    Se por acaso a indireta for realmente para a minha pessoa também passo direto, estou ficando cada vez mais tranquilo e zen. Nem preciso ser budista para ter a paz. 
    Hoje o face apenas é para curtir os memes, conversar com os poucos amigos que tenho, digo amigos conhecidos, pois adicionados tenho quase cinco mil. E também ver dicas de filmes na Netflix nos grupos. Não tenho Netflix, baixo torrent mesmo. É proibido, dizem que a polícia federal fica de olho, mas acho que eles deveriam ficar de olho em um monte de gente corrupta que tem por aí e estão à solta roubando à vontade. 

Até que não fui muito chato no futebol no centro de conviência!

   Essa foi a maior e mais agradável surpresa de todas! Não me estressei no futebol. Fiquei no gol apesar de ser um exímio artilheiro. Gosto também de evitar os gols. Acho que por ter os braços grandes consigo fazer boas defesas. Não me estressei no futebol, apenas sou um pouco chatinho para que meus colegas de equipe se dediquem na marcação adversária e se desloquem para receber a bola em boas condições e também confundir o adversário. Acho que seria um bom técnico de futebol. 

Considerações finais.

Devemos procurar outros meios de aumentar a dopamia

    Enfim, o cafezinho é uma excelente bebida, mas, para quem tem algum tipo de transtorno mental, ou de ansiedade, devem evitar essa maravilha e cheirosa bebida. 
    No meu caso em particular só está me fazendo bem, apesar da moleza inicial matinal e também por meu organismo estar viciado no aumento de dopamina que essa bebida proporciona. 
     E também pelo fato de ser um bom mineiro e adorar um pão de queijo é um cafezinho. O pão de queijo continuo apreciando, mas sem o cafezinho dá a sensação de que está faltando alguma coisa. É que nem goiabada com queijo, o tradicional romeu e julieta. 
    Ainda não pesquisei o preço do café descafeinado, se é tão bom como o original. Acredito que não, deve ser que nem cachaça descachaçada para quem gosta de tomar uma birita.