sexta-feira, 23 de julho de 2021

É possível ser feliz tendo esquizofrenia?

               Afinal, é possível ser feliz sendo portador de esquizofrenia?



     Quem acompanha o blog sabe que também tenho um canal no youtube, apesar de reconhecer que falar não é o meu forte. É que às vezes mil pensamentos vêm à tona  e no final não consigo dizer o que estava pretendendo. 

    Outro dia, ao abrir o canal, me deparei com uma pergunta que me fez refletir muito. Me deixou tão pensativo que não a respondi imediatamente, como faço com a maioria das perguntas que aparecem no meu vídeoblog:

"Quando vc descobriu a doença vc perdeu o interesse em algumas coisas que fazia antes ?. É possível ser feliz tendo esquizofrenia?! Em janeiro eu tive um surto pscotico agudo , faço uso da quetiapina . Ultimamente não estou me sentindo feliz , parace que perdi o prazer de viver"

Antes de responder a pergunta do membro do canal, fiz várias indagações:

    Afinal, o que é a felicidade?

   É possuir bens materiais? É estar com saúde física? É estar bem mentalmente e psicologicamente? ou é estar bem espiritualmente?

     Ou a felicidade é apenas química, um conjunto de substâncias e hormônios presentes no cérebro na quantidade certa? Serotonina, dopamina, endorfina, ocitocina e outras "inas" mais?

    "Olá

    Bem, existem duas situações: quando os sintomas aparecem e quando você acaba descobrindo a doença. 

    Às vezes pode demorar muito entre os primeiros sintomas e a descoberta  da doença, principalmente pela falta de informação e preconceito que cerca os transtornos mentais. 

    Mas cada caso é um caso, ainda mais em se tratando de esquizofrenia. 

    No meu caso em particular, quando os sintomas começaram a aparecer em primeiro lugar veio a confusão mental total, por causa das vozes e outras alucinações. Na época não tinha a mínima noção do que era esquizofrenia e tinha quase total convicção de que o que estava acontecendo comigo era de origem espiritual, e então pulava de igreja em igreja com a finalidade de expulsar esses maus espíritos que estavam me incomodando. 

    Muitos anos depois, só depois de comprar um computador e aprender a usar a internet é que descobri o que tinha. No meu caso foi uma forma de aprender sobre esquizofrenia e consequentemente um pouco de mim mesmo. Infelizmente nas consultas com os psiquiatras e psicólogos não tive as informações que precisava, apenas anotavam o que eu relatava e me receitavam os antipsicóticos. 

   Em relação ao fato de uma pessoa com esquizofrenia poder ser feliz ou não, é bem relativo: depende da gravidade do caso, da estrutura familiar do paciente e, principalmente do conceito de felicidade. Hoje em dia está complicado até para as pessoas "ditas normais" serem felizes com tanta coisa ruim acontecendo pelo mundo. O que posso dizer é que as pessoas com esquizofrenia podem sim ter seus momentos felizes se ela tiver amigos e, principalmente, for amiga de si mesma. De nada adianta ter tudo em volta se a pessoa não quer lutar contra a esquizofrenia e principalmente contra o preconceito que cerca o transtorno, algo que acho tão prejudicial quanto a própria doença. 

   Afinal, podemos ser felizes o tempo todo? A felicidade é um estado de espírito, ou temos momentos de felicidade e tristeza? Essa questão não sei responder, pois vejo pessoas com tão pouco sendo aparentemente felizes e pessoas com muito não tendo demonstrações de felicidade. Sempre quando viajo pelo interior vejo a felicidade na simplicidade e na paz de espírito nas pessoas que estão mais afastadas do mundo moderno e com um maior contato com a natureza. 

    Em relação à quetiapina, ela pode nos deixar um pouco robotizado, sem emoções, sem achar graça em nada. Mas também os sintomas negativos da esquizofrenia  podem nos deixar apáticos. Tomei a quetiapina por vários dias e confesso que é uma sensação terrível ficar sem sentimentos, sem nos emocionar com nada, nem mesmo com um gol decisivo do nosso time de coração. 

    Também pode fazer parte da esquizofrenia a oscilação de humor, um sintoma característica da bipolaridade. Tem dias que estamos super bem e outros estamos tão mal que procurarmos os sintomas no google de uma possível doença. Eu mesmo fico com receio de marcar algum compromisso, pelo simples fato de não saber como estarei naquele dia. 

    Penso que dinheiro seja necessário , não sou de ficar glamorizando a pobreza, afirmando que dinheiro não traz felicidade. Precisamos de dinheiro para ter qualidade de vida.

    Espero ter ajudado e obrigado pela visita ao canal. 

    Escrevi algo sobre isso no meu blog, sobre um filme que não é muito profundo, é uma comédia, mas que faz refletir bastante. "

https://memoriasdeumesquizofrenico.blogspot.com/2015/10/sonhos-de-um-esquizofrenico.html


O embotamento afetivo

Os antipsicóticos nos deixam robotizados fisicamente e emocionalmente


    


Link do meu canal no youtube:

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Paranoias diárias de cada dia: O medo de pegar Covid

 A gotícula da paranoia


    Outro dia estava pedalando com a minha bike ao lado do rio Arrudas, aqui em Belo Horizonte. Para quem não conhece, é como se fosse o rio Tietê de São Paulo. 

    Pois bem, de repente passo por cima de uma pequena poça de água e uma gotícula entra justamente dentro do meu nariz. 

        Imediatamente para a bike e começo a assoar o nariz até sair a minha alma. 

     O pavor tomou conta de mim, outro dia havia lido uma matéria em que pesquisadores tinham colhido amostras da água do rio arrudas para saberem o quanto da população da capital mineira estava contaminada com o coronavírus. (pois é, o vírus entra até na bosta da gente).

    Voltei pedalando o mais rápido possível que minhas canelas conseguiam imprimir na bike. Imediatamente peguei o álcool em gel, e enchi as minhas narinas com o líquido que se tornou rotina usar. Para minha surpresa não ardeu.

    Nos dias seguintes, atenção total aos possíveis sintomas que porventura aparecessem: febre, cansaço, dores no corpo, diarreia, etc...

    Como moro sozinho e em um local que tem vários outros quartos, já estava planejando morar em minha barraca em uma rua isolada qualquer aqui na capital mineira. E iria confeccionar um cartaz bem grande avisando que eu estava com coronavírus e que aceitaria doação de comida, pois não iria poder sair dali durante duas semanas. 

    Os dias foram se passando e nada dos sintomas aparecerem. Vez ou outra eu petiscava alguma coisa para ver se estava sentindo o gosto dos alimentos. 

     Passaram-se duas semanas, que é o tempo que o vírus do covid demora para aparecer e eu estava super bem fisicamente, pois a minha saúde mental, que não é lá essas coisas, deu uma boa piorada durante essa pandemia.

     Bem, essa foi a história da gotícula de água que quase me deixou louco. 

     Até a próxima paranoia diária de cada dia. 

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Inclusão???

 


     Esse texto encontrei em minha naveganças pela internet, em uma rede social.

    Achei-o bastante interessante e resolvi compartilhar aqui no blog. Não irei comentar sobre pois acredito que por si só já diz muita coisa. 

    "Outro dia sentei em um restaurante com um amigo. A garçonete chega para nos atender, nos cumprimenta com um sorriso:

- "Olá Amigues!"

- "Amigues?", eu disse, também com um sorriso.

- "Isso mesmo, somos um restaurante inclusivo!", ela respondeu com orgulho.

- "Olha que bom! Isso é ótimo porque em pouco tempo chegará um amigo que é cego. Você tem o cardápio em Braille?"

- "Não, não temos isso.”

- "Ok, mas minha esposa também vem, mas vem com minha afilhada, que é autista. Menu com pictogramas, otimizado para pessoas autistas, vocês têm?”

- "Não, desculpe...", ela disse visivelmente nervosa.

- "Não tem problema, isso geralmente acontece. Imagino que a linguagem de sinais para clientes surdos você deve saber certo?"

- "A verdade é que você está me encurralando", responde sorrindo de nervoso.

Ela não estava mais confortável, tímida de vergonha, um pouco de culpa e um pouco de desconforto também.

Então eu disse:

 "- Não se preocupe, isso geralmente acontece. Mas então lamento dizer que vocês não são um lugar inclusivo, vocês querem estar na moda. Aqui, essas pessoas não conseguiriam se comunicar ou pedir para comer ou beber.

    Quer ser inclusivo, inclua todos. Todos aqueles que o sistema não dá oportunidade. É difícil, sim e muito, mas não devemos achar que um E, um X, ou @ no final faz de você inclusivo."

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Amigue significado e origem

Em mensagens trocadas nas redes sociais, jovens e adolescentes usam a letra, assim como o “e”, para suprimir a identificação masculina ou feminina em palavras como “amigx” ou “queridx” – na versão com na versão com “e”, mais pronunciável, “amigue” ou “queride” .É o chamado gênero neutro, utilizado basicamente em duas situações: a pedido, quando o outro diz que quer ser tratado assim,  ou por iniciativa de quem escreve – e prefere não cravar se o destinatário é homem, mulher, e assim por diante. 

Leia mais em: https://veja.abril.com.br/ciencia/amigues-para-sempre/



Fonte: https://veja.abril.com.br/ciencia/amigues-para-sempre/


domingo, 23 de maio de 2021

A minha relação com as drogas

 


     No último dia 16 de maio, "o cantor"mc kevin morreu ao cair do 11º andar* de um prédio na zona oeste do Rio de Janeiro.   Até hoje muitas contradições sobre a causa da queda ainda existem. Afinal, o que leva uma pessoa a tentar algo em uma altura tão grande?  

     A versão inicial era de que o funkeiro estava trancado em um quarto com várias mulheres e que ficou sabendo que sua mulher havia descoberto a traição e que estava batendo na porta do apartamento.  Mas a versão mais recente é que ele estava com uma modelo e que havia cobrado 2 mil reais para um programa sexual. 

    Também se fala que ele havia consumido drogas sintéticas, o que não duvido, pois o mesmo já foi preso em Belo Horizonte por estar portando entorpecentes. 

     Enfim, não quero entrar em detalhes sobre o ocorrido pois até o dia de hoje não se fala em outra coisa a não ser na morte desse funkeiro. Morrem milhares de pessoas no país por causa da pandemia, assassinatos bárbaros e covardes e só se fala na morte de um cantor de funk.

     Como relatei, testemunhas afirmaram que o funkeiro ficou sabendo que sua esposa estaria batendo na porta do apartamento. Então, com medo de ser pego no flagrante de traição, resolveu tentar ir para outro apartamento. 

    Mas isso é justificativa para arriscar a própria vida? Obviamente que não, acredito mais que kevin estava sob o efeito de drogas sintéticas, que são as mais perigosas, pois são fabricadas em laboratórios e atingem o cérebro com maior velocidade e potência, causando alucinações e delírios. 

    Essas drogas sintéticas, principalmente o ecstasy deixam o individuo eufórico, fora da realidade.

"Os usuários dessa droga sentem aumento do estado de alerta, maior interesse sexual, sensação de bem-estar, grande capacidade física e mental, euforia e aumento da sociabilização e extroversão."

Fonte:  https://brasilescola.uol.com.br/drogas/ecstasy.htm

    A euforia, a falta de contato com a realidade, a sensação de grande capacidade física e mental provavelmente fizeram o cantor a cometer tal imprudência. Talvez tenha imaginado que fosse o homem aranha e tentado escalar o apartamento. 

     Enfim, não irei entrar em detalhes sobre o ocorrido, pois o que não faltam são notícias sobre a morte do cantor. 

A minha relação com as drogas

    Se falam em várias causas da esquizofrenia: genética, stress, desequilíbrio químico do cérebro e também o uso de drogas. 

     Mas o motivo da postagem é falar sobre a minha curta e não muito íntima relação com as drogas. 

    Me lembro bem da primeira vez que usei uma droga. Tinha com 17 anos e estava em um show de heavy metal, aqui em Belo Horizonte. No meio do show meu amigo me diz que se eu misturar cachaça com um certo xarope iria ver tudo colorido. Apesar de estar quase completando a maioridade, ainda era um cara bem inocente. É que naquela época era tudo um pouco demorado: éramos crianças até os 15 anos de idade e começava a adolescência por volta dos 16 anos. Idade adulta mesmo era por volta dos vinte anos. 

sou roqueiro mas sou careta, no máximo uma cervejinha ou um vinho...


     Fiquei curioso para ver tudo colorido. No fundo achava minha vida um pouco sem graça e monótona. Aliás, até hoje acho, a música "Tédio" , da banda Biquini Cavadão, tem tudo a ver comigo. Fui até a farmácia mais próximo e comprei o tal xarope. Voltei para o local do show e tomei quase todo o vidro de xarope com meio copo de cachaça. Na verdade não gostava muito de beber, mas imaginava que para ser roqueiro de verdade tinha que ter cabelo comprido e "tomar todas"....

     O tempo foi passando e nada de ver algo diferente ou colorido. O show acabou e voltei a pé para casa. No meio do caminho fui parado por dois policiais que encontraram o vidro do xarope em meu bolso ( não te disse que era meio inocente? ou burro mesmo?)

    Os dois policiais ficaram mais de uma hora me fazendo ameaças e me pressionando psicologicamente. Por fim chamaram a rotan, a polícia mais perigosa e violenta de Belo Horizonte na época. Fui agredido com um porrete na cabeça, me colocaram dentro da viatura com os vidros fechados e soltaram spray de pimenta em mim. Fui levado ao juizado de menores e fiquei lá até ser liberado quando minha irmã apareceu, pois disse que minha mãe tinha problemas de coração. 

       Apanhei um pouquinho dos outros menores, pois minhas roupas e outras "cositas" mais. Não conseguiram, mas apanhei um pouquinho e por sorte fui literalmente salvo por um sino. Era seis horas da manhã e o funcionário do juizado de menores apareceu no corredor acordando a galera com o tilintar de um sininho....

     Meus colegas ficaram revoltados com o ocorrido, e um deles disse que poderia me ajudar, pois seu pai era advogado. Pensei um pouco e não aceitei, pois havia chegado à conclusão de que havia um lado positivo naquela história toda: fora a minha primeira experiência com as drogas e já fui levando uma lição, que, no meu caso, teve que ser daquele jeito, pois não tive pai e minha mãe tinha problemas auditivos e quase não conversava comigo. 

     Depois dessa experiência, experimente a maconha 3 vezes, mas não tenho certeza se a inalei  corretamente, pois não gosto de nenhum tipo de fumaça. E a verdade é que nunca precisei de drogas para fugir da realidade ou para diminuir a ansiedade ou outros fins. Era uma pessoa pacata e tranquila, um cara bem distraído mesmo e que não reparava nada em sua volta. 

     Hoje continuo achando que o abuso da polícia no meu caso em particular foi benéfico, era também meio cabeça dura e acho que se não acontecesse nada naquele dia iria continuar a usar mais drogas e hoje poderia estar trilhando um outro caminho. Não sou a favor desse tipo de abordagem violenta, principalmente pelo motivo de estar portando um vidro de xarope, é que naquela época as coisas eram assim em relação as drogas. Já a polícia continua a mesma, ou até pior em relação à violência, claro que existem os bons policiais e espero que não se sintam ofendidos, é apenas constatação da realidade, é só ler um pouco ou assistir tv. 

     Atualmente continuo o mesmo em relação as drogas: não preciso delas, talvez consiga ir para outros mundos somente com a minha maluquice mesmo, ou o meu mundo já seja uma loucura?

      Não quero saber das drogas, nem das lícitas.  Loucura é estragar seu cérebro para tentar ser feliz. 


*Há controvérsias sobre qual andar ele estava, até o momento em que digitei este texto a informação era de que o funkeiro estava no 11º andar, mas últimas notícias afirmam que o andar correto era o 5º

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Matando um leão por dia

 



AOS QUE NÃO SABE O QUE É UM PORTADOR DE ESQUIZOFRENIA PARANOIDE, TEM ESSE PEQUENO DESABAFO!

    E ESPERO SINCERAMENTE QUE NEM UM "PAI E PRINCIPALMENTE UMA MÃE" PASSE POR TUDD ISSO!!!

Aos cuidadores, com todo carinho e respeito aos portadores!

Quero dividir com vcs, uma experiência fantástica q tive á mais ou menos um ano atrás, em uma das seções com um psicólogo na cidade de Ilhabela, onde morei por um ano com minha filha, portadora de Esquizofrenia.

Espero q possa contribuir!

Foi num desses dias de desespero, de vontade de largar tudo, de desistir, revoltada com Deus, cheia de indagações, "porque comigo"??

quem nunca??

O psicólogo me colocou em uma cadeira no centro de uma roda, com várias pessoas sentadas á minha volta.

Me disse q ia conversar comigo, pra eu prestar atenção nas perguntas dele, e responder prontamente.

Ele iniciou perguntando meu nome...

Qdo fui responder, todos á minha volta começaram a me xingar, não pouparam palavrões, gritavam, sussurravam, riam e xingavam.

Entrei em pânico, não consegui prestar atenção em nenhuma palavra q ele me dizia, só senti uma vontade enorme de chorar e mandar todo mundo "calar a boca".

Qdo comecei chorar, ele pediu para que todos parassem com as agressões verbais.

Olhou pra mim e disse:

"É isso que sua filha vive todo dia, 24hs por dia!!

- Quem mata um leão por dia?

Voce ou sua filha? 

Que disposição voce teria para sair da cama todo dia, pra ter uma vida assim??"

Isso foi revelador pra mim, no sentido exato da palavra - "revelou a dor " da minha filha.

Me senti no lugar dela, e percebi , que nossos problemas como cuidadores, são, apesar de desgastante, NADA!!!!

Ainda perco a paciência, e fico sem chão às vezes, mas, essa experiência sempre me trás á realidade novamente.

Então, por mais exaustivo que seja, temos a opção de parar "as vozes", eliminar o sofrimento...e eles??

Espero poder ter contribuído, e que isso de alguma forma, continue nos dando força pra continuar...sempre!!!

Abraços fraternos!

Autor desconhecido.

quarta-feira, 24 de março de 2021

Paranoias diárias do dia a dia: O mini sossega leão

 

      O mini sossega leão

    No ano de 2013 resolvi sair do meu quartinho na minha querida e calorenta Ipatinga, pois o local estava sendo dominado pelos traficantes e usuários de drogas. 
    O aluguel era bem barato e as circunvizinhança era relativamente tranquila, apesar de ser próxima da crackolândia da cidade.
    Mas, com o tempo a movimentação causada pelas drogas acabou tirando o meu sossego e minhas noites de sono que, mesmo mal dormidas era uma noite de sono. 
    Fiquei um  bom tempo esperando que a situação melhorasse, mas só foi piorando dia após dia. E estava ficando estressado, por experiência própria sabia que ficar sem dormir poderia ser um gatilho e tanto para um novo surto psicótico. 
   O estopim aconteceu quando um usuário de drogas teve o seu quarto queimado por que não havia pago a droga consumida.
    Então resolvi comprar uma mochila e uma barraca e sair por aí meio sem destino e sem rumo.
    A minha primeira parada foi o Rio de Janeiro, precisamente na casa de uma amiga virtual que eu tinha na época
    Mas ela impôs como condição que eu tomasse os antipsicóticos. Então resolvi tomar uma dose baixa de clorpromazina e também um comprimido de fenergan. Era a primeira vez que tomava o fenergan, pois a "clô" deixava o meu braço todo vermelho por causa da alergia, que é um dos sintomas mais comuns desse antipsicótico,
    Era por volta de uma hora da tarde e em poucos minutos após tomar os comprimidos acabei caindo em um sono tão profundo que só fui acordar no dia seguinte, por volta das nove horas da manhã. 
    Aliás, consegui acordar por volta das oito horas da noite, mas estava tão grogue que nem o jogo do meu time de futebol consegui assistir e apaguei novamente. 
    Não sabia que o fenrgan dava tanto sono assim. Mas foi muito bom, pois aquelas horas meio que apagada deram uma "reiniciada" no meu sistema, dando uma geral no meu "HD". O meu HD é tão grande que deve ser de um terabyte. 
    Acordei super bem, o stress acumulado pelo tempo que fiquei morando perto da agitação das drogas havia desaparecido. 
   Então resolvi fazer isso novamente. Fui no Cersam e pedi uma cartela do fenergan, pois essa quarentena está me deixando bastante estressado. 
     Tomei um comprimido por volta das dez e meia da noite. O tempo foi passando e apenas uma leve vontade de dormir estava sentindo. Resolvi então tomar outro comprimido, apesar do receio de poder acordar muito dopado no dia seguinte.
   Esperei mais meia hora e nada. Liguei o notebook e fiquei jogando tetris até cansar e ai pegar no sono.
    O efeito da  clô foi todo ao contrário, não fiquei com muito sono e acordei de ressaca. O que poderia ter acontecido para que o mesmo comprimido não surtisse o mesmo efeito, apesar de ter tomado uma dosagem maior?
    O primeiro pensamento que tive foi que havia tomado um medicamento genérico que não tinha a mesma eficácia do original.
    O outro, criado pela minha paranoica mente, é de que havia caído no conto do "boa noite Cinderela"( quando é homem se chama Cinderela também?).
    Mas aí veio  a dúvida: por que minha amiga havia me dopado? Para me estuprar não foi, pois homem para ser estuprado tem que estar bem acordado e algumas coisas funcionando bem e bem despertas...
    Aí então pensei: ela me dopou para tirar fotos minhas pelado e sair publicando na internet. Ai estaria a razão das pessoas ficarem me olhando quando eu passava pelas ruas naquela época( esse pensamento de ser observado sempre tive).
     Fiquei pensando: mas ela parece ser tão boazinha. Mas a minha mente paranoica retrucou: as boazinhas é que são as mais perigosas. E faz sentido, tenho certo receio de algumas pessoas que parecem serem tão perfeitas e boazinhas. Acho que fez alguma coisa mesmo enquanto eu estava dormindo. Mas talvez seja a questão do medicamento genérico mesmo. E ficamos nesse diálogo, eu e a minha mente paranoica por mais de um dia, até agora em que publico esta postagem.     
    Acho que vou ter que comprar um fenergan na farmácia para tirar mais essa paranoia de minha cabeça. 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Ajude o blog através do Pix

 

Como fazer para ajudar o blog pelo Pix



     Ultimamente muitas pessoas tem pedido para que eu use o Pix como meio de forma de disponibilizar para o blog e para  o meu canal no youtube um canal simples e direto para as transações. 
    Sou uma pessoas simples e prática. A ajuda não é para o blog e nem para o canal, afinal não preciso usar equipamentos sofisticados para gravar os vídeos ou fazer postagens aqui no blog. Enfim, não tenho um gasto financeiro e é algo que gosto de fazer, principalmente escrever. Já os vídeos vou tentando aprender com o esforço e repetição melhorar a minha forma de falar o que penso e sinto.     
    A ajuda é, além de uma forma de incentivo para continuar a produzir, é para os meus gastos. Me aposentei com um salário mínimo e tenho que sempre usar a calculadora para que não falte dinheiro no fim do mês. 
     Com um pouco de esforço consigo ir me virando, não faço bicos, quase não tenho amizades tirando as pessoas que conheço nos centros de convivência dos usuários do serviço de saúde mental aqui de Belo Horizonte. 
    Sei fazer muitas coisas, ainda mais nos tempos atuais com os vídeos explicativos e tutoriais do youtube: pintar paredes, bicicletas, e várias outras coisas. Mexo com eletricidade, às vezes onde moro sempre tem algo para fazer, pois são 32 quartos e acho que levo jeito para fazer serviços gerais de reforma. Mas fora de onde moro não faço nada, pelo simples fato de sair calado e voltar calado. Uso o fone de ouvido na maior altura para tentar burlar as vozes que ainda me incomodam um pouco. 
Eu e a Margarida 


      E é difícil para uma pessoa com esquizofrenia ser popular ou fazer novas amizades, pois desconfio até da minha sombra. Até as pessoas que se aproximam amigavelmente de mim penso que estão querendo me enganar para obter alguma informação para me prejudicar. No mundo virtual também é a mesma situação: atualmente só converso com as pessoas que já conheço há um bom tempo. Fakes e perfis sem foto já não aceito mais as solicitações de amizade. 
     Às vezes aparece algum gasto imprevisto, como a manutenção da bicicleta, ou tenho que comprar medicamento caso tenha pego alguma doença ou então sofrido algum acidente. Ou então quando estava viajando por ai a pé com a minha mochila sempre aparecia pessoas bondosas ajudando. Atualmente faço as minhas viagens de bike, pois quebrei o dedão do pé esquerdo e só operando para resolver a situação.
    Mas a fratura já calcificou e até consigo jogar um futebolzinho de leve. 
     Mas, voltando ao Pix, quem quiser e puder contribuir entre em contato pelo email abaixo que lhe forneço o número da minha chave Pix.
     Enfim, é um stress o convívio com pessoas que não conheço.