19/07/2024
Três Marias-Luizlândia do Oeste-MG
Por pouco não fui dessa para outra!
Excelente noite de sono às margens do lago de Três Marias. Acordo bem cedo e descansado da noite anterior em que a família do barulho não me deixou pegar no sono. Como não havia nada aberto pelas redondezas, o jeito foi caçar café e pãozinho com manteiga no centro da cidade. São cerca de 5km, mas a distância não é o problema e sim uma íngreme subida. Normal aqui em Minas Gerais, mas sem tomar um bom café para aumentar a dopamina, tudo fica um pouco mais difícil.
Subo sonolento e distraído. E quase paguei caro por isso.
Ao tentar atravessar a BR avisto um caminhão descendo em boa velocidade. Em vez de seguir, hesitei.
E fiquei parado no meio da pista, esperando que ele passasse. Mas o problema é que não havia combinado nada com o motorista e ele imaginou que eu iria seguir adiante.
Ao se aproximar e perceber que não me movia, o caminhoneiro começou a fazer manobras para se desviar de mim e, para piorar a situação, vinha um outro caminhão em sentido contrário. O caminhão fez um ziguezague e vi as rodas do veículo perderem o contato com o asfalto. Mas continuei parado em meu lugar, de tanto sono que estava. Felizmente, o motorista conseguiu estabilizar o caminhão e não houve maiores incidentes... O motorista do caminhão que subia a BR disse:
-Essa foi por pouco hein?
As pontes requerem um cuidado extra na viagem
Fiquei calado e com um sentimento que não sei explicar qual, mas que me deixou bastante triste. Essa minha distração quase resultou em um terrível acidente. Poderia ter tirado involuntariamente uma vida de uma pessoa que poderia ter outras esperando em sua casa. Agradeço à Deus por ter me livrado mais uma vez de ter ido dessa para outra. Fiz uma postagem em meu blog contando as vezes em que passei por situações realmente perigosas que poderiam ter tirado a minha estadia neste mundo.
Sigo até o centro da cidade meio cabisbaixo. Entro em uma padaria e tomo o meu café, que não pode faltar o tradicional pãozinho com manteiga, como todo bom mineiro gosta.
O café, ajudou um pouco a espantar o desânimo inicial provocado pelo quase acidente na BR. Mas, aos poucos, pedalando pela estrada o entusiasmo volta com a mesma intensidade de antes da parada em Três Marias. O tornozelo deu uma melhorada, mas ainda estou sentindo um pouco de dor.
Passo pela ponte sobre o Rio São Francisco. Apesar do belo visual, sinto um pouco de tontura, pois não gosto muito de alturas, principalmente em pontes.
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| Ponte sobre o Rio São Francisco na saída de Três Marias |
Acredito que por conta do descanso chego no meu destino por volta das duas da tarde. Não havia muita serra íngreme, acho que a partir de agora a geografia da região irá mudar um pouco, com menos subidas e mais retas! Esse é o Brasil que quero!
A parte da cidade que fica às margens da BR sofre com a poeira constante. A funcionária que cuida da limpeza da rodoviária trabalha bastante para manter o local limpo.
Estava descansando quando o gerente de um restaurante próximo parou para conversar comigo e me oferecer um um belo almoço! Ele não pegou um marmitex e me ofereceu, simplesmente disse para entrar e pegar o que eu quisesse. Estou com muitos empréstimos para pagar e a vida na estrada é um pouco cara para quem não sabe fazer comida. E, então não recusei e aceitei a comida, que estava maravilhosa.
Ainda são três horas da tarde, e, como a próxima cidade fica quase à 100km de Luizlândia, resolvo ficar. Agora estou me informando melhor sobre o trajeto, e descobri que essa parte do caminho é bem deserta, com apenas um restaurante logo no início, ou seja, na hora do almoço não encontrarei nenhum lugar para rangar. Terei que levar comida no bauleto. Aprender a fazer comida vai ser o meu próximo objetivo para a próxima pedalança.
Nascer do sol no Rio São Francisco Passei a tarde, na pacata, simples e simpática cidade de Luizlândia. Aproveitei o tempo para consertar a gambiarra do bauleto, que estava dando folga no guidão. Consegui com os moradores da cidade duas barrinhas de ferro e arame e prendi o ferro do bauleto no garfo da bike. O mecânico de bike da cidade foi muito legal e atencioso, me emprestando as ferramentas necessárias para a execução da gambiarra. A direção parecia melhor e mais estável, o bauleto não balançava mais. O acostamento nos últimos dias não é de uma qualidade boa, e a bike trepida muito.
Gambiarra pronta, fui dei umas voltinhas pela cidade, até encontrar uma sombrinha para descansar. Sentei na calçada e relaxei, mas logo o dono de um barzinho me convidou para sentar. E, como bons mineiros, trocamos um dedo de prosa. Depois ele me levou até a sua casa para tentar me arrumar um retrovisor, pois disse que iria comprar um, para olhar melhor o trânsito na BR. O que ele me deu não era para bicicletas, mas agradeci a boa vontade dele. O senhor tinha um belo fusca na garagem. Pintura nova e sem nenhum arranhão e brilhando muito.
A tarde foi caindo, e fui para a rodoviária, que foi o local que escolhi para acampar.
E fico diboa, no meu cantinho, observando as pessoas e deixando o tempo passar, sem pressa, sem pressão, e sem stress. Essas viagens me fazem um bem danado em relação à ansiedade e isso me deixa mais comunicativo.
Por volta das dez da noite aparece o Ronald, que conversou comigo de tarde. O cara me deu uma excelente lanterna e ficamos conversando um bom tempo. Ele disse que também iria seguir o meu canal no youtube e o blog. Não sou muito de usar celular e postar muitos vídeos durante a viagem. No meu caso sinto que deixo de curtir a viagem um pouco ficando mais tempo registrando o dia a dia.
Nos despedimos e fui dormir, mas antes agradeci à Deus por mais um dia e por ter me livrado do acidente que poderia ter sido fatal na parte da manhã.


Graças a Deus pelo livramento. Que paisagens linda, que benção você teve ajuda pelo caminho.
ResponderExcluirVerdade, algumas coisas que aconteceram e acontecem na minha vida sinto que é Deus mesmo, me livrando das situações em que eu mesmo me enfio. Eu e meu espírito aventureiro, acho que o meu anjo da guarda está seriamente pensando em pedir aposentadoria devido ao stress
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