terça-feira, 25 de agosto de 2015

Divagações esquizofrênicas 11

 

O duelo do bem e do mal
    Há duas semanas atrás achei 100 reais no banheiro aqui no local onde moro. Não foi preciso raciocinar muito para se chegar à conclusão sobre quem era o verdadeiro dono da quantia: a proprietária do imóvel, pois ela havia acabado de sair, estava "dando uma geral" em um quarto que tinha sido desocupado. Guardei a grana na gaveta do armário, para entregá-la quando a dona aparecesse novamente.
    Enquanto ela não aparecia, confesso que certos pensamentos tomaram conta da minha mente por breves momentos. Vozes apareciam, sussurrando ao meu ouvido, me dando conselhos, sobre o que se fazer com o dinheiro. Mas, acalmem-se, essas vozes não eram alucinações. No momento creio que estou gozando de quase que plenamente de minhas faculdades mentais. Essas vozes eram da minha consciência, na eterna batalha entre o bem e o mal que se desenrola em minha mente. 
     Desde criança essa batalha é travada em meu interior. E, como não tive pai e minha mãe tem problemas de audição, tive que aprender com a vida qual caminho seguir. De um lado, o anjinho, me dando bons conselhos, e, do outro, o diabinho querendo atazanar a minha vida. A impressão realmente é que cada um está falando em nossas orelhas. Não sou um santo e não tenho a pretensão de ser, mas confesso que a voz do diabinho ultimamente parece vir meio distante, e tenho que prestar atenção para entender o que ele quer dizer. 
    - Devolve o dinheiro, é o melhor a se fazer, não se esqueça que você já muito ajudado nesta vida...- me aconselhava o anjinho.
    - Ah! Gasta essa grana mané! E se fosse você quem tivesse perdido a grana? Iriam te entregar? Você não quer comprar uma manete para jogar no seu notebook? A dona da casa é rica, tem carro, tem a casa própria, nem vai sentir falta desse dinheiro... - do outro lado o diabinho tentava me convencer de que o melhor a ser feito era gastar a grana mesmo. 
    Mas não foi preciso voltar muito no tempo para relembrar as inúmeras vezes em que fui ajudado e presenteado nesta vida. No dia anterior uma amiga do facebook havia comprado o livro "Mente Dividida" em PDF por exatamente a mesma quantia que havia encontrado no banheiro: cem reais!!! Isso mesmo, o livro, que custa 7 reais, foi comprado por uma quantia 15 vezes maior.
    Dias antes, uma pessoa que gosta de viajar por ai, acabou "caindo" no blog, ao pesquisar sobre a "estrada real". Ela estava em busca de informações sobre o caminho, pois pretende cair nesta aventura em breve.
    À princípio, eu queria fazer um blog separado sobre as minhas andanças, para não misturar "as coisas": de um lado a esquizofrenia, e, do outro, as viagens que faço por ai com a minha barraca. Mas, ai pensei: se a minha intenção com o blog e divulgar a esquizofrenia para o maior número de pessoas, então por que não colocar tudo junto? Assim, os mochileiros poderiam se informar sobre esse transtorno mental tão cercado de preconceitos e estigmas.
    E assim aconteceu, essa pessoa, também muito generosa, pagou uma boa quantia pelos dois livros que já escrevi, e ficou muito grata por poder conhecer melhor o que é realmente a esquizofrenia.
E também obteve no blog preciosas informações sobre um dos quatro caminhos da estrada real, o caminho velho. 
a maior parte do caminho da estrada real é feita em estradas de terra...
   Então, voltando ao assunto da batalha do bem e do mal, o anjinho venceu mais essa logo no primeiro round. Logo a dona do imóvel apareceu, e não tive dúvidas que o melhor a se fazer era devolver o dinheiro e ter a consciência tranquila. Isso sim, não tem preço...
    
Dicas de saúde do esquizo
o limão é um bom alimento, tanto para a parte física como mental
    Nas minhas infindáveis buscas e pesquisas virtuais para encontrar fórmulas acessíveis para melhorar a saúde, tanto física como mental, acabei encontrando algo que já havia experimentado há muitos anos atrás: o suco de limão. Tinha o hábito de fazer, uma vez por ano, a tal da cura do limão. Esse processo consiste basicamente em ingerir cerca de 110 limões em 20 dias, para desintoxicar o organismo. Mas, pesquisando sobre alimentos que combatem o mau humor, encontrei dicas sobre esta fruta cítrica.
     A regra é simples: tomar, todo dia, de manhã, em jejum, suco de um limão com água morna. Depois de meia hora pode se tomar o café normalmente. No que se refere a parte mental, estou mais bem humorado realmente. Nem liguei para a zoação de uma menina, que, ao me ver andando pela rua, começou a cantarolar a música do Roberto Carlos: "Esse cara sou eu..." É que meu cabelo está grande, e não sei se fico parecendo com o rei da música popular brasileira, mas não é a primeira vez que fazem esta brincadeira quando me veem. 
    Estou menos ansioso e mais calmo. Consequentemente a vontade de comer doces diminuiu bastante. Emagreci cerca de 3kg em uns 25 dias e, quando resolvo comer doces, o faço com calma, para apreciar o sabor dessas gostosuras, principalmente o chocolate. Não como mais por desespero, para me empanturrar e assim ficar mais calmo. 
emagreci 3kg  tomando suco de limão, para comemorar uma caixa de bombons... 
    E na parte física estou mais disposto. Parece que melhora e muito o metabolismo, não estou tendo a sensação de tijolo no estômago depois das refeições. E o limão dá uma limpeza geral no sangue, eliminando o excesso de colesterol, triglicerídeos e outras impurezas. Hoje (25/08) um cara que nunca havia visto na minha vida me pediu uma barrinha do chocolate que estava comendo. E, para a minha própria surpresa, acabei dando não só uma barrinha, e sim duas! Isso mesmo! Só este gesto é uma prova mais do que cabal de que o limão tem essa capacidade de diminuir a vontade de comer doces..
     Creio que a maioria do pessoal já deve ter percebido que uso muitos links em meus posts (palavras na cor azul) Esses links servem para entender melhor o que estou postando, pois gosto de citar as fontes e não sou muito fã do control V + control C. (copiar e colar). Hoje, com o Dr. Google, só não é inteligente quem já morreu... Algumas pessoas simplesmente copiam tudo o que acham por ai e não citam a fonte, o que acho um desrespeito e tanto...
    Então, abaixo está o link que encontrei e que tem as melhores informações sobre alimentos que melhoram o nosso humor: 
    Adotei outras medidas para melhorar a minha saúde, voltei a tomar o ômega 3 (os meus triglicerídeos estavam em 470mg no último exame), estou fazendo exercícios físicos onde moro mesmo, pois agora estou em um quarto maior e dá para me movimentar. O outro nem dava para fazer um polichinelo, pois esbarrava no armário.  Parei de comer doces depois do almoço e sempre como uma laranja. Estou ainda tomando o cloreto de magnesio como manutenção, em uma dose menor. 

Miojo Saudável
    O verdadeiro dia da preguiça, na minha opinião, é o domingo. Não dá vontade de fazer nada. Só comer e dormir mesmo. Acordo tarde, e, como o restaurante popular está fechado, faço um miojo mesmo e cozinho um ovo para o almoço. Mas aquele pozinho que vem para temperar é muito prejudicial à saúde, pois contém o dobro de sal que precisamos em apenas um dia! O que faço então?
    Simples, faço o miojo normalmente, mas não uso o pozinho. Faço um tempero com azeite de oliva, alho (sem fritar, pois perde suas propriedades naturais) e uma pitadinha de sal. Quem quiser fazer ao alho e óleo fritando não tem problema. Para completar, faço um ovo cozido, que hoje em dia foi abolido e não é o culpado pela alta taxa de colesterol encontrado em algumas pessoas. O prato não fica essa maravilha, mas dá para descer e domingo não dá vontade nem de sair procurando restaurante aberto.
    Uma dica: O azeite de oliva mais saudável não é aquele mais famoso, segundo o proteste. Veja no link abaixo que mostra qual é realmente o mais "virgem":

As paranoias, não sumiram, apenas me acostumei com elas...
    E assim vou vivendo, pesquisando alternativas para ter uma vida melhor, mais saudável, pois se depender exclusivamente dos medicamentos antipsicóticos, confesso que estou perdido. No começo as paranoias eram mais místicas, sobre o bem e o mal, o que iria vir depois dessa vida aqui na terra. Depois, passaram para a saúde, com os boatos de que eu estava com aids, e ai o gatilho foi disparado e agora não para de atormentar a minha mente. Mas hoje em dia estou bem melhor do que há uns dez anos atrás. Passei a me conhecer melhor, sei os meus pontos fracos e sei o que me faz mal e o que pode me fazer bem. 
    Hoje em dia, minhas paranoias continuam, mas como já está descrito no subtítulo, já me acostumei com elas e não dou tanta importância. Penso assim: essas "cismas" são coisas da minha cabeça, mas, e se for verdade, que se !@!#$#$%.... Se não gostam de mim, não vou mudar o meu jeito de ser, pois uma das piores loucuras que uma pessoa pode fazer é deixar de ser ela própria...
     Hoje, penso que todos pensam que sou um assaltante. A paranoia coletiva que tomou conta das grandes cidades acabou passando para a minha complicada mente. Agora penso que, quando uma mulher segura com firmeza uma bolsa, é única e exclusivamente por minha causa. Sou um cidadão do bem, não uso drogas, e sempre trabalhei para me sustentar. Só saio de casa para almoçar, e até encontrei um caminho alternativo para se chegar ao restaurante popular, para não ter que passar pela estação do metrô, onde há grande concentração de pessoas. Prefiro passar pela BR, quase não encontro pessoas, e ainda passo por um morrinho de terra, e assim todo dia me lembro dos dias que andei pela estrada real. Que saudades daquelas andanças, que, apesar de sofridas e cansativas, foram uma das melhores coisas que aconteceram em minha vida! Não sei explicar, mas parece uma necessidade fazer estas caminhadas, para encontrar algo que está dentro da gente. Deve ser algo parecido com o que acontece quando se percorre o caminho de Santiago. Não precisamos ir à Espanha para ter esse tipo de experiência, que é mais interior do que propriamente exterior. 

     Passe livre
    Como disse em um post anterior, o passe livre me foi negado. Em Belo Horizonte, infelizmente os portadores de esquizofrenia não têm esse direito, com exceção daqueles que tem um déficit mental bem perceptível, pois aqui se tem que fazer uma perícia, como se estivéssemos requerendo um benefício, como o auxílio doença. Em São Paulo, basta apresentar os documentos, o laudo e esperar. Em Ipatinga consegui o benefício sem maiores burocracias, e lá fiz vários cursos, como uma forma de terapia mesmo. O campeonato que iria ter no início do mês teve que ser adiado, pois o pessoal não tinha o vale transporte para distribuir para os portadores de transtornos mentais. Aqui quem é usuário do serviço de saúde mental tem direito aos vales transportes na quantidade certa para frequentarem os Cersam's, que são como os CAPS das outras cidades.
    Vou tentar entrar com um pedido na defensoria pública. Esquizofrenia, independente do portador ter ou não déficit mental, chega a ser incapacitante em alguns casos. E uma das formas de terapia é ocupar a mente, fazer cursos, e, principalmente ter o direito de ir e vir, já que o transporte público na capital mineira é caro e não é tão eficiente assim. 
 
Central de Downloads do Esquizo

    Livro: Os delírios da Razão
    Autora: Magali Gouveia Engel
Resenha do livro

O livro tem um recorte histórico entre o final da monarquia e início da república e trabalha o processo de criação do Hospício Pedro II que é posteriormente na república chamado de Hospital nacional do alienado.
    O período de tempo abordado nesta obra vai de meados do século XIX às primeira décadas do século XX, recorte que é feito no estudo da historiadora Magali Gouveia Engel em sua pesquisa.      Este estudo começa com o cotidiano da cidade do Rio de Janeiro, que recheado pela vivência e convivência de personagens considerados loucos pela sociedade carioca e como esta mesma sociedade aceitava ou recusava o convívio com estes indivíduos. Em seguida vemos o discurso de intelectuais, políticos e da própria sociedade pela necessidade da construção de uma instituição de reclusão dessas pessoas para um melhor urbano e para a segurança social, ou seja, da sociedade e dos próprios indivíduos. Em diante as condições de construção e posteriormente de funcionamento desta instituição, que seria comemorada como de grande importância para a cidade e seu ordenamento urbano, que era anseios de muito que a cidade se modelasse nas principais cidades modernas da Europa. Também é realizado um panorama do funcionamento do hospício, seus métodos de tratamento terapêutico aos alienados e de constantes críticas às formas de tratar principalmente por relatos de violência à internos. No contexto de toda essa trama histórica é demonstrado o processo de transformação da alienação em doença mental e construção do poder de controle e domínio do médico psiquiátrico como personagem que detêm o poder de tratamento e de cura a doenças e do alienado.
    Portanto é uma excelente obra para quem deseja estudar a história da doença e da saúde, destacadamente da doença mental, e de suas forma de conceituação da loucura e de seu tratamento.
    Para baixar este e outros livros sobre transtornos mentais, basta acessar a CDE: Central de Downloads do Esquizo:
https://onedrive.live.com/?id=A884A13FCDDC52A3%21118&cid=A884A13FCDDC52A3&group=0



terça-feira, 18 de agosto de 2015

Matou um esquizofrênico e foi para o psicólogo...

 
policiais agridem esquizofrênico morador de rua
     No último dia 23 de julho, o portador de esquizofrenia, Anderson de Matos, que tinha 32 anos, foi morto à tiros por um policial militar. O crime ocorreu na cidade de Palhoça, situada no estado de Santa Catarina.
    Resumindo o ocorrido, a família do portador entrou com uma ordem judicial para internar compulsoriamente a vítima, já que a mesma não aderia ao tratamento psiquiátrico e vinha tendo crises com uma certa frequência.
 
Como tudo aconteceu
    O SAMU foi acionado para cumprir o mandado de internação compulsória de Anderson. Nestes casos é também necessária a presença da polícia militar, já que geralmente quem tem esse pedido feito não está em boas condições mentais. 
    A vítima estava em sua residência e, como não acatou a decisão, foi necessária a intervenção dos policiais, que à princípio estavam portando armas de choque. A vítima, assustada, saiu de sua casa e correu para um matagal. Os policiais o seguiram, e, como Anderson estava usando um moleton, a arma taser poderia não funcionar adequadamente nesta situação. 
    Como o portador de esquizofrenia estava escondido em um matagal e armado com uma barra de ferro, foram efetuados seis tiros de bala de borracha. Mas, como a vítima não saia do local, um dos policiais sacou uma arma letal. Segundo a versão da polícia, Anderson, ao tentar fugir, acabou escorregando e depois tentou agredir um policial com a barra de ferro. Então, neste momento um outro policial acabou efetuando o disparo fatal. 

Falta de preparo?
    Bem, esse não é o primeiro acidente ocorrido durante uma tentativa de internação compulsória. No ano de 2012 ocorreu algo parecido, um caso que ficou conhecido como "O atirador de São Paulo". Só que desta vez o portador de esquizofrenia é quem portava uma arma e acabou ferindo três pessoas.
    São situações bastante complicadas estas que acontecem quando os portadores de transtornos mentais estão em crise e é necessária a intervenção da polícia militar, principalmente nos casos de internação compulsória. 
     Não tenho a intenção aqui neste post dizer que os portadores de esquizofrenia são sempre as vítimas, os injustiçados. Mas creio que a polícia militar deveria se preparar melhor para essas situações, se informando melhor sobre a esquizofrenia e tendo o amparo também dos profissionais da área da saúde mental. Neste caso, estavam presentes seis policiais militares e o SAMU, e, mesmo assim não conseguiram internar a vítima. Creio que deveriam ser ministradas palestras para os policiais, criar planos e estratégias sobre a melhor maneira  de atuar nestes casos. Também não seria também uma má ideia um psicólogo estar presente em uma internação compulsória.
     São apenas algumas sugestões, mas deve haver pelo menos um debate sobre o assunto. A verdade é que a polícia não está preparada para agir em uma situação tão complicada. Cada portador de esquizofrenia tem a sua maneira de reagir durante um surto psicótico ou em uma internação compulsória. Seria também pedir muito para que um policial se especializasse em psicologia para melhor agir nestas situações. Afinal, são muitos tipos de ocorrências que a polícia enfrenta, e, em algumas delas, eles têm que intervir apenas com o diálogo, como no caso de brigas entre casais. Já vi no programa "Polícia 24 horas", da Bandeirantes, um caso em que o policial teve que dar uma de cupido e, na base da conversa, conseguiu fazer com que o casal  parasse com a briga e retomasse a relação. 
    Mas, como já disse algumas vezes, não desejo que os portadores de esquizofrenia tenham privilégios. Se cometeu algum tipo de crime, que ele seja punido, mas que fique recluso em um local onde possa se recuperar e não para piorar o seu quadro. Devemos sim ser punidos, principalmente quando já somos diagnosticados e paramos de seguir o tratamento. Claro que o tratamento deveria ser o mais digno possível, pois o que causa o abandono é a qualidade do mesmo que se tem aqui em nosso país. O caos está em todas as áreas do SUS, infelizmente não é só na área da psiquiatria. 
    Quando surtamos pela primeira vez, tudo é tão real em nossas mentes que pode se tornar um pouco injusta uma punição severa para um possível crime cometido. Geralmente não temos a mínima noção do que venha ser esquizofrenia, e ficamos sem chão, e tudo o que se passa em nossa mente vira realidade, não tem nem espaço para dúvidas nestas situações. Mas o que fazer quando uma pessoa comete algum delito em seu primeiro surto? Infelizmente não se tem muito o que fazer no caso da punição. Se a pessoa representa um perigo para outras pessoas e para a sociedade, a solução é realmente a internação. Mas, se o tratamento psiquiátrico no Brasil fosse digno e eficaz, provavelmente não seria necessário o uso da força em uma internação. Se o tratamento fosse realmente bom e desse resultado, o próprio paciente iria até à ele por livre e espontânea vontade.  No caso do esquizofrênico de Santo Catarina, foram 13 internações em 13 anos.
    Basta olharmos o que ocorre na Finlândia, onde são obtidos os melhores resultados no mundo no tratamento da esquizofrenia. Neste país, só para termos uma ideia, o próprio paciente escolhe o lugar onde quer ser atendido: na clínica, em casa, ou se quer ficar internado por um tempo. No link que passei (palavras na cor azul) tem um documentário sobre este modelo de tratamento que faz com que apenas 7% dos esquizofrênicos usem antipsicóticos pelo resto de suas vidas. No Brasil essa porcentagem só não chega à 100% por que a maioria dos portadores não suportam as elevadas doses de antipsicóticos que são orientados a tomarem. Também tem que se levar em conta o alto número de moradores de rua que são portadores de algum tipo de transtorno mental e não tem acesso ao tratamento.
as reclamações contra o excesso de medicamentos são constantes...

    Voltando ao Brasil, quem parece que são bem tratados são os policiais militares que ficam reclusos nos batalhões. As "cadeias" dos policiais geralmente são confortáveis, como se pode ver nas fotos. Geralmente eles não respondem pelos crimes cometidos como cidadãos comuns, e sim apenas como militares e o máximo que recebem é uma punição administrativa, e em casos mais graves são apenas expulsos da corporação. O policial que matou o Anderson em Santa Catarina, foi afastado e passará por um tratamento psicológico e o seu nome não foi divulgado. Agora, quando um portador de esquizofrenia comete algum tipo de delito, vira manchete nacional e o seu nome é divulgado em todas as emissoras de TV e sites. No caso do atirador de São Paulo, chegaram a entrevistar o cara logo depois dos disparos, dava para ver nitidamente em seu olhar que estava realmente surtado. É uma falta de ética muito grande tentar entrevistar um portador de esquizofrenia em surto, pois o mesmo não tem a mínima condição de dar respostas condizentes com a realidade. Basta digitar no google, "o atirador de São Paulo", que serão encontradas várias imagens e vídeos sobre o caso. Agora, quando cometem algo contra o portador de esquizofrenia, principalmente a polícia, não se sabe nada, o nome do policial não é divulgado e geralmente só os jornais da cidade em que ocorreram o fato é que comentam sobre o ocorrido. Infelizmente a mídia em geral não contribui para esclarecer a população em geral sobre o que é realmente a esquizofrenia. Existem alguns programas na TV que até foram entrevistados psiquiatras falando sobre o tema, mas quem procura esse tipo de programa geralmente tem um nível de informação melhor e maior do que a população em geral.
     Não é raro certas regalias nos presídios da polícia militar:
    "A ex-mulher de um policial militar preso no Batalhão Especial Prisional (BEP) da PM do Rio de Janeiro, denunciou em 2012, regalias, como geladeira, micro-ondas, máquina de assar frango e ar-condicionado. Segundo ela, os agentes responsáveis eram pagos para “facilitar” na hora da revista. Após a denúncia, todos os eletrodomésticos foram retirados por decisão da Justiça."
Fonte:http://www.webarcondicionado.com.br/presidios-com-ar-condicionado-mordomia-ou-uma-forma-de-ressocializacao

algumas cadeias para militares parecem quartos de uma casa..
     E essa situação de violência contra portadores de esquizofrenia não é tão rara assim em Santa Catarina. No link abaixo dá para se ver como a polícia é preparada para lidar com um esquizofrênico:
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/01/14/video-mostra-rapaz-sendo-agredido-por-pms-em-blumenau-sc.htm

O meu caso
    No meu caso em particular, mesmo na fase aguda dos surtos, não cheguei a representar um perigo para a sociedade, pois a minha principal reação era fugir dos inimigos que estavam em minha mente. Mas fui um perigo para mim, chegando a tentar o autoextermínio algumas vezes. Era mais fácil tirar a minha própria vida do que sair eliminando todos que eu imaginava estar contra a minha pessoa. 
    Quando estava perambulando pelas Br's, durante o meu primeiro surto psicótico, cheguei a pedir à um policial rodoviário para que me prendesse:
    - "Pode me prender, sou um réu confesso... - disse, levantando as mãos em punho, para ser algemado. 
    Estava com um sentimento de culpa absurdamente exagerado, chegando a pensar que havia contaminado algumas pessoas com o vírus da aids (quem já leu antigas postagens do blog, já sabe que por alguns anos eu mesmo acreditei em um boato à meu respeito de que estava com aids).
     O policial rodoviário, ao ouvir o meu pedido, apenas riu, achando engraçada aquela situação. Não me perguntou nada, apenas falou de Deus e depois me ofereceu um marmitex, que joguei fora, apesar da fome que estava sentindo. Afinal, estava apenas imaginando que o mundo inteiro estava querendo ver a minha caveira e que a comida estivesse envenenada. 
    Se o policial solicitasse uma ajuda médica naquele momento, talvez poderia ter evitado tudo o que passei durante esse meu primeiro surto grave, afinal fiquei por um período de cinco meses nas ruas de Belo Horizonte, até me recuperar. Mas, pelo que relatam sobre os manicômios, creio que foi melhor esse caminho que segui, apesar de lento e muito sofrido. Talvez piorasse com esse tipo de tratamento que é oferecido nos casos de emergência e pudesse sim reagir com agressividade à uma internação forçada. Costumo dizer que a debilidade física funcionou meio que um sossega leão para mim, pois não me alimentava e ficava andando praticamente o dia inteiro nos primeiros dias. E o remédio principal foi a solidariedade das pessoas, que me fez pensar novamente que nem todos são inimigos e querem nos ver mal.
    Também tive, durante um surto, uma quase experiência não muito agradável com a polícia. Havia saído do emprego em uma cidade do interior de Minas Gerais e estava dormindo em frente de um agência do INSS. Apareceu até ambulância no dia, e a polícia também que, a princípio queria tirar satisfações sobre o fato de eu estar ali dormindo o dia inteiro (também estava tomando diazepan constantemente, para não surtar de vez). A minha sorte é que, antes do policial se aproximar de mim, deu para ouvir uma mulher me defendendo, afirmando que eu era um cara trabalhador e que gostava de praticar esportes. Era uma assistente social, que acabou me levando para um albergue em um outra cidade, onde tive um tratamento psiquiátrico muito melhor. Cidade pequena tem essa desvantagem que pode se tornar algo benéfico: todo mundo conhece todo mundo. E eu era uma pessoa até certo ponto conhecida naquela cidade, e, como sempre fui um cara trabalhador e nunca usei drogas e fui para o mundo do crime, acabei sendo reconhecido pela assistente social, que me ajudou bastante, ao me tirar daquele lugar. 

    Gostaria de dizer que a culpa nestes casos não é exclusivamente da polícia. Como já relatei, se o atendimento na área da saúde mental fosse eficaz e não trouxesse tantas sequelas, provavelmente não haveria tantos casos de internação compulsória por dois motivos:
    1- Com o tratamento adequado e digno, os portadores não teriam recaídas e não iriam abandoná-lo. E, quando cito tratamento, não estou me referindo apenas a administração de antipsicóticos....
   2- E, se o tratamento fosse digno e com qualidade, os próprios portadores não teriam receio de serem internados. Uma amiga minha me relatou que foi abusada sexualmente em um hospital, presa à uma camisa de força na cama... 
     Imagine-se um soldado hoje, no Rio de Janeiro. Você tem que entrar em um local público, desconhecido, cercado de becos e esconderijos. É uma comunidade carente. E você tem que acabar com o tráfico de drogas no local, tem que achar os bandidos naquele monte de casas, tem que trocar tiros com os traficantes, mesmo não tendo uma visão privilegiada do lugar. E não pode errar, tem que acertar somente os traficantes enquanto eles saem disparando fuzis e metralhadoras a esmo, sendo que às vezes essas armas são adquiridas da própria polícia... 
    Por isso, neste post, gostaria de reiterar que a culpa não é somente da polícia, e sim das pessoas que governam o nosso pais, e das condições em que são tratados os portadores de transtornos mentais nos hospitais e clínicas psiquiátricas. Uma amiga minha relatou que, ao visitar o seu filho, os outros portadores foram ao encontro dela, para pedirem um pouco de comida, pois estavam sentindo muita fome. É isso, os políticos desviam o dinheiro público que seria destinado à saúde, e, quando usam, o fazem de maneira não muito certa. E então tudo estoura nas mãos da polícia, para apagar o incêndio provocado pela incompetência e pelos maiores bandidos em nosso país, que são os políticos. O ex comandante do Bope, afirmou que a única instituição do governo que sobe a favela é a tropa de elite. 
    Voltando ao tema internação compulsória, o mínimo que podemos exigir é um preparo dos policiais para estes casos e um tratamento adequado nos hospitais psiquiátricos. Como deve ser esse atendimento? Não sei, não estudei para isso, mas creio que nestes casos, o próprio paciente deve ser ouvido, o que geralmente não acontece em nosso país. Deveria haver um "Diálogo aberto" e verdadeiro entre os profissionais da saúde mental e os portadores de transtornos mentais. 
    Não queremos regalias, não queremos ser tornar inimputáveis para fazer o que bem quisermos sem ser punidos. Queremos apenas olhar no horizonte e enxergar algo que nos incentive a continuar o tratamento para a esquizofrenia, que no Brasil parece não ter fim. A prevenção, neste e em todos os casos ainda é o melhor remédio. Com atendimento digno, não haverá motivo para internações forçadas... 
- Obs: costumo colocar algumas imagens nos posts que escrevo, mas, como é um caso contra um portador de esquizofrenia, o mesmo não foi tão divulgado, o que já não acontece quando um esquizofrênico comente algum delito...

CDE- Central de Downloads do Esquizo
Livro: O poder dos quietos
 
     Cheguei a ler boa parte desse livro, mas, com o desânimo atual que estou tendo, não consegui ir até o final, mas se trata de um bom livro, pois define muito bem o que é uma pessoa tímida e uma pessoa introvertida. 
    No meu caso em particular, creio que fui um tímido até antes de surtar, pois não me conhecia realmente e tinha um certo medo de me envolver com as pessoas e ter certas responsabilidades.
    Mas tudo mudou depois dos surtos, descobri quem sou de verdade e sei a força que posso ter. Hoje sou um fóbico social e um pouco introvertido, pois de uma certa maneira gosto de minha companhia (shasuahsuashs) e fico bem em meu cantinho, convivo bem com os meus pensamentos e não tenho mais medo deles. E você?
    Para fazer o download deste e de outros livros sobre transtornos mentais e comportamento humano, basta acessar a CDE (Central de Downloads do Esquizo) na figura no lado direito da página ou então clicar no link:

Teste: Saiba se você é um introvertido ou tímido
    O introvertido é uma pessoa sensível que se sente confortável tendo a si mesmo como companhia.
   Introvertidos recarregam suas baterias ficando sozinhos; extrovertidos precisam recarregar quando não socializam o suficiente.
Se você ainda não tem certeza de onde se encaixa no espectro introvertido-extrovertido, pode descobrir aqui. Responda a cada questão com “V” (verdadeiro) ou “F” (falso), escolhendo a resposta que lhe é mais frequente.
1. Prefiro conversas individuais a atividades em grupo.
2. Geralmente prefiro me expressar por escrito.
3.  Gosto da solidão.
4. Pareço me importar menos que meus colegas com fama, fortuna e status.
5. Não gosto de jogar conversa fora, mas gosto de tópicos profundos que importam para mim.
6. As pessoas dizem que sou um bom ouvinte.
7. Não gosto muito de correr riscos.
8.  Gosto de trabalhos que me permitam “mergulhar” com poucas interrupções.
9. Gosto de celebrar aniversários de maneira reservada, com apenas um ou dois amigos ou familiares.
10.  As pessoas me definem como alguém “de fala mansa” ou “meigo”.
11. Prefiro não mostrar meu trabalho ou discutir sobre ele com os outros até ter terminado.
12. Não gosto de conflitos.
13.  Trabalho melhor sozinho.
14. Tendo a pensar antes de falar.
15. Sinto-me exaurido depois de estar em público, mesmo que tenha me divertido.
16. Às vezes deixo ligações caírem na caixa postal.
17. Se tivesse que escolher, preferiria passar um fim de semana com absolutamente nada para fazer a um com muitas coisas programadas.
18. Não gosto de fazer muitas coisas ao mesmo tempo.
19. Consigo me concentrar com facilidade.
20. Em situações de sala de aula, prefiro palestras à seminários.
Quanto mais tiver respondido “verdadeiro”, mais introvertido você provavelmente é. Se tiver um número parecido de “verdadeiros” e “falsos”, provavelmente você é um ambivertido
— sim, essa palavra existe.

sábado, 15 de agosto de 2015

Quase um surto...

 
    "Tenho praticamente 14 anos de esquizofrenia", ou pelo menos de surtos, pois sempre me achei um pouco diferente. Os estudos pela internet e a troca de ideias e experiências com os amigos virtuais também portadores me ajudaram muito a conhecer melhor o transtorno da mente dividida. E a própria experiência com a esquizofrenia colabora  para identificar quando o sinal está no laranja, prestes a ficar no vermelho.
    Cada surto que tive teve um fator desencadeante, o stress principalmente.
    O primeiro surto grave foi devido aos boatos que eu tinha aids, e também pelo fato de algumas pessoas realmente estarem contra a minha pessoas. Tinha  um salário melhor do que os outros empregados de uma firma no interior de Minas Gerais, o que gerava um pouco de ciumes.  Mas eu aumentei e muito a realidade, pensando que o mundo inteiro estava querendo o meu fim.
    Não acredito que a esquizofrenia seja apenas um desequilíbrio químico do cérebro, tem o fator psicológico também. As vozes talvez sejam ecos de nossos pensamentos e que nossa mente distorce e aumenta, provocando as crises e surtos.
    Ontem, sexta feira (14;08) tive que voltar novamente a tomar 10mg do "pan nosso de cada dia". Já cheguei a tomar 20mg e também tomei uma vez um remédio para dormir chamado levozine, que é muito forte. De madrugada, não tem como ir ao banheiro, o jeito é comprar um pinico e colocar debaixo da cama, para nos aliviar, pois a sensação que dá é que estamos bêbados e as paredes do local onde morava ficavam pequenas quando tomava esse medicamento. Consegui voltar para os 10mg e já havia um bom tempo tomando apenas 5mg, sonhando um dia em conseguir me livrar desse vício que não nos proporciona um sono verdadeiro, atrapalhando e muito a minha memória.
    Cheguei a procurar psiquiatras pelo SUS perguntando se não teria uma alternativa natural para parar com esse medicamento, mas nenhum me deu algum tipo de informação. Por que o serviço público não oferece alternativas naturais ao invés de aplicarem logo o diazepan, que é uma droga um tanto o quanto viciante? Quando me foi receitado pela primeira vez, o psiquiatra não me informou nada sobre essa dependência de que o diazepan poderia causar, e, que, com o tempo, acabaria perdendo o efeito e teria que aumentar a dose para conseguir o mesmo efeito.
    Por que os médicos não nos informam sobre esse fato? Pensava que iria ter um sono reparador e tranquilo, mas a verdade é que ele apenas ajuda, ou seja, é um indutor do sono. Claro que na época não tinha acesso à todas essas informações. E também não recebemos a bula nos postos de saúde, apenas nos dão as cartelas fora das caixas.
    Mas, voltando ao assunto inicial, eu estava prestes a surtar, ou já estava surtado? Como a maioria já sabe, geralmente só saio de casa para almoçar, e já volto quase que correndo para casa. E passo sempre em uma estação de metrô, onde ocorrem muitos assaltos nas proximidades e as pessoas andam muito temerárias em serem assaltadas, andando com as mãos firmes segurando suas bolsas e os celulares.
    Fico chateado quando uma mulher passa ao meu lado segurando a bolsa, penso que esse gesto é exclusivamente para a minha pessoa. É como se elas estivessem me chamando de ladrão. Pode parecer bobeira, mas não para quem procurou ser honesto e trabalhar enquanto foi possível para se manter. Já cheguei a comer lixo durante os surtos, mas não roubei. Passava em frente das padarias, meu estômago roncava, as lombrigas ficavam agitadas quando eu via os pães de queijo, as tortas e outras guloseimas. Mas entendo a atitude dessas mulheres, hoje em dia estão matando pessoas por causa de um simples celular...
    Mas, a cada dia que passava, sentia-me mais estressado ao passar pela estação do metrô. Andava rápido para chegar logo ao restaurante, almoçava rapidamente e voltava mais rapidamente ainda. O fato de andar rápido provavelmente faz com que as mulheres pensam que eu esteja a procurar alguma vítima para roubar.
    Era como se fosse acusado por todos os lados. Ao entrar na padaria, nos supermercados, a sensação de que eu estava sendo vigiado era além do normal, já que realmente somos vigiados, pois hoje em dia qualquer supermercado tem o seu sistema de vigilância. Enfim, só tinha paz quando voltava para o meu quarto.
   O surto é como se fosse uma dinamite. Tem o seu pavio. E o meu estava queimando rapidamente e quase estourou essa bomba chamada esquizofrenia. Tenho um pouco consciência de quem eu sou em condições normais e cheguei à conclusão de que, se continuasse daquele jeito, iria surtar a qualquer momento. Toda a minha musculatura estava dolorida, não conseguia relaxar e nem praticar esportes. De noite dava para sentir a pulsação na ponta dos dedos das mãos. Não estava conseguindo realizar as tarefas normalmente, estava esquecendo o local onde havia colocado as ferramentas (tive que refazer as instalações elétricas, pois mudei para um quarto maior). Foi difícil fazer a parte elétrica, deixava a chave de fenda na cama e logo depois esquecia onde havia colocado. Cheguei a pensar que estava ficando demente ou esclerosado, sei lá, quase que marquei uma consulta por causa desse fato.
    Então vi que teria que tomar um remédio mais forte para apagar. Havia marcado de tomar um comprimido de clorpromazina juntamente com o fenergan, nesta noite de sábado (15;08) para domingo, já que neste dia costumo almoçar tarde. Mas ontem resolvi tomar 10mg de diazepan juntamente com um comprimido de dorflex para relaxar a musculatura. Dormi razoavelmente bem, acordei sem as dores musculares e com a mente "no lugar".  A falta de sono também pode ser um gatilho para a esquizofrenia...
    Hoje, fui tranquilamente buscar o marmitex, comprei algumas frutas, e sem aquela costumeira pressa para chegar em casa. Continuei a fazer as minhas gambiarras no meu quarto e não estava mais esquecendo onde havia guardado as ferramentas. Que alívio, não estou ficando demente ou esclerosado! É o stress, que se não for bem cuidado, pode fazer sérios estragos na vida de uma pessoa
    Mas não podemos tomar dorflex todos os dias, pois pode prejudicar o nosso organismo, principalmente o fígado e os rins.
    Com o quarto maior, agora posso fazer os meus exercícios sem precisar sair de casa. Ir ao parque também estava sendo um fator de stress para mim. Pensava que, por estar mal fisicamente, poderia estar ingerindo alguma coisa envenenada ou falsificada, sei lá. O parque ecológico é bem agradável, com muitas árvores e aqueles aparelhos para se exercitar. Mas sempre tem gente por lá, e ainda tem aqueles que ficam sentados nos aparelhos apenas para conversar, e ai tenho que pedir com a maior educação para que saiam e que eu possa usá-los.
o dorflex pode ser bom no começo...

    Mas e aí, o que fazer então? Sinceramente não sei, vou ver se consigo a valeriana em algum lugar. A caixa deve custar uns 35 reais, o que pode pesar um pouquinho no orçamento, mas se me fizer livrar do diazepan e o sono melhorar pelo menos um pouco, já vai valer a pena.
    Por isso volto a aconselhar a quem pensa em tomar um desses "pans" da vida: o medicamento não irá resolver os nossos problemas, pagar as nossas contas. Só use em último caso, e não era o meu caso. Não dormia bem, mas também não ficava a noite inteira acordado, dormia pouco apenas. Confesso que acordava melhor sem o remédio, piorei e muito com o uso dos medicamentos. Mais vale duas horas de sono natural do que dez horas com o diazepan... Creio que maracujá e chás não irão fazer muito efeito para quem se acostumou com esses medicamentos. Mas não quero surtar novamente, gostaria de ter uma vida normal, ir aos shows, andar pelas ruas tranquilamente como antes, mas não sei o que fazer. Se não tomo os medicamentos, as paranoias me tornam um ser antissocial, mas, se tomo os remédios indicados pelos psiquiatras, simplesmente não tenho vontade de fazer nada, é como se fosse uma lobotomia química, pelo menos no meu caso.
    Voltei a tomar o ômega 3. Vamos ver se volto à estabilidade. Também preciso abaixar os triglicerídeos, que, no último exame estavam em 480mg. Nem deixei o médico citar a palavra sinvastatina quando viu o meu exame, fui logo dizendo que iria mudar os meus hábitos e tomar os ácidos graxos. A sinvastatina também faz mal para a saúde, se for tomada por um longo período.
    Não sei o que fazer mesmo, creio que o jeito é ficar de olho no pavio da esquizofrenia enquanto não tomo os antipsicóticos continuamente. Quando perceber que o pavio está se aproximando da dinamite, volto a recorrer ao dorflex ou então à "Clô" (clorpromazina).
     Minha relação com a esquizofrenia e os medicamentos é essa, não estou aqui querendo que os outros portadores façam a mesma coisa. Cada esquizofrenia, mesmo sendo a do mesmo tipo, tem as suas diferenças de indivíduo para indivíduo. A minha é essa, creio que uma junção de fatores biológicos, genéticos e psicológicos. Cada um tem a sua esquizofrenia e alguns realmente optam pelos medicamentos pois sabem que não podem ficar sem eles, que não têm outras alternativas.
    E assim vou levando a vida, sendo o meu próprio psiquiatra e psicólogo...

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Sem limites

    Passei praticamente o final de semana inteiro em frente do meu notebook. No sábado (01/08) formatei-o para o mais novo sistema operacional da microsoft: o Windows 10!
    Pode parecer algo banal, rotineiro, comum, para a maioria das pessoas. Mas no meu caso em particular, não é. Para quem era avesso à tecnologia isso é um grande avanço... Olhava as pessoas digitando com a maior rapidez sem olhar no teclado e ficava admirado como que conseguiam fazer esta "proeza"...
    Até os meus 40 anos, nunca havia encostado um dedo sequer em uma tecla de um computador e nunca tive um celular. Era (e ainda sou) social ao extremo, quem quisesse falar comigo que me procurasse onde eu estivesse, geralmente no trabalho ou no meu quarto. Tinha medo de encostar um dedo em uma tecla de computador, com receio de que pudesse estragar o equipamento.
    A minha relação com a tecnologia era apenas no trabalho, como operador de som. Por gostar muito de música, era um prazer fuçar nos aparelhos até aprender a usá-los da melhor maneira. Ficava mexendo nos efeitos, achava legal transformar a voz da pessoa na de um robô, por exemplo. Mas detestava equipamentos eletrônicos para uso pessoal. Confesso que ficava surpreso e até admirado quando uma pessoa atendia o celular já dizendo o nome de quem estava do outro lado da linha.
    - Como que ele adivinhou quem estava chamando? - me perguntei quando vi pela primeira vez uma pessoa falando o nome de quem estava chamando logo de início.
    Mas depois que me aposentei comecei a conhecer um pouco o mundo da tecnologia, por falta de opção mesmo do que fazer. Depois que consegui o auxílio doença, no ano de 2005, fiquei feliz e aliviado de início, pois o contato com outras pessoas passou a ser um fator de stress para mim. Mas, com o passar do tempo, o tédio se instalou em minha vida. Era uma rotina mais do que sem graça, apenas saia de casa para almoçar no restaurante popular da cidade. Só sei fazer ovo cozido e miojo. Ah! E brigadeiro também...
    Tinha que dar algum sentido para a minha vida, viver daquele jeito não dava mesmo. E então resolvi me fazer um desafio, que na época realmente era um grande desafio: aprender a usar o computador!
    Confesso que fiquei com medo de passar vergonha na sala de aula de informática. A maioria das cadeiras eram ocupadas por alunos jovens, na faixa de vinte anos, alguns com cara de nerd's. Também havia uma grande dúvida em minha mente: queria saber se a esquizofrenia havia afetado a minha capacidade de raciocinar e adquirir novos conhecimentos. Enfim, queria saber se a esquizofrenia havia me "emburrecido" ainda mais.
    Mas que nada! Com um pouco de esforço e sacrifício, aprendi a digitar com as duas mãos e sem olhar para o teclado. Entrei na aula de digitação umas cinco aulas atrasado em relação aos demais alunos, mas, ficando no curso na parte da manhã e de tarde, rapidamente alcancei a maioria dos alunos e até terminei os exercícios antes de algumas pessoas. Havia dias que ficava enxergando aquelas estrelinhas (bolinhas brancas) de tanto stress que a aula de digitação me dava. Tínhamos que digitar textos completos em um certo período de tempo. Não podíamos atrasar um segundo sequer...
    E depois veio a aula de informática. Muito medo no início, muitos caras novos e com cara de nerd. Eu era o cara mais velho da turma, na época com 40 anos. Logo na primeira aula me destaquei, respondendo à maioria das perguntas que a professora nos fazia. Achava estranho aquele método de dar aulas dela, pois fazia muitas perguntas, talvez para que a aula se tornasse mais dinâmica, chamando a participação dos alunos. No dia das provas os alunos só faltavam brigar para se sentarem ao meu lado, a fim de pegar uma colinha. O diploma daquela escola era bem reconhecido na cidade.
    Tirei notas máximas, as questões eram fáceis para quem entendia do assunto, mas para quem era leigo tinha um certo nível de dificuldade, pois era um mundo totalmente desconhecido para mim. Não cheguei a terminar o curso, pois já estava satisfeito comigo mesmo, era capaz de usar um computador e cheguei à conclusão de que a esquizofrenia não havia abalado a minha capacidade de raciocínio e de memorizar. Isso valia mais do que qualquer diploma!
    E então, neste último sábado, me fiz um outro desafio, que morria de medo de fazer: formatar um computador! Afinal, não tinha um outro equipamento reserva, e qualquer erro poderia dar em merda e aí teria que pagar uma pessoa para formatar o meu notebook. Depois de assistir algumas vídeo aulas no youtube e consultar o Dr. Google, resolvi fazer o desafio. Sem maiores dificuldades, consegui formatar com sucesso o notebook com o windows 10 e instalar os programas necessários Até que não é difícil, mas várias pessoas relataram na internet que tiveram problemas em fazer esta atualização.
http://www.tudocelular.com/windows/noticias/n58501/windows-10-falhas-atualizacao.html
meu amigo note... ele é CCE mas é meu amigo...

    Meus olhos ficaram vermelhos e ardendo durante a instalação, que durou mais ou menos uma hora, pois sequer pisquei os meus olhos durante o processo. Fiquei tenso e com um pouco de medo. Cheguei a pensar até em comprar um notebook usado para aprender a formatar computadores. Não poderia de jeito nenhum dar problema nesta instalação, o aluguel do meu quarto consome a maior parte do salário e não queria pagar um técnico para fazer este serviço.
    E fiquei o final de semana inteiro colado no notebook, conhecendo e testando a novidade da microsoft. Não irei comentar se é bom ou não, se é melhor do que as versões anteriores, pois este não é o intuito do blog. Mas no geral, achei bom e interessante. É uma mistura do windows 7 com o 8, pois a versão 8 não foi muito bem aceita pela maioria dos usuários.
saiu a "última versão final" do windows 10
    Pode parecer um fato normal, mas esse simples fato de formatar com sucesso o notebook para mim é uma vitória. Havia colocado limites em minha mente, de que não era capaz de usar um computador e muito menos de instalar um sistema operacional. Me lembro que, depois que consegui o auxílio doença, tinha medo de sacar o meu pagamento no caixa eletrônico. Pedia para as pessoas sacarem o dinheiro, apenas digitava a senha. Pensava que poderia ocorrer algum problema e o caixa "engolir" a minha grana. Somente no quarto mês é que resolvi arriscar e consegui sacar o dinheiro, perdendo o medo daquela máquina.
    Queria aprender muito mais. Exercitar a mente, aprender coisas novas, fazer cursos... Conviver com as pessoas nas salas de aula é uma ótima terapia. Mas infelizmente em Belo Horizonte os portadores de esquizofrenia não têm direito ao passe livre. Somente os que tem déficit mental incapacitante, e a pessoa não pode ir sozinha na perícia. Oras, se a esquizofrenia leva a pessoa ao isolamento, como iria arrumar uma companhia? Poderia muito bem arrumar alguma pessoa, fingir que era dependente dela, mas não sei mentir desta forma. Até nas perícias do INSS eu ia sozinho e não procurava "dar uma de doido" para conseguir o benefício. Apenas respondia com sinceridade ao que era me perguntado,
   Em Ipatinga as coisas eram mais simples, tinha o passe livre e fiz alguns cursos. Meu passe livre em Belo Horizonte foi negado, depois de oito meses de espera.Em São Paulo quem usa os serviços do CAPS tem o direito ao benefício, é só ir com a documentação e o laudo nas subprefeituras. Tenho que arrumar uma alternativa para esta minha vida, fica difícil ser feliz com essa vida que levo, sem fazer nada, o dia inteiro no notebook e na televisão. Os profissionais da saúde mental na capital mineira deveriam repensar esta situação, pois os usuários do serviço só ganham vales transporte para irem aos Cersam's, que são como os Caps em outras cidades. O que frequentei não tinha nada para se fazer, os usuários apenas ficavam o dia inteiro sentados nas cadeiras e poltronas e assistindo televisão. Creio que o tratamento deveria ser algo além da medicação.
    Impor limites é um dos piores castigos que podemos dar à nós mesmos...

sábado, 25 de julho de 2015

De perto todo mundo é louco...

                                                          Filme O grande mentecapto
    Sinopse
    Geraldo Viramundo (Diogo Vilela) é um cara simpático e com ideias absurdas. Genial e/ ou insano, ele decide abandonar a sua pequena cidade em Minas Gerais e ganhar o mundo. Seu objetivo é desestabilizar o sistema e seus cúmplices são as prostitutas e os desvalidos.
   
   Há uns dez dias atrás assisti esse maravilhoso filme, baseado no romance do grande escritor Fernando Sabino. Sou suspeito para comentar filmes nacionais, pois até os considerados ruins pela maioria eu curto. E, para melhorar ainda, aborda o tema loucura. Não tinha como deixar de comentar, pois desde o início do filme me identifiquei e muito com o personagem principal do filme.
   Desde pequeno já tinha as minhas maluquices, sendo que por volta dos sete anos a minha avó chegou a me levar para um hospital, a fim de fazer um eletroencefalograma na minha caixola. Esse exame provavelmente não resultou em nada, pois não fui levado à nenhum profissional que cuida de nossas loucuras e demências. A verdade é que o tipo de loucura que eu tinha não era detectada e nunca vai ser por simples ondas elétricas...
   Era um garoto alegre, triste, bagunceiro, sem noção, despreocupado e que desconhecia a palavra medo. Quando criança me enturmava com os adolescentes da época e me lembro de um cara sacana que, ao atravessar a movimentada avenida Amazonas, em Belo Horizonte, deu uma corrida e me deixou no meio dos carros. Tive o sangue frio de ficar parado, para me desviar dos carros e deixar que os motoristas se desviassem de mim. Sabia que, caso corresse, poderia ser atropelado com mais facilidade. O cara, ao me ver chegar no outro lado da avenida, disse que ficou impressionado com a minha coragem. E eu fiquei impressionado com tamanha sacanagem.
    Mas quando comecei a virar adolescente comecei a me enturmar com as crianças de oito e dez anos de idade. Não saia do prédio vizinho, para ficar o dia inteiro brincando de futebol, de "esconde esconde", queimada, war e banco imobiliário. E de noite roubar mangas do vizinho, apesar que de eles nos dava um saco enorme na época dessa fruta, mas sabe como é né? O prazer e a delícia está em provar algo de uma aventura....

    E não tinha medo de nada mesmo. Me lembro até hoje que meus colegas, por acidente, colocaram fogo em um fusquinha que estava estacionado na pracinha que ficava em frente de nossa casa, no bairro prado, em Belo Horizonte. Eles estavam soltando bombinhas (cabeça de nego, pra falar a verdade) e um deles deixou cair um palito de fósforo bem em cima da gasolina que estava vazando do veículo. Imediatamente parte do carro começou a pegar fogo e todo mundo saiu correndo, cada um para sua casa, menos eu. Talvez eles tivessem pensado que o carro iria se explodir, como acontece nos filmes. Eu, não sei se por sangue frio ou por retardadice mesmo, fiquei ali parado, por alguns segundo, pensando no que poderia fazer. Não sei como mantive a calma e a serenidade naquela situação, mas, depois de algum tempo corri para a casa de um amigo que e disse o ocorrido. Rapidamente apareceram pessoas de todos os lados, com baldes na mão e o fogo foi debelado e o carro não explodiu como nos filmes da época. A culpa acabou sendo minha, como sempre. Afinal eu era o capetinha da rua, e tudo de ruim que acontecia por lá era culpa minha.

    Mas, vamos voltar ao filme, pois se for para contar as minhas estripulias de criança teria que escrever um livro inteiro...
    Assim como Giramundo, sai de casa cedo para viajar por ai, em busca de algo que não sabia exatamente o que era. Estava dentro de mim, não ficar em um local fixo, não ter compromissos sérios. Comecei então a trabalhar como operador de som, aos 17 anos, apesar de ter estudado eletrônica por quase quatro anos...
    Me lembro que recusei dois estágios na área de eletrônica por não querer cortar o cabelo. Havia trabalhado alguns meses como ajudante de serviços gerais em uma oficina de compressores, mas não me enquadrei naquele estilo de vida. E também dizia o que pensava, inclusive para o patrão:
    - Júlio, qual é o código do parafuso do compressor da marca tal? - perguntou o patrão.
    - Sei lá, se o senhor, que trabalha com isso há mais de trinta anos não sabe, eu que vou saber? - respondi, prontamente, e mais prontamente ainda fui despedido...
    E depois trabalhei 17 anos de minha vida como operador de som e, assim como Giramundo, andando pelos quatro cantos de Minas Gerais. E não conseguia permanecer por mais de um ano em uma mesma empresa. Tinha a necessidade de conhecer novos lugares e pessoas. Também como o personagem principal do filme, pensei em ser padre. Era uma forma de escapismo social, mas não conseguia me enxergar realizando uma missa, falando para um monte de gente, e não sendo um santo. Na minha cabeça, para ser padre tinha que ser santo, ou pelo menos tentar ser...
    E, mesmo depois de me aposentar, continuei com as minhas andanças, depois de morar por quase oito anos em um mesmo local, que foi dominado pelos "crackudos". Não por que eu tinha medo deles, mas certo dia quase fui dessa para outra ao discutir com um viciado em crack. Não gosto de confusão e brigas, mas os caras quando são dominados por essa droga chegam a ficar insuportáveis, e eu estava morando no meio de um monte deles. O aluguel era barato, o meu quarto era muito bom, mas a paz e a liberdade, que são as coisas mais importantes para mim, já não tinha mais. Era a hora de sair por ai para conhecer novos lugares...
eu, minha barraca, minha mochila e Deus... 

    As minhas andanças duraram cerca de dois anos, queria continuar por mais um tempo, para conhecer o Brasil inteiro, esse país maravilhoso com um povo mais maravilhoso ainda. Mas posso ser louco, mas não sou irresponsável e procuro respeitar as pessoas. O que me fez desistir por enquanto das andanças foi a violência que está tomando conta das grandes cidades e também a questão da higiene. Durante esse período, roubaram o meu celular e quase levaram o meu notebook. Nas viagens e mesmo quando ficava dando um tempo em Belo Horizonte, confesso que já tive que urinar algumas vezes nas ruas. Não acho isso legal, se eu tivesse um filho não gostaria que ele visse uma cena dessas. Bebo muita água e, consequentemente vou ao banheiro também com mais frequência do que a maioria das pessoas.  Então, por uma questão de coerência, resolvi voltar a ficar no meu cantinho novamente. Mas confesso que o tédio à todo momento me dá uma inquietação e vira e mexe me pego sonhando percorrendo os caminhos da estrada real, em Minas Gerais.
    Meu cabelo é esquisito, as pessoas provavelmente me acham esquisito, mas hoje em dia não dou bola para o que pensam de mim. Quando passei a dar importância para esse fato, foi o momento em que enlouqueci de verdade, e não foi a loucura positiva, foi a piração total, as paranoias e o sentimento de que o mundo estava contra mim. Em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais as pessoas diziam que eu tinha aids, que eu tinha pacto com o tinhoso, entre outras coisas mais. Hoje sei que a culpa desses boatos não foi minha, pois, como já disse, morei em diversas cidades e não tive nenhum tipo de problema parecido em nenhuma delas, somente nesta cidade...
    Então não aguentei aquela realidade tão suja, tão covarde, e surtei. Passei por maus bocados e quase fui dessa para outra, mas, hoje, agradeço ao povo daquela "província" por terem me enlouquecido, pois, foi a partir daquele momento que começou o meu processo de autoconhecimento. Foi um duro processo, que valeu a pena em certos aspectos, pois hoje eu sei quem eu sou de verdade.
   Esse texto que recebi em um ônibus parece que foi coisa de lá de cima:
http://memoriasdeumesquizofrenico.blogspot.com.br/2012/07/o-louco.html
    Hoje não tenho vergonha nenhuma de dizer que sou um louco: louco pela vida, pela natureza, por um amor platônico que sei que nunca irá se concretizar, pois sei que não existe nenhuma louca como eu. É a louca que idealizo e que prefiro mantê-la intacta em meus sonhos. E, para mim o verdadeiro sinônimo de loucura é coragem, a coragem de falar o que se sente e o que se pensa, de ser o que é e pronto...
    Cada um tem dentro de si suas loucuras e seus desejos quase secretos. A diferença é que a maioria não dão vazão à toda essa loucura, pois preferem ser certinhos e se enquadrarem dentro dos padrões da nossa sociedade.
    Sou louco por dizer o que sinto, e por agir de acordo com os meus princípios, mesmo sabendo que não terei grandes oportunidades na vida sendo desse jeito. Não era um cara lindo, mas deixei muitas oportunidades de ter alguns relacionamentos, pelo simples fato de saber que o que mais prezo no mundo e a liberdade, não só de ir e vir, mas principalmente de ser eu mesmo.
    Prefiro as pessoas loucas, imprevisíveis. Não quero um ser moldado pela sociedade e que sei exatamente quais serão as suas reações e atitudes. A solidão é muito melhor....
    Ser louco não quer dizer irresponsabilidade, só pelo fato de não me apegar a certas situações e comodidades. Cuido da minha saúde, dentro das minhas possibilidades, mas não deixo de apreciar um bom x-tudo com bacon e um bom brigadeiro ou então um delicioso pudim de leite e os quitutes da culinária mineira.
frustrada tentativa de fazer uma palha italiana, mas, apesar do visual, o negócio ficou gostoso...

    Cumpro com os meus deveres e pago as minhas contas, com o dinheiro que recebo de minha aposentadoria. Muitos acham que tenho uma vida boa, mas garanto que eles não iriam topar receber um salário mínimo de aposentadoria caso precisassem de passar por tudo o que passei. Nem eu toparia, se isso fosse colocado como "prêmio" por passar no teste da loucura paranoica. Nem se fosse por dois salários mínimos. A verdade é que não estando surtado, não conseguiria andar por tanto tempo sem me alimentar e me hidratar. Não tem como... de verdade mesmo. Parece que, quando estamos surtados, a adrenalina ou a dopamina aumentam tanto que nos permitem fazer estas coisas que normalmente não conseguiríamos fazer.
    Às vezes quem não vai com a minha cara, joga uma indireta ou até uma direta mesmo, me chamando de louco, doido, etc, pois essa é a única coisa que conseguem enxergar em mim. Não sei qual é o pecado ficar quieto em seu canto e não conversar com ninguém. Se isso gera antipatia, não posso fazer nada, as pessoas deveriam se preocupar mais com quem fala muito e mentiras.
    Mas, se por acaso alguém queira me ofender, que me chamem de normal....


sábado, 18 de julho de 2015

Divagações esquizofrênicas 10

maquete da futura rodoviária de Belo Horizonte
    Finalmente os órgãos competentes irão remover todo o lixo e o matagal que tomaram conta da área em que será construída a nova rodoviária de Belo Horizonte.
    O local está perigoso de se andar, devido à presença de meliantes. Há algumas semanas atrás tive que intervir em uma tentativa de assalto: dois caras, sendo um deles armado, tentaram roubar o celular de um cara que aparentava não mais de 18 anos. Intervi por que senti que a arma provavelmente era uma réplica. Não entendo muito de armas, mas pude perceber isso pela expressão de medo do assaltante ao me ver, pois estava indo em sua direção à fim de acabar com aquela cena. Mas, analisando o fato depois de algum tempo, vi que havia arriscado a minha própria vida. Já pensou se a arma fosse de verdade? Este ano em Belo Horizonte já mataram duas pessoas que reagiram à roubos de celulares. Mas a verdade é que os caras saíram correndo, ao me verem, acho que perceberam a minha expressão de raiva, sei lá. Só sei que estou cansado de tudo o que está acontecendo, os roubos, o medo que as pessoas vivem andando nas ruas. O pior de tudo é que o garoto nem me agradeceu, foi embora, enquanto eu olhava os meliantes evadirem do local. E não é que pensei em correr atrás deles? Só que os caras aparentavam uns 25 anos de idade e provavelmente com os meus 46 anos não conseguiria alcançá-los. Mas será que o garoto pensou que eu também fosse um assaltante? Tipo querendo dizer para os meliantes que aquela área era só minha e portanto só eu quem poderia assaltar por ali?
    Realmente há muito mato no local, só não tirei alguma fotos ou filmei por que os usuários de crack poderiam imaginar que eu estava filmando-os. Essas drogas causam paranoias, como a mania de perseguição, assim como na esquizofrenia. Por isso entendo um pouco a reação deles. A diferença é que eu não pedi para ter esse tipo de transtorno, só experimentei maconha três vezes em toda a minha vida. Mas os usuários de crack chegam a pensar que estamos telefonando para a polícia, caso nos vejam usando um celular perto deles.
o lixo e o mato tomaram conta do local...
    As mulheres hoje em dia andam pelas ruas assustadas, segurando suas bolsas com firmeza. Fico chateado quando elas fazem esse gesto ao me verem. Tenho o costume de andar rápido e à passos largos, para chegar rápido em casa. Talvez esse fato, aliado à paranoia coletiva que toma conta da cidade, faça com que elas façam esse gesto ao me verem. E isso é como se elas estivessem me chamando de ladrão, dente outras coisas. Quando uma mulher passa ao meu lado e não segura a bolsa, chego a ficar tão feliz que quase agradeço em voz alta por não suspeitarem de minha pessoa. Não ando totalmente desarrumado, mas também não ando de terno e gravata...
    Sei que a culpa de tudo isso não é minha. Como disse, é uma paranoia coletiva, todo mundo está com medo de todo mundo. Até que se eu cortasse o cabelo, fizesse a barba com frequência e andasse de terno e gravata e segurando uma bela pasta de couro legítimo, as mulheres talvez pensassem que eu não seja um ladrão. Mas ai surgiria um outro problema: andar tão elegantemente assim chamaria a atenção dos meliantes e eu seria uma potencial vítima dessas pessoas que fazem de tudo para manter os seus vícios ou simplesmente querem comprar roupas de marca.
    Às vezes chego à pensar em morar em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais, na roça mesmo. Montar uma casa de madeira perto de uma cachoeira e comprar uma bicicleta para comprar as "coisas de comê" na cidade...
    Fico triste à cada vez que uma mulher segura uma bolsa ao me ver, é como ser confundido com um ladrão. Trabalhei 17 anos de minha vida como operador de som, sempre paguei as minhas contas e hoje só devo para um banco. Afinal é isso que essas instituições querem: nos endividar para cobrar juros altíssimos.... Mas não gosto de ficar devendo às pessoas.
    Um certo banco faz com que os aposentados assinem cerca de sete folhas, quando vão pegar o primeiro pagamento e fazer o cartão da conta salário. Eu cai nesse golpe. Não por que estava com preguiça de ler, é que o meu vocabulário jurídico não é dos melhores... Depois de um mês é que fiquei sabendo que havia contratado um seguro de vida e aberto uma conta corrente. O seguro de vida cancelei no primeiro mês, depois de inúmeras ligações. Já a conta corrente só fui descobrir três meses depois, pois na época tinha vários empréstimos pequenos e não percebi a diferença na hora de receber o pagamento. Menor que os empréstimos era a letra que mostrava a mensalidade da conta corrente.
Fui no Procon, mas perdi a causa, pelo simples fato de ter assinado aquelas malditas folhas. E ainda tive que ver o advogado do banco dar um sorrisinho sarcástico. Foi complicada aquela audiência, o advogado que me defendia me avisou que eu não poderia falar nada, e que não me exaltasse. Tive que me segurar ao máximo, pois o advogado também poderia ser preso...
    Mas, voltando à limpeza da área da futura rodoviária, espero que não só limpem o lixo e o mato, como também melhorem o policiamento no local. Queremos que apenas o progresso avance, e não a violência....
       Tenho consciência de que esse medo da população é generalizado, e não é especifico sobre a minha pessoa. Mas confesso que muitas vezes chego a pensar que colocaram na televisão a minha foto afirmando que, pelo fato de ser esquizofrênico, eu seja uma pessoa perigosa... É a mente dividida entre a realidade e a fantasia... Também o fato de andar um pouco mais rápido do que o restante da população pode causar um pouco esse medo.
    Mas, como já disse várias vezes, ter consciência da situação problemática ajuda muito, mas não resolve. Se pudesse fazer uma limpeza na minha mente, como em um HD, seria ótimo: removeria os arquivos e lembranças inúteis, tudo de negativo que aconteceu em minha vida e só manteria as lembranças boas. Mas não somos máquinas, e, para esquecer a realidade as pessoas geralmente tomam "umas" ou então apelam para as drogas, tantos as ilícitas como as lícitas....
    As ilícitas, nem cogito em usar, já me ofereceram algumas vezes, principalmente nesses dois anos de andanças, Já chegaram a falar que o crack não vicia, que podemos parar quando quisermos. Mas não aceitei e nunca irei experimentar. A maconha, apesar de muitos a defenderem, também não penso em usar. Já vi usuários dessa droga que não tem nenhum tipo de transtorno mental, mas conheço portadores de esquizofrenia que relataram que os surtos começaram após o uso dessa erva. Na minha humilde opinião, acho que essa droga em si não causa as paranoias, só nas pessoas que tem a tendência a ter algum tipo de transtorno mental. Essa é a única explicação que encontrei para o fato de alguns não terem nenhum problema ao consumir a erva e já outras pessoas terem desenvolvido a esquizofrenia e outros transtornos mentais, principalmente a esquizofrenia. Por meio das dúvidas, prefiro não experimentar, quero preservar os poucos neurônios que me restam...
    Já as drogas lícitas (antipsicóticos) experimentei várias, e no meu caso em particular, não adiantaram muita coisa. Se por um lado as paranoias sumiram, também com elas se foram a vontade de viver e até mesmo de acordar para almoçar. Difícil de achar um caminho do meio, um equilíbrio nesta situação. Mas não desisto, ainda irei encontrar uma solução para viver em paz....

Cloreto de magnésio
   Outro dia recebi um email em que uma pessoa me pedia mais informações sobre o "remédio" contra a esquizofrenia chamado cloreto de magnésio. Como já disse em outros posts, o blog não é somente sobre esquizofrenia. É sobre o que se passa na mente de um cara que tem o problema. Costumo dizer que não sou esquizofrênico, e sim um portador de esquizofrenia, que tem o seu jeito de ser e pensar únicos. Cada portador tem a sua individualidade, claro que alguns sintomas nos fazem parecer iguais, mas não é bem assim. Mas o cloreto de magnésio, como expliquei nos posts não é para a esquizofrenia, se bem que senti uma melhora nos sintomas negativos. Mas as paranoias continuam. Postei links e passei o maior número de informação possível sobre este mineral, que é essencial em nossas vidas e, devido aos agrotóxicos, as frutas e verduras atualmente não estão sendo boas fontes de magnésio. Já o ômega 3 é bem recomendado, tanto para quem tem esquizofrenia como para os "ditos normais"....
     Confesso que já desisti dos medicamentos antipsicóticos. Sinto que eles tratam apenas os sintomas, e não a causa da esquizofrenia, se é que existe uma única causa.... É algo parecido que ocorre na dengue. Quando somos infectados, tomamos paracetamol, que é para aliviar as dores de cabeça e as dores que sentimos pelo corpo. O paracetamol não trata e não mata os vírus da dengue, apenas aliviam os sintomas. Os antipsicóticos apenas diminuem a dopamina no organismo da pessoa, o que as deixam dopadas, sonolentas e sem motivação. A dopamina é necessária, mas na medida certa. Ela é a substância da motivação, da vontade de realizar coisas. Confira no link abaixo:
    Para que estejamos bem, todas essas substâncias tem que estar na medida certa em nossos organismos. Mas vou tentar me exercitar, me alimentar bem, ter hábitos saudáveis, enfim, alternativas. Não quero depender de medicamentos para o resto de minha vida. Talvez uma dessas alternativas funcione como um placebo, assim como aconteceu na primeira vez que usei a fluoxetina (prozac) que na época era considerada a pílula da felicidade. Realmente eu estava acreditando que estava tomando uma pílula milagrosa e me senti muito eufórico nos primeiros dias. Era só tomar e pronto... Mas depois de algum tempo as coisas voltaram ao normal.... 

 CDE - Central de Downloads do Esquizo
    Esta semana estou disponibilizando o livro "Feliz Ano Velho", que li na década de 80. É sobre a vida de um cara, que, por uma cagada, resolveu dar um mergulho em uma cachoeira rasa e acabou ficando tetraplégico. O cara relatou todo o seu sofrimento e angústia depois do acidente de uma maneira simples e até bem humorada, o que influenciou um pouco a minha maneira de escrever e ser também. Estudava na época em um colégio de freiras, tinha uns treze anos, mais ou menos. Antes só havia lido Machado de Assim e companhia. Confesso que até fiquei assustado ao ler e saber que era permitido escrever pequenos palavrões em livros. O colégio tinha suas normas, me lembro que até cheguei a passar mal no dia da minha primeira comunhão. Os meus colegas de classe ficavam falando que quem não contasse todos os pecados para o padre, a hóstia iria se transformar em sangue dentro de nossas bocas. Fiquei com febre, suei frio naquele dia, quase caguei nas calças para falar a verdade. Eram muitos pecados para serem contados, pensei até em anotar tudo em uma folha de papel, tamanho era o meu medo. Mas, no final acabei apenas contando uns pecadinhos para o padre, que me mandou rezar dez ave marias e dez pai nossos. 

  Livro: Feliz ano velho
  Autor: Marcelo Rubens Paiva
     Publicado originalmente em 1982, esse livro é um relato do acidente que deixou Marcelo Rubens Paiva tetraplégico, poucos dias antes do natal de 1979. Jovem paulista de classe média alta, vida boa, muitas namoradas, ele vê sua vida se transformar num pesadelo em questão de segundos. Durante um passeio com um grupo de amigos, Marcelo resolve dar um mergulho em um lago. Meio metro de profundidade. Uma vértebra quebrada. O corpo não responde. Começa ali, naquele mergulho, a história de "Feliz Ano Velho." Apesar do tema trágico, o livro tem momentos de humor, ternura e erotismo. Marcelo se encarrega de colocar em palavras a relação de amor e respeito à mãe, o carinho das irmãs, a camaradagem e o encorajamento da turma, as festas e fantasias sexuais.

     Até hoje, com três anos de blog e quase 250 postagens, confesso que recebi praticamente só elogios. Poucas críticas. Algumas delas procurei tirar proveito e lições, outras nem dei atenção, pois não é difícil descobrir quando a pessoa só quer te deixar para baixo. Já cheguei a receber críticas no facebook de algumas pessoas por fingir que tenho esquizofrenia, por brincar com algo tão sério que é esse transtorno. Realmente concordo, a esquizofrenia é um transtorno complicado, incapacitante até em alguns casos. Mas aprendi na vida que não vale a pena ficar só se lamentando pelo ocorrido. Claro que temos que ficar tristes pelo ocorrido, frustrados, revoltados até. Mas também devemos tentar levar as coisas de uma maneira mais leve e tirar lições que a vida nos ensina. No meu caso, chego até à brincar, dizendo que irei processar a baygon por propaganda enganosa, pois o veneno que tomei deste laboratório não adiantou em nada, como podem ver. 
   Brinco com outras situações também pelas quais passei, afinal, o pior passou, claro que ainda os sintomas negativos e as paranoias atrapalham e muito, mas poderia ter sido muito pior.
    Para acessar a CDE e baixar este e outros livros é só clicar na imagem no lado direito da página (parte de cima). 

Postagem crentofóbica?
    Por falar em polêmica e falta de compreensão, gostaria de dizer que a minha intenção no último post não foi ofender de nenhuma forma os verdadeiros evangélicos. A postagem foi simples, como sempre costumo fazer. Só tentei dizer, que existem os crentes fanáticos que se acham melhores do que todos, e que existem os evangélicos, que, à exemplo de Cristo, procuram da melhor maneira possível ajudar as pessoas e levar o que elas acreditam à um maior número de pessoas, mas sem serem irritantes ou insistentes. Muitas pessoas me criticaram no facebook, sem ao menos ler a postagem. Fui excluído de alguns grupos e até tive que bloquear algumas pessoas que criticavam com insistência. Mas felizmente a maioria entendeu e o facebook está se tornando uma rede social que está polarizando demais as pessoas. 

sábado, 11 de julho de 2015

Crentofobia

para que tanto ódio?
    Bem, como a maioria dos leitores já devem ter notado, este humilde blog não fala somente sobre esquizofrenia. Às vezes, como qualquer cidadão comum, costumo dar meus pitacos sobre outros temas também. Afinal, a vida de um portador de esquizofrenia não é somente esquizofrenia, não devemos atribuir tudo o que nos acontece ao transtorno da mente dividida. O blog se chama Memórias de um esquizofrênico e não memórias esquizofrênicas.
    O assunto de hoje é a ferrenha batalha entre alguns pastores e seus seguidores contra os defensores da causa LGBT. Não quis comentar o assunto quando estava no auge da discussão, para evitar polêmicas. Cada um tem o direito de se expressar, desde que não invada o espaço dos outros, e também não precisando discutir, no sentido de brigar mesmo. Não faço parte de nenhum dos lados em questão, tenho a minha opinião própria. Não que eu queira ficar em cima do muro, mas, como já diz a música do grande Zeca Baleiro, "Minha tribo sou eu"...
    Não sei bem quando tudo começou exatamente, mas os ânimos começaram a ficar mais exaltados após a última parada gay, em São Paulo, quando a transexual Viviany Beleboni, de 26 anos, desfilou pela Avenida Paulista encenando a crucificação de Jesus.
    A bancada evangélica em Brasília não gostou nada dessa atitude e chegou a propor um projeto de lei, que torna crime hediondo qualquer ato que seja considerado um ultraje a fé cristã. A pena para esse tipo de crime poderá ser de até oito anos... Enquanto isso os nossos adolescentes continuam a cometer barbaridades sob a proteção de uma lei criada há mais de quarenta anos ou mais.
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/06/1640253-apos-parada-gay-deputado-quer-que-cristofobia-vire-crime-hediondo.shtml
    Como sempre, o pastor mala sem alça, ops, quer dizer, malafaia, não ficou fora da discussão, apesar da cruz ser um símbolo da igreja católica. Os próprios evangélicos são contra esse tipo de simbologia religiosa, não consideram a cruz e nenhum tipo de imagem usada nos cultos da igreja católica. Até que faz sentido, pois, se Jesus morresse esfaqueado, os católicos usariam uma faca no pescoço?
 
    Mas, voltando ao irado pastor, ele, como sempre efusivo e exaltado, deu o seu pitaco, e,não aliviou. Os defensores da causa LGBT não gostaram muito do discurso do pastor e da bancada evangélica, para muitos considerados homofóbicos. O jornalista Boechat teve uma calorosa discussão virtual com o pastor mala sem alça que chamou a atenção do pais inteiro.
    Alguns pastores e líderes religiosos até que compreenderam o ato da transexual e não a condenaram, entendendo que aquela cena foi uma forma simbólica de mostrar para o mundo que todos os dias vários homossexuais são condenados e crucificados pela sociedade. Mas a maioria, evangélicos, como o pastor Feliciano, condenaram o ato, e, numa tentativa de colocar a transexual contra a população, colocou a imagem dela crucificada em outros movimentos e protestos. Entenda melhor esta situação lendo o link abaixo:
http://noticias.terra.com.br/brasil/cidades/viviany-beleboni-transexual-crucificada-processa-marco-feliciano,100bd849da7594157ed5e4c57fd45865gpoxRCRD.html

Entenda um pouco a briga entre mala sem alça e o Boechat


    Como já afirmei, não sou defensor da causa LGBT, e também não sou a favor desses "pastores" que se dizem representantes da moral e dos bons costumes. Sou a favor do respeito, cada um é dono do seu próprio corpo e fazem dele o que bem entender, desde que se respeite o direito dos outros. Ninguém é obrigado a ver duas pessoas fazendo sexo em um local público. Não tem como esconder isso, alguns homossexuais tem essa prática, não tem como negar. Claro que heterossexuais também tem essa prática, mas isso é muito mais comum entre os homossexuais. Espero que entendam o que estou tentando transmitir, que é o respeito ao próximo. Não tenho nada contra os homossexuais e nem contra os evangélicos. Só gostaria que alguns homossexuais fossem mais discretos e que os pastores, principalmente lá de Brasília, trabalhassem mais e falassem menos e que tratassem de assuntos mais importantes, ainda mais na atual situação em que se encontra nosso país.
    Creio que nessa questão os dois lados deveriam ceder um pouco. Um pouco mais de respeito de alguns homossexuais escandalosos e mais tolerância dessas pessoas que se dizem "crentes"...
    Conheço evangélicos e homossexuais, e respeito à todos, não vejo nada demais nisso. Jesus que era o filho de Deus andava no meio dos pecadores e escolheu pescadores como discípulos. Pelo que sei, uma das poucas vezes que entrou em uma igreja foi para expulsar os comerciantes que se encontravam no local. Então, por que eu, um cara cheio de falhas e erros, irei me achar melhor do que os outros e passar a condenar tudo o que não concordo e não me agrada? As pessoas, nas redes sociais, estão se polarizando demais, e, como um imã, acabam se repelindo umas às outras. Ou você está no pólo negativo ou no positivo, não tem como ficar no meio.
    Essa polarização começou a tomar uma dimensão maior na última eleição para a presidência do nosso país, sobretudo no segundo turno: Dilma x Aécio, PT x PSDB, ricos X pobres, sulistas x nordestinos, e por ai vai. Não tinha meio termo, tudo muito generalizado.
    Mesmo após as eleições as discussões nas redes sociais ficaram acirradas e tensas. O foco mudou um pouco, com os acontecimentos: a maioridade penal, os justiceiros, e agora a discussão entre os defensores da causa LGBT e de evangélicos que se autodenominam defensores da família.
    Quem sou eu para falar e citar trechos da Bíblia sagrada. Além de não tê-la estudado o suficiente, não me considerado apto para tal ato. Creio que é preciso ter uma vida muito reta para sair pregando lição de moral por ai com um microfone na mão. Mas posso falar sobre o que vi e vivi em todos os meus 46 anos de existência neste planeta chamado terra.

   Frequentei diversas igrejas evangélicas: algumas gostei muito e me senti bem, outras nem tanto, devido principalmente a rigidez das normas. A impressão que se dá é que termos que ser santos, totalmente puros, sem pecado nenhum, nem em pensamento. Cada denominação tem suas regras, e, em algumas igrejas os homens não podem nem sentar perto das mulheres. Era tudo muito separado: os casados, os solteiros, as crianças e os idosos. Não vejo maldade nenhuma em sentar perto de uma mulher em uma igreja. Essa regra é a própria confissão de que as pessoas só pensam em sexo. "Não podemos sentar perto das mulheres, por que não iremos prestar atenção no pastor e sim na mulher..."
    Hoje em dia, depois dos meus surtos, qualquer lugar que não seja o meu quarto não me é agradável, a realidade é esta. Tenho consciência de que isso vem de mim, mas não sei como resolver esta questão. Então ninguém irá me ver frequentando uma igreja evangélica, mas também não me encontrarão em um baile funk fazendo certas estripulias... Meu mundo é o meu quarto, meu notebook, minha TV e o meu home theather, para me sentir em um cinema quando assisto algum filme... Mas não desisto, vou continuar na luta, mas não vou ficar à espera de que apareça um medicamento milagroso que cure as minhas paranoias sem me detonar fisicamente. Além de não nos detonar fisicamente, esse medicamento milagroso teria que anular as paranoias sem nos deixar meio robotizados, sem emoções. Acho que os cientistas ainda continuam pensando que a esquizofrenia é apenas um desequilíbrio químico. Ai criam inibidores da dopamina e dopam o paciente e ai dizem que está tudo bem. Mas esquecem de outros fatores, com o psicológico. Já vi psiquiatras compararem a esquizofrenia à diabetes, que basta controlar a dopamina e pronto. Creio que estão apenas tratando um dos sintomas. Vou citar a dengue: quando pegamos dengue, vamos ao posto de saúde e o médico nos receita paracetamol para dar uma aliviada nas dores, mas não resolve o problema da dengue em si, e a solução é apenas esperar e esperar... Com a esquizofrenia creio que ocorra o mesmo, trata-se um dos sintomas, que é o aumento da dopamina...
   Mas não poderia de agradecer neste post aos verdadeiros evangélicos que apareceram em minha vida, em alguns momentos especiais. Se foi coincidência, obra do acaso ou intervenção divina, não sei dizer. Me lembro de Laura, de Salvador, na Bahia, que, sem ao menos me conhecer, me acolheu em sua casa por quase um mês, no ano de 1992 (me lembro bem da data, já na época tinha o hábito de escrever algumas memórias..). Estava trabalhando em uma cidade do interior de Minas Gerais, e, do nada me deu vontade de trabalhar em Salvador, em um trio elétrico qualquer, sei lá... Foi um impulso e não tinha nada planejado e ainda cometi a burrice de ir para a capital baiana em pleno carnaval, ou seja, as firmas de sonorização e trios elétricos já estavam com seus quadros de funcionários completos.
    Então, depois de quase um mês em Salvador, dormindo em hotéis, a grana havia acabado. Fui dormir em um banco da praça. E lá estava Laura, pregando em voz alta, para quem eu não sei, pois todo mundo passava direto e nem ligava para o que ela dizia. Mas ela não desistia e não parava um minuto sequer. "Essa mulher é doida..." pensei, de início. Mas, no final da pregação, resolvi ir até ela para que orasse por mim e quem sabe Deus ouvisse minhas preces. Confesso que sou daqueles que pensam mais em Deus nos momentos difíceis. Quando a coisa volta ao normal, esqueço de tudo. É algo parecido com alguns bandidos que, quando são presos, não desgrudam da bíblia nas celas. Chegam a decorar a bíblia quase toda e até conseguem discutir de igual para igual com alguns pastores. Mas, depois que conseguem a liberdade, voltam para o mundo do crime...
    Me lembro que conheci pessoas bastante legais e divertidas quando frequentei a igreja Batista em uma cidade do interior de Minas Gerais, tirando o preconceito que eu tinha, imaginando que todos os evangélicos fossem pessoas carrancudas, moralistas e que não se divertiam.
    Quando estive nas ruas, durante o meu primeiro surto psicótico grave fui muito ajudado pelos evangélicos, mas também por espíritas e católicos. E também por pessoas que não professavam nenhuma religião.
    Me lembro de um casal de evangélicos sorridentes, que, ao me verem sentado na rua, pararam e começaram a conversar comigo. Ficamos um bom tempo batendo papo, e, ao contrário de alguns "crentes" não disseram que eu estava com o "tinhoso" no corpo. Até me deram uma bíblia de uso pessoal deles, pois vários versículos estavam marcados e havia algumas anotações que achavam importantes. O cara até chegou a me levar para a igreja batista da lagoinha, para tentar alguma ajuda que me fizesse sair das ruas. Até hoje guardo com carinho a bíblia que eles me deram.
    Ainda neste primeiro surto grave, fui atendido por um pastor psicólogo da igreja presbiteriana. Estava perambulando pelas ruas do bairro barro preto, quando avistei a placa de um consultório de psicologia, no segundo andar de um prédio. No primeiro andar funcionava a igreja presbiteriana. Era o ano de 2003. Estava começando a me recuperar do surto e já havia perdido quase que totalmente o medo de conversar com as pessoas, a mania de perseguição havia diminuído consideravelmente. Havia também recuperado o meu peso e estava me sentindo muito bem fisicamente, até parece que o jejum forçado no meio do mato durante a crise serviu para dar uma limpeza em meu organismo. (efeito detox?)
     Já havia cortado o meu cabelo e estava fazendo a barba, apesar de ainda estar nas ruas. Naquela época as latinhas de refrigerantes e cerveja ainda davam um bom dinheiro, e conseguia comprar os produtos de higiene e outras coisas mais. Era até meio constrangedor na época o que ocorria nas festas de rua e em shows: o cara lá tomando a sua cervejinha e com um cara ao lado com uma sacola esperando a tão valiosa latinha...
     Também já havia começado o tratamento com o psiquiatra no posto de saúde que havia perto do parque municipal. Também estava fazendo terapia com a psicóloga, que não me falava nada sobre o que eu poderia ter, apenas ficava me olhando. O psiquiatra me ouvia por alguns minutos e logo preenchia o receituário. Estava bem, mas não tinha a mínima ideia do que havia ocorrido comigo nos últimos meses. Pensava que se tratasse de algo espiritual ou que então alguém havia colocado alguma droga em algo que eu havia ingerido. Por esse motivo resolvi entrar na igreja e conversar com o pastor psicólogo.
      Mas ele também não me falou nada sobre esquizofrenia, apenas conversávamos sobre vários assuntos, como música, a infância, etc. Mas aquela atenção que ele deu para a minha pessoa foi importante. Me tratou como um ser humano e não me julgou, mesmo relatando um pouco de toda aquela loucura que havia acontecido comigo nos últimos meses. Saia de lá mais confiante e animado, passando a perceber que o mundo inteiro não estava contra a minha pessoa. Claro que sempre que ia na igreja não deixava de tomar um cafezinho com biscoitos...
    Às vezes o que mais precisamos é ser ouvidos... Infelizmente alguns profissionais da saúde mental não percebem isso, e só sabem nos encher de antipsicóticos... Conversam mais com os parentes do que com o próprio portador.
    E, durante as minhas andanças, depois que sai de Ipatinga, em 20012, conheci um pastor que foi muito legal comigo, pois guardou a minha barraca entre os intervalos de uma viagem para outra. Essa barraca pesa dois quilos e incomoda um pouco quando a mochila está cheia de outras coisas.
    Além destes que citei, conheci vários evangélicos legais, que conversavam comigo como seu eu fosse um ser humano normal, sem nos dar a impressão de que são seres puros e que serão os únicos a serem salvos e que poderão se contaminar.

    Já os "crentes", aqueles aqueles que se acham salvos apenas por frequentarem uma igreja, procuro não me aproximar, pois o discurso é sempre o mesmo. Ser "crente" é fácil, dizem até que o "capiroto" é crete, pois acredita na existência de Deus. Falo daqueles crentes que andam com a bíblia debaixo do braço e sabem de cor cada versículo da Bíblia, mas que não poem em prática o que está escrito neste livro. Procuro me afastar de "crentes" que se negam a fazer um trabalho de faculdade por que o tema era a cultura afro brasileira. Isso sim é intolerância...
   Gostaria de parabenizar os verdadeiros evangélicos, que saem pregando a sua fé em todos os lugares e para todas as pessoas, independente da classe social e aparência física. Já vi pastores que pregam em comunidades carentes onde o tráfico de drogas é intenso.
http://acritica.uol.com.br/noticias/Amazonas-Manaus-Cotidiano-Polemica-alunos-professores-trabalho-escolar-afro-brasileiro-evangelicos-satanismo-homossexualismo-espiritismo_0_808119201.html#.Uj3L143dwPi.facebook
     Espero que tenham entendido a intenção da postagem. Respeito quem se dá o respeito, seja ele evangélico, ateu, homossexual.  Infelizmente as redes sociais, o facebook mesmo, não sei por que os jornalistas tem medo de dizer facebook, está se tornando um ringue, cada um de seu lado, tudo polarizado como pedaços de imã, que, quando se aproximam acabam se repelindo.
   Pode até parecer que trabalho para o Zeca Baleiro, creio que essa é a terceira vez que posto esta música, que mostra que não devemos sair por ai generalizando tudo o que vemos nas redes sociais.
Cada pessoa é única e tem a sua maneira de ser e pensar, vamos respeitar a decisão de cada um, o mundo seria uma droga se todos fossem exatamente iguais.