domingo, 8 de julho de 2018

Divagações esquizofrênicas 20 - Reflexões e andanças


 Está decidido: irei fazer os 910km restantes da estrada real de bicicleta. Como os leitores do blog devem saber, meu hálux esquerdo está quebrado. E percorrer esse caminho a pé e com uma mochila nas costas já é complicado demais de se fazer em perfeitas condições físicas, imagine então com um o dedão do pé fraturado....
    Tirando isso, acredito que minhas condições gerais de saúde estão boas. Estou dentro do meu peso, depois de ralar muito e fechar um pouco a boca. Chego a perder quase 2kg no dia que jogo bola, mas logo recupero, pois como prêmio detono um pote de sorvete de 1kg e uma lata de leite condensado... 
    O SUS,  como sempre acha tudo normal na questão do pé, é só ir tomando antiinflamatórios que está tudo bem. Nem pedem exames. Consegui fazer uma ressonância magnética e tomografia computadorizada na Rede Sarah, mas lá eles não querem me operar pelo fato de que tenho esquizofrenia e eles não possuem equipe especializada em psiquiatria. O ortopedista está com receio de que eu tenha um piripaque, apesar de ter conseguido um laudo favorável do psiquiatra, afirmando não haver problema nenhum em ser operado por conta do transtorno, ou seja, o risco seria de qualquer pessoa sendo operada. 
     Mas vida que segue, Não iria me perdoar nunca caso não complete os quatro caminhos da estrada real. Nela meu sonho de liberdade e de paz se torna real....

910km de muitas belezas naturais... 
    Comprei uma bike usada, mal consegue andar em uma reta, pois o sistema de corrente e engrenagens está meio detonado. Melhor assim, pois uma  bicicleta nova e boa chama muito a atenção dos larápios. E também está sendo o maior barato desmontar e montar a "magrela", aprendendo a consertá-la vendo os vídeos do youtube tem me ajudado bastante, além de ser uma boa terapia. É sempre bom aprender coisas novas. O cérebro agradece.... 
    Por conta dessa reforma na bike estou gastando uma graninha extra, e ainda tenho que comprar a barraca, o saco de dormir e o colchão inflável, para dormir bem nessas frias noites do interior de Minas Gerais. Costuma fazer muito frio em algumas cidades, independente de estação do ano em que estivermos. Passei muitos perrengues nas primeiras viagens, pois não havia comprado o saco de dormir, e aí tinha que encher a barraca de papelão.


aprendendo a consertar a bike para não passar perrengues na viagem
     Que vou viajar está mais do que decidido. Medo não tenho muito, gente ruim infelizmente tem em todo lugar. Estou morando em um lugar bastante tranquilo, quase não tem confusão, só quando algum larápio surrupia algo na geladeira, que é comunitária. No meu caso nem toco nela, pois tive a sorte de ganhar um frigobar de um amigo e só guardo água, frutas, ovos. Cozinhar está na lista das coisas que não sei fazer e que pretendo aprender um dia, pois tenho sempre que morar perto de restaurante popular. Mas infelizmente sempre tem alguém ou algo que não nos agrada em um local que mora várias pessoas. E o que sinto é que tem muito tititi onde moro, e que tem algumas pessoas que demonstram ter uma certa inveja da minha condição de um precoce aposentado. O cara tem problemas de saúde e está com uns 60 anos e ainda não se aposentou, e acho que por isso vive falando mal de mim, e procurando achar um ponto fraco na minha personalidade. Às vezes respondo as provocações dele, afinal não sou de ferro. E aí ele dá uma de vítima, devido a sua condição de saúde. E acho que fico meio como o vilão da história, mas não tenho mais receio do falatório alheio...
    Não tenho certeza  quando irei viajar. Não sei se viajo no final de setembro ou então espero o período de chuvas acabar depois do mês de março do ano que vem. É complicado viajar pela estrada real no período das chuvas, já que 90% do caminho é de estrada de terra. Mas não sei se irei aguentar esperar tanto tempo. Estou com saudades de sentir o vento na cara, de estar cada dia em um lugar diferente. E até dos perrengues do caminho estou sentindo falta. Estou sentindo é falta de emoções, de viver um pouco perigosamente. Só um pouco, nem tanto né? Tem gente que sai viajando pelo mundo de bike, e eu só vou viajar um pouquinho pelo meu país.... 

a cachoeira do Tabuleiro, com seus 273 metros de altura é uma das atrações do caminho dos diamantes. 

     Serão 910km, 200km a mais do que o "Caminho velho" da estrada real que fiz a pé. Mas deste vez não pretendo fazer uma viagem rápida, quero curtir o caminho, parar nas cachoeiras, sentir o ar puro do interior de Minas Gerais. Fico até mais comunicativo durante as minhas viagens. Aqui nesse cotidiano geralmente na maioria dos dias dá para contar a quantidade de palavras que pronuncio durante o dia inteiro... Geralmente falo alguma coisa quando compro algo na padaria, mas só o necessário mesmo. Na maioria das vezes respondo balançado a cabeça quando me perguntam algo. Sou antissocial hoje em dia não por conta exclusiva da esquizofrenia, é mais uma opção, pois atualmente me conheço bem e convivo muito bem com meus pensamentos. Antes o isolamento era por conta de me achar um cara bem esquisito mesmo, e também por conta da mania de perseguição exagerada. 
    Além disso, sinto que preciso dar esse tempo comigo mesmo, afastar de tudo, ouvir o som do silêncio e refletir um pouco sobre minha vida. Acho que o fato de estar com 49 anos está influindo nessa necessidade de reflexão. Sempre quando completo mais uma década de vida tenho esse tipo de comportamento. Refletir sobre o que fiz e o que ainda tenho por fazer, se estou sendo uma boa pessoa, um bom ser humano. Sobre o que preciso melhorar, sobre coisas que devo deixar de lado e outras coisas que devo incluir em minha vida. É um pouco estranho isso ter de esperar completar uma década para começar a refletir sobre tudo o que nos cerca e sobre nós mesmos. Claro que sempre procuro refletir sobre certas coisas em qualquer período de minha vida,  mas isso vem com mais intensidade quando estou perto de completar mais uma década de vida. 
     Estou com vontade de morar em uma pequena cidade, ou de porte médio. Uma cidade com praia, ou então no interior, aonde o sossego e a tranquilidade ainda não tenham sido comprometidos pelo progresso. Mas para isso terei que aprender a cozinhar, pois sou um desastre na cozinha e acho que entrarei em depressão ao ter que degustar os pratos feitos por mim. Não é toda cidade que tem restaurante popular. Mas a internet está aí e o que não falta são vídeos, sites e blogs com dicas de culinária. Quem sabe eu goste e até se torne uma terapia?
     Quem puder me ajudar na compra da barraca, do saco de dormir e do colchão é só me enviar um email ou então usar as seguintes contas:
memoriasdeumesquizofrenico555@gmail.com

Julio Cesar dos Santos de Oliveira
    Caixa Econômica Federal
   Agência 2332 Ipatinga MG
   Caixa Econômica Federal
   Operação 023
   Conta 00016678-2
ou
Caixa econômica federal
Agência 2332
Operação 013
Conta 00035331-3

    Apesar de não gostar de mecânica, estou curtindo muito o monta e desmonta da bike. Tenho que ficar craque em manutenção, pois não quero passar muitos perrengues no caminho. E também tem a questão da economia, vai lá saber quanto o mecânico irá cobrar para arrumar uma bicicleta em uma cidade pequena. Ele sabe que é o único a prestar esse serviço e que estou em apuros... Melhor ser independente e gastar um pouquinho de tempo aprendendo os macetes da manutenção em bikes. 
    Como disse, a bicicleta não é das melhores, mas não pretendo correr muito, afinal as paisagens são muito bonitas, quero mesmo é curtir o som do silêncio e as montanhas de Minas. 

E depois da viagem?
    Depois da estrada real, acredito que irei descansar minhas canelas em uma cidade pequena qualquer que tenha praia.As empresas de ônibus de viagem não criam empecilhos de levar uma bike no bagageiro, desde que as rodas tenham sido desmontadas e fixadas no quadro da bicicleta e que tudo esteja protegido com papelão, para não estragar as outras bagagens. 
    Depois desse breve descanso na praia, pretendo ir ao centro-oeste e norte do país, lugares que ainda não tive o prazer de conhecer, mesmo quando trabalhava como operador de som. 
   Se por acaso ganhasse na loteria, não iria conhecer a França, a torre Eiffel. etc... Iria sim percorrer ponta a ponta esse país maravilhoso e bonito por natureza chamado Brasil. 
    Claro que existem lugares lindos neste mundão, mas o Brasil, além da natureza tem um povo maravilhoso e a cultura muito interessante. Viajar não é só comer e visitar os pontos turísticos, é também conhecer a cultura e o povo desses lugares. 
    Acredito também que minha mania de perseguição iria aumentar consideravelmente em um país de língua estrangeira, pois já fico muito bolado quando vejo dois gringos conversando. Penso que estão falando mal de mim. Engraçado é que me lembro que, quando tinha uns 22 anos já tinha um pouco disso. Fiquei pensando que duas americanas estavam rindo de mim quando fiz uma viagem de Salvador à Belo Horizonte. Elas não paravam de rir e de conversar. 
    Então para que ir tão longe se temos um país tão bonito e ainda podemos conversar e aprender com o povo? Não tenho muita noção de inglês e quero mesmo e apreciar a culinária do Brasil. Detesto aqueles pratos enfeitados, com flores, todo montado, etc.. 
    E depois de conhecer o norte do Brasil não sei se volto pra Belo Horizonte, se moro na praia ou até então goste tanto dessa vida de ciclista que faça da minha vida uma eterna andança... 

   Esse cara está viajando há vinte anos. Ele nasceu todo complicado, cheio de problemas de saúde, mas conseguiu superar tudo e hoje é um exemplo de superação. Muito dizem que sou louco ao fazer estas viagens, mas me sinto a pessoa mais normal do mundo ao ver esses caras, confesso que até tenho um pouquinho de inveja do fato deles terem coragem de viajarem para outros países distantes. Mas sinto mesmo é uma enorme admiração por esta "loucura" positiva. Na verdade não considero loucura o caminho que uma pessoa escolhe, sabendo que será feliz ao percorrê-lo... Loucura é não procurar ser feliz e não ser a gente mesmo.... 

terça-feira, 3 de julho de 2018

CVV agora é 188

    CVV agora passa a atender pelo número 188 em todo o Brasil ligação gratuita

   Em 2015 o CVV (Centro de Valorização da Vida) iniciou o atendimento através do número 188, primeiro número sem custo de ligação para prevenção do suicídio. Inicialmente o serviço só funcionava no estado do Rio Grande do Sul.
   Com a assinatura do termo de cooperação técnica entre o Centro de Valorização da Vida e o ministério da saúde, a Anatel publicou o ato de autorização n/ 9.263, que ampliou o serviço gradativamente, até atingir todos os estados da nação, a partir do início deste ano. 
    A partir dessa data o número único para atendimento do CVV passou a ser o 188 e não mais o 141.
   As ligações para o CVV através do número 188 são gratuitas a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular, provenientes de qualquer cidade do estado contemplado, a partir das datas estabelecidas.
    Para ser voluntário, basta acessar o link abaixo e procurar um posto de atendimento em sua cidade. O candidato deverá fazer um curso presencial, e, sendo aprovado poderá escolher a forma de atendimento, via chat ou no posto de atendimento. 
Fonte: CVV (Centro de Valorização da Vida).

                                     Fases da implantação do novo número
                                               

sábado, 30 de junho de 2018

Chá do Santo Daime e esquizofrenia...

    Nesta postagem temos o relato de uma pessoa com esquizofrenia que passou a ter surtos psicóticos ao usar o famoso chá de Saint Daime. A intenção desta publicação não é de julgar se o procedimento da seita ou grupo é correto ou não, a finalidade do blog não é esta. Respeito as pessoas que relatam terem tido algum benefício com o uso deste chá, inclusive no tratamento da ansiedade e da depressão. É um tema muito polêmico para ser discutido em apenas uma postagem. Mas não são poucos os casos de pessoas que passaram a ter psicoses depois de usarem o chá. Um caso bem conhecido é o do Rian Brito, neto de Chyco Anisio, que foi encontrado morto em uma praia do Rio de Janeiro. Segundo familiares, o rapaz começou a desenvolver distúrbios psiquiátricos após começar a frequentar uma seita que usa o chá de ayahuasca.
    Tenho minhas crenças e a minha fé. Mas, como disse, a intenção do blog não é a de discutir religiões, seitas, crenças, etc... Respeito até quem não tem religião e não acredita em Deus. Não cito a minha crença pois o tema principal deste blog é a esquizofrenia, mas acredito que devemos sempre cuidar de nossa saúde física, mental e espiritual também. Não tem como separar o ser humano em partes e tratá-lo de forma separada... 
    Este relato apenas serve de alerta aos possíveis perigos que uma pessoa com tendência a ter algum tipo de transtorno mental pode ter ao ingerir certas substâncias.  Os nomes foram trocados para preservar a identidade da pessoa que autorizou a postagem com a cópia do seu depoimento.

Rian Brito, neto de Chyco Anisio

    “A cerca de seis meses me filiei em um grupo de Santo daime. (Primeira vez que tomei foi a quatro anos). À princípio tudo era uma maravilha mas há cerca de 3 meses atrás eu tive o meu primeiro surto tomando ayhuasca (santo daime).
    Tudo começou quando eu escrevi um alto de Natal para a igreja católica no final do ano passado. Em uma das músicas estava o aleluia.
Daí após alguns meses que escrevi a música, estava deitado na rede quando me veio uma voz meio telepatia:
    -Você é o rei Davi!
    Comecei a chorar de medo pois nunca havia ouvido vozes nem nada do tipo.
    Daí fiquei com isso na cabeça me perguntando se era realmente isto.
    Até que cerca de um mês depois estávamos a preparar a bebida e fiquei sozinho com a panela, daí eu exclamei: Deus, me mostra a verdade!!!
    De repente veio a voz de novo (parecia um transe telepático) e me disse: olhe para dentro da panela!
    Ao olhar trêmulo, com muito medo, a voz novamente me disse: agora você vai ganhar uma bíblia e abrir em cima dos salmos do rei Davi.
    Eu olhei para o lado e perguntei se alguém tinha uma bíblia: quando de repente uma mulher me disse: te trouxe uma bíblia de presente.
    Eu recebi a bíblia quase que em estado de choque.
    Fiquei cerca de uma hora com muito medo até resolver abrir a bíblia, dito e feito, abri em salmos.
Fiquei tão assustado que fui me deitar.
    Daí após dois dias do ocorrido, o marido desta mulher que me deu a bíblia- e detalhe, eu nunca o vi na minha vida- só sei que se trata de um pai de santo, me ligou e disse: Ricardo, preciso te dizer uma coisa muita seria, você se trata da reencarnação de um grande rei do seu povo e vou te dar um exemplo do rei Davi. Daí eu desabei, comecei a chorar e fiquei imaginando como ele sabia disso?
    Até que cerca de uma semana depois eu fui tomar ayhuasca e tive um surto de que eu tinha que morrer, de que iriam chegar naves espaciais e toda uma dissociação terrível.
    Daí eu fui em busca de ajuda em um centro especializado em vidas passadas e apometria. Pra piorar chegando lá fiz um ritual com a mesma bebida, outro surto, me vi no Egito. La eu era mesmo o rei Davi, mas eu tinha certeza de que ia morrer naquele instante, poia uma voz ficava dizendo que eu tinha que morrer e parecia muito logico que eu tinha que morrer- porém, a explicação das pessoas do centro era de que esse pai de santo que me ligou tinha descoberto que eu era o rei Davi pois ele é mago negro e me lançou um feitiço. Continuando- depois a mulher do dono do centro que eu comecei a frequentar veio me dizer que era isso mesmo, que em uma das minhas vidas eu era o bendito rei Davi e desfizeram o trabalho numa corrente de 15 mediuns que ficaram psicografando todos os detalhes do feitiço.
    Daí comecei a pirar. Fui pesquisar quem era o rei Davi pois eu não fazia ideia de quem era essa figura a não ser pelo que sabemos das historinhas de Golias, e descobri que ele era uma espécie de profeta do apocalipse.
    Daí todos no centro ficavam me olhando com aqueles olhos de "chegou a hora da verdade" e eu claro, achando tudo uma loucura.
    Comecei a ficar aterrorizado: com medo de ter que morrer pra se cumprir alguma profecia, com medo de ser mesmo esse tal de rei Davi. E todo um medo generalizado.
Criou-se uma convicção tão sofisticada na minha mente que a cada ponto que eu ligava tudo fazia sentido.
    A grande questão é que eu não sei explicar como eu sabia que ia ganha uma bíblia e abrir em cima dos salmos.
    Alguém já Teve algum delírio coletivo?
    Acho importante o post pois muitas pessoas com os nossos problemas buscam essas substancias em busca de uma cura imediata e desesperada. Na época que eu busquei eu só tinha pânico e depressão. Daí desenvolveu esta psicose absurda.
    Só sinto medo. Acredito tem horas que seja tudo verdade, que eu vou ter que morrer pra resgatar a minha família espiritualmente- (mesmo esta ideia ser parte de um feitiço segundo o pessoal do centro espírita) mesmo eu sendo cético. Enfim, algum caso parecido?”

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Diazepan, o desmame: últimos capítulos

     
meu sonho e minha meta é um dia jogar uma caixa fora dessa droga...



     Quem acompanha o blog sabe da luta que estou travando há anos contra o vício no diazepan, uma das drogas mais viciantes do planeta. É uma novela que parece não ter fim, mas ontem consegui dar um passo importante nesse duelo: tive uma bela noite de sono sem o efeito do "pan nosso de cada dia". Acordei bem disposto e com uma energia bem legal. Fiz caminhada e alguns exercícios físicos na praça naqueles aparelhos do pessoal da terceira idade... Já estou com 49 anos e é bom que assim vou me adaptando.... 
    Chegando em casa, ainda fui lavar as roupas de cama, coisa que não gosto muito de fazer, por que são muito grandes e dá muito trabalho. E a energia está tão boa que resolvi escrever esta postagem.
    Ontem, como sempre faço, desliguei o notebook por volta das nove horas da noite, momento em que a contagem das visualizações do blog no dia termina. Estou um pouco ansioso para chegar a marca de um milhão de visitas, confesso. Sei que o mais importante é estar ajudando as pessoas fazendo algo que gosto: escrever. Mas um milhão é um milhão né? Mas não é esse o motivo de estar desligando o note, e sim me desligar de algo que me prenda a atenção, para que assim possa começar a preparar meu organismo para tentar ter uma renovadora e tranquila noite de sono. 
    Então ligo a TV, coloco no modo de economia de energia, para que assim o brilho fique quase que no mínimo, deixando o meu quarto com uma leve luz de fundo. Deixo o volume bem baixo, programo o timer para desligar em 90 minutos. E começo a procurar algum programa que não seja muito interessante, tarefa bastante fácil quando o assunto é a TV aberta. E tomo duas  cápsulas de cloreto de magnésio, que, além de me ajudar na questão das articulações, me dá um relaxamento e um soninho bem gostoso. Me dei melhor com o cloreto de magnésio em cápsulas. Em pó me dava uma ressaca na parte da manhã, e no dia que fui jogar futebol notei que estava bastante lento e pouco rendi na pelada do centro de convivência. E tomar o mineral em cápsulas me ajuda bastante, pois o diazepan causa uma dependência psicológica enorme. Então o ato de tomar alguma cápsula parece que consegue meio que enganar o meu cérebro, a sensação é que dá é que estou tomando algo especificamente feito para dormir, como um ansiolítico qualquer.
deixar a TV no modo de economia além da óbvia economia de energia pode ajudar a pessoa a pegar no sono.. 

    Até ontem somente o cloreto de magnésio não me fazia cair nos braços de Morfeu, tendo sempre que recorrer ao diazepan. Geralmente não adianta tentar esquecer ou simplesmente ignorar, o corpo acabava sempre pedindo esse droga de droga. Mas ontem, não sei se pelo efeito do cloreto de magnésio ou pelo fato da ruindade do programa que estava assistindo, consegui pegar no sono de forma natural. E acordei muito bem. Acredito que deva ter pegado no sono por volta de meia noite e acordado por volta das seis da manhã. Foram seis horas de sono natural e revigorante. Mais vale duas horas de sono natural do que dez horas de sono artificial provocado pelos diazepínicos... Pelo menos é isso o que eu acho e sinto. Posso falar isso por experiência própria.... 
    Mas é uma luta muito difícil e constante. Em 2008 estava tomando 20mg e sentia que, naquele ritmo iria, dentro de pouco tempo, estar tomando uma dose quase que cavalar. E fui então diminuindo aos poucos, com muito sofrimento, é claro. É uma das drogas mais viciantes que existe, segundo os cientistas. E é um vício que não escolhi ter. O psiquiatra, em uma consulta que durou menos de dez minutos, receitou este medicamento sem ao menos me alertar sobre os riscos da dependência física e psicológica. E na época não tinha acesso à internet para estudar o assunto. As bulas ainda eram com letras minúsculas e  usavam um vocabulário pouco acessível à pessoas leigas... Me parece que foi criada uma lei para que isso mudasse e as bulas fossem mais acessíveis linguisticamente falando. E agora as letras estão maiores também. 
    E na época não sabia nada de medicamento. Pensava que, se tomasse aquela pilula milagrosa, iria ter o sono dos justos, independente se estivesse devendo à Deus e ao mundo. ... 
   Hoje, após quase 16 anos de uso desse medicamento, minha memória está comprometida, e sinto que minha fala está um pouco arrastada. Tenho que prestar muita atenção se não estou falando meio embolado, o que é difícil. Às vezes as pessoas perguntam o que estou falando, o que já é uma boa ajuda. Então tento falar de uma maneira mais lenta e firme, para que assim possa ser compreendido. 
    Se na época tivesse o conhecimento que tenho hoje, obviamente não teria decidido usar o diazepan. Mas não sou totalmente contra os medicamentos, infelizmente existem momentos em nossas vidas em que precisamos dar um tempo, dar uma desligada. E às vezes nem só o tempo resolve, dependendo da gravidade da situação. E é aí que entram esses medicamentos e um bom profissional para nos explicar e orientar que os benzodiazepínicos só podem ser usados por um certo período de tempo... 
   Espero que eu tenha muitas noites de sono natural, é uma luta constante para me livrar dessa droga, mas acredito que hoje estou vencendo esse jogo. Já que estamos em época de copa do mundo, fica legal usar esse termo. No início estava perdendo de goleada para o diazepan, não conseguia nem sair de casa sem uma cartela do medicamento no bolso. E o placar foi aumentando à medida em que tinha que aumentar as doses. Então comecei a estudar o adversário e a vantagem foi diminuindo até que consegui empatar o jogo, quando consegui ir diminuindo a dosagem, até conseguir quase que ficar usando somente 1.5mg... É um jogo complicado, pois o time adversário às vezes consegue tomar as rédeas do jogo, e ai temos que voltar a dosagem anterior. Acredito que hoje consegui finalmente virar esse difícil duelo. Agora o próximo passo é ficar uma noite sem e outra noite com apenas 1mg, para que finalmente possa afirmar com todas as letras que finalmente venci esse terrível vício. 
   Para isso tenho que ir prestando atenção nos sinais que o nosso corpo dá, para que não possamos ter um surto ou algo parecido. Devemos prestar atenção se não estamos tendo problemas relacionados ao nosso físico: batimento cardíaco, dores de cabeça, tremedeiras etc.. E também devemos prestar maior atenção ainda aos os sinais comportamentais, é claro: irritabilidade, paranoias, nervosismo exagerado, etc... Tudo isso pode acontecer devido à abstinência. Deve ser algo bem semelhante de tentar se livrar do vício de uma droga ilícita. A diferença é que geralmente no tratamento da droga ilícita é ministrado drogas lícitas...
os medicamentos me deixam apático
   Nesse ritmo tenho certeza que irei virar esse jogo e ganhar de goleada do diazepan, que nunca mais passarei a chamá-lo de "pan nosso de cada dia"... É um caminho que escolhi seguir, sem medicamentos, com a cara e a coragem para enfrentar meus medos e tudo o que acontece nesse mundo maluco que pode nos deixar mais maluco ainda. Quero viver, me emocionar, rir e chorar. Essa publicação não deve ser encarada como um incentivo para que todos façam o mesmo, cada um tem a sua história, seu jeito de ser, e se adapta de uma forma diferente aos medicamentos. No meu caso simplesmente não houve adaptação nenhuma.  
    Até a próxima postagem e, quem sabe, livre do pan nosso de cada dia... 

terça-feira, 19 de junho de 2018

Aposentadoria precoce

    Nesta postagem irei falar sobre como ocorreu minha precoce aposentadoria. A imagem que encontrei para ilustrar esta publicação não condiz muito com a minha situação, afinal não tenho grana para sair por aí viajando por aí. As outras imagens que tentei achar pesquisando sobre aposentadoria mostravam velhinhos, e algumas delas segurando uma boa quantia de dinheiro na mão.
    Na verdade me aposentei aos 40 anos, e consegui o auxílio doença aos 35 anos de idade. Fiquei longos cinco anos fazendo intermináveis perícias até me aposentar. Foi um processo cansativo, na época me davam dois meses de afastamento e mal dava para me esquecer que teria que marcar uma outra perícia.  Esses anos todos fiquei muito ansioso, o que me detonou um pouco. Ficava me perguntando como deveria agir na perícia, se deveria ir sozinho, se deveria exagerar em algum relato, enfim cheguei até a pensar a "dar uma de doido", fazendo gestos estranhos, etc... Mas, no final resolvi apenas contar a verdade, tudo o que havia passado e tudo o que estava passando. Ia as perícias com a mesma roupa que andava para ir ao restaurante popular. Usava meus tênis e não tomava nenhum medicamento para ficar com cara de dopado. E ia sozinho nas perícias depois que havia saído do albergue. Afinal a esquizofrenia é um transtorno que geralmente nos fazer isolar de tudo e de todos. 
     Muitos pensam que tenho vida boa,  que foi só ir no INSS e dizer que estava doentinho para conseguir me aposentar. A coisa não é tão simples assim, foi complicado por demais o processo. No livro que escrevi, chamado "Mente Dividida", conto com detalhes como foi que tudo aconteceu. 
     Antes de entrar nos detalhes, gostaria de dizer que a melhor coisa do mundo antes de surtar era trabalhar: era um ramo que gostava (música). Gostava tanto que trabalhei 17 anos seguidos e ininterruptos mexendo nas carrapetas da mesa de som. Era a minha alegria participar da alegria das pessoas, trabalhando em aniversários, festas de aniversário das cidades, cavalgadas, etc.. Só não gostava muito de trabalhar dentro da USIMINAS, pois, além de ser muito quente, por causa dos enormes fornos, o clima era um pouco tenso, pois os eventos geralmente eram inaugurações, E tinha aquela formalidade toda do hino nacional, com presença das autoridades e políticos. Até já fiz evento pro lula...  Era um saco. Sempre ficava muito tenso no início, pensava que os caras iriam me matar se o CD desse algum problema na hora de tocar o hino nacional. 
    Não tinha finais de semana, feriado, etc... E nem reclamava disso, a minha diversão era o próprio  trabalho. Férias só tirava uns 15 dias e já sentia saudade de mexer na mesa de som. 
    Mas, como boa parte dos leitores do blog sabem, os surtos começaram a aparecer por volta dos 30 anos de idade, e a situação ficou completamente fora de controle. 
    Creio que foi por volta do ano de 1999 que tive um surto mais ou menos leve. Cheguei a ouvir algumas vozes, mas o pior mesmo foi a mania de perseguição. Tentei tirar minha vida, mas, como podem perceber foi em vão. Havia pedido demissão do serviço, mas tempos depois consegui um outro trabalho. 
    Já em 2002 o surto foi grave. Novamente pedi demissão do serviço, e virei morador de rua por um período de cinco meses. Consegui me recuperar bem, com a ajuda de várias pessoas legais que encontrei pelo caminho. 
    Voltei a trabalhar e acredito que não demorou uns quatro meses para surtar. Tentei os medicamentos, mas não conseguia trabalhar dopado. Pedi demissão do serviço. Mas não saí por aí perambulando pelas BR's. Já estava esgotado fisicamente e psicologicamente. 
    Então a solução que encontrei, ou melhor a não solução, foi desistir da vida. Mas não tentei tirá-la, apenas me deitei na rua e esperei o tempo passar. No dia anterior havia almoçado em uma  churrascaria, era como se fosse a última refeição que iria fazer em minha vida. E também fui na zona, pois também queria ter a minha última relação sexual. 
    Então comprei um colchonete, um radinho e um monte de pilhas. Ouvindo música iria me desligar do mundo e o meu fim talvez seria menos doloroso. Me deitei no centro da cidade em uma sexta feira, por volta das quatro horas da tarde. 
    E passei o final de semana, ali, parado, sem ser incomodado por ninguém. Somente um cara que me ofereceu um lanche no domingo de noite. 
    Mas na segunda feira o tumulto começou. Algumas pessoas que não queriam o meu bem passavam por mim com aquele sorriso sarcástico. Outros percebi um olhar de misericórdia. Na parte da tarde a coisa complicou de vez: apareceu a polícia e até uma ambulância. Afinal havia passado o final de semana inteiro comendo quase nada e não me lembro de ter bebido água. Muitas pessoas pararam no local para ver o que estava acontecendo. Deu para ouvir o policial conversando com uma assistente social, que tentava argumentar a meu favor, dizendo que eu era um cara trabalhador e que gostava muito de praticar esportes. Cidade pequena tem essa vantagem ou desvantagem de todo mundo conhecer todo mundo.
       - Pensei que ele estava fingido para se aposentar...- ouvi um transeunte comentar. 
    A assistente social parece ter convencido o policial, pois ela me levou para um asilo, onde permaneci por 3 dias, pois na cidade não havia um albergue. Depois me levaram para a cidade vizinha, onde fiquei um ano morando em um albergue. As madrugadas costumavam ser tensas, pois havia muitas brigas por causa de drogas e cachaça. Mas ficava quieto no meu canto e os demais albergados me respeitavam. 
   Após um ano fui ao psiquiatra. Já não aguentava mais ficar no meio de multidão de pessoas. sempre quando ia no centro tinha que usar o diazepan ou então me empanturrar de torta de chocolate. Não estava mais suportando sons altos. O jeito foi pedir para o psiquiatra um laudo para tentar a aposentadoria. Anteriormente havia conseguido o auxílio doença, mas tive que continuar trabalhando pois morava em um quartinho na firma que trabalhava. Somos os melhores amigos dos donos de firma enquanto somos produtivos, mas quando entramos no auxílio doença... Fui ridicularizado por todos na firma e quase sofri agressão do dono da empresa. Tive que aguentar tudo aquilo calado, não tinha mais forças para reagir. Foi nessa época que resolvi ir para rua e comer a minha última refeição. 
    O atendimento na psiquiatria nesta cidade era muito bom, o que contribuiu para a minha melhora parcial. Comecei a estudar a esquizofrenia e então me entendi um pouco, pois sempre pensava que era uma pessoa extremamente tímida. 
     O psiquiatra me deu um laudo e assim fiquei cinco anos fazendo as perícias. É uma tensão muito grande, a gente não dorme direito, não sabe como será o nosso futuro. 
    Depois de cinco anos recebi a carta do INSS afirmando que havia conseguido a aposentadoria. Me senti no início mais aliviado do que propriamente alegre. Mas, com o passar do tempo  esse alívio deu um lugar a um enorme vazio em minha existência. Afinal minha vida não tinha sentido algum e tinha que me virar com um salário mínimo. 
   Tentei fazer alguns bicos como operador de som, em  eventos mais simples, tipo voz e violão, no máximo uns dois microfones. Mas o problema não era a quantidade de microfones, e sim a quantidade de pessoas que iam à esses eventos. Desisti de tentar os bicos quando fiquei um pouco mal em um evento que tinha apenas um microfone, um sax e um violão, mas haviam cerca de mil pessoas em um pequeno salão. Tomei diazepan, me empanturrei com brigadeiros, pão de queijo e cheguei á conclusão de que não valeria a pena todo aquele sofrimento. E não estava mais aguentando os sons altos, e ficava meio sem referência se o som estava bom ou não. Os sons mais agudos pareciam que entravam dentro de minha cabeça Naquele dia quase que pedi para o saxofonista parar de tocar, o som do instrumento é muito bonito, mas é um pouco irritante, mesmo quando não colocamos microfone nele. 
    E então minha vida andou sem sentido desde o ano de 2005. Não vou mais em shows, não fui ao estádio quando o meu time foi jogar na cidade onde morava. Não vou em festas, não tenho mais vontade de trabalhar como operador de som. 
    Atualmente só saio de casa para ir almoçar e jogar futebol Até que consigo fazer outras coisas, mas até que acostumei com essa situação e hoje até que curto essa solitude. 
   Os medicamentos que prometem nos socializar me deixam com muito sono. Ou seja, se não saio por causa de uma certa fobia social que tenho, também não iria sair tomando os medicamentos pois iria ficar dormindo o dia inteiro. E isso acontece com várias pessoas que tem esquizofrenia e não conseguem tomar os antipsicóticos. 
    Nesses anos todos as viagens que fiz foi a pé, com a minha mochila e a minha barraca, pelos caminhos da Estrada Real. Na solidão do caminho, onde se pode ouvir até o bater de asas dos pássaros e que tenho a paz plena. Mas não tenho o que reclamar, afinal, se não fosse a ajuda das pessoas, não estaria aqui para contar essa história de uma aposentadoria precoce.... 
    Hoje até encontro um sentido para a minha vida, procuro ajudar as pessoas que estão passando hoje o que passei no início dos meus surtos, seja através do blog, no canal do youtube ou nas redes sociais.
Mas não desejo o que passei e ainda passo para ninguém, nem até para o meu pior inimigo, seja ele imaginário ou não.

O desafio
    E, para piorar tudo, ainda tenho que ouvir de alguns vizinhos onde moro que tenho vida boa, que teve algum esquema para me aposentar. Tenho um vizinho que tem uns 60 anos. Ele é muito obeso e tem uma enorme dificuldade para andar, pois tem diabetes e algumas outras complicações. Ele é bem sarcástico e tenho que ouvir algumas indiretas. Isso não me atinge mais. Às vezes até respondo algumas provocações dele. Mas aí ele fica dando uma de vítima para seus amigos e aí saio como vilão da história. Será que ele tem inveja da minha precoce aposentadoria?
    Outros vizinhos também não veem com bons olhos a minha situação. Quando estava nas minhas andanças estava economizando uma graninha pois não estava pagando aluguel. Consegui comprar uma TV LCD, um home theather e um notebook. E hoje passo boa parte do meu tempo assistindo shows, filmes e documentários, pois, graças ao bendito cado HDMI consigo ver a tela do note na tv e assim assistir coisas assistíveis...
    Resumindo, considero a aposentadoria um prêmio, um prêmio para uma pessoa que procurou e foi por toda sua vida um cara correto e que mesmo nos momentos mais difíceis de sua vida não fez mal a ninguém. Procurei seguir sempre o caminho do bem, o caminho que achei correto seguir, mesmo sabendo que não é esse exatamente o melhor caminho para se dar bem financeiramente em nosso país. Mas a consciência tranquila não tem preço. Nunca fui de bajular ninguém e não será agora que farei isso. Não tem coisa melhor do que sermos quem realmente somos, sem disfarças e segunda intenções. 
bendito cado HDMI que estais na TV... 

     Esses vizinhos provavelmente devem ficar um pouco indignados ao chegarem cansados de seus trabalhos, ao me ver deitado na cama assistindo um filme ou ouvindo música. 
    Ai me veio a ideia de fazer este desafio: convido à qualquer pessoa maior de 18 anos a passar o que passei. O prêmio será o meu salário de aposentado até o resto de minha vida. Posso até assinar um documento e colocar tudo no cartório. Mas a pessoa terá que passar por tudo o que passei e se responsabilizar por algum dano físico que venha lhe acontecer durante "as provas". E tudo isso ainda será fichinha perto do que passei, pois só irei colocar no documento as provações físicas que tive que passar, pois não tem como induzir uma pessoa sentir o que passei na parte psicológica, afinal não tem como fazer uma pessoa surtar e a ter alucinações visuais e auditivas sem que a faça usar drogas. 
  É isso, quem quiser aceitar o desafio do esquizo, pode me enviar um email. Posso ser louco, mas sou um cara de palavra. 

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Copa do mundo...

    A copa do mundo começou ontem, ao meio dia no horário de Brasília. Só fui saber  que havia começado o maior evento esportivo do mundo de noite, ao visitar um site que tenho salvo aqui nos favoritos do navegador. Fiquei surpreso ao saber que a "poderosíssima" seleção da Rússia havia ganho o jogo inicial por uma diferença de 5 gols. 
     A copa do mundo começou. Mas as ruas não estão enfeitadas, o albino da oficina mecânica estava sentado como sempre sentado na calçada por volta de uma hora da tarde, quando saio para almoçar no restaurante popular de Belo Horizonte. 
    As crianças estavam carregando suas mochilas para irem à escola. No centro, tudo na tradicional agitação do comércio, mas não estavam vendendo bandeirinhas do Brasil e aquelas irritantes e barulhentas cornetas. As lojas não estavam enfeitadas de verde e amarelo. 
    O que teria acontecido? Ou os brasileiros tomaram consciência de que existem prioridades ou a situação está tão complicada que nem o futebol está servindo para amenizar um pouco a dor desse povo tão sofrido como o nosso. Ou foi a lição que aprendemos fatídico 7x1 contra os alemães? 
    É, o Brasil parou com a greve dos caminhoneiros, mas parece que a copa do mundo não está mais paralisando o país como antes... 

domingo, 10 de junho de 2018

Livro Mente Dividida- revisão 2018

     Resolvi escrever o livro Mente Dividida no ano de 2012, à pedido de amigos virtuais que conheci nas comunidades do falecido Orkut e também do MSN. Era aquele papo de psicóticos: "que remédio você está tomando?", "como foram seus surtos?", "consegue ter uma vida razoável?". 
    E, contando um pouco de minha história boa parte dos meus amigos me aconselhavam a registrar tudo em um livro. Analisei tudo que me aconteceu e havia chegado à conclusão de que era realmente uma história diferente e bem interessante. Não cheguei a ficar internado, pois não era agressivo, e devido à esse fato e por morar sozinho passei por situações bem complicadas, indo parar a morar nas ruas de Belo Horizonte por alguns meses. 
   Mas, graças a ajuda e a solidariedade de muitas pessoas consegui sobreviver e voltar a realidade. Surtei outras vezes e mais situações complicadas tive que passar. Mas por sorte ou outro motivo qualquer ainda estou vivo e atualmente procuro ajudar as pessoas que estão passando agora o que passei nesses anos difíceis. 
    Ainda passo por situações complicadas, mas hoje tenho um pouco de consciência sobre o que tenho. Procuro tirar proveito das situações difíceis para aprender coisas que não aprenderia se tivesse tudo em minha mão. No meu caso foi preciso surtar para me conhecer melhor. 
   Como já relatei, escrevi o livro no ano de 2012 e de uma maneira um pouco apressada. Com a prática da escrita que tive no blog resolvi fazer uma pequena revisão no livro (sem alterar nada), apenas para melhorar um pouco o texto. 
    Já havia esquecido alguns trechos do livro, e confesso que ri e chorei ao relê-lo. É uma história interessante, com "estranhas coincidências" e situações complicadas. 
   Abaixo o link para download ou visualização do prefácio do meu livro que estou disponibilizando no momento apenas no formato em PDF. Informações sobre como adquirir está no link abaixo:

Prefácio do livro Download:

Como adquirir o livro 
 Ou então clique na imagem do livro no lado direito superior da página.
Mais uma vez gostaria de agradecer à todos os leitores do blog e todos que me ajudaram financeiramente até hoje. 
    Para maiores informações envie um email para:
memoriasdeumesquizofrenico555@gmail.com