sábado, 25 de julho de 2015

De perto todo mundo é louco...

                                                          Filme O grande mentecapto
    Sinopse
    Geraldo Viramundo (Diogo Vilela) é um cara simpático e com ideias absurdas. Genial e/ ou insano, ele decide abandonar a sua pequena cidade em Minas Gerais e ganhar o mundo. Seu objetivo é desestabilizar o sistema e seus cúmplices são as prostitutas e os desvalidos.
   
   Há uns dez dias atrás assisti esse maravilhoso filme, baseado no romance do grande escritor Fernando Sabino. Sou suspeito para comentar filmes nacionais, pois até os considerados ruins pela maioria eu curto. E, para melhorar ainda, aborda o tema loucura. Não tinha como deixar de comentar, pois desde o início do filme me identifiquei e muito com o personagem principal do filme.
   Desde pequeno já tinha as minhas maluquices, sendo que por volta dos sete anos a minha avó chegou a me levar para um hospital, a fim de fazer um eletroencefalograma na minha caixola. Esse exame provavelmente não resultou em nada, pois não fui levado à nenhum profissional que cuida de nossas loucuras e demências. A verdade é que o tipo de loucura que eu tinha não era detectada e nunca vai ser por simples ondas elétricas...
   Era um garoto alegre, triste, bagunceiro, sem noção, despreocupado e que desconhecia a palavra medo. Quando criança me enturmava com os adolescentes da época e me lembro de um cara sacana que, ao atravessar a movimentada avenida Amazonas, em Belo Horizonte, deu uma corrida e me deixou no meio dos carros. Tive o sangue frio de ficar parado, para me desviar dos carros e deixar que os motoristas se desviassem de mim. Sabia que, caso corresse, poderia ser atropelado com mais facilidade. O cara, ao me ver chegar no outro lado da avenida, disse que ficou impressionado com a minha coragem. E eu fiquei impressionado com tamanha sacanagem.
    Mas quando comecei a virar adolescente comecei a me enturmar com as crianças de oito e dez anos de idade. Não saia do prédio vizinho, para ficar o dia inteiro brincando de futebol, de "esconde esconde", queimada, war e banco imobiliário. E de noite roubar mangas do vizinho, apesar que de eles nos dava um saco enorme na época dessa fruta, mas sabe como é né? O prazer e a delícia está em provar algo de uma aventura....

    E não tinha medo de nada mesmo. Me lembro até hoje que meus colegas, por acidente, colocaram fogo em um fusquinha que estava estacionado na pracinha que ficava em frente de nossa casa, no bairro prado, em Belo Horizonte. Eles estavam soltando bombinhas (cabeça de nego, pra falar a verdade) e um deles deixou cair um palito de fósforo bem em cima da gasolina que estava vazando do veículo. Imediatamente parte do carro começou a pegar fogo e todo mundo saiu correndo, cada um para sua casa, menos eu. Talvez eles tivessem pensado que o carro iria se explodir, como acontece nos filmes. Eu, não sei se por sangue frio ou por retardadice mesmo, fiquei ali parado, por alguns segundo, pensando no que poderia fazer. Não sei como mantive a calma e a serenidade naquela situação, mas, depois de algum tempo corri para a casa de um amigo que e disse o ocorrido. Rapidamente apareceram pessoas de todos os lados, com baldes na mão e o fogo foi debelado e o carro não explodiu como nos filmes da época. A culpa acabou sendo minha, como sempre. Afinal eu era o capetinha da rua, e tudo de ruim que acontecia por lá era culpa minha.

    Mas, vamos voltar ao filme, pois se for para contar as minhas estripulias de criança teria que escrever um livro inteiro...
    Assim como Giramundo, sai de casa cedo para viajar por ai, em busca de algo que não sabia exatamente o que era. Estava dentro de mim, não ficar em um local fixo, não ter compromissos sérios. Comecei então a trabalhar como operador de som, aos 17 anos, apesar de ter estudado eletrônica por quase quatro anos...
    Me lembro que recusei dois estágios na área de eletrônica por não querer cortar o cabelo. Havia trabalhado alguns meses como ajudante de serviços gerais em uma oficina de compressores, mas não me enquadrei naquele estilo de vida. E também dizia o que pensava, inclusive para o patrão:
    - Júlio, qual é o código do parafuso do compressor da marca tal? - perguntou o patrão.
    - Sei lá, se o senhor, que trabalha com isso há mais de trinta anos não sabe, eu que vou saber? - respondi, prontamente, e mais prontamente ainda fui despedido...
    E depois trabalhei 17 anos de minha vida como operador de som e, assim como Giramundo, andando pelos quatro cantos de Minas Gerais. E não conseguia permanecer por mais de um ano em uma mesma empresa. Tinha a necessidade de conhecer novos lugares e pessoas. Também como o personagem principal do filme, pensei em ser padre. Era uma forma de escapismo social, mas não conseguia me enxergar realizando uma missa, falando para um monte de gente, e não sendo um santo. Na minha cabeça, para ser padre tinha que ser santo, ou pelo menos tentar ser...
    E, mesmo depois de me aposentar, continuei com as minhas andanças, depois de morar por quase oito anos em um mesmo local, que foi dominado pelos "crackudos". Não por que eu tinha medo deles, mas certo dia quase fui dessa para outra ao discutir com um viciado em crack. Não gosto de confusão e brigas, mas os caras quando são dominados por essa droga chegam a ficar insuportáveis, e eu estava morando no meio de um monte deles. O aluguel era barato, o meu quarto era muito bom, mas a paz e a liberdade, que são as coisas mais importantes para mim, já não tinha mais. Era a hora de sair por ai para conhecer novos lugares...
eu, minha barraca, minha mochila e Deus... 

    As minhas andanças duraram cerca de dois anos, queria continuar por mais um tempo, para conhecer o Brasil inteiro, esse país maravilhoso com um povo mais maravilhoso ainda. Mas posso ser louco, mas não sou irresponsável e procuro respeitar as pessoas. O que me fez desistir por enquanto das andanças foi a violência que está tomando conta das grandes cidades e também a questão da higiene. Durante esse período, roubaram o meu celular e quase levaram o meu notebook. Nas viagens e mesmo quando ficava dando um tempo em Belo Horizonte, confesso que já tive que urinar algumas vezes nas ruas. Não acho isso legal, se eu tivesse um filho não gostaria que ele visse uma cena dessas. Bebo muita água e, consequentemente vou ao banheiro também com mais frequência do que a maioria das pessoas.  Então, por uma questão de coerência, resolvi voltar a ficar no meu cantinho novamente. Mas confesso que o tédio à todo momento me dá uma inquietação e vira e mexe me pego sonhando percorrendo os caminhos da estrada real, em Minas Gerais.
    Meu cabelo é esquisito, as pessoas provavelmente me acham esquisito, mas hoje em dia não dou bola para o que pensam de mim. Quando passei a dar importância para esse fato, foi o momento em que enlouqueci de verdade, e não foi a loucura positiva, foi a piração total, as paranoias e o sentimento de que o mundo estava contra mim. Em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais as pessoas diziam que eu tinha aids, que eu tinha pacto com o tinhoso, entre outras coisas mais. Hoje sei que a culpa desses boatos não foi minha, pois, como já disse, morei em diversas cidades e não tive nenhum tipo de problema parecido em nenhuma delas, somente nesta cidade...
    Então não aguentei aquela realidade tão suja, tão covarde, e surtei. Passei por maus bocados e quase fui dessa para outra, mas, hoje, agradeço ao povo daquela "província" por terem me enlouquecido, pois, foi a partir daquele momento que começou o meu processo de autoconhecimento. Foi um duro processo, que valeu a pena em certos aspectos, pois hoje eu sei quem eu sou de verdade.
   Esse texto que recebi em um ônibus parece que foi coisa de lá de cima:
http://memoriasdeumesquizofrenico.blogspot.com.br/2012/07/o-louco.html
    Hoje não tenho vergonha nenhuma de dizer que sou um louco: louco pela vida, pela natureza, por um amor platônico que sei que nunca irá se concretizar, pois sei que não existe nenhuma louca como eu. É a louca que idealizo e que prefiro mantê-la intacta em meus sonhos. E, para mim o verdadeiro sinônimo de loucura é coragem, a coragem de falar o que se sente e o que se pensa, de ser o que é e pronto...
    Cada um tem dentro de si suas loucuras e seus desejos quase secretos. A diferença é que a maioria não dão vazão à toda essa loucura, pois preferem ser certinhos e se enquadrarem dentro dos padrões da nossa sociedade.
    Sou louco por dizer o que sinto, e por agir de acordo com os meus princípios, mesmo sabendo que não terei grandes oportunidades na vida sendo desse jeito. Não era um cara lindo, mas deixei muitas oportunidades de ter alguns relacionamentos, pelo simples fato de saber que o que mais prezo no mundo e a liberdade, não só de ir e vir, mas principalmente de ser eu mesmo.
    Prefiro as pessoas loucas, imprevisíveis. Não quero um ser moldado pela sociedade e que sei exatamente quais serão as suas reações e atitudes. A solidão é muito melhor....
    Ser louco não quer dizer irresponsabilidade, só pelo fato de não me apegar a certas situações e comodidades. Cuido da minha saúde, dentro das minhas possibilidades, mas não deixo de apreciar um bom x-tudo com bacon e um bom brigadeiro ou então um delicioso pudim de leite e os quitutes da culinária mineira.
frustrada tentativa de fazer uma palha italiana, mas, apesar do visual, o negócio ficou gostoso...

    Cumpro com os meus deveres e pago as minhas contas, com o dinheiro que recebo de minha aposentadoria. Muitos acham que tenho uma vida boa, mas garanto que eles não iriam topar receber um salário mínimo de aposentadoria caso precisassem de passar por tudo o que passei. Nem eu toparia, se isso fosse colocado como "prêmio" por passar no teste da loucura paranoica. Nem se fosse por dois salários mínimos. A verdade é que não estando surtado, não conseguiria andar por tanto tempo sem me alimentar e me hidratar. Não tem como... de verdade mesmo. Parece que, quando estamos surtados, a adrenalina ou a dopamina aumentam tanto que nos permitem fazer estas coisas que normalmente não conseguiríamos fazer.
    Às vezes quem não vai com a minha cara, joga uma indireta ou até uma direta mesmo, me chamando de louco, doido, etc, pois essa é a única coisa que conseguem enxergar em mim. Não sei qual é o pecado ficar quieto em seu canto e não conversar com ninguém. Se isso gera antipatia, não posso fazer nada, as pessoas deveriam se preocupar mais com quem fala muito e mentiras.
    Mas, se por acaso alguém queira me ofender, que me chamem de normal....


sábado, 18 de julho de 2015

Divagações esquizofrênicas 10

maquete da futura rodoviária de Belo Horizonte
    Finalmente os órgãos competentes irão remover todo o lixo e o matagal que tomaram conta da área em que será construída a nova rodoviária de Belo Horizonte.
    O local está perigoso de se andar, devido à presença de meliantes. Há algumas semanas atrás tive que intervir em uma tentativa de assalto: dois caras, sendo um deles armado, tentaram roubar o celular de um cara que aparentava não mais de 18 anos. Intervi por que senti que a arma provavelmente era uma réplica. Não entendo muito de armas, mas pude perceber isso pela expressão de medo do assaltante ao me ver, pois estava indo em sua direção à fim de acabar com aquela cena. Mas, analisando o fato depois de algum tempo, vi que havia arriscado a minha própria vida. Já pensou se a arma fosse de verdade? Este ano em Belo Horizonte já mataram duas pessoas que reagiram à roubos de celulares. Mas a verdade é que os caras saíram correndo, ao me verem, acho que perceberam a minha expressão de raiva, sei lá. Só sei que estou cansado de tudo o que está acontecendo, os roubos, o medo que as pessoas vivem andando nas ruas. O pior de tudo é que o garoto nem me agradeceu, foi embora, enquanto eu olhava os meliantes evadirem do local. E não é que pensei em correr atrás deles? Só que os caras aparentavam uns 25 anos de idade e provavelmente com os meus 46 anos não conseguiria alcançá-los. Mas será que o garoto pensou que eu também fosse um assaltante? Tipo querendo dizer para os meliantes que aquela área era só minha e portanto só eu quem poderia assaltar por ali?
    Realmente há muito mato no local, só não tirei alguma fotos ou filmei por que os usuários de crack poderiam imaginar que eu estava filmando-os. Essas drogas causam paranoias, como a mania de perseguição, assim como na esquizofrenia. Por isso entendo um pouco a reação deles. A diferença é que eu não pedi para ter esse tipo de transtorno, só experimentei maconha três vezes em toda a minha vida. Mas os usuários de crack chegam a pensar que estamos telefonando para a polícia, caso nos vejam usando um celular perto deles.
o lixo e o mato tomaram conta do local...
    As mulheres hoje em dia andam pelas ruas assustadas, segurando suas bolsas com firmeza. Fico chateado quando elas fazem esse gesto ao me verem. Tenho o costume de andar rápido e à passos largos, para chegar rápido em casa. Talvez esse fato, aliado à paranoia coletiva que toma conta da cidade, faça com que elas façam esse gesto ao me verem. E isso é como se elas estivessem me chamando de ladrão, dente outras coisas. Quando uma mulher passa ao meu lado e não segura a bolsa, chego a ficar tão feliz que quase agradeço em voz alta por não suspeitarem de minha pessoa. Não ando totalmente desarrumado, mas também não ando de terno e gravata...
    Sei que a culpa de tudo isso não é minha. Como disse, é uma paranoia coletiva, todo mundo está com medo de todo mundo. Até que se eu cortasse o cabelo, fizesse a barba com frequência e andasse de terno e gravata e segurando uma bela pasta de couro legítimo, as mulheres talvez pensassem que eu não seja um ladrão. Mas ai surgiria um outro problema: andar tão elegantemente assim chamaria a atenção dos meliantes e eu seria uma potencial vítima dessas pessoas que fazem de tudo para manter os seus vícios ou simplesmente querem comprar roupas de marca.
    Às vezes chego à pensar em morar em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais, na roça mesmo. Montar uma casa de madeira perto de uma cachoeira e comprar uma bicicleta para comprar as "coisas de comê" na cidade...
    Fico triste à cada vez que uma mulher segura uma bolsa ao me ver, é como ser confundido com um ladrão. Trabalhei 17 anos de minha vida como operador de som, sempre paguei as minhas contas e hoje só devo para um banco. Afinal é isso que essas instituições querem: nos endividar para cobrar juros altíssimos.... Mas não gosto de ficar devendo às pessoas.
    Um certo banco faz com que os aposentados assinem cerca de sete folhas, quando vão pegar o primeiro pagamento e fazer o cartão da conta salário. Eu cai nesse golpe. Não por que estava com preguiça de ler, é que o meu vocabulário jurídico não é dos melhores... Depois de um mês é que fiquei sabendo que havia contratado um seguro de vida e aberto uma conta corrente. O seguro de vida cancelei no primeiro mês, depois de inúmeras ligações. Já a conta corrente só fui descobrir três meses depois, pois na época tinha vários empréstimos pequenos e não percebi a diferença na hora de receber o pagamento. Menor que os empréstimos era a letra que mostrava a mensalidade da conta corrente.
Fui no Procon, mas perdi a causa, pelo simples fato de ter assinado aquelas malditas folhas. E ainda tive que ver o advogado do banco dar um sorrisinho sarcástico. Foi complicada aquela audiência, o advogado que me defendia me avisou que eu não poderia falar nada, e que não me exaltasse. Tive que me segurar ao máximo, pois o advogado também poderia ser preso...
    Mas, voltando à limpeza da área da futura rodoviária, espero que não só limpem o lixo e o mato, como também melhorem o policiamento no local. Queremos que apenas o progresso avance, e não a violência....
       Tenho consciência de que esse medo da população é generalizado, e não é especifico sobre a minha pessoa. Mas confesso que muitas vezes chego a pensar que colocaram na televisão a minha foto afirmando que, pelo fato de ser esquizofrênico, eu seja uma pessoa perigosa... É a mente dividida entre a realidade e a fantasia... Também o fato de andar um pouco mais rápido do que o restante da população pode causar um pouco esse medo.
    Mas, como já disse várias vezes, ter consciência da situação problemática ajuda muito, mas não resolve. Se pudesse fazer uma limpeza na minha mente, como em um HD, seria ótimo: removeria os arquivos e lembranças inúteis, tudo de negativo que aconteceu em minha vida e só manteria as lembranças boas. Mas não somos máquinas, e, para esquecer a realidade as pessoas geralmente tomam "umas" ou então apelam para as drogas, tantos as ilícitas como as lícitas....
    As ilícitas, nem cogito em usar, já me ofereceram algumas vezes, principalmente nesses dois anos de andanças, Já chegaram a falar que o crack não vicia, que podemos parar quando quisermos. Mas não aceitei e nunca irei experimentar. A maconha, apesar de muitos a defenderem, também não penso em usar. Já vi usuários dessa droga que não tem nenhum tipo de transtorno mental, mas conheço portadores de esquizofrenia que relataram que os surtos começaram após o uso dessa erva. Na minha humilde opinião, acho que essa droga em si não causa as paranoias, só nas pessoas que tem a tendência a ter algum tipo de transtorno mental. Essa é a única explicação que encontrei para o fato de alguns não terem nenhum problema ao consumir a erva e já outras pessoas terem desenvolvido a esquizofrenia e outros transtornos mentais, principalmente a esquizofrenia. Por meio das dúvidas, prefiro não experimentar, quero preservar os poucos neurônios que me restam...
    Já as drogas lícitas (antipsicóticos) experimentei várias, e no meu caso em particular, não adiantaram muita coisa. Se por um lado as paranoias sumiram, também com elas se foram a vontade de viver e até mesmo de acordar para almoçar. Difícil de achar um caminho do meio, um equilíbrio nesta situação. Mas não desisto, ainda irei encontrar uma solução para viver em paz....

Cloreto de magnésio
   Outro dia recebi um email em que uma pessoa me pedia mais informações sobre o "remédio" contra a esquizofrenia chamado cloreto de magnésio. Como já disse em outros posts, o blog não é somente sobre esquizofrenia. É sobre o que se passa na mente de um cara que tem o problema. Costumo dizer que não sou esquizofrênico, e sim um portador de esquizofrenia, que tem o seu jeito de ser e pensar únicos. Cada portador tem a sua individualidade, claro que alguns sintomas nos fazem parecer iguais, mas não é bem assim. Mas o cloreto de magnésio, como expliquei nos posts não é para a esquizofrenia, se bem que senti uma melhora nos sintomas negativos. Mas as paranoias continuam. Postei links e passei o maior número de informação possível sobre este mineral, que é essencial em nossas vidas e, devido aos agrotóxicos, as frutas e verduras atualmente não estão sendo boas fontes de magnésio. Já o ômega 3 é bem recomendado, tanto para quem tem esquizofrenia como para os "ditos normais"....
     Confesso que já desisti dos medicamentos antipsicóticos. Sinto que eles tratam apenas os sintomas, e não a causa da esquizofrenia, se é que existe uma única causa.... É algo parecido que ocorre na dengue. Quando somos infectados, tomamos paracetamol, que é para aliviar as dores de cabeça e as dores que sentimos pelo corpo. O paracetamol não trata e não mata os vírus da dengue, apenas aliviam os sintomas. Os antipsicóticos apenas diminuem a dopamina no organismo da pessoa, o que as deixam dopadas, sonolentas e sem motivação. A dopamina é necessária, mas na medida certa. Ela é a substância da motivação, da vontade de realizar coisas. Confira no link abaixo:
    Para que estejamos bem, todas essas substâncias tem que estar na medida certa em nossos organismos. Mas vou tentar me exercitar, me alimentar bem, ter hábitos saudáveis, enfim, alternativas. Não quero depender de medicamentos para o resto de minha vida. Talvez uma dessas alternativas funcione como um placebo, assim como aconteceu na primeira vez que usei a fluoxetina (prozac) que na época era considerada a pílula da felicidade. Realmente eu estava acreditando que estava tomando uma pílula milagrosa e me senti muito eufórico nos primeiros dias. Era só tomar e pronto... Mas depois de algum tempo as coisas voltaram ao normal.... 

 CDE - Central de Downloads do Esquizo
    Esta semana estou disponibilizando o livro "Feliz Ano Velho", que li na década de 80. É sobre a vida de um cara, que, por uma cagada, resolveu dar um mergulho em uma cachoeira rasa e acabou ficando tetraplégico. O cara relatou todo o seu sofrimento e angústia depois do acidente de uma maneira simples e até bem humorada, o que influenciou um pouco a minha maneira de escrever e ser também. Estudava na época em um colégio de freiras, tinha uns treze anos, mais ou menos. Antes só havia lido Machado de Assim e companhia. Confesso que até fiquei assustado ao ler e saber que era permitido escrever pequenos palavrões em livros. O colégio tinha suas normas, me lembro que até cheguei a passar mal no dia da minha primeira comunhão. Os meus colegas de classe ficavam falando que quem não contasse todos os pecados para o padre, a hóstia iria se transformar em sangue dentro de nossas bocas. Fiquei com febre, suei frio naquele dia, quase caguei nas calças para falar a verdade. Eram muitos pecados para serem contados, pensei até em anotar tudo em uma folha de papel, tamanho era o meu medo. Mas, no final acabei apenas contando uns pecadinhos para o padre, que me mandou rezar dez ave marias e dez pai nossos. 

  Livro: Feliz ano velho
  Autor: Marcelo Rubens Paiva
     Publicado originalmente em 1982, esse livro é um relato do acidente que deixou Marcelo Rubens Paiva tetraplégico, poucos dias antes do natal de 1979. Jovem paulista de classe média alta, vida boa, muitas namoradas, ele vê sua vida se transformar num pesadelo em questão de segundos. Durante um passeio com um grupo de amigos, Marcelo resolve dar um mergulho em um lago. Meio metro de profundidade. Uma vértebra quebrada. O corpo não responde. Começa ali, naquele mergulho, a história de "Feliz Ano Velho." Apesar do tema trágico, o livro tem momentos de humor, ternura e erotismo. Marcelo se encarrega de colocar em palavras a relação de amor e respeito à mãe, o carinho das irmãs, a camaradagem e o encorajamento da turma, as festas e fantasias sexuais.

     Até hoje, com três anos de blog e quase 250 postagens, confesso que recebi praticamente só elogios. Poucas críticas. Algumas delas procurei tirar proveito e lições, outras nem dei atenção, pois não é difícil descobrir quando a pessoa só quer te deixar para baixo. Já cheguei a receber críticas no facebook de algumas pessoas por fingir que tenho esquizofrenia, por brincar com algo tão sério que é esse transtorno. Realmente concordo, a esquizofrenia é um transtorno complicado, incapacitante até em alguns casos. Mas aprendi na vida que não vale a pena ficar só se lamentando pelo ocorrido. Claro que temos que ficar tristes pelo ocorrido, frustrados, revoltados até. Mas também devemos tentar levar as coisas de uma maneira mais leve e tirar lições que a vida nos ensina. No meu caso, chego até à brincar, dizendo que irei processar a baygon por propaganda enganosa, pois o veneno que tomei deste laboratório não adiantou em nada, como podem ver. 
   Brinco com outras situações também pelas quais passei, afinal, o pior passou, claro que ainda os sintomas negativos e as paranoias atrapalham e muito, mas poderia ter sido muito pior.
    Para acessar a CDE e baixar este e outros livros é só clicar na imagem no lado direito da página (parte de cima). 

Postagem crentofóbica?
    Por falar em polêmica e falta de compreensão, gostaria de dizer que a minha intenção no último post não foi ofender de nenhuma forma os verdadeiros evangélicos. A postagem foi simples, como sempre costumo fazer. Só tentei dizer, que existem os crentes fanáticos que se acham melhores do que todos, e que existem os evangélicos, que, à exemplo de Cristo, procuram da melhor maneira possível ajudar as pessoas e levar o que elas acreditam à um maior número de pessoas, mas sem serem irritantes ou insistentes. Muitas pessoas me criticaram no facebook, sem ao menos ler a postagem. Fui excluído de alguns grupos e até tive que bloquear algumas pessoas que criticavam com insistência. Mas felizmente a maioria entendeu e o facebook está se tornando uma rede social que está polarizando demais as pessoas. 

sábado, 11 de julho de 2015

Crentofobia

para que tanto ódio?
    Bem, como a maioria dos leitores já devem ter notado, este humilde blog não fala somente sobre esquizofrenia. Às vezes, como qualquer cidadão comum, costumo dar meus pitacos sobre outros temas também. Afinal, a vida de um portador de esquizofrenia não é somente esquizofrenia, não devemos atribuir tudo o que nos acontece ao transtorno da mente dividida. O blog se chama Memórias de um esquizofrênico e não memórias esquizofrênicas.
    O assunto de hoje é a ferrenha batalha entre alguns pastores e seus seguidores contra os defensores da causa LGBT. Não quis comentar o assunto quando estava no auge da discussão, para evitar polêmicas. Cada um tem o direito de se expressar, desde que não invada o espaço dos outros, e também não precisando discutir, no sentido de brigar mesmo. Não faço parte de nenhum dos lados em questão, tenho a minha opinião própria. Não que eu queira ficar em cima do muro, mas, como já diz a música do grande Zeca Baleiro, "Minha tribo sou eu"...
    Não sei bem quando tudo começou exatamente, mas os ânimos começaram a ficar mais exaltados após a última parada gay, em São Paulo, quando a transexual Viviany Beleboni, de 26 anos, desfilou pela Avenida Paulista encenando a crucificação de Jesus.
    A bancada evangélica em Brasília não gostou nada dessa atitude e chegou a propor um projeto de lei, que torna crime hediondo qualquer ato que seja considerado um ultraje a fé cristã. A pena para esse tipo de crime poderá ser de até oito anos... Enquanto isso os nossos adolescentes continuam a cometer barbaridades sob a proteção de uma lei criada há mais de quarenta anos ou mais.
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/06/1640253-apos-parada-gay-deputado-quer-que-cristofobia-vire-crime-hediondo.shtml
    Como sempre, o pastor mala sem alça, ops, quer dizer, malafaia, não ficou fora da discussão, apesar da cruz ser um símbolo da igreja católica. Os próprios evangélicos são contra esse tipo de simbologia religiosa, não consideram a cruz e nenhum tipo de imagem usada nos cultos da igreja católica. Até que faz sentido, pois, se Jesus morresse esfaqueado, os católicos usariam uma faca no pescoço?
 
    Mas, voltando ao irado pastor, ele, como sempre efusivo e exaltado, deu o seu pitaco, e,não aliviou. Os defensores da causa LGBT não gostaram muito do discurso do pastor e da bancada evangélica, para muitos considerados homofóbicos. O jornalista Boechat teve uma calorosa discussão virtual com o pastor mala sem alça que chamou a atenção do pais inteiro.
    Alguns pastores e líderes religiosos até que compreenderam o ato da transexual e não a condenaram, entendendo que aquela cena foi uma forma simbólica de mostrar para o mundo que todos os dias vários homossexuais são condenados e crucificados pela sociedade. Mas a maioria, evangélicos, como o pastor Feliciano, condenaram o ato, e, numa tentativa de colocar a transexual contra a população, colocou a imagem dela crucificada em outros movimentos e protestos. Entenda melhor esta situação lendo o link abaixo:
http://noticias.terra.com.br/brasil/cidades/viviany-beleboni-transexual-crucificada-processa-marco-feliciano,100bd849da7594157ed5e4c57fd45865gpoxRCRD.html

Entenda um pouco a briga entre mala sem alça e o Boechat

    Como já afirmei, não sou defensor da causa LGBT, e também não sou a favor desses "pastores" que se dizem representantes da moral e dos bons costumes. Sou a favor do respeito, cada um é dono do seu próprio corpo e fazem dele o que bem entender, desde que se respeite o direito dos outros. Ninguém é obrigado a ver duas pessoas fazendo sexo em um local público. Não tem como esconder isso, alguns homossexuais tem essa prática, não tem como negar. Claro que heterossexuais também tem essa prática, mas isso é muito mais comum entre os homossexuais. Espero que entendam o que estou tentando transmitir, que é o respeito ao próximo. Não tenho nada contra os homossexuais e nem contra os evangélicos. Só gostaria que alguns homossexuais fossem mais discretos e que os pastores, principalmente lá de Brasília, trabalhassem mais e falassem menos e que tratassem de assuntos mais importantes, ainda mais na atual situação em que se encontra nosso país.
    Creio que nessa questão os dois lados deveriam ceder um pouco. Um pouco mais de respeito de alguns homossexuais escandalosos e mais tolerância dessas pessoas que se dizem "crentes"...
    Conheço evangélicos e homossexuais, e respeito à todos, não vejo nada demais nisso. Jesus que era o filho de Deus andava no meio dos pecadores e escolheu pescadores como discípulos. Pelo que sei, uma das poucas vezes que entrou em uma igreja foi para expulsar os comerciantes que se encontravam no local. Então, por que eu, um cara cheio de falhas e erros, irei me achar melhor do que os outros e passar a condenar tudo o que não concordo e não me agrada? As pessoas, nas redes sociais, estão se polarizando demais, e, como um imã, acabam se repelindo umas às outras. Ou você está no pólo negativo ou no positivo, não tem como ficar no meio.
    Essa polarização começou a tomar uma dimensão maior na última eleição para a presidência do nosso país, sobretudo no segundo turno: Dilma x Aécio, PT x PSDB, ricos X pobres, sulistas x nordestinos, e por ai vai. Não tinha meio termo, tudo muito generalizado.
    Mesmo após as eleições as discussões nas redes sociais ficaram acirradas e tensas. O foco mudou um pouco, com os acontecimentos: a maioridade penal, os justiceiros, e agora a discussão entre os defensores da causa LGBT e de evangélicos que se autodenominam defensores da família.
    Quem sou eu para falar e citar trechos da Bíblia sagrada. Além de não tê-la estudado o suficiente, não me considerado apto para tal ato. Creio que é preciso ter uma vida muito reta para sair pregando lição de moral por ai com um microfone na mão. Mas posso falar sobre o que vi e vivi em todos os meus 46 anos de existência neste planeta chamado terra.

   Frequentei diversas igrejas evangélicas: algumas gostei muito e me senti bem, outras nem tanto, devido principalmente a rigidez das normas. A impressão que se dá é que termos que ser santos, totalmente puros, sem pecado nenhum, nem em pensamento. Cada denominação tem suas regras, e, em algumas igrejas os homens não podem nem sentar perto das mulheres. Era tudo muito separado: os casados, os solteiros, as crianças e os idosos. Não vejo maldade nenhuma em sentar perto de uma mulher em uma igreja. Essa regra é a própria confissão de que as pessoas só pensam em sexo. "Não podemos sentar perto das mulheres, por que não iremos prestar atenção no pastor e sim na mulher..."
    Hoje em dia, depois dos meus surtos, qualquer lugar que não seja o meu quarto não me é agradável, a realidade é esta. Tenho consciência de que isso vem de mim, mas não sei como resolver esta questão. Então ninguém irá me ver frequentando uma igreja evangélica, mas também não me encontrarão em um baile funk fazendo certas estripulias... Meu mundo é o meu quarto, meu notebook, minha TV e o meu home theather, para me sentir em um cinema quando assisto algum filme... Mas não desisto, vou continuar na luta, mas não vou ficar à espera de que apareça um medicamento milagroso que cure as minhas paranoias sem me detonar fisicamente. Além de não nos detonar fisicamente, esse medicamento milagroso teria que anular as paranoias sem nos deixar meio robotizados, sem emoções. Acho que os cientistas ainda continuam pensando que a esquizofrenia é apenas um desequilíbrio químico. Ai criam inibidores da dopamina e dopam o paciente e ai dizem que está tudo bem. Mas esquecem de outros fatores, com o psicológico. Já vi psiquiatras compararem a esquizofrenia à diabetes, que basta controlar a dopamina e pronto. Creio que estão apenas tratando um dos sintomas. Vou citar a dengue: quando pegamos dengue, vamos ao posto de saúde e o médico nos receita paracetamol para dar uma aliviada nas dores, mas não resolve o problema da dengue em si, e a solução é apenas esperar e esperar... Com a esquizofrenia creio que ocorra o mesmo, trata-se um dos sintomas, que é o aumento da dopamina...
   Mas não poderia de agradecer neste post aos verdadeiros evangélicos que apareceram em minha vida, em alguns momentos especiais. Se foi coincidência, obra do acaso ou intervenção divina, não sei dizer. Me lembro de Laura, de Salvador, na Bahia, que, sem ao menos me conhecer, me acolheu em sua casa por quase um mês, no ano de 1992 (me lembro bem da data, já na época tinha o hábito de escrever algumas memórias..). Estava trabalhando em uma cidade do interior de Minas Gerais, e, do nada me deu vontade de trabalhar em Salvador, em um trio elétrico qualquer, sei lá... Foi um impulso e não tinha nada planejado e ainda cometi a burrice de ir para a capital baiana em pleno carnaval, ou seja, as firmas de sonorização e trios elétricos já estavam com seus quadros de funcionários completos.
    Então, depois de quase um mês em Salvador, dormindo em hotéis, a grana havia acabado. Fui dormir em um banco da praça. E lá estava Laura, pregando em voz alta, para quem eu não sei, pois todo mundo passava direto e nem ligava para o que ela dizia. Mas ela não desistia e não parava um minuto sequer. "Essa mulher é doida..." pensei, de início. Mas, no final da pregação, resolvi ir até ela para que orasse por mim e quem sabe Deus ouvisse minhas preces. Confesso que sou daqueles que pensam mais em Deus nos momentos difíceis. Quando a coisa volta ao normal, esqueço de tudo. É algo parecido com alguns bandidos que, quando são presos, não desgrudam da bíblia nas celas. Chegam a decorar a bíblia quase toda e até conseguem discutir de igual para igual com alguns pastores. Mas, depois que conseguem a liberdade, voltam para o mundo do crime...
    Me lembro que conheci pessoas bastante legais e divertidas quando frequentei a igreja Batista em uma cidade do interior de Minas Gerais, tirando o preconceito que eu tinha, imaginando que todos os evangélicos fossem pessoas carrancudas, moralistas e que não se divertiam.
    Quando estive nas ruas, durante o meu primeiro surto psicótico grave fui muito ajudado pelos evangélicos, mas também por espíritas e católicos. E também por pessoas que não professavam nenhuma religião.
    Me lembro de um casal de evangélicos sorridentes, que, ao me verem sentado na rua, pararam e começaram a conversar comigo. Ficamos um bom tempo batendo papo, e, ao contrário de alguns "crentes" não disseram que eu estava com o "tinhoso" no corpo. Até me deram uma bíblia de uso pessoal deles, pois vários versículos estavam marcados e havia algumas anotações que achavam importantes. O cara até chegou a me levar para a igreja batista da lagoinha, para tentar alguma ajuda que me fizesse sair das ruas. Até hoje guardo com carinho a bíblia que eles me deram.
    Ainda neste primeiro surto grave, fui atendido por um pastor psicólogo da igreja presbiteriana. Estava perambulando pelas ruas do bairro barro preto, quando avistei a placa de um consultório de psicologia, no segundo andar de um prédio. No primeiro andar funcionava a igreja presbiteriana. Era o ano de 2003. Estava começando a me recuperar do surto e já havia perdido quase que totalmente o medo de conversar com as pessoas, a mania de perseguição havia diminuído consideravelmente. Havia também recuperado o meu peso e estava me sentindo muito bem fisicamente, até parece que o jejum forçado no meio do mato durante a crise serviu para dar uma limpeza em meu organismo. (efeito detox?)
     Já havia cortado o meu cabelo e estava fazendo a barba, apesar de ainda estar nas ruas. Naquela época as latinhas de refrigerantes e cerveja ainda davam um bom dinheiro, e conseguia comprar os produtos de higiene e outras coisas mais. Era até meio constrangedor na época o que ocorria nas festas de rua e em shows: o cara lá tomando a sua cervejinha e com um cara ao lado com uma sacola esperando a tão valiosa latinha...
     Também já havia começado o tratamento com o psiquiatra no posto de saúde que havia perto do parque municipal. Também estava fazendo terapia com a psicóloga, que não me falava nada sobre o que eu poderia ter, apenas ficava me olhando. O psiquiatra me ouvia por alguns minutos e logo preenchia o receituário. Estava bem, mas não tinha a mínima ideia do que havia ocorrido comigo nos últimos meses. Pensava que se tratasse de algo espiritual ou que então alguém havia colocado alguma droga em algo que eu havia ingerido. Por esse motivo resolvi entrar na igreja e conversar com o pastor psicólogo.
      Mas ele também não me falou nada sobre esquizofrenia, apenas conversávamos sobre vários assuntos, como música, a infância, etc. Mas aquela atenção que ele deu para a minha pessoa foi importante. Me tratou como um ser humano e não me julgou, mesmo relatando um pouco de toda aquela loucura que havia acontecido comigo nos últimos meses. Saia de lá mais confiante e animado, passando a perceber que o mundo inteiro não estava contra a minha pessoa. Claro que sempre que ia na igreja não deixava de tomar um cafezinho com biscoitos...
    Às vezes o que mais precisamos é ser ouvidos... Infelizmente alguns profissionais da saúde mental não percebem isso, e só sabem nos encher de antipsicóticos... Conversam mais com os parentes do que com o próprio portador.
    E, durante as minhas andanças, depois que sai de Ipatinga, em 20012, conheci um pastor que foi muito legal comigo, pois guardou a minha barraca entre os intervalos de uma viagem para outra. Essa barraca pesa dois quilos e incomoda um pouco quando a mochila está cheia de outras coisas.
    Além destes que citei, conheci vários evangélicos legais, que conversavam comigo como seu eu fosse um ser humano normal, sem nos dar a impressão de que são seres puros e que serão os únicos a serem salvos e que poderão se contaminar.

    Já os "crentes", aqueles aqueles que se acham salvos apenas por frequentarem uma igreja, procuro não me aproximar, pois o discurso é sempre o mesmo. Ser "crente" é fácil, dizem até que o "capiroto" é crete, pois acredita na existência de Deus. Falo daqueles crentes que andam com a bíblia debaixo do braço e sabem de cor cada versículo da Bíblia, mas que não poem em prática o que está escrito neste livro. Procuro me afastar de "crentes" que se negam a fazer um trabalho de faculdade por que o tema era a cultura afro brasileira. Isso sim é intolerância...
   Gostaria de parabenizar os verdadeiros evangélicos, que saem pregando a sua fé em todos os lugares e para todas as pessoas, independente da classe social e aparência física. Já vi pastores que pregam em comunidades carentes onde o tráfico de drogas é intenso.
http://acritica.uol.com.br/noticias/Amazonas-Manaus-Cotidiano-Polemica-alunos-professores-trabalho-escolar-afro-brasileiro-evangelicos-satanismo-homossexualismo-espiritismo_0_808119201.html#.Uj3L143dwPi.facebook
     Espero que tenham entendido a intenção da postagem. Respeito quem se dá o respeito, seja ele evangélico, ateu, homossexual.  Infelizmente as redes sociais, o facebook mesmo, não sei por que os jornalistas tem medo de dizer facebook, está se tornando um ringue, cada um de seu lado, tudo polarizado como pedaços de imã, que, quando se aproximam acabam se repelindo.
   Pode até parecer que trabalho para o Zeca Baleiro, creio que essa é a terceira vez que posto esta música, que mostra que não devemos sair por ai generalizando tudo o que vemos nas redes sociais.
Cada pessoa é única e tem a sua maneira de ser e pensar, vamos respeitar a decisão de cada um, o mundo seria uma droga se todos fossem exatamente iguais.

sábado, 20 de junho de 2015

Cloreto de magnésio parte 2

    No dia 18 de abril comentei sobre os benefícios do uso contínuo do mineral cloreto de magnésio, após muito pesquisar em vários sites que visitei na web.
    Como bom hipocondríaco que sou, estou sempre em busca de terapias alternativas para a melhora da saúde, tanto física quanto mental. No meu caso em particular, creio que o que mais "pega" são os sintomas negativos da esquizofrenia.
   Hoje, após quase noventa dias de uso do cloreto de magnésio, posso confirmar que esse mineral realmente é um bom aliado contra vários males. É óbvio que ele não faz um milagre na vida da pessoa de uma hora para outra, mas foi uma das melhores coisas que descobri para a saúde.
  Mas vou falar sobre as melhoras no meu caso em particular. Informações completas sobre o produto podem ser obtidas no link abaixo:
http://www.curaeascensao.com.br/alimentacao_saude/segredos_curam/segredoscuram5.html
    De uma maneira geral, me sinto mais disposto, tanto física quanto mentalmente. Os exercícios físicos que costumo fazer no parque estão começando a deixar de ser uma sofrência para se tornar um prazer novamente. As dores da idade do condor até que estão sumindo... Estou dando correndo um pouco mais e ficando menos ofegante. Tenho que tomar cuidado, pois na última vez que fiz um hemograma, os meus triglicerídeos estavam em 490mg. Dizem que o cloreto é muito bom para combater o colesterol, mas especificamente sobre os triglicerídeos ainda não achei nada na internet. Mas daqui a três meses vou fazer um outro hemograma para comparar os resultados e chegar à uma conclusão.
    Com essa melhora na disposição, sinto que o sono demora um pouco mais para chegar à noite. Mas não aumentei a dose do "pan nosso de cada dia". Fico assistindo TV ou no notebook. Ou então fico deitado na cama mesmo, procurando pensar em coisas positivas e alegres. Muitas vezes fico naquela nostalgia, lembrando dos bons tempos de infância que não voltam mais. Mas, quando acordo de manhã, estou um pouco mais disposto, parece que agora tenho um sono mais reparador, talvez por ter conseguido chegar ao sono REM, sei lá...
    Antes do cloreto de magnésio, acho que o sono vinha mais rápido, mas talvez por eu estar mais cansado e sonolento mesmo, e sem disposição para muita coisa.
    Por falar em sono, ficava muito sonolento após o almoço, principalmente quando comia uma refeição pesada, tipo um feijão tropeiro, coisa de mineiro mesmo. Acho que o organismo tem um pouco mais de dificuldade em digerir as gorduras, principalmente depois dos 40 anos.
os médicos dizem que a comida tem que ser colorida... o verde é só para disfarçar... 
    Depois que passei a usar o cloreto de magnésio a sonolência pós rango praticamente sumiu, só dá uma preguicinha gostosa mesmo agora. Parece que houve uma significativa melhora na digestão e no metabolismo dos alimentos em meu organismo. Não sinto tanto a barriga estufada e os gases não ficam mais presos. A situação também melhorou na hora de ir ao banheiro, não precisando fazer aquela forcinha para me aliviar. O cloreto de magnésio também me pareceu ser um bom aliado contra a prisão de ventre.
    Estou também respirando melhor. Talvez pelo fato da barriga não ficar tão estufada, principalmente depois do almoço ou então de comer massas. A sensação de tijolo na barriga sumiu. Mas também minhas narinas ficavam um pouco entupidas, não sei bem o que era, mas não era catarro. Quando fui na otorrino(preguiça de escrever o nome inteiro, de falar então...) e ela me receitou um líquido tipo spray para colocar no nariz, antes de dormir. O troço, além de caro, não resolvia o problema, apenas dava um alívio temporário. Não sei bem o que tenho, para que entre pouco ar nas minhas narinas, mas hoje a coisa está melhor. Esse é um grande mal de alguns médicos do SUS. Não informam muita coisa sobre o que temos. E tem alguns que perguntam o que temos quando entramos no consultório...
    Se ficamos bem informados sobre o problema de saúde que temos, podemos melhorar a situação, pesquisando na internet sobre o assunto e evitar situações que façam com que o problema piore ou então volte. Mas infelizmente alguns médicos do SUS pensam que a única função deles é preencher receituários. Posso provar que um certo médico atendia os pacientes em apenas dois minutos em um posto de saúde, pois gravei a entrada e a saída com um cronômetro na frente da câmera e posicionado na porta do consultório do médico. Para acessar o vídeo, é só clicar no link abaixo, pois o postei no youtube. É o esquizo repórter, denunciando e mostrando o descaso com a saúde pública no Brasil.
https://www.youtube.com/watch?v=WKJNLC7J8h8
    Mas, voltando ao assunto da postagem dessa semana, sinto que estou menos ansioso e estressado. Às vezes, por conta dessa tensão sentia meu coração dar uma disparada e bater fora do compasso. Já cheguei, em pleno sábado à noite, a ir em um hospital para que um médico avaliasse a situação do meu sofrido coração (qui dó qui dó...) mas nada foi constatado. Talvez não tenha nenhum problema do coração mesmo, talvez seja só psicológico. Mas, por enquanto não estou tento mais esse problema após estar usando o cloreto de magnésio.
    Como disse no início, a disposição geral melhorou, acho que principalmente por causa do metabolismo ter aumentado e também por uma provável melhora nas condições do fígado. Creio que a ingestão de veneno de rato que fiz há muito tempo atrás deu uma prejudicada na digestão dos alimentos
    Não estou tomando o enziplus, que é um ótimo produto para o metabolismo e uma série de coisas, mas infelizmente é um pouco caro para o meu orçamento. O enziplus resolve todo o meu problema digestivo, da sensação de tijolo na barriga, mas, além de ser caro, não tem aqui na capital mineira.
    Tomei uma caixa inteira de veneno de rato da baygon, mas não aconteceu nada, como podem perceber. Nem uma queimação de leve tive no estômago naquele momento. Creio que a venda de chumbinho já havia sido proibido em todas as lojas naquela época.
    Tentei o autoextermínio durante a fase aguda dos sintomas positivos, afinal, era mais fácil matar a mim mesmo do que me livrar de todas as pessoas que imaginava estarem contra a minha pessoa, ou seja, o mundo inteiro...  Ia de uma cidade para outra, perambulava pelas Br's, mas a mania de perseguição me perseguia aonde quer que eu fosse... A solução foi me esconder no meio do mato.
    Infelizmente ou felizmente, o veneno não funcionou em mim. Cheguei a pensar em processar a baygon por propaganda enganosa...
    Hoje, não penso mais em autoextermínio. Quer dizer, tem umas fases meio punk's em que isso passa bem de leve pela minha cabeça, mas depois tudo passa. Às vezes chego a pensar que sou um bipolar, ou se isto é apenas uma melhora ou piora no meu estado de saúde em geral. Quando não estou bem fisicamente, o pensamento que envenenaram a minha comida se torna muito frequente e não aceito nada de ninguém, pode ser uma caixa de bombom que recuso mesmo. Mas, pelo que pesquisei, existem muitas semelhanças entre a esquizofrenia e a bipolaridade. Mas nem penso em tomar um estabilizador de humor, como chegou a me sugerir um psiquiatra. Não aguento mais tomar esses medicamentos antipsicóticos. Dizem que a quetiapina é indicada tanto para a esquizofrenia como para o transtorno de humor. Já cheguei a experimentar por duas vezes, mas não por muito tempo, pois sentia uma fome de leão, e só se ganhasse mais de dois salários mínimos é que poderia matar toda essa fome, a não ser que o psiquiatra pagasse a conta na padaria ou então eu saísse comendo capim por ai.
    Em relação ao auto extermínio, não penso tanto no assunto, e também não comento. Tenho minhas crenças espirituais (foi a melhor definição que encontrei) e não quero ir dessa para outra voluntariamente. Não sei o que me aguarda, se existe céu ou inferno, ou outras dimensões, sei lá.
Às vezes a dúvida é um ótimo motivador para mudanças em nossas vidas. Mas quem sabe eu não vire uma alma penada, como imaginei ser nos surtos e como a voz me disse quando estava na BR.

       Como disse, tenho minhas crenças, mas não as imponho à ninguém, e procuro também respeitar a crença alheia.... Só acho que quem se intromete muito na vida dos outros é que não merece o meu respeito e dos demais cidadãos de bem. Acho que em primeiro lugar temos que ter e procurar ter as nossas consciências tranquilas e limpas. O problema é que às vezes algumas pessoas simplesmente não tem consciência, e então elas não pesam quando cometem certos atos.
alguns "líderes" usam todas as formas para impor suas convicções...
    Mas, voltando ao assunto cloreto de magnésio, é isso, estou me sentindo melhor e mais motivado. Estou pensando mais positivamente também, meu time acabou de perder no campeonato brasileiro (que novidade...) mas não estou tão triste como ficava antes. Para quem quiser maiores informações, é só clicar no link que postei no início. Também no facebook existem vários grupos sobre o cloreto de magnésio, onde as pessoas tiram suas dúvidas e compartilham suas experiências com esse mineral maravilhoso e do bem. Vale lembrar que o magnésio tem que ser o PA (para análise). O outro, que é mais fácil de se encontrar em farmácias é mais barato, porém é cheio de impurezas que podem prejudicar o organismo das pessoas.
   Por falar em preço, consegui achar um local onde o preço do cloreto é bem razoável. Enquanto nas farmácias 33gr custa 9 reais, neste laboratório um pote de 500gr custa bem menos e dá para usar por cerca de uns seis meses.
    O cloreto que encontrei e que uso é o da marca Synh, que é recomendada pelo Padre Beno, que deu um depoimento na net sobre a cura que obteve de um problema na coluna, pois esse mineral é excelente para as articulações em geral.  A imagem que posto embaixo foi tirada do primeiro link que postei, logo no início dos meus escritos dessa semana.
onde encontrar e quais marcas adquirir de cloreto de magnésio
    Quem tiver alguma dificuldade de encontrar em sua cidade o cloreto de magnésio PA, pode entrar em contato comigo por email. Estou disponibilizando, além dos livros que escrevi, este mineral que recomendo a todos que usem, pois não é um remédio, é algo que o nosso organismo necessita de uma certa quantidade todos os dias e, que, por causa dos agrotóxicos, as frutas e verduras não estão sendo boas fontes. Basta enviar um email com o assunto "cloreto de magnésio" para:
juliocesar-555@hotmail.com
    É isso ai pessoal, vamos nos cuidar, tanto fisicamente, como psicologicamente. E, claro espiritualmente também, cada um respeitando as convicções dos outros, sem intolerância e brigas e discussões que não levam a lugar nenhum. Quer dizer, para a maioria não leva, mas para alguns parece que leva ao poder no congresso e em outros setores da sociedade.
   Por último gostaria de dizer que o cloreto de magnésio não é um medicamento, é um mineral necessário a vida e a saúde. Você, que talvez tenha recebido um diagnóstico de depressão, por exemplo, nunca parou para pensar que a falta de energia que você sente pode ter alguma relação com problemas de saúde, devido à falta de vitaminas e minerais? Por exemplo, a falta de iodo pode ocasionar problemas na tireoide e a pessoa pode sentir cansaço, fraqueza, etc.
Saudações esquizofrênicas e até o próximo post...
   -Obs: gostaria de dizer que nada tenho contra os verdadeiros evangélicos, pelo contrário, fui muito ajudado por alguns evangélicos durante os meus surtos, principalmente quando fiquei nas ruas por alguns meses.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Adquira o cloreto de magnésio

 
 Já postei duas vezes sobre o cloreto de magnésio. Mas procuro ser muito responsável na hora de indicar algo relacionado à nossa saúde. Além de pesquisar muito na internet sobre esse mineral, também entrei em três grupos no facebook com tema cloreto de magnésio. Fiquei um bom tempo me informando, pesquisando, observando depoimentos de curas e melhoras até começar a tomar.
    Depois de dois meses pude realmente comprovar os benefícios desse mineral e não tive nenhum efeito colateral, pois o magnésio não é um medicamento, e sim algo que o nosso organismo precisa todos os dias para uma série de atividades em nosso organismo.
    Postei alguns links sobre o assunto, para que os leitores possam se informar melhor. O mais completo e informativo que encontrei foi esse:
http://www.curaeascensao.com.br/alimentacao_saude/segredos_curam/segredoscuram5.html
    Neste site o leitor irá encontrar informações sobre os benefícios, a forma de preparar e consumir. Pouquíssimas pessoas relataram efeitos colaterais, sendo que nenhum grave, apenas um pouco de tontura e diarreia. Vale ressaltar que o cloreto de magnésio for tomado em jejum pode funcionar como laxante.
   Vale ressaltar também que o cloreto de magnésio tem que ser o PA, que é o mais puro. O comum contém muitas impurezas e pode ser prejudicial à saúde. Esse mineral só é contraindicado para quem tem sérios problemas renais e faz hemodiálise, pois um possível excesso de magnésio é sempre eliminado pela urina. Obviamente tem que se respeitar a dosagem, pois tudo em excesso faz mal.
    Consegui encontrar um laboratório perto de minha casa e comprei um pote de 500gr por um preço muito bom. Quem tiver alguma dificuldade de encontrar o cloreto de magnésio PA em sua cidade, entre em contato comigo, que estou disponibilizando por um preço bem acessível. Um pote de 500gr dura em média seis meses e sai bem mais barato do que o comprado em farmácia. Geralmente 33gr custa em média nove reais.
    Para adquirir o cloreto de magnésio e saber maiores informações entre em contato comigo:
juliocesar-555@hotmail.com

sábado, 13 de junho de 2015

Perguntas e respostas

    Às vezes, estudantes me enviam perguntas para que eu possa responder e ajudá-los em seus trabalhos acadêmicos. Já respondi alguns, mas o último que recebi não o fiz, pois a solicitante pediu para que eu respondesse através de um vídeo. E, como já disse antes, não me dou muito bem com as câmeras. Cheguei a gravar alguns vídeos para o meu canal no youtube, mas não o faço mais, me acho melhor escrevendo do que falando. A verdade é que ultimamente ando meio desanimado com certas situações que um aposentado vive em um país como o Brasil...
    Havia até respondido às perguntas e salvo no word, mas, na hora de ficar frente à câmera, o incômodo falou mais alto e desisti. Resolvi então publicar aqui no blog, e também abrir este canal. Quem quiser fazer perguntas, podem me enviar por email (juliocesar-555@hotmail.com) que responderei aqui no blog com o maior prazer. Claro que se a resposta estiver ao meu alcance.
Então, vamos as perguntas:

1- Com qual idade você recebeu o diagnóstico de esquizofrenia?
    Bem, eu não recebi um diagnóstico. As psicólogas apenas me faziam um monte de perguntas e anotavam tudo em uma folha de papel. Já os psiquiatras apenas perguntavam o que eu estava sentindo e então receitavam os medicamentos em poucos minutos. Só fui saber o que eu tinha quando fui fazer a minha primeira perícia no INSS, aos 35 anos de idade. Havia surtado pela primeira vez aos 32 anos, tentei voltar ao trabalho algumas vezes, mas, como o trabalho de operador de som é um pouco estressante, sempre tive recaídas e, em uma delas cheguei à conclusão de que não estava mais conseguindo trabalhar e a aposentadoria seria a única solução para o meu caso. 
    Li o laudo que o psiquiatra me passou e constatei que o que estava atormentando a minha mente era uma tal de F-20, chamada esquizofrenia paranoide. À princípio imaginava que se tratava de algo espiritual, ia na igreja, e, quando o pastor chamava as pessoas para ir à frente do altar para receber a oração, mil caíam a minha direita e dez mil à minha esquerda, mas eu não caia de jeito nenhum. Cheguei a pensar que o espírito que estava em mim era muito forte e que somente tirando a minha vida é que o problema seria resolvido. 

2- Que sintomas apresentava?
    Além dos sintomas clássicos, que são as alucinações auditivas e visuais, e uma mania de perseguição absurdamente exagerada, eu também tinha alguns delírios, principalmente os místicos e os de grandeza. As vozes no início só comentavam o que eu fazia, ou então falava coisas banais, colocando defeitos em mim. Depois, como a mania de perseguição aumentou, as vozes começaram a se tornar ameaçadoras: "Vamos pegar ele hoje?" Foi o que cheguei a ouvir há alguns anos atrás, quando me aproximei de algumas pessoas que estavam sentadas em uma mesa de bar. Os meus delírios eram mais relacionados ao misticismo, a religiosidade. Pensava que era um ser superprotegido por forças sobrenaturais, acreditando que nada de mal poderia me acontecer, e, por causa disso, passei por algumas situações complicadas. Por exemplo, quando morava em uma cidade do interior de Minas Gerais, havia ouvido falar que uma certa rua era a mais perigosa da região, que havia muitos crimes, brigas e até mortes. Resolvi, de um dia para outro, ir à esta rua. Era bem estreita e escura, mas não tive medo. Fui até o fim dela e depois voltei sem que nada me acontecesse. Talvez eu tenha um anjo da guarda bem atento...


3- Qual medicação você faz uso? Via oral ou sub cutânea?
    No momento, estou tomando somente o diazepan, pois não me dei bem com nenhum dos vários antipsicóticos que já experimentei. Como moro sozinho, tenho que ter um pouco de disposição para fazer certas coisas, como lavar a minha roupa, ir ao restaurante, ir ao centro para resolver alguns problemas, e os medicamentos não me deixavam fazer isso. Quando sinto que estou começando a ficar agitado, volto a tomar a clorpromazina e o fenergan. O último que cheguei a experimentar foi a quetiapina, mas esse medicamento, além de me deixar muito dopado, me dava muita fome. Não tenho condições de comprar tudo o que dava vontade de comer quando estava sob o efeito deste antipsicótico. E também não quero estragar a minha saúde, aumentando as taxas de colesterol e triglicerídeos. Já cheguei a tomar injeção de haldol, mas no meu caso foi sofrível, pois fico com uma reação adversa muito desgastante, que é a acatisia. E, como a injeção tem o efeito de um mês, passei 30 dias muito complicados. Considero válida tomar antipsicóticos através de injeção, mas somente no caso da pessoas estiver completamente adaptada ao medicamento, preservando assim o fígado e o aparelho digestivo. Não estou aqui fazendo campanha contra os medicamentos, conheço algumas pessoas (não muitas) que se deram bem usando e que têm uma vida bem próxima do normal. 

4- Como os seus familiares reagiram ao diagnóstico? E os amigos?
    Essa é uma pergunta a qual não posso respondê-la em sua totalidade, pois saí de casa aos 17 anos e comecei a trabalhar como operador de som. Sempre gostei de morar sozinho e ter liberdade. 
   Já os amigos, também fica difícil responder, pois o meu círculo de amizades se restringia aos "colegas" de trabalho. 
    Mas as pessoas em geral se afastaram de mim, principalmente aquelas que eu procurava ajudar com os meus conhecimentos em eletrônica e sonorização. Chegava a consertar e instalar equipamentos de som em igrejas sem cobrar nada, pensando que estaria ajudando diretamente no trabalho de Deus, e na verdade estava era poupando o bolso do padre e do pastor da igreja em que cheguei a montra o som. 
     A pior situação ocorreu no trabalho mesmo, pois era um bom profissional. Quando os surtos vieram, acontecerem situações bem complicados em relação a um certo dono de uma empresa em uma cidade do interior de Minas Gerais. Não respeitaram nem o meu auxílio doença, sendo obrigado a trabalhar (ou pelo menos tentar) quando estava de licença, pelo simples fato de morar nos fundos da firma. 

5- A esquizofrenia tem vários subtítulos, tipo paranoica, qual a sua?
    A minha esquizofrenia é a paranoide, que é a mais comum. O sintoma principal, como o próprio nome diz, são as paranoias. Mas cada portador tem a sua esquizofrenia única, costumo dizer que não existe a esquizofrenia, e sim as esquizofrenias. A esquizofrenia, na minha opinião, é um transtorno mental muito mais complexo do que o excesso de dopamina no cérebro, que é a teoria mais aceita no momento pelos psiquiatras para a causa desse transtorno mental que acomete cerca de 1% da população mundial.
tipos de esquizofrenia


6- Quais as dificuldades encontradas no convívio com outras pessoas no seu dia a dia?
    A principal dificuldade no relacionamento com as pessoas é devido à mania de perseguição exagerada. Não é nada fácil conviver com e interagir com o mundo em nossa volta se pensamos e às vezes temos a certeza em nossas mentes que algumas pessoas estão contra a gente e bolando algo para nos prejudicar. Sou duplamente desconfiado: primeiro por ser mineiro, e também por ter esquizofrenia. 
Outra dificuldade é o fato das pessoas me acharem um cara estranho e calado. Não vejo nada demais em falar pouco, é como se fosse um defeito grave. Acho que falar demais é bem pior.

7- Existe alguma atividade que você não possa executar por conta da esquizofrenia?
    Infelizmente a esquizofrenia é um transtorno mental incapacitante na maioria dos casos. No meu em particular, não me permitiu mais trabalhar, pois a partir de um certo momento o som alto começou a afetar a minha mente e a me deixar estressado. Sem contar o fato de que esta profissão exige um contato com multidões, e hoje tenho uma certa fobia social. Mas, a vida social também é muito prejudicada. Hoje praticamente saio de casa para almoçar pois só sei fazer ovo cozido...
frustrada tentativa de fazer um omelete super proteico...


8- Já sofreu algum tipo de preconceito por causa do seu diagnóstico?
    Preconceito explícito não, mas sempre tem aquele preconceito velado, escondido. Sinto que as pessoas chegam a pensar que eu possa ser uma pessoa agressiva, que a qualquer momento posso enlouquecer e cometer algum ato violento. Esse preconceito é um pouco parecido com o que acontece com os negros no Brasil, todo mundo diz não tem preconceito, mas o que vemos, principalmente no mercado de trabalho, não é bem assim. Mas no geral, não tive problemas mais sérios devido à esta condição, pois procuro sempre me manter tranquilo. 

9- Como é para um esquizofrênico se inserir no mercado de trabalho?
    É praticamente impossível um portador de esquizofrenia conseguir um emprego em uma entrevista se ele revelar a sua condição e dizer que toma antipsicóticos. É muito comum um portador de esquizofrenia ser mandado embora de uma firma quando volta do auxílio doença. 
   Há pouco tempo saiu uma lei que equipara os portadores de esquizofrenia aos deficientes. Ou seja, quem tem esquizofrenia pode tentar uma vaga na cota reservada para deficientes em empresas que tem mais de cem funcionários. Fora isso, a chance é quase zero, se for revelado a condição. 

10- Quanto aos sintomas: notou alguma melhora com a medicação?
    Como já disse em uma pergunta anterior, experimentei vários antipsicóticos. Alguns até chegavam a melhorar alguns dos sintomas, mas o preço a ser pago no meu caso era alto demais. Ficava muito sonolento, acordando por volta do meio dia. O raciocínio também ficava lento, ficava com muita fome, pois os antipsicóticos alteram alguma coisa em nosso cérebro. Deve ser algo parecido com a "larica" provocada pelo uso da maconha, não posso dizer com exatidão, pois não faço uso dessa substância.
O antipsicótico também me deixava meio robotizado emocionalmente, cortava as minhas sensações, não achava graça em nada, nem mesmo quando o meu time marcava um gol...

11- Precisou de tratamento fonoaudiológico? Como foi?
    No meu caso em particular não foi preciso. Creio que a esquizofrenia em geral não atrapalhe na comunicação do indivíduo, seja no ato de falar, como também na audição. Talvez atrapalhe quando o indivíduo tenha também um déficit mental, ou então o uso contínuo e exagerado de medicamentos dificulte um pouco na fala, pelo fato de atuar no sistema nervoso central, ou seja, deixar a pessoa dopada. 

12- Junto aos medicamentos, faz terapias?
     Particularmente não gosto de ir à psicólogas, mas não tenho nada contra quem gosta de fazer este tipo de terapia. Na minha opinião, a melhor terapia é ter um sentido para a vida, ser útil, fazer o que gosta, aprender algo novo, enfim se exercitar física e mentalmente. 

13- Se ficar sem tomar remédio, os sintomas voltam? Tem consciência de quando eles voltam?
    Na maioria das situações, sinto quando estou prestes a surtar, sei quando estou começando a ficar meio agitado. A gente vai aprendendo a conviver com os sintomas, a se conhecer melhor. Costumo dizer que ter surtado teve o seu lado positivo, pois, a partir desse momento, passei a estudar melhor o assunto e a encontrar respostas para várias questões sobre a meu jeito de ser. 
    Como não uso os antipsicóticos continuamente, uso o diazepan como um SOS, sempre levo alguns comprimidos no bolso da calça quando vou sair. Mas nem sempre desconfio que estou prestes a surtar. O stress é um gatilho para a esquizofrenia, e às vezes não reparo que estou prestes a ter um surto. 
Mas, quando sinto que a situação está piorando, volto a tomar os antipsicóticos por um tempo até me estabilizar novamente.
os portadores reclamam muito dos efeitos colaterais dos antipsicóticos....


14- Tem namorada? Leva uma vida saudável, normal, ou perto disso?
    Depois que tive os surtos, nunca mais tive um relacionamento. Antes, tinha facilidade de arrumar uma namorada, devido ao meu trabalho como operador de som. Tinha uma boa aparência, e, apesar da timidez excessiva, namorava, mas nada sério e duradouro. 
    Atualmente não levo uma vida saudável. Tento praticar alguns exercícios físicos, para manter a musculatura normal e assim não atrofie. Em uma fase difícil, tive dificuldades em subir uma escada, pois ficava o dia inteiro dentro do quarto e na hora de subir os degraus quase não tive forças para chegar ao segundo andar de um prédio. A partir daí, decidi a fazer pelo menos um mínimo de exercícios físicos. Mas os chamados sintomas negativos da esquizofrenia costumam ser bem parecidos com os da depressão, ou seja, falta de energia, desânimo, etc. Passo a maior parte do dia em frente do notebook ou então assistindo TV. Creio que a psiquiatria tenha que se preocupar não somente com os sintomas positivos, que são as alucinações. Os sintomas negativos são tão incapacitantes quanto os positivos. Infelizmente os profissionais afirmam que os mesmos medicamentos dopantes usados para tratar os sintomas positivos podem ser usados no tratamento dos sintomas negativos. Particularmente não entendo como que um remédio que deixa a pessoa sonolenta seja indicado para tratar alguém que tenha os sintomas parecidos com os da depressão.

15- Falo o que quiser para a turma e divulgue o seu trabalho
    Bem, o meu trabalho é esse, divulgar, através do blog, o que é a esquizofrenia na visão de um portador. Tento, da melhor maneira possível, mostrar que o portador de esquizofrenia não é um ser agressivo, violento e que rasga dinheiro. Sei que é pouco, mas procuro fazer a minha parte, como o pássaro que tenta apagar o fogo na floresta jogando água com o seu pequeno bico.
    A informação é a melhor arma para se combater o preconceito, só através dela é que poderemos deixar de ser discriminados pela sociedade.
    Creio que nas mais de 200 postagens que já publiquei no blog tenha bastante informação sobre o assunto, mas não vou parar de publicar, mas aceito sugestões de postagens e também abri esse canal de perguntas e respostas. Para me enviar uma ou mais perguntas, é só usar o seguinte email:
 juliocesar-555@hotmail.com 
     E, se puderem adquirir o meu livro, tenho a certeza de que estarão adquirindo boas obras, e por um preço acessível. Maiores informações no lado superior direito da página.

os leitores têm gostado muito dos livros que escrevi

sábado, 23 de maio de 2015

Divagações esquizofrênicas 9

 
 
 No último dia 17, quando fui pegar o resultado do hemograma, vi uma enorme fila no posto de saúde. No início dela havia uma mulher aplicando uma vacina nas pessoas. Como bom hipocondríaco que sou, não pensei duas vezes e entrei na fila.
  Quando chegou a minha vez a "vacinadora" me fez uma série de perguntas:
   - Quantos anos você tem?
   - Trabalha na área de saúde?
   - Tem alguma comorbidade?
   Como não preenchi nenhum dos requisitos básicos, não consegui tomar a vacina, apesar de fazer cara de pidão para a vacinadora...
    A vacina em questão é para a gripe, e o público alvo são os idosos, crianças, trabalhadores da área de saúde, população indígena, etc. Mas deveria ter uma cota para os hipocondríacos, pois sempre sobra muito desse tipo de vacina, por que muitas pessoas que fazem parte do público alvo tem uma certa rejeição, por preconceito e falta de informação... Pensam principalmente que irão ter uma reação alérgica grave, ou que poderão ficar doentes, pois a vacina nada mais é do que os próprios vírus enfraquecidos e detonados, que estimulam o organismo a produzirem as defesas.
   Sai do posto meio frustrado, pois não quero e nem posso pensar em ficar doente. Quem tem família, até que a dor é amenizada quando uma forte gripe aparece. Sopinha na cama, ficar o dia inteiro na cama assistindo televisão, suquinho, etc. E a mamãe medindo a temperatura corporal...
   Eu tenho que me virar, quando fico doente é complicado. Me lembro que, quando ainda estava nas minhas andanças, cheguei a pegar uma forte dengue. Estava em Belo Horizonte, morando por ai na minha barraca de camping. A cabeça começou a doer muito, as articulações também, enfim tudo doía. Fora a moleza, a lesmeira geral que tomou conta do meu corpo. A mochila parecia estar pesando mais de 150kG! O jeito foi pegar um pedaço de papelão, me deitar na calçada e pegar a minha manta para me cobrir, pois também estava com febre e calafrios.
    Fiquei um bom tempo pensando no que fazer. Era sábado, os postos de saúde estavam fechados e teria que ir em uma UPA ou então em um hospital qualquer. Mas não iria conseguir andar muito com a mochila e com a moleza que estava sentindo. O jeito foi me deitar e descansar.
    De repente uma ideia surgiu do nada em minha cabeça: O SAMU! Liguei então para o 132 e, a princípio os caras não queriam me ajudar, alegando que o serviço era somente para emergências. Expliquei então melhor a situação e, após uma hora, eles chegaram. Foi a salvação, não iria conseguir chegar à lugar nenhum naquele estado e com a mochila nas costas.
    Fui levado para uma UPA que não conhecia, por volta de uma hora da tarde. Nos corredores, muita gente passando mal: uma senhora de idade vomitando à todo instante, uma linda loira deitada em uma maca com aquela cara de quem não está muito bem e que recusou o jantar. Havia também um senhor de idade reclamando que estava há dois dias naquele lugar e que não era liberado. Enfim, um caos, dos cinco médicos que eram parar estar no plantão, apenas dois estavam trabalhando...
    Dei um piti quando uma mulher bem vestida aparentando estar bem foi atendida na minha frente. Parecia que ia para uma festa. Ai comecei a reclamar, disse que a prioridade era para quem estivesse com dengue e comecei a dar uma de chato, pois notei que quem fica muito quietinho nestas situações é atendido por último. Cheguei a pegar algumas folhas no balcão para ver se o meu nome estava constando, só para pressionar mesmo e para que elas quisessem se verem livres da minha persona no grata. Até que deu resultado, fui atendido por volta das dez horas da noite, e, depois de tomar o soro e o paracetamol já estava me sentindo bem melhor...

O hemograma
e a luta continua...
   
     Conheço bem o meu organismo. No sedentarismo que me encontro, e com a comilança desenfreada de besteiras, já estava prevendo que os meus triglicerídeos estariam altos, algo em torno dos 400mg. E quase acertei, quando abri o resultado constatei que sou bom nessas coisas, pois o meu sangue está com 490mg dessa gordura indesejada. O restante está em ordem, todos aqueles numerozinhos estão dentro dos valores limítrofes: os monócitos, os basófilos, os neutrófilos, etc...
    Nem vou me consultar com o médico, pois sei que ele irá me receitar a sinvastatina. Os médicos deveriam, além de dar a medicação, conselhos para evitar que o problema ocorra. Não quero detonar o meu fígado, e vou fazer alguns cortes no meu orçamento (que nem a dilma) para voltar a tomar o ômega 3. Com essa gordura do bem, já consegui abaixar uma vez os níveis de triglicerídeos de 580mg para 270mg! Claro que também passei a fazer exercícios físicos e dei uma maneirada na comilança desenfreada de besteiras... 
    Passei a me sentir muito mais disposto, mais ágil e com o raciocínio mais rápido. O sangue sem as gorduras do mal fica mais leve, e flui com mais facilidade, exigindo menos esforço do coração para bombeá-lo para todo o nosso organismo. Até "naquilo" o ômega 3 ajuda, pois as artérias começam a ficar mais liberadas e ai o sangue flui com mais facilidade e melhorou a minha disposição nesta área. 

Enziplus

    Ganhei uma mini geladeira para carro. Aqui onde moro tem uma "geladeira comunitária", mas um cara praticamente assassinou a coitada que fica na cozinha. Um indivíduo meteu a faca na geladeira, por que a carne congelada estava presa no gelo. Só que ele errou alguns golpes, ferindo gravemente a coitada da geladeira, e o seu gás acabou escapando pelas perfurações e agora não funciona mais.
    A dona do imóvel nem quis saber, queria que todo mundo pagasse o conserto da geladeira, que fizéssemos uma vaquinha para pagar o técnico, sendo que o orçamento ficou em 240 reais e cada um teria que desembolsar 50 reais para ter a geladeira funcionando novamente.
    Claro que não aceitei a proposta. Quando a proprietária me propôs a vaquinha, fiquei calado, pois ela sabia quem foi o assassino da geladeira, pois eu não faço comida, a não ser ovo cozido e miojo. Creio que ela entendeu o meu silêncio, fiquei calado para evitar polêmica. Não posso pagar pelo erro dos outros, ainda mais um erro grosseiro desses. O cara mete a faca na coitada e eu tenho que pagar o conserto? Quando ela estragou, nem tinha ideia do que estava acontecendo, só vi que estava fazendo um barulho estranho e que havia deixado de gelar. Para mim, ela estava fazendo o degelo automático, não tenho muita experiência em geladeiras, pois sempre tive frigobar mesmo.
    A mini geladeira que ganhei é ótima, da marca Black & Decker. Pensava que ela só conseguiria no máximo manter a temperatura do que fosse colocado nela. Ou seja, para conseguir uma água gelada, teria que colocar em uma geladeira para depois colocar na mini geladeira. O cara que me passou essa mini geladeira disse que ela estava com um mau contato. Então refiz todas as soldas e fui atrás de uma fonte de 12V. Como a grana estava curta, corri atrás e postei em alguns grupos do facebook que estava precisando de uma fonte. Não demorou dois dias e um cara gente boa me disse que poderia pegar uma em seu local de trabalho! 
    No dia seguinte fui buscar a fonte e, quando cheguei em casa logo a liguei na mini geladeira que, para a minha felicidade, começou a funcionar perfeitamente. E ela não só mantem a temperatura dos produtos, ela chega a gelar também, a água ficou bem geladinha depois de uma hora. Existem muitas pessoas boas no mundo, e creio que sejam a maioria. Acho que o mundo ainda não está no seu final, o bem sempre vai prevalecer contra o mal. 
    Agora estou podendo tomar o enziplus, que é um ótimo produto natural, já citei aqui no blog umas três vezes. Estou me sentindo mais disposto fisicamente e, consequentemente, psicologicamente também. A digestão está melhor, parece que o aparelho digestivo volta a funcionar como éramos mais jovens. E com isso tudo fica melhor. Parece que todos os órgãos funcionam melhor também, não sei explicar qual tipo de mágica que esse produto causa em nosso organismo. Só tomando para saber. Gostaria de deixar bem claro que não trabalho para o fabricante do produto, mas só estou compartilhando algo que me fez e me faz muito bem.
    Também vou voltar a tomar o cloreto de magnésio. Ele me deixou menos ansioso, me ajudou a dormir melhor e até estava começando a melhorar o meu dedão machucado. O cloreto de magnésio é ótimo para as articulações. Comecei a tomar também o colágeno também, para melhorar de uma vez esse dedão. O colágeno também é bom para as articulações. O médico mandou que eu colocasse o pé debaixo do chuveiro na água morna que o problema seria resolvido. Isso foi à sete meses atrás...
Depois ainda temos que ouvir que não podemos nos automedicar e que não devemos procurar os farmacêuticos... Mas como se nem somos atendidos nos postos de saúde? E, quando somos, não temos um bom atendimento? 
    No último post estava muito mal, nem tive ânimo para escrever qualquer coisa no caderno para postar no blog. Apenas abri o blog e digitei aquelas palavras que apareceram em minha mente naquele momento. Acho que foi a primeira vez que postei quando não estava me sentindo bem, talvez seja por isso que muitas pessoas pensam que resolvi o problema da esquizofrenia em minha vida. 
   A questão do tédio é um ciclo vicioso. Estamos desanimados fisicamente para tentar sair da rotina, e então o tédio aparece e nos deixa mais desanimados ainda. E o contrário também acontece. Estamos entediados, não achamos graça em nada, não procuramos nos exercitar, ocupar a mente, e ai começamos a sentir isso na parte física. Temos que estar bem fisicamente e termos a vontade de realizar certas coisas para sair desta situação. 

Central de Downloads do Esquizo

     Esta semana estou disponibilizando na CDE o livro "Reflexões de um Esquizofrênico" de Fraklin Mano. De início, pensei que se tratava de um relato de um portador de esquizofrenia, a sua relação com o transtorno, os perrengues, etc. Mas, como o próprio título sugere, o que está no livro são as reflexões de um portador de esquizofrenia sobre vários temas, e não sobre esquizofrenia. Achei muito interessante, ainda não o li por completo, mas vale a pena ler. Abaixo algumas de suas reflexões, em relação ao nosso país:

Os brasileiros levam a corrupção a sério
O Brasil é país onde a população mais leva a corrupção a sério, pois vão até as últimas consequências para legalizá-la e concretizá-la através do voto.

Ficção Brasil
É complexo sobreviver em um país onde frequentemente as agências dos correios e bancos entram em greve e a saúde, educação, segurança e transporte públicos não passam de ficção.

Subserviência hereditária
A escravidão acabou, mas a subserviência no Brasil é hereditária.

Indultos aos presidiários
Preso é preso e pronto. Depois de cumprir toda sua pena pode comemorar quantas datas quiser, antes disso, o Estado ao dar indultos, é cúmplice da reincidência.

    Como a maioria deve saber, para acessar a Central de Downloads do Esquizo basta clicar na imagem ao lado direito superior da página. 


Inclusão de pessoas com deficiência psicossocial no mercado de trabalho
 
    Outro dia, nas minhas andanças pelos grupos do facebook, me deparei com um post com o título parecido com o que estou postando agora.
    Antes de tudo, o que é uma pessoa com deficiência psicossocial? É a mesma coisa que uma pessoa que tem um transtorno mental?
    Quem tem um transtorno mental e já passou pelo pior, e que se encontra estabilizado, porém com algumas sequelas, pode ser chamado de deficiente psicossocial. As sequelas podem ser o isolamento, a desconfiança, e outros pensamentos e comportamentos. Ou seja, o indivíduo tem alguns resquícios do transtorno, mas já não tem crises e surtos, ou seja, tem algumas condições de ingressar no mercado de trabalho. 
    Então foi regulamentada uma lei que equipara os portadores de diversos transtornos mentais aos deficientes com o intuito de terem acessos aos mesmos benefícios no mercado de trabalho. Uma empresa com mais de cem funcionários tem a obrigação de ter um certo número de empregados com deficiência. Então a partir da data em que a lei foi regulamentada, portadores de vários transtornos mentais podem tentar voltar a trabalhar: portadores de esquizofrenia, depressão, síndrome do pânico, síndrome de asperger, autismo, paranoia, síndrome de Rett, dentre outros. 
   No meu caso em particular, sou sincero. Sempre trabalhei como operador de som, e gostava do que fazia. Não importando se trabalhasse principalmente nos finais de semana e feriados, pois aquilo era também uma diversão para mim. Gostava de festas, música, shows ao ar livre. Me sentia útil fazendo parte da festa, mesmo não aparecendo. Operador de som é igual juiz de futebol, se não aparecer para a galera, é sinal de que o serviço está sendo bem feito. Mas, a partir do momento em que a esquizofrenia apareceu em minha vida, tudo mudou. O contato com as pessoas passou a ser um stress para mim, sem contar que não suporto mais som alto. Até tentei voltar a fazer alguns bicos, fazendo serviços simples. Mas o problema não era a quantidade de canais e microfones utilizados, e sim a quantidade de pessoas que compareciam ao evento. Me lembro que fiquei muito mal ao fazer um pequeno serviço (voz e violão) em uma reunião. Mas o salão estava lotado, e o som me incomodava muito, hoje em dia não tenho muita referência se o som de um show está bom ou não. Qualquer som, principalmente os agudos, me irritam e muito, parecem que entram para dentro de minha mente. Me lembro que neste dia que fiz o serviço comi uns trinta pedaços de bolo e pão de queijo, para me acalmar, pois havia muitas pessoas naquele evento. 
    Me lembro também que fiz uma festa de aniversário e comi uns cinquenta doces de chocolate. Não era brigadeiro não, festa de rico não tem brigadeiro, beijinho etc.  Tem outros doces com nomes mais sofisticados, mas no final é tudo a mesma coisa, chocolate, leite condensado, etc. E a tensão foi tão grande que comi os doces antes do jantar. Ninguém estava pegando os doces na mesa, só eu mesmo, que tentava disfarçar, passando toda hora perto da mesa e pegando um doce, mas uma mulher ficava lá para vigiar, mas não dizia nada. Só depois de ficar empazinado é que me acalmei...
    Vi que não compensava passar por estas situações, e que poderia voltar a ficar mal novamente. Mesmo ganhando um salário mínimo, resolvi que o melhor a ser feito era parar com a carreira de operador de som, evitando assim o stress, que é um dos principais desencadeadores de um surto psicótico. 
    Não pensem que eu gosto de vida boa, ficar o dia inteiro no pc e na tv. Queria fazer algo, ganhar um salário hoje em dia não está dando para fazer muita coisa. Mas não sei o que fazer, existe algum serviço que se possa fazer sem que eu tenha que entrar em contato com muitas pessoas? Serviço pesado já não aguento mais, já estou quase na casa dos 50...
    Quem se interessou pela chance de voltar ao mercado de trabalho, abaixo estão os links que achei mais interessantes sobre esta nova lei:
   O INSS também conta com um apoio a quem pensa em retornar ao mercado de trabalho, depois de ser aposentado por invalidez. Eu não penso em fazer isso, pois sinceramente não sei em que posso trabalhar. Não creio que um simples medicamento vai resolver todos os meus problemas e paranoias sem me detonar fisicamente. E moro sozinho, se eu tiver uma recaída não quero passar por tudo o que já passei, morando nas ruas. Já cheguei a ficar três dias em um asilo quando surtei no trabalho. Já cheguei a ficar praticamente um ano em um albergue, onde aparecia todo tipo de pessoas: as com boas intenções e os que não tinham intenções e os que tinham más intenções, os que tinham acabado de sair da penitenciária, e por ai vai. Não é comodismo, é uma situação complicada em que não consegui encontrar uma solução ainda...
    Não esqueçam de votar na enquete sobre este assunto, no lado superior direito da página. Também tem outras enquetes para serem votadas, gostaria de saber a sua opinião sobre os assuntos postados no blog. Obrigado pela participação e pela visita de todos.

Luto

    O matemático norte-americano retratado no filme “Uma mente brilhante”, John Nash, faleceu na tarde deste sábado (23) em um acidente de carro.
    Segundo relatos, Nash, que tinha 86 anos, havia acabado de retornar da Noruega com sua esposa Alicia, 82, quando o táxi em que estavam se acidentou em uma rodovia de Nova Jersey. Os dois faleceram antes mesmo de chegar ao hospital. O motorista do táxi e o motorista do outro carro ficaram feridos.
    Os trabalhos do vencedor do Nobel de 1994 e sua luta contra a esquizofrenia foram retratados pelo personagem estrelado por Russel Crowe no premiado filme de 2001. O ator, inclusive, disse estar chocado com a morte do casal e manifestou solidariedade às suas famílias.