quarta-feira, 18 de abril de 2018

Direito das pessoas com transtornos mentais


    Abaixo o texto de um amigo que tenho no facebook, que fala sobre os direitos das pessoas com algum tipo de transtorno mental. Na hora dos direitos somos considerados loucos, antissociáveis, etc..
Somente na hora dos deveres e obrigações somos considerados normais e aptos. 
    No meu caso em particular, não serei operado de uma fratura no pé por causa da minha condição de portador de esquizofrenia. O médico simplesmente não quer me operar, apesar do parecer favorável do psiquiatra do CERSAM, aqui em Belo Horizonte. ...


   "Enquanto alguns batem panelas por políticos de estimação somos ignorados, abandonados e esquecidos.
    Esta parada na Câmara dos Deputados proposta que acrescenta direitos e garantias às pessoas com transtorno mental, como depressão, esquizofrenia ou transtorno bipolar. O objetivo é igualá-las às pessoas com deficiência física e incluí-las socialmente e também no mercado de trabalho. Transporte público gratuito, reserva de vagas de emprego e proteção contra a discriminação são alguns dos pontos previstos no Projeto de Lei 5907/16, do deputado Francisco Floriano (DEM-RJ), que altera a Lei da Reforma Psiquiátrica (Lei 10.216/01).
    Para efeitos legais, o projeto de Francisco Floriano considera a pessoa portadora de transtorno mental como pessoa com deficiência. Um dos pontos do texto, inclusive, determina que os editais de concurso público incluam expressamente as pessoas portadoras de transtorno mental no item que trata das vagas destinadas às pessoas com deficiência.
    O argumento do projeto é que hoje as pessoas com transtornos mentais não são contempladas em programas e incentivos governamentais destinados às pessoas com deficiência física. “No Brasil, existem mais de 24 milhões de pessoas com deficiência e mais de 23 milhões de portadores de algum tipo de transtorno mental. Contudo, a legislação brasileira visa garantir ações necessárias ao exercício dos direitos básicos somente aos deficientes físicos”, aponta o parlamentar. Ele observa que vários países do mundo já consideram a pessoa com transtorno mental severo como pessoa com deficiência.

                                                          Crime de discriminação
    O texto também classifica como crime de discriminação contra a pessoa com transtorno mental impedir seu acesso a qualquer cargo público, negar-lhe emprego ou trabalho e dificultar-lhe o acesso à assistência à saúde ou a operações bancárias, entre outros atos. A pena é reclusão de dois a quatro anos.
    Nos períodos de internação, o texto determina que o paciente seja tratado com humanidade e respeito. Nos casos de descumprimento da regra, o gestor ou responsável pelo hospital será responsabilizado na esfera civil, administrativa e criminal, podendo também ser afastado imediatamente das atividades.
    Ainda segundo o texto, para que a pessoa com transtorno mental receba a pensão por morte dos pais ou se aposente por invalidez, basta a ela comprovar sua incapacidade mediante perícia médica realizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), sem exigência de interdição do paciente.
    O projeto também assegura atendimento domiciliar pela perícia médica e social do INSS, pelo serviço público de saúde ou pelo serviço privado de saúde contratado ou conveniado que integre o Sistema Único de Saúde (SUS) e pelas entidades integrantes do Sistema Único de Assistência Social (Suas), quando o paciente estiver impossibilitado de se deslocar".

Obs: Na CDE, você encontra o projeto de lei que visa modificar e melhorar os direitos das pessoas com transtornos mentais.
https://drive.google.com/drive/folders/0B1dxTb_oy7qweEIzMnpvN2tWemc


Esse é o link do andamento do projeto de lei:
http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2092777

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Paranoias diárias do dia a dia na vida de um esquizofrênico


 
  Antes de começar o relato sobre as minhas dificuldades no dia a dia, vamos tentar definir o que é paranoia. Pesquisando no google em sites que considero confiáveis, a melhor e mais abrangente definição sobre o assunto que encontrei foi no site Info Escola.
    "A paranoia, também denominada pensamento paranoico (ou paranoide), consiste em uma psicose caracterizada pelo desenvolvimento de um pensamento delirante crônico, lúcido e sistemático, provido de uma lógica interna própria, sem apresentar alucinações.
    Nesta patologia, o indivíduo desenvolve uma desconfiança ou suspeita exacerbada ou injustificada de que está sendo perseguido, acreditando que algo ruim está para acontecer ou que o perseguidor deseja lhe causar mal."
    Esses pensamentos são quase que incapacitantes, o que me leva as pessoas a terem uma vida pouco ou com quase nenhuma atividade social. Em um vídeo que gravei no youtube, cheguei a brincar, afirmando que as minhas camisinhas estão com o prazo de validade vencido... 
    Qualquer atividade que envolva gente se torna um tanto o quanto complicada, o que me leva a ter uma vida mais reclusa, e geralmente me leva a conseguir a contar quantas palavras foram proferidas pelos meus lábios carnudos durante o dia.  
   A citação sobre a boca carnuda é zoação, mas infelizmente sobre o número de palavras proferidas durante o dia não é.... 
    Falo pouco, sou monossilábico, a não ser quando estou jogando bola e tem aqueles caras fominhas que não tocam a bola de jeito nenhum. A gente corre, se desloca para receber a bola, mas os caras não tocam, só pensam em chutar a bola e marcar o gol e se gabarem. E depois ainda tenho que voltar para a defesa para evitar o gol, pois eles gastam a energia somente para atacar. 
    Mas, deixando a brincadeira de lado, convivo bem com meus pensamentos, então meu quartinho se torna um lugar agradável para o meu sossego e paz interior, que só é um pouco interrompido quando saio para o exterior do meu cantinho...
    Qualquer situação que envolva pessoas gera um certo stress, talvez por isso gosto tanto de percorrer os "Caminhos da estrada real", pelo interior da minha Minas Gerais. Me lembro que quase entrei em êxtase, ao ouvir o bater de asas de um pássaro em uma estradinha de terra....
   Abaixo algumas situações que mais me incomodam no momento, mas já foi pior um dia...
  
Na padaria...
Eu, na padaria... 

    Como bom mineiro que sou, uma visitinha a padaria era um dos melhores prazeres que tinha: pão de queijo, pastel de queijo, broa de queijo, biscoito de queijo,  rocambole, bolo de fubá e torta de chocolate era o que eu mais consumia. Ah, e tinha o doce de leite, também, com queijo, é claro...
    Era uma delícia ir na padaria e satisfazer um dos sete pecados capitais. Às vezes (muitas vezes para dizer a verdade), comprava mais do que conseguia comer, era o tal do olho maior do que a barriga. E então me empanturrava até não conseguir sair da cama. Ficava que nem um jacaré depois de comer um boi e esperando a digestão aliviar um pouco o estufado estômago...
    Ainda continuo indo a padaria, só deixarei de ir se o caso ficar grave mesmo. Mas é complicado. Quando peço algum quitute e a balconista pede para que eu pegue a fichinha antes, logo penso que ela esteja me confundindo com algum meliante e que eu vou sair correndo sem pagar. 
    - Tá pensando que eu sou ladrão? Trabalhei 17 anos como operador de som!!!- é o que me dá vontade de responder, mas procuro ficar sempre calado nessas situações. Só fico mais sossegado quando vejo a balconista fazendo o mesmo procedimento com outros clientes do estabelecimento. 


Supermercados e bancos... 

    Como não poderia deixar de ser, ir a bancos e supermercados também é uma tarefa que gera um certo stress, pois a realidade é que hoje em dia as pessoas ficam um pouco tensas quando mexem com dinheiro. Ou seja, fico tenso e a tensão das outas pessoas me deixa mais tenso ainda... 
    Logo quando chego a um estabelecimento e vejo o segurança falando no rádio de comunicação logo penso que estão falando:
    - Ele chegou...
    -  Você quer olhar os meus documentos? Tenho cara de assaltante de banco?- é o que dá vontade de responder, mas, também nessa situação prefiro ficar calado. 
    Penso que os seguranças estão imaginado que eu estou armado e que a qualquer momento vou sacá-la e fazer todo mundo refém. Quando o detector de metais apita mesmo deixando o celular e as chaves do lado de fora é que a situação fica complicada. Então levanto a camisa e mostro  a fivela do meu cinto sem cerimônia e aí sou logo liberado. 
    Fico chateado também quando vou no caixa para sacar um dinheiro e o segurança fica me olhando. Penso que ele pensa que eu esteja hackeando  o sistema operacional do caixa, que ouvi dizer que ainda é o velho e bom windows xp... Então, quando o equipamento solta o dinheiro, faço logo questão de contar as notas virado para o segurança, com um certo ar de vingança... 
    - Sou aposentado por que trabalhei honestamente e ininterruptamente 17 anos como operador de som!!!- É o que tento dizer com um certo olhar soberbo. 
    

Shows... 

    Ir à shows era uma atividade tão prazeirosa que, como já relatei, acabei virando um operador de som. Mas antes ia aos shows e conseguia ficar totalmente distraído, reparando apenas na banda que estava se apresentando no palco. Prestava atenção nos instrumentos, no guitarrista quando fazia o solo, se por acaso algum músico errasse alguma nota... O local poderia estar lotado, mas para mim era como se não tivesse ninguém ao meu lado, até que a última música fosse tocada pela banda. 
    Desde quando me aposentei, em 2005, acredito que fui apenas em dois shows. E não foi muito legal. Músculos tensos, a sensação de que todos estão deixando de prestar atenção na banda para ficarem olhando para mim. Sei que é um absurdo, afinal a pessoa gasta o seu dinheiro justamente para ver a banda ou o cantor. Por que iriam ficar olhando para um pacato cidadão? Nem sou bonito para ficarem olhando para mim. Quando alguém pega uma câmera aí é que a situação fica tensa, pois logo imagino que estão a me filmar...  Mas a verdade é que boa parte dessas pessoas que ficam filmando o show quase não curtem o espetáculo, para depois postarem nas redes sociais que estavam vendo o show de fulano ou ciclano. 
    E depois que comecei a escrever o blog ai que penso que o mundo inteiro sabe que tenho esquizofrenia. Até tirei a minha fotinha que ficava na página inicial. Os vídeos nem gosto muito de gravar e divulgar por aqui. O blog ajuda e atrapalha ao mesmo tempo. Me ajuda na questão de me tornar um ser humano melhor, de me sentir um pouco útil,  pois muitas pessoas relatam que ajudo de alguma maneira com os meus escritos. Mas atrapalha um pouco, ao imaginar que todos estão debochando da minha condição de uma pessoa com esquizofrenia. Mas hoje em dia o que as pessoas pensam ou falam de mim, sendo real ou não, pouco me importa, pois, como já relatei várias vezes, o fato de me preocupar com a opinião alheia foi um dos gatilhos da esquizofrenia. 

    Então não tem jeito. As paranoias diárias fazem parte da minha vida. Com remédios talvez possa não tê-las, mas também teria um sono quase que eterno, pois a prostração causada pelos antipsicóticos geralmente acabam por completo no meu caso por volta das 4 horas da tarde, e, como costuma dormir cedo, teria cerca de cinco horas por dia com alguma disposição para realizar alguma tarefa. 
    Esses pensamentos me perseguem, não adianta mudar de bairro, cidade, estado ou país. A solução é encontrar um bom ambiente para se morar, e onde as pessoas se respeitem. Um bom ambiente já é um bom  caminho para a estabilidade emocional e mental. Se afaste de pessoas negativas, entre em contato com a natureza, procure se elevar espiritualmente de acordo com suas crenças. Enfim, lute, batalhe para se tornar uma pessoa mais forte e não se abalar facilmente. 

terça-feira, 3 de abril de 2018

Nova conta para doações ao blog

    O cartão de conta poupança que uso neste blog venceu hoje. Por esse motivo estarei usando a seguinte conta para que as pessoas possam adquirir o livro Mente Dividida ou até mesmo para ajudar a manter o blog e nas situações que estou passando por causa do meu problema no pé, que está fraturado.
A conta é a seguinte:
Julio Cesar dos Santos
Caixa Econômica Federal
  - Agência 2332
  - Operação 023
  - Conta 00016678-2
Qualquer dúvida é só enviar um email para:
juliocesar-555@hotmail.com
juliocesar_555@yahoo.com
Obrigado à todos que me ajudaram até hoje.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Psicocirurgia, uma modernização da lobotomia?



   Outro dia desses me deparei com o vídeo acima circulando pelas redes sociais. O procedimento foi anunciado como uma nova esperança no tratamento da esquizofrenia, onde o paciente apresenta um quadro de agressividade extrema, segundo o apresentador do programa de uma emissora de TV do norte de Minas Gerais. 
    O tratamento foi denominado como "psicocirurgia" e, segundo o apresentador e o repórter do programa, o resultado foi extremamente satisfatório, "controlando" toda a agressividade do paciente, como se pode observar no vídeo.  
    Mas, após assistir completamente a matéria  me veio uma dúvida: essa psicocirurgia não seria uma modernização da lobotomia? Essa "pequena lesão controlada", citada pelo neurocirurgião Gustavo Lages (Montes Claros-MG), não seria uma retirada de um pedaço do lobo pré-frontal, como se fazia na década de 40? Dá-se a impressão que a única diferença é que antigamente se fazia o procedimento com um picador de gelo e muitas vezes até sem anestesia. Essa pequena lesão ou retirada,  não é a morte de parte importante de alguma função cerebral? São apenas questionamentos, pois neurologia está longe de ser a minha especialidade...
    Para quem não conhece, a lobotomia é um procedimento cirúrgico que foi muito usado na década de 40, em pacientes com quadros graves de esquizofrenia e agressividade. Consistia basicamente em retirar ou lesionar um pedaço do cérebro, que seria responsável pelo planejamento das ações e pelos movimentos. Essa região do cérebro também é responsável por outras funções, mas a finalidade do blog não é acadêmica, por isso não irei me aprofundar muito nessa questão, o que desviaria e muito a intenção desta postagem. 
     Foi muito questionada na época a lobotomia pelo simples fato de tornar o paciente um vegetal. Como podem observar na figura abaixo, o procedimento mais barato consistia em usar um picador de gelo para causar o dano ao lobo pré-frontal. 
 

    Ao ver a matéria acima do vídeo, não foi possível evitar a comparação. Não seria essa psicocirurgia uma lobotomia modernizada? O repórter e tampouco o médico entraram em detalhes sobre exatamente o que seria essa "pequena lesão controlada". Mas, o que se pode constatar é que esse procedimento considerado uma nova esperança na reportagem parece consistir basicamente no mesmo conceito da antiga lobotomia, que é a de lesionar ou retirar um pedaço do lóbulo pré-frontal, e assim deixar o paciente sem reações e ações, como podemos observar no vídeo. 
    Confesso que ficaria extremamente triste se visse um parente ou amigo em uma situação dessas. A impressão que se dá que é uma outra pessoa que está no corpo do operado, ou que é apenas um resto da pessoa que está ali. 
     Mas também devemos nos colocar na posição dos pais do paciente da reportagem. Afinal, como eles mesmo relataram, foram mais de 20 anos de sofrimento, agressividade e tentativas frustradas de tratamento. Me pergunto também se nesse estado de agressividade não teríamos a sensação de estamos com uma outra pessoa... 
    Não sou de ficar em cima do muro, mas confesso que não sei e não tenho condições de opinar sobre o assunto. Creio que só quem está sentindo o problema na pele é quem pode responder com propriedade se é ético e moral realizar essa chamada psicocirurgia. 
   E você, o que acha? É um avanço ou retrocesso? Submeteria um parente à esse procedimento? Atualmente não existem outras soluções?
    Vote na enquete, o sigilo é total...  

Obs: Pesquisando sobre o assunto no google, vi uma matéria do início deste ano falando sobre esse "novo" procedimento no site de um jornal da cidade de Montes Claros, no norte de Minas Gerais, onde foi realizado esse primeiro procedimento na região. Ou seja, a cirurgia deve ter sido realizada no ano de 2017.
    Leiam a matéria, chega a soar como irônica a matéria quando os termo "moderno" é citado várias vezes...

https://gazetanortemineira.com.br/noticias/saude/psicocirurgia-santa-casa-realiza-procedimento-cirurgico-para-controlar-agressividade









quinta-feira, 29 de março de 2018

900.000 visualizações!!!

 
    Este humilde blog foi fundado no dia 19 de maio do ano de 2012, com quase ou nenhuma pretensão além de virtualizar um antigo hábito que tenho, que é escrever. 
     Na época estava entusiasmado por que havia acabado de comprar um computador  CCE em 12 suaves prestações nas casas Bahia. Mas a verdade é que nada é suave para quem ganha um salário mínimo e ainda tem que pagar aluguel...
    Havia acabado de aprender a usar um PC. Cheguei até a gravar alguns vídeos, que não ficaram muito bons, pois falar não é o meu forte. O curso de informática que fiz aos 40 anos de idade foi um teste que resolvi fazer para descobrir se a esquizofrenia havia atrapalhado em alguma coisa a minha capacidade de aprender coisas boas e novas, pois coisa ruim a gente aprende com facilidade né? 
    O blog no início até que foi bem recebido e em pouco tempo conseguiu um bom número de visualizações. E também com o tempo acabou mudando sua finalidade que era quase que ser exclusivamente uma terapia individual. Muitas pessoas se identificavam com os meus escritos, e muitos afirmaram que o conteúdo do blog as ajudava de alguma maneira. 
    A minha experiência prática com os medicamentos, juntamente com a minha curiosidade e os meus estudos meio que me tornaram um "consultor virtual de medicamentos", especialmente os antipsicóticos. 
    Confesso que fiquei muito lisonjeado com os elogios e palavras de incentivo. Mas, claro, alguns grupos e pessoas não ficaram muito satisfeitos com as minhas publicações, o que acho absolutamente normal, pois agradar à todos ninguém ainda conseguiu neste mundo. Nunca fui de mudar o meu jeito de ser para agradar à todos, e não será nesta altura do campeonato que irei tentar ser outra pessoa para conseguir aprovação e outras vantagens que só os falsos conseguem obter. Não existe coisa melhor no mundo de sermos verdadeiros, de sermos nós mesmos, sem máscaras e fingimentos. 
    Voltando ao blog, confesso que no início ficava maravilhado com o crescente número de visualizações, e que até um dia poderia ficar famoso com o que escrevia. Mas o que seria um reconhecimento de um trabalho na verdade era apenas o reflexo do cenário da saúde mental no Brasil e em vários países do mundo. 
    Não estou afirmando que tudo é ruim, mas ainda falta muita coisa para considerarmos o atendimento na saúde mental no Brasil como satisfatório. Apenas uma parcela mínima da população tem acesso a um bom atendimento e aos bons medicamentos, os mais modernos, chamados de segunda geração. Quem acompanha o blog e leu o meu livro sabe como é difícil um bom atendimento na saúde mental através do Sistema Único de Saúde. 
    Existem bons e bem intencionados profissionais no SUS, mas falta estrutura e condições de trabalho. E ainda tem que ser levado em conta as condições financeiras do paciente, pois o tratamento não consiste apenas em medicamentos. Uma boa condição de vida pode ajudar e muito na recuperação do paciente. Mas ter dinheiro não necessariamente significa boa recuperação, pois um lar sem estrutura e sem diálogo tudo fica mais difícil. Melhor ter uma condição financeira um pouco menor e ter uma família bem estruturada. Dinheiro ajuda, mas nem sempre é tudo né?
    E posso dizer que no Brasil ainda falta o diálogo aberto entre o paciente e o profissional da área da saúde. A consulta geralmente consiste em um monólogo protagonizado pelo psiquiatra. Falo isso baseado em minha experiência no contato em várias consultas ao longo dos anos. Claro que encontrei profissionais que tinham um certo diálogo, mas a maioria infelizmente, não sei por qual motivo, apenas se vêem na obrigação de ouvir as queixas para logo preencher o receituário. 
    Na Finlândia, onde se tem obtido os melhores resultados no tratamento da esquizofrenia, a primeira consulta da primeira crise tem um atendimento especial. O paciente pode até escolher onde quer ser atendido: em casa, na clínica ou um outro local qualquer. Ele pode até escolher se quer dormir na clínica, caso seja necessário tomar um tranquilizante, visto que o uso de antipsicóticos é feito somente em último caso.
    Citei o caso da Finlândia para ilustrar que, se no Brasil o tratamento fosse um sucesso como muitos dizem por aí, pouco ou nada eu teria que dizer sobre o assunto. E muito menos os leitores teriam motivos para acessar um blog feito por um paciente, já que todos estão obtendo ótimos resultados no tratamento. 
    Creio que a  falta de informação sobre o assunto também contribui para as visualizações do blog. E E quando a informação é dada por boa parte da mídia, ela chega distorcida no público em geral, contribuindo e muito para o preconceito e o estigma que cerca a esquizofrenia. Se uma pessoa com esquizofrenia comete um crime, vira assunto para todos as capas de jornais e também ocupam boa parte dos jornais nacionais da vida. Mas, se o contrário acontece, quando uma pessoa com esquizofrenia é agredida ou é assassinada, pouco se fala no assunto. Há muitos anos atrás fiquei impressionado com um crime que aconteceu no sul do país. Uma pessoa com esquizofrenia teria que ser internada compulsoriamente (contra sua própria vontade). A polícia foi chamada, o paciente acabou fugindo, levou alguns disparos de arma de choque que não surtiram efeito pois o rapaz estava com camisa de manga cumprida. No final o cara pegou uma barra de ferro e acabou levando um tiro de arma letal  e veio a falecer. E foram chamados seis policiais para resolverem o assunto. Não estou pedindo para passarem a mão na cabeça das pessoas com esquizofrenia. Caso representem perigo que seja tomadas providências, para que o pior não ocorra. Mas acredito que seis policiais e o Samu já seriam mais do que suficientes para conter uma pessoa em crise sem precisar matá-la...
Digitei sobre o ocorrido no google e o único resultado que encontrei foi no site abaixo:
https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/07/25/durante-internacao-compulsoria-pm-mata-paciente-com-esquizofrenia-em-sc.htm

    E a realidade também parece que não pode ser dada na mídia em geral, que são os casos de tentativa de suicídio. Não achei estatísticas, mas um número considerável de pessoas com esquizofrenia comentem ou tentam o suicídio. Fazem mais mal a si mesmos do que aos outros, mas isso a mídia não mostra. Por esses e outros motivos, a internet tem suas vantagens. A realidade nua e crua podemos  mostrar aqui para todos vocês. A internet é democrática, cada um é livre para acessar o que achar o que lhe faz bem. 
    Outro fator que ajuda nas visualizações é que as pessoas querem ver o ponto de vista de quem sofre o transtorno, e não de quem trata. Só quem sente na pele o dia a dia de todas essas paranoias e crises é que pode dizer com precisão o que é tudo isso. 
    Mas ultimamente muita coisa se tem mudado, existem bons programas de tv que começaram a falar sobre o assunto, e algumas novelas infelizmente só atrapalham quando tentam abordar o assunto. Mas já é um passo importante que deram ao pelo menos abordar o assunto.

    Então, por esses motivos hoje em dia não fico tão feliz assim com o número de visualizações do blog. Preferiria viver em um país onde o tratamento fosse mais eficaz e os resultados bem melhores do que os que estão por aí sendo divulgados. 
   Mas, mesmo assim gostaria de agradecer com carinho à todos os leitores do blog. Se não fossem vocês já teria parado de escrever logo no início. Também não poderia de deixar de agradecer aos grupos do facebook que sempre publicam as minhas postagens, ajudando na divulgação do meu trabalho.
    Gostaria também de dizer que não sou de nenhum movimento, já que tudo hoje em dia está polarizado. Não sou da psiquiatria, mas também não sou do movimento da antipsiquiatria. 
     Para quem não conhece, a antipsiquiatria, de uma forma resumida, acredita que não existem as doenças mentais e que tudo é invenção da indústria farmacêutica, que só visa o lucro. 
    Acredito que o cérebro, assim como qualquer órgão, pode sim ter os seus problemas e vir a adoecer. O fígado não tem problemas e a pessoa não fica com diabetes? E a insulina não é aplicada para amenizar a situação?
    Mas também acredito que boa parte da psiquiatria está pegando pesado, querendo classificar à tudo e a todos. Estão medicalizando os sentimentos. Mas isso é um assunto para uma outra postagem, e que até já falei sobre isso aqui. 
    Então vida que segue e rumo à um milhão de visualizações!!! 

sexta-feira, 23 de março de 2018

Dedão fraturado e o sus acha tudo normal.

                                                                Dedão detonado
    Pessoal, mais uma vez estou aqui contando com a ajuda de vocês, caso seja possível. Estou com o dedão do pé fraturado (piora do hálux ridigus não tratado). O médico não está querendo me operar pois o hospital é especializado apenas em ortopedia e pelo sus todos sabem como é o atendimento. Ele alegou que posso ter uma crise depois de voltar da anestesia e o hospital não ter ninguém especializado em psiquiatria. 
    E tenho que andar todos os dias 6km para ir almoçar e fazer outras coisas. O meu tênis tentei fazer uma adaptação, mas o material que usei ficou um pouco duro e está forçando um pouco o dedão. Irei trocar, mas como é final de mês estou sem o dinheiro para comprar a cola de sapateiro, o solado antiderrapante e o EVA, que é uma borracha macia que colocarei debaixo do solado. Dessa forma consigo andar com menos dor e o dedão não irá se agravar tanto até o dia que conseguir operar. 
Às vezes a pessoa fica receosa em ajudar com um valor pequeno, mas se várias pessoas ajudarem com um pequeno valor conseguirei adaptar o meu tênis para que fique macio e não prejudique tanto a articulação que já está quebrada. Qualquer valor é bem vindo e pode ser depositado na conta:
Julio Cesar dos Santos de Oliveira
Caixa Econômica Federal
Julio Cesar dos Santos de Oliveira
Agência 2332 Ipatinga MG
Caixa Econômica Federal
Operação 023
Conta 00016678-2
Qualquer dúvida entre em contato pelo email ou então nos comentários da postagem
juliocesar-555@hotmail.com
Caso queiram posso enviar o livro que escrevi sobre os surtos psicóticos que tive, o livro Mente Dividida.
http://memoriasdeumesquizofrenico.blogspot.com.br/2012/08/mente-divida-memorias-de-um.html
Obrigado
não é joanete não, é a articulação que ficou detonada por falta de tratamento adequado 
Coloquei um material meio duro e o dedão está sendo muito forçado. Terei que tirar tudo e colocar EVA, que é mais macio. 
Mesmo com o parecer favorável do psiquiatra o ortopedista está receoso em realizar o procedimento cirúrgico, que simplesmente é raspar o osso do dedão do pé. 

segunda-feira, 12 de março de 2018

A esquizofrenia melhora com a velhice?

    Primeiramente gostaria de dizer que a intenção desta postagem não é definir o que é e quando começa a velhice, visto que, na minha humilde opinião, tudo depende muito de nossos hábitos alimentares, físicos e principalmente de nossa mente, que pode estar ou não envelhecida muito mais do que o nosso corpo físico. Confesso que às vezes me sinto envergonhado ao ver pessoas com mais idade do que eu esbanjando saúde, bom humor e disposição para realizar as tarefas do dia a dia.
    Meu humor é bastante instável, tem dias que acordo me sentindo um jovenzinho, dá até vontade de vender "tudo" o que tenho (uma TV LCD, um frigobar, um notebook CCE e um home theather da LG) e sair por aí viajando pelos caminhos da estrada real.
    Mas tem dias que acordo tão mal que penso logo em ir ao posto de saúde e marcar uma consulta com o clínico geral para agendar o maior número de exames possível. Teve época que cismava que tinha algum problema no coração, outra que tinha aids, e atualmente ando cismado que tenho algum tipo de câncer qualquer.  (neste momento pensei em câncer de próstata, mas não quero fazer o exame não, existe um exame de sangue preliminar que, dependendo do resultado, consegue descartar o exame do dedão). Essa cisma de câncer começou a aparecer depois que o apresentador Marcelo Resende faleceu no ano passado devido à complicações no pâncreas. 
    Mas, como a postagem se refere à relação esquizofrenia x velhice, gostaria de começar com um texto publicado na Scientific American sobre o ícone da superação da esquizofrenia, que é o nosso querido John Nash. Infelizmente ele nos deixou no ano de 2015, devido à um acidente automobilístico. 
   John Nash foi diagnosticado com esquizofrenia por volta dos 30 anos, tendo passado por inúmeros tratamentos e internações. A partir desse momento sua vida não foi mais a mesma, só voltando ao convívio social aos 50 anos de idade. 
     Mas o que aconteceu para que sua condição melhorasse a ponto de ter o seu casamento reatado no ano de 2001? A esquizofrenia realmente melhora com o passar dos anos? Seria o amadurecimento? Uma experiência prática com o transtorno? 
    Como sempre costumo dizer, não sou muito fã do Control V + Control C, mas às vezes isto se torna necessário para ilustrar e melhorar o entendimento da postagem. Abaixo na íntegra o texto que conta um pouco sobre essa fase da vida de John Nash. 

John Nash
  "O matemático norte-americano John Forbes Nash, que morreu em 23 de maio em um acidente de carro, era conhecido por suas décadas de batalha contra a esquizofrenia.
   Sua árdua luta foi retratada primorosamente no filme “Uma Mente Brilhante”, de 2001, premiado com quatro Oscars no ano seguinte.
    Mais tarde na vida, Nash aparentemente tinha se recuperado da doença; o que, segundo ele, havia acontecido sem medicação.
    Mas com que frequência pessoas se recuperam de esquizofrenia, e como uma doença tão destrutiva desaparece?
    Nash desenvolveu sintomas esquizofrênicos no final da década de 50, quando tinha cerca de 30 anos, e depois de ter feito contribuições pioneiras para o campo da matemática, inclusive a extensão da teoria dos jogos, ou a matemática de tomada de decisões.
    Segundo o jornal The New York Times, foi nessa época que ele começou a exibir um comportamento bizarro e a experimentar episódios de paranoia e delírios.
    Ao longo das décadas seguintes, ele foi hospitalizado várias vezes e vivia tomando medicamentos antipsicóticos intermitentemente.
Mas na década de 80, quando Nash estava na casa dos 50 anos, sua condição começou a melhorar.
    De acordo com o New York Times, em meados da década de 90, ele escreveu a um colega em um e-mail que: “Em última instância, emergi do pensamento irracional sem outros remédios, exceto as mudanças hormonais naturais do envelhecimento”.
    Nash e sua esposa Alicia morreram aos 86 e 82 anos, respectivamente, em um acidente na New Jersey Turnpike, uma rodovia pedagiada, quando estavam a caminho de casa voltando de uma viagem em que Nash tinha recebido um prestigiado prêmio por seu trabalho.
    Estudos realizados na década de 30, antes que medicações para esquizofrenia estivessem disponíveis, constataram que cerca de 20% dos pacientes se recuperavam por conta própria, enquanto 80% não conseguiam fazer isso, explicou Gilda Moreno, psicóloga clínica no Hospital Infantil Nicklaus, em Miami.
    Estudos mais recentes constataram que, com tratamento, até 60% dos pacientes com esquizofrenia podem alcançar remissão, o que pesquisadores definem como tendo sintomas mínimos por pelo menos seis meses de acordo com um estudo de revisão, de 2010, no periódico especializado Advances in Psychiatric Treatment (em inglês).
    Não está claro por que apenas alguns pacientes esquizofrênicos melhoram, mas pesquisadores sabem que diversos fatores estão associados a resultados melhores.
    Nash parece ter tido muitos desses fatores a seu favor, observou Gilda Moreno. [Consulte “Cinco tratamentos controversos de saúde mental”, em inglês.]
    Pessoas que têm um início mais tardio da doença tendem a ter um quadro de recuperação melhor que aquelas que experimentam seu primeiro episódio de psicose na adolescência, explicou Moreno. (“Psicose”, no caso, se refere a perder contato com a realidade, o que se manifesta por sintomas como delírios.)
    Nash tinha 30 anos quando começou a apresentar sintomas de esquizofrenia, que incluem alucinações e delírios.
    Além disso, fatores sociais, como ter um emprego, uma comunidade de suporte e uma família capaz de ajudar com tarefas cotidianas, também estão ligados a resultados melhores para pacientes com esquizofrenia, salientou Moreno.
    Nash teve colegas que o apoiaram e o ajudaram a encontrar empregos onde pessoas o protegiam. Também teve uma esposa que cuidou dele e o levou para sua casa mesmo depois de o casal se divorciar, o que pode tê-lo impedido de se tornar um sem-teto, de acordo com um episódio do programa da PBS “American Experience”. 
   “Ele tinha todos esses fatores de proteção”, resumiu Moreno.
   Alguns pesquisadores observaram que pacientes com esquizofrenia tendem a melhorar à medida que  envelhecem.
    “Sabemos que, como regra geral e com exceções, à medida que pessoas com esquizofrenia envelhecem, elas apresentam menos sintomas, como delírios e alucinações”, declarou o doutor E. Fuller Torrey, psiquiatra especializado em esquizofrenia, em uma entrevista ao programa  “American Experience”, com foco em Nash.
    No entanto, Moreno salientou que muitos pacientes piorarão com o tempo, se não tiverem acesso a cuidados médicos adequados e não estiverem em um ambiente de suporte.
    “Quando você tem um esquizofrênico que teve vários episódios/colapsos psicóticos, existe um caminho descendente, de declínio”, explicou Moreno.
    De acordo com ela, pacientes sofrem financeiramente porque não podem trabalhar, fisicamente porque não conseguem cuidar de si mesmos, e socialmente porque seus comportamentos bizarros os distanciam de outros.
    Pode ser que pessoas que têm ambientes de suporte adequados sejam as que são capazes de viver até uma idade mais avançada, e ter um resultado melhor, acrescentou ela.
    Ainda assim, não há nenhuma garantia de que alguém vá se recuperar de esquizofrenia: um paciente pode ter todos os fatores de proteção, mas não se recuperar, salientou Moreno.
    A maioria dos pacientes lida com seus sintomas por toda a vida, mas muitos também são capazes de desfrutar uma existência gratificante, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH)."
Futuras pesquisas sobre as causas da doença podem levar a melhores formas de prevenir e tratar a doença, avalia o NIMH.
Publicado em Scientific American em 4 de junho de 2015.


O meu ponto de vista
    Gostaria, antes de tudo, de dizer que não me acho o dono da verdade e tampouco o "sabe tudo". O blog é apenas um relato de minha experiência com a esquizofrenia, os meus estudos e o convívio com outras pessoas que têm algo semelhante ao que tenho. 
    No meu caso em particular, sinto que a esquizofrenia, com o passar do tempo e com a chegada da velhice (estou com 49), melhorou em alguns pontos, mas piorou em outros. Obviamente a experiência prática no assunto me fez evitar situações que poderia desencadear um provável surto psicótico: stress, discussões, maus hábitos, pessoas que querem o nosso mal, etc... Procuro sempre aprender com os meus erros, e também com as situações difíceis, para que não ocorram novamente. Procuro também me conhecer o melhor possível, para identificar todos os meus pontos fracos
   Para ajudar, tive a “sorte” de me aposentar e assim evitar as várias noites que ficava sem dormir, devido a minha profissão ser a de operador de som. É uma profissão que eu adorava, mas, que, depois do surgimento da esquizofrenia passou a ser algo quase que inviável de se fazer, pois ultimamente não estou mais tolerando sons acima de certos decibéis, além de ter que conviver e trabalhar no meio de uma multidão de pessoas. 
o operador de som controla o áudio no meio do povão....

     Alguns profissionais da saúde mental afirmam que a esquizofrenia seja somente o aumento da dopamina no cérebro, e por isso receitam os antipsicóticos que tem como função básica abaixar os níveis desses neurotransmissores em nosso organismo. Na minha "humildissíssima" opinião  o aumento da dopamina seria apenas uma consequência da esquizofrenia e não a própria patologia. A dopamina é necessária, mas na quantidade certa, pois ela é responsável pela vontade de realizar as tarefas, assim como a serotonina tem a ver com a sensação de bem estar. 
    Infelizmente faz parte do processo de envelhecimento a diminuição de vários neurotransmissores, como a dopamina, a serotonina, etc.. A dopamina dizem que é a que mais se tem queda, por isso os problemas motores... O metabolismo também fica lento, e outras coisas também, que prefiro não comentar... 
   Resumindo, os sintomas positivos podem sim diminuir com a idade, devido aos fatores que descrevi: amadurecimento, experiência prática no assunto que ajuda a evitar situações desencadeadoras de surtos e crises, e a baixa produção de dopamina que o organismo apresenta com o decorrer da idade. 
    Mas, se por um lado os sintomas positivos tendem a diminuir com a idade, o mesmo não se pode dizer em relação aos sintomas negativos....
    No meu caso em particular os sintomas negativos aumentaram e muito com o passar do tempo e principalmente depois dos 40 anos de idade... Quem acompanha o blog pode notar que as postagens não são publicadas com a mesma frequência do que no início... E algumas postagens não são tão alegres como antigamente. Antigamente parecia que abaixava um santo em mim e em poucos minutos escrevia no meu caderninho uma postagem inteira.. Tenho o costume de deixar perto da cama uma caneta e um caderno para, quando surgir inspiração possa anotar tudo. Hoje geralmente escrevo um pouco, guardo no caderno, e espero o ânimo chegar para passar tudo para o blog.... 
     Parece que vem algo como uma depressãozinha ao descobrirmos e termos a consciência de temos uma patologia que é cercada de muitos estigmas e preconceitos. Passamos a analisar a nossa vida e chegamos à conclusão de que muitas situações poderiam ser evitadas se não tivéssemos essa doença. 
    E com a diminuição da dopamina diminui a vontade de realizar as tarefas, de descobrir o mundo que nos cerca. Por isso que muitos pacientes são chegados à um cafezinho bem forte. No meu caso compro o café extra forte e faço ele forte shasahsashausas Mas não tem adiantado muito não. 
    Como disse, os sintomas negativos são bem parecidos com uma depressão: aquela moleza que toma conta do corpo da gente, passamos a não achar mais graça nas coisas que nos arrancava sorrisos antigamente. As emoções parecem ter sumido, e isso é o chamado embotamento afetivo. No meu caso ainda tem um pouco de emoção, talvez pelo fato de ter sido uma pessoa muito emotiva até antes de surtar. 
    Passamos a ficar trancados em nossos quartos, em nossos mundos, e talvez esse isolamento ajude um pouco a não surtar, a não termos tanto contato com esse louco mundo em que vivemos. Afinal, a realidade é dura e pode sim ajudar a pirar. 
    Me lembro que, na época dos sintomas positivos pirava, andava que nem um louco pelas Brs, ficava muito mal fisicamente, mas, quando retornava à realidade tinha forças para lutar por tudo novamente. Hoje em dia ainda sinto que posso surtar, e acho que até surto, mas fico meio que acostumado à essas crises  e hoje não é qualquer coisa que me assusta. Tenho os mesmos sintomas persecutórios de antigamente, e ainda ouço algumas vozes, mas, como disse, pelo fato de não ser uma novidade essas situações não me assustam mais como antes. 
    Outro dia, do nada,  ouvi o seguinte comentário vindo de uma mulher que vi no centro da cidade, dias depois de ter publicado a postagem sobre dicas de como não engordar tomando os antipsicóticos... 
    “Vai engordar tudo de novo”...
    Estava andando na rua tranquilamente quando ouvi este comentário. Nenhuma situação de stress estava tendo naquele momento. Pelo contrário,  estava comendo um belo pedaço de pudim de leite. Na hora foi muito nítido, e não respondi, afinal se nos preocuparmos com a opinião alheia estamos perdidos... Usei a terapia do foda-se sashaushasuas
   Mas, dias depois analisei a situação e acredito que foi apenas uma alucinação auditiva, afinal o meu blog não é tão conhecido assim para uma estranha fazer um comentário somente por que postei dicas de como manter o peso. E, naquele momento estava, como sempre, ouvido música no celular na maior altura possível.  Ou seja, a pessoa teria que falar em voz alta, e a voz que escutei naquele momento estava em um tom normal. 
    Devido à essas situações fico na dúvida se qual sintoma seria “menos ruim”: os positivos ou os negativos? Seria melhor viver com energia e com a propensão de surtar a qualquer momento? Ou viver em um mundo cinza, entediado, mas com uma certa lucidez?
Confesso que tenho uma queda para os sintomas positivos... 

Obs: gostaria de dizer que cada caso é um caso, principalmente quando o assunto é esquizofrenia. O que aconteceu e acontece comigo não quer dizer que vá acontecer com todas as pessoas que têm esquizofrenia. Tenho conhecimento que muitas pessoas com mais idade surtam, e ainda existe a esquizofrenia simples, que é uma esquizofrenia sem as alucinações, ou seja, seria mais na questão dos pensamentos e sentimentos mesmo, deixando o indivíduo mais nos sintomas negativos do que positivos.