terça-feira, 22 de maio de 2018

Dia nacional da pessoa com esquizofrenia

        Convite à todos de Belo Horizonte e região, familiares, profissionais da saúde mental e, claro, pessoas com esquizofrenia e que sonham com uma sociedade livre de estigmas.

    No dia 24 de maio diversos países realizam eventos pela Conscientização ou Atenção à Esquizofrenia (“Schizophrenia Awareness Day”).

    No Brasil, optamos por traduzir a data como Dia da Pessoa com Esquizofrenia. Essa escolha busca destacar o desafio de tratar uma doença, mas colocando a pessoa que necessita de ajuda e suporte em destaque, em toda a sua complexidade humana.

   Em 2018, o lema da campanha é “O que eu posso fazer?”, um convite à reflexão para as pessoas com esquizofrenia, seus familiares e os profissionais de saúde. O que cada um pode fazer? O que podemos fazer além? Como podemos reduzir as barreiras do estigma e criar oportunidades de superação?

domingo, 20 de maio de 2018

Ajuda com o colágeno


  Confesso que estou um pouco sem graça devido à esse novo pedido. Afinal já foram tantos pedidos neste blog que acabei me cansando dessa mendicância virtual. Sempre consegui me virar, mesmo nas situações mais difíceis.
   Mas, agora, com esse problema no pé tudo fica mais difícil. Estou tentando fazer de tudo para que meu pé melhore, mas não tem jeito, pois para fratura só existe solução cirúrgica, quando o problema não é solucionado a tempo. E foi isso o que aconteceu, devido ao mau atendimento do SUS.
   Ainda irei postar sobre o meu pé, que será uma postagem definitiva, para encerrar o assunto. Acredito que terei que me acostumar com essas dores no dedão do pé e em outras partes do corpo, devido ao fato de estar andando de maneira incorreta.
   Consegui um atendimento fora do sus, mas não poderei ser operado pois o hospital se nega a operar um paciente com esquizofrenia, o motivo irei detalhar nesta próxima postagem.
    Será a última vez que pedirei ajuda em relação ao meu pé, pois não vejo mais esperanças. Mas mesmo com o pé com problemas irei fazer os 910km restantes do caminho da estrada real, e a pé, afinal, missão dada é missão cumprida, com ou sem pé.
   Na última consulta pelo SUS, o médico nem olhou o meu pé, para variar, apenas me receitou o colágeno, que é um pouco caro. Como podem ver na imagem, 180 cápsulas custam 324 reais em uma farmácia de manipulação aqui em Belo Horizonte. Para se ter uma ideia, na internet o preço não está muito diferente.
http://www.biofase.com.br/uc2
Qualquer ajuda será bem vinda, pois não irei comprar os 180 comprimidos de uma vez, se o pessoal da farmácia não me vender aos poucos, irei pedir receitas separadas com 30 cápsulas para um mês.
aixa Econômica Federal
Julio Cesar dos Santos de Oliveira
Agência 2332
Operação 023
Conta 00016678-2
ou então
Agência 2332
Operação 013
Conta 00035331-3
Uma pessoa chegou a me informar que a primeira conta está incorreta, mas acredito que não esteja, mas qualquer dúvida é só entrar em contato:
memoriasdeumesquizofrenico555@gmail.com

sexta-feira, 18 de maio de 2018

"Esquizofrênicos" ou Pessoas com esquizofrenia?


    Os esquizofrênicos podem matar? São agressivos? São todos iguais e se comportam da mesma maneira? Tem algum tipo de retardo mental?
    Provavelmente essas são as principais das inúmeras questões que devem vir à mente de uma pessoa quando o termo "esquizofrênico" é abordado. 
   Da maneira como o assunto é tratado na TV, a impressão que se dá é que todo esquizofrênico é agressivo, não tem capacidade de raciocinar e nem de realizar tarefas comuns do dia a dia. Enfim, não passamos de um rótulo, de um diagnóstico. Costumo dizer por aqui que o preconceito e o próprio medo de ter esquizofrenia podem fazer tão ou mais mal do que a própria doença, devido principalmente à esses rótulos criados pelos meios de comunicação. 
    Há algum tempo evito o termo "o esquizofrênico"* por vários motivos, sendo o principal o estigma e os mitos que boa parte da mídia ajudou a criar em torno da figura de quem tem esquizofrenia. Uso o termo "pessoa com esquizofrenia", que foi o que achei que melhor designa alguém que tenha esse transtorno mental. No Japão o termo esquizofrenia não existe mais, e muito menos "o esquizofrênico". Lá o transtorno da mente dividida passou a se chamar "Distúrbio da integração", que, convenhamos, é um termo muito mais adequado e menos estigmático do que esquizofrênico. 
    Por aqui no Brasil parece que a coisa está melhorando. Já vi duas páginas do facebook usarem o termo "pessoa com esquizofrenia" há bem pouco tempo. Não sei como as pessoas com esquizofrenia são chamadas no exterior, mas acredito que no Brasil passará em breve a ser mais conhecida por esse termo, que, convenhamos é bem melhor do que esquizofrênico. Obviamente que uma simples mudança de nome irá acabar de uma vez  com o preconceito e os estigmas criados nesses anos todos. 
    Não sou esquizofrênico, tenho problemas, isso eu sei, mas não sou esse rótulo criado pela mídia. A minha tribo sou eu. Sou uma pessoa que tem transtornos e um sofrimento mental que os psiquiatras chamam de esquizofrenia. 
   Sou uma pessoa que tem esquizofrenia, não sou um rótulo.  Tenho minhas qualidades e defeitos, como qualquer ser humano da face da terra. Tenho o direito de surtar, de rir e de chorar. Não sou agressivo, não tenho passagem pela polícia por nenhum motivo, muito menos agressão. Não como fezes, mas já comi lixo como sendo a coisa mais deliciosa da face da terra, em consequência de um surto psicótico que tive, chegando a perder 25kg por causa de uma absurda mania de perseguição. 
 
   

        Já ouvi diversas perguntas que me deixaram  um pouco assustado, pela falta de conhecimento das pessoas sobre o assunto. Até que não as culpo, pois eu também tinha muitos preconceitos antes de surtar, talvez por causa do estigma criado pelos meios de comunicação. Brincava de imitar um vizinho que tive, que era portador de esquizofrenia. Não era com maldade, mas não sabia na época o quanto poderia estar ferindo os sentimentos dessa pessoa. 
   - Ah, se você é doido então rasga essa nota de cinquenta reais! - me desafiavam.
   - Posso ser doido, mas burro não sou não... - respondia, aceitando tudo na brincadeira. 
   - Você não tem esquizofrenia, você sabe mexer no computador...
  - Você fala normal, você não tem esquizofrenia... (essa foi uma das piores que me falaram, afinal tenho esquizofrenia e não sou mudo).
    - Você se lembra das coisas, não tem esquizofrenia.. (tenho esquizofrenia, e não amnésia...)
    Já vi outras perguntas bem estranhas por aí, como:
    - O esquizofrênico pode morar sozinho?
    - O esquizofrênico pode namorar? Pode dirigir? 
   Até muitos profissionais da saúde mental tem alguns preconceitos. Me lembro que quando tive o meu primeiro surto grave não recebi atendimento do Cersam, aqui em Belo Horizonte. A enfermeira nem me deixou entrar, ao me ver com roupas limpas, barba feita e cabelo cortado. Estava morando nas ruas naquela época, e o posto de saúde me informou o endereço do Cersam, mas não me atenderam sem ao menos conversar comigo, se baseando apenas na minha aparência. 
    Acredito que muitos psicólogos e psiquiatras se baseiam mais no que deveriam na aparência do paciente para dar algum tipo de diagnóstico. Mas posso dizer que uma pessoa pode estar muito mal psicologicamente e se vestindo de maneira adequada e penteando o cabelo. 
    No meu caso em particular não tenho receio ou vergonha de falar sobre a minha condição de pessoa com esquizofrenia. Acredito que minha história até esse momento tenha sido bacana, tanto que a ideia de escrever um livro sobre ela veio de amigos que conheci nas redes sociais. Não fui um santo (muito longe disso) e me arrependo de muitas coisas que fiz e de que não fiz, afinal não sou perfeito. Mas de uma coisa não me arrependo: de ser eu mesmo, sem falsidades e hipocrisias. Procuro seguir um lema, que acabei criando para ser o meu referencial durante a minha vida toda: "faça o que quiser, desde que não prejudique o próximo". E assim até durante o surto eu fui, não colocando em nenhum momento a vida de outras pessoas em perigo, somente a minha. E esse é mais um dos mitos que cerca a esquizofrenia: que somos agressivos, que vira e mexe estamos atirando pedra nos outros. A realidade é que o índice de violência da pessoa 'dita normal" é maior do que o índice das pessoas com esquizofrenia. E quando a pessoa dita normal usa álcool e outras drogas, esse índice sobe assustadoramente. Basta abrirmos as páginas dos jornais para constatarmos essa realidade. 
    Outro mito que cerca a esquizofrenia é referente a intelectualidade. Ou dizem que as pessoas com esse transtorno são muito inteligentes, ou então não tem nenhuma capacidade de realizar simples tarefas do cotidiano. 
   Não é raro as pessoas afirmarem que uma pessoa enlouqueceu por ser muito inteligente. É fato que o excesso de informações podem sim ajudar a pirar, mas a pessoa provavelmente tem que ter uma tendência a desenvolver algum tipo de transtorno mental. Pelo convívio que tive e tenho, posso afirmar que, assim como na população dita normal, existem pessoas com esquizofrenia com inteligência acima da média, na média e um pouco abaixo da média. Existem casos de má formação no cérebro, por diversos motivos, que acompanham alguns casos de esquizofrenia, mas não são todas as pessoas que têm esse tipo de problema. 
   Um outro estigma que cerca a esquizofrenia é a de que estamos possuído por uma entidade maligna. E então nos levam para uma igreja qualquer e só faltam esmurrar a gente para que o tinhoso saia de nosso corpo. Me lembro que no início pulava de igreja em igreja, mas o tal do demônio não saia de jeito nenhum. Mil caíam a minha direita e dez mil caíam na hora, mas eu não caia. 
    Já participei de várias igrejas evangélicas e conheci muita gente bacana, inclusive fui muito ajudado por evangélicos quando fui morador de rua. Mas infelizmente alguns pastores e muitos membros não estão preparados para receber uma pessoa que não esteja bem psicologicamente em função de um transtorno mental. 
querem expulsar o tinhoso na base da porrada... 
       Uma das piores consequências que o estigma pode trazer é a negativa da pessoa em buscar um tratamento adequado. "Eu não sou louco!", é o que a maioria diz. Quem vai querer aceitar esses rótulos que a mídia traz para a esquizofrenia? Infelizmente alguns programas que tem a violência como tema principal usam o termo "esquizofrênico" sem qualquer embasamento para explicar um assassinato brutal... 
    Converso diariamente com familiares de pessoas com esquizofrenia. Boa parte desses familiares buscam um meio de convencer seus parentes a buscar ajuda, de que precisam de um tratamento. O reconhecimento é o primeiro e mais difícil passo no tratamento da esquizofrenia. 
    Então o sujeito não busca o tratamento no início, quando as chances de melhora são mais altas, só procurando ajuda quando está em um surto psicótico grave... 
    Nesses anos todos pude perceber que o medo de ter esquizofrenia pode fazer tão ou mais mal do que o  próprio transtorno... 
    Vamos aproveitar não somente o dia nacional da pessoa com esquizofrenia, e sim todos os dias de nossas vidas para ajudar a construir uma sociedade mais justa e sem preconceitos. 

*O blog foi iniciado no ano de 2012 e na época ainda não tinha o real conhecimento do preconceito que cerca a esquizofrenia. Se soubesse certamente não teria colocado esse nome no blog. Agora que ele passou a ser um pouco conhecido não creio que seja a melhor solução mudar o seu nome. 

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Tipos de esquizofrenia

 
   Falo sobre esquizofrenia desde o ano de 2012, quando comecei a aprender a usar um PC. Escrevi quase 300 postagens até a presente data. Falei sobre transtornos mentais, andanças, futebol e sempre estou dando uns pitacos sobre os assuntos do nosso dia a dia.
   Praticamente todas as publicações sobre esquizofrenia são referentes à paranoide, que é a mais comum. Não achei nenhuma pesquisa sobre a porcentagem dos tipos e subtipos de esquizofrenia, mas acredito, pela convivência tanto no mundo virtual como real que a esquizofrenia paranoide seja a mais comum. Não sei a porcentagem ao certo, mas deve ser bem mais do que 50% do total das pessoas com esquizofrenia. Me lembro que vi apenas uma pessoa com esquizofrenia catatônica até hoje. Foi onde me consultava na cidade de Ipatinga, o cara estava sentando e não parava de mexer os dedos das duas mãos, como se estivesse limpando os dedos depois de se sujar com cola. Em nenhum momento olhou para os lados, parecia estar completamente desligado do mundo exterior. Já vi um cara que parecia ter esquizofrenia hebefrênica, pois ele do nada dava umas risadas, como se estivesse lembrando de algo bastante engraçado. 
   Com o passar dos anos novas esquizofrenias são "descobertas" e classificadas, e outras já são extintas, não fazendo mais parte do quadro de classificação. Até quem não está dentro dos padrões para ser classificado, acaba sendo classificado como portador de esquizofrenia não especificada...
   Achei interessante abordar  este tema, apesar de não gostar muito de classificações e rótulos.
    Encontrei uma imagem na internet com as explicações abaixo, não me lembro exatamente a fonte, mas achei bem explicado, apesar de usar uma linguagem um tanto o quanto acadêmica.
 
Tipos de esquizofrenia
    Esquizofrenia paranoide -CID F-20
    A característica essencial da esquizofrenia paranoide é a presença de delírios e alucinações auditivas proeminentes no contexto de uma relativa preservação do funcionamento cognitivo e do afeto. Os delírios são tipicamente persecutórios ou grandiosos, ou ambos, mas delírios envolvendo outros temas (por ex: ciúme, religiosidade ou somatização) também podem ocorrer. As alucinações também são tipicamente relacionados ao conteúdo do tema delirante, principalmente auditivas.

    Esquizofrenia hebefrênica -CID F-20.1
    Neste subtipo está alterado principalmente a afetividade do paciente. com delírios e alucinações fragmentários, comportamento bizarro ou pueril e maneirismos; o afeto é superficial com risos imotivados; o pensamento é desorganizado, e o discurso fragmentário. Essa forma usualmente se instala entre os 15 e 25 anos de idade.


    Esquizofrenia catatônica -CID F-20.2
    O quadro é dominado por transtornos da psicomotricidade. um ou mais dos seguintes sintomas deve dominar o quadro clínico: estupor ou mutismo, excitação, posturas bizarras ou inapropriadas, negativismo, rigidez, flexibilidade cérea, preservação de palavras ou frases.

    Esquizofrenia indiferenciada -CID-F-20.3
    Reservada para aqueles pacientes que não se enquadram em nenhum dos subtipos descritos ou apresentam sintomas de mais de um dos subtipos, sem predominância de nenhum deles.

      Depressão pós-esquizofrênica CID-F-20.4
    Consiste em um episódio depressivo que pode ser prolongado e ocorre ao fim de um surto esquizofrênico. Podem estar presentes alguns sintomas psicóticos, porém não dominam o quadro.

    Esquizofrenia residual CID-F-20.5
    Consiste no estágio crônica da esquizofrenia, em que houve progressão clara de um quadro inicial para um quadro tardio em que ocorrem predominantemente sintomas negativos.

    Esquizofrenia simples CID-F-20.6
    Considerada pouco comum, é de início insidioso, porém progressivo, havendo o desenvolvimento de excentricidade de conduta, inabilidade para cumprir demandas da sociedade e declínio da performance. A principal característica é o isolamento. É como se fosse uma esquizofrenia paranoide sem as alucinações.

    Outras esquizofrenias
    Classifica quadros que não têm aceitação uniforme da literatura.

    Esquizofrenia não especificada
   Utilizada quando não foi possível classificar o paciente em nenhuma das demais categorias anteriormente citadas.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Divagações esquizofrênicas 18

 
  Divagações esquizofrênicas são postagens que contém assuntos de relevada importância, mas não ao ponto de se tornarem o único e principal assunto colocado na publicação. E muitas vezes essas postagens não têm tanta importância assim, é mais um dedo de prosa virtual, coisa que gosto de fazer, como bom mineiro que sou. Sejam bem vindos à mais uma postagem desse humilde blog. 

Esquizofrenia reversa

     Acho que estou com uma nova doença, que batizei com o nome de "esquizofrenia reversa".  
Vou tentar explicar: Sinto que agora estou escutando vozes reais e imaginando que são "apenas" alucinações auditivas. Digo apenas pois já estou mais do que acostumado com essas vozes, que já foram bem piores. Atualmente ouço mais as vozes "comentaristas", como se fosse alguém reparando em tudo o que faço, principalmente quando estou andando pelas ruas. No silêncio do meu quarto elas se aquietam e não me incomodam tanto. As vozes ameaçadores acho que não as ouço desde o ano de 2005. E, quando estava surtado, ouvia as vozes, estando ou não sozinho. 
 Acho que essa "esquizofrenia reversa" começou no ano de 2014, quando estava morando em São Paulo. Era a minha primeira vez na terra da garoa, e ainda estava um pouco estressado, ainda me adaptando à vida agitada do centro financeiro do nosso país. 
    Me lembro bem dessa voz, que, como disse, senti que foi bem real no momento em que a ouvi e que depois de um tempo fiquei na dúvida se era real ou não.  Estava andando tranquilamente na radial leste, quando, de repente, ouvi a voz que parecia vir de dentro de um carro que estava passando em média velocidade:
    - Olha lá o cara do blog!.
    No momento em que ouvi este comentário levei um susto, fiquei um pouco apavorado, estático, esperando que falassem mais coisas. Mas o carro, como disse, passou em média velocidade. Acredito que possa ter sido uma alucinação, afinal o meu blog nem é tão conhecido assim. Aliás é um pouco conhecido, mas somente no meio do assunto, ou seja, 99% das pessoas que procuram o blog tem algum tipo de envolvimento direto ou indireto com o tema saúde mental. Mas também não descarto a possibilidade desta voz ter sido real também. É uma dúvida que hoje em dia não me incomoda tanto assim, pois as vozes não são mais ameaçadoras como antes. Além das vozes comentaristas, também ouço um pouco as vozes zombeteiras, que ficam zoando a gente. Mas talvez sejam reais mesmo, pois o que não falta são pessoas que, por pura falta de assunto se preocupam mais com a vida alheia do que com a própria.... 
    Então, não tive dúvidas, fui até a lan house mais próxima e tirei a minha "fotinha" que fica na página inicial do blog e coloquei a imagem atual,  uma imagem meio enigmática. 
    Depois desse episódio tive sensações semelhantes ao ouvir outras vozes. Quando estava morando em um abrigo em Belo Horizonte, cheguei a me interessar por uma mulher que também estava lá dando um tempo até se ajeitar na vida. Não cheguei a conversar com ela, apenas ficávamos trocando olhares. Parecia que ela queria me conhecer, mas relacionamentos não é o meu forte, e sou meio desastrado na arte da conquista. 
   Certo dia, fora do abrigo, escutei o seguinte comentário, quando estava distraído:
   - Se você não quer, tem quem queira!
   Olhei para o lado e lá estava ela, parada, me olhando. A frase foi meio curta, e fiquei observando  seus lábios carnudos para ver se moviam, que é uma forma de se tentar descobrir se estamos tendo ou não uma alucinação auditiva. Mas ela continuou parada, me olhando. No momento pensei se tratar de mais uma das várias vozes que aparecem em minha cabeça, elas geralmente aparecem quando estou um pouco tenso, no meio de uma multidão, por exemplo. 
     Mas, com o tempo, acabei acreditando que não era uma alucinação, pois eu vi a mulher abraçada com um outro cara que estava no abrigo. Ou seja, ela esperou o tempo que foi possível para me conhecer, e realmente tinha quem a queria, pois era uma morena muito bonita. Ela preferiu ficar com o outro cara, que deve ser menos complicado do que eu. 
     Ano passado também ouvi uma voz semelhante a essas que ando ouvindo ultimamente, mesmo andando pelas ruas com o fone de ouvido e com a música no volume máximo. Havia acabado de publicar uma postagem com dicas de como não ganhar muito peso usando os antipsicóticos, que, em sua maioria aumentam e muito o nosso apetite. Atualmente não uso esses medicamentos, mas, quando usava chegava a ganhar apenas uns 2 kg e depois o peso se estabilizava. Sempre fui uma pessoa curiosa, e lia praticamente tudo o que aparecia em minha frente. E tive a sorte de encontrar bons livros sobre produtos naturais e sigo algumas dicas de saúde desde os 15 anos. E atualmente estou com o mesmo peso de quando tinha 25 anos, o que acho um boa referência, pois é a idade em que podemos dar uma engordadinha, um ganho de massa muscular, etc. 
     Então, após publicar a postagem, fui almoçar e, como sempre, comprei doce para comer na volta do restaurante popular. Me lembro que era um delicioso pudim de leite. Duas mulheres se aproximaram de mim e a voz então deu o ar de sua graça:
    - Vai engordar tudo de novo!
    Não me assustei, pois naquele momento tinha 100% de certeza de que a voz era real. Como disse, o meu blog não é muito conhecido, ainda mais no meio das pessoas "ditas normais".  Continuei a caminhar normalmente, pois já há muito tempo a opinião alheia deixou de ser uma preocupação em minha vida. Um dos motivos de ter pirado foi justamente o fato de prestar atenção no que os outros achavam ou deixavam de achar de minha pessoa. 
    Quando cheguei em casa, voltei novamente a pensar no comentário sobre o meu peso. E fiquei meio dividido no início, mas essa em específico acredito ter sido alucinação mesmo, mas não descartando a possibilidade de ter sido real, ainda mais por que as mulheres estavam de branco. 
    Uma outra voz ouvi esses dias, quando estava almoçando no restaurante popular. Nos últimos dias estou entrando na fila preferencial, coisa que nunca havia feito, apesar de ser um direito das pessoas com esquizofrenia. Mas, devido ao meu problema no pé, resolvi arriscar a entrar nessa fila, pois tenho que andar 3km na ida  e mais 3km na volta para casa. E a musculatura fica um pouco cansada, pelo fato de usar mais a perna direita do que a esquerda. E o dedo quebrado também chega a inchar um pouco. E então, como a fila é grande, resolvei ir direto para a fila preferencial. 
    Levei o laudo com o meu CID F20 (esquizofrenia paranoide) e também o laudo que consta que o meu hálux (dedão do pé) está quebrado. Resolvi também usar a fila preferencial pois estou tendo um prejuízo muito grande pelo fato de ter esquizofrenia: o médico de um hospital que consegui atendimento não está querendo me operar justamente pelo fato de ser uma pessoa com esquizofrenia, pois o hospital é especializado em ortopedia e não tem psiquiatras e outros profissionais da área caso ocorra algum problema comigo durante o procedimento cirúrgico. Então resolvi usar a esquizofrenia para usar um direito que tenho, que é o de não ter que pegar a enorme fila que geralmente se forma no restaurante popular. No início pensei que iria haver uma revolta das outras pessoas que estavam na fila, que iriam dizer que estava na fila errada, enfim, que iria dar uma enorme confusão e que até a guarda municipal teria que ser chamada. Mas nos primeiros dias foi tranquilo, só ouvi a funcionária que pega os tickets reclamar algo com um frequentador do restaurante. 
    Já no terceiro dia o funcionário do restaurante me pediu o laudo e expliquei a situação para ele, que foi bastante educado. Mas quando estava sentado fazendo a minha refeição, escutei o comentário:
    - Ele é saudável...
    Olhei para o lado e não consegui identificar o autor do comentário, que parecia ter sido real, pois é uma situação que chama a atenção, pois na fila preferencial a maioria das pessoas são idosas, grávidas e deficientes físicos. Aparentemente sou uma pessoa normal, e acho que sou um bom ator, sendo o meu papel na vida diária o de um cara normal....  Essa voz acredito ter sido verdadeira e no momento achei que fosse uma alucinação, ou seja, é o contrário da alucinação que temos na esquizofrenia, que é algo irreal que no momento nos chega como se fossem reais. 
   E essas situações de vozes que parecem ser alucinações no momento e depois de analisar com calma chegar à conclusão de que poderiam ser reais acontecem com certa frequência. Basta ir à um local cheio de pessoas. Então, como não achei nada sobre o assunto na internet, resolvi batizar essa estranha situação como esquizofrenia reversa, onde o real pode nos parecer como coisa de nossas mentes. É complicado, e justamente por isso não me preocupo mais.  

O sol
nascer do sol na praia deserta, no Espírito Santo (caminho do Padre Anchieta)
    
    Atualmente estou morando em local bem tranquilo. É claro que surgem alguns perrengues, afinal são muitos moradores compartilhando um mesmo espaço. Mas por aqui as regras são claras, tudo o que não pode está escrito em um pequeno "outdoor" que fica situado logo na entrada. E o futuro morador tem que ler as regras antes de fazer o pagamento do primeiro aluguel, que é adiantado. 
     Moro bem escondido mesmo, em um corredor. Sinto a falta do sol, mas não aquele sol que fica batendo na parte da tarde e deixando o quarto um forno. Antes morava em um local onde o sol apenas batia de leve na parte da manhã, me informando a hora de acordar. 
    E sinto falta do sol. Dizem que é bom para a depressão e muitos afirmam que nos países como a Suíça o índice de suicídio é elevado por causa da pouca incidência do sol na maior parte do ano. 
   Então procurei me informar sobre aquelas pracinhas com aqueles aparelhos coloridos para o pessoal da terceira idade se exercitar. Me sinto longe de chegar mentalmente e fisicamente na terceira idade, apesar de estar com 49 anos. Mas o meu dedo quebrado não me permite fazer exercícios muito forçados. O jeito então é me exercitar nesses aparelhos, que têm baixo impacto para as articulações. 
   E uma coisa bacana que tem aqui em Belo Horizonte são essas pracinhas com esses aparelhos. Na maioria dos bairros sempre tem uma pracinha dessas, isso quando não tem mais de uma. Afinal é um investimento do município que traz retornos financeiros, pois povo com saúde não vai muito ao posto de saúde... Até virou frase de campanha para as pessoas se exercitarem.. 

     E então, com um pouco de dificuldade (depende muito da noite de sono) me levanto da cama por volta das sete e meia da manhã. Tomo dois copos de água em jejum, espero meia hora, tomo a minha ração composta de leite de soja, gérmen de trigo, aveia e farelo de trigo. Faço um café extraforte mais forte ainda e como um pão, que é a única fonte de carboidratos na parte da manhã.
    Vou para a pracinha e faço  o alongamento, dou umas três voltinhas para aquecer e uso praticamente todos os aparelhos, para exercitar todos os músculos do meu corpo. E sem cerimônia e vergonha alguma, pois quase que 100% dos usuários desses aparelhos são mulheres e geralmente com mais de 50 anos. Mas saúde e o que interessa, se prestarmos atenção no povo não saímos do lugar.
    Depois de fazer os exercícios, dou umas três voltinhas correndo, pois a praça fica em uma descida, e ela é pequena e redonda, e é um pouco chato ficar dando voltas curtas. O bairro onde moro só tem morros, se você não está subindo está descendo, não tem como fugir disso. Mas acho bom pois assim vou treinando para escalar os vales e montes do caminho da estrada real, que ainda não esqueci de esquecer... Não iria me perdoar nunca se não completasse os quatro caminhos da estrada real. Com ou sem o pé operado.
    E depois das voltinhas, tiro camisa, ou melhor, já fico sem a camisa durante os exercícios, para ficar mais exposto ao sol da manhã e também não ter que ficar lavando camisa suada todo dia né?
    Sento-me no banco, tiro também o tênis e tomo banho de sol por cerca de 20 minutos. Não vejo ninguém fazer isso. A maioria das mulheres usam aquelas calças compridas de praticar esportes, que as deixam com as silhueta bem bonita, podendo nos levar a ter alguns enganos. Acho que isso é coisa de mineiro mesmo, que é um povo um pouco mais conservador. Acho que muita gente estranha essa minha atitude de ficar só de calça tomando sol. Mas é que temos que nos preocupar com a principal fonte de vitamina D, que são os raios solares. Além de ser a principal é a mais barata também. A vitamina D serve principalmente para fixar o cálcio nos ossos, evitando assim a osteoporose e que fiquemos prestando atenção nos anúncios da TV para comprar vitamina D quando nossos ossos já estão fracos.

                                                   Benefícios do banho de sol
-ajuda no controle da pressão arterial
-bom para o coração
-bom para a depressão, pois ajuda na produção da serotonina.
- e, claro, o fortalecimentos dos ossos.
-e ajuda na aparência, deixando a pele bronzeada. Não é preciso nem usar filtro solar ou bronzeador, pois o sol da manhã não é prejudicial à saúde. E, para manter o bronzeado é só comer cenoura crua.
     Por esses e outros motivos não me acanho de tomar meu banho de sol na parte da manhã. Não quero gastar com vitamina D se posso obter esse componente essencial à nossa saúde de forma totalmente gratuita. É difícil conseguir acordar na parte da manhã, mas vale a pena, pois os benefícios são sentidos durante todo o dia. E juntamente com os exercícios físicos são fundamentais para combater a ansiedade, o nervosismo, etc... Só com o sol e os exercícios físicos economizei cerca de 100 reais: 60 da academia e 40 da vitamina D em cápsulas, pois através dos alimentos é um pouco difícil de se conseguir a dosagem necessária. 15 minutos de sol equivalem a um bom salmão, que é um peixe bem caro.
      Também estou usando o cloreto de magnésio, que é muito indicado no tratamento das articulações. Senti uma grande melhora em dois meses de uso. Recomendo à todos que usem, pois os benefícios são muitos. Mas irei falar sobre esse assunto em outra postagem, já que senti várias melhoras em meu organismo. 
    E assim, com esses pequenos cuidados vou cuidando da minha saúde física e mental. Estou me sentindo bem melhor. Reforcei bem a musculatura das pernas e estou caminhando com mais firmeza. Acredito que mesmo se não conseguir a operação no meu dedão do pé, irei fazer os 910km restantes dos quatro caminhos da estrada real. Tenho que fazer antes que comece o inverno, caso contrário só ano que vem, pois muitas cidadezinhas do interior de Minas Gerais são bem friorentas. Passei alguns apertos quando fiz a primeira viagem sem o saco de dormir. Quase congelei na cidade de Entre Rios, apesar de ser outono naquela época. E depois do inverno tem um pequeno período que dá para viajar, mas é que tem por aqui o campeonato dos centros de convivência aqui de Belo Horizonte. É um torneio de futebol, e eu sou muito fominha. Jogo até com o pé machucado, pois coloco o solado de borracha para não machucar muito o dedão E jogo mais só com a perna direita mesmo. E, se não der para jogar na linha, jogo no gol, pois não sou ruim goleiro. Tenho até nome de goleiro de time profissional...
    Não queria deixar para o ano que vem. Viajar está no meu sangue, estou chateado demais com essa situação de não poder andar o quanto quero. Mas o caminho da estrada real vou fazer mesmo com o dedão quebrado, pois pior do que tá não fica. E irei fazer o caminho em um ritmo menor, acho que vou começar andando uns 10km por dia e irei aumentando aos poucos, se der. Se não der, fico andando 10km por dia e aí a viagem pode demorar uns três meses. Mas na estrada real posso viajar até o resto de minha vida, pois não me canso das belezas da minha querida Minas Gerais. E, claro dos quitutes e da hospitalidade do povo também.

    Obs: Caso queiram comentar fiquem à vontade. Existe a opção de comentar como anônimo, que é uma boa opção, principalmente se a pessoa está no mercado de trabalho, pois hoje em dia dizem que as empresas estão vasculhando a internet em busca de informações sobre o candidato a vaga. 

   Muito tempo que não posto música, mas essa canção da banda mineira Jota Quest tem tudo a ver com os temas da postagem.

O Sol
Jota Quest

Ei, dor
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei, medo
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou
E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou

Ei, dor
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei, medo!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou
É pra lá que eu vou

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou

Yeah! Han!
Caminho do Sol, eh!
Lá lararará!
Caminho do Sol, eh!

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou
É pra lá que eu vou

Lá lararará, lararará
É pra lá
É pra lá que eu vou
Lá lararará, lararará
Aonde eu vou?
Aonde tenha Sol
É pra lá que eu vou
Lá lararará, lararará

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Direito das pessoas com transtornos mentais


    Abaixo o texto de um amigo que tenho no facebook, que fala sobre os direitos das pessoas com algum tipo de transtorno mental. Na hora dos direitos somos considerados loucos, antissociáveis, etc..
Somente na hora dos deveres e obrigações somos considerados normais e aptos. 
    No meu caso em particular, não serei operado de uma fratura no pé por causa da minha condição de portador de esquizofrenia. O médico simplesmente não quer me operar, apesar do parecer favorável do psiquiatra do CERSAM, aqui em Belo Horizonte. ...


   "Enquanto alguns batem panelas por políticos de estimação somos ignorados, abandonados e esquecidos.
    Esta parada na Câmara dos Deputados proposta que acrescenta direitos e garantias às pessoas com transtorno mental, como depressão, esquizofrenia ou transtorno bipolar. O objetivo é igualá-las às pessoas com deficiência física e incluí-las socialmente e também no mercado de trabalho. Transporte público gratuito, reserva de vagas de emprego e proteção contra a discriminação são alguns dos pontos previstos no Projeto de Lei 5907/16, do deputado Francisco Floriano (DEM-RJ), que altera a Lei da Reforma Psiquiátrica (Lei 10.216/01).
    Para efeitos legais, o projeto de Francisco Floriano considera a pessoa portadora de transtorno mental como pessoa com deficiência. Um dos pontos do texto, inclusive, determina que os editais de concurso público incluam expressamente as pessoas portadoras de transtorno mental no item que trata das vagas destinadas às pessoas com deficiência.
    O argumento do projeto é que hoje as pessoas com transtornos mentais não são contempladas em programas e incentivos governamentais destinados às pessoas com deficiência física. “No Brasil, existem mais de 24 milhões de pessoas com deficiência e mais de 23 milhões de portadores de algum tipo de transtorno mental. Contudo, a legislação brasileira visa garantir ações necessárias ao exercício dos direitos básicos somente aos deficientes físicos”, aponta o parlamentar. Ele observa que vários países do mundo já consideram a pessoa com transtorno mental severo como pessoa com deficiência.

                                                          Crime de discriminação
    O texto também classifica como crime de discriminação contra a pessoa com transtorno mental impedir seu acesso a qualquer cargo público, negar-lhe emprego ou trabalho e dificultar-lhe o acesso à assistência à saúde ou a operações bancárias, entre outros atos. A pena é reclusão de dois a quatro anos.
    Nos períodos de internação, o texto determina que o paciente seja tratado com humanidade e respeito. Nos casos de descumprimento da regra, o gestor ou responsável pelo hospital será responsabilizado na esfera civil, administrativa e criminal, podendo também ser afastado imediatamente das atividades.
    Ainda segundo o texto, para que a pessoa com transtorno mental receba a pensão por morte dos pais ou se aposente por invalidez, basta a ela comprovar sua incapacidade mediante perícia médica realizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), sem exigência de interdição do paciente.
    O projeto também assegura atendimento domiciliar pela perícia médica e social do INSS, pelo serviço público de saúde ou pelo serviço privado de saúde contratado ou conveniado que integre o Sistema Único de Saúde (SUS) e pelas entidades integrantes do Sistema Único de Assistência Social (Suas), quando o paciente estiver impossibilitado de se deslocar".

Obs: Na CDE, você encontra o projeto de lei que visa modificar e melhorar os direitos das pessoas com transtornos mentais.
https://drive.google.com/drive/folders/0B1dxTb_oy7qweEIzMnpvN2tWemc


Link para acompanhar o andamento do projeto:
http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2092777

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Paranoias diárias do dia a dia na vida de um esquizofrênico


 
  Antes de começar o relato sobre as minhas dificuldades no dia a dia, vamos tentar definir o que é paranoia. Pesquisando no google em sites que considero confiáveis, a melhor e mais abrangente definição sobre o assunto que encontrei foi no site Info Escola.
    "A paranoia, também denominada pensamento paranoico (ou paranoide), consiste em uma psicose caracterizada pelo desenvolvimento de um pensamento delirante crônico, lúcido e sistemático, provido de uma lógica interna própria, sem apresentar alucinações.
    Nesta patologia, o indivíduo desenvolve uma desconfiança ou suspeita exacerbada ou injustificada de que está sendo perseguido, acreditando que algo ruim está para acontecer ou que o perseguidor deseja lhe causar mal."
    Esses pensamentos são quase que incapacitantes, o que me leva as pessoas a terem uma vida pouco ou com quase nenhuma atividade social. Em um vídeo que gravei no youtube, cheguei a brincar, afirmando que as minhas camisinhas estão com o prazo de validade vencido... 
    Qualquer atividade que envolva gente se torna um tanto o quanto complicada, o que me leva a ter uma vida mais reclusa, e geralmente me leva a conseguir a contar quantas palavras foram proferidas pelos meus lábios carnudos durante o dia.  
   A citação sobre a boca carnuda é zoação, mas infelizmente sobre o número de palavras proferidas durante o dia não é.... 
    Falo pouco, sou monossilábico, a não ser quando estou jogando bola e tem aqueles caras fominhas que não tocam a bola de jeito nenhum. A gente corre, se desloca para receber a bola, mas os caras não tocam, só pensam em chutar a bola e marcar o gol e se gabarem. E depois ainda tenho que voltar para a defesa para evitar o gol, pois eles gastam a energia somente para atacar. 
    Mas, deixando a brincadeira de lado, convivo bem com meus pensamentos, então meu quartinho se torna um lugar agradável para o meu sossego e paz interior, que só é um pouco interrompido quando saio para o exterior do meu cantinho...
    Qualquer situação que envolva pessoas gera um certo stress, talvez por isso gosto tanto de percorrer os "Caminhos da estrada real", pelo interior da minha Minas Gerais. Me lembro que quase entrei em êxtase, ao ouvir o bater de asas de um pássaro em uma estradinha de terra....
   Abaixo algumas situações que mais me incomodam no momento, mas já foi pior um dia...
  
Na padaria...
Eu, na padaria... 

    Como bom mineiro que sou, uma visitinha a padaria era um dos melhores prazeres que tinha: pão de queijo, pastel de queijo, broa de queijo, biscoito de queijo,  rocambole, bolo de fubá e torta de chocolate era o que eu mais consumia. Ah, e tinha o doce de leite, também, com queijo, é claro...
    Era uma delícia ir na padaria e satisfazer um dos sete pecados capitais. Às vezes (muitas vezes para dizer a verdade), comprava mais do que conseguia comer, era o tal do olho maior do que a barriga. E então me empanturrava até não conseguir sair da cama. Ficava que nem um jacaré depois de comer um boi e esperando a digestão aliviar um pouco o estufado estômago...
    Ainda continuo indo a padaria, só deixarei de ir se o caso ficar grave mesmo. Mas é complicado. Quando peço algum quitute e a balconista pede para que eu pegue a fichinha antes, logo penso que ela esteja me confundindo com algum meliante e que eu vou sair correndo sem pagar. 
    - Tá pensando que eu sou ladrão? Trabalhei 17 anos como operador de som!!!- é o que me dá vontade de responder, mas procuro ficar sempre calado nessas situações. Só fico mais sossegado quando vejo a balconista fazendo o mesmo procedimento com outros clientes do estabelecimento. 


Supermercados e bancos... 

    Como não poderia deixar de ser, ir a bancos e supermercados também é uma tarefa que gera um certo stress, pois a realidade é que hoje em dia as pessoas ficam um pouco tensas quando mexem com dinheiro. Ou seja, fico tenso e a tensão das outas pessoas me deixa mais tenso ainda... 
    Logo quando chego a um estabelecimento e vejo o segurança falando no rádio de comunicação logo penso que estão falando:
    - Ele chegou...
    -  Você quer olhar os meus documentos? Tenho cara de assaltante de banco?- é o que dá vontade de responder, mas, também nessa situação prefiro ficar calado. 
    Penso que os seguranças estão imaginado que eu estou armado e que a qualquer momento vou sacá-la e fazer todo mundo refém. Quando o detector de metais apita mesmo deixando o celular e as chaves do lado de fora é que a situação fica complicada. Então levanto a camisa e mostro  a fivela do meu cinto sem cerimônia e aí sou logo liberado. 
    Fico chateado também quando vou no caixa para sacar um dinheiro e o segurança fica me olhando. Penso que ele pensa que eu esteja hackeando  o sistema operacional do caixa, que ouvi dizer que ainda é o velho e bom windows xp... Então, quando o equipamento solta o dinheiro, faço logo questão de contar as notas virado para o segurança, com um certo ar de vingança... 
    - Sou aposentado por que trabalhei honestamente e ininterruptamente 17 anos como operador de som!!!- É o que tento dizer com um certo olhar soberbo. 
    

Shows... 

    Ir à shows era uma atividade tão prazeirosa que, como já relatei, acabei virando um operador de som. Mas antes ia aos shows e conseguia ficar totalmente distraído, reparando apenas na banda que estava se apresentando no palco. Prestava atenção nos instrumentos, no guitarrista quando fazia o solo, se por acaso algum músico errasse alguma nota... O local poderia estar lotado, mas para mim era como se não tivesse ninguém ao meu lado, até que a última música fosse tocada pela banda. 
    Desde quando me aposentei, em 2005, acredito que fui apenas em dois shows. E não foi muito legal. Músculos tensos, a sensação de que todos estão deixando de prestar atenção na banda para ficarem olhando para mim. Sei que é um absurdo, afinal a pessoa gasta o seu dinheiro justamente para ver a banda ou o cantor. Por que iriam ficar olhando para um pacato cidadão? Nem sou bonito para ficarem olhando para mim. Quando alguém pega uma câmera aí é que a situação fica tensa, pois logo imagino que estão a me filmar...  Mas a verdade é que boa parte dessas pessoas que ficam filmando o show quase não curtem o espetáculo, para depois postarem nas redes sociais que estavam vendo o show de fulano ou ciclano. 
    E depois que comecei a escrever o blog ai que penso que o mundo inteiro sabe que tenho esquizofrenia. Até tirei a minha fotinha que ficava na página inicial. Os vídeos nem gosto muito de gravar e divulgar por aqui. O blog ajuda e atrapalha ao mesmo tempo. Me ajuda na questão de me tornar um ser humano melhor, de me sentir um pouco útil,  pois muitas pessoas relatam que ajudo de alguma maneira com os meus escritos. Mas atrapalha um pouco, ao imaginar que todos estão debochando da minha condição de uma pessoa com esquizofrenia. Mas hoje em dia o que as pessoas pensam ou falam de mim, sendo real ou não, pouco me importa, pois, como já relatei várias vezes, o fato de me preocupar com a opinião alheia foi um dos gatilhos da esquizofrenia. 

    Então não tem jeito. As paranoias diárias fazem parte da minha vida. Com remédios talvez possa não tê-las, mas também teria um sono quase que eterno, pois a prostração causada pelos antipsicóticos geralmente acabam por completo no meu caso por volta das 4 horas da tarde, e, como costuma dormir cedo, teria cerca de cinco horas por dia com alguma disposição para realizar alguma tarefa. 
    Esses pensamentos me perseguem, não adianta mudar de bairro, cidade, estado ou país. A solução é encontrar um bom ambiente para se morar, e onde as pessoas se respeitem. Um bom ambiente já é um bom  caminho para a estabilidade emocional e mental. Se afaste de pessoas negativas, entre em contato com a natureza, procure se elevar espiritualmente de acordo com suas crenças. Enfim, lute, batalhe para se tornar uma pessoa mais forte e não se abalar facilmente.