domingo, 10 de dezembro de 2017

A difícil arte da diversão para um esquizofrênico...

                                                              Um cara de sorte....

  Outro dia desses estava de bobeira, como sempre, viajando pelas ondas da internet, sempre deixando a aba do facebook aberta, quando, de repente vejo na página do grande Zeca Baleiro que ele estaria aqui em Beuzonte em um grande show em homenagem ao grande compositor Vander Lee, que infelizmente não está mais entre nós. Quem acompanha o blog sabe o quanto admiro esses dois compositores. 
   Despretesiosamente escrevo na timeline do Zeca que gostaria de ganhar um ingresso para o show, pois a grana estava por demais curta. E continuei a minha navegação na internet, sem esperanças de que o meu pedido fosse visto. Na verdade tinha uma pequenina esperança sim, mas muito pouca mesmo. E não é que, quando retorno ao facebook me deparo com uma pessoa desconhecida me oferecendo o ingresso? 
    E agora? pensei... Sou um grande fóbico social, não vou à um show desde 2004, quando desisti definitivamente de trabalhar. 
     Não vou conseguir ir à este show, mas também seria uma enorme desfeita recusar a generosidade daquela mulher. Então, me dei mais esta missão: ir ao show do Zeca Baleiro, no palácio das artes provavelmente lotado, e sem um miligrama de diazepan na cachola...
    Não gosto de drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas, e sei que vou conseguir vencer essa minha dependência química do "pan nosso de cada dia"...


    Dito e feito: domingo saí de tarde para almoçar e fiquei de bobeira até as sete horas da noite, horário combinado para pegar o ingresso com a Fabiana (nome fictício), em frente ao Palácio das Artes. Minha mania de perseguição é tão grande que tenho a certeza absoluta que as pessoas que querem me prejudicar também irão querer prejudicar a quem me dá uma ajuda, por isso coloquei o nome fictício.
    No horário marcado ela apareceu, vestida conforme combinado no facebook. E a foto do perfil dela é atual, então não foi muito difícil reconhecê-la. A cumprimentei e, sorridente me  deu o ingresso que, para minha surpresa era da primeira fila!!! Fiquei sem entender nada, e muito menos consegui encontrar palavras para agradecer aquele gesto. Uma pessoa logo apareceu perguntando se eu queria vender o ingresso, o que recusei, é claro. Dinheiro no mundo nenhum valeria a chance de ver um show com três grandes compositores homenageando um outro grande compositor que é o Vander Lee. Apesar da grana estar curta nem cogitei em vender aquele ingresso, que deveria valer uma boa grana, mas não sou e nem tenho a pretensão de ser um cambista, ainda mais com um ingresso que me foi dado... 
   O motivo desse show é um pouco triste. O Vander Lee gravou um DVD no meio do ano passado, no Rio de Janeiro. Era em comemoração dos seus vinte anos de carreira, mas,  um mês e meio depois veio a falecer, para a enorme tristeza de seus muitos fãs no Brasil inteiro. Então o projeto  não foi finalizado e o Zeca Baleiro e o Maurício Tizumba resolveram fazer esta homenagem para concluir a edição deste DVD. 
ingresso para a primeira flia!!!
    Já tive algumas chances de ir ao show do Zeca Baleiro, até quando morava em Ipatinga, mas minhas paranoias e pensamentos persecutórios falaram mais alto naqueles dias e então resolvi ficar em casa mesmo, como sempre faço todas as noites. Percebi que a situação era grave mesmo quando o meu time foi jogar em Ipatinga e eu não fui ao estádio, que ficava a menos de 1km de onde morava... 
     Entrei no palácio das artes e nem sabia o que fazer com aquele papel impresso. Fui na bilheteria pensando que teria que trocar por um ticket, mas era só apresentar na entrada do teatro que o funcionário com o leitor de código de barras iria verificar a autenticidade do ingresso. Antes havia comprado uma pipoca, pois sempre procuro algo para comer quando estou ansioso. 
   Fui para o meu lugar meia hora antes do show. Obviamente estava tenso e um pouco travado. Então  coloquei o meu disfarce de "gente normal" que acredito ser bem convincente, pois a maioria das pessoas quando me conhecem não dizem que tenho algum tipo de transtorno mental... Mas acho que elas enlouqueceriam se em suas mentes se passasse por alguns segundos o que sempre passa em minha cabeçona...
    Fiquei no meu assento, e feliz por ter encontrado um amigo que não via há uns vinte e cinco anos atrás: o operador de som do show era simplesmente um cara que começou a trabalhar juntamente comigo em uma empresa de sonorização aqui em Belo Horizonte. Como ainda estávamos aprendendo o ofício, passamos momentos difíceis montando e desmontando  equipamentos de som em algumas festas e shows aqui em BH. Mas hoje ele é um grande operador de som e fiquei feliz em saber que está bem e sendo muito requisitado pelas bandas aqui de Minas Gerais. 
    Aos poucos o teatro foi se enchendo até ficar completamente lotado. Afinal, são três grandes artistas reunidos para homenagear um outro grande artista que se foi o Vander Lee.
    Como me havia prometido, nem levei uma cartela de diazepan no bolso. Era um risco e tanto, mas gosto desse tipo de desafio. Eu, que em 2002 estava nas ruas de Belo Horizonte, com 25kg a menos, comendo lixo e pensando que o mundo iria acabar, agora estou no palácio das artes assistindo como um ser humano qualquer um show de seu cantor preferido. 
    Eu que, por volta de 2003 não conseguia sair de casa em uma pequena cidade do interior de minas sem uma cartela de diazepan que logo ficava desesperado e tinha que voltar correndo para buscar o meu SOS. Certa vez quando esqueci e estava longe de casa, corri até a uma padaria e me empanturrei de torta de chocolate até quase não conseguir andar direito. A  "emapanturração" serviu para me acalmar, mas minha barriga também estava a ponto de estourar. O chocolate e as massas realmente me dão uma acalmada...
   Mas voltando ao show,  a campainha soa pela primeira vez, para avisar que o show iria começar em dez minutos. O público não fala muito e a acústica do teatro é muito boa, o que não faz aquele burburinho de vozes ficar quase que insuportável para mim.
    Estou relativamente tranquilo e feliz comigo mesmo. Estava tenso, mas confiante de que não iria sair correndo para fora do teatro durante o show. 
    E a campainha do teatro soou pela segunda vez anunciando o início do show. Silêncio na plateia e o show se inicia com o Maurício Tizumba, que também é humorista, fazer a primeira parte do espetáculo. O som está alto, mas muito bom. Como disse, ganhei o ingresso para a primeira fila, e estava de frente para uma caixa de som. Mas o som mesmo alto não estava ferindo os ouvidos, devido a qualidade dos equipamentos de hoje em dia. E também graças as mãos e ouvidos do meu amigo operador de som. 
Chico Cesar fez um grande show... 

     O show tem um leve clima nostálgico, mas até que o Maurício Tizumba com o seu humor faz a plateia rir por diversas vezes. Saiu muito aplaudido e logo depois entrou o Zeca Baleiro. O som ficou melhor ainda, pois a voz dele é mais para o grave e não tanto aguda. Ele falou pouco, creio que pelo motivo da homenagem ser o DVD das músicas do Vander Lee. Mas foi muito aplaudido também. Timidamente tiro o meu velho celular para tirar umas fotos, os vizinhos de acento estão filmando com celulares muito melhores e mais modernos. Até que tinha um celular razoável, que acabei vendendo, pois a situação aqui em Belo Horizonte está complicada e estão matando quem reage à assalto de celular. Agora posso andar tranquilo pelas ruas pois o celular não está muito e para completar, uso um papel de parede que simula uma tela quebrada... 
  Depois que perdi a timidez do meu velho celular tiro mais fotos e até gravo um trechinho de uma música. O áudio saiu bem distorcido, pois como já relatei, estava bem em frente de uma caixa de som. Afinal, não vou à um show há bastante tempo e esqueci que tinha que diminuir o volume do microfone. 
Já no meio do show estou um pouco menos tenso e até bato palmas para acompanhar as músicas. Mas o desconforto ainda é muito grande, não adiantando dizem em pensamento para mim que as pessoas foram ao teatro para ver o show e não ficar me observando. E ainda tem as câmeras que estão gravando o show, o que aumenta e muito a sensação de estar sendo observado.  Rapidamente uma timeline se passa em minha mente e relembro dos shows que via antes dos surtos... Ficava completamente distraído, não reparando em nada à minha volta, somente os olhos voltados no palco e os ouvidos nos instrumentos... Meus olhos ficam um pouco marejados ao lembrar desses bons tempos e também por causa da lembrança e das homenagens ao Vander Lee, que parecia ser um cara tipicamente mineiro, pelo seu jeito de falar nas entrevistas que eu vi.
    Incrível como a plateia interage com os músicos, não sabia que  o Vander Lee tinha tantos admiradores, o que me faz sentir melhor, pois é bom ter um gosto musical diferente da maioria, mas também nem tanto diferente, para não me sentir um grande extraterestre.

    O show vai chegando ao fim, e para deixar meus olhos mais marejados ainda, a última música quem canta é o próprio Vander Lee. Não, ele não ressuscitou, é que o telão do teatro  foi abaixado e rodaram um vídeo com ele cantando, e a banda acompanhou a música ao vivo, ou seja, foi uma música ao vivo com o falecido cantando,  acho que expliquei bem a situação...
   Muitas e demoradas palmas no final.  Olho ao redor e vejo que há um misto de emoções na plateia. Deu para notar algumas com os olhos marejados, e outras sorridentes, por causa do grande show que tinham acabado de ver. No meu caso estava também com essa mistura de sentimentos. Triste por saber que não existirão novas composições do Vander Lee, e alegre e aliviado por ter conseguido vencer mais este pequeno desafio. Espero calmamente sentado no meu banco a maior parte da plateia sair para poder ir embora. Estou um pouco mais leve, pode parecer pouca coisa, mas não é para quem estava praticamente morto por volta do ano de 2003 e que desde então não conseguia ir a um show. 
   Antes de sair do teatro, vou a mesa de som e cumprimento o meu amigo operador de som pela qualidade do áudio. Técnico de som é igual juiz de futebol, é muito importante mas não pode aparecer para a plateia. Se aparece é por que algo não está acontecendo do jeito que deveria estar acontecendo. 
   Vou para casa a pé. Foram quatro quilômetros que andei sem maiores problemas, parecia que estava 10kg mais leve. Analisei o meu comportamento durante o show e acho que o meu disfarce de gente normal foi realizado com sucesso, foi difícil esconder o meu entusiasmo, pois parecia uma criança quando vai à praia pela primeira vez ou então um cachorrinho quando ouve o barulho da corrente quando seu dono a pega para passearem juntos...
    Infelizmente sei que nem sempre vou ter esse tipo de diversão, acredito que mais dia menos dia a mania de perseguição e algumas vozes irão tirar o prazer de uma saída de casa. Mas não vou desistir, a vida é feita de desafios. E ultimamente tenho voltado a gostar dos desafios, do bom combate e da boa luta... Quem sabe um dia se o Yanni voltar ao Brasil eu consiga ver um show desse cara. Quando estive em São Paulo, no ano de 2014,  cheguei a ir ao ginásio do Ibirapuera, mas resolvi não comprar o ingresso, pois não saberia como iria me sentir. 
    O "show homenagem" foi demais, recomendo a todos que assistam quando os caras estiverem em sua cidade. Me considero um sortudo, apesar de tudo. Afinal ganhei um ingresso para assistir um dos meus cantores prediletos e ainda na primeira fila... 
   A luta continua, um passo de cada vez e acredito que ainda terei mais desafios pela frente.
   Abraços à todos e até a próxima postagem.



quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Divagações esquizofrênicas 16

                                        Paranoias diárias do dia a dia....

    Após a última postagem abordando um assunto sério e polêmico, desta vez posto mais uma publicação da série "Divagações esquizofrênicas", que, resumindo, é uma conversa fiada sobre amenidades e até temas um pouco mais sérios, mas sempre usando uma forma mais leve e até bem humorada. De complicado já basta o transtorno...
     As minhas paranoias, principalmente a "mania de perseguição que me persegue", me acompanham por onde eu for. Não adianta mudar de bairro, cidade, país, etc... Alguns dias elas estão mais presentes, outras nem tanto. Mas elas sempre estão dando o ar de sua graça. É a "everyday paranoia".
       Elas também me acompanham no mundo virtual, é claro. Usar internet banking nem pensar, apesar de saber que nenhum hacker irá perder seu tempo para roubar alguns míseros reais que deixo na minha conta....
    Esses dias cliquei em um link suspeito e isso já foi o suficiente para ter a absoluta certeza de que fui e estou sendo hackeado, principalmente a minha conta de email e o facebook. Já fiz até backup das postagens aqui do blog. Vai que tenho inimigos e não esteja sabendo? 
    Fiquei tão paranoico com esse link suspeito que até enviei um email para "mim" mesmo...(está correta a frase "enviei um email para mim mesmo?". Os universitários por favor me respondam aí nos comentários, pois o word não é perfeito e a língua portuguesa é complicada mesmo. 
verificação de email... 
    Mas não é brincadeira não. Enviei um email para mim, pois tenho várias contas. Usei o da yahoo para mandar para a minha conta da microsoft, que é a que uso mais. Fiz este procedimento para verificar se algum hacker está interceptando alguma mensagem importante. Estou recebendo emails, mas fico pensando se esse tal hacker estaria bloqueando apenas os emails importantes e deixando passar só os que não interessam, os spams, as propagandas, o phishing, etc...
    Será que sou a única pessoa do planeta a fazer isso? Se alguém também já chegou nessa situação crítica de paranoia extrema por favor comente, por uma questão de solidariedade mesmo, para não me sentir tão maluco assim... E também, se for possível, me envie emails, pois essa auto verificação também não foi o suficiente para acabar com as minhas suspeitas de hackeagem. 
    Mas o engraçado é que atualmente não uso mais antivírus no meu notebook. Depois que aprendi a instalar um sistema operacional qualquer nunca mais instalei esse tipo de programa, que geralmente deixa a máquina um pouco mais lenta. Formatar um pc não é um bicho de sete cabeças. Agora qualquer probleminha que acontecer é só instalar tudo de novo. Tempo até que não me falta ultimamente. 
    Mas, falando sério, o melhor e principal antivírus é o próprio usuário, ou seja, nada de ficar clicando em links suspeitos, notícias falsas (o Sílvio Santos morreu umas 400 vezes no facebook...).
     Também não existem milagres, não irá cair uma bolada do céu ou um iphone se você clicar em um link avisando que você é o milésimo visitante de um site qualquer. E tem aqueles sites de "entretenimento", que alguns visitam para se aliviar, que podem ter vírus também. Digo pode ter por que nunca cheguei a ver esse tipo de site não...
dinheiro não cai da internet...

       Também uso a terapia do foda-se. Foda-se se alguém está me espionando, me hackeando. Ser pobre tem o seu lado positivo também, pois hackear deve dar muito trabalho e alguns reais não valem a pena o serviço todo. Só empresas e milionários é que devem se preocupar em instalar um antivírus, e se possível dos melhores, que são os pagos. E os meus dados e arquivos também não me preocupam, afinal quem irá se preocupar em ver os meus nudes? Brincadeira, não guardo nudes no meu note. 
    Mas os meus dados estão salvos nas nuvens, uso duas contas gratuitas no mega, sendo que dá para armazenar 50GB em cada uma. Mas a conta gratuita só dá para baixar acho que 1GB a cada 5 horas, mas é melhor do que nada. Basta se cadastrar no site e pronto: você terá espaço suficiente para salvar suas fotos, pois qualquer HD, por melhor que seja, está sujeito a ter problemas...
   Esse é o meu blog: dicas de saúde física, mental, viagens, dicas de informática, manias, loucuras e por aí vai. Abaixo o link para quem quiser usar a conta no mega, pois se digitar "Mega" no google só irão aparecer assuntos relacionados à mega sena:
   A única coisa que faço pare me precaver da hackeagem alheia é tampar a webcam com uma fita isolante. Dizem que é possível espionar uma pessoa através da webcam sem que o led(a luzinha) esteja acesa). Acho difícil, mas se até o dono do facebook faz isso...
   Mas não devemos nos preocupar tanto se somos simples seres mortais, essas preocupações só as celebridades mesmo devem ter, nenhum hacker normal (tem hacker normal?) irá se preocupar com a vida e o cotidiano de nós pobres mortais. A não ser que ele seja seu inimigo.... 
                                                
                                                                         Andanças...
     Janeiro do ano que vem irá completar três anos sem andanças. Três anos entediantes. No início até que curti o cotidiano: assistir filminhos no home theather da LG que comprei quando estava morando na barraca e assim sobrando um dinheiro ao não ter que pagar o aluguel. Também curti ficar o dia inteiro praticamente na net, com o notebook também comprado com o dinheiro que seria do aluguel. Até tomar banho também foi uma curtição nos primeiros dias. Dá saudade sim esses pequenos prazeres e confortos de se ter um local fixo para morar. Mas, no meu caso, o tédio toma conta em questão de meses e, se não fosse o meu hálux rígidus já estaria na estrada real há muito tempo.
    Como tive uma boa melhora usando um tênis supermacio com o solado de EVA estou planejando voltar à estrada real no início do ano que vem, depois da temporada das chuvas.
    É na estrada real onde meus sonhos se tornam reais: um mundo sem violência, sem maldades, com a liberdade de andar por aí sem medo de ser assaltado. Confesso que um dia quase entrei em êxtase quando estava no alto de uma serra e só conseguia ouvir o bater das asas de um pássaro que estava sobrevoando o território...
    Os perrengues na caminhada existem, é claro. Chuva, sol forte na cabeça, se perder no meio de uma trilha... Mas a sensação e o prazer de liberdade superam e muito esses percalços do caminho.
    E a situação é a mesma do início das minhas andanças, em 2013, quando fiz o "O caminho do Padre Anchieta" pelo litoral do Espírito Santo: vizinhos que não respeitam muito o sono alheio. Dormem durante o dia e de noite ficam um pouco "agitados" e "alegrinhos"... E também não são muito adeptos do fone de ouvido. A mesma situação de quando morava em Ipatinga. Estou cansado de me mudar de um bairro para outro a fim de achar um local onde prevaleça o respeito ao próximo. Gosto demais de ouvir um som pesado, o piano do Yanni e sua banda, e outros sons mais. Dá vontade de aumentar um pouco, mas me coloco no lugar do vizinho e sei que ele não tem o mesmo gosto musical do que o meu e não quero obrigar ninguém a ter. Mas talvez seja o meu destino mesmo não ter um local fixo para morar... 
o caminho do Padre Anchieta foi fácil, apenas 100km de praias maravilhosas.
dormir na praia deserta e ter só a companhia do siri foi e melhor coisa do primeiro caminho que fiz...


    Como disse, ano que vem, depois da chuva voltarei à estrada real. Desta vez o desafio será bem maior: serão 910km! Isso mesmo, irei fazer o Caminho novo e o Caminho dos Diamantes de uma vez só, um atrás do outro. Obviamente irei descansar alguns dias, mas não terá pausas grandes...
   Quanto tempo irá demorar, não sei. Não irei fazer nenhum roteiro, como fiz no caminho velho. Pretendo curtir mais um pouco as cachoeiras e paisagens do caminho. E a solitude também, é claro. Me lembro que senti um vazio enorme quando cheguei à Paraty no último dia de viagem da estrada real. Descobri que o grande barato da caminhada não é a chegada ao destino final e sim a própria caminhada. A pressa nesse caso é inimiga do prazer....  Essas caminhadas não são um desafio, como fazer uma escalada ao topo do monte Everest.
    O que me deixa um pouco receoso é a variação do meu humor, que prefiro chamar de estado de ânimo. Tem dias que não estou nada animado, nem saio de casa para almoçar, prefiro buscar qualquer besteira no supermercado mesmo. Esses dias que fico meio desanimado me fazem pensar se tenho alguma doença. Já fiz vários exames de aids, eletrocardiogramas, hemogramas. Se pudesse faria até um tal de "petscan", que é um exame caríssimo que serve para detectar qualquer tipo de câncer, mesmo em estágio inicial.
     Uma vez, quando morava em Ipatinga, cheguei para a psiquiatra e pedi  um exame do coração, pois cismei que tinha uma doença chamada coração grande. Desde pequeno sou cismado que tenho algum problema do coração. E depois dos surtos tive algumas situações em que do nada meu coração disparava. Essa psiquiatra foi a que mais me ajudou, pois ela me atendia muito bem, não tinha aquela pressa e conversava comigo normalmente. Ela, ao ouvir a minha queixa, apenas pegou a caneta e fez a solicitação do exame. Ela não disse: "Ah, você não tem nada, isso é coisa de sua cabeça"...    Ela sabia que isso não iria me ajudar. Apenas fez o pedido e deixou que eu mesmo descobrisse que o problema no coração era apenas mais uma cisma de minha cabeça cheia de neuroses.


O monte Everest
   Cada um com sua loucura e mania. Não acho andar por aí na estrada real uma loucura. Se fazer andanças fosse uma loucura, então na Espanha deveria ser um ou vários hospícios do tamanho do Maracanã, pois todos os anos milhares de pessoas fazem o místico e religioso Caminho de Santiago.  O meu caminho de santiago é a estrada real, o caminho está dentro de nossas mentes e de nossas almas. 
    Mas falando em monte Everest isso sim acho uma piração, mas que respeito. Cada um com sua piração, sempre respeitando a piração alheia. Mas que é tensa essa escalada, isto é. Talvez o perigo e o imprevisto é que motivam essas pessoas a fazerem isso. 
Assisti esta semana um filme baseado em fatos reais sobre o monte Everest, para tentar entender melhor essa piração. E reparei que boa parte desses "malucos" são pessoas em torno dos 40 anos. Imaginava que eram no máximo pessoas com trinta anos, devido a dificuldade de se fazer a escalada. Mas sempre chega uma fase em nossas vidas em que começamos a refletir certos valores. E algumas pessoas precisam do isolamento para fazer tal reflexão. 
   O filme não é intenso, com final feliz, onde todos se salvam. Como disse, ele é baseado em fatos reais e os roteiristas do filme acredito não quiseram mudar muito para tornar o filme mais interessante e prender tanto a atenção do telespectador. Muitas pessoas pensam que o filme que é baseado em fatos reais seja uma cópia fiel do que é retratado. Não é bem assim, é alterada uma ou outra cena para tornar o filme um filme. Já no caso do filme Everest acredito ter sido bem fiel a realidade. Até mesmo o filme  ícone da esquizofrenia, Mente brilhante não é um retrato fidedigno da vida do matemático John Nash.
                                                              Sinopse do filme

    Tempestade de neve, frio, gelo, desespero, dramas familiares, mortes, tragédias. Poderia ser mais um filme de desastre, recheado de efeitos especiais, cenas de ação e um norte-americano salvando o mundo no fim do dia, mas "Everest", conta uma história real.
    O filme narra os acontecimentos dos dias 10 e 11 de maio de 1996, quando dois grupos de alpinistas fizeram uma excursão ao topo do Monte Everest.
    Naquela tarde, uma forte nevasca fez com que oito pessoas, entre guias, auxiliares e esportistas de maior ou menor experiência, morressem na tentativa de alcançar o topo da montanha, que fica na Cordilheira do Himalaia. 
    
Aventura mortal
   Encarado como um dos desafios mais perigosos do mundo, a escalada ao topo do Monte Everest é realizada apenas em algumas semanas durante o ano, na chamada "temporada de escalada". Mesmo assim, os que se propõem a subir devem respeitar regras rígidas, como a de não demorar a voltar, mesmo que isso signifique não conseguir atingir o topo.
    A tragédia de 1996 é justificada por especialistas como o resultado de um conjunto de erros que teria causado um grande atraso para que os alpinistas daquele dia chegassem ao topo. Surpreendidos por uma nevasca já durante a descida, a maior parte deles ficou presa em meia a ventos de 130km/h e uma temperatura de -51C°. A maioria morreu congelada.
    As vítimas eram de duas expedições comerciais, formadas cada uma por um líder, dois guias e oito clientes. O duelo profissional e pessoal entre os dois líderes, Rob Hall, da Adventure Consultantes, e Scott Fischer, da Mountain Madness, é apontado como uma das causas da tragédia, já que nenhum deles teria interesse em desistir e cancelar a subida. Ambos morreram. 
    A equipe de Hall foi mais afetada, Nela estava o carteiro Doug Hansen, o último a chegar ao topo, que queria provar que um homem comum conseguiria completar a tarefa, mas depois teve que ser resgatado primeiro por Hall e depois pelo guia Andy Harris. Nenhum deles sobreviveu. 
   O filme ainda mostra o resgaste do Beck Weathers, que chegou a ser dado como morto e reviveu em meio ao gelo, ao contrário da japonesa Yasuko Namba, que, apesar de uma alpinista tão experiente quanto ele, não resistiu.
Fonte: Uol
https://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2015/09/25/evereste-e-historia-real-baseada-em-erros-polemica-e-tragedia.htm
Link para download do filme
Obs: é preciso ter um programa próprio para baixar o arquivo torrent
https://www.seriesfilmestorrent.com/evereste-dublado-torrent/
  

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Ajudem a manter o blog

     Hoje não irei falar sobre saúde mental, sobre andanças e nem sobre o que costumo postar normalmente aqui no blog.
Serei o mais breve e simples possível. O titulo da postagem se refere à ajuda para a manutenção do blog, mas não é bem isso. A verdade é que não tenho custo nenhum em escrever estas humildes postagens. Faço tudo isso com o maior prazer, sempre gostei de escrever, e se puder com isso ajudar de alguma forma as pessoas, também estará ajudando a mim mesmo, me tornando uma pessoas mais útil para a sociedade.
    Acredito sim que o que escrevo tenha alguma utilidade sim, pois infelizmente no Brasil o atendimento na área da saúde mental ainda deixa muito a desejar, apesar de alguns progressos. Um atendimento mais humanizado, em que a consulta seja um verdadeiro "Diálogo Aberto" é o que sempre desejei que acontecesse. Mas infelizmente o que vejo é a falta de diálogo e confiança na relação paciente e médico. E também deixa a desejar por falta de estrutura, apesar de termos sim bons profissionais e bem intencionados.
   Mas voltando a questão da manutenção do blog, repito que não existe gasto nenhum.  Já houve algum gasto, quando estava fazendo as minhas andanças e aí tinha que pagar pelo acesso à internet em alguns locais. Mas também repito que foi e é o maior prazer tentar ajudar algumas pessoas, quando estou me sentindo bem.
    Então o que peço nesta postagem não é uma ajuda para a manutenção do blog, e sim para mim mesmo. Estou em uma situação financeira um pouco complicada, pois atualmente estou morando em um local um pouco acima do meu orçamento. Estou morando atualmente neste local pois é o que consegui achar, pois os quesitos que mais aprecio em uma morada são: a paz, a tranquilidade e o respeito. Infelizmente tive que sair de dois locais com um aluguel mais barato devido ao fato de não poder dormir direito, devido à bagunça e a falta de respeito ao sono alheio, já que alguns moradores ficavam até altas horas da madrugada conversando e fazendo outras coisas que não são adequadas em um local onde várias pessoas de hábitos diferente convivem.
   Devido à este aluguel em alguns meses a situação fica complicada, mas dá para ir levando. Poderiam me dizer para voltar a trabalhar. Confesso que se tivesse condições para tal, nem teria cogitado a possibilidade de me aposentar. No momento tenho que ir me virando com o salário mínimo da aposentadoria, ou seja, quase metade do salário é para o aluguel. No momento ainda estou à procura de algum quarto mais barato, mas que tenha o mínimo de tranquilidade, pois sei que as horas de sono são muito importantes para a minha saúde mental. Aliás, é para todos.

    Muitas pessoas já me ajudaram desde que o blog foi fundado. Mas não peço nenhum sacrifício por parte dos leitores. Não é uma obrigação, Qualquer valor é bem vindo, pois com todos ajudando com pouco poderei sair desta situação. O valor pode ser depositado em qualquer agência lotérica ou em qualquer banco e até através do internet banking, na seguinte conta:
Caixa Econômica Federal
   Julio Cesar dos Santos de Oliveira
   Agência 2332 Ipatinga MG
   Caixa Econômica Federal
   Operação 013
   Conta 00035331-3
email: juliocesar_555@yahoo.com
           juliocesar-555@hotmail.com
   Atualmente estou morando em Belo Horizonte, a conta ainda é da cidade de Ipatinga, mas ainda a uso para estes fins aqui no blog, pois não uso o cartão que recebo a minha aposentadoria para outros fins. Também a compra do livro que escrevi me ajudaria bastante, no momento estou vendendo somente no formato PDF, que é enviado através do email ou pelo facebook mesmo.
O link para maiores informações sobre o livro Mente Dividida
http://memoriasdeumesquizofrenico.blogspot.com.br/2012/08/mente-divida-memorias-de-um.html

   Caso não tenha condições de ajudar, não tem problema algum. O blog como já  disse é feito com o maior prazer e sem intenção de algum tipo de retorno financeiro. Só o fato de me sentir uma pessoa útil já é o bastante e suficiente para continuar a escrever. A participação de todos pelos comentários também ajuda bastante a enriquecer as postagens.
Obrigado.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Precisamos falar sobre suicídio

                      Jovem comete suicídio depois de ter fotos íntimas vazadas na internet
 
    Uma adolescente de 16 anos cometeu suicídio na tarde da última quinta-feira, na cidade de Veranópolis, na serra gaúcha, depois que fotos em que aparecia com os seios à mostra se espalharam pelas redes sociais. A hipótese da polícia é que as imagens tenham sido captadas por uma webcam durante uma conversa com um ex-namorado, que também teria distribuído as fotos pela internet.
    O rapaz teria divulgado as imagens, captadas há cerca de seis meses, pelo Twitter e pelo Facebook no início da semana passada depois de terminar o relacionamento com a garota. Os dois eram colegas no segundo ano do ensino médio e terminaram o namoro há cerca de um mês. De acordo com as primeiras informações da polícia, a adolescente foi avisada por uma amiga sobre as fotografias e encontrada morta em casa poucas horas depois.
    Há pouco mais de uma semana, uma jovem do Piauí, com a mesma idade, também se matou após saber que imagens de um ato sexual do qual participava tinham sido propagadas pelo aplicativo de smartphones “Whatsapp”.
    O computador e o celular da estudante Veranópolis foram entregues nesta quarta-feira à polícia pela família, que também registrou ocorrência. Segundo o delegado Marcelo dos Santos Ferrugem, os responsáveis pela divulgação das fotos poderão ser enquadrados no artigo 241 A do Estatuto da Criança e do Adolescente, que qualifica como crime grave a disseminação de fotos, vídeos o u imagens de crianças ou adolescentes em situação de sexo explícito ou pornográfica.
    O nome do estudante suspeito de enviar as imagens para as redes sociais está gravado no printscreen da foto, feito da tela a partir de uma conversa via de internet em que a estudante mostra os seios pela webcam. De acordo com o delegado, outras pessoas também poderão ser responsabilizadas. Além do adolescente, todos os que compartilharam as imagens podem ser enquadrados no mesmo crime, segundo Ferrugem.
    Nos próximos dias, o delegado pretende colher o depoimento de outros parentes e amigos da jovem para esclarecer as circunstâncias da divulgação da imagem. Os nomes dos envolvidos no episódio estão sendo preservados a pedido da família da adolescente.

Fonte: O globo
https://oglobo.globo.com/brasil/jovem-comete-suicidio-depois-de-ter-fotos-intimas-vazadas-na-internet-10831415

A zoação do mal
   Acredito que boa parte dos leitores do blog deve saber que não sou muito fã do tal do Control V + Control C. Raramente copio um texto e colo por aqui e, quando faço este procedimento, sempre cito a fonte. Infelizmente um elemento anda copiando minhas publicações, e nem se deu ao trabalho de modificar algo, simplesmente copiou e postou em seu blog como sendo de sua autoria.
   Não sei se tudo o que posto é ético, moral ou se é considerado o correto pela sociedade e pela maioria das pessoas. Provavelmente que não, pois não sou parte da maioria e também não sou uma minoria, como sempre disse, a minha tribo sou eu e que os rótulos sejam jogados para o quinto dos infernos... Tenho inúmeros defeitos, mas a falsidade não está  na lista de minhas imperfeições e posso dizer que não existe coisa melhor no mundo do que olhar para trás e constatar que, apesar dos erros, fomos e somos uma pessoa coerente e justa.
   Há alguns dias atrás me deparei com a triste notícia do falecimento dessa jovem. Ela cometeu o autoextermínio ao saber que suas fotos íntimas foram vazadas na internet.
    O medo do julgamento e da opinião alheia pode nos fazer cometer muitas loucuras, inclusive tirarmos a própria vida, ainda mais na adolescência e no início da vida adulta. Infelizmente muitas pessoas sentem o mórbido prazer na desgraça alheia, até o momento em que algo semelhante aconteça com elas. Às vezes é necessário sentir na pele certas situações para as entendermos com maior clareza e precisão. Sempre me lembro do Padre Marcello Rossi que afirmou que fez bem a depressão chegar em sua vida, pois ele mesmo tinha um grande preconceito em relação à essa doença, afirmando que tudo não passava de frescura das pessoas acometidas por esse problema que é considerado o mal do século.
Padre Marcelo Rossi, antes e depois da depressão
    Essas pessoas, se não acontecer algo de ruim em suas vidas infelizmente irão continuar sentindo prazer e a se divertir com a desgraça alheia. Elas sentem tanto prazer com isso que até fazem questão de compartilhar as fotos íntimas para seus contatos das redes sociais.
    Mas será que sempre será preciso passarmos por estas situações para descobrirmos que o ato de julgar, debochar, zombar pode ser tão ou mais doloroso e destruidor do que uma agressão física?
   Confesso que também tinha muito preconceito em relação à esquizofrenia, a única referência que tinha sobre o assunto era a capa do álbum da banda Sepultura, que se intitula Schizophrenia e tem na capa uma pessoa amarrada com camisa de força, ao lado de dois enfermeiros.
    Resolvi postar sobre esse tema não muito agradável por que, além de ser um assunto muito importante, algumas feridas psicológicas podem não se cicatrizar e ficar para sempre em nossas mentes, impedindo de nos relacionarmos e vivermos normalmente.

A psicofobia em minha vida
    Passo por situação parecida até nos dias de hoje. Boa parte das dificuldades pelas quais passei relatei aqui no blog e no livro que escrevi, chamado "Mente Dividida". Atualmente ainda sou zombado por algumas pessoas, principalmente da vizinhança. Sinceramente não sei o motivo, pois geralmente não converso com ninguém e só saio de casa para almoçar, um típico pacato cidadão. Talvez muitos pensem que levo uma vida boa, que ganho bem e que me aposentei assim que entrei pela primeira vez em uma agência do INSS...
    Também alguns usuários de maconha que não gostam muito de trabalhar tentam me desestabilizar, pois nunca escondi que não sou a favor de certas coisas. Não estou citando o fato da maconha em específico, e sim o fato de perturbar a ordem alheia para fazer o uso da erva. Não sou maconhofóbico, só não acho legal deixar a vizinhança acordada a noite toda quando fazem o uso da erva. E se essas pessoas se sentam ofendidas com minhas declarações, poderiam muito bem ir à uma delegacia me acusando de maconhofobia... 
    - "Vamu trabalhar gente!"
    - "Ê vida boa...
    - Ô vagabundo!...
     Essas são frases que já ouvi, principalmente na rua onde costumo passar para ir almoçar. Procuro andar da melhor maneira possível, dentro de minhas condições financeiras e apesar de não gostar muito de lavar roupas. São alguns lavadores de carro e outros trabalhadores que implicam comigo um pouco. Não sei o que se passa na cabeça dessas pessoas, pois nunca disse uma palavra para elas. Acredito que estar em paz consigo mesmo pode ser a causa dessa situação, pois invejar a minha condição financeira não pode ser....
    Já ouvi comentários sobre o meu peso, se estou gordo ou se estou magro. Chegam a afirmar que sou louco, maluco e por aí vai. Praticam a psicofobia, e isso sim é crime previsto na lei. Mas não me preocupo com isso, pois não chega a me afetar e não gosto de confusão. No início ficava um pouco surpreso com esses comentários, mas infelizmente faz parte do cotidiano de algumas pessoas se preocuparem com a vida alheia.
    Na época em que trabalhava nunca cheguei a me preocupar se fulano ou ciclano trabalhava ou não, ou se recebia algum benefício do governo. Me chamam de vagabundo, mas se me aposentei é por que trabalhei duro por 17 anos seguidos de minha vida. Não gostava muito de férias e até entrava em depressão na época das chuvas, em que havia pouco serviço na área de sonorização. O trabalho era a minha diversão....
    Quando estava morando nas ruas, um policial chegou a tentar a me interpelar, mas no momento em que ele se aproximou de mim uma assistente social apareceu afirmando que me conhecia e me levou para um abrigo e assim pude começar o meu tratamento. Acredito que ela iria hesitar em me ajudar se não fosse um cara trabalhador e que ficasse o dia inteiro dando um "tapinha" em um baseado...
    E  hoje em dia não me preocupo mais com a opinião alheia. Surtei, enlouqueci e quase morri por que dava muita importância ao que os outros pensavam e achavam de minha pessoa.

     Surtar foi terrível, não desejo isso para ninguém. Mas tudo tem o seu lado bom, até as piores coisas possíveis que possam nos acontecer, É a tal da resiliência que nos faz tirar proveito dessas situações complicadas e nos tornar pessoas mais fortes e melhores.
 Surtar no meu caso teve lado positivo:
1- Conheci pessoas maravilhosas que me ajudaram bastante nos momentos mais difíceis.
2-Descobri que o mundo ainda tem jeito.
3-Aprendi a me conhecer melhor, que sou mais forte do que imaginava.
4-Conheci também os meus pontos fracos
5-Aprendi que existem os chamados transtornos mentais e que nem tudo é coisa do capeta.
6- Aprendi que as pessoas acometidas pelos transtornos mentais não são todas iguais, cada uma tem suas qualidades e defeitos como qualquer outro ser humano.
7-Aprendi que a pessoa com esquizofrenia pode realizar e executar tarefas
8-Descobri que pessoas más usam as palavras para fazer o mal ao próximo, e que a língua pode ser a pior das armas.
9-Aprendi a não dar valor a opinião alheia

    Vou parar no nono item, mas a lista do aprendizado com os surtos e as dificuldades que passei com a esquizofrenia é enorme. Me tornou uma pessoa melhor e mais forte. Posso me considerar um sortudo, pois acredito que não era para estar vivo neste momento. Tive uma vida bem interessante até antes de surtar, e, quando pensei que era o fim, fui resgatado e aprendi um monte de coisa que nem sabia que existia e hoje em dia me sinto uma pessoa útil ajudando as pessoas que estão passando neste momento o que passei há alguns anos atrás.
     Mas este final nem sempre acontece com todo mundo que é alvo de boatos, de fofocas, mentiras ou até mesmo o bullyng, que é a chamada zoação do mal. Muitos conseguem o autoextermínio, pois o sofrimento psicológico é tão ou pior do que o físico. Casos como o dessa menina infelizmente não são raros. Infelizmente boa parte da mídia prefere não comentar e noticiar sobre o suicídio, numa tentativa de tampar o sol com a peneira. Mas essa mesma mídia não se cansa de noticiar e dar atenção quando uma pessoa com algum tipo de transtorno mental comete algum ato de violência....
    Só falando e debatendo sobre o assunto é que algumas vidas poderão ser salvas. O silêncio em nada resolverá. Muitos pais têm medo e receio de falar sobre o tema e preferem ficar calados, talvez pensando que seja apenas uma fase, coisa de "aborrecente" mesmo. Nem todo mundo tem forças e consegue sobreviver à esse bombardeio mental que acontece quando temos nossa vida intima compartilhada por muitas pessoas que às vezes nem conhecemos.
comentário de um leitor do blog

    O comentário acima recebi dias atrás de um leitor do blog. Compartilho de quase toda a opinião dele. Só não concordo quando ele generaliza que o ser humano é um lixo, pois, como já relatei, conheci pessoas maravilhosas quando estava morando nas ruas de Belo Horizonte durante o meu primeiro surto psicótico. Sem a ajuda dessas pessoas, provavelmente não estaria aqui escrevendo estas linhas. É como se fosse uma corrente do bem, é uma forma de tentar retribuir de alguma maneira toda a ajuda que recebi. Claro que nem sempre poderei ajudar, também tenho os meus problemas e dias maus, pois algumas coisas não podem ser apagadas como se fossem palavras escritas  em um quadro negro... 
    Não tenho vergonha de minha loucura, ao analisar o mundo atual em que vivemos. Mas se pudesse de alguma maneira ocultar essa minha condição, faria isso sem a menor dúvida. Ao relatar a minha condição, estou exposto a qualquer tipo de comentário negativo, que não posso cometer nenhum deslize, pois serei taxado como maluco, doido, etc..
    Mas como moro de aluguel tenho que relatar a minha condição de aposentado para o dono do imóvel e, como em um passe de mágica, toda a vizinhança fica sabendo do fato.
     Mas não tenho vergonha, teria se fosse um traficante ou se tivesse que roubar para sobreviver. As pessoas ficam curiosas ao me verem andar todos os dias na hora do almoço e sempre voltando logo depois. Procuram saber o que faço da vida, e qual é a minha fonte de renda. Não tem como se esconder. E também não sou muito bom em mentir. Penso em um dia morar em uma pequena cidade do interior, mas não sei se também irei ser bem recebido ao falar sobre o motivo da minha aposentadoria.... 
    Voltando ao tema inicial da postagem, a minha mensagem para quem sofre algum tipo de bullyng, boato ou algo parecido é que a língua é o chicote do povo, e que pode ser a pior arma que existe, caso nos preocupemos demais com a opinião alheia. Procure alguma ajuda, nem sempre somos fortes para lidar com essa situação sozinho.
    E para quem tem o costume de se preocupar mais com a vida alheia do que a própria, pense e reflita que você mesmo poderá passar por situação parecida no futuro, que não nos pertence. Quem diria que o Padre Marcello Rossi, aquele que cantava com alegria em quase todas as emissoras de TV, músicas como "O vira de Jesus", "Erguei as mãos" teria que passar por uma forte depressão para entender que, assim como o coração, o fígado e outros órgãos, o nosso cérebro também pode adoecer.

Enquete
Afinal, falar sobre suicídio ajuda ou atrapalha? Participe da enquete Votando na parte superior direita da página. As pessoas precisam saber, já que pouco se fala sobre o assunto por aí. 

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Tênis para Hálux rigidus


   Existe um calçado específico para quem tem hálux rigidus? E palmilha? Existem outras soluções? O que fazer quando o seu dedão começa a doer tanto que dá até vontade de arrancá-lo?
    De médico e de louco todo mundo tem um pouco... Acho que no meu caso tenho de louco em grande proporção e de médico em uma razoável proporção também...
  À princípio o título da postagem pode nos dar a impressão de que o assunto nada tem a ver com o blog, afinal, o que tem a ver o dedão do pé (hálux) com saúde mental?
    Voltemos aquele velhíssimo e atual ditado: "Mens sana in corpore sano"....  E é a mais pura verdade, não tem como separar o corpo da mente, apesar da medicina ocidental estar sempre querendo dizer que seja possível esta divisão. No meu caso em particular, sinto que é praticamente impossível estar bem fisicamente se não estiver em boas condições físicas.
    Nesta postagem irei tentar falar especificamente sobre o melhor calçado que encontrei para pelo menos minimizar as dores causadas pelo chamado hálux rigidus.
    Depois que detonei o meu dedão do pé esquerdo não fui mais o mesmo. Tive que parar com meus exercícios físicos, minhas caminhadas e minhas andanças por este Brasil. Caminhar ultimamente estava sendo a coisa mais prazerosa do mundo para mim. Quem acompanhou minhas andanças pela "Estrada Real" sabe o quanto prezo pelo direito e pela condição de ir e vir para onde bem entender. Caminhar por aí pelas estradas de terra, com o vento batendo no meu rosto, o corpo encharcado de suor era uma sensação que não estava sentindo a tempos. Era um perrengue muito mais que desejado. Estava me sentindo vivo novamente, com uma energia que me fez pensar que havia renascido novamente, depois de oito anos trancado dentro de um quartinho na cidade de Ipatinga, aqui em Minas Gerais.
     Mas me lesionei em novembro de 2014 quando estava em um parque ecológico. Não estava andando por aí na estrada real. Apenas estava descansando em um parque e topei com o meu dedão na raiz de uma árvore... O atendimento pelo SUS todos sabem como é e a situação foi se agravando até o hálux ficar bem rigidus...
    Nesses anos de tentativa de tratamento pelo SUS o máximo que consegui após muita insistência foi uma palmilha específica para o hálux. Ela é um pouco cara, mas não deu o resultado esperado. Não consegui usar a palmilha por mais de cem metros, por causa de uma intensa dor nos joelhos. Creio que isso aconteceu pelo fato da palmilha ter sido projetada para ser usada com calçados com o solado mais plano, como um sapato. Os tênis de hoje em dia já tem um formato diferente e é praticamente impossível uma mesma palmilha se adequar a todos os tipos de calçados. A palmilha é feita tirando as medidas dos pés em um molde, e as medidas do calçado que usamos não é levada em conta...
    Não precisava ser especialista para saber que esse problema poderia acontecer, tanto é  que nem  cogitei em comprar essa palmilha, pois saberia que poderia passar muita raiva caso a comprasse e não desse o resultado esperado. Insisti tanto com o pessoal do posto de saúde que acabei ganhando uma consulta em uma unidade especializada, também do SUS. Mas o intervalo entre uma consulta e outra foi de oito meses, ou seja, praticamente impossível se esperar alguma melhora nessas condições...
    Esses anos de hálux rigidus estou andando de uma maneira incorreta, evitando colocar uma carga no dedão, e a consequente dor no local. Parece que é um problema simples, mas é uma dor bastante desagradável, pois a cartilagem acabou se desgastando e acaba encostando um osso no outro quando dobro o dedão em uma passada normal.
a única coisa que tenho certeza no Michael Jackson é de que ele não tinha hálux rigidus...

    Mas não tem como o corpo não cobrar esse andar incorreto: dores no joelho, tornozelos e outras articulações. Fora o prejuízo causado por esses anos de sedentarismo.
   Certo dia, quase sem esperanças, resolvi procurar nas sapatarias uma bota de trilha que pudesse me ajudar a andar sem forçar muito o dedão.
    Fui em uma sapataria e após experimentar uns sete modelos cheguei à conclusão de que esse tipo de calçado não era o ideal para quem tem hálux rigidus, pois essas botas são feitas de um couro duro, e iria demorar muito para amaciá-los.
   Então o vendedor, que já não estava com cara de vendedor, já meio sem paciência, me mostrou um tênis olympikus. Já meio sem esperanças, resolvei testá-lo. E, para minha surpresa pude andar quase que normalmente, de tão macio que o tênis era! Dei umas três voltas pela loja e não tive dúvidas em comprar o tênis, que, além de ser macio, também era muito bonito. A sensação que tive era de que estava andando nas nuvens, apesar de que nunca andei por elas...
    Voltei para casa com uma felicidade que não sentia há tempos. Como era bom andar normalmente, quase sem mancar! Sentia apenas uma dorzinha bem de leve no dedão ao fazer a passada normalmente. A verdade é que só damos valor a esses pequenos prazeres quando não podemos mais executar uma atividade tão banal, que é a de andar...
    Mas a felicidade quase plena durou pouco: o solado do tênis durou apenas cerca de dois meses...
    Esse solado é feito de EVA, um material supermacio, mas que também tem pouca durabilidade.
     Após muito pensar comprei um material chamado antiderrapante e colei no solado desse tênis usado, mais para treinar mesmo, pois a minha intenção era comprar um novo tênis da mesma marca e já colar o solado antiderrapante para fazer com que o tênis dure muito mais.
    Com a ajuda dos leitores do blog consegui comprar um novo tênis da mesma marca, e o material para colocar o solado antiderrapante.
acima o tênis original. Abaixo com o solado antiderrapante.

     O resultado não ficou 100% na parte estética, mais pela falta de prática mesmo ao manusear a cola de sapateiro. Mas o mais importante é que a proteção funcionou e este segundo tênis está durando bastante tempo, sem o desgaste da agora 'entresola" de EVA.
    O solado já gastou e troquei de novo, já que a parte de cima do tênis está bem conservada. O tênis perde um pouco o amortecimento com o tempo, mas a melhora na caminhada é muito boa. Recomendo esse tênis não somente para todo mundo que tem esse tipo de problema, ele é ótimo para fazer caminhadas, pois as articulações são bem preservadas devido a maciez do solado de EVA.
    Já estou caminhando bem próximo do normal, mas claro que não tem como andar como fazia antigamente. Mas voltei ao meu peso normal, até estou jogando um futebolzinho de leve, fui até campeão do torneio da primavera aqui em BH, onde todos os centros de convivência se encontram para realizar este campeonato. Fui até o artilheiro da competição, improvisando um tênis bem usado e colando um pedaço de EVA embaixo deles. Não deu para chutar a bola com categoria, a solução foi dar uns bicudos na bola, mas deu para correr um bocado.
    Dei uma pesquisada no google e encontrei vários outros modelos de tênis com o solado de EVA, e alguns já vem com a borracha por debaixo, aumentando assim e muito a vida útil do tênis.
    Então não tenha vergonha de experimentar um tênis na loja. Converse com o vendedor, explique a situação e vai experimentando um por um até encontrar algum que lhe agrade e que seja confortável. De preferência vá em uma segunda feira de manhã, horário em que as lojas estão mais vazias. Assim o vendedor poderá lhe dar mais atenção e ainda vai ter mais espaço para você andar pela loja experimentando os tênis.
    Tenho quase 100% de convicção de que o caminho para quem tem hálux rigidus é esse: achar um calçado mais confortável possível, que amorteça o máximo possível as articulações. A palmilha pode ajudar sim, mas desde que seja feita de acordo não somente com as medidas dos pés e sim do calçado que a pessoa usa com mais frequência.
existem outros modelos com a entresola de EVA e o solado de borracha... 

     Como disse, não estou 100% fisicamente, mas estou bem melhor, andando bem próximo do normal. Podendo fazer um pouco de caminhada e exercícios físicos, para liberar a endorfina e a serotonina necessárias para o meu bem estar. A solução definitiva para esse caso é a cirurgia, mas não posso ficar esperando o SUS de uma hora para outra me chamar para realizar o procedimento, já que para conseguir uma simples palmilha demorou quatro anos...
    O jeito é tentarmos pesquisar com responsabilidade o melhor para nós, já que não temos as condições para a nossa total recuperação. Mas sempre digo que missão dada é missão cumprida: já fiz dois dos quatro caminhos da estrada real e pretendo fazer o restante no ano que vem, depois do período das chuvas. Mesmo que seja de muleta irei completar os caminhos dessa estrada maravilhosa, a viagem de Ouro Preto à Paraty foi a melhor viagem de minha vida, apesar dos perrengues. A estrada, o sonho é e pode ser real para quem corre atrás para realizá-lo.
estrada real, um dia voltarei a percorrê-la... 
Presente do Esquizo para você!!!
O final do ano está chegando e quem ganha o presente é você.
Você que vive na cidade grande e está cansado dessa correria toda baixe gratuitamente o toque de celular do Esquizo "A fazenda" com sons de animais de nossa fauna para você acordar com a sensação de que está em uma linda e enorme fazenda do interior de Minas Gerais.
Link para download gratuito do toque "Fazenda" do esquizo:
https://drive.google.com/drive/folders/1KOG7Jw_WMys4z_MlxlsKJ_3wn5dV5Aj8

 

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Loucuras e manias...

   
    Ontem(02/110), do nada, ouviu-se um estrondo enorme, daqueles em que a gente pensa que é o mundo que está se acabando de vez, por que aos poucos nós já estamos acabando com ele. Mas era apenas um raio que fez a energia elétrica acabar no bairro inteiro.
    Estava assistindo o jogo do meu time pelo campeonato brasileiro. O jogo estava duro, mas duro de ver de tão ruim que estava... 
   O placar também era a nota da partida: 0 para ambos os lados. Nenhum lance de perigo, aquela monotonia que não faz dormir somente os fanáticos por futebol. O silêncio predominava no meu humilde quartinho. Aí os pensamentos e paranoias invadiram a minha mente: "será que alguém irá fazer gol enquanto eu não estiver assistindo? Se o meu time fizer gol é por que sou pé frio mesmo, mas se acabar sofrendo um gol é por que não posso deixar de assistir o jogo, caso contrário meu time acabará perdendo a partida".  
 A energia voltou. E não é que o meu time acabou levando um gol? Por um momento cheguei a pensar que era pé quente realmente e que não poderia deixar de assistir os outros jogos no restante do campeonato. Cheguei na loucura de pensar que os jogadores ouviam o que eu estava pensando e que precisavam do meu apoio. 
   Mas como nos últimos anos meu time anda sempre dando vexame, o meu sentimento atual de que sou realmente o pé frio e responsável pela má fase. Quase todo jogo que assisto o time empata ou perde. Fico o tempo todo ligado na tela, às vezes me pego dando um chute quando o atacante está na cara do gol. No final da partida parece que estou até mais cansado do que alguns jogadores... 
    Mas e os jogos que assisti e ele foi campeão? Essa dúvida cruel vive em minha mente, mas me lembro que no início nem era uma dúvida, tinha a plena convicção de que não poderia deixar de jeito nenhum de assistir ou ouvir um jogo do meu time. 
      E isso vem desde pequeno. Por isso que digo que meio que nasci com a esquizofrenia, pois esse transtorno não é somente surto psicótico. Ela é formada por inúmeros componentes, e algumas manias, delírios e pensamentos fazem parte dessa maledita esquizofrenia. 
    Lembro-me que, quando tinha uns 11 anos de idade fui ao Mineirão, para assistir um jogo do atlético-MG, a convite de um colega meu. Não queria ir, pois o jogo do meu time (ninguém sabe qual é) também iria ser no mesmo horário. Iria ouvir pelo rádio antigo valvulado que tinha lá em casa. Sempre fui uma criança curiosa, e um dia comecei a fuçar naquele rádio enorme de madeira para tentar achar alguma emissora de rádio do Rio de Janeiro. O rádio tinha sete faixas, pegava rádio dos Estados Unidos, do Japão, dava para ouvir gente falando algo parecido com árabe... Então por que não pegaria rádio do Rio? Fiquei mexendo naqueles botões até conseguir achar uma emissora do Rio de Janeiro e assim poder ouvir os jogos do meu time. 
    De dia tinha que ficar com a mão segurando o cabinho da antena, para pegar melhor. Pois AM tem essas dificuldades, como montanhas, clima, etc... Só sei que de noite pegava que era uma beleza...
    Mas, voltando ao jogo no Mineirão, resolvi aceitar o convite, afinal jogo no rádio tem quase todo dia... E também iria sair um pouco de casa, me divertir. 
ouvia os jogos do meu time em um rádio igual à esse..
    O mineirão estava lotado, todo mundo espremido, na época não havia as cadeiras nas arquibancadas. Era tudo cimento mesmo. E o atlético ganhando o jogo, todo mundo feliz, menos eu, que estava de ouvidos atentos. De repente, o serviço de auto falantes do estádio anuncia que o meu time estava perdendo o jogo por 2x0... Fiquei surpreso no início, pois nem haviam anunciado o primeiro gol do time adversário... Mas logo comecei a chorar. Chorei tanto que o pessoal do lado ficou preocupado e perguntou o motivo daquele chororô todo...
     E a besta do meu colega disse a verdade, apesar de saber que o meu time é um grande rival do atlético MG. Falou com todas as palavras o nome do time, mas, ainda bem que naquela época as coisas eram mais brandas e não me expulsaram do estádio. Alguns até acharam engraçado. O mais engraçado é que, segundos depois, o locutor do estádio se retratou e disse que era o meu time que estava ganhando de 2x0. Senti um alivio enorme e a minha consciência ficou mais leve, não iria sofrer o castigo por ter abandonado o meu time, justo em um clássico importante. Mas entendi que aquele erro do locutor era um aviso para nunca mais deixar de acompanhar o meu time, seja pelo rádio ou pela televisão... 
    E por uma época o time passou por uma fase boa, ganhando vários campeonatos, inclusive um mundial... Mas ultimamente as derrotas e os empates são mais frequentes e a dúvida às vezes chega a ser uma certeza de que sou o pé frio mesmo. 
  E fico nesse debate interno que parece não ter fim, mas  futebol é assim mesmo: um dia ganha outro perde. Seria muito sem graça se somente o nosso time ganhasse tudo né? 
   
alguém poderia me dizer que golpe é esse?
    E alguns jogadores do meu time não são muito bons (só do meu time?), apesar do alto salário que recebem. Alguns jogam apenas com o nome, sendo que o principal deles chega a receber 950 mil reais por mês... 
   Antigamente chegava a chorar com a derrota, mas hoje em dia nem ligo tanto, acho que por causa do embotamento afetivo. Pelo menos para uma coisa me serviu essa maledita esquizofrenia. Meu time perdeu a final da copa do Brasil deste ano (estava assistindo até os penaltys, apesar de achar que sou o pé frio e culpado de tudo...). Mas no dia seguinte segui a minha vida normalmente, pois os jogadores foram descansar e dormir no melhor hotel de Belo Horizonte e eu aqui continuo na minha humilde residência. Fico triste pelos outros torcedores, mas nem tanto pelos jogadores, que beijam o escudo de um time e depois do outro no mês seguinte.
   Mas almocei normalmente, ao contrário de antigamente, que dava vontade até de sumir deste mundo quando perdia um campeonato. E vida que segue, me sentindo cada vez mais uma pessoa normal, ao ver essa loucura toda em que se transformou nosso mundo... 

-Obs: gostaria de agradecer uma pessoa que me ajudou mas não se identificou. Geralmente quando as pessoas me ajudam me enviam um email. Mas como essa pessoa preferiu não se identificar resolvi agradecer aqui pelo blog. 

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Como abaixar os triglicerídeos de 653mg para 145mg em cinco meses!!!

   
    24/02/2017   Lá estava eu, as seis e meia da manhã na fila do posto de saúde do bairro para fazer a coleta de sangue para descobrir a quantas andam as gorduras no meu sangue. Já sabia que as taxas não seriam das mais baixas, devido ao meu sedentarismo provocado pelo meu hálux rigidus (o dedão do pé detonado). Ultimamente a única coisa que andava rígida em mim era o dedão do pé mesmo, já o resto prefiro nem comentar...
    E, aliando-se ao meu sedentarismo, a comilança desenfreada de chocolate, torta de chocolate, sorvete de chocolate, pudim e outras besteiradas mais. Se tivesse exame para detectar a taxa de chocolate no sangue... Já fiquei um mês sem comer chocolate, quando estava internado em uma clínica de recuperação. Naquele local haviam pessoas tentando se livrar do vício das drogas, do álcool, e eu do vício do chocolate. 
     Estava mais cansado do que de costume naquela manhã e quase dormi na fila. Depois de quase três horas saí do posto de saúde e em uma semana o resultado saiu e não poderia ter sido outro: 653mg de triglicerídeos e o colesterol também estava bem alto.
    A tristeza (não vou mencionar o termo depressão..) por não poder fazer o que mais gosto na minha vida me empurrava cada vez mais para o empanturramento descontrolado. Andar para mim é sagrado, o direito de ir e vir está entre os primeiros da minha lista. É só ver o relato de minhas andanças pelo nosso Brasil. Andar pela estrada real é um cansaço gostoso, um perrengue muito mais do que desejado e que pretendo volta a fazer ano que vem, caso meu pé tenha o problema solucionado.
    Então, a partir daquele dia me dei mais essa missão: abaixar os triglicerídeos para o nível normal e tentar terminar os outros dois caminhos da estrada real. Esse objetivo foi traçado obviamente também para melhorar a minha qualidade de vida. 
    Então diminui os doces, as massas, comecei bem de leve a fazer alguns exercícios físicos e passei a tomar três cápsulas de 1000mg de ômega 3 por dia. É uma gordura que pode vir de várias fontes: peixes de águas geladas, linhaça e outros mais. Mas, nessa quantidade, teria que comer quase uma dezena de salmão por dia. Então, a solução foi tomar o ômega 3 em cápsulas mesmo.  Quem acompanha o blog sabe o quanto aprecio esse tipo de gordura, faz bem a saúde física e mental. 
    Passei a consumir ovo cozido, já que meio que recentemente ele foi absolvido pela comunidade médica e não aumenta mais o colesterol. Quando era criança tinha medo de comer ovo, pois todo mundo afirmava que a gema dele continha colesterol para mais de dois dias!!!

    Aos poucos, fui emagrecendo e voltando ao meu peso normal. Comecei a ficar mais ágil, a andar com mais facilidade, e a raciocinar melhor também. Passei até a publicar mais postagens com menor intervalo de tempo, apesar da falta de assunto. 
    Com a ajuda de leitores do blog, consegui comprar um tênis super macio, o que ajudou ainda mais na minha parcial recuperação. Fico andando meio capengando, só a cirurgia para aliviar a dor do meu dedão do pé esquerdo. Mas com esse tênis a dor é bem controlada e dá para ir levando, sem ter aquela vontade enorme de falar um palavrão, pois é o que me dá na cabeça quando sinto dor. Que me desculpem os puritanos, mas falar um "bom palavrão" na hora da lesão alivia e muito a dor.
dedão do pé detonado..
     E passei até a jogar um futebolzinho de leve, que para mim também faz um efeito devastador na tristeza. O stress e os pensamentos negativos vão  embora juntamente com o suor. Passei até a treinar para o campeonato de futebol que é realizado todo ano entre todos os centros de convivência aqui de Belo Horizonte. Não é para contar vantagem, mas meu time foi campeão invicto  e  fui o artilheiro da competição. Improvisei um tênis cheio de borracha macia como solado para poder correr meio de lado sem detonar muito o tornozelo e outras articulações. O tênis me fazia chutar meio esquisito, não dava para pegar por debaixo da bola, o jeito então foi fazer gol de bicudo mesmo. 
peguei um tênis velho e colei um solado de borracha para não doer o dedão

   O campeonato é disputado todo ano na primavera entre todos os usuários do serviço de saúde mental da capital mineira. Haviam alguns jogadores lentos nos times, devido a medicação. Mas outros eram bem mais jovens do que eu e não pareciam estar sob o efeito dos antipsicóticos, principalmente o time que enfrentamos na final do campeonato. Foi muito difícil, pois na final e na semifinal eu estava também sob o efeito de medicamentos, havia tomado na noite anterior a clorpromazina e o fenergan, pois não estava conseguindo dormir. Passei boa parte da noite imaginando como seria o jogo da final. Me via marcando gols, roubando a bola, dando passes. Se continuasse daquele jeito, iria acordar mais cansado do que se estivesse correndo a maratona da lagoa da pampulha.  
   E o jogo da final foi complicado. Em cinco minutos já estávamos perdendo de 2x0. Fui tentar enfeitar e acabei dando a bola pro adversário fazer o segundo gol. Mas não sei como mantive a calma, mas também estava sentindo que iríamos levar uma goleada. De repente, em um lance meio despretencioso, me deram um passe um pouco a frente do meu alcance, e eu, sem titubear escorreguei pela quadra de cimento e dei um carrinho na bola para diminuir o placar. 
   Era o que precisávamos para readquirir a confiança. Não comemorei o gol e já fui logo para a barreira para impedir o chute do time adversário no meio de campo. O jogo foi mudando de figura e passamos a tocar melhor a bola. Ficamos mais calmos e numa boa tabela deixei o atacante na cara do gol: 2x2. E fim de primeiro tempo.
    Estava muito cansado, queria tomar uma ducha para relaxar a musculatura, mas o banheiro estava fechado. A clorpromazina deixa meus músculos endurecidos e também estava com um torcicolo brabo, que me impedia de jogar normalmente. Estava à beira de um colapso físico, mas disfarcei da melhor maneira possível, para não ser substituído pelo treinador. É, no campeonato a coisa fica séria, todos os times tem o seu técnico e tudo mais. 
   Segundo tempo e fomos logo virando o placar: sinceramente não me lembro como foi o o gol. Foi de um cara magrinho mas que sabia tocar a bola, só não tinha força física. Comemorei mais o gol dele do que os que eu fiz em todo o campeonato. Mas a alegria durou pouco. O goleiro do time adversário lançou a bola para o campo adversário e de cabeça, o atacante deles fez um gol em nosso goleiro que estava um pouco adiantado. E, também por causa das dores não fiz uma pressão no atacante, que teve tempo e espaço para pensar onde iria cabecear a bola.
    Mas estava concentrado e determinado. Já estou com 49 anos de idade e sabia que seria um dos últimos campeonatos de minha vida. Não perdi a calma e fui jogar mais atrás, na defesa, pois minhas pernas não mais obedeciam aos meus comandos. É, não deveria ter tomado a clorpromazina...
    Nosso time continuou jogando bem e, faltando cinco minutos para terminar a partida, o zagueiro do time adversário cometeu uma falta em nosso atacante. Na cobrança, tocaram a bola para mim, que estava no meio de campo. Chutei sem muita força, mas bem colocado no canto direito do goleiro. Mas, antes da bola entrar o nosso outro jogador entrou e fez o gol da vitória e do titulo.  Não importa o autor, o importante é que conseguimos a vitória e tirarmos a hegemonia de vários anos do centro de convivência do Barreiro, um bairro aqui de Beuzonte. Nos minutos finais só seguramos o placar, e caí duas vezes por desgaste muscular. No apito final desabei e nem consegui dar  a volta olímpica. Mas a verdade é que quem me incentivou a jogar bola foram meus companheiros de time. Eles estavam treinando para o campeonato em uma quadra não muito boa, com o piso áspero, e, para piorar, ela não é coberta. E o treinamento era uma e meia da tarde. Vê-los treinando naquelas condições me encheu de vontade também de participar, apesar do problema no pé. Então, nada mais justo do que deixá-los darem a volta olímpica, dei o meu máximo para a conquista do título, mas eles fizeram algo muito mais valioso por mim, que é de não desistir da luta, apesar das condições adversas. 
    Mas o mais importante nesse campeonato foi a participação de todos os jogadores, que fizeram um jogo limpo em todas as partidas e não houve nenhuma briga ou confusão, ao contrário de outros jogos que vemos por aí...
   Mas voltando a minha taxa de triglicerídeos, ai está ela, depois de cinco meses de ômega 3, exercícios físicos e uma maneirada nas guloseimas: 145mg. 
    A psiquiatra não queria me passar um segundo exame, quando relatei que tive uma melhora. Ela só iria me passar o exame caso tomasse o medicamento prescrito por ela. Mas eu recusei, e apesar dela não ter me incentivado, parti para esse tratamento alternativo que indico para todos. Além de baixar os triglicerídeos, me deixou melhor fisicamente e mentalmente. Essa psiquiatra até que me ouve, mas com muito esforço. Mas não adianta só ouvir, é preciso relevar e levar em consideração o que o paciente tem a dizer. Acredito que no SUS a maioria dos profissionais sejam assim. Claro que tem exceções, e gostaria muito de agradecer os profissionais da saúde mental que me ajudaram nessa minha caminhada. Em São Paulo fui muito bem atendido pela rede de saúde mental nos CAPS e sempre fui muito bem recebido na PROESQ, quando ia lá para conversar com o pessoal e ficar usando a internet do local.
    Acho que só fui uma vez em um médico particular. Deveria ter uns seis anos no máximo. O consultório era muito confortável. A minha avó estava preocupada com o tamanho do meu bilauzinho e me levou neste local Me lembro que a médica pediu para me deitar em uma maca, ficou mexendo no meu brinquedinho até ele dar sinal de vida e disse que estava tudo bem, que era da idade mesmo. Mas será que o que ela estava pensando era isso mesmo? 
      Na minha humilde opinião, o médico tem a função também de aconselhar os seus pacientes, e não de apenas um mero "preenchedor" de receitas... Pelo menos é isso o que sinto na maioria das minhas consultas pelo SUS... 
    Abaixo as medalhas que ganhei com o time campeão e a artilharia do campeonato. Mas o mais importante é não perdemos para nós mesmos no jogo da vida... 
não é de ouro, mas essas medalhas  para mim valem muito mais....
o antes e o depois, sem medicamentos...

uma caixa de bombom para comemorar a baixa dos triglicerídeos por que não sou de ferro...