domingo, 19 de março de 2017

Divagações esquizofrênicas -15

O trovão 

    Ontem foi mais um daqueles monótonos sábados que fazem parte de minha rotina atual: acordar tarde, tomar dois copos de água em jejum, esperar meia hora e depois tomar a minha ração matinal (aveia, gérmen de trigo, fibras e leite de soja), Depois cochilar mais um pouquinho e almoçar. Final de semana sempre exagero na comilança de doces e outros guloseimas. Ai, depois do almoço bate aquele soninho e cochilo mais um pouquinho. Por volta das quatro horas da tarde acordo e fico na net até a hora de começar o jogo do meu time, que prefiro não revelar aqui no blog.
    O embotamento afetivo está em um nível tão elevado que não me importo muito com as dificuldades que o meu time de coração enfrentou durante o jogo e não me emocionei muito na hora do suado gol da vitória, já nos minutos finais da partida. Aliás nem me importaria se o time tivesse empatado ou perdido. Ai nem sofreria como antigamente, quando nem almoçava no dia seguinte após uma derrota na  final de um campeonato. Fico me perguntando se isso é uma vantagem ou desvantagem, pois no futebol não tem como um time ganhar sempre tudo em todos os anos. Fico avaliando as alegrias que tive nas comemorações e o sofrimento nas derrotas, e ainda ter que ouvir a zoação dos amigos. Mas chego à conclusão de que vale a pena sim ficar sem o embotamento afetivo, e sorrir, chorar, sofrer e se emocionar.
 Essa ausência de sentimentos até que ajuda em algumas situações. Às vezes sou zoado aqui no bairro onde moro, algumas pessoas jogam indiretas sobre o fato de ser aposentado e não ter que trabalhar. Outros jogam indireta pelo fato de ter esquizofrenia e não raramente me chamam de louco, doido, etc, apesar de ser uma pessoa reservada e não falar muito. Mas passo por essas pessoas sem o menor problema e nem olho o rosto desses indivíduos. Acho que o problema está neles e não em mim, já que não se deve mexer com quem está quieto. É uma indiferença muito grande que sinto nesta fase da minha vida que sinceramente gostaria ser aquela pessoa emotiva como era antes da esquizofrenia aparecer em minha vida, mesmo que os comentários alheios me incomodassem.
    Já são quase dez da noite. Então, depois do jogo, vou assistir TV aberta, para pegar no sono novamente. E como estava demorando muito para "cair nos braços de Morfeu" (não pense que é "bobice" olhe o significado no link), vou procurar um filme no notebook para assistir na TV, graças ao salvador e bendito cabo HDMI de dez metros que comprei na loja de eletrônica, aqui no centro de"Beuzonte". Custou 59 reais, mas o investimento valeu cada centavo...
    Após vasculhar muito na net, achei o filme "Minha mãe é uma peça 2". Como a primeira parte foi muito boa de se assistir, não tenho dúvidas e coloco o player para carregar o vídeo e assim tentar achar graça nesse entediante vida que venho levado atualmente, ainda mais por que não posso andar muito por causa do meu dedão do pé que está detonado e o pessoal do sus acha que é só um probleminha de nada. Na próxima postagem irei mostrar os meus exames de triglicerídeos antes e depois do meu dedão do pé estar arrebentado para ver se é brincadeira. Acho que se eu pegar o caminho da estrada real nessas condições, irei ter logo no primeiro dia um AVC ou então um fulminante infarto do miocárdio.
    Mas, voltando a película, confesso que fiquei meio decepcionado. Foi o tal do "mais do mesmo". O filme explorou muito o que a personagem principal apresentou na primeira versão: ser esquentada e estressada demais, falando alguns palavrões às vezes. Praticamente uma repetição do primeiro filme, só que agora a personagem principal está rica e comanda um programa de televisão. Devido à esse fato, a sonolência bate forte e então resolvo desligar a TV para dormir novamente. Creio que não estão passando mais aos sábados aquele programa que mostra o trabalho da polícia nas ruas. Acho divertido as situações que os homens da lei têm que enfrentar no dia a dia: brigas de casais bêbados, traficantes negando que a droga não pertencia a eles, etc... Acho engraçado também que os policiais são muito educados com alguns que dão uma má resposta durante a abordagem, tenho quase certeza que se não fosse a câmera o pau iria comer solto, ou pelo menos, iriam dar umas bordoadas no elemento suspeito.
     Mas uma coisa incrível acontece no exato momento em que vou apertar a tecla power do controle remoto: um estrondoso trovão se faz ouvir em praticamente toda a cidade, creio eu. O barulho foi tão forte que a sensação é que caiu em cima do telhado do meu quarto. Mas o barulho foi tão forte que começo a desligar tudo quanto é aparelho elétrico aqui no meu cafofo: o notebook e o cabo de rede (sim, o aparelho pode queimar através do cabinho azul da net), a TV, o frigobar, o home theather da LG que custei a comprar. Só o velho ventilador é que continuou ligado.
     Mas a sincronia entre o som provocado pelo raio e o momento em que desligo a TV foi tão exato que começo a pensar que fosse algum castigo de Deus, ou um aviso, sei lá, assim como pensavam os homens das cavernas. Faço então mentalmente uma lista dos pecados que tenho cometido ultimamente e começo a pedir perdão, apesar de que, devido a pasmaceira que tenho estado não tenho cometido tantos deslizes assim, a não ser o pecado da preguiça mesmo, juntamente com o da gula.
    Mais alguns minutos e mais um raio, e o medo aumenta, pois até então o céu estava extremamente limpo, quase sem nuvens. Fico me perguntando como o tempo pode mudar assim tão de repente. Mas, minutos depois de analisar a situação, me acalmo um pouco: o dia realmente estava limpo, com poucas nuvens, mas, devido ao forte calor, houve uma rápida evaporação da água na terra que se acumulou mais rapidamente no céu e que então fez as nuvens aparecem e dai os raios, que são resultado da colisão das partículas de gelo que são formadas dentro da nuvem (não sei nada desses assuntos, pesquisei tudo no google). E também tem o fato de que fiquei a tarde toda dentro do quarto, não acompanhando a mudança do tempo aqui na capital mineira. Aos poucos fui me acalmando e a sensação de culpa exagerada foi se dissipando aos poucos como as nuvens do céu que caíam sobre a cidade...
nem Jesus escapa dos raios....


São Thomé das letras
"pirâmide", em São Thomé
  Uma característica dessas postagens denominadas "Divagações esquizofrênicas" são as temáticas, que são bem diversificadas dentro da mesma postagem, como podem observar. 
Então, resolvi falar um pouco sobre a minha experiência com a mística e encantadora cidade de São Thomé das Letras, no extremo sul de Minas Gerais. 
    Desde criança sempre gostei do sobrenatural, de filmes de terror. E quando cresci e o tédio tomou conta da  minha vida, comecei a querer ter algum tipo de experiências mística, sobrenatural, sei lá. Qualquer coisa que fosse diferente do meu dia a dia eu acharia bem legal. Mas nunca me enveredei pelos caminhos das drogas, já era meio maluquinho de nascença mesmo, não precisando de artifícios para me acharem meio maluco. Achava minha vida tão entediante que não ficava em um emprego por mais de um ano. Mas achava minha vida tão entediante, mas tão entediante que, se por acaso aparecesse um disco voador na minha frente não iria sair correndo, como a maioria das pessoas:
     - E aí gente boa, tem jeito de dar uma voltinha nessa nave? - provavelmente era o que iria dizer para o ser de outro planeta que estivesse pilotando a nave. 
     Queria tanto um encontro intergalático que iria sentir mais curiosidade do que medo no momento em que avistasse um ser de outro planeta. E pelo que já pesquisei em anos remotos, existem várias raças de et's, Tem os tais dos nórdicos, que se parecem muito com os seres humanos.E vai que dou sorte e encontro uma "eteia" nórdica bunitinha? Iríamos dar um rolé pelo espaço sideral e conhecer altas galáxias e quem sabe iriamos fazer um amor intergalático no espaço sideral. Mas também tem os et's maus, que gostam de sequestrar as pessoas para fazerem pesquisas. Mas falando sério já faz um bom tempo que parei de estudar e acreditar nessas coisas, e hoje em dia apenas acredito na possibilidade da existência de vida em outros planetas. 
"eteia" nórdica bunitinha
    Então, como o sul de Minas Gerais é muito conhecido pelas famosas aparições de et's, resolvi fazer uma visita à mística cidade de São Thomé das Letras, muito frequentado pelos hippies e pela galera que curte o som do  Raul Seixas. Aí fica a dúvida se na região aparece realmente as naves ou se o pessoal exagerou nos "chazinhos" né?
     Na primeira vez que fui em São Thomé não encontrei nada de sobrenatural, apesar de me embrenhar pela mata afora. Ficava andando praticamente o dia inteiro sem rumo, pelas cachoeiras, pelos vales, mas nada de encontrar um duende, um ser da natureza qualquer para me alegrar. Mas valeu e muito a pena essa minha primeira visita, o ar puro daquela região renova a alma de qualquer pessoa que esteja estressada, desenganada,...
    Na segunda vez já aconteceram coisas estranhas. E uma delas aconteceu perto do chamado vale das borboletas, que, óbvio tem muitas borboletas realmente. Mas o que me chamou a atenção foi algo que não sei realmente explicar: havia um pequeno veio de água que aparentemente descia para o rio.
O guia turístico de repente se virou para mim e afirmou que a água estava subindo o monte e não descendo, como deveria ser. Claro que achei graça e imaginei que o cara estiva me zuando, mas, para a minha surpresa pude constatar que  ele estava falando realmente a verdade, pois ele jogou um pedacinho de papel na água que imediatamente começou a subir o monte. Não me perguntem como isso acontece, pois nem o guia soube me explicar.
   Um outro fato que me chamou a atenção em São Thomé das Letras foi a ladeira do amendoin. O guia turístico nos levou para o local e afirmou que o ônibus iria subir a ladeira sozinho. Dessa vez não fiquei tanto na dúvida, depois que vi  a água subindo o monte não passei a duvidar de mais nada naquela cidade. Ele deixou o ônibus bem no início da ladeira, desengrenou e sai. No mesmo instante e inexplicavelmente o veículo começou a subir a ladeira. Eu e o grupo de pessoas que ali estava começamos a rir, pois a cena era realmente engraçada. O guia nos explicou que o magnetismo do solo seria a explicação para tal fato. E rapidamente ele teve que ir ao encontro do ônibus, pois já subia a ladeira em boa velocidade.
    Mas encontrar seres de outros planetas não encontrei não, apesar de perambular pela mata até de madrugada. Não achei nada de estranho, nem um ruído sequer, para a minha frustração.  Mas que tem uma atmosfera diferente naquela cidade, isso tem.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Direito das pessoas com transtornos mentais


    Abaixo a lei, na íntegra, que trata dos direitos das pessoas com transtornos mentais no Brasil. Assim como outras leis, muito bonita na teoria, mas na prática todos sabemos que ainda estamos muito longe de cumprir essas leis. Seria uma utopia? Mas, de qualquer forma é sempre bom estarmos informados de nossos direitos, é uma poderosa ferramenta para que não sejamos explorados ou maltratados, seja em nossos lares ou nas instituições de tratamento psiquiátrico.



LEI Nº 10.216, DE 6 DE ABRIL DE 2001.
 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1° Os direitos e a proteção das pessoas acometidas de transtorno mental, de que trata esta Lei, são assegurados sem qualquer forma de discriminação quanto à raça, cor, sexo, orientação sexual, religião, opção política, nacionalidade, idade, família, recursos econômicos e ao grau de gravidade ou tempo de evolução de seu transtorno, ou qualquer outra.

-Art. 2° Nos atendimentos em saúde mental, de qualquer natureza, a pessoa e seus familiares ou responsáveis serão formalmente cientificados dos direitos enumerados no parágrafo único deste artigo.

Parágrafo único. São direitos da pessoa portadora de transtorno mental:
I - ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo às suas necessidades;

II - ser tratada com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando alcançar sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade;

III - ser protegida contra qualquer forma de abuso e exploração;

IV - ter garantia de sigilo nas informações prestadas;

V - ter direito à presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a necessidade ou não de sua hospitalização involuntária;

VI - ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis;

VII - receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu tratamento;

VIII - ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis;

IX - ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental.


Art. 3° É responsabilidade do Estado o desenvolvimento da política de saúde mental, a assistência e a promoção de ações de saúde aos portadores de transtornos mentais, com a devida participação da sociedade e da família, a qual será prestada em estabelecimento de saúde mental, assim entendidas as instituições ou unidades que ofereçam assistência em saúde aos portadores de transtornos mentais.

Art. A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes.

§ 1o O tratamento visará, como finalidade permanente, a reinserção social do paciente em seu meio.

§ 2o O tratamento em regime de internação será estruturado de forma a oferecer assistência integral à pessoa portadora de transtornos mentais, incluindo serviços médicos, de assistência social, psicológicos, ocupacionais, de lazer, e outros.

§ 3o É vedada a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em instituições com características asilares, ou seja, aquelas desprovidas dos recursos mencionados no § 2o e que não assegurem aos pacientes os direitos enumerados no parágrafo único do art. 2o.


Art. 5° O paciente há longo tempo hospitalizado ou para o qual se caracterize situação de grave dependência institucional, decorrente de seu quadro clínico ou de ausência de suporte social, será objeto de política específica de alta planejada e reabilitação psicossocial assistida, sob responsabilidade da autoridade sanitária competente e supervisão de instância a ser definida pelo Poder Executivo, assegurada a continuidade do tratamento, quando necessário.

Art. 6° A internação psiquiátrica somente será realizada mediante laudo médico circunstanciado que caracterize os seus motivos.

Parágrafo único. São considerados os seguintes tipos de internação psiquiátrica:
I - internação voluntária: aquela que se dá com o consentimento do usuário;
II - internação involuntária: aquela que se dá sem o consentimento do usuário e a pedido de terceiro; 
III - internação compulsória: aquela determinada pela Justiça.

Art. 7° A pessoa que solicita voluntariamente sua internação, ou que a consente, deve assinar, no momento da admissão, uma declaração de que optou por esse regime de tratamento.
Parágrafo único. O término da internação voluntária dar-se-á por solicitação escrita do paciente ou por determinação do médico assistente


Art. 8° A internação voluntária ou involuntária somente será autorizada por médico devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina - CRM do Estado onde se localize o estabelecimento.

§ 1° A internação psiquiátrica involuntária deverá, no prazo de setenta e duas horas, ser comunicada ao Ministério Público Estadual pelo responsável técnico do estabelecimento no qual tenha ocorrido, devendo esse mesmo procedimento ser adotado quando da respectiva alta.

§ 2° O término da internação involuntária dar-se-á por solicitação escrita do familiar, ou responsável legal, ou quando estabelecido pelo especialista responsável pelo tratamento.


Art. 9° A internação compulsória é determinada, de acordo com a legislação vigente, pelo juiz competente, que levará em conta as condições de segurança do estabelecimento, quanto à salvaguarda do paciente, dos demais internados e funcionários.

Art. 10. Evasão, transferência, acidente, intercorrência clínica grave e falecimento serão comunicados pela direção do estabelecimento de saúde mental aos familiares, ou ao representante legal do paciente, bem como à autoridade sanitária responsável, no prazo máximo de vinte e quatro horas da data da ocorrência.


Art. 11. Pesquisas científicas para fins diagnósticos ou terapêuticos não poderão ser realizadas sem o consentimento expresso do paciente, ou de seu representante legal, e sem a devida comunicação aos conselhos profissionais competentes e ao Conselho Nacional de Saúde.

Art. 12. O Conselho Nacional de Saúde, no âmbito de sua atuação, criará comissão nacional para acompanhar a implementação desta Lei.

Art. 13. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.


Brasília, 6 de abril de 2001; 180/ da Independência e 113° da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Jose Gregori
José Serra
Roberto Brant













quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O esquizo responde- parte 3

Esquizofrenia- Perguntas e respostas
    O título das postagem pode parecer e talvez seja, à princípio, um pouco pretensioso. Afinal, o que um cara com esquizofrenia e cheio de perrengues pode responder sobre um assunto que nem os "profissionais" da área da saúde mental conseguiram até hoje uma resposta definitiva? Digo que ainda não encontraram pois dia após outro aparecem matérias dos cientistas afirmando que foram encontrados novos medicamentos, novas fórmulas, novas descobertas de se ter um melhor controle sobre o transtorno.
Abaixo mais um link de mais uma nova "descoberta" dos cientistas acerca da esquizofrenia.
http://entendendoaesquizofrenia.com.br/website/?p=6668
    Voltando ao assunto, não sou dono da verdade e nem tenho a pretensão de ser. Sempre errei e vou continuar errando, pois sou um ser humano como qualquer outro. Lógico que não vou usar essa condição como pretexto para sair por aí fazendo um monte de cagadas. A grande vantagem é que podemos sempre aprender com os nossos erros. Estou sempre aberto à críticas e sugestões, e aprendi muito com os comentários dos leitores aqui no blog.

    Não me considero uma pessoa inteligente para fazer uma postagem com esse título. Apenas sou um cara esforçado e que procura sempre se cercar de pessoas inteligentes. Já perdi a conta de quantas vezes fiquei em uma roda de conversa (digitei à princípio "rede de conversa" pois ultimamente ando mexendo muito em computadores) apenas ouvindo, ouvindo e ouvindo as ideias e teorias das pessoas, a fim de absorver alguma coisa de interessante. A inteligência também se "pega"....
    E na época em que era uma pessoa sociável procurava sempre me cercar de pessoas inteligentes. Mas ai vem a questão do conceito "inteligência", aquele lance de ser um sábio e também da inteligência emocional. Enfim, é algo bem complexo para se discutir, mas só sei dizer que inteligência não necessariamente é sinônimo de um diploma de curso superior.

    Então, pelo fato de estudar o assunto e por também sentir na pele o que é a esquizofrenia e seus complicados sintomas é que me considero capaz de pelo menos tentar ajudar e responder algumas questões que cercam esse ainda misterioso transtorno da mente chamado esquizofrenia.

1- O esquizofrênico conversa sozinho?
    Sim e não.
    A pessoa que tem esquizofrenia pode conversar consigo mesma como qualquer pessoa dita "normal". Na minha opinião conversar não é o gesto de abrir os lábios, podemos dialogar sobre nossas dúvidas e outras questões em silêncio mesmo.
    E algumas pessoas  costumam pensar alto, ou seja, falam o que pensam quando estão sozinhas, o que pode ser considerado uma loucura para algumas pessoas.
    Quando estamos surtados, podemos sim dialogar com os nossos delírios e alucinações, que, naquele momento específico se tornam reais em nossas mentes. No meu caso em particular não me lembro de ter falado alguma coisa quando estava sozinho, pois acreditava que as pessoas ao meu redor podiam 'ler" os meus pensamentos. Então respondia também através do pensamento, como se fosse uma telepatia mesmo.
    Já fora das crises converso muito comigo mesmo, sou bastante introspectivo, como todo bom mineiro. Converso comigo mesmo, me peço opiniões sobre diversos assuntos, já que depois que descobri um pouco de mim mesmo após os surtos passei a acreditar mais na minha própria pessoa.
E acho muito válido essa conversa, pois é melhor conversar sozinho do que se abrir para uma pessoa que pensamos ser nosso amigo. Se não tem em quem confiar, confie em si mesmo.

2- Quais são os efeitos colaterais dos antipsicóticos que você já usou?
    Bem, já dediquei postagens inteiras sobre as reações adversas que tive ao usar alguns antipsicóticos. Por isso vou dar uma resumida aqui bem breve. Caso o leitor queira achar uma postagem sobre um assunto específico, basta procurar no motor de busca, uma ferramenta que existe no próprio blog e que se situa no lado superior direito da página.
o blog tem o seu próprio "google"...

    Então vamos a pequena lista dos principais antipsicóticos que já experimentei. Antes, gostaria de deixar bem claro que essas reações variam de pessoa para pessoa e também da dose usada. Não gostaria de desencorajar aqui ninguém a não tentar usar os medicamentos para controlar uma crise.
    -Diazepan; Apesar de não ser um antipsicótico, resolvi colocar o diazepan na lista pois ele funcionou por um bom tempo como um s.o.s para mim, já que na época dos primeiros surtos ainda trabalhava e não conseguia ter muita disposição tomando o haldol, que foi um dos antipsicóticos que já experimentei.
     O diazepan dá uma ressaca, de leve a moderada, dependendo da dose usada, principalmente na parte da manhã. E tive um prejuízo muito grande na memória recente. Hoje em dia com muita dificuldade consigo decorar um número de celular, por exemplo. Mas lembro com alguns detalhes coisas que me aconteceram antes de começar a tomar o diazepan. A diferença é muito grande, não sei o que acontece com as informações, mas simplesmente quando vamos a procurar em nosso "HD" não a encontramos. Já os fatos do passado distante parecem estar preservados, bastando um acontecimento para reavivá-las em nossas cabeças, talvez no subconsciente.
    E atualmente também tenho a sensação de boca seca, e constantemente tenho que "molhar o bico", o que é um pequeno inconveniente, pois também consequentemente tenho que ir ao banheiro para urinar.

- Melleril: Na primeira vez que o usei, em 2003, creio que deva ter tomado uma dose bem baixa (25mg), pois me lembro que conseguia acordar bem às sete horas da manhã, apesar de estar dormindo na rua, naquela época. Dormia em frente ao prédio do Instituto Estadual de Florestas, no bairro barro preto, aqui em Belo Horizonte. Acordava com o movimento dos pedestres indo para o trabalho. Me lembro que as primeiras pessoas que via eram as meninas do Macdonald's sentadas, à espera do horário para começarem a trabalhar.
    Já na segunda vez que usei, por volta do ano de 2005 tive muita sonolência,  sentia também que meu coração dava uma batida desordenada quando eu subia alguma escada.

- Clorpromazina: Foi o antipsicótico com o qual mais me dei bem, apensar de ser um dos mais antigos da categoria. A "clô" conseguia, juntamente com o fenergan, colocar os meus pensamentos em ordem. O problema é que dava uma "penitenciária de segurança máxima de ventre", além de torcicolo. Mas até hoje uso  por um breve período de tempo quando sinto que as coisas não estão bem e que estou prestes a surtar.
a clorpromazina até que ajudava, mas... 
- Haldol: É o "azulzinho" que não quero nem de graça.... Me dava uma acatisia danada. Para quem ainda não sabe, acatisia é, basicamente e essencialmente uma vontade insana de sair andando por ai sem rumo, uma inquietação enorme na hora de dormir. E também dava uma certa sonolência ao mesmo tempo. Então, quando tomava esse medicamento não sabia o que fazia: se andava ou se ficava deitado na cama....
    E também senti a "impregnação" tomar conta dos meus músculos. Era algo tão incômodo e irritante que dava vontade de pegar uma pedra e quebrar alguma vidraça qualquer.
    E, como a maioria dos antipsicóticos, fiquei bastante lento, o que me ocasionou um pequeno acidente na época em que trabalhava como operador de som. Deixei a mesa de som cair, e, para não rasgar a minha canela coloquei a mão, sofrendo um pequeno corte, que demorou um tempinho para cicatrizar...
espero nunca mais precisar desse "azulzinho"...

- Stellazine: Praticamente tive os mesmos sintomas do haldol, porém mais brandos.

- Orap: Não senti nenhum efeito colateral, mas também não senti nenhuma melhora em relação às minhas paranoias e desconfianças excessivas. Ou seja, era como se não estivesse tomando nada.

- Risperidona: Nos dois primeiros dias, não sei por qual motivo, fiquei animado e bem alegre e motivado, pensando que finalmente tinha encontrado o medicamento ideal para o meu problema. Estava morando em um albergue, em São Paulo, me lembro que nesses dias estava muito comunicativo e conversei bastante com caras que nem conhecia direito. Nesse albergue tinha caras vindo de todos os cantos do Brasil. Cheguei até a conversar com os haitianos, ou melhor a tentar a conversar, pois a maioria deles falam francês e inglês. Digo até não por preconceito, a tal da xenofobia, é que detesto o francês mesmo, tem que ficar fazendo biquinho para se pronunciar certas palavras corretamente...
    Mas no terceiro dia as minhas pernas estavam pesadas, principalmente na parte da manhã. Pesquisei no google e constatei que esse sintoma era do medicamento. E também sentia uma fome danada, ou melhor, mais fome ainda, principalmente em relação aos doces e massas.
- Quetiapina: Além da fome de leão, da sensação do estômago não ter fundo, triplicando a minha vontade de comer doces, tive muita sonolência e lentidão. "Você vai pagar a minha conta na padaria?", perguntei ao psiquiatra quando me interrogou sobre o não continuamento da medicação...


-Levozine: Esse medicamento é quase um sossega leão, me derrubava mesmo. Só não apagava de uma vez, o efeito ia vagarosamente aparecendo. Era complicado quando sentia vontade de urinar de madrugada, o corredor ficava estreito demais. Era como se tivesse tomado uns dez diazepans de 10mg. Tomei o levozine uma noite só, pois a ressaca também era enorme, só desaparecendo por completo por volta das quatro horas da tarde. Recomendo a quem deseje usar que compre um pinico e deixe debaixo da cama.

-Zyprex: O mais detonador de todos na questão da sonolência. Mas acho que tomei uma dose alta, para quem estava começando. Dormi praticamente dois dias seguidos, só me lembro de acordar no segundo dia e ir me arrastando até a padaria para comer um pedaço de bolo. Depois apaguei de novo. Mas, como disse, creio que deva ter tomado uma dose alta, pois conheço pessoas que tomam e as vi em boas condições na parte da manhã. Não sei se sou meio fraco para esses medicamentos, mas devolvi a caixa para a psiquiatra, pois é um medicamento muito caro.


3- As pessoas com esquizofrenia se lembram dos fatos que aconteceram durante os surtos?
    Ao contrário do que algumas pessoas devam pensar, não ficamos possuídos por espíritos ou uma entidade do outro mundo, ficamos sim acreditando em nossas paranoias e delírios. Alguns se descontrolam totalmente e outros não. Isso varia muito de pessoa para pessoa e também da gravidade do caso e do tipo de alucinação ou delírio que ela está tendo. Afinal, quem não iria pelo menos fugir ao imaginar que tem uma "galera" querendo te pegar?
    Também nos surtos não temos amnésia, pelo menos no meu caso consigo me lembrar com detalhes o que me aconteceu durante os surtos, tanto que escrevi um livro sobre eles (ainda estou vendendo, no formato PDF). O esquecimento de alguns fatos é o natural mesmo, devido ao tempo e também ao diazepan. Conversei com algumas pessoas que têm esquizofrenia e maioria delas relataram se lembrar dos fatos. Poucos relataram não ter algum tipo de lembrança de quando estiveram surtadas.

4- Você acredita ter passado por momentos traumáticos que possam ter desencadeado a doença?
    Creio que sim. Esses acontecimentos traumáticos são chamados de gatilhos. Qualquer pessoa pode pirar com algum evento traumático. E pirar não quer dizer ter esquizofrenia, pode ser um stress pós traumático, por exemplo.
    No meu caso em particular acredito que já tenha nascido com algum tipo de pré-disposição à esquizofrenia, por isso não culpo algumas pessoas pelo fato de atualmente ter os sintomas que os cientistas chamam de esquizofrenia. Mas, infelizmente o mundo está cheio de pessoas más  que querem a qualquer custo te derrubar. Basta ter paz e ser feliz para ter inimigos. Basta gostar de seu trabalho e ter uma renumeração maior do que outros funcionários da firma para ter alguns inimigos. E essas pessoas ao descobrirem seu ponto fraco podem fazer de tudo para te verem longe do caminho delas.
    Um gatilho que foi determinante para o primeiro surto foi o boato de que eu estava com aids. Na época morava em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais. O boato foi se espalhando aos poucos, e em alguns meses a cidade inteira já falava no assunto. É aquele ditado: " Uma mentira dita muitas vezes acaba se tornando realidade".... O boato ganhou tanta dimensão naquela cidade que até eu mesmo acabei acreditando que estava realmente com aids. Me lembro que até o dono de um estabelecimento naquela cidade não gostou da minha presença, quando fui sentar em uma mesa para almoçar e não pegar um marmitex como eu sempre fazia. Talvez ele achasse que a aids pode ser contraída através dos talheres.... A depressão tomou conta de mim e fiquei à espera dos primeiros sintomas da suposta doença aparecer para dar um fim a minha vida. Digo depressão sem ter o diagnóstico pois além de triste, também tive diversos sintomas físicos: fraqueza, emagrecimento, diarreias frequentes, e me lembro que naquela época peguei dengue ou "virose" duas vezes em um pequeno intervalo de tempo. Mas, para mim esses sintomas eram da suposta aids que eu havia contraído e assim chegou a um ponto que não conseguia mais trabalhar.
    Creio que também existiu um outro gatilho, e que foi o primeiro: o fato de conhecer a maldade de alguns "humanos", principalmente no ambiente de trabalho nessa pequena cidade de Minas Gerais.
O fato de ter um salário um pouco superior e ter a preferência dos clientes para executar os serviços me renderam alguns inimigos, inclusive até os que eu tinha ensinado alguma coisa sobre como operar uma mesa de som. Mas, como disse, não estou jogando a culpa pelo fato de ter esquizofrenia nessas pessoas. Desde criança tive um enorme receio de crescer e conhecer como é a realidade dos seres humanos. Em minhas pesquisas, já li que a esquizofrenia pode ser um tipo de negação da realidade. No meu caso creio que essa realidade do mundo dos humanos adultos tenha sido algum componente indireto para esse tipo de situação que enfrentei e enfrento até hoje. Me lembro de um pedido que fiz à Deus quando criança, que era de nunca conhecer a maldade dos seres humanos.
Não sou santo, mas nunca me preocupei com o salário dos demais funcionários das firmas por onde trabalhei...

5- O que você sente após passar por uma crise?
    Cada crise e surto foi diferente, o primeiro foi o mais difícil de todos, pelo fato de não ter nenhum conhecimento sobre o transtorno. Talvez a sensação seja parecida com a de alguém que passou por uma tempestade violenta, um furacão que derrubou todos os seus alicerces.
As minhas primeiras crises foram assim. Tudo o que eu imaginava e minhas certezas caíram por terra. Dúvidas e mais dúvidas povoaram a minha mente. Por que eu? O que eu fiz para merecer isso? Afinal, o que eu tenho? Fizeram algum trabalho de magia negra contra a minha pessoa? Como será daqui para frente? Vai acontecer de novo?
    Me lembro que fiquei muito preocupado quando chegou o primeiro dezembro após o meu primeiro surto grave. Me lembro do dia em que pedi demissão da firma nesse surto, era dezembro de 2002 e a única saída que havia enxergado para fugir dos inimigos reais e imaginários que se tornaram reais naquele época era fugir daquele lugar.

6- O que te faz vontade de viver todos os dias, apesar de todos os problemas?
Confesso que às vezes passo por períodos difíceis, e em muitas situações o pior já passou pela minha cabeça, já tentando algumas vezes o autoextermínio.  Mas, depois das primeiras crises que tive, passei a me conhecer e a me entender melhor. O autoconhecimento não tem preço....
     Também tenho minhas crenças, e uma coisa em que todas as religiões têm em comum é a acreditarem que o autoextermínio não é uma boa solução para nossos problemas. Claro que toda regra tem exceção, os terroristas radicais acreditam que se morrerem como mártires serão muito bem recompensados....
    Outra razão para continuar vivendo são os meus inimigos reais, que se aproveitaram dos meus momentos de fraqueza para se verem livre de minha pessoa. Voltei várias vezes à essa cidade do interior de Minas Gerais, e em uma dessas visitas confesso que não resisti e cheguei a colar nos postes e a "panfletar" o resultado do exame de HIV que eu havia feito e que dera negativo.

7- Qual foi a reação ao receber o diagnóstico de esquizofrenia?
Não fiquei revoltado e nem indignado, e sim muito curioso. Imediatamente após receber o diagnóstico, fui a biblioteca municipal da cidade onde morava e li um CID antigo que estava encostado na instante. Mas não fiquei satisfeito, comprei um computador, fiz o curso de informática e passei a estudar o assunto. Conheci pessoas que tinham o mesmo problema e passei a encontrar respostas para o meu modo arredio de ser, dentre outras questões que vinham constantemente em minha mente. 

o preconceito surge pela falta da informação 

8- Qual a sua mensagem para outras pessoas que sofrem ou tem parentes com esquizofrenia?
    Que se informem o melhor possível. Procurem outras opiniões caso tenha alguma dúvida sobre o diagnóstico. A informação é a base de tudo, o preconceito surge quando não estamos devidamente informados sobre determinado assunto.
    A informação é a melhor arma. Devemos aprender a conviver com a esquizofrenia, e a conhecê-la, como se fosse um jogo de futebol, onde conhecemos o adversário e atacamos os seus pontos fracos e aprendemos a nos defendermos dos seus pontos fortes. No meu caso em particular, depois que passei a estudar o assunto vi que o que mais me prejudicava era o fato de me preocupar demais com a opinião alheia. Passei a evitar o stress e a evitar certo tipos de situações em que poderia despertar alguma sentimento negativo contra a minha pessoa.
    A informação é essencial, afinal, como iremos lutar contra algo que não conhecemos?




domingo, 12 de fevereiro de 2017

Livro "A síndrome de Copérnico" Download

"A síndrome de Copérnico" de Loevenbruck Henri. 
    Outro dia desses, quando estava perambulando pelos canais da tv aberta, à procura de algo “assistível”, me deparei com uma boa resenha sobre o livro “A síndrome de Copérnico”, na TV Cultura. Aliás essa emissora tem muita coisa boa para ser ver. Em Minas Gerais se chama TV Cultura, mas nos outros estados é a TV Brasil, a tv cultura retransmite boa parte da programação da TV Brasil.
    Infelizmente ainda não tive ânimo para ler as 353 páginas desta obra, mas, pelo pouco que li, posso dizer que vale a pena baixar aqui na CDE (Central de Downloads do Esquizo). Não gosto muito de rótulos, ainda mais como esquizofrênico, mas foi preciso fazer isso para ser achado com mais facilidade pelos motores de busca do google, bing e outros.

Resenha
-A Síndrome de Copérnico faz referências à atualidade, à arquitetura dos lugares onde a trama acontece e às tecnologias que constituem o fio condutor do romance. Além de o leitor ficar impressionado com o desenrolar da ação, a introspecção permanente do protagonista está longe de ser cansativa, fazendo com que a leitura proporcione indignação por não se compreender o porquê de como o esquema foi elaborado. Cada elemento do suspense reforça ainda mais o mistério ao invés de dissipá-lo.

Primeiro capítulo
"Meu nome é Vigo Ravel, tenho 36 anos e sou esquizofrênico. Ao menos é no que sempre acreditei.
Aos 20 anos de idade — se é que me lembro bem, pois minhas lembranças não vão tão longe e tenho de acreditar no que meus pais me disseram — diagnosticaram em mim distúrbios psíquicos sintomáticos de uma esquizofrenia paranoide aguda. Perturbação da memória a curto e a longo prazo, transtorno do pensamento lógico e, sobretudo, sobretudo, o meu principal sin¬toma dito "positivo'': sofro de alucinações auditivas verbais.
Sim. Ouço vozes dentro da minha cabeça.
Centenas de vozes, diferentes, novas, de perto ou de longe. Todos os dias, em todos os lugares, aqui e agora. Como murmú¬rios que não vêm de parte alguma, ameaças, insultos, gritos e soluços, vozes que surgem nas grades do metrô, vozes que flu¬tuam na boca dos esgotos, que ressoam atrás das paredes... Ela aparecem no meio das crises, quando a minha visão fica turva e o meu cérebro grita de dor.
Desde aquela época, sigo um tratamento à base de neurolépticos anti-produtivos, que reduzem, mais ou menos, os meus delírios e as alucinações. Os medicamentos evoluíram. A minha doença, não. Aprendi a conviver tanto com ela quanto com os efeitos secundários dos antipsicóticos: aumento de peso, apatia, olhar furtivo, perda de libido... No fim das contas, a apatia ajuda enormemente a aceitar todo o resto. E a não lutar mais.
Enfim, acabei simplesmente por aceitar que eu estava doen¬te, que as vozes não passavam de uma produção do meu cérebro deficiente. Apesar do incrível realismo das minhas alucinações, eu as aceitava como tal e conformei-me com o óbvio, como pedia o meu psiquiatra. Depois de alguns anos, decidi-me por isso. No fundo, acho que era menos cansativo aceitar a loucura do que continuar negando-a. O meu psiquiatra conseguiu até me arranjar um emprego, faz quase dez anos. Fui contratado pela Feuerberg, uma sociedade de patentes, para inserir dados no computador. Não era nada complicado, bastava digitar quilôme¬tros de números e de palavras, sem me preocupar com o que sig¬nificavam. O meu patrão, François de Telême, sabia que eu era esquizofrênico, e isso não era problema. O principal era que eu também o soubesse.
No entanto, depois da explosão da torre SEAM, não tive mais certeza de nada. Nem mesmo disso. Naquele dia, tudo mudou. Para sempre."
é fácil baixar na CDE

    Baixem este e outros livros na CDE, não tem segredo e também não tem vírus, todos os arquivos são examinados pelo antivírus online, que é um bom serviço para verificar se um arquivo que baixamos tem algum vírus ou não, pois o site usa o banco de dados de vários programas antivírus do mercado. Ou seja, depois da análise as chances do arquivo conter algum arquivo malicioso são mínimas.
    Para acessar a central de downloads, basta clicar na imagem no canto superior direito, para abrir o link do drive do gmail, onde hospedo os livros.
Boa leitura à todos.
https://www.virustotal.com/

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Divagações Esquizofrênicas-14

Estrada real: lá vou eu!!!

saudades dos marcos da estrada real....
    Depois de três anos e alguns meses irei voltar a pôr os pés novamente nos caminhos da estrada real. Isso mesmo! Disse pôr os pês, pois as lembranças dessa minha aventura nunca saíram de minha mente aventureira desde que conheci o caminho, em meados de 2012. Antes de conhecê-la realmente, fiquei um ano viajando virtualmente na internet, em busca de informações e dicas sobre como percorrê-la. E, claro, tomando coragem também, pois hoje em dia o mundo está muito violento.  E a gota d'água para abdicar do conforto do meu quartinho e sair viajando por aí foi o inferno que se transformou o local onde eu morava, em Ipatinga, devido à "expansão" do crack. Apesar de pagar um aluguel relativamente barato e ter um quarto razoável, não tive dúvidas em comprar a mochila e a barraca e cair na estrada. E foi paixão à primeira vista pelos vales e montes da minha querida Minas Gerais.
    Gostei demais das minhas andanças pelos estados do Espírito Santo e São Paulo, mas a simplicidade e a receptividade do povo do interior de Minas Gerais não tem igual. E pão de queijo também né? O problema no dedão do meu pé esquerdo ainda continua, mas já deu uma boa melhorada depois que comecei a usar um tênis super macio e com a numeração um pouco maior do que a uso costumeiramente (uso o número 41, mas o vendedor me passou um tênis de número 43 e ficou muito bom, não apertando o dedão que está com problemas).
    Então passei a pesquisar no "Dr. Google" alguns exercícios de fisioterapia para os joelhos que é a articulação que está mais sofrendo no momento pelo fato de ter que andar sem forçar o dedão problemático. A cada dia que passou estou sentindo menos pressão no joelho e também menos dores musculares quando vou almoçar no restaurante popular, aqui "pertim" de casa. Deve dar quase 4km na ida e volta, mas como todo bom mineiro que sou... 
    Infelizmente a realidade está sendo essa: estou conseguindo melhores resultados com o “Dr Google” (com letras maiúsculas mesmo) do que com o próprio sus (merece letra minúscula). E o engraçado é que quando vou consultar com esses médicos tenho que ouvir que não é para acreditar em tudo o que vejo na internet.... Oras, se os próprios médicos não nos dão atenção e não dialogam com a gente... É um pouco contraditória esses dizeres dos médicos do sus. Quando vou consultar, a impressão que tenho é que a consulta é um grande favor, e que estou ganhando e não a pagando com os impostos do dia a dia. Claro que existem bons profissionais no sus, mas infelizmente estão cada vez em menor número. Me lembro bem quando consegui a minha primeira consulta com o ortopedista em razão do meu problema no dedão do pé, e foi uma grande frustração:
    - Isso é coisa da idade mesmo... - me disse o maledito, ao ouvir o meu breve relato sobre a situação do meu dedão,  sem ao menos dar uma olhada no meu pé... E olha que naquele dia usei meia limpa e caprichei no banho de manhã.
    Assim como não me entreguei e não me entrego na luta pela minha saúde mental, também não irei me entregar na luta pela minha saúde física e pelo simples direito de ir e vir. Confesso que tentei o pior quando o meu tornozelo ficou bastante inchado pelo fato de estar andando incorretamente. Me lembro daquele dia, foi um domingo e o meu tornozelo doía muito, mal dava para andar. Supliquei uma muleta nos grupos do facebook e fui para a UPA por volta das onze horas da manhã. Fui transferido para um hospital e voltei sem nenhuma melhora por volta da meia noite. Havia saído do hospital com a agulha do soro “milagroso” ainda no braço, sem o pessoal da segurança perceber, pois estava com blusa de frio. Mas, para o meu azar ou sorte, quando cheguei em casa o sangue havia coagulado e não seria mais possível deixar o sangue se esvair até a última gota. Acho que não iria estar aqui escrevendo estas linhas se o sangue não tivesse coagulado.
     Mas deixemos as coisas tristes para trás. Estou fazendo a minha fisioterapia e confesso que está dando melhores resultados do que a que fiz com as “profissionais” no centro da cidade. Lá o atendimento é padronizado em dois modelos: quem estava imobilizado devido à uma cirurgia ou fratura e a fisioterapia dos idosos. Somente isso. Os exercícios eram passados e as profissionais ficavam no zap zap boa parte do tempo. E nada de diálogo e atendimento individualizado. O jeito então é seguir a minha fisioterapia, ouço o que o meu corpo está querendo me dizer e ai vou dosando a carga.
     Depois da fisioterapia, irei começar a fazer alguns exercícios mais leves com aqueles aparelhos coloridos que a prefeitura de Belo Horizonte coloca nos parques, praças e outras áreas. A maior parte das pessoas que fazem estes exercícios são da terceira idade, me sinto um pouco estranho no meio deles, mas o bom que já vou me acostumando e aí não será um impacto tão grande assim que chegar a hora de ficar somente nesses aparelhos.
    Assim que começar a fazer os exercícios com certa fluidez, passarei a correr, ou melhor, a trotar e depois sim a correr. E ai logo depois irei fazer os exercícios um pouco mais puxados, para estar em forma para pegar a mochila (11kg) e pôr os pés na estrada.
cachoeira Tabuleiro, no caminho dos Diamantes, com 273m de altura, é a segunda maior do Brasil...

    Creio que em dois meses estarei pronto para percorrer sem sofreguidão os belos caminhos do meu estado. Claro que tem um pouco de sofreguidão sim, afinal estamos em Minas e são muitas serras. Além das intermináveis subidas e descidas, tem o calor, o frio, a chuva, as trilhas... Mas confesso que foram os melhores perrengues que já enfrentei em toda a minha vida. Quero suar, correr, andar, pular na água (não sei nadar), Quero ganhar água gelada quando estiver sedento no caminho e avistar uma simples casinha na beira da estrada de terra e "trocar dois depois de prosa" com o povo do interior das minhas Minas Gerais. Me lembro das minhas risadas quando me perguntavam se eu estava pagando promessa ou fazendo penitência ao me verem com a mochila nas costas....
    Missão dada é missão cumprida! Fiz apenas dois dos quatro caminhos da Estrada Real. O tempo é implacável e, se bobear, não vai dar tempo de terminá-los. Já inventaram um quinto caminho, chamado de "Caminho religioso", que é basicamente o Caminho Velho, só que incluíram algumas cidades, começando na "devotíssima" cidade de Caeté-MG e terminando em Aparecida do Norte, em território paulista. Sei que estou correndo um risco do meu pé piorar ainda mais no caminho, mas estou sentindo que pelo sus não irei conseguir nada. Não sei se irei me acostumar a conviver com essa dor no pé, mas vamos lutar.
    Então é isso pessoal, acredito que em alguns meses estarei postando não mais nesse quarto onde estou morando atualmente e sim em uma lan house em uma cidadezinha ou povoado do interior de Minas Gerais.
    Irei fazer os dois caminhos restantes de uma vez só. O Caminho dos Diamantes, (395km) que começa em Diamantina e termina em Ouro Preto, e o Caminho Novo (515km) que começa em Ouro Preto e termina em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Claro que irei dar uma parada de alguns dias em uma pacata cidade qualquer para descansar minhas canelas, pois não sou maratonista e a minha intenção não é chegar logo "nos finalmente"* e sim  ter esse contato maior com a mãe natureza. Vou sentir saudades da minha caminha, do meu home theather, do notebook, do ventilador que ameniza o calor da tarde, de poder tomar banho na hora que der vontade, de poder usar o banheiro assim que der vontade também. Sentirei também muitas saudades dos filminhos que assistia pela internet na TV, graças ao bendito cabo HDMI, que, para mim, é a maior invenção do século...
Só espero que o meu anjo da guarda não peça aposentadoria depois que resolvi voltar as minhas andanças....

* estou começando a falar como o Odorico Paraguaçu, estou assistindo a novela "O Bem Amado"de 1973. Me lembro que era bem pequeno, mas não perdia um capítulo.

A consulta com o ortopedista consegui gratuita com um particular. E ele recomendou usar uma palmilha especial para proteger o dedo com problema. Ela custa 200 reais. E, caso não o problema não seja resolvido, a solução definitiva será a cirurgia mesmo.

o halux está mais do que rigidus, está detonado mesmo, e o jeito vai ser entrar na faca mesmo. Mas com halux ou sem halux, vou fazer o caminho da estrada real. Esses médicos que me atenderam não sabem o que é andar mais de dois anos com dores do dedão do pé e na musculatura toda e articulações. 
    Essa é a situação do meu halux rigido. Infelizmente só o halux que anda rígido ultimamente por aqui, pois estou numa pasmaceira danada. Mas com halux ou sem halux vou terminar de fazer os quatro caminhos da estrada real. Esses médicos do sus não sabem o que é andar por mais de dois anos com dores no dedão do pé, na musculatura e nas articulações e vendo sua saúde ir por água abaixo lenta e gradativamente.
   Pode parecer um simples problema, mas não é. O problema é o local onde está o problema, que é uma importante articulação, sempre a usamos ao dar um passo. E então ando de uma forma errada, para não sobrecarregar e detonar ainda mais a articulação. E ai o corpo cobra:a musculatura da perna dói um bocado e as articulações também. No começo não era visível o problema, mas com o tempo as coisas foram piorando e o dedão está um pouco deformado, como se pode ver na imagem acima.
E é literalmente uma bola de neve, pois engordei três quilos  e meio devido ao sedentarismo. E com o aumento de peso, as articulações sofrem ainda mais.
Algumas pessoas se ofereceram para ajudar no pagamento da consulta, mas já retirei a postagem em que pedia ajuda, pois, como já relatei, consegui uma consulta gratuita com um especialista dos pés super gente boa. Quem ainda estiver em condições de me ajudar entrem em contato comigo pelo email ou pelos comentários do blog.
juliocesar-555@hotmail.com

sábado, 14 de janeiro de 2017

Ser rockeiro e a violência de hoje em dia

Todo dia é dia de rock!!!

  Este é um blog sem fins lucrativos, didáticos, ou outro motivo parecido qualquer. Se estou ajudando as pessoas com as minhas divagações, me sinto muito feliz por causa disso e isso me motiva a continuar nessa luta para que um dia esse distúrbio chamado esquizofrenia seja visto com outros olhos pela sociedade. 
   Há alguns anos atrás, uma pessoa me enviou um email com uma proposta para que eu escrevesse algo para ela, (talvez artigos) sobre vários temas Recusei e agradeci. Recusei, pois desde pequeno sempre gostei da liberdade. A liberdade de pensar, de agir, enfim, de ser eu mesmo. E de poder escrever o que tenho vontade de escrever, é claro. Tudo isso, além de tudo, é uma ótima terapia para mim. Todo mundo deveria experimentar fazer um tipo de terapia que lhe agrade, independentemente ou não de ter algum tipo de transtorno mental. 
   Então esse blog não tem muitas regras, os títulos podem parecer um pouco estranhos, as postagens mais ainda. Não me preocupo muito com os títulos e os motores de busca do google. Posto o título que aparece logo em minha mente. Assim também são as postagens, parece que baixa um espírito em mim e eu saio "psicografando" tudo no caderno. Faço apenas uma ou duas pequenas revisões para ver se o texto está "entendível" e depois jogo no word para corrigir alguns erros de português. Até hoje me espanto quando alguém me diz que escrevo bem. 
    Mas então por que esse título desta postagem? Qual a relação de ser rockeiro com a violência de hoje em dia? Na minha opinião, nenhuma, mas talvez para alguns isso possa ter tenha alguma relação meio que surpreendente. 
    Vou tentar explicar. Na década de 80, com o “advento” do primeiro Rock in Rio, as pessoas que curtiam um som pesado passaram a serem conhecidas por “metaleiros”, graças a influência midiática da poderosa rede globo. Oras, metaleiro é quem trabalha na usina siderúrgica, ou quem trabalha com panelas de aço, etc.... Mas, depois daquele Rock in Rio no Rio de Janeiro tudo mudou. Digo Rock in Rio na cidade maravilhosa por que o evento foi um sucesso tão grande que agora tem rock in rio até em Portugal (não duvido que já tenha até na China!). 
    Então, depois disso tudo, os rockeiros passaram a serem conhecidos como metaleiros e rotulados como pessoas que não eram muito chegadas ao “furadinho” (chuveiro), que andavam sempre sujos, com roupas rasgadas e que também eram chegadas nas coisas do “tinhoso”. 
     Metaleiro, naquela época, era sinônimo de cachaceiro, drogado, pervertido, etc...  
    Comecei a virar rockeiro por influência de um amigo de escola, que era muito inteligente. Não éramos os nerds da sala, nem os mais comunicativos e engraçados, na verdade não nos encaixávamos em nenhuma  tribo da turma: a dos mais inteligentes, a dos mais bagunceiros ou a dos mais comportados. Enfim eram uns quatro ou cinco caras que só sabiam falar de rock e outros assuntos diferentes do resto da turma. Ele me apresentou o som pesado das bandas daquela época: Scorpions, AC DC, Black Sabbath, etc...
     Então passei a adolescência curtindo esse som visceral, e, para me sentir um “metaleiro” de verdade,  comecei a deixar o cabelo crescer, a andar com calças jeans rasgadas e com aqueles braceletes que mais pareciam coleiras de cachorro cheia de espetos. E, claro, não podia deixar de andar com camisa preta com caveira estampada. Sempre pensava que, para ser considerado no meio da turma dos rockeiros, tinha que necessariamente ter cabelo grande. Me sentia um intruso na turma quando tinha cabelo curto e ficava no meio da galera rockeira aqui de Belo Horizonte.
na minha cabeça todo rockeiro tinha que ter necessariamente cabelos grandes
     E comecei a beber também, ou melhor, a fingir que bebia e também a fingir que estava bêbado. Na minha cabeça metaleiro para ser metaleiro de verdade tinha que beber, e muito.. Tinha que ser muito doido, esses lances ai, né? Mas meu estômago não era muito forte para bebidas destiladas e quase sempre devolvia tudo o que bebia. Ficava arrepiado só de sentir o cheiro daquelas cachaças baratas de supermercado. Acho que a única coisa que a bebida fez de bom em mim foi expulsar uma lombriga enorme que habitava o meu intestino. A cachaça que serviam aos metaleiros na Savassi era tão ruim, mas tão ruim que vomitava tudo em pouco tempo e nem a lombriga aguentou e resolveu dar o fora do meu estômago, dando um salto mortal assim que abri a boca depois de beber uma cachaça bem amarga de um barzinho na Savassi, o bairro onde a noite é bem agitada aqui na capital mineira.
Na verdade nem sei se esse fato é verídico ou não, pois, das poucas vezes em que consegui beber muito, tive uma espécie de amnésia e não conseguia me lembrar de nenhum fato da noite anterior.
    - Nossa, ontem você estava doido demais cara!-me falavam...
    - É que eu tava "chapado" demais...- tentava explicar.
    E essa desculpa de estar chapado eu também dava quando fazia um teatrinho e fingia estar bêbado, assim tinha um pretexto para extravasar e colocar todas as minhas "loucuras" para fora. Me lembro que ganhei dois pares de ingresso de uma produtora de teatro, pois havia feito um discurso em prol da cultura, me fingindo de bêbado, é claro. Mas, ela, acho que por entender de teatro, sabia que eu estava "de cara", mas gostou tanto da minha atuação que resolveu me contemplar com o par de ingressos. 
    O movimento heavy metal em Belo Horizonte na década de 80 e 90 foi muito forte mesmo, uma referência nacional. Dizem que esse movimento foi o mais influente de todo o país. Algumas bandas aqui da capital mineira fizeram e ainda fazem  muito sucesso no exterior. Vide a banda Sepultura, que é mais conhecida lá fora do que em nosso próprio país. 
    Me lembro como se fosse hoje  daquele tempo, da turma do rock que se encontrava na Savassi, aqui em Beuzonte. A Savassi era o point dos mauricinhos e patricinhas de BH, só caras com roupas de marca, lindas garotas, carros luxuosos, etc. E aquela galera de preto no meio. Não éramos bem recebidos nos bares, um ou outro que aceitavam nos vender alguma bebida. Mas a verdade é que não consumíamos quase nada, sempre fazíamos uma vaquinha para comprar umas garrafas de cachaça barata no supermercado e ai íamos ao bar para tomar com coca cola. Era muito ruim, mas eu tomava, para fazer parte da turma e não ser chamado de careta. 
    Já chapados, pegávamos um ônibus até o alto da avenida Afonso Pena, para escalar a serra do curral, o ponto mais alto da capital mineira. Só tentei fazer isso uma vez, mas, como estava um pouco bêbado e escorreguei,  tive que voltar, pois alguns trechos são perigosos para se escalar de noite. 
   Éramos temidos e um pouco rejeitados pela sociedade na época. Imaginavam que éramos satanistas, pervertidos, etc. Mas posso dizer que os caras eram pessoas comuns, adotavam aquele visual mais como uma maneira de protesto mesmo, sei lá. No meu caso foi uma forma de dizer que era diferente mesmo da maioria das pessoas. Claro que existem bandas que se dizem satanistas, com letras dedicadas ao "tinhoso", mas creio que isso seja mais uma estratégia de marketing. Quem é realmente chegado no “demo” prefere manter o anonimato. Aliás até hoje não vi coisa mais demoníaca do que um baile funk... 
   Esse documentário abaixo fala um pouco como foi o movimento metal aqui em BH. Alguns vídeos podem ter algum tipo de problema e não serem visualizados aqui no blog. Caso este problema aconteça, é só clicar no link abaixo do vídeo que poderá assisti-lo no youtube.

      Resolvi ser rockeiro não por influência da mídia. O som das guitarras distorcidas, ao contrário do que a maioria pode pensar, me acalma e me dá energia na hora de fazer uma caminhada ou uma pequena corrida. O nome já fala tudo, guitarra elétrica, nos dá energia. No meu caso em particular só não me sinto bem ouvindo rock quando estou andando no meio da multidão e com mania de perseguição, ai, nesse caso, procuro escutar algo mais relaxante mesmo. 
   Também acho que desde pequeno tenho essa mania de não seguir as tendências, sou da turma do só para contrariar mesmo. Na época o que rolava nas rádios era o som do Michael Jackson que estava no auge. Não adiantava fugir, em qualquer lugar se ouvia as músicas dele, apesar de ainda não haver esses carros com sons superpotentes. Era no bar, na escola, no vizinho, sempre tinha alguém ouvindo no radinho ou naqueles sons 3x1 o som do rei do pop. O engraçado é que, hoje em dia tenho algumas músicas dele no meu cartão de memória e ouço numa boa. 
    Mas, voltando ao título da postagem, o que o rock tem a ver com a violência dos dias atuais?
Hoje em dia, no Brasil, quando menos “emperiquitado” você andar, melhor é. Nas grandes cidades não se pode nem mais acessar o celular no centro. Até andar com réplicas está sendo perigoso, já que são bem parecidas com os produtos originais. 
    Me lembro que, quando tinha uns 17 anos, quase sofri um assalto. Não passou de uma simples tentativa de assalto graças ao meu visual de “metaleiro” que adotava naquela época. Quando os quatro carinhas me abordaram “pedindo” uma grana, não tive dúvidas em mostrar a minha velha calça jeans rasgada e o meu velho tênis. 
    - Olha a minha situação cara...
    Os meliantes, ao olharem minhas vestimentas demostraram um olhar de desânimo e piedade, só faltando me dar uns trocados para tomar umas cachacinhas...
    Estou morando há quase dois anos aqui em Belo Horizonte. Procuro andar da melhor maneira possível, dentro das minhas possibilidades, é claro. E já notei que alguns caras tentaram se aproximar de mim de uma forma estranha, já que geralmente ando distraído pelas ruas ouvindo músicas no fone de ouvido na maior altura. Isso serve para me desconectar do mundo, diminuindo assim as minhas paranoias e as chances de pensar que estou ouvindo alguma voz. Com certeza tentaram se aproveitar da minha distração para levar o meu celular, mas, não sei o que acontece, geralmente sinto a presença de alguém se aproximando e assim o meliante fica sem reação. 
    Por falar em celular, detesto os modernos, esses de toque: a bateria acaba rapidamente, não pode cair no chão, a tela arranha, e é difícil pra caramba para digitar. E sem contar o medo que adquirimos de ser assaltado quando andamos com um celular desses no bolso. 
    Por causa dessa situação é que me lembrei do meu visual de metaleiro que adotei na minha adolescência. É uma boa tática para não ser importunado por esses meliantes. Dá vontade até de deixar crescer não só o cabelo, mas a barba também, para ficar com cara de mau. E, claro, voltar a andar com as velhas calças jeans rasgadas. Ah! E a camisa preta, de preferência com uma enorme caveira estampada na frente. 
     Infelizmente hoje em dia está sendo melhor ser confundido com um meliante e correr o risco de levar uma geral da polícia do que ser “abordado” pelos bandidos que estão infestando as ruas das grandes cidades. Ser confundido com um meliante faz com que o próprio meliante nos reconheça como um concorrente e não como uma vítima em potencial. 
   Mas, como disse no início, o blog é um blog estranho, despretensioso, sem fins didáticos. Essa foi apenas mais uma de minhas postagens malucas, que começa com um tema e vai passando por outros. Mas ser rockeiro não é uma moda, não é um modo de se vestir. É sim um estado de espírito, é ter atitude e personalidade. É saber sentir a música, pois o rock tem notas musicais sim, ao contrário de “alguns estilos” E, além das notas, tem conteúdo sim, basta olhar e analisar algumas letras das principais bandas desse estilo que marcou e ainda marca gerações inteiras. 
    Dizem que os rockeiros são mais inteligentes, várias pesquisas apontam isso. E quem sou eu para duvidar dessas pesquisas.... 

vocalista do Metallica no show e durante um passeio no shopping...
E dando uma canja na apresentação de sua filha....
   E ser rockeiro não quer dizer ser radical, o rockeiro também ouve outros estilos, tem sua maneira de ser vestir e tem personalidade própria e única. Rótulos são criados para desunir as pessoas, 
classificando-as, assim como fizeram com os metaleiros. 
   O dia do rock é comemorado oficialmente  no dia 13 de julho. Mas é apenas uma data simbólica, sendo comemorado mesmo no Brasil. Afinal todo dia é dia de rock, de música, independente de estilo, mas desde que tenha notas musicais e letras que te fazem pensar ou refletir, e, por que não, simplesmente nos divertir.
    Abaixo o som de uma das minhas bandas prediletas, Dream Thater, que é um metal progressivo, com sons de teclado misturados com os de guitarras distorcidas. Mas tem metal e rock para todos os estilos: o próprio heavy metal, o speed metal, o black metal, o power metal, e tem até as músicas românticas também, falando de amor, pois rockeiro também ama e namora como qualquer ser humano...
tem até igreja evangélica que usa o heavy metal durante os cultos
http://musica.uol.com.br/noticias/efe/2017/01/12/crash-church-a-igreja-que-passa-a-palavra-de-deus-ao-som-de-heavy-metal.htm




Dream Theater - The Eneny Inside

Eu fecho meus olhos pra não aproveitar
Três dias de dor sem dormir
Desejo que essas folhas poderiam me sufocar enquanto espero
Eu amo os cortes que fazem linhas
Organizados em bonitos desings
Eu luto com o lado afiado de uma navalha
Isso não é certo eu não posso escapar da escolha que fiz

Última chance de me pegar através da noite
Última dança com a mulher de vestido branco
Eu me perdi eu perdi minha alibis
Última chance de alimentar meu inimigo interior

Está ficando mais difícil de inalar
Uma solução rápida para limpar meus segredos
Olho morrendo aos poucos e parando de enrolar a segunda mão
Isso vira horas em dias
Atrás da luz do sol minha vida some em cinzas
Sozinho novamente com uma navalha
Isso não é certo eu não posso escapar da escolha que fiz

Última chance de me pegar através da noite
Última dança com a mulher de vestido branco
Eu me perdi eu perdi minha alibis
Última chance de alimentar meu inimigo interior

Está quieto agora
Como os momentos depois do assassinato
O mais jovem dentro de mim
Não pode acreditar nas coisas que ele viu hoje a noite
Cara a cara eu estou gritando para mim
Cara a cara e estou gritando para mim por ajuda

A noite
A noite
A noite
A noite
A noite
A noite
A noite

Última chance de me pegar através da noite
Última dança com a mulher de vestido branco
Eu me perdi eu perdi minha alibis
Última chance de alimentar meu inimigo interior
Dentro de mim

Última chance de me pegar através da noite

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Agradecimentos

     Quem acompanha o blog sabe do perrengue que estou passando por causa de uma lesão no dedão do meu pé esquerdo (hallux rigidus) O texto do link está em inglês, mas é só usar o navegador google chrome para traduzir. E quem tem estômago fraco não veja a última imagem da página.
   Estão sendo os anos mais difíceis de minha vida. Mais complicado até do que em certos momentos quando estava surtado, quando a esquizofrenia apareceu de vez em minha vida, por volta do ano de 2002, quando estava com 32 anos de idade e prestes a completar 33 (seria o complexo messiânico?)
     Muitos podem se assustar com essa afirmação, mas vou tentar explicar. Quando estava surtado, fora da realidade, passei por muitos perrengues, mas, como mesmo acabei de afirmar, estava fora da realidade, parecia que o meu cérebro havia "desligado" alguma região relacionada à dor física, pois não recordo de sentir muitas dores quando estava surtado, apesar de ficar vários dias perambulando pelas estradas aqui de Minas Gerais. E o mais estranho de tudo isso é que estava sem me alimentar. E, nas poucas vezes em que o fiz, logo vomitava tudo o que havia comido, pois sempre ouvia uma voz dizendo que o alimento estava envenenado. E o fato de estar fora da realidade não nos deixa pensar e nos preocupar com coisas que geralmente preocupamos quando estamos "normais": horários, higiene, alimentação, o que os outros estão pensando da gente, etc... Afinal, quem iria pensar nessas coisas tendo a certeza em sua mente que apenas o mundo inteiro está te perseguindo?
    O que estou passando no momento é pior do que aqueles dias de surtos e sustos.  O que estou passando nos postos de saúde e nos hospitais é pior do que qualquer perrengue que já passei nas ruas. Tudo começou pelo primeiro "atendimento" que tive logo depois que "trupiquei" em uma raiz de uma árvore em um parque ecológico. O local ficou inchado e me preocupou bastante, apesar da dor ser suportável. Mas o médico sequer examinou o  meu pé e apenas recomendou passar água morna no local. Saí do posto de saúde desolado, sem saber o que fazer. Consulta particular, nem pensar... O jeito foi esperar o tempo resolver mais esta dor que estava sentindo. Sempre fui de praticar esportes, jogar o meu futebolzinho, e contusão não era novidade para mim.
    Só que desta vez o senhor tempo não curou esta dor, que foi piorando com o passar dos meses. A minha qualidade de vida estava caindo bruscamente e então resolvi tentar o atendimento em um outro posto de saúde. Desta vez o clínico geral foi muito atencioso e me encaminhou para o ortopedista.
    Depois de dois meses de espera, a consulta finalmente havia sido marcada. Estava entusiasmado, afinal seria atendido por um especialista e meu problema seria finalmente resolvido. Mas, que nada, o atendimento foi o pior possível. Para começar, o ortopedista nem examinou o meu pé, e nem me deixou explicar muito o que estava acontecendo comigo. Ele foi logo dizendo que aquilo era coisa da idade mesmo e que não havia muita coisa para se fazer. Me receitou um suplemento para as articulações e fisioterapia.
    A fisioterapia também foi frustrante. Fiz exatamente os mesmos exercícios que as pessoas recém operadas ou imobilizadas (fraturas) estavam fazendo. E não era o meu caso, pois, apesar da dificuldade, sempre fazia um pouco de exercício em casa mesmo, justamente para não atrofiar a musculação. Diálogo com as "profissionais" da fisioterapia, nem pensar. Elas eram monossilábicas, apenas se comprometendo a dizer sim ou não para qualquer pergunta que eu fazia, além de ficarem no zap zap boa parte do horário de trabalho. Na minha opinião, o atendimento tem que ser individualizado, se os problemas são diferentes, o tratamento obviamente também deve ser.
    Então resolvi dar um tempo na insistência e mendicância com o sus até sentir que as coisas estavam piorando, principalmente na perna direita, onde a carga do corpo inteiro se apoia durante a caminhada, já que a perna esquerda, por causa da dor no dedão, está servindo apenas como um apoio.
   E voltei no posto de saúde, desta vez sendo um pouco mais "incisivo" (chato mesmo).  E assim depois de mais alguns meses, consegui uma consulta no hospital da Baleia, aqui em Belo Horizonte. O atendimento também foi decepcionante. . Somos atendidos e entrevistados pelo médico residente, mas quem dá a palavra final é o médico chefe, um senhor de uns 80 anos de idade, que aparenta estar debilitado para exercer essa profissão. Os médicos residentes são atenciosos, mas o médico chefe não leva em conta a opinião deles, e então foi me passado apenas anti-inflamatórios e uma pomada, além de uma tornozeleira. Isso depois de dois anos após a lesão. Ou seja, não surtiu resultado nenhum, apenas um alívio durante o uso dos medicamentos. Um mês depois, voltei para o retorno desta primeira consulta e a situação não mudou: o médico me aconselhou a passar água morna e também a seguir com o tratamento psiquiátrico. Me pergunto o motivo dele ter me aconselhado o tratamento com o psiquiatra, já que em nenhum momento fui hostil ou o tratei de uma maneira grosseira. O que ele não sabe é que, pelo menos no meu caso, o melhor antipsicótico é a atividade física, aquela sensação de bem estar que uma boa caminhada nos proporciona, sem contar que o stress e a ansiedade vão embora depois de uma boa pelada de meio de semana e de final de semana também. Mas nem pude dizer isso à ele, pois o diálogo por ali não é muito praticado.
    Desisti desse hospital e tentei aqui no blog uma consulta com um especialista particular. A consulta custa 500 reais, mas consegui um desconto de 200.
     Cheguei a postar aqui no blog pedindo ajuda, com o número da minha conta e tudo mais. Mas o resultado não foi satisfatório e achei melhor excluir a postagem. Consegui apenas duas doações. Uma anônima, de 50 reais, e uma outra de dez reais. Queria aqui agradecer de coração essas duas pessoas que me ajudaram financeiramente, ainda mais em uma crise como essa em que estamos vivendo. Gostaria de deixar bem claro que ninguém é obrigado a ajudar em nada, pois escrevo este blog e tento ajudar as pessoas por prazer mesmo. Se não fica parecendo criança, quando pede um doce para o colega e não ganha:
    - "Te dei bala né, cê vai ver"...- era assim que eu falava na infância quando um colega não me dava um pedaço da guloseima que ele estava comendo.
     Mas a verdade é que não expliquei bem a postagem. A ajuda não precisava ser de um valor de 50 reais. Calculei o número de seguidores do blog e de visualizações, e, se, cada um contribuísse com 3 reais, rapidamente iria conseguir o valor da consulta e posteriormente o da operação.
     Mas não foi possível, e então voltei a insistir com o sus mesmo. Não posso aqui explicar detalhes, mas espero que dessa vez dê certo. Acho que existe muita gente mandando energia boa para que tudo volte ao normal comigo, mas também acredito que o oposto também ocorra. Caso esta tentativa também não dê certo, vou morar nas ruas novamente, só para economizar o dinheiro do aluguel e assim conseguir a grana para fazer o procedimento cirúrgico. Sei quando a minha qualidade de vida está diminuindo por causa da idade e quando está sendo prejudicada por esta lesão. Mas, para finalizar, gostaria de agradecer a essas duas pessoas que contribuíram e gostaria de dizer que o dinheiro me ajudou a comprar um calçado mais confortável para pode caminhar melhor.
esse tênis é muito bom para caminhadas...

    Foi um perrengue danado achar um calçado legal para esse meu pé com problemas. Na verdade, por causa da deformação no osso, eu teria que comprar o número 42 para o pé machucado e o número 41 (o normal) para o meu pé que está bem. Fiquei na sapataria quase uma hora testando as botas de trilha que estava pensando em comprar. Mas de todas que experimentei, apenas uma me proporcionou uma passada sem muita dor. Fiquei super feliz com o achado, mas, quando o vendedor voltou do estoque, me deu a triste notícia:
     - Essa bota do mostruário não temos no estoque, só temos o pé esquerdo dela...
     O vendedor já não estava mais com aquela cara de vendedor, dava para notar que ele já estava apoquentado com um cliente tão exigente. Então ele me sugeriu um tênis da marca que sempre gostei de usar.  E, para minha surpresa, ficou muito confortável e macio. Quando fui olhar a numeração levei um susto:43!!! Por isso ficou tão aconchegante. Mas, apesar daquele tênis tão grande não combinar muito com as minhas canelas finas, resolvi comprar assim mesmo, para amenizar um pouco a caminhada. O importante no momento é o conforto. E vida que segue... Ainda vou terminar os quatro caminhos da estrada real, nem que seja de muleta... Será uma frustração enorme ficar pela metade.
    Abraços à todos e até a próxima postagem.