quinta-feira, 26 de março de 2015

Meu PC é hipocondríaco

    É mais do que correto tomarmos certos cuidados no mundo virtual, quando o assunto é segurança. Assim como podemos ser assaltados na vida real, se andarmos distraídos pelas ruas das grandes cidades, navegando na internet também podemos ser surpreendidos por algumas armadilhas. Não devemos sair por ai clicando em qualquer link que aparece na web, que afirma que ganhamos um iphone ou coisa parecida, ou que tem alguma gostosona querendo conversar com a gente em um chat qualquer. E ainda os emails suspeitos que recebemos de pessoas estranhas, com as mais variadas propostas.
     E também devemos ter os nossos programas para nos proteger, no mínimo, um bom antivírus. Mas, no meu caso, como bom hipocondríaco que sou, reconheço que exagero um pouco nesse tipo de proteção. Além do antivírus Panda, que uso em tempo real, uso mais dois antivírus para fazer o escaneamento do meu note regularmente.  Não é recomendável usar dois antivírus ao mesmo tempo, pois pode haver conflito entre eles, um querendo brigar com o outro, querendo ser o dono do computador, e um vai ficar dizendo que o outro é um vírus e tals.
    Então, deixo o Panda ativado e os outros dois uso para fazer o escaneamento. O correto é fazer esses escaneamentos quando o PC apresentar lentidão ou ter um comportamento estranho, mas, no meu caso, faço cerca de dez varreduras no meu note em um mês...
    Como na vida real, também sinto que sou vigiado na internet. Apesar de ser apenas um pacato e desconhecido cidadão, às vezes tenho a certeza de que tem alguém monitorando os meus passos na web. Acho que tem gente me espionando, para tentar achar algum podre em minha vida, sei lá. Claro que tenho alguns podres, principalmente quando tinha entre 20 e 30 anos, mas nada de mais grave, coisas da juventude mesmo. Não sou santo e nem tenho a pretensão de ser. E, quando tive essa pretensão, quase pirei, quando frequentava uma igreja evangélica. O pastor, em um culto, afirmou que devemos ser santos, ao ler uma passagem da bíblia. Aquilo ficou marcado em minha mente, e tentei de tudo para me tornar um santo, mas, essas coisas não acontecem de uma hora para outra, e a cada erro meu, me culpava bastante e foi ai que comecei a pirar.
    Não sou contra os evangélicos, gostaria de ressaltar aqui neste post. O problema é que a bíblia é passível de interpretação, e é a partir dai que a confusão toda começa, quando os humanos a interpretam de acordo com seus interesses.
    Mas, voltando ao assunto da hipocondria virtual, sinto que até a webcam do note está sendo monitorada. Fazer o tal do internet banking, nem pensar, apesar de que isso poderia ajudar a vender o livro Mente Dividida. Apesar de não ter grana no banco, não quero ter mais essa paranoia atormentando a minha cabeça e então não compro nada usando a minha conta bancária.
    Além do Panda, eu uso o eset on line scanner e o antivírus que já vem instalado no sistema, chamado de windows defender. Não sei por qual motivo ele não é muito usado, a maioria dos técnicos de informática instalam o tal do avast quando formatam os computadores e notebooks.
    Mas não devemos só nos preocuparmos com os vírus. Existe uma classe de pragas chamadas de spywares, que tem como principal finalidade coletar informações sobre o computador da pessoa, e até senhas de banco. Então, existem vários programas anti-spywares gratuitos por ai, e eu uso o malwarebytes.
o malwarebytes é uma boa alternativa contra os programas espiões
    Além dos vírus e dos spywares, existem uma outra classe de pragas, chamadas de rootkit. Eles também são chamados de trojan, que é em homenagem ao cavalo de troia, que foi usado pelos gregos em uma batalha na antiguidade. Assim como o cavalo de história, essas pragas se disfarçam como sendo arquivos do computador, e, por isso os antivírus geralmente não conseguem detectar essa praga, que geralmente entra para avacalhar o sistema, e, quem enviou esse arquivo malicioso pode ter controle total da máquina infectada. Por isso, uso um programa chamado malwarebytes anti rootkit, que é da mesma empresa dos caçadores de malwares...
    Ah! Já ia me esquecendo, ainda para me proteger dos vírus, além de usar o Panda, o eset on line scanner e o windows defender, também uso o Kaspersky Virus Removal Tool, que é de uma boa empresa de antivírus. É que os vírus vão surgindo a cada dia, os hackers vão criando, e as empresas de antivírus vão criando as vacinas, e então o banco de dados de um antivírus não é exatamente igual ao outro. Ou seja, só para vírus, uso quatro programas, além do antimalware e do antispyware...
                                               
    Mas, pensam que acabou a superproteção poderosa contra os malfeitores cibernéticos?
    Claro que não, eu baixei um tal de "microsoft support emergency response tool", que nem sei o link de onde baixei, mas deve ter sido no site da própria Microsoft. Também faço escaneamentos com esse programa para tentar achar vírus que não foram encontrados pelos outros quatro antivírus. Mas... pensam que ainda acabou? Ainda não, achei um outro programa no site da Microsoft, com nome parecido com este que acabei de descrever. Se trata do "microsoft windows malicious software removal tool", que até hoje não achou nada de anormal no meu note. Confesso que fico desapontado quando faço os escaneamentos e não é detectado nenhum arquivo suspeito para ser colocado na quarentena. E olha que eu configuro os programas para fazerem o escaneamento completo da máquina, que podem durar cerca de duas horas! Geralmente os programas já vem configurado para se fazer o escaneamento rápido, nas áreas mais críticas e onde os vírus costumam se esconder.
    Mas, pensa que a superbarreira contra os invasores acabaram? Claro que não! Eu uso ainda um tal de "Windows shortcut cleaner", que serve para achar vírus que transformam suas pastas em atalhos. Ou seja, eles fazem suas pastas de arquivos desaparecem, e no lugar fica apenas um atalho. Geralmente é complicado de acessar os arquivos, e isso acontece muito em celulares e pen drivers.
   Para finalizar a superproteção contra os malfeitores da internet, uso um programa chamado AdwCleaner e que é realmente necessário para o bom funcionamento da máquina. Esse programa serve para desinstalar aquelas barras de ferramentas que aparecem nos navegadores sem que as tenhamos instalados conscientemente. Esses barras geralmente são instaladas juntamente com os programas que baixamos na internet, por isso, hoje em dia é preciso muita atenção na hora de instalar os programas, e ficarmos atento a cada passo da instalação dos softwares que queremos em nossos computadores.
    No total, são nove proteções e barreiras contra os visitantes inoportunos. Acho um exagero, confesso, mas, em uma mente paranoica todo cuidado é pouco contra esses hackers. Se usasse e esquecesse as paranoias, creio que usaria o Panda e o Eset para uma escaneada. E usaria o adwcleaner caso instalasse sem querer uma barra ou programa que vem junto com os programas que realmente queremos instalar no no nosso PC. Um dos principais programas penetras de hoje em dia é o baidu antivírus, muitas pessoas relatam que nem sabem como esse programa apareceu em suas máquinas. Hoje em dia grande parte dos programas querem nos empurrar outros softwares na hora da instalação.

     

                                                        Mania de Limpeza virtual

        Na mundo real, não tenho tanta mania de limpeza, até que gostaria de ver tudo brilhando e limpinho, mas a preguiça e a falta de ânimo me impede de ficar  limpando e lavando tudo o que me aparece pela frente várias vezes ao dia. Confesso que sou até um pouco relaxado, não chegando a ser um porquinho...
    Mas, quando o assunto é o note, também sou um pouco exagerado na limpeza do disco rígido, mais conhecido como HD, do inglês Hard Disk, do francês dis dur e do grego σκληρό δίσκο (isso eu colei do google tradutor, é que semana passada eu vi pela quinta vez o filme tropa de elite...).
    O windows, com o tempo, vai armazenando um monte de arquivos temporários, inúteis e outros entulhos, que, se não forem removidos, podem, além de ocupar muito espaço no HD, causar lentidão no sistema.
    O windows conta com um limpador de disco, mas muitos comentam que ele não é o suficiente e não faz uma boa limpeza na máquina. Um programa muito usado para fazer esse complemento é o famoso ccleaner. É quase uma unanimidade entre os usuários mais avançados, mas é um programa fácil de usar e não é preciso fazer tantas configurações no que ele vai limpar ou não. Mas, como já disse, sou um bom hipocondríaco e por isso uso também o privazer, que também é um limpador de arquivos desnecessários, porém mais completo do que o ccleaner e um pouco mais difícil de configurar, mas que deixa a máquina bem mais veloz do que antes.
     Mas, pensam que acabou? Ainda não! Na questão da limpeza eu ainda uso um programa chamado revo uninstaller, que serve para, além de desinstalar totalmente os programas, fazer ainda uma pequena faxina no hd, como se pode ver na figura abaixo:
 
      Esses procedimentos de limpeza realmente são necessários, mas a frequência varia de usuário para usuário. Para quem não fica fuçando muito no computador, uma vez por mês já basta, mas, assim como no caso dos escaneamentos à procura por vírus, eu também sou um pouco exagerado na questão da limpeza do HD. Costumo usar o ccleaner, o privazer e o revo umas dez vezes por mês, ou seja, limpo o disco a cada três dias, mesmo se o note estiver funcionando bem.
     Para cuidar da saúde do note, para finalizar, olha a temperatura dele usando um programa chamado HWmonitor. É fácil usar esse programa, basta olharmos no google a temperatura limite do processador que temos em nossos PCS e fazer a medição usando esse programinha.
monitorando a temperatura do note...

    Tenho consciência dessas minhas manias que se estendem para o mundo virtual. Às vezes essas paranoias virtuais me cansamum pouco, mas, no geral não me atrapalha muito não. Acho tudo pior no mundo real, sair andando por ai com aquela sensação de ser observado é uma das piores coisas que um ser humano pode ter, dependendo do grau desse delírio. Almoçar em um bom restaurante deixa de ser um prazer, ir à um show também, enfim, só me sinto bem quando estou só. A hora que mais gosto do dia é quando volto para o meu quarto depois do almoço e posso ficar à vontade. Sou a mesma pessoa tanto na vida real como no mundo virtual, a única diferença é que, no mundo virtual sou mais falante, quer dizer, digitador...

sexta-feira, 20 de março de 2015

Carimbadores maldosos

 
    No último dia 15(domingo), assisti com a maior indignação a matéria "carimbadores" no programa Fantástico, da Rede Globo. O assunto era os portadores de HIV que conscientemente transmitem o vírus da AIDS para várias pessoas. E, o mais assustador é que essas "pessoas" criam grupos nas redes sociais para compartilharem dicas de como "carimbar"(contaminar) pessoas saudáveis.
Fui atrás de dois blogs que davam essas dicas mas eles foram desativados depois da matéria.
    Para quem ainda não viu, ai está o link para assistir a matéria na íntegra:
http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/03/grupos-compartilham-tecnicas-de-transmissao-do-virus-da-aids.html

    Não tenho AIDS, mas, por um bom tempo cheguei a ter a certeza em minha mente que tinha, e isso ocorreu principalmente pelos boatos sobre a minha pessoas, que circulavam em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais. Se eu engordava, comentavam que eu estava feio, e, se emagrecia, estava com o vírus HIV. O pessoal comentava até se eu estava com a mesma roupa do dia anterior...
    É aquele negócio: uma verdade dita várias vezes acaba se tornando realidade, ainda mais em uma mente paranoica como a minha. Então entrei em depressão e enlouqueci. Fiquei tão pirado a ponto de não acreditar nos vários exames que havia feito e que deram negativo para o vírus HIV. Imaginava que até os laboratórios estavam no complô contra a minha pessoa, alterando o resultado, para que assim eu não tivesse acesso aos medicamentos e consequentemente sofresse mais e morresse mais rapidamente.
   Para mim, aquilo foi o fim, uma sentença de morte mesmo. Fiquei um bom tempo esperando os sintomas da síndrome aparecer para dar cabo à minha vida e assim evitar o sofrimento físico, pois o mental chegou a culminar com as minhas energias.
    Mas, como disse, foi apenas um boato criado pelo povo e que se transformou em realidade naquela cidade e, depois em minha mente. Não vou colocar a total culpa desse fato em alguns moradores fofoqueiros daquele lugar. Tenho que admitir que o erro foi meu, em insistir em morar em um lugar onde algumas tradições ainda são de uma província do Brasil colônia. O pior inimigo está mais perto do que imaginamos, e está dentro de nós mesmos. A pior derrota é a quando perdemos para nós mesmos.
as fofoqueiras, em Montreal, Canadá

    Foi uma longa história essa de pensar que tinha AIDS. Já contei boa parte aqui no blog, e a descrevo totalmente no livro Mente Dividida. Foram alguns anos de muito sofrimento mental e muitos perrengues, até finalmente acreditar nos exames que davam negativo para o vírus HIV. Se existe algo que posso dizer que sei, é o sentimento de alguém que está com o vírus da AIDS e que só pensa em ver o sofrimento acabar. Na época, ainda não acreditava que um portador do vírus HIV pudesse ter qualidade de vida com os medicamentos.
      Mas o sentimento de culpa exagerado ajudou também a desencadear o meu primeiro surto. Em um certo momento, cheguei a contar com quantas pessoas havia tido uma relação sexual sem o uso do preservativo. Foram poucas vezes e, sem dificuldade me lembrei de todas as vezes que cometi essa imprudência. Foram cinco vezes, e, cheguei a supor que, se tivesse contraído o vírus na primeira relação, poderia então ter passado o vírus para quatro pessoas! Me senti culpado, a pior pessoa do mundo, um criminoso. Na fase aguda do surto, cheguei a me "entregar" para um policial rodoviário, quando estava perambulando pelas rodovias que cortavam a cidade de Belo Horizonte.
    - Pode me prender, sou um réu confesso. - eu disse, mostrando as minhas mãos para ser algemado.
    Queria ser preso e condenado, passar o resto dos dias na cadeia, eu estava tão fora da realidade naquele surto que me imaginava preso, mas naquelas celas dos filmes americanos, onde no máximo duas pessoas compartilham o mesmo lugar, em um beliche... Mas o policial apenas riu e falou um pouco de Deus para mim, oferecendo depois um marmitex, que joguei fora, por acreditar estar envenenado e que o guarda era mais uma pessoa que estava querendo o meu fim.
    Mas esses carimbadores do mal não merecem esse tipo de cela, merecem mesmo é dividir o local com mais vinte, e todos juntos, assim pode transmitir e retransmitir o vírus entre eles. Assim poderão criar um vírus modificado e super resistente, mas, como passarão o resto dos dias em suas celas, esse mal só ficará entre eles. Acho que nem o direito aos medicamentos eles deveriam ter, pois são caros e são os cidadãos de bem é que pagam eles com os impostos.
    Confesso que senti nojo desses caras que foram entrevistados no Fantástico. Deu para sentir  a satisfação e o prazer com que eles contavam suas "façanhas", e teve um que afirmou ter perdido as contas de quantas pessoas havia carimbado(contaminado).
    Para piorar a situação, um "psiquiatra" tinha que dar o seu pitaco, e afirmou que quem comete esse tipo de crime é uma pessoa doente, que tem um tal de "transtorno de personalidade antissocial".
    Não sou totalmente contra a psiquiatria, mas esse é um dos assuntos que mais questiono aqui no blog, que é o fato de querer classificar falta  de caráter como um tipo de transtorno. Perversidade, falta de caráter e outros coisas mais não devem ser consideradas doenças de maneira alguma. Esses carimbadores deveriam ficar presos todos juntos em uma pequena cela e pararem de receber a medicação. Me desculpem, mas lugar de assassino é na cadeia, apesar de que hoje a qualidade de vida do soropositivo está bem melhor do que antes.  A justiça  considera que esse ato é apenas uma lesão corporal, crime de perigo de transmissão de moléstia grave e incurável.  Mas, e o prejuízo psicológico a quem é vítima desse tipo de crime? Por isso considero essas pessoas assassinas, pois matam sonhos e projetos de vida de muitas pessoas. Não acho exagero nenhum e crueldade prenderem esses caras na mesma cela e cortarem o uso dos medicamentos. Eles não merecem que o povo que paga seus impostos o sustentem em uma penitenciária...
    O problema maior é conseguir a prova do crime, pois grande parte dos contaminados são homossexuais masculinos e que trocam de parceiros várias vezes em um mesmo dia. Esse tipo de crime acontece geralmente em saunas e casas de sexo. Às vezes transam no escuro e nem sabem com quem estão tendo a relação sexual. Espero que os homossexuais não interpretem mal o que acabo de afirmar, mas não disse todos e sim boa parte. E é fato que uma mulher soropositiva tem menos chances de transmitir o vírus da aids para o seu parceiro, do que um homem para outro homem. Nesta situação, é preciso haver feridas nas genitálias ou na boca de ambos os parceiros para que aconteça a contaminação. Mas também não é tão raro casos de mulheres que foram contaminadas por um homem e, depois, como forma de vingança, tiveram relações sexuais com vários homens para transmitir o vírus da aids.
    Então é isso, este post é um desabafo também, pois fiquei revoltado ao ouvir os entrevistados e constatar o prazer com que contavam suas "façanhas".... Deve ser um misto de prazer e revolta, devem pensar que, se alguém fez isso com eles, então devem fazer isto com o maior número de pessoas possível... Seria apenas um sentimento de vingança? Ou é perversidade mesmo e falta de caráter?
comentário na matéria do site...
    Me desculpe se fui um pouco rude neste post, mas dá para sentir revolta. Enquanto eu surto por achar que contaminei pessoas sem querer,  e peço para ser preso, algumas pessoas se orgulham pelo fato de terem contaminado um grande número de pessoas. Para mim merecem pagar na cadeia e sem o uso dos medicamentos, para sentirem na pele o sofrimento, já que pensam que tomando os medicamentos estarão a salvo de qualquer problema.
    Por um tempo senti na pele o que é ser um portador do vírus, e, neste período evitei beijar na boca de algumas mulheres, e usei o preservativo nas poucas relações que tive nesse tempo. Não entra em minha mente como uma pessoa possa sentir prazer em cometer tal crime. Me senti a pior pessoa do mundo por pensar que havia contaminado algumas pessoas. Uma mulher chegou a pensar que havia contraído o vírus da aids só por que havia me beijado. Me lembro até hoje de seu olhar condenador quando a encontrei depois que ficou sabendo do boato, que naquela época era uma verdade em minha mente. Ela não me disse nada, e nem precisava, deu para entender tudo naqueles olhos cor de mel.
    Esses carimbadores não são doentes, não tem nenhum tipo de transtorno mental, o que eles não tem é  caráter e o que os movem são os sentimentos de vingança aliadas a maldade e perversidade que domina alguns "seres humanos". A consciência desse tipo de gente não pesa pelo simples fato de não existirem em suas mentes...

sábado, 14 de março de 2015

Tive que reatar com a "Clô"


    Para entender melhor este post, sugiro que leiam a primeira parte desta minha conturbada relação com a clorpromazina. (as palavras azuis são links que te direcionam para a página desejada).

     
    Não estava dormindo direito. Acordava mais cansado do que quando deitava na cama, quer dizer, na hora que tentava dormir, por que ficar deitado na cama eu fico a maior parte do dia. Estou tão desanimado que até coloquei um interruptor na mesa que fica perto da minha cama, para ligar o ventilador sem ter que me deslocar dentro do meu quarto. O interruptor também serve para ligar a fonte do notebook, pois tinha que ficar conectando e desconectando a tomada toda hora. 
    Estava muito estressado também e com muitas paranoias em minha cabeça. A sensação de que as pessoas estavam rindo de mim estava tão forte que deixava de almoçar, fazendo um miojo para enganar o estômago. Me sentia muito mal quando passava na estação do metrô para ir no restaurante popular. Detestava quando um pedestre distraído vinha em minha direção, e eu tinha que mudar de trajetória. Passava horas e horas em frente do notebook, mas sem um objetivo definido, até arder os olhos. Ficava no facebook, à espera de alguém para conversar, mas creio que eu seja um pouco orgulhoso nesta parte, e não gosto muito de me abrir e mostrar os meus pontos fracos.

 
estou tão preguiçoso que fiz uma gambiarra para ligar o ventilador e o note sem sair da cama...
   
       Em um nível de 0 à 10, as minhas paranoias estavam em um grau 7, segundo a escala que criei. É uma escala que mede o grau de paranoia de uma pessoa. 
     1-Cisma: 0 à 4- As pessoas neste nível apenas imaginam certas coisas e situações, como, por exemplo, que alguém a está observando, mas isso não chega a incomodá-las a ponde de não realizarem as suas tarefas cotidianas e sair por ai para ser divertir, por exemplo.
    2- Neurose: 4 à 7 - As nossas falsas crenças e pensamentos passam a nos incomodar, ficamos irritados e deixamos de fazer certas coisas. Por exemplo, se estamos em um show, pensamos que estamos sendo observados, e esta situação  deixa a diversão acabar se transformando em algo que não seja agradável. 
     3- Paranoias: 7 à 9 - As neuroses acabam se confundindo com a realidade algumas vezes, mas ainda não estamos totalmente fora dela. Ficamos em estado de alerta, imaginando que pessoas estão contra a gente, bolando algo para nos prejudicar, por exemplo.
     4- Surtos e psicoses: 9 à 10-  As paranoias acabam se tornando realidade em nossas mentes, e então temos a certeza de que existem pessoas que estão nos perseguindo, que querem nos matar, que a comida está envenenada, etc. Podemos ter alucinações auditivas e visuais. É o caos, o inferno propriamente dito. Só quem chegou à esse nível da escala sabe o que estou dizendo. 

escala do esquizo de paranoias

     Como disse, estava no grau 7, e esta situação estava me desgastando muito. Estava ficando um cara chato na internet, pois na vida real simplesmente me calo diante de tudo e de todos. Prefiro ficar calado do que ficar discutindo. Mas, no mundo virtual estava tão chato que ficava discutindo futebol nas páginas esportivas que postam no facebook as notícias do futebol brasileiro e mundial. Mas estava tão chato mesmo que discutia com os torcedores do mesmo time que eu torço, não estava discutindo com os torcedores rivais! Estava reclamando sem parar, comentando que o meu time precisava de dois laterais, um meio de campo de criação e de um bom finalizador, pois senão iríamos brigar para não cair novamente para a segunda divisão este ano. E coitado de quem não concordasse comigo! Isso já era o suficiente para despertar a minha ira! ( acalmem-se, pois, quando fico nervoso, não faço nada, fico só um pouco chato mesmo). Não sou de descontar a minha raiva nas pessoas, ninguém tem culpa do fato de que eu talvez tenha essa pré-disposição à esquizofrenia e que os fatores externos tenham contribuído para o desencadear de alguns surtos psicóticos. 
    Mas esse ato de não descarregarmos, às vezes, de dar um piti, de xingar, pode nos fazer mal. Ficar guardando algumas coisas pode acabar gerando doenças psicossomáticas.
      Voltando ao meu estado emocional, estava muito mal e estressado, a ponto de surtar mesmo. Mas, apesar da experiência prática neste tipo de assunto, naquele momento não estava me dando conta disso. Estava tão tenso que, quando deitava na cama para dormir meu coração acelerava e ai imaginava que tinha algum problema do coração. Essa cisma eu tenho desde pequeno, às vezes sentia o meu coração disparar, do nada. Mas, quando completei 17 anos, fingi que passei mal do coração, no exército, quando fiz os testes físicos. Não queria servir o exército, e, para ser dispensado, fingi que passei mal do coração no meio da corrida. Os soldados ficaram assustados, acho que fui um bom ator naquela situação. Não tenho vergonha de dizer isso, naquela época não tive escolha, não queria servir o exército, queria trabalhar com eletrônica e não poderia desperdiçar um ano de minha vida. Até peguei um óculos emprestado na hora de me apresentar, mas isso não adianto muito, pois não fui dispensado e fiz algumas provas, pois quem não nunca havia tomado bomba na escola poderia entrar no exército com chances de subir na carreira militar. 
    Mas, voltando ao assunto, pensava que, se dormisse, podeira parar de respirar, meu coração parar e eu morrer consequentemente. A situação estava tão complicada que só conseguia dormir um pouco se tomasse um dorflex, juntamente com o "pan nosso de cada dia". Mas sei que não posso ficar a vida inteira tomando um analgésico para dormir. 
    Sempre guardo em um frasco alguns comprimidos de cloprormazina e fenergan, que sempre me acodem nestas situações extremas de stress. Não gosto de tomar antipsicóticos, mas sinto quando as paranoias chegam à um nível perigoso. Apesar de ser um medicamento antigo, foi o que melhor me adaptei, quase não tendo nenhuma reação adversa ou efeito colateral. A única vez que tive um problema com a "Clô" foi na primeira vez que a conheci, quando um psiquiatra me passou a receita, mas se esqueceu de me receitar também o fenergan, que é um antialérgico. Resultado: meus braços ficaram vermelhos, parecendo urticária. E, para piorar tudo, o povo na cidade onde eu morava começou a dizer que aquilo era aids... Resolvi então ler a bula do medicamento e vi que ela poderia ocasionar dermatite de contato, então tive que terminar este primeiro relacionamento com a Clo. Não gostava muito de ler as bulas dos antipsicóticos, pois ficava doente só de lê-las. 
    Depois de alguns anos tive um novo contato com a Clô. Estava muito estressado em uma cidade onde morava, pois o local estava sendo dominado pelos crackudos e a situação ficou bastante tensa, com muitas brigas e toda aquela confusão que o crack traz, não só para os usuários como para toda a população que vive perto de uma crackolândia. Uma hora era briga entre os usuários, era o tal do funk rolando a noite inteira, e ainda tinha que aguentar as paranoias dos usuários de crack. Eles ficam tão paranoicos por causa da droga, que, se usarmos o celular próximo deles, chegam a pensar que estamos telefonando para a polícia. Tive que me mudar e comecei as minhas andanças, e resolvi tomar a cloprormazina para tirar um pouco o stress e voltar a normalidade. Depois tive que parar de tomar, por estar morando nas ruas na minha barraca de camping. 
     Na terceira vez que reatei com a Clô estava em São Paulo. O stress e a correria daquela cidade foram as causas dessa nova recaída. Estava também tendo algo parecido com a síndrome do estrangeiro naquela cidade superpopulosa. Mas, depois de me adaptar à capital paulista, terminei, com a Clô, pois, apesar de não me causar muitos efeitos colaterais à curto prazo, ficava boa parte da manhã muito lento e um pouco dopado. 
     Mas agora vi que a coisa estava ficando séria, a causa desse stress todo que tive há pouco tempo não sei a causa ainda.  Não sei se é a rotina entediante,  ou o fato de que realmente existe uma paranoia coletiva em relação aos assaltos. Hoje em dia, nas grandes cidades, as pessoas andam amedrontadas, as mulheres carregam suas bolsas com firmeza, pensando que podem ser assaltadas a qualquer momento. Chego à pensar em andar só de terno e gravata, para não desconfiarem de mim. Penso que todos pensam que eu seja um ladrão, e isso me estressa bastante. Por isso não saio tanto de casa hoje em dia. Então, a paranoia das pessoas em relação a segurança acaba passando para mim e eu fico ainda mais paranoico... 
    Não tomo as doses indicadas pelos psiquiatras, a que eles consideram mínimas. Fico assustado quando os profissionais da saúde mental me informam que o que me deixou detonado era apenas a dose mínima dos vários medicamentos que já experimentei. Fico imaginando se tomasse as doses máximas... Provavelmente iria parar na UTI de um hospital...
     Uso apenas meio comprimido de clorpromazina e meio de fenergan. A Clô não dá sono, é o fenergan que nos deixa sonolentos e um pouco dopados. Mas é um soninho gostoso que tenho, fico apenas um pouco lento na parte da manhã quando acordo. Essa dose já é o suficiente para tirar todo o stress que tenho e consequentemente diminuir as paranoias, evitando que cheguem ao nível 10. Pena que ainda não inventaram um medicamento contra os sintomas negativos da esquizofrenia... Alguns psiquiatras chegam a dizer que existe, mas até hoje não entendi como que um remédio para tirar a apatia e o desânimo cause apatia e desânimo, que são os efeitos colaterais desses anstispicóticos... Ou seja, os efeitos colaterais são os mesmos da patologia...
    No dia seguinte já sinto o efeito deste pequena dose da Clô. Volto pra realidade e um pouco das paranoias somem. A verdade é que não temos reação quando ficamos dopados, ou seja, ficamos tão lento em todos os aspectos que não pensamos em nada, nem mesmo nas paranoias...
Mas me sinto melhor já no primeiro dia depois de tomar esse medicamento, já consigo deitar tranquilamente sem pensar que meu coração vai parar se eu conseguir dormir. Já consigo passar pela estação do metrô sem ficar estressado e um pouco irritado, só fico sinto um pouco de desconforto mesmo. 
    Mas não quero que essa relação dure muito. Ainda sonho em encontrar um lugar onde a minha opinião sobre o tratamento seja ouvida e levada em consideração. Confesso que na minha última consulta com um psiquiatra do CERSAM quase me exaltei e xinguei o cara. Ele simplesmente não levava em consideração a minha opinião, quando pedi para voltar a tomar a clorpromazina, ele alegava que o melhor para o meu caso seria a quetiapina. Cheguei a suplicar, mas ele não me ouviu. Disse que já havia experimentado a  quetiapina e que ela me dava muito sono, além de uma fome quase insaciável, e que não teria dinheiro para ficar comendo tanta coisa assim. A sensação que tenho quando tomo certos antipsicóticos é que o meu estômago não tem fundo...
    E a ressaca da quetiapina dura muito mais tempo do que a do fenergan. Comigo ela começa a desaparecer por volta das duas horas da tarde, isso se eu tomá-la antes das sete da noite. Bem que os psiquiatras poderiam aprender com o pessoal do "Diálogo Aberto" da Finlândia e procurar respeitar e atender melhor o paciente. Esse que me atendeu no CERSAM simplesmente foi irredutível e, apesar das minhas súplicas, não me receitou a clorpromazina, insistindo que o melhor para o meu caso seria a quetiapina, e então ele me deu um comprimido às quatro horas da tarde! E, para piorar, nem fiquei sabendo a dose, pois a enfermeira que me deu o remédio disse não saber. 
    Então voltei correndo pro albergue onde estava morando, pois sabia que iria ficar com muito sono em pouco tempo. Por sorte o ônibus não demorou e cheguei a tempo, e, com alguma dificuldade consegui tomar um banho antes de cair na cama. Mas, pensem bem, e se por acaso tivesse que passar por avenidas perigosas? 
talvez a "Valéria" seja uma boa para o meu caso...

    Estou há alguns dias com a Clô, depois de quase um mês insistindo com o pessoal do CERSAM. Mas espero que seja uma relação bem curta e temporária. Quero ser ouvido nas consultas, estou procurando um lugar que levem em consideração as minhas experiências passadas com os medicamentos. Será que não posso tentar o que acho que seja bom para o meu caso? Não sou psiquiatra, mas sei o que os medicamentos me causam, eu não quero ser um robô, quero ter emoções, mesmo que chore, mas quero ter... Sei que preciso de algo para relaxar de noite e algo de dia para me deixar menos ansioso, para assim quem sabe evitar o stress  e assim um possível surto. Gostaria de conhecer a Valeriana, mas pelo que pesquisei, teria que gastar cerca de 100 reais por mês, e acho um absurdo temos que gastar com remédios com impostos tão caros que pagamos. A "Valéria" me parece ser legal, é natural, e não deve me deixar dopado. Não sou um profissional da área da saúde mental, não estudei para isso, mas sei o que faz mal para o meu organismo e creio que tenho capacidade para saber se estou bem ou não, não precisando de um psiquiatra insistir em me  dar um medicamento que não queira. 
    Sou bastante crítico em relação ao atendimento na área da psiquiatria, mas não sou contra os psicólogos e psiquiatras, mas acho que os profissionais brasileiros deveriam se espelhar em países onde os resultados no tratamento da esquizofrenia tem obtidos bons resultados. E a questão não é dinheiro, pois na Índia e na Colômbia os resultados são melhores do que nos Estados Unidos. Creio que essa questão só vai melhorar um dia em nosso país se os pacientes forem ouvidos. 

    
-Obs: as palavras na cor azul são os links que servem para entender melhor o texto, abrindo uma outra página no navegador.  Procuro escrever da maneira mais simples possível, pois, de complicado já basta o transtorno né?  




sábado, 7 de março de 2015

Diálogo Aberto: Finlândia

 
    Esse documentário que estou postando esta semana, é sobre um projeto criado no norte da Finlândia, voltado para os portadores de esquizofrenia. Neste país estão sendo obtidos os melhores resultados no mundo inteiro no tratamento desse transtorno.
    Vamos divulgá-lo, quem sabe os nossos profissionais brasileiros não abaixem a guarda e reconheçam que o tratamento deixa muito a desejar. Houve uma evolução em relação à década de 50 com os manicômios, mas, como portador, posso dizer que os medicamentos atuais não são essa maravilha como andam pregando, e que falta muito para dizer que o tratamento em nosso país seja satisfatório.

-obs: não consegui postar o vídeo no blog, mas ele está disponível no youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=vLCJfqiY3MA

     Tratamento ideal?
    Bem, quem me acompanha no blog sabe o quanto me sinto insatisfeito com o tratamento que é dado aos portadores de sofrimento mental em nosso país. 
    Gostaria, antes de tudo, ressaltar que existem sim bons profissionais, alguns bem intencionados, mas o método usado pela maioria não creio que seja dos melhores. Se esses métodos estivessem obtendo bons resultados, não existiriam, por exemplo, tantos grupos nas redes sociais abordando o sofrimento mental. 
questões como essa são frequentes...
    Outra questão é sobre o blog. Se os resultados dos tratamentos feitos no Brasil fossem satisfatórios. o que escrevo não teria razão nenhuma de ser escrito e de ser tão visualizado. Recebo o apoio de muitos portadores de esquizofrenia como também dos familiares e parentes dos mesmos, como também dos namorados(as) e esposos(as). Muitos que visitam o blog aparecem em busca de respostas que não foram encontradas nos consultórios. Está faltando alguma coisa, com certeza, os nossos profissionais deveriam se reciclar, abrir seus horizontes, buscar alternativas no tratamento, pois o que vemos não é nada animador no que se refere a recuperação de um portador de transtorno mental. Digo recuperação e não o "controle" ou o que eles chamam de "estabilização". 
    Não vou relatar a minha opinião, acho que a maioria sabe o que acontece no Brasil no que se refere a tratamento psiquiátrico. 
    Em se tratando do SUS, ai é que a situação se complica. Até que alguns profissionais são sérios, bem intencionados, mas a estrutura não ajuda. Por exemplo, em uma certa cidade onde morei, a consulta demorava, em média, cinco minutos! Era um único psiquiatra para uma cidade de 70 mil habitantes! Ele tinha o seu consultório particular, e aparecia no centro de saúde mental da cidade todos os dias, mas atendia apenas uma hora cerca de dez pacientes.
    Me lembro bem da minha primeira consulta, em Belo Horizonte. Já havia me recuperado quase que totalmente do meu primeiro surto psicótico grave. Mas ainda muitas dúvidas rondavam a minha cabeça, não tinha ainda a mínima ideia do que havia ocorrido comigo, pensando que se tratava de algo espiritual. Fui então à um posto de saúde, conversei cerca de dez minutos com um psiquiatra, mas, como ainda estava morando nas ruas e não tinha um endereço fixo, não poderia ser atendido. Oras, que política de saúde é essa que um morador de rua não tem nem o direito de ser atendido? Fiquei irritado com o psiquiatra, pois ele poderia ter me avisado sobre isso antes de me ouvir. Comecei então a falar em voz alta na recepção. Disse que, a partir daquele dia, o meu endereço seria o do posto de saúde, e que não sairia de lá enquanto não fosse atendido. Infelizmente somos obrigados a dar um piti nos postos de saúde para sermos ouvidos e atendidos. As recepcionistas ficaram assustadas, uma chegou a comentar que eu era doido. Então me deram o endereço de um CERSAM(é tipo um CAPS) e tive que andar cerca de 7km até chegar até lá. 
    Estava me sentindo bem fisicamente e rapidamente cheguei ao local. 
    - Eu gostaria de ser atendido... - disse, ao ver uma enfermeira.
    - Mas você não precisa estar aqui! - ela me respondeu rapidamente, ao olhar para mim.
    Creio que já contei isto aqui no blog: a maioria dos profissionais da saúde mental pensam que, se uma pessoa estiver tomando banho, penteando os cabelos e usando roupas limpas, não precisa de  atendimento nenhum.... Ou seja, quem está se vestindo adequadamente está em seu perfeito estado de saúde mental!
    Foi isso o que aconteceu no CERSAM. Então, voltei ao posto de saúde, e, depois de uma nova reclamação, me deram um endereço de um outro local que poderia ser atendido. 
    Não perdi tempo e fui até a este posto de saúde, andando mais cerca de 5km, mas tive que esperar 60 dias até ser atendido, pois a consulta com o psiquiatra era concorrida... Fiquei esses dois meses nas ruas, mas, estava tranquilo, as alucinações haviam desaparecido. Conseguia dormir tranquilamente,  nas calçadas,sem medo de nada... Quando chegou o dia, fiquei totalmente frustrado com o atendimento. Em menos de dez minutos, já sai praticamente diagnosticado e com a receita nas mãos, mas sem informação e sem orientação nenhuma. 
    O que acabei de narrar foi somente um dos poucos descasos que aconteceram comigo, e que acontecem diariamente em todo o Brasil. Era o meu primeiro surto psicótico, estava confuso, pensando que espíritos estavam me atormentando, e que tinha muitos inimigos. Obviamente que existem exceções, em Ipatinga-MG, fui muito bem atendido, a consulta durava cerca de meia hora, e devo boa parte da minha pequena recuperação aos pessoal que trabalhava neste lugar. 
    Mas o pior de tudo é a falta de diálogo mesmo, e a falta de informação. O atendimento geralmente se resume a uma entrevista com a psicóloga e depois a administração dos dopantes antipsicóticos...
     No meu caso, sinto que era meio tratado como se tivesse um retardo mental, pois nenhum profissional chegou para mim e disse claramente o que eu tinha ou poderia ter. Apenas recebia a receita dos remédios com os psiquiatras e as psicólogas se resumiam a fazer perguntas e anotações...

O tratamento perfeito
    Mas esse falta de informação e diálogo não acontece em todo o mundo. O tipo de tratamento usado no Brasil não é realizado em todos os países. No norte da Finlândia existe o projeto Diálogo Aberto. E é lá que são obtidos os melhores resultados em todo o mundo no tratamento da esquizofrenia. De todos os pacientes, apenas 30% chegam a tomar antipsicóticos. O restante é tratado com terapias, sendo que a maioria são ocupacionais. E também o respeito e o diálogo com o paciente, acima de tudo. Esses itens são fundamentais para a recuperação de um portador de esquizofrenia.
video


    Vale ressaltar que, dentre esses 30% que tomam o antipsicótico, apenas a metade os tomam por um longo período, e alguns pelo resto de suas vidas. Ou seja, menos de 15% tomam os remédios por toda a vida. Já no Brasil.... Os que não tomam os antipsicóticos não o fazem não por que melhoraram, e sim pelo fato de não tolerarem os efeitos colaterais desses medicamentos. Na Finlândia quando o portador para de tomar, é por que já está recuperado. 
    Na Índia e em outros países do terceiro mundo, os resultados também são melhores do que nos Estados Unidos e na Europa, onde os antipsicóticos são a base do tratamento. Então, qual a razão de números tão animadores no tratamento da esquizofrenia na Finlândia? A resposta é simples, e está no próprio nome: Diálogo! A consulta é uma via de mão dupla, onde o paciente é ouvido e pode opinar sobre o tratamento. Isto mesmo, os portadores podem falar o que pensam a respeito do tratamento. Me lembro que, em uma certa cidade, o psiquiatra quase não me ouvia, chegando a me ameaçar, dizendo que eu iria para um hospício, caso não melhorasse, ou seja, tínhamos que nos recuperar na marra...
    No documentário, os profissionais afirmam que aprendem com os pacientes, e que não sabem o que irão fazer na primeira consulta. Ou seja, não se acham os donos da verdade, por estudarem por alguns anos o assunto. Na norte da Finlândia, o paciente escolhe onde quer ser atendido, ou em casa ou em um outro local. E também afirmam que o tratamento e a abordagem na primeira crise é muito importante e decisiva para não se ter recaídas. Os familiares fazem parte das reuniões e também podem dar suas sugestões e opiniões, Enfim, é um diálogo aberto...
    Na Finlândia, o tratamento não consiste nos remédios, como acontece no Brasil. A informação é dada ao paciente e aos familiares, e é o que eu sempre digo aqui no blog. A informação é uma arma importantíssima no combate à esquizofrenia. O respeito também é muito importante. Creio que fui tratado como uma pessoa com déficit mental em quase todas as consultas que tive... E mesmo se tivesse(ou se tenho, sei lá) não merecia ser tratado com respeito e ter acesso à informação?
    Ocupar a mente também é fundamental. Por isso falo tanto na questão do passe livre. Infelizmente em Belo Horizonte a maioria dos portadores de esquizofrenia não tem esse direito. Geralmente quem tem direito à esse benefício são os portadores que tenham um déficit de inteligência considerável.
Mas a esquizofrenia não é sinônimo de incapacidade de raciocínio lógico e de falta de inteligência. Ter um certo nível de inteligência não reduz em nada o sofrimento causado por esse transtorno. A informação ajuda e muito, mas não é a solução. A maioria dos portadores quando conseguem se aposentar, depois de muitos anos de sofrimento nas perícias, acabam recebendo apenas um salário mínimo. Os não aposentados dependem da boa vontade e compreensão de seus familiares. Enfim, devido ao alto valor das passagens dos ônibus, não temos condições nenhuma de realizar qualquer atividade para melhorar a nossa qualidade de vida. Não temos o direito de ir e vir, a verdade é essa. 
ocupar a mente deveria fazer parte do tratamento
    Infelizmente os portadores só ganham o vale transporte apenas para frequentarem o CERSAM para tomarem a medicação, almoçarem e ficarem sem fazer nenhuma atividade. O ideal seria o passe livre, para podermos ir a uma biblioteca, à um parque, fazer algum curso, enfim, termos a liberdade e o direito de ir e vir. Mas acho muito estranho não encontrar pessoas que lutem pelo passe livre. Cheguei a entrar em contato com um vereador aqui da cidade, que foi muito atencioso comigo. Mas ele queria que alguém da saúde mental me apoiasse nesta luta e reivindicação, para que ele pudesse ter uma noção de quantas pessoas seriam beneficiadas com o passe livre para os portadores de esquizofrenia. As pessoas com quem conversei não se mostraram muito entusiasmadas com essa causa... Sinceramente, nesses 13 anos de esquizofrenia, não vi uma pessoa reivindicar esse direito pessoalmente, só alguns gatos pingados na internet apenas.
    Creio que esse benefício seria um ganho enorme de qualidade de vida, mas, infelizmente, no Brasil, os profissionais pensam que o tratamento deve consistir apenas nas medicações e nada mais.
    Neste documentário, vemos quanto importante é o paciente. Quando o telefone toca, as entrevistas são pausadas, para que o paciente seja atendido o mais rápido possível. Isso se chama respeito, e também gostar do que se faz. Dá para notar que os profissionais entrevistados gostam do que fazem. 
    Eu tenho a mesma opinião do que esse pessoal do norte da Finlândia, me identifiquei muito com esse tipo de tratamento. Este blog deveria se chamar Reclamações de um Esquizofrênico, devido a minha insatisfação com o tratamento usado no Brasil para se combater a esquizofrenia. 
   Concordo com eles também quando se referem à psicose. A piração, de um modo geral, é uma resposta aos fatores externos, como traumas, tragédias, stress, vida difícil, etc. Não é apenas um fenômeno biológico, causada pelo excesso de dopamina. 
   E, por esse motivo, de início, o pessoal do Diálogo Aberto não usa os antipsicóticos quando se deparam com um paciente em crise. São usados sedativos de início, e depois as terapias. Se o paciente desejar, pode escolher em ficar internado, caso se sinta mais seguro no local. Eu mesmo iria querer me internar durante os meus surtos, pois, aonde eu ia, enxergava inimigos por toda a parte. Enfim, iria procurar um refúgio, e foi o que fiz, no meio do mato. A fraqueza e a debilidade física funcionaram como um sedativo,... 
    Quem me dera se fosse tratado assim no meu primeiro surto psicótico, talvez nem estaria aqui neste blog escrevendo estas linhas. Como já disse, na primeira consulta o psiquiatra sequer olhou para a minha cara, apenas perguntou o que eu tive, e então tentei resumir toda aquela piração, e em menos de dez minutos sai de lá com a receita nas mãos e praticamente diagnosticado. Ele não chegou a perguntar como eu estava me sentindo naquele momento, o que achei um erro grave. 
   Resumindo: o Diálogo Aberto da Finlândia é, como o próprio nome diz, um tratamento onde a consulta é uma via de mão dupla, onde os pacientes podem opinar sobre o tratamento e são respeitados. As queixas dos pacientes são ouvidas e provavelmente tentam resolver da melhor forma. Os medicamentos são deixados de lado e são usado somente em último caso, o que não ocorre no Brasil Quando eu queixava de um medicamento, um certo psiquiatra dizia sempre a mesma coisa: "Mas esse remédio é tão bom...."
    A indústria farmacêutica aparece de vez em quando na Finlândia, oferecem brindes, almoços para o pessoal do Diálogo Aberto, mas parecem não conseguir muita coisa não..
    Lá nos Estados Unidos o DSM não para de crescer a cada edição e novas doenças são criadas, e assim novos medicamentos vão surgindo. Mas tem como fugir disso...

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Boa Sorte filme

Dica de filme
    Sou bastante suspeito para falar sobre filmes que abordam o comportamento humano. Por isso não irei comentar muito sobre este longa, irei apenas postar o link para assisti-lo e a sinopse. 
    Achei um bom filme, um pouco sem graça, mas foi legal. Tem a participação da Deborah Secco e, claro, o diretor do filme explorou bem as cenas de nudez com esta sensacional atriz. Mas não foi por causa disso que gostei, se eu quiser ver mulher pelada tem um monte de site para isso. Aliás, a Deborah estava bem seca neste filme, pois interpreta uma soropositiva que vive em uma clínica psiquiátrica, devido à piração causada pelas diversas drogas que  a sua personagem fez uso. 
   Pelas cenas, dá para perceber que a Deborah usa próteses de silicone sim, pois teve que emagrecer para interpretar a soropositiva, mas o fato estranho é que seus peitos não diminuíram, continuaram bonitos e bem cheinhos. Ou será que existe dieta para emagrecer todo o corpo e o peito ficar ileso?
    O site que tem esse filme é muito bom: imagem com qualidade razoável, filmes ótimos e recentes. O único ponto negativo é termos que nos desvencilharmos das diversas propagandas até se chegar ao play e assim começar a assistir a película.
    Sinopse: O adolescente João (João Pedro Zappa) tem uma série de problemas comportamentais: ele é ignorado pelos pais e se torna agressivo com os colegas da escola. Quando é diagnosticado com depressão, seus familiares decidem interná-lo em uma clínica psiquiátrica. No local, ele conhece Judite (Deborah Secco), paciente HIV positivo e dependente química, em fase terminal. Apesar do ambiente hostil, os dois se apaixonam e iniciam um romance. Mas Judite tem medo que a sua morte abale a saúde de João. 


No meu cantinho...
    Quase três meses em casa. Muito entediado. Pagar aluguel e alimentação com um salário mínimo é coisa de mágico. Na minha opinião, famílias que dependem de um salário não vivem, apenas sobrevivem. Alguns podem dizer que dinheiro não é tudo, e concordo. Mas é um  mau necessário, temos que ter dinheiro para termos saúde neste mundo capitalista em que vivemos. 
   O tédio é sufocante e tenho que confessar que às vezes isso quase que me enlouquece. E não é a esquizofrenia, é a realidade que está me deixando pirado neste caso. Quando fico triste, chego a pensar em tomar um antidepressivo, mas reflito e chego à conclusão de que comprimidos não irão pagar as minhas contas e me dar uma condição de vida melhor. Penso também em tomar algo no lugar do diazepan, como a valeriana, que é fitoterápico, mas o atendimento no sus é muito ruim, vou ter que procurar um atendimento melhor para tentar esse remédio. 
    Não sei bem o que ocorre, mas quando costumo almoçar em restaurantes populares, meu estômago trava, e isso para mim é quase o fim. Me deixa desanimado e com a sensação de que acabei de comer uma tonelada de besteiras. Parece que a digestão fica lenta, quase não sinto fome, como mesmo por obrigação. E o humor da gente vai embora, por isso não quero tomar um antidepressivo, temos que analisar a realidade dos fatos minuciosamente para não tomarmos desnecessariamente alguns tipos de medicamentos. Se um intestino que não funciona corretamente atrapalha o humor de uma pessoa dita normal, imaginem o de um portador de esquizofrenia. Acho que a saúde física deve fazer parte do tratamento da esquizofrenia também, não tem como separar o corpo e a mente, eu sei que esse ditado é mais velho do que tudo, mas até hoje percebo que os médicos não perceberam isso até hoje, só pensam em nos encher de medicamentos, pensando que a esquizofrenia é apenas um problema biológico. 
    A rotina e a impossibilidade de ter uma boa alimentação, me deixam meio que doente. Ter que sair de casa é um sacrifício, uma tortura. Se pudesse e se soubesse fazer comida, ficaria em casa o dia inteiro. Tenho que passar em uma estação do metrô para ir ao restaurante popular, e esse simples fato já me deixa muito mal, principalmente quando os passageiros estão desembarcando e fica aquele monte de gente na passarela. Isso me faz lembrar São Paulo, pois essa "metrofobia" adquiri na capital paulista. O metrô de Belo Horizonte é tranquilo, até mesmo nos horários de pico, não tendo aquele empurra empurra. Só que esse transporte em BH está antiquado, além de lento não tem ar condicionado. 
    Ontem(27/02) e antes de ontem fiquei o dia inteiro dentro de casa. Na quinta feira comi um monte de biscoitos de champagne misturado com leite condensado e toddynho. Coloco o leite condensado em uma tigela, misturo o toddynho e depois vou mergulhando os biscoitos para ficarem amolecidos. Fica uma "dilicia!" Já ontem comi uma caixa inteira de bombons na hora do almoço. Mas, de tarde me deu uma moleza e senti a necessidade de comer algo salgado. Resolvi comprar um miojo e me arriscar na cozinha mais uma vez, após uma frustada tentativa de fazer um omelete super proteíco.
omelete super proteíco: acima, como ele deveria ficar... Já embaixo, o resultado...


    Bem, em relação ao miojo, na primeira tentativa comprei o de galinha caipira, deu tudo certo, só errei ao colocar o tempero com a panela cheia de água e a massa então ficou meio sem gosto. Não desisti e comprei um outro miojo, agora de carne. Segui as orientações, tirei a água e coloquei o tempero. Deixei esfriar um pouco e experimentei. Estava deglutível!!!  Finalmente havia conseguido fazer alguma coisa na cozinha que dava para descer pela goela! Além do ovo cozido, é claro...
    Já estou pensando em fazer um curso de culinária, assim poderei ficar mais em casa, não acho graça nenhuma em sair para almoçar em um restaurante popular. Não que eu seja um cara mitido, não é isso, mas é que meu estômago não se dá bem com comidas desses restaurantes Mas, apesar de ficar dois dias comendo besteiras, estou me sentindo melhor, pois o meu intestino voltou a funcionar normalmente. Dizem que a comida desses restaurantes populares contém nitro,(as palavras em azul são links que informam melhor sobre o assunto) que ajuda na conservação dos alimentos. Já fiz o teste, almoçando em restaurante popular e depois em um outro estabelecimento. No meu caso, quando almocei no popular, fiquei empazinado, e com o estômago preso, quase não tendo fome, tendo uma pequena dor no lado esquerdo da barriga. Quando almocei em outro restaurante, esses incômodos passaram. A verdade é que tenho que achar uma saída para esta situação, não dá para ficar comendo besteira o dia inteiro. Será que vou ter que voltar pras ruas para poder me alimentar melhor? Se não fosse a violência urbana, estaria até hoje viajando por ai com a minha mochila e com a minha barraca...
    Essa história do nitro parece que procede, me lembro que, quando estive em um albergue, a comida ficava no lixo por uns dois dias e não azedava. E ela vinha de um restaurante popular... O feijão eu sei que, se ficar fora da geladeira azeda em um dia. 
vamos assistir um filminho?

    Atualmente estou em paz e tenho um pouco de conforto em meu quarto. Por mim ficaria 24 horas aqui dentro. Fiz uma gambiarra e coloquei a TV e home theater na parede, para aumentar a sensação de espaço, sou também um pouco claustrofóbico. Pendurei as caixinhas de som também, e as traseiras coloquei debaixo da cama, para aumentar a sensação de estarmos em um filme. Quando se tem um tiroteio, por exemplo,  as balas saem em caixas diferentes, algumas na frente e outras atrás, é uma sensação bem legal. Quando passa um helicóptero ou avião, ai que parece que estamos nos filmes de verdade... Só falta agora uma mini geladeira e um ventilador. Instalei um jogo de corrida no notebook e brinquei um pouco na TV, pois conectei o note na entrada HDMI da tela. O meu quarto é como se fosse um bunker, mas não estou fugindo de uma catástrofe nuclear ou sou um traficante procurado pela polícia, sou apenas mais um dos milhares prisioneiros da esquizofrenia. 
    Estou revisando os posts do blog sobre esquizofrenia para colocá-los em um livro que chamarei de "Divagações Esquizofrênicas". O blog fala sobre diversos assuntos e tem mais de 200 posts, e, quem quer os posts relacionados à esquizofrenia tem que dar uma garimpada, apesar de que existem as TAGS na parte debaixo da página, facilitando a pesquisa. No lado direito tem as imagens dos posts mais visualizados sobre o tema, e, para acessá-los basta clicar nelas. Mas muitas pessoas(na verdade umas três) me pediram para fazer este livro, pelo fato de não gostarem de fazer suas leituras na tela de um computador. Achei a ideia muito boa, e estou fazendo este livro, revisando os posts, pois não é simplesmente copiar e colar, tenho que adaptar algumas coisas e fazer pequenas modificações, para que fiquem adequadas ao formato de livro. Creio que o resultado vai ficar bom, não é um livro didático, não tenho pretensões de ser o dono da verdade sobre este assunto tão complicado, mas, devido aos elogios e incentivo que tenho recebido, acabei acreditando que sou um bom escritor... e que o que escrevo ajuda de alguma forma as pessoas, principalmente os familiares e portadores, a entenderem um pouco melhor a patologia da mente dividida. Espero que prestigiem o livro, e que me ajudem no meu próximo projeto, que é uma andança, seguindo os totens do Caminho dos Diamantes, da estrada real. Serão 395km com a minha mochila e com a minha barraca. Esse caminho é bem bonito e estou muito confiante e esperançoso para fazê-lo, mas, infelizmente pagando o aluguel só poderei fazê-lo se juntar grana por mais de um ano, pois não sobra muita coisa no final do mês, na verdade não sobra nada... Não estou pedindo dinheiro, apenas que comprem esse livro que irei disponibilizar, e ainda tem o livro Mente Dividida, que ainda disponibilizo, tanto no formato impresso como em PDF. Para maiores informações, envie um email com o assunto "Livro" para
juliocesar-555@hotmail.com 
   Enfim, esta é a minha vida atual, confesso que estou com saudade de minhas andanças... 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Como deixar o seu PC mais rápido

    Bem pessoal, hoje darei uma dica muito boa e segura para quem tem uma máquina não muito poderosa e quer dar uma boa melhorada em usa velocidade. É uma dica simples, mas que funciona e que não atrapalha em nada o funcionamento de seu computador ou notebook.
    O que não falta na web são dicas sobre esse assunto, mas, por experiência própria, nem todas são confiáveis e às vezes mais atrapalha do que ajuda. 
    O que iremos fazer é apenas desabilitar alguns recursos visuais do windows, ou seja, aquelas frescurinhas que deixam o seu computador com um visual mais bonito. Mas, claro, não vamos desabilitar todos os efeitos, pois alguns deles realmente têm sua utilidade. 
    Essas dicas são para usuários leigos, por isso explicarei passo a passo, não precisam ficar com medo de que ocorra algum problema durante o procedimento.
  
    1-Abra o windows explorer, apertando concomitantemente as teclas do windows e a letra E, ou então clique no explorador de arquivos, que geralmente fica no lado esquerdo inferior da tela. 

    2- Na janela que irá se abrir, clique com o botão com o botão direito do mouse em "meu computador". obs: quando eu digitar apenas a palavrar clicar, fica subentendido que é o botão esquerdo do mouse)
    3- Clique em propriedades
4- Na janela que irá se abrir, clique em "configurações avançadas do sistema"


    5- Irá aparecer outra janelinha, e, na aba avançado, clique em configurações

    6- Por padrão, o windows deixa que o computador escolha as melhores configurações de efeitos visuais, de acordo com o hardware(peças) de sua máquina...

    7- Clique em ajustar para obter um melhor desempenho, você irá notar que todas as caixas de efeitos visuais foram desabilitadas

    8- Para ter um bom desempenho e não prejudicar muito o visual do computador, deixe apenas duas caixas marcadas: 
- mostrar miniaturas em vez de ícones
-usar fontes de telas com cantos arredondados
-obs: essas duas caixas são importantes. A primeira é para se visualizar as fotos. Se ela não estiver marcada, não iremos visualizar as fotos, e sim apenas um ícone indicando que o arquivo é uma foto ou imagem. Já a segunda caixa, é para realçar a fonte do windows, é como se fosse um negrito. Se ela não estiver marcada as letras ficam um pouco fracas. 

9- Depois é só clicar em "aplicar" e depois em ok nesta caixa e na próxima que aparecer. Pronto, seu PC irá ficar menos sobrecarregado de tantos efeitos visuais e não irá perceber tanto a diferença. Caso queira reverter o procedimento, é só seguir o mesmo caminho e depois clicar em "deixar o windows escolher a melhor opção para o computador"

    Depois que fiz este ajuste, notei que as pastas abriam com maior rapidez. O word também ficou mais rápido e não notei nenhuma perda de qualidade expressiva no visual do notebook. 
    Esse é o blog do esquizo, com dicas de informática para ter o seu pc funcionando com mair rapidez. Qualquer dúvida ou sugestão é só postar nos comentários. 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A chuva


    No início queria colocar outro título para esse post: "The rain", para ficar mais elegante e chique. Mas, depois de refletir um pouquinho, cheguei à conclusão de que isso era bobeira. Afinal, mal sei escrever e a falar corretamente o português, e vou ficar inventado de postar em inglês?
    Quem lê os posts do blog, quase sem erros, pode pensar que escrevo bem, que sou bom em português e tals. Mas a verdade é que o blog, assim, como o word, tem um corretor ortográfico, que não é 100% confiável, pelo fato da língua portuguesa ser cheia de gírias e regionalismos, mas esse corretor já ajuda e muito.
    Bem, neste post irei falar sobre a chuva, mas não é sobre a crise hídrica em específico. Não sei se é culpa de São Pedro ou dos homens, ou se é desse ou aquele partido político. Está uma baixaria a política no Brasil, ninguém respeita ninguém, e não se sabe quem está dizendo a verdade. 
    Resolvi falar sobre a chuva, pois, quando ela cai, lembranças boas e ruins imediatamente povoam a minha mente. E você, o que sente quando a chuva começa a cair?

Na infância

    Nessa fase da minha vida a chuva era uma festa. E naquela época ela caia sem dó e nem piedade em Belo Horizonte entre os meses de dezembro até março. O rio Arrudas transbordava, causando muitos estragos, e alguns carros acabavam sendo levados para dentro do rio pela enxurrada. Mas, fazendo chuva ou sol, lá estava eu jogando futebol na rua (naquela época ainda dava para se fazer isso). Colocávamos duas pedras para marcar o gol, geralmente era um passo grande, e o jogo era jogado sem goleiro. Era muito bom quando caia aquela chuva de verão, de uma hora para outra, e nos dava aquela refrescada em nossos corpos franzinos. Naquela época o tênis kichute fazia o maior sucesso, sendo a chuteira oficial dos peladeiros do asfalto.

   Estraga prazer...
rua típica de São Thomé das Letras

    Quando comecei a trabalhar como operador de som, por volta dos dezessete anos, a chuva começou a tomar um outro significado para mim. Deixou de ser uma brincadeira para se tornar um inconveniente, pois, quando as águas caiam, o público acabava não indo para o evento no número desejado, e o show ficava meio sem graça, isso quando não era cancelado. E, para piorar, ainda se corria o risco de ter a aparelhagem de som danificada. 
   Entrava em depressão quando chegava janeiro, época de pouco serviço. Quinze dias já era suficiente para tirar férias, geralmente em São Thomé das Letras, onde recarregava as minhas energias com o ar puro do sul de Minas Gerais. O problema em viajar também poderia ser as chuvas, que caiam em abundância neste mês do ano. O dilema era ou não viajar nas férias, com receio de que o sol não aparecesse para curtirmos as cachoeiras ou uma praia. Chegava a pensar que Deus poderia sempre fazer com que as chuvas caíssem de noite e, de preferência durante a noite, ou melhor, de madrugada, onde menos pessoas seriam prejudicadas. 

Nos surtos
    Quando estava surtado, no meio do mato, a chuva parecia ser mais um castigo para mim.  Era o mês de janeiro de 2003. Me lembro bem de uma madrugada em que choveu muito forte, só parando com o raiar do dia. Apesar de ser verão, fazia muito frio naquele lugar, talvez por ser alto, pois tive que subir muito até chegar à BR 040. Estava descalço, usando apenas uma calça daquelas de praticar esportes e de camiseta. Creio que alguns leitores devem estar se perguntando: "Mas por que ele não saia do meio do mato, com aquela chuva toda?" Bem, eu estava surtado e, em minha mente, se saísse do meu refúgio poderia ser morto pelos inimigos que só estavam em minha paranoica mente. Cheguei a fazer uma varredura pelo local, para tentar encontra uma gruta ou caverna, mas em vão. Tive que improvisar um teto entre duas pequenas árvores, juntando galhos e mato seco, mas não adiantou muito. 
    Mas, não sei explicar o que acontece direito nos surtos. Quando estou neste estado, não sofro tanto fisicamente, creio que por estar meio fora da realidade. O frio e a fome não me incomodavam tanto como se estivesse em condições normais. Creio que fiquei cerca de cinco dias refugiado no meio do mato, de início fugindo das pessoas que pensava estar me perseguindo, mas, depois de ficar debilitado, passei a ficar o dia inteiro debaixo de uma árvore, questionando com Deus sobre aquela situação, sobre o que estava realmente acontecendo. A fraqueza funcionou meio que como um sossega leão, parei de ouvir as vozes e fiquei quieto, saindo apenas para tomar água. 

A chuva nas andanças

    Procurei sempre fazer as minhas andanças fora da época das chuvas, mas, na estrada real, quando passei pelo norte do estado de São Paulo e por algumas cidades do sul de Minas Gerais, me deparei com algumas precipitações pluviométricas. E, como ainda era inexperiente na arte das andanças, não estava preparado para essas chuvas. O meu erro foi pensar que o tempo e o clima nas cidades do caminho da estrada real eram exatamente iguais ao de Belo Horizonte. Aqui as estações são bem definidas: verão chuvoso, inverno com um friozinho gostoso (de madrugada se faz uns 16ºC e de dia o sol aparece para nos aquecer). Já no outono e na primavera o clima é agradável e mais ameno. 
    Então, não estava preparado para encarar as chuvas do caminho. Como a maior parte do percurso é feito pelas estradas de terra, fiquei patinando na lama e levando alguns tombos. Não adiantava: se usasse tênis escorregava, se andasse de chinelo, ele ficava grudado na lama. Se ficasse descalço, poderia machucar o pé e correr o risco de ter que abortar a viagem. Às vezes dava para seguir o traçado dos carros, mas mesmo assim era meio complicado. O caminho foi sofrido, mas valeu a pena e faria de novo, sempre quando recordo desse caminho um sorriso aparece em meu rosto, pois as lembranças são muito boas.
    Já na viagem Passos dos Jesuítas, pelo litoral do São Paulo, a chuva foi uma benção. Fiz este caminho no mês de janeiro do ano passado. Pouca chuva, foi o início de ano mais quente na capital paulista desde 1947. Parte do caminho é feito em Br's, e, no asfalto a sensação térmica é um pouco maior do que o que o termômetro indica, creio que deveria estar na faixa dos 40ºC. Certo dia, quando a chuva caiu, apenas coloquei a capa na mochila e continuei o caminho, sentindo o prazer daquela refrescância vinda dos céus. Até aproveite e lavei o meu cabelo andando mesmo...

 A chuva hoje
essa cachoeira é linda, mas, quando passei por ela, estava com pouca água...
    Hoje em dia não reclamo mais da chuva, apesar de sempre lembrar dos maus momentos que tive no meio do mato quando estava surtado. Até quando chove no jogo de corrida do PC, aquelas cenas voltam em minha mente. Mas quando vejo a grama por faltar em parques ou uma cachoeira com água escassa, coloco em minha cabeça que não podemos mais reclamar da chuva. Hoje até gosto quando ela cai, pois, como não faço nada, fico assistindo filminho debaixo da coberta. Não ligo mais para certos detalhes, para mim tanto faz como fez. Não sei se é a maturidade ou o fato de ter passado por situações complicadas, mas, atualmente, já não me importo com muita coisa que vivia esquentando a minha cabeça antes dos surtos. Acho que surtar me fez bem neste sentido, pois hoje sei quem sou e não me preocupo tanto com o que estão pensando ou falando de mim, o que era o meu ponto fraco antigamente. 
    As pessoas, não sei por que (falta de assunto?), vivem reclamando do tempo. Reclamam quando está fazendo calor, reclamam quando chove, e também quando está fazendo frio. Não sei o que elas realmente querem.
      Enfim, não tem como ficar indiferente a chuva. Alguns ficam tristes e melancólicos, já outros gostam do cheiro da terra molhada, do frescor que ela nos traz, o ar parece que fica mais puro... 
   Aprendi, que, assim como o tempo, devemos deixar as coisas em nossas vidas acontecerem naturalmente. Não estou dizendo para ficarmos parados, esperando tudo cair do céu, mas temos que parar de ficar reclamando de certas coisas, pois de tudo podemos tirar proveito, até de acontecimentos negativos. E deixa a chuva cair...

-Música: "Chove chuva"
-Artista: Biquini Cavadão

-Obs: como no blog falo sobre diversos assuntos, estou fazendo uma seleção dos posts mais visualizados e comentados, mas somente os que estão relacionados ao tema esquizofrenia. Estou no momento adaptando os textos para o formato de livro, pois no blog a linguagem é um pouco diferente, coloco vídeos e imagens para melhor ilustrar algumas situações, etc. Enfim, estou revisando e fazendo pequenas modificações em alguns posts para serem colocados em um livro, e creio que dentro de um mês estarei disponibilizando-o para quem se interessar. O título será "Divagações esquizofrênicas" e, como já disse, falará somente sobre esquizofrenia, com a seleção dos posts mais visualizados.
Já o livro Mente Dividida continuo disponibilizando normalmente, para adquiri-lo basta enviar um email com o assunto "livro" para  juliocesar-555@hotmail.com