sábado, 14 de janeiro de 2017

Ser rockeiro e a violência de hoje em dia

Todo dia é dia de rock!!!

  Este é um blog sem fins lucrativos, didáticos, ou outro motivo parecido qualquer. Se estou ajudando as pessoas com as minhas divagações, me sinto muito feliz por causa disso e isso me motiva a continuar nessa luta para que um dia esse distúrbio chamado esquizofrenia seja visto com outros olhos pela sociedade. 
   Há alguns anos atrás, uma pessoa me enviou um email com uma proposta para que eu escrevesse algo para ela, (talvez artigos) sobre vários temas Recusei e agradeci. Recusei, pois desde pequeno sempre gostei da liberdade. A liberdade de pensar, de agir, enfim, de ser eu mesmo. E de poder escrever o que tenho vontade de escrever, é claro. Tudo isso, além de tudo, é uma ótima terapia para mim. Todo mundo deveria experimentar fazer um tipo de terapia que lhe agrade, independentemente ou não de ter algum tipo de transtorno mental. 
   Então esse blog não tem muitas regras, os títulos podem parecer um pouco estranhos, as postagens mais ainda. Não me preocupo muito com os títulos e os motores de busca do google. Posto o título que aparece logo em minha mente. Assim também são as postagens, parece que baixa um espírito em mim e eu saio "psicografando" tudo no caderno. Faço apenas uma ou duas pequenas revisões para ver se o texto está "entendível" e depois jogo no word para corrigir alguns erros de português. Até hoje me espanto quando alguém me diz que escrevo bem. 
    Mas então por que esse título desta postagem? Qual a relação de ser rockeiro com a violência de hoje em dia? Na minha opinião, nenhuma, mas talvez para alguns isso possa ter tenha alguma relação meio que surpreendente. 
    Vou tentar explicar. Na década de 80, com o “advento” do primeiro Rock in Rio, as pessoas que curtiam um som pesado passaram a serem conhecidas por “metaleiros”, graças a influência midiática da poderosa rede globo. Oras, metaleiro é quem trabalha na usina siderúrgica, ou quem trabalha com panelas de aço, etc.... Mas, depois daquele Rock in Rio no Rio de Janeiro tudo mudou. Digo Rock in Rio na cidade maravilhosa por que o evento foi um sucesso tão grande que agora tem rock in rio até em Portugal (não duvido que já tenha até na China!). 
    Então, depois disso tudo, os rockeiros passaram a serem conhecidos como metaleiros e rotulados como pessoas que não eram muito chegadas ao “furadinho” (chuveiro), que andavam sempre sujos, com roupas rasgadas e que também eram chegadas nas coisas do “tinhoso”. 
     Metaleiro, naquela época, era sinônimo de cachaceiro, drogado, pervertido, etc...  
    Comecei a virar rockeiro por influência de um amigo de escola, que era muito inteligente. Não éramos os nerds da sala, nem os mais comunicativos e engraçados, na verdade não nos encaixávamos em nenhuma  tribo da turma: a dos mais inteligentes, a dos mais bagunceiros ou a dos mais comportados. Enfim eram uns quatro ou cinco caras que só sabiam falar de rock e outros assuntos diferentes do resto da turma. Ele me apresentou o som pesado das bandas daquela época: Scorpions, AC DC, Black Sabbath, etc...
     Então passei a adolescência curtindo esse som visceral, e, para me sentir um “metaleiro” de verdade,  comecei a deixar o cabelo crescer, a andar com calças jeans rasgadas e com aqueles braceletes que mais pareciam coleiras de cachorro cheia de espetos. E, claro, não podia deixar de andar com camisa preta com caveira estampada. Sempre pensava que, para ser considerado no meio da turma dos rockeiros, tinha que necessariamente ter cabelo grande. Me sentia um intruso na turma quando tinha cabelo curto e ficava no meio da galera rockeira aqui de Belo Horizonte.
na minha cabeça todo rockeiro tinha que ter necessariamente cabelos grandes
     E comecei a beber também, ou melhor, a fingir que bebia e também a fingir que estava bêbado. Na minha cabeça metaleiro para ser metaleiro de verdade tinha que beber, e muito.. Tinha que ser muito doido, esses lances ai, né? Mas meu estômago não era muito forte para bebidas destiladas e quase sempre devolvia tudo o que bebia. Ficava arrepiado só de sentir o cheiro daquelas cachaças baratas de supermercado. Acho que a única coisa que a bebida fez de bom em mim foi expulsar uma lombriga enorme que habitava o meu intestino. A cachaça que serviam aos metaleiros na Savassi era tão ruim, mas tão ruim que vomitava tudo em pouco tempo e nem a lombriga aguentou e resolveu dar o fora do meu estômago, dando um salto mortal assim que abri a boca depois de beber uma cachaça bem amarga de um barzinho na Savassi, o bairro onde a noite é bem agitada aqui na capital mineira.
Na verdade nem sei se esse fato é verídico ou não, pois, das poucas vezes em que consegui beber muito, tive uma espécie de amnésia e não conseguia me lembrar de nenhum fato da noite anterior.
    - Nossa, ontem você estava doido demais cara!-me falavam...
    - É que eu tava "chapado" demais...- tentava explicar.
    E essa desculpa de estar chapado eu também dava quando fazia um teatrinho e fingia estar bêbado, assim tinha um pretexto para extravasar e colocar todas as minhas "loucuras" para fora. Me lembro que ganhei dois pares de ingresso de uma produtora de teatro, pois havia feito um discurso em prol da cultura, me fingindo de bêbado, é claro. Mas, ela, acho que por entender de teatro, sabia que eu estava "de cara", mas gostou tanto da minha atuação que resolveu me contemplar com o par de ingressos. 
    O movimento heavy metal em Belo Horizonte na década de 80 e 90 foi muito forte mesmo, uma referência nacional. Dizem que esse movimento foi o mais influente de todo o país. Algumas bandas aqui da capital mineira fizeram e ainda fazem  muito sucesso no exterior. Vide a banda Sepultura, que é mais conhecida lá fora do que em nosso próprio país. 
    Me lembro como se fosse hoje  daquele tempo, da turma do rock que se encontrava na Savassi, aqui em Beuzonte. A Savassi era o point dos mauricinhos e patricinhas de BH, só caras com roupas de marca, lindas garotas, carros luxuosos, etc. E aquela galera de preto no meio. Não éramos bem recebidos nos bares, um ou outro que aceitavam nos vender alguma bebida. Mas a verdade é que não consumíamos quase nada, sempre fazíamos uma vaquinha para comprar umas garrafas de cachaça barata no supermercado e ai íamos ao bar para tomar com coca cola. Era muito ruim, mas eu tomava, para fazer parte da turma e não ser chamado de careta. 
    Já chapados, pegávamos um ônibus até o alto da avenida Afonso Pena, para escalar a serra do curral, o ponto mais alto da capital mineira. Só tentei fazer isso uma vez, mas, como estava um pouco bêbado e escorreguei,  tive que voltar, pois alguns trechos são perigosos para se escalar de noite. 
   Éramos temidos e um pouco rejeitados pela sociedade na época. Imaginavam que éramos satanistas, pervertidos, etc. Mas posso dizer que os caras eram pessoas comuns, adotavam aquele visual mais como uma maneira de protesto mesmo, sei lá. No meu caso foi uma forma de dizer que era diferente mesmo da maioria das pessoas. Claro que existem bandas que se dizem satanistas, com letras dedicadas ao "tinhoso", mas creio que isso seja mais uma estratégia de marketing. Quem é realmente chegado no “demo” prefere manter o anonimato. Aliás até hoje não vi coisa mais demoníaca do que um baile funk... 
   Esse documentário abaixo fala um pouco como foi o movimento metal aqui em BH. Alguns vídeos podem ter algum tipo de problema e não serem visualizados aqui no blog. Caso este problema aconteça, é só clicar no link abaixo do vídeo que poderá assisti-lo no youtube.

      Resolvi ser rockeiro não por influência da mídia. O som das guitarras distorcidas, ao contrário do que a maioria pode pensar, me acalma e me dá energia na hora de fazer uma caminhada ou uma pequena corrida. O nome já fala tudo, guitarra elétrica, nos dá energia. No meu caso em particular só não me sinto bem ouvindo rock quando estou andando no meio da multidão e com mania de perseguição, ai, nesse caso, procuro escutar algo mais relaxante mesmo. 
   Também acho que desde pequeno tenho essa mania de não seguir as tendências, sou da turma do só para contrariar mesmo. Na época o que rolava nas rádios era o som do Michael Jackson que estava no auge. Não adiantava fugir, em qualquer lugar se ouvia as músicas dele, apesar de ainda não haver esses carros com sons superpotentes. Era no bar, na escola, no vizinho, sempre tinha alguém ouvindo no radinho ou naqueles sons 3x1 o som do rei do pop. O engraçado é que, hoje em dia tenho algumas músicas dele no meu cartão de memória e ouço numa boa. 
    Mas, voltando ao título da postagem, o que o rock tem a ver com a violência dos dias atuais?
Hoje em dia, no Brasil, quando menos “emperiquitado” você andar, melhor é. Nas grandes cidades não se pode nem mais acessar o celular no centro. Até andar com réplicas está sendo perigoso, já que são bem parecidas com os produtos originais. 
    Me lembro que, quando tinha uns 17 anos, quase sofri um assalto. Não passou de uma simples tentativa de assalto graças ao meu visual de “metaleiro” que adotava naquela época. Quando os quatro carinhas me abordaram “pedindo” uma grana, não tive dúvidas em mostrar a minha velha calça jeans rasgada e o meu velho tênis. 
    - Olha a minha situação cara...
    Os meliantes, ao olharem minhas vestimentas demostraram um olhar de desânimo e piedade, só faltando me dar uns trocados para tomar umas cachacinhas...
    Estou morando há quase dois anos aqui em Belo Horizonte. Procuro andar da melhor maneira possível, dentro das minhas possibilidades, é claro. E já notei que alguns caras tentaram se aproximar de mim de uma forma estranha, já que geralmente ando distraído pelas ruas ouvindo músicas no fone de ouvido na maior altura. Isso serve para me desconectar do mundo, diminuindo assim as minhas paranoias e as chances de pensar que estou ouvindo alguma voz. Com certeza tentaram se aproveitar da minha distração para levar o meu celular, mas, não sei o que acontece, geralmente sinto a presença de alguém se aproximando e assim o meliante fica sem reação. 
    Por falar em celular, detesto os modernos, esses de toque: a bateria acaba rapidamente, não pode cair no chão, a tela arranha, e é difícil pra caramba para digitar. E sem contar o medo que adquirimos de ser assaltado quando andamos com um celular desses no bolso. 
    Por causa dessa situação é que me lembrei do meu visual de metaleiro que adotei na minha adolescência. É uma boa tática para não ser importunado por esses meliantes. Dá vontade até de deixar crescer não só o cabelo, mas a barba também, para ficar com cara de mau. E, claro, voltar a andar com as velhas calças jeans rasgadas. Ah! E a camisa preta, de preferência com uma enorme caveira estampada na frente. 
     Infelizmente hoje em dia está sendo melhor ser confundido com um meliante e correr o risco de levar uma geral da polícia do que ser “abordado” pelos bandidos que estão infestando as ruas das grandes cidades. Ser confundido com um meliante faz com que o próprio meliante nos reconheça como um concorrente e não como uma vítima em potencial. 
   Mas, como disse no início, o blog é um blog estranho, despretensioso, sem fins didáticos. Essa foi apenas mais uma de minhas postagens malucas, que começa com um tema e vai passando por outros. Mas ser rockeiro não é uma moda, não é um modo de se vestir. É sim um estado de espírito, é ter atitude e personalidade. É saber sentir a música, pois o rock tem notas musicais sim, ao contrário de “alguns estilos” E, além das notas, tem conteúdo sim, basta olhar e analisar algumas letras das principais bandas desse estilo que marcou e ainda marca gerações inteiras. 
    Dizem que os rockeiros são mais inteligentes, várias pesquisas apontam isso. E quem sou eu para duvidar dessas pesquisas.... 

vocalista do Metallica no show e durante um passeio no shopping...
E dando uma canja na apresentação de sua filha....
   E ser rockeiro não quer dizer ser radical, o rockeiro também ouve outros estilos, tem sua maneira de ser vestir e tem personalidade própria e única. Rótulos são criados para desunir as pessoas, 
classificando-as, assim como fizeram com os metaleiros. 
   O dia do rock é comemorado oficialmente  no dia 13 de julho. Mas é apenas uma data simbólica, sendo comemorado mesmo no Brasil. Afinal todo dia é dia de rock, de música, independente de estilo, mas desde que tenha notas musicais e letras que te fazem pensar ou refletir, e, por que não, simplesmente nos divertir.
    Abaixo o som de uma das minhas bandas prediletas, Dream Thater, que é um metal progressivo, com sons de teclado misturados com os de guitarras distorcidas. Mas tem metal e rock para todos os estilos: o próprio heavy metal, o speed metal, o black metal, o power metal, e tem até as músicas românticas também, falando de amor, pois rockeiro também ama e namora como qualquer ser humano...
tem até igreja evangélica que usa o heavy metal durante os cultos
http://musica.uol.com.br/noticias/efe/2017/01/12/crash-church-a-igreja-que-passa-a-palavra-de-deus-ao-som-de-heavy-metal.htm




Dream Theater - The Eneny Inside

Eu fecho meus olhos pra não aproveitar
Três dias de dor sem dormir
Desejo que essas folhas poderiam me sufocar enquanto espero
Eu amo os cortes que fazem linhas
Organizados em bonitos desings
Eu luto com o lado afiado de uma navalha
Isso não é certo eu não posso escapar da escolha que fiz

Última chance de me pegar através da noite
Última dança com a mulher de vestido branco
Eu me perdi eu perdi minha alibis
Última chance de alimentar meu inimigo interior

Está ficando mais difícil de inalar
Uma solução rápida para limpar meus segredos
Olho morrendo aos poucos e parando de enrolar a segunda mão
Isso vira horas em dias
Atrás da luz do sol minha vida some em cinzas
Sozinho novamente com uma navalha
Isso não é certo eu não posso escapar da escolha que fiz

Última chance de me pegar através da noite
Última dança com a mulher de vestido branco
Eu me perdi eu perdi minha alibis
Última chance de alimentar meu inimigo interior

Está quieto agora
Como os momentos depois do assassinato
O mais jovem dentro de mim
Não pode acreditar nas coisas que ele viu hoje a noite
Cara a cara eu estou gritando para mim
Cara a cara e estou gritando para mim por ajuda

A noite
A noite
A noite
A noite
A noite
A noite
A noite

Última chance de me pegar através da noite
Última dança com a mulher de vestido branco
Eu me perdi eu perdi minha alibis
Última chance de alimentar meu inimigo interior
Dentro de mim

Última chance de me pegar através da noite

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Agradecimentos

     Quem acompanha o blog sabe do perrengue que estou passando por causa de uma lesão no dedão do meu pé esquerdo (hallux rigidus) O texto do link está em inglês, mas é só usar o navegador google chrome para traduzir. E quem tem estômago fraco não veja a última imagem da página.
   Estão sendo os anos mais difíceis de minha vida. Mais complicado até do que em certos momentos quando estava surtado, quando a esquizofrenia apareceu de vez em minha vida, por volta do ano de 2002, quando estava com 32 anos de idade e prestes a completar 33 (seria o complexo messiânico?)
     Muitos podem se assustar com essa afirmação, mas vou tentar explicar. Quando estava surtado, fora da realidade, passei por muitos perrengues, mas, como mesmo acabei de afirmar, estava fora da realidade, parecia que o meu cérebro havia "desligado" alguma região relacionada à dor física, pois não recordo de sentir muitas dores quando estava surtado, apesar de ficar vários dias perambulando pelas estradas aqui de Minas Gerais. E o mais estranho de tudo isso é que estava sem me alimentar. E, nas poucas vezes em que o fiz, logo vomitava tudo o que havia comido, pois sempre ouvia uma voz dizendo que o alimento estava envenenado. E o fato de estar fora da realidade não nos deixa pensar e nos preocupar com coisas que geralmente preocupamos quando estamos "normais": horários, higiene, alimentação, o que os outros estão pensando da gente, etc... Afinal, quem iria pensar nessas coisas tendo a certeza em sua mente que apenas o mundo inteiro está te perseguindo?
    O que estou passando no momento é pior do que aqueles dias de surtos e sustos.  O que estou passando nos postos de saúde e nos hospitais é pior do que qualquer perrengue que já passei nas ruas. Tudo começou pelo primeiro "atendimento" que tive logo depois que "trupiquei" em uma raiz de uma árvore em um parque ecológico. O local ficou inchado e me preocupou bastante, apesar da dor ser suportável. Mas o médico sequer examinou o  meu pé e apenas recomendou passar água morna no local. Saí do posto de saúde desolado, sem saber o que fazer. Consulta particular, nem pensar... O jeito foi esperar o tempo resolver mais esta dor que estava sentindo. Sempre fui de praticar esportes, jogar o meu futebolzinho, e contusão não era novidade para mim.
    Só que desta vez o senhor tempo não curou esta dor, que foi piorando com o passar dos meses. A minha qualidade de vida estava caindo bruscamente e então resolvi tentar o atendimento em um outro posto de saúde. Desta vez o clínico geral foi muito atencioso e me encaminhou para o ortopedista.
    Depois de dois meses de espera, a consulta finalmente havia sido marcada. Estava entusiasmado, afinal seria atendido por um especialista e meu problema seria finalmente resolvido. Mas, que nada, o atendimento foi o pior possível. Para começar, o ortopedista nem examinou o meu pé, e nem me deixou explicar muito o que estava acontecendo comigo. Ele foi logo dizendo que aquilo era coisa da idade mesmo e que não havia muita coisa para se fazer. Me receitou um suplemento para as articulações e fisioterapia.
    A fisioterapia também foi frustrante. Fiz exatamente os mesmos exercícios que as pessoas recém operadas ou imobilizadas (fraturas) estavam fazendo. E não era o meu caso, pois, apesar da dificuldade, sempre fazia um pouco de exercício em casa mesmo, justamente para não atrofiar a musculação. Diálogo com as "profissionais" da fisioterapia, nem pensar. Elas eram monossilábicas, apenas se comprometendo a dizer sim ou não para qualquer pergunta que eu fazia, além de ficarem no zap zap boa parte do horário de trabalho. Na minha opinião, o atendimento tem que ser individualizado, se os problemas são diferentes, o tratamento obviamente também deve ser.
    Então resolvi dar um tempo na insistência e mendicância com o sus até sentir que as coisas estavam piorando, principalmente na perna direita, onde a carga do corpo inteiro se apoia durante a caminhada, já que a perna esquerda, por causa da dor no dedão, está servindo apenas como um apoio.
   E voltei no posto de saúde, desta vez sendo um pouco mais "incisivo" (chato mesmo).  E assim depois de mais alguns meses, consegui uma consulta no hospital da Baleia, aqui em Belo Horizonte. O atendimento também foi decepcionante. . Somos atendidos e entrevistados pelo médico residente, mas quem dá a palavra final é o médico chefe, um senhor de uns 80 anos de idade, que aparenta estar debilitado para exercer essa profissão. Os médicos residentes são atenciosos, mas o médico chefe não leva em conta a opinião deles, e então foi me passado apenas anti-inflamatórios e uma pomada, além de uma tornozeleira. Isso depois de dois anos após a lesão. Ou seja, não surtiu resultado nenhum, apenas um alívio durante o uso dos medicamentos. Um mês depois, voltei para o retorno desta primeira consulta e a situação não mudou: o médico me aconselhou a passar água morna e também a seguir com o tratamento psiquiátrico. Me pergunto o motivo dele ter me aconselhado o tratamento com o psiquiatra, já que em nenhum momento fui hostil ou o tratei de uma maneira grosseira. O que ele não sabe é que, pelo menos no meu caso, o melhor antipsicótico é a atividade física, aquela sensação de bem estar que uma boa caminhada nos proporciona, sem contar que o stress e a ansiedade vão embora depois de uma boa pelada de meio de semana e de final de semana também. Mas nem pude dizer isso à ele, pois o diálogo por ali não é muito praticado.
    Desisti desse hospital e tentei aqui no blog uma consulta com um especialista particular. A consulta custa 500 reais, mas consegui um desconto de 200.
     Cheguei a postar aqui no blog pedindo ajuda, com o número da minha conta e tudo mais. Mas o resultado não foi satisfatório e achei melhor excluir a postagem. Consegui apenas duas doações. Uma anônima, de 50 reais, e uma outra de dez reais. Queria aqui agradecer de coração essas duas pessoas que me ajudaram financeiramente, ainda mais em uma crise como essa em que estamos vivendo. Gostaria de deixar bem claro que ninguém é obrigado a ajudar em nada, pois escrevo este blog e tento ajudar as pessoas por prazer mesmo. Se não fica parecendo criança, quando pede um doce para o colega e não ganha:
    - "Te dei bala né, cê vai ver"...- era assim que eu falava na infância quando um colega não me dava um pedaço da guloseima que ele estava comendo.
     Mas a verdade é que não expliquei bem a postagem. A ajuda não precisava ser de um valor de 50 reais. Calculei o número de seguidores do blog e de visualizações, e, se, cada um contribuísse com 3 reais, rapidamente iria conseguir o valor da consulta e posteriormente o da operação.
     Mas não foi possível, e então voltei a insistir com o sus mesmo. Não posso aqui explicar detalhes, mas espero que dessa vez dê certo. Acho que existe muita gente mandando energia boa para que tudo volte ao normal comigo, mas também acredito que o oposto também ocorra. Caso esta tentativa também não dê certo, vou morar nas ruas novamente, só para economizar o dinheiro do aluguel e assim conseguir a grana para fazer o procedimento cirúrgico. Sei quando a minha qualidade de vida está diminuindo por causa da idade e quando está sendo prejudicada por esta lesão. Mas, para finalizar, gostaria de agradecer a essas duas pessoas que contribuíram e gostaria de dizer que o dinheiro me ajudou a comprar um calçado mais confortável para pode caminhar melhor.
esse tênis é muito bom para caminhadas...

    Foi um perrengue danado achar um calçado legal para esse meu pé com problemas. Na verdade, por causa da deformação no osso, eu teria que comprar o número 42 para o pé machucado e o número 41 (o normal) para o meu pé que está bem. Fiquei na sapataria quase uma hora testando as botas de trilha que estava pensando em comprar. Mas de todas que experimentei, apenas uma me proporcionou uma passada sem muita dor. Fiquei super feliz com o achado, mas, quando o vendedor voltou do estoque, me deu a triste notícia:
     - Essa bota do mostruário não temos no estoque, só temos o pé esquerdo dela...
     O vendedor já não estava mais com aquela cara de vendedor, dava para notar que ele já estava apoquentado com um cliente tão exigente. Então ele me sugeriu um tênis da marca que sempre gostei de usar.  E, para minha surpresa, ficou muito confortável e macio. Quando fui olhar a numeração levei um susto:43!!! Por isso ficou tão aconchegante. Mas, apesar daquele tênis tão grande não combinar muito com as minhas canelas finas, resolvi comprar assim mesmo, para amenizar um pouco a caminhada. O importante no momento é o conforto. E vida que segue... Ainda vou terminar os quatro caminhos da estrada real, nem que seja de muleta... Será uma frustração enorme ficar pela metade.
    Abraços à todos e até a próxima postagem.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Eu que sou doido?-4

    No último dia 12 deste mês, tive um "arranca rabo" daqueles com o dono de uma página no facebook chamada "Pequenas igrejas grandes negócios". Havia dado a minha opinião na página citada  sobre a ex presidANTA Dilma, afirmando que a mesma poderia até ser inocente, mas que pelo menos era cúmplice da quadrilha do PT.
    Para o minha surpresa. o dono da página ficou enfurecido e começou a me atacar com xingamentos ofensas e ameaças. Foi apenas uma pequena surpresa, pois hoje em dia acontece de tudo na internet. O dono dessa página ainda foi capaz de "fuçar" as minhas fotos de perfil para colocá-las em sua página para tentar denegrir a minha imagem colocando literalmente palavras na minha boca, como podem ver na imagem abaixo. Resolvi não mostrar a minha cara pois a minha intenção não é aparecer, e sim apenas tentar chamar  a atenção de um maior número de pessoas sobre o que é realmente a esquizofrenia, pois quem deveria fazer este papel creio que não o está fazendo corretamente. Obviamente que existem exceções e alguns programas da tv aberta tentam ajudar nesta árdua tarefa que é a de informar as pessoas e diminuir o preconceito que cerca este transtorno mental que acomete 15 da população mundial, seja ela rica, pobre, branca, negra, hétero, homo, pt, psdb...
     E, além de tudo, o dono da página não foi muito elegante, ao escolher a minha pior foto do perfil. Não sou bonito, mas me considero bem para a minha idade. Para falar a verdade, fiquei mais chateado com esse lance da foto do que pelo monte de mentiras (queria dizer outra coisa) e ofensas que ele publicou em sua página.
este foi apenas um dos comentários do dono da página.
    Fiquei impressionando como tanta revolta e ódio podem caber em um mesmo coração. Eu não o ofendi em nenhum momento, apenas afirmei que a ex presidenta era pelo menos cúmplice da história toda que o Brasil já conhece. "Conversamos" pelo chat do facebook por dois dias e o ódio só aumentava, mas não me abalei e nunca vou me abalar diante de uma "criança" mimada que vomita todo o seu ódio em uma página no facebook. Pelo que deu a entender, o elemento é ateu, mas isso não quer dizer nada, pois conheci um ateu na época em que trabalhava como operador de som e ele era uma pessoa extremamente dócil e educada.
    A internet atualmente está tão polarizada que creio que o dono da página deve ter imaginado que eu sou a favor do atual presidente do nosso país. Não sou nem da direita e nem da esquerda ( me lembro que, quando jogava bola, chutava com as duas...). Não sou coxinha e nem sou pt, a minha tribo sou eu, e estou a favor da honestidade acima de tudo, independente de preferências políticas.
    O dono da página tentou a todo custo me amedrontar, mas em vão. Me ofendeu, me ameaçou de todas as maneiras, mas, quem já passou pelo chamado "vale da sombra da morte" não irá temer um crianção que só sabe vomitar ódio em todas as linhas que escreve na internet.
   Veja abaixo algumas das ameaças do elemento, infelizmente ou felizmente ele retirou a postagem da página em que ofendia à todos que expressaram opinião contrária à dele.
é para ter medo de ateu?...
   Bem, essas foi apenas algumas das ameaças que o dono da página fez contra a minha pessoa. Além de mentir, é claro. Na imagem em que usa a minha foto, ele afirmou que eu sou "ligeira de direita", dente outras coisas. Não sou e nunca fui metido á rico, gosto mesmo é farofa, ovo frito e feijão tropeiro, como todo bom mineiro gosta. Me lembro que uma vez comi esses pratos de gente rica, e não gostei muito não. Estava fazendo o caminho velho da estrada real. Era o último dia e tinha que andar 44km para não ficar no escuro no meio da serra da bocaína, antes de Paraty. Estava na cidade de Cunha, na divisa com o Rio de Janeiro. Havia somente um restaurante no caminho naquele horário, e, apesar dos luxuosos carros estacionados, resolvi entrar no restaurante para almoçar. O prato chegou todo montado, após uma hora de espera: arroz branco parecendo uma pirâmide com uma florzinha em cima (pode comer flor?), uma salada com folhas bem coloridas, e o filé de frango, que estava ótimo. Fiquei um pouco sem jeito esperando o feijão chegar, mas nada...  Tive que pagar uns 12 reais para comer feijão e assim prosseguir o caminho sem dar aquela "bambeza" nas pernas.
     Poderia até pensar em processar esse indivíduo, mas a página dele não tem muitas visualizações. , E então, após ser "caçado" na web, como afirma o elemento, a minha vida continua a mesma de sempre. Ai, me pergunto: "Eu que sou doido?"
-obs: podem comentar e opinar à vontade, sua participação é bem vinda, mesmo que não pense exatamente da mesma maneira do que o autor deste humilde blog.
este é o nível das postagens do dono da página pequenas igrejas grandes negócios.... 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Meio milhão de visualizações

 
  Bem pessoal, como vocês podem ver no contador ao lado direito da página, estamos chegando as 500 mil visualizações do blog. Pode parecer um número pouco expressivo se compararmos à outros blogs e canais do youtube, mas, em se tratando de esquizofrenia descrita por uma pessoa considerada louca pela sociedade considero um feito e tanto.
     Como já disse em outras ocasiões, ficava realmente feliz quando o blog atingia um número milenar centesimal de visitas. (existe essa expressão? Se não existe, criei agora...). Mas depois de refletir um pouco, cheguei à conclusão de que isso ocorre por que no Brasil impera a desinformação e a falta de atendimento de qualidade na área da saúde mental. Foram esses dois fatores as principais causas do blog ter atingido esse número de visitas. Se tivéssemos um atendimento de qualidade em nosso país, se o tratamento realizado por aqui obtivesse sucesso, e se houvesse realmente informação verdadeira e responsável por parte da mídia e de todos os envolvidos, o blog não teria muita razão de existir. Ele iria servir apenas para o meu propósito inicial, que era apenas de ocupar o meu tempo com algo que gosto de fazer: escrever.
     Confesso que, quando o blog atingiu 20.000 visualizações, pensei seriamente em parar, pois já tinha falado o básico sobre o que penso à respeito da esquizofrenia. Mas, alguns amigos e leitores recomendaram a continuação do blog, e cá estou nessa tentativa de tentar diminuir o preconceito e o estigma que cerca esse transtorno.
    Não sei se o que faço ajuda em alguma coisa nesse sentido, mas, como já disse, sou como aquele pássaro que, no incêndio na floresta, ia ao rio, enchia o bico com um pouco de água e despejava no incêndio. Ou seja, pelo menos estou tentando fazer a minha parte. Se todos os envolvidos, e, principalmente a mídia também se preocupassem em fazer o mesmo, creio que as coisas poderiam estar bem melhor do que no momento atual. Digo a mídia em geral, mas, claro que toda regra tem exceção. Existe sim bons programas na TV aberta que são sérios e que ajudam e muito a desmistificar a esquizofrenia e outros transtornos mentais.
    Não tenho vergonha nenhuma de assumir publicamente que sou esquizofrênico, apesar de não gostar dos rótulos. Na verdade, criei esse rótulo apenas para que o que escrevo seja encontrado na internet, através dos motores de busca (google, bing, etc...).
    Não tenho vergonha de assumir que tenho esquizofrenia, pois basta olharmos os jornais de hoje em dia para constatarmos que os "ditos normais" é que estão cometendo as verdadeiras loucuras. Nem vou entrar nos detalhes, é só olhar os noticiários.
    Aqui vai o meu agradecimento à todos os leitores do blog, que sempre me deram a força para continuar nessa luta.
    Desculpem-me se não respondo à todos os comentários: tem dias que não estou bem, aliás são dias seguidos que o desânimo toma conta de mim, e no final acabo não respondendo um comentário ou outro, mas são poucos os que não retorno. E, claro, alguns estão fora do meu entendimento, não sou o dono da verdade, e tampouco me acho na condição de responder todas as questões sobre o assunto. Mas, na condição de uma pessoa que sofreu e ainda sente na pele o que é ter um tipo de transtorno, posso me considerar apto a tentar pelo menos ajudar algumas pessoas que estão passando agora o que passei alguns anos atrás.
    Como forma de gratidão à todos os que acompanham o blog, vou distribuir cópias do livro que escrevi, Mente Dividida, para os leitores que acessarem o blog entre as visualizações de 498.980 até 500.020. Para comprovar a visualização, basta tirar um print como o da imagem abaixo e me enviar por email com o assunto "livro"  (juliocesar-555@hotmail.com).

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Avisos....

 
     Internet todo mundo sabe como é, às vezes está boa, às vezes está mais lenta do que uma tartaruga e outras vez nem funciona. E foi em uma vez dessas “caídas” da internet que reaprendi uma antiga lição.
    O pessoal que acompanha o blog sabe que estou com um problema no dedão do pé que está me deixando  numa pasmaceira danada.. São quase dois anos de inatividade quase que total, praticamente passando o dia inteiro na frente do notebook, e, de noite assistindo um pouco de TV aberta para pegar no sono.
    Estou todo enferrujado, acho que nem no gol consigo jogar mais. Minhas andanças atuais se resumem em ir ao restaurante popular para almoçar. Dia de pagamento, que, antes era uma alegria e alívio, agora se tornou um pouco sofrido, pois tenho que ir na lotérica sacar a grana, pagar o aluguel e depois ir no centro para comprar os ingredientes para a minha ração diária: aveia, leite de soja, gérmen de trigo e fibra de trigo.
   Resumindo, antes conseguia ir de Minas Gerais até o Rio de Janeiro a pé, com uma mochila de 11kg nas costas, e agora mal consigo andar com o meu peso, ou melhor, sobrepeso, pois a balança está acusando no momento 3, 650kg a mais do que o de costume.
    Voltando à internet, aqui na república onde moro, ela está parada por quase um dia. De manhã telefonamos para a empresa provedora, que afirmou que houve um erro no sistema (sempre ele)  que estava acusando que o pagamento da mensalidade do mês anterior não havia sido efetuado.
    Voltei a telefonar, já na parte da tarde, para informar sobre a conta paga e disseram que poderia demorar 24 horas para o problema ser resolvido, deve ser por causa do tal sistema. Então, de noite, quase completando as 24 horas, resolvi telefonar novamente para saber se havia uma previsão de quando o serviço iria voltar a funcionar.  E fui informado que o problema poderia demorar mais 24 horas para ser resolvido, pois, segundo a operadora, esse prazo é contado a partir do horário da reclamação feita e não do momento em que o problema aconteceu... Ou seja, provavelmente no mínimo mais 24 horas sem internet. Fora a musiquinha chata que temos que ouvir até sermos atendidos. Trabalhei como operador de som por 17 anos e posso afirmar com total convicção que as gravações dessas músicas são feitas da pior maneira possível, com o som todo distorcido, com o propósito de nos irritar mesmo, e assim contar com a nossa desistência.
    Pois, se quisessem prestar um bom atendimento, iriam colocar uma música de qualidade, nos deixando mais calmos. E a qualidade das chamadas também são péssimas, acho que as palavras mais ditas nessas ligações são “o que?” “hein?”, “repete, por favor”.... Fora os palavrões que os mais impacientes devem falar....
    Como já disse anteriormente, para melhorar o serviço, durante a espera para sermos atendidos deveriam ter uma opção para ouvirmos um sonzinho até a atendente dar o ar da graça;
“Se quiser ouvir música clássica digite 1
Caso queira ouvir rock digite 2
Caso queira ouvir música country, digite 3"
E por ai vai....
    Então, durante esse tempo sem internet, confesso que tive uma crise de abstinência. Fiquei sem saber o que fazer, não tinha para onde ir, sair por ai, pois, além de ser final do mês e a grana estar curta, o meu pé não ajuda muito durante as caminhadas. Mas a verdade é que sou anti social mesmo, com grana ou sem grana eu ficaria dentro de casa mesmo... shasuahsuahsuashaushas Ou então iria passear em uma praia deserta como fiz no "Caminho do Padre Anchieta"
curtindo uma praia deserta no Espírito Santo....

    Então fiquei dentro de casa mesmo, andando de um lado para outro, à todo momento conferindo no notebook se o sinal da internet voltava. Estava me sentindo enjaulado, pensando em vender tudo de novo, pegar a minha barraca e cair nas andanças novamente, mesmo com o pé machucado, pois prometi a mim mesmo fazer "os quatro caminhos da estrada real" antes de ir dessa para outra.  Só fiz dois caminhos, e ainda faltam mais dois, cada um tendo mais ou menos 500km. Só usei drogas três vezes na minha vida, não sei como é ter uma crise de abstinência, mas o que estava sentindo devia ser algo parecido com a de um viciado em drogas e que estava sem fazer uso há alguns dias.
    Mas por volta das três horas da tarde recebi um telefonema da secretária de saúde, informando o horário e o dia do meu atendimento com o ortopedista que irá avaliar o meu dedão, se irá precisar de cirurgia ou não. Acho que o problema só vai ser resolvido na faca mesmo, pois já fiz fisioterapia e tomei um suplemento alimentar, tudo em vão. Ou então arranca o dedão de uma vez, pois assim pelo menos não irei sentir mais dor nenhuma. Mas que vou terminar essas andanças, eu vou... Pelas minhas contas, deverei ser operado no ano de 2019, pois foram dois anos até conseguir a consulta para ser avaliado, creio que a fila das cirurgias deva estar bem grande, pois aqui em Belo Horizonte a situação está complicada na área da saúde, nem diazepan está tendo nos postos de saúde. Inclusive o tema saúde está sendo o pilar da campanha para prefeito de um candidato aqui da capital mineira.
    A crise de abstinência foi ficando mais forte e angustiante e então, para aliviar, comecei a limpar o meu quarto, coisa que não fazia há algum tempo (não vou falar quanto tempo, pois tenho até vergonha de dizer). Na república onde moro sempre limpo o banheiro, e as áreas em comum. O meu quarto fica meio bagunçado mesmo, mas o resto procuro deixar mais ou menos limpo. Então, comecei limpando o chão, depois passei cera na cômoda e silicone na tv e no som, que ficaram como novos e brilhando. Limpei também o frigobar e o quintal. O único não estudante dessa república sou eu, o resto faz faculdade. É a crise, o aluguel até baixou um pouco, mas continua um pouco apertado para o meu orçamento, mas prefiro assim para ter um pouco de paz e tranquilidade.
a abstinência da internet deve ser parecida com a das drogas....
    Já de noite, fiquei ouvindo um som para tentar criar ânimo para fazer um pouco de exercícios físicos, para não atrofiar a musculatura. Me lembro que, por volta do ano de 2005 quase não consegui subir uma escada de um prédio, devido ao sedentarismo. Se não tivesse corrimão provavelmente não iria conseguir subir aquelas escadas para ir à reunião dos neuróticos anônimos, pois naquela época ainda não sabia o que eu realmente tinha. Essa foi apenas uma das inúmeras tentativas que fiz para tentar descobrir o que se passava dentro de minha cabeça. Mas, no final da reunião descobri que seria um grande alívio para mim se descobrisse que tinha apenas neuroses naquela fase de minha vida.
    Depois de quase meia hora ouvindo música, consegui criar um pouco de ânimo para fazer os exercícios físicos. No começo foi um pouco complicado, mas depois começou a fluir melhor e notei que estava um pouco mais animado do que nas vezes em que ficava o dia inteiro sentado na frente do notebook.
a caixinha de som ficou brilhando...
    Logo após de um relaxante banho, senti um bem estar que há muito tempo não sentia. Me senti tão bem que resolvi escrever estas linhas, coisa que não fazia há quase 2 meses, como podem ver na data da última postagem. A sensação que dá é que a internet suga um pouco a energia da gente. Ficar tanto tempo em frente de um monitor, sem piscar os olhos, dá um cansaço mental,  que também deve ser refletir na parte física. Mesmo se a internet voltar, vou procurar algo para fazer, vou tentar pelo menos caminhar até o parque ecológico aqui perto de casa, para fazer exercícios naqueles aparelhos coloridos do pessoal da terceira idade. É bom que já vou me acostumando com a situação, pois já vou fazer 48 anos e assim não ficarei tão deprimido quando chegar a hora de realmente ficar só nesses aparelhos e ter que parar com os exercícios mais puxados....
    Além de deixar a vista cansada, algumas coisas estão torrando a paciência na internet: a tal da polarização nas redes sociais, principalmente no facebook: se discute política, qual cidade é melhor do que a outra, o que é certo e errado, e, religião, é claro. Não tem meio termo: ou a gente fica de um lado, ou fica do outro. Ou é Dilma ou é Temer, ou é cristão ou é ateu... Ou é coxinha ou é PT...  Confesso que já falei, ou melhor, digitei um monte de besteira, pois acabei caindo nessas provocações nas redes sociais. O pessoal fica me zoando, me chamando de índio, ou boliviano, pois na foto do perfil estou um pouco bronzeado, mas sou branquelo mesmo. Me sinto honrado sendo chamado de índio ou boliviano, e sempre levo numa boa. Mas essas discussões acabam cansando também e a gente acaba meio que se contagiando no meio de tanto ódio gratuito. Aliás não sei nem se é ódio, talvez seja infelicidade mesmo.
   Como acredito que quase tudo tem um lado positivo, esse problema na internet da "OI" (aqui falo mesmo os marcas) ajudou a descobrir que não vale a pena ficar o dia inteiro na frente do computador. Temos que aprender a dosar esse tempo. A internet é útil, desde que bem usada e no tempo certo. Vou tentar ficar menos tempo na frente do computador, mesmo que não tenha tantas opções de ocupar o meu tempo, por causa do problema no meu pé.
   Bem, essa foi a lição que aprendi neste período que fiquei sem internet, espero que tenham gostado da postagem e que também ponham em prática, caso tenham também esse costume de passar mais horas na internet do que o limite considerado aceitável.

    Essa música é uma homenagem ao grande Wander Lee, um compositor aqui de Belo Horizonte que, não sei por que, não fez tanto sucesso assim no restante do país. Digo fez por que infelizmente ele faleceu no início do mês passado e então vai aqui a minha singela homenagem à esse grande compositor, que fez canções incríveis.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Diazepan e outros pans da vida, o desmame

    Gostaria de esclarecer, antes de tudo, que essa postagem não foi feita para incentivar ninguém a parar com seus medicamentos, é apenas uma ajuda para aquelas pessoas que pretendem parar com os remédios por acreditarem que podem viver sem nenhum tipo de droga ou que então já estão prontas para viver a vida normalmente. O que posto é resultado de minha própria experiência na difícil tentativa de parar com o diazepan. 
    Os ansiolíticos, os antidepressivos e em alguns casos os antipsicóticos deveriam ser receitados ou indicados para serem usados em um momento específico de nossas vidas. Momentos em que não nos sentimos bem e precisamos de uma ajuda extra para conciliar o sono e realizar algumas tarefas, e, no caso dos antipsicóticos, de organizar os nossos pensamentos.
    O problema maior é que algumas vezes não somos avisados sobre o risco que esses medicamentos têm de causar uma forte dependência física e psicológica. Os médicos ou estão sem tempo para nos avisar ou então estão sendo displicentes mesmo, pouco ligando para a saúde de seus pacientes. Claro que existem exceções, não vamos generalizar. 
    No meu caso em particular, me foi receitado o diazepan sem nenhuma ressalva ou aviso sobre o risco da dependência. Foi a minha primeira consulta com um psiquiatra e não demorou mais do que dez minutos. Havia saído do meu primeiro e mais grave surto psicótico e sai praticamente diagnosticado e com as receitas na mão nesse curto intervalo de tempo.
    Recebi as cartelas na farmácia do posto de saúde. A bula não recebi, e, caso tivesse recebido, provavelmente não a leria, de tão pequena que são as letras e também pelo vocabulário usado nestas bulas serem de origem acadêmica, de difícil compreensão.  Confesso também que foi um erro meu, a falta de informação sobre esse tipo de medicamento. Na minha mente eram pílulas milagrosas, capazes de me proporcionar o sono dos justos e consertar a minha cabeça maluca e sonhadora. 
    No início não senti dificuldades, tomava um comprimido de 10mg e conseguia acordar por volta das sete horas da manhã, pois ainda estava morando nas ruas e dormia em frente ao instituo estadual de florestas, aqui em Belo Horizonte.
    Mas, com o tempo, a memória começou a ficar prejudicada, principalmente a recente. Consigo lembrar quase que perfeitamente de fatos da minha infância e antigos, mas esqueço com uma facilidade enorme o nome de uma pessoa que me foi apresentado há pouco tempo. Nome de ruas então, nem pensar em tentar decorar, o jeito é escrever em um papel mesmo ou anotar no celular. E, por falar em celular, já desisti há muito tempo de decorar telefones, nem o número do segundo chip que comprei há pouco tempo consigo decorar, mas o que comprei há mais de dez anos lembro-me com facilidade... 
    E, além do prejuízo da memória que constatei, ainda se tem notícias que o uso prolongado desses benzodiazepínicos podem causar outros problemas como fala arrastada, cansaço, a tradicional ressaca na parte da manhã. Esses são efeitos a curto prazo, já a longo prazo se comenta muito que pode causar até Alzheimer e demência.

Efeitos dos ansiolíticos a longo prazo
    Efeitos adversos tardios produzidos pelos benzodiazepínicos incluem uma deterioração geral da saúde mental e física que tendem a aumentar com o tempo. Nem todos, porém, enfrentam problemas com o uso a longo prazo. Os efeitos adversos podem incluir também o comprometimento cognitivo, bem como os problemas afetivos e comportamentais: agitação, dificuldade em pensar de forma construtiva, perda do desejo sexual, agorafobia e fobia social, ansiedade, depressão maior, perda de interesse em atividades de lazer e incapacidade de sentir ou de expressar as emoções. Além disso, pode ocorrer uma percepção alterada de si, do ambiente e nas relações sociais.

    Então, a solução que encontrei foi parar enquanto não aparecesse os sintomas mais complicados. 
    Na primeira tentativa, desisti logo no início, que foi o método mais radical: parar de tomar de uma vez e pronto! Mas no meu caso veio uma pressão interna na cabeça bem forte, parecendo uma dor de cabeça, na altura da testa, bem perto dos olhos. De início pensei que fosse alguma besteira que havia comido, mas, pesquisando na internet, vi que outras pessoas também tinham esse sintoma. Além desse incômodo, notei que também estava ficando mais agitado e me irritava com facilidade. Resolvi voltar a tomar o diazepan e a dor de cabeça, juntamente com os outros sintomas sumiram. 
     Na segunda tentativa, não obtive muito sucesso também. O método aplicado foi de tomar um comprimido de diazepan dia sim, dia não, ou melhor dizendo, noite sim, noite não.
     Não achei esse método eficiente, pois como há uma grande dependência psicológica, senti muita dificuldade de pegar no sono nas noites em que não tomava o comprimido do pan nosso de cada dia. 
    A terceira tentativa foi a que deu mais resultado e que estou aplicando até hoje. O método é simples: ir diminuindo gradativamente até a dose mínima sem sentir os sintomas mais fortes da abstinência. Cheguei a tomar 20mg por noite, diminui para 10mg e depois de alguns meses consegui diminuir para 5mg, o que é um grande feito para quem não conseguia sair de casa sem estar com uma cartela do diazepan no bolso, pois no meu caso particular o medicamento funcionava também como um SOS para evitar as crises paranoicas que tive e ainda tenho. Estava com uma mania de perseguição absurda e, do nada viam crises de pânico e uma vontade enorme de me esconder. E, como ainda estava trabalhando na época, tive então que usar o diazepan como um sos mesmo, pois os antipsicóticos me deixavam com muito sono e lento, podendo causar um acidente de trabalho, pois tinha que carregar caixas de som e ficar algumas noites acordado durante as festas.
     Com esse terceiro método vou tentando parar. Fico chateado, pois não pedi para ter esse vício, que é o único que tenho, tirando o chocolate e outras besteiras. Creio que todos os médicos deveriam alertar seus pacientes sobre os riscos da dependência física e psicológica desses medicamentos, e que eles não fazem milagres, pois, se estamos devendo “a Deus e ao mundo”, nossas contas não serão pagas pelos pans da vida.
     Creio que com os antidepressivos também deve ser usado esse terceiro método. Já ouvi dizer que não precisam de desmame esses medicamentos, mas como o nosso organismo não ficaria acostumado com algo que é feito por pílulas e que deveria ser feito por ele mesmo? Neste caso cito a serotonina, que é produzida naturalmente pelo nosso organismo, e que, de repente é ajudado por um comprimido a liberar o neurotransmissor. Não ficaria acostumado, viciado o nosso organismo? Creio que sim. 
    No caso do diazepan e outros remédios para ajudar a conciliar o sono, além do método citado, é aconselhável também a praticar exercícios físicos, que ajudam a diminuir o stress e a ansiedade. E também ajudam no bem estar, caso a pessoa esteja querendo se livrar de algum antidepressivo. Reduzir o consumo de café e outros estimulantes também é aconselhável, principalmente no período da noite. 
   Já estou tirando um pedacinho do meio comprimido do diazepan de 10mg. Devo estar tomando por volta de 3,5 à 4mg por noite.  O próximo passo será diminuir para 2mg. Na rede pública aqui em Belo Horizonte não se encontra o diazepan nessa dosagem, só em farmácias mesmo. Mas mesmo assim irei comprar, apesar da crise e do orçamento curto. Poderia diminuir o comprimido de 10mg em quatro pedaços para se chegar a dosagem de aproximada de 2mg mas, além de ser um pouco difícil a divisão, ainda se tem a dependência psicológica. Vou explicar melhor:   me sinto melhor tomando um comprimido inteiro de 2mg do que tomando um pedacinho de um mesmo comprimido de 10mg. 
         Claro que se pudermos contar com um bom profissional para nos ajudar neste difícil empreitada é melhor, mas, caso o mesmo não ajude, devemos procurar enfrentar essa batalha sozinho mesmo. No meu caso particular, o “psiquiatra” do posto de saúde do meu bairro quer que eu pare com o diazepan, mas trocando por um antipsicótico chamado stelazinne ou então por uma injeção de haldol... Nem vou comentar, pois até hoje não entendi esse psiquiatra, como pode querer tirar a dependência do diazepan me fazendo viciar em um medicamento ainda pior, que causa tremedeiras e vários outros efeitos colaterais indesejáveis? 
      Nessa difícil jornada de tentar se livrar do vício dos ansiolíticos devemos ouvir, antes dos médicos, o nosso próprio organismo. Devemos estar atentos se algo não está se modificando à medida que vamos diminuindo a dosagem dos medicamentos. Se não há uma dor de cabeça, um cansaço, um nervosismo que não tínhamos antes. Nosso organismo nos avisa de quase tudo o que está acontecendo de errado com ele, e sempre há tempo de consertamos o que não está bem. 

CDE- Central de Downloads do Esquizo
    Nesta postagem estou disponibilizando o livro "Uma análise dos efeitos do uso a longo prazo de antidepressivos", que pode nos ajudar a esclarecer se esses medicamentos podem ou não causar dependência ao paciente.

Resumo
   Não é de hoje que a humanidade busca remédios para atenuar, tratar e curar os mais
diferentes tipos de sofrimento. Com as ”doenças da alma/corpo” a história não tem sido
diferente. Pesquisamos os efeitos do uso a longo prazo de antidepressivos a partir do
relato de cinco pessoas, que utilizam o remédio há mais de três anos. O estado
subjetivo da depressão e os antidepressivos são as contingências que fornecem os
relevos para respondermos sobre a existência de um sofrimento remanescente ao uso
do psicofármaco. Deste modo, na pesquisa investigamos como a medicalização da
depressão entra num dispositivo que faz dela a realidade do tratamento dos transtornos
psíquicos, o contexto no qual a depressão se insere e a sua função no intercâmbio
social. Desdobramos as múltiplas faces dos psicofármacos, resgatando, o conflito
inerente ao phármakon. A prescrição do phármakon no tratamento em saúde mental
traz a necessidade do debater da dimensão ética, pois ao mesmo tempo em que os
psicofármacos podem ser aliados importantes, não devem retirar o protagonismo do
sujeito no seu tratamento. Sendo assim, revisitamos e procuramos realocar o discurso
dos entrevistados como elemento essencial para a análise. As entrevistas relatam
vivências que nos mostram que o estado depressivo é, antes de tudo, uma experiência
sensível e não é apenas consequência de um déficit neuroquímico, passível de ser
corrigido com antidepressivos. Os relatos guardam histórias de diversos tipos de
violência, tentativas de suicídio com uso de psicofármacos, internações hospitalares
etc. Trata-se de histórias que foram escamoteadas no processo de medicalização.
Deste modo, amparados na psicanálise, posicionamo-nos a partir da ética do bemdizer,
tendo como prerrogativa que o antidepressivo não pode tamponar a palavra do
sujeito em sofrimento psíquico. Sabemos, por meio de Freud/Lacan, que a queixa
sintomática é apenas o início do tratamento e que o trabalho se dá a partir dela.
Concluímos que o antidepressivo após o uso a longo prazo pode dificultar com que o
sujeito se reaproprie da sua história, impossibilitando com que se implique no seu
sofrimento. Percebemos que as “terapias da fala”, conjuntamente com antidepressivos,
podem ser um modo de o sujeito “mudar para ficar o mesmo”, não se implicando com
seu sintoma. Assim sendo, não podemos desconsiderar o sintoma psicanalítico
enquanto tangente da via desejante. Concluindo, nosso trabalho aponta para uma
possível realização das potencialidades do sujeito, de modo a fomentar um cuidado de
si e a criação de uma estilística da existência.
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quarta-feira, 8 de junho de 2016

Gratidão

    Antes de fazer alguns agradecimentos nesta postagem chamada gratidão, tenho que explicar o motivo pelo qual estou fazendo estes agradecimentos.
    Novembro de 2014, ainda estava nas minhas andanças, ora morando na minha barraquinha de camping, ora dando um tempo em um abrigo qualquer.
    Foi em uma dessas paradas para recuperar as energias e descansar minhas canelas é que tive um acidente, que, se não foi fatal, mas me deixou profundamente triste: estava caminhando por um parque ecológico, quando, de repente, bati a "tampa do dedão" na raiz de uma grande árvore. Doeu um bocado, mas não fiquei muito preocupado naquele momento, achando que iria melhorar como das várias outras vezes que me machuquei jogando futebol ou andando por ai nas trilhas da estrada real.  Sempre achei o tempo o melhor remédio para as feridas, tanto físicas como emocionais  (hoje "tô inspirado!!!).
   Desde pequeno fui sempre de andar muito e praticar esportes. Me lembro muito bem que passava o dia inteiro jogando bola na rua, no bairro Prado, aqui em Belo Horizonte.  Naquela época não havia tanto trânsito naquela região, e pouco se falava em assaltos e bandidos, a não ser  nos filmes de Hollywod. Nos finais de semana e durante as férias, a turma do bairro ia até o colégio Loyola para jogar bola em um dos vários campinhos de terra que havia por lá. Disse "havia" mesmo sem ter certeza, pois provavelmente já devem ter construído algo naquele enorme espaço no lugar dos campinhos, pois, além do fato da diminuição das áreas de lazer nos grandes centros ser uma realidade, a garotada  hoje em dia só quer saber de estar "conectada" mesmo nas redes sociais, só jogando futebol nos vídeos games. Com certeza os estudantes do Loyola na hora do recreio hoje em dia estão mexendo nos seus smartphones e tablets, ao invés de estarem correndo atrás de uma pelota e gastando suas energias.
    Me lembro muito bem daquela época. Depois de quase duas horas jogando bola, ainda voltávamos a pé para casa, que ficava distante cerca de 2km do colégio. Às vezes pedíamos carona na Avenida do Contorno, o que era conseguido rapidamente e sem complicações naquele época.
    Já de noite, brincávamos de queimada, war, banco imobiliário, e esconde esconde. Mas a área do esconde esconde não se limitava à algumas dezenas de metros, era permitido se esconder no quarteirão inteiro! Entrávamos nos edifícios, subíamos nos telhados das casas, escondíamos nos jardins das residências que ainda não tinham muros na entrada.
durante quase dois anos essa foi a minha humilde residência
    E assim fui crescendo, sempre jogando o meu futebolzinho para tirar o stress do dia a dia. Mas a idade foi chegando e notei que, a partir dos 40 anos, a galera da pelada onde frequentava na cidade de Ipatinga passou a me apelidar de "o goleirão", pois, a partir daquela fase de minha vida começaram sempre a me escalar para atuar debaixo das traves. Até que gostava, me considero um bom goleiro. É uma sensação boa voar até a bola, evitar um provável gol e ver a cara de raiva dos atacantes quando praticava uma boa defesa. Mas, convenhamos que,  correr, suar e fazer um gol é muito melhor e mais saudável também. E fora que ainda tinha que ouvir a galera zoando quando tomava um frango. Os caras faziam gracinha querendo driblar todo mundo, perdiam a bola e eu ainda tinha que me esfolar todo no campinho de terra para evitar o gol do adversário. Aquela pelada era tradicional em Ipatinga, muito concorrida, às vezes chegava a ter três ou quatro times de "fora". ('time de fora" na pelada são os ruins de bola, os mais velhos, os que sobraram na hora de escolher os times no par ou impar. Geralmente cada partida dura dez minutos, a não ser que um time faça dois gols primeiro).
    É jogando futebol que consigo esquecer quase que totalmente as minhas paranoias. Às vezes pinta sim uma mania de perseguição, pensando que todos estão olhando para mim, mesmo que a pelota não esteja nos meus pés. Também assistindo um bom filme consigo um pouco fugir da realidade desse mundo em que vivemos.
     Infelizmente é um pouco difícil encontrar uma galera na faixa dos 45 aos 50 anos para jogar um futebolzinho, e então me arrisco a jogar com a garotada mesmo.  E aí alguns caras ficam dando uma de "Neymar" para cima de mim, fazendo gracinhas, dando pedaladas, etc... Ai haja paciência e fôlego para ficar correndo atrás dessa galera,  confesso que de vez em quando dou umas entradas meio fortes, só para avisar que não estou para brincadeira, mas não é nada sério, é só um "chega pra lá mesmo". Mas, modéstia à parte, se eu jogar com caras da minha idade, ainda "mato a pau", isso se antes me deixarem pegar um ritmo de "pelada", pois quando fico muito tempo sem correr tudo fica enferrujado,
    Então, a solução que encontrei para tirar o stress do dia a dia foi correr sozinho mesmo, apesar dessa prática ser um pouco monótona na minha opinião. Correr e andar é uma necessidade para mim, não somente para aliviar o stress provocado pelas minhas paranoias como também para ajudar o organismo a produzir a tal da "endorfina" e outras "inas" mais....
a topada na árvore causou a redução dos espaços interfalangeanos... 
    Bem, voltando ao problema que tive no dedão do pé esquerdo, pensei que se tratasse de mais uma das inúmeras lesões que tive ao longo de minha vida que melhoraram com um pouco de gelo e com o passar do tempo. Mas não, a cada dia que se passa, parece que a dor ao caminhar aumenta mais, pois o local é onde apoiamos o nosso corpo ao caminhar, principalmente nas subidas. A sensação que tenho é que tem um osso encostando em um outro osso...
    Na minha primeira ida ao posto de saúde por conta dessa lesão, o médico, "super atencioso" nem olhou para o meu pé e apenas recomendou passar água morna no local. Talvez seja aquela água milagrosa que cura os jogadores profissionais: quando o time está ganhando, os caras caem em campo, fazem cara feia, rolam de um lado para outro, esperam a maca chegar para serem retirados do campo. Ai o médico joga uma água na canela deles e num passe de mágica estão de pé pedindo autorização ao juiz para entrar em campo novamente. O médico do posto de saúde só não me avisou em qual farmácia posso comprar dessa água milagrosa.
    Confesso que naquele momento deu uma vontade enorme de falar algumas coisas para aquele "doutor", que ficou apenas escrevendo algo em uma folha que estava sobre sua mesa. Mas consegui me conter.  Com o passar do tempo a dor foi só aumentando e então tive que desistir das minhas andanças e cancelar o meu objetivo de conhecer o centro oeste e o norte do Brasil. Se já não é nada fácil andar com uma mochila de 11kg nas costas em boas condições, imagine com o pé machucado. A verdade é que a mochila durante esses dois anos se transformou em parte do meu corpo, era como se tivesse engordado 11kg de uma hora para outra. Até dava uma sensação esquisita de alívio quando dava para caminhar sem a mochila.
     Com endereço fixo, procurei outro posto de saúde e tive um outro tipo de atendimento, como podem verificar na carteira nacional de saúde que recebi quando era um "caminhante"  e a que recebi quando estava com um endereço fixo.... Claro que o médico também foi muito legal comigo, além de me ouvir, mostrou realmente que trabalha com vontade e seriedade. Não sou só de criticar, existem sim bons profissionais no sus, que não se aproveitam da condição de funcionário público...
acima, o cartão que recebi quando era um "caminhante"
abaixo, o cartão que recebi quando passei a ter um endereço fixo
    Foi solicitado então um raio x, que demorou cerca de seis meses para sair. Foi constatado que houve uma redução dos espaços interfalangeanos do dedão do pé esquerdo. Então, mais uns seis meses tive que esperar para ser atendido pelo ortopedista, que me receitou um medicamento e algumas sessões de fisioterapia. Ou seja, da contusão até o início da fisioterapia passaram-se cerca de um ano e seis meses, isso por que fui insistente. Quando detonei o meu tendão de aquiles na minha primeira andança, foi pré agendado uma consulta com um ortopedista, mas até hoje não me chamaram... Isso foi em 2012, mas, por sorte a dor dessa lesão foi diminuindo aos poucos, até sumir por completo. E ainda tem gente que diz que o sus (letra minúscula mesmo) é um serviço eficiente....
    Nesse tempo todo de espera, tive que parar com as minhas caminhadas, com os exercícios físicos e apenas na hora de almoçar é que ando uma certa distância, o que é muito pouco para uma vida saudável. Engordei 3kg e estou todo enferrujado, como se tivesse envelhecido dez anos em um ano e seis meses.
    Além da perca de qualidade de vida na parte física, tem a parte mental e psicológica também. É aquela velha frase: "men sana in corpore sano". O exercício físico tira o stress, relaxa, libera a endorfina e melhora o humor, o que é essencial para aguentar algumas zoações, principalmente de estranhos. Como sempre digo, nunca escondo a minha condição, pois sou aposentado e tenho que comprovar a minha renda para os donos dos imóveis de quem alugo um quarto.  Infelizmente tem que ser quarto, meu sonho era poder alugar um barracão, ter a liberdade, privacidade e ficar sozinho mesmo, até que gosto da minha companhia, convivo muito bem com meus pensamentos. Quem tem medo de ficar sozinho talvez tenha medo de seus próprios pensamentos, pois a solidão geralmente leva à reflexão e a algumas conclusões.
http://www.asomadetodosafetos.com/2016/05/a-solidao-pode-transformar-voce-em-uma-pessoa-feliz.html#comment-2095
 
A "fisioterapia"
   Terminei, sem sucesso e nenhuma melhora, as vinte sessões de fisioterapia indicadas pelo ortopedista. Comprei a glucosamina, que é um suplemento um pouco caro para os padrões de um aposentado. Como ganho um salário mínimo e ainda tenho que pagar aluguel, não tive dúvidas em apelar para o blog e os leitores. E fui prontamente atendido! Com a grana que recebi comprei o medicamento e deu também para pagar as passagens do metrô aqui de Belo Horizonte, que, na verdade é apenas um trem um pouquinho mais rápido. O ar condicionado é bem fraco e, além de lento, chacoalha bastante.  Apesar do desconforto, prefiro ainda pegar o metrô de Belo Horizonte do que o de São Paulo...
metrô de Belo Horizonte
    Muito obrigado de coração aos que me ajudaram, sem essa ajuda provavelmente teria que fazer um empréstimo ou então vender alguma coisa que tenho, ou a TV ou o home theather. Mas sempre é complicado vender algum aparelho eletrônico por um preço razoável. As pessoas sempre querem um descontinho, dão aquela pechinchada, ai temos de início colocar um valor acima do que queremos, para, quando for baixar o preço, ai sim conseguir vender pelo valor que desejávamos.
    Tive uma contribuição misteriosa: apareceu na minha conta salário um valor que não foi possível descobrir a origem, nem mesmo instalando o plugin da caixa econômica no meu notebook. E esta conta que recebi a contribuição não divulgo atualmente aqui no blog, por questões paranoicas e de segurança também. Já divulguei essa conta há alguns anos atrás, mas agora consegui abrir uma conta alternativa para vender o livro. Seria então a dilma (com letra minúscula mesmo) fazendo uma gracinha com os aposentados numa desesperada tentativa de não ser afastada ou então aumentar o rombo para o seu sucessor? Brincadeiras à parte,  provavelmente foi uma pessoa que fez o depósito em uma agência lotérica e não quis se identificar. Então vai o meu agradecimento pelo blog.
    Mas logo desinstalei o aplicativo da caixa, pois esse plugin pode deixar a internet lenta e o computador também
http://www.creditooudebito.com.br/por-que-aplicativo-seguranca-banco-sempre-trava/
    Voltando ao assunto, essa inatividade toda, além de me fazer ganhar peso, também me deixou mais estressado, impaciente, cortando mais da metade do meu pavio, que creio ser bem longo. O psiquiatra queria até me passar um antipsicótico forte e chegou a"sugerir" uma injeção de halol, que recusei, é claro. Ele simplesmente bloqueou o diazepan e me receitou também um antipsicótico leve chamado stelazinne. Fiquei desesperado quando fui tentar pegar o pan nosso de cada dia no posto de saúde e constatar que o mesmo havia sido bloqueado para o meu uso. No outro dia voltei ao psiquiatra e foi uma confusão danada, sendo necessário chamar o segurança do posto de saúde. Mas não saí de lá com  a receita do diazepan. O problema é que alguns profissionais da área da saúde mental enxergam o indivíduo apenas como uma mente e um cérebro, creio que deveriam nos olhar como um todo, ou seja, algo real está me deixando irritado, que é a dor no meu pé e a péssima qualidade no atendimento. Estou uma ano e seis meses andando com dores no pé, e creio que o problema poderia ter sido resolvido facilmente se fosse tratado no início. Ou seja, o psiquiatra estava imaginando que um antipsicótico qualquer me faria aceitar a situação, ser humilhado e não ficar revoltado com toda esse descaso. Como disse, o primeiro médico nem chegou a olhar para o meu pé, apenas mandando passar água morna afirmando que o problema seria solucionado. Resumindo, o antipsicótico me deixaria um pouco dopado, e assim aceitaria ser mal atendido nos postos de saúde. Simples assim.
    Considero uma revolta normal, aceitável, seria estranho se aceitasse tudo passivamente... Estranho como que todos podem se exaltar, chutar o balde, fazer caras e bocas... Todos, menos quem tem um tipo de transtorno mental, por que logo imaginam que vamos sair por ai quebrando tudo o que vemos pela frente... 
   E, por falar em antipsicóticos, os exercícios físicos, as caminhadas, além de serem um vício, são também bons antipsicóticos. Tudo o que nos  ajuda a não pirar é antipsicótico: ocupar a mente, fazer algo que gostamos e por ai vai...
     E, de repente, sou impedido de continuar com essa prática tão sadia. Agora já não tenho certeza se o meu pé irá melhorar, afinal foram-se um ano e seis meses sem atendimento e andando forçadamente com esse problema, o nosso corpo é uma máquina que se desgasta se não for utilizada corretamente, não tem como fugir disso.
    Era um problema simples, que agora virou um drama para mim. Me sentia feliz nas andanças, apesar dos perrengues que passava, Agora, além de ter que lutar contra um inimigo interior chamado esquizofrenia, agora tenho que aprender a convier com essa limitação física?
     Sempre digo que não tem como comparar o sofrimento físico com o mental, São duas coisas bem distintas, o problema no sofrimento mental é que, além da dor na alma temos que conviver com a incompreensão das pessoas, achando que estamos de frescura e que somos preguiçosos.
     Me compadeço de quem está em situação pior do que a minha, mas não uso a miséria alheia para me confortar e assim ficar mais feliz. Se todos seguissem esse raciocínio, o mundo não teria tristeza, afinal sempre encontramos alguém em pior situação do que a nossa. Não irei ficar feliz por não ter uma perna por saber que existem pessoas que não possuem as duas pernas...
     Mas não vou desistir, apesar de estar sem energias para lutar. Ainda tenho esperança de voltar a andar normalmente, jogar um futebolzinho, voltar com as minhas andanças para completar os quatro caminhos da estrada real. Aliás, agora são cinco caminhos, pois criaram um caminho religioso, que começa em Caeté, aqui pertinho de Belo Horizonte, e termina em Aparecida do Norte, no interior de São Paulo. Mas esse caminho não pretendo fazer, pois 70% dele é o caminho velho da estrada real, que fiz há alguns anos atrás.
http://www.portalterrasaltas.com.br/novidades-detalhes.php?cod=86
    Foi uma decepção a fisioterapia, esperava, no mínimo, um melhor atendimento e ser ouvido. Apenas fazia alguns exercícios para reforçar a musculatura da perna, vinte minutos por cada sessão. Cheguei a perguntar se poderia fazer outros exercícios em casa e a fisioterapeuta apenas disse que podia. Também perguntei se poderia indicar exercícios mais específicos para o dedão do pé, mas ela disse que aqueles que eu estava fazendo eram suficientes.
    É uma das piores fases da minha vida essa que estou vivendo agora. Me pergunto como pode uma simples topada do dedão do pé em uma raiz de uma árvore  me impedir de andar? Vou viver o resto da minha vida assim, tendo apenas condições de andar um pouco por dia, um limite? Ou vou ter que usar bengala? A fisioterapeuta parece que não acreditou na dor que estou sentindo, pois sempre me indicava os mesmos exercícios do que todos estavam fazendo lá. Oras, se os problemas são diferentes, por que os exercícios têm que ser os mesmos? Apenas fazia pressão com o pé usando uma bola, andava em linha reta olhando para frente, e subia em um aparelho para testar o equilíbrio. Queria fazer algo mais, insistir mais no tratamento, mas parece que não queriam a minha rápida recuperação. E as fisioterapeutas que me atenderam não gostam de serem contestadas, já até me mandaram procurar a gerência para reclamar. O que elas gostam mesmo é de ficar no whatsapp boa parte do tempo...
o melhor "plano" de saúde é não adoecer...
    É uma pena que os profissionais da saúde mental no Brasil não olhem condição física da pessoa ao fazerem o diagnóstico, dando a impressão que somos apenas um cérebro e que não temos mais nada além disso. E a solução para tudo são os antipsicóticos e antidepressivos. Eu me recuso a tomá-los, pois não quero ficar mais calmo e assim aceitar essa imoralidade que é o atendimento pela rede pública. Não quero ficar feliz com uma pilula milagrosa, ela não irá "consertar" o meu pé, não irá devolver o meu direito de andar por ai. Sei quando preciso me acalmar, sei quando estou chateado por um motivo real, sempre faço minhas orações pedindo para que a única pessoa prejudicada com essa minha condição de "esquizofrênico" seja eu mesmo. Resolvi colocar aspas por que hoje em dia a mídia parece fazer questão de dar uma ênfase a qualquer deslize que uma pessoa que tenha esquizofrenia cometa, e esquecendo que os ditos normais não fazem coisas piores. E para piorar, essas pessoas cometem certos crimes em nome de um "amor", por causa de um real, e por ai vai.
Mas é isso, acho que foi um dos posts mais tristes que já fiz, mas não tem como disfarçar. Cada passo que dou hoje em dia é uma dor no sentido literal mesmo. Não quero aqui dar uma de coitadinho, que tenham pena de mim. Esta postagem é apenas mais um desabafo sobre o atendimento pelo sus. Em minha mente paranoica cheguei a pensar que esse tratamento era apenas para mim, que o sus também estava contra a minha pessoa. Mas não, sei que a realidade é essa para todos, basta ir em algum hospital ou Upa para constatar que toda a população é maltratada.
     Sinceramente não sei o que fazer, Será que vou ter que estudar fisioterapia para encontrar uma solução para o meu caso? Pois, quando descobri que o que tinha era um transtorno chamado esquizofrenia, tive que aprender a usar o computador, conhecer pessoas que tinham o mesmo problema do que eu para começar a entender melhor o assunto, e, consequentemente, a mim mesmo.
    Mas, agora, o problema é físico, e a situação é a mesma. Os profissionais da saúde parecem não gostar de nos esclarecer sobre o que temos, pois não obtive nenhuma resposta para os problemas que estou enfrentando neste momento em razão da minha atual limitação para andar. Na época dos surtos mais graves, caía, me estrepava todo, quase fui dessa para outra, mas tinha condições físicas para lutar, o que, sem poder andar, não sei como vou conseguir sair dessa.
    O jeito vai ser consultar o "Dr. Google" mesmo...