terça-feira, 19 de junho de 2018

Aposentadoria precoce

    Nesta postagem irei falar sobre como ocorreu minha precoce aposentadoria. A imagem que encontrei para ilustrar esta publicação não condiz muito com a minha situação, afinal não tenho grana para sair por aí viajando por aí. As outras imagens que tentei achar pesquisando sobre aposentadoria mostravam velhinhos, e algumas delas segurando uma boa quantia de dinheiro na mão.
    Na verdade me aposentei aos 40 anos, e consegui o auxílio doença aos 35 anos de idade. Fiquei longos cinco anos fazendo intermináveis perícias até me aposentar. Foi um processo cansativo, na época me davam dois meses de afastamento e mal dava para me esquecer que teria que marcar uma outra perícia.  Esses anos todos fiquei muito ansioso, o que me detonou um pouco. Ficava me perguntando como deveria agir na perícia, se deveria ir sozinho, se deveria exagerar em algum relato, enfim cheguei até a pensar a "dar uma de doido", fazendo gestos estranhos, etc... Mas, no final resolvi apenas contar a verdade, tudo o que havia passado e tudo o que estava passando. Ia as perícias com a mesma roupa que andava para ir ao restaurante popular. Usava meus tênis e não tomava nenhum medicamento para ficar com cara de dopado. E ia sozinho nas perícias depois que havia saído do albergue. Afinal a esquizofrenia é um transtorno que geralmente nos fazer isolar de tudo e de todos. 
     Muitos pensam que tenho vida boa,  que foi só ir no INSS e dizer que estava doentinho para conseguir me aposentar. A coisa não é tão simples assim, foi complicado por demais o processo. No livro que escrevi, chamado "Mente Dividida", conto com detalhes como foi que tudo aconteceu. 
     Antes de entrar nos detalhes, gostaria de dizer que a melhor coisa do mundo antes de surtar era trabalhar: era um ramo que gostava (música). Gostava tanto que trabalhei 17 anos seguidos e ininterruptos mexendo nas carrapetas da mesa de som. Era a minha alegria participar da alegria das pessoas, trabalhando em aniversários, festas de aniversário das cidades, cavalgadas, etc.. Só não gostava muito de trabalhar dentro da USIMINAS, pois, além de ser muito quente, por causa dos enormes fornos, o clima era um pouco tenso, pois os eventos geralmente eram inaugurações, E tinha aquela formalidade toda do hino nacional, com presença das autoridades e políticos. Até já fiz evento pro lula...  Era um saco. Sempre ficava muito tenso no início, pensava que os caras iriam me matar se o CD desse algum problema na hora de tocar o hino nacional. 
    Não tinha finais de semana, feriado, etc... E nem reclamava disso, a minha diversão era o próprio  trabalho. Férias só tirava uns 15 dias e já sentia saudade de mexer na mesa de som. 
    Mas, como boa parte dos leitores do blog sabem, os surtos começaram a aparecer por volta dos 30 anos de idade, e a situação ficou completamente fora de controle. 
    Creio que foi por volta do ano de 1999 que tive um surto mais ou menos leve. Cheguei a ouvir algumas vozes, mas o pior mesmo foi a mania de perseguição. Tentei tirar minha vida, mas, como podem perceber foi em vão. Havia pedido demissão do serviço, mas tempos depois consegui um outro trabalho. 
    Já em 2002 o surto foi grave. Novamente pedi demissão do serviço, e virei morador de rua por um período de cinco meses. Consegui me recuperar bem, com a ajuda de várias pessoas legais que encontrei pelo caminho. 
    Voltei a trabalhar e acredito que não demorou uns quatro meses para surtar. Tentei os medicamentos, mas não conseguia trabalhar dopado. Pedi demissão do serviço. Mas não saí por aí perambulando pelas BR's. Já estava esgotado fisicamente e psicologicamente. 
    Então a solução que encontrei, ou melhor a não solução, foi desistir da vida. Mas não tentei tirá-la, apenas me deitei na rua e esperei o tempo passar. No dia anterior havia almoçado em uma  churrascaria, era como se fosse a última refeição que iria fazer em minha vida. E também fui na zona, pois também queria ter a minha última relação sexual. 
    Então comprei um colchonete, um radinho e um monte de pilhas. Ouvindo música iria me desligar do mundo e o meu fim talvez seria menos doloroso. Me deitei no centro da cidade em uma sexta feira, por volta das quatro horas da tarde. 
    E passei o final de semana, ali, parado, sem ser incomodado por ninguém. Somente um cara que me ofereceu um lanche no domingo de noite. 
    Mas na segunda feira o tumulto começou. Algumas pessoas que não queriam o meu bem passavam por mim com aquele sorriso sarcástico. Outros percebi um olhar de misericórdia. Na parte da tarde a coisa complicou de vez: apareceu a polícia e até uma ambulância. Afinal havia passado o final de semana inteiro comendo quase nada e não me lembro de ter bebido água. Muitas pessoas pararam no local para ver o que estava acontecendo. Deu para ouvir o policial conversando com uma assistente social, que tentava argumentar a meu favor, dizendo que eu era um cara trabalhador e que gostava muito de praticar esportes. Cidade pequena tem essa vantagem ou desvantagem de todo mundo conhecer todo mundo.
       - Pensei que ele estava fingido para se aposentar...- ouvi um transeunte comentar. 
    A assistente social parece ter convencido o policial, pois ela me levou para um asilo, onde permaneci por 3 dias, pois na cidade não havia um albergue. Depois me levaram para a cidade vizinha, onde fiquei um ano morando em um albergue. As madrugadas costumavam ser tensas, pois havia muitas brigas por causa de drogas e cachaça. Mas ficava quieto no meu canto e os demais albergados me respeitavam. 
   Após um ano fui ao psiquiatra. Já não aguentava mais ficar no meio de multidão de pessoas. sempre quando ia no centro tinha que usar o diazepan ou então me empanturrar de torta de chocolate. Não estava mais suportando sons altos. O jeito foi pedir para o psiquiatra um laudo para tentar a aposentadoria. Anteriormente havia conseguido o auxílio doença, mas tive que continuar trabalhando pois morava em um quartinho na firma que trabalhava. Somos os melhores amigos dos donos de firma enquanto somos produtivos, mas quando entramos no auxílio doença... Fui ridicularizado por todos na firma e quase sofri agressão do dono da empresa. Tive que aguentar tudo aquilo calado, não tinha mais forças para reagir. Foi nessa época que resolvi ir para rua e comer a minha última refeição. 
    O atendimento na psiquiatria nesta cidade era muito bom, o que contribuiu para a minha melhora parcial. Comecei a estudar a esquizofrenia e então me entendi um pouco, pois sempre pensava que era uma pessoa extremamente tímida. 
     O psiquiatra me deu um laudo e assim fiquei cinco anos fazendo as perícias. É uma tensão muito grande, a gente não dorme direito, não sabe como será o nosso futuro. 
    Depois de cinco anos recebi a carta do INSS afirmando que havia conseguido a aposentadoria. Me senti no início mais aliviado do que propriamente alegre. Mas, com o passar do tempo  esse alívio deu um lugar a um enorme vazio em minha existência. Afinal minha vida não tinha sentido algum e tinha que me virar com um salário mínimo. 
   Tentei fazer alguns bicos como operador de som, em  eventos mais simples, tipo voz e violão, no máximo uns dois microfones. Mas o problema não era a quantidade de microfones, e sim a quantidade de pessoas que iam à esses eventos. Desisti de tentar os bicos quando fiquei um pouco mal em um evento que tinha apenas um microfone, um sax e um violão, mas haviam cerca de mil pessoas em um pequeno salão. Tomei diazepan, me empanturrei com brigadeiros, pão de queijo e cheguei á conclusão de que não valeria a pena todo aquele sofrimento. E não estava mais aguentando os sons altos, e ficava meio sem referência se o som estava bom ou não. Os sons mais agudos pareciam que entravam dentro de minha cabeça Naquele dia quase que pedi para o saxofonista parar de tocar, o som do instrumento é muito bonito, mas é um pouco irritante, mesmo quando não colocamos microfone nele. 
    E então minha vida andou sem sentido desde o ano de 2005. Não vou mais em shows, não fui ao estádio quando o meu time foi jogar na cidade onde morava. Não vou em festas, não tenho mais vontade de trabalhar como operador de som. 
    Atualmente só saio de casa para ir almoçar e jogar futebol Até que consigo fazer outras coisas, mas até que acostumei com essa situação e hoje até que curto essa solitude. 
   Os medicamentos que prometem nos socializar me deixam com muito sono. Ou seja, se não saio por causa de uma certa fobia social que tenho, também não iria sair tomando os medicamentos pois iria ficar dormindo o dia inteiro. E isso acontece com várias pessoas que tem esquizofrenia e não conseguem tomar os antipsicóticos. 
    Nesses anos todos as viagens que fiz foi a pé, com a minha mochila e a minha barraca, pelos caminhos da Estrada Real. Na solidão do caminho, onde se pode ouvir até o bater de asas dos pássaros e que tenho a paz plena. Mas não tenho o que reclamar, afinal, se não fosse a ajuda das pessoas, não estaria aqui para contar essa história de uma aposentadoria precoce.... 
    Hoje até encontro um sentido para a minha vida, procuro ajudar as pessoas que estão passando hoje o que passei no início dos meus surtos, seja através do blog, no canal do youtube ou nas redes sociais.
Mas não desejo o que passei e ainda passo para ninguém, nem até para o meu pior inimigo, seja ele imaginário ou não.

O desafio
    E, para piorar tudo, ainda tenho que ouvir de alguns vizinhos onde moro que tenho vida boa, que teve algum esquema para me aposentar. Tenho um vizinho que tem uns 60 anos. Ele é muito obeso e tem uma enorme dificuldade para andar, pois tem diabetes e algumas outras complicações. Ele é bem sarcástico e tenho que ouvir algumas indiretas. Isso não me atinge mais. Às vezes até respondo algumas provocações dele. Mas aí ele fica dando uma de vítima para seus amigos e aí saio como vilão da história. Será que ele tem inveja da minha precoce aposentadoria?
    Outros vizinhos também não veem com bons olhos a minha situação. Quando estava nas minhas andanças estava economizando uma graninha pois não estava pagando aluguel. Consegui comprar uma TV LCD, um home theather e um notebook. E hoje passo boa parte do meu tempo assistindo shows, filmes e documentários, pois, graças ao bendito cado HDMI consigo ver a tela do note na tv e assim assistir coisas assistíveis...
    Resumindo, considero a aposentadoria um prêmio, um prêmio para uma pessoa que procurou e foi por toda sua vida um cara correto e que mesmo nos momentos mais difíceis de sua vida não fez mal a ninguém. Procurei seguir sempre o caminho do bem, o caminho que achei correto seguir, mesmo sabendo que não é esse exatamente o melhor caminho para se dar bem financeiramente em nosso país. Mas a consciência tranquila não tem preço. Nunca fui de bajular ninguém e não será agora que farei isso. Não tem coisa melhor do que sermos quem realmente somos, sem disfarças e segunda intenções. 
bendito cado HDMI que estais na TV... 

     Esses vizinhos provavelmente devem ficar um pouco indignados ao chegarem cansados de seus trabalhos, ao me ver deitado na cama assistindo um filme ou ouvindo música. 
    Ai me veio a ideia de fazer este desafio: convido à qualquer pessoa maior de 18 anos a passar o que passei. O prêmio será o meu salário de aposentado até o resto de minha vida. Posso até assinar um documento e colocar tudo no cartório. Mas a pessoa terá que passar por tudo o que passei e se responsabilizar por algum dano físico que venha lhe acontecer durante "as provas". E tudo isso ainda será fichinha perto do que passei, pois só irei colocar no documento as provações físicas que tive que passar, pois não tem como induzir uma pessoa sentir o que passei na parte psicológica, afinal não tem como fazer uma pessoa surtar e a ter alucinações visuais e auditivas sem que a faça usar drogas. 
  É isso, quem quiser aceitar o desafio do esquizo, pode me enviar um email. Posso ser louco, mas sou um cara de palavra. 

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Copa do mundo...

    A copa do mundo começou ontem, ao meio dia no horário de Brasília. Só fui saber  que havia começado o maior evento esportivo do mundo de noite, ao visitar um site que tenho salvo aqui nos favoritos do navegador. Fiquei surpreso ao saber que a "poderosíssima" seleção da Rússia havia ganho o jogo inicial por uma diferença de 5 gols. 
     A copa do mundo começou. Mas as ruas não estão enfeitadas, o albino da oficina mecânica estava sentado como sempre sentado na calçada por volta de uma hora da tarde, quando saio para almoçar no restaurante popular de Belo Horizonte. 
    As crianças estavam carregando suas mochilas para irem à escola. No centro, tudo na tradicional agitação do comércio, mas não estavam vendendo bandeirinhas do Brasil e aquelas irritantes e barulhentas cornetas. As lojas não estavam enfeitadas de verde e amarelo. 
    O que teria acontecido? Ou os brasileiros tomaram consciência de que existem prioridades ou a situação está tão complicada que nem o futebol está servindo para amenizar um pouco a dor desse povo tão sofrido como o nosso. Ou foi a lição que aprendemos fatídico 7x1 contra os alemães? 
    É, o Brasil parou com a greve dos caminhoneiros, mas parece que a copa do mundo não está mais paralisando o país como antes... 

domingo, 10 de junho de 2018

Livro Mente Dividida- revisão 2018

     Resolvi escrever o livro Mente Dividida no ano de 2012, à pedido de amigos virtuais que conheci nas comunidades do falecido Orkut e também do MSN. Era aquele papo de psicóticos: "que remédio você está tomando?", "como foram seus surtos?", "consegue ter uma vida razoável?". 
    E, contando um pouco de minha história boa parte dos meus amigos me aconselhavam a registrar tudo em um livro. Analisei tudo que me aconteceu e havia chegado à conclusão de que era realmente uma história diferente e bem interessante. Não cheguei a ficar internado, pois não era agressivo, e devido à esse fato e por morar sozinho passei por situações bem complicadas, indo parar a morar nas ruas de Belo Horizonte por alguns meses. 
   Mas, graças a ajuda e a solidariedade de muitas pessoas consegui sobreviver e voltar a realidade. Surtei outras vezes e mais situações complicadas tive que passar. Mas por sorte ou outro motivo qualquer ainda estou vivo e atualmente procuro ajudar as pessoas que estão passando agora o que passei nesses anos difíceis. 
    Ainda passo por situações complicadas, mas hoje tenho um pouco de consciência sobre o que tenho. Procuro tirar proveito das situações difíceis para aprender coisas que não aprenderia se tivesse tudo em minha mão. No meu caso foi preciso surtar para me conhecer melhor. 
   Como já relatei, escrevi o livro no ano de 2012 e de uma maneira um pouco apressada. Com a prática da escrita que tive no blog resolvi fazer uma pequena revisão no livro (sem alterar nada), apenas para melhorar um pouco o texto. 
    Já havia esquecido alguns trechos do livro, e confesso que ri e chorei ao relê-lo. É uma história interessante, com "estranhas coincidências" e situações complicadas. 
   Abaixo o link para download ou visualização do prefácio do meu livro que estou disponibilizando no momento apenas no formato em PDF. Informações sobre como adquirir está no link abaixo:

Prefácio do livro Download:

Como adquirir o livro 
 Ou então clique na imagem do livro no lado direito superior da página.
Mais uma vez gostaria de agradecer à todos os leitores do blog e todos que me ajudaram financeiramente até hoje. 
    Para maiores informações envie um email para:
memoriasdeumesquizofrenico555@gmail.com

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Grupo do whatsapp-Esquizofrenia

    À pedidos dos leitores do blog resolvi criar um grupo no whatsapp de pessoas com esquizofrenia. Nas redes sociais existem inúmeros grupos sobre os mais variados tipos de transtornos mentais. Mas devido à praticidade e facilidade de acesso o whatsapp está sendo uma ferramenta muito utilizada para esses fins. Todos são bem vindos, as condições não são muitas, a principal delas, obviamente é ter esquizofrenia. 
    É um grupo restrito, a intenção não é ter quantidade, e sim pessoas que queiram trocar ideias e experiências sobre o assunto e também apenas trocar um dedo de prosa. Para ser adicionado basta deixar seu número com DDD nos comentários, que não serão publicados e o seu número não ficará exposto no blog. 

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Cloreto de magnésio no controle da ansiedade

     Antes de começar a falar sobre a minha experiência com o magnífico cloreto de magnésio e como ele ajudou a controlar a minha ansiedade, gostaria de salientar que não tenho o objetivo de indicar substitutivos para os tratamentos convencionais. Me sinto feliz com o número de visualizações do blog, mas procuro ter responsabilidade o suficiente para aconselhar qualquer abandono de tratamento tradicional. Poderia muito bem colocar o título da postagem de: "Como se livrar da ansiedade", ou "Como se curar da ansiedade", para chamar a atenção dos leitores, porém a responsabilidade fala muito mais alto do que a minha ganância pelas visualizações, até por que não tenho nenhum retorno financeiro com o que escrevo. 
    
Afinal, o que é o cloreto de magnésio? 
     Nesse caso em particular, em primeiro lugar seria mais adequado afirmar que o cloreto de magnésio não é um suplemento, um medicamento ou um produto milagroso que irá curar todos os nossos problemas de saúde. O magnésio é um mineral essencial à saúde de nosso organismo, sendo responsável por várias funções. E, como ele é encontrado em alimentos que não são tão fáceis de se encontrar por aí (e outros ruins pra caramba), muitas pessoas acabando sofrendo de diversos males por não consumir a quantidade diária indicada desse mineral.
 -Degeneração da cartilagem e surgimento de doenças como a osteoartrite e dores articulares;
-Problemas musculares como contraturas, formigamentos, dormência, tremores etc;
-Taquicardia, ritmos cardíacos anormais e espasmos coronários; hipertensão arterial;
-Dores de cabeça e tensão mandibular, tontura;
-Espasmos nas pálpebras, no esôfago, no estomago ou intestino;
-Fotofobia, dificuldade para adaptar-se à luz, visão de luzes com os olhos fechados;
-Cansaço pela manhã ao acordar, fadiga, fraqueza;
-Perda do apetite, Náuseas e vômitos;
-Aperto no peito e dificuldade para respirar profundamente;
-Prisão de ventre, cólicas menstruais;
-Desejos de consumir sal e chocolate;
-Alterações do sistema nervoso: insônia, ansiedade, hiperatividade, inquietude, ataques de pânico, fobias;
-Osteoporose, cáries.

cápsulas ou em pó, sempre faz bem..

    Comecei a estudar o cloreto de magnésio há uns dois anos atrás, por causa da minha lesão no "hálux do pé esquerdo". Pesquisava no google algo que seria eficaz e barato no tratamento e na melhoria das articulações. E o magnésio sempre aparecia nos primeiros lugares nos resultados das buscas. Comecei a consumir imediatamente e diariamente o mineral, e logo senti uma boa melhora não somente nas articulações, mas na saúde de um modo geral. 
    E uma das melhoras que obtive foi na questão da ansiedade. Comia (ainda como...) muito chocolate e outros doces para me acalmar. Depois que passei a usar o magnésio estou mais calmo e tranquilo. Hoje quando detono uma caixa de bombom ou umas 300gr de doce de leite consigo saborear mais o alimento, sendo que antigamente comia tudo rapidamente e não sentia o gosto, já que tudo aquilo era apenas para aliviar um pouco a ansiedade que eu estava sentindo no momento. Até emagreci dois quilos. Minha saúde e o meu bolso agradecem.
   O cloreto não resolveu o problema, ainda fico ansioso por vários motivos, mas isso não quer dizer que estou com ansiedade. É normal ficar ansioso diante de um evento, um encontro, um jogador antes de uma partida decisiva fica ansioso. É até legal sentir aquele friozinho na barriga... Viver sem emoções e com tudo certinho e previsível também deve ser um pouco tedioso.
    A ansiedade passa a ser um problema quando ficamos ansiosos por qualquer motivo, ou às vezes até por nenhum motivo. O problema não é ter ansiedade, e sim viver ansioso, o que é bem diferente. 
    Outro benefício que obtive foi  um passo importante no "desmame no pan nosso de cada dia".  Estava tomando 20mg de diazepan até o ano de 2008.(comecei com 10mg em 2002). Consegui diminuir para 10mg, depois para 5mg (foi a fase mais perrengosa) e depois para 2.5mg. Não foi nada fácil chegar nessa dosagem: dor de cabeça, palpitação, inquietação, nervosismo e uma enorme dificuldade para pegar no sono. Mas consegui. Estava nessa dosagem de 2.5mg há cerca de um ano e meio, e não conseguia atingir o próximo passo, que seria algo em torno de 1mg. Divido o comprimido de 10mg em vários pedaços. Infelizmente não consegui encontrar o diazepan em doses menores do que 5mg ou então em gotas, o que facilitaria bastante o processo. 
    Estava sendo uma dificuldade enorme diminuir de 2.5mg para 1mg. Não adiantava diminuir o café ou fazer exercícios físicos até me extenuar:  na hora de dormir o corpo pedia mais cedo ou mais tarde o benzodiazepínico, e ficava revirando na cama até me dar por vencido e tomar o pedacinho restante do comprimido. Então, quando passei a tomar o cloreto de magnésio antes do diazepan, já sentia um soninho gostoso e um relaxamento muscular que me permitiu conseguir finalmente chegar a 1mg. Existe também o cloreto de magnésio dilamato, que algumas pessoas dizem não dar muito sono. Então uma combinação seria ideal, tomando o CM dilamato durante o dia e o comum antes de dormir. Vale ressaltar que o cloreto de magnésio em pó tem que ser o PA (para análise), que está livre de impurezas. Meu sono atual está com uma qualidade razoável. 
   O diazepan e outros ansiolíticos dessa família são indicados para serem tomados por apenas um período, mas, infelizmente, muitos médicos não nos alertam sobre essa fato e acabamos ficando dependentes física e psicologicamente desse medicamento. O Brasil é campeão mundial no uso do rivotril. Consegui a receita na minha primeira consulta depois que tive os surtos. Disse que estava com dificuldades para dormir, e o psiquiatra, sem questionar nada, preencheu a receita. Essa minha primeira consulta demorou apenas uns 10 minutos, ou até menos...
    Na época pensava que o diazepan era um medicamento milagroso que iria me fazer dormir o sono dos justos ou dos anjos sei lá. Que iria me fazer esquecer de todos os meus problemas por pelo menos uma noite. E não é bem assim que as coisas funcionam... 
    Obviamente se deve ter alguns cuidados no uso desse mineral. Algumas reações adversas podem acontecer, dependendo da dose que se toma no início. Os especialistas afirmam que é o efeito "detox". No meu caso em particular senti um pouco de tontura no começo, pois estava tomando o cloreto de magnésio em pó. Depois que comecei a tomar em cápsulas esse problema foi solucionado. Também tive prisão de ventre durante uns dez dias, mas também foi passageiro e hoje meu intestino está funcionando regularmente. 
    Aconselho a irem atrás do maior número de informações possíveis sobre o magnésio, pois tudo em excesso pode fazer mal. Além da quantidade, existem outros cuidados que temos que ter na hora de tomar, seja em cápsulas ou diluindo o pó na água. 
   Nas redes sociais existem grupos sobre o cloreto de magnésio, onde podemos obter essas informações e também depoimentos de pessoas que usarem esse mineral e conseguiram melhorias em suas vidas. 
   

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Um repórter baixou em mim

                                                            Esquizorepórter

    Segunda feira, dia 17 de junho de 2014. Manifestações tomam conta das principais capitais do país. Os motivos eram diversos, mas as principais causas foram o aumento das passagens e os gastos para a realização da copa do mundo. Ainda estava nas minhas andanças, morando na minha barraca e carregando uma mochila de 11kg nas costas.
    Estava no centro quando soube que iria acontecer uma enorme passeata até o  Mineirão, onde seria realizado o jogo Taiti x Nigéria pela copa das confederações. O peso que carregava nas costas não foi empecilho para que uma enorme vontade de ir ao evento tomasse conta de mim. O engraçado  (hoje acho isso) é que nem pensei em pegar um ônibus, caminhei cerca de 10km numa boa até as proximidades do estádio. 
    Não gosto muito de tumultos, multidão, mas queria participar daquele protesto, afinal foram gastos bilhões em estádios que nem teriam utilidade nos próximos anos, como o de Brasília, Mato Grosso e Manaus. E os que estão tendo utilidade foram superfaturados. 
    Então resolvi participar, afinal o povo mineiro é civilizado e não irá ter confusão, como está tendo no restante do país. - pensei. 
    E não acompanhei a passeata desde o início, no centro. Cheguei no Mineirão por volta do meio dia. Estava com minha câmera digital compacta e, de uma hora para outra, surgiu uma vontade de filmar o evento. Era como se tivesse baixado um repórter em mim, e comecei então a filmar tudo o que estava acontecendo naquele momento. Havia inúmeros repórteres no meio daquela multidão que assim como eu, estavam carregando uma câmera. Estava tão engajado na missão de cobrir o evento que aqueles caras era como se fossem colegas de profissão. Já não estava ali como um manifestante. 
   Por volta das 15 horas começou um burburinho de que os manifestantes estariam chegando nas proximidades do estádio. Já haviam muitos policias e viaturas no entorno do gigante da Pampulha. Fui então de encontro aos manifestantes e me espantei com a quantidade de pessoas que estavam na avenida Antônio Carlos. Algumas pessoas falavam em 12 mil, outros em 20 mil pessoas. Só sei que havia um mar de gente na avenida, que estava totalmente tomada até onde podia enxergar. 
    A manifestação seguiu tranquila até a Avenida Abrahão Caran, onde a polícia militar fez uma barreira. A situação ficou tensa quando alguns caras com o rosto coberto (cerca de 100 pessoas) começaram a atirar pedras e pedaços de pau nos policiais, que revidaram com balas de borracha e bombas de efeito moral, além do sufocante gás lacrimogênio. Poderia ter acontecido uma tragédia, pois a avenida estava totalmente tomada e não tinha para onde nos abrigar. Por sorte a maioria teve calma para se afastar do efeito do gás com tranquilidade  e não houve pisoteados.
    Não culpo a polícia, pois acredito que foi a primeira manifestação desse porte em Belo Horizonte e, se não fosse uma minoria, tudo teria transcorrido na maior calma. 
   Mas houve muita bomba mesmo, algumas até foram atiradas bem próximo de onde estava. Poderia sim ser atingido, mas continuei a narrar o evento como se fosse um repórter e com a maior calma possível. Parece que baixou um repórter superprofissional em mim e, se não fosse a péssima dicção e a imagem tremida, diria que foi feita uma excelente cobertura da manifestação.
    Até cheguei a pensar em colocar legenda, mas o arquivo final sempre ficava maior do que o limite que pode ser colocado em cada postagem.


terça-feira, 22 de maio de 2018

Dia nacional da pessoa com esquizofrenia

        Convite à todos de Belo Horizonte e região, familiares, profissionais da saúde mental e, claro, pessoas com esquizofrenia e que sonham com uma sociedade livre de estigmas.

    No dia 24 de maio diversos países realizam eventos pela Conscientização ou Atenção à Esquizofrenia (“Schizophrenia Awareness Day”).

    No Brasil, optamos por traduzir a data como Dia da Pessoa com Esquizofrenia. Essa escolha busca destacar o desafio de tratar uma doença, mas colocando a pessoa que necessita de ajuda e suporte em destaque, em toda a sua complexidade humana.

   Em 2018, o lema da campanha é “O que eu posso fazer?”, um convite à reflexão para as pessoas com esquizofrenia, seus familiares e os profissionais de saúde. O que cada um pode fazer? O que podemos fazer além? Como podemos reduzir as barreiras do estigma e criar oportunidades de superação?