Hoje(27/02) resolvi ir ao centro de convivência para portadores de transtornos mentais, no bairro Carlos Prates, ainda aqui em Belo Horizonte. Estava ansioso para conhecer novas pessoas que possuiam o mesmo tipo de transtorno do que eu: a esquizofrenia.
Logo após o almoço no restaurante popular, resolvo ir a pé mesmo, para ir me exercitando e me preparando para a caminhada do Padre Anchieta. Já estou olhando o preço de algumas barracas, que provavelmente sairá mais barato do que ficar dormindo em pousadas e hotéis, além de deixar a caminhada mais com cara de aventura, me deixando mais livre para escolher o tempo para percorrer o caminho que, se for para dormir em pousadas, dura exatos quatro dias, andando cerca de 25 km por dia. Nesse ritmo não dá nem para curtir e aproveitar as belas paisagens e praias, e muito menos refletir e meditar.
Mas, voltando ao assunto inicial, depois de caminhar por uns 4 km, finalmente chego ao centro de convivência. Vou entrando direto para a recepção, onde sou atendido com uma certa frieza. Me apresentei e disse que gostaria de conhecer o lugar e os frequentadores. A recepcionista disse que eu poderia ficar a vontade. Fui logo para a sala de TV, onde vários usuários estavam estáticos em frente ao aparelho, assistindo um programa de esporte. Seus rostos estavam inexpressivos e estavam todos calados. Um ou outro soltava um comentário qualquer sobre o que via na TV. Não sei se isso é devido ao efeito dos medicamentos, o embotamento afetivo, a tristeza por serem vitima da patologia ou o conjunto de tudo isso. Me senti como o personagem do filme, Um estranho no ninho, apesar de termos algo em comum.
Concordo que os medicamentos atuais são um grande avanço em relação ao que era praticado no passado para se tratar os casos de esquizofrenia, mas, convenhamos, ainda existe muito para ser melhorado nesses medicamentos, para que atuem mais na mente do que no físico. Os usuários pouco falavam, pouco demonstravam sentimentos, não se via um sorriso ou se ouvia uma gargalhada, apenas assistiam a televisão, meio robóticos. Não é uma crítica maldosa, mas isso para mim é como se fosse uma lobotomia química, mas sei que é o que se pode de fazer de melhor no momento, e acredito que, com o tempo, os cientistas irão melhorar cada vez mais esses medicamentos, sem os indesejados efeitos colaterais e reações adversas. É um mal necessário, e, se pesarmos os prós e os contras, é melhor ficar assim do que agressivo e surtado, nos casos mais graves. Gostaria de dizer que não sou a favor da antipsiquiatria, mas também não sou 100% a favor da psiquiatria, acho que andam pegando pesado demais na classificação de doenças.
Não é isso o que eu quero para mim, não consigo viver nesse estado total de apatia, mas não condeno quem vive assim, talvez o caso dessas pessoas sejam graves e seja necessário esse tipo de tratamento.
Os usuários finalmente começaram a falar. Estavam comentando sobre um passeio, que seria ou no Jardim Zoológico, ou no Parque das Mangabeiras. Confesso que fiquei um pouco triste com essa situação. Gostaria de ter dito que eles mesmos poderiam fazer o passeio, que poderiam se deslocar para esse e vários outros lugares, que eram pessoas livres e não presos condenados. Não que eu tenha algo contra os centros de convivência, muito pelo contrário, fiz muitos amigos lá em Ipatinga em um desses. Mas o portador não precisa necessariamente ir todos os dias nos centros, resumir praticamente sua vida ao centro. Elas podem ir aonde desejarem, pois são portadores de esquizofrenia, não são pessoas que não possam viver livremente na sociedade.
Então, me sentindo meio fora do ambiente, resolvo ir embora. Acredito que não me enquadro em lugar nenhum, que não pertenço a nenhuma tribo, apesar de respeitar todas elas e todos os estilos de vida. A cada dia que passa, acredito que a solitude seja o meu lugar. Sozinho é onde eu tenho paz e consigo me encontrar. Não quero com isso dizer que as pessoas não prestem, que eu sou melhor do que os outros e tal, não é isso, é apenas o meu jeito peculiar de ser.
Na maioria das vezes, escrevo os posts sentado em uma calçada, atrás de uma grande empresa, e é um lugar bastante tranquilo. No começo, as pessoas me olhavam com estranheza e desconfiança, deveriam estar pensando: o que que esse maluco está escrevendo em seu caderno? Com o tempo, alguns funcionários foram se acostumando com a minha pacífica presença no local e chegam até a me cumprimentar, o que me deixa muito feliz. Um simples oi de um funcionário me deixa muito feliz, é como se ele estivesse dizendo que me acha um cara do bem e que não estou atrapalhando em nada, o que é difícil de acontecer hoje em dia, quando todo mundo desconfia um do outro. Até os moradores de rua foram conversar comigo, estranhando o fato de eu ficar muito tempo sentado na calçada, no papelão. Alguns até me aconselharam a procurar uma igreja, mas respondi que era o meu jeito mesmo, que era meio caladão e tal. Seria um pouco dificil explicar sobre a esquizofrenia para todos eles, mas, sempre que dá, procuro falar sobre o assunto para o maior número de pessoas, para tentar tirar o estigma que o transtorno carrega, também na vida real, além de fazer isso no blog.
-Obs: me desculpem não fazer o texto mais elaborado, estou na lan house e, como disse anteriormente, tempo é dinheiro mais do que nunca nesses lugares. O corretor ortográfico também não funciona nesse pc que estou usando, então adiantadamente peço desculpas por alguns erros de português.
Não é a primeira vez que coloco esse vídeo da música do Zeca Baleiro, mas, ele fez uma sacada bem legal ao fazer esta música.
Hoje eu tive um sonho. Até ai, nada demais. Todo mundo sonha, mas só alguns tem o prazer de se lembrar dos seus sonhos. No meu caso, parece que eu também sinto os sonhos. Muitas vezes, o sonho parece ser tão verdadeiro que chego a ter a sensação de estar no local do sonho. Sinto que não estou acordado, mas também não tenho a sensação de que estou em um sono profundo. É algo parecido com uma viagem extracorpórea.
Hoje sonhei que estava em uma cidade litorânea, onde a modernidade e a natureza conviviam harmoniosamente. Haviam vários prédios, de frente para a praia e cercados por vales e montanhas.
Estava em êxtase, maravilhado com a beleza do lugar, andando de um lado para outro, como uma criança, e não parava de tirar fotos.
Estava conversando normalmente com as pessoas, sem medo e receio de ninguém. As paranoias não existiam nesse sonho e o único pensamento que tomava conta de minha cabeça era curtir aquele lugar maravilhoso.
Me lembro que, com muito esforço, consegui chegar ao topo de uma montanha para contemplar o pôr do sol, coisa que não faço há bastante tempo.
Acordei de repente, assustado. Dizem que, quando dormimos, o espírito sai do nosso corpo para viajar por outras dimensões. Deve ser por causa disso que ficamos muito assustados quando somos acordados de repente. É como se o espírito voltasse para o nosso corpo "correndo", causando um pequeno impacto em nosso ser. Me lembro bem de uma certa noite, em que fui acordado de madrugada. Um colega de serviço chegou bêbado e deu uma porrada na porta do quarto. Acordei sem saber onde estava, e, o pior, não sabia quem eu era. Depois de alguns segundos é que tudo voltou ao normal dentro de minha cabeça.
Voltando ao sonho, foi uma sensação indescritível. Não só pela beleza do lugar onde estava, mas principalmente pela liberdade que estava sentindo naquele momento. Andava de um lugar para outro sem reparar em nada e em ninguém que estava em minha volta. A esquizofrenia não estava naquele sonho, pois, se estivesse, seria um pesadelo.
Mas, ao acordar, veio o choque de realidade. Essa é a parte ruim de um sonho bom. Não estava na praia, e sim, morando em um local que agora está dominado pelo tráfico de drogas e, consequentemente, pela violência e tudo de ruim que as drogas trazem consigo.
De repente, me lembrei de um comentário de uma leitora do blog, chamada Lígia Luanda. No post Reflexões diárias. Ela me aconselhou a procurar um lugar com praia, mata atlântica, etc. Me aconselhou aprender a surfar também, pois ela se sentiu melhor depois que começou a pegar onda. Já estou na idade do condor, acho que não dá mais para aprender a pegar onda, mas, depois do sonho que tive, resolvi sair por ai, ao invés de ficar em um local fixo. Vou sair pelo mundo afora, curtir a natureza, e, se cansar, vou voltar a morar em um lugar fixo, mas longe do tráfico de drogas. Preciso e muito de andar por ai. Foram muitos anos preso aqui dentro do meu quarto. Sou uma pessoa livre, não tenho filhos. A única coisa que me prende é a esquizofrenia, tenho um pouco de receio de ficar sem os medicamentos no caminho. Mas, mesmo assim, vou arriscar e não vou desistir desta luta tão cedo.
Olhando para o passado não muito distante, percebo que estive e ainda estou aprisionado pela esquizofrenia. Sempre foi assim, mas atualmente estou quase que literalmente em uma prisão, e até que me sentia bem dentro do meu quarto, mas, a partir do momento em que o prédio se tornou um local dominado pelo tráfico de drogas, a minha paz acabou. Os craqueiros não perdoam nem um chinelo que você deixa na porta do quarto. Não tenho mais paz aqui. Disse em um post que tive mais paz morando nas ruas do que atualmente. Só saio de casa para almoçar, e, mesmo assim volto correndo com receio de que arrombem a porta.
A situação está cada vez mais insustentável por aqui. Ontem e hoje uma viatura ficou de plantão bem em frente ao prédio onde moro. Para mim, foi um alívio, pois assim o pessoal ficou trancado em seus quartos, menos eu, que sai de manhã para comprar pão. Como é bom ter a consciência tranquila. Não adianta o dinheiro fácil, se não temos a paz. Consegui dormir tranquilamente, já que o silêncio tomou conta do lugar nessa madrugada. Isso não tem preço, poder sair e andar por ai sem medo de ser parado por algum policial e ter a ficha suja olhada. Já me ofereceram um revólver para dar um jeito nos traficantes, sob a alegação de que eu, como sendo "doido", não iria pagar pelos meus erros. Não é bem assim. Posso ser meio louco e tal, mas sou responsável pelos meus atos, não sigo o tratamento 100% como deveria, pois não consigo tomar aqueles remédios dopantes e ficar o dia inteiro dormindo. Se tomar esses remédios, provavelmente iria morrer aos poucos, pois não sinto fome, não tenho vontade de me levantar, é como se estivesse com uma dengue permanente. Não estou aqui dizendo para todos abandonarem os medicamentos, é que cada pessoa reage de uma maneira diferente. Conheço pessoas que estão bem com os medicamentos, principalmente com os mais modernos. Como não sou agressivo e não represento perigo nenhum aos outros, resolvi seguir o caminho do meio, que é o de tomar o mínimo de medicamentos possível e me auto policiar. Então, como não devo nada a ninguém,(só ao banco mesmo!) vou sair por ai, por esse mundo afora, a procura de algo que não sei bem o que é.
Acredito que os sonhos possam ser sim mensagens de um mundo ou ser superior. E a mensagem desse sonho soou para mim dessa maneira:
- Voce( o meu teclado tá pifando), é livre, não fique trancado o dia inteiro em seu quarto! Voce não é um bandido! Viva a vida, viva a liberdade!
Pretendo sair por ai, sem rumo. Talvez comprar uma barraca de camping e um colchão de ar para dormir. Quero caminhar por ai, percorrer o caminho nos ajuda a refletir sobre um monte de coisas. Não é bem um caminho de Santiago, mas percorrer qualquer caminho é uma tentativa de uma cura e uma evolução espiritual. No meu caso também é uma tentativa para me livrar dessa tal esquizofrenia.
Coincidencia( o teclado pifou de vez!) ou não, o programa de hoje do Padre Marcelo Rossi era sobre a depressão. Ele chegou a comentar sobre o fato das pessoas com depressão comerem muito chocolate, por causa da serotonina. E isso é um círculo vicioso, pois, se o chocolate te dá alegria naquele instante, depois ele te deixa triste ao se ver no espelho ou então ao se pesar na balança. Preciso mudar meus hábitos alimentares e o meu estilo de vida. Não estou com pena de vender o meu computador novo, que ainda estou pagando as prestações. Preciso caminhar, me alimentar melhor, e abandonar o chocolate.
Mudando de assunto, acabou de se mudar aqui para o prédio uma pessoa que não gosta de funk! Não é uma maravilha? Bem, seria, o problema é que ela é fã do Luan Santana... :( Tudo bem se o cara é boa pinta e tal, mas precisa comprar o cd do cara? Por que não compra um poster do cara e prega na parede? Esse cara canta mal pra caramba, convenhamos né?
Luan Santana "cantando" o hino nacional
Eu sei que ultimamente estou meio rabugento, acho que até vou mudar o nome do blog para Reclamações de um esquizofrenico, mas creio que isso seja apenas uma fase e que irei encontrar o meu lugar.
Há uns dias atrás, uma leitora comentou que estava com mania de perseguição e tinha muito receio de ter esquizofrenia também. Tranquilizei-a, dizendo que são coisas bem distintas. Mania de perseguição, de uma forma bem simplificada, é quando uma pessoa tem a sensação de estar sendo observada, principalmente em locais públicos. Também pode se pensar que pessoas estão contra ela, armando um plano, etc. Já a esquizofrenia é um transtorno mental, cujas causas ainda são discutidas, e que tem vários sintomas, como: alucinações auditivas e visuais, mania de grandeza, complexo messianico, e a mania de perseguição também. Mas quem tem mania de perseguição pode ficar tranquilo, isso não quer dizer que ela vá também desenvolver a esquizofrenia. Existem vários graus da mania de perseguição, pode ser uma simples cisma, ou seja, a pessoa acha que está sendo observada. Isso é bem mais comum do que pensamos. Agora, se a pessoa tem a certeza em sua mente que está sendo seguida e tudo mais, isso daí já é uma psicose, e ai tem que se tratar mesmo. Até quem tem uma simples cisma de perseguição pode fazer uma terapia, por que não? Só acho que medicamentos devem ser usados em último caso mesmo, quando a mania de perseguição está atrapalhando a vida da pessoa, impedindo-a de sair de casa, etc.
Eu, depois dos surtos, adquiri essa tal de mania de perseguição. Antes, eu era bem o contrário, não reparava em nada do que estava acontecendo em minha volta. Mas, devido a alguns acontecimentos e boatos, adquiri a mania. E é um pensamento bem descabido. Por exemplo, se hoje eu for a um show, fico com a sensação de que estão olhando para mim. Mas, veja que bobeira minha. As pessoas pagam ingresso, que nem sempre é barato, pra me ver ou para curtir a banda ou cantor? Eu tenho consciencia disso tudo, mas é algo que me atrapalha e muito, mas não desisto nunca e vou continuar a lutar.
Estamos no meio do mês e a minha ida para as ruas está decidida. Será logo após o pagamento de minha aposentadoria, no início do mês que vem. Deixei para essa data para amadurecer esta ideia dentro de minha conturbada cabeça. Não devemos tomar decisões como essa de cabeça quente, mas, a cada dia que passa, vejo que essa é a melhor solução. A situação no local onde moro está tensa. Os traficantes tomaram conta, e o proprietário não toma nenhuma providência. Tem cara que aluga um quarto, e depois de alguns dias aluga um outro quarto para um amigo. A noite o pau quebra, estou escrevendo este post na parte da manhã, pois é o horário em que eles estão dormindo.
Antes de ontem tive que ouvir funk de uma hora da tarde até as duas da madruga. Para me vingar, no dia seguinte. as oito horas da manhã, liguei o meu home theather, coloquei o cd de karaokê com as músicas do Roberto Carlos, e comecei a cantar, quer dizer, cantar não, essa não seria a palavra mais adequada, pois, além de minha voz não ser das melhores, sou desafinado pra caramba. Os caras que dormiam na varanda ligaram os seus celulares, ligaram o mp3, e colocaram o telefone em seus ouvidos. Aquilo foi o máximo para mim. Então fui para a varanda e comecei a cantar mais alto ainda. Os vizinhos passavam e me cumprimentavam. Confesso que até pensei que estava fazendo um show mesmo, pois moro no segundo andar, e a sensação era de que estava em cima do palco. Depois de uma hora ininterrupta, decidi parar o show, ao perceber que os "indivíduos" foram castigados o suficiente. Mas, antes de desligar o som, disse:
- Se o som rolar de madrugada, amanhã vou comprar o karaokê do Amado Batista!
Com a decisão de ir embora já tomada, resolvi ontem cancelar o meu plano de internet. Aliás, já iria cancelar de qualquer jeito, pois a net virtua não funciona desde a semana passada por aqui. Tentei resolver o problema por telefone, mas os técnicos não conseguiram. Mexe aqui, mexe dali, altera as configurações de um tal de proxy e nada! O jeito então foi solicitar uma visita técnica, que foi agendada para segunda feira. Como moro sozinho, não sai de casa o dia inteiro. pois, se eles aparecessem por aqui e eu não estivesse no local, teria que pagar uma multa de 35 reais. Por volta das seis horas, resolvi ligar para a net. Depois de ficar um bom tempo ouvindo uma musiquinha chata fui atendido e o atendente disse que havia uma boa chance de ser atendido até as oito horas da noite. E lá estou de plantão, sem almoçar.
No dia seguinte, ao telefonar novamente para a net, fui informado de que a visita técnica era agendada automaticamente para o dia seguinte quando não era cumprida no dia marcado. Novamente estou no meu plantão, à espera do técnico que nunca aparece. Novamente não almocei, fui na esquina tomar um lanche rapidamente, atento aos carros que passavam na rua, para ver se aparecia um veículo com uma escada por cima.
Voltei correndo para casa, e continuei o meu plantão. Por volta das seis horas, já cansado, resolvi ligar novamente, agora para cancelar o meu plano. E tome musiquinha chata! E depois os atendentes reclamam por que estamos nervosos. Por que não colocam algumas músicas do Yanni? Ou então por que não nos dão opções para ficar esperando o atendimento, como por exemplo:
- " Se você quiser ouvir rock enquanto espera o atendimento, digite 1, ou, se você preferir ouvir música clássica, digite 2..." E dai por diante, não seria mais legal assim? Mas não, tem que ser uma musiquinha bem chata, parece que eles selecionam as músicas mais chatas que ouviram em suas vidas e depois fazem uma votação dentro da empresa para ver qual é a mais irritante para ser usada no momento em que aguardamos o atendimento.
E, para piorar as coisas, quando escolhemos a opção de cancelamento, o tempo de espera é de mais de dez minutos. Depois de duas frustradas tentativas, resolvi digitar a opção 1, que é a de compra. Incrível, fui atendido em dois segundos por uma voz cordial de uma atendente.
Disse que queria cancelar o meu plano, e a mulher, com a voz e o texto padrão de uma atendente de telemarketing, respondeu:
-Senhor, aqui é setor de compras, estarei transferindo o senhor para o setor de cancelamento. Mais alguma informação senhor?
Eu, com o texto padrão de quem já está irritado de tanta espera, comecei a xingar a atendente de tudo quanto é nome. Confesso que extrapolei, não deveria ter feito aquilo, mas eles também fazem de tudo para nos tirar do sério. Não gosto de xingar e nem ofender ninguém, detesto barracos. Mas é aquela velha frase: " Dou um boi para não entrar uma briga, mas dou uma boiada inteira para não sair dela". Acho que a frase é essa mesmo, se não for, então acabei de criar um ditado. Depois de tantos xingamentos, a atendente disse que a ligação estava ruim e desligou o telefone. Que situação! Estou há dez dias sem internet e não consigo cancelar o plano! Só falta no final do mês o boleto chegar pelos correios cobrando o mês inteiro!
A minha net está como se fosse limitada, sendo que o plano é ilimitado. Mas ela não está limitada em MB, e sim em horas, ou quer dizer, minutos. De manhã até que ela funciona bem, mas não mais do que vinte minutos, e aí não tem como fazer tudo o que quero em um espaço de tempo tão curto. Sem contar que adoro ouvir estações de rádio diferentes, como folk music, músicas ao piano e outros estilos diferentes. Também ouço muito a rádio Globo, que contém uma programação legal, com debates e matérias interessantes. Do jeito que a coisa está, o melhor que faço é cancelar a net, mas também não quero pagar uma multa de 200 reais, principalmente pelo motivo de ter que fazer plantão em casa para ser atendido pelo técnico. O problema é que não tem hora nem dia definidos para ser atendido, e, como moro sozinho, tenho que fazer plantão em casa, pois, como já disse antes, terei que pagar uma multa de 35 reais caso não esteja em casa, por visita improdutiva. Mas eles irão me indenizar pelos "plantões improdutivos" que fiz para ser atendido?
Mas, mudando de assunto, uma profissional da área de saúde mental enviou um comentário no blog dizendo que os meus posts foram responsáveis diretos pela piora do quadro de duas pacientes suas. Sinceramente, se essa for realmente a realidade dos fatos, peço mil desculpas. A minha intenção não é essa. Mas gostaria de dizer a essa pessoa que, se até hoje estou postando aqui no blog, é por que tenho recebido comentários positivos, tanto no blog como no canal do youtube. São portadores, familiares, profissionais, e até de pessoas que não tem nenhuma relação direta com a esquizofrenia, pois ás vezes dou uns pitacos em outros assuntos também. Eu até publiquei o comentário dela, o meu blog é democrático. Gosto de ouvir críticas também, pois esta é uma das melhore fórmulas de nos aprimorarmos, desde que as críticas sejam feitas com boas intenções. Mas não cheguei a publicar os outros comentários dela, pois ai ela já está querendo dialogar comigo, e ai é só me mandar um email ou telefonar para mim, o contato está no menu na parte de cima do blog. Anteriormente os comentários não precisavam de ser liberados, eram automaticamente publicados, mas, depois que recebi algumas ofensas de fãs da comunidade "prints na rede", tive que habilitar essa função aqui no blog. Aliás, você já fez sua denúncia contra essa comunidade? Para fazer a denúncia, dê uma olhada nos posts sobre essa comunidade, e você irá ver as barbaridades que são postadas por lá.
Essa profissional disse que eu teria que dizer no blog que nem tudo o que os portadores pensam e sentem tem a haver com a esquizofrenia. Concordo com ela sim, mas, como portador, sei que grande parte das coisas que pensamos e sentimos tem haver com a esquizofrenia sim, não tem como fingir que ela não existe, é uma patologia que parece ser uma frescura para quem não a conhece, mas só quem tem a patologia sabe como é. Gostaria de dizer novamente que não existe a esquizofrenia, e sim as esquizofrenias, ou seja, o meu caso é bem particular, como o de todos os portadores são, apesar de haver os sintomas bem comuns que são as alucinações e a mania de perseguição. O meu blog também não tem fins didáticos, conta apenas a minha relação com a esquizofrenia, às vezes até de uma forma bem humorada, e também não deixo de dar uns pitacos sobre outros assuntos. Espero que essa mulher que fez a crítica esteja satisfeita por ter postado o que ela me pediu. Qualquer coisa é só me adicionar no msn ou então me telefonar. Sou uma pessoa aberta ao diálogo e espero que suas pacientes melhorem.
esse é o "deputado" que quer criar cadeias cinco estrelas
Por falar em pitacos, não poderia de deixar o meu sobre o que vi ontem na TV. Tem um projeto que está tramitando no congresso que visa melhorar as condições dos presos. Eu não vou citar o projeto todo, por que estou na lan house e aqui literalmente tempo é dinheiro. Eles querem:
Tem outras regalias a mais, que esse deputado safado está querendo que se torne lei. Eu fico pensando se esse cara não estaria pensando no próprio futuro, já que algumas coisas estão sendo mudadas na capital federal. Será que esse deputado não pensa que esse projeto é um incentivo e tanto à criminalidade? Se a bandidagem não se intimida em praticar seus crimes com cadeia ruim, imagina com cadeia boa? Queria dar os meus parabéns ao programa TV Verdade,e, principalmente ao advogado José Arteiro, de Belo Horizonte, por comentarem sobre esse projeto de lei. Há meses atrás eu falei mal desse programa, por fazer sensacionalismo barato no caso do goleiro Bruno. Também eles publicaram uma entrevista meio suspeita, com uma pessoa que não se identificou e que dizia trabalhar para o traficante Nem da rocinha. Na entrevista, o cara disse que o Nem estaria morando em um hotel cinco estrelas em Belo Horizonte, e que passaria a atuar na capital mineira. Achei a entrevista estranha, afinal, por qual motivo que o cara que supostamente trabalhava para o Nem iria tornar pública a intenção do traficante de morar em Belo Horizonte? A entrevista foi uma farsa, uma fraude, tanto é que pouco tempo depois o Nem foi preso no Rio de Janeiro. Então podemos concluir que o Nem nem esteve em Belo Horizonte.
Gostaria de dizer que, mesmo morando nas ruas, estarei disponibilizando o meu livro "Mente Dividida, Memórias de um esquizofrênico". Mudarei o número de minha conta e é só fazer o pedido por email que mandarei imprimir o livro e o enviarei assim que receber o comprovante de pagamento.
Para adquiri-lo é só seguir as instruções no lado superior direito da página.
Bem pessoal, por hoje é só e até o próximo post.
Já me decidi. Depois de muito pensar, cheguei a conclusão de que a paz não tem preço e vou morar nas ruas ou em qualquer outro lugar onde eu possa descansar um pouco. Digo descansar não o corpo, pois eu não estou trabalhando, quero poder descansar a minha mente, esquecer de tudo, as minhas paranoias, e as dos outros também.
Nesses oito anos que morei aqui neste lugar, cheguei a conclusão de que sou um louco mesmo. Louco pela paz, louco pela sinceridade, louco pelo respeito ao ser humano. Já estou vendendo as minhas coisas, e, sinceramente, estou me sentindo mais leve. Quero morar em qualquer lugar, onde eu possa escutar a música que eu quiser, ou então escutar o som do silêncio. Se alguém estiver com o som acima dos decibéis permitidos, é só eu andar um pouco e estarei livre. No momento, estou tendo que ouvir dois funks ao mesmo tempo, e não vou aumentar o som que estou ouvindo, por que se não pode acabar virando uma cascata, com cada pessoa aumentando o seu som e, no final, ninguém acaba ouvindo nada.
Já perdi as contas de quantas vezes bati de frente com traficantes e homicidas. Não por causa das drogas, mas sim por querer um pouco de paz e respeito. Muitos comentam como ainda estou vivo. Brigo sim pela paz, pode parecer algo contraditório, mas sem a paz é como se eu estivesse morrendo aos poucos. Se for pra morrer, que eu morra de uma vez, e não desse jeito, sem paz e sem tranquilidade.
Onde vou morar não sei, mas vou atrás da paz, onde quer que ela esteja. Sei que dentro de mim a paz existe, mas não tem como ficar em paz em um ambiente cercado de paranoias e brigas.
Meus olhos estão ardendo, resultado de três noites de sono mal dormidas. O vizinho disse que emagreci um pouco, mas, na última vez em que subi em uma balança, o meu peso estava normal. Olho-me no espelho e noto que estou abatido e com uma expressão de cansaço. Estou precisando de tomar um daqueles sossega-leões para dar uma apagada geral para tirar o stress dos últimos meses. Mas não posso fazer isso agora, o clima no lugar onde moro está tenso. Moro no centro da cidade, a uma quadra da rua que é conhecida como a crackolândia. Não posso simplesmente me apagar por algumas horas. Já me roubaram dinheiro, o controle remoto da tv, uma bermuda. Até chinelo usado os crackeiros não perdoam, para venderem e juntarem a grana para comprar a droga.
Moro nesse local há oito anos e sempre houve o tráfico de drogas, mas hoje a situação está insustentável, acho que por causa do crack, que é muito vendido aqui na região. Essa droga traz tanta confusão que até os traficantes do Rio de Janeiro desistiram de comercializarem esta droga.
Moro em uma construção de dois andares, que deve ter aproximadamente uns dezesseis quartos. E sempre houve um ou outro que comercializava drogas, e até que as coisas andavam tranquilas por aqui. Mas pouco a pouco pessoas envolvidas com o tráfico foram tomando conta do local, e hoje creio que 80% dos quartos estejam ocupados por estas pessoas. Já há algum tempo pensava em me mudar de endereço, mas sempre deixava para depois na vã esperança de que as coisas pudessem melhorar algum dia. Já perdi a conta de quantas vezes bati de frente com esses caras, alguns sendo homicidas e a maioria com passagens pela polícia. Não tenho medo deles, desde que se defendam sozinho, mas agora percebi que eles se uniram e montaram uma pequena quadrilha no lugar onde moro. Ai não tem como lutar pelos meus direitos, já está na hora de abandonar o navio e procurar um lugar para viver em paz.
Além do Horizonte Roberto Carlos
Não quero bancar o super herói e nem tenho a pretensão de mudar o mundo, mas acreditava que esses caras poderiam vender suas drogas sem violência e sem desrespeitar as pessoas de bem. Mas agora a ficha caiu, notei que sou minoria agora neste lugar e ainda quero viver bastante, mas também não me importo se de uma hora para outra ir desta para melhor, pois não tenho filhos para cuidar.
Já perdi a conta de quantas chamadas no celular não foram atendidas, pois tenho que mantê-lo escondido nas gavetas, o que abafa o som das chamadas. Mas também isso nem é o maior problema, pois geralmente são cobradores. rsrsrsrs Vocês devem pensar que estou brincando, mas teve um dia que não consegui achar o dinheiro que havia escondido dentro do meu próprio quarto.
Tive a sorte de conseguir o melhor quarto do imóvel, e certo dia um vizinho me deu um galão de tinta. É um cara gente boa, daqueles que estão sempre dispostos a ajudar a todo mundo. Então dei uma reformada no meu quarto e o resultado ficou bacana. O contraste é gritante entre o resto do prédio e o meu quarto. Aos poucos, fui comprando algumas coisas que são necessárias para quem vive cerca de 23 horas por dia em seu próprio quarto: uma tv( CCE, de tubo mesmo), home theather, um frigobar, um PC, é claro, dois móveis e um bom colchão, já que fico nele "um pouco" mais do que uma pessoa deveria ficar. Lembro-me que, na época em que trabalhava, não me importava com nada disso. Passava a maior parte do dia trabalhando e tinha uma vida social mais ativa, e ficava no quarto mais para dormir mesmo. Tudo o que eu tinha era uma bolsa e as roupas, é claro. Era meio cigano, pois não aguentava trabalhar mais do que um ano em uma mesma firma. Mas, hoje, como passo a maior parte do tempo em meu quarto, vi que era necessário ter algo para me distrair e também me sentir bem dentro do lugar onde moro. É uma vida meio monótona, mas sempre notei que os outros moradores sentiam um pouco de inveja ao verem o meu quarto limpo e arrumado, além de estar de frente para a varanda e com uma boa ventilação, condição mais do que necessária para quem mora em uma cidade tão quente como é Ipatinga.
Mas, de uns tempos para cá, um dilema vem tomando conta dos meus pensamentos: vale a pena morar em um lugar que tenha tv, computador, frigobar, etc se não tem o principal, que é a paz? Me lembro do tempo em que fui morador de rua. Passei por situações complicadas, mas lembro-me que, ao deitar-me no pedaço de papelão na calçada, conseguia relaxar todos os meus músculos e ter uma boa noite de sono. Nos cinco meses em que fiquei nas ruas de Belo Horizonte, não fui incomodado nenhuma vez durante a noite, pelo contrário, às vezes era acordado por pessoas bondosas, que distribuíam comida para os moradores de rua em suas kombis. Eram espiritas, evangélicos, católicos, etc. Só recordo de uma vez em que uma noite roubaram as latinhas que havia catado o dia inteiro.
Tudo isso me faz refletir e uma interrogação não sai da minha cabeça nesses últimos dias: "Será que, para se ter a paz, é preciso abandonar as coisas materiais? Já que, não tendo nada, as pessoas não iriam nos invejar? Esses caras poderiam invejar um jogador de futebol, um ator, mas, logo eu? Provavelmente eles acham que eu tenho uma vida boa por estar aposentado.
Claro que, se comparando a vida que esses caras têm, até que a minha vida é boa, tirando é claro, a esquizofrenia. Eles não tem um salário fixo, não tiveram muita oportunidade de estudar, vivem amedrontados, com receio de que a polícia possa chegar a qualquer hora do dia e da noite. Estão quase sempre em estado de alerta. Pensam que todos os vizinhos são meio que inimigos, por causa do disque denúncia. A verdade é que estão mais paranoicos e loucos do que eu. Há cinco minutos atrás, um morador foi até a varanda, perto do meu quarto, com a certeza de que o haviam chamado. Há cerca de meia hora, cerca de seis caras estavam discutindo na esquina com pedaços de pau na mão. Nesse momento, um outro morador está agitado ao ouvir o som do comunicador do rádio da polícia e começa a alertar aos outros moradores sobre a chegada da viatura. Além dos homens da lei, eles ainda tem que ficar alertas em relação aos traficantes rivais, enfim, é uma vida bastante estressante. Podem ter algum ganho com as drogas, podem comprar uma TV 3D, roupas caras, mas a paz, que é o mais importante, eles não têm.
Será que vale a pena mesmo ter uma vida dessas? Além de correrem o risco de ter algum transtorno mental devido ao uso da droga, ainda tem a paranoia de serem pegos pela polícia. Essa é uma combinação perigosamente explosiva, e qualquer motivo pode ser o estopim para que essa bomba estoure. Já estou cansado de tanta discussão e dessas paranoias, que eu acabei assimilando um pouco, apesar de não ter nenhum envolvimento com o tráfico de drogas. Mesmo morando nas ruas e passando por necessidades, nem cogitei a pensar nisso, e nem roubar também. Só cheguei a roubar alguns doces e pães de queijo em um dia em que estava completamente surtado. Mas também, convenhamos, isso não é nada, pois simplesmente estava pensando que o mundo iria acabar naqueles dias. A verdade é que estou me sentindo um estranho no ninho e cheguei a conclusão de já está na hora de partir, principalmente depois de constatar que o proprietário do imóvel simplesmente não está preocupado nenhum um pouco com a situação. O único motivo que o leva a ir no imóvel é pegar o dinheiro do aluguel, se o pau está quebrando, o problema são das pessoas de bem que ainda restam neste imóvel.
Já procurei alguns lugares para alugar aqui em Ipatinga, mas os quartos razoáveis fogem do meu orçamento. Como passo praticamente o dia inteiro no meu quarto, não abro mão de um mínimo de espaço e da internet também. Encontrei quartos bastante deprimentes, medindo cerca de 2x3m, e com telhas de amianto. A diferença para uma sauna não é tão grande assim, pois Ipatinga é uma cidade que considero mais quente do que o Rio de Janeiro, por exemplo.
Então, a ideia de voltar a morar nas ruas tomou conta dos meus pensamentos novamente. Só que agora não estou surtado, não é coisa de um portador de esquizofrenia que está pensando que estão todos contra ele e estão querendo matá-lo. A única coisa que sei é que tive paz e até fiz muitas amizades no período em que estive nas ruas. No momento, não estou nem conseguindo me concentrar para escrever, pois os moradores estão agitados por causa da polícia que está no local. Eles estão procurando saber quem é o caguete. Já estou vendendo as coisas que tenho, e acho que vou me sentir mais leve. Isso não é loucura de esquizofrênico, repito, é uma decisão de alguém que está cansado de viver com as portas trancadas, com medo de ser roubado. Nas ruas, poderei sentir o vento bater no meu rosto, andar despreocupadamente, sem medo de ser roubado. Quando saio para o almoço, fico com uma agonia dentro do peito, com medo de que arrombem a porta, e então volto para casa o mais rápido possível. Creio que, para ser exato, fico 23:30 horas dentro do meu quarto. Isso não é vida, quero ter paz e liberdade, o resto não importa mais.
Sei que é perigoso morar nas ruas. Em algumas cidades, botam fogo nos moradores sem motivo nenhum, se é que existe motivo para isso. Agora, com a chegada da copa do mundo, as prefeituras querem dar um limpa na cidade, uma camuflada, para os turistas pensarem que o Brasil é um país justo, um país rico, sem pobreza. Realmente o Brasil é um país rico, só que, como todos sabem, está nas mãos de poucos. Até hoje estou abismado como a Dilma chegou a conclusão de que um país rico é um país sem pobreza. Mas, voltando ao assunto copa do mundo, a prefeitura de Belo Horizonte até quer impedir os catadores de materiais recicláveis de trabalharam durante a copa das confederações e durante a copa do mundo. Eles irão fazer o que? Roubar?
depoimento de catador de material reciclável
Com certeza, a prefeitura também está pensando em dar um destino para os moradores de rua, como estão fazendo no Rio de Janeiro, internando compulsoriamente usuários de crack e levando moradores de rua para "abrigos". A questão dos usuários de crack é complicada mesmo, ainda não cheguei a conclusão sobre a internação compulsória. Podem dizer que isso é desumano e tudo mais, e roubar um trabalhador que sofre um mês inteirinho para ganhar a sua vida também não é?
Ai me vem uma pergunta em minha mente: Será que a pacificação dos morros cariocas foi motivada apenas pela copa do mundo? Ou seja, apenas para proteger os gringos e manter a imagem de uma cidade maravilhosa? Se não tivesse a copa do mundo, as favelas seriam pacificadas? A população continuaria a mercê dos traficantes? Gostaria de crer que não, que a intenção da pacificação seja proteger os moradores dos morros, que pagam seus impostos e merecem ter um pouco de paz. Se alguém souber se a pacificação dos morros começou antes do Brasil ser candidato a sediar a copa do mundo, por favor comente, e, se puder, coloque um link para podermos comprovar a veracidade do fato.
Bem, acho que o post da semana foi um pouco longo. Desculpem o desabafo, não quero que sintam pena ou dó de mim. São dois sentimentos que não acho muito legal. O meu post foi com a intenção de apenas mostrar a realidade de um cara que, enquanto conseguiu, trabalho com todas as suas forças, inclusive com dengue, com mão quebrada, com pé inchado, etc. Mas que não soube vencer ainda este transtorno chamado esquizofrenia e tem que se virar com um salário que não dá nem para alugar um quarto que caiba as poucas coisas que consegui com o dinheiro da aposentadoria.
Pretendo morar nas ruas o mais breve possível, acho que depois do pagamento do próximo mês. Creio que a situação pior do que tá não fica. O local onde vou morar ainda não decidi, mas provavelmente será mais tranquilo do que este que estou morando agora e tendo que pagar um aluguel.
Quase me mataram, por cismarem comigo quando estava tentando ganhar um dinheiro, ao consertar uma instalação elétrica de um quarto que pegou fogo. O antigo morador do quarto, um usuário de crack, simplesmente mandou que eu saísse do quarto. Houve um bate boca e depois voltei a consertar as instalações elétricas. Mas ele, não satisfeito, jogou uma bomba para dentro do quarto e só tive tempo de tampar os meus ouvidos. Depois que a bomba estourou, corri atrás do cara e começamos a discutir, e uma outra pessoa chegou por trás e me desferiu um golpe, provavelmente uma coronhada, pelo dor que senti na hora. Confesso que fiquei cerca de cinco segundos para recuperar totalmente os sentidos. Fui para o pronto socorre e levei três pontos na cabeça, por apenas querer ganhar uma grana honestamente.
Esses caras estão botando terror na vizinhança. Todo dia tem uma briga. Soltam foguetes perto da casa das pessoas. E não são bombinhas de São João, elas causam um estrago muito grande se estourar em uma pessoa. Chegaram a me oferecer uma arma para me vingar dessas pessoas, afirmando que eu poderia matar qualquer um, por que sou "doido" e não seria responsabilizado pelos meus atos. Claro que não aceitei, mas confesso que o meu complexo messiânico* aflorou em minha mente e me vi livrando a rua dessas pessoas que estão perturbando a ordem pública. Um filme passou em minha mente: " Me vi com um revólver na mão, em um confronto com os traficantes, e, após uma intensa troca de tiros, sairia vencedor. Então corri para o meu quarto, e esperei a polícia chegar. Assim que a viatura chegou, do alto da minha janela, disse para o capitão:
- Missão dada é missão cumprida senhor!
E então entraria para o meu quarto e tiraria a minha própria vida, ciente de que fiz um bem para a comunidade, que já está cansada de tanta violência. Seria o heroico fim que sempre sonhei para mim, mas sei que não vale a pena fazer a justiça com as próprias mãos, o melhor que tenho que fazer é me mudar de lugar mesmo. Eu estou tendo uma enorme dificuldade de escrever o texto, pois alguns traficantes estão juntos no quarto ao lado do meu, com medo da polícia que apareceu aqui de manhã. Sem contar que o funk está rolando alto aqui, e hoje sei até de cor as letras dessas "músicas". Gostaria de reiterar que não tenho nada contra o funk do Claudinho e Bochecha, o MC Claudinho e outros. Me refiro a esse funk atual, que só tem uma batida repetitiva e com letras que incitam a violência e ao uso das drogas.
Nunca irei fazer justiça com minhas próprias mãos. Como digo sempre, a anjinho sempre ganha do diabinho em minha consciência. Sei que irei me arrepender deste ato, é apenas uma raiva passageira, que qualquer pessoa tem. Nós, portadores de esquizofrenia, não podemos atribuir todos os nossos sentimentos e pensamentos ao fato de termos a patologia. Coisas que temos, como por exemplo, a mania de perseguição, várias pessoas também tem, só que em menor grau.
Quero pedir desculpas novamente pelo desabafo. Não sei se perceberam, mas os meus últimos posts foram meio amargos e tal, mas isso é o reflexo do meu estado atual, não tem como fingir. Mas acredito que as coisas irão melhorar e, mesmo morando nas ruas, não abandonarei a caneta e o papel, e estarei sempre postando no blog.
Me desculpem também se houve alguns erros de português. Está difícil de se concentrar. Só resta esperar o próximo pagamento, juntar minhas coisas e ir embora deste lugar. Não quero confusão com ninguém. Os traficantes pensam que sou eu que estou fazendo denúncias anônimas, já fizeram algumas coisas não muito legais comigo, mas não guardo mágoa. Acabei de dar água gelada a um garoto que é bem atentado mesmo, e que já tirou vários noites do meu sono.
* o complexo messiânico nem sempre está relacionada a figura de Jesus, pode ser a figura de um herói, é uma situação em que a pessoa se sente o salvador da pátria.
Como final de ano é uma época de reflexões, vamos a mais uma série de divagações esquizofrênicas. Ontem me deparei com um post que falava sobre a profecia maia. Até ai, nada de anormal, pois esse é um dos assuntos mais comentados nesse fim de ano. A diferença desse post é que tinha referências do Nostradamus(ele mesmo) anunciando mais um fim do mundo. Como sempre, não dei muita atenção, mas resolvi dar uma olhadinha, e a coincidência numerológica me deixou um pouco apreensivo. Olhem a matéria e tirem suas próprias conclusões. http://www.jornalciencia.com/inusitadas/inacreditavel/2292-nostradamus-confirma-fim-do-mundo-dia-21-e-o-cantor-coreano-psy-e-o-mensageiro-do-apocalipse
Confesso que isso mexeu comigo, apesar de não dar muita bola as profecias deste cara. Mas as coincidências me fizeram refletir, apesar de acreditar que achar que o próprio homem é que está se encarregando de acabar com o mundo. Hoje(20/12) dei uma olhada no vídeo oficial do cantor psy e as visualizações chegam a 989773461. Nesse ritmo, facilmente chegará a casa de 1 bilhão até amanhã.
E se o mundo acabasse realmente amanhã? O que você faria? Estouraria o cartão de crédito?(já fiz isso há muito tempo), falaria algumas "verdades" para o seu patrão que te escraviza?, se declararia para o seu grande amor antes do fim? Esqueceria o orgulho e pediria desculpas as pessoas que você magoou? Quais os seus desejos mais secretos, proibidos ou não?
Eu faria muitas loucuras se tivesse a certeza que o mundo acabaria amanhã. Como não tenho, prefiro acreditar que se trata de apenas mais uma das milhões de profecias que esse cara já fez e que não se concretizaram. Já pensou se fizéssemos todas as loucuras de nossas cabeças e o mundo de repente não acabasse? Iria aparecer muitos santinhos e santinhas do pau oco com um sorriso meio amarelado no rosto e então perceberíamos que o mundo tem muito mais pessoas fora do padrão da normalidade do que imaginávamos ter.
São as máscaras, as eternas máscaras. Quem não as tem? Quem nunca mentiu? Quem sempre diz a verdade? A mentira é um mau necessário? As pessoas, quando bebem e ficam chatas e agressivas, foram transformadas pela bebida ou soltaram a fera que estava dentro delas? Particularmente, no caso da bebida, necessariamente não era um chato, fazia muitas palhaçadas, e, pra falar a verdade, nem bebia, apenas fingia que bebia, pois meu estômago não se dá bem muito com o álcool. Assim, supostamente bêbado, tinha um pretexto para dar vazão aos meus sentimentos e fazia muita palhaçada, imitando pessoas, falando demais, mas já tinha a resposta preparada quando no outro dia alguém me dissesse:
- Nossa cara, ontem você tava muito doido, você fez isso, aquilo, etc..
- Ah! É que eu tava mal né cara, tava "bebaço" né?
Acho que essa é a desculpa de muitas pessoas que bebem e fazem coisas horríveis por ai. Não sou moralista, nada contra quem bebe o seu chop ou um vinho e não incomoda ninguém. Mas, o que vemos em muitas reportagens são pessoas usando a bebida como desculpa para algumas atitudes.
Bem, como disse no início, apenas fiquei um pouco apreensivo e não estou ligando para essa data e vou tocando a vida normalmente, mas, no meu caso, sempre fui assim, como se não houvesse amanhã. Nunca economizei dinheiro, sempre fui meio cigano, não parava em emprego nenhum, não que eu fosse um mau funcionário, mas o tédio sempre acabava tomando conta de mim e então não conseguia trabalhar mais do que um ano em uma mesma firma. Hoje, com essa tal da mania de perseguição que me persegue, estou mais em casa mesmo. Mas, por causa dela, às vezes penso em me mudar, pois ainda acho que as pessoas estão contra mim, e com o tempo, acabo sentindo a necessidade de me mudar. Moro no centro da cidade, perto da crackolândia. Área meio complicada, com tráfico de drogas, e, junto com ela, a violência. Atualmente, estou com uma sensação estranha. Se, por um lado penso que os traficantes pensam que eu sou um "caguete", por outro lado penso que os policiais acham que eu sou um traficante, ainda mais por não trabalhar.(me apontei há dois anos). Sinto que já está na hora de me mudar. O stress não faz bem a ninguém, e sei quando ele já está me atrapalhando.
Mudando de assunto, já fazem doze dias que estou tomando a sertralina, e a minha avaliação é positiva, apesar da bula não ser muito amigável no que diz respeito as reações adversas. Mas, tirando um pouco de insônia no início, não tive problemas com esse medicamento. Só quando fico deitado é que sinto umas contrações involuntárias nos músculos das pernas e dos braços. É como se eu tivesse tomado um choque, uma sensação bem estranha. Me lembro que tinha isso quando tomava haldol e, na época em que estava surtado, pensava que era alguém que havia feito um bonequinho vodoo meu e que estaria me espetando com um alfinete.
Mas hoje estou dormindo razoavelmente bem e sair nas ruas não está sendo um martírio, apesar de me incomodar um pouco com aglomerações de pessoas. Estou me sentindo melhor fisicamente e estou menos ansioso, não sentindo tanta necessidade de comer chocolates e doces. Não recomendo as pessoas que tomem o medicamento, só em último caso mesmo, por favor, não confundam tristeza com depressão. Eu procuro tomar muito cuidado quando falo de medicamentos, acho que não é correto ficar incentivando as pessoas a tomarem esse ou aquele remédio, dizendo que o mesmo é milagroso e que irá acabar com todas as nossas angústias e tristezas, que são comuns no ser humano.
Porém, se melhorei em alguns aspectos, em outros já estou meio preocupado. Nesses dias em que estou tomando a sertralina, em duas oportunidades ouvi pessoas fazendo comentários a meu respeito, e não sei se foram verdade ou produto de minhas paranoias. Mesmo com o fone de ouvido e com a música relativamente alta, eu ouvi pessoas falando mal de mim enquanto andava por uma avenida. Como sempre, ignorei essas vozes, pois tenho receio de que me chamem de louco ao indagar aos supostos críticos a razão de estarem falando mal de mim. Só sei que na hora os comentários são muito reais e me deixam um pouco assustado, mas confesso que já estou acostumado com isso. Sinto que existe uma relação entre o meu estado de ânimo e essas pequenas alucinações auditivas. Quando estou mais animado, tenho mais propensão a tê-las, e o inverso também ocorre, mas, como não sou agressivo e sou um cara caladão mesmo, prefiro não tomar os antipsicóticos que me deixam num estado parecido com o de uma pessoa com dengue, ou seja, eu teria que ter uma dengue permanentemente eterna para controlar esses sintomas. Não estou aqui dizendo que é para os portadores fazerem o mesmo, pois, cada caso é bem diferente um do outro, tem que se avaliar os prós e os contras, e creio que eu sou meio fraco para esses medicamentos mesmo, me fazem mais mal do que bem.
Acho que o melhor que faço é ignorar os comentários, sendo reais ou não. Falar é a coisa mais fácil do mundo e muitos aproveitam o poder que a palavra tem para detonarem as pessoas. Tem um provérbio na Bíblia que diz que a língua é a arma mais letal que o homem tem. E, concordo plenamente com isso, pois, o um dos fatores desencadeantes dos meus surtos foram a calunia e as fofocas. Como diz o ditado: a língua é o chicote do povo. Nunca imaginei que teria inimigos de verdade, pensava que só quem gosta de brigas é que tem inimigos. Hoje eu sei, que, para isso, basta estar feliz e em paz consigo mesmo para desagradar algumas pessoas.
Na semana passada estava refletindo sobre algumas coisas que aconteceram nos meus surtos e cheguei a me indagar: Surtar foi bom? Respondendo a pergunta, claro que não foi, é óbvio que não, essa seria a resposta de todo portador de esquizofrenia, com certeza absoluta. Mas também não posso esquecer as inúmeras demonstrações de solidariedade, principalmente no primeiro surto, em que fui morar nas ruas de Belo Horizonte. Sem contar ainda o fato de podermos tirar boas lições dessas coisas negativas que acontecem na vida da gente.
Como disse antes, não fico agressivo durante os surtos. Acho que, por causa disso nunca fui internado, apesar de achar, ou melhor, ter a certeza em minha mente de que o mundo estava contra mim. A minha reação era sempre fugir desses supostos inimigos. Pedi demissão da firma onde trabalhava no interior de Minas Gerais e fui para a capital. Mas os inimigos estavam por toda a parte! A solução que encontrei então foi de perambular pelas BR's, até chegar a conclusão que o único lugar seguro para mim era no meio do mato. Não sei com precisão quanto tempo fiquei escondido no mato, mas creio que foi questão de poucos dias a minha sobrevivência, pois havia ficado muito tempo sem me alimentar, e, o que é pior, andando de um lado para outro para fugir dos meus inimigos. O que me fez sair do mato não foi a fome, aliás, até hoje não compreendo por que não senti tanta fome durante os surtos, é como se a região do cérebro responsável pela sensação de fome estivesse desligada. Sentia muita necessidade de beber água, e por sorte havia encontrado uma pequena nascente. Mas o que me fez sair do mato foi uma situação bem estranha. Dois urubus pousaram em uma árvore bem próxima de mim e ficaram me olhando. Isso já foi o suficiente para achar que eles também estavam querendo me pegar e, caso isso acontecesse, eu seria uma presa fácil, pois estava bastante debilitado e havia perdido cerca de 25 quilos. A solução que encontrei foi voltar para Belo Horizonte, ou seja, indiretamente fui salvo pelos urubus. O medo, às vezes é bem conveniente em algumas situações.
A debilidade física funcionou como um sossega leão para mim. Não tinha mais forças para ficar fugindo das pessoas. À media em que me aproximada de Belo Horizonte, eu avistava as pessoas e já não estava pensando que elas estavam contra mim. Pessoas, ao verem o meu estado físico, me ofereciam comida. Não posso reclamar, fui muito ajudado, tanto na parte da alimentação como na parte emocional também, pessoas paravam para conversar comigo e me davam palavras de incentivo e força. Engordei 20 em cerca de um mês e voltei a fazer uns bicos, mesmo morando nas ruas. Estava relativamente bem, e assim fui trabalhar durante o carnaval, em uma pequena cidade do interior de Minas. O serviço de operador de som é estressante, dias e noites acordado direto, e não deu outra: surtei novamente. Mesmo surtado, consegui trabalhar no carnaval, apesar de ter a certeza que as pessoas iriam me matar. Não sei como nunca reagi com agressividade em nenhum momento em que estava surtado, acho que queria que as pessoas realmente me matassem para acabar com toda aquela confusão. Depois do carnaval voltei para as ruas, e, após duas tentativas frustadas de auto extermínio e muitas situações perigosas nas ruas de Belo Horizonte, consegui me recuperar desse meu primeiro surto. Acho que esse surto demorou cinco meses para acabar, pois não fui medicado e só percebi que precisava de um psiquiatra quando já estava super bem. Estava com muitas dúvidas sobre o que havia acontecido comigo, mas, infelizmente, o psiquiatra não se mostrou atencioso em minhas perguntas, simplesmente me receitou a medicação e fez algumas anotações, pois a fila era grande.
Hoje posso dizer que a solidariedade das pessoas é que me curou do meu primeiro surto. Sem essa mão amiga, provavelmente não estaria aqui escrevendo este blog, poderia estar morando até hoje nas ruas de Belo Horizonte, isso se estivesse vivo, pois a capital mineira é uma das cidades mais perigosas para os moradores de rua. Tive que enfrentar algumas situações complicadas, mas posso me considerar um cara de sorte, confesso que até cheguei a me perguntar se merecia toda aquela ajuda.
Me lembro como se fosse hoje de um garoto, de uns doze anos, que era catador de materiais recicláveis. Eu estava dormindo em uma calçada, sem papelão e cobertor, quando ele apareceu com o seu carrinho de colocar os materiais recicláveis. Ele, então, ao me ver deitado na calçada, pegou um cobertor e me cobriu. Eu não estava falando com as pessoas ainda, e, então, mentalmente agradeci a ele por aquela gentileza. Guardo aquele momento até hoje em minha mente e sempre peço a Deus para que o mundo não tenha mudado o bom coração daquele menino.
Também me lembro de um morador de rua que se aproximou de mim e me ofereceu pedaços de carne do seu marmitex. Me deu uma bronca, pois peguei a carne com a mão, estava ainda meio fora da realidade, mas o fato dele ter tão pouco e ter dividido o seu pão de cada dia comigo, me deixou e ainda me deixa comovido até hoje. Esses gestos, essas pequenas atitudes que foram o meu remédio contra a louca mania de perseguição que tomava conta de mim. Com o tempo, o quadro em minha mente mudou por completo. Eu, que antes estava enxergando inimigos por toda a parte, agora estava sendo ajudado por diversas pessoas, de diversas classes sociais, desde os mais ricos até os moradores de rua. Acho que, nesses cinco meses em que fiquei na rua, conheci pessoas e fiz mais amizades do que nos últimos cinco anos anteriores ao surto.
Além da solidariedade, um outro aspecto positivo foi tudo que aprendi com esses acontecimentos. Percebi na pele que, quando estamos mal, descobrimos quem realmente nos quer o bem. No meu caso, pude descobrir a fidelidade e o amor de um ser chamado Cherry, a cadela do meu ex patrão, que não me abandonou um momento sequer. Faço questão de escrever o nome dela com letras maiúsculas, e acredito que esses seres tem alma e com certeza ela está em um bom lugar.
Então gostaria de dizer para todos os portadores de esquizofrenia que confiem em suas famílias. Sua mãe e seu pai te querem bem. Eu sei que é difícil acreditar nas pessoas quando estamos surtados, mas, conversando com pais e mães de portadores pude perceber que eles sofrem tanto quanto nós por causa desse transtorno, inclusive boa parte dos livros que vendi foram mães e pais querendo conhecer um pouco mais sobre a patologia e assim tentarem entender um pouco mais seus filhos. Agradeço a todos que confiaram em mim e adquiriram o livro. Ainda estou disponibilizando, é só seguir as instruções no lado direito da página.
Bem, o natal está chegando e não estou assim tão deprê. Talvez seja o efeito da sertralina, ou talvez seja pelo fato de todos os dias parecerem iguais para mim depois que parei de trabalhar. Ficava triste no final de ano e principalmente em Janeiro, pois é uma época de pouco serviço para o setor de entretenimento, principalmente de sonorização. O ano parece começar de verdade neste país somente depois do carnaval e então não era uma época legal para mim, pois adorava o que fazia. Hoje estou bem, mas não posso dizer como estarei amanhã, pois meu estado de ânimo muda de uma hora para outra. Prefiro dizer estado de ânimo do que humor, pois não fico mal humorado, rabugento. O que muda em mim é a energia, a alegria. Ficar triste não quer dizer mal humorado. Às vezes penso se sou um pouco bipolar, mas um psiquiatra disse que alguns sintomas são parecidos mesmo. Também não ligo para rótulos, denominações ou classificações. Penso que isso só é válido para se fazer o tratamento. Não acho legal sair rotulando as pessoas como "o esquizofrênico" ou "o bipolar", dizendo que os portadores são assim ou assado, que fazem isso ou aquilo. Claro que existem alguns comportamentos que são bem comuns aos portadores de esquizofrenia, mas cada um tem a sua maneira de ser e de agir.
Baixei os filmes de Adam Sandler que ainda não vi e guardei no pen drive para assisti-los no natal. Assistir TV é complicado, pois tudo nesse dia lembra o natal. Acho que só vou ligar a TV para assistir o especial do Roberto Carlos. Vou comprar algumas coisas para comer e guardar na geladeira, pois não quero sair de casa nesse dia. Não é o natal dos meus sonhos, e, pra falar a verdade nem sonho com natais perfeitos. Seria melhor que o espírito de natal prevalecesse o ano inteirinho e que somente em um mês do ano poderíamos agir como agimos o ano todo.
Sei que isso é um sonho meio impossível, mas, como diz o samba enredo: "sonhar não custa nada". Sonhar não faz mal a saúde, o que não podemos fazer é ir ao mundo dos sonhos e por lá permanecer, e ficar a vida inteira sonhando sonhos impossíveis e não agindo para que eles se concretizem. Gosto de sonhar, para fugir um pouco da realidade mesmo, algumas pessoas preferem as drogas, mas sonhando podemos voltar a realidade quando desejarmos e também não ficamos viciados. Sonhar é bom, pois de um modo, encontramos força para continuar e tentar mudar a nossa própria realidade.
Desejo a todos um feliz natal e um ano novo com muita saúde e paz, que é o mais importante. Obrigado a todos os leitores, e a todos que me deram uma força para fazer o blog e espero nos encontrarmos em 2013.
Apesar de não condicionar o meu estado de espírito às datas, costumo fazer algumas análises e reflexões no fim de ano. Esse ano para mim não foi dos piores, foi a mesmice de sempre, mas creio que avancei em termos de auto conhecimento, estou aprendendo a lidar melhor com as minhas paranoias e até que estou tendo um sono razoável, isso quando as coisas estão tranquilas na vizinhança. Mudar para onde moro atualmente me fez sentir a pessoa mais normal do mundo, já houve caso em que até que foi necessário o comparecimento de uma viatura da polícia, por causa de panelas. O funk é o estilo preferido por alguns vizinhos. Até ai, nada de mais, o problema é que eles acham que é o nosso preferido também e somos obrigados a ouvir a batida repetitiva do funk atual. Eles podem ter vários cd's de funk, mas a impressão que se dá é que estão ouvindo a mesma música o dia inteiro.
Se por um lado as paranoias e alucinações diminuíram, esse ano os sintomas negativos apareceram. Desânimo, apatia, etc. Atualmente, são poucas coisas que acho graça, sinto saudades de mim mesmo. Diante de tanto desânimo, tive que me render aos medicamentos. Após várias pesquisas e conversas com amigos, cheguei a conclusão que a sertralina é o medicamento mais indicado para o meu caso. Eu não sou psiquiatra, mas o atendimento aqui em Ipatinga na área da saúde está deixando muito a desejar. Até que depois do meu post contando a atual situação da cidade, as coisas no posto de saúde melhoraram um pouco (será que eles viram? rsrs). O atendimento, que antes era só de segunda a quarta, passou a ser diário. Agora tem copo descartável para todos beberem água e as consultas estão demorando um pouco mais do que os dois minutos, que eram a média anterior(não é brincadeira não, cheguei até a cronometrar, podem olhar o vídeo no post!)
Mas o problema é que só tem um médico para atender todo o pessoal que mora no centro e nos bairros adjacentes e, convenhamos que ele não é um expert nos problemas da mente. Então foi assim que eu cheguei no consultório dele:
- Após avaliar os prós e os contras, cheguei a conclusão que estou precisando de um antidepressivo. No meu caso a sertralina seria o mais indicado, na dose de 50mg.
- Mas a amitriptilina não serve? perguntou o doutor.
- Ah não! Esse me dá muito sono, prefiro experimentar a sertralina, conheço uma farmácia que vende manipulado e é baratinho.
Depois ele perguntou o que eu estava sentindo e disse que era o desânimo e que os meus exames não apontaram nada de errado. Então, seguindo as minhas orientações, preencheu a receita e fui embora.
Claro que recomendo que ninguém faça isso, mas, como não tive outra alternativa, tive que consultar o "Dr. Google". E, como de médico e de louco todo mundo tem um pouco... Eu sou daqueles que gostam até de ler a bula dos remédios.
Estou tomando a sertralina há cinco dias. Vou esperar mais um pouco parar tirar as minhas conclusões definitivas. No primeiro dia que tomei( foi numa manhã) senti uma preguicinha e um soninho gostoso. Fiquei bem relaxado e não estava me importando com nada. Liguei a televisão e comecei a achar graça em coisas que normalmente não consigo achar. E ai comecei a me fazer alguns questionamentos. Será que estou tomando uma droga parecida com a maconha? Eu só experimentei a maconha três vezes em toda a minha vida, e a sensação que tive naquele dia era mais ou menos parecida, a diferença era um pouco de sonolência que a sertralina causa. Estava meio aéreo e não era isso o que eu esperava de um antidepressivo. Mas resolvi continuar, pois o organismo tem que se adaptar a nova medicação e tals.
Nos primeiros três dias, tive um pouco de insônia, então comecei a tomar o remédio de noite, e o meu sono agora está normal. Uma coisa positiva que tenho que ressaltar é que diminuiu o meu desconforto de sair de casa, principalmente de ir ao centro da cidade. Até o funk do vizinho está um pouco menos irritante. Mas, como aconteceu com a risperidona, estou meio robotizado emocionalmente. É uma sensação estranha, não sentir nada, é como se fosse uma lobotomia química. Não estou me importando com nada mais, minha barba está enorme e meu cabelo também está grande. Estou tranquilo, calmo, mas acho que mais do que deveria, e quase não escrevo o post desta semana. Vou esperar mais alguns dias para analisar a situação e decidir se continuo ou não com a sertralina. Estava precisando de um medicamento que me desse ânimo, e não que me deixasse assim tão zen. Ouvi falar que o zetron é ótimo para isso, mas, pelo que pesquisei, esse medicamento aumenta os níveis de dopamina nas conexões cerebrais( isso eu copiei do site, não sei falar assim como um psiquiatra rsrsrsrs) E, como atualmente o excesso de dopamina é uma das teorias mais aceitas no que se refere a parte biológica da esquizofrenia, cheguei a conclusão que esse medicamento seria perigoso para mim. Moro sozinho e não quero surtar novamente, chega de ir para as ruas.
Voltando às reflexões de fim de ano e as minhas dúvidas e questionamentos, paro para pensar e chego à conclusão de que fui e sou uma boa pessoa. Não sou um santo, errei muito nessa minha vida e ainda erro até hoje. Me arrependo de muitas coisas que fiz e de tantas outras que não fiz nessa minha existência. Acho estranho quando uma celebridade vai na televisão, e, quando é perguntada sobre arrependimentos, elas sempre dizem que nunca se arrependeram de nada do que fizeram em suas vidas. Eles são perfeitos? Nunca erram? Eu já errei pra caramba, não fui um bom filho, nem um bom neto, falei coisas que não deveriam ser ditas, e várias outras coisas. Bem, se eu ficar falando aqui sobre os meus erros, acho que esse post seria longo por demais e aqui também não é um confessionário né?
Mas, uma das coisas que mais me arrependo é a de ter falado pouco, e ficar engolindo sapos não é muito saudável. Deveria também ter me declarado para as garotas e mulheres que fiquei a fim de conhecer, um fora a mais ou a menos não é pior do que o arrependimento de não ver mais a pessoa que você sentia que poderia ser legal conhecer.
Mas esse ano que está se acabando foi interessante para mim e as coisas que aconteceram me fizeram sentir uma pessoa melhor. Ao postar o meu primeiro vídeo no youtube, a minha intenção era de apenas fazer um desabafo tentando explicar que esquizofrenia não é sinônimo de loucura, agressividade, falta de capacidade de raciocínio, etc. Mas, para minha surpresa, com o tempo, muitas pessoas me mandaram mensagens de carinho dizendo que o vídeo as ajudaram bastante. Me sentia meio desconfortável gravando vídeos, então resolvi continuar tentando tirar um pouco o estigma que a esquizofrenia carrega fazendo algo que eu gosto de fazer, que é escrever. Não vou esquecer nunca o carinho que recebi das pessoas aqui no blog e esse tempo escrevendo me fez muito bem.
Acho que o blog já cumpriu a sua missão, o que eu tinha para dizer, acho que já foi dito. Só a informação é que irá acabar com o preconceito e o medo que a sociedade tem da esquizofrenia. Fiz o que deu para ser feito, e agradeço a todos pelo carinho, só tenho que agradecer pela força que as pessoas me deram nesses sete meses de blog. Não sei se vou continuar a postar, não sei se é o efeito da sertralina que está me deixando assim, sem ligar para nada. Estou me sentindo bem de um lado, mas por outro estou meio robótico, sem emoções, é muito estranha essa sensação. Eu, que sempre fui muito emotivo e meio chorão, agora estou assim, frio. Estou num dilema terrível, fico assim, sem graça, mas tranquilo, ou volto a ser uma pessoa com emoções? Penso em ficar com a segunda hipótese, pois não sou agressivo e fico mais em casa mesmo. Eis a questão: Remédios: tomá-los ou não tomá-los?
Hoje(ontem) é o tão falado dia 12/12/12, uma data cercada de mistérios. As opiniões divergem, uns dizem que é o início de uma nova era, já outros dizem que é o fim do mundo. Eu, como não ligo para datas, nem me dei ao trabalho de pesquisar sobre esse assunto. Já são 15:23 e até agora não aconteceu nada de diferente por aqui? Você sentiu alguma diferença em seu dia? Só por que existe uma coincidência de números é que irá acontecer alguma coisa? Ano passado foi a mesma coisa com o 11/11/11, até comunidades no orkut foram criadas sobre essa data, algumas pessoas disseram que o número 11 não é legal, pois foi nesse dia que as torres gêmeas foram derrubadas e outras coisas mais. Porém, não aconteceu nada, apenas uma pequena paranoia coletiva e nada mais.
Semana passada foi dia de pagamento e pequenas compras. A minha principal necessidade era comprar um bom fone de ouvido, já que, pela terceira vez, arrebentei o do meu telefone. Na primeira loja, experimentei três, todos originais, pois gosto de um som com um mínimo de qualidade e com volume suficiente para me desligar do mundo em minha volta. Mas todos os três estavam com o som meio baixo e ai me lembrei que os fabricantes de fones de ouvido agora tem que obedecer uma norma que não se pode ultrapassar o limite de tantos decibéis. Fiquei meio decepcionado, pois, com o volume no máximo, o som externo ainda era bem perceptível. Então começou a minha peregrinação pelas lojas do centro da cidade. Foram cerca de dez lojas e uns vinte fones de ouvido experimentados. Nenhum deles me agradou, pois todos eles já estavam seguindo a tal norma.
A minha última esperança estava nas barracas dos camelôs. Não tenho preconceito de comprar nos camelôs, já encontrei bons produtos por lá, e felizmente, foi o que ocorreu com o fone de ouvido! Já na terceira loja encontrei o que eu queria: um som alto e com qualidade! Vou até comprar um de reserva, pois com essa nova norma, o som dos fones estão meio baixos para o meu padrão.
Eu também já me precavi de um futuro rompimento do cabo do fone de ouvido. Quem gosta de ouvir música no celular provavelmente já deve ter arrebentado um. Então, seus problemas acabaram! Sigam as dicas do mestre da gambiarra(bem feita!) e seus fones de ouvido durarão muito mais! Você só precisa de um pequeno pedaço de fita crepe, um outro pequeno de fita isolante e tesoura. Não tem mistério, é só dobrar o cabo como na foto ao lado e passar a fita crepe. Para dar um acabamento, passe por cima da crepe a fita isolante. Ai, toda vez que o cabo for espichado sem querer, não irá arrebentar a conexão.
Então, depois da compra do fone de ouvido, algo aconteceu que quase me fez surtar novamente. Como todo bom mineiro, resolvi tomar um suco de laranja e comer um pão de queijo. Assim que me sentei no balcão, uma menina já chegou com um suco de laranja sem que eu tivesse falado nada! Fiquei perplexo, olhos arregalados, paralisado, acho que até o meu coração parou nessa hora. Como ela descobriu o que eu queria? Estaria ela lendo os meus pensamentos? Será que vai começar tudo de novo? Pensei, pois, nos surtos que eu tive, estava convicto que as pessoas sabiam o que eu estava pensando. Fiquei parado, estático, esperando que a menina falasse alguma coisa, quando a outra balconista disse:
- Não é pra ele não, o suco é pra aquele cara lá da ponta.
Depois de ouvir aquilo, soltei o "ufa" mais aliviante de toda a minha vida. Era apenas um engano, ninguém estava lendo meus pensamentos, não estava pirando novamente. Foi apenas um susto, e depois até dei boas risadas. Quando pedi o meu suco de laranja, disse para a menina que ela era uma vidente.
Como disse anteriormente, não sei se vou continuar postando. Já sinto que o blog fez o que tinha que fazer. Mas ainda estou na dúvida se não é a sertralina que está me deixando assim meio desinteressado de tudo. Talvez seja só um tempo mesmo que eu precise. Talvez eu pare de tomar esse medicamento amanhã e já mude de ideia. Talvez o mundo se acabe mesmo como estão prevendo. Sei lá, tudo pode acontecer.
-obs: em relação, ao livro, independente de continuar o blog ou não, continuarei disponibilizando, para adquiri-lo é só ler a anotação do lado direito do blog.
Esse trecho da música do Lobão reflete bem o meu momento atual. O céu e os meus dias estão cinzentos. É que a DPN (depressão pré natal) chegou mais cedo esse ano. Ainda não vi nenhuma decoração natalina, as lojas ainda não estão com as famosas "promoções" de natal( promoção nada, no mês de Janeiro tudo fica mais barato, os vendedores só faltam agarrar a gente pelo braço). Na TV ainda não está passando nada referente à esta data, ainda não estou ouvindo pelas ruas aquelas tradicionais musiquinhas de natal tocadas na arpa paraguaia, mas já estou nesse estado lastimável. E, para avacalhar tudo, ao invés de ouvir uma música alegre, estou no momento ouvindo músicas tristes. Vou deixar para experimentar a sertralina no mês de Janeiro, pois sei que nenhum medicamento no mundo seria capaz de tirar essa apatia e desânimo que tomam conta de mim neste mês, que, para o meu caso, deveria se chamar "deprêmbro".
Coincidência ou não, dia 19 fez onze anos que tive o meu primeiro surto. Claro que o surto não ocorreu exatamente nesta data, me baseio nela pois foi o dia em que foi dado baixa em minha carteira de trabalho. O surto é como uma bola de neve, vai crescendo aos poucos, e, se você não se cuidar, pira mesmo pra valer. Não estava mais aguentando trabalhar, a mania de perseguição era enorme, e estava ouvindo muitas vozes. Havia tantos inimigos em minha mente, que achei que era mais fácil me auto exterminar do que ficar brigando com tanta gente. Não sou agressivo e nem fui, mesmo na fase aguda do surto, e até hoje me pergunto como aguentei tudo aquilo calado. A minha única reação foi fugir, fugir e fugir até o momento em que minhas energias acabaram. Bem, não vou aqui ficar relembrando essas coisas, pois já escrevi tudo sobre isso no livro.
Sei que não sou o único a me sentir assim durante o período natalino. Sei que as taxas de auto extermínio aumentam um pouco nessa época, pelo menos é o que vi em uma revista há alguns anos atrás. Mas por que será?
"Ah! Mas isso é falta de Deus!" Dirão alguns cristãos mal informados, que pensam que Jesus nasceu realmente no dia 25 de dezembro. Já me disseram isso uma vez, e foram duas pessoas que certamente não dão nem parabéns para o suposto aniversariante, se preocupando apenas com os presentes que irão receber e também se a mesa da ceia de natal está farta ou não. Não tem como ficar indiferente ao natal, ou as pessoas gostam muito ou então ficam deprimidas. Creio que isso tem um pouco a haver com esse lance da família, se ela é unida ou não, etc. Também existem as pessoas que vivem só e associam o natal a uma reunião de familiares, e então não tem como não ficar triste nesta data. Sem contar o apelo comercial que é nos imposto nessa época, deixando as pessoas que não receberam presentes um pouco tristes, principalmente as crianças que pensam que não foram boazinhas o suficiente para ganhar o presente de papai noel ou que, se não acreditam no bom velhinho, ainda não entendem por que existe tanta desigualdade no mundo.
Mas eu não sou contra o natal. Eu não gosto, é bem diferente. Não vejo nada demais as pessoas marcarem no calendário uma época para se confraternizarem, trocarem presentes e fazerem inúmeras festas. Acho legal essas tradições, a alegria das crianças ao receberem os seus presentes, a alegria dos adultos, mesmo que induzidas por uma data criada pela igreja.
Acho que todos tem uma noção de como surgiu o natal, o meu blog não tem uma função didática, o google está ai para todos e não sou muito adepto do control V + control C, mas vou aqui falar um pouco o que sei sobre o surgimento dessa data para os cristãos.
O natal é uma adaptação da igreja a festas pagãs que ocorriam antes do nascimento de Jesus Cristo. Alguns povos celebravam o deus sol, e alguns países festejavam vários outros deuses. Era uma tradição bem forte em várias partes do mundo, inclusive em Roma. Aos poucos o cristianismo foi crescendo em Roma, e, para não afrontar os costumes do povo, foi criado o natal. Apesar de não se ter nenhum registro da data de nascimento de Jesus, a igreja decretou que esse dia seria o do nascimento do Cristo, por volta do ano 337 dc.
Vários costumes das festas pagãs foram incorporadas ao natal dos cristãos. A troca de presentes, a ceia de natal, as festas com muita comida e bebida, as decorações, etc. Para dar um toque cristão ao natal, foi incorporada a figura do papai noel. Muitos devem estar estranhando a figura de um homem magrelo ao lado, mas este é o verdadeiro bom velhino. O nome dele é São Nicolau, e foi um bispo ou monge que acabou sendo canonizado e virou um santo. Em vida, ele ficou conhecido pela sua generosidade, principalmente com os mais pobres. Ele tinha o costume de distribuir presentes para as crianças mais humildes, e estas, com o tempo, começaram a pensar que só seriam presenteadas se fossem boazinhas e bem comportadas. Com o tempo, a figura do papai noel foi mudando, e hoje ele é um velhinho de barba branca e gordinho. Acho que foram os artistas e pintores que moldaram essa nova imagem de papai noel. E a coca-cola deu uma boa forcinha ao usar a nova figura do bom velhinho em seus comerciais. Acho que o mesmo deve ter ocorrido com a imagem de Jesus Cristo. Ninguém sabe como era Jesus Cristo, se ele era alto ou baixo, gordo ou magro, se tinha cabelo ruim ou bom, etc. Pelo pouco que sei, Jesus, não é essa figura que vemos nas igrejas, um cara branco, de olhos azuis e cabelos longos. Acho que os pintores resolveram dar um toque de singeleza à figura de Jesus, e assim como aconteceu com o papai noel, a ideia pegou e hoje fica difícil não se lembrar da imagem ao ouvir o nome de Jesus. O mesmo se pode dizer de Maria, que também é alva e de olhos azuis.
Deixando os fatos históricos de lado, como disse anteriormente, acho legal se criar uma data para confraternizações e festividades, só não acho certo inventarem uma data de nascimento para Jesus Cristo, que foi uma forma que a igreja encontrou para adaptar sua festa as tradições dos povos antigos. Não é por que eu não me dou bem no natal é que vou ficar por ai condenando a festa. Se outras culturas e povos tinham e ainda têm esse costume, por que os cristãos não podem ter? Mas poderiam deixar Cristo de lado e dizerem a verdade, ou seja, não existe registo sobre a verdadeira data de nascimento de Jesus.
Para falar a verdade, não sou muito ligado a datas. Não condiciono o meu estado de espírito ao calendário. O que me deixa feliz ou triste são os fatos e os acontecimentos do dia a dia. E as pessoas também né? Sem contar que existem períodos em que fico muito alegre sem motivo aparente, e o inverso também acontece. Ai me vem a questão: a alegria e as emoções também tem um componente biológico, que tenha a haver com a química e o bom ou mau funcionamento do cérebro?
Acho que devemos nos olhar como um todo, não somos só carne e osso, devemos entrar ai com a questão espiritual também. Não estou aqui falando de uma religião específica ou de uma seita, mas falo de acreditar e ter fé em algo que te faça sentir bem.
Voltando as datas, outra que não gosto muito é a do meu próprio aniversário. E isso vem desde pequeno. Me lembro de uma remota cena de um aniversário, acho que de seis anos, em que me vejo na mesa em frente ao bolo, mas eu não estava feliz. O motivo sinceramente eu não sei. Só me lembro que estava desconfortável naquele momento. Acho que esse foi o último aniversário em que fizeram festa para mim. Acho que os meus familiares ficaram meio sem graça diante dos convidados naquele dia, também o aniversariante estava com uma cara fechada né? rsrsrsrs
Até hoje não ligo para o meu aniversário, e, para falar a verdade, houve um ano em que simplesmente esqueci que estava fazendo aniversário, só me lembrei da data dias depois. Aniversário para mim significa estar um ano mais velho e, para me auto enganar e não ficar muito deprê nesta data, encontrei um método infalível para que isso não ocorra. Eu adianto a minha idade em um ano, por exemplo: hoje tenho 43 anos, mas boto em minha cabeça e saio falando para todo mundo que tenho 44. Com o tempo eu me acostumo com a ideia de estar um ano mais velho e acabo acreditando nisso. Então, quando chegar a data do meu aniversário, eu vou pensar que vou fazer 45 anos, mas, após refletir um pouco, irei lembrar que na verdade estarei fazendo 44, ou seja, fiquei uma ano mais novo em pleno aniversário! Não é o ideal, mas até funciona.
Na época em que eu trabalhava, datas festivas eram sinônimo de trabalho, pois era operador de som. E, como gostava do que fazia, não era um martírio passar os feriados e datas festivas trabalhando. Até pelo contrário, ficava muito triste no mês de Janeiro, época de muita chuva e pouco serviço. Quinze dias era mais do que suficiente para as minhas férias.
Hoje em dia, aposentado, não vejo muita diferença entre os dias, que, para mim são todos iguais. Só não gosto muito daqueles feriados em que tudo está fechado e ai tenho que providenciar um rango, pois não sei fazer nem ovo frito. Ovo cozido até que eu sei fazer.
Bem, me desculpem se o post dessa semana foi meio deprê. Mas é o que estou sentindo no momento e não tem como disfarçar. Comecei a escrever o post ontem(28/11) mas nem terminei, de tão desanimado que estava. Hoje estou melhor e sei que tudo isso é uma questão de tempo e que tudo vai passar, até que o próximo natal volte juntamente com a DPN.
-obs: as músicas não estão disponíveis no lado direito do blog, mas creio que o site que fornece as músicas deva estar com problemas.