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domingo, 1 de julho de 2012

Meu livro

    

   Sempre quando conhecia novas pessoas, a maioria no mundo virtual, durante a conversa sempre surgia a pergunta:
    - E ai, o que você faz da vida? Trabalha, estuda?
    No começo eu mentia, com receio da reação da pessoa. Dizia que ainda trabalhava. Mas com o tempo acabei cansando de mentir para as pessoas e principalmente para mim mesmo. 
    Então resolvi contar a verdade. Na maioria das vezes sempre tinha que explicar o que era esquizofrenia e sempre acabava contando minhas "aventuras" nas ruas durante os surtos, pois nunca cheguei a ser internado, talvez pelo fato de não ser agressivo e ficar quase sempre calado durante as crises. Acabava indo para as ruas para tentar fugir dos inimigos que estavam em minha mente. Ao ouvirem o meu relato, muitas pessoas ficavam impressionadas e algumas me sugeriram que eu escrevesse um livro sobre esses acontecimentos. 
    Depois de analisar tudo o que me aconteceu antes, durante e depois dos surtos, cheguei à conclusão de que a história poderia render um bom livro. Se o livro da Bruna surfistinha e outros da mesma linha conseguiram ser editados, por que o meu não poderia ser? 
    O livro tem 127 páginas. Foram cerca de sete meses relembrando situações duplamente difíceis de serem narradas. Primeiro pelo fato de terem acontecido há muito tempo e, segundo, por ser extremamente complicado narrar situações em um momento em que não estava em pleno gozo de minhas faculdades mentais (todo post eu tenho que falar como médico rsrsrs). Tive de tomar muito cuidado para que a narrativa não ficasse confusa, sendo que minha principal intenção é fazer com que o leitor tenha a visão de quem estava surtado, no caso eu. 
    À princípio, o título do livro é "Mente dividida" e o subtítulo "Memórias de um esquizofrênico", que também é o nome do meu blog. 
    Não tenho a pretensão de ficar famoso ou ganhar dinheiro com o livro. Sei o quanto é difícil de se editar um livro e só os que tem uma excelente vendagem é que geram algum lucro. 
    Gostaria apenas que essa história fosse registrada, pois ela reúne diversos elementos em uma história só: tristezas, alegrias, a solidariedade das pessoas nos meus momentos mais difíceis, aventura, tragédia, coisas engraçadas. Para resumir, digo que esse livro é uma tragicomédia, por reunir elementos tão distintos. 

-Obs: Essa postagem foi feita no ano de 2012. Depois de alguns meses e algumas correções, o livro finalmente ficou pronto e já está à venda. São 127 páginas em que falo a minha relação com a esquizofrenia, desde a infância, passando pelas dificuldades durante os surtos, a parcial recuperação até o momento em que tive que me aposentar e procurar algum sentido para a vida. Para maiores informações, basta enviar um email com o assunto "livro" para:
juliocesar-555@hotmail.com

Sobre o blog

    A minha intenção ao escrever este blog é a de mostrar a esquizofrenia na visão de um portador, de uma maneira o mais simples possível. Nada contra quem usa uma linguagem mais acadêmica. Mas, quando comecei a estudar o transtorno para tirar as inúmeras dúvidas que assolavam minha mente, me deparei com inúmeros sites que não me ajudaram muito, justamente por usar esse tipo de linguagem. 
    Como a esquizofrenia é uma patologia cercada de mistérios e mitos, senti que faltava algo que pudesse falar sobre esse assunto de uma maneira aberta e direta. 
   Hoje sou aposentado e não me preocupo tanto assim com o que os outros irão dizer. Confesso que, se ainda estivesse no mercado de trabalho, não teria feito os vídeos para o youtube e nem colocaria a minha foto no blog, pois essa exposição poderia me prejudicar na hora de procurar um trabalho ou então colocar o meu emprego em risco caso estivesse trabalhando. 
    Não quero aparecer, quero apenas ajudar um pouco a quebrar esse preconceito o estigma que cercam essa patologia que acomete cerca de 1% da população. Isso não é pouco, é muita gente que sofre com esse preconceito e acho que isso precisa ser divulgado e não apenas quando alguma pessoa com algum transtorno mental comete algum crime, como se as prisões hoje em dia não estivessem superlotadas com pessoas ditas normais.