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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Divagações esquizofrênicas

    
    Ontem foi dia de pagamento. Como relatei em "Dinheiro na mão é vendaval", foi um dia de stress como são todos os dias em que pego a minha aposentadoria no banco. O movimento é intenso no centro da cidade e o policiamento é reforçado em virtude de várias pessoas receberem seus pagamentos e aposentadorias nas agências bancárias no início do mês. 
    Para completar, as calçadas no centro são bem estreitas, acho que, quando projetaram a cidade, não imaginaram que Ipatinga poderia crescer tanto, principalmente em virtude da Usiminas, que cresceu e se expandiu junto com a cidade. 
    Nesses dias prefiro andar na rua, pois se quiser andar na calçada tem que se ter muita paciência e ficar ziguezagueando em meio a crianças e idosos, tendo que tomar o cuidado para não esbarrar em ninguém e não levar nenhuma bronca. Acho que, pelo fato de ter nascido na capital e estar acostumado com a vida agitada de Belo Horizonte, ando meio rápido e não tenho muita paciência para ficar andando atrás das pessoas no meio das calçadas. Na capital, as pessoas andam com uma velocidade bem acima do que na maioria das cidades do interior. Creio que em São Paulo a correria deva ser maior. Então, vou dividindo as ruas com os carros e motos, para fazer o mais rápido possível o que sempre faço nos dias de pagamento: sacar o dinheiro no banco, ir ao supermercado, comprar os meus cereais matinais e pagar a fatura da net. Volto pra casa quase que correndo, pois, ter esse contato com várias pessoas em um curto espaço de tempo não me faz sentir bem. Mas, como disse, não é uma reclamação, só tenho que agradecer, pois as coisas poderiam ser piores se não fossem a ajuda de muitas pessoas que apareceram em meu caminho, no lugar certo e na hora certa. 
    Ontem, comecei a tomar o ômega 3, pois já desisti de experimentar os antipsicóticos.  Por falar nesses medicamentos, muitas pessoas estão falando muito bem de um chamado abilify, mas, sinceramente, não creio que eu vá me adaptar a esse também. Me lembro que, com a ajuda da psiquiatra, consegui uma autorização para conseguir um medicamento meio caro, chamado zyprex. Demorou um pouco, tive que preencher um formulário, a psiquiatra também. A caixa custava seiscentos reais na época e fiquei muito esperançoso para tomar um medicamento tão caro. Pensava que, pelo preço, ele seria a solução mágica para todos os meus problemas. Mas a felicidade acabou no primeiro dia em que tomei o medicamento. Assim que o ingeri, me deu um sono muito forte e apaguei. Dormi como não dormia há muitos anos. O problema que o efeito do zyprex durou dois dias, ou seja, fiquei completamente dopado por umas 48 horas. O máximo que consegui fazer foi ir a padaria e comprar um litro de leite e um bolo, que foi o meu almoço e o meu jantar durante esses dois dias. A partir daí, perdi a esperança em encontrar uma melhora definitiva para as minhas paranoias, sem que eu tenha que pagar um alto preço por isso. Não estou aqui querendo desmotivar os portadores a usarem os medicamentos, acho que cada um reage de uma maneira diferente aos medicamentos, e sinto que sou meio sensível a eles. 
    Por isso comecei a tomar o ômega 3, pois algumas pesquisas deram bons resultados com esse produto. Se não melhorar as minhas paranoias, pelo menos acredito que vá diminuir os triglicerídeos, que está o triplo do limite, por causa do chocolate e todas as besteiras que como para dar a sensação de bem estar e diminuir a ansiedade. Penso em tomar a sertralina, que, pelo que pesquisei, é um antidepressivo que ajuda um pouco a controlar esses sintomas que tenho e não causa tantos efeitos colaterais. Infelizmente, agora estou sendo atendido no posto de saúde, e não no caps, e o clínico geral, sem exagerar, atende cada pessoa em dois minutos. Certo dia, uma mulher que iria fazer uma consulta, preocupada com o atraso, resolveu cronometrar os atendimentos do médico, pois teria que trabalhar em meia hora, e, as duas pessoas que ela cronometrou o tempo, não ficaram mais do que dois minutos na sala. Esse médico não tem formulário dos pacientes  e nem sabe preencher uma receita com os meus medicamentos, ele simplesmente  pede para que eu fale o nome e a dose dos medicamentos e, sem demora, já rabisca sua assinatura sem me perguntar nada. Se eu quisesse, poderia pedir qualquer medicamento tarja preta que ele me passaria, pois, pelo que vi, não tem prontuário no posto de saúde, nem telefone e nem computador. A saúde está um caos na cidade, aliás, a cidade está um caos, lixo para tudo quanto é lado, pois a prefeitura não se entendeu com a empresa que cuida da limpeza urbana. Vários serviços estão sendo fechados, e a associação para portadores de transtornos mentais está funcionando apenas duas horas por dias, por falta do pagamento da prefeitura. 
    Mas vamos parar de falar em política, que é algo que eu não gosto muito. Para se ter uma ideia, eu só votei uma vez em minha vida, aos dezoito anos, e depois nem justificar eu justifiquei. Para minha sorte, no ano de 2002, quando eu perdi todos os meus documentos durante o meu primeiro surto,conseguir tirar todos os meus documentos gratuitamente e tirei o meu titulo de eleitor, sem pagar multa nenhuma. Até hoje não voto, apenas justifico, pois o meu título ainda é de Belo Horizonte. 
    Esse mês sobrou um dinheiro e estava pensando em comprar algumas camisas. Na verdade, até que não preciso tanto assim de roupa. Um cara que só sai para almoçar não precisa de muitas roupas, precisa apenas de que elas estejam limpas, é claro. 
    Mas, quando passei em frente de uma loja de informática, me deparei com essas caixinhas de som para computadores e não resisti. Foi paixão a primeira vista. Pedi a balconista para testar o som e então as camisas ficaram para o mês que vem. Além do designer diferente, essas caixinhas tem um som de qualidade  com uma boa potência. Não pensei duas vezes em comprá-las, apesar de não serem das mais baratas, mas, como passo a maior parte do tempo ouvindo música, achei que o investimento seria válido. As caixas antigas do pc passei para o vizinho. Elas tinham um tendência suicida enorme, viviam caindo da mesa. Essas novas, pelo formato e pelo peso, dificilmente irão se aventurar a pular aqui da mesa do computador. 
    Agora estou escrevendo este post ouvindo um reggae nas novas caixinhas de som. São pequenas alegrias de uma vida monótona e sem graça que estou vivendo atualmente. Ouço música em casa e, quando saio para almoçar, coloco os fones de ouvido do celular e continuo a ouvir música. Acho que isso ajuda a não dar atenção aos meus pensamentos. Por falar em estilo musical, acho que não existe no mundo um celular tão eclético musicalmente falando como o meu. Ouço as músicas no modo aleatório, então não é raro o metal pesado do Slipknot se encontrar com um country e depois este se deparar com as músicas do Roberto Carlos. Já vi um guitarrista misturar heavy metal com musica clássica e o resultado ficou muito bom.
Mas essa ecleticidade absurda que eu tenho não vi em nenhuma outra pessoa
                             

    Esse cara ai de cima toca muito. Ao contrário de que muitas pessoas pensam, tocar um bom metal não é para qualquer um. Acho que um dos poucos estilos musicais em que não é preciso saber tocar um instrumento é o funk, e nem precisa falar a razão né? Que me desculpem os funkeiros, principalmente os da atualidade, mas creio que nem deve existir um meio de colocar os funks atuais em uma partitura. Claro que toda regra tem exceção, tem alguns funks que tem uma melodia e tal. 
    Então no meu celular tem espaço para todos: música country, mpb, metal, reggae, clássicas, românticas nacionais e internacionais, flash back, e o Yanni, é claro. Tem até um cantor holandês que achei sem querer no youtube, que se chama Grad Damen. No meu telefone eles estão juntos e misturados e se dão muito bem, cada um respeitando o espaço do outro. Gosto das músicas do Roberto Carlos, até aquelas antigas, que estão com a qualidade de gravação não muito boa. Até acho legal ouvir essas músicas nas versões originais, com aquele com de bateria parecendo lata. É, acho que ultimamente ando meio nostálgico. 
    Mas me sinto bem sendo diferente nesse aspecto também, com a cabeça aberta para quase todos os estilos musicais. Considero os termos "esquisito", "diferente", como elogio. Aliás, fico até ofendido se me consideram normal e previsível. Como já disse o escritor Nelson Rodrigues: "Toda unanimidade é burra". Claro que toda regra tem exceções, por favor não me interpretem mal,  é óbvio que existem unanimidades que são inteligentes e de bom gosto. Mas, afinal, cada qual com seu cada qual e existe espaço para todas as tribos,  desde que respeitemos o gosto e o estilo de cada um.