Mostrando postagens com marcador desabafos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador desabafos. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Divagações esquizofrênicas
Estou dando um tempo em um abrigo aqui em Belo Horizonte enquanto não começo uma outra viagem. Esse abrigo não é tão grande e, por isso, é bem tranquilo. Às vezes rola algumas discussões, a maioria das vezes por motivos banais. Aqui têm pessoas de todos os tipos e formatos: idosos, jovens que saíram de casa, usuários de droga que trabalham e usuários de droga que não trabalham, pessoas de outros estados procurando oportunidades de trabalho e até um esquizofrênico, este que vos escreve
Tenho que tomar muito cuidado, existem algumas regras no abrigo, como em qualquer lugar, mas é algo parecido como em uma cadeia(suponho isso por ouvir nos noticiários, nunca estive preso). A principal regra é ser humilde, não ficar contando vantagens de ter feito isso ou aquilo, de ter alguma coisa, etc. Bem, quanto a isso, até que não preciso me preocupar muito, sem falsa modéstia me considero um cara humilde. Não me acho melhor do que ninguém, já tive até um certo complexo de inferioridade antes dos surtos. Mas uma experiência de quase morte muda muita coisa em nossos conceitos, e hoje não tenho tantos problemas quanto a isso, me sinto um pouco vitorioso por ter saído dos surtos sem prejudicar ninguém.
Mas, para a maioria das pessoas no abrigo humildade tem um sentido diferente, e qualquer vacilo pode ser motivo para uma discussão e uma provável briga. As pessoas ali já têm uma vida sofrida e não costumam tolerar "pessoas que se acham". Tenho que tomar muito cuidado, por exemplo, ao brincar e zoar um colega. Eles podem estar pensando que estou "tirando" a pessoa e ai pode ser complicado. Só brinco com a pessoa quando a conheço muito bem e, mesmo assim, depois de muita convivência.
Também é perigoso viajar na pessoa, ou seja, cismar, implicar. Quando um cara diz "cê tá viajando demais em mim hein?" é um sinal de que a paciência dele pode estar se acabando. Acender a luz do quarto, depois das dez horas, então nem se fala. É sinônimo de confusão e a insatisfação é geral. Caguetar alguém já é briga na certa, o melhor é cada um cuidar de sua vida.
Já estou meio que enturmado e acostumado com a maioria dos caras lá do abrigo, apesar do meu jeito caladão de ser. Sei que algumas pessoas de lá devem achar que sou meio playboy, por não conversar com todo mundo, mas é difícil explicar para os caras que algumas pessoas são mais introvertidas do que as outras. É preciso achar os termos corretos, as palavras exatas, na linguagem deles, para tentar explicar esses assuntos relacionados ao comportamento humano. Se usarmos termos mais acadêmicos, é como se estivermos falando grego. Não dá para dizer esquizofrenia, bipolaridade, transtorno mental, etc. Temos que falar na linguagem que eles usam. Até que tento, mas é complicado, apesar da convivência. Para eles, todo transtorno mental se resume em "doido" e "22".
Talvez alguns usuários do abrigo estejam me achando "meio playboy" por estar andando com uma mochila de marca boa. Já até me perguntaram o preço dela e tudo, e claro que falei que custava um pouco mais barato. Já disse que sou aposentado para alguns caras, e acho que muitos moradores de rua já sabem disso, mas sinto que há um respeito por minha pessoa, pois sempre procuro ficar na minha. A mochila do Paraguai que comprei não durou nem uma semana, então tive que investir numa trilhas e rumos.
Um carioca do abrigo com quem converso às vezes me disse para ser mais comunicativo e tal, de parar de usar o relógio( do Paraguai também). Disse que isso pode soar mal, que estou sendo mitido e tudo. Mas, desde quando querer saber as horas é mitidez? Se fosse um relógio de ouro, tudo bem né? Respondi ao carioca que esse é o meu jeito de ser e que estaria fingindo se eu me tornasse um cara mais comunicativo, que se enturmasse fácil com todo mundo. Bem que eu queria ser assim, mas sou um mineiro bem mineiro mesmo.
Mas, apesar disso, esses dias estão sendo muito bons. Perto do abrigo tem um parque ecológico, com muito espaço e área verde. E o melhor, ele não é tão movimentado assim durante a semana. Está dando para tirar o stress do centro da cidade, está dando até para malhar nos aparelhos instalados no local. Está sendo muito melhor do que andar todos os dias pelo centro da cidade. Aquilo me deixava meio ansioso, e ai vinha a comilança de doces. Já no parque não sinto tanta necessidade do açúcar para o meu organismo. Também o apelo visual ajuda muito, no centro à todo instante vemos aqueles doces e tortas deliciosos.
Por falar em malhar, estava certa manhã fazendo exercícios quando chegaram algumas senhoras. Me perguntaram as horas e ficaram conversando enquanto se exercitavam. Uma mulher, com um sorriso no rosto, perguntou se eu trabalhava. Com a maior naturalidade, disse que era aposentado e que tinha uns "probleminhas" na cabeça, mas que atualmente eu estava mais ou menos controlado. Nesse momento se fez um silêncio total, e as senhoras não disseram mais nada, só um outro grupo é que conversava sobre shampoos e outras coisas do gênero. Particularmente não ligo tanto para esse preconceito e falta de informação, mas provavelmente a maioria dos portadores não gostam nenhum pouco dessa situação constrangedora. Por isso entendo por que escondem o fato. Não disse para elas que tinha esquizofrenia, isso provavelmente seria até pior, por falta de conhecimento sobre o assunto, que até já foi abordado na novela caminho das Índias, da Rede Globo.
Mas parece que só isso não foi o suficiente...
-obs: no próximo post falarei sobre a viagem na estrada real, seguindo o caminho de Sabarabuçu.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Divagações esquizofrenicas
Já fazem mais de vinte dias( a frase está correta? me corrijam, please, estou na lan house e fica complicado olhar a maneira correta) que estou tentando de parar de tomar o diazepan. Já cheguei a tomar dois por dia, quer dizer, por noite. Voltei a tomar um e agora estou tomando só meio comprimido, à noite. Na época braba dos surtos não saia de casa sem o pan nosso de cada dia. Toda vez que me estressava, botava um na goela abaixo, às vezes sem água mesmo, em plena luz do dia. Hoje sei que, se continuasse naquele ritmo, em pouco tempo estaria tomando uns cinco por noite para manter o efeito tranquilizante e sedativo.
Um dos efeitos colaterais desse medicamento que sei que me afeta e muito é a memória recente. Fatos antigos, da infância e da adolescência, parecem estarem preservados em minha mente. Mas vira e mexe esqueço algo que aconteceu no dia anterior, por exemplo. Não tive tantas dificuldades em relação a memória ao escrever o livro Mente Dividida, pois os fatos narrados ocorreram antes que eu começasse a tomar o medicamento. Se soubesse que seria assim, nunca teria botado um comprimido de diazepan em minha boca nessa minha vida. O sono, antes de usar o remédio não era dos melhores, mas, o diazepan, mesmo quando dormimos, não nos proporciona a restauração de um bom sono natural.
Mas não fiquei "emburrecido" com o remédio.Aos quarenta anos, resolvi fazer um curso de informática, estava me sentindo um extraterrestre por não saber mexer em um PC. Até que me sai bem, tirando boas notas. Tinha receio de entrar no curso e dar vexame, mas aconteceu exatamente o contrário. Em dia de prova, os outros alunos, a maioria na faixa dos vinte anos, procuravam sentar perto de mim, a fim de pegar uma colinha.
Tenho dificuldades em decorar letras de músicas novas, mas as antigas consigo guardar na memória, inclusive uma em inglês, a "Love of my life", do Queen.
Esses dias de abstinência foram e estão sendo muito complicados para mim. Parar com o diazepan deve ser algo parecido com a tentativa de um viciado de parar com as drogas(aliás, todo medicamento é uma droga né?). A diferença é que eu não pedi para ficar viciado no medicamento. Irritação, aquele vira e mexe na hora de dormir são alguns dos incômodos. E eu, como psicótico que sou, tenho que vigiar o tempo inteiro, pois não tomo nenhum medicamento para a esquizofrenia. Já surtei feio uma vez quando parei de tomar o diazepan de uma hora para outra. O medicamento estava em falta no posto de saúde, e a balconista sempre dizia que na "semana que vem" iria chegar. Então, em cerca de três semanas, surtei. Na época não sabia que o medicamento era tão barato. Ganhava por produção no meu trabalho, e, como não estava conseguindo exercer a minha função, a grana estava curta. Foi um surto bem complicado, e nunca mais quero passar por isso. Não foi à toa que tive que apelar para a ignorância quando não consegui nem comprar o remédio quando os médicos estavam de greve, há uns dois meses atrás. A receita estava carimbada e eu teria que me consultar com um psiquiatra particular para conseguir a receita. Ai é demais né?
O último médico que consultei para pegar o diazepan foi muito atencioso e legal. Parece ser daquelas pessoas que trabalham pelo prazer de exercer a medicina. Perguntou-me se eu queria consultar com um "meio" psiquiatra para tentar ajudar a resolver as minhas paranoias que ainda persistem em me incomodar. Disse que aceitava só para não ser deselegante. Mas, se um psiquiatra inteiro no SUS já é complicado, imaginem "meio"? Não que o profissional seja ruim, é que a pessoa não tem condições de trabalho e ainda por cima tem que atender um número muito grande de pessoas em um curto espaço de tempo. Só sei que não quero usar mais remédios, por dois motivos:
1- depender do SUS dá mais raiva do que a própria patologia
2- Os inúmeros efeitos colaterais. A bula da fluoxetina, por exemplo, é do tamanho de um livro de história infantil. E, para acabar com os efeitos colaterais desses medicamentos, principalmente os antipsicóticos, os médicos acabam receitando um outro medicamento. É como se fosse uma bola de neve, e o paciente, no final, acaba tomando um coquetel de remédios. Por exemplo, quem toma o haldol, tem que obrigatoriamente tomar o biperideno.
Quanto eu tomava a sertralina cheguei a ter um efeito colateral bem indesejável: movimentos involuntários das pernas, como se estivesse chutando uma bola de futebol. Isso me dava cada susto! Já pensou se eu chutasse alguém? Jogador de futebol é que não pode tomar. Já pensou se ele marca um gol contra por causa disso? Imagine a entrevista depois do jogo:
- É, o time jogou bem, fomos melhores do que o adversário, mas infelizmente eu marquei aquele gol contra, mas foi sem querer, eu tomo sertralina...
O pior de tudo é que desconto essa ansiedade e irritação na comida. Não tenho problemas com drogas e álcool, mas sempre me empapuço quando estou meio agitado. Há duas semanas atrás até cheguei a vomitar, depois de comer uns três salgados, dois brigadeiros, um pudim e outras cositas mas, junto com uma boa Coca Cola. Tudo piorou quando fiz um suco de uva de Tang super concentrado. Coloquei todo o conteúdo do envelope em uma garrafinha de 500ml de água mineral. Ficou super enjoativo, mas, nessas situações eu consigo ingerir isso tudo. O resultado foi uma dor de cabeça terrível e muito enjoo, e ai tive que colocar o dedo na goela afora para dar uma aliviada.
Alguns dias atrás, depois do almoço, comprava algumas frutas para comer de tarde, no lanche. Mas a ansiedade era tão grande que não conseguia esperar. Comia tudo antes da hora e não conseguia fazer absolutamente nada, tinha que esperar um tempo para o estômago dar uma esvaziada, pois o metabolismo não é mais o mesmo de alguns anos atrás.
![]() |
| eu, quando estou ansioso depois do almoço |
Hoje até que estou melhor, acho que a pior fase dessa tentativa de parar com o diazepan já passou. Se não conseguir parar, pelo menos irei continuar nessa dose atual de 5mg por noite.
O trânsito de Belo Horizonte está um caos, por causa das obras da copa do mundo( a verdade é essa, as obras são para a copa, e não para o povo, se não tivesse copa, o prefeito não teria feito nada). Andar no centro está cada dia mais complicado. Preciso urgente de um pouco de paz e silêncio. Para complicar tudo, o atlético foi campeão da libertadores, e ai o resto vocês sabem. Os atleticanos são muito fanáticos e chatos( todo torcedor do time adversário é chato né? mas os atleticanos são um pouquinho mais...rsrs). Foguetes rolaram direto na noite de quarta para quinta e prosseguiram no dia seguinte também. Fora o buzinaço. Fecharam o principal cruzamento de BH, a avenida Amazonas com Afonso Pena. Muita gritaria. O complicado é depois ver um cara chegando numa UPA e reclamando do atendimento, vestindo a camisa de clube de futebol...
![]() |
| ser atendido na UPA é um teste de paciência |
Diante desse cenário em que está a capital mineira, no início do mês que vem irei começar uma pequena viagem, por alguns municípios de Minas Gerais. É um trecho de 160km, muito bonito, e com muitas cachoeiras e belas paisagens. Já me equipei para dormir no meio do mato, comprando uma boa barraca e um saco de dormir. Porém gostava e muito de montar a barraca nas cidades, perto das pessoas do interior de Minas. Assim que puder, postarei as fotos desta viagem aqui no blog.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Divagações esquizofrênicas
Hoje comprei um colchonete para dormir melhor em minha barraca. Não estava conseguindo dormir nos pedaços de papelão, pois estava causando uma certa dor no osso que fica perto da poupança(foi a melhor palavara que encontrei) quando tentava dormir de lado. Quem souber o nome do osso referido pode colocar nos comentários.
Não consegui dormir bem nos últimos dias, por vários fatores:
1- medo de ser roubado
2- medo de ser agredido por skinheads ou outros animais
3-falta de conforto
4-barulho, tanto de pessoas como de veículos
Estou carregando cerca de 8kg em minha mochila. Barraca, colchonete, coisas de higiene, etc. Roupas, só cinco peças. Fico pensando em o que posso tirar para poder andar melhor depois que o meu pé melhorar, pois pretendo continuar as minhas andanças, já tenho plano para um caminho, que é bem longo e deve durar cerca de um mês.
Há onze anos atrás, no meu primeiro surto, cheguei a dormir na mesma região onde fico a maior parte do tempo hoje. Não carregava nada comigo, somente a roupa do corpo mesmo. Quando não estava perambulando que nem um zumbi pela madrugada afora, conseguia dormir em qualquer lugar, sem papelão e nem nada. Era na calçada mesmo, e até hoje não sei explicar isso. Não tinha preocupações nessa fase, em que já não estava enxergando inimigos por todos os lados, mas ainda estava bem fora da realidade. Não estava me preocupando com a higiene e nem com o que as pessoas estavam pensando sobre mim. Estava comendo desesperadamente tudo o que via pela frente. Não me preocupava se teria ou não uma diarreia(e não tive!), chegando a comer até o lixo da padaria na Av. Augusto de Lima.
A sensação era de que na fase aguda do surto, a área do cérebro responsável por avisar ao corpo que o estômago estava vazio fora desligada. Só sentia muita sede e cheguei a perder 25kg. Ao voltar um pouco para a realidade, comecei a comer que nem um louco, para tentar recuperar o peso e para saciar a fome mesmo, que era muita, era como se estivesse acumulada no tempo em que fiquei fugindo dos inimigos que estavam em minha mente.
Devido a essa despreocupação toda, e pela facilidade em dormir, confesso que chego a pensar se não seria melhor viver estando naquela fase do surto, que não sei como descrevê-la direito. Como disse, já não estava enxergando os inimigos, mas ainda estava fora da realidade e quase não me comunicava com as pessoas, chegando a pensar que todos sabiam o que estava se passando pela minha cabeça. Essa situação gerou até algumas situações engraçadas, com algumas pessoas tentando se comunicar comigo por gestos, talvez pensando que eu fosse mudo.
Então me vem a pergunta: não seria melhor viver meio que ensurtado? Sem preocupação nenhuma? Conseguindo dormir em qualquer lugar? E pouco se lixando para a opinião alheia? O Renato Aragão, no programa Fantástico, no quadro "O que vi da vida", disse que gostaria de ser o Didi, com aquela despreocupação toda do personagem. Na verdade, grande parte dos humoristas são um pouco tristes, alguns chegando até a ser um pouco mal humorados.
Claro que essa fase não foi uma maravilha total, cheguei até a ser agredido, apesar de continuar sendo um pacato cidadão, só que surtado. Mas, olhando os prós e os contras, chego a ficar na dúvida. Não estava nem ai se o meu time havia ganhado ou perdido, se o aumento do salário mínimo foi satisfatório ou não, e se o meu nome estava no SPC, dentre outras coisas.
Acho que deveria haver um equilíbrio entre a loucura e a razão: Não devemos ser totalmente normais e nem totalmente loucos e irresponsáveis. Seria essa a maluquez que o Raul Seixas tanto cantava?
Adaptado
Praticamente dois meses nas ruas, e já me considero adaptado, não completamente, é claro. Já me sinto um morador de barraca de rua. Ao entrar no Centro de referência para moradores de rua, já não me sinto um estranho, me considero como qualquer um dos frequentadores. No albergue também. Por falar em barraca, certo dia, quer dizer, madrugada, ouvi uma das perguntas mais descabidas de toda a minha vida. Estava deitado, tentando dormir, quando, por volta das três horas, um indivíduo deu uma sacudida na minha residência e perguntou:
- Tem gente?
- Tem, né! - respondi.
Será que o cara estava pensando que a minha barraca era um banheiro? Ou então que alguém a montou no passeio e a esqueceu por lá? Vá se saber...
No último post sobre o Caminho do Padre Anchieta esqueci de agradecer aos capixabas pela atenção. Não poderia de deixar de dizer que não fui incomodado em nenhuma das vezes nos lugares onde montei minha barraca em solo capixaba. Acho que todo mineiro se sente em casa no Espírito Santo, até o modo de falar é parecido, tirando o sotaque dos mineiros, que é único né?
E por falar em sotaque, alguém sabe me dizer se capixaba tem sotaque? Se tem, sinceramente não deu para perceber nos dias em que estive por lá. Acho que é o único estado que não tem um sotaque ou maneira de falar fácil de se perceber. Conversei com muitos e não achei nada, nadinha mesmo que pudesse ser considerado sotaque. Ai os curitibanos irão dizer: "Nós não temos sotaque, falamos corretamente o português!" Mas é justamente por isso mesmo que dá para se identificar o curitibano pela fala. Eles falam ao pé da letra "Doce de Leite", ao contrário da maioria dos brasileiros, que dizem: "Doci di leiti". Então o falar correto acaba se tornando meio que um sotaque, não entrando a questão se o português está certo ou não né?
Aqui em BH também quase não fui incomodado. Quase. Teve uma noite em que um cara deu um assobio na maior altura abem perto do meu ouvido. Nem precisa dizer que fiquei pé da vida, mas resolvi ficar no meu cantinho, pois o cara estava com mais pessoas. Teve também o guarda truculento, que resolvei me incomodar, e balançou a barraca para me acordar e pedir os meus documentos. Acho que esse guarda não raciocina muito bem, será que ele pensou que um bandido ou foragido da lei iria se esconder em uma barraca armada perto do centro de BH?
Mas no geral não tenho do que reclamar. A maioria das pessoas acha engraçado o fato de uma barraca estar armada em plena cidade. Com o tempo fui conseguindo achar os melhores lugares para armá-la, o que foi uma tarefa um tanto o quanto difícil. Tive que analisar vários pontos antes de escolher esses lugares:
1- Marquise: é essencial, principalmente nos tempos de chuva, que o local tenha uma ampla marquise, por causa da chuva de vento.
2-Se a marquise tem dono: as melhores marquises são disputadíssimas e já possuem dono. Ocupar uma marquise com dono pode ocasionar conflitos, armados ou não. Alguns edifícios já possuem grades nos passeios, para impedir que os moradores de rua ocupem a marquise. Algumas vezes, os vigias são orientados para impedir que os moradores de rua se abriguem nelas. Concordo com essa decisão, pois alguns moradores de rua fazem suas necessidades em qualquer lugar, deixando um cheiro nada agradável. Será que estão querendo marcar território?
3-Se o local é movimentado à noite: Montar a barraca em um local agitado tem uma desvantagem e uma vantagem. A desvantagem é o barulho, tanto dos carros como dos transeuntes. A vantagem é que, se alguém nos importunar durante à noite, pode ficar mais fácil procurar ajuda. Já montar a barraca em um local tranquilo tem o efeito inverso. É ótimo para dormir, mas se por acaso aparecerem pessoas para nos importunar, ai é só o nosso anjo da guarda mesmo.
Há uns dias atrás, levei um baita susto, não sei dizer o que tive, mas que hoje acho bastante engraçado. Não sei se foi pesadelo, uma pequena alucinação auditiva causada pelo stress de dormir nas ruas ou as duas coisas juntas. Estava dormindo tranquilamente quando fui acordado subitamente por um estrondo. Ouvi então uma autoritária voz gritar:
- Abra a porta! Abra a porta!
Pela voz pensei que fosse um policial e não hesitei em abrir os zippers da barraca. Mas não vi ninguém pelas proximidades, somente o motorista de um caminhão que transportava caçambas. Na hora não entendi nada e voltei a dormir. Só no dia seguinte é que me dei conta do fato: o estrondo era da caçamba sendo colocada no caminhão ou no passeio, e a voz foi resultado do meu receio em ser incomodado durante a noite. Não sei se foi pesadelo ou uma alucinação, só sei que foi bem real. Um fato que confirmou que era imaginação foi que a voz pediu para abrir a porta. Ai nem precisei raciocinar muito, pois desde quando barraca tem portas?
Mas é isso ai, meu pé não está totalmente bom, mas acho que já dá para fazer uma outra andança, pois esperar especialista do SUS é a mesma coisa do que esperar papai noel no natal. Estou pesquisando alguns lugares, alguém ai tem uma sugestão?
No último post sobre o Caminho do Padre Anchieta esqueci de agradecer aos capixabas pela atenção. Não poderia de deixar de dizer que não fui incomodado em nenhuma das vezes nos lugares onde montei minha barraca em solo capixaba. Acho que todo mineiro se sente em casa no Espírito Santo, até o modo de falar é parecido, tirando o sotaque dos mineiros, que é único né?
E por falar em sotaque, alguém sabe me dizer se capixaba tem sotaque? Se tem, sinceramente não deu para perceber nos dias em que estive por lá. Acho que é o único estado que não tem um sotaque ou maneira de falar fácil de se perceber. Conversei com muitos e não achei nada, nadinha mesmo que pudesse ser considerado sotaque. Ai os curitibanos irão dizer: "Nós não temos sotaque, falamos corretamente o português!" Mas é justamente por isso mesmo que dá para se identificar o curitibano pela fala. Eles falam ao pé da letra "Doce de Leite", ao contrário da maioria dos brasileiros, que dizem: "Doci di leiti". Então o falar correto acaba se tornando meio que um sotaque, não entrando a questão se o português está certo ou não né?
Aqui em BH também quase não fui incomodado. Quase. Teve uma noite em que um cara deu um assobio na maior altura abem perto do meu ouvido. Nem precisa dizer que fiquei pé da vida, mas resolvi ficar no meu cantinho, pois o cara estava com mais pessoas. Teve também o guarda truculento, que resolvei me incomodar, e balançou a barraca para me acordar e pedir os meus documentos. Acho que esse guarda não raciocina muito bem, será que ele pensou que um bandido ou foragido da lei iria se esconder em uma barraca armada perto do centro de BH?
Mas no geral não tenho do que reclamar. A maioria das pessoas acha engraçado o fato de uma barraca estar armada em plena cidade. Com o tempo fui conseguindo achar os melhores lugares para armá-la, o que foi uma tarefa um tanto o quanto difícil. Tive que analisar vários pontos antes de escolher esses lugares:
1- Marquise: é essencial, principalmente nos tempos de chuva, que o local tenha uma ampla marquise, por causa da chuva de vento.
2-Se a marquise tem dono: as melhores marquises são disputadíssimas e já possuem dono. Ocupar uma marquise com dono pode ocasionar conflitos, armados ou não. Alguns edifícios já possuem grades nos passeios, para impedir que os moradores de rua ocupem a marquise. Algumas vezes, os vigias são orientados para impedir que os moradores de rua se abriguem nelas. Concordo com essa decisão, pois alguns moradores de rua fazem suas necessidades em qualquer lugar, deixando um cheiro nada agradável. Será que estão querendo marcar território?
3-Se o local é movimentado à noite: Montar a barraca em um local agitado tem uma desvantagem e uma vantagem. A desvantagem é o barulho, tanto dos carros como dos transeuntes. A vantagem é que, se alguém nos importunar durante à noite, pode ficar mais fácil procurar ajuda. Já montar a barraca em um local tranquilo tem o efeito inverso. É ótimo para dormir, mas se por acaso aparecerem pessoas para nos importunar, ai é só o nosso anjo da guarda mesmo.
Há uns dias atrás, levei um baita susto, não sei dizer o que tive, mas que hoje acho bastante engraçado. Não sei se foi pesadelo, uma pequena alucinação auditiva causada pelo stress de dormir nas ruas ou as duas coisas juntas. Estava dormindo tranquilamente quando fui acordado subitamente por um estrondo. Ouvi então uma autoritária voz gritar:
- Abra a porta! Abra a porta!
Pela voz pensei que fosse um policial e não hesitei em abrir os zippers da barraca. Mas não vi ninguém pelas proximidades, somente o motorista de um caminhão que transportava caçambas. Na hora não entendi nada e voltei a dormir. Só no dia seguinte é que me dei conta do fato: o estrondo era da caçamba sendo colocada no caminhão ou no passeio, e a voz foi resultado do meu receio em ser incomodado durante a noite. Não sei se foi pesadelo ou uma alucinação, só sei que foi bem real. Um fato que confirmou que era imaginação foi que a voz pediu para abrir a porta. Ai nem precisei raciocinar muito, pois desde quando barraca tem portas?
Mas é isso ai, meu pé não está totalmente bom, mas acho que já dá para fazer uma outra andança, pois esperar especialista do SUS é a mesma coisa do que esperar papai noel no natal. Estou pesquisando alguns lugares, alguém ai tem uma sugestão?
Covardia
Há uns dias atrás, um esquizofrênico foi assassinado aqui em BH. Pouco se falou no caso. O agressor, que era seu próprio irmão, disse que cometeu o ato pois o portador não queria tomar banho. Imaginem se ocorre o contrário? Iria virar manchete nacional, e o estigma e o preconceito aumentariam mais ainda. Só espero que esse cara passe o resto de sua vida na cadeia. O link com a matéria vai abaixo:
http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2013/04/14/interna_gerais,371446/homem-mata-o-irmao-que-se-negou-a-tomar-banho-na-grande-bh.shtml
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Um mendigo diferente
O título desse post até parece nome de filme, mas não é. É a minha realidade atual, meio por opção, meio por morarmos em um país que impossibilita as pequenas empresas assinarem a carteira de trabalho de seus funcionários, e, quando o conseguem, assinam a carteira com um valor abaixo do que a pessoa realmenete recebe.
Falo isso pois tive a sorte de me aposentar, não posso reclamar disso, mas foi com um salário mínimo, sendo que ganhava um pouco mais. É engraçado que no nosso país consideramos sorte uma obrigação do governo. Muitas vezes digo: "Tive a sorte de ser atendido rapidamente no posto de saúde", como se fosse algo que estivesse recebendo de graça. Mas é isso ai, bola pra frente e chega de chororô.
Estou em um abrigo, ainda me recuperando da lesão no tendão de aquiles, pois o mesmo ainda está um pouco inchado e dolorido, devido ao esforço que fiz. Na próxima segunda terei que ir ao ortopedista, mas creio que não é nada sério, o problema é que me machuquei em um ponto fraco, onde o peso de nosso corpo recai todo sobre esse osso ou sei lá o que é isso. Não vou consultar no google, pois estou na lan house, mas deve ser um osso ou algo parecido. Tive que fingir que havia machucado o tornozelo recentemente, para ser atendido na UPA, aqui em BH. Fiz um teatrinho e cheguei mancando, dizendo que machuquei jogando bola e que estava doendo muito, já, que, quando falei a verdade, não fui atendido. Fiquei na UPA das cinco horas da manhã até as cinco da tarde. A dengue está tomando conta aqui da cidade, e a ordem de atendimento na UPA não era de chegada, e sim de desmaiada.
Resolvi ir para o abrigo pois se já é um pouco perigoso ficar nas ruas em plena forma física, imagine mancando. Há uns dias atrás, de madrugada, um cara me acordou, cutucando a barraca. Acordei e claro, não coloquei a cabeça pra fora de primeira, esperei a reação da pessoa. Foi uma situação curiosa, pois o cara devia estar fazendo a mesma coisa, ou seja, esperando a minha reação. Então, vagarosamente abri a entrada da barraca, mas não vi ninguém. Mas, logo depois ouvi duas pessoas gritando "Pega ladrão!".
A polícia já encrencou com a minha barraca também. A polícia não, um policial, melhor dizendo. Outros já passaram por ela e nem me abordaram. Houve um acidente de carro perto do local onde eu havia armado a minha barraca. Depois de algum tempo, resolvendo o problema do acidente, o policial simplesmente começou a sacudir a minha barraca, mandando eu sair dela. Insinuou que eu já tivesse passagens por algum presidio e, como minha resposta foi negativa, perguntou meio que maldosamente o motivo de eu ter sido levado para a delegacia, sendo que nunca em minha vida eu tive que ir a uma delegacia para resolver problemas envolvendo brigas e coisas do gênero. Pegou minha identidade e puxou a minha ficha. Vendo que não constava nada, me perguntou se não tinha medo de ser queimado na rua, mas não respondi nada, pela forma como me abordou. Eu sinceramente, não tenho tanto receio de joguem fogo em mim, pois, na maioria dos casos, isso acontece entre moradores de rua que brigam por diversos motivos, e na maioria das vezes, alcoolizados.
Uma assistente social chegou a me perguntar se não dá para viver com um salário mínimo, quando eu disse que morava em uma barraca. Sinceramente, acho meio difícil, digo que dá para sobreviver. Se o salário é 680 reais e um quarto razoável custa algo em torno de 280 reais, então sobra 400 reais para alimentação, roupas, higiene, etc. Se tiver a sorte de encontrar algo perto do restaurante popular, as coisas ficam menos dificeis, mas, e quem não mora? Uma refeição custa mais ou menos oito reais por aqui em Belo Horizonte, então só em almoço já são 210 reais. Sobra então 190 reais para outras necessidades básicas, o que, para mim, é muito pouco. Digo e repito que sou um sortudo pelas pessoas que apareceram no meu caminho nos momentos mais difíceis e, se hoje, estou vivo e aposentado, é devido a elas. Mas precisamos só das necessidades básicas para viver?
Mas morar sozinho é uma necessidade básica para mim, e de preferência, longe de vizinhos barulhentos, ou então, em um lugar que seja distante deles. Volto a repetir que prefiro a solidão não por que as pessoas não prestem, não é isso, é o meu jeito de ser e é também um sintoma da esquizofrenia, o isolamento. Isso gerou um comentário um tanto o quanto áspero de uma leitora, que resolveu colocar o nome de sergio e lea, não sei por que. Acho que só quem tem a esquizofrenia é que sabe o que é querer ficar só, por necessidade. Não vou negar que gostaria de ser mais comunicativo, sair por ai cumprimentando as pessoas, mas sem falsidade. O meu bom dia não seria um bom dia mecânico, como acontece por ai. Se não saio cumprimentando a todos, não é por que não acho que as pessoas não sejam dignas do meu cumprimento, apenas estou sendo eu mesmo. Já tentei ser uma outra pessoa, durante os surtos, para esconder a minha tristeza, e quase tive um problema sério de identidade. Afinal, o que tem de errado em querer ficar só? Algumas pessoas reclamam que sou muito sério, mas ser sério é um defeito? Demoro muito a ter intimidade com as pessoas que conheço, para chegar ao ponto de brincar e fazer piadas, mas, quando isso acontece, sou meio brincalhão até.
Voltando ao título do post, mendigo é aquele que pede, para simplificar. São moradores de rua, que não tem algo para comer e vestir. Como já disse, tive a sorte de me aposentar, então não peço dinheiro, comida, e procuro não incomodar ninguém. A minha mendicância é apenas por um pouco de paz e respeito. Só gostaria de poder montar a minha barraca por volta das oito horas da noite e desmontá-la às seis horas da manhã, para não atrapalhar ninguém. Não a monto em frente a residências e nem em prédios, então o que há de mal em morar em um lugar onde estou me sentindo bem? Outro dia, um vigia do prédio de uma repartição pública mandou que eu desmontasse a minha barraca, sendo que eu não estava impedindo o acesso de ninguém, pois nunca a monto em horário comercial. Não acho justo gastar quase metade do meu salário alugando um quarto apertado, então o que há de errado em morar em uma barraca? O que você acha dessa situação?
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
hackers invadem grupos do facebook para ofender e zombarem dos membros
![]() |
| página de hackers zombadores no facebook |
Para denunciar essa comunidade, é só clicar no simbolo da engrenagem ao lado da palavra mensagem e, quando aparecer a pergunta " Por que estás a denunciar esta página?" clique em "está a assediar-me ou alguém que conheço". Eu já fiz a minha parte, espero que todos façam a sua parte, pois esta comunidade também invade perfis de pessoas também. Você vai esperar que alguém dessa comunidade invada o seu perfil para tomar uma atitude?
Olhando hoje a página dessa comunidade, pude perceber que todos os prints que eles colocaram foram deletados, nem eles mesmo sabem como isso ocorreu, talvez seja o resultado das denúncias, mas acho pouco provável, pois, pelo conteúdo dos posts, o correto seria o banimento dessa comunidade. Provavelmente eles ainda estão tentando invadir perfis e grupos para fazerem suas maldades, então prestem bem atenção nas pessoas que vocês adicionam.
Caso você seja vítima de um crime na internet, imprima as provas com o endereço do e-mail do remetente, o código da fonte, a
página da internet ou o endereço do site ou blog. Em seguida, vá até a delegacia mais próxima e leve as provas impressas – e se possível, vá até um Cartório de Notas para registrar uma Ata Notarial do conteúdo hospedado na internet.
Lembre-se de procurar a polícia para formalizar a denúncia e aguarde orientações. Não tome nenhuma atitude sem prévia autorização policial, pois a coleta de informações na Web sem autorização judicial caracteriza crime.
Quando testemunhar algo que viole os Direitos Humanos, denuncie e procure as autoridades. Caso tenha alguma dúvida, entre em contato com Safernet Brasil (prevencao@safernet.org.br).
Lembre-se de procurar a polícia para formalizar a denúncia e aguarde orientações. Não tome nenhuma atitude sem prévia autorização policial, pois a coleta de informações na Web sem autorização judicial caracteriza crime.
Quando testemunhar algo que viole os Direitos Humanos, denuncie e procure as autoridades. Caso tenha alguma dúvida, entre em contato com Safernet Brasil (prevencao@safernet.org.br).
https://denuncia.uol.com.br/ Nesse link você pode fazer a sua denúncia, se precisar de imagens, podem usar as do blog. É muito importante não deixarmos que isso continue.
Assinar:
Postagens (Atom)












