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domingo, 17 de março de 2024

Divagações esquizofrênicas 23

Um raio em mim....


     Há alguns dias atrás, estava normalmente (e entediadamente!) surfando na internet, quando, de repente, ouvi o estrondo: "Cabrum!" (onomatopeia de raio).
    Para falar a verdade o som que ouvi não foi "cabrum"  e sim algo como "bummmm!", de tão forte que foi o raio que havia caído perto de onde eu moro. A impressão que tive é que caiu bem em cima do meu quarto. Tanto é que fiquei esperando algo cair ou desmoronar em mim.
    Mas isto não aconteceu. Olhei para o notebook e notei que ele havia desligado. O mesmo acontecera com a minha TV Sony Bravia de 32 polegadas que havia comprado com muito custo na época em que estava fazendo minhas andanças pelo Brasil e assim economizando uma graninha por não estar pagando aluguel. (que falta faz umas vírgulas shasuasuahsuashas)
      Não tenho medo de raios, mas aquele dia tive. Até por que, de início não sabia que se tratava de tal fenômeno da natureza. Me lembro que, no ano de 2014 estava fazendo minhas andanças pelo litoral de São Paulo, quando começou a cair uma torrencial chuva. Motoristas e pedestres se deslocaram rapidamente para um posto de gasolina próximo de onde eu estava caminhando com a minha mochila. Mas  continuei a minha caminhada, apesar de ver  os raios caindo ao lado da BR. No final das contas agradeci aquela água vinda do céu pois 2014 foi um ano de recordes nas temperaturas no estado de São Paulo. E aproveitei também para, além de me refrescar, lavar o meu cabelo, pois nem sempre temos a oportunidade para tal ato em uma caminhada solitária e sem muitos recursos. Abri a mochila e peguei o shampoo e o condicionador e fui lavando o meu cabelo enquanto caminhava....
      Em 2019 fiz uma boa pedalança pela região sudeste. Havia quebrado o dedão do pé esquerdo e então resolvi continuar a caminhada com a minha bike. Aliás desde pequeno tinha esse espírito aventureiro de andar por aí e conhecer novos lugares. Me lembro que às vezes ficava perdido pelas ruas de Belo Horizonte e uma certa vez uma mulher me deu dinheiro para passagem de ônibus que me levaria para o centro da cidade. Na época eu deveria ter uns 12 anos. Mas, voltando à pedalança, logo no segundo dia tive que enfrentar uma serra braba entre Serra do Cipó e Conceição do Mato Dentro, nas proximidades de Belo Horizonte. Foram 72km de muito calor e a maior parte do trajeto tive que empurrar a Margarida. Aquele dia rezei para cair uma chuvinha do céu, e, para minha alegria, minha prece foi atendida. Novamente muita chuva e muitos raios caindo perto da BR, mas continuei a caminhar mais refrescado e animado. Acredito que não iria conseguir completar os 72km se não fosse aquela chuvinha abençoada. Fico cansado só de pensar nessas distâncias, mas acho que na hora H, na estrada, vem uma adrenalina ou outra ina incentivadora que nos faz seguir o trajeto e chegar ao destino. Cansado e detonado, mas acabo chegando.
    Voltando aos dias atuais, fiquei apertando os botões de liga/desliga da TV e do note até cair na real: um raio como nunca ouvira antes havia caído onde eu morava e detonado os meus equipamentos.
    De início fiquei desolado, não sei por que me apego aos bens materiais que comprei. Não sei se pelo esforço de ter que juntar o dinheiro ou pelo fato de ser meio diferente mesmo do restante da população considerada normal. Só para terem uma ideia, a minha bike tem até nome e um dia ainda pretendo me  casar com ela em uma ocasião informal, já que no Brasil é proibido o casamento entre humanos e objetos. 
Esta é a minha companheira inseparável, a Margarida


    Os primeiros dias foram terríveis, ficava olhando para a TV e o note sem vida, e, de vez em quando apertava o botão power para ver se davam algum sinal de vida. 
     Fora a abstinência de uma pessoa que fica praticamente o dia inteiro na frente do computador. Quando saio da frente do computador vou para a cama assistir um filme, já que o notebook está conectado à TV via cabo HDMI. Aliás, bendito cabo HDMI que livrai-nos da programação da TV aberta...

    Tinha um notebook Dell com tela de 14 polegadas e sempre sonhava em ter um com tela de 15. A verdade é que também era uma necessidade, a idade vai passando e a miopia vai chegando. Havia feito um empréstimo que iria acabar de pagar no ano de 2025. Enfim, desolação total.
    Fiquei um bom tempo pensando que era um castigo divino, mas, ao olhar o noticiário vi que o negócio foi complicado aqui em Belo Horizonte. Várias pessoas relatando queima de eletrodomésticos e outros aparelhos. Aliás, nem uma estação de metrô conseguiu escapar e acabou pegando fogo. 
    O orçamento de quem é aposentado e vive(ou sobrevive) de um salário mínimo é um pouco apertado, mas, mesmo assim resolvi fazer um novo empréstimo. Consigo ficar um dia sem internet, só ouvindo músicas, mas sei que mais dia menos dia irei sentir as crises de abstinência de um viciado no mundo virtual. Mas, fora isso, tem a realidade, hoje em dia precisamos e muito da internet para várias situações. 
    Então comprei um PC, que, além de mais barato é mais resistente às intempéries do tempo e as oscilações de voltagem na corrente elétrica. E também é mais rápido do que o notebook. Exemplificando, o mesmo processador do PC é mais rápido do que o mesmo processador do notebook. Talvez por ser maior e também por ter melhor ventilação ele pode ser mais exigido.
E tem outra vantagem importantíssima do computador para o notebook. Se estragar o PC tem muito mais chances de ser recuperado, pois os componentes não são soldados na placa, como acontece em boa parte dos notebooks atuais.  Enfim, só uma opinião de quem procura entender um pouco de tudo, pois se procurarmos entender tudo sobre tudo acabamos pirando...
       Já a TV consegui consertar pois tive a oportunidade de estudar eletrônica e consegui encontrar a placa principal por um preço bem bacana. E além de tudo tive um pequeno desconto de 30 reais no site onde faço minhas compras virtuais. 
     Os dias sem internet foram difíceis mas serviram para perceber que estava ficando mais tempo na frente da tela do que o necessário. Fiquei mais bem disposto e minhas vistas melhoraram e não ficaram embaçadas, pois ficava realmente o dia inteiro no notebook, desde às seis da manhã até por volta da meia noite. 
    A internet é algo necessário e bom. Os seres humanos é que são maus e que produzem o conteúdo que estão no mundo virtual. É como na vida real, podemos escolher o caminho a ser seguido, ou, os endereços a serem digitados ou as pesquisas a serem realizadas. 

Quem pude ajudar...

      Como relatei o meu orçamento é um pouco apertado, e ainda tenho que pagar o notebook e o empréstimo que fiz para pagar o PC. O que faço no blog e no canal no youtube é com muito carinho e, além de servir como terapia, ajuda a dar um pouco de sentido para a minha vida. Devemos ocupar nossas mentes com coisas positivas e úteis, e o tratamento não é somente ou não deveria ser somente medicamentoso. Mais terapias e menos medicamentos é o meu lema. 
    Não tenho gastos com o canal e nem com o blog, pois de qualquer forma iria ter um PC e usar a internet. Fico feliz em poder ajudar algumas pessoas com os meus relatos. 
    Qualquer ajuda é bem vinda. O PIX está abaixo. Qualquer dúvida é só enviar o email para
memoriasdeumesquizofrenico555@gmail.com

PIX juliocesar_555@yahoo.com
    Abração à todos e até a próxima. 

quinta-feira, 6 de abril de 2023

Paranoias diárias do dia a dia 10- E a folha, virou?



    Há alguns meses atrás estava navegando nas redes sociais (como sempre) e me deparei com uma sugestão para entrar em um grupo relacionado ao INSS.
    Não sei por qual motivo, razão ou circunstância resolvi aceitar a sugestão.  Sou aposentado e não tenho muito o que perguntar. As publicações geralmente são de pessoas com alguma dúvida sobre os mais variados benefícios que o nosso país oferece à população. 
    Depois de alguns dias me deparei com várias postagens de pessoa aflitas afirmando que “a folha não havia virado”. Inicialmente não fiquei preocupado, pois não tinha a mínima ideia do que isso  significava. 
    Passou-se um mês e por volta do dia 15 novamente as postagens aflitas sobre o viramento ou não da tal folha. Fiquei curioso e resolvi pesquisar. Em pouco tempo descobri que a folha virar significa que o aplicativo ou o site do Meu INSS está mostrando a data do próximo pagamento. Ou seja, é o extrato do pagamento do benefício. 
    Resolvi então abrir o site e, para o meu desespero, a data do meu próximo pagamento ainda não estava constando. Ou seja, a folha ainda não havia virado para mim!
   Fiquei sem respiração, pensamento a mil, imaginando quatrocentos milhões de coisas: alguém hackeou a minha conta no site do INSS? Ou o INSS cortou o meu benefício sem ao menos me avisar? 
Comecei a imaginar o que iria fazer: Virar um “pedarilho” e sair viajando de bike pelo Brasil? Trabalhar? Mas quem iria arrumar trabalho para um esquizofrênico com 54 anos de idade? E fiquei sem pensar em outra coisa durante o final de semana todo, abrindo o site e recarregando a página por várias vezes seguidas. 
   A canseira das dúvidas quando estava no auxílio doença voltaram. Será que vou ter que ir na agência para saber o que está acontecendo? Será que irão cortar o meu benefício? Ou será que é o sistema que está com problemas? Afinal tudo é culpa do sistema depois que inventaram a internet. 

A paranoia em relação ao pagamento do benefício é coletiva

   Na segunda feira logo de manhã voltei a abrir o site e nada. Fazia alguma coisinha (ou cochilava mesmo) e depois voltava novamente para o notebook para ver se a tal folha havia virado. Hora do almoço e nada!
    Fui para o restaurante popular com a cabeça no site. Fiquei imaginando a aflição dos aposentados que têm família para cuidar, pois no grupo a “pergunta mais perguntada é se a folha virou ou não”. 
    Depois do almoço fiquei recarregando a página seguidamente até que finalmente a data do próximo pagamento estava visível. Deitei em minha cama e pude finalmente relaxar e descansar. Quanto stress e quanta loucura por uma informação que sabemos que irá aparecer. Mas paranoia é paranoia. Infelizmente em nosso país acontece cada coisa com os pobres que qualquer um fica paranoico quando o assunto é pagamento de aposentadoria. Quem não é acaba ficando, e quem já é fica mais paranoico ainda. 
   E assim todo mês, por volta do dia 15, a mesma agonia. Na timeline várias postagens de pessoas desesperadas perguntando se a folha havia virado ou não. Estava seguindo o grupo e não tinha como evitar. Aliás, não queria evitar, estava paranoico e pensava que, se a folha não virasse, o mundo iria acabar. 
    Fiquei um bom tempo nessa loucura que me detonava mental e fisicamente. A ansiedade é diferente do medo, pois o medo é algo que sentimos quando estávamos em uma situação real de perigo. Já a ansiedade é o medo de algo que achamos que poderá acontecer, mesmo não tendo uma razão plausível para isso. 
   Depois de quase um ano, resolvi parar de seguir o grupo, pois ficava sempre o final de semana todo depois do dia 15 entrando no site e recarregando a página até o pagamento do próximo mês constar na lista. Vi que aquilo estava me fazendo muito mal e resolvi parar de seguir e deixar a vida me levar. 
Uma paranoia a mais outra a menos... 
    Mas, não sei como, uma publicação com a maledita indagação apareceu na minha linha do tempo. E esses meses iniciais do novo governo tem sido de muitas dúvidas e mudanças, o que me fez novamente ficar um pouco receoso. 
    O jeito foi acessar o grupo e, para meu espanto, o número de perguntas sobre a folha estava bem maior do que de costume. Afinal era o dia 23 e nada da folha virar para muita gente. Normalmente a data do pagamento aparece entre os dias 15 e 18 de cada mês. 
    E lá eu estava novamente de novo entrando no site sem parar e recarregando a página, mas sem sucesso. Também fiquei acessando o grupo para ver se a folha havia virado para alguém e assim me desse um fio de esperança. Foram cinco dias de aflição até a folha virar para mim!
    E que alívio! Alegria de pobre geralmente é o alívio de algum perrengue. Mais uma paranoia para a minha cabeça aturar. Mas atualmente estou mais tranquilo e sabendo levar essas situações, acho que um pouco por causa da maturidade. 





sexta-feira, 11 de maio de 2018

Divagações esquizofrênicas 18

 
  Divagações esquizofrênicas são postagens que contém assuntos de relevada importância, mas não ao ponto de se tornarem o único e principal assunto colocado na publicação. E muitas vezes essas postagens não têm tanta importância assim, é mais um dedo de prosa virtual, coisa que gosto de fazer, como bom mineiro que sou. Sejam bem vindos à mais uma postagem desse humilde blog. 

Esquizofrenia reversa

     Acho que estou com uma nova doença, que batizei com o nome de "esquizofrenia reversa".  
Vou tentar explicar: Sinto que agora estou escutando vozes reais e imaginando que são "apenas" alucinações auditivas. Digo apenas pois já estou mais do que acostumado com essas vozes, que já foram bem piores. Atualmente ouço mais as vozes "comentaristas", como se fosse alguém reparando em tudo o que faço, principalmente quando estou andando pelas ruas. No silêncio do meu quarto elas se aquietam e não me incomodam tanto. As vozes ameaçadores acho que não as ouço desde o ano de 2005. E, quando estava surtado, ouvia as vozes, estando ou não sozinho. 
 Acho que essa "esquizofrenia reversa" começou no ano de 2014, quando estava morando em São Paulo. Era a minha primeira vez na terra da garoa, e ainda estava um pouco estressado, ainda me adaptando à vida agitada do centro financeiro do nosso país. 
    Me lembro bem dessa voz, que, como disse, senti que foi bem real no momento em que a ouvi e que depois de um tempo fiquei na dúvida se era real ou não.  Estava andando tranquilamente na radial leste, quando, de repente, ouvi a voz que parecia vir de dentro de um carro que estava passando em média velocidade:
    - Olha lá o cara do blog!.
    No momento em que ouvi este comentário levei um susto, fiquei um pouco apavorado, estático, esperando que falassem mais coisas. Mas o carro, como disse, passou em média velocidade. Acredito que possa ter sido uma alucinação, afinal o meu blog nem é tão conhecido assim. Aliás é um pouco conhecido, mas somente no meio do assunto, ou seja, 99% das pessoas que procuram o blog tem algum tipo de envolvimento direto ou indireto com o tema saúde mental. Mas também não descarto a possibilidade desta voz ter sido real também. É uma dúvida que hoje em dia não me incomoda tanto assim, pois as vozes não são mais ameaçadoras como antes. Além das vozes comentaristas, também ouço um pouco as vozes zombeteiras, que ficam zoando a gente. Mas talvez sejam reais mesmo, pois o que não falta são pessoas que, por pura falta de assunto se preocupam mais com a vida alheia do que com a própria.... 
    Então, não tive dúvidas, fui até a lan house mais próxima e tirei a minha "fotinha" que fica na página inicial do blog e coloquei a imagem atual,  uma imagem meio enigmática. 
    Depois desse episódio tive sensações semelhantes ao ouvir outras vozes. Quando estava morando em um abrigo em Belo Horizonte, cheguei a me interessar por uma mulher que também estava lá dando um tempo até se ajeitar na vida. Não cheguei a conversar com ela, apenas ficávamos trocando olhares. Parecia que ela queria me conhecer, mas relacionamentos não é o meu forte, e sou meio desastrado na arte da conquista. 
   Certo dia, fora do abrigo, escutei o seguinte comentário, quando estava distraído:
   - Se você não quer, tem quem queira!
   Olhei para o lado e lá estava ela, parada, me olhando. A frase foi meio curta, e fiquei observando  seus lábios carnudos para ver se moviam, que é uma forma de se tentar descobrir se estamos tendo ou não uma alucinação auditiva. Mas ela continuou parada, me olhando. No momento pensei se tratar de mais uma das várias vozes que aparecem em minha cabeça, elas geralmente aparecem quando estou um pouco tenso, no meio de uma multidão, por exemplo. 
     Mas, com o tempo, acabei acreditando que não era uma alucinação, pois eu vi a mulher abraçada com um outro cara que estava no abrigo. Ou seja, ela esperou o tempo que foi possível para me conhecer, e realmente tinha quem a queria, pois era uma morena muito bonita. Ela preferiu ficar com o outro cara, que deve ser menos complicado do que eu. 
     Ano passado também ouvi uma voz semelhante a essas que ando ouvindo ultimamente, mesmo andando pelas ruas com o fone de ouvido e com a música no volume máximo. Havia acabado de publicar uma postagem com dicas de como não ganhar muito peso usando os antipsicóticos, que, em sua maioria aumentam e muito o nosso apetite. Atualmente não uso esses medicamentos, mas, quando usava chegava a ganhar apenas uns 2 kg e depois o peso se estabilizava. Sempre fui uma pessoa curiosa, e lia praticamente tudo o que aparecia em minha frente. E tive a sorte de encontrar bons livros sobre produtos naturais e sigo algumas dicas de saúde desde os 15 anos. E atualmente estou com o mesmo peso de quando tinha 25 anos, o que acho um boa referência, pois é a idade em que podemos dar uma engordadinha, um ganho de massa muscular, etc. 
     Então, após publicar a postagem, fui almoçar e, como sempre, comprei doce para comer na volta do restaurante popular. Me lembro que era um delicioso pudim de leite. Duas mulheres se aproximaram de mim e a voz então deu o ar de sua graça:
    - Vai engordar tudo de novo!
    Não me assustei, pois naquele momento tinha 100% de certeza de que a voz era real. Como disse, o meu blog não é muito conhecido, ainda mais no meio das pessoas "ditas normais".  Continuei a caminhar normalmente, pois já há muito tempo a opinião alheia deixou de ser uma preocupação em minha vida. Um dos motivos de ter pirado foi justamente o fato de prestar atenção no que os outros achavam ou deixavam de achar de minha pessoa. 
    Quando cheguei em casa, voltei novamente a pensar no comentário sobre o meu peso. E fiquei meio dividido no início, mas essa em específico acredito ter sido alucinação mesmo, mas não descartando a possibilidade de ter sido real, ainda mais por que as mulheres estavam de branco. 
    Uma outra voz ouvi esses dias, quando estava almoçando no restaurante popular. Nos últimos dias estou entrando na fila preferencial, coisa que nunca havia feito, apesar de ser um direito das pessoas com esquizofrenia. Mas, devido ao meu problema no pé, resolvi arriscar a entrar nessa fila, pois tenho que andar 3km na ida  e mais 3km na volta para casa. E a musculatura fica um pouco cansada, pelo fato de usar mais a perna direita do que a esquerda. E o dedo quebrado também chega a inchar um pouco. E então, como a fila é grande, resolvei ir direto para a fila preferencial. 
    Levei o laudo com o meu CID F20 (esquizofrenia paranoide) e também o laudo que consta que o meu hálux (dedão do pé) está quebrado. Resolvi também usar a fila preferencial pois estou tendo um prejuízo muito grande pelo fato de ter esquizofrenia: o médico de um hospital que consegui atendimento não está querendo me operar justamente pelo fato de ser uma pessoa com esquizofrenia, pois o hospital é especializado em ortopedia e não tem psiquiatras e outros profissionais da área caso ocorra algum problema comigo durante o procedimento cirúrgico. Então resolvi usar a esquizofrenia para usar um direito que tenho, que é o de não ter que pegar a enorme fila que geralmente se forma no restaurante popular. No início pensei que iria haver uma revolta das outras pessoas que estavam na fila, que iriam dizer que estava na fila errada, enfim, que iria dar uma enorme confusão e que até a guarda municipal teria que ser chamada. Mas nos primeiros dias foi tranquilo, só ouvi a funcionária que pega os tickets reclamar algo com um frequentador do restaurante. 
    Já no terceiro dia o funcionário do restaurante me pediu o laudo e expliquei a situação para ele, que foi bastante educado. Mas quando estava sentado fazendo a minha refeição, escutei o comentário:
    - Ele é saudável...
    Olhei para o lado e não consegui identificar o autor do comentário, que parecia ter sido real, pois é uma situação que chama a atenção, pois na fila preferencial a maioria das pessoas são idosas, grávidas e deficientes físicos. Aparentemente sou uma pessoa normal, e acho que sou um bom ator, sendo o meu papel na vida diária o de um cara normal....  Essa voz acredito ter sido verdadeira e no momento achei que fosse uma alucinação, ou seja, é o contrário da alucinação que temos na esquizofrenia, que é algo irreal que no momento nos chega como se fossem reais. 
   E essas situações de vozes que parecem ser alucinações no momento e depois de analisar com calma chegar à conclusão de que poderiam ser reais acontecem com certa frequência. Basta ir à um local cheio de pessoas. Então, como não achei nada sobre o assunto na internet, resolvi batizar essa estranha situação como esquizofrenia reversa, onde o real pode nos parecer como coisa de nossas mentes. É complicado, e justamente por isso não me preocupo mais.  

O sol
nascer do sol na praia deserta, no Espírito Santo (caminho do Padre Anchieta)
    
    Atualmente estou morando em local bem tranquilo. É claro que surgem alguns perrengues, afinal são muitos moradores compartilhando um mesmo espaço. Mas por aqui as regras são claras, tudo o que não pode está escrito em um pequeno "outdoor" que fica situado logo na entrada. E o futuro morador tem que ler as regras antes de fazer o pagamento do primeiro aluguel, que é adiantado. 
     Moro bem escondido mesmo, em um corredor. Sinto a falta do sol, mas não aquele sol que fica batendo na parte da tarde e deixando o quarto um forno. Antes morava em um local onde o sol apenas batia de leve na parte da manhã, me informando a hora de acordar. 
    E sinto falta do sol. Dizem que é bom para a depressão e muitos afirmam que nos países como a Suíça o índice de suicídio é elevado por causa da pouca incidência do sol na maior parte do ano. 
   Então procurei me informar sobre aquelas pracinhas com aqueles aparelhos coloridos para o pessoal da terceira idade se exercitar. Me sinto longe de chegar mentalmente e fisicamente na terceira idade, apesar de estar com 49 anos. Mas o meu dedo quebrado não me permite fazer exercícios muito forçados. O jeito então é me exercitar nesses aparelhos, que têm baixo impacto para as articulações. 
   E uma coisa bacana que tem aqui em Belo Horizonte são essas pracinhas com esses aparelhos. Na maioria dos bairros sempre tem uma pracinha dessas, isso quando não tem mais de uma. Afinal é um investimento do município que traz retornos financeiros, pois povo com saúde não vai muito ao posto de saúde... Até virou frase de campanha para as pessoas se exercitarem.. 

     E então, com um pouco de dificuldade (depende muito da noite de sono) me levanto da cama por volta das sete e meia da manhã. Tomo dois copos de água em jejum, espero meia hora, tomo a minha ração composta de leite de soja, gérmen de trigo, aveia e farelo de trigo. Faço um café extraforte mais forte ainda e como um pão, que é a única fonte de carboidratos na parte da manhã.
    Vou para a pracinha e faço  o alongamento, dou umas três voltinhas para aquecer e uso praticamente todos os aparelhos, para exercitar todos os músculos do meu corpo. E sem cerimônia e vergonha alguma, pois quase que 100% dos usuários desses aparelhos são mulheres e geralmente com mais de 50 anos. Mas saúde e o que interessa, se prestarmos atenção no povo não saímos do lugar.
    Depois de fazer os exercícios, dou umas três voltinhas correndo, pois a praça fica em uma descida, e ela é pequena e redonda, e é um pouco chato ficar dando voltas curtas. O bairro onde moro só tem morros, se você não está subindo está descendo, não tem como fugir disso. Mas acho bom pois assim vou treinando para escalar os vales e montes do caminho da estrada real, que ainda não esqueci de esquecer... Não iria me perdoar nunca se não completasse os quatro caminhos da estrada real. Com ou sem o pé operado.
    E depois das voltinhas, tiro camisa, ou melhor, já fico sem a camisa durante os exercícios, para ficar mais exposto ao sol da manhã e também não ter que ficar lavando camisa suada todo dia né?
    Sento-me no banco, tiro também o tênis e tomo banho de sol por cerca de 20 minutos. Não vejo ninguém fazer isso. A maioria das mulheres usam aquelas calças compridas de praticar esportes, que as deixam com as silhueta bem bonita, podendo nos levar a ter alguns enganos. Acho que isso é coisa de mineiro mesmo, que é um povo um pouco mais conservador. Acho que muita gente estranha essa minha atitude de ficar só de calça tomando sol. Mas é que temos que nos preocupar com a principal fonte de vitamina D, que são os raios solares. Além de ser a principal é a mais barata também. A vitamina D serve principalmente para fixar o cálcio nos ossos, evitando assim a osteoporose e que fiquemos prestando atenção nos anúncios da TV para comprar vitamina D quando nossos ossos já estão fracos.

                                                   Benefícios do banho de sol
-ajuda no controle da pressão arterial
-bom para o coração
-bom para a depressão, pois ajuda na produção da serotonina.
- e, claro, o fortalecimentos dos ossos.
-e ajuda na aparência, deixando a pele bronzeada. Não é preciso nem usar filtro solar ou bronzeador, pois o sol da manhã não é prejudicial à saúde. E, para manter o bronzeado é só comer cenoura crua.
     Por esses e outros motivos não me acanho de tomar meu banho de sol na parte da manhã. Não quero gastar com vitamina D se posso obter esse componente essencial à nossa saúde de forma totalmente gratuita. É difícil conseguir acordar na parte da manhã, mas vale a pena, pois os benefícios são sentidos durante todo o dia. E juntamente com os exercícios físicos são fundamentais para combater a ansiedade, o nervosismo, etc... Só com o sol e os exercícios físicos economizei cerca de 100 reais: 60 da academia e 40 da vitamina D em cápsulas, pois através dos alimentos é um pouco difícil de se conseguir a dosagem necessária. 15 minutos de sol equivalem a um bom salmão, que é um peixe bem caro.
      Também estou usando o cloreto de magnésio, que é muito indicado no tratamento das articulações. Senti uma grande melhora em dois meses de uso. Recomendo à todos que usem, pois os benefícios são muitos. Mas irei falar sobre esse assunto em outra postagem, já que senti várias melhoras em meu organismo. 
    E assim, com esses pequenos cuidados vou cuidando da minha saúde física e mental. Estou me sentindo bem melhor. Reforcei bem a musculatura das pernas e estou caminhando com mais firmeza. Acredito que mesmo se não conseguir a operação no meu dedão do pé, irei fazer os 910km restantes dos quatro caminhos da estrada real. Tenho que fazer antes que comece o inverno, caso contrário só ano que vem, pois muitas cidadezinhas do interior de Minas Gerais são bem friorentas. Passei alguns apertos quando fiz a primeira viagem sem o saco de dormir. Quase congelei na cidade de Entre Rios, apesar de ser outono naquela época. E depois do inverno tem um pequeno período que dá para viajar, mas é que tem por aqui o campeonato dos centros de convivência aqui de Belo Horizonte. É um torneio de futebol, e eu sou muito fominha. Jogo até com o pé machucado, pois coloco o solado de borracha para não machucar muito o dedão E jogo mais só com a perna direita mesmo. E, se não der para jogar na linha, jogo no gol, pois não sou ruim goleiro. Tenho até nome de goleiro de time profissional...
    Não queria deixar para o ano que vem. Viajar está no meu sangue, estou chateado demais com essa situação de não poder andar o quanto quero. Mas o caminho da estrada real vou fazer mesmo com o dedão quebrado, pois pior do que tá não fica. E irei fazer o caminho em um ritmo menor, acho que vou começar andando uns 10km por dia e irei aumentando aos poucos, se der. Se não der, fico andando 10km por dia e aí a viagem pode demorar uns três meses. Mas na estrada real posso viajar até o resto de minha vida, pois não me canso das belezas da minha querida Minas Gerais. E, claro dos quitutes e da hospitalidade do povo também.

    Obs: Caso queiram comentar fiquem à vontade. Existe a opção de comentar como anônimo, que é uma boa opção, principalmente se a pessoa está no mercado de trabalho, pois hoje em dia dizem que as empresas estão vasculhando a internet em busca de informações sobre o candidato a vaga. 

   Muito tempo que não posto música, mas essa canção da banda mineira Jota Quest tem tudo a ver com os temas da postagem.

O Sol
Jota Quest

Ei, dor
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei, medo
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou
E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou

Ei, dor
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei, medo!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou
É pra lá que eu vou

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou

Yeah! Han!
Caminho do Sol, eh!
Lá lararará!
Caminho do Sol, eh!

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou
É pra lá que eu vou

Lá lararará, lararará
É pra lá
É pra lá que eu vou
Lá lararará, lararará
Aonde eu vou?
Aonde tenha Sol
É pra lá que eu vou
Lá lararará, lararará

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Divagações esquizofrênicas 17


ainda existe esperança... 
  Outro dia desses, no local onde estava morando, surgiu um problema comum em lugares onde são alugados vários quartos e se tem uma cozinha coletiva: alguém estaria supostamente afanando comida alheia da geladeira.... Os "maconhistas" do local chegaram a jogar algumas indiretas que o esquizo seria o principal, ou melhor, o único suspeito desses roubos.
    Na verdade nem entro na cozinha, tenho o meu frigobar que ganhei de um amigo. E também não uso o fogão, afinal a única coisa que sei fazer é o tradicional ovo cozido, que aprendi a fazer depois de consultar o google sobre o tempo de cozimento dessa rica fonte de proteínas que agora foi abolido pela comunidade médica. Antigamente tinha pavor só de pensar em comer ovo cozido, pois a conversa na época era de que apenas uma gema continha colesterol para mais de dois dias de que o nosso organismo precisa. E, como "bom" hipocondríaco que sou me limitava a comer uns dois ovos por mês, no máximo.
    Mas, voltando ao assunto do suposto sumiço dos alimentos da geladeira, confesso que no início fiquei um pouco chateado com essa história e desconfiança de minha pessoa. Afinal eu era a pessoa que tinha a menor renda naquele local. Mas logo no dia seguinte a proprietária do imóvel apareceu e reiterou a sua confiança na minha pessoa. Eu então afirmei que isso era coisa da "oposição dos maconhistas" que estavam tomando conta do local. Ela, imediatamente me pediu nomes e me disse que iria imediatamente pedir que procurassem outro local para morar... Fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz pela confiança e triste por ter que enfrentar mais essa situação envolvendo usuários de drogas. Minha consciência iria pesar, afinal tinha um maconheiro que dependia daquele local, pois ele pagava o aluguel em troca de alguns serviços para a dona do imóvel. E também outros maconhistas que não tinham renda também moravam lá. Resolvi me mudar para um local mais tranquilo e com pessoas mais responsáveis e que trabalham. Gostaria de reiterar que não sou moralista, cada um faz da vida o que bem entender, desde que não prejudique o próximo. No meu caso, os maconhistas estavam prejudicando o meu sono, pois eles queriam impor um horário não muito comum, que era de dormir por volta das duas horas da madrugada e acordar depois das dez horas da manhã...
     Isso sem contar o som alto e as baixarias que citei na postagem "Meus vizinhos funkeiros" . Como sempre paguei meu aluguel religiosamente em dia e fui um inquilino exemplar, me vi no direito de fazer reclamações sobre o comportamento desses maconhistas... E aí foi como mexer em um vespeiro, mas não tenho medo desse tipo de gente que não é chegada ao trabalho. E, como eles não tinham nenhum argumento contra a minha pessoa, o jeito foi começar a reclamar de um suposto sumiço de alimentos da geladeira.... O engraçado é que só sumia alimentos dos usuários dessa erva danada que só traz confusão. O ambiente naquele lugar era ótimo até a chegada do primeiro maconheiro. Quando saí do local eram três, fora os que vinham de fora para usar a maconha fedorenta dos inferno...
     Então me lembrei da época do meu primeiro surto psicótico grave, em que fiquei morando nas ruas de "Beuzonte" por cerca de cinco meses. Estava pesando 25kg a menos, quando comecei a voltar à realidade. Estava com uma mania de perseguição absurdamente exagerada, e a minha principal preocupação era fugir dos meus "inimigos imaginários"... Se engana quem pensa que toda pessoa que tem esquizofrenia cria um amigo imaginário e fica conversando com ele toda hora....
     Mas nos surtos a sensação que tive é a de que a região do cérebro responsável pela fome ficou meio desativada ou até mesmo desligada, sentindo apenas a necessidade de beber muita água.  Mas em compensação parecia que a região do cérebro responsável pela audição ficou muito mais ativa, daí talvez venha uma provável explicação para as alucinações auditivas.
Durante o surto a região da audição parece estar mais ativa... 
    O pouco que conseguia comer acaba vomitando pois logo vinha uma voz afirmando que a comida estava envenenada. Foi assim quando encontrei um pé de manga na BR e comi quatro mangas deliciosas, quando comprei um biscoito recheado com coca-cola e  também quando um policial rodoviário me ofereceu um marmitex. É muito estranha essa situação,  a gente fica vários dias sem se alimentar, e aparece um marmitex e sem receio jogo o alimento no lixo. E não lembro de ter sentido o meu estômago roncar...
    Mas não saí do surto de uma hora para outra, foi um processo bastante demorado e que demorou alguns meses até voltar a trabalhar novamente. Mas a sensação de fome voltou de uma hora para outra, era como se a região do cérebro responsável pela saciedade estivesse desativada e por algum motivo foi ativada, assim de um dia para outro. Estava no meio do mato quando isso aconteceu, e não havia nada para comer, só umas goiabinhas ainda bem verdes...
    Mas, por causa da mania de perseguição absurda não saí do mato, mesmo com aquela fome toda. Fiquei por um bom tempo imaginando tudo de gostoso que havia comido em minha vida: as lasanhas de minha avó, os deliciosos caldos de feijão vendidos na praia de Boa Viagem, no Recife, e por ai vai... 
    Somente quando dois urubus ficaram me observando por mais de uma hora que resolvi sair do mato, estava tão fraco que provavelmente não iria conseguir me defender caso essas aves resolvessem me atacar.  Naquele momento já estava um pouco menos paranoico e as vozes já haviam sossegado Acredito que a debilidade física meio que serviu como um sossega leão para mim. 
     Já no centro, tive uma dificuldade imensa ao passar na frente das padarias. Tinha que fazer um enorme esforço para não "pegar" aquelas tortas maravilhosas do balcão. Uma vez vi uma mulher fazendo churrasco na rua e pensei que ela fosse permitir que eu pegasse um para matar a minha fome. O resultado é que, além de não comer churrasco, quase fiquei sem dedo, pois ela não hesitou em se proteger com uma faca que parecia estar bem afiada. 
      Era triste e atentador passar nas padarias. Uma fome tremenda, o estômago roncando, mas não tive coragem nem de pedir, pois é muito ruim ficar recebendo "nãos" o dia inteiro. 
    E também não pedia nada pelo simples fato de imaginar que as pessoas que estavam ao meu redor já sabiam o que eu estava pensando... Às vezes ficava lendo cartazes e outdoors só para "afugentar" as pessoas que estavam invadindo a minha mente. 
    A solução que encontrei para matar a fome foi comer o lixo de uma padaria no Barro Preto, um bairro aqui de BH, situado perto do centro da cidade. Todos os dias, por volta das sete horas da noite a funcionária colocava o lixo no passeio para que o caminhão recolhesse...
    E então lá ia eu, na esperança de encontrar algo para matar a minha fome. Ia rasgando os sacos, e separando os pães, bolos e salgados, que, para a minha sorte, não estavam estragados. Na verdade estavam um pouco ressecados, pois o controle de qualidade da padaria parecia ser bem rígido. Depois de pegar os alimentos, fechava novamente todos os sacos e deixava o local como havia encontrado. 
    A dona da padaria parece que até gostou da minha atitude, pois certo dia encontrei um sanduíche de carne, recém preparado no meio daquele lixo todo.... E, com o passar dos dias, notei que os pães e os bolos estavam cada vez mais novos e macios. 
    Em uma dessas minhas idas à padaria, cheguei até a ganhar um bolo de aniversário. Mas não era a data do meu nascimento, ao lado da padaria havia uma confeitaria, e o pessoal de lá me deu um bolo que parece que deu errado, ficou um pouco torto, sei lá. Só sei que estava uma delícia e com o recheio de doce de leite.  O bolo só não estava decorado, o que achei bom, pois o glacê geralmente me dá uma diarreia, e, morando nas ruas é o que menos queremos que aconteça. 
     Depois da padaria ia para o prédio do Instituto Estadual de Florestas, para dormir debaixo da marquise do prédio, que deveria ter uns 20 andares. O segurança me tratou muito bem durante o tempo todo que fiquei por lá, acredito que foi a primeira pessoa com quem conversei de verdade depois de voltar a realidade no meu primeiro surto psicótico grave. Costumo dizer que a solidariedade das pessoas foi o meu melhor antipsicótico naqueles dias. O segurança sempre reservava alguns sanduíches de mussarela e presunto que era oferecido aos funcionários do IEF. A única exigência que ele fazia era para que deixasse o local limpo. 
    Me lembro que, certa vez, logo no início da minha volta ao centro de Belo Horizonte, parei em frente a uma lanchonete. A fome estava de doer o estômago, e então tentei pedir com o olhar alguns doces que estavam em um recipiente. Tinha a quase certeza absoluta de que podia me comunicar com as pessoas telepaticamente. Tentei decifrar os gestos do dono de bar, e arrisquei a colocar a mão no pote. Ele não disse nada e continuou a lavar os copos na pia Esse foi o sinal de que poderia pegar algumas cocadas. Então, calmamente abri o pote e peguei quatro cocadas. Fechei normalmente, e, de repente, tive a sensação de que estava sendo observado. Quem nunca teve essa sensação? Parece que é algo que dá na região da nuca. E o engraçado é que geralmente vamos de encontro a alguém que realmente está nos olhando. Essa sensação de estar sendo observado não seria algo relacionado à psicologia (paranoias) e sim algo mais ligado ao sexto sentido mesmo...

    Mas realmente do outro lado da avenida haviam três pessoas em frente de um carro de uma emissora de TV (foi possível ver o logo da "poderosa"...). 
    O cara do meio estava segurando uma câmera e a apontava em minha direção, ou seja, provavelmente estava me filmando. Então saí correndo e entrei em uma garagem, onde havia um carro aberto e com a chave na ignição. Por um momento cheguei a pensar em entrar naquele veículo e sair fugindo daquele lugar, mas não estava totalmente fora da realidade, e sabia que dirigia mal pra caramba. E como matar a fome era a prioridade naquele momento, comi rapidamente aquelas quatro cocadas brancas e depois peguei uma mangueira e enchi a minha barriga com água, para aumentar ainda mais a  sensação de saciedade! Nunca na minha vida as cocadas foram tão deliciosas! Me lembro até hoje do alívio que senti depois que enchi a minha barriga. 
    E assim, com o meu bom comportamento, sendo um bom mendigo, fui muito ajudado pelas pessoas do bairro onde estava e engordei 20kg em apenas um mês! Não tenho vergonha de dizer que fui um mendigo, teria vergonha de dizer que fui um traficante, um ladrão ou coisa do gênero...
    Não posso dizer que foi um período feliz de minha vida, mas tive muitos momentos de felicidade durante esse momento que morei nas ruas. Conheci muita gente bacana, o que amenizou e muito o sofrimento que é não ter um local para viver em paz. 
    Voltando ao assunto inicial do sumiço dos alimentos da geladeira, me pergunto: se não roubei nem no momento mais difícil de minha vida, por que roubaria agora? 
    Felizmente a proprietária do imóvel me conhece a mais de um ano e não deu atenção à queixa dos "maconhistas", principalmente de uma estudante que era sustentada pelos pais. E o engraçado é que só sumia alimento da galera da erva danada... E, para completar, como já relatei,  ela ainda me disse que eu poderia dar os nomes dos maconhistas que estavam me incomodando, e que iria mandá-los todos embora. Não é por nada, mas sou um bom inquilino: não ligo som alto, não gosto de discussões e sempre procuro pagar religiosamente em dia. Não devo as pessoas, somente ao bancos, que não gostam muito de negociar os juros abusivos. O único "defeito" que tenho é a de ser calado.. Digo defeito pois as pessoas parecem estranhar uma pessoa extremamente reclusa, e acham normal as fofocas e outras maledicências que a  língua pode provocar em um ser humano. Mentir é normal, falar mal dos outros também. Ficar calado é estranho, é loucura... 
    Mas preferi sair daquele local, que no início não havia um maconhista e hoje tem metade dos moradores usando a erva. Não sou totalmente contra quem fuma um baseado e fica na sua, o que complica é que alguns ficam muito bobos e agitados, parecendo que usaram cocaína ou outro estimulante, sei lá. Se fossem "cachacistas" que estivessem perturbando o ambiente estaria relatando aqui no blog sem maiores problemas....
Nem os traficantes estão aguentando certos "maconhistas"...

     Por mais que os maconhistas dessem queixa do sumiço dos alimentos, a proprietária nem me chamava  a atenção. E um deles chegou ao cúmulo de afirmar que alguém havia roubado 200 reais do quarto onde estava.. O engraçado é que não houve arrombamento e ele nem chamou a polícia... A alegação dele é que 200 reais não é nada... Vá entender a cabeça desses caras... 
     Mas, é aquele velho ditado, a mentira tem pernas curtas. Às vezes ela anda um pouquinho e faz alguns estragos na vida da pessoa, mas no final a verdade sempre prevalecerá.

Vamos tomar cuidado com as "dorgas"...

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Divagações esquizofrênicas 16

                                        Paranoias diárias do dia a dia....

    Após a última postagem abordando um assunto sério e polêmico, desta vez posto mais uma publicação da série "Divagações esquizofrênicas", que, resumindo, é uma conversa fiada sobre amenidades e até temas um pouco mais sérios, mas sempre usando uma forma mais leve e até bem humorada. De complicado já basta o transtorno...
     As minhas paranoias, principalmente a "mania de perseguição que me persegue", me acompanham por onde eu for. Não adianta mudar de bairro, cidade, país, etc... Alguns dias elas estão mais presentes, outras nem tanto. Mas elas sempre estão dando o ar de sua graça. É a "everyday paranoia".
       Elas também me acompanham no mundo virtual, é claro. Usar internet banking nem pensar, apesar de saber que nenhum hacker irá perder seu tempo para roubar alguns míseros reais que deixo na minha conta....
    Esses dias cliquei em um link suspeito e isso já foi o suficiente para ter a absoluta certeza de que fui e estou sendo hackeado, principalmente a minha conta de email e o facebook. Já fiz até backup das postagens aqui do blog. Vai que tenho inimigos e não esteja sabendo? 
    Fiquei tão paranoico com esse link suspeito que até enviei um email para "mim" mesmo...(está correta a frase "enviei um email para mim mesmo?". Os universitários por favor me respondam aí nos comentários, pois o word não é perfeito e a língua portuguesa é complicada mesmo. 
verificação de email... 
    Mas não é brincadeira não. Enviei um email para mim, pois tenho várias contas. Usei o da yahoo para mandar para a minha conta da microsoft, que é a que uso mais. Fiz este procedimento para verificar se algum hacker está interceptando alguma mensagem importante. Estou recebendo emails, mas fico pensando se esse tal hacker estaria bloqueando apenas os emails importantes e deixando passar só os que não interessam, os spams, as propagandas, o phishing, etc...
    Será que sou a única pessoa do planeta a fazer isso? Se alguém também já chegou nessa situação crítica de paranoia extrema por favor comente, por uma questão de solidariedade mesmo, para não me sentir tão maluco assim... E também, se for possível, me envie emails, pois essa auto verificação também não foi o suficiente para acabar com as minhas suspeitas de hackeagem. 
    Mas o engraçado é que atualmente não uso mais antivírus no meu notebook. Depois que aprendi a instalar um sistema operacional qualquer nunca mais instalei esse tipo de programa, que geralmente deixa a máquina um pouco mais lenta. Formatar um pc não é um bicho de sete cabeças. Agora qualquer probleminha que acontecer é só instalar tudo de novo. Tempo até que não me falta ultimamente. 
    Mas, falando sério, o melhor e principal antivírus é o próprio usuário, ou seja, nada de ficar clicando em links suspeitos, notícias falsas (o Sílvio Santos morreu umas 400 vezes no facebook...).
     Também não existem milagres, não irá cair uma bolada do céu ou um iphone se você clicar em um link avisando que você é o milésimo visitante de um site qualquer. E tem aqueles sites de "entretenimento", que alguns visitam para se aliviar, que podem ter vírus também. Digo pode ter por que nunca cheguei a ver esse tipo de site não...
dinheiro não cai da internet...

       Também uso a terapia do foda-se. Foda-se se alguém está me espionando, me hackeando. Ser pobre tem o seu lado positivo também, pois hackear deve dar muito trabalho e alguns reais não valem a pena o serviço todo. Só empresas e milionários é que devem se preocupar em instalar um antivírus, e se possível dos melhores, que são os pagos. E os meus dados e arquivos também não me preocupam, afinal quem irá se preocupar em ver os meus nudes? Brincadeira, não guardo nudes no meu note. 
    Mas os meus dados estão salvos nas nuvens, uso duas contas gratuitas no mega, sendo que dá para armazenar 50GB em cada uma. Mas a conta gratuita só dá para baixar acho que 1GB a cada 5 horas, mas é melhor do que nada. Basta se cadastrar no site e pronto: você terá espaço suficiente para salvar suas fotos, pois qualquer HD, por melhor que seja, está sujeito a ter problemas...
   Esse é o meu blog: dicas de saúde física, mental, viagens, dicas de informática, manias, loucuras e por aí vai. Abaixo o link para quem quiser usar a conta no mega, pois se digitar "Mega" no google só irão aparecer assuntos relacionados à mega sena:
   A única coisa que faço pare me precaver da hackeagem alheia é tampar a webcam com uma fita isolante. Dizem que é possível espionar uma pessoa através da webcam sem que o led(a luzinha) esteja acesa). Acho difícil, mas se até o dono do facebook faz isso...
   Mas não devemos nos preocupar tanto se somos simples seres mortais, essas preocupações só as celebridades mesmo devem ter, nenhum hacker normal (tem hacker normal?) irá se preocupar com a vida e o cotidiano de nós pobres mortais. A não ser que ele seja seu inimigo.... 
                                                
                                                                         Andanças...
     Janeiro do ano que vem irá completar três anos sem andanças. Três anos entediantes. No início até que curti o cotidiano: assistir filminhos no home theather da LG que comprei quando estava morando na barraca e assim sobrando um dinheiro ao não ter que pagar o aluguel. Também curti ficar o dia inteiro praticamente na net, com o notebook também comprado com o dinheiro que seria do aluguel. Até tomar banho também foi uma curtição nos primeiros dias. Dá saudade sim esses pequenos prazeres e confortos de se ter um local fixo para morar. Mas, no meu caso, o tédio toma conta em questão de meses e, se não fosse o meu hálux rígidus já estaria na estrada real há muito tempo.
    Como tive uma boa melhora usando um tênis supermacio com o solado de EVA estou planejando voltar à estrada real no início do ano que vem, depois da temporada das chuvas.
    É na estrada real onde meus sonhos se tornam reais: um mundo sem violência, sem maldades, com a liberdade de andar por aí sem medo de ser assaltado. Confesso que um dia quase entrei em êxtase quando estava no alto de uma serra e só conseguia ouvir o bater das asas de um pássaro que estava sobrevoando o território...
    Os perrengues na caminhada existem, é claro. Chuva, sol forte na cabeça, se perder no meio de uma trilha... Mas a sensação e o prazer de liberdade superam e muito esses percalços do caminho.
    E a situação é a mesma do início das minhas andanças, em 2013, quando fiz o "O caminho do Padre Anchieta" pelo litoral do Espírito Santo: vizinhos que não respeitam muito o sono alheio. Dormem durante o dia e de noite ficam um pouco "agitados" e "alegrinhos"... E também não são muito adeptos do fone de ouvido. A mesma situação de quando morava em Ipatinga. Estou cansado de me mudar de um bairro para outro a fim de achar um local onde prevaleça o respeito ao próximo. Gosto demais de ouvir um som pesado, o piano do Yanni e sua banda, e outros sons mais. Dá vontade de aumentar um pouco, mas me coloco no lugar do vizinho e sei que ele não tem o mesmo gosto musical do que o meu e não quero obrigar ninguém a ter. Mas talvez seja o meu destino mesmo não ter um local fixo para morar... 
o caminho do Padre Anchieta foi fácil, apenas 100km de praias maravilhosas.
dormir na praia deserta e ter só a companhia do siri foi e melhor coisa do primeiro caminho que fiz...


    Como disse, ano que vem, depois da chuva voltarei à estrada real. Desta vez o desafio será bem maior: serão 910km! Isso mesmo, irei fazer o Caminho novo e o Caminho dos Diamantes de uma vez só, um atrás do outro. Obviamente irei descansar alguns dias, mas não terá pausas grandes...
   Quanto tempo irá demorar, não sei. Não irei fazer nenhum roteiro, como fiz no caminho velho. Pretendo curtir mais um pouco as cachoeiras e paisagens do caminho. E a solitude também, é claro. Me lembro que senti um vazio enorme quando cheguei à Paraty no último dia de viagem da estrada real. Descobri que o grande barato da caminhada não é a chegada ao destino final e sim a própria caminhada. A pressa nesse caso é inimiga do prazer....  Essas caminhadas não são um desafio, como fazer uma escalada ao topo do monte Everest.
    O que me deixa um pouco receoso é a variação do meu humor, que prefiro chamar de estado de ânimo. Tem dias que não estou nada animado, nem saio de casa para almoçar, prefiro buscar qualquer besteira no supermercado mesmo. Esses dias que fico meio desanimado me fazem pensar se tenho alguma doença. Já fiz vários exames de aids, eletrocardiogramas, hemogramas. Se pudesse faria até um tal de "petscan", que é um exame caríssimo que serve para detectar qualquer tipo de câncer, mesmo em estágio inicial.
     Uma vez, quando morava em Ipatinga, cheguei para a psiquiatra e pedi  um exame do coração, pois cismei que tinha uma doença chamada coração grande. Desde pequeno sou cismado que tenho algum problema do coração. E depois dos surtos tive algumas situações em que do nada meu coração disparava. Essa psiquiatra foi a que mais me ajudou, pois ela me atendia muito bem, não tinha aquela pressa e conversava comigo normalmente. Ela, ao ouvir a minha queixa, apenas pegou a caneta e fez a solicitação do exame. Ela não disse: "Ah, você não tem nada, isso é coisa de sua cabeça"...    Ela sabia que isso não iria me ajudar. Apenas fez o pedido e deixou que eu mesmo descobrisse que o problema no coração era apenas mais uma cisma de minha cabeça cheia de neuroses.


O monte Everest
   Cada um com sua loucura e mania. Não acho andar por aí na estrada real uma loucura. Se fazer andanças fosse uma loucura, então na Espanha deveria ser um ou vários hospícios do tamanho do Maracanã, pois todos os anos milhares de pessoas fazem o místico e religioso Caminho de Santiago.  O meu caminho de santiago é a estrada real, o caminho está dentro de nossas mentes e de nossas almas. 
    Mas falando em monte Everest isso sim acho uma piração, mas que respeito. Cada um com sua piração, sempre respeitando a piração alheia. Mas que é tensa essa escalada, isto é. Talvez o perigo e o imprevisto é que motivam essas pessoas a fazerem isso. 
Assisti esta semana um filme baseado em fatos reais sobre o monte Everest, para tentar entender melhor essa piração. E reparei que boa parte desses "malucos" são pessoas em torno dos 40 anos. Imaginava que eram no máximo pessoas com trinta anos, devido a dificuldade de se fazer a escalada. Mas sempre chega uma fase em nossas vidas em que começamos a refletir certos valores. E algumas pessoas precisam do isolamento para fazer tal reflexão. 
   O filme não é intenso, com final feliz, onde todos se salvam. Como disse, ele é baseado em fatos reais e os roteiristas do filme acredito não quiseram mudar muito para tornar o filme mais interessante e prender tanto a atenção do telespectador. Muitas pessoas pensam que o filme que é baseado em fatos reais seja uma cópia fiel do que é retratado. Não é bem assim, é alterada uma ou outra cena para tornar o filme um filme. Já no caso do filme Everest acredito ter sido bem fiel a realidade. Até mesmo o filme  ícone da esquizofrenia, Mente brilhante não é um retrato fidedigno da vida do matemático John Nash.
                                                              Sinopse do filme

    Tempestade de neve, frio, gelo, desespero, dramas familiares, mortes, tragédias. Poderia ser mais um filme de desastre, recheado de efeitos especiais, cenas de ação e um norte-americano salvando o mundo no fim do dia, mas "Everest", conta uma história real.
    O filme narra os acontecimentos dos dias 10 e 11 de maio de 1996, quando dois grupos de alpinistas fizeram uma excursão ao topo do Monte Everest.
    Naquela tarde, uma forte nevasca fez com que oito pessoas, entre guias, auxiliares e esportistas de maior ou menor experiência, morressem na tentativa de alcançar o topo da montanha, que fica na Cordilheira do Himalaia. 
    
Aventura mortal
   Encarado como um dos desafios mais perigosos do mundo, a escalada ao topo do Monte Everest é realizada apenas em algumas semanas durante o ano, na chamada "temporada de escalada". Mesmo assim, os que se propõem a subir devem respeitar regras rígidas, como a de não demorar a voltar, mesmo que isso signifique não conseguir atingir o topo.
    A tragédia de 1996 é justificada por especialistas como o resultado de um conjunto de erros que teria causado um grande atraso para que os alpinistas daquele dia chegassem ao topo. Surpreendidos por uma nevasca já durante a descida, a maior parte deles ficou presa em meia a ventos de 130km/h e uma temperatura de -51C°. A maioria morreu congelada.
    As vítimas eram de duas expedições comerciais, formadas cada uma por um líder, dois guias e oito clientes. O duelo profissional e pessoal entre os dois líderes, Rob Hall, da Adventure Consultantes, e Scott Fischer, da Mountain Madness, é apontado como uma das causas da tragédia, já que nenhum deles teria interesse em desistir e cancelar a subida. Ambos morreram. 
    A equipe de Hall foi mais afetada, Nela estava o carteiro Doug Hansen, o último a chegar ao topo, que queria provar que um homem comum conseguiria completar a tarefa, mas depois teve que ser resgatado primeiro por Hall e depois pelo guia Andy Harris. Nenhum deles sobreviveu. 
   O filme ainda mostra o resgaste do Beck Weathers, que chegou a ser dado como morto e reviveu em meio ao gelo, ao contrário da japonesa Yasuko Namba, que, apesar de uma alpinista tão experiente quanto ele, não resistiu.
Fonte: Uol
https://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2015/09/25/evereste-e-historia-real-baseada-em-erros-polemica-e-tragedia.htm
Link para download do filme
Obs: é preciso ter um programa próprio para baixar o arquivo torrent
https://www.seriesfilmestorrent.com/evereste-dublado-torrent/
  

domingo, 19 de março de 2017

Divagações esquizofrênicas -15

O trovão 

    Ontem foi mais um daqueles monótonos sábados que fazem parte de minha rotina atual: acordar tarde, tomar dois copos de água em jejum, esperar meia hora e depois tomar a minha ração matinal (aveia, gérmen de trigo, fibras e leite de soja), Depois cochilar mais um pouquinho e almoçar. Final de semana sempre exagero na comilança de doces e outros guloseimas. Ai, depois do almoço bate aquele soninho e cochilo mais um pouquinho. Por volta das quatro horas da tarde acordo e fico na net até a hora de começar o jogo do meu time, que prefiro não revelar aqui no blog.
    O embotamento afetivo está em um nível tão elevado que não me importo muito com as dificuldades que o meu time de coração enfrentou durante o jogo e não me emocionei muito na hora do suado gol da vitória, já nos minutos finais da partida. Aliás nem me importaria se o time tivesse empatado ou perdido. Ai nem sofreria como antigamente, quando nem almoçava no dia seguinte após uma derrota na  final de um campeonato. Fico me perguntando se isso é uma vantagem ou desvantagem, pois no futebol não tem como um time ganhar sempre tudo em todos os anos. Fico avaliando as alegrias que tive nas comemorações e o sofrimento nas derrotas, e ainda ter que ouvir a zoação dos amigos. Mas chego à conclusão de que vale a pena sim ficar sem o embotamento afetivo, e sorrir, chorar, sofrer e se emocionar.
 Essa ausência de sentimentos até que ajuda em algumas situações. Às vezes sou zoado aqui no bairro onde moro, algumas pessoas jogam indiretas sobre o fato de ser aposentado e não ter que trabalhar. Outros jogam indireta pelo fato de ter esquizofrenia e não raramente me chamam de louco, doido, etc, apesar de ser uma pessoa reservada e não falar muito. Mas passo por essas pessoas sem o menor problema e nem olho o rosto desses indivíduos. Acho que o problema está neles e não em mim, já que não se deve mexer com quem está quieto. É uma indiferença muito grande que sinto nesta fase da minha vida que sinceramente gostaria ser aquela pessoa emotiva como era antes da esquizofrenia aparecer em minha vida, mesmo que os comentários alheios me incomodassem.
    Já são quase dez da noite. Então, depois do jogo, vou assistir TV aberta, para pegar no sono novamente. E como estava demorando muito para "cair nos braços de Morfeu" (não pense que é "bobice" olhe o significado no link), vou procurar um filme no notebook para assistir na TV, graças ao salvador e bendito cabo HDMI de dez metros que comprei na loja de eletrônica, aqui no centro de"Beuzonte". Custou 59 reais, mas o investimento valeu cada centavo...
    Após vasculhar muito na net, achei o filme "Minha mãe é uma peça 2". Como a primeira parte foi muito boa de se assistir, não tenho dúvidas e coloco o player para carregar o vídeo e assim tentar achar graça nesse entediante vida que venho levado atualmente, ainda mais por que não posso andar muito por causa do meu dedão do pé que está detonado e o pessoal do sus acha que é só um probleminha de nada. Na próxima postagem irei mostrar os meus exames de triglicerídeos antes e depois do meu dedão do pé estar arrebentado para ver se é brincadeira. Acho que se eu pegar o caminho da estrada real nessas condições, irei ter logo no primeiro dia um AVC ou então um fulminante infarto do miocárdio.
    Mas, voltando a película, confesso que fiquei meio decepcionado. Foi o tal do "mais do mesmo". O filme explorou muito o que a personagem principal apresentou na primeira versão: ser esquentada e estressada demais, falando alguns palavrões às vezes. Praticamente uma repetição do primeiro filme, só que agora a personagem principal está rica e comanda um programa de televisão. Devido à esse fato, a sonolência bate forte e então resolvo desligar a TV para dormir novamente. Creio que não estão passando mais aos sábados aquele programa que mostra o trabalho da polícia nas ruas. Acho divertido as situações que os homens da lei têm que enfrentar no dia a dia: brigas de casais bêbados, traficantes negando que a droga não pertencia a eles, etc... Acho engraçado também que os policiais são muito educados com alguns que dão uma má resposta durante a abordagem, tenho quase certeza que se não fosse a câmera o pau iria comer solto, ou pelo menos, iriam dar umas bordoadas no elemento suspeito.
     Mas uma coisa incrível acontece no exato momento em que vou apertar a tecla power do controle remoto: um estrondoso trovão se faz ouvir em praticamente toda a cidade, creio eu. O barulho foi tão forte que a sensação é que caiu em cima do telhado do meu quarto. Mas o barulho foi tão forte que começo a desligar tudo quanto é aparelho elétrico aqui no meu cafofo: o notebook e o cabo de rede (sim, o aparelho pode queimar através do cabinho azul da net), a TV, o frigobar, o home theather da LG que custei a comprar. Só o velho ventilador é que continuou ligado.
     Mas a sincronia entre o som provocado pelo raio e o momento em que desligo a TV foi tão exato que começo a pensar que fosse algum castigo de Deus, ou um aviso, sei lá, assim como pensavam os homens das cavernas. Faço então mentalmente uma lista dos pecados que tenho cometido ultimamente e começo a pedir perdão, apesar de que, devido a pasmaceira que tenho estado não tenho cometido tantos deslizes assim, a não ser o pecado da preguiça mesmo, juntamente com o da gula.
    Mais alguns minutos e mais um raio, e o medo aumenta, pois até então o céu estava extremamente limpo, quase sem nuvens. Fico me perguntando como o tempo pode mudar assim tão de repente. Mas, minutos depois de analisar a situação, me acalmo um pouco: o dia realmente estava limpo, com poucas nuvens, mas, devido ao forte calor, houve uma rápida evaporação da água na terra que se acumulou mais rapidamente no céu e que então fez as nuvens aparecem e dai os raios, que são resultado da colisão das partículas de gelo que são formadas dentro da nuvem (não sei nada desses assuntos, pesquisei tudo no google). E também tem o fato de que fiquei a tarde toda dentro do quarto, não acompanhando a mudança do tempo aqui na capital mineira. Aos poucos fui me acalmando e a sensação de culpa exagerada foi se dissipando aos poucos como as nuvens do céu que caíam sobre a cidade...
nem Jesus escapa dos raios....


São Thomé das letras
"pirâmide", em São Thomé
  Uma característica dessas postagens denominadas "Divagações esquizofrênicas" são as temáticas, que são bem diversificadas dentro da mesma postagem, como podem observar. 
Então, resolvi falar um pouco sobre a minha experiência com a mística e encantadora cidade de São Thomé das Letras, no extremo sul de Minas Gerais. 
    Desde criança sempre gostei do sobrenatural, de filmes de terror. E quando cresci e o tédio tomou conta da  minha vida, comecei a querer ter algum tipo de experiências mística, sobrenatural, sei lá. Qualquer coisa que fosse diferente do meu dia a dia eu acharia bem legal. Mas nunca me enveredei pelos caminhos das drogas, já era meio maluquinho de nascença mesmo, não precisando de artifícios para me acharem meio maluco. Achava minha vida tão entediante que não ficava em um emprego por mais de um ano. Mas achava minha vida tão entediante, mas tão entediante que, se por acaso aparecesse um disco voador na minha frente não iria sair correndo, como a maioria das pessoas:
     - E aí gente boa, tem jeito de dar uma voltinha nessa nave? - provavelmente era o que iria dizer para o ser de outro planeta que estivesse pilotando a nave. 
     Queria tanto um encontro intergalático que iria sentir mais curiosidade do que medo no momento em que avistasse um ser de outro planeta. E pelo que já pesquisei em anos remotos, existem várias raças de et's, Tem os tais dos nórdicos, que se parecem muito com os seres humanos.E vai que dou sorte e encontro uma "eteia" nórdica bunitinha? Iríamos dar um rolé pelo espaço sideral e conhecer altas galáxias e quem sabe iriamos fazer um amor intergalático no espaço sideral. Mas também tem os et's maus, que gostam de sequestrar as pessoas para fazerem pesquisas. Mas falando sério já faz um bom tempo que parei de estudar e acreditar nessas coisas, e hoje em dia apenas acredito na possibilidade da existência de vida em outros planetas. 
"eteia" nórdica bunitinha
    Então, como o sul de Minas Gerais é muito conhecido pelas famosas aparições de et's, resolvi fazer uma visita à mística cidade de São Thomé das Letras, muito frequentado pelos hippies e pela galera que curte o som do  Raul Seixas. Aí fica a dúvida se na região aparece realmente as naves ou se o pessoal exagerou nos "chazinhos" né?
     Na primeira vez que fui em São Thomé não encontrei nada de sobrenatural, apesar de me embrenhar pela mata afora. Ficava andando praticamente o dia inteiro sem rumo, pelas cachoeiras, pelos vales, mas nada de encontrar um duende, um ser da natureza qualquer para me alegrar. Mas valeu e muito a pena essa minha primeira visita, o ar puro daquela região renova a alma de qualquer pessoa que esteja estressada, desenganada,...
    Na segunda vez já aconteceram coisas estranhas. E uma delas aconteceu perto do chamado vale das borboletas, que, óbvio tem muitas borboletas realmente. Mas o que me chamou a atenção foi algo que não sei realmente explicar: havia um pequeno veio de água que aparentemente descia para o rio.
O guia turístico de repente se virou para mim e afirmou que a água estava subindo o monte e não descendo, como deveria ser. Claro que achei graça e imaginei que o cara estiva me zuando, mas, para a minha surpresa pude constatar que  ele estava falando realmente a verdade, pois ele jogou um pedacinho de papel na água que imediatamente começou a subir o monte. Não me perguntem como isso acontece, pois nem o guia soube me explicar.
   Um outro fato que me chamou a atenção em São Thomé das Letras foi a ladeira do amendoin. O guia turístico nos levou para o local e afirmou que o ônibus iria subir a ladeira sozinho. Dessa vez não fiquei tanto na dúvida, depois que vi  a água subindo o monte não passei a duvidar de mais nada naquela cidade. Ele deixou o ônibus bem no início da ladeira, desengrenou e sai. No mesmo instante e inexplicavelmente o veículo começou a subir a ladeira. Eu e o grupo de pessoas que ali estava começamos a rir, pois a cena era realmente engraçada. O guia nos explicou que o magnetismo do solo seria a explicação para tal fato. E rapidamente ele teve que ir ao encontro do ônibus, pois já subia a ladeira em boa velocidade.
    Mas encontrar seres de outros planetas não encontrei não, apesar de perambular pela mata até de madrugada. Não achei nada de estranho, nem um ruído sequer, para a minha frustração.  Mas que tem uma atmosfera diferente naquela cidade, isso tem.