Memórias de um esquizofrênico
Um blog sobre esquizofrenia na visão de um portador.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
sábado, 7 de fevereiro de 2026
Pedalanças 11º dia Belo Horizonte - Belém Enfrentando trânsito caótico
24/07/2024Cristalina-GO à Val Paraíso-GOPerigos na BR
A primeira noite em terras goianas foi sem perrengues, apesar de minha ansiedade inicial. A verdade é que a mente de uma pessoa com esquizofrenia é bem complexa, às vezes pensamos que o mundo gira entorno de nós, mas no mau sentido. Pensamos que todos sabem sobre nossa vida e que às vezes sabem até o que a gente está pensando. E que sempre estão tramando algo contra nós. Isso faz com o desgaste físico em uma cicloviagem fique em segundo plano. Na esquizofrenia o nosso maior inimigo está dentro de nós mesmos, a nossa mente. Gosto demais da música "Enemy inside" (Inimigo interior) da banda de metal progressivo Dream Theather. A frase “Uma crença não é apenas uma ideia que a mente possui; é uma ideia que possui a mente” acredito que seja a que mais se aplica a esquizofrenia. Acreditamos no que não é real e muitas vezes somos dominados por essas alucinações e delírios, que acabam se tornando crenças que nos guiam por caminhos não muito tranquilos. E não adianta vir família, psicóloga e nem o papa tentar nos convencer do contrário. Às vezes é preciso acontecer algo mais grave para começarmos a entender que temos um problema e que precisamos de ajuda. No meu caso foram os surtos iniciais que me fizeram abandonar o emprego e ir moras nas ruas e perambular pelas Brs de Minas Gerais. A partir daí comecei a fazer um inventário de toda a minha vida e aos poucos, em um lento processo comecei a me conhecer melhor. Esse é o primeiro passo para enfrentar a esquizofrenia. Se auto conhecer. Depois vamos conhecendo a esquizofrenia. Mas fui tão bem recebido ontem em Goiás que estou mais calmo. De dia conheci pessoas legais e de noite no posto os funcionários foram muito atenciosos comigo. Apesar de ser um posto de alto padrão, ninguém me olhou torto ou com ar de reprovação. Afinal sou um ciclista com roupas simples e tênis surrado entrando no restaurante super luxuoso para jantar e de manhã para tomar um café. Me trataram com naturalidade, e isso é muito bom. Não quero ser tratado nem com dó e nem com piedade pelo fato de ter esquizofrenia e ser um cara sem muitos pertences. Aliás, o meu único bem é a minha fiel companheira Margarida, que é uma bike aro 26 dos anos 90. A verdade que o bem mais precioso que podemos ter não é material. Seriam dois: a paz e a consciência tranquila. De manhã um friozinho gostoso, daqueles que nos animam a tomar aquele cafezinho e um pãozinho com manteiga. Nada daquele frio inicial do interior de Minas Gerais, que chegava a queimar meus lábios. E pego a boa BR 040 em Goiás. Bom acostamento e faixa dupla. Tudo que o cicloviajante deseja de uma estrada. Assim a viagem se torna muito mais agradável e menos cansativa. Na hora do almoço para em um posto de gasolina que tem um excelente restaurante. Lugar agradável, cercado de árvores e com um vento forte que ameniza bastante o calor. Os funcionários também foram muito gentis. Enfim, um posto de gasolina top. Depois do almoço parei para descansar, mas o local era tão agradável que resolvi lavar minhas roupas e lubrificar a bicicleta. E, apesar de não ser nem uma hora da tarde, resolvo ficar ali para dormir. É um daqueles lugares em que nos sentimos em casa. Mas, logo apareceu um trecheiro e se aproximou de mim com o seu marmitex. Começamos a conversar sobre estradas, viagens e aventuras. Ele ficava olhando a bike, me perguntando um monte de coisas e se eu iria dormir ali. Disse que sim, meio desconfiado. Ele não tinha nada, apenas as roupas do corpo. Disse que vivia viajando, mas à procura de emprego. Estava muito magro e abatido. Isso foi o suficiente para ligar o meu estado de alerta máximo de paranoias, e, de fininho fui recolhendo minhas roupas e arrumando a carga na Margarida. O vento era tão forte naquele lugar que as roupas estavam praticamente secas. Discretamente me despedi dos funcionários do posto e peguei a estrada. Não sei o que acontece, mas, quando estamos no estado de alerta paranoico arrumamos energia que fazemos coisas que em estado normal não conseguimos. Talvez seja adrenalina. Só sei que arrumei animo de algum lugar escondido em minha mente e fui ligeiro em direção à Luziânia. Meu sonho não é mais ganhar na loteria e viver na beira da praia, sem muito contato com os humanos. Só teria um cachorro e alugaria um apto ou uma casa simples, para não chamar muita atenção. Meu sonho agora, que acho mais uma utopia é um mundo sem pessoas más, que prejudicam o próximo, por mais próximo que seja. No caso eu era um pedarilho, e o trecheiro um andarilho. Estávamos em situação parecida, e ele talvez quisesse roubar o pouco que eu tinha, me colocando em uma situação difícil. Seria feliz se estivéssemos em um mundo sem ladrões, que poderíamos deixar nossos pertences sem precisar trancar, um mundo sem cadeados, sem chaves, sem alarmes. Na minha opinião não se deve roubar nem dos ricos, muito menos dos pobres. Como que a consciência desse pessoal não pesa? Esse gás que a paranoia me introduziu fez com que pedalasse em bom ritmo por cerca de 80km, quando me aproximei da cidade de Luziânia. Ali a BR não era somente uma BR, era também uma avenida do município. E por isso vinha carro de todas as direções. Vinha carro dos dois lados entrando nas ruas e, na minha frente muitos carros quase que parados no congestionamento. O maior perigo eram os ônibus que paravam nos pontos para o embarque e desembarque de passageiros. Instalei na bike um retrovisor e considero um equipamento de grande necessidade para um cicloviajante. Alguns não gostam por acharem que não fica legal, mas, a segurança tem que estar em primeiro lugar. Valparaíso fica colada em Luziânia e o trânsito é mais intenso ainda. A pedalada de hoje foi longa, mas o cansaço não foi físico e sim mental. O barulho dos carros, o trânsito intenso me causam um desconforto mental muito grande e parece sugar minhas energias. Eu e a Margaria éramos uma ilha cercada de carros, caminhões, carretas e motos. Queria seguir para fugir daquela agitação de Valparaíso, mas me informaram que o próximo posto fica há uns 30km de distância. Como não estou equipado para pedalar de noite e já são cinco horas da tarde, resolvo parar em uma lanchonete próxima de um posto desativado. Como um mixto bem mixuruca, com uma fatia de queijo e outra de muçarela por oito reais. Tomo uma coca cola e um doce de sobremesa. Mas nem a onda do açúcar ajudou. Esse fim de pedalada foi estressante. Não estou com bom humor. E os preços do estabelecimento também não ajudaram. Haviam pouquíssimas opções, o posto de gasolina estava desativado e a lanchonete vazia. Para piorar ainda mais a situação, o cara não me deixou montar a barraca debaixo do telhado na entrada. Pelo menos um banho consegui tomar pagando cinco reais. O jeito foi procurar um lugar no fundo do posto. O local era bem deserto e encontrei um abrigo onde se fazia a troca de óleo. Também estava abandonado. Não gosto de montar barracas em cidades grandes e médias. Apesar do mau pressentimento, não procuro outro lugar, pois sinto que só irei encontrar mesmo lugar tranquilo no próximo posto de gasolina. Enfim, o dia começou bem, mas depois do almoço as coisas não foram muito legais. Mas a pedalança é como a vida, têm seus dias bons e seus dias maus.
De novo e de novo
eu revivo o momento
Estou carregando este fardo no meu interior
Feridas abertas escondidas debaixo da minha pele
Dor é real como um corte que sangra
O rosto que eu vejo cada vez que eu tento dormir
Olhando para mim chorando
Eu estou correndo do inimigo interior
Olhando para a vida que deixei para trás
Essas memórias sufocantes estão gravadas na minha mente
E eu não posso escapar do inimigo interior
Separo-me do mundo
e desligo-me completamente
Totalmente sozinho no meu próprio inferno
Supero com medo irracional
Sob o peso do mundo sobre meu peito
Eu me envergo e quebro enquanto tento recuperar o fôlego
Diga-me que não estou morrendo
Eu estou correndo do inimigo interior
Olhando para a vida que deixei para trás
Essas memórias sufocantes estão gravadas na minha mente
E eu não posso escapar do inimigo interior
Eu sou um fardo, eu sou uma paródia
Eu sou um prisioneiro do arrependimento
Entre os flashbacks e os sonhos violentos
Estou pendurado na borda
Desastre espreita ao virar a curva
Paraíso chegou ao fim
E nenhuma pílula mágica
pode trazê-lo de volta
Eu estou correndo do inimigo interior
Olhando para a vida que deixei para trás
Essas memórias sufocantes estão gravadas na minha mente
E eu não posso escapar do inimigo interior
De novo e de novo
eu revivo o momento
Estou carregando este fardo no meu interior
Feridas abertas escondidas debaixo da minha pele
Dor é real como um corte que sangra
O rosto que eu vejo cada vez que eu tento dormir
Olhando para mim chorando
Eu estou correndo do inimigo interior
Olhando para a vida que deixei para trás
Essas memórias sufocantes estão gravadas na minha mente
E eu não posso escapar do inimigo interior
Separo-me do mundo
e desligo-me completamente
Totalmente sozinho no meu próprio inferno
Supero com medo irracional
Sob o peso do mundo sobre meu peito
Eu me envergo e quebro enquanto tento recuperar o fôlego
Diga-me que não estou morrendo
Eu estou correndo do inimigo interior
Olhando para a vida que deixei para trás
Essas memórias sufocantes estão gravadas na minha mente
E eu não posso escapar do inimigo interior
Eu sou um fardo, eu sou uma paródia
Eu sou um prisioneiro do arrependimento
Entre os flashbacks e os sonhos violentos
Estou pendurado na borda
Desastre espreita ao virar a curva
Paraíso chegou ao fim
E nenhuma pílula mágica
pode trazê-lo de volta
Eu estou correndo do inimigo interior
Olhando para a vida que deixei para trás
Essas memórias sufocantes estão gravadas na minha mente
E eu não posso escapar do inimigo interior
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Pedalanças 10º dia-Belo Horizonte à Belém-Atravessando fronteiras!
23/07/2024Paracatu-MG à Cristalina-GOFriozinho na barriga ao atravessar a fronteira
Acordei ansioso. Hoje não é apenas mais um dia de pedal. É o grande dia em que atravessarei uma fronteira estadual entre minhas andanças e pedalanças pelo Brasil! Para muitos, algo corriqueiro, mas, para uma mente paranoica como a minha, é um desafio. Acho que esse desafio rumo ao desconhecido é algo mais mental do que físico, apesar das longas distâncias percorridas sob o forte calor do centro oeste do Brasil. Sempre quis sair da região sudeste, afinal já conheço os quatro estados dessa linda região. Gosto demais de Minas, Rio, Espírito Santo e São Paulo, mas é sempre bom mudar de ares, conhecer novas culturas e horizontes. Quem sabe um dia faça uma viagem para o exterior? Logo no início da pedalada encaro a Serra da Morte, que, por sinal faz jus ao nome. Muito íngreme e sinuosa, mas dá para ir pedalando numa boa sem empurrar a bike. Por sorte, acordei disposto e bem humorado, algo não muito comum. Nessas situações é só ter paciência e usar a psicologia, não encarando muito o final da serra e se concentrar nos próximos dez metros. E assim, vagarosamente vamos indo, de dez em dez metros, pensamento focado no chão e sem olhar para o intimidador do alto da serra. Ao lado da BR um visual muito bonito, parecendo um enorme lago. Sinto até vontade de dar uma passada, mas um outro ciclista me informou que aquilo era resultado de exploração mineral e não era aberto ao público. Era simplesmente a maior mina de exploração à céu aberto de ouro do Brasil. É a Kinross Brasil Mineração. E o visual, de longe bonito, é devastador por perto. E não se pode banhar naquelas águas, devido à contaminação por arsênio, resultado da exploração de ouro. Depois de 42 km chego à divisa de Minas e Goiás. Uma ponte faz a divisa dos estados, e um belo rio em volta. Fico emocionado, afinal, por tudo o que aconteceu em minha vida ainda tenho saúde para sair da região sudeste pedalando e bem, por sinal. Vários dias fiz mais de 100km. Estou feliz, realizado. É algo histórico para mim. Simples e corriqueiro para muitas pessoas, mas especial e único para mim. Não só na parte física mas também na parte mental e psicológica. Não foi sorte, foi fruto de persistência e muito foco nos momentos mais difíceis. Só quem tem esquizofrenia é que entende esses medos, cismas e paranoias que aparecem do nada. Entro em Goiás cheio de dúvidas. Incertezas sobre as estradas, os lugares, as cidades e, principalmente as pessoas. Imagino paranoicamente que tudo irá mudar por conta de uma simples demarcação geográfica. E então vou seguindo e meu medo aumenta ainda mais por conta do calor e da estrada quase que deserta. Por volta do meio dia encontro um pequeno restaurante e uma vendinha, para o meu alívio. Era como se tivesse encontrado um oásis no meio do deserto. Pensava que iria percorrer um longo trecho solitário até a cidade de Cristalina. Que falta faz um GPS... Durante o almoço a filha da dona do bar começa a conversar comigo, perguntando se eu aceitaria Jesus Cristo como salvador, dizendo que eu não estava bem, que estava longe da família, etc... Realmente não estava bem vestido e usava um tênis bem detonado. Mas é uma estratégia que uso durante as pedalanças. Não podemos ficar muito bem vestidos e com uma bike nova e boa, isso pode atrair meliantes e tirar um pouco do nosso sossego. E, fisicamente, claro, há sinais de que estou na estrada: um pouco mais magro, pele queimada de sol, o rosto demonstrando um certo cansaço. Afinal, são noites e mais noites seguidas dormindo em barracas após um dia de pedal sob o forte calor. Digo para ela que nós é que devemos perguntar se Jesus nos aceita, por conta de nossas falhas e erros. Mas ela foi bacana comigo e disse que não precisaria pagar o almoço. Fiquei feliz e animado, imaginando que o povo de Goiás também seja hospitaleiro, assim como o mineiro. Aliás, não consegui identificar algo que demonstrasse que a pessoa fosse do estado de Goiás. O sotaque me pareceu bem semelhante com o mineiro. Depois do almoço, aquela molezinha corriqueira. Nessas horas vem sempre a dúvida: comer bem por conta das deliciosa culinária brasileira, ou maneirar, para não encher muito a barriga e pesar na hora de pedalar. Pois de tarde tenho mais sede, e aí a água se mistura com o almoço e às vezes aparece aquela dorzinha no lado esquerdo da barriga quando não faço a cesta. Mas na maioria das vezes não manero na comilança e, além da comida ser gostosa, ainda conta o fato da grana. A gente que é pobre não se pode dar ao luxo de pagar um almoço e dar uma beliscadinha. Então sempre como bem e procuro descansar uma hora, mais ou menos. E foi o que fiz. Apesar do calor, sigo a viagem ainda com um pouco de receio, ao avistar a estrada deserta. Mas esse medo me incentiva, acendendo uma chama interior que estava adormecida por anos seguidos morando no mesmo lugar e seguindo a mesma rotina entediante de um aposentado. Ficar em casa na TV e no PC. Sair geralmente para almoçar e voltar para casa e passar o restante do dia em casa. Essas viagens me fazem sentir vivo novamente. Por volta das três encontro uma outra vendinha, parecida com a do almoço. Estou um pouco molenga fisicamente falando. Compro uma coca cola para animar. Não sei se tem comprovação científica, mas fico mais animado ao tomar esse refrigerante. Tem gente que toma com café para ficar acordado de noite. Sentado próximo a vendinha encontro um outro cicloviajante. Aparenta uns 60 anos e está embriagado. Tento puxar assunto, mas ele está muito bêbado. A sua bike é uma aro 29 cheio de apetrechos. Essa moleza nesse primeiro dia de Goiás me faz pensar em montar a barraca na vendinha, apesar do horário. A dona permite montar, mas na entrada do estabelecimento, onde ficam os carros. Fico nessa dúvida por uns vinte minutos. Sigo ou paro. Tomo um café e com os níveis de dopamina aumentados, resolvo seguir viagem. Acho que o café, além de aumentar a vontade, também aumenta a coragem. São três da tarde e faltam 40km até a cidade de Cristalina. A estrada está muito boa, inclusive o acostamento está lisinho, sem aquela trepidação da BR040 em Minas Gerais. Aliás, estou na 040, mas em Goiás, e o asfalto mudou radicalmente de qualidade. 
Como estou ansioso para atravessar a fronteira regional, sigo em bom ritmo até a ponte que separa Minas de Goiás. O rio São Marcos ajuda a dar aquele clima nesse marco em minhas pedalanças. O lugar é maravilhoso e atravesso a ponte a pé, para curtir melhor o momento. Claro que também tenho medo de atravessar pontes, seja a pé, seja de bike. E é o mais aconselhável a se fazer em uma cicloviagem, pois as pontes são estreitas e as carretas passam a mil por hora, mesmo nas pontes. A sensação de atravessar essa fronteira era como se tivesse batido um recorde. Revi boa parte de minha vida, e nunca havia imaginado que um dia iria conseguir viajar parte do Brasil de bicicleta. A verdade é que cansa só de imaginar. Mas, quando estamos na estrada, não sei o que acontece e ganhamos uma energia que não sei de onde sai e conseguimos pedalar e pedalar até chegar ao nosso destino.
Apesar do calor chego em boas condições em Cristalina por volta das seis horas. O posto de gasolina é enorme e muito bonito. Por sorte, o banheiro estava em manutenção e não cobraram o banho. Os funcionários são muito atenciosos e educados, apesar de ser um ciclista e, como relatei, não muito bem vestido. Não estou como um andarilho, lavo minhas roupas e tudo mais. Mas não uso tênis novo e de marca conhecida. As camisas são bem usadas também. E a bike é uma antiga Caloi dos anos 90. A guerreira Margarida, que tem muitas histórias para contar. E que tenha muitas outras para viver ainda. Foi um dia legal, apesar da moleza na parte da tarde. As dúvidas e incertezas me motivam a seguir o caminho. Não teria a mesma motivação se seguisse por um caminho que já havia percorrido. Essa novidade é meu principal combustível para continuar a pedalar. Hoje foram 116km e estou bem satisfeito com o meu rendimento e a performance da Margarida. Monto a barraca na borracharia e agradeço à Deus por mais um dia e uma conquista tanto no campo físico como psicológico.
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Como estou ansioso para atravessar a fronteira regional, sigo em bom ritmo até a ponte que separa Minas de Goiás. O rio São Marcos ajuda a dar aquele clima nesse marco em minhas pedalanças. O lugar é maravilhoso e atravesso a ponte a pé, para curtir melhor o momento. Claro que também tenho medo de atravessar pontes, seja a pé, seja de bike. E é o mais aconselhável a se fazer em uma cicloviagem, pois as pontes são estreitas e as carretas passam a mil por hora, mesmo nas pontes. A sensação de atravessar essa fronteira era como se tivesse batido um recorde. Revi boa parte de minha vida, e nunca havia imaginado que um dia iria conseguir viajar parte do Brasil de bicicleta. A verdade é que cansa só de imaginar. Mas, quando estamos na estrada, não sei o que acontece e ganhamos uma energia que não sei de onde sai e conseguimos pedalar e pedalar até chegar ao nosso destino.
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| 117km de muita emoção! |
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
Pedalanças 9º dia-Belo Horizonte à Belém- Chegando em Paracatu-MG
22/07/2024
João Pinheiro-MG à Paracatu-MG
105km quase chegando em Goiás!
| Cristo Redentor na cidade de Paracatu-MG |
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| Estrada boa, sem muitas subidas íngremes me fez imprimir um bom ritmo |
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| 105km e cheguei mais ou menos inteiro em Paracatu city |
domingo, 1 de fevereiro de 2026
Pedalanças-Belo Horizonte à Belém 8º dia- Domingão
21/07/2024Domingão da preguiça
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| A BR040 tem um visual bonito nesse trecho |
Tive uma excelente noite de sono na oficina do sorridente cara que me apareceu ontem. Muitos vendedores com suas caminhonetes também dormiram no local A maioria em redes, outros em seus veículos.
Para mim, o dia da preguiça é domingo. Um sentimento estranho, às vezes melancólico, às vezes meio nostálgico. Só sei que não tenho vontade de fazer muita coisa.
Acordei por volta das sete horas da manhã, sem pressa para desmontar acampamento e tomar café. Agradeci o homem sorridente pela estadia e peguei estrada bem mais tarde do que de costume.
O caminho é muito bonito, e me faz pedalar vagarosamente, me concentrando mais na paisagem do que na estrada. O acostamento é bem largo, apesar de continuar fazendo a bike trepidar muito. Acho que deve ser por causa do material utilizado. Apesar da trepidação, me sinto bem, o clima agradável me deixa mais zen.
A nostalgia arrasta-me de volta
A lugares que nunca mais pisarei.
A um passado muitas vezes triste,
Outras de muita felicidade.
A um passado que muitas vezes nem quero lembrar,
Outras fazem percebe-me que era feliz e não sabia.
Mas como seria a vida se fosse só risos?
O fato é que devemos tocar em frente
E esquecer esse passado que as vezes nos impede de olharmos para o futuro. Mas sem negar nossas raízes e sem perder a nossa essência.
Nunca devemos nos esquecer de onde viemos,
Devemos firmar os nossos pés no chão do hoje e acreditar num amanhã cheio de possibilidades.
Devemos acreditar sempre, apesar das incertezas e seguir em frente.
Sempre existirá obstáculos e dificuldades, mas que nunca percamos a nossa fé.
Eduardo Lima
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
Pedalanças-Belo Horizonte à Belém-7º dia-Desafio dos 100km sem almoço!
20/07/2024
Luizlândia-João Pinheiro-MG
Solitude na BR
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| O ciclista gente boa que conheci no caminho para João Pinheiro. |
As propagandas mais antigas eram bem mais criativas
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| Trecho bem isolado e deserto do caminho |
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| Entardecer em João Pinheiro |
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| Hoje foram 115km de raça, amor e paixão pela BR! |
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
Pedalanças-Belo Horizonte à Belém-6º dia- Quase fui atropelado!
19/07/2024
Três Marias-Luizlândia do Oeste-MG
Por pouco não fui dessa para outra!
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| Ponte sobre o Rio São Francisco na saída de Três Marias |





























