sexta-feira, 15 de junho de 2018

Copa do mundo...

    A copa do mundo começou ontem, ao meio dia no horário de Brasília. Só fui saber  que havia começado o maior evento esportivo do mundo de noite, ao visitar um site que tenho salvo aqui nos favoritos do navegador. Fiquei surpreso ao saber que a "poderosíssima" seleção da Rússia havia ganho o jogo inicial por uma diferença de 5 gols. 
     A copa do mundo começou. Mas as ruas não estão enfeitadas, o albino da oficina mecânica estava sentado como sempre sentado na calçada por volta de uma hora da tarde, quando saio para almoçar no restaurante popular de Belo Horizonte. 
    As crianças estavam carregando suas mochilas para irem à escola. No centro, tudo na tradicional agitação do comércio, mas não estavam vendendo bandeirinhas do Brasil e aquelas irritantes e barulhentas cornetas. As lojas não estavam enfeitadas de verde e amarelo. 
    O que teria acontecido? Ou os brasileiros tomaram consciência de que existem prioridades ou a situação está tão complicada que nem o futebol está servindo para amenizar um pouco a dor desse povo tão sofrido como o nosso. Ou foi a lição que aprendemos fatídico 7x1 contra os alemães? 
    É, o Brasil parou com a greve dos caminhoneiros, mas parece que a copa do mundo não está mais paralisando o país como antes... 

domingo, 10 de junho de 2018

Livro Mente Dividida- revisão 2018

     Resolvi escrever o livro Mente Dividida no ano de 2012, à pedido de amigos virtuais que conheci nas comunidades do falecido Orkut e também do MSN. Era aquele papo de psicóticos: "que remédio você está tomando?", "como foram seus surtos?", "consegue ter uma vida razoável?". 
    E, contando um pouco de minha história boa parte dos meus amigos me aconselhavam a registrar tudo em um livro. Analisei tudo que me aconteceu e havia chegado à conclusão de que era realmente uma história diferente e bem interessante. Não cheguei a ficar internado, pois não era agressivo, e devido à esse fato e por morar sozinho passei por situações bem complicadas, indo parar a morar nas ruas de Belo Horizonte por alguns meses. 
   Mas, graças a ajuda e a solidariedade de muitas pessoas consegui sobreviver e voltar a realidade. Surtei outras vezes e mais situações complicadas tive que passar. Mas por sorte ou outro motivo qualquer ainda estou vivo e atualmente procuro ajudar as pessoas que estão passando agora o que passei nesses anos difíceis. 
    Ainda passo por situações complicadas, mas hoje tenho um pouco de consciência sobre o que tenho. Procuro tirar proveito das situações difíceis para aprender coisas que não aprenderia se tivesse tudo em minha mão. No meu caso foi preciso surtar para me conhecer melhor. 
   Como já relatei, escrevi o livro no ano de 2012 e de uma maneira um pouco apressada. Com a prática da escrita que tive no blog resolvi fazer uma pequena revisão no livro (sem alterar nada), apenas para melhorar um pouco o texto. 
    Já havia esquecido alguns trechos do livro, e confesso que ri e chorei ao relê-lo. É uma história interessante, com "estranhas coincidências" e situações complicadas. 
   Abaixo o link para download ou visualização do prefácio do meu livro que estou disponibilizando no momento apenas no formato em PDF. Informações sobre como adquirir está no link abaixo:

Prefácio do livro Download:

Como adquirir o livro 
 Ou então clique na imagem do livro no lado direito superior da página.
Mais uma vez gostaria de agradecer à todos os leitores do blog e todos que me ajudaram financeiramente até hoje. 
    Para maiores informações envie um email para:
memoriasdeumesquizofrenico555@gmail.com

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Grupo do whatsapp-Esquizofrenia

    À pedidos dos leitores do blog resolvi criar um grupo no whatsapp de pessoas com esquizofrenia. Nas redes sociais existem inúmeros grupos sobre os mais variados tipos de transtornos mentais. Mas devido à praticidade e facilidade de acesso o whatsapp está sendo uma ferramenta muito utilizada para esses fins. Todos são bem vindos, as condições não são muitas, a principal delas, obviamente é ter esquizofrenia. 
    É um grupo restrito, a intenção não é ter quantidade, e sim pessoas que queiram trocar ideias e experiências sobre o assunto e também apenas trocar um dedo de prosa. Para ser adicionado basta deixar seu número com DDD nos comentários, que não serão publicados e o seu número não ficará exposto no blog. 

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Cloreto de magnésio no controle da ansiedade

     Antes de começar a falar sobre a minha experiência com o magnífico cloreto de magnésio e como ele ajudou a controlar a minha ansiedade, gostaria de salientar que não tenho o objetivo de indicar substitutivos para os tratamentos convencionais. Me sinto feliz com o número de visualizações do blog, mas procuro ter responsabilidade o suficiente para aconselhar qualquer abandono de tratamento tradicional. Poderia muito bem colocar o título da postagem de: "Como se livrar da ansiedade", ou "Como se curar da ansiedade", para chamar a atenção dos leitores, porém a responsabilidade fala muito mais alto do que a minha ganância pelas visualizações, até por que não tenho nenhum retorno financeiro com o que escrevo. 
    
Afinal, o que é o cloreto de magnésio? 
     Nesse caso em particular, em primeiro lugar seria mais adequado afirmar que o cloreto de magnésio não é um suplemento, um medicamento ou um produto milagroso que irá curar todos os nossos problemas de saúde. O magnésio é um mineral essencial à saúde de nosso organismo, sendo responsável por várias funções. E, como ele é encontrado em alimentos que não são tão fáceis de se encontrar por aí (e outros ruins pra caramba), muitas pessoas acabando sofrendo de diversos males por não consumir a quantidade diária indicada desse mineral.
 -Degeneração da cartilagem e surgimento de doenças como a osteoartrite e dores articulares;
-Problemas musculares como contraturas, formigamentos, dormência, tremores etc;
-Taquicardia, ritmos cardíacos anormais e espasmos coronários; hipertensão arterial;
-Dores de cabeça e tensão mandibular, tontura;
-Espasmos nas pálpebras, no esôfago, no estomago ou intestino;
-Fotofobia, dificuldade para adaptar-se à luz, visão de luzes com os olhos fechados;
-Cansaço pela manhã ao acordar, fadiga, fraqueza;
-Perda do apetite, Náuseas e vômitos;
-Aperto no peito e dificuldade para respirar profundamente;
-Prisão de ventre, cólicas menstruais;
-Desejos de consumir sal e chocolate;
-Alterações do sistema nervoso: insônia, ansiedade, hiperatividade, inquietude, ataques de pânico, fobias;
-Osteoporose, cáries.

cápsulas ou em pó, sempre faz bem..

    Comecei a estudar o cloreto de magnésio há uns dois anos atrás, por causa da minha lesão no "hálux do pé esquerdo". Pesquisava no google algo que seria eficaz e barato no tratamento e na melhoria das articulações. E o magnésio sempre aparecia nos primeiros lugares nos resultados das buscas. Comecei a consumir imediatamente e diariamente o mineral, e logo senti uma boa melhora não somente nas articulações, mas na saúde de um modo geral. 
    E uma das melhoras que obtive foi na questão da ansiedade. Comia (ainda como...) muito chocolate e outros doces para me acalmar. Depois que passei a usar o magnésio estou mais calmo e tranquilo. Hoje quando detono uma caixa de bombom ou umas 300gr de doce de leite consigo saborear mais o alimento, sendo que antigamente comia tudo rapidamente e não sentia o gosto, já que tudo aquilo era apenas para aliviar um pouco a ansiedade que eu estava sentindo no momento. Até emagreci dois quilos. Minha saúde e o meu bolso agradecem.
   O cloreto não resolveu o problema, ainda fico ansioso por vários motivos, mas isso não quer dizer que estou com ansiedade. É normal ficar ansioso diante de um evento, um encontro, um jogador antes de uma partida decisiva fica ansioso. É até legal sentir aquele friozinho na barriga... Viver sem emoções e com tudo certinho e previsível também deve ser um pouco tedioso.
    A ansiedade passa a ser um problema quando ficamos ansiosos por qualquer motivo, ou às vezes até por nenhum motivo. O problema não é ter ansiedade, e sim viver ansioso, o que é bem diferente. 
    Outro benefício que obtive foi  um passo importante no "desmame no pan nosso de cada dia".  Estava tomando 20mg de diazepan até o ano de 2008.(comecei com 10mg em 2002). Consegui diminuir para 10mg, depois para 5mg (foi a fase mais perrengosa) e depois para 2.5mg. Não foi nada fácil chegar nessa dosagem: dor de cabeça, palpitação, inquietação, nervosismo e uma enorme dificuldade para pegar no sono. Mas consegui. Estava nessa dosagem de 2.5mg há cerca de um ano e meio, e não conseguia atingir o próximo passo, que seria algo em torno de 1mg. Divido o comprimido de 10mg em vários pedaços. Infelizmente não consegui encontrar o diazepan em doses menores do que 5mg ou então em gotas, o que facilitaria bastante o processo. 
    Estava sendo uma dificuldade enorme diminuir de 2.5mg para 1mg. Não adiantava diminuir o café ou fazer exercícios físicos até me extenuar:  na hora de dormir o corpo pedia mais cedo ou mais tarde o benzodiazepínico, e ficava revirando na cama até me dar por vencido e tomar o pedacinho restante do comprimido. Então, quando passei a tomar o cloreto de magnésio antes do diazepan, já sentia um soninho gostoso e um relaxamento muscular que me permitiu conseguir finalmente chegar a 1mg. Existe também o cloreto de magnésio dilamato, que algumas pessoas dizem não dar muito sono. Então uma combinação seria ideal, tomando o CM dilamato durante o dia e o comum antes de dormir. Vale ressaltar que o cloreto de magnésio em pó tem que ser o PA (para análise), que está livre de impurezas. Meu sono atual está com uma qualidade razoável. 
   O diazepan e outros ansiolíticos dessa família são indicados para serem tomados por apenas um período, mas, infelizmente, muitos médicos não nos alertam sobre essa fato e acabamos ficando dependentes física e psicologicamente desse medicamento. O Brasil é campeão mundial no uso do rivotril. Consegui a receita na minha primeira consulta depois que tive os surtos. Disse que estava com dificuldades para dormir, e o psiquiatra, sem questionar nada, preencheu a receita. Essa minha primeira consulta demorou apenas uns 10 minutos, ou até menos...
    Na época pensava que o diazepan era um medicamento milagroso que iria me fazer dormir o sono dos justos ou dos anjos sei lá. Que iria me fazer esquecer de todos os meus problemas por pelo menos uma noite. E não é bem assim que as coisas funcionam... 
    Obviamente se deve ter alguns cuidados no uso desse mineral. Algumas reações adversas podem acontecer, dependendo da dose que se toma no início. Os especialistas afirmam que é o efeito "detox". No meu caso em particular senti um pouco de tontura no começo, pois estava tomando o cloreto de magnésio em pó. Depois que comecei a tomar em cápsulas esse problema foi solucionado. Também tive prisão de ventre durante uns dez dias, mas também foi passageiro e hoje meu intestino está funcionando regularmente. 
    Aconselho a irem atrás do maior número de informações possíveis sobre o magnésio, pois tudo em excesso pode fazer mal. Além da quantidade, existem outros cuidados que temos que ter na hora de tomar, seja em cápsulas ou diluindo o pó na água. 
   Nas redes sociais existem grupos sobre o cloreto de magnésio, onde podemos obter essas informações e também depoimentos de pessoas que usarem esse mineral e conseguiram melhorias em suas vidas. 
   

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Um repórter baixou em mim

                                                            Esquizorepórter

    Segunda feira, dia 17 de junho de 2014. Manifestações tomam conta das principais capitais do país. Os motivos eram diversos, mas as principais causas foram o aumento das passagens e os gastos para a realização da copa do mundo. Ainda estava nas minhas andanças, morando na minha barraca e carregando uma mochila de 11kg nas costas.
    Estava no centro quando soube que iria acontecer uma enorme passeata até o  Mineirão, onde seria realizado o jogo Taiti x Nigéria pela copa das confederações. O peso que carregava nas costas não foi empecilho para que uma enorme vontade de ir ao evento tomasse conta de mim. O engraçado  (hoje acho isso) é que nem pensei em pegar um ônibus, caminhei cerca de 10km numa boa até as proximidades do estádio. 
    Não gosto muito de tumultos, multidão, mas queria participar daquele protesto, afinal foram gastos bilhões em estádios que nem teriam utilidade nos próximos anos, como o de Brasília, Mato Grosso e Manaus. E os que estão tendo utilidade foram superfaturados. 
    Então resolvi participar, afinal o povo mineiro é civilizado e não irá ter confusão, como está tendo no restante do país. - pensei. 
    E não acompanhei a passeata desde o início, no centro. Cheguei no Mineirão por volta do meio dia. Estava com minha câmera digital compacta e, de uma hora para outra, surgiu uma vontade de filmar o evento. Era como se tivesse baixado um repórter em mim, e comecei então a filmar tudo o que estava acontecendo naquele momento. Havia inúmeros repórteres no meio daquela multidão que assim como eu, estavam carregando uma câmera. Estava tão engajado na missão de cobrir o evento que aqueles caras era como se fossem colegas de profissão. Já não estava ali como um manifestante. 
   Por volta das 15 horas começou um burburinho de que os manifestantes estariam chegando nas proximidades do estádio. Já haviam muitos policias e viaturas no entorno do gigante da Pampulha. Fui então de encontro aos manifestantes e me espantei com a quantidade de pessoas que estavam na avenida Antônio Carlos. Algumas pessoas falavam em 12 mil, outros em 20 mil pessoas. Só sei que havia um mar de gente na avenida, que estava totalmente tomada até onde podia enxergar. 
    A manifestação seguiu tranquila até a Avenida Abrahão Caran, onde a polícia militar fez uma barreira. A situação ficou tensa quando alguns caras com o rosto coberto (cerca de 100 pessoas) começaram a atirar pedras e pedaços de pau nos policiais, que revidaram com balas de borracha e bombas de efeito moral, além do sufocante gás lacrimogênio. Poderia ter acontecido uma tragédia, pois a avenida estava totalmente tomada e não tinha para onde nos abrigar. Por sorte a maioria teve calma para se afastar do efeito do gás com tranquilidade  e não houve pisoteados.
    Não culpo a polícia, pois acredito que foi a primeira manifestação desse porte em Belo Horizonte e, se não fosse uma minoria, tudo teria transcorrido na maior calma. 
   Mas houve muita bomba mesmo, algumas até foram atiradas bem próximo de onde estava. Poderia sim ser atingido, mas continuei a narrar o evento como se fosse um repórter e com a maior calma possível. Parece que baixou um repórter superprofissional em mim e, se não fosse a péssima dicção e a imagem tremida, diria que foi feita uma excelente cobertura da manifestação.
    Até cheguei a pensar em colocar legenda, mas o arquivo final sempre ficava maior do que o limite que pode ser colocado em cada postagem.


terça-feira, 22 de maio de 2018

Dia nacional da pessoa com esquizofrenia

        Convite à todos de Belo Horizonte e região, familiares, profissionais da saúde mental e, claro, pessoas com esquizofrenia e que sonham com uma sociedade livre de estigmas.

    No dia 24 de maio diversos países realizam eventos pela Conscientização ou Atenção à Esquizofrenia (“Schizophrenia Awareness Day”).

    No Brasil, optamos por traduzir a data como Dia da Pessoa com Esquizofrenia. Essa escolha busca destacar o desafio de tratar uma doença, mas colocando a pessoa que necessita de ajuda e suporte em destaque, em toda a sua complexidade humana.

   Em 2018, o lema da campanha é “O que eu posso fazer?”, um convite à reflexão para as pessoas com esquizofrenia, seus familiares e os profissionais de saúde. O que cada um pode fazer? O que podemos fazer além? Como podemos reduzir as barreiras do estigma e criar oportunidades de superação?

sexta-feira, 18 de maio de 2018

"Esquizofrênicos" ou Pessoas com esquizofrenia?


    Os esquizofrênicos podem matar? São agressivos? São todos iguais e se comportam da mesma maneira? Tem algum tipo de retardo mental?
    Provavelmente essas são as principais das inúmeras questões que devem vir à mente de uma pessoa quando o termo "esquizofrênico" é abordado. 
   Da maneira como o assunto é tratado na TV, a impressão que se dá é que todo esquizofrênico é agressivo, não tem capacidade de raciocinar e nem de realizar tarefas comuns do dia a dia. Enfim, não passamos de um rótulo, de um diagnóstico. Costumo dizer por aqui que o preconceito e o próprio medo de ter esquizofrenia podem fazer tão ou mais mal do que a própria doença, devido principalmente à esses rótulos criados pelos meios de comunicação. 
    Há algum tempo evito o termo "o esquizofrênico"* por vários motivos, sendo o principal o estigma e os mitos que boa parte da mídia ajudou a criar em torno da figura de quem tem esquizofrenia. Uso o termo "pessoa com esquizofrenia", que foi o que achei que melhor designa alguém que tenha esse transtorno mental. No Japão o termo esquizofrenia não existe mais, e muito menos "o esquizofrênico". Lá o transtorno da mente dividida passou a se chamar "Distúrbio da integração", que, convenhamos, é um termo muito mais adequado e menos estigmático do que esquizofrênico. 
    Por aqui no Brasil parece que a coisa está melhorando. Já vi duas páginas do facebook usarem o termo "pessoa com esquizofrenia" há bem pouco tempo. Não sei como as pessoas com esquizofrenia são chamadas no exterior, mas acredito que no Brasil passará em breve a ser mais conhecida por esse termo, que, convenhamos é bem melhor do que esquizofrênico. Obviamente que uma simples mudança de nome irá acabar de uma vez  com o preconceito e os estigmas criados nesses anos todos. 
    Não sou esquizofrênico, tenho problemas, isso eu sei, mas não sou esse rótulo criado pela mídia. A minha tribo sou eu. Sou uma pessoa que tem transtornos e um sofrimento mental que os psiquiatras chamam de esquizofrenia. 
   Sou uma pessoa que tem esquizofrenia, não sou um rótulo.  Tenho minhas qualidades e defeitos, como qualquer ser humano da face da terra. Tenho o direito de surtar, de rir e de chorar. Não sou agressivo, não tenho passagem pela polícia por nenhum motivo, muito menos agressão. Não como fezes, mas já comi lixo como sendo a coisa mais deliciosa da face da terra, em consequência de um surto psicótico que tive, chegando a perder 25kg por causa de uma absurda mania de perseguição. 
 
   

        Já ouvi diversas perguntas que me deixaram  um pouco assustado, pela falta de conhecimento das pessoas sobre o assunto. Até que não as culpo, pois eu também tinha muitos preconceitos antes de surtar, talvez por causa do estigma criado pelos meios de comunicação. Brincava de imitar um vizinho que tive, que era portador de esquizofrenia. Não era com maldade, mas não sabia na época o quanto poderia estar ferindo os sentimentos dessa pessoa. 
   - Ah, se você é doido então rasga essa nota de cinquenta reais! - me desafiavam.
   - Posso ser doido, mas burro não sou não... - respondia, aceitando tudo na brincadeira. 
   - Você não tem esquizofrenia, você sabe mexer no computador...
  - Você fala normal, você não tem esquizofrenia... (essa foi uma das piores que me falaram, afinal tenho esquizofrenia e não sou mudo).
    - Você se lembra das coisas, não tem esquizofrenia.. (tenho esquizofrenia, e não amnésia...)
    Já vi outras perguntas bem estranhas por aí, como:
    - O esquizofrênico pode morar sozinho?
    - O esquizofrênico pode namorar? Pode dirigir? 
   Até muitos profissionais da saúde mental tem alguns preconceitos. Me lembro que quando tive o meu primeiro surto grave não recebi atendimento do Cersam, aqui em Belo Horizonte. A enfermeira nem me deixou entrar, ao me ver com roupas limpas, barba feita e cabelo cortado. Estava morando nas ruas naquela época, e o posto de saúde me informou o endereço do Cersam, mas não me atenderam sem ao menos conversar comigo, se baseando apenas na minha aparência. 
    Acredito que muitos psicólogos e psiquiatras se baseiam mais no que deveriam na aparência do paciente para dar algum tipo de diagnóstico. Mas posso dizer que uma pessoa pode estar muito mal psicologicamente e se vestindo de maneira adequada e penteando o cabelo. 
    No meu caso em particular não tenho receio ou vergonha de falar sobre a minha condição de pessoa com esquizofrenia. Acredito que minha história até esse momento tenha sido bacana, tanto que a ideia de escrever um livro sobre ela veio de amigos que conheci nas redes sociais. Não fui um santo (muito longe disso) e me arrependo de muitas coisas que fiz e de que não fiz, afinal não sou perfeito. Mas de uma coisa não me arrependo: de ser eu mesmo, sem falsidades e hipocrisias. Procuro seguir um lema, que acabei criando para ser o meu referencial durante a minha vida toda: "faça o que quiser, desde que não prejudique o próximo". E assim até durante o surto eu fui, não colocando em nenhum momento a vida de outras pessoas em perigo, somente a minha. E esse é mais um dos mitos que cerca a esquizofrenia: que somos agressivos, que vira e mexe estamos atirando pedra nos outros. A realidade é que o índice de violência da pessoa 'dita normal" é maior do que o índice das pessoas com esquizofrenia. E quando a pessoa dita normal usa álcool e outras drogas, esse índice sobe assustadoramente. Basta abrirmos as páginas dos jornais para constatarmos essa realidade. 
    Outro mito que cerca a esquizofrenia é referente a intelectualidade. Ou dizem que as pessoas com esse transtorno são muito inteligentes, ou então não tem nenhuma capacidade de realizar simples tarefas do cotidiano. 
   Não é raro as pessoas afirmarem que uma pessoa enlouqueceu por ser muito inteligente. É fato que o excesso de informações podem sim ajudar a pirar, mas a pessoa provavelmente tem que ter uma tendência a desenvolver algum tipo de transtorno mental. Pelo convívio que tive e tenho, posso afirmar que, assim como na população dita normal, existem pessoas com esquizofrenia com inteligência acima da média, na média e um pouco abaixo da média. Existem casos de má formação no cérebro, por diversos motivos, que acompanham alguns casos de esquizofrenia, mas não são todas as pessoas que têm esse tipo de problema. 
   Um outro estigma que cerca a esquizofrenia é a de que estamos possuído por uma entidade maligna. E então nos levam para uma igreja qualquer e só faltam esmurrar a gente para que o tinhoso saia de nosso corpo. Me lembro que no início pulava de igreja em igreja, mas o tal do demônio não saia de jeito nenhum. Mil caíam a minha direita e dez mil caíam na hora, mas eu não caia. 
    Já participei de várias igrejas evangélicas e conheci muita gente bacana, inclusive fui muito ajudado por evangélicos quando fui morador de rua. Mas infelizmente alguns pastores e muitos membros não estão preparados para receber uma pessoa que não esteja bem psicologicamente em função de um transtorno mental. 
querem expulsar o tinhoso na base da porrada... 
       Uma das piores consequências que o estigma pode trazer é a negativa da pessoa em buscar um tratamento adequado. "Eu não sou louco!", é o que a maioria diz. Quem vai querer aceitar esses rótulos que a mídia traz para a esquizofrenia? Infelizmente alguns programas que tem a violência como tema principal usam o termo "esquizofrênico" sem qualquer embasamento para explicar um assassinato brutal... 
    Converso diariamente com familiares de pessoas com esquizofrenia. Boa parte desses familiares buscam um meio de convencer seus parentes a buscar ajuda, de que precisam de um tratamento. O reconhecimento é o primeiro e mais difícil passo no tratamento da esquizofrenia. 
    Então o sujeito não busca o tratamento no início, quando as chances de melhora são mais altas, só procurando ajuda quando está em um surto psicótico grave... 
    Nesses anos todos pude perceber que o medo de ter esquizofrenia pode fazer tão ou mais mal do que o  próprio transtorno... 
    Vamos aproveitar não somente o dia nacional da pessoa com esquizofrenia, e sim todos os dias de nossas vidas para ajudar a construir uma sociedade mais justa e sem preconceitos. 

*O blog foi iniciado no ano de 2012 e na época ainda não tinha o real conhecimento do preconceito que cerca a esquizofrenia. Se soubesse certamente não teria colocado esse nome no blog. Agora que ele passou a ser um pouco conhecido não creio que seja a melhor solução mudar o seu nome.