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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Esquizofrenia e egocentrismo


  Todo esquizofrênico é egocêntrico?

  Mania de perseguição é um dos sintomas da esquizofrenia. É muito mais comum do que pensamos, mas não necessariamente quem tem mania de perseguição é esquizofrênico. Existem graus de mania de perseguição, que vai desde uma cisma, passando para uma neurose e indo até a psicose.
    Egocentrismo é a principal característica de alguém que se acha o centro do universo. Mas o que uma coisa tem a haver com a outra?
    Bem, analisando a mim mesmo e a outros amigos portadores de esquizofrenia que já conheci pessoalmente, pude perceber que o pronome "eu" é citado algumas vezes,  acho que um pouco a mais do que deva se considerado dentro dos padrões da normalidade.
    Eu já tive um pouco disso no passado, e, com um pouco de esforço e atenção consegui diminuir esse pronome pessoal do meu dia a dia.
    Será que todo esquizofrênico é egocêntrico? Existe uma relação esquizofrenia x egocentrismo?
    Para tentar explicar essa questão, vou dar a minha opinião sobre o egocentrismo, pois sobre a mania de perseguição já publiquei dois posts.

    Na minha humilde opinião, sem olhar o Dr. google, creio que egocêntrico é o sujeito que se acha o centro do mundo e também se acha o melhor em tudo. Vive comentando os seus feitos e suas qualidades. O motivo de falar tanto em si mesmo eu não sei, mas chego a pensar se não é insegurança, carência, necessidade de atenção, etc.
    Mas eu não sou e nunca fui um "cara que se acha", então por que pensava que era o centro das atenções?
    Para mim, fazendo uma auto-análise, a resposta para essa questão está nesse sintoma da esquizofrenia que é bem desagradável: a mania de perseguição.
    Eu não achava, tinha, e às vezes ainda tenho, a certeza de que as pessoas estão sempre olhando para mim, em qualquer lugar que eu esteja. Penso que as pessoas estão me seguindo e que sabem de tudo o que eu estou fazendo. Ou seja, então tenho que ser um santo. Se por acaso cometo um deslize, já penso que todos já estão sabendo o que eu fiz. Quando uma pessoa me encara então já penso que ela está meio que me censurando. Penso também que se a pessoa está me encarando é para roubar os meus pensamentos. Pode parecer loucura, mas tenho um pouco disso até hoje. Ter consciência do problema ajuda e muito, mas não quer dizer que a questão esteja resolvida.
   Voltando ao assunto egocentrismo, o fato de sentirmos que estamos sendo observados faz com que pensemos que somos o centro das atenções, mas nem sempre de uma forma positiva.

    Achamos que existem câmeras por todos os lados nos vigiando. Para piorar a situação, isso é uma realidade nos grandes centros, por causa dos assaltos. Mas quem tem a mania de perseguição se sente observado em qualquer lugar. Quando estava surtado, no meio do mato, pensava que alguém me observava ao longe, usando um binóculo.
   Enfim, sentir que estamos sendo observados  e controlados nos faz sentir que somos o centro das atenções, mas,como disse, nem sempre de uma forma positiva. Mas isso não tem nada a haver em  nos achamos o máximo em tudo.
    Esse post eu escrevi há duas semanas atrás. Não o publiquei pois não fiquei satisfeito com o resultado e com o conteúdo, e principalmente por achar que não explicava a relação esquizofrenia e egocentrismo. Cheguei a conversar com amigos virtuais que também têm esquizofrenia, o que me deu alguma luz sobre o assunto.
    Após dias e mais dias matutando e refletindo sobre o tema, cheguei a conclusão de que, algumas vezes, nós, esquizofrênicos, somos muito desconfiados e não nos abrimos com qualquer pessoa. Quando encontramos alguém em quem confiamos, sentimos uma enorme necessidade de falar de nós mesmos, o que pensamos, o que fizemos, ou simplesmente para desabafar mesmo. Nos sentimos mais aliviados depois de uma boa conversa, afinal não é fácil encontrar alguém que nos ouça e entenda, sem que façam chacotas de nossas paranoias. Então poderíamos dizer que seria meio que um egocentrismo involuntário, já que estamos fechados para o mundo exterior, e vivemos mais em nossos mundos.
    Acho que a maioria das pessoas precisam de alguém para conversar, isso é normal, mas no caso da esquizofrenia é um pouco mais complicado, pois, como já disse, somos extremamente desconfiados.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A mania de perseguição que me persegue 3

    Nove horas da manhã. Ligo o computador e, ao abrir a caixa de emails, me deparo com uma boa notícia:  o primeiro pedido do meu livro, "Mente Dividida Memórias de um esquizofrênico". Feliz, tomo um banho para tirar a ressaca do diazepan e vou para a agência bancária sacar o dinheiro, para imprimir o livro e enviá-lo para a pessoa que fez o pedido.
   Mas, após inserir o cartão e digitar a senha, a seguinte mensagem aparece na tela: "Saldo insuficiente". O saldo insuficiente foi o suficiente para me deixar agitado e logo mil pensamentos invadem minha mente, imaginando que um hacker teria  roubado os dados da minha conta, apesar dos inúmeros cuidados que tomo ao navegar na internet.
  Falar que entrei em pânico não seria exagero, e, depois de vários anos, fui obrigado a tomar um comprimido de diazepan durante o dia para serenar os meus pensamentos. Já estava imaginando as pessoas que fizeram os pedidos me xingando e reclamando por não terem recebido o livro, pois o suposto hacker estaria subtraindo o dinheiro da minha conta. 
    Cheguei a pensar que teria que abandonar a ideia de vender o livro e teria que devolver o dinheiro para as pessoas que haviam feito os pedidos. Fiquei refletindo  qual seria a solução para a minha vida, se teria que voltar a tomar os velhos medicamentos dopantes que me deixam mais parecido com um robô. Pensei em vender o pc e abandonar o mundo virtual, pois a ideia que estou sendo monitorado enquanto navego na internet ainda não saiu completamente da minha cabeça. Sonho em um dia em ganhar na loteria, mas não para ostentar luxo e sair por ai andando com carrões, e sim para não depender tanto das pessoas, que, para mim, não são totalmente confiáveis. 
    São quase dez horas e as funcionárias do banco começam a aparecer. Fico na fila para tentar falar com uma delas para saber o motivo do dinheiro não ter aparecido em minha conta. Depois de meia hora a atendente me dá uma senha para ser atendido. Já dentro do banco, começo a me sentir um pouco desconfortável. Agências bancárias são lugares em que não me sinto bem, creio que a desconfiança das pessoas em relação ao dinheiro me faz mal. Sem contar que tenho a impressão que os seguranças estão sempre me encarando e me achando um provável assaltante de bancos. Como bom esquizofrênico que sou (se é que existe bom esquizofrênico), tenho a sensação de que estou sendo vigiado por câmeras o tempo todo. Quer dizer, a realidade é que no mundo atual estamos sendo monitorados por câmeras em quase todos os lugares públicos, mas a sensação que tenho é que elas são em número muito maior, por causa das minhas paranoias. 
    Penso em tomar um outro diazepan, mas desisto da ideia, pois não quero ficar com sono durante o todo o dia. Olho para o vigia e a sensação que tenho é que ele está pensando que estou agitado por estar planejando algum roubo e que tenho algo em minha pasta. Procuro respirar fundo para dar uma oxigenada em meu cérebro e, como não estava me sentindo bem, peço então para ser atendido naquele momento, pois não iria aguentar esperar muito tempo. Os funcionários do banco foram compreensivos e fui atendido prontamente. 
    A funcionária do caixa, ao ver o comprovante do depósito, me informou que o dinheiro demora um dia para cair na conta, pois quem fez o depósito tinha conta em outro banco. Fico aliviado e a ideia que um hacker teria invadido o meu pc vai logo se dissipando em meus pensamentos. 
    Volto pra casa mais tranquilo, mas um pouco triste por ainda viver essas situações de stress devido as minhas paranoias. É uma decisão que tomei, a de não tomar os antipsicóticos mais fortes, ou dopantes, que deixam a minha mente tranquila, mas que por outro lado me deixam completamente desanimado, sem vontade de fazer nada. Provavelmente, tomando os medicamentos indicados pela psiquiatra, não teria ânimo suficiente para postar os vídeos no youtube e nem escrever o blog e muito menos o livro. 
    Não estou aqui querendo afirma que os antipsicóticos são todos dopantes e que não passam de uma lobotomia química. Não é isso. Conheço amigos portadores de esquizofrenia que estão indo bem com os medicamentos e estão levando uma vida bem próxima do normal. É que cada pessoa reage de uma maneira diferente aos remédios e eu, infelizmente, não  me dei bem com nenhum deles. A psiquiatra do sus já tentou todos os medicamentos possíveis e não deram resultado. Aliás, até deram, mas como disse, fico com a sensação de que estou com dengue, tamanho é o desânimo. Não tenho condições de pagar um psiquiatra particular e comprar os medicamentos de última geração, que chegam a custar seiscentos reais ou mais uma caixa. 
    Como não sou agressivo e nunca tive alucinações em que as vozes dão ordens de comando para fazer mal as pessoas, creio que posso ir seguindo por esse caminho, em que é preciso ter um certo autoconhecimento e me policiar constantemente. 
    Muitas pessoas, ao verem os meus vídeos no youtube, pensam e chegam a comentar que estou super bem, que superei totalmente os meus problemas, mas não é bem assim. A esquizofrenia é uma guerra em que todo dia é uma batalha a ser vencida, pois ainda não existe cura para essa patologia. Claro que hoje em dia estou bem melhor do que nos primeiros surtos, aprendi a lidar melhor com esse transtorno, pois, como disse antes, tenho que me policiar frequentemente para saber se os meus pensamentos são frutos das minhas paranoias ou se é algo aceitável para uma pessoa considerada normal para os padrões da sociedade moderna. 
   Nem todos os dias são assim, estressantes. Passo por períodos de calmaria e até chego a esquecer que tenho esquizofrenia. Tenho esperança que esses dias se tornem cada vez mais frequentes até conseguir eliminar de vez todas essas paranoias, e assim mudar o título do blog para memórias de um ex esquizofrênico. 


quarta-feira, 27 de junho de 2012

A mania de perseguição que me persegue parte 2


    Após uma longa e intensa batalha contra a balança, finalmente consegui chegar ao meu peso ideal, que é em torno de 82 quilos. Pode até parecer bichice isso, coisa de mulher e tal, mas ter tirado um excesso de oito quilos de minhas  costas me deixou mais ágil e bem disposto, sem contar que os triglicérides voltaram a uma taxa que é considerado aceitável. 
    Deveria ser motivo de total alegria para mim essa pequena conquista, pois não foi fácil diminuir o delicioso pudim de leite e outros quitutes da culinária mineira. Sem contar que sou um chocólatra assumido, coisa que geralmente é de mulheres também, mas o fato é que o chocolate contém uma substância que ajuda na captação da serotonina (olha eu falando que nem médico de novo), e que dá a famosa sensação de bem estar, e por isso as mulheres recorrem a essa gostosura, principalmente quando estão com tpm
    No meu caso, fico bem humorado, alegre, disposto, tudo fica mais colorido em minha vida quando como chocolate. Cheguei a pesquisar no google outros alimentos que poderiam ajudar na produção da serotonina, mas, infelizmente, só o chocolate e os carboidratos é que conseguem fazer isso. Algumas frutas, como a banana, até cheguei a ler que ajudam um pouco nessa questão, mas o efeito não é tão imediato e intenso como o dos achocolatados, massas e açúcar em geral.  Gostaria de deixar bem claro que essa substância é fabricada naturalmente pelo organismo da pessoa, não precisando de nenhum alimento para tê-la em nosso corpo. Mas, em algumas pessoas, parece que o cérebro não consegue fabricar ou captar essa substância, o que pode gerar uma depressão. 
    O chocolate é como se fosse uma droga para mim. Aliás, acho que é uma droga, pois considero droga qualquer substância que altere o estado de ânimo natural da pessoa. Em poucos segundos depois de ingerir, meu cérebro parece que diz: obrigado! O problema é que o meu corpo não pode dizer o mesmo, pois, além de engordar muito, os triglicérides estavam em 420mg, quando o limite é de 200mg, ou seja, mais do que o dobro. 
    A necessidade de comer chocolate e carboidratos, aliado ao fato de me preocupar com a minha saúde, me fizeram engordar e emagrecer várias vezes. Isso fez com que aparecessem boatos de que eu estava com aids, há uns dez anos atrás. Começou aos poucos como um bochicho, apenas no bairro, mas acabou virando uma bola de neve e, em pouco tempo, o boato se espalhou rapidamente pela cidade onde eu morava naquela época. 
    Para piorar, nessa época tive dengue e fiquei muito mal. O boato acabou "virando realidade' e o zun zun zun foi geral. E, para piorar mais ainda, depois de me recuperar da dengue, peguei uma virose braba. Nesse momento, os moradores da cidade, que prefiro preservar o nome, já haviam decretado o meu fim. Prefiro preservar o nome do município, pois pode ficar parecendo que guardo rancor dos moradores dessa localidade. Procuro nunca alimentar esses sentimentos negativos e também sei que existem pessoas boas por lá e que não gostam de ficar comentando a vida alheia. Já morei em diversas cidades do interior de Minas Gerais, rodei boa parte do Brasil, e não me lembro de ter tantas inimizades como tive nessa cidade, pois sempre fui um cara bem retraído mesmo. 

    Então, de tanto ouvir que estava com aids, que eu mesmo acabei acreditando naquilo, apesar de sempre usar preservativos em minhas relações sexuais. Como diz o velho ditado: " Uma mentira dita várias vezes acaba virando verdade". Fiquei muito deprimido, e pensei em me matar assim que os primeiros sintomas da aids aparecessem, pois não queria sofrer morrendo aos poucos, apesar de saber que já naquela época os remédios para a aids davam uma boa perspectiva de vida ao indivíduo. 
    Por onde eu andava na cidade, reparava que as pessoas olhavam para mim de uma maneira diferente, algumas com pena, outras com um ar de discriminação e preconceito, chegando ao cúmulo de um dono de restaurante não ter gostado da minha presença em seu estabelecimento. Talvez ele pense que o vírus da aids possa ser transmitido pela saliva através dos talheres, ou então por simples preconceito mesmo. Também senti na pele o preconceito que os portadores do vírus hiv sofrem, ao fazer uma manutenção no sistema de som em um clube da cidade. Uma mulher que estava se bronzeando na beira da piscina, ao me ver, perguntou para um funcionário com um ar de repugnância:
    - Esse cara está frequentando o clube agora?
    Um fato que  me deixou para baixo nessa onda de boatos ocorreu quando reencontrei  uma garota que tinha conhecido anos atrás. Fiquei feliz ao vê-la e pensei em ir conversar com ela, mas logo desisti quando reparei em seu olhar um misto de raiva e reprovação. Depois fiquei sabendo que ela ficou desesperada pensando que poderia ter contraído o vírus da aids, sendo que ficamos apenas nos beijos e abraços e nunca chegamos "aos finalmente". 
    Com tudo aquilo acontecendo fui cada vez mais ficando deprimido. Já não saia mais de casa e conversava o mínimo possível. Depois de algum tempo, resolvi fazer o teste do hiv para pegar os medicamentos e começar a fazer o tratamento. Mas, para a minha surpresa, o teste deu negativo. Já estava tão paranoico que imaginei que o laboratório havia falsificado o resultado, para que assim eu não pudesse pegar os remédios e sofresse mais e morresse mais rápido. 
    Pensei em fazer o teste em outra cidade, mas a mania de perseguição era tão grande que cheguei a imaginar que todos os laboratórios do Brasil tinham o meu nome e a minha foto, e que havia uma conspiração para não darem o "suposto verdadeiro" resultado do exame. Cogitei em fazer o exame no Paraguai, mas naquela época estava sem grana, pois ganhava por serviços prestados e, como estava muito pra baixo, já não estava conseguindo trabalhar bem. 
    Certo dia, tive um flash back e em minha mente veio a cena de uma relação em que o preservativo se rompeu. No mesmo instante, imaginei que havia transmitido o vírus da aids para a mulher com quem estava e me senti um verdadeiro assassino. Um filme começou a passar em minha cabeça e me lembrei de duas relações em que não usei o preservativo. Então, o número das supostas vítimas havia subido para três, em minha mente. Um enorme sentimento de culpa se alojou em minha cabeça, sendo que, quando estava surtado, em duas ocasiões pedi  para que policiais me prendessem, chegando a dizer que era um réu confesso. Na primeira vez, o policial achou engraçada a situação, pois me apresentei à ele com as mãos juntas na posição para serem algemadas e repetindo que era um réu confesso. O policial, sorrindo, falou de Deus para mim e me ofereceu um marmitex, que, apesar da fome em que estava, acabei jogando fora, imaginando que a comida poderia estar envenenada. Na segunda vez, os policiais não foram tão amistosos assim, pois eu havia telefonado de um orelhão dizendo que era um réu confesso. Em poucos minutos, a viatura chegou ao local e me abordaram com uma arma. Após me revistarem, me deixaram na br. 
    Demorou alguns anos para que essa ideia de que estava com aids saísse de minha cabeça. Mudei de cidade e o tratamento na área de saúde mental aqui é bom, muito melhor do que  onde ocorreram os boatos. Sem contar o fato de que aqui as pessoas não ficam falando sobre mim como acontecia na outra cidade, acho que pelo fato de ser bem maior. Com o tempo e o tratamento fui melhorando aos poucos e, depois de quatro testes negativos, finalmente acreditei que não tinha nenhum vírus da aids. Um peso enorme saiu de minhas costas, não era mais um assassino e poderia voltar a beijar na boca de novo!
    Mas, nem tudo está bem. Ainda hoje, aqueles comentários ecoam em minha mente, principalmente quando consigo voltar ao peso normal. Fico feliz e triste ao mesmo tempo por ter conseguido emagrecer, pois, imagino que as pessoas estão comentando que estou com aids. Cheguei a ter uma pequena alucinação auditiva, quando fui conferir o meu peso em uma farmácia. A voz dizia que eu estava com aids. Na hora, acreditei realmente que algum funcionário da farmácia havia dito isso, e sai rapidamente do local. Mas, depois de alguns dias, analisando a situação, cheguei à conclusão que foi paranoia minha mesmo. 
    Caminhando pela cidade a sensação que tenho é que todos estão olhando para mim, observando minhas roupas que ficaram largas e falando que tenho aids. E quando por algum motivo tenho que ir em uma unidade de saúde, essa sensação aumenta e muito. Mas hoje em dia a situação é bem diferente. Tenho consciência das minhas paranoias, o que, apesar de não resolver o problema, ajuda e muito a conviver melhor com as pessoas. 
    Hoje não me importaria tanto se uma pessoa fizesse um comentário de que estou com aids. Aprendi a acreditar mais em mim mesmo do que em outras pessoas. Claro que é uma situação chata, mas, pessoas que precisam de falar da vida alheia por simples falta de assunto não merecem um pingo de nossa preocupação. Portanto, se você é alvo de pessoas desse tipo, simplesmente ignorem e as deletem de suas cabeças. 
    
    
"As coisas mais belas são ditadas pela loucura e escritas pela razão."
André Gide




quinta-feira, 24 de maio de 2012

A mania de perseguição que me persegue


A mania de perseguição, um dos sintomas clássicos da esquizofrenia



mania de perseguição
  
  De uma maneira simplificada, podemos dizer que mania de perseguição é a sensação que o indivíduo tem de que está sendo perseguido, monitorado, observado ou ameaçado por outras pessoas.     É bastante inconveniente essa situação, que causa grande prejuízo à vida social do indivíduo, levando o mesmo a evitar lugares públicos. Afinal, quem irá a um show, com milhares de pessoas, se o mesmo tem a sensação ou até mesmo a certeza (em sua mente) de que as pessoas não estão vendo o show e sim observando-o? Ir ao supermercado para mim é um pouco chato e quase não saio de casa. Em um vídeo que postei no youtube, cheguei a dizer que as minhas camisinhas estão com o prazo de validade vencido.     Desculpem-me se, às vezes escrevo como se fosse um psiquiatra ou um psicólogo, a minha intenção é a de escrever um texto o mais simples possível e na visão de quem tem o transtorno. Se fosse para ler termos mais científicos, o melhor seria ler o cid, que é o código internacional de doenças. Mas, de tanto ler artigos a respeito do comportamento humano, acabei pegando essa mania. Ou será que de médico ou de louco todo mundo tem um pouco?     Bem, vamos falar  sobre como é a minha mania de perseguição. Se fosse para avaliá-la, acho que estaria no grau 7, numa escala de zero a dez. Saio de casa o mínimo possível, e constatei que o caso era realmente grave quando parei de frequentar estádios de futebol, para ver o time do meu coração jogar. Desconfio quando alguém me oferece algo para comer, pensando que o alimento possa estar envenenado. Quando estava surtado morando nas ruas, cheguei a vomitar algumas vezes os alimentos que as pessoas me davam. 
    O meu pc também ficou com mania de perseguição e hipocondríaco, chego a escaneá-lo quase que diariamente. Uso dois antivírus, para me precaver, mas não os deixo ativo, pois isso pode gerar conflitos entre eles. Um, que é mais leve, uso para ficar na proteção em tempo real. O outro eu uso para fazer escaneamento geral do sistema. Assim, se o antivìrus ativo não detectar um vírus, o que faz o escaneamento talvez possa detectar, pois os bancos de dados não são os mesmos. Também tenho um programa que detecta programas espiões(malwares), que não são considerados vírus, mas são programas maliciosos que podem infectar o seu computador e colher informações sobre suas senhas das redes sociais e até bancárias... 
  Por falar em senhas, também tenho um programa específico para detectar vírus que são usados para roubar senhas de bancos, apesar de não ter grana nenhuma em nenhuma merda de banco. Ser pobre às vezes tem suas vantagens né? Penso que o meu pc está sendo monitorado 24 horas por dia pela polícia, tenho até receio de adicionar menores de idade no orkut ou no facebook. Também tampo a webcam com um pedaço de fita isolante, pois já ouvi dizer que alguns hackers conseguem acessar a câmera do pc ou notebook...  Bem, chega de falar sobre informática, em um outro post darei umas dicas e os links para baixar os programas que citei. 
    Fora do mundo virtual, a coisa é complicada também. Quando ouço duas pessoas rindo, penso que estão zombando de mim. Se elas ficam muito sérias também, penso que é por minha causa, achando que as pessoas me consideram uma persona non grata.
    Penso até hoje que o INSS está monitorando os meus passos, pois me aposentei em função do transtorno, e acho que eles pensam que eu estava mentindo e que tinha conseguido um laudo comprado para me aposentar. 
    Em relação à polícia, sinto algo parecido também, apesar de não ter nenhum motivo para isso. É um sentimento estranho, que não sei como explicar. Admiro o trabalho da polícia e gostaria que em cada esquina tivesse um policial para melhorar a nossa segurança. Já fui roubado algumas vezes, então, quando vejo policiais nas ruas, me sinto mais seguro de um lado, mas por outro, a mania de perseguição surge do nada em minha mente e me sinto um pouco desconfortável. Se um policial olhar para mim e falar no rádio de comunicação então, chega a me dar vontade de ir até ele e mostrar minha identidade...

    Em relação aos evangélicos, já tive algo parecido, hoje nem tanto. Mas tinha certeza em minha mente que eles não gostavam de mim, e que afirmavam que eu era adepto das coisas do "tinhoso". 
    Nos supermercados a situação é mais complicada ainda. Já tenho a sensação de estar sendo observado, e nestes estabelecimentos realmente existem as câmeras! Ai a mania de perseguição sobe assustadoramente e fica bem perto do grau dez. Certo dia, quando entrei no supermercado, o segurança olhou para mim e falou algo no rádio de comunicação. A vontade que eu tinha era de perguntar se ele não tinha ido com a minha cara, se estava me achando com cara de ladrão. 
    Essas são apenas algumas das situações em que a mania de perseguição me deixa um pouco chateado. Ando sério pelas ruas, não olhando muito para os lados, e acho que isso causa uma certa antipatia nas pessoas. Já me chamaram de "mintido" por causa disso. Então, quando alguém ver uma pessoa toda séria andando pelas ruas, com um olhar fixo, sem olhar para os lados, não a julguem como antipática, talvez ela tenha essa tal de mania de perseguição. Nos surtos que tive esse delírio foi a tal ponto que cheguei a morar nas ruas por um tempo, numa tentativa de fuga dos inimigos que só estavam em minha mente, mas isso é um assunto para outras postagens. 
    Como disse no post anterior, já tentei alguns medicamentos. A mania de perseguição realmente ia embora, mas junto com ela ia todo o meu ânimo e alegria de fazer qualquer coisa. Então o jeito é seguir o caminho do meio, deixando de lado os medicamentos mais fortes e tomando os mais fraquinhos, e tentando me abster deles na medida do possível. Não estou recomendando isso a ninguém, pois isso exige um pouco de autoconhecimento. 
    Espero que tenham gostado do post, e comentem a vontade e deem sugestões. Se alguém tiver uma solução para que a mania de perseguição pare de me perseguir pode comentar aí embaixo.