Quem nunca passou por momentos difíceis em suas vidas?
Depois que a esquizofrenia apareceu em minha vida, tive vários momentos de desânimo total, a ponto de tentar o autoextemínio ou então ficar inerte à tudo e à todos.
Um dos piores momentos foi em 2004. Estava tão debilitado fisicamente e mentalmente que pedi demissão da firma onde trabalhava, em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais.
Com a grana do acerto, fui em uma churrascaria para fazer a minha última refeição, e depois fui na casa da luz vermelha para ter a minha última transa. Estava mais aliviado do que desesperado. Acho que estava me sentindo mais leve por não ter que ver mais tantas pessoas. Estava tão tranquilo que fiquei ouvindo a garota de programa falar sobre seus problemas conjugais, que havia ido para aquele lugar pois seu marido era muito violento.
No dia seguinte comprei um colchonete, um radinho e um monte de pilhas. Não tinha mais coragem de tentar tirar a minha vida, então queria deitar em uma calçada, ligar o radinho de pilha e ficar lá até morrer.
E fiquei assim sexta feira e todo o final de semana. Na segunda feira começou a agitação no centro, várias pessoas passavam pela calçada para me ver. Tive que tomar diazepan acho que de hora em hora para não surtar. Apareceu um policial e me deu um tapa nas costas, pois eu estava deitado de bruços. Depois apareceu uma ambulância e mais policiais. Provavelmente alguém havia me denunciado por estar tomando medicamento por seguidas vezes. Eles não foram muito amigáveis comigo. Mas, antes que me abordassem novamente apareceu uma assistente social e foi possível ouvir ela dizendo que me conhecia e que eu era um cara trabalhador e que não usava drogas e que gostava de praticar esportes. O policial até veio a se desculpar comigo.
Então fui levado para um albergue e permaneci por lá por mais de um ano, convivendo com ex detentos, pessoas em situação de rua e trecheiros que viajam pelo Brasil meio sem destino certo. Comecei a fazer o tratamento e hoje estou indo bem, não estou curado, mas só tenho que agradecer por estar vivo para poder contar estas histórias. Acho que meu anjo de guarda trabalha muito bem e que sou um cara de sorte, apesar de não ser rico e só ter uma bike usada e uma tv LCD de 32 polegadas. Ah, e tenho um notebook da Dell, que consegui comprar quando estava viajando por aí com a minha mochila economizando a grana do aluguel.
Mas me considero um cara de sorte, não era nem para estar vivo, mas estou. Estou vivo e ainda consegui me entender um pouco como pessoa após os surtos. Loucura para mim hoje em dia é querer agradar à todos deixando de ser você mesmo.
Podemos tirar lições até das piores situações em que vivemos em nossas vidas.
Quem me acompanha sabe que moro em um quartinho de aluguel, juntamente com vários outros inquilinos, aqui em Belo Horizonte.
E estamos sujeitos a ter todo tipo de vizinhos, desde os mais quietinhos até os mais bagunceiros.
Mas um dos vizinhos que tenho é estranho: fica conversando acredito que no celular, boa parte do dia e principalmente das dez das noite até às seis da manhã.
Os quartos ficam lado a lado e de madrugada qualquer barulhinho acaba virando um barulhão. O inquilino do andar de cima que fica andando de um lado para outro, os gatos brigando à procura de parceiros e por aí vai. Não tenho certeza se esse vizinho conversa sozinho ou então tem um outro notívago do outro lado da linha.
Já pedi várias vezes para que ele parasse com a faladeira de madrugada, mas em vão. O outro vizinho parece não queixar-se da falação, talvez por ter um sono pesado. Esse outro vizinho ronca um pouquinho, mas não me incomoda muito. Mas já repararam que toda pessoa que ronca é a primeira a dormir e sempre tem um sono pesado?
Mas, voltando ao vizinho aloprado, a solução que encontrei foi deixar o ventilador ligado no máximo. Como era um ventilador antigo a zoeira do equipamento se sobressaía a voz do falastrão.
Mas no final do mês passado o ventilador queimou e não teve conserto. Passei várias noites em claro escutando o diálogo do elemento. Claro que perdi a paciência e zoei o cara sem noção, que parecia se divertir com a situação.
Como a grana estava curta resolvi pedir ajuda aos meus amigos virtuais, tanto do facebook como do meu canal no youtube e lá do blog.
Fui na loja e achei um lindo ventilador por um bom preço. A vendedora, ao observar que fiquei encantado com o visual do aparelho disse que o preço da etiqueta estava errado. Não era 150 reais e sim 200 reais.
E, para piorar, o cartão que me ofereceram era de uma anuidade de dez reais. À princípio achei bem barato, mas depois a vendedora disse que a anuidade seria paga mensalmente.
Não tenho motivos para ter cartão de crédito com "anuidade mensal" de dez reais e então voltei para casa sem o lindo ventilador.
Mas, como disse, havia pedido ajuda para meus amigos, que mais uma vez me deram uma força.
Comecei a pesquisar os ventiladores nas tradicionais lojas e encontrei o mesmo modelo da loja pela metade do preço!!!
Como sou paranoico também no mundo virtual, não fiz a compra através de cartão e sim boleto bancário.
O produto demorou um dia útil para chegar em casa e estou muito satisfeito com o ventilador. Além de lindão ventila que é uma beleza! Não é dos mais potentes, é mais indicado para ventilar um quarto de tamanho pequeno a médio. A única coisa que não gostei foi não ter a possibilidade de incliná-lo para baixo. Então resolvi fixá-lo na parede e está dando aquela refrescância nesse inverno que está tendo tardes quentes aqui na capital mineira.
Agora, além de poder me refrescar, estou podendo dormir novamente sem ter que ficar ouvindo a voz do vizinho aloprado que conversa com um outro ser aloprado ou então conversa sozinho mesmo. Eu mesmo converso comigo, adoro conversar com pessoas inteligentes (shasuashaushas). Mas sempre procuro sempre ter meus diálogos interiores durante o dia e até às dez da noite.
Obrigado de coração aos que me ajudaram mais uma vez.
Vou colocara abaixo o link do ventilador, que ainda está em promoção. Como disse, ele não é para grandes ambientes, ele tem apenas 75W, mas funciona bem.
Costumo dizer que a esquizofrenia apareceu em minha vida aos 32 anos de idade, quando os surtos vieram e toda aquela loucura que a mania de perseguição provocava em minha vida.
Mas a esquizofrenia não é somente o surto em si. Delírios, pensamentos e comportamentos também são elementos que merecem serem destacados.
Essa não é uma das minhas paranoias diárias do meu dia a dia, já que ela aconteceu quando eu tinha oito anos de idade e não tem mais como acontecer novamente, pois primeira comunhão só acontece uma vez em nossas vidas(dããããããããã). Mas, durante toda a minha vida pré-surto tive (e ainda tenho) muitos delírios místicos: para onde iremos após esta vida, sobre o que é certo e o errado (se é que existe isso) e também achava que era uma pessoa especial com uma proteção especial do Criador. Enfim, é aquela eterna briga entre o bem e o mal que é travada em nossas consciências e que, se não forem muito bem assimilada pode sim causar um grande desequilíbrio em nossas mentes.
Estudava na época em um colégio de freiras aqui em Belo Horizonte, o Nossa Senhora do Monte Calvário. Sempre gostei deste colégio, principalmente da hora do recreio, pois não gostava muito de estudar. Algumas freiras eram bem engraçadas e humoradas, já outras eram mais sérias e ranzinzas. Tinha uma freira no pré-primário que carregava os alunos pela orelha quando faziam alguma travessura. Ela era bem estressada e toda a galerinha morria de medo dessa freira, pois ela tinhas as mãos bem grossas.
Na oitava série todos os alunos eram obrigados a fazerem a primeira comunhão. Mas antes tínhamos que fazer a preparação, frequentando algumas aulas em plena manhã de sábado.
Estava tenso e muito ansioso para que passasse logo esse dia. Fui um menino bem bagunceiro, tanto dentro como fora de casa, apesar de que só ficava em casa para dormir e almoçar. Às vezes nem no almoço aparecia, pois também gostava de “filar” um rango na casa dos meus amigos da rua.
Era bagunceiro mas até que tinha um bom coração, não repetindo minhas travessuras quando alguém explicava o motivo de não fazer aquelas coisas. Por exemplo, um vizinho correu atrás de mim depois que soltei uma bomba no quintal da casa dele. Não era uma bombinha, era daquelas cabeças de nego. Na minha cabeça era uma simples brincadeira, mas depois que o cara correu atrás de mim zangado e assustado dizendo que a avó dele quase havia morrido do coração nunca mais fiz essa "brincadeira".
Não tive pai e minha mãe acredito que também tenha algum tipo de transtorno mental, pois ela quase não se comunicava com as pessoas. Era quase catatônica. Saí de casa aos 17 anos e até hoje não sei exatamente o que aconteceu com ela para que ficasse daquele jeito.
Mas, voltando ao tema da primeira comunhão, nas aulinhas preparatórias ficávamos conversando sobre o que dizer no dia para o padre. Uns diziam que iam contar tudo pelo simples fato de não terem muito para contar. Já eu estava vivendo um dilema, se contava tudo ou não contava. Naquela época já me questionava sobre o porquê de ter que contar tudo para o padre, já que Deus sabia até o que a gente estava pensando. Mas a verdade é que eu não queria pagar para ver e já estava até pensando em anotar tudo em um caderninho pois provavelmente iria esquecer algum pecadinho que eu havia cometido há algum tempo atrás. Mas logo desisti da ideia pois, se anotasse todas as minhas travessuras em um caderninho com certeza a cerimônia da primeira comunhão iria atrasar e muito por causa da minha longa listinha de infrações pecaminosas...
A principal preocupação era de quantas ave-marias e pai-nosso eu teria que rezar para que todos os meus pecados fossem perdoados. Não podia rezar em pé, tinha que ser ajoelhado, diziam meus colegas.
Por falar em colega, depois da aula do catecismo, um amigo de turma durante nossas conversas teve a infeliz ideia de dizer que certa vez a hóstia havia se transformado em sangue na boca de um menino que havia ocultado um pecado durante a confissão.
Naquele mesmo instante me imaginei de frente para o padre com a boca toda ensanguentada e a igreja lotada e todo mundo olhando para mim....Era mais uma paranoia mística que foi implantada em minha cabeça.
Os dias foram se passando e a primeira comunhão chegando. Estava muito apreensivo, vivia pensando no que seria reservado para mim depois desta vida. Não me achava um santo mas também não me achava um menino totalmente mau.
O dia finalmente havia chegado. Acredito que desde a sétima série já estava pensando nesse momento. Era muito encucado com essas coisas de céu x inferno, bem x mau. Sempre ouvia aquela velha frase quando fazia bagunça:
- “Podi naum”, papai do céu vai castigar...
criança normal faz uma baguncinha...
Não me lembro se havia conseguido dormi naquela noite de sábado para domingo. Só sei que acordei cansado, com febre e suando frio. Me lembro bem de uma foto tirada na frente da igreja em que saí com o pescoço brilhando, de tanto suor que estava saindo de meus poros.
Só queria que aquele dia passasse logo. Tomei o meu café da manhã e desci as escadas que davam para o quintal de casa com um punhado de canjiquinha para dar para os pintinhos que ciscavam pelo quintal. Os bichinhos, ao me avistarem foram logo subindo a escada e eu joguei uma porção de canjiquinha na minha frente dois degraus abaixo de onde estava...Imaginem o que aconteceu: eu estava descendo e os pintinhos subindo... Quando viram a canjiquinha caindo se atiraram para comer os grãos e não deu tempo para frear e então pisoteei um pintinho. O bichinho ficou agonizando com um ferimento no pescoço. Minha avó e meus irmãos chegaram para socorrer o pintinho, mas foi em vão. Ele não resistiu ao ferimento e então meu irmão disse, me encarando com aquele olhar de acusação:
- Ele fez isso por querer....
Minha avó me deu aquela encarada, e nem tentei argumentar. Era o bagunceiro da casa, ou melhor dizendo, da rua onde eu morava. Qualquer janela quebrada já iam bater na porta de casa...Mas isso não era a minha principal preocupação naquele momento. Se antes do incidente estava imaginando que minha pena seria de 100 ave-marias e cem pai-nosso, depois de ter matado o pintinho minha estimativa havia aumentado para cerca de quinhentas orações. Já estava imaginando a dor que iria sentir em meus joelhos...
Mas não tinha jeito. Tinha que ir nessa primeira comunhão. Não havia ainda planejado o que dizer para o padre. Estava na dúvida se omitiria os pecados principais, deixando só os pecadinhos mesmo. Afinal Deus já sabia de tudo o que eu havia aprontado nesta vida. E também não queria atrasar a cerimônia contando as minhas aventuras.
Fomos para o colégio. Estava de cara fechada e muito mal humorado, e ainda tinha que aguentar o fotógrafo à todo momento me pedindo para olhar para a câmera e dar um sorriso. Foram umas vinte fotos, e em todas elas eu fiz cara fechada e algumas até careta eu fiz. Só não fiz careta nas fotos que o fotógrafo me pegou distraído. E ainda tinha que aguentar o flash que quase me cegava os olhos...
Havia chegado o grande momento. A igreja estava lotada. Estava um pouco na dúvida sobre contar tudo, pois a hóstia poderia se transformar em sangue na minha boca. Era um dilema e tanto para resolver em tão pouco tempo. Fiquei observando os alunos que se comungaram antes de mim. Eles estavam se confessando muito rápido, questão de segundos mesmo. Ninguém estava relatando tudo o que haviam feito de errado. E não seria eu o único a contar tudo né?
A minha vez havia chegado. Respirei fundo e na hora decidi dar uma grande resumida nas minhas falhas de criança:
1-Havia brigado com meus coleguinhas
2-Havia discutido com minha mãe.
Olhei para o padre com um misto de medo e dúvida. Ele me encarou e a sensação que tive naquele momento é que ele sabia que eu estava ocultando muita coisa. Não me lembro exatamente a quantidade de ave Maria e pai nosso que mandou rezar, mas não foi muito. Acredito que foi umas quinze de cada, para o meu alívio. E, para maior alívio ainda a hóstia não havia se transformado em sangue na minha boca....
Mas não fiquei totalmente aliviado, deixei o resto da conversa para ser tratada diretamente com Deus, nas orações que eu fazia quando pequeno. Iria explicar que não tinha contado tudo para não atrasar a cerimônia e também para não cansar o padre.
Depois da igreja fomos todos para o pátio do colégio onde teve muitos comes e bebes e então pratiquei sem culpa o pecado da gula...
A copa do mundo começou ontem, ao meio dia no horário de Brasília. Só fui saber que havia começado o maior evento esportivo do mundo de noite, ao visitar um site que tenho salvo aqui nos favoritos do navegador. Fiquei surpreso ao saber que a "poderosíssima" seleção da Rússia havia ganho o jogo inicial por uma diferença de 5 gols.
A copa do mundo começou. Mas as ruas não estão enfeitadas, o albino da oficina mecânica estava sentado como sempre sentado na calçada por volta de uma hora da tarde, quando saio para almoçar no restaurante popular de Belo Horizonte.
As crianças estavam carregando suas mochilas para irem à escola. No centro, tudo na tradicional agitação do comércio, mas não estavam vendendo bandeirinhas do Brasil e aquelas irritantes e barulhentas cornetas. As lojas não estavam enfeitadas de verde e amarelo.
O que teria acontecido? Ou os brasileiros tomaram consciência de que existem prioridades ou a situação está tão complicada que nem o futebol está servindo para amenizar um pouco a dor desse povo tão sofrido como o nosso. Ou foi a lição que aprendemos fatídico 7x1 contra os alemães?
É, o Brasil parou com a greve dos caminhoneiros, mas parece que a copa do mundo não está mais paralisando o país como antes...
Segunda feira, dia 17 de junho de 2014. Manifestações tomam conta das principais capitais do país. Os motivos eram diversos, mas as principais causas foram o aumento das passagens e os gastos para a realização da copa do mundo. Ainda estava nas minhas andanças, morando na minha barraca e carregando uma mochila de 11kg nas costas.
Estava no centro quando soube que iria acontecer uma enorme passeata até o Mineirão, onde seria realizado o jogo Taiti x Nigéria pela copa das confederações. O peso que carregava nas costas não foi empecilho para que uma enorme vontade de ir ao evento tomasse conta de mim. O engraçado (hoje acho isso) é que nem pensei em pegar um ônibus, caminhei cerca de 10km numa boa até as proximidades do estádio.
Não gosto muito de tumultos, multidão, mas queria participar daquele protesto, afinal foram gastos bilhões em estádios que nem teriam utilidade nos próximos anos, como o de Brasília, Mato Grosso e Manaus. E os que estão tendo utilidade foram superfaturados.
Então resolvi participar, afinal o povo mineiro é civilizado e não irá ter confusão, como está tendo no restante do país. - pensei.
E não acompanhei a passeata desde o início, no centro. Cheguei no Mineirão por volta do meio dia. Estava com minha câmera digital compacta e, de uma hora para outra, surgiu uma vontade de filmar o evento. Era como se tivesse baixado um repórter em mim, e comecei então a filmar tudo o que estava acontecendo naquele momento. Havia inúmeros repórteres no meio daquela multidão que assim como eu, estavam carregando uma câmera. Estava tão engajado na missão de cobrir o evento que aqueles caras era como se fossem colegas de profissão. Já não estava ali como um manifestante.
Por volta das 15 horas começou um burburinho de que os manifestantes estariam chegando nas proximidades do estádio. Já haviam muitos policias e viaturas no entorno do gigante da Pampulha. Fui então de encontro aos manifestantes e me espantei com a quantidade de pessoas que estavam na avenida Antônio Carlos. Algumas pessoas falavam em 12 mil, outros em 20 mil pessoas. Só sei que havia um mar de gente na avenida, que estava totalmente tomada até onde podia enxergar.
A manifestação seguiu tranquila até a Avenida Abrahão Caran, onde a polícia militar fez uma barreira. A situação ficou tensa quando alguns caras com o rosto coberto (cerca de 100 pessoas) começaram a atirar pedras e pedaços de pau nos policiais, que revidaram com balas de borracha e bombas de efeito moral, além do sufocante gás lacrimogênio. Poderia ter acontecido uma tragédia, pois a avenida estava totalmente tomada e não tinha para onde nos abrigar. Por sorte a maioria teve calma para se afastar do efeito do gás com tranquilidade e não houve pisoteados.
Não culpo a polícia, pois acredito que foi a primeira manifestação desse porte em Belo Horizonte e, se não fosse uma minoria, tudo teria transcorrido na maior calma.
Mas houve muita bomba mesmo, algumas até foram atiradas bem próximo de onde estava. Poderia sim ser atingido, mas continuei a narrar o evento como se fosse um repórter e com a maior calma possível. Parece que baixou um repórter superprofissional em mim e, se não fosse a péssima dicção e a imagem tremida, diria que foi feita uma excelente cobertura da manifestação.
Até cheguei a pensar em colocar legenda, mas o arquivo final sempre ficava maior do que o limite que pode ser colocado em cada postagem.
Antes de mais nada irei falar um pouco sobre o meu detonado dedão do pé esquerdo, para assim poder chegar com maior clareza ao propósito do título da postagem.
Ultimamente tenho falado tanto nesse meu pé que cheguei seriamente a pensar em mudar o nome do blog para "Queixas de um elemento com hálux rigidus"...
Como a maioria dos leitores devem saber, o máximo de atendimento nessa área que consegui do SUS nesses anos de luta foi uma palmilha, que, além de não aliviar merda nenhuma, acabou detonando o meu joelho, pelo simples fato dela não ser moldada de acordo com o tênis que uso com mais frequência. Os caras simplesmente metem o seu pé no gesso e moldam a palmilha. E ela, como num passe de mágica, terá que servir para todos os tipos de calçados possíveis....
Então, há cerca de um ano atrás enviei despretensiosamente um email para a rede Sarah, que faz uma atendimento gratuito na área de ortopedia aqui em Belo Horizonte.
Cerca de oito meses depois, quase sem esperanças, recebo a resposta da rede Sarah, com a confirmação do atendimento, que é excelente. Além das confortáveis acomodações, a rede Sarah tem um ótimo atendimento e organização. Até dormi na hora de fazer a ressonância magnética, apesar de ter um pouco de medo de entrar naquele tubo. Mas o exame foi as sete horas da manhã e ainda por cima tinha que estar em jejum... E colocaram um travesseiro novinho e cheiroso... Então quase dormi naqueles 20 minutos que fiquei ali dentro, no meio de uma barulheira enorme, parecia fogos de artifício...
Os exames apontaram, além da já falada lesão no dedão do pé esquerdo, uma fratura por stress no dedão do pé direito. Afinal são três anos andando de maneira incorreta, sobrecarregando por demais as articulações, principalmente da perna direita. O corpo mais cedo ou mais tarde cobra esse errado andar. Ano passado tive que conseguir uma muleta através do facebook para ir ao hospital, pois o tornozelo não aguentou a carga.
tornozelo detonado
Tudo ia muito bem na rede Sarah, até o dia em que mostrei o relatório da "psiquiatra" do posto de saúde onde consulto para pegar o "pan nosso de cada dia".
Só havia consultado com ela três vezes, e pouco ou quase nada conversei. A função dela no meu caso era apenas preencher a receita do ansiolítico... Mas ela fez questão de mencionar no relatório que não tomo os antipsicóticos e que tenho o quadro compatível com F-20, que não é a caminhonete, e sim a esquizofrenia paranoide. Só assim para pobre como eu ter F-20...
Essa simples menção ao fato de não tomar o antipsicótico foi o suficiente para impedir a minha cirurgia neste hospital. O SUS, além de não nos atender, de nos enrolar, de nos esculachar, ainda nos impede de ter um atendimento digno em um outro local. Minha qualidade de vida está um lixo, tanto fisicamente como mentalmente, e o início da melhora com certeza não passa pela administração de mais medicamentos e sim a melhora no meu pé para que eu possa voltar a andar normalmente e que as dores sumam. E assim eu tenha a possibilidade de fazer algo que realmente melhora a minha saúde mental: os exercícios físicos, e também me deslocar para ir à um centro de convivência, à um parque, etc.... A dor física parece que consegue fazer liberar em meu cérebro uma substância ou algo parecido que mina a minha energia. Alguns dias que fico em casa as dores somem. E consigo andar alegremente por mais ou menos 1km, quando as dores começam a aparecer, e, no mesmo instante fico pra baixo, como se a bateria estivesse sido descarregada rapidamente.
Essa psiquiatra do posto de saúde sabia das dificuldades que estou passando por causa desse problema no pé. Ela também sabe como é o atendimento no SUS. Custava ela omitir o fato de não tomar o antipsicótico? Mentir é uma coisa, omitir é outra totalmente diferente....
Cirurgia? Só se tomar o antipsicótico e tiver acompanhante....
Como vocês podem observar pelo áudio acima, só receberei atendimento na rede Sarah se tomar o antipsicótico e ter acompanhante...
Em relação ao antipsicótico já mencionei várias vezes que não foi por falta de tentativa que não deu certo o tratamento. Não deu certo no meu caso, mas isso não quer dizer que com os demais pacientes o mesmo irá acontecer.
Já em relação a acompanhante sempre gostei de viver só e curtir a minha solitude, que é a solidão desejada. Não vai ser agora que irei arrumar uma companhia. Teria que me aproximar de alguém com segundas intenções, com interesses além da companhia da pessoa, o que não é do meu feitio. Sempre procurei ser verdadeiro, e até nas perícias que fiz no INSS fui acompanhado somente no início, quando ainda estava morando em um abrigo.
Não sou um aproveitador, não irei me aproximar de uma pessoa só para ser meu acompanhante no hospital. Sou sincero, e isso gera alguns problemas. Não gosto da maioria das pessoas, as acho fúteis, mesquinhas e algumas são frescas mesmo. E as pessoas que gosto não gosto de vê-las todos os dias....
E a culpa não é delas, é o meu jeito de ser mesmo.
Já pensou se eu consigo arrumar uma amiga ou namorada, e, no primeiro encontro pergunto:
-Vamos?
- Aonde?-ela pergunta.
- No hospital, é para me fazer companhia, pois vou operar...- respondo, na maior cara de pau...
A impressão que se dá é que é um pecado, uma afronta, uma aberração o fato de gostar de ficar só e curtir a solitude. Parece que é correto ser um baba ovo, um interesseiro, se casar com segundas intenções. Acho que nesse caso a parte financeira seria a primeira intenção mesmo...
o amor é lindo...
Sempre fui assim, e acho que sempre serei. Posso ter perdido algumas oportunidades na vida por causa disso, mas não perdi a minha liberdade, que não tem preço.
Não consigo mais enxergar uma luz no horizonte, uma solução para esse meu problema no pé. Até arrisquei a jogar na mega sena, mas esse concurso é engraçado: sempre acumula vários sorteios, para, no final, uma única pessoa sair ganhando...
Essa situação é uma bola de neve. Primeiro foi a articulação do hálux do pé esquerdo. Agora é uma fratura no hálux do pé direito, por andar incorretamente. O joelho dói um pouco, principalmente na hora de subir uma escadaria. O tornozelo sofre pra caramba, e os tendões também, já que não consigo fazer a passada completa e correta. Também sinto que as fíbulas podem a qualquer momento apresentar algum tipo de problema. (já estou quase virando um especialista em ortopedia, de tanto pesquisar o assunto na internet...)
Como não vejo solução, pretendo de qualquer jeito fazer os 910km restantes do Caminho da estrada real que ainda não fiz. Não irei olhar para o futuro, coisa que sempre fiz na minha vida. E fui feliz até hoje vivendo desse jeito Provavelmente irei detonar muita coisa nas minhas pernas, afinal estarei andando uma boa distância e com cerca de 11kg nas costas, num sobe desce danado que são os caminhos da minha querida Minas Gerais. Mas nem por isso vou deixar de fazer o que gosto e no que acredito para ser feliz. E também sempre cumpri minhas promessas, e fazer os quatro caminhos da estrada real é uma delas. Missão dada é missão cumprida.... Nem que seja de muleta irei fazer essa caminhada quando passar o período das chuvas.
Essa postagem não é uma reclamação, pois sempre assumi os riscos de minhas escolhas. Não reclamo da minha situação financeira atual, tendo que gastar quase metade do meu salário para pagar um aluguel em um quartinho, cercado de pessoas que não sabem respeitar o sono alheio. Que me desculpem os funkeiros educados, mas onde me mudo sempre tem vários para perturbar o ambiente. Sem contar os traficantes e usuários de drogas. Sinto que estou atraindo esse tipo de gente aonde eu vou. Já me mudei várias vezes e sempre é a mesma coisa O local parece um convento quando dou uma olhada, mas, meses depois aparecem os desconhecedores do fone de ouvido para me azucrinar.
Não reclamo de minha situação financeira pois foi o caminho que escolhi, ser operador de som em firmas pequenas, para poder me divertir e viajar pelas festas principalmente no interior de Minas Gerais. E também tive o prazer de conhecer boa parte da Bahia, Espírito Santo, e as lindas cidades de Recife e João Pessoa.
Conheci essas lindas cidades sendo eu mesmo, sem bajular ou fingir ser uma outra pessoa. E isso para mim não tem preço. E era um prazer enorme operar uma mesa de som, fazendo parte, mesmo que de forma indireta, da alegria das pessoas, pois, afinal quem tem que aparecer são os cantores.
faz parte do meu ser a liberdade quase que total de ser o que sou...
Ainda hoje em dia muitos pensam que o ciclo do ser humano é nascer, crescer, casar, se reproduzir e depois morrer. Na minha opinião é nascer, crescer, ser o que é de verdade e aí sim depois ir dessa pra outra. Casa quem quiser casar e também creio que devemos ter responsabilidade na hora da reprodução, pois hoje em dia devemos infelizmente analisar certas coisas com frieza, pois o dinheiro conta muito, pois temos que procurar dar as melhores condições para nossos futuros filhos crescerem sem os paparicarem muito.
Você não é casado? Ainda é solteiro? Mora sozinho? Noto um pouco de espanto nas pessoas quando me fazem estas perguntas..
Mas gosto e desejo a liberdade da solidão. Gosto de não ser compreendido, pois me sinto um pouco escravizado quando sou totalmente compreendido.
Vantagens de morar sozinho
Gosto de morar só, gosto de beber água na garrafa, gosto de morar só pois não me sinto bem prendendo os meus gases, quero ter o direito de ir e vir para onde bem entender e na hora que quiser. Uma das piores perguntas que me podem fazer é: "Aonde você vai?"....
Quero ter o direito de ficar calado, ser um pacato cidadão que gosta de passar a maior parte do tempo em seu quarto. Até um serial killer tem o direito de ficar calado quando é preso em flagrante.
Muitas namoradas que tive reclamavam que eu era um cara muito calado, mas o silêncio para mim é quase que sagrado.
Quero andar pelado pela casa nos dias de calor, sentir o ventilador e não me preocupar se alguém acha o meu bilau pequeno ou normal.
Quero deixar as coisas desorganizadas, e na organização da minha bagunça saber onde está tudo o que preciso. Essa confusão nem sempre funciona, tem dias que não consigo achar nada, mas já até achei dinheiro que havia perdido dentro do meu próprio quarto.
E na hora de dormir não quero ter a preocupação se estou puxando demais o cobertor para o meu lado, ou se estou empurrando minha companheira para fora da cama. Às vezes minhas noites são agitadas e não gostaria de ter que acordá-la toda hora.
Quero ficar só pois não quero engordar como a maioria dos casais. Não sei por que a maioria das pessoas quando casam engordam. Não sei se é acomodação por ter um parceiro (a) garantido (a) ou pelo metabolismo ficar um pouco lento com o passar do tempo. Ou até mesmo por que a companheira faz uma boa comida.
Mas acredito que seja a primeira opção a maior causadora das gordurinhas indesejadas. Os homens deixam de praticar esportes com os amigos, as peladas do meio de semana ficam para segundo plano, e mal mal jogam a pelada do final de semana ou então vão ao estádio de futebol no domingo, tomando algumas cervejas. Já as mulheres deixam de fazer a caminhada com as amigas?
Mas por que os casais não fazem uma corrida juntos? O sexo depois de uma boa caminhada é até mais prazeroso, pois as pessoas estão mais relaxadas e o homem não fica com tanta pressa. Quem tem ejaculação precoce deveria experimentar fazer uma "pequena" caminhada de 40km, garanto que iria demorar um pouquinho mais para chegar aos "finalmente"....
Mas a principal vantagem de morar sozinho é a liberdade de sermos nós mesmos. De ficarmos mal humorados quando estamos de verdade mal. De cantar alto a música que gostamos, de não ter receio de ficar trocando de canal toda hora.
Obviamente existem desvantagens de morar sozinho. Claro que uns carinhos, uns chamegos fazem falta. Uma massagem, uma boa conversa, sou um cara sapiosexual, pois o que mais me atrai em uma mulher é a inteligência. Não me considero um cara inteligente, sou apenas um cara esforçado e que sempre tentou se cercar de pessoas inteligentes e aprender um pouco com elas. E também me entreter com coisas assistíveis....
Mas me analisando, cheguei à conclusão de que a melhor companhia para mim é "eu" mesmo. Convivo bem com os meus pensamentos quando estou à noite deitado com a cabeça no travesseiro. Fico sozinho quando estou em meio à multidão...
E assim vou continuar vivendo e lutando pela minha liberdade. Mesmo que custe a minha vida...
Sinto que em minhas veias corre o sangue dos indígenas nativos, que preferiram a morte do que servirem aos portugueses....
O blog já tem cinco anos de existência. De lá para cá muita coisa mudou, inclusive alguns conceitos e conhecimentos meus também. Afinal, prefiro ser uma metamorfose ambulante...
As postagens iniciais eram de uma pessoa "novata" no ramo da esquizofrenia, buscando respostas para essa condição que nem sempre encontramos nos consultórios de psiquiatria e psicologia.
Ainda sei pouco sobre a esquizofrenia, mas ela já não é mais um grande mistério em minha vida. Me lembro que no início dos surtos acreditava se tratar de algo puramente espiritual, e ficava pulando de igreja em igreja, na frustrada tentativa de achar uma solução para essa situação. Mas, sempre quando ia na frente do púlpito na chamada do pastor para a oração, mil caíam à minha direita e dez mil à minha esquerda, mas eu não caía de jeito nenhum... O engraçado nessas "caídas" é que boa parte que reparei caíam de uma maneira que não machucassem a cabeça, igual o seu "Barriga" cai quando leva uma porrada do Chavez.. Ou então sempre tinha alguém no local e hora exata para segurar a pessoa supostamente possuída pelo tinhoso...
Nesses cinco anos de blog a minha reação ao natal também mudou. No início ainda acreditava que o natal fosse sinônimo de felicidade, paz, harmonia, etc... Se não estávamos felizes, tínhamos que encontrar um jeito de disfarçar e achar um sorriso no rosto para desejar um feliz natal à todos os nossos conhecidos.
Na época do começo do blog estava começando a aprender a usar um PC e boa parte do que assistia vinha da programação da TV aberta, que, nessa época do ano não fala sobre outra coisa a não ser o natal e suas festividades.
A TV aberta me obrigava a pensar que natal era sinônimo de felicidade, alegria, que era obrigado a ter grana para sair distribuindo presentes à todos os meus conhecidos.... Confesso que me sentia deprimido e um pouco culpado por não ter tido sucesso financeiro para presentear todas as pessoas que conhecia e que queria bem. Ficava sem graça em poder apenas desejar um feliz natal. E ficava mais sem graça ainda quando no amigo oculto ganhava um presente super bacana e dava uma lembrancinha meio sem graça. shasuashuashasuahs (hoje posso rir, mas na hora era complicado pra caramba...)
Natal na TV também é sinônimo de comilança desenfreada. Me sentia mal também em ir à padaria durante o natal e pedir um simples pãozinho com manteiga e um cafezinho bem quentinho. De querer comer um bom filé com fritas. Os programas matinais da TV aberta passam boa parte ensinando todos os anos a fazer rabanetes e outras delícias para serem comidos nesses dias. Mas, foda-se as datas, me empanturro quando quero, como chocolate quando meus níveis de serotonina estão baixos e não por que é páscoa. Só para constar e só para contrariar, não costumo comer chocolates nesta data...
Minha felicidade, bem estar ou alegria não está condicionada à datas. Me sinto feliz quando estou bem fisicamente e mentalmente. Estou feliz quando estou em paz. Estou feliz quando estou morando em um lugar tranquilo e onde as pessoas se respeitam.
Ficaria mais feliz se abrisse as páginas na web e visse menos injustiça e violência. Se visse menos gente do mal se dando bem...
Antes de conhecer a internet ficava horas e horas grudado na TV aberta e me sentia mal nessa época do ano. Afinal, são quase 24 horas por dia nos lembrando que é natal, que temos que ir ás compras, que ninguém pode ficar sem presente. Os programas falam que é natal, os comerciais também. Não tem como escapar. A TV sempre quer nos lembrar que essa época é de paz, alegria, harmonia entre os povos. Já no dia 26 tudo vai voltando normal aos poucos, como se fosse possível desligarmos da realidade, como se houvesse um interruptor em nossas mentes. Mas a campanha é tão forte que algumas pessoas conseguem fazer isso...
Hoje em dia uso mais a internet para me entreter, e assim pouco sou lembrado de que é natal e que tenho que ser solidário e feliz.
Hoje escolho o que assistir e a hora que tiver vontade aperto o play no reprodutor de vídeo.... Quando estava nas minhas andanças, foi possível economizar grana para comprar uma TV LCD e um notebook e assim ver o que quiser na hora que desejar. Bendito cabo HDMI!!!
Este ano essa data está passando tão desapercebida que me assustei ao olhar a data no pc e constatar que já estamos na véspera do "aniversário de Jesus Cristo...
Tento ajudar as pessoas quando posso, independente se é natal, procuro ter esperanças sempre, mesmo se não for ano novo... Procuro ser feliz mesmo se não for carnaval...
Mas também não sou radical, não sou contra as confraternizações de fim de ano. Acho legal as pessoas se reunirem, afinal fim de ano é fim de ano. Principalmente acho válido nas empresas essas festas, afinal nem todo ambiente de trabalho é um ambiente legal, as pessoas têm que manter uma certa discrição e um ar sério.
Nas minhas postagens anteriores sobre o natal chamo o mês de dezembro de "deprembro", pois a mídia me impunha a condição de ser feliz por causa do natal. E ficava desolado por não me sentir como boa parte das pessoas se sentiam, ou tentavam se sentir...
Hoje ficaria feliz o ano inteiro se não houvesse e visse tanta corrupção, se fosse atendido dignamente em um posto de saúde, se pudesse andar tranquilamente pelas ruas depois de comprar um celular razoável....
Se fosse obrigado a mandar uma cartinha ao papai noel ela seria mais ou menos assim:
"Caro Papai Noel, no dia 24 não precisa passar aqui em casa não, pois o presente que quero não cabe em uma simples meia. Você já está um pouco idoso e cansado e poupe o trabalho de suas renas.
O presente que gostaria de ganhar é um mundo mais justo, onde os maus e aproveitadores não se dessem tão bem. Que os políticos safados fossem todos presos. Que os traficantes entrasse em falência e fossem presos, por não terem clientes em busca de alívio de suas dores existenciais com drogas. E também acho que não fui bonzinho o suficiente para merecer o seu presente"...
Então, além de boas festividades, gostaria de desejar à todos os leitores do blog muita saúde, paz, energias positivas. Gostaria de desejar não somente um feliz ano novo, e sim feliz todos os dias de 2019, 2020, 2021...
Obs: estou sempre postando aqui no blog, nem sempre divulgo o que escrevo nos grupos do face, para não torrar a paciência de todo mundo...
Esta música achei por aí no youtube, claro que não quero matar o papai noel, mas a letra é bem interessante...
Como já fiz duas postagens sobre o dia dos namorados, resolvi, assim de sopetão, fazer esta postagem sobre o dia das crianças Não irei guardar para tentar melhorá-la depois. É mais uma de minhas publicações malucas e inesperadas, como quase sempre foi tudo em minha vida. Se postei sobre o dia dos namorados sem ter uma namorada (qui dó qui dó...) por que não postar sobre algo que está dentro de todos nós?
A maioria das minhas postagens é assim mesmo. Parece que baixa um santo em mim e vou meio que psicografando a coisa, com caneta e caderninho. Sinto que fico mais inspirado escrevendo mesmo, quando uso o PC não consigo recordar dos fatos com tanta clareza.O difícil é entender o meu garrancho, para jogar no word depois e dar uma revisão em possíveis erros de português. Dessa vez nem no word poderei jogar, pois instalo e desinstalo tantos programas no meu pc que ele ficou tão bugado que nem o word está aceitando mais e terei que confiar no meu parco conhecimento da nossa língua pátria
Às vezes bate uma ou outra ideia para complementar a postagem também. Outras já nem cheguei a publicar, guardando-as ou então excluindo-as. E foram as postagens em que mais tempo dispensei para fazê-las. Muitas vezes cheguei a me surpreender ao reler algumas postagens que fiz de sopetão, de tão interessantes que ficaram. Já as que gastei mais tempo normalmente não achei muito legal não. Acho que nem vou curti muito esta publicação, mas não poderia deixar aqui de falar sobre o dia das crianças, nesse momento em que vivemos, onde o ódio está dominando tudo, não somente o mundo virtual como o real mesmo. Considero o mundo virtual apenas uma extensão da própria pessoa, pois não é a internet que faz as pessoas ficarem ruins ou boas, são as próprias pessoas que acabam tornando a web um mundo hostil. O que pode acontecer é ficarmos contaminados com o ódio e o preconceito que está rolando nas redes sociais. Já entrei em muita discussão boba, mas hoje em dia estou sabendo filtrar melhor o meu conteúdo da timeline.
minha única recordação em papel de minha infância, perdi as minhas fotos no meu primeiro surto psicótico.
Mas o que seria essa criança interior? Será que teríamos que sair por aí brincando de esconde esconde para ressuscitá-la de dentro de nós? Não é bem assim, falo criança no sentido de nos livrarmos de todo o mal que está presente nesse mundo conturbado em que vivemos. Falo das boas qualidades da criança, como a sinceridade, a alma leve, a espontaneidade.
É difícil, chegando quase a ser impossível termos esse nível de não maldade em nossos corações. Se somos inocentes e bonzinhos, certamente que não faltarão espertalhões querendo se aproveitar de nossa bondade. Então sejamos uma criança esperta, sabendo distinguir quem está querendo se aproveitar de nossa criança interior. Sejamos uma criança madura, sabendo o momento de se divertir e brincar, e também o momento de levar as coisas a sério. Tem muita criança de idade cronológica mais madura do que muitos adultos por aí.
Não poderia de mencionar o termo esquizofrenia, é claro. Já ouvi dizer por ai que a esquizofrenia é a negação da realidade. Talvez essa negação seja sim um componente em algumas esquizofrenias, pois geralmente ela acontece durante a transição do mundo adolescente para o mundo adulto. E não é fácil começarmos a conhecer a pesada realidade do mundo adulto. Confesso que no meu caso demorou bastante até conhecer bem a maldade humana. Mais vale um joelho ralado do que um coração partido...
Não foi e acho que não será raro o momento em que me vejo relembrando minha infância, e em muito desses momentos me bateu uma imensa vontade de que o tempo parasse exatamente naquela época, entre os oito e doze anos de idade, em que a minha preocupação principal era saber quem levaria a bola para a rua, para podemos dividir os times e começar a brincadeira.
De uma hora para outra veio em minha mente essa música, Até a tinha esquecido por completo. Não baixei e transferi para o meu celular e nem para o notebook, pois confesso que ela toca a gente lá no fundo do coração.Dá uma nostalgia que nem sempre é bom ter. Parece que a autora da letra sabia exatamente o que se passava em minha mente quando relembrava e relembro ainda os bons momentos da minha infância.
Queria escrever mais algumas linhas, mas a letra dessa música já diz tudo...
Era uma vez
O dia em que todo dia era bom
Delicioso gosto e o bom gosto das nuvens
Serem feitas de algodão
Dava pra ser herói no mesmo dia
Em que escolhia ser vilão
E acabava tudo em lanche
Um banho quente e talvez um arranhão
Dava pra ver, a ingenuidade a inocência
Cantando no tom
Milhões de mundos e os universos tão reais
Quanto a nossa imaginação
Bastava um colo, um carinho
E o remédio era beijo e proteção
Tudo voltava a ser novo no outro dia
Sem muita preocupação
É que a gente quer crescer
E quando cresce quer voltar do início
Porque um joelho ralado
Dói bem menos que um coração partido
É que a gente quer crescer
E quando cresce quer voltar do início
Porque um joelho ralado
Dói bem menos que um coração partido
Dá pra viver
Mesmo depois de descobrir que o mundo ficou mau
É só não permitir que a maldade do mundo
Te pareça normal
Pra não perder a magia de acreditar na felicidade real
Estou algum tempo em silêncio e algumas pessoas que acompanham o blog chegam a me perguntar o porque de não estar publicando mais com certa frequência. Bem, são vários motivos que me levaram à essa ausência de postagens:
1-Creio que a falta de paz no local onde moro seja o principal motivo. A falta de respeito ao sono alheio me incomoda demais, não sei se mais do que deveria. Mas gostaria apenas que as pessoas respeitassem o meu sono assim como respeito o sono dos outros. Sem um sono razoável minha saúde física e mental vão pro espaço. Sem contar os xingamentos durante o dia, palavrões impublicáveis durante o dia inteiro, ameaças, e outras palavras que para mim trazem uma energia negativa. Claro que não sou santo, às vezes falo palavrão, principalmente quando me machuco, mas daí para se tornar palavras comuns no dia a dia é uma longa distância...
2-Falta de assunto- Este também é um motivo importante. Afinal são quase cinco anos de blog, 268 postagens (algumas até boas, outras nem tanto, e outras nem tenho tanta coragem de ler...). Se é para ficar postando merda melhor nem postar né? Mas sempre estou entrando no blog para responder às dúvidas e comentários das pessoas, o qual faço com o maior prazer. Os posts mais visitados são sobre os medicamentos, mas garanto que irão achar muita coisa boa no meio dessas quase 300 postagens, principalmente as crônicas, em que falo sobre assuntos banais e do nosso cotidiano.
no final da página é possível pesquisar o blog através dos "marcadores"...
Até que ultimamente o local onde moro voltou a ser um local tranquilo de se morar, após a saída de um dos "badernistas". O "badernista" remanescente parece estar um pouco amuado, pois no momento não há um outro badernista no local para ele conversar, e a proprietária não está permitindo muito a entrada de visitantes, evitando assim que a laje acabe se tornando um maconhódromo. Maconhódromo tem acento? Depois dessas reformas gramaticais, agora nem o google resolve.. E se não tiver no dicionário, podem me considerar o criador dessa designação de locais aonde se pode pitar a erva danada sem ser incomodado.
Com essa tranquilidade, pude enfim ter algumas noites tranquilizantes e revitalizantes. Ouvir o som do silêncio por alguns minutos também me ajuda e muito no equilíbrio físico e emocional. Estou mais disposto, calmo e tranquilo. Estou tão animado que resolvi escrever esta postagem que fala sobre os meus domingos atuais. Confesso que cheguei a pensar em comprar uma barraca e me enfiar no meio do mato por alguns dias...
Quando criança não gostava muito dos domingos: não tinha aula (não que gostasse das aulas, gostava sim do recreio, de fazer bagunça na sala, etc...), os colegas do bairro iam nadar nos clubes com suas famílias,iam ao zoológico ou em parques. E eu ficava em casa, esperando a tarde chegar para assistir ao jogo do meu time de coração, que passei a torcer desde os oitos anos de idade e que não irei falar no blog qual é, para evitar divergências, pois sei que o meu time é o melhor do Brasil e que só está passando por uma "fasesinha" ruim e está sem conquistar um grande título desde 2009. A copa do Brasil de 2013 não conta não.
Depois que comecei a trabalhar como operador de som domingo passou a significar dia de trabalho, e o dia de dormir o dia inteiro passou a ser a segunda feira. Fim de semana e feriado eram os dias que mais trabalhava. Trabalhei até no natal algumas vezes, comendo hambúrguer de ceia... Mas não é uma reclamação, pois se existia algo que eu gostava de fazer era trabalhar como operador de som. É um desejo meio esquisito, é algo parecido como juiz de futebol: só aparece quando algo dá errado, quando o som está ruim, quando tem microfonia e outras coisas mais. A banda pode ser ruim, o cantor desafinado, mas a culpa é sempre do operador de som. Mas era um prazer quando regulava o som e saía tudo certinho. Me sentia um regente de uma ópera, apesar de ninguém estar percebendo, afinal só estava fazendo a minha obrigação. Era cada situação que daria um livro para contar essa vida de um operador de som.
E os meus domingos atuais? Para um aposentado e fóbico social o domingo é apenas mais um dia da semana, como todos os outros. Na minha situação é um dia que não gosto muito, pois o restaurante popular fica fechado e aí tenho que gastar uma grana a mais para almoçar. Cheguei a pensar em ir aos domingos em locais de doação de comida que ia quando estava morando nas ruas, devido ao meu surto psicótico, mas prefiro ficar em casa mesmo.
Quando me mudei para o endereço atual, passei a adotar a seguinte estratégia aos domingos: me empanturrar de rocamboles e outras besterias na padaria na parte da manhã e voltar a cochilar e acordar somente na parte da tarde, para assistir ao jogo de futebol no domingão. A digestão era tão lenta que me sentia uma cobra após comer um boi... O restante do dia passo e acho que ainda vou passar por um bom tempo na frente do notebook, no facebook, visualizando os vídeos de animais, lendo as páginas sobre saúde, sobre como abaixar os triglicerídes e outras coisas mais que todo bom hipocondríaco gosta de ler, sobre as doenças que ele tem e as que imagina ter, sobre as bebidas e chás milagrosos que prometem nos dar a saúde em 30 dias, etc...
De tarde comia um ovo cozido (ovo frito é complicado de se fazer...) e depois comia alguma fruta. E me sentia bem assim, pois era um dia da semana em que tinha o menor contato possível com os seres humanos....
Mas na segunda feira não me sentia bem, uma bambeza nas pernas, uma fraqueza... Então decidi voltar a almoçar de verdade no centro da cidade aos domingos: 3km para ir e mais três para voltar, não é longe para quem foi a pé de Ouro Preto até Paraty pelos caminhos da estrada real.
E, para a minha surpresa, o trecho do centro pelo qual tenho que seguir no domingo praticamente é vazio, e o contato com as pessoas é quase nulo, ao contrário dos dias da semana, em que temos que ficar nos desviando das pessoas que andam em um ritmo mais lento do que o meu. Como bom fóbico social ando muito rápido pelo centro, a fim de retornar para o meu cantinho da paz. Creio que no domingo 99% das pessoas que estão no centro de Belo Horizonte estão concentradas na Avenida Afonso Pena, frequentando as barraquinhas de comida e artesanato da famosa e tradicional feira hippie de BH.
feira hippie de BH, vista do alto de um prédio na Av. Afonso Pena.
Agora vou ao restaurante, faço a minha refeição com tranquilidade, e me sinto melhor fisicamente, pois querendo ou não, um dia sem os nutrientes do arroz e feijão fazem uma falta danada ao nosso organismo. Quando não estava dormindo bem devido aos badernistas, me sentia tão cansado que o simples ato de teclar era um sacrifício e tanto, sem contar que não aparecia nada de interessante para postar por aqui no blog. Espero que venham mais dias assim...
Este é um blog sem fins lucrativos, didáticos, ou outro motivo parecido qualquer. Se estou ajudando as pessoas com as minhas divagações, me sinto muito feliz por causa disso e isso me motiva a continuar nessa luta para que um dia esse distúrbio chamado esquizofrenia seja visto com outros olhos pela sociedade.
Há alguns anos atrás, uma pessoa me enviou um email com uma proposta para que eu escrevesse algo para ela, (talvez artigos) sobre vários temas Recusei e agradeci. Recusei, pois desde pequeno sempre gostei da liberdade. A liberdade de pensar, de agir, enfim, de ser eu mesmo. E de poder escrever o que tenho vontade de escrever, é claro. Tudo isso, além de tudo, é uma ótima terapia para mim. Todo mundo deveria experimentar fazer um tipo de terapia que lhe agrade, independentemente ou não de ter algum tipo de transtorno mental.
Então esse blog não tem muitas regras, os títulos podem parecer um pouco estranhos, as postagens mais ainda. Não me preocupo muito com os títulos e os motores de busca do google. Posto o título que aparece logo em minha mente. Assim também são as postagens, parece que baixa um espírito em mim e eu saio "psicografando" tudo no caderno. Faço apenas uma ou duas pequenas revisões para ver se o texto está "entendível" e depois jogo no word para corrigir alguns erros de português. Até hoje me espanto quando alguém me diz que escrevo bem.
Mas então por que esse título desta postagem? Qual a relação de ser rockeiro com a violência de hoje em dia? Na minha opinião, nenhuma, mas talvez para alguns isso possa ter tenha alguma relação meio que surpreendente.
Vou tentar explicar. Na década de 80, com o “advento” do primeiro Rock in Rio, as pessoas que curtiam um som pesado passaram a serem conhecidas por “metaleiros”, graças a influência midiática da poderosa rede globo. Oras, metaleiro é quem trabalha na usina siderúrgica, ou quem trabalha com panelas de aço, etc.... Mas, depois daquele Rock in Rio no Rio de Janeiro tudo mudou. Digo Rock in Rio na cidade maravilhosa por que o evento foi um sucesso tão grande que agora tem rock in rio até em Portugal (não duvido que já tenha até na China!).
Então, depois disso tudo, os rockeiros passaram a serem conhecidos como metaleiros e rotulados como pessoas que não eram muito chegadas ao “furadinho” (chuveiro), que andavam sempre sujos, com roupas rasgadas e que também eram chegadas nas coisas do “tinhoso”.
Metaleiro, naquela época, era sinônimo de cachaceiro, drogado, pervertido, etc...
Comecei a virar rockeiro por influência de um amigo de escola, que era muito inteligente. Não éramos os nerds da sala, nem os mais comunicativos e engraçados, na verdade não nos encaixávamos em nenhuma tribo da turma: a dos mais inteligentes, a dos mais bagunceiros ou a dos mais comportados. Enfim eram uns quatro ou cinco caras que só sabiam falar de rock e outros assuntos diferentes do resto da turma. Ele me apresentou o som pesado das bandas daquela época: Scorpions, AC DC, Black Sabbath, etc...
Então passei a adolescência curtindo esse som visceral, e, para me sentir um “metaleiro” de verdade, comecei a deixar o cabelo crescer, a andar com calças jeans rasgadas e com aqueles braceletes que mais pareciam coleiras de cachorro cheia de espetos. E, claro, não podia deixar de andar com camisa preta com caveira estampada. Sempre pensava que, para ser considerado no meio da turma dos rockeiros, tinha que necessariamente ter cabelo grande. Me sentia um intruso na turma quando tinha cabelo curto e ficava no meio da galera rockeira aqui de Belo Horizonte.
na minha cabeça todo rockeiro tinha que ter necessariamente cabelos grandes
E comecei a beber também, ou melhor, a fingir que bebia e também a fingir que estava bêbado. Na minha cabeça metaleiro para ser metaleiro de verdade tinha que beber, e muito.. Tinha que ser muito doido, esses lances ai, né? Mas meu estômago não era muito forte para bebidas destiladas e quase sempre devolvia tudo o que bebia. Ficava arrepiado só de sentir o cheiro daquelas cachaças baratas de supermercado. Acho que a única coisa que a bebida fez de bom em mim foi expulsar uma lombriga enorme que habitava o meu intestino. A cachaça que serviam aos metaleiros na Savassi era tão ruim, mas tão ruim que vomitava tudo em pouco tempo e nem a lombriga aguentou e resolveu dar o fora do meu estômago, dando um salto mortal assim que abri a boca depois de beber uma cachaça bem amarga de um barzinho na Savassi, o bairro onde a noite é bem agitada aqui na capital mineira.
Na verdade nem sei se esse fato é verídico ou não, pois, das poucas vezes em que consegui beber muito, tive uma espécie de amnésia e não conseguia me lembrar de nenhum fato da noite anterior.
- Nossa, ontem você estava doido demais cara!-me falavam...
- É que eu tava "chapado" demais...- tentava explicar.
E essa desculpa de estar chapado eu também dava quando fazia um teatrinho e fingia estar bêbado, assim tinha um pretexto para extravasar e colocar todas as minhas "loucuras" para fora. Me lembro que ganhei dois pares de ingresso de uma produtora de teatro, pois havia feito um discurso em prol da cultura, me fingindo de bêbado, é claro. Mas, ela, acho que por entender de teatro, sabia que eu estava "de cara", mas gostou tanto da minha atuação que resolveu me contemplar com o par de ingressos.
O movimento heavy metal em Belo Horizonte na década de 80 e 90 foi muito forte mesmo, uma referência nacional. Dizem que esse movimento foi o mais influente de todo o país. Algumas bandas aqui da capital mineira fizeram e ainda fazem muito sucesso no exterior. Vide a banda Sepultura, que é mais conhecida lá fora do que em nosso próprio país.
Me lembro como se fosse hoje daquele tempo, da turma do rock que se encontrava na Savassi, aqui em Beuzonte. A Savassi era o point dos mauricinhos e patricinhas de BH, só caras com roupas de marca, lindas garotas, carros luxuosos, etc. E aquela galera de preto no meio. Não éramos bem recebidos nos bares, um ou outro que aceitavam nos vender alguma bebida. Mas a verdade é que não consumíamos quase nada, sempre fazíamos uma vaquinha para comprar umas garrafas de cachaça barata no supermercado e ai íamos ao bar para tomar com coca cola. Era muito ruim, mas eu tomava, para fazer parte da turma e não ser chamado de careta.
Já chapados, pegávamos um ônibus até o alto da avenida Afonso Pena, para escalar a serra do curral, o ponto mais alto da capital mineira. Só tentei fazer isso uma vez, mas, como estava um pouco bêbado e escorreguei, tive que voltar, pois alguns trechos são perigosos para se escalar de noite.
Éramos temidos e um pouco rejeitados pela sociedade na época. Imaginavam que éramos satanistas, pervertidos, etc. Mas posso dizer que os caras eram pessoas comuns, adotavam aquele visual mais como uma maneira de protesto mesmo, sei lá. No meu caso foi uma forma de dizer que era diferente mesmo da maioria das pessoas. Claro que existem bandas que se dizem satanistas, com letras dedicadas ao "tinhoso", mas creio que isso seja mais uma estratégia de marketing. Quem é realmente chegado no “demo” prefere manter o anonimato. Aliás até hoje não vi coisa mais demoníaca do que um baile funk...
Esse documentário abaixo fala um pouco como foi o movimento metal aqui em BH. Alguns vídeos podem ter algum tipo de problema e não serem visualizados aqui no blog. Caso este problema aconteça, é só clicar no link abaixo do vídeo que poderá assisti-lo no youtube.
Resolvi ser rockeiro não por influência da mídia. O som das guitarras distorcidas, ao contrário do que a maioria pode pensar, me acalma e me dá energia na hora de fazer uma caminhada ou uma pequena corrida. O nome já fala tudo, guitarra elétrica, nos dá energia. No meu caso em particular só não me sinto bem ouvindo rock quando estou andando no meio da multidão e com mania de perseguição, ai, nesse caso, procuro escutar algo mais relaxante mesmo.
Também acho que desde pequeno tenho essa mania de não seguir as tendências, sou da turma do só para contrariar mesmo. Na época o que rolava nas rádios era o som do Michael Jackson que estava no auge. Não adiantava fugir, em qualquer lugar se ouvia as músicas dele, apesar de ainda não haver esses carros com sons superpotentes. Era no bar, na escola, no vizinho, sempre tinha alguém ouvindo no radinho ou naqueles sons 3x1 o som do rei do pop. O engraçado é que, hoje em dia tenho algumas músicas dele no meu cartão de memória e ouço numa boa.
Mas, voltando ao título da postagem, o que o rock tem a ver com a violência dos dias atuais?
Hoje em dia, no Brasil, quando menos “emperiquitado” você andar, melhor é. Nas grandes cidades não se pode nem mais acessar o celular no centro. Até andar com réplicas está sendo perigoso, já que são bem parecidas com os produtos originais.
Me lembro que, quando tinha uns 17 anos, quase sofri um assalto. Não passou de uma simples tentativa de assalto graças ao meu visual de “metaleiro” que adotava naquela época. Quando os quatro carinhas me abordaram “pedindo” uma grana, não tive dúvidas em mostrar a minha velha calça jeans rasgada e o meu velho tênis.
- Olha a minha situação cara...
Os meliantes, ao olharem minhas vestimentas demostraram um olhar de desânimo e piedade, só faltando me dar uns trocados para tomar umas cachacinhas...
Estou morando há quase dois anos aqui em Belo Horizonte. Procuro andar da melhor maneira possível, dentro das minhas possibilidades, é claro. E já notei que alguns caras tentaram se aproximar de mim de uma forma estranha, já que geralmente ando distraído pelas ruas ouvindo músicas no fone de ouvido na maior altura. Isso serve para me desconectar do mundo, diminuindo assim as minhas paranoias e as chances de pensar que estou ouvindo alguma voz. Com certeza tentaram se aproveitar da minha distração para levar o meu celular, mas, não sei o que acontece, geralmente sinto a presença de alguém se aproximando e assim o meliante fica sem reação.
Por falar em celular, detesto os modernos, esses de toque: a bateria acaba rapidamente, não pode cair no chão, a tela arranha, e é difícil pra caramba para digitar. E sem contar o medo que adquirimos de ser assaltado quando andamos com um celular desses no bolso.
Por causa dessa situação é que me lembrei do meu visual de metaleiro que adotei na minha adolescência. É uma boa tática para não ser importunado por esses meliantes. Dá vontade até de deixar crescer não só o cabelo, mas a barba também, para ficar com cara de mau. E, claro, voltar a andar com as velhas calças jeans rasgadas. Ah! E a camisa preta, de preferência com uma enorme caveira estampada na frente.
Infelizmente hoje em dia está sendo melhor ser confundido com um meliante e correr o risco de levar uma geral da polícia do que ser “abordado” pelos bandidos que estão infestando as ruas das grandes cidades. Ser confundido com um meliante faz com que o próprio meliante nos reconheça como um concorrente e não como uma vítima em potencial.
Mas, como disse no início, o blog é um blog estranho, despretensioso, sem fins didáticos. Essa foi apenas mais uma de minhas postagens malucas, que começa com um tema e vai passando por outros. Mas ser rockeiro não é uma moda, não é um modo de se vestir. É sim um estado de espírito, é ter atitude e personalidade. É saber sentir a música, pois o rock tem notas musicais sim, ao contrário de “alguns estilos” E, além das notas, tem conteúdo sim, basta olhar e analisar algumas letras das principais bandas desse estilo que marcou e ainda marca gerações inteiras.
Dizem que os rockeiros são mais inteligentes, várias pesquisas apontam isso. E quem sou eu para duvidar dessas pesquisas....
vocalista do Metallica no show e durante um passeio no shopping...
E dando uma canja na apresentação de sua filha....
E ser rockeiro não quer dizer ser radical, o rockeiro também ouve outros estilos, tem sua maneira de ser vestir e tem personalidade própria e única. Rótulos são criados para desunir as pessoas,
classificando-as, assim como fizeram com os metaleiros.
O dia do rock é comemorado oficialmente no dia 13 de julho. Mas é apenas uma data simbólica, sendo comemorado mesmo no Brasil. Afinal todo dia é dia de rock, de música, independente de estilo, mas desde que tenha notas musicais e letras que te fazem pensar ou refletir, e, por que não, simplesmente nos divertir.
Abaixo o som de uma das minhas bandas prediletas, Dream Thater, que é um metal progressivo, com sons de teclado misturados com os de guitarras distorcidas. Mas tem metal e rock para todos os estilos: o próprio heavy metal, o speed metal, o black metal, o power metal, e tem até as músicas românticas também, falando de amor, pois rockeiro também ama e namora como qualquer ser humano...
tem até igreja evangélica que usa o heavy metal durante os cultos