Para muito final de ano é quase um sinônimo de deprê. E para você?
Mais um ano que se passou voando. Pesquisei no google sobre o assunto e achei nos resultados de busca que o tempo costuma passar mais rápido à medida que envelhecemos. Não sei se isso procede, me lembro quando tinha 22 anos já tinha um pouco essa sensação. Uma evangélica amiga disse que era o fim dos tempos....
Só não ligava muito para o tempo quando era criança. Afinal o tempo era para brincar e se divertir, sem aquelas encucações de gente adulta. Às vezes me preocupava com o tempo, para que o natal chegasse logo para que eu pudesse abrir os meus presentes que cedo já sabia que era a minha avó que comprava....
Este ano senti que o espírito natalino não estava tão presente nas pessoas do meu cotidiano e nem daquelas que costumo ver nas ruas, nos supermercados, bancos, etc... Até o Roberto Carlos deixou de fazer o especial de fim de ano!!! Isso me faz ter certeza de que tudo isso não é uma mera impressão vinda de minha cabeça...
Não vi tantos enfeites de natal nas casas, nem aquelas lâmpadinhas nos jardins. Seria a crise econômica que estaria desestimulando esse espírito natalino? Ou o mundo atual em que vivemos é que está nos deixando cada vez mais longe daquela alegria, mesmo que passageira, de fim de ano?
Ou seria a desesperança de ver um mundo melhor?
No meu caso particular, isso pouco me afeta, pois há muito tempo que acho esse clima de natal uma falsidade sem limites. Não sou contra as confraternizações de fim de ano, afinal não somos de ferro e é legal fazermos uma festinha para celebrar mais um ciclo que se encerra, apesar de que sou contra condicionarmos nossas alegrias e tristezas às datas. Só acho mesmo lance de espírito natalino uma bobeira mesmo.
É válido os funcionários de uma empresa se reunirem, afinal foram 365 dias de trabalho juntos, tem os perrengues, às vezes brigas e discussões. Então nada demais em fazer uma festinha para confraternizar e celebrar tudo o que viveram juntos. Isso é válido também para as escolas, cursinhos, enfim, grupos de pessoas que possuem algo em comum.
Com as famílias também acho bacana se reunirem no fim de ano, pois nem sempre é possível todos se encontrarem por causa de trabalho, escola, etc... Então é bacana sim essa reunião familiar, mas, claro sem esse clima de natal que me soa e soará um pouco falso até o dia em que me provarem que Jesus Cristo realmente nasceu nessa data e que a igreja católica não se inspirou em festas pagãs para criar o natal....
Quem acompanha o blog deve ter vistos as minhas postagens antigas sobre o natal. Escrevo estas páginas desde o ano de 2012 e naquela época fim de ano era sinal de melancolia mesmo, tanto que costumava chamar o mês do natal de "deprêmbro"...
Era uma tristeza das brabas, tanto é que um dos meus surtos graves ocorreu em dezembro. Me lembro bem da data pois na carteira de trabalho consta o dia em que pedi demissão do meu trabalho pois não estava mais aguentando exercer minhas atividades com aquelas vozes na minha cabeça.
E a ânsia de que aqueles dias natalinos passassem rápido faziam com que o tempo demorasse ainda mais para passar.
Mas de alguns anos para cá não tenho mais esse sentimento de tristeza de fim de ano. Não sei se fui eu que mudei ou então o mundo à minha volta que mudou, não tendo mais aquele espírito natalino dos anos anteriores. Ou então as duas coisas juntos.
Este ano todos os meses passaram muito rápido para mim, inclusive o natal. O único incômodo que me causou o natal foram os feriados, em que tive que dificuldades de achar algum lugar aberto para fazer um rango. Pouco vejo a TV aberta, e nas poucas vezes em que liguei a tv sem estar na entrada HDMI os programas mostravam seus integrantes trocando presentes no amigo oculto...
A minha felicidade ou alegria não está condicionada à datas, está sim em ver um belo dia nascendo, um lindo pôr-do-sol, em contemplar a natureza, e em não ver tantas pessoas falsas e gananciosas se dando bem.
Minha felicidade é ter saúde física, mental e espiritual, em pequenas situações, como andar de bike e ter a consciência tranquila. E a liberdade de ser quem sou realmente, sem máscaras e personagens que muitas pessoas precisam criar.
Então, feliz todos os dias para todos os leitores do blog.
O blog já tem cinco anos de existência. De lá para cá muita coisa mudou, inclusive alguns conceitos e conhecimentos meus também. Afinal, prefiro ser uma metamorfose ambulante...
As postagens iniciais eram de uma pessoa "novata" no ramo da esquizofrenia, buscando respostas para essa condição que nem sempre encontramos nos consultórios de psiquiatria e psicologia.
Ainda sei pouco sobre a esquizofrenia, mas ela já não é mais um grande mistério em minha vida. Me lembro que no início dos surtos acreditava se tratar de algo puramente espiritual, e ficava pulando de igreja em igreja, na frustrada tentativa de achar uma solução para essa situação. Mas, sempre quando ia na frente do púlpito na chamada do pastor para a oração, mil caíam à minha direita e dez mil à minha esquerda, mas eu não caía de jeito nenhum... O engraçado nessas "caídas" é que boa parte que reparei caíam de uma maneira que não machucassem a cabeça, igual o seu "Barriga" cai quando leva uma porrada do Chavez.. Ou então sempre tinha alguém no local e hora exata para segurar a pessoa supostamente possuída pelo tinhoso...
Nesses cinco anos de blog a minha reação ao natal também mudou. No início ainda acreditava que o natal fosse sinônimo de felicidade, paz, harmonia, etc... Se não estávamos felizes, tínhamos que encontrar um jeito de disfarçar e achar um sorriso no rosto para desejar um feliz natal à todos os nossos conhecidos.
Na época do começo do blog estava começando a aprender a usar um PC e boa parte do que assistia vinha da programação da TV aberta, que, nessa época do ano não fala sobre outra coisa a não ser o natal e suas festividades.
A TV aberta me obrigava a pensar que natal era sinônimo de felicidade, alegria, que era obrigado a ter grana para sair distribuindo presentes à todos os meus conhecidos.... Confesso que me sentia deprimido e um pouco culpado por não ter tido sucesso financeiro para presentear todas as pessoas que conhecia e que queria bem. Ficava sem graça em poder apenas desejar um feliz natal. E ficava mais sem graça ainda quando no amigo oculto ganhava um presente super bacana e dava uma lembrancinha meio sem graça. shasuashuashasuahs (hoje posso rir, mas na hora era complicado pra caramba...)
Natal na TV também é sinônimo de comilança desenfreada. Me sentia mal também em ir à padaria durante o natal e pedir um simples pãozinho com manteiga e um cafezinho bem quentinho. De querer comer um bom filé com fritas. Os programas matinais da TV aberta passam boa parte ensinando todos os anos a fazer rabanetes e outras delícias para serem comidos nesses dias. Mas, foda-se as datas, me empanturro quando quero, como chocolate quando meus níveis de serotonina estão baixos e não por que é páscoa. Só para constar e só para contrariar, não costumo comer chocolates nesta data...
Minha felicidade, bem estar ou alegria não está condicionada à datas. Me sinto feliz quando estou bem fisicamente e mentalmente. Estou feliz quando estou em paz. Estou feliz quando estou morando em um lugar tranquilo e onde as pessoas se respeitam.
Ficaria mais feliz se abrisse as páginas na web e visse menos injustiça e violência. Se visse menos gente do mal se dando bem...
Antes de conhecer a internet ficava horas e horas grudado na TV aberta e me sentia mal nessa época do ano. Afinal, são quase 24 horas por dia nos lembrando que é natal, que temos que ir ás compras, que ninguém pode ficar sem presente. Os programas falam que é natal, os comerciais também. Não tem como escapar. A TV sempre quer nos lembrar que essa época é de paz, alegria, harmonia entre os povos. Já no dia 26 tudo vai voltando normal aos poucos, como se fosse possível desligarmos da realidade, como se houvesse um interruptor em nossas mentes. Mas a campanha é tão forte que algumas pessoas conseguem fazer isso...
Hoje em dia uso mais a internet para me entreter, e assim pouco sou lembrado de que é natal e que tenho que ser solidário e feliz.
Hoje escolho o que assistir e a hora que tiver vontade aperto o play no reprodutor de vídeo.... Quando estava nas minhas andanças, foi possível economizar grana para comprar uma TV LCD e um notebook e assim ver o que quiser na hora que desejar. Bendito cabo HDMI!!!
Este ano essa data está passando tão desapercebida que me assustei ao olhar a data no pc e constatar que já estamos na véspera do "aniversário de Jesus Cristo...
Tento ajudar as pessoas quando posso, independente se é natal, procuro ter esperanças sempre, mesmo se não for ano novo... Procuro ser feliz mesmo se não for carnaval...
Mas também não sou radical, não sou contra as confraternizações de fim de ano. Acho legal as pessoas se reunirem, afinal fim de ano é fim de ano. Principalmente acho válido nas empresas essas festas, afinal nem todo ambiente de trabalho é um ambiente legal, as pessoas têm que manter uma certa discrição e um ar sério.
Nas minhas postagens anteriores sobre o natal chamo o mês de dezembro de "deprembro", pois a mídia me impunha a condição de ser feliz por causa do natal. E ficava desolado por não me sentir como boa parte das pessoas se sentiam, ou tentavam se sentir...
Hoje ficaria feliz o ano inteiro se não houvesse e visse tanta corrupção, se fosse atendido dignamente em um posto de saúde, se pudesse andar tranquilamente pelas ruas depois de comprar um celular razoável....
Se fosse obrigado a mandar uma cartinha ao papai noel ela seria mais ou menos assim:
"Caro Papai Noel, no dia 24 não precisa passar aqui em casa não, pois o presente que quero não cabe em uma simples meia. Você já está um pouco idoso e cansado e poupe o trabalho de suas renas.
O presente que gostaria de ganhar é um mundo mais justo, onde os maus e aproveitadores não se dessem tão bem. Que os políticos safados fossem todos presos. Que os traficantes entrasse em falência e fossem presos, por não terem clientes em busca de alívio de suas dores existenciais com drogas. E também acho que não fui bonzinho o suficiente para merecer o seu presente"...
Então, além de boas festividades, gostaria de desejar à todos os leitores do blog muita saúde, paz, energias positivas. Gostaria de desejar não somente um feliz ano novo, e sim feliz todos os dias de 2019, 2020, 2021...
Obs: estou sempre postando aqui no blog, nem sempre divulgo o que escrevo nos grupos do face, para não torrar a paciência de todo mundo...
Esta música achei por aí no youtube, claro que não quero matar o papai noel, mas a letra é bem interessante...
Como final de ano é uma época de reflexões, vamos a mais uma série de divagações esquizofrênicas. Ontem me deparei com um post que falava sobre a profecia maia. Até ai, nada de anormal, pois esse é um dos assuntos mais comentados nesse fim de ano. A diferença desse post é que tinha referências do Nostradamus(ele mesmo) anunciando mais um fim do mundo. Como sempre, não dei muita atenção, mas resolvi dar uma olhadinha, e a coincidência numerológica me deixou um pouco apreensivo. Olhem a matéria e tirem suas próprias conclusões. http://www.jornalciencia.com/inusitadas/inacreditavel/2292-nostradamus-confirma-fim-do-mundo-dia-21-e-o-cantor-coreano-psy-e-o-mensageiro-do-apocalipse
Confesso que isso mexeu comigo, apesar de não dar muita bola as profecias deste cara. Mas as coincidências me fizeram refletir, apesar de acreditar que achar que o próprio homem é que está se encarregando de acabar com o mundo. Hoje(20/12) dei uma olhada no vídeo oficial do cantor psy e as visualizações chegam a 989773461. Nesse ritmo, facilmente chegará a casa de 1 bilhão até amanhã.
E se o mundo acabasse realmente amanhã? O que você faria? Estouraria o cartão de crédito?(já fiz isso há muito tempo), falaria algumas "verdades" para o seu patrão que te escraviza?, se declararia para o seu grande amor antes do fim? Esqueceria o orgulho e pediria desculpas as pessoas que você magoou? Quais os seus desejos mais secretos, proibidos ou não?
Eu faria muitas loucuras se tivesse a certeza que o mundo acabaria amanhã. Como não tenho, prefiro acreditar que se trata de apenas mais uma das milhões de profecias que esse cara já fez e que não se concretizaram. Já pensou se fizéssemos todas as loucuras de nossas cabeças e o mundo de repente não acabasse? Iria aparecer muitos santinhos e santinhas do pau oco com um sorriso meio amarelado no rosto e então perceberíamos que o mundo tem muito mais pessoas fora do padrão da normalidade do que imaginávamos ter.
São as máscaras, as eternas máscaras. Quem não as tem? Quem nunca mentiu? Quem sempre diz a verdade? A mentira é um mau necessário? As pessoas, quando bebem e ficam chatas e agressivas, foram transformadas pela bebida ou soltaram a fera que estava dentro delas? Particularmente, no caso da bebida, necessariamente não era um chato, fazia muitas palhaçadas, e, pra falar a verdade, nem bebia, apenas fingia que bebia, pois meu estômago não se dá bem muito com o álcool. Assim, supostamente bêbado, tinha um pretexto para dar vazão aos meus sentimentos e fazia muita palhaçada, imitando pessoas, falando demais, mas já tinha a resposta preparada quando no outro dia alguém me dissesse:
- Nossa cara, ontem você tava muito doido, você fez isso, aquilo, etc..
- Ah! É que eu tava mal né cara, tava "bebaço" né?
Acho que essa é a desculpa de muitas pessoas que bebem e fazem coisas horríveis por ai. Não sou moralista, nada contra quem bebe o seu chop ou um vinho e não incomoda ninguém. Mas, o que vemos em muitas reportagens são pessoas usando a bebida como desculpa para algumas atitudes.
Bem, como disse no início, apenas fiquei um pouco apreensivo e não estou ligando para essa data e vou tocando a vida normalmente, mas, no meu caso, sempre fui assim, como se não houvesse amanhã. Nunca economizei dinheiro, sempre fui meio cigano, não parava em emprego nenhum, não que eu fosse um mau funcionário, mas o tédio sempre acabava tomando conta de mim e então não conseguia trabalhar mais do que um ano em uma mesma firma. Hoje, com essa tal da mania de perseguição que me persegue, estou mais em casa mesmo. Mas, por causa dela, às vezes penso em me mudar, pois ainda acho que as pessoas estão contra mim, e com o tempo, acabo sentindo a necessidade de me mudar. Moro no centro da cidade, perto da crackolândia. Área meio complicada, com tráfico de drogas, e, junto com ela, a violência. Atualmente, estou com uma sensação estranha. Se, por um lado penso que os traficantes pensam que eu sou um "caguete", por outro lado penso que os policiais acham que eu sou um traficante, ainda mais por não trabalhar.(me apontei há dois anos). Sinto que já está na hora de me mudar. O stress não faz bem a ninguém, e sei quando ele já está me atrapalhando.
Mudando de assunto, já fazem doze dias que estou tomando a sertralina, e a minha avaliação é positiva, apesar da bula não ser muito amigável no que diz respeito as reações adversas. Mas, tirando um pouco de insônia no início, não tive problemas com esse medicamento. Só quando fico deitado é que sinto umas contrações involuntárias nos músculos das pernas e dos braços. É como se eu tivesse tomado um choque, uma sensação bem estranha. Me lembro que tinha isso quando tomava haldol e, na época em que estava surtado, pensava que era alguém que havia feito um bonequinho vodoo meu e que estaria me espetando com um alfinete.
Mas hoje estou dormindo razoavelmente bem e sair nas ruas não está sendo um martírio, apesar de me incomodar um pouco com aglomerações de pessoas. Estou me sentindo melhor fisicamente e estou menos ansioso, não sentindo tanta necessidade de comer chocolates e doces. Não recomendo as pessoas que tomem o medicamento, só em último caso mesmo, por favor, não confundam tristeza com depressão. Eu procuro tomar muito cuidado quando falo de medicamentos, acho que não é correto ficar incentivando as pessoas a tomarem esse ou aquele remédio, dizendo que o mesmo é milagroso e que irá acabar com todas as nossas angústias e tristezas, que são comuns no ser humano.
Porém, se melhorei em alguns aspectos, em outros já estou meio preocupado. Nesses dias em que estou tomando a sertralina, em duas oportunidades ouvi pessoas fazendo comentários a meu respeito, e não sei se foram verdade ou produto de minhas paranoias. Mesmo com o fone de ouvido e com a música relativamente alta, eu ouvi pessoas falando mal de mim enquanto andava por uma avenida. Como sempre, ignorei essas vozes, pois tenho receio de que me chamem de louco ao indagar aos supostos críticos a razão de estarem falando mal de mim. Só sei que na hora os comentários são muito reais e me deixam um pouco assustado, mas confesso que já estou acostumado com isso. Sinto que existe uma relação entre o meu estado de ânimo e essas pequenas alucinações auditivas. Quando estou mais animado, tenho mais propensão a tê-las, e o inverso também ocorre, mas, como não sou agressivo e sou um cara caladão mesmo, prefiro não tomar os antipsicóticos que me deixam num estado parecido com o de uma pessoa com dengue, ou seja, eu teria que ter uma dengue permanentemente eterna para controlar esses sintomas. Não estou aqui dizendo que é para os portadores fazerem o mesmo, pois, cada caso é bem diferente um do outro, tem que se avaliar os prós e os contras, e creio que eu sou meio fraco para esses medicamentos mesmo, me fazem mais mal do que bem.
Acho que o melhor que faço é ignorar os comentários, sendo reais ou não. Falar é a coisa mais fácil do mundo e muitos aproveitam o poder que a palavra tem para detonarem as pessoas. Tem um provérbio na Bíblia que diz que a língua é a arma mais letal que o homem tem. E, concordo plenamente com isso, pois, o um dos fatores desencadeantes dos meus surtos foram a calunia e as fofocas. Como diz o ditado: a língua é o chicote do povo. Nunca imaginei que teria inimigos de verdade, pensava que só quem gosta de brigas é que tem inimigos. Hoje eu sei, que, para isso, basta estar feliz e em paz consigo mesmo para desagradar algumas pessoas.
Na semana passada estava refletindo sobre algumas coisas que aconteceram nos meus surtos e cheguei a me indagar: Surtar foi bom? Respondendo a pergunta, claro que não foi, é óbvio que não, essa seria a resposta de todo portador de esquizofrenia, com certeza absoluta. Mas também não posso esquecer as inúmeras demonstrações de solidariedade, principalmente no primeiro surto, em que fui morar nas ruas de Belo Horizonte. Sem contar ainda o fato de podermos tirar boas lições dessas coisas negativas que acontecem na vida da gente.
Como disse antes, não fico agressivo durante os surtos. Acho que, por causa disso nunca fui internado, apesar de achar, ou melhor, ter a certeza em minha mente de que o mundo estava contra mim. A minha reação era sempre fugir desses supostos inimigos. Pedi demissão da firma onde trabalhava no interior de Minas Gerais e fui para a capital. Mas os inimigos estavam por toda a parte! A solução que encontrei então foi de perambular pelas BR's, até chegar a conclusão que o único lugar seguro para mim era no meio do mato. Não sei com precisão quanto tempo fiquei escondido no mato, mas creio que foi questão de poucos dias a minha sobrevivência, pois havia ficado muito tempo sem me alimentar, e, o que é pior, andando de um lado para outro para fugir dos meus inimigos. O que me fez sair do mato não foi a fome, aliás, até hoje não compreendo por que não senti tanta fome durante os surtos, é como se a região do cérebro responsável pela sensação de fome estivesse desligada. Sentia muita necessidade de beber água, e por sorte havia encontrado uma pequena nascente. Mas o que me fez sair do mato foi uma situação bem estranha. Dois urubus pousaram em uma árvore bem próxima de mim e ficaram me olhando. Isso já foi o suficiente para achar que eles também estavam querendo me pegar e, caso isso acontecesse, eu seria uma presa fácil, pois estava bastante debilitado e havia perdido cerca de 25 quilos. A solução que encontrei foi voltar para Belo Horizonte, ou seja, indiretamente fui salvo pelos urubus. O medo, às vezes é bem conveniente em algumas situações.
A debilidade física funcionou como um sossega leão para mim. Não tinha mais forças para ficar fugindo das pessoas. À media em que me aproximada de Belo Horizonte, eu avistava as pessoas e já não estava pensando que elas estavam contra mim. Pessoas, ao verem o meu estado físico, me ofereciam comida. Não posso reclamar, fui muito ajudado, tanto na parte da alimentação como na parte emocional também, pessoas paravam para conversar comigo e me davam palavras de incentivo e força. Engordei 20 em cerca de um mês e voltei a fazer uns bicos, mesmo morando nas ruas. Estava relativamente bem, e assim fui trabalhar durante o carnaval, em uma pequena cidade do interior de Minas. O serviço de operador de som é estressante, dias e noites acordado direto, e não deu outra: surtei novamente. Mesmo surtado, consegui trabalhar no carnaval, apesar de ter a certeza que as pessoas iriam me matar. Não sei como nunca reagi com agressividade em nenhum momento em que estava surtado, acho que queria que as pessoas realmente me matassem para acabar com toda aquela confusão. Depois do carnaval voltei para as ruas, e, após duas tentativas frustadas de auto extermínio e muitas situações perigosas nas ruas de Belo Horizonte, consegui me recuperar desse meu primeiro surto. Acho que esse surto demorou cinco meses para acabar, pois não fui medicado e só percebi que precisava de um psiquiatra quando já estava super bem. Estava com muitas dúvidas sobre o que havia acontecido comigo, mas, infelizmente, o psiquiatra não se mostrou atencioso em minhas perguntas, simplesmente me receitou a medicação e fez algumas anotações, pois a fila era grande.
Hoje posso dizer que a solidariedade das pessoas é que me curou do meu primeiro surto. Sem essa mão amiga, provavelmente não estaria aqui escrevendo este blog, poderia estar morando até hoje nas ruas de Belo Horizonte, isso se estivesse vivo, pois a capital mineira é uma das cidades mais perigosas para os moradores de rua. Tive que enfrentar algumas situações complicadas, mas posso me considerar um cara de sorte, confesso que até cheguei a me perguntar se merecia toda aquela ajuda.
Me lembro como se fosse hoje de um garoto, de uns doze anos, que era catador de materiais recicláveis. Eu estava dormindo em uma calçada, sem papelão e cobertor, quando ele apareceu com o seu carrinho de colocar os materiais recicláveis. Ele, então, ao me ver deitado na calçada, pegou um cobertor e me cobriu. Eu não estava falando com as pessoas ainda, e, então, mentalmente agradeci a ele por aquela gentileza. Guardo aquele momento até hoje em minha mente e sempre peço a Deus para que o mundo não tenha mudado o bom coração daquele menino.
Também me lembro de um morador de rua que se aproximou de mim e me ofereceu pedaços de carne do seu marmitex. Me deu uma bronca, pois peguei a carne com a mão, estava ainda meio fora da realidade, mas o fato dele ter tão pouco e ter dividido o seu pão de cada dia comigo, me deixou e ainda me deixa comovido até hoje. Esses gestos, essas pequenas atitudes que foram o meu remédio contra a louca mania de perseguição que tomava conta de mim. Com o tempo, o quadro em minha mente mudou por completo. Eu, que antes estava enxergando inimigos por toda a parte, agora estava sendo ajudado por diversas pessoas, de diversas classes sociais, desde os mais ricos até os moradores de rua. Acho que, nesses cinco meses em que fiquei na rua, conheci pessoas e fiz mais amizades do que nos últimos cinco anos anteriores ao surto.
Além da solidariedade, um outro aspecto positivo foi tudo que aprendi com esses acontecimentos. Percebi na pele que, quando estamos mal, descobrimos quem realmente nos quer o bem. No meu caso, pude descobrir a fidelidade e o amor de um ser chamado Cherry, a cadela do meu ex patrão, que não me abandonou um momento sequer. Faço questão de escrever o nome dela com letras maiúsculas, e acredito que esses seres tem alma e com certeza ela está em um bom lugar.
Então gostaria de dizer para todos os portadores de esquizofrenia que confiem em suas famílias. Sua mãe e seu pai te querem bem. Eu sei que é difícil acreditar nas pessoas quando estamos surtados, mas, conversando com pais e mães de portadores pude perceber que eles sofrem tanto quanto nós por causa desse transtorno, inclusive boa parte dos livros que vendi foram mães e pais querendo conhecer um pouco mais sobre a patologia e assim tentarem entender um pouco mais seus filhos. Agradeço a todos que confiaram em mim e adquiriram o livro. Ainda estou disponibilizando, é só seguir as instruções no lado direito da página.
Bem, o natal está chegando e não estou assim tão deprê. Talvez seja o efeito da sertralina, ou talvez seja pelo fato de todos os dias parecerem iguais para mim depois que parei de trabalhar. Ficava triste no final de ano e principalmente em Janeiro, pois é uma época de pouco serviço para o setor de entretenimento, principalmente de sonorização. O ano parece começar de verdade neste país somente depois do carnaval e então não era uma época legal para mim, pois adorava o que fazia. Hoje estou bem, mas não posso dizer como estarei amanhã, pois meu estado de ânimo muda de uma hora para outra. Prefiro dizer estado de ânimo do que humor, pois não fico mal humorado, rabugento. O que muda em mim é a energia, a alegria. Ficar triste não quer dizer mal humorado. Às vezes penso se sou um pouco bipolar, mas um psiquiatra disse que alguns sintomas são parecidos mesmo. Também não ligo para rótulos, denominações ou classificações. Penso que isso só é válido para se fazer o tratamento. Não acho legal sair rotulando as pessoas como "o esquizofrênico" ou "o bipolar", dizendo que os portadores são assim ou assado, que fazem isso ou aquilo. Claro que existem alguns comportamentos que são bem comuns aos portadores de esquizofrenia, mas cada um tem a sua maneira de ser e de agir.
Baixei os filmes de Adam Sandler que ainda não vi e guardei no pen drive para assisti-los no natal. Assistir TV é complicado, pois tudo nesse dia lembra o natal. Acho que só vou ligar a TV para assistir o especial do Roberto Carlos. Vou comprar algumas coisas para comer e guardar na geladeira, pois não quero sair de casa nesse dia. Não é o natal dos meus sonhos, e, pra falar a verdade nem sonho com natais perfeitos. Seria melhor que o espírito de natal prevalecesse o ano inteirinho e que somente em um mês do ano poderíamos agir como agimos o ano todo.
Sei que isso é um sonho meio impossível, mas, como diz o samba enredo: "sonhar não custa nada". Sonhar não faz mal a saúde, o que não podemos fazer é ir ao mundo dos sonhos e por lá permanecer, e ficar a vida inteira sonhando sonhos impossíveis e não agindo para que eles se concretizem. Gosto de sonhar, para fugir um pouco da realidade mesmo, algumas pessoas preferem as drogas, mas sonhando podemos voltar a realidade quando desejarmos e também não ficamos viciados. Sonhar é bom, pois de um modo, encontramos força para continuar e tentar mudar a nossa própria realidade.
Desejo a todos um feliz natal e um ano novo com muita saúde e paz, que é o mais importante. Obrigado a todos os leitores, e a todos que me deram uma força para fazer o blog e espero nos encontrarmos em 2013.