A gotícula da paranoia
Outro dia estava pedalando com a minha bike ao lado do rio Arrudas, aqui em Belo Horizonte. Para quem não conhece, é como se fosse o rio Tietê de São Paulo.
Pois bem, de repente passo por cima de uma pequena poça de água e uma gotícula entra justamente dentro do meu nariz.
Imediatamente para a bike e começo a assoar o nariz até sair a minha alma.
O pavor tomou conta de mim, outro dia havia lido uma matéria em que pesquisadores tinham colhido amostras da água do rio arrudas para saberem o quanto da população da capital mineira estava contaminada com o coronavírus. (pois é, o vírus entra até na bosta da gente).
Voltei pedalando o mais rápido possível que minhas canelas conseguiam imprimir na bike. Imediatamente peguei o álcool em gel, e enchi as minhas narinas com o líquido que se tornou rotina usar. Para minha surpresa não ardeu.
Nos dias seguintes, atenção total aos possíveis sintomas que porventura aparecessem: febre, cansaço, dores no corpo, diarreia, etc...
Como moro sozinho e em um local que tem vários outros quartos, já estava planejando morar em minha barraca em uma rua isolada qualquer aqui na capital mineira. E iria confeccionar um cartaz bem grande avisando que eu estava com coronavírus e que aceitaria doação de comida, pois não iria poder sair dali durante duas semanas.
Os dias foram se passando e nada dos sintomas aparecerem. Vez ou outra eu petiscava alguma coisa para ver se estava sentindo o gosto dos alimentos.
Passaram-se duas semanas, que é o tempo que o vírus do covid demora para aparecer e eu estava super bem fisicamente, pois a minha saúde mental, que não é lá essas coisas, deu uma boa piorada durante essa pandemia.
Bem, essa foi a história da gotícula de água que quase me deixou louco.
Até a próxima paranoia diária de cada dia.
