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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Dinheiro na mão é vendaval

    Aproveitando a deixa da música do Paulinho da viola, resolvi postar falando sobre a minha relação com o dinheiro. Não gosto muito de samba, mas estes e alguns outros eu acho legal, aliás, até que gosto de samba, mas esses pagodes de hoje em dia cheio de lá lá lá, lê lê lê tiram qualquer um do sério. Aqui onde moro, toda segunda(loga segunda feira!) tem pagode em um clube bem perto, e o som rola até as duas da madruga.
     Ontem foi dia de pagamento. Como sempre, dia tenso, cheio de paranoias, medos, cismas. Vocês devem estar pensando: "mas até no dia de pagamento esse cara reclama!" Bem, não é isso, eu agradeço por estar aposentado, graças a ajuda de muitas pessoas. Sem elas, eu poderia estar morando nas ruas e estar com surtos até hoje, apesar de ter trabalhado durante dezessete anos como operador de som, que é um servicinho estressante.
     Fico triste ao relembrar como eram os dias de pagamento antes dos surtos: era quase um ritual. Eu ia para o centro da cidade, comia uns dois pedações de torta de chocolate com uma coca cola bem gelada, dava umas voltas para comprar alguma roupa, cd's ou outra bobeira qualquer. Sem qualquer medo de ser roubado, tranquilamente tirava aquele dia para dar umas voltas pelo centro da cidade.
    Hoje, dia de pagamento é sinal de stress. Não gosto de tomar um diazepan antes de ir para o banco, pois tenho que ficar bem alerta, pois é fato que hoje em dia o que não falta são pessoas a fim de subtrair o nosso dinheiro. Semana de pagamento então nem se fala. Sem contar os golpes conhecidos como saidinhas de banco e usuários de drogas principalmente crack, andando pela cidade à procura de vítimas para sustentarem seus vícios.
     O stress começa já dentro do banco, pois, como já disse em um post anterior, é um dos locais que mais me deixam desconfortável. Além de ser um local fechado cheio de pessoas impacientes, existe uma certa paranoia coletiva em relação ao dinheiro. Todo mundo desconfia de todo mundo. Hoje, se um cara fala ao celular em um banco já é considerado suspeito. Se ele estiver parado na saída do banco então. Assim que pego o meu pagamento, o distribuo entre os quatro bolsos da minha calça, para, caso algum ladrão roube o dinheiro de um dos bolsos, ainda sobre o bastante para pagar minhas contas e me alimentar. Colocar todo o dinheiro em uma carteira nem pensar.
    A minha primeira atitude é pagar todas as minhas contas e me ver o mais livre possível do dinheiro. Pago a internet, compro os meus produtos naturais para fazer a minha vitamina matinal que chamo de ração e vou ao supermercado fazer as compras do mês. Depois pago a conta da net e sempre de meia em meia hora eu confiro em todos os bolsos se não perdi o dinheiro ou se alguém o pegou sem eu perceber. Essa é uma mania que me enche o saco, já cismei de conferir o dinheiro de uma hora para outra quando estava atravessando a BR, pois não tenho paciência de ir pela passarela. Tenho a mania de ficar conferindo também os meus documentos com frequência.
Assim que compro o que tenho que comprar, fico ansioso para que o dono do quarto onde moro apareça para que eu passe o dinheiro do aluguel para ele. Teve um mês que eu mesmo fui a casa dele, por volta das nove horas da manhã, para fazer o pagamento, e fiquei chateado por ele não estar em sua casa.
    Depois de fazer todos os pagamentos, o que sobra eu escondo em vários lugares improváveis, para que, se ocorrer de um ladrão invadir o meu quarto, ele não acho merreca nenhuma. Então é óbvio que não escondo o dinheiro embaixo da cama né. O problema é que esses lugares são tão improváveis que até eu mesmo às vezes não consigo achar o dinheiro e ai tenho que revirar o quarto inteiro em busca da grana perdida. Sou tão paranoico em relação a roubos, que, na hora de comprar o equipamento para entrar no mundo da informática, não pensei duas vezes em comprar um desktop ao invés de um notebook, por ser mais difícil e complicado de ser roubado.
    Me lembro então da época em que recebia o pagamento, antes dos surtos. Eu guardava o meu pagamento em uma caixa de sapato em meu quarto, quando eu trabalhava e morava na firma em uma cidade vizinha de onde moro atualmente. Eu não trancava o meu quarto e os funcionários da firma podiam entrar e sair do meu quarto à vontade, e eu não tinha preocupação nenhuma. Saia para jogar o meu futebol e o dinheiro estava lá, e eu nem pensava na hipótese de ser roubado. Que saudades daquele tempo! Era um cara super distraído e não reparava em nada em minha volta. Era tão distraído, e até bobo para falar a verdade, que, quando uma menina quis se aproximar de mim e disse que gostaria de tomar uma cervejinha, eu apontei para  um bar e disse que lá tinha cerveja. Depois de um dia que eu saquei que ela queria tomar uma cervejinha comigo e, se desse tudo certo, poderia rolar alguma coisa. Nessas horas eu tinha vontade de dar um soco na minha cara.
    Depois dos surtos, tudo mudou. Aproveitando do meu momento de fraqueza, os funcionários da firma por duas vezes roubaram parte do meu pagamento. Reclamei com o dono da firma, mas ele e nem ninguém deu crédito a minha reclamação, talvez por acharem que eu estava enlouquecendo. Passei a esconder o meu dinheiro e até hoje não consigo mais parar de pensar que posso ser roubado. Tenho medo de viajar, pois tenho receio que invadam o meu quarto e roubem tudo o que tem dentro dele. Pretendo ficar nas ruas por uns quinze dias para registar no blog, mas antes terei que embalar tudo e deixar guardado na casa de um amigo. Não sei diferenciar mais o que temos de ter cuidado com a realidade, pois o risco de sermos assaltados existe realmente, qualquer pessoa considerada normal tem esse medo. Acho que, todos os meus medos de esquizofrênico também existem em outras pessoas, mas em um grau bem menor, é claro. Na esquizofrenia, as cismas e neuras são super dimensionadas e se transformam em psicoses.
    Acho que, se ganhasse na mega sena, iria comprar uma casa mais ou menos na beira da praia, compraria um carro mais ou menos, me vestiria mais ou menos bem, tudo para não chamar a atenção. Abriria conta em uns quatro bancos, para distribuir o dinheiro, assim, se alguma conta fosse hackeada, o dinheiro não sumiria de uma vez.
   Mas, é isso ai, não estou aqui para ficar me lamentando, apenas tento explicar de uma maneira simples o que se passa na cabeça de um cara que, por diversos fatores, acabou desencadeando essa tal esquizofrenia.
Para terminar, deixo esse vídeo, é uma música que tem o poder de me melhorar o meu astral, por causa da letra. Gostaria de agradecer a todos que adquiriram o livro e caso tenham gostado, deixem um comentário no post em que falo como adquiri-lo. Caso tenham alguma sugestão ou crítica, mandem-me um email, pois sempre procuro tirar proveito das criticas construtivas.
    Abração a todos e até o próximo post.