Mostrando postagens com marcador diazepan. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador diazepan. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de março de 2023

O jejum forçado de diazepan

 Abstinência....

    Como vocês puderam perceber na postagem anterrior, está faltando o ansiolítico diazepan nos postos de saúde de Belo Horizonte. O motivo não tenho certeza qual é, pois os funcionários não costumam responder nossas indagações e depois reclamam que a gente fica pesquisando esses assuntos na web... 
    Mas, fazendo uma busca na internet descobri que a China tem dificultado o trabalho da indústria farmacêutica, visto que esse setor da economia tem poluído e muito o meio ambiente daquele país. E o Brasil importa matéria prima para a produção de alguns medicamentos justamente dos inventores da pólvora. 
    Sou um pacato cidadão, não gosto de confusão, mas confesso que em algumas situações sou um pouco teimoso. E essa questão de ter que comprar uma droga que não pedi para ficar viciado não entra em minha cabeça em hipótese alguma. 
    Vou explicar melhor: na minha primeira consulta com o psiquiatra, relatei os meus surtos e também que estava tendo dificuldades para dormir. O cara nem olhou na minha cara e já foi logo preenchendo o formulário da receita com o ansiolítico lorazepan, da família dos benzodiazepínicos. Na minha cabeça, esses medicamentos eram meio que milagrosos e nos fariam dormir o sono dos anjos, mesmo que o mundo estivesse caindo sobre nossas cabeças. 
     Naquela época estava dormindo nas ruas, ou melhor, tentando dormir, pois é um pouco perigoso um morador de rua ficar a madrugada toda exposto em uma calçada. Estava nas ruas por causa das vozes ameaçadoras, que diziam que iriam me pegar, me matar, etc.. A solução que encontrei foi fugir, pedindo demissão do emprego e mudando de cidade. Mas era uma tentativa de fuga de algo que estava em mim mesmo e não no mundo externo. Então, na minha modesta opinião o psiquiatra deveria pelo menos ter perguntando o motivo de não estar caindo nos braços de Morfeu. Era um motivo real, não era ansiedade sem um motivo aparente, os ansiolíticos não resolvem esses problemas reais do dia a dia. 
    Na época não tinha acesso à internet e na farmácia não me passaram a bula do medicamento, pois tenho a mania de ler tudo o que passa na minha frente. Não tinha a mínima ideia do que esses benzodiazepínicos podiam fazer em meu organismo. Não sabia que eles viciavam e que em pouco tempo iriam parar de fazer efeito, obrigando-me a voltar ao médico para aumentar a dosagem ou buscar um medicamento mais forte. Também não sabia também que eles detonavam nossa memória e que também poderiam aumentar as chances de ter alzheimer. 
    A indústria farmacêutica é muito poderosa e as propagandas dos ansiolíticos me fascinavam. Geralmente era uma pessoa dormindo tranquilamente em uma cama. A verdade é que para um insone crônico não é necessário ter muita criatividade para se fazer um comercial de algo que promete acabar com o que está acabando com a gente: a falta de um bom sono reparador e que nos faça acordar bem dispostos e de bom humor. 
    No meu caso geralmente tenho que descansar das noites mal dormidas, então o período matinal não é o melhor para se programar algo para fazer. Geralmente fico deitado, ouvindo música ou fazendo algo que não exija tanto esforço físico. Fico bem de tarde e de noite, talvez seja também o meu relógio biológico que me faça estar bem nesses horários. 
as propagandas dos ansiolíticos podem atrair os menos avisados

                                                Sou um dependente químico

    Hoje me considero um dependente químico, e não tenho vergonha disso. Crise de abstinência são alterações em nosso organismo que resultam em mudanças de comportamento e alucinações e outros sintomas decorrentes da falta de uma substância. 
    Comecei a usar essa droga de droga chamada diazepan no ano de 2002. Usava 10mg e, por volta do ano de 2006 tive que dobrar a dosagem pois não estava mais sentindo nenhum efeito ao me deitar. 
    Mas em dois meses os 20mg pararam de fazer o efeito inicial. Na época já tinha acesso à internet, pois estava no auxílio doença e havia comprado um computador CCE em suaves prestações nas Casas Bahia. 
    Então já sabia que a causa da minha memória não estar muito boa era o pan nosso de cada dia e não os meus 40 e poucos anos. E sentia que se continuasse naquele ritmo em breve iria estar tomando uns 50mg. Era o momento de fazer o desmame por conta própria. 
    Foi uma longa e difícil jornada, com dores de cabeça, palpitações no coração, e, claro, um pouco de nervosismo e irritação sem causa aparente. Mas, como muito esforço e uma redução lenta e gradual, hoje estou tomando apenas 4 comprimidos por mês! Infelizmente não consegui parar por completo, parece que o meu organismo fica pedindo a droga. Mas considero essa boa redução uma grande vitória, pois teve época que chegava a tomar 4 comprimidos durante o dia, não conseguia usar  os antipsicóticos por causa do trabalho e então usava o diazepan como um SOS. 

     Como não pedi para ser dependente de ansiolíticos, não acho justo ter que ficar comprando esses remédios. Infelizmente alguns profissionais da saúde mental agem meio como traficantes, pois ganham amostras grátis dos laboratórios e oferecem aos seus pacientes. E, quando já estão viciados, cessam o fornecimento e pedem para que eles comprem os medicamentos. E, acreditem, alguns psiquiatras ganham comissão para receitar medicamentos de certos laboratórios. Sei disso por que já vi os engravatados representantes desses laboratórios nas unidades de saúde que fazem atendimento de psiquiatria. 
    Se tiverem dúvidas, assistam ao filme Amor e outras drogas, uma comédia romântica que é meio baseada em fatos reais, pois foi ela foi inspirada num livro de um ex propagandista de um laboratório farmacêutico. 

A teimosia

Se você assistiu Spectroman você tem mais de 50...

     Por volta do ano de 2003 faltou diazepan na cidade onde morava. A atendente da farmácia falava que na "semana que vem" o medicamento iria chegar. E foi assim por quatro semanas seguidas.     Como resultado dessa falta do ansiolítico no meu organismo tive um surto violentíssimo. Bem, o surto foi violento, mas eu não ficava agressivo, minha reação era apenas fugir das vozes e dos meus pensamentos persecutórios. 
    Me lembro que certa madrugada ouvi uma voz de um homem falando em uma língua estranha, parecendo alemão. Logo imaginei que a voz vinha da igreja evangélica que se situava uns 100 metros da firma onde eu morava. Me causou espanto que a voz não parava um minuto sequer, e comecei a rir imaginado que o dono daquela voz iria ter um ataque do coração, pois ninguém conseguiria falar por tanto tempo seguidamente sem parar para respirar. 
    Depois de muitos anos, analisando a situação, cheguei á conclusão de que se tratava de uma alucinação. Afinal a igreja nunca havia ligado o som de madrugada, os cultos terminavam por volta das nove horas, no máximo. E, se tivessem usado o equipamento de som os moradores da rua teriam comentado e reclamado da noite mal dormida. 
     Tive uma outra alucinação auditiva bem estranha. Me lembro bem, era madrugada de sábado para domingo, umas duas horas, mais ou menos. Ainda estava acordado e era possível escutar a música que vinha de um salão de forró, que ficava ao lado da igreja. A música rolava solta até que resolveram dar uma parada, e, não sei por que, nesse instante comecei a ouvir uma voz tenebrosa, parecida com a do Darth Vader. E geralmente durante os surtos não questionamos se aquilo é verdadeiro ou não, as vozes soam muito reais em nossas mentes. Então imaginei que um enorme monstro gosmento estava subindo no palco do forró, e por esse motivo a música havia parado. Hoje sei que foi uma alucinação, pois no dia seguinte não ouvi nenhum comentário sobre monstros gosmentos invadindo show de forró. 
    E também sei que monstros gosmentos só existem em filmes de terror, existia no espectroman e também no desenho das Garotas Superpoderosas. Sim, eu cheguei a ver esse desenho e adorava aquela que era a mal humorada, a que usava roupa verde. Acho que era a Docinho. 
    Cheguei a ter umas duas alucinações visuais naquele surto. A maioria das alucinações que tive e ainda tenho são auditivas. Às vezes parece que tenho alucinação olfativa, pois sinto um cheiro estranho, parecendo de algum produto químico, mas não imagino qual seja. Enfim, não sei se é verdade ou alucinação. Mas uma das alucinações visuais que tive era a de um machado vindo em minha direção. Me lembro que naquele momento até me abaixei para desviar da rota daquela ferramenta de corte de madeira. 
    Outra alucinação visual que tive naquele surto foi a da cadela da proprietária da firma. Ela apareceu morta no jardim, com as patas para cima, sem respirar e um pouco inchada. Cheguei bem perto dela para ver se respirava. E, como não se mexia corri para o meu quarto. Mas, logo depois a vi andando normalmente pelo galpão. Gostava muito dela e foi aquele ser que me fez companhia naqueles momentos tão difíceis da minha vida. 
     Tive também vários delírios, um dos mais estranhos que tive naquela época era a de que o mundo estava acabando, principalmente quando via poucas pessoas nas ruas. Imaginava que elas haviam fugido para um outro lugar, em uma tentativa de escapar de uma catástrofe ou coisa parecida. Cismava de que um planeta ou meteoro gigante iria colidir com a terra. 

Como é a minha abstinência atual

     Como decidi por um tempo não comprar algo para alimentar o vício de algo que não pedi para viciar, fiquei certa de quatro semanas sem usar o diazepan. Fiquei muito irritado e meus colegas fominhas do futebol do centro de convivência sofreram um pouco comigo. Uma das coisas que não gosto na pelada são aqueles caras fominhas que não tocam a bola e só pensam em fazer gol para se gabarem no final. 
    Não tive paciência com um monte de gente. Mas teve um lado legal, fiquei rindo mais, um pouquinho mais agitado também. Minhas emoções ficaram mais afloradas, tanto as positivas como as negativas. E minha libido aumentou bastante também, algo que não tem tanta utilidade hoje em dia, pois nem confusão estou conseguindo arrumar. 
    Com essa forçada abstinência a minha mania de perseguição, que já é alta, pulou para níveis alarmantes. À todo instante ficava imaginando que estavam tramando algo contra a minha pessoa.
A minha mania de perseguição atual também é virtual, ou seja, está pior do que no início, pois penso que estão hackeando o meu notebook e que sabem tudo o que acesso e digito.  Pensei em sair por aí viajando de bike, mas imaginava que nas estradas iriam me perseguir também. 
   Enfim, a mania de perseguição é uma das coisas mais incapacitantes que já conheci. Claro que tem os níveis desse delírio. Pode ser apenas uma cisma, uma neurose e, se não for tratada pode sim virar uma psicose. É como qualquer outra doença, quanto mais cedo diagnosticada e tratada, maiores são as chances de cura. 
   Além de tudo isso, sem o diazepan por muito tempo fico sem conseguir me relaxar. A musculatura fica tensa e acordo muito cansado. Meu cérebro fica "tagarela", como se estivesse várias pessoas conversando na minha cabeça. 
    O jeito então foi comprar uma caixa com 30 comprimidos. Na primeira noite já senti um enorme alívio. Dormi relativamente bem e relaxei meus músculos. Fiquei menos ansioso e calmo, com os pensamentos mais ou menos em ordem. Como seria bom se os medicamentos para combater os transtornos mentais não tivessem efeitos colaterais!
    Muitas pessoas não me entendem, não sou contra os medicamentos e nem contra quem os receita. Sei que tem muito profissional da saúde mental bem intencionado. A minha luta e reinvindicação é para que descubram medicamentos que tenham eficácia mas com nenhum ou pelo menos poucos efeitos colaterais e reações adversas. 
    Queria também que os médicos tivessem critérios para liberar uma receita desses medicamentos que alteram o nosso cérebro. Deveriam fazer perguntas e dar conselhos. Medicamentos só em último caso, o Brasil é campeão mundial no uso do rivotril e outros ansiolíticos e antidepressivos
Muitas pessoas imaginam que antidepressivos possam fazer milagres, que podem nos deixar felizes e contentes mesmo com uma situação não muito boa. Já vi uma mulher na farmácia de um posto de saúde comemorando uma receita da fluoxetina mesmo sem estar com depressão. Esse medicamentos geralmente tem como efeito colateral a perda de peso... 
     Uma amiga minha gostava de usar ritalina, ela dizia que a deixava animada e que tinha um efeito parecido com o da cocaína. Enfim, existem diversas ocasiões em que uma pessoa solicita ao médico determinado medicamento sem realmente estar precisando dele. . 

Além do diazepan


                                                  Além do diazepan, o que me acalma?

    Costumo dizer que cada pessoa tem a sua válvula de escape para a ansiedade: alguns usam o álcool, outros a maconha e outros drogas mais pesadas. E não somente isso, existem várias outras coisas que são usadas para o alívio desse mal que assola a humanidade dos tempos atuais. E algumas dessas coisas são saudáveis, como os esportes, que liberam a endorfina e nos relaxam. 
    No meu caso em particular não uso drogas, mas vou para um caminho que também não é muito saudável: me empanturrar de comida, preferencialmente doces, bolos, tortas, chocolate, etc... 
   Além de fazer mal à minha saúde tem também o prejuízo financeiro, boa parte do meu salário vai para a padaria, pois já gosto de doces naturalmente. Quando fico ansioso a situação fica crítica e chego a comer uma caixa de bombons em uns dez minutos. Esse é um dos vários motivos pelos quais não uso os antipsicóticos, pois eles aumentam e muito o nosso apetite e então meu estômago parece não ter fundo. Então não seria boa parte do meu salário e sim ele todo que iria para a padaria....
    O futebol ajuda e muito a tirar um pouco a minha ansiedade e o meu stress. Correr, gritar, extravasar é sempre bom. Mas hoje em dia não posso e nem consigo jogar bola todos os dias. Comecei então a pedalar e está sendo muito bom. É um esporte que recomendo à todos. 
    Esse bem estar produzido pelos alimentos, pelas atividades físicas, às vezes causado por alguns medicamentos me fazem pensar se a felicidade é química.
       Quando como chocolates me sinto tão bem e disposto que nada me importa, esqueço de todos os problemas e fico sorridente. Mas quando não como fico parecendo o personagem principal da série After life. Depois do futebol geralmente como chocolates ou tomo um sorvete de chocolate. Tudo fica azul, até canto (para a tristeza dos meus vizinhos). Baixo músicas novas de músicos que não conhecia e as acho muito legais e interessantes. No dia seguinte, sem a endorfina e outras inas mais causadas pelo futebol deleto um monte de canções que me pergunto como fui perder o meu tempo de baixá-las. 
Enfim tudo fica meio cinza, não que eu saia descontando o meu mau humor em todas as pessoas, apenas evito o contato com a maioria dos seres humanos. Seria mais estado de ânimo do que mau humor. Nada tem graça e fico me perguntando o motivo das pessoas estarem rindo. 
       Quando estava morando nas ruas por causa dos surtos por um certo período morei em um albergue para pessoas em situação de rua. Precisava de um endereço fixo para tirar novamente todos os meus documentos. Uma vez na entrada vi um senhor que morava no abrigo e que em um chuvoso dia na fila para entrar no abrigo estava todo sorridente. Ele vendia picolés e provavelmente não teve um bom lucro naquele dia. Mas seu sorriso me deixou intrigado: como uma pessoa que mora em um abrigo conseguia sorrir em um dia de chuva enquanto outras pessoas com bom poder aquisitivo são mau humoradas?
    Afinal, o que é a felicidade? Está em algum lugar, em algo, ou em dentro de nós? Ou é um conjunto de coisas?
    


.

domingo, 12 de fevereiro de 2023

Qual o melhor plano de saúde?

 Faltam medicamentos no Brasil 


    Semana passada fui no posto de saúde buscar o meu diazepan, que atualmente tomo 4 comprimidos por mês. 
    Antes o diazepan era o meu "o pan nosso de cada dia", ou melhor de cada noite. Ou melhor, era o meu "pan" de todas as horas, pois quando sentia que podia surtar tomava um comprimido onde quer que eu estivesse, até no meio da rua mesmo, pois sempre andava com a cartela no bolso. Comecei com cinco miligramas, depois passei para 10mg e depois para 20mg. 
    Com o passar do tempo os 20mg não fizeram mais efeito mas não pedi para aumentar a dosagem e comecei a refletir. Logo logo iria estar tomando uns 100mg por noite se continuasse naquele ritmo.
E todos sabe o mal que esses ansiolíticos podem fazer, principalmente na questão da memória e também contribuir para o aparecimento do alzheimer
    Fiquei intrigado sobre o motivo de estar faltando um medicamento tão barato nas farmácias do Brasil. Comecei a pesquisar no google descobri que  um dos responsáveis por isso é a China, que barrou muitas indústrias por questões ambientais (as fábricas poluem muitos os rios).
    Então, por conta disso a indústria farmacêutica nacional viu aumentar e muito a importação de insumos para a fabricação de medicamentos, resultando na falta destes nas prateleiras das drogarias e postos de saúde do nosso país. 
    Por sorte consegui fazer o desmame e hoje sou quase que livre dessa droga de droga, que estava atrapalhando e muito a minha memória. Como relatei, tomo apenas 4 comprimidos por mês, por conta da abstinência adquirida ao longo de quase 15 anos de uso contínuo. 
   Foi um processo difícil e lento, com muita ansiedade, dores de cabeça, palpitação no coração e outros sintomas da abstinência de drogas. 
   Por volta dos 32 anos não conseguia sair de casa sem uma cartela do ansiolítico no bolso. Não estou livre da esquizofrenia, é uma luta diária, mas, pelo que passei e como fiquei no início da doença, hoje posso dizer que sou um vencedor. 
a atividade física melhora também a saúde mental
    Invisto muito em chás, atividade física (bike, futebol, etc), redução de café e alimentos estimulantes para não ficar dependente de algo que pode fazer mais mal do que bem. 
    Todos deveriam saber que na bula do diazepan está escrito que é para ser tomado por um período, de, no máximo 4 semanas. 
    Mas nosso país é o campeão mundial no uso desse medicamento,, talvez por falta de condições da rede pública (ou má vontade mesmo), pois, em raríssimas exceções os médicos nos informam sobre os perigos no uso prolongado desses medicamentos.
    Enfim, o melhor plano de saúde é não adoecer. Pode parecer um gasto a mais essa procura por uma melhor qualidade de vida,  mas, no final teremos menos despesas com remédios e idas aos médicos. 

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Não venci o diazepan: a luta continua

   Quem acompanha o blog sabe que desde o ano de 2008 venho tentando me livrar dessa droga de droga chamada diazepan. Neste ano havia acabado de aumentar a dose de 10mg para 20mg, pois já não estava fazendo mais o efeito que inicialmente proporcionava. Mas, após um mês de uso os 20mg também não foram  suficientes para ajudar a conciliar o sono....
   Foi aí que parei e pensei que, naquele ritmo em pouco tempo iria ter que fazer igual o Michael Jackson para conseguir dormir, pedir pro médico me aplicar medicamento de anestesia de cirurgia... 
    Para quem não acompanha o blog e queira entender melhor a situação é  só digitar na caixa de pesquisa a palavra “DIAZEPAN” que irá encontrar as postagens referentes ao tema. E também tem as tags, na parte debaixo do blog, em que relaciono os assuntos. Também é outra forma fácil de se achar as postagens, pois escrevo esse blog desde o ano de 2012 e até o dia de hoje são 389 postagens. Algumas legais e outras nem tanto. 
    Na minha última postagem sobre o assunto diazepan, havia comentando que finalmente estava livre desse vício que estava atrapalhando e muito a minha memória recente. 
    Puro engano. Eu apenas achava que estava livre. E a verdade é que também me fazia bem ao meu ego sair por aí dizendo que havia vencido o vício do pan nosso de cada dia... 

Surtei por causa da abstinência?  
    Estava feliz por ter conseguido parar com a medicação. Os dias e noites foram passando. Aos poucos fui ficando cada vez mais irritado. Às vezes achava legal sentir o coração disparando, por causa de um susto ou emoção boa. Tinha saudades de sentir aquele friozinho na barriga ao passar por uma situação perigosa, por exemplo.  Os ansiolíticos me deixavam sem emoção e é uma sensação terrível se sentir um robô. Além da falta de emoção, o diazepan estava acabando com a  minha memória recente. Não estava conseguindo memorizar números  de celulares, nomes de pessoas e ruas e outras coisas simples que recordava com facilidade. A memória dos fatos ocorridos antes de começar a tomar o diazepan sinto que estão preservadas em minha mente. O esquecimento é  o natural  devido ao passar dos anos.
    E além dessa questão do esquecimento, estudos comprovam que o uso prolongado de calmantes  à base de benzodiazepínicos podem aumentar em mais de 50% a probabilidade de demência precoce e alzheimer.
Fonte: https://veja.abril.com.br/saude/uso-prolongado-de-calmantes-pode-elevar-risco-de-alzheimer/

   Além da irritação, a mania de perseguição também aumentava consideravelmente E acho que  surtei  e fiquei  fora do meu normal por um bom tempo. Pensava que nunca mais iria surtar por pensar que entendia alguma coisa de transtorno mental. E esse é o problema, quando achamos que dominamos algo, ficamos mais relaxados e distraídos. Pensava que iria saber quando estava começando a surtar e que poderia no momento que quisesse tomar algum medicamento forte e dar uma apagada e assim um zerar o stress.
   Mas o problema é que não percebi, pois o surto pode ser um processo lento e bem demorado.  E foi o que aconteceu. Estava feliz por que pensava que havia vencido a dependência física e psicológica do pan nosso de cada dia. Mas   não estava percebendo que a cada dia que passava as paranoias aumentavam... 
    Cheguei a ouvir uma voz bem nítida, dizendo que “iriam me atropelar”. Isto aconteceu quando estava andando de bike. Naquele  momento atribuí a voz à uma menina que estava sentada em um ponto de ônibus, pois a voz parecia ser feminina e ela era a primeira pessoa que tinha avistado. Hoje sei que foi uma alucinação, pois a voz estava num tom nem alto e nem baixo, era em um volume normal. Mas a menina estava distante de mim cerca de uns 40 metros, e a rua era bem barulhenta por causa da intensa movimentação de carros.
    Por estar meio acostumado a pirar, nesse surto não saí pelas ruas e br’s como fazia antigamente. E, de alguma maneira consigo disfarçar as coisas e deixar transparecer que está tudo bem. O disfarce é tão bom que até a gente mesmo pensa que está tudo bem. E esse é o maior perigo.
    Nos surtos não agrido as pessoas fisicamente. Antes fugia dos inimigos imaginários. Hoje também fujo, mas vez ou outra quando estou muito irritado faço coisas que  não são muito legais, como ofender e falar coisas não muito legais também. 
    Uma vez ofendi uma menina na entrada do banco e me arrependo muito disso. Para um paranoico como eu ir ao banco não é uma das melhores tarefas. Fico imaginado que os seguranças do banco estão falando no rádio de comunicação para ficarem me vigiando. Penso que eles pensam que eu sou daqueles que fazem algo no caixa do banco para conseguir acesso à conta de outros clientes. Quando consigo sacar o dinheiro da minha conta, dá até vontade de mostrar as notas para os seguranças. 
   Então foi em um dia desses que xinguei a menina na entrada do banco.  Entrei rapidamente para sair mais rapidamente. Ela ficou parada na porta e a ofendi. Estava há muito tempo sem tomar o diazepan e algumas noites sem dormir . Não estava conseguindo relaxar a musculatura nem quando ia no parque, para ficar sozinho e escutar o som dos pássaros cantando. E não foi somente essa menina que xinguei. Sei que isso não pode ser justificativa para ofender as pessoas, mas não é nada fácil ser um dependente químico de uma droga lícita que te faz esquecer muitas coisas. 
    No futebol no centro de convivência (Cersam) também fiquei sendo o chato da pelada. Quando não tocavam a bola pra mim ficava insuportável. Não sei como o pessoal me aguentou por todo esse tempo.Agora já normal, só fico um pouquinho chato com aqueles caras fominhas que não tocam a bola para ninguém. 
   Mas teve uma pessoa que não me arrependi de ter ofendido. Me arrependi da forma que a ofendi, pois apenas respondi a provocações premeditadas. Digo premeditadas pois a pessoa me provocava com certa frequência e com o celular na mão, para gravar a minha reação e distribuir o vídeo ou o áudio nas redes sociais. 
   Essa pessoa, que tem mais de 60 anos, é diabética e deve ter outros problemas de saúde. E vivia se queixando de que não havia se aposentado e não fazia nenhum esforço para esconder sua revolta em ver uma pessoa com menos idade aposentada (tenho 51 anos). E estou com saúde física relativamente boa, pois procuro me cuidar e praticar esportes. Esse senhor apesar de ter diabetes exagera na cachaça e acaba passando mal. Parece que não sabe que um dos piores inimigos do fígado é o álcool.
   Então, depois de vários meses ouvindo provocações, passei a revidar, pois nem sempre conseguia estar bem para relevar aquela situação. E quando ele me provocava logo de manhã quando havia acabado de acordar é que não conseguia me segurar. Sou um cara calado e que gosta de ficar na minha. Então em algumas vezes revidei a provocação fazendo gestos racistas e falando coisas não muito legais. Não sou racista, mas foi a forma que encontrei de ofendê-lo, pois já havia até conversado com a proprietária para que ele parasse com aquilo. Mas ela não podia fazer nada, afinal era uma criancice daquele senhor, que se divertia ao me ver irritado. No final das contas, ele acabou saindo do imóvel devendo quase dois anos de aluguel, cerca de cinco mil reais. Ficou lá esse tempo todo dizendo que iria pagar quando aposentasse... 
    E segui discutindo com outras pessoas, até fiz a loucura de passar com a camisa do Flamengo no meio da torcida do atlético mineiro na avenida Silviano Brandão. Quem acompanhou o futebol sabe como é a rivalidade entre essas duas equipes. Dois caras queriam me bater depois que gritei: -"Segue o líder!". Mas a maioria levou na brincadeira. Mas que foi uma loucura, isso foi. Muitas pessoas levam a sério demais o futebol, ou melhor, usam o futebol para descontar suas frustrações.
    Nas redes sociais também chegava a ter discussões tolas, mas isso eu parei, até mesmo surtado vi que esse tipo de discussão não leva a lugar nenhum. 
    E continuei nessa situação até o dia em que tive que tomar um anti-inflamatório por que tive uma torção no joelho. O remédio me deu um soninho gostoso e finalmente consegui relaxar a musculatura como há muito tempo não conseguia. E tomei o medicamento por três dias seguidos. Foi o suficiente para voltar ao meu normal e botar os pensamentos em ordem. 
    Mas em compensação o soninho provocado pelo anti-inflamatório me deu um prejuízo danado. Capotei de bicicleta perto da avenida Cristiano Machado, aqui em Belo Horizonte. Estava descendo a rua Jacuí em boa velocidade, não prestando atenção nem no sinal e nem no carro que estava na minha frente. O sinal fechou e como estava sonolento não consegui sair ileso daquela situação. Tive que frear bruscamente e acabei me desviando do carro para não ter que ficar arranhá-lo ou amassá-lo. Fui em direção ao meio fio e capotei, tendo alguns ferimentos. 
   É por esse e outros motivos que não tomo os antipsicóticos e nem ansiolíticos. Tenho que ter disposição para resolver meus problemas do dia a dia. O jeito é ir administrando da melhor maneira possível essa dependência, e não achar que estou livre do diazepan. Tenho que reconhecer que ainda sou um dependente químico, apesar de ser um vício que não pedi para ter, pois na consulta o médico simplesmente preencheu a receita, não me alertando sobre os possíveis riscos de uma dependência física e psicológica.

Lição aprendida?

    Agora, quando sentir que estou ficando com a musculatura tensa irei tomar um comprimido de diazepan. Consigo ficar várias noites sem usar, mas sei que mais dia menos dia o meu corpo irá pedir uma dose desse ansiolítico. Sinto que a dependência no momento é mais físico do que psicológica. No início era mais psicológica do que física, era um SOS na verdade. Naquela época estava trabalhando e os antipsicóticos não me deixavam executar as tarefas de um operador de som que tem que ficar várias noites acordado durante os shows e festas. 
    Acredito que atualmente posso surtar mais pela abstinência do ansiolítico do que pela própria esquizofrenia. Com o tempo ficamos meio que acostumados com certas situações que as paranoias nos proporcionam. Tipo assim: o cara quer me matar? AH, deixa pra lá, se me matar não tenho filho para criar mesmo...   
    Analisando a situação, tenho os mesmos pensamentos e paranoias de que quando surtei. Mas agora tudo isso já não é tanta novidade para assim. O que aprendi sobre a doença tem me ajudado bastante, e vou tentando de uma maneira ou outra ir levando a vida sem maiores prejuízos a mim e aos que me cercam. E sinto que, com a idade, os SINTOMAS POSITIVOS diminuem um pouco, dando lugar aos SINTOMAS NEGATIVOS
    Agora estou mais tranquilo, consigo ir almoçar no restaurante popular de bike sem muito stress, vou pedalando com mais tranquilidade. Ir ao banco continua sendo uma situação de stress, mas dá para ir levando relativamente numa boa. Até o futebol está sendo mais tranquilo e com menos xingação, só a zoação saudável mesmo. O futebol é onde tiro o meu stress, dando aqueles chutões na bola e não descontando nos outros.
         Apesar do retrocesso em ter que tomar novamente o diazepan em alguns dias, estou feliz, pois havia uma época em que não conseguia sair de casa sem uma cartela  de diazepan no bolso. Em 2014 nas minhas andanças cheguei a passear pelas ruas de São Paulo, chegando a morar por 8 meses na capital paulista. No início  foi complicado, quase  surtei quando tentaram roubar o meu notebook,  mas depois me adaptei e acabei gostando da cidade. O  pior da abstinência também acredito que tenha passado, quando diminui a dosagem de 10mg para 5mg e tive dores de cabeça  e palpitação no coração. E em  uma época  fui um hipocondríaco, qualquer alteração no batimento  cardíaco me deixava  desesperado, era um ciclo vicioso: o coração batia de forma esquisita e eu ficava tenso. E  ficando tenso o coração não batia bem. Cheguei a cismar que tinha coração grande, pois havia visto sobre esse problema em alguma revista ou na internet.
       Hoje sou uma pessoa mais reclusa, e é mais por opção mesmo. Não sinto tanta necessidade de me relacionar com as pessoas. Não que elas não prestem, que não valha a pena se relacionar. Sinto que gosto demais de minha companhia e que me sinto um pouco prisioneiro quando tenho que conviver com outros seres humanos. Enfim, é o meu jeito mesmo. 
    Às vezes é preciso retroceder para seguir adiante. Podemos perder uma batalha, mas a guerra contra o vício ainda continua e nunca perdendo a esperança de que um dia irei me livrar dessas drogas de drogas que não pedi para ficar dependente. 

Obs: as letras maiúsculas na cor verde são links que explicam os termos usados na postagem

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Diazepan, o desmame: último capítulo final

Como fazer o desmame e parar de tomar o diazepan e rivotril

desmame do diazepan
      Hoje em dia finalmente posso dizer que estou livre do diazepan...
    Usava esta "droga" desde o ano de 2002, quando tive o meu primeiro surto psicótico grave. A receita eu consegui na minha primeira consulta, que durou menos de dez minutos. Como não conseguia tomar os antipsicóticos e trabalhar como operador de som, esse ansiolítico funcionou por um bom tempo como um S.O.S sempre quando eu sentia que poderia surtar. 
    Não é o ideal essa solução que encontrei, mas era o que tinha na época. Não tive escolha e quase sofri um acidente de trabalho sob o efeito do haldol. Tinha que ter disposição para trabalhar e resolver meus problemas, antipsicótico nem pensar 
   Com o diazepan eu tinha um pouco do controle do nível de sedação e poderia assim tentar trabalhar. Um comprimido de 10mg era o suficiente para andar no centro da cidade onde morava no início do ano de 2003. Quando sentia que estava querendo correr e fugir para casa tomava mais um. Na maioria das vezes resolvia o problema parcialmente. 
    Depois de viciado nesse ansiolítico não conseguia sair de casa sem ter uma cartela no bolso. Era a tal da dependência psicológica que havia aparecido. 
    Com o passar do tempo, a maturidade, a aposentadoria e o que aprendi com a prática sobre a esquizofrenia, pude aos poucos ir fazendo o desmame do "pan nosso de cada dia".
     Não foi nada fácil: coração disparado, dores de cabeça, pulsação forte, me lembro que algumas vezes sentia o coração batendo na ponta dos dedos das mãos. Esses foram os sintomas físicos da abstinência dessa viciante droga.
    Já os sintomas psíquicos não foram menos complicados: mania de perseguição aumentada, paranoias, nervosismo, stress e o medo de surtar a qualquer momento 
    Mas, com muita persistência e insistência finalmente consegui. De 20mg diminuí para 10mg. Depois para 5mg que foi a fase mais difícil, quando perdi muitas noites de sono. De 5mg fui bem lentamente diminuindo para cerca de 2.5mg, pois dividia o comprimido de 10mg em quatro pedaços e depois dividia cada pedaço ao meio. E então, depois de muitos meses, passei a tomar cerca de 1mg. Fiquei nessa dosagem por um bom período de tempo, até ir ficando algumas noites sem tomar nenhum tipo de ansiolítico na hora de dormir. 
    Com o passar do tempo fui arriscando a ficar dois, três dias sem usar o "pan nosso de cada dia". Aí tomava um pedaço sempre quando meu corpo pedia. O nosso organismo sempre dá alguns sinais. E também procurava rever de noite como foi o meu comportamento durante o dia, para analisar se não estava ficando agitado ou nervoso. 
    E foi questão de tempo para largar de vez os diazepínicos, minha memória recente parece estar melhorando gradativamente, antes não conseguia nem decorar metade de um número de telefone .A memória antiga estava preservada. Também senti uma pequena melhora na condição física, estou andando de bike todos os dias, e às vezes até de noite. 
     Minhas noites de sono não são das melhores, mais estou acordando mais disposto, sem aquela tradicional ressaca desses medicamentos. Mais vale quatro horas de sono natural do que oito com o diazepan.... 
    Tenho que tomar muito cuidado e me policiar constantemente para não surtar novamente. Em 2003 tive um surto gravíssimo justamente por ter ficado sem o diazepan por quase um mês
    É um vício que não pedi ter. Os médicos deveriam orientar seus pacientes sobre os riscos da dependência física e psicológica desse ansiolítico. Na época eu não tinha acesso à internet e a bula dos medicamentos tinham letras minúsculas, e nos postos de saúde nos dão apenas a cartela. 
    Os medicamentos são sim necessários, mas na dosagem, quantidade e períodos adequados para cada caso.
     O diazepan não irá resolver os problemas que estão lhe tirando o sono e nem irá pagar suas dívidas... 
    Espero com esse relato conscientizar as pessoas sobre os riscos que esses medicamentos podem trazer à nossa saúde. O Brasil é campeão mundial no uso do Rivotril, que, segundo pesquisas podem causar inúmeros danos ao nosso organismo se for consumindo de uma forma exagerada e por um longo período de tempo. 


quinta-feira, 28 de junho de 2018

Diazepan, o desmame: últimos capítulos

     
meu sonho e minha meta é um dia jogar uma caixa fora dessa droga...



     Quem acompanha o blog sabe da luta que estou travando há anos contra o vício no diazepan, uma das drogas mais viciantes do planeta. É uma novela que parece não ter fim, mas ontem consegui dar um passo importante nesse duelo: tive uma bela noite de sono sem o efeito do "pan nosso de cada dia". Acordei bem disposto e com uma energia bem legal. Fiz caminhada e alguns exercícios físicos na praça naqueles aparelhos do pessoal da terceira idade... Já estou com 49 anos e é bom que assim vou me adaptando.... 
    Chegando em casa, ainda fui lavar as roupas de cama, coisa que não gosto muito de fazer, por que são muito grandes e dá muito trabalho. E a energia está tão boa que resolvi escrever esta postagem.
    Ontem, como sempre faço, desliguei o notebook por volta das nove horas da noite, momento em que a contagem das visualizações do blog no dia termina. Estou um pouco ansioso para chegar a marca de um milhão de visitas, confesso. Sei que o mais importante é estar ajudando as pessoas fazendo algo que gosto: escrever. Mas um milhão é um milhão né? Mas não é esse o motivo de estar desligando o note, e sim me desligar de algo que me prenda a atenção, para que assim possa começar a preparar meu organismo para tentar ter uma renovadora e tranquila noite de sono. 
    Então ligo a TV, coloco no modo de economia de energia, para que assim o brilho fique quase que no mínimo, deixando o meu quarto com uma leve luz de fundo. Deixo o volume bem baixo, programo o timer para desligar em 90 minutos. E começo a procurar algum programa que não seja muito interessante, tarefa bastante fácil quando o assunto é a TV aberta. E tomo duas  cápsulas de cloreto de magnésio, que, além de me ajudar na questão das articulações, me dá um relaxamento e um soninho bem gostoso. Me dei melhor com o cloreto de magnésio em cápsulas. Em pó me dava uma ressaca na parte da manhã, e no dia que fui jogar futebol notei que estava bastante lento e pouco rendi na pelada do centro de convivência. E tomar o mineral em cápsulas me ajuda bastante, pois o diazepan causa uma dependência psicológica enorme. Então o ato de tomar alguma cápsula parece que consegue meio que enganar o meu cérebro, a sensação é que dá é que estou tomando algo especificamente feito para dormir, como um ansiolítico qualquer.
deixar a TV no modo de economia além da óbvia economia de energia pode ajudar a pessoa a pegar no sono.. 

    Até ontem somente o cloreto de magnésio não me fazia cair nos braços de Morfeu, tendo sempre que recorrer ao diazepan. Geralmente não adianta tentar esquecer ou simplesmente ignorar, o corpo acabava sempre pedindo esse droga de droga. Mas ontem, não sei se pelo efeito do cloreto de magnésio ou pelo fato da ruindade do programa que estava assistindo, consegui pegar no sono de forma natural. E acordei muito bem. Acredito que deva ter pegado no sono por volta de meia noite e acordado por volta das seis da manhã. Foram seis horas de sono natural e revigorante. Mais vale duas horas de sono natural do que dez horas de sono artificial provocado pelos diazepínicos... Pelo menos é isso o que eu acho e sinto. Posso falar isso por experiência própria.... 
    Mas é uma luta muito difícil e constante. Em 2008 estava tomando 20mg e sentia que, naquele ritmo iria, dentro de pouco tempo, estar tomando uma dose quase que cavalar. E fui então diminuindo aos poucos, com muito sofrimento, é claro. É uma das drogas mais viciantes que existe, segundo os cientistas. E é um vício que não escolhi ter. O psiquiatra, em uma consulta que durou menos de dez minutos, receitou este medicamento sem ao menos me alertar sobre os riscos da dependência física e psicológica. E na época não tinha acesso à internet para estudar o assunto. As bulas ainda eram com letras minúsculas e  usavam um vocabulário pouco acessível à pessoas leigas... Me parece que foi criada uma lei para que isso mudasse e as bulas fossem mais acessíveis linguisticamente falando. E agora as letras estão maiores também. 
    E na época não sabia nada de medicamento. Pensava que, se tomasse aquela pilula milagrosa, iria ter o sono dos justos, independente se estivesse devendo à Deus e ao mundo. ... 
   Hoje, após quase 16 anos de uso desse medicamento, minha memória está comprometida, e sinto que minha fala está um pouco arrastada. Tenho que prestar muita atenção se não estou falando meio embolado, o que é difícil. Às vezes as pessoas perguntam o que estou falando, o que já é uma boa ajuda. Então tento falar de uma maneira mais lenta e firme, para que assim possa ser compreendido. 
    Se na época tivesse o conhecimento que tenho hoje, obviamente não teria decidido usar o diazepan. Mas não sou totalmente contra os medicamentos, infelizmente existem momentos em nossas vidas em que precisamos dar um tempo, dar uma desligada. E às vezes nem só o tempo resolve, dependendo da gravidade da situação. E é aí que entram esses medicamentos e um bom profissional para nos explicar e orientar que os benzodiazepínicos só podem ser usados por um certo período de tempo... 
   Espero que eu tenha muitas noites de sono natural, é uma luta constante para me livrar dessa droga, mas acredito que hoje estou vencendo esse jogo. Já que estamos em época de copa do mundo, fica legal usar esse termo. No início estava perdendo de goleada para o diazepan, não conseguia nem sair de casa sem uma cartela do medicamento no bolso. E o placar foi aumentando à medida em que tinha que aumentar as doses. Então comecei a estudar o adversário e a vantagem foi diminuindo até que consegui empatar o jogo, quando consegui ir diminuindo a dosagem, até conseguir quase que ficar usando somente 1.5mg... É um jogo complicado, pois o time adversário às vezes consegue tomar as rédeas do jogo, e ai temos que voltar a dosagem anterior. Acredito que hoje consegui finalmente virar esse difícil duelo. Agora o próximo passo é ficar uma noite sem e outra noite com apenas 1mg, para que finalmente possa afirmar com todas as letras que finalmente venci esse terrível vício. 
   Para isso tenho que ir prestando atenção nos sinais que o nosso corpo dá, para que não possamos ter um surto ou algo parecido. Devemos prestar atenção se não estamos tendo problemas relacionados ao nosso físico: batimento cardíaco, dores de cabeça, tremedeiras etc.. E também devemos prestar maior atenção ainda aos os sinais comportamentais, é claro: irritabilidade, paranoias, nervosismo exagerado, etc... Tudo isso pode acontecer devido à abstinência. Deve ser algo bem semelhante de tentar se livrar do vício de uma droga ilícita. A diferença é que geralmente no tratamento da droga ilícita é ministrado drogas lícitas...
os medicamentos me deixam apático
   Nesse ritmo tenho certeza que irei virar esse jogo e ganhar de goleada do diazepan, que nunca mais passarei a chamá-lo de "pan nosso de cada dia"... É um caminho que escolhi seguir, sem medicamentos, com a cara e a coragem para enfrentar meus medos e tudo o que acontece nesse mundo maluco que pode nos deixar mais maluco ainda. Quero viver, me emocionar, rir e chorar. Essa publicação não deve ser encarada como um incentivo para que todos façam o mesmo, cada um tem a sua história, seu jeito de ser, e se adapta de uma forma diferente aos medicamentos. No meu caso simplesmente não houve adaptação nenhuma.  
    Até a próxima postagem e, quem sabe, livre do pan nosso de cada dia... 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O "pan" nosso de cada dia

diazepan e esquizofrenia

    São onze horas e quarenta e dois minutos da noite. Viro para a  direita, viro para a esquerda, fico de bruços, mas o sono não vem. Ai me lembro que esqueci de tomar o meu companheiro de todas as noites: o diazepan. Não adianta, a mente pode até esquecer, mas o corpo nunca esquece de nos dizer que está faltando algo para que possamos "relaxar" e assim tentar dormir e cair no sono, mesmo que este sono seja artificial e não nos ajude a recuperar as energias gastas em mais um dia de luta.
   Somente os jogos da seleção do Mano Menezes para me proporcionarem um sono profundo sem precisar de recorrer ao diazepan (ontem, 14/11/12,  conseguimos empatar com a "poderosíssima" seleção da Colômbia). O jogo foi tão ruim que apaguei antes mesmo de terminar o primeiro tempo...
    Me lembro como se fosse hoje a primeira vez em que pisei em um consultório de psiquiatria. Ainda estava morando nas ruas, devido à um surto psicótico que tive. Fui obrigado a fazer um enorme barraco na unidade de saúde do bairro Santo André, aqui em Belo Horizonte. O pessoal  não estava querendo me atender, pelo simples fato de que eu ainda não tinha  um endereço fixo. Disse então que o meu endereço a partir daquele momento seria a porta do posto de saúde, e que não sairia de lá enquanto não fosse atendido. Ai foi um reboliço danado, falaram que eu era doido, etc. Como é engraçado né? Quem usa os "serviços" do SUS deve entender o que eu estou falando: quando solicitamos algo aos funcionários com educação, somos mal atendidos e não nos dão atenção. Então, muitas pessoas dão um piti no local e são atendidos rapidamente. E ainda colocam aquele aviso na parede dizendo que desrespeitar funcionário público é crime. Mas também alguns funcionários nos dão a impressão que estão fazendo uma obrigação em nos atender, como se não fossemos nós que não pagássemos o salário deles. Digo alguns funcionários, pois existem pessoas atenciosas trabalhando no SUS, apesar de não terem condições mínimas de trabalho.



    Voltando então a minha minha primeira consulta com o psiquiatra. Já estava super bem, o surto havia passado há uns três meses. Estava super comunicativo e tendo um sono razoável, mesmo dormindo em um pedaço de papelão debaixo da marquise de um prédio. Não não estava mais enxergando inimigos por todos os lados, muito pelo contrário, estava me sentindo mais leve e bem disposto. Costumo dizer que a solidariedade das pessoas foi o meu melhor remédio naquela situação. 
    Mas ainda estava um pouco assustado com toda aquela piração pela qual passei. Muitas dúvidas ainda povoavam meus pensamentos. O que teria acontecido comigo? Seriam espíritos do mal que haviam se apossado de mim? Alguém teria colocado alguma droga em algo que havia bebido? Ou eu era realmente um louco? Aquilo tudo poderia voltar de uma hora para outra?
   Então, depois de muita insistência, consegui atendimento em posto de saúde no centro de Belo Horizonte. Estava muito ansioso para essa minha primeira consulta com o psiquiatra. Mas confesso que fui ficando desanimado ao constatar que as pessoas eram atendidas em menos de dez minutos. Me perguntei como seria possível resolver os problemas da mente de uma pessoa em tão pouco tempo. 
    Ao chegar a minha vez, entrei correndo para o consultório. A minha expectativa era de que o psiquiatra me receitasse um remédio milagroso que acabaria de uma vez por todas com os meus complexos e paranoias. Também queria um remédio que me faria dormir o sono dos justos. 
    O psiquiatra sequer me cumprimentou e também nem chegou a olhar para mim. Apenas perguntou o que eu tive. Fiquei um pouco desesperado, não sabia como contar em poucos minutos aquela loucura toda que havia acontecido comigo nos últimos meses. Sinceramente, não lembro do que disse, talvez tenha citado o tempo que permaneci no meio do mato. Só sei que, em menos de cinco minutos, após fazer algumas anotações, ele me passou um remédio chamado melleril. E, como eu tinha pedido algo para dormir, me receitou o lorazepan. 
    O que mais me deixou chateado nisso tudo, além do pouco tempo do atendimento, foi o descaso desse psiquiatra. Ele cometeu um equívoco, pois apenas perguntou o que havia acontecido comigo, e esqueceu de perguntar como eu estava me sentindo naquele momento. Como já disse, eu estava muito bem, comunicativo, tranquilo, em paz, já havia até recuperado o meu peso normal. Não tem como se fazer um diagnóstico e receitar um medicamento em cinco minutos. O que eu mais precisava naquele momento era de esclarecimento e talvez de um acompanhamento psicológico, para avaliar se eu correria ou não o risco de ter um novo surto. 
    Não tive nenhuma dessas coisas, e, como estava me sentindo bem, decidi que já era hora de voltar a trabalhar. Após algumas tentativas frustradas de trabalho em Belo Horizonte, resolvi voltar a trabalhar na mesma cidade onde desencadeei o meu primeiro surto. Não demorou muito e surtei novamente. Era como se fosse a repetição de um filme, pois fui muito caluniado naquele lugar. Sem contar as inimizades que tive por lá. O motivo dessas inimizades até hoje não descobri, pois, nunca tive problema parecido nas várias cidades por onde havia trabalhado. Voltei para as ruas novamente, só que dessa vez fui ajudado por pessoas que apareceram na hora certa e no lugar certo.
    Mas, voltando ao assunto diazepan, hoje não consigo ficar sem esse medicamento. Já cheguei a tomar dois por dia, quer dizer, a noite, antes de dormir. Já houve época em que não conseguia ir ao centro da cidade sem tomar um diazepan. Ficava desesperado só de constatar que a cartela do comprimido não estava no meu bolso. Hoje, com a situação mais ou menos estabilizada, consigo tomar apenas um na hora de dormir e pretendo ir diminuindo aos poucos até quem sabe um dia não ficar mais dependente dessa droga que prejudica um pouco a minha memória. 
    Já tentei parar de uma vez com o diazepan, mas estava ficando irritado facilmente e fiquei com receio que pudesse surtar novamente, pois a minha mania de perseguição começou a ficar bem acima dos níveis que costumo ter normalmente. 
    Por que os psiquiatras e médicos em geral não costumam alertar os seus pacientes sobre os riscos de dependência física e psicológica que esses ansiolíticos podem causar? Seria descaso? 
    Esses medicamentos apenas ajudam a conciliar o sono, não fazem milagres. Não irão fazer você esquecer seus problemas, não irão pagar suas contas e apagar da sua mente o que está tirando o seu sono. A não ser que você faça como o Michael Jackson fazia, tomando anestesia para dormir. Acho que os médicos também deveriam alertar que esses medicamentos com o tempo já não fazem o mesmo efeito, ou seja, a dose terá que ser aumentada com o decorrer dos anos.
o diazepan é apenas uma ajuda por um breve tempo... 

   Será que é tão difícil assim fazer essas duas pequenas recomendações? Demora tanto tempo assim? Alguns irão dizer: "Ah, mas isso está escrito na embalagem e na bula do remédio"... Até que está escrito, mas em qual tamanho? Por que nas embalagens do cigarro são colocadas aquelas fotos horríveis e na dos medicamentos não tem uma advertência mais visível? Será que é por que o cigarro está trazendo prejuízos ao governo devido as doenças causadas pelo tabaco? Já o diazepan não é tão caro assim, ou seja, traz prejuízos apenas a quem o usa. Sem contar que a maioria das pessoas que utilizam o SUS, não pegam a embalagem do produto e nem a bula, apenas as cartelas. E, mesmo se tivesse acesso a bula, muitos não entenderiam o que está escrito nela. Não estou aqui querendo dizer que o diazepan é um medicamento desnecessário, às vezes, em alguns casos de urgência, eles são muito úteis. Eu só quero dizer que seria muito útil os profissionais da saúde, antes de receitarem esse medicamento, fizessem essas advertências, pois grande parte das pessoas pensam que os "pans" são milagrosos, fazendo com que consigamos dormir o sono dos justos. 
    A minha memória dos fatos recentes já não está tão boa assim. O engraçado é que consigo lembrar de fatos antigos com detalhes. Percebi isso ao escrever o livro Mente Dividida. Pelo que pesquisei, um dos efeitos colaterais do diazepan é o esquecimento dos fatos recentes. Até que consigo dormir tomando o medicamento (quando os vizinhos deixam né?) mas a sensação de manhã é a de que não dormi quase nada, talvez pelo fato do diazepan não fazer com que cheguemos a fase do  sono rem, que é o sono reparador e que nos deixa mais dispostos e prontos para enfrentar um novo dia. 
     Existe um outro medicamento para dormir, que não é da família dos benzodiazepínicos, que se chama levozine. Esse faz até elefante dormir, mas o problema é que o efeito dele não cessa às sete horas da manhã, ficamos dopados até por volta do meio dia. Outro  problema acontece quando dá vontade de urinar no meio da noite. A sensação ao levantarmos é de que estamos bêbados, e o corredor fica estreito demais até chegarmos o banheiro. A solução seria o tradicional e velho pinico, que não gosto muito não. Tomei esse medicamento apenas por um dia, pois não posso ficar na cama até o meio dia né? 
    Então, ai vai o conselho: pensem duas vezes antes de começarem a tomar medicamentos para dormir. Isso pode ser para a vida inteira. Para mim vale o ditado: " Mais vale duas horas de sono natural do que duas com remédios". Tentem um chá de erva cidreira, um copo de leite morno antes de dormir, ouvir uma música suave, ver os jogos da seleção, etc. Tentem também resolver os problemas que estão lhe tirando o sono pois nenhum medicamento irá fazer isso por você.