quarta-feira, 19 de agosto de 2026
19-de Agosto Dia do ciclista
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
27º dia pedalanças Belo Horizonte à Belém do Pará-Taguatinga-TO à Novo Jardim-TO
14/08/2024Tocantins, um estado surpreendente!
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| Descansando as canelas |
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| Ao contrário do esperado, está sendo muito bom pedalar no Tocantins |
| 85km bem percorridos, apesar do forte calor típico da região. |
domingo, 12 de julho de 2026
26º dia pedalanças Belo Horizonte à Belém do Pará-Taguatinga de Tocantins
13/08/2024
Descansando em Taguatinga de Tocantins
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| Igreja matriz de Taguatinga-TO |
O problema foi que não somente os caminhoneiros, mas todo mundo que passava por ali aproveitava a estrutura do local para tomar um banho. E estava tendo a tradicional festa da padroeira da cidade, e por isso a noite foi bem agitada por ali. Muitos visitantes e também feirantes estavam na cidade.
Acordei bem cansado e desci para o centro da cidade, a fim de encontrar uma boa padaria, coisa que não encontrei ontem de noite. Sou mineiro né?
Existe uma outra cidade chamada Taguatinga, situada no distrito federal. Notei que na região existem muitas cidades com o mesmo nome em outros estados. Aliás, no distrito federal tem uma cidade chamada Planaltina, e, curiosamente, fazendo divisa existe outra cidade com o mesmo nome, só que pertencente ao estado de Goiás. Acho que muita gente que não conhece a região deve fazer confusão ao andar por ali.
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O susto do bolo de chocolate
Mas valeu a pena o sacrifício financeiro. O bolo estava não somente bonito, estava uma delícia, bem molhadinho. Na verdade, parecia mais uma torta de chocolate do que um bolo mesmo. Aliás, resolvi sair logo da padaria, pois tinha muita coisa gostosa por lá. Tinha uns potes de doce de leite que me deram água na boca. Mas consegui resistir e ir para a pracinha central.
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| Pracinha central |
Sentei em um banco e comecei a escrever o diário da viagem. Praticamente todos os dias faço o diário em um caderno, para não esquecer dos acontecimentos. Somente quando estou cansado ou passo por muitos perrengues é que deixo para o dia seguinte.
Gaúchos em Tocantins
Estava entretido nos meus escritos quando ouvi um drone sobrevoando a minha cabeça. Olhei para trás e vi que era um cara de uns 25 anos que o manobrava. Ele estava com uma mulher que aparentava ser sua mãe. Pensei que fosse a polícia monitorando o local, afinal, sou um forasteiro esquisito em uma bicicleta também esquisita. Não devo nada a polícia, sou um pacato cidadão aposentado que quer curtir a vida, não se importando com a opinião alheia. Se a gente se importar com a opinião dos que não têm nada o que fazer, não saímos de casa. É o que gosto de fazer, viajar, sair por aí, sem pressa mas com documento. Não devo nada à polícia, mas, como bom paranoico que sou, imagino que todos estão me perseguindo. Falo um pouco sobre minhas paranoias durante a viagem, afinal a esquizofrenia me acompanha por onde quer que eu vá, é a mania de perseguição que me persegue. Não tem como falar para a esquizofrenia: “Olha, vou dar uma viajada, tem como você ficar aqui em Belo Horizonte por um tempo? (obs: essas letrinhas em azul são links para ver outras postagens do blog referente ao tema do qual estou narrando no diário)![]() |
| os gaúchos visitando Taguatinga |
A mulher que estava no banco da praça parecendo a mãe do menino começou a conversar comigo. Perguntou se eu viajei por causa da padroeira, se eu era devoto. Disse que não ligava muito para essas coisas, mas que respeitava a crença das pessoas. Conversamos sobre viagens, ela me disse que se aposentou e que agora vai aproveitar a vida para curtir e descansar. Ela é do Rio Grande do Sul e trabalhava na propriedade da família, cultivando maçã, uva e outras coisas típicas do sul do país.
Ela me ofereceu chimarrão. Ela disse que era como se fosse o cafezinho dos mineiros. E que ficava com dor de cabeça se ficava algumas horas sem tomar. Ela preparou ali mesmo na praça. Me passou a sua própria cunha. Não tive receio de tomar no mesmo bico que ela. A bebida tem um gosto difícil descrever. Não é forte, não é doce e também não amargo. Talvez ela tenha feito um chimarrão fraco, sei lá. Não curti, ela me perguntou se havia gostado:
- “A sim, é muito bom” - respondi meio sem graça, tentando fazer cara boa.
E logo percebi que fiquei um pouco animado, e a gaúcha me disse que a bebida contém cafeína também, assim como o cafezinho da mineirada.
Depois do bate-papo com os gaúchos fui almoçar e logo depois aproveitei para descansar, afinal ciclista viajante solitário também tem que ter seu dia de folga para descansar as canelas. E o calor estava muito forte na região. Estou um pouco receoso como será a temperatura daqui pra frente, à medida que vou me aproximando de Belém. Já me disseram que no Pará é bem calorento e faz suar bastante.
Dormindo na missa
Estava descansando debaixo de uma árvore na pracinha central da cidade. Por volta das cinco da tarde o local mais parecia uma igreja lotada. Muita gente chegando, principalmente famílias.Resolvi ver a missa, não somente por me interessar pela cultura local, mas para ver como era o som da igreja. Pelo visual o som parecia ser muito bom. Trabalhei 17 anos como operador de som, e até hoje a música é uma das minhas paixões. Mas antes fui na padaria "jantar" um potão de doce de leite que havia visto no café da manhã.
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| Secretária de cultura |
Comer meio quilo de doce de leite me deu uma moleza danada, ainda mais naquele calor. Estava uma delicia, era um pouco diferente do doce de leite que se vende em supermercado, mas era muito bom. Rapidinho desceu goela abaixo. E desceu também a pressão, por conta do calor.
Voltei para a praça, que estava quase que lotada, Consegui achar uma cadeira bem no canto, um pouco distante do palco. E não parava de chegar gente. À medida que a praça enchia de pessoas, mas desconfortável eu ia ficando. E também me senti deslocado pois estavam todos bem vestidos, e eu, de bermuda e tênis bem usado.
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| A missa estava bem cheia |
Voltei para o posto de gasolina e montei a barraca no mesmo lugar da noite anterior .
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| Estou gostando muito de pedalar por essa região, apesar do calor. |
quarta-feira, 24 de junho de 2026
25º dia pedalanças Belo Horizonte à Belém do Pará-Combinado-TO à Taguatinga de Tocantins
12/08/2024
Conhecendo o menor rio do mundo!
A Noite Mágica Que Se Transformou em Pesadelo
Montei minha barraca como de costume e me preparei para dormir. Mas, para o meu desespero, algo inusitado e inesperado aconteceu e acabou tirando o meu sono.
O galo da madrugada
Tirando o galo, a madrugada foi tranquila na cidade de Combinado. Só um cara de madrugada passou correndo fugindo da polícia. Ele passou bem próximo à barraca. Logo atrás vieram os policiais em uma viatura, mas passaram direto. Como estou vulnerável em uma barraca, não me envolve nessas confusões.
Mas o galo cantou a madrugada inteira sem parar, imponente, sem parar. Aliás, parou, às cinco e meia da manhã. Exatamente no momento em que saí da barraca para desmontar acampamento. Isso não era coisa de Deus, pensei. Era um demônio da noite disfarçado de galo.
Acordei detonado. E cometi o erro de comer muito no café da manhã, pensando que a energia dos alimentos iria suprir o cansaço de uma noite mal dormida. Engano meu, fiquei mais na moleza ainda.
O cansaço tomou conta
O jeito foi procurar uma grama com uma boa árvore para dar aquela sombra. Tirei o tênis e fiquei ali deitado por quase duas horas. Sinto uma energia boa ao andar descalço pela grama e pela areia. Dizem que absorvemos a energia da mãe terra. Alguns moradores me olhavam curiosos, mas estava tão cansado que não tive ânimo para conversar com as pessoas. Aliás, naturalmente não sou muito de conversar, mas nessas viagens até que falo bastante.
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| Aurora do Tocantins |
A ressureição
Lentamente senti o ânimo voltar e comecei a pedalar novamente. Conheci os Rios Azuis, que é um ponto turístico naquela região do Tocantins. O local é lindo, onde fica um dos menores rios do mundo. No estado é conhecido como o menor rio do mundo. Ele tem 147 metros de extensão. Na verdade é o menor rio da América Latina e o terceiro menor rio do mundo. Mas, independentemente do tamanho, vale a pena conhecer a região pela sua beleza. É pequeno em extensão, mas gigante pela sua beleza.
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| Rio azuis, o terceiro menor rio do mundo. Mas gigante pela sua beleza. |
O pessoal da entrada de Rio Azuis foi super gente boa e me deixaram entrar sem pagar. Dei uma volta e tirei algumas fotos. Era domingo e o local estava bem cheio. Fiquei meio sem graça de tomar um banho de rio e então negociei um rango em um restaurante do local, pois ali tudo era um pouco caro para minhas parcas condições financeiras.
Segui a pedalada do dia e encontrei um rio legal para lavar minhas roupas. Estava mais animado na parte da tarde. O visual do caminho até Taguatinga de Tocantins é muito bonito mesmo, com formações rochosas imponentes que faziam uma linda combinação com o céu avermelhado de um fim de tarde em Tocantins. Tirei várias fotos, apesar de estar escurecendo.
Final de tarde contemplativo e a escuridão da BR
| Belo final de tarde na chegada de Taguatinga de Tocantins |
Aliás, aconteceu algo engraçado. Estava pedalando por volta das cinco horas e, como usava óculos escuros, imaginei que já anoitecia. Me acostumei tanto com os óculos no rosto que havia me esquecido dele. E comecei a pedalar um pouco mais rápido. Me lembrei alguns quilômetros depois que estava usando óculos e o dia ainda estava claro.
E continuei a pedalada, parando às vezes não para tirar fotos, apenas para contemplar a beleza daquele lugar com o pôr do sol maravilhoso. As formações rochosas, o céu avermelhado e as nuvens formavam uma linda combinação que só Deus poderia ter criado.
E então escureceu de verdade. E não tinha uma lanterna sequer. Aliás, tinha a lanterna que havia ganho em Minas Gerais, mas não inventei uma gambiarra para colocá-la no guidão. O jeito foi pedalar por aquela BR escura e sem acostamento. Tive que tomar muito cuidado pois sabia que com muita dificuldade os motoristas me veriam naquelas condições. Acredito que pedalei cerca de dez quilômetros naquela escuridão. O cuidado foi redobrado para não cair em algum buraco da estrada ou então passar por cima da algum galho de árvore e perder o equilíbrio. A estrada ficava um breu quando não passava veículo e tive que pedalar bem devagar.
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| Essa era a minha visão na BR. A imagem está um pouco mais escura, por causa da câmera |
Com muita cautela consegui chegar em Taguatinga de Tocantins por volta das nove horas da noite. A cidade também era bem escura na entrada. E logo imaginei que poderia ser ponto de venda de drogas. E o medo toma conta de mim. Sigo observando tudo e à todos. Todo mundo parecia suspeito. Encontrei um bom posto de gasolina com uma boa estrutura para os caminhoneiros. Dois banheiros com ducha quente, uma área para jogar sinuca, uma mesa, tanque e cadeiras em volta de uma mesa. Conversei com alguns caminhoneiros e me tranquilizei. Antes de montar a barraca procuro algo para comer, mas só encontrei salgados e lugares que vendiam “jantinhas”. Não queria comer arroz com feijão e carne, queria algo de padaria, tipo um pedaço de bolo, yougurte, etc... Com muito custo encontrei uma, mas estava meio vazia. Comprei biscoitos e yougurte, meio insatisfeito. Mas era o que tinha, estava tudo muito escuro e não gosto de chegar nas cidades de noite.
Mais um dia de belas surpresas e natureza exuberante. Um dia feliz.
domingo, 14 de junho de 2026
24º dia pedalanças Belo Horizonte à Belém do Pará- Monte Alegre-GO à Combinado-TO
11/08/2024Entrando em Tocantins
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| Cidade de Combinado, em Tocantins |
Tudo colaborou para que tivesse uma excelente noite de sono: havia dormido no lava jato, tomado um bom banho, me alimentado bem e tudo mais. E também dormir com uma pessoa conhecida ajuda a aumentar a sensação de segurança. E havia conhecido pessoas legais, que eram os proprietários do estabelecimento. Conversamos muito na noite anterior e rimos muito. E rir sempre é o melhor remédio, inclusive para pegar no sono.
O ciclista cearense disse que não havia dormido tão bem, por conta dos mosquitos. Estava usando uma rede. Ele é bem prático, leva apenas uma mochila que não é muito grande, e a rede, é claro. Todas as três vezes que o encontrei pelo caminho estava usando a mesma roupa preta. Rapidamente desmonta seus apetrechos e está pronto para partir. Pacientemente ele me espera desmontar acampamento. Fomos até a padaria mais próxima e tomamos o café da manhã, cada um pagando a sua conta. Ele tinha um celular de tela grande e a bike dele era uma aro 29. Não sei se ele tinha condições financeiras boas, mas pelo tipo de conversa parecia sim ser de classe média ou mais.
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| Estradas desertas vão tomando conta do caminho à medida que avanço sentido Belém |
Mas, como ele era bem mais jovem do que eu e tinha uma bike melhor, com facilidade acabou me passando sem me dizer nada. Acho que ele entendeu que a minha caminhada é solitária.
E segui viagem, no meu ritmo, pela quase deserta estrada. Percebo que, à medida que vou me aproximando de Tocantins, as estradas vão ficando mais solitárias também. Me disseram na entrada de Goiás que em Tocantins existem muitos trechos semi desertos. E, como não tenho GPS terei que tomar o máximo de cuidado para não cair em um trecho longo e pouco habitado, pois não levo muita água e nem comida na bagagem. Terei que me informar o máximo possível com os moradores da região sobre os percursos e os melhores caminhos a seguir.
O meu GPS está sendo Gente e Pessoas Solicitas. E é melhor do que o google maps, afinal os moradores da região conhecem os atalhos e as belezas dos lugares onde moram melhor do que ninguém.
A estrada para Campos Belos é muito boa, como a maior parte das Brs de Goiás. Parece que as “estradas ruins” desse estado são melhores do que as estradas boas de Minas Gerais. E, como havia descansado bem na noite anterior, segui em um bom ritmo e cheguei em Campos Belos por volta do meio dia. Foram quase 80km só na parte da manhã! Meu rendimento em relação à primeira pedalança em 2019 está bem melhor. Fiz alguns ajustes na Margarida e eu, apesar de quase seis anos depois, continuo pedalando bem.
Parei em uma pracinha, e, antes de me sentar, o pessoal da igreja assembleia de Deus me chamou para lanchar. Eles estavam distribuindo lanches para os moradores de rua e outras pessoas naquela praça. Era o dia dos pais. Nem sabia, já sou meio alheio às datas comemorativas, e nessas minhas viagens fico por fora de tudo.
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| Pracinha em Campos Belos onde tomei um gostoso lanche que serviu como almoço |
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| Qual caminho seguir? O mais curto ou o mais agradável? |
Na saída de Campos Belos encontro um senhor fazendo manutenção em uma “Kombihome”, que, basicamente é uma Kombi transformada em uma casa sobre quatro rodas. O veículo é bem conservado e as adaptações ficaram ótimas. Conversamos por um bom tempo e nos despedimos.
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| Uma linda Kombihome na saída do estado de Goiás |
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| Entrando em Tocantins... |
Chego na cidade de Combinado por volta das cinco da tarde. É uma pequena cidade com poucas pessoas nas ruas, e, além de tudo era um domingo. Ainda tinha forças para continuar a pedalar, mas, como não tenho lanternas, resolvo parar ali. Foram quase 80km que começaram cheio de dúvidas e incertezas, mas que terminaram bem em uma simpática cidade do interior do Tocantins.
Parei em um posto de gasolina e os frentistas foram muito atenciosos comigo, ficamos conversando por um bom tempo, até o momento em que resolvi montar a barraca, por volta das dez horas da noite. Fiquei sabendo que o nome da cidade se deu por que no início haviam vários proprietários de terra no local e que combinaram de juntar suas posses para inaugurar a cidade. Dai o nome de Combinado.
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| A vegetação em Tocantins ainda é cerrado, mas com mais árvores e verde. |
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| Centro de Combinado-TO |
segunda-feira, 8 de junho de 2026
Um dia feliz
Hoje foi um dia feliz.
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| Ipatinga-MG Em primeiro plano, a siderúrgica Usiminas |
quinta-feira, 21 de maio de 2026
Mudanças
Depois de ter viajando por cerca de dez mil quilômetros pelo Brasil voltei a morar em Ipatinga, no interior de Minas Gerais. É uma cidade que gosto e morei por vários anos seguidos, entre os anos de 2004 e 2012.
Nesse ano resolvi começar as minhas andanças pelo Brasil. Fiz os quatro caminhos da estrada real, andei pelo litoral de São Paulo e do Espírito Santo. Conheci a cidade de São Paulo e fiz outras viagens mais.
Me transformei como pessoa e passei a enxergar o mundo de uma outra maneira. E viajar sempre esteve no meu sangue. Se não tem como viajar de avião ou de carro, vai a pé ou de bike mesmo.
Estou mudando para um outro bairro de Ipatinga. O condomínio onde moro está sem água, por que é um medidor para quatorze prédios e 240 apartamentos. O corte foi devido à inadimplência de muitos moradores e a dívida já chega à 750 mil reais.
A solução é mudar de local. Terei um gasto com frete e o ajudante. E além de tudo terei que comprar fogão, panelas e outras coisas mais, pois o imóvel onde estou é mobiliado e o que irei mudar não tem móveis.
Quem puder ajudar o PIX é 31 97231 7098 Julio Cesar dos Santos de Oliveira
Qualquer valor é bem vindo.
Obrigado pela atenção e visita ao blog.
domingo, 3 de maio de 2026
23º dia pedalanças Belo Horizonte à Belém do Pará- Teresina-GO à Monte Alegre-GO Dia difícil de muito calor
10/08/2024Sofrência no calor e sem almoço na viagem cansativa
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| Um belo rio no meio do caminho |
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| Retão de dar sono no esquizo... E muito calor e sem pontos de apoio. |
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| Pracinha e igrejinha do povoado de Paranã |
Igrejinha em Monte Alegre
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| Depois de um dia difícil um pôr do sol tranquilo em Monte Alegre |
sábado, 18 de abril de 2026
22º dia pedalanças Belo Horizonte-Belém do Pará- Saindo de Alto Paraíso depois de três dias de descanso.
09/08/2024
Difícil despedida de Alto Paraíso
Depois de três dias de folga chegou a hora de partir. Vou embora de Alto Paraíso. Um pouco triste, pois não é fácil se despedir de um lugar tão maravilhoso e abençoado em sua natureza. Mas me sentia realizado, afinal é mais um lugar riscado de minha listas de lugares que pretendo conhecer algum dia.
E não é somente a beleza do lugar que me encantou, o ambiente é muito bom, uma energia boa pairava no ar. E essa energia me contagiava e se refletia também na parte física. Estava pedalando bem e sem me cansar. Talvez seja o ar puro e o visual do local. Ou algo superior...
Dormi em Alto Paraíso no lugar de sempre, depois que no primeiro dia quase congelei na grama do posto de gasolina. Tive a sorte de encontrar pessoas boas que me deixaram montar a barraca em frente do bar, com a obrigação de desmontá-la antes das seis e meia. Todas as noites foram excelentes, cheias de tranquilidade e paz. Aliás não vi nenhum desentendimento entre os moradores da cidade, uma única voz mais exaltada sequer. A paz domina o lugar e acaba contagiando as pessoas. Não vi nem cachorro brigando...
Hoje irei pedalar até a cidade de Teresina de Goiás. Serão 70km em uma estrada solitária, segundo me informaram os moradores.
Tomo o meu café e sigo a estrada, que é uma delícia de se percorrer. Asfalto em excelente estado e a maior parte, descidas. Alto Paraíso está à 1272km acima do nível do mar. Na ida sofri um pouquinho para chegar, foram 70km de muitas subidas íngremes, entre São João D’aliança e Alto Paraíso. Agora estou descendo o que havia subido. Me arrisco um pouco deixando a bike pegar velocidade mas raramente passa algum veículo naquela Br. Qualquer descuido pode me causar sérios problemas. Mas o bom asfalto convida a sentir um pouco de adrenalina, é uma sensação deliciosa descer na maior velocidade e sentir aquele ventinho no rosto e o barulho do vento nos ouvidos.

A BR é bem solitária mesmo, quase sem casas e estabelecimentos comerciais. Aqui estou gostando dessa solitude. Estou sem pressa e curtindo ainda mais o caminho. Também não tem árvores para dar aquela sombra nas paradas para descansar. Consegui achar uma bem pequena, mas à medida que o sol ia passando tinha que mudar de lugar para acompanhar a sombra. Por falar no sol, ele estava bem forte na hora do descanso, por volta do meio dia. Acredito que é o dia que mais fez calor até hoje nessa minha viagem. Deitado na grama deu para ver na BR o vapor subindo do asfalto. Lugar para almoçar somente em Teresina mesmo.
E não é somente a beleza do lugar que me encantou, o ambiente é muito bom, uma energia boa pairava no ar. E essa energia me contagiava e se refletia também na parte física. Estava pedalando bem e sem me cansar. Talvez seja o ar puro e o visual do local. Ou algo superior...
Dormi em Alto Paraíso no lugar de sempre, depois que no primeiro dia quase congelei na grama do posto de gasolina. Tive a sorte de encontrar pessoas boas que me deixaram montar a barraca em frente do bar, com a obrigação de desmontá-la antes das seis e meia. Todas as noites foram excelentes, cheias de tranquilidade e paz. Aliás não vi nenhum desentendimento entre os moradores da cidade, uma única voz mais exaltada sequer. A paz domina o lugar e acaba contagiando as pessoas. Não vi nem cachorro brigando...
Hoje irei pedalar até a cidade de Teresina de Goiás. Serão 70km em uma estrada solitária, segundo me informaram os moradores.
Tomo o meu café e sigo a estrada, que é uma delícia de se percorrer. Asfalto em excelente estado e a maior parte, descidas. Alto Paraíso está à 1272km acima do nível do mar. Na ida sofri um pouquinho para chegar, foram 70km de muitas subidas íngremes, entre São João D’aliança e Alto Paraíso. Agora estou descendo o que havia subido. Me arrisco um pouco deixando a bike pegar velocidade mas raramente passa algum veículo naquela Br. Qualquer descuido pode me causar sérios problemas. Mas o bom asfalto convida a sentir um pouco de adrenalina, é uma sensação deliciosa descer na maior velocidade e sentir aquele ventinho no rosto e o barulho do vento nos ouvidos.
A BR é bem solitária mesmo, quase sem casas e estabelecimentos comerciais. Aqui estou gostando dessa solitude. Estou sem pressa e curtindo ainda mais o caminho. Também não tem árvores para dar aquela sombra nas paradas para descansar. Consegui achar uma bem pequena, mas à medida que o sol ia passando tinha que mudar de lugar para acompanhar a sombra. Por falar no sol, ele estava bem forte na hora do descanso, por volta do meio dia. Acredito que é o dia que mais fez calor até hoje nessa minha viagem. Deitado na grama deu para ver na BR o vapor subindo do asfalto. Lugar para almoçar somente em Teresina mesmo.
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| Pouca sombra no caminho. Dava para fritar um ovo no asfalto... |
A tendência agora é a temperatura ir subindo, à medida que vou me aproximando da região norte. Dizem que Tocantins é bem quente. Descobri que Tocantins fica na região norte e não no centro oeste, como imaginava, afinal esse estado surgiu da divisão do estado de Goiás. Depois irei passar no Maranhão, na região nordeste. E depois voltarei para o norte, no Pará, para finalmente chegar em Belém, o destino final. Mas pouco me preocupo com o final da viagem, o grande barato de uma cicloviagem é a própria viagem, e não cumprir um desafio de se chegar à algum destino pré-definido. Não me preocupo com quantos kms faltam, até ficho chateado quando alguém me informa esse detalhe. Se ficarmos focados nos kms que faltam acabamos ficando cansado só de imaginar a distância. Tem muito de psicológico nessas viagens, não é só condicionamento físico. É a caixola também funcionando para nos empurrar e seguir viagem nos momentos mais difíceis.
A estrada é tão boa que meu humor está ótimo, talvez pelos dias que passei em Alto Paraíso. E começo a cantar, já que a estrada é praticamente deserta. Não sei se por influência da região, me arrisquei no forró nesse trecho. Aliás, não sei cantar, só solto minha péssima voz quando estou só na BR ou então quando quero irritar alguém.
Passei pelo paralelo 14, uma linha imaginária geográfico-mística que atravessa o planeta e é muito conhecida no turismo esotérico por passar por locais de alta energia. Dizem ter um túnel secreto que supostamente nos leva até a cidade peruana de Macchu Picchu, outra região famosa pelo misticismo. Engraçado que em São Thomé das Letras tem uma lenda parecida, na gruta do Carimbado. Entrei uns 20 metros nessa gruta, mas como é tudo muito estreito e escuro, não segui adiante. Outros pessoas afirmam que o paralelo 14 seria uma linha imaginária que corta o planeta, atravessando Alto Paraíso e também até Macchu Picchu. Enfim, por ali teria uma passagem física e uma outra extra dimensional, ou algo parecido. Abaixo o link com o mapa dessa linha imaginária
Depois do almoço encontro um local com muitas árvores e aproveito para descansar, apesar de ter chegado em boas condições, apesar do forte calor. Acredito que daria para chegar na próxima cidade, mas nessas viagens não uso GPS e não me preocupo muito com números e sigo a minha intuição e os conselhos dos moradores da região em que estou.
Apesar do calor foi uma pedalada prazerosa
Teresina é uma cidade muito pacata e charmosa, o lugar ideal para passar o restante do dia. Enquanto estava descansando passou por mim o ciclista que avistei indo para o povoado de São Jorge. Dessa vez acenei para ele, devido à tal coincidência quase que improvável de se acontecer em uma cicloviagem. Ele apenas me cumprimentou e seguiu viagem. O descanso estava uma delícia naquelas sombras e fiquei ali um bom tempo, sendo só incomodado por alguns minutos pelo “carro da melância”. Não adianta, todo lugar tem um carro de alguma coisa, só mudando o produto de acordo com a região: ovo, melancia, pão de queijo, etc...
Por volta das quatro horas procuro um lugar para me banhar. Em Belo Horizonte tinha o costume de dizer tomar banho, mas agora estou pegando um pouco do modo de falar diferente. Encontrei um posto de gasolina na praça central da cidade e os funcionários foram atenciosos, e deixaram montar a barraca no local depois do sol se pôr.
E quando escureceu apareceram vários garotos que saíram de dois ônibus. Eram jogadores de algum time de alguma cidade vizinha. Acho que pararam ali para lanchar. Estava com uma mania de perseguição absurda, imaginando que eles iriam querer pegar meus pertences. E tive essa sensação com os moradores da cidade também. Imediatamente lembrei que no dia anterior, depois do almoço e de tomar um suco de abacaxi fiquei meio alegre e muito relaxado e muito zen, até cheguei a imaginar que o dono do restaurante havia colocando algo no meu suco.
E dizem que maconha pode causar paranoias e mania de perseguição. Sim, algo natural pode causar delírios e alucinações. Uma das causas da esquizofrenia é o consumo de drogas. Pode ser genética também. Mas as drogas também causam. E minha mania de perseguição, que já é alta, ficou em níveis alarmantes naquela noite.
Um outro morador, que deveria ter uns 20 anos, ficou olhando para dentro da barraca e se insinuando para mim. Ele parou bem em frente e ficou se requebrando ao som da música que vinha da lanchonete da praça. Mas a única coisa que eu queria era descansar as canelas para seguir viagem no dia seguinte. Como será a minha noite¿ Será que essa paranoia de perseguição foi causada por um suposto suco de abacaxi batizado¿ Será que vai voltar tudo novamente¿ Estou com 56 anos e só usei maconha três vezes em minha vida, na adolescência, e mesmo assim não aspirei a fumaça corretamente, pois tossi um pouco e não sabia “tragar”. Minha esquizofrenia é genética, pois minha mãe também tinha alguns elementos da esquizofrenia.
Mas espero que a noite seja tranquila, montei a barraca em frente da pracinha, que é bem movimentada. E como é sexta feira a galera está tomando umas cervejas e o forró está na maior altura. Mas acredito que vai ser possível dormir um pouquinho.























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