quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O esquizo responde- parte 3

Esquizofrenia- Perguntas e respostas
    O título das postagem pode parecer e talvez seja, à princípio, um pouco pretensioso. Afinal, o que um cara com esquizofrenia e cheio de perrengues pode responder sobre um assunto que nem os "profissionais" da área da saúde mental conseguiram até hoje uma resposta definitiva? Digo que ainda não encontraram pois dia após outro aparecem matérias dos cientistas afirmando que foram encontrados novos medicamentos, novas fórmulas, novas descobertas de se ter um melhor controle sobre o transtorno.
Abaixo mais um link de mais uma nova "descoberta" dos cientistas acerca da esquizofrenia.
http://entendendoaesquizofrenia.com.br/website/?p=6668
    Voltando ao assunto, não sou dono da verdade e nem tenho a pretensão de ser. Sempre errei e vou continuar errando, pois sou um ser humano como qualquer outro. Lógico que não vou usar essa condição como pretexto para sair por aí fazendo um monte de cagadas. A grande vantagem é que podemos sempre aprender com os nossos erros. Estou sempre aberto à críticas e sugestões, e aprendi muito com os comentários dos leitores aqui no blog.

    Não me considero uma pessoa inteligente para fazer uma postagem com esse título. Apenas sou um cara esforçado e que procura sempre se cercar de pessoas inteligentes. Já perdi a conta de quantas vezes fiquei em uma roda de conversa (digitei à princípio "rede de conversa" pois ultimamente ando mexendo muito em computadores) apenas ouvindo, ouvindo e ouvindo as ideias e teorias das pessoas, a fim de absorver alguma coisa de interessante. A inteligência também se "pega"....
    E na época em que era uma pessoa sociável procurava sempre me cercar de pessoas inteligentes. Mas ai vem a questão do conceito "inteligência", aquele lance de ser um sábio e também da inteligência emocional. Enfim, é algo bem complexo para se discutir, mas só sei dizer que inteligência não necessariamente é sinônimo de um diploma de curso superior.

    Então, pelo fato de estudar o assunto e por também sentir na pele o que é a esquizofrenia e seus complicados sintomas é que me considero capaz de pelo menos tentar ajudar e responder algumas questões que cercam esse ainda misterioso transtorno da mente chamado esquizofrenia.

1- O esquizofrênico conversa sozinho?
    Sim e não.
    A pessoa que tem esquizofrenia pode conversar consigo mesma como qualquer pessoa dita "normal". Na minha opinião conversar não é o gesto de abrir os lábios, podemos dialogar sobre nossas dúvidas e outras questões em silêncio mesmo.
    E algumas pessoas  costumam pensar alto, ou seja, falam o que pensam quando estão sozinhas, o que pode ser considerado uma loucura para algumas pessoas.
    Quando estamos surtados, podemos sim dialogar com os nossos delírios e alucinações, que, naquele momento específico se tornam reais em nossas mentes. No meu caso em particular não me lembro de ter falado alguma coisa quando estava sozinho, pois acreditava que as pessoas ao meu redor podiam 'ler" os meus pensamentos. Então respondia também através do pensamento, como se fosse uma telepatia mesmo.
    Já fora das crises converso muito comigo mesmo, sou bastante introspectivo, como todo bom mineiro. Converso comigo mesmo, me peço opiniões sobre diversos assuntos, já que depois que descobri um pouco de mim mesmo após os surtos passei a acreditar mais na minha própria pessoa.
E acho muito válido essa conversa, pois é melhor conversar sozinho do que se abrir para uma pessoa que pensamos ser nosso amigo. Se não tem em quem confiar, confie em si mesmo.

2- Quais são os efeitos colaterais dos antipsicóticos que você já usou?
    Bem, já dediquei postagens inteiras sobre as reações adversas que tive ao usar alguns antipsicóticos. Por isso vou dar uma resumida aqui bem breve. Caso o leitor queira achar uma postagem sobre um assunto específico, basta procurar no motor de busca, uma ferramenta que existe no próprio blog e que se situa no lado superior direito da página.
o blog tem o seu próprio "google"...

    Então vamos a pequena lista dos principais antipsicóticos que já experimentei. Antes, gostaria de deixar bem claro que essas reações variam de pessoa para pessoa e também da dose usada. Não gostaria de desencorajar aqui ninguém a não tentar usar os medicamentos para controlar uma crise.
    -Diazepan; Apesar de não ser um antipsicótico, resolvi colocar o diazepan na lista pois ele funcionou por um bom tempo como um s.o.s para mim, já que na época dos primeiros surtos ainda trabalhava e não conseguia ter muita disposição tomando o haldol, que foi um dos antipsicóticos que já experimentei.
     O diazepan dá uma ressaca, de leve a moderada, dependendo da dose usada, principalmente na parte da manhã. E tive um prejuízo muito grande na memória recente. Hoje em dia com muita dificuldade consigo decorar um número de celular, por exemplo. Mas lembro com alguns detalhes coisas que me aconteceram antes de começar a tomar o diazepan. A diferença é muito grande, não sei o que acontece com as informações, mas simplesmente quando vamos a procurar em nosso "HD" não a encontramos. Já os fatos do passado distante parecem estar preservados, bastando um acontecimento para reavivá-las em nossas cabeças, talvez no subconsciente.
    E atualmente também tenho a sensação de boca seca, e constantemente tenho que "molhar o bico", o que é um pequeno inconveniente, pois também consequentemente tenho que ir ao banheiro para urinar.

- Melleril: Na primeira vez que o usei, em 2003, creio que deva ter tomado uma dose bem baixa (25mg), pois me lembro que conseguia acordar bem às sete horas da manhã, apesar de estar dormindo na rua, naquela época. Dormia em frente ao prédio do Instituto Estadual de Florestas, no bairro barro preto, aqui em Belo Horizonte. Acordava com o movimento dos pedestres indo para o trabalho. Me lembro que as primeiras pessoas que via eram as meninas do Macdonald's sentadas, à espera do horário para começarem a trabalhar.
    Já na segunda vez que usei, por volta do ano de 2005 tive muita sonolência,  sentia também que meu coração dava uma batida desordenada quando eu subia alguma escada.

- Clorpromazina: Foi o antipsicótico com o qual mais me dei bem, apensar de ser um dos mais antigos da categoria. A "clô" conseguia, juntamente com o fenergan, colocar os meus pensamentos em ordem. O problema é que dava uma "penitenciária de segurança máxima de ventre", além de torcicolo. Mas até hoje uso  por um breve período de tempo quando sinto que as coisas não estão bem e que estou prestes a surtar.
a clorpromazina até que ajudava, mas... 
- Haldol: É o "azulzinho" que não quero nem de graça.... Me dava uma acatisia danada. Para quem ainda não sabe, acatisia é, basicamente e essencialmente uma vontade insana de sair andando por ai sem rumo, uma inquietação enorme na hora de dormir. E também dava uma certa sonolência ao mesmo tempo. Então, quando tomava esse medicamento não sabia o que fazia: se andava ou se ficava deitado na cama....
    E também senti a "impregnação" tomar conta dos meus músculos. Era algo tão incômodo e irritante que dava vontade de pegar uma pedra e quebrar alguma vidraça qualquer.
    E, como a maioria dos antipsicóticos, fiquei bastante lento, o que me ocasionou um pequeno acidente na época em que trabalhava como operador de som. Deixei a mesa de som cair, e, para não rasgar a minha canela coloquei a mão, sofrendo um pequeno corte, que demorou um tempinho para cicatrizar...
espero nunca mais precisar desse "azulzinho"...

- Stellazine: Praticamente tive os mesmos sintomas do haldol, porém mais brandos.

- Orap: Não senti nenhum efeito colateral, mas também não senti nenhuma melhora em relação às minhas paranoias e desconfianças excessivas. Ou seja, era como se não estivesse tomando nada.

- Risperidona: Nos dois primeiros dias, não sei por qual motivo, fiquei animado e bem alegre e motivado, pensando que finalmente tinha encontrado o medicamento ideal para o meu problema. Estava morando em um albergue, em São Paulo, me lembro que nesses dias estava muito comunicativo e conversei bastante com caras que nem conhecia direito. Nesse albergue tinha caras vindo de todos os cantos do Brasil. Cheguei até a conversar com os haitianos, ou melhor a tentar a conversar, pois a maioria deles falam francês e inglês. Digo até não por preconceito, a tal da xenofobia, é que detesto o francês mesmo, tem que ficar fazendo biquinho para se pronunciar certas palavras corretamente...
    Mas no terceiro dia as minhas pernas estavam pesadas, principalmente na parte da manhã. Pesquisei no google e constatei que esse sintoma era do medicamento. E também sentia uma fome danada, ou melhor, mais fome ainda, principalmente em relação aos doces e massas.
- Quetiapina: Além da fome de leão, da sensação do estômago não ter fundo, triplicando a minha vontade de comer doces, tive muita sonolência e lentidão. "Você vai pagar a minha conta na padaria?", perguntei ao psiquiatra quando me interrogou sobre o não continuamento da medicação...


-Levozine: Esse medicamento é quase um sossega leão, me derrubava mesmo. Só não apagava de uma vez, o efeito ia vagarosamente aparecendo. Era complicado quando sentia vontade de urinar de madrugada, o corredor ficava estreito demais. Era como se tivesse tomado uns dez diazepans de 10mg. Tomei o levozine uma noite só, pois a ressaca também era enorme, só desaparecendo por completo por volta das quatro horas da tarde. Recomendo a quem deseje usar que compre um pinico e deixe debaixo da cama.

-Zyprex: O mais detonador de todos na questão da sonolência. Mas acho que tomei uma dose alta, para quem estava começando. Dormi praticamente dois dias seguidos, só me lembro de acordar no segundo dia e ir me arrastando até a padaria para comer um pedaço de bolo. Depois apaguei de novo. Mas, como disse, creio que deva ter tomado uma dose alta, pois conheço pessoas que tomam e as vi em boas condições na parte da manhã. Não sei se sou meio fraco para esses medicamentos, mas devolvi a caixa para a psiquiatra, pois é um medicamento muito caro.


3- As pessoas com esquizofrenia se lembram dos fatos que aconteceram durante os surtos?
    Ao contrário do que algumas pessoas devam pensar, não ficamos possuídos por espíritos ou uma entidade do outro mundo, ficamos sim acreditando em nossas paranoias e delírios. Alguns se descontrolam totalmente e outros não. Isso varia muito de pessoa para pessoa e também da gravidade do caso e do tipo de alucinação ou delírio que ela está tendo. Afinal, quem não iria pelo menos fugir ao imaginar que tem uma "galera" querendo te pegar?
    Também nos surtos não temos amnésia, pelo menos no meu caso consigo me lembrar com detalhes o que me aconteceu durante os surtos, tanto que escrevi um livro sobre eles (ainda estou vendendo, no formato PDF). O esquecimento de alguns fatos é o natural mesmo, devido ao tempo e também ao diazepan. Conversei com algumas pessoas que têm esquizofrenia e maioria delas relataram se lembrar dos fatos. Poucos relataram não ter algum tipo de lembrança de quando estiveram surtadas.

4- Você acredita ter passado por momentos traumáticos que possam ter desencadeado a doença?
    Creio que sim. Esses acontecimentos traumáticos são chamados de gatilhos. Qualquer pessoa pode pirar com algum evento traumático. E pirar não quer dizer ter esquizofrenia, pode ser um stress pós traumático, por exemplo.
    No meu caso em particular acredito que já tenha nascido com algum tipo de pré-disposição à esquizofrenia, por isso não culpo algumas pessoas pelo fato de atualmente ter os sintomas que os cientistas chamam de esquizofrenia. Mas, infelizmente o mundo está cheio de pessoas más  que querem a qualquer custo te derrubar. Basta ter paz e ser feliz para ter inimigos. Basta gostar de seu trabalho e ter uma renumeração maior do que outros funcionários da firma para ter alguns inimigos. E essas pessoas ao descobrirem seu ponto fraco podem fazer de tudo para te verem longe do caminho delas.
    Um gatilho que foi determinante para o primeiro surto foi o boato de que eu estava com aids. Na época morava em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais. O boato foi se espalhando aos poucos, e em alguns meses a cidade inteira já falava no assunto. É aquele ditado: " Uma mentira dita muitas vezes acaba se tornando realidade".... O boato ganhou tanta dimensão naquela cidade que até eu mesmo acabei acreditando que estava realmente com aids. Me lembro que até o dono de um estabelecimento naquela cidade não gostou da minha presença, quando fui sentar em uma mesa para almoçar e não pegar um marmitex como eu sempre fazia. Talvez ele achasse que a aids pode ser contraída através dos talheres.... A depressão tomou conta de mim e fiquei à espera dos primeiros sintomas da suposta doença aparecer para dar um fim a minha vida. Digo depressão sem ter o diagnóstico pois além de triste, também tive diversos sintomas físicos: fraqueza, emagrecimento, diarreias frequentes, e me lembro que naquela época peguei dengue ou "virose" duas vezes em um pequeno intervalo de tempo. Mas, para mim esses sintomas eram da suposta aids que eu havia contraído e assim chegou a um ponto que não conseguia mais trabalhar.
    Creio que também existiu um outro gatilho, e que foi o primeiro: o fato de conhecer a maldade de alguns "humanos", principalmente no ambiente de trabalho nessa pequena cidade de Minas Gerais.
O fato de ter um salário um pouco superior e ter a preferência dos clientes para executar os serviços me renderam alguns inimigos, inclusive até os que eu tinha ensinado alguma coisa sobre como operar uma mesa de som. Mas, como disse, não estou jogando a culpa pelo fato de ter esquizofrenia nessas pessoas. Desde criança tive um enorme receio de crescer e conhecer como é a realidade dos seres humanos. Em minhas pesquisas, já li que a esquizofrenia pode ser um tipo de negação da realidade. No meu caso creio que essa realidade do mundo dos humanos adultos tenha sido algum componente indireto para esse tipo de situação que enfrentei e enfrento até hoje. Me lembro de um pedido que fiz à Deus quando criança, que era de nunca conhecer a maldade dos seres humanos.
Não sou santo, mas nunca me preocupei com o salário dos demais funcionários das firmas por onde trabalhei...

5- O que você sente após passar por uma crise?
    Cada crise e surto foi diferente, o primeiro foi o mais difícil de todos, pelo fato de não ter nenhum conhecimento sobre o transtorno. Talvez a sensação seja parecida com a de alguém que passou por uma tempestade violenta, um furacão que derrubou todos os seus alicerces.
As minhas primeiras crises foram assim. Tudo o que eu imaginava e minhas certezas caíram por terra. Dúvidas e mais dúvidas povoaram a minha mente. Por que eu? O que eu fiz para merecer isso? Afinal, o que eu tenho? Fizeram algum trabalho de magia negra contra a minha pessoa? Como será daqui para frente? Vai acontecer de novo?
    Me lembro que fiquei muito preocupado quando chegou o primeiro dezembro após o meu primeiro surto grave. Me lembro do dia em que pedi demissão da firma nesse surto, era dezembro de 2002 e a única saída que havia enxergado para fugir dos inimigos reais e imaginários que se tornaram reais naquele época era fugir daquele lugar.

6- O que te faz vontade de viver todos os dias, apesar de todos os problemas?
Confesso que às vezes passo por períodos difíceis, e em muitas situações o pior já passou pela minha cabeça, já tentando algumas vezes o autoextermínio.  Mas, depois das primeiras crises que tive, passei a me conhecer e a me entender melhor. O autoconhecimento não tem preço....
     Também tenho minhas crenças, e uma coisa em que todas as religiões têm em comum é a acreditarem que o autoextermínio não é uma boa solução para nossos problemas. Claro que toda regra tem exceção, os terroristas radicais acreditam que se morrerem como mártires serão muito bem recompensados....
    Outra razão para continuar vivendo são os meus inimigos reais, que se aproveitaram dos meus momentos de fraqueza para se verem livre de minha pessoa. Voltei várias vezes à essa cidade do interior de Minas Gerais, e em uma dessas visitas confesso que não resisti e cheguei a colar nos postes e a "panfletar" o resultado do exame de HIV que eu havia feito e que dera negativo.

7- Qual foi a reação ao receber o diagnóstico de esquizofrenia?
Não fiquei revoltado e nem indignado, e sim muito curioso. Imediatamente após receber o diagnóstico, fui a biblioteca municipal da cidade onde morava e li um CID antigo que estava encostado na instante. Mas não fiquei satisfeito, comprei um computador, fiz o curso de informática e passei a estudar o assunto. Conheci pessoas que tinham o mesmo problema e passei a encontrar respostas para o meu modo arredio de ser, dentre outras questões que vinham constantemente em minha mente. 

o preconceito surge pela falta da informação 

8- Qual a sua mensagem para outras pessoas que sofrem ou tem parentes com esquizofrenia?
    Que se informem o melhor possível. Procurem outras opiniões caso tenha alguma dúvida sobre o diagnóstico. A informação é a base de tudo, o preconceito surge quando não estamos devidamente informados sobre determinado assunto.
    A informação é a melhor arma. Devemos aprender a conviver com a esquizofrenia, e a conhecê-la, como se fosse um jogo de futebol, onde conhecemos o adversário e atacamos os seus pontos fracos e aprendemos a nos defendermos dos seus pontos fortes. No meu caso em particular, depois que passei a estudar o assunto vi que o que mais me prejudicava era o fato de me preocupar demais com a opinião alheia. Passei a evitar o stress e a evitar certo tipos de situações em que poderia despertar alguma sentimento negativo contra a minha pessoa.
    A informação é essencial, afinal, como iremos lutar contra algo que não conhecemos?




20 comentários:

  1. E atualmente vc toma algum medicamento?
    Vc sabe dizer se uma pessoa não aceita tomar medicações, e ela tem crises esporádicas pode acontecer dela surtar de vez e não voltar mais????

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    1. Atualmente tomo somente 2.5mg de diazepan, estou tentando parar, mas é muito difícil.
      Estou numa moleza danada, creio que seja os sintomas negativos da esquizofrenia, e, pelo que pesquisei, ainda não encontraram um medicamento eficaz contra esses sintomas.
      Em relação a sua pergunta, é muito difícil de responder assim, pois cada caso é um caso, ainda mais em se tratando de esquizofrenia. Mas se a pessoa surtar e não receber tratamento adequado, as chances de piora são bem maiores, mesmo que ela "volte". O primeiro atendimento é muito importante.

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  2. Oi Júlio! Fazia um tempinho q nao entrava em seu blog....creio q me atualizei sobre a maiotia dos posts hj ��. Vc nao imagina a segurança q vc passa p as pessoas em compartilhar sua vida!
    Sobre o clorpromazina vc cita q se deu super bem...por quais motivos vc nao toma ele ao invez do diazepan?

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    1. Olá
      Obrigado pelas palavras.
      Em relação a clorpromazina não cheguei a dizer que me dei super bem, apenas afirmei que colocou os meus pensamentos em ordem. Os efeitos colaterais foram complicados e devemos pesar os prós e os contras. A prisão de ventre que o medicamento me causa é bem forte mesmo, por isso citei "penitenciária de segurança máxima de ventre" shaushasuashuashas E também cheguei a ter fortes torcicolos. E ainda tem a discenesia tardia, que são efeitos colaterais que podem surgir com o uso prolongado desses antipsicóticos mais antigos. A discenesia tardia seria as tremedeiras, os movimentos involuntários da faze e da boca, dentre outros sintomas. Conheço muita gente que tem esses sintomas que usaram por muito tempo esses medicamentos. Se não os tivesse, sem dúvida que estaria tomando.

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    2. Vlw pelos esclarecimentos!!!
      Q Deus te conceda muita alegria e força p continuar vencendo.
      Gd abraço

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    3. Boa noite Julio. Parabéns pelo blog ele é bem esclarecedor principalmente para os leigos como eu. Bom, hj eu e minha mãe fomos a uma psicóloga conversar com ela sobre o meu irmão que ele desconfia ser esquizofrênico (ainda não temos a certeza pq ele não quis ir). Vou te contar a respeito dele e o diagnostico da psicóloga. Ele tem 26 anos não sai de casa, fica em uma mesma posição por horas, rir do nada como se estivesse ouvindo coisas, ta sempre desconfiado, não demonstra afeto por ninguém e não dialoga com ninguém entre varias outras coisas e varias outras manias. Depois de uma longa conversa c a psicóloga ela acredita que ele tenha uma certa esquizofrenia com vidência que ele consegue ver nas pessoas cousas que acontece em suas vidas sem nem ao menos conhece- las, principalmente coisas negativas, consegue ver ácaros, e pensamentos dos outros principalmente os negativos como se ele tivesse uma mente aberta e muito perceptiva/ receptiva. Ao longo de sua vida ou em casos de outras pessoas com esquizofrenia vc conhece experiências similares? As dúvidas são varias e estamos apenas no começo dessa luta junto a ele.

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    4. Olá
      Pelo breve relato acredito que o seu irmão tenha alguns sintomas de um tipo de esquizofrenia menos comum e que é conhecida como hebefrênica. Conheci uma pessoa que tinha esse tipo de esquizofrenia e ele ria do nada, como se tivesse lembrado de algo engraçado. Abaixo o link sobre esse tipo de esquizofrenia. E converse com a psicóloga sobre os detalhes do caso do seu irmão, é um direito tanto da família como do paciente.
      Obrigado pela visita ao blog.
      http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1984-02922011000100017

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  3. Entendo. É meu esposo não aceita tomar medicação. Agora q ele ta aceitando qdo ver q vai ter uma crise ele toma olanzapina... Fica bem e depois para. Complicado viu peco tanto a deus....
    E VC sua familia te ajuda???

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    1. Isso já quer dizer que ele tem alguma noção da situação, de quando está perto de ter uma crise. Já é um avanço. Acredito que ele também tenha sentido muita sonolência e cansaço ao tomar a olanzapina. Converse com ele para tentar tomar uma dose bem baixa mesmo quando não estiver mal. Os psiquiatras em geral não são muito de indicar as doses baixas, mas acredito que em alguns casos pode ajudar sim.

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  4. Boa noite, tive alguns problemas c minhas medicações. Ainda não fui diagnosticada, mas tenho medo que seja, por isso nunca mais voltei ao médico. Por eu ser muito nova, minha psiquiatra é muito cuidadosa ao conversar comigo e fala coisas tipo "a cabeça não para? vc tem uns pensamentos que te cercam o tempo inteiro? Quais?" e acabo ficando mais e mais confusa. Passei certa de dois meses em doses de Olanzapina, mas sem diagnostico ainda. No começo foi bom, melhorou, consegui agir melhor, mas não durou muito essa sensação e toda vez que sinto que estou a beira de sentir algo, tomo algum remedio. Não sei se realmente tenho esquizofrenia, mas sei que estou com muito medo de ter que ouvir que tenho.

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    1. Imagino como deve estar se sentindo. O estigma e o preconceito são tão grandes que somente a possibilidade de um diagnóstico pode deixar a pessoa muito mal e ansiosa.
      No meu caso em particular me ajudou a encontrar muitas respostas para o meu jeito de ser. Mas, antes de tudo lembre-se que você não é um diagnóstico, é uma pessoa como todas as outras, com suas qualidades e defeitos, como todo ser humano.
      E independente do diagnóstico, você tem capacidade de seguir a vida, os estudos e tudo o que você está acostumada a fazer.
      Obrigado pela visita ao blog.

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  5. Oi Júlio, que bom que voltou a escrever.Vc tem família? Eles te ajudam?

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    1. Estou sempre escrevendo, às vezes fico um bom tempo sem escrever por falta de ânimo mesmo, mas estou aqui sempre lendo os comentários e ajudando no que posso.

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  6. Post excelente.
    Não pare de escrever, sua escrita é muito boa, quase poética.
    Falando em remédios, eu adaptei bem com a risperidona, mas eu acredito que a combinação com fluoxetina ajuda reduzir o efeito de fome e fadiga. Há um bom tempo não tenho surtos "significativos", só leves perturbações no pensamento que começam de madrugada e duram uns três dias.
    Abraço.

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  7. Obrigado, não vou parar de escrever, no momento só estou dando um intervalo maior entre uma postagem e outra. É que preciso recuperar o entusiasmo que tinha no começo do blog. Afinal são quatro anos de postagens sobre o assunto.
    Em relação ao medicamento, nos dois primeiros dias que tomei a risperidona comi muito, mas fiquei me sentindo estranhamente bem, tanto que tomei na terceira vez, só que acordei muito cansado e com sensação de peso nas pernas.
    Já usar a fluoxetina somente para ajudar na questão do apetite, pode ser uma boa, mas os psiquiatras são um pouco receosos de receitas antidepressivos para pessoas com esquizofrenia, acredito que seja pelas chances de aumentar a ideia de suicídio na pessoa.
    Creio que na bula tem esse aviso, vou conferir depois, pois a bula da fluoxetina é praticamente um livreto.
    Obrigado pela visita e pela participação.

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  8. Olá Júlio meu filho tem. Autismo ele toma levosine haldol I fernegam o que vc tem a dizer sobre esses três medicamentos juntos? Detalhe ele não fala I isso se torna mais difícil de entender ele, hoje fiquei com muito medo por engano ele tomou esses medicamentos duas vezes num intervalo de 4:00 horas a noite ele estava tonto com os olhos muito vermelho I assustado

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    1. Olá, apesar de não ter o conhecimento necessário para falar sobre o tratamento do autismo, posso sugerir que converse com o médico sobre o fato de estar dando um antipsicótico para o seu filho (haldol).
      O fenergan é um anti alérgico geralmente ele é indicado para quem usa um outro antipsicótico, a clorpromazina. Para tirar os efeitos colaterais do haldol, usa-se geralmente um medicamento chamado biperideno.
      Já o levozine é um ansiolítico muito forte, como mencionei na postagem. Um comprimido somente já dá uma sonolência muito forte, imagine dois. E o fenergan também é outro medicamento que dá muito sono. Fiquei surpreso pelo seu filho não ter dormido por muito tempo.
      Se você olhar a postagem posterior a essa, verá os direitos das pessoas com algum tipo de transtorno mental. A informação sobre o tratamento é um direito da pessoa que tem o transtorno ou distúrbio, e, creio que também os familiares ou a pessoa responsável também tenha esse direito. Converse com o médico sobre a utilização de cada um desses medicamentos e também sobre a dosagem.
      Pelo breve relato não tenho condições de afirmar muita coisa, mas pelo que já vi até hoje o haldol é indicado ser tomado em caso de psicoses, juntamente com o biperideno, que é usado para tirar um pouco dos efeitos colaterais que esse medicamentos comumente ocasiona. Não entendi o por que do uso do fenergan, mas o médico tem a obrigação de lhe informar sobre o tratamento.
      Obrigado pela visita ao blog.

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  9. Olá, gosto muito do seu blog. Estou quase certa de que tenho algum tipo de transtorno, infelizmente... O problema é que não consigo me lembrar das situações ( ou nego pra mim que não lembro). Estava com esta dúvida há algum tempo, até que hoje meu pai me chamou e disse que se eu estiver precisando ir a um médico, "qualquer médico", posso dizer que ele me leva. É isso que me mata, sabe? Ninguém é direto comigo. Algumas pessoas já vieram aqui dizer que eu tenho que estudar menos, que estudar muito enlouquece. Às vezes chega gente aqui que eu nem conheço querendo me vet e minha mãe não deixa. Acho isso muito estranho. Por isso estou certa de que tenho um problema. Já chorei bastante, mas, em meio ao choro, veio o alívio de, tipo, pelo menos agora eu não tenho mais dúvidas se fiz algo errado ou não, agora estou certa de que tem algo estranho acontecendo. Vendo você escrever, me dá um ânimo, pq gosto muito de escrever e de estudar. Tenho grandes sonhos que só serão realizados através dos estudos. Por isso queria te perguntar se é possível trabalhar tendo algum transtorno? Por exemplo, se eu passar em um concurso público, poderei exercer tranquilamente? Grata por tudo.

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  10. Olá
    Primeiro creio que você não deve se precipitar em se auto diagnosticar por causa do seu comportamento. Tente conversar com o seu pai quando ele lhe sugerir ir ao médico. Mas realmente o excesso de informações pode gerar algum tipo de problema.
    Mas creio que você é quem deve analisar a sua própria situação e sem modo de ser e assim chegar à conclusão de que pode ter algum tipo de transtorno mental. Grande parte das pessoas infelizmente tem a mania de se preocupar com a vida dos outros e fazer julgamentos desnecessários. Claro que o termo preocupar nesse caso é o da fofoca mesmo, do prazer em xeretar a vida alheia. Se for no seu caso uma preocupação sincera, considere uma pessoa de sorte, por ter um pai e pessoas que se preocupam com você.
    Mas pelo breve relato parece que entre você e o seu pai não tem aquele diálogo aberto. Aconselho que tente quebrar essa barreira e converse com o seu pai sobre o assunto. Todos irão ganhar com essa abertura de diálogo.
    Claro que pessoas com transtornos podem trabalhar e trabalham. No meu caso trabalhei 17 anos, com algumas dificuldades pelo fato de não me conhecer bem na época. E teve alguns acontecimentos que creio que pirariam qualquer pessoa, mesmo as "ditas normais".
    Então a informação e o auto conhecimento são duas importantes aliadas na luta do dia a dia, para todas as pessoas.
    Obrigado pela visita ao blog e pela confiança.
    Em relação ao excesso de informações, achei esse artigo aqui, mas claro que não posso dizer que é o seu caso, pois o relato foi breve e também não tenho condições de dar um diagnóstico, ainda mais online e também pelo fato de não ter estudado e me preparado para tal ato.

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    1. Esqueci de postar o link do artigo
      http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/imprescindivel/semana/gd020901a090901.htm

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