quinta-feira, 28 de junho de 2018

Diazepan, o desmame: últimos capítulos

     
meu sonho e minha meta é um dia jogar uma caixa fora dessa droga...



     Quem acompanha o blog sabe da luta que estou travando há anos contra o vício no diazepan, uma das drogas mais viciantes do planeta. É uma novela que parece não ter fim, mas ontem consegui dar um passo importante nesse duelo: tive uma bela noite de sono sem o efeito do "pan nosso de cada dia". Acordei bem disposto e com uma energia bem legal. Fiz caminhada e alguns exercícios físicos na praça naqueles aparelhos do pessoal da terceira idade... Já estou com 49 anos e é bom que assim vou me adaptando.... 
    Chegando em casa, ainda fui lavar as roupas de cama, coisa que não gosto muito de fazer, por que são muito grandes e dá muito trabalho. E a energia está tão boa que resolvi escrever esta postagem.
    Ontem, como sempre faço, desliguei o notebook por volta das nove horas da noite, momento em que a contagem das visualizações do blog no dia termina. Estou um pouco ansioso para chegar a marca de um milhão de visitas, confesso. Sei que o mais importante é estar ajudando as pessoas fazendo algo que gosto: escrever. Mas um milhão é um milhão né? Mas não é esse o motivo de estar desligando o note, e sim me desligar de algo que me prenda a atenção, para que assim possa começar a preparar meu organismo para tentar ter uma renovadora e tranquila noite de sono. 
    Então ligo a TV, coloco no modo de economia de energia, para que assim o brilho fique quase que no mínimo, deixando o meu quarto com uma leve luz de fundo. Deixo o volume bem baixo, programo o timer para desligar em 90 minutos. E começo a procurar algum programa que não seja muito interessante, tarefa bastante fácil quando o assunto é a TV aberta. E tomo duas  cápsulas de cloreto de magnésio, que, além de me ajudar na questão das articulações, me dá um relaxamento e um soninho bem gostoso. Me dei melhor com o cloreto de magnésio em cápsulas. Em pó me dava uma ressaca na parte da manhã, e no dia que fui jogar futebol notei que estava bastante lento e pouco rendi na pelada do centro de convivência. E tomar o mineral em cápsulas me ajuda bastante, pois o diazepan causa uma dependência psicológica enorme. Então o ato de tomar alguma cápsula parece que consegue meio que enganar o meu cérebro, a sensação é que dá é que estou tomando algo especificamente feito para dormir, como um ansiolítico qualquer.
deixar a TV no modo de economia além da óbvia economia de energia pode ajudar a pessoa a pegar no sono.. 

    Até ontem somente o cloreto de magnésio não me fazia cair nos braços de Morfeu, tendo sempre que recorrer ao diazepan. Geralmente não adianta tentar esquecer ou simplesmente ignorar, o corpo acabava sempre pedindo esse droga de droga. Mas ontem, não sei se pelo efeito do cloreto de magnésio ou pelo fato da ruindade do programa que estava assistindo, consegui pegar no sono de forma natural. E acordei muito bem. Acredito que deva ter pegado no sono por volta de meia noite e acordado por volta das seis da manhã. Foram seis horas de sono natural e revigorante. Mais vale duas horas de sono natural do que dez horas de sono artificial provocado pelos diazepínicos... Pelo menos é isso o que eu acho e sinto. Posso falar isso por experiência própria.... 
    Mas é uma luta muito difícil e constante. Em 2008 estava tomando 20mg e sentia que, naquele ritmo iria, dentro de pouco tempo, estar tomando uma dose quase que cavalar. E fui então diminuindo aos poucos, com muito sofrimento, é claro. É uma das drogas mais viciantes que existe, segundo os cientistas. E é um vício que não escolhi ter. O psiquiatra, em uma consulta que durou menos de dez minutos, receitou este medicamento sem ao menos me alertar sobre os riscos da dependência física e psicológica. E na época não tinha acesso à internet para estudar o assunto. As bulas ainda eram com letras minúsculas e  usavam um vocabulário pouco acessível à pessoas leigas... Me parece que foi criada uma lei para que isso mudasse e as bulas fossem mais acessíveis linguisticamente falando. E agora as letras estão maiores também. 
    E na época não sabia nada de medicamento. Pensava que, se tomasse aquela pilula milagrosa, iria ter o sono dos justos, independente se estivesse devendo à Deus e ao mundo. ... 
   Hoje, após quase 16 anos de uso desse medicamento, minha memória está comprometida, e sinto que minha fala está um pouco arrastada. Tenho que prestar muita atenção se não estou falando meio embolado, o que é difícil. Às vezes as pessoas perguntam o que estou falando, o que já é uma boa ajuda. Então tento falar de uma maneira mais lenta e firme, para que assim possa ser compreendido. 
    Se na época tivesse o conhecimento que tenho hoje, obviamente não teria decidido usar o diazepan. Mas não sou totalmente contra os medicamentos, infelizmente existem momentos em nossas vidas em que precisamos dar um tempo, dar uma desligada. E às vezes nem só o tempo resolve, dependendo da gravidade da situação. E é aí que entram esses medicamentos e um bom profissional para nos explicar e orientar que os benzodiazepínicos só podem ser usados por um certo período de tempo... 
   Espero que eu tenha muitas noites de sono natural, é uma luta constante para me livrar dessa droga, mas acredito que hoje estou vencendo esse jogo. Já que estamos em época de copa do mundo, fica legal usar esse termo. No início estava perdendo de goleada para o diazepan, não conseguia nem sair de casa sem uma cartela do medicamento no bolso. E o placar foi aumentando à medida em que tinha que aumentar as doses. Então comecei a estudar o adversário e a vantagem foi diminuindo até que consegui empatar o jogo, quando consegui ir diminuindo a dosagem, até conseguir quase que ficar usando somente 1.5mg... É um jogo complicado, pois o time adversário às vezes consegue tomar as rédeas do jogo, e ai temos que voltar a dosagem anterior. Acredito que hoje consegui finalmente virar esse difícil duelo. Agora o próximo passo é ficar uma noite sem e outra noite com apenas 1mg, para que finalmente possa afirmar com todas as letras que finalmente venci esse terrível vício. 
   Para isso tenho que ir prestando atenção nos sinais que o nosso corpo dá, para que não possamos ter um surto ou algo parecido. Devemos prestar atenção se não estamos tendo problemas relacionados ao nosso físico: batimento cardíaco, dores de cabeça, tremedeiras etc.. E também devemos prestar maior atenção ainda aos os sinais comportamentais, é claro: irritabilidade, paranoias, nervosismo exagerado, etc... Tudo isso pode acontecer devido à abstinência. Deve ser algo bem semelhante de tentar se livrar do vício de uma droga ilícita. A diferença é que geralmente no tratamento da droga ilícita é ministrado drogas lícitas...
os medicamentos me deixam apático
   Nesse ritmo tenho certeza que irei virar esse jogo e ganhar de goleada do diazepan, que nunca mais passarei a chamá-lo de "pan nosso de cada dia"... É um caminho que escolhi seguir, sem medicamentos, com a cara e a coragem para enfrentar meus medos e tudo o que acontece nesse mundo maluco que pode nos deixar mais maluco ainda. Quero viver, me emocionar, rir e chorar. Essa publicação não deve ser encarada como um incentivo para que todos façam o mesmo, cada um tem a sua história, seu jeito de ser, e se adapta de uma forma diferente aos medicamentos. No meu caso simplesmente não houve adaptação nenhuma.  
    Até a próxima postagem e, quem sabe, livre do pan nosso de cada dia... 

14 comentários:

  1. Tbm estou vencendo o jogo contra o clonazepan, hoje é 14º dia em que eu não preciso tomar

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    1. Parabéns, mas sempre procure se atentar aos sinais que mencionei na postagem, se não está ficando irritado, se não está tendo dores de cabeça, palpitação no coração etc... Ainda mais se a pessoa parou de tomar de uma vez.
      Obrigado pela visita ao blog.

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  2. Mariana Takamatsu28 de junho de 2018 22:31

    Pacato Cidadão, adorei seu texto!!! Já está na hora de me preparar para o sono (infelizmente com remédios ainda), mas quero ler mais. Parabéns para você!!

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    1. Olá, obrigado pela visita ao blog, seja bem vinda.
      Aos pouquinhos você consegue sim. É difícil mas se ir tentando aos poucos quase não sentira a falta. Claro que se puder fazer isso com um acompanhamento profissional melhor ainda. O problema é que alguns receitam outros remédios para tirar o diazpan, aí estão trocando seis por meia dúzia.

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  3. vi e li seus textos hoje, sou de ler muito, entrei na onda dos "pans" só pra melhorar o sono a principio melhorei até da gastrite leve, depois de exatamente 2 anos tomando alprasolan 5mg, de repente parou instantaneamente os efeitos não dormia mais nada nem com nem sem, amanhecia o dia doente doía todo o corpo e a gastrite de quebra voltou. nessas ultimas semanas estou tentando se livra dele apesar de uma dose pequena que nunca aumentei é difícil deixar, tentei substituir por diazepam 2,5mg como é de longa duração para substituir o de meia o resultado não foi bom... deu uma "resaca" infeliz dor de cabeça e sem vontade de levantar da cama...mas vou tentar ir diminuindo ate zerar...creio que como ainda é uma dose menor vai ser mais fácil...

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    1. A ressaca do diazepan é complicada mesmo, dependendo da dose até fica difícil realizar algumas tarefas básicas na parte da manhã. No meu caso tenho que tomar banho gelado e um café extraforte forte.
      Mas tente ir diminuindo aos poucos, uma dica é evitar o café na parte da tarde e à noite também.
      No meu caso o cloreto de magnésio tem ajudado bastante também.
      O jeito é ir tentando outras alternativas naturais juntamente com a diminuição gradativa. Às vezes funciona mais como um placebo mesmo.
      Obrigado pela visita ao blog.

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  4. Oi Júlio amigo . Sinto então que só eu no momento estou com 20 mg.Mas agora não dá pra parar. Vou tentar diminuí, até largar. Mas no momento a fase é ruim. Preciso, abraço amigo.

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    1. Tem gente que está tomando mais do que 20mg. Cheguei a conhecer uma senhora que tomava 80mg e mesmo assim não conseguia ter um sono de qualidade. Mas dá para ir diminuindo aos poucos, é um processe lento mesmo.

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  5. Parabéns pela conquista. Ótimo texto. Queria saber se você toma cloreto de magnésio por conta própria ou por receituário. E quais são os benefícios.

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    1. Olá
      Como o magnésio não é um medicamento, resolvi tomar sem receituário. Analisei também as fontes desse mineral e constatei que pouco consumo alimentos ricos em magnésio.
      Mas existe um exame de sangue que detecta os níveis de magnésio no organismo. Se a pessoa tem condições, é bom fazer um exame para ter um acompanhamento médico.
      Os benefícios são inúmeros, comecei a pesquisar por conta das dores que estou sentindo nas articulações do pé, pois meu dedão está quebrado e até hoje não consegui me operar.
      Melhorei bastante na questão da ansiedade, o meu sono melhorou bastante. Estou mais bem disposto, minha digestão também deu uma boa melhorada.
      Obrigado pela visita ao blog e pela participação.

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  6. começei hoje a tomar fluoxetina voçe ja tomou ou alguem aqui ja tomou fluoxetina tambem tomo outros haldol clonazepam litio biperideno haldol injetavel e comprimido tenho esquizofrenia vivo mais dormindo que acordado tomo 11 comprimidos e 1 injeçao e fico lesado que doi kkkk alguem ja tomo se sim responda fluoxetina 20mg ?

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  7. ola! eu tomo risperidona 1mg e tbm ja tomei fluoxetina 20 mg, para mim nao foi bom... tomo o risperidona a noite e tomava o fluoxetina de manha e me deu muito sono, certo dia acordei as 15hs, encostei no sofa querendo dormir mais... qndo fui a consulta contei a psiquiatra e ela suspendeu o fluoxetina... hoje so tomo risperidona... converse com seu psiquiatra e relate tudo o que sente, qlqr coisa procure uma segunda opinião mas nunca comece ou pare com um medicamento por conta própria... muitos pacientes acham que estao bem e param por conta própria com os medicamentos, aí é onde tem recaidas e surtam novamente... lembre-se cada caso é um caso, o que funciona para um pode nao funcionar para outra pessoa... boa sorte!!!

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    1. Cada caso é um caso, e é exatamente por essa razão que não sigo o mesmo caminho do que a maioria das pessoas...
      Se você leu a postagem também falo que cada organismo reage de uma maneira diferente aos medicamentos...

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    2. E minha memória não está muito boa graças ao diazepan, não quero ficar com mal de alzheimer...

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