quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Divagações esquizofrênicas 12

O cabeludo...

    No último dia 10 resolvi dar uma boa podada na minha juba. Não exatamente por que queria, foi meio a contragosto, mas acabei cortando as minhas madeixas. Sinto que existe um preconceito que a maioria das pessoas têm ao diferente e ao incomum e ao que é considerado errado pela sociedade. Provavelmente pensam que homem que é homem tem que ter cabelo curto, de preferência o tradicional corte social, ou então os cortes que estão na moda, como o moicano, o corte preferido dos jogadores de futebol e de alguns cantores de "sertanejo" universitário... 
    Gosto de usar cabelo grande, e não fumo um baseado (só experimentei três vezes na minha vida..).
Não sou um criminoso, não sou ladrão e sempre trabalhei para me sustentar até o momento em que não tive condições e acabei me aposentando. O visual cabeludo era como se fosse um cartão de visita, era o meu estilo mesmo: um cara meio esquisito, e diferente. Não me ofendo se me falarem que sou assim, pois considero esses dois termos um elogio. O nosso planeta até hoje foi governado pelos ditos normais e nem é necessário falar o que estamos passando...
    Mas a sociedade rotula os cabeludos como vagabundos, drogados e marginais. Simplesmente não acreditam que um cabeludo possa ser careta e certinho. Gostaria de dizer que também não sou moralista. A pessoa pode fazer o que quiser de sua vida, desde que sustente o seu vício e não prejudique ninguém. Quando trabalhava, ia muito à São Thomé das Letras, e 90% dos turistas fumam a erva, até me sentia discriminado lá por ser careta. Os hippies nunca me incomodaram, são da paz e sobrevivem através de seus trabalhos de artesanato. 
    Em Belo Horizonte, a situação está ficando complicada. A população está ficando paranoica não é à toa. A cada 15 minutos, ocorre um roubo na capital mineira. O objeto mais visado é o celular, é claro, e de preferência os de tela sensível ao toque. (depois que me roubaram, só uso um simples mesmo, para não chamar a atenção). Hoje em dia qualquer ser estranho que ande nas ruas é um assaltante em potencial, ainda mais se for um cabeludo. Será que as pessoas até hoje não repararam que 99,99% dos meliantes têm cabelo curto, e alguns até raspam a cabeça? Será que nunca viram uma cadeia superlotada nos telejornais ou então na internet?
alguém está vendo um cabeludo nesta cela?
    Oras, se por acaso eu fosse um meliante, provavelmente iria cortar o meu cabelo, para tentar ser uma pessoa com o menor número de características "chamativas". Não iria ter um visual diferente, para dificultar um provável reconhecimento de um crime e até uma perseguição policial;
    - Quais as características do meliante? - perguntaria o policial.
    - Ah! É um cabeludo, com cara de mal e esquisito... - informaria a vítima.
    Moro na região nordeste de Belo Horizonte, onde tem ocorrido o maior número de assaltos, depois da área central, obviamente. Perto da estação do metrô, algumas mulheres chegavam a segurar suas bolsas quando me viam. A sensação que eu tinha era como se estivessem me chamando de ladrão, e isso doía um pouco e estava me deixando cada vez mais irritado. 
    Sair para almoçar estava se tornando um martírio, ia a passos largos e apressados. Sei que, neste exato momento alguns leitores devem estar pensando que isto é coisa da minha cabeça, apenas mais uma das inúmeras paranoias que tenho, mas infelizmente não é. Posso estar apenas aumentando um pouco a realidade, mas dava para perceber o medo de algumas mulheres ao me verem. Via com os meus próprios olhos quando seguravam a suas bolsas ao me verem. Era um ciclo meio estranho: eu, paranoico, ficava olhando a bolsa das mulheres, para ver se elas iam fazer este gesto com medo da minha pessoa. E elas, também paranoicas, se protegiam ao me verem olhando suas bolsas, e então colocavam a mão na alça, pensando que eu estava de olho em seus pertences.... Era uma situação extremamente chata e irritante... 
   Cheguei até a ir por um caminho alternativo para se chegar ao restaurante popular: pela Br não teria que passar pela estação de metrô e assim teria o menor contato possível com as mentes paranoicas das pessoas desta capital. 
   Hoje em dia não dou mais tanta importância para o que as pessoas pensam de mim. Enlouqueci e surtei quando dava importância para os comentários e opiniões alheias. A língua é o chicote do povo, é uma arma que pode ser mortal. (versículo da bíblia).
    Infelizmente foi preciso surtar, enlouquecer, ter uma experiência de quase morte e comer o lixo que o diabo amassou para constatar que o problema está em quem gosta de criticar e caluniar o próximo e não em quem está sendo criticado, desde que não tenha prejudicado ninguém. Pense bem: se alguém lhe faz uma crítica, tenta te humilhar sem nenhum motivo, o problema está em você ou na pessoa que te critica? Pessoas que criticam apenas por criticar ou tem um vazio enorme dentro de si ou então inveja. Chego a me perguntar por que alguém iria invejar um cara que não tem dinheiro e não teve uma carreira de sucesso e nem fama. Mas, analisando a situação, é fácil termos inimigos: basta termos paz e sermos felizes. Isso incomoda e muito pessoas que não tem esses "bens" preciosos. Hoje chego a ter pena desse tipo de pessoa, que deseja destruir o próximo através de fofocas e comentários maliciosos e mentirosos. De dia até que podem mostrar um sorriso meio forçado, irônico, mas, de noite, quando colocam suas cabeças no travesseiro, não tem como disfarçarem o que se passa em suas mentes e corações. 
    Então, voltando ao assunto do corte de cabelo que resolvi fazer, gostaria de dizer que, apesar de não condicionar os meus atos à opinião alheia, resolvi dar uma aparada na juba, para não chamar tanto a atenção das pessoas. Meu cabelo é um pouco volumoso, e isso pode gerar um certo medo nas pessoas quando fico muito tempo sem apará-lo. Quando ele está molhado e úmido, fica até legal, ainda mais se usar um cavanhaque, mas, depois que vou para o sol e ele seca... 
alguém tem alguma dica de um bom shampoo para reduzir o volume dos cabelos?
    No último dia 5 ocorreu algo comigo que pode explicar bem toda esta situação; estava sacando uma grana no caixa eletrônico. Como sempre, estava ouvindo um som no fone de ouvido. De repente um senhor de idade se aproxima de mim e me fez uma pergunta, que não entendi bem o que era. Só ouvi a palavra "caixa vazio". Então respondi que a maioria dos caixas vazios estavam com problemas. Mas o senhor não se afastou de mim, e ainda ficou olhando a tela do caixa. Aquilo já estava me enervando e tudo piorou quando ele tentou tirar o meu cartão do caixa. Não sei como tive a paciência naquele momento, apenas disse para ele ter um pouco mais de educação, e não estava entendendo nada. E ele continuou a ficar me olhando, iria falar certas coisas que não prefiro não colocar aqui no blog. Mas uma funcionária do banco se aproximou dele e o levou para dentro da agência. O segurança apenas ficou observando a situação. De início pensei que o senhor de idade estava perturbado, que era coisa da idade mesmo. Mas, quando saí da agência é que entendi toda a questão: ele provavelmente havia perdido o seu cartão. Mas por que suspeitou logo de minha pessoa em uma agência grande e que estava lotada de pessoas? Por que logo eu? Ele não poderia ter sido mais educado? E se fosse eu quem tivesse feito aquilo? Provavelmente o segurança iria me chamar a  atenção, e ai é que pensariam que eu seria um ladrão. Outro dia uma mulher ficou me encarando em uma outra agência. Estava sacando o meu dinheiro, e, quando o mesmo apareceu para ser retirado no caixa, peguei-o e mostrei para a mulher, que ainda continuou a me encarar. Ai, confesso que fui deselegante: perguntei se o problema dela era falta de homem ou coisa parecida. Sei que isso não se deve fazer, mas por que ela estava me encarando?
    Não é paranoia da minha cabeça, é a triste realidade das grandes cidades. No Rio de Janeiro está complicado até de se tomar um banho de mar... Existe remédio contra a realidade? Não vou procurar um psiquiatra para essa questão, pois nenhum medicamento irá resolver o problema deste país. O que posso fazer é me dopar e assim não ter reação quando esse tipo de preconceito acontecer.
   Mas, voltando ao assunto capilar, já tentei diversos métodos para dar uma diminuída no volume do meu cabelo, mas nenhum deu resultado. Até azeite de oliva já tentei, mas é muito complicado e o cheiro é meio estranho...
   Já me falaram em um tal de corte de cabelo chamado "pigmaleão"(acho que é assim que se escreve) e vou tentar da próxima vez. Mas vou seguir a minha vida em frente, sem deixar que o mundo e a sociedade em que vivemos modifique a minha maneira de ser. Não prejudico ninguém e fico em paz quando estou sozinho, então o problema maior está nas pessoas que se incomodam com a minha maneira de levar a vida e de ser. A pior loucura que um sujeito pode cometer é querer agradar a todo mundo... 

A eterna luta entre o bem e o mal em nossas consciências...
é bem assim...
    Semana passada tive um problema e tanto em um grupo do facebook chamado Depressão. Faço parte de vários grupos de transtornos mentais, pois é onde eu me sinto em casa e compreendido. Os membros do grupo estavam comentando sobre namoro e a diferença de idade entre os casais. Então me lembrei que, quando tinha 23 anos, havia namorado uma garota de 13 anos. E resolvi comentar o fato neste grupo. Em menos de um minuto vieram enxurradas de ofensas e xingamentos. À princípio, fiquei sem reação, abismado por tamanha repercussão por um namoro que eu tive e que havia respeitado e muito a Patrícia (nome fictício). 
    Me chamaram de pedófilo, de doente, uma mulher do grupo rogou uma praga para que o meu bilau caísse e outro disse que iria cortá-lo. Não tive muito tempo para responder e tentar explicar o que havia realmente acontecido. A sensação que tive é que havia violentado a menina, tamanha era a revolta de alguns membros desse grupo, até fui excluído sem chance de defesa. Até um serial Killer tem chance de se defender... Existem vários grupos de depressão no facebook, e contei o mesmo fato e não me condenaram ou me julgaram. Creio que o que aconteceu foi mais uma descarga de sentimentos negativos para cima de minha pessoa. Algumas pessoas infelizmente guardam ódio em seus corações e não perdem nenhuma oportunidade de fazer esse descarrego em outras pessoas. Esses sentimentos negativos envenenam essas pessoas, e parecem que sentem necessidade de descarregar um pouco disso, já que, se guardarem dentro de si mesmas, certamente iriam ter uma doença psicossomática. Gostaria de deixar bem claro que foram umas quinze pessoas em um grupo com oito mil membros que me condenaram sem chance de me explicar. E é isso o que vou tentar fazer aqui no blog.
o cara que afirmou que eu tinha cara de doente tinha cara de terrorista shasuhasuahsuas Na verdade eu havia tirado um print da foto do perfil dele para fazer uma montagem e uma brincadeira, mas não tive tempo pois me excluíram do grupo... 
    Depois de um certo tempo levando as pancadas de alguns membros do grupo, consegui absorver o impacto de tanta agressividade e acabei levando na brincadeira. Um cara que disse que eu tinha cara de doente parecia um terrorista (foto acima) Como esse visual certamente teria dificuldades para entrar nos Estados Unidos. Até havia tirado um print com a foto de perfil dele para fazer uma brincadeira, mas não houve tempo, pois já haviam me excluído do grupo, sem ao menos ter uma chance de me explicar sobre o fato. Mas, como já disse na primeira parte deste post, já faz algum tempo que não ligo mais para o que as pessoas pensam a meu respeito. O que não falta neste mundo são pessoas para nos julgar. Acho que nem vai precisar de Deus descer a terra no fim dos tempos... 
    Mas, para a minha felicidade tenho este blog, em que posso contar o que penso e o que se passa comigo. Vou tentar explicar o que aconteceu. Conheci Patrícia no carnaval de 1993. Estava trabalhando em uma festa como operador de som. Ela se aproximou e começou a conversar comigo. Pelo diálogo, Patrícia parecia ter uns quinze anos. Conversava normalmente, apesar de ser um pouco tímida. Depois de um pouco de conversa, ela me pediu um beijo. Fiquei encantado com a simplicidade dela e a beijei. Depois, no outro dia, na mesma festa, nos encontramos novamente. E no outro final de semana combinamos de sair para ir ao cinema. Na época estava passando nas telonas o filme "Ghost, do outro lado da vida". Eu queria assistir um filme de terror, mas ela acabou me convencendo a assistir essa deliciosa comédia romântica. Rimos muito e, no entardecer, fomos tomar um sorvete. No caminho, uma mulher nos encarou com um certo ar de reprovação. Neste instante é que me dei conta da situação: eu, um adulto de 23 anos namorando uma garota que estava entrando na adolescência. Até o meu cabelo era maior do que o dela...
   O problema não era tanto a diferença de idade, e sim nos estágios em que nos encontrávamos. Por exemplo, não há tanta diferença entre um casal em que um tenha 33 e o outro tenha 43 anos, pois ambos são adultos. Confesso que, na hora em que a mulher me encarou, fiquei meio sem graça, e sem saber o que fazer e dizer para a Patrícia. Então a levei até o ponto de ônibus e nos despedimos sem nos beijarmos. Ela havia me perguntado o que havia acontecido, por eu estar um pouco estranho. Ficou com o semblante triste, parecia que sabia o que estava acontecendo e que nunca mais iríamos nos encontrar. O nosso contato era o telefone da firma onde eu trabalhava, na época ainda não havia o telefone celular, se tinha era coisa de rico mesmo...

pronto, agora estou namorando uma mulher madura...
    Não quero aqui me defender, dar uma de santinho. Tenho os meus erros e defeitos, mas nesta situação não tive maldade nenhuma. Respeitei e muito aquela menina. E, naquela época, tinha 23 anos, mas a mentalidade era de um garoto de 17, no máximo. E, como já disse, a Patrícia conversava como se tivesse uns 15 anos. Confesso que até o momento em que a mulher me olhou com cara de reprovação, não havia pensado um minuto sequer na diferença de idade que havia entre nós. Sequer cogitei em fazer sexo com ela e não passamos de beijos e abraços, nada de mão boba. Tenho a consciência tranquila, tanto que narrei esta situação no livro que escrevi, para tentar melhor ilustrar como eu era uma pessoa distraída e um pouco sem maldade. Não tive pai, e a minha mãe tem problemas de audição, ou seja, tive que aprender as coisas da vida com a prática e com os meus próprios erros. Não tive ninguém para dizer o que era correto e aceito pela sociedade. E até hoje vou aprendendo e tentando compreender esse mundo maluco.
    Hoje, mais maduro, aprendi que existem pessoas que só sabem condenar e que não gostam de nos vermos em paz. Para termos inimigos, não é preciso ter sucesso ou ser rico, basta ter paz e ser feliz. Naquele grupo geralmente apenas postava o que colocava aqui no blog, ou então tentava dar conselhos que eu imaginava que fossem bons. O principal deles era de que a nossa felicidade não deveria depender única e exclusivamente de uma pessoa, pois algumas mulheres colocavam a culpa de suas desilusões e infelicidade em algum homem que as haviam traído. E nunca postei nada negativo, não gosto de ficar me lamentando por coisas do passado, o que passou, passou. Mas não condeno as pessoas que fazem isso, também é bom desabafarmos nos momentos difíceis. Tentava ajudar as pessoas daquele grupo com mensagens positivas, mas algumas pessoas desses grupos se identificam mais com as mensagens negativas e até condenam quem posta algo positivo. Quando uma pessoa posta que está bem, algumas pessoas vão logo perguntando: "Se você está bem, então o que está fazendo aqui neste grupo?" 
   E foi com a intenção de desabafar que escrevi sobre este assunto. Realmente naquela época não tinha essa maldade. Tive que surtar, enlouquecer, quase morrer, comer o lixo que o diabo amassou, para me conhecer melhor e a me entender como pessoa. Não sou um pedófilo, não violentei a Patrícia, e tenho certeza absoluta que, se ela por acaso tem lembranças de minha pessoa, sei que são boas e positivas, pois, como já disse, a respeitei como se deve respeitar uma mulher que gostamos. De que adianta o casal ter uma idade compatível se não há respeito? Se o cara mata a mulher caso ela queira a separação, ou então ela corta o bilau do cara se for traída? Garanto que respeitei Patrícia do que muitos casais "maduros" se respeitam...
    E confesso que até hoje não havia me dado conta dessa questão da diferença de idade entre a gente. Foi preciso ser esculachado naquele grupo para pensar melhor a respeito. Hoje em dia, já penso diferente daquele Júlio que tinha 23 anos, mas com mentalidade e maldade de um garoto de uns 17 anos. Concordo que a diferença, não de idade, mas de fase, não é muito aconselhável para se namorar. Confesso também que ficaria chateado se tivesse uma filha de 13 anos e um cara adulto a quisesse namorar. O que pega não é a diferença de idade, e sim a fase da vida dos envolvidos. Afinal com 13 anos a pessoa está entrando na adolescência hoje em dia. Na minha época as coisas eram um pouco diferentes. Éramos crianças até os 15 anos. Confesso que brincava de esconde-esconde até essa idade. Por volta dos 16 anos é que comecei a me enturmar com caras da minha idade e acabei virando rockeiro. E tudo começou a mudar quando tive que começar a trabalhar aos 17 anos, mas ainda tinha um pouco de criança dentro de mim. ( acho que tenho até hoje, ainda bem). 
    Acho que só comecei a conhecer a maldade dos humanos por volta dos 27 anos, em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais. Trabalhava em uma firma de sonorização e era muito querido pelos clientes da firma. E ganhava um salário bem mais alto do que o resto dos funcionários. Isto gerou uma revolta neles e ai começou uma série de intrigas. Queriam de qualquer jeito me prejudicar e me desestabilizar, e conseguiram, e acabei surtando aos 32 anos de idade. Pessoas que eu havia ensinado um pouco a arte de operar uma mesa de som simplesmente queriam me prejudicar para ocuparem o meu lugar. Essa ingratidão me deixou um pouco deprimido. 
    Mas, como disse, não sou de me lamentar, Tenho mais que agradece do que reclamar da vida, pois até dos momentos difíceis procuro tirar proveito e aprendizados. E, foi conhecendo a esquizofrenia que passei a me conhecer melhor. E, o mais importante, cheguei à conclusão de que posso ter a consciência tranquila, apesar dos inúmeros erros que cometi na minha vida, e que ainda cometo. 
    Quando era evangélico, perguntei para o pastor da igreja que frequentava:
    - O que vai acontecer com os povos que não conhecem a bíblia? Afinal, eles não têm culpa de não terem conhecido a palavra de Deus, afinal, ninguém foi até á eles para lhes mostrar o evangelho. Será que eles irão para o inferno?
    - A pessoa que não teve oportunidade de conhecer o evangelho será julgada de acordo com a sua consciência. - me respondeu o pastor.
    Já um outro pastor me afirmou que todos serão condenados, Um outro chegou a me dizer que todos que não conheceram a bíblia serão salvos. Ou seja, três situações para um mesmo fato. Mas acredito no pastor que falou sobre a consciência. Por exemplo, um índio, que não tem contato com a "civilização", tem os seus rituais em que usam plantas alucinógenas para terem contato com os "espíritos" (ou supostos espíritos). Fico me perguntando: eles têm consciência de que, pela ótica do ser humano dito civilizado, estão se drogando? Se por acaso tivéssemos nascido em uma tribo indígena, não estaríamos fazendo o mesmo? Ou se tivéssemos nascido na Índia, não estaríamos cultuando a vaca e outros animais?
    Foi o que aconteceu com a Patrícia. A minha consciência está tranquila e até hoje não tive nenhum sentimento de culpa. Posso ter certeza de que nenhum outro namorado que ela deve ter tido a respeitou mais do que eu. Pode ter respeitado tão quanto, mas não mais.
    Não ofereci dinheiro para a Patrícia, apenas respeito e carinho. Não sei se o que fiz é um crime previsto na lei, não consultei nenhum advogado antes de publicar o fato no livro e tampouco agora no blog. Cheguei a pensar em perguntar para um policial sobre este fato, mas voltei atrás, por que o mais importante é ter a consciência tranquila. Além de não oferecer dinheiro, ela é que tinha o meu contato. Não sabia onde morava, e o nosso relacionamento durou cerca de quinze dias, ou seja, três encontros.
     Até quando surtei e tive um enorme sentimento de culpa, não havia pensado neste assunto. Estava me condenando demasiadamente por ter supostamente contaminado algumas pessoas com o vírus HIV, já que na cidade onde morava rolava um boato de que eu estava com aids. E é aquela história: uma mentira dita várias vezes acaba se tornando verdade, e até eu mesmo acabei acreditando neste boato, quando surtei. Quem leu o livro e acompanha o blog sabe muito bem como foi essa história, em que cheguei a acreditar que até os laboratórios estavam contra a minha pessoa, falsificando os resultados que davam negativo. Pensava que alteravam para negativo para que eu não tivesse acesso aos medicamentos e assim morresse mais rápido e com maior sofrimento. Cheguei a pedir para a polícia me prender, pois me considerava um assassino, só pelo fato de imaginar que poderia ter contaminado algumas pessoas, apesar de quase sempre me cuidar nas relações que tive.
    Resumindo, hoje sei que errei ao namorar uma menina de 13 anos, mas também a minha consciência está tranquila, pois, como disse várias vezes, a respeitei muito e na verdade quem a estava namorando era um cara meio sem maldade com uma mentalidade de uns 17 anos, no máximo.
    Me desculpem por esta parte da postagem ter sido um pouco longa, mas é realmente uma questão complexa. Não acho muito legal um cara de 23 anos namorar uma garota de 13, mas na época eu tinha uma idade mental um pouco abaixo da idade física e não conseguia enxergar maldade em nada. E também sempre aparentei menos idade do que realmente tenho, e então sempre apareciam garotas com menos idade do que a minha. 

Passe livre...
    Creio que deve ser a terceira vez que toco neste assunto um pouco polêmico: o passe livre para os portadores de esquizofrenia. É um pouco polêmico pelo fato de haver controvérsias sobre o fato da esquizofrenia ser considerada ou não uma deficiência mental. E essa lei parece que é interpretada de várias formas nos municípios do nosso país. Não entendo muito de leis, mas creio que deve ser uma lei municipal e não federal. Ou se é uma lei federal, cada cidade a interpreta de uma maneira. Já tive o passe livre na cidade de Ipatinga-MG. Não teve nenhuma burocracia na hora de adquirir este benefício, apenas apresentar a documentação e o laudo psiquiátrico. Em São Paulo quem faz tratamento nos diversos CAPS espalhados pela cidade também tem esse direito. 
    Infelizmente aqui em Belo Horizonte a situação é bom complicada. O portador de esquizofrenia tem o direito do transporte para fazer o seu tratamento. O que fazem então? Apenas fornecem os vales transportes na quantidade exata, isso quando não falta o vale transporte na rede. Muitos têm que se locomoverem a pé, para fazer o tratamento ou então frequentar algum centro de convivência, a fim de fazer algum curso ou oficina. Infelizmente para o pessoal da saúde mental o tratamento consiste apenas em se entupir de medicamentos. Esquecem de outras coisas como: se sentir útil, ocupar a mente com algo que lhes agradem, a própria convivência com outros portadores, e por ai vai. A maioria não tem nenhum tipo de benefício, nem a aposentadoria e muito menos o LOAS. Só o direito de ir e vir já é uma grande possibilidade de uma boa melhora no tratamento. Em Ipatinga eu cheguei a fazer alguns cursos e isso me fez muito bem. Infelizmente o transporte público aqui em Belo Horizonte é caro, e não tem como gastar quase sete reais todos os dias em transporte para frequentar cursos ou palestras ou qualquer outra coisa, a fim de diversão mesmo.
    Neste momento está tendo esse tipo de problema: está faltando vales transporte para quase todos os centros de convivência aqui da capital mineira. O campeonato de futebol e outros esportes, que iria acontecer na próxima semana, foi cancelado. Nem adiado foi, não vai ter mesmo esse ano. O pessoal do centro de convivência que frequento estava animado para o campeonato de futebol, estávamos até treinando duas vezes por semana. Eu, apesar da idade (46 anos) também estava começando a me animar, as dores que apareciam depois dos treinos já estavam diminuindo, pois estou há quase nove meses num sedentarismo brabo. Depois que aluguei o quarto, agora só fico no PC e na TV. Mas consegui emagrecer um pouquinho e já estava melhor fisicamente. E o pessoal fica animado quando chega o campeonato. Foi possível sentir a frustração do pessoal ao saber da notícia do cancelamento.
    Por que será que aqui em Belo Horizonte é tão difícil de se conseguir esse benefício? Eu mesmo já tentei, e pude constatar que o mesmo só é concedido aos portadores que tem um déficit mental que seja bem fácil de se constatar. O portador tem que ir acompanhado e tem que ser comprovado que é praticamente incapaz de se locomover sozinho pelas ruas da cidade. O sofrimento mental para um portador de esquizofrenia não depende do fato do mesmo ter ou não déficit mental e sim na gravidade do caso e na sua situação econômica e familiar, dente outras coisas. O apoio e a compreensão da família são muito importantes. 
    O jeito então é ficarmos trancados em nossas casas, e apenas sair para fazer o tratamento e nos doparmos. Infelizmente esse é o conceito de tratamento para algumas pessoas da saúde mental por aqui, pois quase não vejo ninguém lutar por esse direito que é dos portadores de esquizofrenia. Já tentei conversar com um vereador sobre o assunto, mas ele gostaria que mais pessoas entrassem nessa briga. Ele quis saber quantas pessoas seriam beneficiadas, quantas pessoas usam o serviço da saúde mental aqui em Belo Horizonte. E infelizmente eu não tenho essas informações e não vi ninguém que pudesse se engajar nesta luta. Tive que desistir. Por mim faria uma manifestação pacífica, ou no centro da cidade, ou então na câmera dos vereadores. Hoje todo mundo faz protesto e alguns são nada pacíficos, então por que não podemos protestar pacificamente? Falta coragem, incentivo? Por mim montaria a minha barraquinha na câmara dos vereadores e ficaria ali por um tempo, para chamar a atenção dos nossos políticos para esse fato. Mas sozinho é praticamente impossível que algo aconteça. Seria considerado um louco e provavelmente seria "convidado" a me retirar da câmara. Aqui sempre quando querem protestar o pessoal acampa no gramado do jardim da câmara, fazem festas à noite e outras coisas mais. 


Texto: O louco
o novo filme: "O homem malucão" shaushasuahsuahsas
     Depois de quatro anos resolvi gravar um vídeo, mas não é nada de especial. Apenas "declamo" o texto "O louco", que recebi em um ônibus. Não sei se foi coincidência ou obra do destino, mas recebi esse texto que fala sobre a loucura. Na verdade acho que não foi nenhuma destas duas situações, o cara que estava vendendo os textos no ônibus "acho que me achou" que eu era um louco mesmo. E não  achei ruim, na verdade fico ofendido se me chamarem de normal. O mundo até hoje foi governado pelos ditos normais, e estamos ai nesta situação, que nem é preciso comentar, basta abrir um jornal ou um site de notícias na internet. 
   O cabelo está mais curto e branco (estou com 46 anos), a dicção continua péssima, o desconforto na hora de gravar um vídeo também continua. A camisa é da mesma cor do que a do primeiro video de quatro anos atrás, mas é outra camisa, é que gosto da cor...
   Mas, apesar do desconforto, resolvi gravar, pois acho este texto maravilhoso e que diz muito com poucas palavras. Em condições normais, falo um pouco mais alto, mas quando gravo vídeos tenho a sensação que tem alguém escutando do lado de fora e ai falo bem baixo. Tive que usar o microfone próximo da boca e ainda depois tive que amplificar o som em um editor de áudio, mas dá para ouvir perfeitamente, afinal, trabalhei com áudio por 17 anos né?

    Por fim, gostaria de agradecer à todos os administradores dos grupos do facebook que publicam as minhas postagens. Sem essa ajuda de divulgação, o blog teria menor alcance do que já tem. Quanto aos que não publicam as minhas postagens, só lamento, pois nem sempre a sabedoria vem de palavras e termos difíceis. 

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Adquira meus livros através do internet banking (ou através do depósito comum também)

 
    Depois de muito relutar, resolvi usar a internet para vender os meus livros. A mania de perseguição também se estende para o mundo virtual, tenho sempre a sensação de estar sendo monitorado, e, por essa razão não usava o internet banking. Mas, com o tempo vi que muitas pessoas deixavam de comprar o livro por não ter essa facilidade. Era necessário ir à uma lotérica ou agência da caixa para fazer o depósito. E depois ainda era preciso tirar um scanner ou uma foto do comprovante e me enviar por email. Mas agora tudo ficou mais fácil, com o internet banking é só fazer a transferência (se for preciso, envie um email solicitando o meu cpf) e pronto! Mas quem não tem internet banking pode adquirir o livro da forma convencional, fazendo o depósito e depois me enviando o comprovante por email, sem maiores problemas.
   Como tenho duas contas, vou deixar uma exclusiva para a venda dos livros, e assim facilitar a vida de quem queira adquirir os meus livros. Agora basta fazer a transferência e me enviar o email solicitando o livro. Caso queira o livro impresso, também me envie o seu endereço.
   Para conseguir abaixar o preço nesta crise toda, estou fazendo o pedido de todos os livros de uma única vez, assim o pedido final acaba saindo mais barato. Os pedidos de livros impressos podem ser feitos até o dia 12 de cada mês. Assim só precisarei ir na gráfica uma única vez, evitando assim o gasto com transporte e a agitação do centro da cidade. Já o pedido do livro em PDF pode ser feito em qualquer data.
    O livro Mente Dividida é basicamente a minha relação com a esquizofrenia. Nele conto como foram os primeiros sintomas que antecederam as crises, como foram os surtos, as dificuldades que passei por morar sozinho e tudo o que enfrentei nas ruas de Belo Horizonte durante o meu primeiro surto psicótico até o momento em que me aposentei. O valor do livro é 32 reais (127 páginas) já incluídas as despesas dos correios. Já em PDF o valor é 10 reais.
 
    O livro Divagações Esquizofrênicas é uma compilação deste blog, já que por aqui falo sobre esquizofrenia e vários outros temas também. Neste livro faço uma compilação dos posts mais acessados, comentados e os que achei mais interessantes, mas somente os que abordam o tema esquizofrenia. O blog tem muitas postagens e, à pedidos resolvi fazer uma seleção em um livro. O valor é 35 reais (191 páginas) no formato impresso. Em PDF o valor também é 7 reais.
    Os dois livros, no formato impresso saem por apenas 62 reais.
    Já no formato PDF, quem adquirir os dois livros pagará apenas 12 reais.
    Abaixo os dados da conta:
    Julio Cesar dos Santos de Oliveira
    Agência 2332 Ipatinga MG
    Caixa Econômica Federal
    Operação 023
    Conta 000.834.123.454-6
ou
Caixa econômica federal
Agência 2332
Operação 013
Conta 00035331-3
    Email para contato, para tirar dúvidas e enviar o endereço, caso deseje os livros no formato impresso;
memoriasdeumesquizofrenico555@gmail.com





sexta-feira, 4 de setembro de 2015

A corrente do bem

   Não tenho vergonha de dizer que, depois que me aposentei fiquei meio pão duro, mão fechada mesmo. Afinal, um salário mínimo não dá para fazer tanta coisa por ai. Raramente dou algum dinheiro para algum pedinte na rua, o que não acontecia na época em que trabalhava. A questão das drogas contribui bastante para isso, pois não temos a certeza que o indivíduo irá fazer com o dinheiro. Às vezes eu pagava algum salgado, comprava um pão, etc. Mas, com a grana curta, o jeito foi fechar a mão mesmo. Quando trabalhava como operador de som fazia alguns serviços de manutenção gratuito para igrejas e procurava ajudar alguns amigos, mas, hoje em dia, com essa crise toda, infelizmente a situação não está mais permitindo esses agrados.
Agradecimento
    Gostaria de fazer um agradecimento para uma pessoa que não conheço, ou talvez até conheça. Vou tentar explicar melhor: no início da semana, ao conferir o saldo da minha conta, constatei que havia cem reais a mais do que eu esperava. Perguntei para uma amiga do facebook que havia comprado o livro por esta quantia, se ela por acaso havia feito essa doação novamente, mas ela não me respondeu. Provavelmente foi alguém que já comprou o livro, por saber o número da conta. Apesar do "Mente Dividida" não ter sido um sucesso de vendas, fica difícil descobrir quem fez esta gentileza. Pelo que sei, quem tem a conta fácil da caixa econômica não tem como saber a procedência dos depósitos feitos. Como não foi possível agradecer diretamente, pelo facebook ou por email, vou agradecer aqui no blog. 
    Não tenho vergonha em aceitar esse tipo de ajuda. Já ajudei bastante gente por ai, principalmente na época em que trabalhava. Hoje em dia, uma vez ou outra compro alguma coisa de comer quando alguém vem me pedir dinheiro. Às vezes encontro algum companheiro que morou no albergue aqui em Belo Horizonte. Para quem não sabe ainda, fiquei dois anos morando na minha barraca e em alguns abrigos, quando fiz as minhas andanças pelo sudeste do Brasil. Era algo que sempre queria fazer, e só agora que criei coragem para viajar por ai. Nem todo mundo que mora em albergue é preguiçoso, usuário de drogas, ladrão, etc. Muitos estão ali por que não conseguem realmente um trabalho. E morador de rua idem. Alguns estão nas ruas não por opção. Conheci pessoas boas nas ruas. Basta olharmos o que aconteceu na Praça da Sé em São Paulo. Uma mulher foi feita refém por um bandido e só não foi morta por que, corajosamente um morador de rua interveio e a livrou do bandido, salvando-a com a própria vida. Um ato heroico desses merecia uma homenagem, mas como o cara era morador de rua... Se fosse um playboy que tivesse salvado a refém teria sua foto estampada em vários jornais e aparecido em várias emissoras de TV.... O que posso fazer é uma pequena homenagem a esse cara, que não sei quem era, se tinha passagem pela polícia, ou se era apenas um pacato morador de rua. Poucos são os que dão a própria vida pelo próximo e aqui vai a minha pequena homenagem, que ele tenha paz onde quer que esteja. Neste mundo onde a aparência é o mais importante, ele não teve muitas chances e não foi reconhecido, nem mesmo com esse belo ato.
o cara de azul deu a sua própria vida para salvar a refém, pouco se falou sobre ele, afinal era um morador de rua...
já a modelo gaúcha morreu atropelada e foi notícia no Brasil inteiro...
    Durante o meu primeiro surto psicótico, morei por cinco meses nas ruas. Como já disse várias vezes, fui muito ajudado por católicos, evangélicos, espíritas, etc. E até quem não falava sobre religião. E creio que esqueci de dizer que já fui ajudado por muitos moradores de rua, me dando comida e um apoio moral. Só o fato de ter alguém para conversar nos momentos difíceis é uma ajuda e tanto. Num domingo desses, sem nada para fazer, estava em frente à TV, trocando sem parar os canais, para achar algo que interessasse (todo domingo é assim...) e me deparei com o programa da Eliana, em que ela visitava moradores de rua. Vale a pena ver quem ainda não assistiu, para ver a realidade de algumas pessoas que não tem um teto para dormir.

    E atualmente estou morando há mais ou menos 1km do abrigo em que fiquei aqui em BH e de vez em quando encontro com alguns dos amigos que fiz. Alguns nem almoçam, pois no abrigo as pessoas tem que saírem às cinco da manhã, só podendo retornar depois das cinco da tarde. Ou seja, eles têm algo para se comer de manhã e à noite, já durante o dia tem que fazer o "corre": que pode ser pedir, trabalhar, fazer alguns bicos e alguns já conseguem por outros meios... 
    Conheço vários que não almoçam, pelo receio de pedir dinheiro. Fico com remorso quando os vejo na hora em que vou almoçar. Mas o orçamento está apertado, a crise está braba, e ainda mais agora que mudei de quarto. Estou agora em um quarto maior, cheguei à conclusão de que, como passo 23 horas por dia dentro do lugar onde moro, seria mais saudável morar em um local mais espaçoso. Agora posso fazer os meus exercícios físicos dentro do meu novo quartinho. 
   Voltando a doação que recebi na minha conta, vai servir para comprar ferramentas, pois gosto sempre de fazer alguns consertos e gambiarras. Vou passar a cuidar de um cão que foi praticamente abandonado no local onde moro. A dona dos quartos mudou de residência, e deixou os cachorros sem cuidados. Deixou um saco grande de ração, que acabou em um mês. Por um tempo comprei a ração para eles, mas não dava para fazer isso todo mês, afinal são dois cachorros. Eles são meio chatos para comer, só gostam de uma marca de ração, não comem pão (só se for pão doce e novo). Teve um dia que o mais gordinho recusou um pedaço de pão que havia acabado de comprar e que iria comer no café da manhã. Mas eles comem com vontade a ração que já estão acostumados.
    O mais magrinho, acabou sumindo. Talvez tenha sido atropelado, ou então encontrado um novo lar. De manhã eles saiam por ai, atrás de comida, rasgando os sacos de lixo da vizinhança. O mais gordinho está aqui até hoje, e fica um bom tempo sem comer. Os vizinhos, às vezes dão restos de comida para ele, mas, como já disse, ele é bem seletivo na hora de comer. Prefere ficar com fome do que comer um pão que não seja novo. 
o rançoso estava com muita fome...
     Não sei o nome deles. Mas para mim era o rançoso e o rançosinho, pois, pelo cheiro, há muito tempo que não tomam banho. Quando chovia, o negócio ficava tenso. O ranço deles ficava impregnado no ambiente. Resolvi então dar um banho completo no rançoso, já que o rançosinho se foi, espero que para um novo lar. Usei o meu shampoo e condicionador e tive que dar três banhos até sair por completo a sujeira, e ele ficou até mais clarinho. Primeiro passei sabão de coco, para tirar o grosso da sujeira.  Depois passei duas vezes o shampoo para tirar o resto da sujeira e mais uma outra vez para tirar de vez o ranço impregnado por meses, ou então quem sabe anos... Depois de todo esse processo passei o condicionador, e, com muito custo, o ranço já se foi. Mas, na hora do banho, um tremendo susto: esbarrei na tomada que estava pendurada na parede e tomamos um baita choque! Ele saiu correndo, todo assustado. Eu não me assustei, pois já levei muitos choques na época em que trabalhava como operador de som.  Quando o peguei de novo, deu para sentir seu coraçãozinho acelerado. Coitado, se antes já tinha trauma para tomar banho, agora ficou pior, foi difícil segurá-lo, e tive que colocá-lo dentro do tanque de lavar roupas para não escapar. Vai ficar traumatizado pelo resto da vida... 
    Comprei a ração que o rançoso gosta, e agora vou cuidar dele. Olhei para sua carinha e não me veio a inspiração para lhe dar um novo nome, já que o termo rançoso já não tem mais motivo. Pensei em Chimbinha, mas não seria uma boa, pois sempre irá me lembrar do cachorro que cuidava no parque ecológico, quando ainda estava nas minhas andanças. E ele também não tem cara de Chimbinha. Fico pelejando, olhando bem para a sua fisionomia, mas o nome não me vem à cabeça. Ele é pacato (assim como eu!), quietinho, raramente chega a latir para as pessoas estranhas que aparecem por aqui. Não briga com ninguém. Engraçado, o nome acabou de vir agora: "Pacato". Acho que este nome é o ideal para ele. Mas é um pouco sem graça... Algum leitor do blog tem alguma outra sugestão de nome para o cãozinho? Pode sugerir nos comentários, olhem a foto dele logo abaixo: a não ser que queiram que ele continue sendo chamado de rançoso né? Vamos aderir a campanha para colocar o nome no rançoso gente! Só não faço uma enquete pois, como já disse, não aparece nenhum nome em minha mente quando olho para a cara triste dele... Parece que os cachorros são bem parecidos como os humanos. O rançoso nunca foi chamado pelo nome, acho que nunca deram um para ele, e provavelmente teve uma infância com pouco carinho, por isso ele não é brincalhão e é tão pacato assim...
olhem a cara de tristeza do rançosinho na hora do banho...
     Como ele não come muito, vai dar para alimentá-lo todos os dias. Afinal, é uma forma de repassar um pouco a ajuda que recebi. Como sou um fracasso no contato com os seres humanos (não é bem uma decepção isso) vou repassar a ajuda que recebi para um cachorro. É que me lembrei do filme "A corrente do bem", que conta a história de um garoto que bolou um plano para tentar mudar o mundo. A ideia dele consistia basicamente em ajudar três pessoas a cada favor que cada pessoa receber. Assim se formaria uma corrente do bem, em que todos sairiam ganhando! Nada de corrente milagrosa com a exclusiva intenção de se ganhar dinheiro, e sim a corrente de bons gestos e atitudes. Quem não assistiu vale a pena ver, abaixo está o link para assistir o filme on line. Sugiro que instalem em seus navegadores um bloqueador de propagandas, pois esses sites de filmes on line tem uma enorme quantidade de propagandas e temos que ficar clicando em um monte de x até se chegar ao player e assistir o filme. 
    E assim vou vivendo, a cada dia ficando mais tempo no meu canto e mais do que acostumado às minhas paranoias. Na quinta feira recebi o meu pagamento, e, apesar de não poder reclamar muito, já se foi o dia em que essa era uma data alegre para mim. Infelizmente tenho que ir ao centro da cidade, para comprar os ingredientes da minha ração matinal lá no mercado central de "Beuzonte": leite de soja, gérmen de trigo, fibra de trigo e aveia. Misturo tudo e bato no liquidificador e bebo tudo em uma golada só, pois o sabor é de ração mesmo. Faço com água, pois não adianta colocar nem leite condensado, seria um desperdício usar outros ingredientes. Já que é ruim, então que desça sozinho mesmo né? 
    Mas o centro está complicado de se andar, com aquela paranoia coletiva de que poderemos ser assaltados a qualquer momento. No meu caso, não tenho tanto medo, está dentro dos padrões da normalidade. A verdade é que as pessoas desconfiam que eu seja um larápio, talvez por estar de cabelo grande, ou então pelo meu andar rápido, ou então por que estão todas paranoicas mesmo. E isso me incomoda e muito. Sempre procurei ser uma pessoa honesta e um cara do bem.  Quando estava sacando o dinheiro do caixa, um senhor de idade começou a me cutucar. Não dei muita atenção, apesar de achar um incômodo e muito estranho. Estava, para variar, ouvindo música no fone de ouvido. Mas ai o cara ficou olhando a tela do caixa e depois tentou pegar alguma coisa. Me assustei e disse em voz alta:
    - O senhor poderia ter um pouco mais de educação?
    Algumas pessoas que estavam no banco me olharam. Qualquer coisinha fora do normal que acontece nesses estabelecimentos já deixa todo mundo de orelha em pé. O senhor de idade continuou a me encarar até que uma funcionária do banco apareceu e o levou para dentro da agência. Na hora não entendi nada, chamei o segurança e contei o ocorrido, mas ele apenas fez o sinal para me acalmar. 
    Minutos depois de sair do banco é que entendi toda a situação: provavelmente o senhor de idade havia perdido o seu cartão dentro do banco, e ai foi logo desconfiar do cabeludo né? Que preconceito mais bobo, de pensar que todo cabeludo é usuário de drogas, que não trabalha, e outras coisas mais. Basta olhar nos presídios que irão encontrar um monte de gente com cabelo curto...
    E é assim que vou levando a vida. Com nostalgia de um tempo que não sei se voltará mais. O tempo em que poderia simplesmente andar pelas ruas despreocupadamente, em que a minha mente não era tão conturbada e paranoica como é hoje em dia. Mas tenho consciência também de que há a paranoia coletiva, de que não se pode andar mais despreocupadamente no centro da cidade. Saudades do tempo em que o dia do pagamento era de alegria e de comer uma bela torta de chocolate...

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Divagações esquizofrênicas 11

 

O duelo do bem e do mal
    Há duas semanas atrás achei 100 reais no banheiro aqui no local onde moro. Não foi preciso raciocinar muito para se chegar à conclusão sobre quem era o verdadeiro dono da quantia: a proprietária do imóvel, pois ela havia acabado de sair, estava "dando uma geral" em um quarto que tinha sido desocupado. Guardei a grana na gaveta do armário, para entregá-la quando a dona aparecesse novamente.
    Enquanto ela não aparecia, confesso que certos pensamentos tomaram conta da minha mente por breves momentos. Vozes apareciam, sussurrando ao meu ouvido, me dando conselhos, sobre o que se fazer com o dinheiro. Mas, acalmem-se, essas vozes não eram alucinações. No momento creio que estou gozando de quase que plenamente de minhas faculdades mentais. Essas vozes eram da minha consciência, na eterna batalha entre o bem e o mal que se desenrola em minha mente. 
     Desde criança essa batalha é travada em meu interior. E, como não tive pai e minha mãe tem problemas de audição, tive que aprender com a vida qual caminho seguir. De um lado, o anjinho, me dando bons conselhos, e, do outro, o diabinho querendo atazanar a minha vida. A impressão realmente é que cada um está falando em nossas orelhas. Não sou um santo e não tenho a pretensão de ser, mas confesso que a voz do diabinho ultimamente parece vir meio distante, e tenho que prestar atenção para entender o que ele quer dizer. 
    - Devolve o dinheiro, é o melhor a se fazer, não se esqueça que você já muito ajudado nesta vida...- me aconselhava o anjinho.
    - Ah! Gasta essa grana mané! E se fosse você quem tivesse perdido a grana? Iriam te entregar? Você não quer comprar uma manete para jogar no seu notebook? A dona da casa é rica, tem carro, tem a casa própria, nem vai sentir falta desse dinheiro... - do outro lado o diabinho tentava me convencer de que o melhor a ser feito era gastar a grana mesmo. 
    Mas não foi preciso voltar muito no tempo para relembrar as inúmeras vezes em que fui ajudado e presenteado nesta vida. No dia anterior uma amiga do facebook havia comprado o livro "Mente Dividida" em PDF por exatamente a mesma quantia que havia encontrado no banheiro: cem reais!!! Isso mesmo, o livro, que custa 7 reais, foi comprado por uma quantia 15 vezes maior.
    Dias antes, uma pessoa que gosta de viajar por ai, acabou "caindo" no blog, ao pesquisar sobre a "estrada real". Ela estava em busca de informações sobre o caminho, pois pretende cair nesta aventura em breve.
    À princípio, eu queria fazer um blog separado sobre as minhas andanças, para não misturar "as coisas": de um lado a esquizofrenia, e, do outro, as viagens que faço por ai com a minha barraca. Mas, ai pensei: se a minha intenção com o blog e divulgar a esquizofrenia para o maior número de pessoas, então por que não colocar tudo junto? Assim, os mochileiros poderiam se informar sobre esse transtorno mental tão cercado de preconceitos e estigmas.
    E assim aconteceu, essa pessoa, também muito generosa, pagou uma boa quantia pelos dois livros que já escrevi, e ficou muito grata por poder conhecer melhor o que é realmente a esquizofrenia.
E também obteve no blog preciosas informações sobre um dos quatro caminhos da estrada real, o caminho velho. 
a maior parte do caminho da estrada real é feita em estradas de terra...
   Então, voltando ao assunto da batalha do bem e do mal, o anjinho venceu mais essa logo no primeiro round. Logo a dona do imóvel apareceu, e não tive dúvidas que o melhor a se fazer era devolver o dinheiro e ter a consciência tranquila. Isso sim, não tem preço...
    
Dicas de saúde do esquizo
o limão é um bom alimento, tanto para a parte física como mental
    Nas minhas infindáveis buscas e pesquisas virtuais para encontrar fórmulas acessíveis para melhorar a saúde, tanto física como mental, acabei encontrando algo que já havia experimentado há muitos anos atrás: o suco de limão. Tinha o hábito de fazer, uma vez por ano, a tal da cura do limão. Esse processo consiste basicamente em ingerir cerca de 110 limões em 20 dias, para desintoxicar o organismo. Mas, pesquisando sobre alimentos que combatem o mau humor, encontrei dicas sobre esta fruta cítrica.
     A regra é simples: tomar, todo dia, de manhã, em jejum, suco de um limão com água morna. Depois de meia hora pode se tomar o café normalmente. No que se refere a parte mental, estou mais bem humorado realmente. Nem liguei para a zoação de uma menina, que, ao me ver andando pela rua, começou a cantarolar a música do Roberto Carlos: "Esse cara sou eu..." É que meu cabelo está grande, e não sei se fico parecendo com o rei da música popular brasileira, mas não é a primeira vez que fazem esta brincadeira quando me veem. 
    Estou menos ansioso e mais calmo. Consequentemente a vontade de comer doces diminuiu bastante. Emagreci cerca de 3kg em uns 25 dias e, quando resolvo comer doces, o faço com calma, para apreciar o sabor dessas gostosuras, principalmente o chocolate. Não como mais por desespero, para me empanturrar e assim ficar mais calmo. 
emagreci 3kg  tomando suco de limão, para comemorar uma caixa de bombons... 
    E na parte física estou mais disposto. Parece que melhora e muito o metabolismo, não estou tendo a sensação de tijolo no estômago depois das refeições. E o limão dá uma limpeza geral no sangue, eliminando o excesso de colesterol, triglicerídeos e outras impurezas. Hoje (25/08) um cara que nunca havia visto na minha vida me pediu uma barrinha do chocolate que estava comendo. E, para a minha própria surpresa, acabei dando não só uma barrinha, e sim duas! Isso mesmo! Só este gesto é uma prova mais do que cabal de que o limão tem essa capacidade de diminuir a vontade de comer doces..
     Creio que a maioria do pessoal já deve ter percebido que uso muitos links em meus posts (palavras na cor azul) Esses links servem para entender melhor o que estou postando, pois gosto de citar as fontes e não sou muito fã do control V + control C. (copiar e colar). Hoje, com o Dr. Google, só não é inteligente quem já morreu... Algumas pessoas simplesmente copiam tudo o que acham por ai e não citam a fonte, o que acho um desrespeito e tanto...
    Então, abaixo está o link que encontrei e que tem as melhores informações sobre alimentos que melhoram o nosso humor: 
    Adotei outras medidas para melhorar a minha saúde, voltei a tomar o ômega 3 (os meus triglicerídeos estavam em 470mg no último exame), estou fazendo exercícios físicos onde moro mesmo, pois agora estou em um quarto maior e dá para me movimentar. O outro nem dava para fazer um polichinelo, pois esbarrava no armário.  Parei de comer doces depois do almoço e sempre como uma laranja. Estou ainda tomando o cloreto de magnesio como manutenção, em uma dose menor. 

Miojo Saudável
    O verdadeiro dia da preguiça, na minha opinião, é o domingo. Não dá vontade de fazer nada. Só comer e dormir mesmo. Acordo tarde, e, como o restaurante popular está fechado, faço um miojo mesmo e cozinho um ovo para o almoço. Mas aquele pozinho que vem para temperar é muito prejudicial à saúde, pois contém o dobro de sal que precisamos em apenas um dia! O que faço então?
    Simples, faço o miojo normalmente, mas não uso o pozinho. Faço um tempero com azeite de oliva, alho (sem fritar, pois perde suas propriedades naturais) e uma pitadinha de sal. Quem quiser fazer ao alho e óleo fritando não tem problema. Para completar, faço um ovo cozido, que hoje em dia foi abolido e não é o culpado pela alta taxa de colesterol encontrado em algumas pessoas. O prato não fica essa maravilha, mas dá para descer e domingo não dá vontade nem de sair procurando restaurante aberto.
    Uma dica: O azeite de oliva mais saudável não é aquele mais famoso, segundo o proteste. Veja no link abaixo que mostra qual é realmente o mais "virgem":

As paranoias, não sumiram, apenas me acostumei com elas...
    E assim vou vivendo, pesquisando alternativas para ter uma vida melhor, mais saudável, pois se depender exclusivamente dos medicamentos antipsicóticos, confesso que estou perdido. No começo as paranoias eram mais místicas, sobre o bem e o mal, o que iria vir depois dessa vida aqui na terra. Depois, passaram para a saúde, com os boatos de que eu estava com aids, e ai o gatilho foi disparado e agora não para de atormentar a minha mente. Mas hoje em dia estou bem melhor do que há uns dez anos atrás. Passei a me conhecer melhor, sei os meus pontos fracos e sei o que me faz mal e o que pode me fazer bem. 
    Hoje em dia, minhas paranoias continuam, mas como já está descrito no subtítulo, já me acostumei com elas e não dou tanta importância. Penso assim: essas "cismas" são coisas da minha cabeça, mas, e se for verdade, que se !@!#$#$%.... Se não gostam de mim, não vou mudar o meu jeito de ser, pois uma das piores loucuras que uma pessoa pode fazer é deixar de ser ela própria...
     Hoje, penso que todos pensam que sou um assaltante. A paranoia coletiva que tomou conta das grandes cidades acabou passando para a minha complicada mente. Agora penso que, quando uma mulher segura com firmeza uma bolsa, é única e exclusivamente por minha causa. Sou um cidadão do bem, não uso drogas, e sempre trabalhei para me sustentar. Só saio de casa para almoçar, e até encontrei um caminho alternativo para se chegar ao restaurante popular, para não ter que passar pela estação do metrô, onde há grande concentração de pessoas. Prefiro passar pela BR, quase não encontro pessoas, e ainda passo por um morrinho de terra, e assim todo dia me lembro dos dias que andei pela estrada real. Que saudades daquelas andanças, que, apesar de sofridas e cansativas, foram uma das melhores coisas que aconteceram em minha vida! Não sei explicar, mas parece uma necessidade fazer estas caminhadas, para encontrar algo que está dentro da gente. Deve ser algo parecido com o que acontece quando se percorre o caminho de Santiago. Não precisamos ir à Espanha para ter esse tipo de experiência, que é mais interior do que propriamente exterior. 

     Passe livre
    Como disse em um post anterior, o passe livre me foi negado. Em Belo Horizonte, infelizmente os portadores de esquizofrenia não têm esse direito, com exceção daqueles que tem um déficit mental bem perceptível, pois aqui se tem que fazer uma perícia, como se estivéssemos requerendo um benefício, como o auxílio doença. Em São Paulo, basta apresentar os documentos, o laudo e esperar. Em Ipatinga consegui o benefício sem maiores burocracias, e lá fiz vários cursos, como uma forma de terapia mesmo. O campeonato que iria ter no início do mês teve que ser adiado, pois o pessoal não tinha o vale transporte para distribuir para os portadores de transtornos mentais. Aqui quem é usuário do serviço de saúde mental tem direito aos vales transportes na quantidade certa para frequentarem os Cersam's, que são como os CAPS das outras cidades.
    Vou tentar entrar com um pedido na defensoria pública. Esquizofrenia, independente do portador ter ou não déficit mental, chega a ser incapacitante em alguns casos. E uma das formas de terapia é ocupar a mente, fazer cursos, e, principalmente ter o direito de ir e vir, já que o transporte público na capital mineira é caro e não é tão eficiente assim. 
 
Central de Downloads do Esquizo

    Livro: Os delírios da Razão
    Autora: Magali Gouveia Engel
Resenha do livro

O livro tem um recorte histórico entre o final da monarquia e início da república e trabalha o processo de criação do Hospício Pedro II que é posteriormente na república chamado de Hospital nacional do alienado.
    O período de tempo abordado nesta obra vai de meados do século XIX às primeira décadas do século XX, recorte que é feito no estudo da historiadora Magali Gouveia Engel em sua pesquisa.      Este estudo começa com o cotidiano da cidade do Rio de Janeiro, que recheado pela vivência e convivência de personagens considerados loucos pela sociedade carioca e como esta mesma sociedade aceitava ou recusava o convívio com estes indivíduos. Em seguida vemos o discurso de intelectuais, políticos e da própria sociedade pela necessidade da construção de uma instituição de reclusão dessas pessoas para um melhor urbano e para a segurança social, ou seja, da sociedade e dos próprios indivíduos. Em diante as condições de construção e posteriormente de funcionamento desta instituição, que seria comemorada como de grande importância para a cidade e seu ordenamento urbano, que era anseios de muito que a cidade se modelasse nas principais cidades modernas da Europa. Também é realizado um panorama do funcionamento do hospício, seus métodos de tratamento terapêutico aos alienados e de constantes críticas às formas de tratar principalmente por relatos de violência à internos. No contexto de toda essa trama histórica é demonstrado o processo de transformação da alienação em doença mental e construção do poder de controle e domínio do médico psiquiátrico como personagem que detêm o poder de tratamento e de cura a doenças e do alienado.
    Portanto é uma excelente obra para quem deseja estudar a história da doença e da saúde, destacadamente da doença mental, e de suas forma de conceituação da loucura e de seu tratamento.
    Para baixar este e outros livros sobre transtornos mentais, basta acessar a CDE: Central de Downloads do Esquizo:
https://onedrive.live.com/?id=A884A13FCDDC52A3%21118&cid=A884A13FCDDC52A3&group=0



terça-feira, 18 de agosto de 2015

Matou um esquizofrênico e foi para o psicólogo...

 
policiais agridem esquizofrênico morador de rua
     No último dia 23 de julho, o portador de esquizofrenia, Anderson de Matos, que tinha 32 anos, foi morto à tiros por um policial militar. O crime ocorreu na cidade de Palhoça, situada no estado de Santa Catarina.
    Resumindo o ocorrido, a família do portador entrou com uma ordem judicial para internar compulsoriamente a vítima, já que a mesma não aderia ao tratamento psiquiátrico e vinha tendo crises com uma certa frequência.
 
Como tudo aconteceu
    O SAMU foi acionado para cumprir o mandado de internação compulsória de Anderson. Nestes casos é também necessária a presença da polícia militar, já que geralmente quem tem esse pedido feito não está em boas condições mentais. 
    A vítima estava em sua residência e, como não acatou a decisão, foi necessária a intervenção dos policiais, que à princípio estavam portando armas de choque. A vítima, assustada, saiu de sua casa e correu para um matagal. Os policiais o seguiram, e, como Anderson estava usando um moleton, a arma taser poderia não funcionar adequadamente nesta situação. 
    Como o portador de esquizofrenia estava escondido em um matagal e armado com uma barra de ferro, foram efetuados seis tiros de bala de borracha. Mas, como a vítima não saia do local, um dos policiais sacou uma arma letal. Segundo a versão da polícia, Anderson, ao tentar fugir, acabou escorregando e depois tentou agredir um policial com a barra de ferro. Então, neste momento um outro policial acabou efetuando o disparo fatal. 

Falta de preparo?
    Bem, esse não é o primeiro acidente ocorrido durante uma tentativa de internação compulsória. No ano de 2012 ocorreu algo parecido, um caso que ficou conhecido como "O atirador de São Paulo". Só que desta vez o portador de esquizofrenia é quem portava uma arma e acabou ferindo três pessoas.
    São situações bastante complicadas estas que acontecem quando os portadores de transtornos mentais estão em crise e é necessária a intervenção da polícia militar, principalmente nos casos de internação compulsória. 
     Não tenho a intenção aqui neste post dizer que os portadores de esquizofrenia são sempre as vítimas, os injustiçados. Mas creio que a polícia militar deveria se preparar melhor para essas situações, se informando melhor sobre a esquizofrenia e tendo o amparo também dos profissionais da área da saúde mental. Neste caso, estavam presentes seis policiais militares e o SAMU, e, mesmo assim não conseguiram internar a vítima. Creio que deveriam ser ministradas palestras para os policiais, criar planos e estratégias sobre a melhor maneira  de atuar nestes casos. Também não seria também uma má ideia um psicólogo estar presente em uma internação compulsória.
     São apenas algumas sugestões, mas deve haver pelo menos um debate sobre o assunto. A verdade é que a polícia não está preparada para agir em uma situação tão complicada. Cada portador de esquizofrenia tem a sua maneira de reagir durante um surto psicótico ou em uma internação compulsória. Seria também pedir muito para que um policial se especializasse em psicologia para melhor agir nestas situações. Afinal, são muitos tipos de ocorrências que a polícia enfrenta, e, em algumas delas, eles têm que intervir apenas com o diálogo, como no caso de brigas entre casais. Já vi no programa "Polícia 24 horas", da Bandeirantes, um caso em que o policial teve que dar uma de cupido e, na base da conversa, conseguiu fazer com que o casal  parasse com a briga e retomasse a relação. 
    Mas, como já disse algumas vezes, não desejo que os portadores de esquizofrenia tenham privilégios. Se cometeu algum tipo de crime, que ele seja punido, mas que fique recluso em um local onde possa se recuperar e não para piorar o seu quadro. Devemos sim ser punidos, principalmente quando já somos diagnosticados e paramos de seguir o tratamento. Claro que o tratamento deveria ser o mais digno possível, pois o que causa o abandono é a qualidade do mesmo que se tem aqui em nosso país. O caos está em todas as áreas do SUS, infelizmente não é só na área da psiquiatria. 
    Quando surtamos pela primeira vez, tudo é tão real em nossas mentes que pode se tornar um pouco injusta uma punição severa para um possível crime cometido. Geralmente não temos a mínima noção do que venha ser esquizofrenia, e ficamos sem chão, e tudo o que se passa em nossa mente vira realidade, não tem nem espaço para dúvidas nestas situações. Mas o que fazer quando uma pessoa comete algum delito em seu primeiro surto? Infelizmente não se tem muito o que fazer no caso da punição. Se a pessoa representa um perigo para outras pessoas e para a sociedade, a solução é realmente a internação. Mas, se o tratamento psiquiátrico no Brasil fosse digno e eficaz, provavelmente não seria necessário o uso da força em uma internação. Se o tratamento fosse realmente bom e desse resultado, o próprio paciente iria até à ele por livre e espontânea vontade.  No caso do esquizofrênico de Santo Catarina, foram 13 internações em 13 anos.
    Basta olharmos o que ocorre na Finlândia, onde são obtidos os melhores resultados no mundo no tratamento da esquizofrenia. Neste país, só para termos uma ideia, o próprio paciente escolhe o lugar onde quer ser atendido: na clínica, em casa, ou se quer ficar internado por um tempo. No link que passei (palavras na cor azul) tem um documentário sobre este modelo de tratamento que faz com que apenas 7% dos esquizofrênicos usem antipsicóticos pelo resto de suas vidas. No Brasil essa porcentagem só não chega à 100% por que a maioria dos portadores não suportam as elevadas doses de antipsicóticos que são orientados a tomarem. Também tem que se levar em conta o alto número de moradores de rua que são portadores de algum tipo de transtorno mental e não tem acesso ao tratamento.
as reclamações contra o excesso de medicamentos são constantes...

    Voltando ao Brasil, quem parece que são bem tratados são os policiais militares que ficam reclusos nos batalhões. As "cadeias" dos policiais geralmente são confortáveis, como se pode ver nas fotos. Geralmente eles não respondem pelos crimes cometidos como cidadãos comuns, e sim apenas como militares e o máximo que recebem é uma punição administrativa, e em casos mais graves são apenas expulsos da corporação. O policial que matou o Anderson em Santa Catarina, foi afastado e passará por um tratamento psicológico e o seu nome não foi divulgado. Agora, quando um portador de esquizofrenia comete algum tipo de delito, vira manchete nacional e o seu nome é divulgado em todas as emissoras de TV e sites. No caso do atirador de São Paulo, chegaram a entrevistar o cara logo depois dos disparos, dava para ver nitidamente em seu olhar que estava realmente surtado. É uma falta de ética muito grande tentar entrevistar um portador de esquizofrenia em surto, pois o mesmo não tem a mínima condição de dar respostas condizentes com a realidade. Basta digitar no google, "o atirador de São Paulo", que serão encontradas várias imagens e vídeos sobre o caso. Agora, quando cometem algo contra o portador de esquizofrenia, principalmente a polícia, não se sabe nada, o nome do policial não é divulgado e geralmente só os jornais da cidade em que ocorreram o fato é que comentam sobre o ocorrido. Infelizmente a mídia em geral não contribui para esclarecer a população em geral sobre o que é realmente a esquizofrenia. Existem alguns programas na TV que até foram entrevistados psiquiatras falando sobre o tema, mas quem procura esse tipo de programa geralmente tem um nível de informação melhor e maior do que a população em geral.
     Não é raro certas regalias nos presídios da polícia militar:
    "A ex-mulher de um policial militar preso no Batalhão Especial Prisional (BEP) da PM do Rio de Janeiro, denunciou em 2012, regalias, como geladeira, micro-ondas, máquina de assar frango e ar-condicionado. Segundo ela, os agentes responsáveis eram pagos para “facilitar” na hora da revista. Após a denúncia, todos os eletrodomésticos foram retirados por decisão da Justiça."
Fonte:http://www.webarcondicionado.com.br/presidios-com-ar-condicionado-mordomia-ou-uma-forma-de-ressocializacao

algumas cadeias para militares parecem quartos de uma casa..
     E essa situação de violência contra portadores de esquizofrenia não é tão rara assim em Santa Catarina. No link abaixo dá para se ver como a polícia é preparada para lidar com um esquizofrênico:
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/01/14/video-mostra-rapaz-sendo-agredido-por-pms-em-blumenau-sc.htm

O meu caso
    No meu caso em particular, mesmo na fase aguda dos surtos, não cheguei a representar um perigo para a sociedade, pois a minha principal reação era fugir dos inimigos que estavam em minha mente. Mas fui um perigo para mim, chegando a tentar o autoextermínio algumas vezes. Era mais fácil tirar a minha própria vida do que sair eliminando todos que eu imaginava estar contra a minha pessoa. 
    Quando estava perambulando pelas Br's, durante o meu primeiro surto psicótico, cheguei a pedir à um policial rodoviário para que me prendesse:
    - "Pode me prender, sou um réu confesso... - disse, levantando as mãos em punho, para ser algemado. 
    Estava com um sentimento de culpa absurdamente exagerado, chegando a pensar que havia contaminado algumas pessoas com o vírus da aids (quem já leu antigas postagens do blog, já sabe que por alguns anos eu mesmo acreditei em um boato à meu respeito de que estava com aids).
     O policial rodoviário, ao ouvir o meu pedido, apenas riu, achando engraçada aquela situação. Não me perguntou nada, apenas falou de Deus e depois me ofereceu um marmitex, que joguei fora, apesar da fome que estava sentindo. Afinal, estava apenas imaginando que o mundo inteiro estava querendo ver a minha caveira e que a comida estivesse envenenada. 
    Se o policial solicitasse uma ajuda médica naquele momento, talvez poderia ter evitado tudo o que passei durante esse meu primeiro surto grave, afinal fiquei por um período de cinco meses nas ruas de Belo Horizonte, até me recuperar. Mas, pelo que relatam sobre os manicômios, creio que foi melhor esse caminho que segui, apesar de lento e muito sofrido. Talvez piorasse com esse tipo de tratamento que é oferecido nos casos de emergência e pudesse sim reagir com agressividade à uma internação forçada. Costumo dizer que a debilidade física funcionou meio que um sossega leão para mim, pois não me alimentava e ficava andando praticamente o dia inteiro nos primeiros dias. E o remédio principal foi a solidariedade das pessoas, que me fez pensar novamente que nem todos são inimigos e querem nos ver mal.
    Também tive, durante um surto, uma quase experiência não muito agradável com a polícia. Havia saído do emprego em uma cidade do interior de Minas Gerais e estava dormindo em frente de um agência do INSS. Apareceu até ambulância no dia, e a polícia também que, a princípio queria tirar satisfações sobre o fato de eu estar ali dormindo o dia inteiro (também estava tomando diazepan constantemente, para não surtar de vez). A minha sorte é que, antes do policial se aproximar de mim, deu para ouvir uma mulher me defendendo, afirmando que eu era um cara trabalhador e que gostava de praticar esportes. Era uma assistente social, que acabou me levando para um albergue em um outra cidade, onde tive um tratamento psiquiátrico muito melhor. Cidade pequena tem essa desvantagem que pode se tornar algo benéfico: todo mundo conhece todo mundo. E eu era uma pessoa até certo ponto conhecida naquela cidade, e, como sempre fui um cara trabalhador e nunca usei drogas e fui para o mundo do crime, acabei sendo reconhecido pela assistente social, que me ajudou bastante, ao me tirar daquele lugar. 

    Gostaria de dizer que a culpa nestes casos não é exclusivamente da polícia. Como já relatei, se o atendimento na área da saúde mental fosse eficaz e não trouxesse tantas sequelas, provavelmente não haveria tantos casos de internação compulsória por dois motivos:
    1- Com o tratamento adequado e digno, os portadores não teriam recaídas e não iriam abandoná-lo. E, quando cito tratamento, não estou me referindo apenas a administração de antipsicóticos....
   2- E, se o tratamento fosse digno e com qualidade, os próprios portadores não teriam receio de serem internados. Uma amiga minha me relatou que foi abusada sexualmente em um hospital, presa à uma camisa de força na cama... 
     Imagine-se um soldado hoje, no Rio de Janeiro. Você tem que entrar em um local público, desconhecido, cercado de becos e esconderijos. É uma comunidade carente. E você tem que acabar com o tráfico de drogas no local, tem que achar os bandidos naquele monte de casas, tem que trocar tiros com os traficantes, mesmo não tendo uma visão privilegiada do lugar. E não pode errar, tem que acertar somente os traficantes enquanto eles saem disparando fuzis e metralhadoras a esmo, sendo que às vezes essas armas são adquiridas da própria polícia... 
    Por isso, neste post, gostaria de reiterar que a culpa não é somente da polícia, e sim das pessoas que governam o nosso pais, e das condições em que são tratados os portadores de transtornos mentais nos hospitais e clínicas psiquiátricas. Uma amiga minha relatou que, ao visitar o seu filho, os outros portadores foram ao encontro dela, para pedirem um pouco de comida, pois estavam sentindo muita fome. É isso, os políticos desviam o dinheiro público que seria destinado à saúde, e, quando usam, o fazem de maneira não muito certa. E então tudo estoura nas mãos da polícia, para apagar o incêndio provocado pela incompetência e pelos maiores bandidos em nosso país, que são os políticos. O ex comandante do Bope, afirmou que a única instituição do governo que sobe a favela é a tropa de elite. 
    Voltando ao tema internação compulsória, o mínimo que podemos exigir é um preparo dos policiais para estes casos e um tratamento adequado nos hospitais psiquiátricos. Como deve ser esse atendimento? Não sei, não estudei para isso, mas creio que nestes casos, o próprio paciente deve ser ouvido, o que geralmente não acontece em nosso país. Deveria haver um "Diálogo aberto" e verdadeiro entre os profissionais da saúde mental e os portadores de transtornos mentais. 
    Não queremos regalias, não queremos ser tornar inimputáveis para fazer o que bem quisermos sem ser punidos. Queremos apenas olhar no horizonte e enxergar algo que nos incentive a continuar o tratamento para a esquizofrenia, que no Brasil parece não ter fim. A prevenção, neste e em todos os casos ainda é o melhor remédio. Com atendimento digno, não haverá motivo para internações forçadas... 
- Obs: costumo colocar algumas imagens nos posts que escrevo, mas, como é um caso contra um portador de esquizofrenia, o mesmo não foi tão divulgado, o que já não acontece quando um esquizofrênico comente algum delito...

CDE- Central de Downloads do Esquizo
Livro: O poder dos quietos
 
     Cheguei a ler boa parte desse livro, mas, com o desânimo atual que estou tendo, não consegui ir até o final, mas se trata de um bom livro, pois define muito bem o que é uma pessoa tímida e uma pessoa introvertida. 
    No meu caso em particular, creio que fui um tímido até antes de surtar, pois não me conhecia realmente e tinha um certo medo de me envolver com as pessoas e ter certas responsabilidades.
    Mas tudo mudou depois dos surtos, descobri quem sou de verdade e sei a força que posso ter. Hoje sou um fóbico social e um pouco introvertido, pois de uma certa maneira gosto de minha companhia (shasuahsuashs) e fico bem em meu cantinho, convivo bem com os meus pensamentos e não tenho mais medo deles. E você?
    Para fazer o download deste e de outros livros sobre transtornos mentais e comportamento humano, basta acessar a CDE (Central de Downloads do Esquizo) na figura no lado direito da página ou então clicar no link:

Teste: Saiba se você é um introvertido ou tímido
    O introvertido é uma pessoa sensível que se sente confortável tendo a si mesmo como companhia.
   Introvertidos recarregam suas baterias ficando sozinhos; extrovertidos precisam recarregar quando não socializam o suficiente.
Se você ainda não tem certeza de onde se encaixa no espectro introvertido-extrovertido, pode descobrir aqui. Responda a cada questão com “V” (verdadeiro) ou “F” (falso), escolhendo a resposta que lhe é mais frequente.
1. Prefiro conversas individuais a atividades em grupo.
2. Geralmente prefiro me expressar por escrito.
3.  Gosto da solidão.
4. Pareço me importar menos que meus colegas com fama, fortuna e status.
5. Não gosto de jogar conversa fora, mas gosto de tópicos profundos que importam para mim.
6. As pessoas dizem que sou um bom ouvinte.
7. Não gosto muito de correr riscos.
8.  Gosto de trabalhos que me permitam “mergulhar” com poucas interrupções.
9. Gosto de celebrar aniversários de maneira reservada, com apenas um ou dois amigos ou familiares.
10.  As pessoas me definem como alguém “de fala mansa” ou “meigo”.
11. Prefiro não mostrar meu trabalho ou discutir sobre ele com os outros até ter terminado.
12. Não gosto de conflitos.
13.  Trabalho melhor sozinho.
14. Tendo a pensar antes de falar.
15. Sinto-me exaurido depois de estar em público, mesmo que tenha me divertido.
16. Às vezes deixo ligações caírem na caixa postal.
17. Se tivesse que escolher, preferiria passar um fim de semana com absolutamente nada para fazer a um com muitas coisas programadas.
18. Não gosto de fazer muitas coisas ao mesmo tempo.
19. Consigo me concentrar com facilidade.
20. Em situações de sala de aula, prefiro palestras à seminários.
Quanto mais tiver respondido “verdadeiro”, mais introvertido você provavelmente é. Se tiver um número parecido de “verdadeiros” e “falsos”, provavelmente você é um ambivertido
— sim, essa palavra existe.