segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Missão dada é missão cumprida!


    Sempre tive um leve complexo messiânico, até mesmo antes de surtar gravemente pela primeira vez no ano de 2002. Achava que era de alguma forma um ser especial com uma missão especial para ser realizada aqui neste planeta. E também achava que era protegido por uma força superior, que eu costumava chamar de anjo da guarda. Esses pequenos delírios retrato na minha postagem "Complexo messiânico", por isso não estenderei sobre o que sentia e pensava antes de surtar.
   Já durante o surto tudo tomou uma proporção absurda e cheguei por algum momento a acreditar que era o próprio Messias, pois as iniciais do meu nome também são o J e o C. E na época do surto eu tinha 32 anos de idade e acreditava que não iria passar dos 33...
    Essa fase foi muito complicada e difícil. Quando estava peranbulando pelas BR's achava que seria morto de uma forma bem cruel, assim como Jesus também morreu. As vozes só falavam em me matar, aonde quer que eu fosse. A mania de perseguição me perseguia além das fronteiras municipais de Minas Gerais. Não adiantava mudar de cidade, haviam inimigos imaginários por toda a parte. Muita gente pensa que a pessoa que tem esquizofrenia fica pensando que tem um amigo imaginário, quando na verdade, acreditamos ter vários inimigos imaginários, mas que são reais em nossa mente, principalmente quando estamos surtados.
    Imaginava que seria arrastado pela multidão, que iriam furar meus olhos e quebrar as minhas duas pernas, como forma de castigo por tudo de ruim que pensava ter feito em meus 32 anos de vida. Imaginei todos os tipos de morte e castigo, menos as rápidas, como um tiro na cabeça, por exemplo. Tinha que ser tudo lento e bem sofrido para compensar os meus pecados. O sentimento de culpa exagerado também pode ser um dos sintomas da esquizofrenia...
    Certo dia, ou melhor, certa noite, quando estava peranbulando pelas BR's, cheguei a ter uma alucinação visual bem interessante e horripilante: vi algo bem parecido com a sombra da morte andando pela estrada. Mas como eu sei que o que vi era uma alucinação? É que analisando friamente hoje em dia dá para relembrar que a suposta sombra da morte não andava pela br, e sim deslizava suavemente e bem lentamente também. Parecia com a sombra da morte, e andava com a cabeça curvada para baixo e com aquele manto, parecendo também um monge beneditino, só que com a cabeça coberta.
tive uma alucinação visual bem parecida com essa... 

   Na primeira vez que a vi, senti um forte calafrio na nuca, até parecia que estava saindo eletricidade dessa região do meu corpo. Algo me fez olhar para trás e lá estava ela, desfilando elegantemente pela estrada, sem ao menos me olhar. Confesso que tive um pouco de medo, mas não saí correndo ou gritei. Sempre achei a minha vida um tédio e torcia para que acontecesse algo de sobrenatural. Poderia ser um espírito, um et, um duende, fada, sei lá, qualquer coisa, mas tinha que ser sobrenatural.
    Quando a sombra desapareceu no final da estrada, continuei a minha caminhada. Prentedia ir para o Rio de Janeiro a pé, para tentar fugir dos inimigos imaginários que só estavam em minha mente. Resolvi ir de noite para dificultar o reconhecimento desses inimigos.
    Mas não demorou muito e a sombra apareceu novamente, desta vez caminhando em direção contrária à minha. Estava com o mesmo aspecto e aparência e deslizava lentamente pela br assim como da sua primeira aparição.
   Mas desta vez não tive medo, queria até conversar com ela, perguntar se estava procurando por minha pessoa. Queria saber por que não conseguia tirar a minha própria vida, ou então por que a dona morte não vinha me buscar, depois de várias tentativas frustradas de encontrá-la. E também confesso que passei por situações complicadas por se achar superprotegido pelo meu anjo da guarda, e o fato de não ter morrido por causa dessas situações também me deixava bastante intrigado naquele período de pico do surto psicótico que tive. E. para piorar tudo, uma voz havia falado que eu já havia me transformado em uma alma penada e que não precisaria mais me preocupar com nada, nem com alimentação, nem com o frio, nem com o calor e nem mais com as roupas. Confesso que quando ouvi essa voz não fiquei triste e sim aliviado, pois, como alma penada não poderia mais ser visto pelos meus inimigos imaginários. Bem, essa é uma história que conto por completo no meu livro "Mente Dividida, Memórias de um esquizofrênico", distribuído por mim mesmo, pois como não sou fã dos medicamentos, dificilmente irei encontrar algum apoio no meio da saúde mental para publicar essas minhas aventuras. Mas não ligo, não quero ter que perder a minha liberdade apenas por ter algo publicado ou ter apoio, fico completamente satisfeito em ter o meu espaço aqui neste humilde blog e escrever as coisas da maneira que gosto e da maneira que gosto de escrever.
No link abaixo tem todas as informações sobre como adquirir o meu livro:
http://memoriasdeumesquizofrenico.blogspot.com.br/2012/08/mente-divida-memorias-de-um.html
    Mas, voltando ao encontro com a dona morte, não falei nada com ela, mas queria que ela me levasse naquele dia. E em outros dias também, confesso. Principalmente antes de surtar, quando não me conhecia e nem me compreendia totalmente.
    Acredito sim que a dona morte quisesse me levar naquela noite, mas acho que alguém lá em cima resolveu intervir, e disse para a dona morte ir embora e me deixar quieto, pois teria algo para me dar para fazer. E creio que seja exatamente isso o que estou fazendo aqui neste blog ao longo desses cinco anos de postagens e mais postagens. Algumas boas, outras mais ou menos, e outras que nem dá vontade de rele. (Ando revisando minhas postagens, acredito que melhorei um pouco a minha escrita com a prática ao longo desses anos). 
    Acho que alguém lá em cima pediu para a dona morte me dar mais um tempinho aqui na terra e tentar levar uma mensagem positiva e de esperança, de que a esquizofrenia é sim complicada de se lidar, mas também não é o fim. Existem dias sim que estamos mal pra caramba, pensando que é o fim de tudo. Às vezes fico tão desanimado, com tanta falta de energia por causa dos sintomas negativos da esquizofrenia, que passo a acreditar que tenho uma doença grave, que tenho algum problema no coração, ou algo parecido. Quando entrei em depressão pela primeira vez fiquei tão mal que emagreci cerca de 12kg, e estava tendo diarreias frequentes e sentindo muita fraqueza e passei então a acreditar no boato de que estava com aids... Aí foi quase o fundo do poço. Boa parte da cidade onde eu morava na época e até eu mesmo já havia decretado o meu fim...
   Mas, não sei por que, tudo pode mudar. Pode demorar, mas muda. Talvez seja as variações de humor que podemos ter. Elas não são sintomas exclusivos da bipolaridade, quem tem esquizofrenia também pode viver nessa roda gigante.

Passei e ainda passo por maus momentos, e tudo levo como aprendizado. Não ligo para as indiretas que algumas pessoas fazem, afirmando que tenho uma vida boa só por ser aposentado. Ganho um salário mínimo e não gasto com drogas ou álcool. Então se sobra algum dinheirinho para fazer uma pequena extravagância (comprar um doce, por exemplo) é por que consigo de alguma forma administrar o pouco que ganho. Se hoje de alguma forma me tornei uma pessoa melhor é por que aprendi algo que só a escola da vida pode nos ensinar.  
E não é algo sobre a vida dos outros, sobre como se comportar ou como ser em nossas vidas... É o duro e difícil aprendizado de nós mesmos... Ainda tenho muito que aprender sobre como lidar com as pessoas. Mas o primeiro passo já foi dado.
   Então hoje, sem delírios e complexos, acredito que tenho uma missão. Uma missão que podemos dar a nós mesmos e não aquela que só os "escolhidos" e santos as têm.
 Podemos sim de alguma forma ajudar a nós mesmos e aos outros. Me tornei uma pessoa melhor ao saber através dos comentários aqui no blog e por email que de alguma forma ajudo as pessoas a entenderem um pouco esse mistério chamado esquizofrenia.
Eu me dei uma missão, e você, já deu a sua para si mesmo?

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A pessoa que tem esquizofrenia pode morar sozinha?


     Outro dia desses, nas minhas andanças virtuais me deparei com uma matéria em que o assunto era exatamente o título desta postagem. Desta vez não precisei gastar os meus poucos neurônios que me restam para bolar um título chamativo para mais uma das minhas trezentas e tantas publicações.
     O que me incomoda mais é o rótulo, pois  geralmente se referem a nós como "o esquizofrênico", ou até mesmo de uma forma mais interessante como essa do título da postagem. 
    Já vi e ouvi todo tipo de  pergunta: 
    "O esquizofrênico pode dirigir"? "O esquizofrênico pode casar e ter filhos"?, etc.. Esse tipo de questionamento me dá a impressão de que as pessoas em geral imaginam que todo mundo que tem esquizofrenia é igual, que temos as mesmas características, o mesmo comportamento, o mesmo nível de inteligência, habilidades. etc...
     Mas nessa postagem irei apenas falar sobre a questão de morar ou não sozinho. Me considero apto a falar sobre o assunto, pois saí de casa aos 17 anos para começar a trabalhar. A minha avó materna, que sustentava a família havia falecido e a mordomia se acabou. Tive que parar o meu curso de eletrônica no último ano e então comecei a trabalhar na área de sonorização, graças à uma mentirinha "branca" (pode isso Arnaldo?) que contei para o dono da firma em que estava procurando emprego. Cheguei logo falando que já era técnico em eletrônica e que sabia consertar todo tipo de amplificador. Fui contratado na hora, mas também não demorou muito para o dono descobrir que eu apenas era um iniciante no assunto da eletrônica de equipamentos de sonorização....
     Mas ele não me mandou embora e assim comecei a aprender os mistérios daqueles inúmeros botõezinhos das mesas de som. E foi mais ou menos assim que fui levando a vida, sendo eu mesmo em empregos que era exigido sim o compromisso e seriedade, mas também não era preciso ficar com a cara carrancuda o tempo todo, ou então fingir para tentar agradar à todos se trabalhasse com vendas, por exemplo. Acredito que nunca iria dar certo em outros trabalhos em que fosse necessário usar um disfarce, como em um banco. Teria que usar um disfarce de uma pessoa certinha, que tem horário para tudo, enfim, uma pessoa considerada normal pela sociedade.
    E assim fui levando a vida, até os 32 anos de idade, quando os surtos começaram a aparecer, juntamente com um sentimento de culpa exageradíssissimo e o complexo messiânico também, afinal estava prestas a completar 33 anos e meu nome começava também com as mesmas iniciais do messias dos católicos.
    E fui feliz nesses anos todos? Me arrependo de algo que fiz ou que não fiz?
    Claro que fui feliz, a liberdade de ser quem eu sou não tem preço. Também tive muitos momentos tristes, como qualquer ser humano deste planeta. Desconfio muito de pessoas que afirmam serem felizes o tempo todo, talvez seja um disfarce também dos normais. E também me arrependo de muitas cagadas que fiz em minha vida, e de muita coisa que não fiz ou deixei de falar. Não sou perfeito e nem tenho a pretensão de ser, então errei e creio que continuarei a errar por um bom tempo. Mas, claro que não uso e nem usarei a imperfeição como pretexto para meus deslizes...
    Resumindo, a pessoa que tem esquizofrenia pode ou não morar sozinha, assim como também acontece com alguns "ditos normais" que não tem maturidade o suficiente para morarem sozinhos ou mesmo responsabilidade, sempre vivendo ao lado dos pais. Ou falta coragem também, sei lá. Mas a minha intenção aqui nesta postagem não é a de querer mostrar que o correto é sair de casa e morar sozinho, não é isso. Acho legal uma família unida, bem estruturada em que haja o diálogo e respeito em toda parte. Mas, caso isso não aconteça, o que tem demais em ir morar sozinho? Se uma pessoa não é compreendida e respeitada em seu próprio lar, não seria mais fácil e melhor morar sozinha, mesmo que com algumas inseguranças e perrengues? A pessoa com esquizofrenia muitas vezes sai de casa justamente por que não é respeitada em seu lar, é chamada de fresca ou preguiçosa, quando na verdade está muito sonolenta por causa dos efeitos adversos dos antipsicóticos.
    A pessoa que tem esquizofrenia tem sua individualidade. O que pode acontecer é que boa parte dos portadores possam ter alguns comportamentos semelhantes, como a desconfiança exagerada e ser uma pessoa mais arredia. Cada um tem seu nível de inteligência, sua maneira de ser e pensar. Acredito que boa parte se sente melhor quando estão sós, o que é o meu caso. A pessoa que tem esquizofrenia pode morar sozinha, pode dirigir, pode namorar, casar e ter filhos. Pode até escrever um blog como eu escrevo. Um blog meio maluco, mas é um blog...

    Então, como acontece com os "ditos normais" alguns portadores de esquizofrenia tem capacidade de morar sozinhos, enquanto outros já não conseguiriam ter essa independência. Tudo também depende da gravidade do caso, é óbvio.
    Um fator que pode ajudar muito na questão da independência de morar sozinho é o autoconhecimento. Uma pessoa que tem esquizofrenia precisa e muito se conhecer. Saber quando as coisas estão mais ou menos dentro da normalidade, saber quando está prestes a surtar, etc.. Sim, é possível sentir em alguns casos quando estamos prestes a surtar, claro que isso só vem infelizmente com a prática no assunto surtos.... Não é rara a auto internação, quando a pessoa sente que não está bem e que o melhor é dar um tempo e seguir o tratamento em um local que ela ache mais adequado.
    Um exemplo para ilustrar como aprendi algo com a prática nos surtos. Me lembro muito bem da segunda vez que pirei e saí fora da realidade. Ainda estava trabalhando, dormia na firma mesmo. Éramos vizinhos de uma serralheria, e os caras começavam a trabalhar por volta das sete e meia da manhã, hora em que eu ainda estava começando a pensar em levantar da cama, pois muitas vezes já estava acordado, apenas cochilando
    E sempre ouvia aquele barulho irritante daquelas máquinas cortando metais para confecção de portas, janelas e outros itens. Era um som irritante, mas suportável. Mas, me lembro muito bem, quando estava surtando pela segunda vez, a cada dia que passava tinha a sensação de que as máquinas estavam se aproximando de mim, de tamanha irritação que o som delas me provocava. Quando o surto veio a impressão que tinha era de que a minha cama havia sido tele transportada para o meio daquela serralheria...
     Então, atualmente quando sinto que fico facilmente estressado e apavorado com os sons do dia a dia começo a ligar o meu estado de alerta, e aí analiso se vale a pena ou não  reatar a minha relação com a "Clô"...
Obs: Para quem não acompanha o blog, "Clô" é o apelido que dei para um antipsicótico antigo chamado cloprormazina, que, para o meu caso quebra um galho nesse tipo de situação. Só não tomo por um prazo maior pois me dá uma prisão de ventre muito forte, além de dores na barriga, urticária (dermatite de contato), torcicolos... E também tenho receio dos sintomas extrapiramidais, que podem aparecer com o uso prolongado: tremores, rigidez muscular, movimentos involuntários da face e de outros músculos...


    Já são 30 anos morando sozinho, e pretendo continuar assim. "Ah, mas se você envelhecer, quem irá cuidar de você"? Sei lá, talvez eu vá para um asilo, ou um outro lugar que me acolha com um salário mínimo. Ou então eu vá morar por aí, continue as minhas andanças, sei lá. Só sei que a "solitude" é uma condição indispensável para a minha paz interior e para minha alegria. E também nunca iria ter filhos pensando na minha velhice, caso tivesse queria que eles curtissem a vida com responsabilidade antes de começarem a terem responsabilidades, ao invés de ficarem cuidado de um velhinho maluco que deverei ser...

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O domingão do esquizo....

    Estou algum tempo em silêncio e algumas pessoas que acompanham o blog chegam a me perguntar o porque de não estar publicando mais com certa frequência. Bem, são vários motivos que me levaram à essa ausência de postagens:
    1-Creio que a falta de paz no local onde moro seja o principal motivo. A falta de respeito ao sono alheio me incomoda demais, não sei se mais do que deveria. Mas gostaria apenas que as pessoas respeitassem o meu sono assim como respeito o sono dos outros. Sem um sono razoável minha saúde física e mental vão pro espaço. Sem contar os xingamentos durante o dia, palavrões impublicáveis durante o dia inteiro, ameaças,  e outras palavras que para mim trazem uma energia negativa. Claro que não sou santo, às vezes falo palavrão, principalmente quando me machuco, mas daí para se tornar palavras comuns no dia a dia é uma longa distância...
    2-Falta de assunto- Este também é um motivo importante. Afinal são quase cinco anos de blog, 268 postagens (algumas até boas, outras nem tanto, e outras nem tenho tanta coragem de ler...).  Se é para ficar postando merda melhor nem postar né? Mas sempre estou entrando no blog para responder às dúvidas e comentários das pessoas, o qual faço com o maior prazer. Os posts mais visitados são sobre os medicamentos, mas garanto que irão achar muita coisa boa no meio dessas quase 300 postagens, principalmente as crônicas, em que falo sobre assuntos banais e do nosso cotidiano.
no final da página é possível pesquisar o blog através dos "marcadores"... 

    Até que ultimamente o local onde moro voltou a ser um local tranquilo de se morar, após a saída de um dos "badernistas". O "badernista" remanescente parece estar um pouco amuado, pois no momento não há um outro badernista no local para ele conversar, e a proprietária não está permitindo muito a entrada de visitantes, evitando assim que a laje acabe se tornando um maconhódromo. Maconhódromo tem acento? Depois dessas reformas gramaticais, agora nem o google resolve.. E se não tiver no dicionário, podem me considerar o criador dessa designação de locais aonde se pode pitar a erva danada sem ser incomodado. 
   Com essa tranquilidade, pude enfim ter algumas noites tranquilizantes e revitalizantes. Ouvir o som do silêncio por alguns minutos também me ajuda e muito no equilíbrio físico e emocional. Estou mais disposto, calmo e tranquilo. Estou tão animado que resolvi escrever esta postagem que fala sobre os meus domingos atuais. Confesso que cheguei a pensar em comprar uma barraca e me enfiar no meio do mato por alguns dias...
   Quando criança não gostava muito dos domingos: não tinha aula (não que gostasse das aulas, gostava sim do recreio, de fazer bagunça na sala, etc...), os colegas do bairro iam nadar nos clubes com suas famílias,iam  ao zoológico ou em parques. E eu ficava em casa, esperando a tarde chegar para assistir ao jogo do meu time de coração, que passei a torcer desde os oitos anos de idade e que não irei falar no blog qual é, para evitar divergências, pois sei que o meu time é o melhor do Brasil e que só está passando por uma "fasesinha" ruim e está sem conquistar um grande título desde 2009. A copa do Brasil de 2013 não conta não.
     Depois que comecei a trabalhar como operador de som domingo passou a significar dia de trabalho, e o dia de dormir o dia inteiro passou a ser a segunda feira. Fim de semana e feriado eram os dias que mais trabalhava. Trabalhei até no natal algumas vezes, comendo hambúrguer de ceia... Mas não é uma reclamação, pois se existia algo que eu gostava de fazer era trabalhar como operador de som. É um desejo meio esquisito, é algo parecido como juiz de futebol: só aparece quando algo dá errado, quando o som está ruim, quando tem microfonia e outras coisas mais. A banda pode ser ruim, o cantor desafinado, mas a culpa é sempre do operador de som. Mas era um prazer quando regulava o som e saía tudo certinho. Me sentia um regente de uma ópera, apesar de ninguém estar percebendo, afinal só estava fazendo a minha obrigação.  Era cada situação que daria um livro para contar essa vida de um operador de som.
   E os meus domingos atuais? Para um aposentado e fóbico social o domingo é apenas mais um dia da semana, como todos os outros. Na minha situação é um dia que não gosto muito, pois o restaurante popular fica fechado e aí tenho que gastar uma grana a mais para almoçar. Cheguei a pensar em ir aos domingos em locais de doação de comida que ia quando estava morando nas ruas, devido ao meu surto psicótico, mas prefiro ficar em casa mesmo.
    Quando me mudei para o endereço atual, passei a adotar a seguinte estratégia aos domingos: me empanturrar de rocamboles e outras besterias na padaria na parte da manhã e voltar a cochilar e acordar somente na parte da tarde, para assistir ao jogo de futebol no domingão. A digestão era tão lenta que me sentia uma cobra após comer um boi... O restante do dia passo e acho que ainda vou passar por um bom tempo na frente do notebook, no facebook, visualizando os vídeos de animais, lendo as páginas sobre saúde, sobre como abaixar os triglicerídes e outras coisas mais que todo bom hipocondríaco gosta de ler, sobre as doenças que ele tem e as que imagina ter, sobre as bebidas e chás milagrosos que prometem nos dar a saúde em 30 dias, etc...
    De tarde comia um ovo cozido (ovo frito é complicado de se fazer...) e depois comia alguma fruta. E me sentia bem assim, pois era um dia da semana em que tinha o menor contato possível com os seres humanos....
   Mas na segunda feira não me sentia bem, uma bambeza nas pernas, uma fraqueza... Então decidi voltar a almoçar de verdade no centro da cidade aos domingos: 3km para ir e mais três para voltar, não é longe para quem foi a pé de Ouro Preto até Paraty pelos caminhos da estrada real. 
    E, para a minha surpresa, o trecho do centro pelo qual tenho que seguir no domingo praticamente é vazio, e o contato com as pessoas é quase nulo, ao contrário dos dias da semana, em que temos que ficar nos desviando das pessoas que andam em um ritmo mais lento do que o meu. Como bom fóbico social ando muito rápido pelo centro, a fim de retornar para o meu cantinho da paz. Creio que no domingo 99% das pessoas que estão no centro de Belo Horizonte estão concentradas na Avenida Afonso Pena, frequentando as barraquinhas de comida e artesanato da famosa e tradicional feira hippie de BH.
feira hippie de BH, vista do alto de um prédio na Av. Afonso Pena. 

    Agora vou ao restaurante, faço a minha refeição com tranquilidade, e me sinto melhor fisicamente, pois querendo ou não, um dia sem os nutrientes do arroz e feijão fazem uma falta danada ao nosso organismo. Quando não estava dormindo bem devido aos badernistas, me sentia tão cansado que o simples ato de teclar era um sacrifício e tanto, sem contar que não aparecia nada de interessante para postar por aqui no blog. Espero que venham mais dias assim...

domingo, 16 de julho de 2017

Antipsicóticos e ganho de peso, como evitar

Como não engordar com os antipsicóticos

 
     Em primeiro lugar, gostaria de dizer que as informações contidas nesta postagem são apenas relatos de minha experiência com os antipsicóticos e as minhas tentativas de não ganhar muito peso no uso desses medicamentos usados no combate da esquizofrenia.
    Não sou nutricionista, médico, apenas sou uma pessoa que tem esquizofrenia e que sempre foi curiosa sobre alimentação, dicas de saúde, um pouco hipocondríaco até, chegando a ler todas as bulas dos medicamentos que usei e de alguns que nem cheguei a usar. Afinal, de médico e de louco...
   Gostaria também de dizer que tudo também depende do organismo de cada pessoa, alguns chegam a engordar, outros nem tanto. E ainda temos que lembrar que algumas pessoas podem ter algum problema relacionado à tireoide, que as fazem engordar sem ingerirem muitas calorias.
   Esse humilde blog que vos escrevo, como disse anteriormente, é baseado quase que exclusivamente nas minhas experiências relacionadas à esquizofrenia, aliadas à um breve estudo sobre o assunto, sempre procurando informações em sites confiáveis e também com amigos com os mais variados tipos de transtornos mentais.
antipsicóticos pode, em alguns casos, causar importante ganho de peso e prejuízo à saúde.
   
    Mas, afinal, por que os antipsicóticos engordam? Eles realmente aumentam o apetite?
    Em primeiro lugar, vamos ao fator que é o mais óbvio de todos: a sedação, a sonolência provocada por esses medicamentos nos deixam menos animados a praticar qualquer atividade física. Menos exercícios, menos calorias gastas...
    E em segundo lugar, que acredito ser o principal fator para o ganho de peso é o aumento do apetite. Os antipsicóticos mais modernos causam menos efeitos colaterais extrapiramidais (as tremedeiras, enrijecimento muscular, movimento involuntário dos músculos da face, etc). Porém, em contrapartida tem o ganho de peso como principal efeito colateral indesejável, em boa parte dos casos.
   Ainda não se chegou à uma conclusão exata e definitiva sobre o que realmente causa esse aumento de apetite em alguns pacientes, mas sinto que seja algo relacionado à região do cérebro responsável pela  saciedade, ou algo mais ou menos parecido. A única coisa que sei é que o estômago parece não ter fundo, e no meu caso passei a comer cerca de 50% a mais do que de costume, para ficar saciado.
    Além do prejuízo estético devido ao aumento de peso, os antipsicóticos mais modernos (olanzapina, quetiapina, risperidona, etc), podem causar também aumento significativo nas taxas de triglicerídeos, colesterol e açúcar no sangue. E, também um certo prejuízo financeiro, pois a vontade que dá é de nos empanturrar com massas, doces e tudo quanto é besteirada que encontramos pela frente. Dá vontade de perguntar para o psiquiatra se ele irá pagar a conta da padaria... 
   Mas o que podemos fazer para amenizar essa situação?
   Em primeiro lugar, converse com o seu médico, caso ele seja aberto ao diálogo e seja paciente. Afinal, quem ter que ser paciente são eles...
  No meu caso, tomo vários cuidados, mas, claro, ainda como muita besteira, fui muito mal acostumado quando criança, a minha avó fazia um delicioso pudim de leite. 
      Mas tomo vários cuidados para manter o mesmo peso de quando tinha  20 e poucos anos. Tenho o hábito de me pesar com frequência nas farmácias que encontro pelo caminho.
    As minhas dicas são simples e baratas, que qualquer pessoa desprovida de recursos financeiros como eu poderá fazer:
    1- Água
       Tome bastante água, de preferência meia hora antes e duas horas depois das refeições. Enquanto você está desfrutando daquele rango gostoso da mamãe pode beber água sim, mas somente o suficiente para a comida descer goela abaixo e você não ficar engasgado com aquele feijão tropeiro de sábado. Aqui em Beuzonte se costuma comer o tropeiro também no domingo, na segunda, na terça, na quarta... 
   Não precisa cronometrar o momento de beber a água, não precisa ser exatamente meia hora antes ou duas horas depois, é só uma base mesmo. Dizem que se tomarmos água meia hora antes das refeições conseguir "enganar" o cérebro, pois o mesmo passa a informar ao organismo que o nosso estômago está cheio. E depois das refeições podemos tomar a água quando sentirmos que o alimento foi digerido, para não ficarmos olhando o relógio a todo momento.
    Muitas pessoas sofrem com a tal da retenção de líquidos no organismo, e, por isso, evitam de beber muita água. Mas isso só piora a situação. Uma boa dica é beber dois copos de água em jejum, seus rins irão funcionar melhor do que aqueles filtros de barro São João. 

2-Fibras
    Por que as fibras estão na lista, logo em segundo lugar? Vou tentar explicar, de uma maneira simples também, que é costume neste humilde blog. 
      Desde os 16 anos que consumo as fibras. Conheci as vantagens de consumi-las ao ler um livro antigo sobre  alimentação natural. São tantos benefícios para a nossa saúde que não irei relatá-los todos aqui nesta postagem. Mas o principal que sinto é a saciedade que elas nos dão. Sinto que algumas fibras "incham" dentro do meu estômago e quase não sinto fome na parte da manhã, pois faço uma vitamina, que não fica muito saborosa, mas que me faz sentir muito bem, principalmente por ajudar na prisão de ventre. É uma gororoba muito ruim, que batizei de "ração" antes mesmo de aparecer aquela moda da ração humana. O gosto deve ser parecido com ração de cavalo ou cachorro.
  Então vamos à receita da ração humana que é "animal" do esquizo:
  Primeira coisa a se providenciar é um pote grande, para armazenar os seguintes ingredientes:
    -500gr de aveia
    -500gr de gérmen de trigo
    -200gr de farelo de trigo
    -1kg de leite de soja (fica a critério da pessoa usar o leite de soja ou não, pode usar leite comum)
Obs: pode-se diminuir a quantidade da mistura, mas procure manter a mesma proporção. O leite de soja tem que ser o que vem com sabor, pois se usar o sem sabor vai ser difícil de descer...  
 No lugar do leite de soja, pode usar qualquer outro artifício para melhorar o sabor da mistura, isso depende de cada um, pois também ultimamente se comenta muito que a soja pode fazer mal a nossa saúde, principalmente se for a transgênica.
    Agora é só ir colocando os ingredientes dentro do pote aos poucos, e ir misturando, para que fique tudo muito bem homogêneo. 
    Com a mistura pronta, coloque um copo de água no liquidificador Depois coloque quatro colheres de sopa (ou menos) da mistura, bata tudo e tome rapidamente, pois fica ruim pra caramba. Não se esqueça de sempre tomar muita água, pois as fibras sem esse precioso líquido podem fazer efeito contrário e congestionar ainda mais o intestino, funcionando como uma rolha. Também pode se colocar alguma fruta para melhorar o sabor, mas acho um desperdício, melhor tomar tudo rápido mesmo e depois saborear a fruta sozinha
    Com essa ração sinto menos fome, o meu intestino passa a funcionar muito melhor, sinto-me um pouco mais disposto e melhor na questão muscular. 


3-Limão com água morna
     Há muitos anos que ouvi falar que limão com água morna emagrece. Resolvi testar essa dica, pois devido ao meu problema no pé tenho feito poucos exercícios físicos. Estou tomando há alguns meses e não cheguei a emagrecer significativamente, mas noto que diminui um pouco o índice de gordura corporal, pois tenho comido muito ovo cozido e notei que em algumas partes do corpo as gorduras deram lugar à alguns músculos, principalmente no braço e nas pernas. Tenho 48 anos e posso dar o tchauzinho sem muita preocupação, já a gordura da barriga já é de nascença, apenas deu uma pequena melhorada, com algumas abdominais também. Dizem que se colocar bicarbonato de sódio nessa água os efeitos são ainda melhores, mas recomendo que pesquisem bastante antes de tomar

                                             4- Substituição dos alimentos
      Essa também é uma dica simples e que vejo sempre dar resultado, pelo menos no meu caso. É difícil, mas devemos tentar substituir aquela linda e deliciosa pizza por frutas, de preferência aquelas que nos dão a sensação de saciedade; maçã, banana, abacaxi, laranja, etc... 
    Também são bem vindo o iogurte, a granola, gelatina, etc...
    Não devemos confundir regime com privação alimentar, devemos trocar os alimentos e não parar de comê-los. 
    E na internet se encontra ótimas receitas de alimentos menos calóricos e mais saudáveis, já vi até dica de leite condensado saudável. Tem também dicas de pães e bolos sem farinha. Enfim, inúmeras possibilidades de forrar o nosso estômago quando ficamos famintos por causa dos antipsicóticos.
Mas não vou me estender muito nessas receitas,  pois o máximo que aprendi a fazer até hoje foi ovo cozido. A minha tentativa de fazer ovo frito foi um pouco traumática...


       5- Exercícios físicos

    Essa  dica provavelmente seja a mais difícil de ser seguida para quem usa antipsicóticos, devido à sonolência que eles costumam causar. Claro que tudo depende da dosagem e do organismo de cada um. Mas, se de manhã sentes muito sono, nada impede de que faça alguns exercícios de tarde ou à noite, quando estiveres mais disposto.
    Só quem tomou algum antipsicótico é que pode dizer o quanto ficamos cansados, lentos e sonolentos, e às vezes essa dica pode até soar como uma ironia ou algo parecido. Alguns antipsicóticos que tomei me fizeram sentir que estava com uma "dengue permanente". Mas como disse e volto a repetir, tudo depende da dosagem. Talvez o psiquiatra possa diminuir a medicação, caso sinta que seja possível ao notar que o paciente está mais estabilizado. 
    Acima coloquei a imagem da galera andando de bicicleta pois se pudermos aliar a prática de exercícios com a diversão tudo sairá de uma forma mais leve e fluída. No meu caso, jogo um futebolzinho e nem sinto o tempo passar. Além de tirar o stress, a pelada ajuda a botar todos os pensamentos negativos para fora, juntamente com o suor.
     Também ando muito de bike. Além de economizar a grana do ônibus, contribui para o meio ambiente. Aqui em Belo Horizonte os motoristas de uma maneira geral costumam respeitar os ciclistas, até hoje não fui atropelado. Claro que também temos que fazer a nossa parte, respeitando os motoristas e os pedestres. No início deste ano fiz uma longa cicloviagem, percorrendo cerca de 3050km pelos estados da região sudeste. Gravei um vídeo contando como tudo foi nesta viagem que, apesar dos perrengues, foi uma das melhores que fiz em minha vida.
https://www.youtube.com/watch?v=Jx01COhdq7U&t=3392s


6-Cloreto de magnésio
                                  Resultado de imagem para cloreto de magnésio em pó"

    Esse precioso mineral que é essencial ao nosso organismo também me ajuda bastante na questão da manutenção do peso, pois ele diminui a ansiedade. Muitas pessoas descontam a ansiedade nas bebidas, outros no cigarro, outros na droga e muitas pessoas comem muito chocolate e  doces para ficarem menos ansiosos.
     Eu sou daqueles que tudo é motivo para comer: se estou triste como, se o meu time foi campeão também como muito para comemorar. Depois que passei a tomar o CM me senti menos ansioso e até consegui diminuir o diazepan, pois esse mineral dá um soninho gostoso.
    O cloreto de magnésio é difícil de ser obtido através dos alimentos, principalmente no Brasil, pois o solo do nosso país não é "muito vulcânico". Nos países que têm muitos vulcões o solo contém muito esse mineral, e, consequentemente, as frutas e verduras também.
    Então o jeito é repor, seja em pó ou em cápsulas. Mas é bom se informar para tomarmos a quantidade necessária, pois tudo em excesso faz mal. O cloreto de magnésio não é indicado para pessoas com insuficiência renal.

    Sempre segui essas dicas e hoje em dia estou com o mesmo peso de quando tinha 25 anos. Gosto de me cuidar nessas questões, mas não me privo de um delicioso pudim, de um doce de leite, de um rocambole e de outros quitutes mais da culinária mineira.
      Sinto também que o ômega 3 ajuda na redução do peso.
      https://drrocha.com.br/omega-3-emagrece/
   

7- Corte o refrigerante e o suco de caixinha



   Desde pequenos somos acostumados a tomar refrigerante: seja na hora do almoço, no lanche ou então nas festinhas. E, convenhamos, é quase impossível para as crianças resistirem à essas bebidas deliciosas e fáceis de consumir. Basta abrir a geladeira e abrir a tampinha. 
    E o que não falta são variedades, tem refrigerante de todos os sabores. E mais difícil ainda é resistir ao apelo midiático dos poderosos fabricantes de refrigerantes. 
    Infelizmente, a maioria das pessoas (inclusive eu) não se atenta muito aos valores nutricionais dos alimentos que consumimos. Hoje em dia é lei o fabricante informar ao consumidor tudo o que está sendo ingerido. Mas as letras são bem miudinhas e desanima qualquer um a ler, até mesmo os mais curiosos. 
    Mas quando de açúcar devemos consumir por dia?  Pesquisando em vários sites, notei que os valores variam entre 25g até 50g por dia. Só para termos uma ideia, uma latinha de coca cola tem 3g!
    Então muitos apelam para os sucos de caixinha ou até mesmo os de latinha, imaginando que estão consumindo algo natural e de baixa caloria. Puro engano, o suco Del Valle contém mais açúcar do que muitos refrigerantes, inclusive a coca cola. 
   Então, o que podemos fazer? Sucos de frutas, que também tem açúcar, mas muito abaixo dos refris. 
   Algumas frutas são tão doces que nem precisam de adoçar, como a manga e a goiaba. E por falar em adoçar, use adoçantes com stevia em sua fórmula. Estudos comprovam que a sacarina e outras fórmulas de adoçantes podem fazer mais mal do que o consumo exagerado de açúcar. 
sucos em lata também possuem grande quantidade de açúcar 




sexta-feira, 14 de julho de 2017

Eu que sou doido? 5



        "Ator" Bruno de Luca é condenado a pagar R$ 15 mil por agressão a recepcionista

    O ator Bruno de Luca terá que desembolsar R$ 15 mil por ter agredido fisica e verbalmente o recepcionista de um hotel em Florianópolis. O episódio aconteceu em novembro de 2009, e agora a 1ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina não só manteve a condenação da primeira estância como aumentou a indenização por danos morais, inicialmente fixada em dez mi reais.
    Segundo o TJ, Bruno chegou ao hotel por volta das cinco horas da manhã, acompanhado de amigos. Outros hóspedes se incomodaram com o som alto e o barulho no apartamento do grupo e fizeram uma reclamação na portaria. O funcionário pediu para que eles diminuíssem a algazarra, mas não foi atendido.
    Quando soube que o caso seria registrado no livro de hóspedes, o ator, acompanhado de uma amiga, foi até a recepção. De acordo com a nota, os dois estavam bastante alterados e aparentemente alcoolizados, e acabaram por agredir física e verbalmente o recepcionista e seu colega.
    Relator da apelação, o desembargador Raulino Brüning considerou que as provas audiovisuais e os depoimentos das testemunhas que presenciaram a cena comprovam que as agressões não foram recíprocas, como alegou Bruno em sua defesa.
    "O estado da etilidade do réu pode até explicar o seu comportamento, mas não justifica sua conduta. A ninguém é dado embriagar-se e, neste estado de desorientação psiconeurossomática, fazer o que bem entende", afirmou o magistrado.
Fonte: UOL  https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2017/07/11/bruno-de-luca-e-condenado-a-pagar-r-15-mil-por-agressao-a-recepcionista.htm

     Resumo do caso
   O ator chegou da balada às cinco da manhã e quis continuar a farra no hotel, o que não é permitido. Ele, ao ser chamado a atenção, se sentiu contrariado, e, por se achar acima do bem e do mal e por ser "ator" da globo, resolveu sentar a porrada no funcionário do hotel, que apenas estava cumprindo suas obrigações. 
    Casos como esse são bem comuns envolvendo os famosos, basta ler os noticiários, seja no jornal impresso, internet, televisão, rádio, etc...
    Na primeira postagem da série "Eu que sou doido" falei sobre um episódio  parecido, envolvendo o ator Marcelo Faria. O global, ao ser barrado na área vip em uma casa de shows, simplesmente resolveu quebrar uma garrafa na cabeça do segurança, que acabou levando seis pontos. 
   Diante desses fatos, me pergunto: "Eu que sou o doido"? Analiso o meu comportamento desde o dia em que me conheço por gente, e a cada dia que passa, me sinto a pessoa mais normal do mundo, principalmente depois dos meus surtos, quando passei a me entender e a me conhecer melhor. Antes de surtar apenas pensava que me conhecia, vivia refletindo sobre a velha frase de Sócrates, e apenas me considerava uma pessoa excessivamente tímida e retraída, com alguns complexos, principalmente o de inferioridade.
   Depois de passar a me conhecer melhor em consequência dos surtos fui me acalmando cada vez mais e uma paz interior tomou conta de mim, apesar das paranoias tomarem conta de minha cabeça. Analiso a minha vida e o rumo que escolhi dar para ela e me sinto um vencedor, apesar de não ter conseguido acumular nenhum tipo de bem material, só o suficiente para me entreter quando estou no meu quarto: uma tv LCD, um home theather, um notebook e um frigobar. O rumo que decidi dar a minha vida é o de uma pessoa que tem a consciência tranquila, a de quem preferiu se retirar dessa mundo enlouquecedor, onde o ter é mais importante do que o ser. Não queria fazer parte desse jogo de interesses que é a vida, se pudesse continuaria a trilhar enquanto tivesse forças os caminhos da estrada real, e, quando tivesse terminado, começaria tudo de novo.
     Às vezes no silêncio do meu quarto, relembrando tudo o que fiz em minha vida, sinto que fiz a minha parte, joguei limpamente o jogo da vida, e talvez por isso não tenha medo de certas coisas que a maioria das pessoas ditas normais têm. Quando você joga limpo você pode desagradar muitas pessoas, o excesso de sinceridade talvez pode ser prejudicial. Então prefiro ficar calado, e geralmente na maioria dos dias dá para se contar as palavras que saíram de meus lábios carnudos(zoação os lábios carnudos shasuashashasuahsuashs).
    Quando estou sozinho, não tenho tantos pensamentos negativos e persecutórios. Me lembro que quase cheguei ao êxtase quando estava caminhando pela estrada real e em um certo momento foi possível ouvir o bater das asas de uma ave no céu. Fiquei ali parado, ouvindo o silêncio por alguns minutos... Não tenho medo de ficar sozinho, convivo bem comigo mesmo e com os meus pensamentos. Já com a maioria dos seres humanos... A convivência não só é perto do zero pois existem as necessidades básicas que somos obrigados a fazer, e, claro, existem humanos que eu tenho o prazer de conviver.
    Também a maturidade ajuda e muito também no combate á esquizofrenia. Com o passar do tempo aprendemos a lidar com certas situações e vamos evitando o que nos estressa. Também passamos a nos acostumar com as vozes  e a sensação que tenho é que elas ficam meio que "desanimadas" quando não conseguem nos desestabilizar como antigamente.
    Na adolescência e idade adulta tive a fase de sair por aí para tomar "umas" com os amigos. Mas não agredia ninguém pelo fato de ser contrariado. A verdade é que não gostava muito de beber, e, para me enturmar com a galera do heavy metal aqui em Belo Horizonte na maioria das vezes fingia que bebia e também fingia que ficava bêbado. Assim tinha uma boa desculpa para explicar melhor as palhaçadas que fazia na adolescência. Não ficava agressivo, apenas dava vazão à criança que ainda estava em mim (estava?) e saia por aí falando com estranhos e fazendo muitas palhaçadas, e às vezes não  me importava de passar por ridículo para fazer os outros sorrirem...
    E também quando estava bêbado não perturbava o sono alheio. Fazia muita bagunça, mas era nos shows e na rua mesmo, coisa de aborrecente mesmo. Quando chegava em casa, já havia gasto todas as minhas energias e queria somente dormir mesmo. 
   O que passa na cabeça desses atores? Falta de humildade, loucura, mania de grandeza? 

                                                    Está todo mundo louco?
    Mas não é somente os atores que cometem alguns atos de violência. Hoje em dia se está matando até por causa de uma cerveja. Os "ditos normais" estão matando até em nome do amor. "Se não for meu, não vai ser de ninguém", é o que afirmam quando tiram a vida de suas parceiras (os). 
   Os seres humanos ditos normais estão matando, estuprando, humilhando uns aos outros. Por esses e outros motivos não tenho vergonha de dizer que tenho um transtorno mental que ficou conhecido no Brasil como esquizofrenia. Não sou violento, não matei ninguém e não tenho o costume de sair agredindo quem quer que seja quando sou contrariado. Sou pacífico e prego a paz e o diálogo para se resolver certas questões. Há alguns dias atrás os vizinhos do meu quarto quase chegaram as vias de fato por causa de uma lavadora de roupas velha. Um queria que ficasse perto do seu quarto, e o outro também, e se não fosse a turma do deixa disso o pau tinha quebrado por aqui onde moro... 
    E também posso garantir que a maioria das pessoas que têm esquizofrenia não são violentas, não são de sair por aí atirando pedra em todo mundo, como a mídia tenta mostrar. A maioria das pessoas que têm esquizofrenia fazem mais mal a si mesmas do que aos outros. Não consegui encontrar uma estatística confiável pela internet, mas o número de pessoas que têm esquizofrenia e que cometem o autoextermínio não é pequeno. Os que tentaram e não conseguiram deve ser alto também. Alguns chegam a cometer atos de violência sim, mas eles não são violentos, eles "estão" violentos por estarem em uma outra realidade, a realidade das alucinações, das paranoias, a de que o mundo inteiro está contra eles.  O que acontece é que a mídia em geral não mostra essa triste realidade, e a internet está sendo o melhor veículo para se informar sobre os mais variados assuntos, apesar de muitos afirmarem que só tem coisas sem valor na web. 

                                                                       Os cuspes
   Uma forma de agressão que acho tremendamente pesada é o cuspe na cara. O cuspe acho tão agressivo quanto um soco na cara.  
    Quando estava perto de surtar, há muitos anos atrás, cheguei a ficar cuspindo no chão, como forma de extravasar a minha raiva, ao ficar imaginando que as pessoas estavam tramando algo contra a minha pessoa. Mas nunca passou pela minha cabeça cuspir em alguém. É uma forma de humilhação muito grande. Infelizmente essa prática é comum, principalmente em jogadores de  futebol, quando estão nervosinhos ao ficarem  em desvantagem no placar. 
é cuspindo que eles se entendem...

    Que eu saiba o único animal que tem o costume  de cuspir é a lhama, que faz isso apenas para se defender . Se você não a perturbar, provavelmente não será alvo de uma cusparada... 

                                                               Não sou santo

     Não tenho a intenção através desta postagem de mostrar que sou um cara certinho, correto. Tenho as minhas falhas sim, mas sempre procurei aprender com os meus erros e atitudes que não pensei direito antes. Até tive uma fase de querer ser o valentão, de querer bater em todo mundo. Mas foi uma fase bem curta, por volta dos oito nove anos de idade, quando estava estudando em um colégio de freiras, aqui em Belo Horizonte. Era uma forma errada que encontrei de descarregar a minha raiva por não ter uma família como a dos meus outros amigos: confesso que na época tinha um pouco de inveja quando via os pais dos meus amigos buscando-os na saída da escola. E então, para descontar, resolvi sair brigando, mas só escolhia os alunos mais fracos do que eu. Na primeira vez que cismei em brigar com um menino mais forte, levei um tremendo soco no meio do focinho que saiu aquele monte de sangue e eu logo percebi que esse negócio de querer bancar o valentão não dava certo não. Podia até ser meio maluquinho, mas não era burro né?
    E continuei errando e continuarei até o resto da minha vida. Mas o fato de ser um ser humano não pode ser um pretexto para os nossos erros, devemos saber separar as coisas. Não tenho lembranças do meu pai e a minha mãe tem problemas de audição, quase não se comunica com as pessoas. Então tive que ir aprendendo com a vida o que a sociedade considerado certo ou errado.
    E posso dividir a minha vida em duas: antes e depois dos surtos. Hoje não tenho mais aquela inocência que tinha até por volta dos 30 anos. Sim, até por volta dessa idade até uma criança de seis anos poderia me enganar. Confesso que tenho saudades dessa época, em que não enxergava maldade em nada, e que saía pelas ruas despreocupadamente, não enxergando a maldade em nenhum lugar. Mas dia menos dia aprendemos e conhecemos a maldade do ser humano, e cabe a nós não entrarmos nesse mundo. Acho que é nessa transição que muitas pessoas piram, quando conhecem a realidade do mundo adulto.
    Procuro tirar proveito de tudo, até das situações mais difíceis. Surtar e enlouquecer me fez entender um pouco de minha confusa mente.
   Nada de ficar lamentando ou procurar culpados, o que aconteceu tinha que acontecer, algumas pessoas, claro que se aproveitaram da situação para me colocarem ainda mais pra baixo, mas não conseguiram.
   Abaixo o vídeo de uma estudante que surtou por volta dos vinte anos de idade. Ela não desistiu e procurou também aprender com a vida e hoje ajuda outras estudantes que estão passando pela mesma situação pela qual ela passou no início de seu problema.


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Livro de poesias: Diário de um poeta esquizofrênico


    Acredito que exista uma relação muito forte entre a arte e os mais variados tipos de transtornos mentais. Talvez seja pelo fato das pessoas acometidas pelo sofrimento mental serem um pouco mais sensíveis do que o restante da população "dita normal" pragmática. Talvez pelo fato também de tentarmos enxergar e compreender o que está além do alcance de nossas vistas, de tentarmos entender mais o que sentimos do que o que vimos na rotina do nosso dia a dia.
   Aqui no blog sempre procuro postar a arte de pessoas que de uma forma ou de outra foram acometidas por algum tipo de sofrimento mental. As obras estão na seção que denominei "Galeria de arte". Qualquer pessoa que estiver interessada em divulgar seu trabalho entre em contato comigo, por aqui mesmo no blog, através dos comentários. O único requisito é que tenha algum tipo de sofrimento mental, nada contra os chamados normais, mas é para não fugir da temática deste humilde blog que vos escrevo.
    Neste post exibo o trabalho do poeta e escritor Altieres Rocha, o livro Diário de um poeta esquizofrênico.

Prefácio
Versos esquizofrênicos
    "Com pena ácida, vívida, despida de medos e fragilidades (sensível!) Altieres se faz sentir em poemas que parecem ao mesmo tempo contar e buscar histórias.
    Ele grita "Onde está o meu amor;?" pede "Me dá um colo;" "anda por ruas, reverencia a vida e a morte, o deus e a deusa; faz convites a quem queira conhecer seu mundo repleto de domingos calados, valsas canções, espíritos libertos, dor, vozes e (por que não?) esperança. Ela é sútil, marca o ritmo e o tom dos protestos ditos e não ditos pelo autor.
    Esquizofrênicos são nossos dias, horas, a dor que ocultamos do mundo, a voz que escondemos de nós mesmos.
    Altieres não se cala, não se esconde e nem oculta. Ele é nossa voz.

Roberta Nogueira da Silva Oliveira
Letras (português-inglês), formação em Design Instrucional e estudante de antropologia do feminino e sua relação com o sagrado.

Para maiores informações sobre como adquirir o livro, entre em contato com o autor através das redes sociais:
https://www.facebook.com/alteres.rocha

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Vamos fugir...

 
    Praticamente um mês sem postar nada. Ideias e ideais até que aparecerem, mas a energia que antes me acompanhava só a vejo diminuindo a cada dia.
    Quem acompanha o blog sabe o problema que estou passando devido à uma lesão no meu pé esquerdo. Dinheiro faz falta, mas andar na minha opinião é muito mais importante. Andar até atualmente estou andando, mas dói tudo que é articulação e músculos, devido ao fato de ter que poupar a articulação do dedão. São três anos andando de forma incorreta à espera de um atendimento digno pelo sus. Somente agora consegui uma palminha própria para o problema, mas que não resolveu absolutamente nada e ainda deu uma forte dor no joelho direito.
    A psiquiatra me indicou um "novo" medicamento, afirmando que o mesmo não daria sono e outros efeitos colaterais indesejáveis. Claro que não aceitei, não foi por falta de tentativas que não estou tomando atualmente um antipsicótico. Desisti de qualquer medicamento desse tipo depois da frustrada tentativa com a olanzanpina, que me deixou dois dias dormindo direto. O que mais me desanimou é que o medicamento é muito caro. Se por acaso me desse bem, iria ser uma luta continuar conseguindo pelo sus, já que ultimamente até o haldol anda faltando, e que custa dez centavos o comprimido...
    É aquele velho ditado: se ficar o bicho pega, se correr o bicho come"... Sem antipsicóticos não saio de casa por causa das paranoias, mas também com eles não iria sair, pois ficaria dormindo boa parte do dia e da noite, como um vizinho que tenho e que ronca um bocado alto, ainda bem que o meu quarto é um pouco distante do dele.
   E quem acompanha o blog há mais tempo sabe o quanto não gosto das drogas antipsicóticas, as lícitas, e que também muito menos aprecio as drogas ilícitas. Mas não sou moralista, quem quer usar sustentando o próprio vício e sem prejudicar a vida alheia que faça essa escolha, sabendo que isso poderá lhe trazer vários problemas de saúde, inclusive mental.
    Já fui diversas vezes em São Thomé das Letras, e lá tinha muito hippie que gostava de dar umas pitadas na erva danada. Não sou e nem quero ser o dono da verdade, os hippies abrem mão de várias coisas para terem essa liberdade de escolha, sustentando o vício com o artesanato que fazem. E quem sou eu para falar o que é certo e o  errado. Já experimentei algumas vezes há muito tempo atrás e aquela "paz" que a droga prometia dar eu tinha de verdade em meu coração e na minha mente. Usei e vi que não precisava daquilo.
    Não gosto do ambiente que cerca as drogas e nem o comércio dela. Em 2012 saí de Ipatinga pois o local onde morava estava tomado pelo tráfico de drogas. Tinha um vizinho que mandava os usuários de crack fazerem fila para comprar a droga. Só faltava distribuir a senha.
     Era um aluguel barato, o quarto era espaçoso e perto do restaurante popular. E o dono me fazia um preço muito bom. Mas de que adiantava ter aquilo se não tinha a paz? Não pensei duas vezes e vendi "tudo" o que eu tinha: o pc novo dual core de 4gb e com processador i3, a tv de tubo, o home theather, o frigobar e outros pertences. Vendi tudo baratinho e comprei uma mochila e uma barraca para sair livremente por onde eu quiser. Se é para correr riscos e não ter paz, melhor morar na rua, por que pelo menos não pagamos aluguel. Mas não me arrependi de nada do que fiz e faria até de novo, se não fosse o problema no meu pé.
   Infelizmente as drogas estão em todo lugar. Depois das andanças, resolvi me aquietar um pouco e aluguei um quartinho aqui em Belo Horizonte. Tudo ia muito bem até aparecer um usuário de drogas que roubou tudo o que viu pela frente para sustentar o seu vício: botijão de gás, dinheiro, playstation 2 do vizinho, e outras coisas mais. Só não roubou o que eu tinha pois eu ficava praticamente o dia inteiro no meu quarto e a porta era de ferro. Uma vez até chegou a tentar roubar o modem da casa, mas para o azar dele estava no meu quarto e corri para o modem assim que a net caiu, pois ele já estava desligando o aparelho.
    Depois disso fui para um outro local, e, para a minha infelicidade, havia um usuário de droga que levava pessoas para a casa e aí ficavam até duas horas da madrugada conversando alto sendo que em uma oportunidade saiu uma briga e sobrou até para a cadeira de plástico. A dona do imóvel quis cobrar a cadeira de todos os moradores. E os caras são tão folgados que nem assumiram a cadeira quebrada, ou seja, temos que dormir na hora que eles dormem e ainda pagar pelos estragos que fazem na casa. Não fiquei mais do que 30 dias no local. Saí alegando que o mesmo era muito quente, pois o sol batia praticamente o dia inteiro nele. Mas a proprietária quis me passar para o andar debaixo, onde não batia o sol, e era onde os usuários de drogas ficavam conversando a noite inteira. Aí não achei uma outra desculpa e falei a verdade: é uma situação complicada essa de ter que contar a verdade, não se sabe qual será a reação do usuário. Mas ele teve uma conversa comigo e viu que tentei ocultar o fato, mas não tinha como mais inventar desculpas.
    Depois de mais essa tentativa, aluguel um outro quarto, em novembro do ano passado, mas sem antes perguntar para a proprietária a posição que ela tinha em relação as drogas. Como ela afirmou que não aceitava o uso de drogas no local, resolvi mudar, e é onde moro atualmente.
   No começo foi tudo às mil maravilhas. Sem drogas, sem confusão, apenas um ou outro atrito que acontece em locais onde várias pessoas moram. Mas, um certo dia apareceu um novo morador. Achei estranho o fato dele não trabalhar, apesar de afirmar que tinha uma profissão. Mas assim como eu, quase não saía da casa... O cheiro da erva já dava para ser sentido nos primeiros dias, e, com o tempo, um entra e sai de pessoas desconhecidas. Primeiro assoviavam do lado de fora, e, ele de dentro da casa respondia com outro assovio. Com o tempo, algumas pessoas permaneciam na casa até de madrugada, falando e dando gargalhadas. O sossego e a tranquilidade foram embora. Não quero e nem pretendo consertar o mundo, mas deveriam pelo menos alugar uma casa para que não se atrapalhe o sono e a vida dos outros moradores.
   Gasto quase metade do meu salário para pagar o aluguel, e acho que deveria ter o direito de escolher morar onde não tenha drogas. Cheguei a pensar em morar em alguma república evangélica ou algo parecido, mas gosto de andar sem camisa e de bermuda nos dias de calor. E às vezes, bem raramente falo meus palavrões, principalmente quando machuco ou levo uma pancada. Já terei que procurar um outro local, se meu pé estivesse bom já teria começado as minhas andanças novamente. Computador, tv, som a gente vende e compra de novo, o que não tem preço é a paz.
Mas de que adianta perguntar se o proprietário tolera as drogas? Com essa crise as pessoas estão aceitando todo mundo que aparece. É verdade que alguns são rígidos, mas os que achei o aluguel era além do que posso pagar.
   Tenho saudades das minhas andanças, tive muitos perrengues, mas poderia mudar de lugar quando aparecesse algo ou alguém inoportuno: bastava desmontar a barraca e pronto. E foi a época em que melhor me senti tanto fisicamente como mentalmente. As andanças são o melhor antipsicótico que já encontrei, não recomendo a ninguém que faça a mesma coisa, pois cada um tem a sua maneira de ser.
Algumas pessoas já entraram em contato comigo querendo fazer essas viagens comigo, mas infelizmente no meu caso a solidão é a melhor companhia. São experiências únicas e que não podem ser compartilhadas, a não ser pelos escritos e vídeos.
   Às vezes chego a pensar se o melhor não seria o autoextermínio. De que adianta essa vida, sem poder andar sem sentir dor? Que vida é essa que estou vivendo? Preso pelas minhas próprias paranoias e sem condições físicas de fazer o que mais gosto? Não tenho coragem de pular de um prédio, de me atirar na frente de um carro. Pagar um assassino de aluguel não seria uma boa, pois só iria confiar se fosse possível pagar depois do serviço prestado...
     O cara que é chegado nas drogas aqui onde moro até chegou a ouvir um conselho de um amigo:
    - Ele te enfrenta por que talvez não tenha medo de você...
    Realmente não tenho medo, nem da morte tenho medo. E já vi a morte em um dos meus surtos. Estava perambulando pela BR durante a noite quando vi uma sombra idêntica a da morte deslizando pela BR. Na primeira vez que a vi confesso que fiquei um pouco arrepiado, mas não era um medo, era um espanto, se é que existe alguma diferença. Não saí correndo, apenas observando a sombra deslizar pela Br até sumir. E continuei a caminhar normalmente até vê-la novamente, e desta vez nem um fio de cabelo meu ficou arrepiado. Iria conversar com ela numa boa caso ela se aproximasse de mim. Mas ela foi embora como da primeira vez, talvez não tenha encontrado quem estava procurando.
    Esse vizinho no momento está meio calado. Talvez esteja bolando algo contra mim, ou talvez não. Já retirou sua antena da "skygato". Talvez seja para colocar um outro vizinho contra a minha pessoa, pois ele vende a skygato para outras pessoas. Creio que se fizerem uma votação na casa sobre quem deve sair tudo pode acontecer, mas creio que irão optar pelo cara que sabe fazer mais amizades e eu que procuro ser uma pessoa correta seria o eliminado.
    Será sempre a fuga uma solução? Ou é na fuga onde nos entramos?

Muitos pensam que andar por aí é loucura. Se é, então não estou sozinho nesse mundo.