segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Pedalanças-Belo Horizonte à Belém do Pará-4º dia- Conhecendo a bela cidade de Três Marias

 Dias 17 e 18/07/2024
Descanso em Três Marias
O mar de Minas... 


        A noite foi de uma mansidão profunda. Mais tranquila do que em muitas vezes quando estava pagando aluguel. Dormi cedo e acordei por volta das três e meia. Meu celular estava descarregado e tive que perguntar as horas para o segurança do posto de gasolina. Não tinha a mínima ideia do horário, mas muitas vezes acordo neste horário. Dizem que acordar as mais ou menos nesse horário tem um significado espiritual.
     Não consegui voltar a dormir e fiquei ali, sentado na frente da barraca. Os funcionários do posto começam a chegar por volta das quatro e meia. O dia hoje será para comprar a manteiga de cacau e um manguito para proteger os braços, que foram um pouco castigados pelo sol. O que havia comprado pela internet ficaram um pouco curtos. 
    Fiquei no posto até às seis da manhã, quando o sol apareceu novamente no horizonte. Agora estou começando a conseguir a melhorar a organização da carga na bike e não perco muito tempo desmontando o acampamento. 
     Vou para o centro de Três Marias, uma pequena e simpática cidade por sinal. Não resisti e parei novamente para tomar mais um café. Quando estou em casa não tomo café de manhã, mas viajando... E também como um bolo e um doce, para variar. 
   Os funcionários da loja de bike foram super legais comigo. Além do tradicional cafezinho, não faltou o dedo de prosa. Aproveitei a manhã de folga e fiz algumas gambiarras para segurar o bauleto, que ainda estava  dando folga no parafuso do guidão. Estava muito perigoso pedalar nesta situação. Qualquer descuido em uma curva ou um movimento brusco posso  parar no meio da BR. 
    Comprei o manguito e uma garrafinha de água maior para suportar o calor, que não imaginei ser tão forte assim no inverno. Mas no cerrado mineiro é bem forte. Os funcionários da loja de bike sugeriram que eu descansasse na prainha, onde fica na verdade um imenso lago artificial das águas do Rio São Francisco.
    Como o meu tornozelo ainda está inchado, resolvo seguir a sugestão. Estava me sentindo orgulhoso de pedalar em um ritmo bom, mas a pedalança não é só correria, é também lazer e diversão, e, obviamente, descanso. 
Resultado de minha teimosia em subir a serra do Jacaré sem empurrar a bike...


      O meu GPS costumo dizer que são Gente e Pessoas Solicitas. E, perguntando daqui e dali chego à prainha. O visual é lindo mesmo, parecendo um mar de verdade. Fico alguns minutos apreciando o lago no alto, na entrada. 
    Havia espaço para camping, tudo muito bem organizado. Haviam poucas pessoas, boa parte andarilhos que montaram suas barracas e ficavam ali por alguns meses até o pessoal da prefeitura chegar e pedir que se retirassem. 
    E realmente o local tem tudo para a pessoa morar. A área para montar a barraca, tomadas, internet, banho, lagoa... 
     O almoço, claro, é peixe. Peixe com arroz, feijão e salada. Como é um ponto turístico, foi difícil encontrar um rango mais em conta. Aprender a cozinhar vai ser o meu próximo objetivo para tornar a viagem um pouco menos cara para o meu parco orçamento financeiro. Não gosto muito de lugares turísticos, por dois motivos: a muvuca e os preços. 
     O lago é realmente muito bonito, uma imensidão que lembra o mar, só faltando as ondas. Aproveito a boa infraestrutura do local e lavo minhas roupas. O restante do dia aproveito para descansar e tentar melhorar o inchaço do tornozelo. 
    Era um local tranquilo, perfeito para o descanso. Que delícia aquele visual, na sombra e na maior paz. Era uma folga merecida. Mas, de repente chega uma família de mais ou menos sete pessoas, com um cachorro pequenino. Ligaram o som na maior altura e começaram a conversar alto. A maioria estava chapada de cachaça e cerveja. 
    A noite chegou e não paravam de falar e beber. E assim foi até por volta das quatro da madrugada. Uma mulher ficou a noite inteira cantando. As outras pessoas que estavam acampando nas proximidades não reclamaram do barulho. E, como não queria confusão,  fiquei ouvindo aquilo tudo quietinho, dentro da minha barraca. Um pouco triste por ter sido tirada a minha paz e uma noite de sono. E ainda tive que ficar a mulher que estava cantando vomitar ate a alma de madrugada. Se fosse um adolescente tudo bem, mas a partir de uma certa idade já sabemos o quanto e como podemos beber... 
      Quando começo a pegar no sono, a família do barulho começa a desmontar o acampamento, por volta das seis da manhã. Todos com aquela cara de ressaca. 
      Também fiquei com cara de ressaca, mas de uma noite mal dormida....
  
Dia de descanso, para mim e para a Margarida. 

Dia 18

Enfim, paz no acampamento. 


     A minha intenção era ficar um dia apenas em Três Marias. Mas, como não havia dormido nada, e a família do barulho estava indo embora, resolvi ficar mais um dia, para conhecer o centro da cidade e descansar um pouco mais. 
    Com alguma dificuldade subo a serra do lago até o centro da cidade, com a intenção de comprar frutas, biscoitos e outras coisas mais para comer, pois no lago só vendem almoço, sorvetes e outras coisas bem caras para o meu orçamento de cicloviajante. 
    Almoço pelo centro da cidade mesmo, atraído pelo preço do marmitex: 11 reais! Mas, ali naquele lugar o marmitex grande seria o marmitex pequeno de outros lugares. E o marmitex pequeno teria que ser chamado de micro marmitex. Nessas minhas viagens, minha ansiedade diminui bastante, fico mais tranquilo, em paz com o restante do mundo. A paz interior tenho, mas quando estou no meu cantinho. 
    Cicloviajando fico bem comigo mesmo e isso reflete exteriormente, fico mais comunicativo e menos ansioso. Converso com estranhos, brinco às vezes e sorrio bastante. Acho que em um mês de pedalada converso mais do que em um ano quando estou dentro de casa. Essa paz me deixa menos ansioso e como pouco doce, não fico me empanturrando. Acho que se não fosse a violência e outras questões, seria um eterno viajante de bike, um pedarilho. 
Muitos famosos possuem casas no lago 


    Volto para a prainha, que está agora parecendo um paraíso. Silêncio quase que total Apenas ao fundo se ouve as vozes das pessoas conversando. E bem no fundo, alguém está ouvindo bem baixinho o disco "Música para acampamentos", do Legião Urbana. Aí sim estou me sentindo em um local para se acampar, nada daquele breganejo universitário da família do barulho da noite anterior. 
     E assim foi o restante da tarde e a noite. Paz e tranquilidade, o que todos buscam em um acampamento de verdade. 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Pedalanças-Belo Horizonte à Belém do Pará-3º dia- Serra brava de 8KM!

 16/07/2024

Felixlândia-Três Marias MG
Minas não tem mar, ou o mar é que não tem Minas?
Quem disse que Minas não tem mar?


     Não dormi bem. Montei a barraca próxima ao bebedouro. E, pelo visto, era o ponto oficial de encontro dos caminhoneiros na madrugada. Gente indo e vindo, passos, vozes e ruídos amplificados pelo silêncio da noite. Apesar do frio fiquei surpreendentemente bem aquecido no meu casulo.
      Acordei bem cansado, por volta das quatro e meia da manhã. E a batalha começa antes mesmo de pedalar: ajeitar a carga na bike.  Tenho que conseguir arrumar tudo da melhor maneira possível, para que as coisas fiquem mais acessíveis. A mochila fica bem amarrada no bagageiro traseiro, e tem coisas que preciso durante o dia que fica difícil de pegar.
    E a carga tem que estar bem amarrada e protegida para que não caia nada na estrada. Estou perdendo muito tempo e, o pior, gastando energia em algo que poderia ser mais prático. E de manhã sinceramente não é a hora em que estou mais animado. 
     Tomo o café e o roteiro nas primeiras horas da manhã se repete: frio congelante na BR, dedos congelados e doendo de tão frio e os lábios ardendo como se tivesse beijado um cubo de gelo. Manteiga de cacau entra na lista do meu kit de sobrevivência, pelo menos nesse trecho da viagem. 
    Por volta das nove horas o solzinho dá as caras e o meu humor também aparece. Cantarolo algumas músicas, já que não tem nenhuma plateia para ouvir, ou jogar tomates podres. Canto tão mal que uso esse artifício para apoquentar as pessoas, tipo o vizinho chatão de Belo Horizonte que ficava a madrugada inteira falando no celular, atrapalhando o meu sono. E então, para descontar de dia ficava cantando músicas, principalmente do Roberto Carlos e outras bregas. Tentei cantar heavy metal, mas minhas cordas vocais ficavam irritadas. 
estrada entre Felixlândia e Três Marias. 


     Mas logo esse bom humor fica um pouco diminuído. Uma longa e íngreme serra à minha vista! A encaro por alguns segundos e me propus um desafio: vencê-la sem empurrar a bike!
Teimosia, coragem e determinação são itens indispensáveis em uma cicloviagem. 
      No meio do caminho encontrei um andarilho, com apenas a roupa do corpo, uma trouxa e  uma garrafa pet com água. Pelo sotaque vi que era gaúcho, e estava encarando o calor das estradas mineiras. Penso em gravar uma entrevista com ele, mas, não consigo. Acho muito interessante a história de vida dos andarilhos. Já fui um por algum período de tempo, quando tive meus primeiros surtos. Mas o gaúcho era lúcido e tinha boa aparência. Fico imaginando como deve ser cansativo andar por vários quilômetros no asfalto quente. Já fiz algumas viagens a pé, mas a maioria por estradas de terra, como no caminho velho, de Outro Preto, em Minas Gerais, até Parati, no Rio de Janeiro. O pouco de percurso que andei no asfalto senti muito cansaço, por conta do calor e do vapor que vem debaixo, somado ao calor que vem em nossa cabeça. 
O andarilho do Rio Grande do Sul


     A temperatura não estava tão alto como no primeiro dia, e vou subindo a serra em boas condições, só parando para beber água e tirar algumas fotos pois a vista do alto da serra é muito bonita. Aliás para quem gosta de mato qualquer visão de serra é bonita. A diferença é que algumas fazem mais força para nos impressionar. 
     Fui subindo aos poucos, e aprendi um pouco de psicologia para vencer as serras íngremes. Não olhar para o alto, apenas se concentrar nos próximos dez metros. A gente cansa só de olhar as subidas de Minas Gerais, a verdade é essa. 
     E assim, de pouquinho em pouquinho fui vencendo a serra do Jacaré, no caminho para a cidade de Três Marias. Foram cerca de 8km somente de subidas! Obviamente fiquei envaidecido com a proeza, afinal estou em uma bike antiga, aro 26 e com uns 30 quilos de bagagem. E fora a bagagem de vida que eu tenho, são 56 anos de muitas alegrias, tristezas, perrengues, arrependimentos, etc.. Mas foram vividos, e isso é o mais importante. Se chorei ou se sorri...
    Por sorte (ou ajuda lá de cima) assim que acabei de subir a serra, a temperatura esquentou.
Acho que estava na faixa de uns 37ºC. 
                                             serra braba vencida com sucesso!

     A estrada não tem muitos estabelecimentos, mas consigo encontrar um bom restaurante por volta do meio dia. Apesar de ser grande, havia apenas um cliente almoçando. Resolvo, depois do almoço, descansar mais um pouco, para não pegar o sol forte, ao contrário dos outros dias, em que comecei a pedalar logo após o almoço. 
     O tempo passou mas o sol não diminuiu sua intensidade e o jeito foi começar a pedalar. Muitas subidas íngremes e, não orgulhoso, resolvo empurrar a bike em alguns trechos. Depois de duas horas pedalando, paro para descansar e percebo que o tornozelo do pé esquerdo está um pouco inchado. Como tenho o dedão do pé esquerdo quebrado, uso um pouco a lateral do pé para andar e para pedalar. Venci a Serra do Jacaré, mas ela me cobrou um certo preço... 
    Como irei melhorar do inchaço do pé pedalando? Essa dúvida ficou na minha cabeça até a chegada em Três Marias. A dor não era forte, mas me impedia de pedalar normalmente, fazendo mais força com o pé direito. 
    Paro em um posto de gasolina e um senhor começa a conversar comigo, perguntando de onde vinha, para onde ia, etc... Gentilmente ele me ofereceu o chuveiro do posto de gasolina, que veio como uma benção caída do céu, pois o dia foi cansativo, principalmente por conta do calor e da íngreme serra do Jacaré. 
    Esses pequenos gestos renovam minhas energias. O banho também. Já me sinto melhor, tirando a dor no tornozelo. Tomo um lanche e o pessoal também foi hospitaleiro, permitindo que eu montasse a barraca assim que o estabelecimento fechasse. Mais do que isso, o fato de conversarem com a gente, admirando nossa coragem de percorrer parte do Brasil de bike, o sentimento de ser acolhido faz qualquer cansaço ir embora rapidamente. 
     Esse ambiente tranquilo e generoso me acalmou, já não estou mais ansioso como no primeiro dia, em que tive alucinações. Já estou mais esperançoso para seguir a viagem. Mas acho que amanhã irei conhecer a tão falada cidade de Três Marias, com sua represa que mais parece um mar. Afinal, o esquizo pedarilho também merece descansar um pouco.
     
81km sob um forte calor e uma serra bem íngreme. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Pedalanças -Belo Horizonte à Belém do Pará 2º dia-Tive alucinações!

 15/07/2024
Paraopeba-MG à Felixlândia 

Adentrando o cerrado mineiro



    Não dormi bem, apesar de dormir em um bom posto de gasolina. O silêncio tomava conta da madrugada, ao contrário de minha inquieta mente. Afinal era o primeiro dia de viagem. Os leitores do blog sabem que faço essas viagens malucas desde o ano de 2012. Mas estava há um bom tempo trancado no meu quartinho em Belo Horizonte. E, como todo bom paranoico, sempre tenho minhas cismas, em quaisquer circunstâncias. 
    Poucas pessoas no posto. Entrei na minha barraca por volta das oito da noite. Não sei à que horas exatamente, mas o som inconfundível de chinelos se arrastando rompeu o silêncio. Abri o zípper da barraca, mas, lá fora, ninguém... Me lembrei da minha viagem em 2019, quando dormi na calçada sem montar a barraca, por conta do sufocante calor da cidade de São Mateus, no Espírito Santo. A bike estava presa com cadeado, e minha mochila amarrei com corda em meu corpo, uma armadilha para meliantes. E não demorou muito para aparecer um indivíduo desses. O chinelo arrastado era sua tática para testar meu sono. Por três vezes ele apareceu, mas, quando me viu abrindo os olhos seguiu em frente. Provavelmente na quarta vez não acordei, mas, graças a corda, salvei meus documentos e minha viagem naquele dia. 
     E agora estava ouvindo esse arrastar de chinelos cinco anos depois em um posto de gasolina. Mas a diferença é que esse som estava vindo de dentro de minha cabeça. E foram umas três vezes que tive essa alucinação auditiva. E o posto estava uma tranquilidade, poucos caminhoneiros pararam para dormir ali.
Seria a esquizofrenia ecos do passado?
     E, para piorar a situação, comecei a ter alucinações tácteis. É isso mesmo, na esquizofrenia a pessoa não só ouve coisas, enxerga coisas que não existem. Ela também pode ter a sensação de que estão tocando nela ou outra sensação tátil. Naquela madrugada senti mãos atravessando a barraca e encostando em mim. E não era sonho, não estava dormindo. E também não estava completamente acordado. Estava no meio termo, quase pegando no sono. 
      Como tenho anos e anos de esquizofrenia e aquilo não era uma novidade para mim, apenas levei um enorme susto. Mas não me desesperei como no início dos surtos, quando não tinha a mínima ideia do que era esquizofrenia. E continuei a tentar a pegar no sono. 
      Fez bastante frio de madrugada. Mas isso não foi o maior problema desse primeiro e segundo dia.
     Acordei bem cedo, tomei 700ml de água em jejum e comecei a desmontar o acampamento. A carga da bike estava bastante desorganizada. Não estava achando nada, ficava tudo misturado na mochila.Não sabia qual o melhor lugar minhas coisas. Demorei bastante para ajeitar a bike para começar a pedalar. Não havia preparado a Margarida para essa viagem, essa é a verdade. Primeiro foi o guidão que não tinha fixação suficiente para aguentar o peso do bauleto frontal. Apesar do aperto na rosca, ainda estava dando uma pequena folga com o passar do tempo e tive que redobrar a atenção a cada curva e obstáculo na minha frente. 
    Tomei um bom café no posto de gasolina. Ainda tive que esperar um pouco para o sol aparecer, pois no inverno os dias são mais curtos, com o sol se pondo mais cedo e nascendo mais tarde.
      E o frio se tornou intenso quando desci a serra. Meus dedos congelaram com o vento. Meus lábios começaram a arder. 
    Mas Minas Gerais todo mundo sabe como é. Muita serra e tem regiões em que se você não está subindo você está descendo. E é bem desse jeito na saída de Belo Horizonte para Brasília. Mas estou em um bom ritmo, acho que as modificações na mecânica da bike ajudaram bastante. Coloquei rolamentos bons nas rodas e no pedal. Em 2019 a Margarida usava esferas e era complicada a manutenção. Já o esquizo pode ter perdido um pouco de força, mas, a resistência continua a mesma. 
Acidentes...


    O céu está limpo e lindo, sem nuvens. Mas essa beleza cobra um preço, por volta das dez da manhã o calor já estava castigando. As garrafinhas esvaziavam rapidamente, e as casas e postos de gasolina iam ficando raras. 
    Às onze horas a situação se complicou. A água havia acabado, estava levando apenas duas garrafinhas na bike. Carrego um cantil no bauleto, mas não havia colocado água nele, pois cada litro de água significa um quilo a mais de bagagem. Na minha cabeça só iria precisar de encher o cantil depois de ultrapassar o estado de Goiás. 
     Aos poucos vejo a vegetação se modificando. As árvores baixas e tortuosas com poucas folhas indicam que estou adentrando o cerrado. Em todas as minhas andanças e pedalanças não havia visto um bioma diferente. Todas as minhas viagens foram na região sudeste, com suas matas e florestas densas. 
Adentrando o cerrado. Um pouco de medo do calor. 


    Por volta das onze horas a situação ficou insustentável em uma serra braba. Não estava com fome, apesar de ter tomado café da manhã bem cedo. Era a sede que me incomodava e tirava minhas forças. Convenhamos que a sede é pior do que a fome. O estômago pode esperar algumas horas, sobrevivemos vários dias sem comer, mas sem água a situação fica complicada, afinal somos feito de 75% desse elemento da natureza. Dizem que podemos ficar no máximo quatro dias sem água, dependendo do indivíduo. E, como boto bastante doce para dentro da barriga, acho que não consigo ficar três horas sem beber nada. 
    Subindo a serra avistei algumas casas no meio da montanha. Alguns carros passavam e eu erguia a minha garrafinha, em um gesto silencioso, porém já com um pouco de angústia. Ninguém parou. Não restou outra alternativa a não ser entrar pela estrada de terra e seguir em direção ao vilarejo, que, para o meu desespero, parecia abandonado. Casas vazias, portões fechados e silêncio. Quando avistei um carro, eram de pessoas que trabalhavam na empresa de abastecimento de água. E, por incrível que pareça, eles estavam sem água. O jeito era seguir pela estrada de terra até encontrar alguma alma caridosa. O meu medo era de não encontrar ninguém e me afastar mais ainda da BR. 
    Mas tinha que escolher um caminho. Já estava meio debilitado e era mais fácil descer. E prossegui pela estrada de terra até encontrar uma sorveteria! Isso mesmo, uma sorveteria naquele lugar deserto!
Não poderia encontrar lugar melhor para me refrescar. 
  
Não é miragem, uma sorveteria no meio do nada!

    A dona do local, a dona Jemecina, estava fazendo almoço, e era um pouco séria. E como também sou meio caladão e difícil de iniciar conversas, um silêncio um pouco constrangedor tomou conta do local. A ausência de sons só era quebrada quando algumas crianças estudando nas mesas falavam alguma coisa. 
    Pedi água e sorvete para enganar o calor. Meu estômago estava roncando mais do que os motores dos caminhões da estrada. E perguntei se ela poderia me vender um almoço, pois a BR naquela região era um pouco deserta. Acho que já estávamos no cerrado, com as árvores mais baixas. Ela disse que poderia sim servir o almoço, com a cara mais séria ainda. Estava um pouco constrangido por aquela situação, mas não tinha por onde recorrer. E enquanto esperava o rango, pluguei o celular e a câmera compacta velha de guerra. Sou um cicloviajante bem raiz mesmo, não tenho GPS, nem GOPRO, sou guiado por minhas intuições e por Deus. 
Rumo à Felixlândia. 


     Depois do rango, sigo em frente, apesar do forte sol do meio dia da região. Na BR tenho a confirmação de que tomei a decisão correta de entrar pela estrada de terra. Só 20km em frente que encontro algum lugar para pegar água. Se seguisse pela BR teria que ter a sorte de encontrar algum caminhoneiro que me parasse seu veículo para matar a minha sede.  
    Pedalo mais um pouco e por volta das cinco da tarde encontro um posto de gasolina na cidade de Felixlândia. Foram 98km e para minha surpresa estou em boas condições. Como não tenho lanterna e não conheço a região e muito menos tenho GPS, não tenho dúvidas em parar para descansar e procurar um local para montar acampamento. 
    Foi um dia difícil. Aprendi que tenho que estar melhor preparado na questão da água e me informar melhor com as pessoas sobre o caminho. Não sou muito de planejar o quanto irei pedalar no dia, vou seguindo e pronto. Mas tenho que pelo menos organizar um dia de cada vez, para não passar nenhum perrengue por conta de mau planejamento. Não tenho pressa para chegar em Belém, quero curtir o caminho, sem neuras e sem pressa. Mas um dia de cada vez, assim como faço na minha vida. 
98km debaixo de um sol escaldante no cerrado de Minas. 


segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Pedalanças-Belo Horizonte à Belém do Pará - 1º dia

    14/07/2024
Belo Horizonte-MG à Paraopeba-MG


     Enfim, o dia da viagem havia chegado. Passei o dia dando os últimos ajustes na bike. Na verdade não tive o tempo necessário de prepará-la do jeito que queria. Porém as minhas dívidas já não podiam esperar mais e já havia passado a hora de meter o pedal na estrada. 
     De noite não estava conseguindo dormir devido à ansiedade e resolvi tomar um diazepan para relaxar. Com muita dificuldade consegui parar de tomar esse viciante medicamento, que mais atrapalha do que ajuda. A verdade é que o sono artificial não é tão bom quanto o natural e, quando acordamos não sabemos se dormimos ou apenas fomos desligados por um tempo. Meu ditado é: "Mais vale quatro horas de sono natural do que dez de sono artificial". 
    Coloquei o relógio para despertar às três e meia. Era domingo e queria sair o mais cedo possível, não estava muito afim de pegar o trânsito da via expressa que é o ponto de partida dessa minha saga para Belém do Pará.
    Apesar de ser inverno, tomei um bom banho gelado para espantar a ressaca do diazepan. Depois fiz dois capuccinos e comi com um biscoito recheado de chocolate, para aumentar os níveis de  dopamina no meu cérebro. Fiquei bem elétrico. Obviamente a agitação também era pelo fato de ser o primeiro dia de viagem. Seria a minha primeira pedalança fora da região sudeste. Para qualquer pessoa um fato normal, mas, para um extremo fóbico social, uma imersão no desconhecido. 
    Coloquei meus pertences na Margarida com muito cuidado, para não acordar os vizinhos. Moro em um lugar que aluga quartos e de madrugada qualquer barulhinho vira um barulhão. Apesar da precaução o vizinho da direita começa a resmungar. A verdade é que ele é também um outro insone, passando quase todas as madrugadas conversando no celular. Ou falando sozinho? Dificilmente encontraria uma outra pessoa a ficar ouvindo as conversinhas dele da meia noite até às seis da manhã. Era um cara tão chato que pelo fato de passar a noite acordado exigia o máximo silêncio durante a manhã e boa parte das tardes. 
    Saí por volta das quatro e meia e ainda estava tudo escuro. Senti no rosto aquele ventinho gelado das madrugadas de Belo Horizonte. Estava ansioso, mas era uma ansiedade boa, aquele friozinho na barriga que me impulsionava a pedalar com prazer e energia.  Estava morando no mesmo endereço há quase sete anos e só havia feito uma viagem de bike pela região sudeste no ano de 2019.  
Na madrugada de Belo Horizonte


    Passei pelo centro de BH que está um pouco abandonado pelo poder municipal. Muitos usuários de crack e outras drogas vagando pelas ruas e avenidas. Tive que tomar muito cuidado para que não acontece nenhum imprevisto e minha viagem fosse interrompida logo no primeiro dia. Não tinha um plano B caso fosse assaltado. Era eu e Deus nessa viagem meio maluca. 
     Aos poucos o dia foi clareando e já estava na BR040, que liga Belo Horizonte à Brasília. Que nascer do sol lindo! Aliás tudo fica mais bonito quando estamos felizes. O calor do astro rei em meu rosto me encheu de energia e coragem para prosseguir o caminho.  Como era um domingo, encontro vários ciclistas pelo caminho que me desejavam uma boa viagem. 
     Desta vez fiz um bauleto para a Margarida, que coloquei no bagageiro dianteiro. Na minha primeira cicloviagem a carga ficava um pouco desorganizada, com uma mochila amarrada na frente da bike. 
    Mas o bauleto improvisado estava fazendo com que a porca que segura o guidão se afrouxasse, deixando a direção um tanto o quanto perigosa. Qualquer movimento brusco eu poderia ir parar no meio da movimentada BR040. Com muito cuidado pedalei por uns 5km até chegar em um mecânico que me emprestou uma chave para que eu fizesse o devido aperto. 
Acima, a Margarida em 2019. Embaixo após a reforma. 

    Porca apertada, volto para a BR e, para a minha alegria o guidão estava funcionando bem. Pedalo com confiança e em um bom ritmo, afinal estava pedalando cerca de 6km todos os dias para almoçar no restaurante popular de Belo Horizonte. E a sensação da liberdade, do ventinho no rosto me davam um gás extra. E a estrada tinha um bom acostamento, item essencial para um bom rendimento. 
    Estou pedalando com mais calma do que em 2019, fazendo paradas para me alongar e dar uma descansada. E, claro para dar uma aliviada na poupança, pois, por melhor que seja o selim e a bermuda, sempre tem aquela dorzinha que incomoda bastante. Acho que o selim é a parte mais difícil de se escolher. Não é a regra de quanto maior e mais macio melhor. Dizem que o selim tem que ser do tamanho da distância entre os ísqueos de nossa bunda. Ìsqueos são os ossos de nossa poupança. Por isso tem ciclista com selins bem duros. 
    Hora do almoço e eu já havia pedalado pouco mais de 50km! Pego um marmitex em um restaurante e vou para perto de uma carreta para me abrigar do escaldante sol do meio dia. Os dias também são quentes nessa região de Minas Gerais, apesar de estarmos no inverno. E hora do almoço é aquela dúvida: como comer pouco com uma comida tão gostosa? Não consigo e o jeito é comer bem e dar uma boa descansada para conseguir pedalar sem problemas depois da refeição. Pedalar com sol quente e barriga cheia de comida do almoço não é nada bom, pois ainda vem a sede e enchemos mais ainda a barriga de água.  Encontro o dono da carreta onde peguei uma sombra e começamos a jogar conversa fora. Ele fazia o seu próprio almoço, no baú da carreta tinha um fogãozinho, o gás e muito mantimento. Me pergunta o motivo da viagem e apenas respondo : É por que gosto ué!"
     Depois do descanso, pego a BR novamente e sempre encontro vários motociclistas indo sentido Brasília. Um movimento não muito normal, eram muitas motos mesmo. Daquelas pretas e enormes. A maioria me cumprimenta e depois fico sabendo que em Brasília irá ter um encontro nacional de motociclistas. 
Sol escaldante na parte da tarde. 

      De tarde o solzinho veio rachando, mas logo apareceram algumas nuvens que suavizaram a pedalada, deixando o calor suportável. Nesse trecho da BR não faltam restaurantes e postos de gasolina, e sempre foi possível encher as garrafinhas com uma deliciosa água gelada. 
     Também de tarde o asfalto do acostamento não estava tão bom quando no início, na saída de Belo Horizonte. A má qualidade do piso fazia a bicicleta trepidar muito e não consegui imprimir a mesma velocidade do que na parte da manhã. 
    Mas, apesar disso o entusiasmo inicial dessa segunda pedalança me fez chegar até a cidade de Paraopeba, distante de Belo Horizonte 110km! Nada mal para o primeiro dia. Para alguns parece muito, mas alguns ciclistas que só pedalam com bikes caríssimas e sem carga irão dizer que é pouco. São ciclistas bem mais jovens do que eu esses que falam que 110km é pouco para um dia. Mas tenho certeza de que não fazem isso em uma bike de 1990 e com uma carga de mais ou menos 30kg.
Acampamento montado


Parei em um posto de gasolina. Os frentistas foram gente boa comigo e me deixaram tomar um bom banho relaxante. A água era fria, mas estava muito boa e também não tenho do que reclamar. Imaginem dormir sem tomar banho depois de um dia inteiro de pedal? 
     Na verdade não consigo dormir nessas condições. Raramente fico sem banho, mas já aconteceu. E o corpo da gente fica coçando com aquele suor e ficamos nos revirando dentro da barraca. 
    De noite, tomei um lanche e montei minha barraca por volta das oito da noite. Queria acordar por volta das cinco da manhã para aproveitar mais o dia e evitar o sol escaldante do meio dia. Estava um pouco agitado, afinal era o primeiro dia da viagem. A primeira noite dormindo na barraca, que viria a ser a minha residência por vários meses. 
    
110km! Nada mau para o primeiro dia. 

domingo, 18 de janeiro de 2026

Minha viagem de bike Belo Horizonte à Belém do Pará

Por que viajar de bike?

Loucura ou liberdade?


    Cartão de crédito estourado, dívidas e mais dívidas, empréstimos bancários. E, ainda por cima, aluguel caro na minha querida Belo Horizonte. Coisas que meu salário de aposentado não conseguiria pagar sem um enorme sacrifício se ficasse em casa. 
    Essas dívidas dividiam minha cabeça e o meu coração. O que fazer? O tédio também me corroía por dentro, esperando o meu fim, como dizia a música da banda Biquini Cavadão. 
    A situação estava ficando insustentável, tendo que fazer empréstimos para pagar o cartão de crédito, já que os juros são bem menores. Mas essa bola de neve cresceu tanto que já não estava conseguindo pagar minhas contas. E o aluguel sempre foi sagrado para mim, só atrasando o pagamento na época quando trabalhava e a firma atrasava os salários. 

    No ritmo do asfalto e o coração de aço

Margarida, minha fiel companheira (só eu que ando nela!)

    Existem decisões que não tomamos somente com a cabeça, mas com o espírito. Ou com os dois. Diante das dívidas e do tédio que me corroía a alma, decidi novamente pegar a estrada. E o destino? Um lugar meio que aleatório, era cismado com Belém desde criança e botei na cabeça que um dia iria conhecer. Como, não importa. Se não tem carro, vamos de bicicleta. E não estava sozinho, comigo, além de Deus, estava a Margarida, minha fiel companheira desde 2018, carregando as marcas em seu alumínio resistente que já aguentou muita estrada esburacada por esse nosso país. E agora ela guarda também a poeira de dez estados brasileiros percorridos por minhas finas canelas de ciclista. 
    Quando saí de Belo Horizonte em julho de 2024, o horizonte não era apenas uma linha no mapa, era um desafio não só físico como mental e silencioso que se estendia por mais de 3000km até as águas da cidade de Belém do Pará. Queria também conhecer a ilha de Marajó que um dia vi na TV com seus búfalos. 
    Este livro não é apenas um relato de quilometragens ou coordenadas geográficas. É o registro de quase dois meses em que o tempo passou a ser medido pelas pedaladas e a segurança passou a ser o teto de minha barraca montada entre o barulho das carretas em postos de gasolina e a solidão das madrugadas nas rodoviárias das pequenas cidades do interior do Brasil (para mim os melhores lugares para se dormir na barraca em uma cicloviagem).




    Pelas páginas que se seguem, você encontrará o diário visual e escrito de uma jornada de extremos. Vivi o sol impiedoso que deforma o horizonte, a chuva que lava a alma e encharca o equipamento. E o frio das madrugadas de inverno em Minas Gerais, que chegavam a queimar os meus lábios. Vivi a angústia da sede em trechos isolados e o vento deslocado pelas gigantes carretas que dividiam comigo o espaço vital do acostamento, passando a centímetros de minha bike. Mas vivi, vivi um sonho de liberdade, a liberdade não somente de ir e vir, mas também de ser quem realmente somos, sem máscaras ou limites. 
Todo cuidado é pouco nas estradas. 

    Pedalar de Minas ao Pará em uma bike fabricada em 1990 não é só um exercício físico intenso e desgastante, também é um exercício de paciência e humildade. A Margarida me ensinou que não precisamos do mais moderno e do mais caro para se chegar ao destino, mas sim de coragem(muita coragem) de continuar girando os pedais, mesmo quando nosso corpo pede parar. Como disse no início, a cicloviagem é uma atividade que requer tanto do físico como do psicológico. Nas enormes serras, aprendi que não devemos ficar focando muito no fim, fixando nosso olhar para o alto. Nessas horas o melhor a se fazer é baixar a cabeça e focar nossa mente nos próximos dez metros à nossa frente. E assim, aos poucos, chegamos ao pico das serras, tão comuns em nosso país. Encontrei serras que me cansavam só de olhar para o alto. 



    Entre as fotos das diversas paisagens - do cerrado ao norte com suas matas, relato encontros com desconhecidos que se tornaram anjos da estrada. Nos dias de extremo desânimo, essas almas apareciam nas horas e lugares exatos, me oferecendo aquela água gelada, alimento e, o principal, uma palavra de incentivo que recarregava minhas energias. Sem esses anjos disfarçados de humanos não teria concluído o meu projeto. 
    Convido você a montar na garupa dessa história e sentir o cheiro da estrada, o peso da bagagem e a liberdade indescritível de atravessar o Brasil no ritmo do próprio coração. 
    Bem vindo à estrada. Prepare-se para o suor, para a poeira e para a beleza de um país que só se conhece de verdade quando se tem a coragem de percorrê-lo sobre duas rodas. 
Obs: todos os dias irei postar o diário com as fotos dessa viagem. 


Lugares maravilhosos que valeram a pena todo o esforço


domingo, 7 de julho de 2024

Pedalanças -2 Irei viajar de bike!!!

 Cicloviajar é preciso


    Quem me conhece pessoalmente ou através deste humilde blog e do meu canal no youtube sabe que gosto de viajar. Viajo da maneira e do jeito que posso. Em 2013 e 2014 fiz algumas andanças pela região sudeste a pé. Primeiramente fiz o Caminho dos Jesuítas, pelo litoral do Espírito Santo, entre as cidades de Vitória e Anchieta. Conheci lindas praias e até fiquei meio perdido em uma praia deserta, a água havia acabado e nada de encontrar casas pelo caminho. 
    Logo comecei a tomar gosto por essas andanças. Fiz então o caminho velho da estrada real, entre as cidades de Ouro Preto, em Minas Gerais, até Paraty, no Rio de Janeiro. Foram 710km de muitas aventuras, alegrias e perrengues.
     A minha terceira andança foi a mais curta. Apenas 100km por cidades próximas a Belo Horizonte. É o caminho de Sabarabuçu, também da estrada real. É o mais curto, porém o mais difícil, devido as serras bem íngremes. Se você não está subindo, está descendo. 
   Depois, percorri quase todo o litoral do estado de São Paulo,  o chamado Caminho dos Jesuítas. Comecei em Peruíbe, no sul do estado, até a cidade de Caraguatatuba. Depois fui para a capital e tive a oportunidade de conhecer a terra da garoa. 
O litoral de São Paulo é muito bonito. 



  Infelizmente quebrei o dedão do pé esquerdo no ano de 2014 e passei alguns anos sem saber o que fazer, pois não consegui atendimento pelo SUS. 
    Ficar de uma hora para outra sem poder fazer o que mais gostava foi um duro golpe. Mas, aos poucos, a fratura foi se calcificando. Passei a usar um tênis macio e às vezes colocando um solado extra de EVA comecei a andar mais ou menos normal. Eu mesmo fazia esses solados extras e ficava bem macio e então comecei a andar bem. Comecei até a voltar a jogar um futebolzinho, e fui campeão cinco vezes seguidas no torneio da primavera aqui em Belo Horizonte. É um campeonato realizado todos os anos entre os usuários dos serviços da saúde mental aqui da capital mineira. 
     Por volta do ano de 2017 redescobri a bicicleta. Comprei uma bem ruinzinha por um valor alto pelo que ela valia. O cara me vendeu a bike sem ela ter condições de subir. Só andava na reta. O cara morava longe e voltei para casa 30km empurrando na subida e andando muito mal nas retas. Cheguei um pouco detonado, mas o entusiasmo inicial se sobressaía a qualquer cansaço. 
    O tédio estava me dominando e corroendo a minha alma, até que, em 2019 resolvi fazer uma cicloviagem. Mas a bike que havia comprado não era boa e ainda tinha uma enorme solda onde fica o selim. Então procurei anúncios de bike usadas e encontrei um quadro de alumínio bem baratinho. 
   Coloquei algumas peças razoáveis nela e saí para a estrada. Enfrentei alguns perrengues de cicloviajante de primeira cicloviagem, mas foi uma  das melhores viagens que fiz durante os meus 56 anos de existência! A melhor que fiz foi o caminho velho da estrada real, pois o que gostava de fazer mesmo era andar no meio da natureza. 
    Foram 3050km em dois meses. Fui até a divisa do Espírito Santo com a Bahia, e desci o litoral capixaba até Marataízes, quase na divisa com o Rio de Janeiro. Fui até Cachoeiro do Itapemerim, e conheci a casa onde Roberto Carlos passou a sua infância. 
casa do Roberto Carlos em Cachoeiro do Itapemerim

     Depois, pedalei por algumas cidades do interior do Espírito Santo e Minas Gerais, em que pude concluir os 4 caminhos da estrada real, que comecei no ano de 2013. Missão dada é missão cumprida!
       Fiz esta primeira cicloviagem pela região sudeste, para pegar experiência. E também por que sou cismado. Penso que, se sair da região onde nasci irei me sentir um estranho. Quando fiz o caminho velho da estrada real estava com receio de atravessar a fronteira entre Minas Gerais e São Paulo. Pensava que os paulistas  iriam me hostilizar, mas, tenho um pouco de consciência que isso é paranoia de minha cabeça. Ter consciência de nossos problemas ajuda muito, mas não resolve todas as questões. 
    Quando pus os pés em terras paulistas, ao entrar em uma trilha no meio do mato, um helicóptero começou a sobrevoar o céu e pensei que estavam me monitorando. Era na cidade de Cruzeiro e os marcos que indicam o caminho a seguir na estrada real não estavam colocados em seus devidos lugares. Estavam jogados no chão, pois, na época a prefeitura não havia ainda feito o serviço. Por sorte encontrei um senhor chamado Jair que me deu as dicas sobre como percorrer a trilha. Se não fosse esse senhor iria ficar perdido no meio do mato e poderia escurecer. E ainda havia chovido na parte da tarde naquele dia. Ou seja, iria passar sérios apuros. E ainda o seu Jair me convidou para almoçar em sua casa que fica no início dessa trilha na cidade de Cruzeiro. Minas é conhecida pelo seu povo hospitaleiro, mas tem gente boa em todos os lugares. 
Se não fosse o seu Jair provavelmente iria ficar perdido na mata. 

     Andar por Minas Gerais é bão dimais. Ar puro, povo hospitaleiro, e a culinária então nem se fala. E também entramos em contato com a cultura desses lugares. Conheço um casal que tem condições de fazer a viagem de carro, mas preferiu fazer os quatro caminhos da estrada real a pé também. Eles dormiam em hotéis e não precisavam carregar uma barraca e uma mochila pesada nas costas, mas, pela idade deles, foi uma grande conquista também. 

Um pouco da cultura mineira. 

     Confesso que depois de 2 meses pedalando deu uma saudade de uma caminha bem aconchegante e uma TV para assistir filmes e séries. Então voltei para Beuzonte e aluguei um quartinho. 
    Mas em pouco tempo senti saudades de sentir o ventinho no rosto ao pedalar nas estradas. Planejei então uma nova cicloviagem, desta vez para o Uruguai. Seria um desafio muito grande para o esquizo aqui. Me sentia um estranho em outros estados, imagina em outro país! Mas a intenção era apenas ficar um dia por lá, pegar uma praia e voltar, só para falar que já fui no exterior. Ficaria cismado só de ficar ouvindo as pessoas falarem um idioma que não domino. Se bem que conheço um pouquinho de portunhol, pois acho muito legal falar esse idioma. Mas, infelizmente a pandemia chegou e resolvi não me arriscar e seguir as recomendações para ficarmos em casa. 
    Os anos seguintes também a pandemia não havia totalmente sido controlada e continuei em Belo Horizonte. Mas o tédio estava tomando conta de mim, estava fazendo tudo no automático, aquela rotina que detona qualquer pessoa. Estava tão entediado que nem havia comemorado o último torneio da primavera entre os usuários do serviço de saúde mental aqui em Belo Horizonte. 
      O tédio sempre foi minha companhia. Na época em que trabalhava não conseguia ficar mais de sete meses em uma firma. 
      Então resolvi fazer uma nova pedalança. Meio sem destino, sem planejar muito. Estou nos últimos preparativos finais para melhorar algumas coisas em relação à cicloviagem de 2019. E a manutenção básica, para não ficar com problemas mecânicos no meio do caminho. Está quase tudo pronto, faltam alguns detalhes, mas vai ser nos próximos dias. 
      Infelizmente parece que o custo de vida está aumentando muito e o salário mínimo está perdendo o seu valor de compra. Adquiri algumas peças da bike e outros equipamentos, mas ainda faltam algumas coisas. Quem puder ajudar é só fazer o PIX ou entrar em contato comigo pelo email abaixo. 
Pix   juliocesar_555@yahoo.com
Email  memoriasdeumesquizofrenico555@gmail.com
        Também podem me ajudar adquirindo meus livros, em que falo sobre esquizofrenia e outros assuntos, além dos diários de minhas viagens. 
       São cinco livros no formato PDF por apenas 20 reais!
      Além da ajuda financeira, orações e preces para que Deus e o meu anjo da guarda me protejam e me guiem pelo bom caminho mais uma vez nesta jornada. 
Abraços à todos e fiquem com Deus. 

      

segunda-feira, 29 de abril de 2024

O café em minha vida


 

O Café na infância na infância e na adolescência. 

     Na minha infância e adolescência não costumava tomar café, nem mesmo de manhãzinha, ao despertar. Acordava elétrico e já tinha bastante energia e ficava o dia inteiro jogando futebol, brincando de pegado-de-esconde no quarteirão inteiro, e às vezes saia andando pela cidade meio que sem destino, ficando perdido algumas vezes. E, claro, fazia muita bagunça, como ficar apertando a campainha do vizinho e sair correndo. E também pegar manga na casa do vizinho, apesar da geladeira estar lotada dessa fruta maravilhosa. E apesar do próprio vizinho nos doar uma sacola enorme da fruta que era abundando entre os meses de novembro e fevereiro. De noite eu e meus colegas montávamos uma operação especial para pegar as frutas fresquinhas no pé. Três pulavam o muro, um subia no pé o outro ia juntando as mangas e  o outro ia levando até o balde que era amarrado por uma corda. Já um ficava encima do muro para puxar a corda e entrega o balde cheio para um outro que ficava no prédio vizinho. E depois repartíamos igualmente entre todos os envolvidos na operação pega manga do vizinho. 
  O meu café e lanche consistia em Neston, nescau, biscoitos, cereais em flocos, etc. E comia muito besteira, doce sorvete, chocolate, rocambole e outros quitutes da culinária mineira. E adorava bolo também, principalmente de chocolate e a broa de fubá. Não engordava pois gastava muita energia na escola e na rua.    

Quando comecei a necessitar realmente de café

    A minha relação com o café começou em uma firma onde trabalhava, por volta dos 22 anos de idade. De tardezinha a empresa fornecia um pãozinho com manteiga e café. Com o tempo percebi que ficava mais animadinho depois de tomar o grão moído dessa fruta. Sim, o café é uma fruta. É algo que a maioria toma todos os dias e não sabe que se trata de uma fruta.  E então passei a tomar várias xícaras por dia, pois sempre ficava uma garrafa cheia de café no escritório da firma. Acho que fazem isso de propósito, para os funcionários ficarem mais produtivos. 
    Não sei exatamente quando a esquizofrenia apareceu em minha vida. Acredito que ela sempre esteve comigo, desde a infância, devido ao meu jeito meio maluquinho de ser. Afinal esquizofrenia não é somente os surtos e aquela piração toda. Me lembro que quando tinha uns oito anos de idade minha avó me levou à um hospital para fazer um eletroencefalograma por talvez suspeitar que eu tivesse algum tipo de problema ou transtorno mental. Sempre fui muito bagunceiro, agitado e brincalhão,  tive uma fase um pouco agressiva na minha infância, acho que dos sete aos dez anos de idade.  Me lembro que fiquei com um medo danado quando a enfermeira colocou aquele monte de fiozinho na minha cabeça. Imaginava que aquilo tudo era o tratamento para a minha agitação e maluquices, que iriam dar uns choquezinhos na minha cabeça para que ela ficasse boa. Por falar em choque, confesso que tinha uma mania meio estranha de botar um monte de formiguinha em um recipiente de plástico com água e depois ligar dois fios desencapados na tomada e deixar no baldezinho, só para ver as formiguinhas se contorcendo. Vi isso em um livro que um outro menino maluquinho e meio perverso fazia. Mas, felizmente essa fase de serial killer de formiguinhas durou pouco tempo. Mas tudo que via na TV ou então lia nas revistas eu fazia. Não separava a ficção da realidade, para mim era tudo a mesma coisa.
     Tinha várias outras manias e maluquices, mas isso contarei em outra postagem. 
    -Não precisa ficar cerrando os dentes.-disse a enfermeira, com voz suave. Aquilo me acalmou um pouco, mas fiquei espantado como ela havia adivinhado que eu estava apertando meus dentes. Claro que hoje sei que tudo é mostrado nas ondas elétricas que aparecem na folha do eletroencefalograma.     Mas aquele teste provavelmente não havia detectado nada, pois não fui levado à nenhuma psicóloga e nem cheguei a tomar nenhuma medicação na infância. 
   A esquizofrenia sempre esteve comigo, mas os surtos vieram por volta dos 29 anos de idade. E os sintomas positivos me fizeram abandonar o serviço, a perambular pelas brs, a morar nas ruas etc... E ainda não era chegado a tomar um cafezinho com frequência, apesar de ser um bom mineiro comedor de pão de queijo. Mas, com o passar dos anos, os sintomas positivos parecem ter dado lugar aos sintomas negativos. Confesso que fiquei um pouco apático, não achando graça em coisas que achava engraçadas antes. Acho que os sintomas negativos  não tomaram conta totalmente de mim por ter sido uma pessoa muito emotiva, e por isso ter sobrado um pouco de emoção em meu coração. 


    A energia foi baixando, e, no início achava que era a idade chegando. Mas não era bem isso.Comecei a estudar a esquizofrenia e havia descoberto que não é somente aquela piração de ter que ficar amarrado em uma camisa de força. Sim, eu tinha muitos preconceitos antes dos surtos aparecerem. 
    Enfim, com os sintomas negativos passei a sentir a necessidade de tomar um cafezinho. E comecei a tomar toda manhãzinha e às vezes de tardinha. E passei a apreciar essa bebida saborosa e estimulante. 
Mas, para mim era estimulante demais. Ficava um pouco agitado, um pouquinho nervoso às vezes e acho que um pouco mais paranoico, talvez por aumentar demais os níveis de dopamina no meu cérebro. 
    Quando tomava um cafezinho e andava de bike ficava mais sensível as emoções e aventuras de acelerar no pedal e sentir o ventinho no rosto. E, para piorar ficava escutando heavy metal na maior altura nos fones de ouvidos! Bike, café e rock n roll!!! Afinal café é uma droga que altera o nosso comportamento. Já o sexo no meu caso não entra na clássica frase pois, depois que os surtos aparecerem
em minha vida nem confusão passei a arrumar. No meu caso é eu e minha bike Margarida mesmo, a nossa relação não é deste mundo. 
  
     Não acho que o café seja uma bebida maléfica, desde que seja tomada com moderação. E cada um 
tem o seu organismo, obviamente. No caso das pessoas com transtornos mentais essa deliciosa bebida pode não fazer bem. 
    Em primeiro lugar por que a maioria das pessoas psicóticas tem problemas relacionados ao sono. E sabemos a importância de uma boa noite nos braços do Morfeu para uma boa saúde mental. 
   Em segundo lugar, pelo fato de ficarmos mais agitados e nervosos mesmo.  E era o que estava acontecendo comigo, se bem que sou uma pessoa bem tranquila, pois consigo me manter calmo mesmo sem situações estressantes. Mas aquelas situações acabavam meio que tirando minhas energias. Passei a tomar chás na parte da noite para ter uma boa noite de sono. 
Mas isso não bastava. Teria que largar o café para não ficar dependente de algo para realizar certas tarefas e também me sentir melhor. Não sou de esbravejar, elevar o tom de voz ou partir para a briga. Quando estava nervoso o meu tom de voz era bem baixo, apenas falava algumas coisas, evitava certas situações e saía de certos lugares e situações que me estressavam.
     E fiquei cerca de três anos nesse vício tão gostoso. Era tão bom tomar no centro da cidade aquele cafezinho moído na hora! E o cheiro então! Um dos mais deliciosos que já senti.

                               Como foi o meu processo de descafeinação. 

    Simplesmente resolvi parar de uma vez. Parei de fazer o cafezinho matinal para acordar. Levantar da cama até que era fácil, o problema era acordar de verdade para fazer certas coisas. O meu dia começava depois de tomar o cafezinho. 
    No início da minha descafeinação fiquei e ainda estou meio lento. Os primeiros dias foram terríveis. Lerdeza, fraqueza, desânimo total. Raciocínio lento, mas estava mais tranquilo e em paz, não me estressando com coisas banais, nem com os vizinhos chatos que têm por aqui. Alguns falam somente sobre futebol e era meio complicado de ficar ouvindo aquela mesma conversa de anos. Mas agora é como se estivesse passando direto por um ouvido e saindo por outro. E tem aqueles que reclamam do tempo e outros que falam da vida alheia. E outros falam somente de política. Dizem que sou inteligente, mas na verdade apenas procurei em minha vida ouvir e estar perto de pessoas inteligentes antes da internet aparecer. Aprendi muita coisa observando pessoas inteligentes. Hoje, como bom antissocial que sou procuro aprender coisas positivas surfando na net mesmo, que é como a vida real, a gente escolhe o caminha a seguir. Na vida são os caminhos, na net são os endereços que digitamos nos navegadores. 
E ainda tem a facilidade de se bloquear pessoas inconvenientes com apenas dois cliques e está tudo resolvido. Simples né?


    Então as duas primeiras semanas foram terríveis. Muito lento mesmo. Mas aos poucos meu sono foi melhorando e  sinto que estou acordando melhor e com o raciocínio melhorando também. Acredito que isso também tem a ver com o biorritmo de cada um. Alguns funcionam bem de noite e outros já funcionam melhor de dia. 
    

Estou me sentindo muito bem sem o café 


    Mas, no geral, ficar sem café está trazendo resultados positivos, apesar de ser quase um sacrilégio para um bom mineiro. Já faz algum tempo que não tomo antipsicóticos, que diminuem muito a dopamina e quase que nos obriga a tomar vários cafezinhos por dia para ter ânimo de realizar alguma tarefa. 
     Estou tomando um cafezinho uma vez por semana, para jogar futebol no centro de convivência. Me deixa mais alerta e com rapidez para tomar as decisões e fazer as jogadas certas. 

Não me estressei com a atendente de telemarketing!

Estou me sentindo tão bem sem o café que hoje conversei com a atendente do cartão do meu cartão de crédito quase estourado para me explicar certos valores que não entendi como apareceram na lista de compras. 
A fatura quando a gente compra um produto e devolve é um pouco complicada de se entender. A gente paga 3 parcelas, a empresa faz um crédito no valor total do produto e aí as parcelas continuam aparecendo nas faturas seguintes. Não seria mais fácil devolver apenas as parcelas pagas e assim acabar com a novela?
    Pois bem, essa era uma das dúvidas que eu iria tirar. Após digitar o meu CPF três vezes, os últimos quatro números da minha conta, os quatro números da data do meu aniversário, e teclar as opções para falar sobre o cartão de crédito finalmente eu entrei para a fila de espera para falar com uma atendente. 
Até que não demorou muito, mas a musiquinha que somos obrigados a ouvir enquanto esperamos é muito chata e a qualidade do som, péssima. Deveriam colocar uma música clássica com uma qualidade de som melhor né?
    Para piorar foi uma complicação danada para me entender com a moça, pois não entendia como funcionava no cartão os valores a receber de uma mercadoria devolvida. Acessa a fatura atual, acessa a fatura anterior, aquele monte de número e informações na fatura, etc...
    E não é que não perdi a paciência? Conversei com a atendente numa boa e após um bom tempo entendi como funciona o esquema de valores na devolução de mercadorias. Concordo que as empresas devem dificultar um pouco essa devolução, se o valor for devolvido na hora na conta o que vai ter de gente "comprando" equipamentos para testar não é brincadeira. 
     E até conversei um pouco mais com a atendente. Só no final que errei na hora de dar a nota, pois a conversa foi um pouco cansativa e fui logo dando nota 5 cinco pensando que quanto mais alta melhor. Mas era o contrário, teria que teclar a opção 1, que seria a melhor avaliação para o atendimento, pois ela foi bem legal comigo. Mas ficou com a consciência pesada o resto do dia. Acho que atendente de telemarketing e de reclamações e informações deveria ser classificada como insalubre. Não aquela insalubridade da qualidade do ar e de outros fatores, seria uma insalubridade mental, afinal elas têm que aguentar muita coisa durante a jornada de trabalho. 
     Me lembro que por volta do ano de 2008 descarreguei minha raiva toda em uma atendente de telemarketing da operador de internet que havia contratado. Na época a velocidade era de míseros 150Kbps. Tinha que ter bastante paciência para abrir o orkut e outros sites. Mas, para piorar, na parte da tarde a velocidade caía bastante. E a justificativa era de que morava no centro da cidade. Enfim, o que já era ruim ficava ainda pior em boa parte do dia. Mas a atendente não tinha culpa nenhuma da situação. Enfim, a bomba estoura toda nas mãos das atendentes. 

  
Não estou me importando mais com as indiretas do facebook




    Até um pouco tempo atrás imaginava que qualquer crítica em uma postagem do face era diretamente direcionada à minha pessoa. Às vezes respondia, ás vezes ignorava e muitas vezes bloqueava o autor da postagem. Mas a verdade é que também esta rede social está se tornando uma rede cheia de pessoas santinhas julgando as outras e ditando o que é certo e o errado. Nem vai precisar de Deus no juízo final julgar as pessoas. As beatas do face  já o fizeram.
     Mas hoje passo direto nas postagens que são indiretas para alguém ou são apenas de pessoas que se acham melhores do que as outras e têm tempo de sobra para postagem lição de moral no face. Eu já tenho tempo de sobra é para postar meme mesmo. rsrsrsrs
    Se por acaso a indireta for realmente para a minha pessoa também passo direto, estou ficando cada vez mais tranquilo e zen. Nem preciso ser budista para ter a paz. 
    Hoje o face apenas é para curtir os memes, conversar com os poucos amigos que tenho, digo amigos conhecidos, pois adicionados tenho quase cinco mil. E também ver dicas de filmes na Netflix nos grupos. Não tenho Netflix, baixo torrent mesmo. É proibido, dizem que a polícia federal fica de olho, mas acho que eles deveriam ficar de olho em um monte de gente corrupta que tem por aí e estão à solta roubando à vontade. 

Até que não fui muito chato no futebol no centro de conviência!

   Essa foi a maior e mais agradável surpresa de todas! Não me estressei no futebol. Fiquei no gol apesar de ser um exímio artilheiro. Gosto também de evitar os gols. Acho que por ter os braços grandes consigo fazer boas defesas. Não me estressei no futebol, apenas sou um pouco chatinho para que meus colegas de equipe se dediquem na marcação adversária e se desloquem para receber a bola em boas condições e também confundir o adversário. Acho que seria um bom técnico de futebol. 

Considerações finais.

Devemos procurar outros meios de aumentar a dopamia

    Enfim, o cafezinho é uma excelente bebida, mas, para quem tem algum tipo de transtorno mental, ou de ansiedade, devem evitar essa maravilha e cheirosa bebida. 
    No meu caso em particular só está me fazendo bem, apesar da moleza inicial matinal e também por meu organismo estar viciado no aumento de dopamina que essa bebida proporciona. 
     E também pelo fato de ser um bom mineiro e adorar um pão de queijo é um cafezinho. O pão de queijo continuo apreciando, mas sem o cafezinho dá a sensação de que está faltando alguma coisa. É que nem goiabada com queijo, o tradicional romeu e julieta. 
    Ainda não pesquisei o preço do café descafeinado, se é tão bom como o original. Acredito que não, deve ser que nem cachaça descachaçada para quem gosta de tomar uma birita.