segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Pedalanças-Belo Horizonte à Belém do Pará-4º dia- Conhecendo a bela cidade de Três Marias

 Dias 17 e 18/07/2024
Descanso em Três Marias
O mar de Minas... 


        A noite foi de uma mansidão profunda. Mais tranquila do que em muitas vezes quando estava pagando aluguel. Dormi cedo e acordei por volta das três e meia. Meu celular estava descarregado e tive que perguntar as horas para o segurança do posto de gasolina. Não tinha a mínima ideia do horário, mas muitas vezes acordo neste horário. Dizem que acordar as mais ou menos nesse horário tem um significado espiritual.
     Não consegui voltar a dormir e fiquei ali, sentado na frente da barraca. Os funcionários do posto começam a chegar por volta das quatro e meia. O dia hoje será para comprar a manteiga de cacau e um manguito para proteger os braços, que foram um pouco castigados pelo sol. O que havia comprado pela internet ficaram um pouco curtos. 
    Fiquei no posto até às seis da manhã, quando o sol apareceu novamente no horizonte. Agora estou começando a conseguir a melhorar a organização da carga na bike e não perco muito tempo desmontando o acampamento. 
     Vou para o centro de Três Marias, uma pequena e simpática cidade por sinal. Não resisti e parei novamente para tomar mais um café. Quando estou em casa não tomo café de manhã, mas viajando... E também como um bolo e um doce, para variar. 
   Os funcionários da loja de bike foram super legais comigo. Além do tradicional cafezinho, não faltou o dedo de prosa. Aproveitei a manhã de folga e fiz algumas gambiarras para segurar o bauleto, que ainda estava  dando folga no parafuso do guidão. Estava muito perigoso pedalar nesta situação. Qualquer descuido em uma curva ou um movimento brusco posso  parar no meio da BR. 
    Comprei o manguito e uma garrafinha de água maior para suportar o calor, que não imaginei ser tão forte assim no inverno. Mas no cerrado mineiro é bem forte. Os funcionários da loja de bike sugeriram que eu descansasse na prainha, onde fica na verdade um imenso lago artificial das águas do Rio São Francisco.
    Como o meu tornozelo ainda está inchado, resolvo seguir a sugestão. Estava me sentindo orgulhoso de pedalar em um ritmo bom, mas a pedalança não é só correria, é também lazer e diversão, e, obviamente, descanso. 
Resultado de minha teimosia em subir a serra do Jacaré sem empurrar a bike...


      O meu GPS costumo dizer que são Gente e Pessoas Solicitas. E, perguntando daqui e dali chego à prainha. O visual é lindo mesmo, parecendo um mar de verdade. Fico alguns minutos apreciando o lago no alto, na entrada. 
    Havia espaço para camping, tudo muito bem organizado. Haviam poucas pessoas, boa parte andarilhos que montaram suas barracas e ficavam ali por alguns meses até o pessoal da prefeitura chegar e pedir que se retirassem. 
    E realmente o local tem tudo para a pessoa morar. A área para montar a barraca, tomadas, internet, banho, lagoa... 
     O almoço, claro, é peixe. Peixe com arroz, feijão e salada. Como é um ponto turístico, foi difícil encontrar um rango mais em conta. Aprender a cozinhar vai ser o meu próximo objetivo para tornar a viagem um pouco menos cara para o meu parco orçamento financeiro. Não gosto muito de lugares turísticos, por dois motivos: a muvuca e os preços. 
     O lago é realmente muito bonito, uma imensidão que lembra o mar, só faltando as ondas. Aproveito a boa infraestrutura do local e lavo minhas roupas. O restante do dia aproveito para descansar e tentar melhorar o inchaço do tornozelo. 
    Era um local tranquilo, perfeito para o descanso. Que delícia aquele visual, na sombra e na maior paz. Era uma folga merecida. Mas, de repente chega uma família de mais ou menos sete pessoas, com um cachorro pequenino. Ligaram o som na maior altura e começaram a conversar alto. A maioria estava chapada de cachaça e cerveja. 
    A noite chegou e não paravam de falar e beber. E assim foi até por volta das quatro da madrugada. Uma mulher ficou a noite inteira cantando. As outras pessoas que estavam acampando nas proximidades não reclamaram do barulho. E, como não queria confusão,  fiquei ouvindo aquilo tudo quietinho, dentro da minha barraca. Um pouco triste por ter sido tirada a minha paz e uma noite de sono. E ainda tive que ficar a mulher que estava cantando vomitar ate a alma de madrugada. Se fosse um adolescente tudo bem, mas a partir de uma certa idade já sabemos o quanto e como podemos beber... 
      Quando começo a pegar no sono, a família do barulho começa a desmontar o acampamento, por volta das seis da manhã. Todos com aquela cara de ressaca. 
      Também fiquei com cara de ressaca, mas de uma noite mal dormida....
  
Dia de descanso, para mim e para a Margarida. 

Dia 18

Enfim, paz no acampamento. 


     A minha intenção era ficar um dia apenas em Três Marias. Mas, como não havia dormido nada, e a família do barulho estava indo embora, resolvi ficar mais um dia, para conhecer o centro da cidade e descansar um pouco mais. 
    Com alguma dificuldade subo a serra do lago até o centro da cidade, com a intenção de comprar frutas, biscoitos e outras coisas mais para comer, pois no lago só vendem almoço, sorvetes e outras coisas bem caras para o meu orçamento de cicloviajante. 
    Almoço pelo centro da cidade mesmo, atraído pelo preço do marmitex: 11 reais! Mas, ali naquele lugar o marmitex grande seria o marmitex pequeno de outros lugares. E o marmitex pequeno teria que ser chamado de micro marmitex. Nessas minhas viagens, minha ansiedade diminui bastante, fico mais tranquilo, em paz com o restante do mundo. A paz interior tenho, mas quando estou no meu cantinho. 
    Cicloviajando fico bem comigo mesmo e isso reflete exteriormente, fico mais comunicativo e menos ansioso. Converso com estranhos, brinco às vezes e sorrio bastante. Acho que em um mês de pedalada converso mais do que em um ano quando estou dentro de casa. Essa paz me deixa menos ansioso e como pouco doce, não fico me empanturrando. Acho que se não fosse a violência e outras questões, seria um eterno viajante de bike, um pedarilho. 
Muitos famosos possuem casas no lago 


    Volto para a prainha, que está agora parecendo um paraíso. Silêncio quase que total Apenas ao fundo se ouve as vozes das pessoas conversando. E bem no fundo, alguém está ouvindo bem baixinho o disco "Música para acampamentos", do Legião Urbana. Aí sim estou me sentindo em um local para se acampar, nada daquele breganejo universitário da família do barulho da noite anterior. 
     E assim foi o restante da tarde e a noite. Paz e tranquilidade, o que todos buscam em um acampamento de verdade. 

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