26/07/2024Sobradinho à Planaltina-DFTornozelo detonado
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| Cidade de Sobradinho |
Felizmente o restante da noite ocorreu sem perturbações no posto de gasolina na entrada de Sobradinho. Só um cara que parou para conversar sobre a minha viagem. Estava cansado e um pouco desanimado, ficar pedalando em um trânsito intenso me cansa muito.
Depois do café sigo para o centro de Sobradinho, que é uma cidade bacana, bem limpa e com casas bonitas. O trânsito é de uma cidade média, mas sem stress. Acho que boa parte dos moradores trabalham em Brasília e procuraram um aluguel mais barato e um local mais tranquilo para morar. A cidade tem aspecto de cidade comum, ao contrário de Brasília. Tem padarias, lanchonetes, casas e barzinhos.
Tive que entrar em Sobradinho para comprar um pneu traseiro com cravos. O que estou usando até que ainda dá para usar, mas era um pneu liso. Nas Brs, tem muito "cabelo de robocop" que é o temido arame dos pneus de carretas que vai se desprendendo pelo caminho, principalmente pelo acostamento. Às vezes é o pneu que estoura mesmo, gerando um enorme estrondo, parecendo uma explosão. Por questões físicas, os pneus com cravos têm menos chances de pegar um arame.
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| o "cabelo de robocop"... |
Depois de umas voltas encontro uma loja de bike. O dono foi super gente boa comigo. Além de me dar conselhos, me ofereceu duas bermudas de ciclismo, e alguns sinalizadores, caso resolva pedalar de noite. Também me ofereceu também um cafezinho e um delicioso bolo de chocolate. Claro que não recusei.
Não havia me preparado o suficiente para esta viagem. A verdade é que a grana estava curta mesmo. Cartão de crédito e vários empréstimos impossibilitaram uma melhor preparação. Um dos motivos da viagem foi exatamente esse. Não estava conseguindo pagar o aluguel, que é sagrado para mim. Não gosto de atrasar, a primeira coisa que faço é separar o dinheiro do aluguel, o resto a gente vai dando um jeito. Então as bermudas que ganhei iriam me ajudar bastante, pois pedalar o dia inteiro com cuecas comuns me dão algumas ardências "analógicas". Às vezes na viagem a canela está indo bem, pedindo para continuar, mas a poupança está ardendo e então tenho que parar para aliviar um pouco o desconforto.
O pneu traseiro o dono fez um preço bacana pra mim.
Sigo pela BR cerca de 15km e chego à cidade de Planaltina. Acho que devia umas dez horas da manhã. Apesar do horário, resolvo parar e procurar ajuda, pois o meu tornozelo não havia melhorado e queria descansar também, pois três dias de trânsito intenso me cansaram um pouco.
Em Planaltina não existe uma prefeitura. Existe algo como se fosse um centro administrativo, onde fica o gabinete do prefeito, as assistentes sociais e demais serviços que uma prefeitura deve fornecer aos seus habitantes. Enfim, é uma prefeitura, só que em Planaltina não recebe este nome.
Não almocei, e fiquei ali até às quatro horas da tarde esperando a assistente social conseguir um local para que eu pudesse descansar, fazer a manutenção da bike e, também a minha manutenção no meu tornozelo detonado por subir a serra do Jacaré sem empurrar a bike.
O vigia me ofereceu um pão com mortadela, que também não recusei. Existe muita gente boa nesse Brasil, infelizmente os poderosos não são assim. Fiquei ali até as 17 horas, quando a assistente social encontrou finalmente um lugar para descansar. Era um centro de recuperação de dependentes químicos de uma igreja evangélica.
Apesar de não ter almoçado, pedalei rapidamente até o local indicado pela assistente social. Era um lugar simples, cercado pela natureza e com um bom espaço.
Haviam cerca de 20 internos ali. Alguns não eram dependentes químicos. Eram idosos, deficientes físicos.
Fui apresentado à alguns deles, conversei um pouco sobre a minha viagem, lavei algumas roupas, jantei e fui dormir, cansado.


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