sábado, 28 de julho de 2012

O tédio

   Minha vida anda tão monótona e sem graça depois da aposentadoria que estou pensando em fazer algo que me faz pensar se não estou tendo um pequeno princípio de um surto, sei lá. Ultimamente ando muito estressado com os vizinhos barulhentos que tenho. São vários noites mal dormidas, sem contar a apreensão, a incerteza se poderei ter o direito de ter uma boa noite de sono ou não.
    O vizinho costuma trocar a noite pelo dia. Não sou moralista, querendo dizer o que é certo ou errado, acho que cada um pode fazer o que quiser de sua vida, desde que não prejudique a dos outros. Essas noites mal dormidas me fizeram lembrar dos dias que dormi nas ruas durante o meu primeiro surto. Apesar de ser perigoso dormir na rua em Belo Horizonte, confesso que tive mais paz naqueles quatro meses em que estive na rua do que estou tendo agora. Lembro-me que só fui roubado uma vez enquanto estava dormindo, levaram todas as minhas latinhas de cerveja que tinha pegado nas ruas pra vender. Hoje, estou pagando aluguel e muitas noites não posso dormir direito. Confesso que sinto falta das amizades que fiz durante o meu primeiro surto. Claro que as amizades foram feitas depois que sai do surto, mas ainda estava tentando achar um lugar para trabalhar novamente, e contei com a ajuda de muitas pessoas. Me lembro que engordei vinte quilos em um mês. Não sei precisar com certeza quanto tempo fiquei sem me alimentar durante o surto, mas perdi 25 quilos, no mínimo, pois, no dia em que resolvi me pesar, já estava voltando a me alimentar normalmente, quer dizer, do jeito que dava, revirando o lixo de alguns restaurantes e padarias, e contando com a boa vontade das pessoas. A noite era mais fácil se alimentar, pois espíritas, evangélicos e católicos costumam sair em grupos para distribuírem sopa, pão, café e leite durante as noites e madrugadas para os moradores de rua. 
    Isso me fez pensar em reviver tudo o que passei no primeiro surto. Estou pensando em voltar para as ruas. Mas, acalmem-se, é só por uns vinte dias, para registrar com uma câmera tudo o que passei e também para mostrar como é a vida de um morador de rua. Eu vi isso em um blog chamado paz na pista e estou pensando em fazer isso. Levarei apenas uma câmera fotográfica, um chinelo, algumas roupas, um cobertor, e outras pequenas coisas. Chego a me questionar se estou tendo um principio de surto por causa do stress causado pelas noites mal dormidas ou se é uma tentativa de escapar do tédio que domina minha vida atual. Sei que seria interessante registar e relembrar todos os lugares em que passei em Belo Horizonte e reviver essa aventura, só que agora estarei consciente, e talvez, com medo de estar nas ruas e ser assaltado, agredido, etc. Infelizmente, muitos casos de agressão a moradores de rua são registrados em Belo Horizonte, sendo que muitas vezes são brigas entre os próprios moradores de rua. 
    Creio que não conseguirei dormir com tanta tranquilidade nas ruas estando estabilizado. Acho que estar fora da realidade nos faz deixar de pensar em um monte de coisas. Se eu voltar a dormir nas ruas por vinte dias, terei que me preocupar em não ser roubado, terei que esconder bem o meu dinheiro e a câmera fotográfica durante a noite, mas esse perigo de alguma forma me fascina. Acho que esses anos entediantes estão me deixando mais maluco ainda, sei lá. 
     Penso em frequentar todos os lugares que fui durante o período em que estive nas ruas de Belo Horizonte, e não sei como será a reação dos moradores de rua ao saberem que estou apenas registrando e relembrando os momentos que tive durante meu primeiro surto. Não sei se irão gostar de serem filmados. Pensei em ir sem dinheiro algum, para tornar a experiência mais verdadeira ainda. Mas, pensando bem, não seria uma boa ideia, pois com certeza os outros moradores de rua iriam achar estranho um morador de rua com uma câmera fotográfica. 
    Também não sei como será a reação dos catadores de material de lixo reciclável. Eles não gostam de moradores de rua que não trabalham. Enfim, não sei o que espera por mim. Pretendo esperar o inverno passar para voltar de novo essa aventura, só que agora, de uma forma consciente. 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

É justo isso?


    Alguns atores estão fazendo campanha para descriminalizar as drogas. Mas ai pergunto? Quem vai comercializar as drogas? Os traficantes irão continuar ganhando com isso? Se for para comercializar, antes decidam essa questão também. Não estou querendo dar uma de moralista, não estou condenando quem usa a maconha, mas é fato que os usuários é que fortalecem e enriquecem os traficantes. Então, antes de discutirem se devem ou não descriminalizarem as drogas, pensem em quem vai comercializar esse produto. 
Essa pm morreu por que traficantes conseguem comprar armas poderosas, e com dinheiro de quem eles compram esses armamentos? Acho que deveriam ensinar as pessoas a plantarem isso, acho que talvez isso enfraqueceria os traficantes e diminuiria a violência.



sexta-feira, 20 de julho de 2012

Eu que sou doido?

  
tenho minhas maluquices, mas não prejudico ninguém... 


  A cada dia que passa, ao ler os noticiários, me sinto cada vez mais uma pessoa normal. Desta vez foi o ator Marcelo Faria que me surpreendeu. Sinceramente nunca pensei que o Marcelo "faria" uma coisa dessas. 
    Ele, ao não conseguir entrar na área vip em um show, simplesmente ficou nervosinho e quebrou uma garrafa no segurança, que levou seis pontos na cabeça. Olhem na integra a matéria.

Testemunha afirma que ator Marcelo Faria agrediu segurança no Rio de Janeiro

  " Tudo aconteceu na noite de quarta-feira (18), no lançamento do CD do cantor Rogê, porque o segurança Luciano Serafim não permitiu que Marcelo entrasse na área VIP sem autorização.
"O ator insistiu, nitidamente alterado, e passou a ofender o segurança e dar aquelas carteiradas típicas de um comportamento que nos envergonha e lembra que o Brasil é ainda um país escroto e de escrotos", disse a testemunha.
Como nada mudou, Marcelo se irritou, começou a brigar com o segurança e deu uma garrafada na testa de Luciano. O segurança precisou levar seis pontos e está em repouso em casa, sem poder trabalhar.
Acha que acabou? A testemunha ainda conta que Marcelo tentou abafar o caso. "O ator fugiu da casa de shows, esgueirando-se como um ratinho. E depois ficou mandando mensagens pro amigo dele, o cantor do show, e pra sua produtora, pedindo pelo amor de deus que abafassem o caso", disse.
O incidente foi parar na Polícia Civil do Rio. Procurada pela coluna "Retratos da Vida" do "Extra", a assessoria do ator confirmou a agressão e informou que Marcelo prestará toda a assistência necessária ao segurança."

A casa de shows divulgou um comunicado oficial sobre o ocorrido, em apoio ao segurança:
"Ontem, durante o show do cantor Rogê, na Miranda, espaço multicultural localizado dentro do Complexo Lagoon, no Rio de Janeiro, o ator Marcelo Faria agrediu um segurança da casa porque foi impedido de entrar na área reservada às pessoas que compraram ingressos de mesa. O espaço permite uma configuração mista onde pessoas podem comprar ingressos para mesa ou pista. O ingresso de Marcelo Faria era de pista e ele insistiu em entrar na área reservada às mesas. O segurança, cumprindo sua obrigação, impediu a entrada do mesmo gerando a agressão. A empresa RIO MAIOR atende a Miranda e presta serviços de segurança terceirizados. A direção da RIO MAIOR SEGURANÇA já está tomando as medidas cabíveis e de praxe e a Miranda apoiará a empresa com todas as informações que forem necessárias."
    O próprio segurança afirma que o Marcelo Faria não é gente:
  
Agora imaginem se fosse eu ou um outro portador de esquizofrenia que tivesse agredido o segurança? Aonde estaríamos neste momento? Na cadeia ou em um manicômio? Provavelmente iriam dizer que não podemos conviver com a sociedade, que representamos algum tipo de perigo para outras pessoas. A imprensa adora quando alguma pessoa com transtorno mental comete um deslize. Já no caso dos famosos a imprensa também adora, mas nada acontece, tudo fica como está. 
        E o que irá acontecer com o Marcelo Faria? Provavelmente nada, pelo simples fato de ser famoso e ter uma boa condição financeira. Se ele pagar uma multa ou ir à delegacia prestar depoimento já vai ser muito nesse país em que vivemos. Algumas vezes admiro os Estados Unidos que punem os famosos. O cara pode ser o que for lá, mas, se dirigir bêbado, por exemplo, pode até ser preso e prestar serviços comunitários. 
a socialite Paris Hilton prestando serviços comunitários....

     Queria deixar bem claro que não sou um santo, algumas coisas me tiram do sério. O desrespeito é uma delas. Acho uma total falta de respeito uma pessoa que atrapalha o sono de outra pessoa. Moro em uma quitinete, os quartos são bem próximos uns dos outros. O vizinho costuma trocar o dia pela noite, e ele acha que eu também tenho que ficar acordado, fazendo churrascos e bebendo durante a madrugada com os amigos. Mas sempre procurei resolver essa e outras situações na base do diálogo. Nunca cheguei a alterar minha voz para resolver esses problemas que são comuns em "apertamentos". 
    Uma outra situação que me tira do sério é o atendimento dos serviços que contratamos, como internet, tv a cabo, telefonia, etc. Na hora de contratar o serviço somos atendidos rapidamente e com total cordialidade. Mas, quando tentamos reclamar ou conversar com o setor técnico para resolver algum problema... Haja paciência para escutar aquelas musiquinhas irritantes. Até que essa semana o pessoal da internet teve bom gosto ao colocar algumas músicas da Enya, enquanto eu esperava para tentar solucionar o problema. 
     Mas, nem mesmo a música da Enya conseguiu me acalmar naquele momento. Haviam me prometido uma melhora na velocidade para que eu não cancelasse o serviço, mas o que ocorreu foi justamente o contrário. Agora estou preso por um ano por ter feito um novo plano. Confesso que perdi a paciência por não ser bem atendido e cheguei a xingar as atendentes, mas hoje estou totalmente arrependido disso. Sei que elas não têm nada a haver com a situação. Nada justifica uma ofensa verbal a quem quer que seja. 
   Essa é uma das poucas situações que me conseguem tirar do sério. No geral, sou uma pessoa supertranquila e, a cada dia que passa, ao ler os noticiários, vou me sentindo cada vez mais uma pessoa normal, um pacato cidadão. 


quarta-feira, 18 de julho de 2012

Sons: do inferno ao paraíso

    Ontem estava tranquilamente no posto de saúde, tentando conversar com a assistente social, para conseguir uma pomada não muito barata para tirar a mancha roxa que teima em não sair da região dos meus olhos. Acho que ela apareceu por que inventei de passar o prestobarba nas pálpebras na hora de fazer a barba, pois tenho alguns pelos nessa região. Essa área já é um pouco sensível e ficou ainda mais irritadiça quando fui usar a água sanitária para lavar o banheiro. 
    Estava tudo calmo e tranquilo no posto, até dava para ouvir o cantar dos pássaros no telhado. Aliás, pardal canta ou pia? Então, aos poucos mais pessoas foram chegando e logo o posto ficou praticamente lotado. O burburinho das pessoas conversando ia aumentando gradativamente. Uma mulher sentou-se ao meu lado esquerdo e imediatamente começou a conversar com a que estava do meu lado direito, como se eu não existisse. Eu, no meio, já estava ficando irritado ao ficar no meio daquela conversa, e o assunto era o mais discutido em um posto de saúde: doença. Será por que as pessoas não encontram outro assunto para se falar em um posto de saúde sem ser doença? Não estava me sentindo nada confortável com aquela situação e, tentando mostrar educação e cordialidade, pedi  para que as duas se sentassem uma ao lado da outra, antes que eu ficasse doente de tanto ouvir falar em moléstias... 
    Coloquei o meu fone de ouvido, não com intenção de escutar música, pois a assistente social poderia me chamar a qualquer momento. Era mais uma tentativa de proteger o meu ouvido e a minha mente de toda aquela confusão. O burburinho rapidamente tinha se transformado em uma torre de babel. A acústica do local ajuda na multiplicação das vozes e a sensação era de que havia milhares de pessoas conversando ao mesmo tempo em línguas diferentes. Pensei em ir embora, mas desisti da ideia, queria resolver a "rouxidão" dos olhos  mais dia menos dia, pois estou parecendo um urso panda com insônia. 
    Olhei para a direita, e não havia mais do que trinta pessoas conversando, a maioria mulheres, à espera da consulta com o médico. Na recepção, apenas a secretária e mais duas atendentes. Na esquerda, cerca de dez pessoas esperavam sentadas o atendimento. Cheguei a  observar os lábios de quase todas as pessoas que estavam no posto, para ver o movimento da fala, e pude perceber que a maioria estava calada. Cheguei a me perguntar de onde vinham tantas vozes, se estava enlouquecendo. Fui ficando um pouco irritado e, para o meu desespero, o sistema estava fora do ar. Para desabafar, disse, em tom de brincadeira:
    - Tem um tempão que "tô" tentando resolver essa mancha no meu rosto e não consigo. Se demorar muito e eu ficar com essa mancha roxa para sempre, o prefeito também vai ficar com umas manchinhas no olho também. A diferença é que ele vai saber o motivo das manchas, e eu, até hoje não sei. 
    As pessoas que estavam na fila riram. Aquilo também funcionou como um desabafo, uma forma de protesto contra o atual prefeito da cidade onde moro, pois o atendimento na área da saúde piorou de uma forma drástica, sem contar outros serviços que foram fechados. A associação que frequento para portadores de transtornos mentais está prestes a ser despejada, pois a prefeitura não disponibiliza o auxílio mensal a um bom tempo e o aluguel está atrasado. 
    A cada minuto que se passava ficava cada vez mais confuso e cheguei a me perguntar se aquilo era uma alucinação auditiva. Pensei em tomar um diazepan, mas logo a irritação deu lugar a uma tonteira e um cansaço mental, os músculos de minha face e testa estavam tensos e rígidos. Resolvi dar uma saída, para dar uma respirada e ouvir um pouco o som do silêncio, aproveitando que o sistema ainda estava fora do ar. 
    Até então estava bem disposto naquele dia, mas o cansaço mental provocado por aquela situação me deixou um pouco sem energia. Com o cérebro mais oxigenado, percebi que não foi uma alucinação. Como já disse, a acústica do local reverbera um pouco as vozes e as multiplicam, causando toda aquela confusão. Ou então é o pessoal que frequenta o posto de saúde que gosta de prosear mesmo. 
    Não sei se é por causa da idade ou do transtorno, mas estou mais sensível aos sons. A sensação é de que, ao invés de perder a audição com o tempo, estou ouvindo cada vez melhor, como se fosse um cachorro. Os sons agudos, em especial, me irritam profundamente. Sempre quando me irrito com algum som, observo a reação das pessoas ao meu redor para notar se elas também tiveram a mesma reação. E geralmente elas estão com um semblante sereno, sinal de o som não está tão irritante assim. Lembro-me que, na época em que trabalhava como operador de som, quase nunca colocava microfone nos pratos da bateria, simplesmente por detestar o som que eles produziam. Ficava com a sensação de aquele som entrava direto no meu cérebro. Também ficava receoso quando a banda tinha instrumentos de sopro. Sempre deixava sax, trombones e outros com o volume mais baixo. E também diminui as frequências médias e agudas no equalizador. Enfim, essa alta sensibilidade atrapalhava um pouco a minha mixagem do som. Vozes femininas muito agudas também me incomodava um pouco. 
frequências médias e altas(agudas)

      Mas, da mesma maneira que me deixam irritado, os sons possuem  a capacidade de me fazer relaxar profundamente e sonhar acordado também. A música consegue fazer coisas maravilhosas, alterando o estado de ânimo das pessoas. Algumas pessoas chegam a usar a música para fazer em suas caminhadas, sentindo-se impulsionadas a correrem, de acordo com o ritmo do som que estão ouvido. No meu caso particular prefiro o rock pesado, o som visceral das guitarras elétricos me deixa um pouco "energizado". 
    Algumas músicas, dependendo do meu estado de espírito, me fazem sonhar acordado. É só fechar os olhos, me deitar e deixar que meus pensamentos façam o resto. Afinal, sonhar não custa nada, e o sonho pode ser tão real. Como diz a música da escola de samba Mocidade Independente:

"Deixe sua mente vagar

não custa nada sonhar

viajar nos braços do infinito

onde tudo é mais bonito

nesse mundo de ilusão."
        Não gosto muito de samba, mas essa música é daquelas que ficam gravadas na cabeça da gente.
     Já outras músicas me ajudam muito na questão da esquizofrenia. São as músicas tranquilas, calmas, que tem o dom de nos relaxar. Particularmente ouço muito Yanni, música clássica, piano, etc.
    Já as músicas românticas me fazem pensar em mulheres Sonho com uma mulher que costumo idealizar, mesmo sabendo que ela não existe e que nunca vai aparecer em minha vida. Eu sei que isso é coisa de mulher mesmo, mas os homens também pensam nisso, mas gostamos de dar uma de durões mesmo e não falamos nada a respeito. Sou apaixonado por essa mulher que não conheço e que sei que não vou conhecer, simplesmente por que ela não existe. Já quebrei a cara algumas vezes por projetá-la em algumas mulheres. Sonho com mulheres, mas não são sonhos eróticos. Na maioria das vezes, estamos em meio a natureza, na praia, ou em algum outro lugar além do horizonte, sempre sorrindo e rindo de tudo. (hoje tô romântico!)
     Quando estou meio cansado deste mundo ouço outros sons, e geralmente viajo para mundos bem melhores do que esse que estamos vivendo. Um mundo sem violência, sem inveja, sem neuroses, paranoias... 
    A música também me ajuda na questão das vozes, que ainda teimam em me incomodar. Elas aparecem com mais intensidade quando estou surtado, no restante uma vez ou outra ela dá ao ar de sua graça. Mas, para evitar que ela me incomode tanto quando sai nas ruas, uso o fone de ouvido e ouço as músicas no celular com o volume no máximo. Quando estou na bike procuro achar um volume que dê para ouvir o som dos veículos mas que dê para me desligar um pouco desse mundo. 
                                        
    Voltando ao assunto, não posso dizer com certeza se isso é um sintoma ou característica da esquizofrenia, mas, após os surtos, cheguei a conclusão de que os sons tiveram uma dimensão maior em minha vida, tanto para o lado positivo(música, sons da natureza), como para o lado negativo(sons irritantes).
    Gostaria de saber se quem tem esquizofrenia também tem essa aversão à sons irritantes e agudos. Não achei nada sobre esse assunto em minhas pesquisas. Claro que isso pode ocorrer com qualquer pessoa, ainda mais se forem de uma certa idade, mas sinto que as coisas para mim pioraram nesse sentido depois dos surtos.
    Vocês, portadores, tem problemas em relação aos sons?
    E, vocês, profissionais da área de saúde mental, notaram se os pacientes se queixam muito sobre os sons?


    
    
    

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Transtornos psiquiátricos- Programa A liga, da Band

    Resolvi postar esse vídeo, pois fiquei surpreso ao ver que existem hospitais que tratam de uma forma mais humanizada e com respeito os portadores de transtornos mentais. Infelizmente ficam gravadas na mente aquelas imagens da maioria dos hospitais psiquiátricos que vemos por ai em alguns documentários: pacientes mal tratados, nus, magros e abandonados à própria sorte.
 Achei legal também a participação do músico Lobão, que também se divertiu bastante com a entrevista, tocando até bateria no baile em um hospital psiquiátrico.
    Não estou afirmando que sou a favor ou não de hospitais psiquiátricos, mas, acho que, em algumas situações é a única solução possível, já que, infelizmente, muitos familiares abandonam os portadores por não saberem lidar com o transtorno. Também devemos nos colocar no lugar dos familiares, deve ser muito difícil e doloroso de se lidar com um parente em crise e que esteja apresentando sinais de agressividade.


    Também achei interessante postar sobre esse programa da Band, A liga, afinal devemos também dizer que existem bons programas na tv aberta. Hoje em dia as pessoas estão criticando demais à tudo e a todos, mas esquecem que ainda existem coisas boas para se fazer e ver.
    Não posso opinar muito sobre hospitais psiquiátricos, pois, apesar de ter surtado algumas vezes, não cheguei a ser internado, talvez por não ser agressivo ou demonstrar através da fala ou gestos que que estava fora da realidade naqueles momentos.  Nessas situações, a minha principal reação era apenas fugir dos meus inimigos imaginários. Claro que algumas pessoas souberam que eu não estava bem, mas não chegaram a me internar. E, pelo que ouço dizer da maioria dos hospitais psiquiátricos, fico me perguntando se talvez seria melhor ter sido internado do que ficar alguns meses nas ruas de Belo Horizonte até conseguir me recuperar, com a ajuda de muitas pessoas que encontrei pelo caminho. Acredito que o principal remédio contra a esquizofrenia para mim no primeiro surto foi a solidariedade das pessoas. Claro que cheguei a ser hostilizado, mas, na maioria das vezes, fui muito bem recebido e devo minha recuperação, em grande parte, as pessoas que me ajudaram em Belo Horizonte e em Ipatinga. Não irei dizer o nome dessas pessoas, pois, além de serem muitas, não quero correr o risco de cometer alguma injustiça.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Esquizofrenia: Falar ou não falar?

    Não me recordo exatamente a data, mas deveria ser final do ano de 2004 ou então início de 2005, quando minhas dúvidas sobre o que eu tinha foram finalmente desvendadas. Meu primeiro surto ocorreu em 2002 e, durante esse período, apesar das inúmeras visitas aos psiquiatras e psicólogas, não tinha a menor ideia da causa de minhas paranoias e alucinações. Aliás, ainda nem sabia se eram paranoias e alucinações mesmo,  pois na época  para mim tudo aquilo era verdadeiro e cheguei a pensar que meu problema poderia ser espiritual, chegando a conversar com alguns pastores e a frequentar igrejas evangélicas. 
    Fico me perguntando se os psicólogos ou psiquiatras têm algum receio de contar o diagnóstico para certos pacientes, com medo de que estes não o aceitem e que a situação piore. O nome esquizofrenia carrega um estigma muito forte e acredito que pode sim piorar as coisas na cabeça de algumas pessoas. Mas, sinceramente, acho pior ainda a falta de informação. Os médicos não informam que uma pessoa está com um câncer incurável? Acho que os profissionais da área de saúde mental devem repensar o assunto, formulando algo parecido como uma cartilha para esquizofrênicos e estudar uma forma de como abordar o assunto com o portador. As dúvidas e medos podem fazem sofrer muito mais do que um simples diagnóstico, por pior que ele possa parecer. Se a pessoa tem um problema do coração ela não é informada sobre isso pelo médico? O mesmo não lhe dá recomendações de como se lidar com o problema, como evitar  frituras, e ter hábitos mais saudáveis? Por que não se pode aplicar isso na esquizofrenia?
    No meu caso foram três anos entre o primeiro surto até descobrir que o que eu tinha era esquizofrenia. Foram anos de muitos questionamentos, dúvidas, sofrimento e medo. E o pior medo que a pessoa pode ter é o do desconhecido. Além de pensar que pudesse ser um problema de ordem espiritual, cheguei a me questionar se não tinha um caso grave de retardo mental, mas logo descartei essa hipótese, ao rever minha vida escolar e chegar a conclusão que sempre fui um bom aluno, apesar de não gostar de estudar e nem sempre tirar boas notas. Lembro-me que, nas inúmeras conversas com os psicólogos, nunca ouvira a palavra esquizofrenia. Elas apenas perguntavam se eu estava bem. Também anotavam algumas coisas durante a entrevista, talvez para passarem para o psiquiatra. Mas, esclarecimento sobre a patologia, nunca ouvi de um profissional da área de saúde até o ano de 2005. 
   Na verdade, a única ocasião em que tive contato com a palavra esquizofrenia ocorreu por volta dos 16 anos, ao ver a capa do disco da banda Sepultura. O disco se chamava schizophrenia e trazia na capa uma pessoa amarrada com uma camisa de força. 
    Desde então associei esquizofrenia com loucura e agressividade. Não me achava um louco, e tampouco agressivo. Apenas me achava um pouco diferente dos meus colegas e um cara um pouco tímido, não havendo razões para que eu fosse amarrado em uma camisa de força. Afinal,  nunca havia atirado pedras em ninguém e também nunca havia rasgado dinheiro. 
    Voltando ao início do texto, no ano de 2005, fiquei finalmente sabendo o que eu tinha quando fui fazer a minha primeira perícia no INSS. Já não estava mais trabalhando e tinha ido para a rua novamente, porém desta vez fui levado para um albergue para moradores de rua. Tinha acabado de receber do psiquiatra o laudo para a perícia e, ao lê-lo, fiquei sabendo que o que eu tinha era a tal da esquizofrenia paranoide, e entre parenteses, estava o código F-20.  
    Ao voltar para o albergue, resolvi antes dar uma passada na biblioteca municipal, pois naquela época ainda não sabia usar um computador. 
    Caminhei então até a estante dos livros de psicologia, e encontrei um grosso livro, meio grená com vermelho, não me recordo bem a cor, mas vi que se tratava do tal CID, o código internacional de doenças. Como bom hipocondríaco que me tornei, dei uma boa viajada naquelas páginas que falavam sobre doenças, e pude constatar, pelo vocabulário e pelos termos, que aquele cid não era o atual.
  Consegui achar o F-20 e então comecei a ler e a refletir sobre os sintomas da doença com código de modelo de caminhonete. Não me lembro de todos eles hoje, pois o cid muda com o tempo, mas recordo que a maioria dos sintomas batia com o que eu havia sentido durante boa parte de minha vida e principalmente nos surtos. Finalmente havia encontrado a resposta para tantas dúvidas e medos que eu tinha naquela época. Eu era um esquizofrênico! Um nome assustador, confesso, mas na hora não fiquei revoltado, não sai quebrando tudo que via pela frente. Aliás, a sensação era mais de alívio do que de qualquer outra coisa. Estava encontrando respostas para muitas questões que me acompanharam durante vários anos de minha vida.     
   Fiz uma longa análise do meu passado revendo meu comportamento e atitudes e encontrei respostas para todas elas. O fato de ser um cara retraído, de ter poucas amizades, de falar pouco e de quase não sair de casa se devia ao fato de pensar que a maioria das pessoas me detestavam. De fato eu era meio “louquinho”, mas um cara até certo ponto engraçado, meio sem querer, mas era.  Muitas vezes cheguei a fingir que estava bêbado, somente para ter uma justificativa para dar vazão à toda maluquice que se escondia atrás de um adolescente tímido.

       Depois da análise, confesso que fiquei um pouco abatido, pois havia descoberto também que o meu comportamento retraído me atrapalhou e muito na minha vida profissional. Poderia ter continuado a estudar eletrônica, ao invés de trabalhar no ramo de sonorização. Mas me sentia bem com a informalidade que existia naquele ramo, não precisava de ser uma pessoa tão comunicativa como em outras áreas. Poderia ser eu mesmo, sem disfarces. Poderia até nem ter desencadeado os surtos, se estivesse trabalhando em uma área menos estressante. Trabalhar com som exige muito esforço físico se a pessoa trabalha em uma firma e não em uma banda. Sem contar as inúmeras noites acordado emendadas com os dias seguintes. Era um tal de montar, desmontar, viajar, montar o som novamente. Acho que poderia estar em uma melhor situação financeira se não fosse tão retraído. Poderia ter aprendido a dirigir, ter aceitado a fazer os estágios que me foram oferecidos durante o curso e ter seguido uma carreira diferente.


    Infelizmente nasci com esse transtorno e minha família não era bem estruturada. Não discutíamos, mas também não havia diálogo. Lembro-me que, por volta dos sete anos, cheguei a fazer um eletroencefalograma que, provavelmente não acusou nada de anormal, pois não cheguei a ser levado à nenhuma psicóloga na época. Minha avó nessa época já desconfiava que havia algo de errado comigo, me lembro que muitas vezes ele chegava para mim e perguntava o que eu tinha. Eu não respondia nada, apenas ficava pensando também sobre o que eu poderia ter. Se hoje a esquizofrenia ainda é pouco conhecida, imagine a 35 anos atrás.
    Após a descoberta, fiquei um bom tempo refletindo se minha vida teria tomado um rumo diferente se eu fosse diagnosticado à tempo. Isso talvez possa servir de alerta para muitos pais, que muitas vezes confundem algum transtorno com coisas de "aborrecentes" e acham que depois esses comportamentos podem passar. Acho que, com uma família bem estruturada em que haja diálogo isso pode ser descoberto a tempo.
    Mas chega de lamentações. Claro que também existe o lado positivo nisso tudo. Trabalhando no ramo de sonorização, conheci muitos lugares e pessoas bacanas. Tive muitos momentos felizes. Conheci muitas garotas por todo o Brasil e as amizades que fiz trabalhando nesse ramo me fazem lembrar que tudo tem o seu lado positivo. As pessoas gostavam do meu jeito maluquinho de ser e fico feliz relembrando os bons momentos que tive trabalhando nessa área. Me lembro que, no meu primeiro emprego, não fui mandado embora nos primeiros dias e trabalhei durante sete meses por que o pessoal gostava do meu jeito engraçado de falar e de brincar com as coisas, apesar de não levar jeito para trabalhar na área de mecânica, que era o da firma onde tive meu primeiro emprego.
    Mas, no geral, acho que tudo o que vivi valeu a pena e fui um cara feliz. Como diz a música do Raul Seixas:
"Esse caminho que eu mesmo escolhi
  É tão fácil seguir
 Por não ter onde ir..."
    Poderia ter tido a consciência de minha maluquice(natural mesmo, nunca fui de usar drogas) quando criança e ter sido um cara certinho, trabalhado em uma empresa no ramo de eletrônica, tendo folgas nos fins de semana para ir ao zoológico dar pipocas aos macacos, ter casado, ter filhos(mais maluquinhos?), enfim fazer o que a maioria das pessoas fazem o que acham  que é o normal. Mas quem poderia me garantir que eu seria feliz assim? Esta é a fórmula da felicidade?  


    Lembro-me que, por volta dos sete anos(minha memória fotográfica é ótima) vi em um corcel bege, um decalque com a seguinte frase:
- "Mi sonho és ser libre como el pássaro."
     Sempre gostei da língua espanhola, gosto de ouvir uma mulher falando essa língua. Às vezes fico até conversando com a tradutora do google. rsrsrsrs
    Mas, desde então aquela frase ficou marcada em minha cabeça. Havia momentos em que eu queria fugir de tudo e de todos, sair voando por ai, sem destino e sem ter que dar satisfações para ninguém. Ás vezes hoje me pergunto se de alguma forma esse desejo em parte não foi concretizado. 
Claro que não sou uma pessoa feliz por ter me aposentado tão cedo, mas sinto uma sensação de liberdade hoje que nunca havia experimentado antes. Não me sinto escravo de pessoas e de algumas situações, me sinto escravo um pouco de minhas paranoias e outros pensamentos, mas hoje posso fechar meus olhos a hora em que eu quiser e voar para onde desejar, como o pássaro que vi no decalque do corcel bege. 
    
    

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Rotina esquizofrênica

    Ontem, após sair de uma consulta com o dermatologista, "a voz" novamente voltou a me incomodar, após longo tempo em que esteve calada. Como relatei em um post anterior, atualmente não tenho mais surtos, porém a mania de perseguição e algumas pequenas paranoias ainda me incomodam um pouco. Acho que estou mais na fase dos sintomas negativos, que é a apatia, o desânimo, a falta de energia, etc. Acho que já passei da fase dos sintomas positivos, que são os surtos e as alucinações. Aliás, alguém poderia me dizer quem classificou como positivas essas  alucinações? Creio que, antes de ter o meu primeiro surto, havia uma parte legal nessa loucura toda,  mas falarei sobre isso em uma próxima oportunidade...
    Voltando ao assunto, estava voltando para casa quando, ao avistar duas mulheres a aproximadamente quarenta metros de mim, ouvi o seguinte comentário:
    - Até que ele é "bunitinho"...
    A voz soou tão nítida em minha mente que no momento nem sequer cogitei que poderia se tratar de uma pequena alucinação auditiva. Fiquei bastante chateado com aquela situação ao voltar no tempo e me recordar de uma época em que morava em uma outra cidade em que realmente era uma pessoa muito comentada.
    " O que as pessoas têm a haver se eu sou bonito ou feio, ou se estou gordo ou magro?". Foram as perguntas que ficaram ressonando em minha cabeça.
    Então peguei meu celular, coloquei os fones de ouvido e botei para tocar uma seleção de músicas do Yanni para relaxar e não prestar muita atenção aos comentários. Aliás, meu celular funciona mais como um tocador de mp3 do que propriamente um telefone mesmo. Se, por acaso um dia ele receber créditos, vai acabar ocorrendo um caso de rejeição, pois o pobrezinho não sabe o  que é isso até hoje..
    Esta música do vídeo embaixo é uma das minhas preferidas do Yanni. Quem ainda não ouviu esse cara vale a pena conferir. Ele é um músico grego e de primeira. E o cara é autodidata! Se aprender música com um bom professor já é difícil, imaginem sozinho. Mas acho que esse cara tem o dom, as músicas dele me acalmam e me fazem relaxar. Muita gente deve pensar até que sou empresário do cara, ou sou pago para divulgar o trabalho dele, mas é que eu gosto muito desse tipo de som, me faz muito bem mesmo.
    Tive que ir ao dermatologista, pois estou com uma mancha roxa no rosto, abaixo do olho esquerdo, mas que não foi provocada por uma pancada. Ele me disse que poderia ser algum tipo de intoxicação. E essa simples palavra foi o suficiente para acender o pavio de uma dinamite que são as minhas paranoias, e cabe a mim, com minhas análises e reflexões, apagar o pavio antes que o fogo chegue até a dinamite.
    "Quem me envenenou?". Essa foi a primeira pergunta que me fiz. No mesmo instante, uma lista com os prováveis "envenenadores" surgiu em minha mente. Como um detetive em busca da solução de um crime começo a fazer a análise da situação. Penso então no cara da lanchonete onde costumo comer um delicioso pudim de leite e outros quitutes da culinária mineira. Fico me perguntando se ele seria capaz de fazer tal maldade com um cliente:
    - "Ele tem cara de ser gente boa, acho que não foi ele não.... Mas, as aparências enganam, tanta mulher com cara de anjo que mata gente, esse cara não iria fazer isso? Bem, após uma longa análise, o tiro da lista, por ele sempre ter me atendido bem.
    Então outro suspeito aparece na lista: o suco que ás vezes tomo no restaurante popular. Chego então a pensar que a empresa que presta serviço para a prefeitura quer me eliminar, pois sempre questiono com algumas pessoas se a comida do estabelecimento não contém um conservante chamado nitro, que muitos dizem que alguns restaurantes o usam. Não tenho certeza, mas acho que esse conservante foi proibido, por ser prejudicial à saúde. Depois pesquisem no google "nitro na comida".
    Analisando cautelosamente a situação, também descarto essa hipótese, pois nunca chego a pegar o primeiro copo que fica enfileirado, então "eles" correriam o risco de envenenar uma outra pessoa.
    Depois de pensar em outras situações, acabo chegando à conclusão de que tudo isso não passou de mais uma paranoia minha mesmo. Já em casa, resolvo trocar as velas do filtro de água, pois elas estão escuras e manchadas. Irei depois a um clínico geral para resolver o problema da mancha no rosto. 
    Então, com mais essa paranoia resolvida, resolvo descansar. Coloco uma bermuda, deito-me na cama e aproveito para ouvir o som do silêncio. Esse simples exercício, às vezes ajuda e muito a colocar os meus pensamentos em ordem.
    A cena das mulheres fazendo o comentário sobre a minha pessoa volta em minha mente e começo a analisar os fatos. A voz era feminina e estava falando em um tom normal, ou seja, não estava sussurrando e nem gritando. Como as mulheres estavam um pouco longe de mim,  seria preciso que elas gritassem para que eu escutasse algo. Então fecho a questão e chego à conclusão que foi mais uma pequena paranoia minha.
    Acredito que esses comentários sejam ecos de uma época em que morava em uma pequena cidade do interior de Minas e realmente era uma pessoa muito comentada. O motivo disso, sinceramente não sei, pois sempre fui um cara reservado e retraído, ou seja, um pacato cidadão mesmo, como me auto defino. Talvez o fato de eu ser da capital tenha sido um dos motivos, sei lá.
pintura óleo "As fofoqueiras" de Rosângela Borges 

    Me recordo que, naquela pequena cidade, as pessoas ficavam se questionando se eu era bonito ou se era feio. Comentavam sobre a maneira de me vestir, se eu estava usando a mesma roupa do dia anterior, etc. Algumas pessoas diziam que eu era um cara “mitido e mascarado”, pelo fato de ser um cara caladão e não ser de muita conversa. Comentavam muito também sobre o meu peso: se engordava, estava feio, e, quando conseguia emagrecer, os boatos sobre o fato de eu estar com AIDS começavam a circular pela cidade
  Não estou aqui querendo culpar os moradores daquela cidade por eu ser esquizofrênico. Porém acredito que o stress gerado por tantos comentários sobre a minha pessoa foi decisivo para que se desencadeasse o meu primeiro surto psicótico, no ano de 2002.
    Sei que nasci com algo que a ciência classificou como esquizofrenia. Constatei isso depois de rever minha infância e adolescência, somando-se também o fato de minha mãe ter tido algum transtorno mental também. Chego à conclusão de que o fator biológico mais os fatores externos(stress) foram os responsáveis para que a latente esquizofrenia aparecesse em minha vida.
    Mas, mesmo assim vou levando a vida, administrando minhas paranoias. Os medicamentos, depois de algum tempo, conseguem quase que exterminá-las, mas o problema é que literalmente eles acabam comigo também. Então, como já disse anteriormente, vou seguindo o caminho do meio, tomando uma baixa dosagem de um antipsicótico "fraquinho" chamado orap. E nunca esquecendo de andar com pelo menos dois comprimidos de diazepan no bolso, em caso de uma emergência, coisa que não acontece a muito tempo. Tenho plena consciência que posso fazer isso, pois não represento risco nenhum à sociedade e, mesmo nas fases agudas dos surtos, não cheguei a ficar agressivo ou fazer escândalos. Acho muita gente "dita normal" muito mais irracional do que eu, mesmo quando estou surtado.
    Volto a dizer que não recomendo nenhuma pessoa que tenha  esquizofrenia ou um  outro transtorno mental qualquer a fazer o mesmo que eu faço. É uma decisão que tomei, após constatar que nenhum medicamento trouxe um custo x benefício interessante para mim. A expressão "cada caso é um caso" tem uma dimensão muito maior quando o assunto é esquizofrenia.
    Se estão cansados ou sonolentos por causa da medicação, conversem com os seus psiquiatras. Quem tem que ser "paciente" são os profissionais da saúde mental Caso contrário, mude de psiquiatra. Só com tempo e paciência é possível encontrar o medicamento e a dosagem certa para cada caso.
    Bem, vou ficando por aqui. A minha intenção inicial era só relatar um pouco sobre minhas pequenas paranoias e se eu não me policiar, acabo escrevendo um livro inteiro.
    O título do post foi "Rotina esquizofrênica", mas não quero dizer que tenho paranoias e alucinações todos os dias e a todo momento. Tem dias que passo sem ter esses pensamentos, e a "voz" ultimamente anda meio calada.
    Felicidades a todos e até o próximo post.