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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Como abaixar os triglicerídeos de 653mg para 145mg em cinco meses!!!

   
    24/02/2017   Lá estava eu, as seis e meia da manhã na fila do posto de saúde do bairro para fazer a coleta de sangue para descobrir a quantas andam as gorduras no meu sangue. Já sabia que as taxas não seriam das mais baixas, devido ao meu sedentarismo provocado pelo meu hálux rigidus (o dedão do pé detonado). Ultimamente a única coisa que andava rígida em mim era o dedão do pé mesmo, já o resto prefiro nem comentar...
    E, aliando-se ao meu sedentarismo, a comilança desenfreada de chocolate, torta de chocolate, sorvete de chocolate, pudim e outras besteiradas mais. Se tivesse exame para detectar a taxa de chocolate no sangue... Já fiquei um mês sem comer chocolate, quando estava internado em uma clínica de recuperação. Naquele local haviam pessoas tentando se livrar do vício das drogas, do álcool, e eu do vício do chocolate. 
     Estava mais cansado do que de costume naquela manhã e quase dormi na fila. Depois de quase três horas saí do posto de saúde e em uma semana o resultado saiu e não poderia ter sido outro: 653mg de triglicerídeos e o colesterol também estava bem alto.
    A tristeza (não vou mencionar o termo depressão..) por não poder fazer o que mais gosto na minha vida me empurrava cada vez mais para o empanturramento descontrolado. Andar para mim é sagrado, o direito de ir e vir está entre os primeiros da minha lista. É só ver o relato de minhas andanças pelo nosso Brasil. Andar pela estrada real é um cansaço gostoso, um perrengue muito mais do que desejado e que pretendo volta a fazer ano que vem, caso meu pé tenha o problema solucionado.
    Então, a partir daquele dia me dei mais essa missão: abaixar os triglicerídeos para o nível normal e tentar terminar os outros dois caminhos da estrada real. Esse objetivo foi traçado obviamente também para melhorar a minha qualidade de vida. 
    Então diminui os doces, as massas, comecei bem de leve a fazer alguns exercícios físicos e passei a tomar três cápsulas de 1000mg de ômega 3 por dia. É uma gordura que pode vir de várias fontes: peixes de águas geladas, linhaça e outros mais. Mas, nessa quantidade, teria que comer quase uma dezena de salmão por dia. Então, a solução foi tomar o ômega 3 em cápsulas mesmo.  Quem acompanha o blog sabe o quanto aprecio esse tipo de gordura, faz bem a saúde física e mental. 
    Passei a consumir ovo cozido, já que meio que recentemente ele foi absolvido pela comunidade médica e não aumenta mais o colesterol. Quando era criança tinha medo de comer ovo, pois todo mundo afirmava que a gema dele continha colesterol para mais de dois dias!!!

    Aos poucos, fui emagrecendo e voltando ao meu peso normal. Comecei a ficar mais ágil, a andar com mais facilidade, e a raciocinar melhor também. Passei até a publicar mais postagens com menor intervalo de tempo, apesar da falta de assunto. 
    Com a ajuda de leitores do blog, consegui comprar um tênis super macio, o que ajudou ainda mais na minha parcial recuperação. Fico andando meio capengando, só a cirurgia para aliviar a dor do meu dedão do pé esquerdo. Mas com esse tênis a dor é bem controlada e dá para ir levando, sem ter aquela vontade enorme de falar um palavrão, pois é o que me dá na cabeça quando sinto dor. Que me desculpem os puritanos, mas falar um "bom palavrão" na hora da lesão alivia e muito a dor.
dedão do pé detonado..
     E passei até a jogar um futebolzinho de leve, que para mim também faz um efeito devastador na tristeza. O stress e os pensamentos negativos vão  embora juntamente com o suor. Passei até a treinar para o campeonato de futebol que é realizado todo ano entre todos os centros de convivência aqui de Belo Horizonte. Não é para contar vantagem, mas meu time foi campeão invicto  e  fui o artilheiro da competição. Improvisei um tênis cheio de borracha macia como solado para poder correr meio de lado sem detonar muito o tornozelo e outras articulações. O tênis me fazia chutar meio esquisito, não dava para pegar por debaixo da bola, o jeito então foi fazer gol de bicudo mesmo. 
peguei um tênis velho e colei um solado de borracha para não doer o dedão

   O campeonato é disputado todo ano na primavera entre todos os usuários do serviço de saúde mental da capital mineira. Haviam alguns jogadores lentos nos times, devido a medicação. Mas outros eram bem mais jovens do que eu e não pareciam estar sob o efeito dos antipsicóticos, principalmente o time que enfrentamos na final do campeonato. Foi muito difícil, pois na final e na semifinal eu estava também sob o efeito de medicamentos, havia tomado na noite anterior a clorpromazina e o fenergan, pois não estava conseguindo dormir. Passei boa parte da noite imaginando como seria o jogo da final. Me via marcando gols, roubando a bola, dando passes. Se continuasse daquele jeito, iria acordar mais cansado do que se estivesse correndo a maratona da lagoa da pampulha.  
   E o jogo da final foi complicado. Em cinco minutos já estávamos perdendo de 2x0. Fui tentar enfeitar e acabei dando a bola pro adversário fazer o segundo gol. Mas não sei como mantive a calma, mas também estava sentindo que iríamos levar uma goleada. De repente, em um lance meio despretencioso, me deram um passe um pouco a frente do meu alcance, e eu, sem titubear escorreguei pela quadra de cimento e dei um carrinho na bola para diminuir o placar. 
   Era o que precisávamos para readquirir a confiança. Não comemorei o gol e já fui logo para a barreira para impedir o chute do time adversário no meio de campo. O jogo foi mudando de figura e passamos a tocar melhor a bola. Ficamos mais calmos e numa boa tabela deixei o atacante na cara do gol: 2x2. E fim de primeiro tempo.
    Estava muito cansado, queria tomar uma ducha para relaxar a musculatura, mas o banheiro estava fechado. A clorpromazina deixa meus músculos endurecidos e também estava com um torcicolo brabo, que me impedia de jogar normalmente. Estava à beira de um colapso físico, mas disfarcei da melhor maneira possível, para não ser substituído pelo treinador. É, no campeonato a coisa fica séria, todos os times tem o seu técnico e tudo mais. 
   Segundo tempo e fomos logo virando o placar: sinceramente não me lembro como foi o o gol. Foi de um cara magrinho mas que sabia tocar a bola, só não tinha força física. Comemorei mais o gol dele do que os que eu fiz em todo o campeonato. Mas a alegria durou pouco. O goleiro do time adversário lançou a bola para o campo adversário e de cabeça, o atacante deles fez um gol em nosso goleiro que estava um pouco adiantado. E, também por causa das dores não fiz uma pressão no atacante, que teve tempo e espaço para pensar onde iria cabecear a bola.
    Mas estava concentrado e determinado. Já estou com 49 anos de idade e sabia que seria um dos últimos campeonatos de minha vida. Não perdi a calma e fui jogar mais atrás, na defesa, pois minhas pernas não mais obedeciam aos meus comandos. É, não deveria ter tomado a clorpromazina...
    Nosso time continuou jogando bem e, faltando cinco minutos para terminar a partida, o zagueiro do time adversário cometeu uma falta em nosso atacante. Na cobrança, tocaram a bola para mim, que estava no meio de campo. Chutei sem muita força, mas bem colocado no canto direito do goleiro. Mas, antes da bola entrar o nosso outro jogador entrou e fez o gol da vitória e do titulo.  Não importa o autor, o importante é que conseguimos a vitória e tirarmos a hegemonia de vários anos do centro de convivência do Barreiro, um bairro aqui de Beuzonte. Nos minutos finais só seguramos o placar, e caí duas vezes por desgaste muscular. No apito final desabei e nem consegui dar  a volta olímpica. Mas a verdade é que quem me incentivou a jogar bola foram meus companheiros de time. Eles estavam treinando para o campeonato em uma quadra não muito boa, com o piso áspero, e, para piorar, ela não é coberta. E o treinamento era uma e meia da tarde. Vê-los treinando naquelas condições me encheu de vontade também de participar, apesar do problema no pé. Então, nada mais justo do que deixá-los darem a volta olímpica, dei o meu máximo para a conquista do título, mas eles fizeram algo muito mais valioso por mim, que é de não desistir da luta, apesar das condições adversas. 
    Mas o mais importante nesse campeonato foi a participação de todos os jogadores, que fizeram um jogo limpo em todas as partidas e não houve nenhuma briga ou confusão, ao contrário de outros jogos que vemos por aí...
   Mas voltando a minha taxa de triglicerídeos, ai está ela, depois de cinco meses de ômega 3, exercícios físicos e uma maneirada nas guloseimas: 145mg. 
    A psiquiatra não queria me passar um segundo exame, quando relatei que tive uma melhora. Ela só iria me passar o exame caso tomasse o medicamento prescrito por ela. Mas eu recusei, e apesar dela não ter me incentivado, parti para esse tratamento alternativo que indico para todos. Além de baixar os triglicerídeos, me deixou melhor fisicamente e mentalmente. Essa psiquiatra até que me ouve, mas com muito esforço. Mas não adianta só ouvir, é preciso relevar e levar em consideração o que o paciente tem a dizer. Acredito que no SUS a maioria dos profissionais sejam assim. Claro que tem exceções, e gostaria muito de agradecer os profissionais da saúde mental que me ajudaram nessa minha caminhada. Em São Paulo fui muito bem atendido pela rede de saúde mental nos CAPS e sempre fui muito bem recebido na PROESQ, quando ia lá para conversar com o pessoal e ficar usando a internet do local.
    Acho que só fui uma vez em um médico particular. Deveria ter uns seis anos no máximo. O consultório era muito confortável. A minha avó estava preocupada com o tamanho do meu bilauzinho e me levou neste local Me lembro que a médica pediu para me deitar em uma maca, ficou mexendo no meu brinquedinho até ele dar sinal de vida e disse que estava tudo bem, que era da idade mesmo. Mas será que o que ela estava pensando era isso mesmo? 
      Na minha humilde opinião, o médico tem a função também de aconselhar os seus pacientes, e não de apenas um mero "preenchedor" de receitas... Pelo menos é isso o que sinto na maioria das minhas consultas pelo SUS... 
    Abaixo as medalhas que ganhei com o time campeão e a artilharia do campeonato. Mas o mais importante é não perdemos para nós mesmos no jogo da vida... 
não é de ouro, mas essas medalhas  para mim valem muito mais....
o antes e o depois, sem medicamentos...

uma caixa de bombom para comemorar a baixa dos triglicerídeos por que não sou de ferro...

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Divagações esquizofrênicas


"descansando no parque"

    No mesmo parque, no mesmo banco. Há cerca de quatro meses atrás estava fazendo a mesma coisa que estou fazendo neste momento: escrevendo um post, sem um assunto definido, neste agradável parque ecológico de Belo Horizonte.
    Só que estava mais animado, há poucos dias dormindo no abrigo São Paulo. Ficar montando e desmontando barraca todo dia também cansa, além de ser um pouco perigoso dormir nas ruas de Belo Horizonte, que dizem ser a capital mais perigosa para moradores de rua. Sinceramente não acho isso. Para mim não existe um grupo de extermínio, supostamente contratado por donos de lojas cansados de verem moradores de rua fazendo necessidades na porta de seus estabelecimentos. Ao ler os jornais, dá para se constatar que o motivo das brigas entre os moradores são as drogas, tanto as legais como as proibidas.
    Por isso não tenho tanto medo assim de morar nas ruas de BH. Não me envolvo em confusões e não sinto a menor necessidade de consumir drogas de nenhum tipo. Quer dizer, quase nenhuma, já que o chocolate e outras guloseimas alteram o funcionamento do cérebro(aquele lance da serotonina), nos  deixando mais animadinhos, e isso pode ser considerado uma droga.
    Por falar em animação, não estou muito animado esses dias. Só quero fazer uma coisa: dormir o dia inteiro. Será o horário de verão? Ou a rotina de um morador de albergue, com horário para tudo?
   Acho que são esses dois fatores juntos. Eu sempre detestei o horário de verão, mas no final acabava me acostumando com ele. Mas agora as coisas são diferentes: o pessoal do albergue não dá mole não, o horário para se acordar continua o mesmo: cinco horas da manhã, faça chuva ou faça sol. Até o galo do vizinho insiste em cantar no horário antigo...


    Deixei para caminhar e me exercitar na parte da tarde. De manhã deixa de ser um prazer para virar uma obrigação. É uma obsessão saudável minha, essa que tenho em relação ao peso. A balança tem que estar entre 82 e 83kg. Não me importo mais se as pessoas me acham magro ou gordo demais, me preocupo mais com as minhas taxas de triglicerídeos e de colesterol, além de me sentir bem, é claro. Vontade de escrever também já não tenho, atualmente não estou publicando posts toda semana. Hoje fui na padaria e tomei um generoso copo de café, dois pães com manteiga, um pão de queijo e um chocolate de sobremesa(diamante negro). Fiquei mais animado e resolvi escrever este post, mesmo sem ter um assunto definido. É um post simples, sem nada planejado, vou escrevendo e pronto, o que sair, saiu. Por isso se chama divagações esquizofrênicas. Mas será que estou precisando de me drogar para ter vontade de escrever alguma coisa?
     Cheguei a tentar fazer alguns bicos, de trabalho pesado. Não tenho receio de publicar isso, mesmo sendo aposentado pelo INSS. Já estou com 45 anos e sei que não aguento mais serviços pesados. Ainda tenho essa paranoia de que as pessoas querem a qualquer hora inventarem alguma coisa para que eu perca o meu benefício. Tentei fazer uns bicos para comprar um celular, mas resolvi desistir. As dores físicas era um problema, mas pude perceber que estava começando a enxergar inimigos quando trabalhava. Imaginava que os meus colegas do abrigo estavam contra mim no trabalho, tentando me derrubar, etc. Pensava que falavam mal de mim para o chefe. E isso é um problema e tanto. Parei de conversar com os caras no segundo dia. Dizem que a medicação resolve isso, mas e a lentidão e o desânimo que ela causa? Penso também que o pessoal do abrigo e mais o mundo inteiro querem me denunciar para o INSS, inventando algo para tirar a minha aposentadoria. Tenho a consciência tranquila que apenas estou recebendo um direito meu, pois, enquanto tive condições, trabalhei e muito. Aliás, ficava deprimido quando chegava o mês de janeiro, pois era uma época de pouco serviço para a área de sonorização.
    Talvez a rotina seja desanimadora. Às quatro da manhã(no horário de verdade...) me levanto, tomo um banho frio para acordar e tomar o café. O banho na parte da manhã é proibido, dá até advertência para o infrator. Me seco com o lençol da cama, acho que o monitor sabe que faço isso, mas deixa passar essa pequena infração. Depois do café geralmente vou para o parque, escutar os sabiás, bem-te-vis e outros pássaros cantarem. Me sinto em casa nesta pequena reserva ecológica: poucas pessoas, muitas árvores e tranquilidade. De manhã ouço todo dia o programa "emoções" na rádio América, que toca as músicas do Roberto Carlos, principalmente as mais antigas, com a qualidade de som precária, com os instrumentos antigos. Mas acho legal essas músicas nas versões antigas, ainda mais quando estou meio nostálgico.
    Às onze horas almoço no restaurante popular. Antes passo no pequeno supermercado do bairro para tomar o meu yakult do dia a dia.  Depois do rango, se conseguir não comprar nenhuma besteira para me empanturrar, volto para o parque e fico por lá até as cinco horas da tarde, para voltar para o albergue.
    Lá pelas onze horas escuto um programa no rádio que toca música clássica por uma hora e meia. É uma sensação diferente escutar esse tipo de música entre as árvores do parque.
   De noite é muita fila no abrigo. Fila para entrar, fila para deixar a mochila no guarda volumes e pegar a toalha. Uma longa fila para o banho e mais uma para entregar a toalha. Depois a fila para o jantar e um outra para pegar o lençol para forrar a cama.
    Depois das filas é hora de dormir. Ou melhor, tentar dormir. Pode conversar e deixar a luz acesa até as nove horas da noite.
    Dormir no abrigo é um exercício e tanto de paciência, acho que é um teste de convivência. Tem um cara lá que comprou uma caixinha de som do Paraguai que tem entrada para cartão de memória, rádio FM e tudo mais. Só faltou a saída para fone de ouvido! E adivinhem o qual o gênero "musical" preferido do cara? Uma pista: é aquele que tem uma batida repetitiva e letras "muito inteligentes", sendo os temas principais a droga e a pornografia(não mencionei sexo pois isso é algo sadio e quase uma necessidade). Mas o cara é gente boa, pois não gosta muito de falar da vida alheia, o que eu considero uma qualidade e tanto.
    Me sinto um estranho no ninho em qualquer lugar, mas no albergue essa sensação é maior ainda, apesar de ter muita gente boa por lá. Como já disse anteriormente, há vários tipos de pessoas usando o abrigo: caras que estão à procura de emprego, vindos de vários lugares do Brasil, ex-detentos que não tem oportunidade de emprego, e outros que fogem só de ouvir essa palavra. Tem caras que estão no mundo das drogas e que tentam se livrar dela, e outros que não querem nem fazem nenhum esforço para se livrar do vício.. Têm mães solteiras, à procura de uma ajuda para cuidar de seus filhos. Tem um cara lá que é garçom e que sabe falar vários idiomas fluentemente e que está temporariamente desempregado.
    Também tem os chamados trecheiros no abrigo, que ficam andando por ai pelo nosso Brasil sem um destino definido. Eu gostaria de me tornar um trecheiro, andar por ai, sair da rotina, já que tenho a minha renda e nem um passarinho para cuidar. Quando morei quase um ano em um albergue de Ipatinga ficava com um pouco de inveja, ao ver os trecheiros entrando e saindo sem parar, indo para vários lugares do Brasil. Eu era considerado um pardal, por não sair do lugar. Não quero ser um pardal, já joguei muita coisa fora em prol da minha liberdade. Liberdade principalmente de ser quem eu sou realmente. Vou tentar alguma maneira de receber o meu pagamento pela caixa econômica, para poder retirá-lo em qualquer cidade do Brasil e até em casas lotéricas. Estou muito ansioso para que chegue o mês de janeiro, para fazer a viagem para São Paulo e percorrer os Passos dos Jesuítas Tenho um pouco de receio ainda de andar por São Paulo, acho que é perigoso, mas deve ser coisa de minha cabeça....

    Ainda ouço um pouco as vozes, mas ultimamente elas estão mais quietinhas. Não tenho vozes de comando, a maioria das coisas que ouvia eram pessoas me ameaçando e falando mal de mim. Hoje não dou muita importância a elas, mas às vezes fico em situações no mínimo estranhas, pois não sei se o que eu ouço é realidade ou não, então tenho que ficar calado em certos momentos. Tinha uma mulher lá no abrigo, que também usava os serviços do estabelecimento, que, quando me encontrava, ficava me olhando. Ela é bonita, alta e tem um corpo muito bonito. Me perguntava o por que de estar olhando para mim, era muita areia para o meu caminhãozinho. Sempre quando a encontrava ficava meio tenso, querendo conversar com ela. Certa vez ouvi uma voz dizer:
    - Se você não quer tem quem queira!
    Fiquei paralisado, não tinha certeza se era real ou não. E se fosse verdade? Mas e se fosse imaginação minha e eu conversasse com ela? Certamente me acharia um louco e por isso não dei muita bola para essa voz que ouvi e que até hoje não sei se foi real ou não.
    Também têm vários esquizofrênicos no abrigo, pelo que pude perceber com o tempo e a convivência. Aliás, o  índice de esquizofrênicos no abrigo é bem maior do que o da população mundial, que é de 1%. Acho que no abrigo atualmente tem uns cinco portadores, além de mim.
    Tem um esquizofrênico que frequenta o cersam, mas ele vive dormindo, quase não fala e dificilmente janta. Toma o medicamento por volta das sete horas e já vai dormir. Tem um outro, que é baiano, que parece ter umas viagens místicas, fazendo previsões e mais previsões, se dizendo vidente da "Tchecoslováquia de Salvador" e que veio da Nigéria. Disse que a Argentina irá ganhar a copa do mundo de 2014 e que o Brasil só será campeão em 2022 na França. Mas geralmente as previsões dele são sempre tragédias: assaltos, catástrofes, etc. Mas no geral o cara é tranquilo, não mexe com ninguém é só conversa com quem lhe dá atenção.
    Tem um outro cara que é esquizofrênico e que voltou agora a tomar os medicamentos. Disse-me que as vozes de comando voltaram e está com medo de surtar novamente. Expliquei para ele que talvez seja o ambiente do abrigo que o esteja deixando estressado e dei algumas dicas de como controlar a situação. Também fiquei conhecendo um outro portador de esquizofrenia, aparentemente normal, não apresentava sinais que tinha a patologia, não apresentava lentidão e se articulava bem. Só descobri que tinha a patologia quando o vi carregando uma sacola cheia de medicamentos. Um outro que conheci, foi um cara que ficava conversando e gesticulando sozinho, mas que é super tranquilo também. Como o albergue tem capacidade para 90 pessoas, o índice é de quase 7%, bem maior do que a média mundial. Mas a explicação para isso é bem simples: o abrigo, como o próprio nome indica, é para acolher e ajudar as pessoas, e nós, esquizofrênicos, em algum momento de nossas vidas precisamos de muita ajuda para tentar superar essa patologia complicada.
    Pude constatar, pelo dia a dia, que os esquizofrênicos dão uma lição de como se comportar em ambientes como do abrigo. Até hoje não vi nenhum problema ou confusão causado por nós. Já os ditos normais do abrigo costumam tomar suspensões e várias vezes já brigaram uns com os outros. Sem contar os temas das conversas, que geralmente são crimes e cadeia. Mas tem muita gente boa por lá, alguns são exemplos de vida, mas não irei comentar aqui por não ter autorização deles para isso.

Futebol
    O campeonato brasileiro de 2013 "acabou" faz tempo, sem muita festa por aqui. Esse título já estava definido há muito tempo mesmo. Muito previsível, com essa fórmula de pontos corridos: todo mundo joga contra todo mundo e quem fizer mais pontos ganha. Muito certinho e geralmente ganha o melhor. Alguns devem estar se questionando: mas isso não é justo? Claro que sim, parabéns ao Cruzeiro por ter sido o melhor time, por ter se preparado bem para o longo e difícil campeonato. Mas cadê a adrenalina, o frio na barriga dos jogos decisivos e importantes? O jogo dramático final, com a taça de campeão ao lado do gramado? Hoje em dia o time é campeão sem dar a volta olímpica com a taça, sem aquele jogo que é um verdadeiro teste para cardíacos! Mas não, os mais "inteligentes" preferem a fórmula dos pontos corridos, dizem que na Europa é assim e temos que copiá-los. Mas eles esquecem que na Europa é outro padrão de vida, e o dinheiro corre solto nos clubes. Até parece que os clubes brasileiros não estão endividados e que estão nadando em dinheiro. Olhem só a comparação de média de público entre um campeonato "mata-mata" e o campeonato de pontos corridos do ano de 2012.
antigo Maracanã lotado, isso sim era democracia


    Média de público do campeonato brasileiro de 1980: 20.792
    Média de público do campeonato brasileiro de 2012: 13.148
    Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:P%C3%BAblicos_no_Campeonato_Brasileiro_de_Futebol

    Contra os números não tem como argumentar né? No dia em que o Brasil for um país justo, sem mensalões, e com as dívidas dos clubes pagas,  ai sim poderemos pensar em fazer um campeonato de pontos corridos, igual a Europa. 
    Os times que não tem chance de título estão fazendo jogos sem importância, verdadeiros amistosos, apenas para cumprir tabela. Estádios com pouco público, muito dinheiro jogado fora. A emoção deste campeonato está em ver quem irá cair para a segunda divisão...
    Depois eu que sou o doido...
    Saudações esquizofrênicas!

   Como neste post falei do Roberto Carlos e o uso de drogas, me lembrei de uma música dele que me identifico muito. Fala sobre as drogas. Não tenho vergonha de falar que sou um eterno careta. Viajo nas ondas do mar, fico louco para viajar por esses lugares lindos do nosso Brasil.



Abro a camisa e encaro esse mundo de frente
Olho p'ra vida sem medo sabendo onde vou
Digo que não que não quero
Passo batido, acelero
São outras coisas que mexem com a minha cabeça
Por isso
Esqueça.

Meu grande barato é o cheiro da brisa do mar
Me ligo na onda do rádio do meu coração
Viajo na luz das estrelas
Me sinto feliz só de vê-las
E fico contente de ser
Esse grande careta
Careta
Careta.

Droga quem afinal é você
Que está se entregando e não vê
Que a vida oferece outras coisas
Droga
Por tudo, por nada e porque
Nadar nessa praia pra que?
A vida oferece outras coisas.

Às vezes quem sabe de tudo tem mais pra saber
Que a porta tão larga na entrada se estreita depois
E quando lá dentro se apaga
A luz da estrada perdida
É duro esmurrar as paredes
Buscando a saída
De volta p'ra vida.

Talvez você ache uma droga essas coisas que eu falo
Mas certas verdades nem sempre são fáceis de ouvir
Não custa pensar no que eu digo
Eu só quero ser seu amigo
Mas pense no grande barato de ser um careta
Careta
Careta.

Droga quem afinal é você
Que está se entregando e não vê
Que a vida oferece outras coisas.

Droga, por tudo, por nada e porque
Nadar nessa praia pra que?
Você não merece essas coisas.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

O jogo da vida

    Na última semana de setembro foi disputada mais uma edição dos jogos da primavera aqui em Belo Horizonte. São realizados jogos de futebol, peteca, queimada e outros esportes entre todos os usuários dos serviços de saúde mental, principalmente quem frequenta os centros de convivência e os "Cersam's", que são mais conhecidos como Caps no restante do pais. 
    Ano passado, apesar das enormes dificuldades, fomos campeões e eu o artilheiro da competição. Na época pensava que seria meu último campeonato, por causa das fortes dores que estava sentindo no dedão do pé esquerdo, que está quebrado. E em consequência desse dedão fraturado, as outras articulações também não estavam nada bem, pelo fato de estar andando de maneira incorreta. Confesso que cheguei a pensar no pior no ano de 2016, quando tive uma forte torção no tornozelo, pois estava andando meio de lado para não forçar o dedão. 
    Mas, depois de muitas pesquisar no Dr. Google consegui encontrar ótimas referências sobre o sucesso do cloreto de magnésio no tratamento das dores nas articulações e ossos em geral. 
     Depois de alguns meses usando as cápsulas, experimentei uma excelente melhora e usando tênis com solado bem macio consegui andar bem próximo do normal e ir melhorando no futebol, até que decidi participar do campeonato deste ano, pois não estava terminando as "peladas" com muita sofrência. Acredito que não devo muito a quase ninguém da minha idade quando o assunto é futebol. Já com a galera mais nova ainda dá para jogar, mas me sacrificando um pouco, principalmente na questão muscular, ainda mais se for debaixo do forte sol que anda fazendo por aqui. 
     O campeonato este ano foi bem mais difícil do que o ano passado e a principal dificuldade era o local da competição, que não tinha quadra coberta. E o sol estava de rachar a cuca. Para completar, os times este ano estavam com jogadores na faixa dos 25 anos, ou seja, a metade de minha idade. 
     Ano passado tinha muitos jogadores que estavam um pouco lentos, por causa da medicação. Este ano reparei que poucos estavam assim. Os antipsicóticos fazem muito mais efeito nas pessoas com mais idade, tanto é que hoje em dia só tomo um pedacinho de diazepan antes de dormir.
    Confesso que fiquei um pouco receoso de jogar com aqueles caras que não paravam de correr debaixo do forte calor. Mas, apesar de tudo, consegui me sair bem novamente, sendo campeão e artilheiro da competição. 
    Mas, como já disse, não foi nada fácil. a primavera na capital mineira começou com sol forte e temperaturas um pouco altas. O inverno foi fraco, só fazendo aquele friozinho gostoso na hora de dormir. 
    O nosso time foi sorteado para fazer a primeira partida, exatamente à uma hora e meia da tarde. Não almocei, apenas comi uns biscoitos de chocolate com café antes da partida. Café para aumentar a dopamina e chocolate para aumentar a serotonina. A gente vai ficando velho e a digestão mais lenta, almoçar seria complicado demais para se jogar naquele horário. 
    A faixa de idade do nosso time é bem alta, em torno dos 40 anos de idade. O time adversário acredito que deve ter uns 25 anos de média de idade. Eles olharam para a gente e pensaram que o jogo iria ser fácil, riram da gente e isso só me motivou. No início do jogo os caras ficaram fazendo firula, querendo botar o nosso time na roda. Resultado; levaram 10 gols em 20 minutos e só fizeram um... Só nessa partida eu fiz seis gols. 
     Meu pensamento era esse mesmo: fazer um bom resultado no primeiro jogo para depois jogar com mais tranquilidade o segundo. E ainda tinha o fator psicológico: os outros times iriam ter mais respeito ou medo da nossa equipe. 
    Mas cometi um erro, que foi o de me esforçar ao máximo nesse primeiro jogo. Sempre atacando e defendendo, sem uma posição fixa. E então tive que pagar um preço: dores musculares por todo o corpo e cansaço geral no final da partida. 
     Havia ultrapassado o meu limite naquela partida debaixo daquele escaldante sol, tentando acompanhar o ritmo daqueles caras que tinham metade da minha idade. Mas, por sorte a nossa segunda partida do dia foi a última a ser realizada, e deu para descansar um pouco. O sol já estava um pouquinho menos intenso, e também já havíamos preparado a nossa estratégia de jogo, depois de avaliar o nosso adversário nas outras partidas que ele havia feito. 
     Tivemos que usar a experiência e o toque de bola para não corrermos tanto na quadra, anulando as principais jogadas do time adversário, que tinha um cara muito bom que iniciava as jogadas. O esquema de jogo deu certo e vencemos com certa tranquilidade o segundo jogo; 5x2, sendo dois gols do esquizo cinquentão. 
    Voltei detonado para casa, depois dos jogos e exercícios físicos é que começamos a sentir as dores. Dizem que é por que o sangue esfriou e tals, mas já li que o nosso organismo envia, através do sangue substâncias que se parecem com anestésicos.... Passei o dia seguinte deitado na cama, para na quarta feira estar pronto para jogar a semifinal e a grande final. 
     Peguei um pouco de cloreto de magnésio em pó e coloquei na água. Passei no corpo inteiro fazendo massagem, mas parece que não adiantou muita coisa não. Não gosto de comer muita banana para evitar as dores musculares, pois deixa o meu intestino preso. 
     Acordei na quarta de manhã razoavelmente bem, mas com algumas dores. O jeito foi comprar uma pomada em gel que deixa o nosso corpo todo geladinho, parece o gelol, só que é mais barato por não ter propaganda na TV. Passei aonde estava doendo, ou seja, no corpo inteiro... Começou a arder a região do pescoço e dos ombros. Já nas pernas deu aquela sensação de frescor, aquele geladinho gostoso. Deu uma diminuída de leve na dor.

     O jogo da semifinal foi  contra o mesmo time da segunda partida. Só que desta vez os caras vieram para nos marcar e não deixar espaço, com forte marcação em cima de mim. E também errei muitos gols que não erro normalmente, por causa do cansaço muscular. Simplesmente o corpo não obedecia mais o meu cérebro. Na hora de chutar a bola saía um peteleco. O sol também estava de rachar nesse segundo dia de competição. E, para complicar ainda mais, tinha um cara do time adversário que fez forte marcação em mim, se eu fosse no banheiro ele iria também. 
    O jeito foi jogar mais recuado mesmo, sem preocupação de fazer muitos gols e aproveitar as poucas chances que apareciam. Consegui mesmo assim fazer dois gols e dar assistência para mais um e ganhamos o jogo por 4x3, nos classificando para a grande final. 
    Depois do jogo sentei-me em um banco na sombra para descansar as canelas velhas e também observar os times adversários. Queria saber os pontos fracos e nos precaver dos pontos fortes do time que iríamos encarar na grande finalíssima. 
    Os jogos foram de intensa correria e com muitos gols. Os caras que se classificaram tinham em média 25 anos e corriam bastante. O jeito foi combinarmos um esquema de jogo com mais toque de bola, cadenciado, sem correria e aproveitando as falhas deles. 
    Foi dito e feito. Jogamos com segurança na defesa, sem corremos riscos e sem dar espaço para a correria do time adversário. Com calma e tranquilidade conseguimos fazer o primeiro gol. E isso deixou os caras um pouco nervosos. Consegui manter a calma do nosso time e explorar o nervosismo do adversário, às vezes dando uma parada no jogo, demorando para repor a bola. Nesse esquema conseguimos fazer mais dois gols. À essa altura eles já estavam entregues e admitindo a derrota. Isso nos fez relaxar um pouco e levamos um gol. Voltamos a seriedade novamente e conseguimos aumentar a vantagem. Resultado final: 4x1. 
    O fator psicológico e e experiência foram decisivos neste último jogo, pois não iríamos ter muitas chances se tentássemos jogar de igual para igual na questão física. Claro que, modéstia à parte, também tenho um pouco de categoria no toque de bola e fiz um belo gol, apesar do cansaço. Minha opinião é que todo time deveria ter um bom psicólogo, basta ver as duas últimas copas realizadas pela nossa seleção canarinho... 
    Novamente este ano todos os participantes estão de parabéns, pois o torneio foi disputado em um clima de paz e tranquilidade, não havendo maiores perrengues e bate bocas. Todos jogaram o jogo limpo, havendo poucos cartões amarelos e nenhuma expulsão, apesar da forte marcação. 

Esporte é vida
      Me sinto privilegiado e um sortudo por ter nascido em uma época em que as crianças podiam ficar o dia inteiro jogando futebol na rua. Quando brincávamos de esconde esconde a área permitida para se esconder era o quarteirão inteiro: valia entrar nos prédios, subir no muro das casas, tudo era possível pois na época não havia muitas proteções, pelo simples fato de não haver tantos ladrões como hoje em dia. 
     Quando não estávamos correndo ficávamos jogando banco imobiliário e war. Mas a maioria do tempo era gastando energia mesmo. E até os dias de hoje pratico minhas atividades físicas e jogo o meu futebolzinho. É um vício mais que bom, é danado de bom. É um cansaço gostoso que vem no final da partida que não dá para descrever. 
    O esporte salvou minha vida. Os surtos psicóticos que tive foram de um sofrimento psicológico terrível, mas também foram como uma prova de resistência física, pois ficava vários dias sem me alimentar, perambulando pelas Br's, numa exaustiva tentativa de fuga dos meus inimigos imaginários.
Quem irá pensar em comida imaginando que o mundo inteiro está à sua procura para te matar???
     Me lembro o pouco que comia acabava vomitando, pois sempre vinha uma voz dizendo que o alimento estava envenenado. 
     Acredito que se não tivesse uma razoável condição física meu organismo não iria aguentar, pois havia emagrecido 25kg em poucos dias no meu segundo surto. Fugi dos meus inimigos interiores até o limite, quando caí no chão depois de sentir uma forte pontada no coração. Consegui voltar para o centro de Belo Horizonte andando cerca de 200 metros e descansando, com as pernas levantadas nos barrancos, pensando que isso facilitaria o retorno do sangue que estava nas pernas. Estava surtado, mas conseguia raciocinar dentro de minha loucura. 
    O futebol ou qualquer outra atividade física não é bom só para o corpo. É bom para a mente também. No meu caso sinto que todo o stress e a negatividade do dia a dia vão embora juntamente com o suor. Recomendo à todos que pratiquem esportes, nunca é tarde para começar. Sei que é um pouco difícil para algumas pessoas praticarem esportes devido ao uso de antipsicóticos, mas tente começar bem devagar, se não der para ser na parte da manhã que faça na parte da tarde. 
É isso aí pessoal. Espero ano que vem postar mais uma vez sobre os jogos da primavera, mesmo se não for campeão e artilheiro, pois o mais importante é não perdermos para nós mesmos no jogo da vida.

Não sou evangélico, mas ouço bandas gospel sem problemas. Música de qualidade tem que ser ouvida, ainda mais quando se tem uma mensagem bacana e especial como essa. As pessoas com esquizofrenia tem que se preocupar com as vozes irreais, que são as alucinações auditivas. Mas, piores do que as vozes irreais são as vozes reais das pessoas que não querem o teu bem, são as vozes do mal, as vozes que só pensam em te derrubar. Procuremos ouvir somente as boas vozes, e principalmente a voz do nosso interior, a voz da bondade.

Música: Voice of truth
Banda;  Casting Crows


 Oh, que eu farei para ter

O tipo de Fé necessária

Para sair desse barco que estou

De encontro às ondas

Dar um passo para fora da minha zona segura

Para dentro do mundo desconhecido onde Jesus está

E Ele esta estendendo sua mão

Mas as ondas estão gritando meu nome

e rindo de mim

Lembrando-me de todas as vezes

Que eu tentei antes e falhei

As ondas continuam contando-me

Repetidamente, "Menino, você nunca vencerá"

"Você nunca vencerá"

Refrão

Mas a voz da verdade me conta uma diferente história

A Voz da Verdade diz, "Não tenha medo"

E a Voz da Verdade diz, "Isto é para minha Glória"

De todas as vozes que me falam

Eu escolherei escutar e acreditar na Voz da Verdade

Oh, que eu farei para ter

O tipo de força necessária para sustentar-me

Diante de um gigante

Com apenas um estilingue e uma pedra

Cercado pelo som de mil Soldados

Sacudindo suas Armaduras

Desejando que eles tivessem a força para aguentar firme

Mas o gigante grita meu nome

e ri de mim

Lembrando-me de todas as vezes

Que eu tentei antes e falhei

O gigante continua contando-me

Repetidamente, "Menino, você nunca vencerá"

"Você nunca vencerá"

Refrão

Mas a voz da verdade me conta uma diferente história

A Voz da Verdade diz, "Não tenha medo"

E a Voz da Verdade diz, "Isto é para minha Glória"

De todas as vozes que me falam

Eu escolherei escutar e acreditar na Voz da Verdade

Mas a pedra era exatamente do tamanho certo

Para colocar o gigante do chão

E as ondas elas não parecem tão altas

Olhando de cima delas para baixo

Vou voar com asas de Águia

Quando eu parar e escutar o som da voz de Jesus

Chamando-me

Refrão

Mas a voz da verdade me conta uma diferente história

A Voz da Verdade diz, "Não tenha medo"

E a Voz da Verdade diz, "Isto é para minha Glória"

De todas as vozes que me falam

Eu escolherei escutar e acreditar

Eu escolherei escutar e acreditar na Voz da Verdade

Vou ouvir e crer

Vou escutar e acreditar na Voz da Verdade

Vou ouvir e crer

Porque Jesus, Tu és a voz da verdade

E eu vou ouvir a Ti

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Loucuras e manias...

   
    Ontem(02/110), do nada, ouviu-se um estrondo enorme, daqueles em que a gente pensa que é o mundo que está se acabando de vez, por que aos poucos nós já estamos acabando com ele. Mas era apenas um raio que fez a energia elétrica acabar no bairro inteiro.
    Estava assistindo o jogo do meu time pelo campeonato brasileiro. O jogo estava duro, mas duro de ver de tão ruim que estava... 
   O placar também era a nota da partida: 0 para ambos os lados. Nenhum lance de perigo, aquela monotonia que não faz dormir somente os fanáticos por futebol. O silêncio predominava no meu humilde quartinho. Aí os pensamentos e paranoias invadiram a minha mente: "será que alguém irá fazer gol enquanto eu não estiver assistindo? Se o meu time fizer gol é por que sou pé frio mesmo, mas se acabar sofrendo um gol é por que não posso deixar de assistir o jogo, caso contrário meu time acabará perdendo a partida".  
 A energia voltou. E não é que o meu time acabou levando um gol? Por um momento cheguei a pensar que era pé quente realmente e que não poderia deixar de assistir os outros jogos no restante do campeonato. Cheguei na loucura de pensar que os jogadores ouviam o que eu estava pensando e que precisavam do meu apoio. 
   Mas como nos últimos anos meu time anda sempre dando vexame, o meu sentimento atual de que sou realmente o pé frio e responsável pela má fase. Quase todo jogo que assisto o time empata ou perde. Fico o tempo todo ligado na tela, às vezes me pego dando um chute quando o atacante está na cara do gol. No final da partida parece que estou até mais cansado do que alguns jogadores... 
    Mas e os jogos que assisti e ele foi campeão? Essa dúvida cruel vive em minha mente, mas me lembro que no início nem era uma dúvida, tinha a plena convicção de que não poderia deixar de jeito nenhum de assistir ou ouvir um jogo do meu time. 
      E isso vem desde pequeno. Por isso que digo que meio que nasci com a esquizofrenia, pois esse transtorno não é somente surto psicótico. Ela é formada por inúmeros componentes, e algumas manias, delírios e pensamentos fazem parte dessa maledita esquizofrenia. 
    Lembro-me que, quando tinha uns 11 anos de idade fui ao Mineirão, para assistir um jogo do atlético-MG, a convite de um colega meu. Não queria ir, pois o jogo do meu time (ninguém sabe qual é) também iria ser no mesmo horário. Iria ouvir pelo rádio antigo valvulado que tinha lá em casa. Sempre fui uma criança curiosa, e um dia comecei a fuçar naquele rádio enorme de madeira para tentar achar alguma emissora de rádio do Rio de Janeiro. O rádio tinha sete faixas, pegava rádio dos Estados Unidos, do Japão, dava para ouvir gente falando algo parecido com árabe... Então por que não pegaria rádio do Rio? Fiquei mexendo naqueles botões até conseguir achar uma emissora do Rio de Janeiro e assim poder ouvir os jogos do meu time. 
    De dia tinha que ficar com a mão segurando o cabinho da antena, para pegar melhor. Pois AM tem essas dificuldades, como montanhas, clima, etc... Só sei que de noite pegava que era uma beleza...
    Mas, voltando ao jogo no Mineirão, resolvi aceitar o convite, afinal jogo no rádio tem quase todo dia... E também iria sair um pouco de casa, me divertir. 
ouvia os jogos do meu time em um rádio igual à esse..
    O mineirão estava lotado, todo mundo espremido, na época não havia as cadeiras nas arquibancadas. Era tudo cimento mesmo. E o atlético ganhando o jogo, todo mundo feliz, menos eu, que estava de ouvidos atentos. De repente, o serviço de auto falantes do estádio anuncia que o meu time estava perdendo o jogo por 2x0... Fiquei surpreso no início, pois nem haviam anunciado o primeiro gol do time adversário... Mas logo comecei a chorar. Chorei tanto que o pessoal do lado ficou preocupado e perguntou o motivo daquele chororô todo...
     E a besta do meu colega disse a verdade, apesar de saber que o meu time é um grande rival do atlético MG. Falou com todas as palavras o nome do time, mas, ainda bem que naquela época as coisas eram mais brandas e não me expulsaram do estádio. Alguns até acharam engraçado. O mais engraçado é que, segundos depois, o locutor do estádio se retratou e disse que era o meu time que estava ganhando de 2x0. Senti um alivio enorme e a minha consciência ficou mais leve, não iria sofrer o castigo por ter abandonado o meu time, justo em um clássico importante. Mas entendi que aquele erro do locutor era um aviso para nunca mais deixar de acompanhar o meu time, seja pelo rádio ou pela televisão... 
    E por uma época o time passou por uma fase boa, ganhando vários campeonatos, inclusive um mundial... Mas ultimamente as derrotas e os empates são mais frequentes e a dúvida às vezes chega a ser uma certeza de que sou o pé frio mesmo. 
  E fico nesse debate interno que parece não ter fim, mas  futebol é assim mesmo: um dia ganha outro perde. Seria muito sem graça se somente o nosso time ganhasse tudo né? 
   
alguém poderia me dizer que golpe é esse?
    E alguns jogadores do meu time não são muito bons (só do meu time?), apesar do alto salário que recebem. Alguns jogam apenas com o nome, sendo que o principal deles chega a receber 950 mil reais por mês... 
   Antigamente chegava a chorar com a derrota, mas hoje em dia nem ligo tanto, acho que por causa do embotamento afetivo. Pelo menos para uma coisa me serviu essa maledita esquizofrenia. Meu time perdeu a final da copa do Brasil deste ano (estava assistindo até os penaltys, apesar de achar que sou o pé frio e culpado de tudo...). Mas no dia seguinte segui a minha vida normalmente, pois os jogadores foram descansar e dormir no melhor hotel de Belo Horizonte e eu aqui continuo na minha humilde residência. Fico triste pelos outros torcedores, mas nem tanto pelos jogadores, que beijam o escudo de um time e depois do outro no mês seguinte.
   Mas almocei normalmente, ao contrário de antigamente, que dava vontade até de sumir deste mundo quando perdia um campeonato. E vida que segue, me sentindo cada vez mais uma pessoa normal, ao ver essa loucura toda em que se transformou nosso mundo... 

-Obs: gostaria de agradecer uma pessoa que me ajudou mas não se identificou. Geralmente quando as pessoas me ajudam me enviam um email. Mas como essa pessoa preferiu não se identificar resolvi agradecer aqui pelo blog. 

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Divagações esquizofrênicas 12

O cabeludo...

    No último dia 10 resolvi dar uma boa podada na minha juba. Não exatamente por que queria, foi meio a contragosto, mas acabei cortando as minhas madeixas. Sinto que existe um preconceito que a maioria das pessoas têm ao diferente e ao incomum e ao que é considerado errado pela sociedade. Provavelmente pensam que homem que é homem tem que ter cabelo curto, de preferência o tradicional corte social, ou então os cortes que estão na moda, como o moicano, o corte preferido dos jogadores de futebol e de alguns cantores de "sertanejo" universitário... 
    Gosto de usar cabelo grande, e não fumo um baseado (só experimentei três vezes na minha vida..).
Não sou um criminoso, não sou ladrão e sempre trabalhei para me sustentar até o momento em que não tive condições e acabei me aposentando. O visual cabeludo era como se fosse um cartão de visita, era o meu estilo mesmo: um cara meio esquisito, e diferente. Não me ofendo se me falarem que sou assim, pois considero esses dois termos um elogio. O nosso planeta até hoje foi governado pelos ditos normais e nem é necessário falar o que estamos passando...
    Mas a sociedade rotula os cabeludos como vagabundos, drogados e marginais. Simplesmente não acreditam que um cabeludo possa ser careta e certinho. Gostaria de dizer que também não sou moralista. A pessoa pode fazer o que quiser de sua vida, desde que sustente o seu vício e não prejudique ninguém. Quando trabalhava, ia muito à São Thomé das Letras, e 90% dos turistas fumam a erva, até me sentia discriminado lá por ser careta. Os hippies nunca me incomodaram, são da paz e sobrevivem através de seus trabalhos de artesanato. 
    Em Belo Horizonte, a situação está ficando complicada. A população está ficando paranoica não é à toa. A cada 15 minutos, ocorre um roubo na capital mineira. O objeto mais visado é o celular, é claro, e de preferência os de tela sensível ao toque. (depois que me roubaram, só uso um simples mesmo, para não chamar a atenção). Hoje em dia qualquer ser estranho que ande nas ruas é um assaltante em potencial, ainda mais se for um cabeludo. Será que as pessoas até hoje não repararam que 99,99% dos meliantes têm cabelo curto, e alguns até raspam a cabeça? Será que nunca viram uma cadeia superlotada nos telejornais ou então na internet?
alguém está vendo um cabeludo nesta cela?
    Oras, se por acaso eu fosse um meliante, provavelmente iria cortar o meu cabelo, para tentar ser uma pessoa com o menor número de características "chamativas". Não iria ter um visual diferente, para dificultar um provável reconhecimento de um crime e até uma perseguição policial;
    - Quais as características do meliante? - perguntaria o policial.
    - Ah! É um cabeludo, com cara de mal e esquisito... - informaria a vítima.
    Moro na região nordeste de Belo Horizonte, onde tem ocorrido o maior número de assaltos, depois da área central, obviamente. Perto da estação do metrô, algumas mulheres chegavam a segurar suas bolsas quando me viam. A sensação que eu tinha era como se estivessem me chamando de ladrão, e isso doía um pouco e estava me deixando cada vez mais irritado. 
    Sair para almoçar estava se tornando um martírio, ia a passos largos e apressados. Sei que, neste exato momento alguns leitores devem estar pensando que isto é coisa da minha cabeça, apenas mais uma das inúmeras paranoias que tenho, mas infelizmente não é. Posso estar apenas aumentando um pouco a realidade, mas dava para perceber o medo de algumas mulheres ao me verem. Via com os meus próprios olhos quando seguravam a suas bolsas ao me verem. Era um ciclo meio estranho: eu, paranoico, ficava olhando a bolsa das mulheres, para ver se elas iam fazer este gesto com medo da minha pessoa. E elas, também paranoicas, se protegiam ao me verem olhando suas bolsas, e então colocavam a mão na alça, pensando que eu estava de olho em seus pertences.... Era uma situação extremamente chata e irritante... 
   Cheguei até a ir por um caminho alternativo para se chegar ao restaurante popular: pela Br não teria que passar pela estação de metrô e assim teria o menor contato possível com as mentes paranoicas das pessoas desta capital. 
   Hoje em dia não dou mais tanta importância para o que as pessoas pensam de mim. Enlouqueci e surtei quando dava importância para os comentários e opiniões alheias. A língua é o chicote do povo, é uma arma que pode ser mortal. (versículo da bíblia).
    Infelizmente foi preciso surtar, enlouquecer, ter uma experiência de quase morte e comer o lixo que o diabo amassou para constatar que o problema está em quem gosta de criticar e caluniar o próximo e não em quem está sendo criticado, desde que não tenha prejudicado ninguém. Pense bem: se alguém lhe faz uma crítica, tenta te humilhar sem nenhum motivo, o problema está em você ou na pessoa que te critica? Pessoas que criticam apenas por criticar ou tem um vazio enorme dentro de si ou então inveja. Chego a me perguntar por que alguém iria invejar um cara que não tem dinheiro e não teve uma carreira de sucesso e nem fama. Mas, analisando a situação, é fácil termos inimigos: basta termos paz e sermos felizes. Isso incomoda e muito pessoas que não tem esses "bens" preciosos. Hoje chego a ter pena desse tipo de pessoa, que deseja destruir o próximo através de fofocas e comentários maliciosos e mentirosos. De dia até que podem mostrar um sorriso meio forçado, irônico, mas, de noite, quando colocam suas cabeças no travesseiro, não tem como disfarçarem o que se passa em suas mentes e corações. 
    Então, voltando ao assunto do corte de cabelo que resolvi fazer, gostaria de dizer que, apesar de não condicionar os meus atos à opinião alheia, resolvi dar uma aparada na juba, para não chamar tanto a atenção das pessoas. Meu cabelo é um pouco volumoso, e isso pode gerar um certo medo nas pessoas quando fico muito tempo sem apará-lo. Quando ele está molhado e úmido, fica até legal, ainda mais se usar um cavanhaque, mas, depois que vou para o sol e ele seca... 
alguém tem alguma dica de um bom shampoo para reduzir o volume dos cabelos?
    No último dia 5 ocorreu algo comigo que pode explicar bem toda esta situação; estava sacando uma grana no caixa eletrônico. Como sempre, estava ouvindo um som no fone de ouvido. De repente um senhor de idade se aproxima de mim e me fez uma pergunta, que não entendi bem o que era. Só ouvi a palavra "caixa vazio". Então respondi que a maioria dos caixas vazios estavam com problemas. Mas o senhor não se afastou de mim, e ainda ficou olhando a tela do caixa. Aquilo já estava me enervando e tudo piorou quando ele tentou tirar o meu cartão do caixa. Não sei como tive a paciência naquele momento, apenas disse para ele ter um pouco mais de educação, e não estava entendendo nada. E ele continuou a ficar me olhando, iria falar certas coisas que não prefiro não colocar aqui no blog. Mas uma funcionária do banco se aproximou dele e o levou para dentro da agência. O segurança apenas ficou observando a situação. De início pensei que o senhor de idade estava perturbado, que era coisa da idade mesmo. Mas, quando saí da agência é que entendi toda a questão: ele provavelmente havia perdido o seu cartão. Mas por que suspeitou logo de minha pessoa em uma agência grande e que estava lotada de pessoas? Por que logo eu? Ele não poderia ter sido mais educado? E se fosse eu quem tivesse feito aquilo? Provavelmente o segurança iria me chamar a  atenção, e ai é que pensariam que eu seria um ladrão. Outro dia uma mulher ficou me encarando em uma outra agência. Estava sacando o meu dinheiro, e, quando o mesmo apareceu para ser retirado no caixa, peguei-o e mostrei para a mulher, que ainda continuou a me encarar. Ai, confesso que fui deselegante: perguntei se o problema dela era falta de homem ou coisa parecida. Sei que isso não se deve fazer, mas por que ela estava me encarando?
    Não é paranoia da minha cabeça, é a triste realidade das grandes cidades. No Rio de Janeiro está complicado até de se tomar um banho de mar... Existe remédio contra a realidade? Não vou procurar um psiquiatra para essa questão, pois nenhum medicamento irá resolver o problema deste país. O que posso fazer é me dopar e assim não ter reação quando esse tipo de preconceito acontecer.
   Mas, voltando ao assunto capilar, já tentei diversos métodos para dar uma diminuída no volume do meu cabelo, mas nenhum deu resultado. Até azeite de oliva já tentei, mas é muito complicado e o cheiro é meio estranho...
   Já me falaram em um tal de corte de cabelo chamado "pigmaleão"(acho que é assim que se escreve) e vou tentar da próxima vez. Mas vou seguir a minha vida em frente, sem deixar que o mundo e a sociedade em que vivemos modifique a minha maneira de ser. Não prejudico ninguém e fico em paz quando estou sozinho, então o problema maior está nas pessoas que se incomodam com a minha maneira de levar a vida e de ser. A pior loucura que um sujeito pode cometer é querer agradar a todo mundo... 

A eterna luta entre o bem e o mal em nossas consciências...
é bem assim...
    Semana passada tive um problema e tanto em um grupo do facebook chamado Depressão. Faço parte de vários grupos de transtornos mentais, pois é onde eu me sinto em casa e compreendido. Os membros do grupo estavam comentando sobre namoro e a diferença de idade entre os casais. Então me lembrei que, quando tinha 23 anos, havia namorado uma garota de 13 anos. E resolvi comentar o fato neste grupo. Em menos de um minuto vieram enxurradas de ofensas e xingamentos. À princípio, fiquei sem reação, abismado por tamanha repercussão por um namoro que eu tive e que havia respeitado e muito a Patrícia (nome fictício). 
    Me chamaram de pedófilo, de doente, uma mulher do grupo rogou uma praga para que o meu bilau caísse e outro disse que iria cortá-lo. Não tive muito tempo para responder e tentar explicar o que havia realmente acontecido. A sensação que tive é que havia violentado a menina, tamanha era a revolta de alguns membros desse grupo, até fui excluído sem chance de defesa. Até um serial Killer tem chance de se defender... Existem vários grupos de depressão no facebook, e contei o mesmo fato e não me condenaram ou me julgaram. Creio que o que aconteceu foi mais uma descarga de sentimentos negativos para cima de minha pessoa. Algumas pessoas infelizmente guardam ódio em seus corações e não perdem nenhuma oportunidade de fazer esse descarrego em outras pessoas. Esses sentimentos negativos envenenam essas pessoas, e parecem que sentem necessidade de descarregar um pouco disso, já que, se guardarem dentro de si mesmas, certamente iriam ter uma doença psicossomática. Gostaria de deixar bem claro que foram umas quinze pessoas em um grupo com oito mil membros que me condenaram sem chance de me explicar. E é isso o que vou tentar fazer aqui no blog.
o cara que afirmou que eu tinha cara de doente tinha cara de terrorista shasuhasuahsuas Na verdade eu havia tirado um print da foto do perfil dele para fazer uma montagem e uma brincadeira, mas não tive tempo pois me excluíram do grupo... 
    Depois de um certo tempo levando as pancadas de alguns membros do grupo, consegui absorver o impacto de tanta agressividade e acabei levando na brincadeira. Um cara que disse que eu tinha cara de doente parecia um terrorista (foto acima) Como esse visual certamente teria dificuldades para entrar nos Estados Unidos. Até havia tirado um print com a foto de perfil dele para fazer uma brincadeira, mas não houve tempo, pois já haviam me excluído do grupo, sem ao menos ter uma chance de me explicar sobre o fato. Mas, como já disse na primeira parte deste post, já faz algum tempo que não ligo mais para o que as pessoas pensam a meu respeito. O que não falta neste mundo são pessoas para nos julgar. Acho que nem vai precisar de Deus descer a terra no fim dos tempos... 
    Mas, para a minha felicidade tenho este blog, em que posso contar o que penso e o que se passa comigo. Vou tentar explicar o que aconteceu. Conheci Patrícia no carnaval de 1993. Estava trabalhando em uma festa como operador de som. Ela se aproximou e começou a conversar comigo. Pelo diálogo, Patrícia parecia ter uns quinze anos. Conversava normalmente, apesar de ser um pouco tímida. Depois de um pouco de conversa, ela me pediu um beijo. Fiquei encantado com a simplicidade dela e a beijei. Depois, no outro dia, na mesma festa, nos encontramos novamente. E no outro final de semana combinamos de sair para ir ao cinema. Na época estava passando nas telonas o filme "Ghost, do outro lado da vida". Eu queria assistir um filme de terror, mas ela acabou me convencendo a assistir essa deliciosa comédia romântica. Rimos muito e, no entardecer, fomos tomar um sorvete. No caminho, uma mulher nos encarou com um certo ar de reprovação. Neste instante é que me dei conta da situação: eu, um adulto de 23 anos namorando uma garota que estava entrando na adolescência. Até o meu cabelo era maior do que o dela...
   O problema não era tanto a diferença de idade, e sim nos estágios em que nos encontrávamos. Por exemplo, não há tanta diferença entre um casal em que um tenha 33 e o outro tenha 43 anos, pois ambos são adultos. Confesso que, na hora em que a mulher me encarou, fiquei meio sem graça, e sem saber o que fazer e dizer para a Patrícia. Então a levei até o ponto de ônibus e nos despedimos sem nos beijarmos. Ela havia me perguntado o que havia acontecido, por eu estar um pouco estranho. Ficou com o semblante triste, parecia que sabia o que estava acontecendo e que nunca mais iríamos nos encontrar. O nosso contato era o telefone da firma onde eu trabalhava, na época ainda não havia o telefone celular, se tinha era coisa de rico mesmo...

pronto, agora estou namorando uma mulher madura...
    Não quero aqui me defender, dar uma de santinho. Tenho os meus erros e defeitos, mas nesta situação não tive maldade nenhuma. Respeitei e muito aquela menina. E, naquela época, tinha 23 anos, mas a mentalidade era de um garoto de 17, no máximo. E, como já disse, a Patrícia conversava como se tivesse uns 15 anos. Confesso que até o momento em que a mulher me olhou com cara de reprovação, não havia pensado um minuto sequer na diferença de idade que havia entre nós. Sequer cogitei em fazer sexo com ela e não passamos de beijos e abraços, nada de mão boba. Tenho a consciência tranquila, tanto que narrei esta situação no livro que escrevi, para tentar melhor ilustrar como eu era uma pessoa distraída e um pouco sem maldade. Não tive pai, e a minha mãe tem problemas de audição, ou seja, tive que aprender as coisas da vida com a prática e com os meus próprios erros. Não tive ninguém para dizer o que era correto e aceito pela sociedade. E até hoje vou aprendendo e tentando compreender esse mundo maluco.
    Hoje, mais maduro, aprendi que existem pessoas que só sabem condenar e que não gostam de nos vermos em paz. Para termos inimigos, não é preciso ter sucesso ou ser rico, basta ter paz e ser feliz. Naquele grupo geralmente apenas postava o que colocava aqui no blog, ou então tentava dar conselhos que eu imaginava que fossem bons. O principal deles era de que a nossa felicidade não deveria depender única e exclusivamente de uma pessoa, pois algumas mulheres colocavam a culpa de suas desilusões e infelicidade em algum homem que as haviam traído. E nunca postei nada negativo, não gosto de ficar me lamentando por coisas do passado, o que passou, passou. Mas não condeno as pessoas que fazem isso, também é bom desabafarmos nos momentos difíceis. Tentava ajudar as pessoas daquele grupo com mensagens positivas, mas algumas pessoas desses grupos se identificam mais com as mensagens negativas e até condenam quem posta algo positivo. Quando uma pessoa posta que está bem, algumas pessoas vão logo perguntando: "Se você está bem, então o que está fazendo aqui neste grupo?" 
   E foi com a intenção de desabafar que escrevi sobre este assunto. Realmente naquela época não tinha essa maldade. Tive que surtar, enlouquecer, quase morrer, comer o lixo que o diabo amassou, para me conhecer melhor e a me entender como pessoa. Não sou um pedófilo, não violentei a Patrícia, e tenho certeza absoluta que, se ela por acaso tem lembranças de minha pessoa, sei que são boas e positivas, pois, como já disse, a respeitei como se deve respeitar uma mulher que gostamos. De que adianta o casal ter uma idade compatível se não há respeito? Se o cara mata a mulher caso ela queira a separação, ou então ela corta o bilau do cara se for traída? Garanto que respeitei Patrícia do que muitos casais "maduros" se respeitam...
    E confesso que até hoje não havia me dado conta dessa questão da diferença de idade entre a gente. Foi preciso ser esculachado naquele grupo para pensar melhor a respeito. Hoje em dia, já penso diferente daquele Júlio que tinha 23 anos, mas com mentalidade e maldade de um garoto de uns 17 anos. Concordo que a diferença, não de idade, mas de fase, não é muito aconselhável para se namorar. Confesso também que ficaria chateado se tivesse uma filha de 13 anos e um cara adulto a quisesse namorar. O que pega não é a diferença de idade, e sim a fase da vida dos envolvidos. Afinal com 13 anos a pessoa está entrando na adolescência hoje em dia. Na minha época as coisas eram um pouco diferentes. Éramos crianças até os 15 anos. Confesso que brincava de esconde-esconde até essa idade. Por volta dos 16 anos é que comecei a me enturmar com caras da minha idade e acabei virando rockeiro. E tudo começou a mudar quando tive que começar a trabalhar aos 17 anos, mas ainda tinha um pouco de criança dentro de mim. ( acho que tenho até hoje, ainda bem). 
    Acho que só comecei a conhecer a maldade dos humanos por volta dos 27 anos, em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais. Trabalhava em uma firma de sonorização e era muito querido pelos clientes da firma. E ganhava um salário bem mais alto do que o resto dos funcionários. Isto gerou uma revolta neles e ai começou uma série de intrigas. Queriam de qualquer jeito me prejudicar e me desestabilizar, e conseguiram, e acabei surtando aos 32 anos de idade. Pessoas que eu havia ensinado um pouco a arte de operar uma mesa de som simplesmente queriam me prejudicar para ocuparem o meu lugar. Essa ingratidão me deixou um pouco deprimido. 
    Mas, como disse, não sou de me lamentar, Tenho mais que agradece do que reclamar da vida, pois até dos momentos difíceis procuro tirar proveito e aprendizados. E, foi conhecendo a esquizofrenia que passei a me conhecer melhor. E, o mais importante, cheguei à conclusão de que posso ter a consciência tranquila, apesar dos inúmeros erros que cometi na minha vida, e que ainda cometo. 
    Quando era evangélico, perguntei para o pastor da igreja que frequentava:
    - O que vai acontecer com os povos que não conhecem a bíblia? Afinal, eles não têm culpa de não terem conhecido a palavra de Deus, afinal, ninguém foi até á eles para lhes mostrar o evangelho. Será que eles irão para o inferno?
    - A pessoa que não teve oportunidade de conhecer o evangelho será julgada de acordo com a sua consciência. - me respondeu o pastor.
    Já um outro pastor me afirmou que todos serão condenados, Um outro chegou a me dizer que todos que não conheceram a bíblia serão salvos. Ou seja, três situações para um mesmo fato. Mas acredito no pastor que falou sobre a consciência. Por exemplo, um índio, que não tem contato com a "civilização", tem os seus rituais em que usam plantas alucinógenas para terem contato com os "espíritos" (ou supostos espíritos). Fico me perguntando: eles têm consciência de que, pela ótica do ser humano dito civilizado, estão se drogando? Se por acaso tivéssemos nascido em uma tribo indígena, não estaríamos fazendo o mesmo? Ou se tivéssemos nascido na Índia, não estaríamos cultuando a vaca e outros animais?
    Foi o que aconteceu com a Patrícia. A minha consciência está tranquila e até hoje não tive nenhum sentimento de culpa. Posso ter certeza de que nenhum outro namorado que ela deve ter tido a respeitou mais do que eu. Pode ter respeitado tão quanto, mas não mais.
    Não ofereci dinheiro para a Patrícia, apenas respeito e carinho. Não sei se o que fiz é um crime previsto na lei, não consultei nenhum advogado antes de publicar o fato no livro e tampouco agora no blog. Cheguei a pensar em perguntar para um policial sobre este fato, mas voltei atrás, por que o mais importante é ter a consciência tranquila. Além de não oferecer dinheiro, ela é que tinha o meu contato. Não sabia onde morava, e o nosso relacionamento durou cerca de quinze dias, ou seja, três encontros.
     Até quando surtei e tive um enorme sentimento de culpa, não havia pensado neste assunto. Estava me condenando demasiadamente por ter supostamente contaminado algumas pessoas com o vírus HIV, já que na cidade onde morava rolava um boato de que eu estava com aids. E é aquela história: uma mentira dita várias vezes acaba se tornando verdade, e até eu mesmo acabei acreditando neste boato, quando surtei. Quem leu o livro e acompanha o blog sabe muito bem como foi essa história, em que cheguei a acreditar que até os laboratórios estavam contra a minha pessoa, falsificando os resultados que davam negativo. Pensava que alteravam para negativo para que eu não tivesse acesso aos medicamentos e assim morresse mais rápido e com maior sofrimento. Cheguei a pedir para a polícia me prender, pois me considerava um assassino, só pelo fato de imaginar que poderia ter contaminado algumas pessoas, apesar de quase sempre me cuidar nas relações que tive.
    Resumindo, hoje sei que errei ao namorar uma menina de 13 anos, mas também a minha consciência está tranquila, pois, como disse várias vezes, a respeitei muito e na verdade quem a estava namorando era um cara meio sem maldade com uma mentalidade de uns 17 anos, no máximo.
    Me desculpem por esta parte da postagem ter sido um pouco longa, mas é realmente uma questão complexa. Não acho muito legal um cara de 23 anos namorar uma garota de 13, mas na época eu tinha uma idade mental um pouco abaixo da idade física e não conseguia enxergar maldade em nada. E também sempre aparentei menos idade do que realmente tenho, e então sempre apareciam garotas com menos idade do que a minha. 

Passe livre...
    Creio que deve ser a terceira vez que toco neste assunto um pouco polêmico: o passe livre para os portadores de esquizofrenia. É um pouco polêmico pelo fato de haver controvérsias sobre o fato da esquizofrenia ser considerada ou não uma deficiência mental. E essa lei parece que é interpretada de várias formas nos municípios do nosso país. Não entendo muito de leis, mas creio que deve ser uma lei municipal e não federal. Ou se é uma lei federal, cada cidade a interpreta de uma maneira. Já tive o passe livre na cidade de Ipatinga-MG. Não teve nenhuma burocracia na hora de adquirir este benefício, apenas apresentar a documentação e o laudo psiquiátrico. Em São Paulo quem faz tratamento nos diversos CAPS espalhados pela cidade também tem esse direito. 
    Infelizmente aqui em Belo Horizonte a situação é bom complicada. O portador de esquizofrenia tem o direito do transporte para fazer o seu tratamento. O que fazem então? Apenas fornecem os vales transportes na quantidade exata, isso quando não falta o vale transporte na rede. Muitos têm que se locomoverem a pé, para fazer o tratamento ou então frequentar algum centro de convivência, a fim de fazer algum curso ou oficina. Infelizmente para o pessoal da saúde mental o tratamento consiste apenas em se entupir de medicamentos. Esquecem de outras coisas como: se sentir útil, ocupar a mente com algo que lhes agradem, a própria convivência com outros portadores, e por ai vai. A maioria não tem nenhum tipo de benefício, nem a aposentadoria e muito menos o LOAS. Só o direito de ir e vir já é uma grande possibilidade de uma boa melhora no tratamento. Em Ipatinga eu cheguei a fazer alguns cursos e isso me fez muito bem. Infelizmente o transporte público aqui em Belo Horizonte é caro, e não tem como gastar quase sete reais todos os dias em transporte para frequentar cursos ou palestras ou qualquer outra coisa, a fim de diversão mesmo.
    Neste momento está tendo esse tipo de problema: está faltando vales transporte para quase todos os centros de convivência aqui da capital mineira. O campeonato de futebol e outros esportes, que iria acontecer na próxima semana, foi cancelado. Nem adiado foi, não vai ter mesmo esse ano. O pessoal do centro de convivência que frequento estava animado para o campeonato de futebol, estávamos até treinando duas vezes por semana. Eu, apesar da idade (46 anos) também estava começando a me animar, as dores que apareciam depois dos treinos já estavam diminuindo, pois estou há quase nove meses num sedentarismo brabo. Depois que aluguei o quarto, agora só fico no PC e na TV. Mas consegui emagrecer um pouquinho e já estava melhor fisicamente. E o pessoal fica animado quando chega o campeonato. Foi possível sentir a frustração do pessoal ao saber da notícia do cancelamento.
    Por que será que aqui em Belo Horizonte é tão difícil de se conseguir esse benefício? Eu mesmo já tentei, e pude constatar que o mesmo só é concedido aos portadores que tem um déficit mental que seja bem fácil de se constatar. O portador tem que ir acompanhado e tem que ser comprovado que é praticamente incapaz de se locomover sozinho pelas ruas da cidade. O sofrimento mental para um portador de esquizofrenia não depende do fato do mesmo ter ou não déficit mental e sim na gravidade do caso e na sua situação econômica e familiar, dente outras coisas. O apoio e a compreensão da família são muito importantes. 
    O jeito então é ficarmos trancados em nossas casas, e apenas sair para fazer o tratamento e nos doparmos. Infelizmente esse é o conceito de tratamento para algumas pessoas da saúde mental por aqui, pois quase não vejo ninguém lutar por esse direito que é dos portadores de esquizofrenia. Já tentei conversar com um vereador sobre o assunto, mas ele gostaria que mais pessoas entrassem nessa briga. Ele quis saber quantas pessoas seriam beneficiadas, quantas pessoas usam o serviço da saúde mental aqui em Belo Horizonte. E infelizmente eu não tenho essas informações e não vi ninguém que pudesse se engajar nesta luta. Tive que desistir. Por mim faria uma manifestação pacífica, ou no centro da cidade, ou então na câmera dos vereadores. Hoje todo mundo faz protesto e alguns são nada pacíficos, então por que não podemos protestar pacificamente? Falta coragem, incentivo? Por mim montaria a minha barraquinha na câmara dos vereadores e ficaria ali por um tempo, para chamar a atenção dos nossos políticos para esse fato. Mas sozinho é praticamente impossível que algo aconteça. Seria considerado um louco e provavelmente seria "convidado" a me retirar da câmara. Aqui sempre quando querem protestar o pessoal acampa no gramado do jardim da câmara, fazem festas à noite e outras coisas mais. 


Texto: O louco
o novo filme: "O homem malucão" shaushasuahsuahsas
     Depois de quatro anos resolvi gravar um vídeo, mas não é nada de especial. Apenas "declamo" o texto "O louco", que recebi em um ônibus. Não sei se foi coincidência ou obra do destino, mas recebi esse texto que fala sobre a loucura. Na verdade acho que não foi nenhuma destas duas situações, o cara que estava vendendo os textos no ônibus "acho que me achou" que eu era um louco mesmo. E não  achei ruim, na verdade fico ofendido se me chamarem de normal. O mundo até hoje foi governado pelos ditos normais, e estamos ai nesta situação, que nem é preciso comentar, basta abrir um jornal ou um site de notícias na internet. 
   O cabelo está mais curto e branco (estou com 46 anos), a dicção continua péssima, o desconforto na hora de gravar um vídeo também continua. A camisa é da mesma cor do que a do primeiro video de quatro anos atrás, mas é outra camisa, é que gosto da cor...
   Mas, apesar do desconforto, resolvi gravar, pois acho este texto maravilhoso e que diz muito com poucas palavras. Em condições normais, falo um pouco mais alto, mas quando gravo vídeos tenho a sensação que tem alguém escutando do lado de fora e ai falo bem baixo. Tive que usar o microfone próximo da boca e ainda depois tive que amplificar o som em um editor de áudio, mas dá para ouvir perfeitamente, afinal, trabalhei com áudio por 17 anos né?

    Por fim, gostaria de agradecer à todos os administradores dos grupos do facebook que publicam as minhas postagens. Sem essa ajuda de divulgação, o blog teria menor alcance do que já tem. Quanto aos que não publicam as minhas postagens, só lamento, pois nem sempre a sabedoria vem de palavras e termos difíceis.