quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O "pan" nosso de cada dia

diazepan e esquizofrenia

    São onze horas e quarenta e dois minutos da noite. Viro para a  direita, viro para a esquerda, fico de bruços, mas o sono não vem. Ai me lembro que esqueci de tomar o meu companheiro de todas as noites: o diazepan. Não adianta, a mente pode até esquecer, mas o corpo nunca esquece de nos dizer que está faltando algo para que possamos "relaxar" e assim tentar dormir e cair no sono, mesmo que este sono seja artificial e não nos ajude a recuperar as energias gastas em mais um dia de luta.
   Somente os jogos da seleção do Mano Menezes para me proporcionarem um sono profundo sem precisar de recorrer ao diazepan (ontem, 14/11/12,  conseguimos empatar com a "poderosíssima" seleção da Colômbia). O jogo foi tão ruim que apaguei antes mesmo de terminar o primeiro tempo...
    Me lembro como se fosse hoje a primeira vez em que pisei em um consultório de psiquiatria. Ainda estava morando nas ruas, devido à um surto psicótico que tive. Fui obrigado a fazer um enorme barraco na unidade de saúde do bairro Santo André, aqui em Belo Horizonte. O pessoal  não estava querendo me atender, pelo simples fato de que eu ainda não tinha  um endereço fixo. Disse então que o meu endereço a partir daquele momento seria a porta do posto de saúde, e que não sairia de lá enquanto não fosse atendido. Ai foi um reboliço danado, falaram que eu era doido, etc. Como é engraçado né? Quem usa os "serviços" do SUS deve entender o que eu estou falando: quando solicitamos algo aos funcionários com educação, somos mal atendidos e não nos dão atenção. Então, muitas pessoas dão um piti no local e são atendidos rapidamente. E ainda colocam aquele aviso na parede dizendo que desrespeitar funcionário público é crime. Mas também alguns funcionários nos dão a impressão que estão fazendo uma obrigação em nos atender, como se não fossemos nós que não pagássemos o salário deles. Digo alguns funcionários, pois existem pessoas atenciosas trabalhando no SUS, apesar de não terem condições mínimas de trabalho.



    Voltando então a minha minha primeira consulta com o psiquiatra. Já estava super bem, o surto havia passado há uns três meses. Estava super comunicativo e tendo um sono razoável, mesmo dormindo em um pedaço de papelão debaixo da marquise de um prédio. Não não estava mais enxergando inimigos por todos os lados, muito pelo contrário, estava me sentindo mais leve e bem disposto. Costumo dizer que a solidariedade das pessoas foi o meu melhor remédio naquela situação. 
    Mas ainda estava um pouco assustado com toda aquela piração pela qual passei. Muitas dúvidas ainda povoavam meus pensamentos. O que teria acontecido comigo? Seriam espíritos do mal que haviam se apossado de mim? Alguém teria colocado alguma droga em algo que havia bebido? Ou eu era realmente um louco? Aquilo tudo poderia voltar de uma hora para outra?
   Então, depois de muita insistência, consegui atendimento em posto de saúde no centro de Belo Horizonte. Estava muito ansioso para essa minha primeira consulta com o psiquiatra. Mas confesso que fui ficando desanimado ao constatar que as pessoas eram atendidas em menos de dez minutos. Me perguntei como seria possível resolver os problemas da mente de uma pessoa em tão pouco tempo. 
    Ao chegar a minha vez, entrei correndo para o consultório. A minha expectativa era de que o psiquiatra me receitasse um remédio milagroso que acabaria de uma vez por todas com os meus complexos e paranoias. Também queria um remédio que me faria dormir o sono dos justos. 
    O psiquiatra sequer me cumprimentou e também nem chegou a olhar para mim. Apenas perguntou o que eu tive. Fiquei um pouco desesperado, não sabia como contar em poucos minutos aquela loucura toda que havia acontecido comigo nos últimos meses. Sinceramente, não lembro do que disse, talvez tenha citado o tempo que permaneci no meio do mato. Só sei que, em menos de cinco minutos, após fazer algumas anotações, ele me passou um remédio chamado melleril. E, como eu tinha pedido algo para dormir, me receitou o lorazepan. 
    O que mais me deixou chateado nisso tudo, além do pouco tempo do atendimento, foi o descaso desse psiquiatra. Ele cometeu um equívoco, pois apenas perguntou o que havia acontecido comigo, e esqueceu de perguntar como eu estava me sentindo naquele momento. Como já disse, eu estava muito bem, comunicativo, tranquilo, em paz, já havia até recuperado o meu peso normal. Não tem como se fazer um diagnóstico e receitar um medicamento em cinco minutos. O que eu mais precisava naquele momento era de esclarecimento e talvez de um acompanhamento psicológico, para avaliar se eu correria ou não o risco de ter um novo surto. 
    Não tive nenhuma dessas coisas, e, como estava me sentindo bem, decidi que já era hora de voltar a trabalhar. Após algumas tentativas frustradas de trabalho em Belo Horizonte, resolvi voltar a trabalhar na mesma cidade onde desencadeei o meu primeiro surto. Não demorou muito e surtei novamente. Era como se fosse a repetição de um filme, pois fui muito caluniado naquele lugar. Sem contar as inimizades que tive por lá. O motivo dessas inimizades até hoje não descobri, pois, nunca tive problema parecido nas várias cidades por onde havia trabalhado. Voltei para as ruas novamente, só que dessa vez fui ajudado por pessoas que apareceram na hora certa e no lugar certo.
    Mas, voltando ao assunto diazepan, hoje não consigo ficar sem esse medicamento. Já cheguei a tomar dois por dia, quer dizer, a noite, antes de dormir. Já houve época em que não conseguia ir ao centro da cidade sem tomar um diazepan. Ficava desesperado só de constatar que a cartela do comprimido não estava no meu bolso. Hoje, com a situação mais ou menos estabilizada, consigo tomar apenas um na hora de dormir e pretendo ir diminuindo aos poucos até quem sabe um dia não ficar mais dependente dessa droga que prejudica um pouco a minha memória. 
    Já tentei parar de uma vez com o diazepan, mas estava ficando irritado facilmente e fiquei com receio que pudesse surtar novamente, pois a minha mania de perseguição começou a ficar bem acima dos níveis que costumo ter normalmente. 
    Por que os psiquiatras e médicos em geral não costumam alertar os seus pacientes sobre os riscos de dependência física e psicológica que esses ansiolíticos podem causar? Seria descaso? 
    Esses medicamentos apenas ajudam a conciliar o sono, não fazem milagres. Não irão fazer você esquecer seus problemas, não irão pagar suas contas e apagar da sua mente o que está tirando o seu sono. A não ser que você faça como o Michael Jackson fazia, tomando anestesia para dormir. Acho que os médicos também deveriam alertar que esses medicamentos com o tempo já não fazem o mesmo efeito, ou seja, a dose terá que ser aumentada com o decorrer dos anos.
o diazepan é apenas uma ajuda por um breve tempo... 

   Será que é tão difícil assim fazer essas duas pequenas recomendações? Demora tanto tempo assim? Alguns irão dizer: "Ah, mas isso está escrito na embalagem e na bula do remédio"... Até que está escrito, mas em qual tamanho? Por que nas embalagens do cigarro são colocadas aquelas fotos horríveis e na dos medicamentos não tem uma advertência mais visível? Será que é por que o cigarro está trazendo prejuízos ao governo devido as doenças causadas pelo tabaco? Já o diazepan não é tão caro assim, ou seja, traz prejuízos apenas a quem o usa. Sem contar que a maioria das pessoas que utilizam o SUS, não pegam a embalagem do produto e nem a bula, apenas as cartelas. E, mesmo se tivesse acesso a bula, muitos não entenderiam o que está escrito nela. Não estou aqui querendo dizer que o diazepan é um medicamento desnecessário, às vezes, em alguns casos de urgência, eles são muito úteis. Eu só quero dizer que seria muito útil os profissionais da saúde, antes de receitarem esse medicamento, fizessem essas advertências, pois grande parte das pessoas pensam que os "pans" são milagrosos, fazendo com que consigamos dormir o sono dos justos. 
    A minha memória dos fatos recentes já não está tão boa assim. O engraçado é que consigo lembrar de fatos antigos com detalhes. Percebi isso ao escrever o livro Mente Dividida. Pelo que pesquisei, um dos efeitos colaterais do diazepan é o esquecimento dos fatos recentes. Até que consigo dormir tomando o medicamento (quando os vizinhos deixam né?) mas a sensação de manhã é a de que não dormi quase nada, talvez pelo fato do diazepan não fazer com que cheguemos a fase do  sono rem, que é o sono reparador e que nos deixa mais dispostos e prontos para enfrentar um novo dia. 
     Existe um outro medicamento para dormir, que não é da família dos benzodiazepínicos, que se chama levozine. Esse faz até elefante dormir, mas o problema é que o efeito dele não cessa às sete horas da manhã, ficamos dopados até por volta do meio dia. Outro  problema acontece quando dá vontade de urinar no meio da noite. A sensação ao levantarmos é de que estamos bêbados, e o corredor fica estreito demais até chegarmos o banheiro. A solução seria o tradicional e velho pinico, que não gosto muito não. Tomei esse medicamento apenas por um dia, pois não posso ficar na cama até o meio dia né? 
    Então, ai vai o conselho: pensem duas vezes antes de começarem a tomar medicamentos para dormir. Isso pode ser para a vida inteira. Para mim vale o ditado: " Mais vale duas horas de sono natural do que duas com remédios". Tentem um chá de erva cidreira, um copo de leite morno antes de dormir, ouvir uma música suave, ver os jogos da seleção, etc. Tentem também resolver os problemas que estão lhe tirando o sono pois nenhum medicamento irá fazer isso por você. 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Divagações esquizofrênicas 2

    Hoje(06/11) foi dia de pagamento. Até ai, nenhuma novidade, a não ser por uma grande diferença: não estava tão agitado como das vezes anteriores, em que chegava ao banco por volta das sete e meia da manhã, reclamava com quem tentava furar fila, enfim, uma ansiedade perturbadora. Mas, hoje, diferentemente dos meses anteriores,  cheguei ao banco por volta das nove horas da manhã, com uma certa tranquilidade. Saquei o dinheiro, fiz algumas compras, paguei as minhas contas e o aluguel, sem o costumeiro desespero de me livrar do dinheiro com receio de que fosse roubado ou então que perdesse o pagamento.
    Creio que isso talvez seja pelo fato de eu estar consumindo o ômega 3 há quase dois meses. Estou mais tranquilo e menos ansioso. Consequentemente diminui o consumo de chocolate, doces e massas. Nem eu mesmo acreditei que consegui encarar de frente a torta alemã da padaria, que estava novinha! Olhei para ela  com um certo ar de superioridade, como que dizendo:
- Ha ha! Não preciso mais de você!
Em relação as paranoias, senti uma pequena melhora também, mas não tão significativa. Já consigo sair de casa sem tantos pensamentos persecutórios (xi, baixou o psiquiatra). Continuo usando os fones de ouvido, mas por costume mesmo e por gostar de música, nem tanto para me desligar do mundo à minha volta. O desconforto de ficar em lugares fechados ainda persiste, principalmente no banco e supermercado. Quando o caixa eletrônico do banco informou que eu não poderia sacar o valor que eu digitei, fiquei meio desesperado e ai a capacidade de raciocinar foi embora. Perguntei ao atendente o que estava acontecendo e ele me disse que os caixas não estavam abastecidos com notas de dois reais. Respirei fundo para dar uma oxigenada no cérebro e saquei o dinheiro, deixando dois reais para o próximo mês. 
    Já em relação ao estado de ânimo, creio que não houve uma melhora não, sinto que vou ter que partir para os antidepressivos mesmo. Fica até difícil fazer uma análise, pois o meu estado de ânimo oscila muito de um dia para outro, o que já me fez pensar que eu fosse bipolar. Mas esta hipótese está descartada, pois, pelo que pesquisei, os bipolares ficam um bom período no estado de mania, para depois entrarem também um bom tempo na depressão. Meu humor oscila tanto de um dia para outro, que tenho até receio de marcar um compromisso, pelo simples fato de não saber como vou estar no dia seguinte. Do nada, vem uma vontade de viver e uma alegria tão intensa, que saio cantando por ai, para, no outro dia, estar na cama, como se tivesse acabado de perder um bilhete da mega sena premiado. 
    Falta agora saber se realmente o ômega 3 é eficaz para baixar os triglicerídeos, que, na última vez que fiz o exame, estava em 580mg, sendo que o a taxa limítrofe(agora baixou o médico) é de 200mg. Creio que todos sabem que o produto é bom para baixar o colesterol e os triglicerídeos no sangue. Sinto que tenha baixado sim, só falta saber o quanto, pois, como disse o início, como a ansiedade diminuiu, parei de comer as besteiradas e até emagreci um quilo. Assim que fizer o exame de sangue, postarei aqui o resultado para dividir com vocês se o produto realmente cumpre o que promete. Deve demorar um pouco, pois, como disse no post anterior, a saúde pública onde moro está na UTI.
    Para encerrar o assunto ômega 3, eu recomendo aos portadores de esquizofrenia que experimentem o  produto. Além de não ser caro, é um produto natural. É preciso um pouco de paciência e tempo, pois os resultados não são imediatos, creio que comecei mesmo a sentir uma melhora depois de uns trinta dias. Comprei o produto em uma farmácia de manipulação. Sessenta cápsulas de 1000mg custaram 32 reais, ou seja, o gasto por mês com esse produto é de 16 reais. Não custa muito tentar né? 
    Vale ressaltar aqui que não estou dizendo para que parem com a medicação. Não posso fazer isso e nem ficar receitando remédios. O ômega 3 é um produto natural e por isso estou compartilhando algo que me fez sentir bem. Não posso dizer que irá dar resultado em todos os casos, principalmente nos mais graves. 
    Nesse último final de semana, tive uma paranoia semelhante ao caso da mancha roxa(ela de novo) nos olhos. Estava com febre alta, dor de cabeça, meu coração acelerava só de subir um escada. Novamente os pensamentos de que pessoas estariam querendo me envenenar tomaram conta dos meus pensamentos. Tive que analisar tudo o que havia ingerido nos últimos dias e a lista de suspeitos ficou enorme. Fiquei triste, chorei, rezei, orei, conversei com Deus para que aquilo tudo tivesse um fim, se não seria melhor que eu não fosse embora deste mundo. Sonhei em ter muito dinheiro, pois queria mudar para um lugar bem distante, onde as pessoas não me conhecessem. É uma luta interior muito grande, analisar se as pessoas do seu dia a dia teriam ou não a coragem de lhe fazer algo de mal. Na cidade onde moro atualmente, só tenho que agradecer pelo simples fato de ser tratado como uma pessoa normal, passo pelas ruas e não ouço nenhum comentário a meu respeito, o que acontecia muita na cidade onde morava há uns dez anos atrás. Minha pequena melhora se deve e muito a esse fato, de ter me mudado para uma cidade maior onde as pessoas não ligam tanto para a vida dos outros. Mas é muito triste recusar um cafezinho por temer algo que está fora do meu alcance. Infelizmente isso não depende de mim, mas não conto isso para as pessoas, com receio de que não entendam e se sintam ofendidas. Mas ainda bem que esse mal estar durou apenas três dias e as desconfianças foram embora. 
    Por falar em mal estar, há cerca de uma semana  acabei  de passar por uma via crucis, que é a chamada cura do limão. Mas é um mal estar que no final é benéfico, como vocês podem pesquisar no link. É como se fosse um tratamento para desintoxicar o organismo, principalmente o sangue. Basicamente, o tratamento consiste em tomar, durante vinte dias, cerca de 110 limões. Sim, não é exagero não! E o pior, em jejum e puro, sem adicionar água. No primeiro dia, toma-se o suco de um limão, no segundo dia dois, e assim por diante, até chegar no décimo dia, quando se toma o suco de dez limões. A partir dai, faz-se  o inverso, regredindo para nove limões, oito, até chegar a um limão. É um processo desgastante, não estou indicando que façam isso, pois sente-se náuseas, tonturas e ânsia de vômito. Quem está trabalhando ou estudando por favor não façam isso, pois com certeza terão o seu rendimento prejudicado em suas atividades. Mas, depois de alguns dias do término do tratamento, sinto-me mais disposto e mais revigorado. No décimo dia, em que tenho que tomar o suco de dez limões em jejum, confesso que fico com muita tontura e com náuseas. Mas, se não nos lavamos por fora, por que não teremos que fazer uma limpeza interior? Infelizmente, devido aos alimentos industrializados que consumimos, as toxinas e impurezas ficam acumuladas no sangue e em nossos órgãos, e por isso faço essa desintoxicação uma vez por ano. 
    Encaro a cura do limão como um ritual também de purificação e de sobrevivência, um auto flagelo mesmo. Assim como a águia, que, por volta dos 40 anos, tem que se isolar e se auto flagelar para conseguir chegar aos 70 anos. Essa ave, no meio da vida, já fica sem condições de sobreviver em meio a natureza. Seu bico já está curvado, suas unhas já não estão fortes, suas penas já estão pesadas. Então, ela voa para o alto de uma montanha, quebra o seu bico, arranca suas unhas e suas penas para que tudo renasça com  a mesma força de antes. Esse processo demora cerca de 150 dias e ela já estava pronta para viver mais uns 30 anos. 

    Ontem(07/11) fui à cidade onde tive os meus surtos psicóticos e tive inúmeras inimizades. Confesso que vou lá, em primeiro lugar, para visitar as poucas pessoas que me entendiam e que não queriam o meu mal. Mas não vou negar que voltei a essa cidade simplesmente para mostrar as pessoas que ainda estou vivo, ao contrário do que elas haviam imaginado, não tenho aids e meus exames de saúde estão em dia. Aqueles dias de surto nessa cidade me deixaram marcas, que não consigo esquecer, pois tenho que conviver diariamente com todas essas paranoias que se iniciaram por lá. Como disse anteriormente não culpo a cidade por ter esquizofrenia, mas que várias pessoas que moravam lá ajudaram e muito a desencadear os surtos psicóticos, devido as inúmeras calúnias a meu respeito. Infelizmente eu prestava muita atenção ao que as pessoas falavam e pensavam de mim, e isso só me fez mal. Para entender esta historia toda, só lendo o livro mesmo, não tem como explicar tudo o que aconteceu em um único post. Mas, comparo tudo aquilo como uma guerra, só que bombardeio foi mental. Sai com vida, porém ferido e com cicatrizes que sinto que não sumirão de minha mente. 
    Quando estava andando pela cidade, pessoas que estavam sentadas em uma mesa do bar do outro lado da rua começaram a me ridicularizar. Para variar, estava ouvindo música, e, para entender o que estavam falando, diminui o volume do celular. O que deu para ouvir no final foi: " Olha lá o rei dos doidos!" E riram. Provavelmente, algumas pessoas daquela cidade já devem ter lido o blog ou visto os meus videos no youtube. Para completar o meu complexo messiânico, que já não o tenho mais, só faltaria colocar uma coroa de espinhos em minha cabeça e me crucificarem. Mas, como disse anteriormente, toda a experiência negativa tem um lado positivo, e as dificuldades que passei ao enfrentar a esquizofrenia sozinho me fizeram uma pessoa mais forte, e as palavras já não me ferem como antigamente. Então, aumentei o volume da música e continuei a seguir o meu caminho, sem ao menos olhar para essas pessoas que tentaram me ridicularizar. Para variar, eram pessoas que não tinham o que fazer, a não ser falar da vida alheia. Fazer o que né? 
-obs: pessoal, não deixem de votar na enquete. Agora parece que o problema foi regularizado e os votos não estão sendo zerados. Seria muito bom ter uma ideia da avaliação dos usuários sobre a saúde pública, se bem que o resultado já um pouco previsível né?

Galeria de arte 3

    Essa semana estou postando o trabalho do Rodrigo Quirino, que, assim como eu, tem esquizofrenia paranoide. Ele trabalha com desenhos criados no computador, a partir dos programas autocad e photoshop, e também com faz desenhos manuais, usando o guache e outros materiais.
    Aqui estão apenas algumas amostras do seu trabalho. Quem desejar conhecer mais o seu trabalho, é só visitar o seu perfil no orkut:
http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=9996494491080896433
    Ou então no facebook:
http://www.facebook.com/rodrigo.quirino.18

        


         



     


                O espaço estará sempre aberto à todas as pessoas que desejarem mostrar e divulgar o seu trabalho, mostrando que o transtorno mental não limita em nada a nossa forma de nos expressar, seja através da pintura, escrita, música ou qualquer outro meio que a arte está inserida.

                                                                                                                                                                               



       

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O atirador de São Paulo

   Ipatinga 39°C, céu com poucas nuvens e sem previsão de chuva. Umidade relativa do ar é de 28%. A sensação térmica é de aproximadamente uns 42°C. Hoje fui tomar banho e pensei que o chuveiro estava ligado na posição inverno, de tão quente que estava a água que fica nos canos.
   Nessas condições, minha pressão arterial cai pra 10x6 e fico meio borocoxô. Já medi a pressão várias vezes e a enfermeira na última vez disse que se eu comesse "pastel" nessas horas o problema seria resolvido. Haja pastel para acabar com essa bambeza provocada pelo calor.
    Já que a enfermeira disse que essa moleza é normal, vamos ao que interessa. Infelizmente o assunto de hoje é sério, fiquei muito triste com toda essa situação e confesso que ainda dá vontade de deixar de lutar para que acabe ou pelo menos diminua o preconceito e o estigma contra a esquizofrenia.
    Trata-se do caso do atirador de São Paulo. O administrador desempregado Fernando Gouveia, de 33 anos, feriu três pessoas com uma arma de fogo no momento em que seria interditado pela justiça, a pedido da família. Felizmente não aconteceu o pior e ele vai responder por tentativa de homicídio.
    Em primeiro lugar, gostaria de dizer que não estou aqui para defender o Fernando, pois acho que ele tem condições de saber que, parando o tratamento como ele parou, poderia vir acontecer esse fato. Concordo que ele tenha que responder criminalmente pelo ocorrido, apesar de achar que a culpa nesse caso não seja totalmente dele.
    O que mais me estranha nisso tudo é a maneira como as coisas aconteceram e principalmente pelo fato de que ele estava morando com uma psicóloga de 45 anos, que deixou o rapaz ficar trancado em sua casa durante dois meses sem tomar os medicamentos.
   A minha intenção não é a de criticar a classe, mas sim a atitude, quer dizer, a omissão dessa pessoa no caso. Não entendo, como ela, sendo psicóloga, não levou o seu amigo (amante, ficante ou seja lá o que for) para fazer o tratamento, pois o mesmo dizia que estava chipado e que seria levado por estranhos seres com chifres. Aliás, nem precisava ser psicóloga para perceber que o cara não estava bem né?
    Fui muito criticado por alguns psicólogos em um grupo do facebook. Fui humilhado por um dos administradores, para falar a verdade. Disseram que eu deveria ir dormir, pois não era psicólogo e nem advogado para ficar dando opinião sobre o caso e que eu deveria me tratar. Acho que, qualquer cidadão comum tem o direito de expressar o que pensa, não precisa ser psicólogo ou advogado para perceber que ainda falta algumas coisas a serem esclarecidas neste caso. Afinal, estamos ou não em uma democracia? Se o que eu disse foi excluído no grupo(o administrador deixou só um pequeno trecho), eu posso relatar o que penso aqui no meu cantinho. Infelizmente na hora não pensei em tirar um print screen para que todos pudessem ver quem é  e como esse administrador do grupo trata as pessoas que pensam diferente dele.
    Mas, pelo que entendi do caso, Fernando abandonou o tratamento e resolveu sair de casa, sendo encontrado dois meses depois, morando com a psicóloga Silvia, de 45 anos, no bairro aclimação, em São Paulo. Seus familiares, percebendo que ele não estava bem, tomaram a decisão de interditá-lo. Acredito que a intenção da família tenha sido das melhores, pois Fernando não possuía bens e estava desempregado, o que elimina qualquer suspeita de que seus familiares quisessem tirar algum proveito financeiro com a interdição do administrador de empresas.
    O resto da história, creio que a maioria já sabe, pois a mídia adora uma tragédia dessas e expor os portadores de esquizofrenia, mesmo não estando em condições de dar uma entrevista. No momento em que seria interditado, Fernando efetuou disparos com uma arma e acabou ferindo o oficial de justiça, um enfermeiro e a sua amiga, esta provavelmente sem querer, pois foi ela quem abriu a porta para atender as pessoas que iriam levar o Fernando para um clínica para fazer o tratamento.
    A partir dai, foram nove horas de negociações até que o atirador se rendesse. Agora ele está preso e irá responder por tentativa tripla de homicídio, o que eu acho correto, pois ninguém pode sofrer as consequências por alguém ser portador de esquizofrenia, ainda mais com o agravante de que ele havia abandonado o tratamento( xi, parece que o advogado acabou de baixar em mim de novo). Bem, deixando a brincadeira de lado, gostaria de receber o mesmo tratamento se o fato estivesse ocorrido comigo, pois ninguém tem nada a haver como transtorno que carrego ao longo desses anos. Tenho consciência do que faço, menos quando estou surtado, mas no meu caso, nunca reagi com agressividade à todas aquelas alucinações e paranoias. Acho que as pessoas deviam saber que a maioria dos esquizofrênicos fazem mais mal a si mesmo do que aos outros.


Suicídio e Tentativas de Suicídio
Bleuler descreveu, na década de 1950, o comportamento suicida como "o mais grave de todos os sintomas esguizofrênicos". Aceitava-se, até aquele momento, que aproximadamente 10% dos pacientes com esquizofrenia morrem devido ao suicídio. Os dados epidemiológicos atualmente aceitos em relação ao suicídio de pacientes comesquizofrenia, citados por Bressan (in: Shirakawa, 1998) são os seguintes: 
a) de 2% a 13% de todos os pacientes cometem suicídio
b) esquizofrênicos têm um risco de 10% a 20% maior que a população geral para cometer suicídio;
c) o risco é maior em pacientes do sexo masculino
d) o risco é maior em pacientes jovens e diminui com a idade. 
Fonte: Psiqweb

    Mas a imprensa não gosta de divulgar suicídios, e acho isto até correto, pois isso pode incentivar outras pessoas a fazerem o mesmo. Mas também é fato que eles adoram mostrar um esquizofrênico surtado, e até entrevistam o mesmo, sem ao menos saber se o portador está em condições de dar uma entrevista. Acho que a imprensa faria mais bem a sociedade tentando explicar para a população em geral o que é realmente a esquizofrenia. Acho que até a polícia deveria incluir em seus treinamentos uma forma de atuar nesses casos.
    Gostaria de deixar bem claro que pode ocorrer esses fatos graves e perigosos na esquizofrenia, mas isso acontece por que o portador deixa de tomar as medicações , ou não tem condições de ter um tratamento adequando. No meu caso, eu nem faço mais tratamento, pois a psiquiatra disse que estou estabilizado, mas a verdade é que estou mais na fase dos sintomas negativos. E também a verdade é que não há vagas e profissionais disponíveis para atender a população aqui onde moro. No posto de saúde onde sou atendido, a consulta dura em média dois minutos. Não é brincadeira, até gravei um vídeo em que cronometro os atendimentos. Quando o caso é mais grave, ai dura um pouco mais, geralmente quatro minutos. É só vocês verem no post O caso é grave doutor?, onde gravei quatro vídeos contando a atual situação da cidade onde moro e lá vocês verão um vídeo intitulado "Posto de saúde". Tenho sorte do meu caso não ouvir vozes de comando, em que o portador geralmente ouve vozes ordenando que ele faça coisas. A única pessoa que saiu prejudicada no meu caso, para minha sorte, foi simplesmente eu mesmo, por que não ouço essas vozes de comando, ouvia sim pessoas bolando planos para me matarem, e a minha única reação nessa história toda foi correr e fugir, pois não tinha como brigar e me defender de tantos inimigos imaginários. Também não entrei em desespero por que já estava cansado de toda aquela perseguição que estava imaginando, não estava com medo de que "eles" me matassem, para mim seria até um alívio, pois já estava sem forças naquele momento para continuar vivendo.
    Bem, voltando ao caso do atirador de São Paulo, creio que ele mereça pagar pelo crime que cometeu, mas não em um presídio comum, e sim em um lugar para que ele possa fazer o seu tratamento, para, quando sair, repense suas atitudes e chegue a conclusão de que, no caso dele, não tem como parar de uma forma abrupta o tratamento. Se ele for para uma penitenciária comum, creio que irá sair de lá muito pior do que entrou.
    Mas, o que mais me intriga nesta história toda é a participação, ou melhor dizendo, a omissão de sua "amiga" psicóloga, que o deixou chegar naquele estado. Foram dois meses em que ele permaneceu em sua casa, sem medicação e dizendo que estava chipado e nem saia de casa, com receio de que estranhos seres com chifres o pegassem.
   Afinal, por que essa amiga não o levou para fazer o tratamento? Se ele se recusava, por que ela não concordou com a interdição? Será que ela, como psicóloga, não percebeu que o Fernando estava surtado? Por que ela deixou que o rapaz chegasse naquela situação? Será que ela não sabia que ele tinha um pequeno arsenal de armas em sua própria casa?
Ai vem em minha cabeça uma outra pergunta, que me deixa mais assustado ainda: Será que essa psicóloga não precisa de um atendimento também? Ela não teria algum transtorno mental também? É até estranha essa pergunta, pois sempre imaginamos que os profissionais da área de saúde mental sejam pessoas bem resolvidas emocionalmente, estáveis, que não têm nenhum problema de ordem emocional ou psicológica. Afinal, são seres humanos como nós e estão sujeitos a esses tipos de problemas.
   A amiga do Fernando foi atingida no ombro e provavelmente já deve ter tido alta do hospital. Não entendo como ela até hoje não deu uma declaração sobre o assunto. Se falou alguma coisa, não foi divulgado. Acho que ela tem muito o que esclarecer , muitas questões nesta história só ela tem a resposta. Se o atirador tem que responder por tentativa de homicídio, ela, no mínimo, tem que responder por omissão, negligência, ou participação no caso(sai de mim advogado, que este corpo não te pertence! rsrsrs). Afinal, ela, como psicóloga, sabia que poderia acontecer aquilo, sem contar que ela provavelmente sabia que o mesmo possuía várias armas em sua casa, apesar de estarem devidamente registradas e legalizadas. Um policial comentou que ficou surpreso pelo fato de um esquizofrênico ter conseguido o porte daquelas armas. Acho que ele deveria se informar mais sobre a esquizofrenia, pois, quando estamos devidamente medicados, podemos ter uma vida normal e não somos extraterrestres. Não está escrito em nossas testas que somos esquizofrênicos.
   Nessa história ainda tem o fato do psiquiatra da família do Fernando ter diagnosticado o mesmo sem ao menos vê-lo, com base apenas no relato da família, para que assim ocorresse o processo de interdição do administrador de empresas. Já pensou se a moda pega? Se uma família, com a intenção de se apropriar dos bens de um parente, vai ao psiquiatra e começa a dizer que esse parente está ficando maluco o psiquiatra dá o laudo? Ai até uma pessoa "dita normal" reagiria de uma maneira não amistosa numa situação dessas. Já ouvi relatos de casos desse tipo, em que a pessoa não tem nenhum problema mental, mas a família, interessada nos bens da pessoa, faz esse procedimento para interditar a pessoa.
    Bem, espero que os profissionais da área da saúde mental não fiquem zangados comigo por causa deste post. Não estou aqui criticando a classe de uma maneira geral e sim o comportamento em especial da Silvia. Gostaria que ela se pronunciasse a respeito do caso, pois o pior poderia ter acontecido, e ela sabia que isso poderia ter ocorrido. Infelizmente existem maus profissionais em todas as áreas, e na psicologia e psiquiatria não poderia ser diferente. Sou grato a quase todos os psiquiatras e psicólogas que me atenderam nos momentos mais difíceis, e devo parte de minha quase recuperação a esses profissionais, mas não poderia deixar aqui de falar o que penso sobre essa assunto, pois, a cada dia que passa só aumenta o preconceito e o estigma que esse transtorno carrega.
    Esses dois comentários abaixo eu retirei de um site que deu a notícia do caso e reflete o que a maioria das pessoas pensam a respeito dos portadores de esquizofrenia.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Super poderes

Esquizofrenia e a mania de grandeza


   Bem, essa semana vou falar de um dos sintomas da esquizofrenia, que, apesar de não ser  um dos mais comentados, é bem interessante. Acho que isso não ocorre com todos os portadores, mas comigo isso aconteceu e de uma certa maneira engraçada.
    Trata-se dos delírios, mais especificamente da mania de grandeza, em que pensamos ter dons ou poderes especiais. Fazem parte dos sintomas positivos, que até hoje não sei por que classificaram essa classe de sintomas como positivos, pois não vejo nada de legal nessa história. Acho que mudando até o nome da patologia já ajudaria bastante.
    No meu caso, eu acreditava ter superpoderes, que era imbatível e que nada de mal poderia me acontecer. Não tinha medo de praticamente nada e dizia que o meu anjo da guarda era forte. Cheguei a testar isso perigosamente uma vez, ao entrar em um dos lugares mais perigosos de Ipatinga, há uns vinte anos atrás. Era uma rua super apertada, e todos diziam que era um lugar bastante perigoso e não tinha saída para outro lugar quando já se entrava por essa rua. Mas, eu, como tinha essa crença no meu anjo da guarda, resolvi fazer o teste. Logo na entrada da rua ouvi os comentários dos moradores: "Nossa" Esse menino é doido!". Caminhei até o final da rua sem ser incomodado, sem olhar para os lados e confesso que não estava com muito medo. No fundo, até sentia um pouco de prazer com esse tipo de emoção. Depois resolvi voltar e de repente um cara gritou:
- "Ô" cabeludo!
    Confesso que na hora fiquei um pouco com medo, mas, quando olhei para o lado, vi que era um cara com quem eu jogava bola no parque Ipanema, onde havia uns campinhos de terra. Se o cara era barra pesada, não sei. Só sei que eu, nas peladas no parque dava uns "chega pra lá" nele quando ele vinha fazer gracinha comigo querendo dar uma de Neymar.
    Hoje, não sei se o anjo da guarda ainda me protege, provavelmente deve ter pedido aposentadoria também, pois ficar protegendo o maluquinho aqui era uma tarefa um pouco desgastante. Não que eu fosse um cara brigão e que gostasse de me meter em confusões, mas a crença de que nada poderia me acontecer era bem maior do que o normal e por esse fato não temia nada e ninguém.
    Me lembro da época em que era metaleiro, na adolescência. Nos finais de semana ia para a Savassi, bairro onde a night em Belo Horizonte é mais agitada. Óbvio que não ia à boate ou para me misturar com os mauricinhos e patricinhas daquela época. Ia para o point dos metaleiros, que era uma galeria de lojas, que não funcionava a noite. Os barzinhos do bairro em sua maioria não nos aceitavam, e até com uma certa razão, pois não consumíamos quase nada, só ficávamos tomando cachaça barata que comprávamos no supermercado. Na verdade eu nem bebia cachaça, mas, para me enturmar com os metaleiros, fingia que bebia e que ficava bêbado, não precisa de nada para mostrar minhas maluquices. Não me dava bem com bebidas destiladas, dava vexame e esquecia de tudo o que havia feito no dia anterior. Sabe quando você toma um porre e a pessoa no outro dia comenta que você tava maluco e que fez alguma coisa bem maluca mas você não sem lembra daquilo? Isso acontecia sempre quando eu bebia, e era bem pouco o que eu conseguia beber sem vomitar.
    Mas sinceramente acho que havia um preconceito dos donos de barzinhos em relação aos metaleiros. Acho que éramos julgados pelo nossa maneira de vestir, calças jeans rasgadas, botinas parecidas com as do exército, camisas pretas com caveira e, claro, cabelos grandes. Cheguei a perder dois estágios no curso de eletrônica por causa do cabelo grande, achava que, para ouvir metal, tinha que ter cabelo grande. Mas éramos julgados erradamente, pois não gostávamos de brigas, a maioria não usava drogas, e o visual era mais uma forma de rebeldia mesmo, coisa de aborrecente e tals. Podem ter certeza que tem mais drogas e baixarias em um baile funk e em uma rave do que em um show de metal.
    Então, voltando ao assunto dos super poderes, certo dia eu estava na galeria com a turma, quando, de repente, um japa metaleiro que mais parecia um lutador de sumô, começou a sair distribuindo pancada para todos os lados. Cadeiras voaram, foi um corre corre danado, pois o cara parecia saber lutar kung fu ou uma outra luta marcial. Mas eu não fugi, mantive a calma e fiquei em pé na entrada do bar. De repente o japa veio em minha direção mas não esbocei nenhuma reação, apesar de japa ser bem mais forte do que eu. Apenas cruzei meus braços e olhei fixamente para os olhos dele. A convicção que eu tinha superpoderes era tão grande que acho que até o japa acabou acreditando nisso, que apenas me ameaçou:
- Amanhã no show você não me escapa!
    E saiu correndo para pegar outros caras. Eu ainda peguei uma cadeira e tentei acertar as costas dele, mas, para minha sorte, não consegui acertá-lo.
    Falando em superpoderes, fica fascinado quando via filmes em que os personagens faziam coisas sobrenaturais. Queria ser um mágico, ou mago, queria ter o poder de fazer coisas como fazer a chuva cair, dominar a natureza, fazer coisas aparecem e desaparecem.
       Cheguei a ler alguns livros sobre magia e até me interessei por alquimia quando o Paulo Coelho começou a fazer sucesso com seus livros. Acreditava realmente que o homem poderia transformar qualquer metal em ouro. Queria fazer isso, não para ficar rico e sair por ai desfilando com carrões e sim para não depender das pessoas e morar sozinho, sem depender de ninguém. Ai já tinha alguns elementos da esquizofrenia, apesar de ainda não ter surtado. Mas, depois descobri que transformar metal em ouro é apenas uma metáfora na alquimia, era usada para simbolizar a transformação interior da pessoa. Cheguei até a mandar uma carta para o Paulo Coelho, pedindo para que me ensinasse como ser um bom alquimista. Generosamente uma pessoa que trabalhava com ele na época me enviou uma carta dizendo que ele estava viajando.
    Fiquei muito triste quando em Timóteo, cheguei a ser caluniado por pessoas que não tem um pingo de cultura, que disseram que eu era macumbeiro, pembeiro, etc, só por me interessar por magia, tarot, horóscopo, etc. Na verdade eu me interessava por tudo, era sócio da biblioteca municipal e estava sempre lendo, inclusive a bíblia. Não foi a toa que comecei a surtar nessa cidade, que me desculpem as pessoas de bem que lá moram, mas que existem muitas pessoas por lá que, por  não terem o que fazer, vivem dando pitacos na vida alheia, por falta de assunto também.
    Envolvi em várias situações complicadas por acreditar que eu era superprotegido por forças sobrenaturais e de que nada de mal iria me acontecer. Por volta dos 25 anos, criei uma inimizade com um policial civil, que não devolveu a bola de futebol para o pessoal que jogava pelada em frente ao barracão onde eu e ele morávamos. A partir daquele dia, criei uma antipatia por ele, pois achei que foi abuso de poder, ainda mais contra crianças que estavam apenas jogando bola.
    Eu sentia que havia algo de errado com ele, me parecia ser um cara falso, fazia muito esforço para ser uma pessoa gentil com a esposa do dono da firma onde eu trabalhava na época. Certo dia, começamos a discutir e então eu disse para ele:
- Aí cara, você só é homem com esse revólver ai na sua cintura!
    O policial ficou uma fera, quis tirar o revólver e deixá-lo na mesa para partir para cima de mim. Mas, como aconteceu no caso do japa, não perdi a calma e apenas fiquei encarando o policial. Felizmente, apareceu a turma do "deixa disso" e não houve nenhum confronto. Ainda bem, pois o policial era um pouco mais forte do que eu, e com certeza mais preparado para brigas.
    Dias depois, ele sumiu do nada, sem dar notícias. Disseram que ele foi transferido para outra cidade. Mas, meses depois, me deparo com uma foto dele no jornal, e a notícia dava conta que ele havia matado uma pessoa em troca de dinheiro. Bem que estranhei o fato dele aparecer de uma hora para outra com um fusca super bacana e conservado, e notei que havia algo de diferente em seu olhar.
     Uma situação parecida ocorreu quando estava vendo um jogo de futebol em um bar, pois, como era meio cigano naquela época, não pensava em comprar televisão, pois logo tinha que vendê-la por um preço bem abaixo para me mudar. No final do jogo, o cara começou a falar mal do meu time e eu comecei a discutir com ele, coisa boba mesmo. Mas ele queria partir pra briga e eu não afinei, fiquei apenas olhando para o cara que era bem mais forte do que eu. Ele me mandava calar a boca e eu continuava a falar, e, se não fosse de novo a turma do "deixa disso"  iria rolar uma briga ali.
    Durante os surtos, também não tive medo, quer dizer tive sim um pouco, mas sempre mantive a calma, apesar de todas aquelas alucinações auditivas e visuais. Não expressava o que se passava em minha mente, e acho que esse foi um dos fatores que contribuíram para que eu não fosse internado. Eu apenas fugia dos meus inimigos, pulando de cidade em cidade, até depois de algum tempo descobrir que eles estavam em minha mente. Mesmo pensando que  praticamente o mundo inteiro queria me ver morto, não perdia a calma. Me lembro de um dia, na época em que ainda morava nas ruas, em que estava me preparando para dormir, quando vi um cara passando na calçada com a camisa de um time rival do que eu torço. Até hoje não sei se isso foi real ou não, mas, se foi alucinação, foi a alucinação mais real que já vi até hoje. O cara parecia o colhada, um dos personagens do Chico Anysio. Tanto é que resolvi sair dali imediatamente, pois na hora cheguei a imaginar que a torcida desse time estaria atrás de mim para me matar.
    Quando já estava melhor fisicamente e psicologicamente, mas ainda morando nas ruas de Belo Horizonte, me lembro que, certo dia, estava na calçada de um bar vendo um jogo de futebol, quando, de repente, um cara tentou pegar a minha carteira que havia ganho do vigia do prédio onde eu costumava dormir na calçada. O cara era mais forte do que eu, e estava acompanhado de um bando que fazia arrastão pelo centro da cidade. Mas, como das outras vezes não tive medo, coloquei a carteira dentro da minha cueca e cruzei os braços e encarei o bandido de frente. Ele ficou imóvel e, depois de algum tempo, foi embora. Os outros moradores de rua ficaram impressionados por eu ter enfrentado o bandido, que era bem conhecido e diziam que era perigoso. Mas, a minha crença de que eu era protegido era tão forte que acabava passando isso para a outra pessoa, que ficava meio sem reação.
 
      Bem, se eu ficar aqui contando todas as situações perigosas que passei por causa dessa minha crença, iria dar um livro. Aliás, grande parte dessas situações está no meu livro. Já perdi as contas de quantas vezes vi uma pessoa apontando uma arma para mim, mas, mesmo nessas horas, não perdi a calma, por acreditar no meu anjo da guarda. Me lembro de alguns nesse momento, em que tiraram a arma, a apontaram para mim, e, depois de alguns segundos, desistiram. Durante o meu primeiro surto, foi uma sorte muito grande não ter sido atropelado, pois eu ainda estava fora da realidade e andava distraído pelas ruas e avenidas de Belo Horizonte, mas, os motoristas sempre foram atenciosos e desviavam ou então apertavam o freio de seus carro em cima de mim. 
    O pastor psicólogo que me atendeu gratuitamente durante o período em que estava morando nas ruas me disse que passei pelo vale da sombra da morte. 
     Bem, se foi sorte, destino, proteção divina ou de meu anjo da guarda não sei. O fato de eu ainda estar vivo já considero uma grande vitória para mim, apesar de não levar uma vida que gostaria. Como disse no outro post, depender do sus é muito complicado. Mas, pesando os prós e os contras, tenho mais que agradecer do que reclamar e assim vou levando a vida, e também deixando ela me levar, como diz a música do Zeca Pagodinho. Hoje ainda acredito em anjo da guarda, mas é uma fé e crença que tenho, mas procuro não abusar tanto dos serviços dele, acho que ele já trabalhou muito por mim e procuro ser um pacato cidadão. Aliás, sempre fui um pacato cidadão, é que eu entrava em situações complicadas por não temer nada e não por gostar de confusões. 

obs: a enquete sobre o SUS agora está normal, os votos não estão mais sendo zerados, então podem votar que seu voto  valerá para sabermos como anda a situação da saúde pública no Brasil. Se bem que isso todo mundo já sabe né? Mas não custa nada votar na enquete né?

Galeria de arte

    Bem, essa semana eu estou postando um poema de Liliane Jardim. Ela provavelmente é poetisa e acho que não é portadora de esquizofrenia, mas soube expressar muito bem com esse poema o que é ter essa patologia. Mandei um email para ela, mas não obtive resposta. Mas, tomei a liberdade de colocar o texto no blog, pois, além de achá-lo muito bonito, irei passar o link para que vocês leiam outros textos dela. Acharia errado se eu usasse o texto e não dissesse quem foi o autor da obra. Gostaria que os portadores se expressassem mais, imaginava que iria ter mais participações nessa seção do blog. Mas, enfim, sintam-se a vontade de me mandaram o material que quiserem, que postarei aqui no blog. Pode ser pintura, poesia, textos, música, etc. É só me enviarem um email para juliocesar-555@hotmail.com com o assunto blog. Acho que existe uma relação muito grande entre a esquizofrenia e a arte e gostaria de colocar isso no blog. A pessoa pode ter outro transtorno mental também, não precisa necessariamente ter esquizofrenia para ter espaço aqui no blog.
   Os links para acessarem os textos da autora são esses aqui:
-luso poemas






As vozes assolam a minha mente

Penetram mais e mais, murmurando ordens insanas

Já não distingo a realidade
Quero controla-las, mas não consigo
Ecoam no meu cérebro aterradoras
Em delírio erróneo, o meu corpo alucinado se retrai
Serão seres sobrenaturais, fantasmas, o demo…?
Em delírio constante sou Deus, Jesus, Virgem Maria…
Desarticulo-me no pensamento expressivo
Misturam-se as palavras, sem coerência 
Transformando-se em pensamentos perturbadores
Perturbando meu funcionamento intelectual
Sinto na alma a deterioração prematura do meu cérebro
Sinto-me perdida, percepciono tudo e nada percepciono 
Rio-me estupidamente, reagindo 
À minha própria interpretação idiossincrásica da situação.
E tu choras, olhas para mim e não entendes
Eu continuo na minha insanidade mental
Amarrada ao delírio, às alucinações e à inanição cognitiva
Sofro, desesperadamente, perco o contacto com a realidade
O todo é irreal, ilusório e penetra no meu cérebro 
Deixando-me louca, amarfanhada e perdida 
Já nem sei quem sou, ajuda-me… compreende-me.




Dedico a todas as pessoas com esquizofrenia, que lutam tenazmente para se inserirem numa sociedade marginalista, atrofiada… e muitas já aprenderam a controlar os seus distúrbios, funcionando eficazmente 



Não os marginalizem amigos Lusos

Liliane Jardim 



quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O caso é grave doutor?

    Fim das eleições na maioria das cidades, fim do barulho, dos buzinaços e do horário eleitoral gratuito, que deveria ser denunciado como propaganda enganosa. Só resta a sujeira na cidade, repleta de santinhos por todos os lados. Até hoje não sei por que os panfletos tem esse nome, por que de santo esses candidatos não tem nada. Além da sujeira, nos resta a esperança de que dias melhores apareçam, pois, aqui em Ipatinga, pior do que tá não fica.
    Na última eleição para prefeito aqui na cidade, o primeiro colocado não pode assumir, acho que por ter algumas pendengas na justiça. Já o segundo colocado também não pode assumir, pois ficou comprovado que houve abuso do poder financeiro em sua campanha, ou seja, saiu pagando gasolina para todo mundo fazer carreatas e buzinaços. Se pagou mais alguma coisa, ai não posso falar, pois não tenho certeza e não quero levar processo de ninguém.
    Ai ficou a questão: Quem deveria assumir? O vice do primeiro colocado? ou o vice do segundo? Ou seria mais justo o terceiro colocado assumir? Nada disso, quem assumiu foi uma pessoa que nunca havia ouvido falar, e a cidade agora está um caos, principalmente na área de saúde e da limpeza urbana, entre outros tantos serviços.
    A questão da honestidade na política virou uma coisa tão séria, que os candidatos a prefeito aqui na região fizeram questão de colocar em suas propagandas que são "ficha limpa", como se isso não fosse uma obrigação para uma pessoa que pensa em administrar uma cidade. A questão ficou só nesse tema, e outros assuntos e propostas deixaram de ser discutidos.
    Mas tocando no assunto do post, que é sobre a saúde, vou relatar dois casos que aconteceram comigo, só para exemplificar a situação. Primeiro, foi a mancha roxa na região dos olhos (prometo que é a última vez que falo sobre ela), que demorou cerca de quatro meses para sumir. É que, o primeiro dermatologista que consultei, me indicou uma "pomadinha" que custa apenas cem reais. Como a grana estava curta, voltei ao mesmo dermatologista para que ele me receitasse uma pomada genérica ou manipulada, mas ele foi irredutível, ao dizer que o meu problema só seria resolvido com a pomada cara. Então, fiz um pedido ao posto de saúde para que me fornecesse a pomada sem nenhum custo para mim. Depois de quase um mês, fui avisado que a mesma não estava na lista dos medicamentos que poderiam ser pagos pela prefeitura. Mas por que não me falaram isso na hora em que fiz o pedido? Será que é tão difícil colocar uma lista dos medicamentos na parede?
    Já não estava mais aguentando andar nas ruas parecendo um urso panda, pois as manchas estavam bem grandes,  e isso me incomodava bastante, pois a impressão que dava é que eu tinha brigado e levado uma surra bem dada. Então, já pé da vida, fui à prefeitura reclamar da situação. Foi bem complicado, demoraram bastante para me atender, e tive que insistir muito para ser atendido por um outro dermatologista.
    Nesta consulta fui muito bem atendido, e, para minha sorte era uma dermatologista. Digo sorte por que, sei lá, não sei se é preconceito meu, mas acho que de pele as mulheres entendem mais. Ela foi super gentil comigo, respondeu as minhas dúvidas e depois de uma análise, me receitou uma pomada genérica de apenas oito reais e um sabonete especial para lavar o rosto. Não é bichice não, é que foi ela que receitou e as manchas estavam feias pra caramba.
    Agora, o mais incrível está por vir. Não é que a pomadinha de oito reais não resolveu o problema em três dias? Será que o primeiro dermatologista não seria sócio da fábrica de pomadas de cem reais?  Ou seja, demorei quatro meses para descobrir que o meu problema poderia ser resolvido em apenas três dias. É verdade que dinheiro não traz a felicidade, mas eu seria bem mais feliz se pudesse pagar uma dermatologista e ter resolvido o meu problema em três dias. E a preocupação pensando que poderia ser algum problema de fígado, rins, sei lá?
    Semana retrasada fui ao "posto de saúde"(nos vídeos abaixo vocês entenderão pq coloquei entre aspas) pegar o meu remédio pra dormir. O médico é muito apressado e preencheu a receita rapidamente. Fui ao outro posto de saúde retirar os remédios, mas, para minha surpresa, o médico não tinha colocado nem a data na receita e então deixei para a semana seguinte, pois ainda tinha uma cartela na gaveta. Na segunda feira, fui para o "posto de saúde" e, após quase duas horas de espera, fiquei sabendo que o posto não iria funcionar naquela semana(acho que para emendarem o feriado, que iria cair na sexta feira, dia 12). Então, tive que racionar o meu remedinho até uma nova consulta.
    Na terceira tentativa, tive que mostrar pro médico como preencher a receita corretamente e assim pude pegar os meus medicamentos. Falar dos meus triglicerídeos, que estão no triplo do limite,  nem pensar, não dá tempo. Cada pessoa é atendida, em média, em dois minutos. Felizmente sei analisar um hemograma completo, pois as taxas de referência ajudam bastante. Vou tentar diminuir os triglicerídeos diminuindo as bobeiras que como e tomando o ômega 3. Daqui uns dois meses vou fazer um novo exame e ai postarei se o produto é bom mesmo para esse problema.
     Mas e quem não tem um mínimo de conhecimento sobre saúde ou então não sabe ler? Poderá confiar em um atendimento desses? Como saber se a receita está preenchida corretamente?
    Ai vem a questão do dinheiro novamente: não seria mais feliz podendo pagar um médico particular? O dinheiro é um mau necessário, prefiro ficar triste na beira da praia do que em um quarto apertado, me desculpem a sinceridade. Claro que a espiritualidade e a saúde aparecem em primeiro lugar, mas, até para se ter saúde, é preciso ter dinheiro para nos alimentarmos bem, e, caso tenhamos algum imprevisto, possamos ser atendidos com dignidade.
    O engraçado é que os médicos e as propagandas na tv aconselham a não nos automedicarmos ou fazermos isso com os farmacêuticos. Como não fazer isso se não somos bem atendidos nos postos de saúde? No hospital então nem se fala, geralmente a espera é de quatro horas para ser atendido.
    Falei aqui só sobre os problemas que tive em relação ao atendimento na área da saúde, que, por sorte, não são tão graves assim. Tem pessoas com problemas mais sérios que dependem desses serviços e que sofrem muito com esse descaso. http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/mulher-morre-apos-receber-cafe-com-leite-na-veia


Saúde Pública

Mulher morre após receber café com leite na veia

Paciente de 80 anos estava internada no Posto de Atendimento Médico de São João de Meriti. Erro é o segundo desse tipo registrado no estado do Rio em uma semana

      
      Também não podemos generalizar. Não é em todo lugar que o atendimento pelo SUS é ruim. Já li uma matéria dizendo que no sul do Brasil a situação é um pouco melhor. Também não estou dizendo que os profissionais não prestam, estou falando mais das condições de trabalho e da estrutura que são precárias. Como é o atendimento do SUS em sua cidade? 
     Claro que não só vou reclamar aqui. Tenho que agradecer o atendimento que tive na área da psiquiatria aqui em Ipatinga, mas isso foi no ano de 2005. Devo parte de minha melhora ao bom atendimento que havia na cidade naquela época e a paciência que os profissionais tiveram comigo, pois ainda estava muito confuso em relação à esquizofrenia. 

    Às vezes penso se não sou muito rabugento aqui no blog, só exagero nas reclamações. É que as coisas boas que acontecem eu gosto de contemplar e guardar para mim, não sei se é egoísmo, acho que talvez por essas coisas boas não acontecerem com tanta frequência assim. Ou então é que elas possam parecer insignificantes para algumas pessoas, sei lá.
   Mas uma coisa tenho que falar bem: os correios, que é um serviço que funciona bem e tem todo o meu respeito. Parabéns a todas as pessoas que trabalham nos correios em todo o Brasil, desde o pessoal que trabalha dentro da agência até e principalmente os carteiros, que trabalham sob chuva e sol, subindo e descendo morros, enfrentando várias adversidades e alguns cachorros zangados. Todos os livros que enviei(nem foram tantos assim) chegaram aos seus destinos, sem problema algum, pois até hoje não chegou nenhuma reclamação em minha caixa de emails.
    Mas, voltando a falar de política e  da atual situação da cidade de Ipatinga, não poderia de deixar de postar os vídeos que gravei e coloquei no youtube. Não gosto de política, só votei uma vez  em toda minha vida, aos 18 anos. Antes nem justificava o meu voto, era meio desligado mesmo, tive sorte de receber meu título de eleitor em 2002, quando ainda estava morando nas ruas de Belo Horizonte. Hoje em dia, apenas justifico o meu voto. Outro dia fiquei revoltado ao ver na tv a situação de um dos principais cartões postais de nossa cidade. Por causa de uma simples bomba de água estragada, a lagoa do parque Ipanema está praticamente extinta. Quando fui lá para ver se era verdade ainda deu para ver os últimos peixes agonizando no pouco de água que ainda resta no local.

Parque Ipanema situação

    E em relação à limpeza urbana? Ipatinga era uma cidade limpa, sempre havia pessoas da prefeitura trabalhando nas ruas para consertar algo ou para fazer melhorias mesmo. Mas, por falta de acordo com a prefeitura, a empresa que presta esse serviço foi obrigada a demitir vários funcionários. O resultado está ai no vídeo abaixo:



    Em relação à saúde, nem vou comentar muito sobre o assunto, as imagens já dizem tudo. 

"Posto de saúde"

    Outros serviços também estão prejudicados, se fosse postar todos eles, iria fazer um post muito extenso. O que me deixa indignado é que a cidade não era assim, aqui está instalada a Usiminas, que é a maior siderúrgica da América Latina, é uma cidade que aprendi a gostar e tinha orgulho de dizer que morava em Ipatinga. Não estou por dentro da política da cidade, pois não gosto deste assunto, mas não precisa entender e nem estar por dentro dessas questões para saber que algo está errado na cidade, terrivelmente errado. 
Outros serviços