quinta-feira, 15 de abril de 2021

Matando um leão por dia

 



AOS QUE NÃO SABE O QUE É UM PORTADOR DE ESQUIZOFRENIA PARANOIDE, TEM ESSE PEQUENO DESABAFO!

    E ESPERO SINCERAMENTE QUE NEM UM "PAI E PRINCIPALMENTE UMA MÃE" PASSE POR TUDD ISSO!!!

Aos cuidadores, com todo carinho e respeito aos portadores!

Quero dividir com vcs, uma experiência fantástica q tive á mais ou menos um ano atrás, em uma das seções com um psicólogo na cidade de Ilhabela, onde morei por um ano com minha filha, portadora de Esquizofrenia.

Espero q possa contribuir!

Foi num desses dias de desespero, de vontade de largar tudo, de desistir, revoltada com Deus, cheia de indagações, "porque comigo"??

quem nunca??

O psicólogo me colocou em uma cadeira no centro de uma roda, com várias pessoas sentadas á minha volta.

Me disse q ia conversar comigo, pra eu prestar atenção nas perguntas dele, e responder prontamente.

Ele iniciou perguntando meu nome...

Qdo fui responder, todos á minha volta começaram a me xingar, não pouparam palavrões, gritavam, sussurravam, riam e xingavam.

Entrei em pânico, não consegui prestar atenção em nenhuma palavra q ele me dizia, só senti uma vontade enorme de chorar e mandar todo mundo "calar a boca".

Qdo comecei chorar, ele pediu para que todos parassem com as agressões verbais.

Olhou pra mim e disse:

"É isso que sua filha vive todo dia, 24hs por dia!!

- Quem mata um leão por dia?

Voce ou sua filha? 

Que disposição voce teria para sair da cama todo dia, pra ter uma vida assim??"

Isso foi revelador pra mim, no sentido exato da palavra - "revelou a dor " da minha filha.

Me senti no lugar dela, e percebi , que nossos problemas como cuidadores, são, apesar de desgastante, NADA!!!!

Ainda perco a paciência, e fico sem chão às vezes, mas, essa experiência sempre me trás á realidade novamente.

Então, por mais exaustivo que seja, temos a opção de parar "as vozes", eliminar o sofrimento...e eles??

Espero poder ter contribuído, e que isso de alguma forma, continue nos dando força pra continuar...sempre!!!

Abraços fraternos!

Autor desconhecido.

quarta-feira, 24 de março de 2021

Paranoias diárias do dia a dia: O mini sossega leão

 

      O mini sossega leão

    No ano de 2013 resolvi sair do meu quartinho na minha querida e calorenta Ipatinga, pois o local estava sendo dominado pelos traficantes e usuários de drogas. 
    O aluguel era bem barato e as circunvizinhança era relativamente tranquila, apesar de ser próxima da crackolândia da cidade.
    Mas, com o tempo a movimentação causada pelas drogas acabou tirando o meu sossego e minhas noites de sono que, mesmo mal dormidas era uma noite de sono. 
    Fiquei um  bom tempo esperando que a situação melhorasse, mas só foi piorando dia após dia. E estava ficando estressado, por experiência própria sabia que ficar sem dormir poderia ser um gatilho e tanto para um novo surto psicótico. 
   O estopim aconteceu quando um usuário de drogas teve o seu quarto queimado por que não havia pago a droga consumida.
    Então resolvi comprar uma mochila e uma barraca e sair por aí meio sem destino e sem rumo.
    A minha primeira parada foi o Rio de Janeiro, precisamente na casa de uma amiga virtual que eu tinha na época
    Mas ela impôs como condição que eu tomasse os antipsicóticos. Então resolvi tomar uma dose baixa de clorpromazina e também um comprimido de fenergan. Era a primeira vez que tomava o fenergan, pois a "clô" deixava o meu braço todo vermelho por causa da alergia, que é um dos sintomas mais comuns desse antipsicótico,
    Era por volta de uma hora da tarde e em poucos minutos após tomar os comprimidos acabei caindo em um sono tão profundo que só fui acordar no dia seguinte, por volta das nove horas da manhã. 
    Aliás, consegui acordar por volta das oito horas da noite, mas estava tão grogue que nem o jogo do meu time de futebol consegui assistir e apaguei novamente. 
    Não sabia que o fenrgan dava tanto sono assim. Mas foi muito bom, pois aquelas horas meio que apagada deram uma "reiniciada" no meu sistema, dando uma geral no meu "HD". O meu HD é tão grande que deve ser de um terabyte. 
    Acordei super bem, o stress acumulado pelo tempo que fiquei morando perto da agitação das drogas havia desaparecido. 
   Então resolvi fazer isso novamente. Fui no Cersam e pedi uma cartela do fenergan, pois essa quarentena está me deixando bastante estressado. 
     Tomei um comprimido por volta das dez e meia da noite. O tempo foi passando e apenas uma leve vontade de dormir estava sentindo. Resolvi então tomar outro comprimido, apesar do receio de poder acordar muito dopado no dia seguinte.
   Esperei mais meia hora e nada. Liguei o notebook e fiquei jogando tetris até cansar e ai pegar no sono.
    O efeito da  clô foi todo ao contrário, não fiquei com muito sono e acordei de ressaca. O que poderia ter acontecido para que o mesmo comprimido não surtisse o mesmo efeito, apesar de ter tomado uma dosagem maior?
    O primeiro pensamento que tive foi que havia tomado um medicamento genérico que não tinha a mesma eficácia do original.
    O outro, criado pela minha paranoica mente, é de que havia caído no conto do "boa noite Cinderela"( quando é homem se chama Cinderela também?).
    Mas aí veio  a dúvida: por que minha amiga havia me dopado? Para me estuprar não foi, pois homem para ser estuprado tem que estar bem acordado e algumas coisas funcionando bem e bem despertas...
    Aí então pensei: ela me dopou para tirar fotos minhas pelado e sair publicando na internet. Ai estaria a razão das pessoas ficarem me olhando quando eu passava pelas ruas naquela época( esse pensamento de ser observado sempre tive).
     Fiquei pensando: mas ela parece ser tão boazinha. Mas a minha mente paranoica retrucou: as boazinhas é que são as mais perigosas. E faz sentido, tenho certo receio de algumas pessoas que parecem serem tão perfeitas e boazinhas. Acho que fez alguma coisa mesmo enquanto eu estava dormindo. Mas talvez seja a questão do medicamento genérico mesmo. E ficamos nesse diálogo, eu e a minha mente paranoica por mais de um dia, até agora em que publico esta postagem.     
    Acho que vou ter que comprar um fenergan na farmácia para tirar mais essa paranoia de minha cabeça. 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Ajude o blog através do Pix

 

Como fazer para ajudar o blog pelo Pix



     Ultimamente muitas pessoas tem pedido para que eu use o Pix como meio de forma de disponibilizar para o blog e para  o meu canal no youtube um canal simples e direto para as transações. 
    Sou uma pessoas simples e prática. A ajuda não é para o blog e nem para o canal, afinal não preciso usar equipamentos sofisticados para gravar os vídeos ou fazer postagens aqui no blog. Enfim, não tenho um gasto financeiro e é algo que gosto de fazer, principalmente escrever. Já os vídeos vou tentando aprender com o esforço e repetição melhorar a minha forma de falar o que penso e sinto.     
    A ajuda é, além de uma forma de incentivo para continuar a produzir, é para os meus gastos. Me aposentei com um salário mínimo e tenho que sempre usar a calculadora para que não falte dinheiro no fim do mês. 
     Com um pouco de esforço consigo ir me virando, não faço bicos, quase não tenho amizades tirando as pessoas que conheço nos centros de convivência dos usuários do serviço de saúde mental aqui de Belo Horizonte. 
    Sei fazer muitas coisas, ainda mais nos tempos atuais com os vídeos explicativos e tutoriais do youtube: pintar paredes, bicicletas, e várias outras coisas. Mexo com eletricidade, às vezes onde moro sempre tem algo para fazer, pois são 32 quartos e acho que levo jeito para fazer serviços gerais de reforma. Mas fora de onde moro não faço nada, pelo simples fato de sair calado e voltar calado. Uso o fone de ouvido na maior altura para tentar burlar as vozes que ainda me incomodam um pouco. 
Eu e a Margarida 


      E é difícil para uma pessoa com esquizofrenia ser popular ou fazer novas amizades, pois desconfio até da minha sombra. Até as pessoas que se aproximam amigavelmente de mim penso que estão querendo me enganar para obter alguma informação para me prejudicar. No mundo virtual também é a mesma situação: atualmente só converso com as pessoas que já conheço há um bom tempo. Fakes e perfis sem foto já não aceito mais as solicitações de amizade. 
     Às vezes aparece algum gasto imprevisto, como a manutenção da bicicleta, ou tenho que comprar medicamento caso tenha pego alguma doença ou então sofrido algum acidente. Ou então quando estava viajando por ai a pé com a minha mochila sempre aparecia pessoas bondosas ajudando. Atualmente faço as minhas viagens de bike, pois quebrei o dedão do pé esquerdo e só operando para resolver a situação.
    Mas a fratura já calcificou e até consigo jogar um futebolzinho de leve. 
     Mas, voltando ao Pix, quem quiser e puder contribuir entre em contato pelo email abaixo que lhe forneço o número da minha chave Pix.
     Enfim, é um stress o convívio com pessoas que não conheço. 


terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

BBB:Fiuk, vítima ou irresponsável?

 

Afinal, de quem é a culpa?

   Durante o BBB dificilmente as pessoas ficam imparciais: ou amam ou odeiam. Nesta última edição, um tema está chamando a atenção dos telespectadores: o comportamento e a aparência do cantor Fiuk. 

    Não assisto nenhum programa da emissora, mas tudo o que acontece, principalmente quando o assunto é o reality, é amplamente discutido nas redes sociais. Particularmente sou das poucas pessoas que ficam imparciais sobre este programa, mas, nesta edição em especial, o tema saúde mental vem sendo discutido diariamente e eu, humildemente, gostaria de dar a minha opinião. 

     É só rolar a página da rede social mais popular para nos depararmos com fotos e postagens sobre a aparência do cantor Fiuk. Boa parte são memes, e outros são de pessoas em defesa do participante que, segundo sua equipe, está em crise de abstinência de antidepressivos. Segundo a mesma equipe, Fiuk sobre também de TDAH e de ansiedade. 

    Vejo muitos defendendo o Fiuk, afirmando que as pessoas que fazem ou riem dos memes deveriam ter mais empatia com o sofrimento alheio. Concordo plenamente, principalmente quando se trata do sofrimento mental, já que é uma dor que as pessoas próximas não enxergam e então temos que, além de sentir na pele os efeitos do transtorno, temos que também conviver com comentários maldosos que não temos nada e que somos preguiçosos ou então estamos de frescura. 
    Mas, depois de analisar um pouco a situação, me veio algumas dúvidas em minha mente: por que o cantor resolveu participar de um programa em que existe uma grande pressão emocional e psicológica, e, o pior, abandonando a medicação de uma forma abrupta?   Não tenho acesso as regras do reality, mas, provavelmente não é permitido o uso de medicamentos enquanto o participante estiver no confinamento.
    Seria a insana busca pelo sucesso e aparição na mídia? Outros participantes de outras edições também relataram que tiveram que descontinuar o tratamento para participar do programa. É o caso da Gabi Martins, que, na verdade nem sei quem é, mas pesquisei e descobri que ela interrompeu o tratamento para participar, ou seja, sabia que durante o confinamento é proibido o uso desses medicamentos. 
    E também devemos nos conhecer melhor e sabermos dos nossos limites. É preciso saber jogar e termos noção da exposição, já que é um programa com boa audiência. 
     Então vejo mais irresponsabilidade por parte do cantor do que negligência da emissora. Provavelmente ele deve saber dos riscos de se interromper o tratamento de forma abrupta e ainda mais em um ambiente de enorme pressão psicológica. E onde está a sua família, que está vendo tudo isso e parece se omitir? Não isento totalmente a emissora, que faz de tudo para alavancar os números de sua audiência, até mesmo explorar o sofrimento alheio. 
    Espero que tudo isso tenha um bom desfecho final, seja com ele participando ou então desistindo do programa sabendo dos riscos que está correndo. 


    

sábado, 6 de fevereiro de 2021

Paranoias diárias do dia a dia-8: conta do banco

 

Paranoias diárias do dia a dia


     Hoje quase tive um infarto, por causa da minha conta caixa fácil, que é a  que uso na internet para vender meus livros.

    Quando fui olhar o saldo, nenhuma novidade: 0 real de saldo. Mas desta vez estava esperando um valor, pois uma pessoa havia me enviado um email confirmando o pagamento para adquirir meus cinco livros. 

   O estranho é que ao imprimir, aparece algo mais estranho ainda:  o número da conta naquele pedaço de papel era diferente da que estava no cartão!

    Isso foi o suficiente para ter a certeza absoluta que estava sendo hackeado, e que haviam subtraído o valor que a pessoa havia depositado para adquirir os meus  livros. Ou então a pessoa falsificou o comprovante do depósito e havia colocado um vírus na imagem. Ou seja, a pessoa não queria o meu livro, e sim me hackear, pois imagens em emails são uma forma bem comum de enviar cavalos de troia, que são malwares disfarçados para que o hacker tenha acesso ao sistema operacional da vítima. 

    Com a modernidade, a mania de perseguição que,  além de presencial agora virou virtual também... 

    Acredito que tenho as mesmas paranoias do que quando comecei a surtar, o que mudou é que meio que me acostumei e aprendi a lidar com elas. 

    Como hoje é sábado e o banco está fechado, resolvo telefonar para o 0800 da caixa,  mesmo sabendo que poderia me estressar com o atendimento ou não atendimento via celular: Tecle 2 para conta caixa fácil, tecle 2 para dúvidas, tecle 9 para falar com a atendente, etc...

     Dessa vez tive paciência (acho que é o chá de camomila...) e, no final de tudo, me informam que o número da conta caixa fácil de todos os clientes havia mudado, mas que não era preciso me preocupar pois o número antigo também funcionava para saques e depósitos...

    Muitas pessoas dizem que tenho vida boa por não estar trabalhando, mas não é bem assim. Acho que consigo me disfarçar bem de "gente normal", pois não demonstro o tanto que fico estressado com essas paranoias. Se eu falasse tudo o que penso ou seria internado ou detido...

    



sábado, 30 de janeiro de 2021

Filme Mente Brilhante Como baixar em HD

 Filme Mente brilhante Assistir em HD



    Filme sobre a Bibliografia do Matemático Americano "John Forbes Nash", que durante a sua vida foi diagnosticado com Esquizofrenia. Até que um dia conhece Alicia, uma de suas alunas e que o fará transformar a sua vida para sempre. Uma excelente historia de Superação e Amor.
 Na CDE (Central de Downloads do Esquizo) você baixa o filme em HD. 
    Prepare a pipoca e boa diversão.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Vozes na esquizofrenia

 

Vozes que escuto na esquizofrenia

    A alucinação auditiva é um dos sintomas clássicos da esquizofrenia. Nem toda pessoa com esse transtorno tem esse tipo de alucinação. Ouvir vozes também não é exclusividade de quem tem esquizofrenia. Quem está em depressão  também pode ouvir vozes (depressão psicótica). Assim como os bipolares em crise, que podem ter delírios e psicoses. 
    Uma das curiosidades principais que as pessoas têm acerca da esquizofrenia são as vozes. O que elas nos dizem? São vozes dos “amigos” imaginários que talvez possamos ter ou criar? São vozes do bem ou do mal? ou são vozes do além?
  Até hoje os cientistas não sabem explicar o verdadeiro motivo pelos quais as pessoas com esquizofrenia ouvem vozes. Estudos não faltam, mas até hoje não foram conclusivos. Existe a teoria de que seja a área responsável pela audição que fica com uma superatividade durante um surto psicótico. Devem existir várias outras, mas explicar a origem deste fenômeno não é o objetivo principal desta postagem. Afinal, sou apenas uma pessoa com esquizofrenia, que, além de curiosa, procura também ajudar a esclarecer esse transtorno que ainda é um mistério para a ciência. 
    Em primeiro lugar, gostaria de dizer que a maioria das pessoas com esquizofrenia não tem amigos imaginários, e sim muitos inimigos imaginários, devido, principalmente, a mania de perseguição. Também se faz necessário ressaltar que cada esquizofrenia é única, pois é um transtorno que envolve muito o lado psicológico do indivíduo, não sendo apenas um mero desequilíbrio químico do cérebro (aumento de dopamina). Obviamente existem os sintomas e comportamentos semelhantes, como a desconfiança exagerada, a reclusão, etc. Por isso irei citar as minhas vozes e algumas que já ouvi dizer que muitos ouvem por ai, mas que não aconteceram comigo.
    Antes dos surtos, já era uma pessoa um bocado desconfiada e um pouco retraída. Mas nada que me impedisse de ter uma vida relativamente normal. Ia à shows, cinema, trabalhava, etc... Às vezes saía sozinho e às vezes com uma namorada ou outra.(meus relacionamentos não duravam mais do que duas semanas). 
    Mas, por volta dos 28 anos as coisas começaram a mudar em minha vida. Morava em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais e realmente era uma pessoa bem comentada por lá. Mas geralmente falavam bem de mim, por ser uma pessoa honesta e trabalhadora. Era um bom operador de som e não sei por que muitas garotas e mulheres daquela cidade me achavam bonito. O fato de morar na capital também acredito que ajudou para que eu tornasse uma pessoa bem falada naquele lugar.
- Olha, um gato andando com um cachorro. (cheguei a ouvir quando estava passeando com um cão)
- Ele está magro.
-Ele está gordo.
-Ele é bonito.
-Ele é feio.
    Acima alguns dos comentários que eu ouvia logo quando cheguei na cidade. Isso me incomodava um pouco, mesmo os elogios, pois as pessoas pareciam ter um pouco de receio de falar com aquele cara esquisito e caladão que eu era. 
   Também ouvia de verdade muitos comentários a respeita de minha sexualidade. Não ficava com todas as garotas que se aproximavam de mim, e muitos pensam que todos os homens tem que “pegar” todas que aparecem pela frente, caso contrário o cara é gay.
   E, como já relatei,  era um cara caladão, um pacato cidadão mesmo. E isso, para alguns moradores daquela cidade  era legal, mas, para outros era sinônimo de “mitidez”. Acredito que quem seja muito calado e que não saia cumprimentando todo mundo seja visto com um pouco de antipatia. Acho engraçado as pessoas não gostarem tanto das pessoas caladas e já acharem normal a fofoca e um monte de merdas que algumas pessoas saem falando por aí. Ou seja, para ser bem visto é melhor falar bobagem do que ficar calado... Vá entender os "normais"...  Não tenho paciência para ficar falando do tempo e da vida alheia, os assuntos mais usados para quem não tem assunto para conversar... 
pessoas fofoqueiras existem em todo lugar, tudo o que é ruim se alastra mais rapidamente...

    Com o passar do tempo e pelo fato de ser um bom empregado criei algumas inimizades no trabalho, já que eu ganhava um pouco mais do que o restante dos funcionários da empresa em que trabalhava. Aquela situação de ter algumas inimizades no trabalho me fez uma pessoa mais retraída e desconfiada do que eu já era.
    Após alguns anos trabalhando naquela cidade passei a ouvir mais comentários do que costumava ouvir no início. Ouvia comentários depreciativos das pessoas, mesmo elas estando há uns trinta ou mais metros de distância de mim. 
   No início eram comentários zombeteiros, depreciativos mesmo. As vozes comentavam coisas banais do dia a dia, falavam coisas que eu estava fazendo:
- Ele nem consegue correr direito. - ouvi quando estava fazendo caminhada.
- Ele está com a mesma roupa de ontem.
- Ele gosta de Roberto Carlos...
- Ele está com aids...
    Esse último comentário foi o que mais me prejudicou. Isso aumentou principalmente em uma fase em que estava um pouco triste e parecia que o meu sistema imunológico estava em baixa, pois foi um período em que tive muita diarreia e outros problemas que os médicos classificavam como virose, depois da ida ao hospital. Também peguei dengue duas vezes quase que seguidamente.
   E, numa dessas emagrecidas o boato de que eu estava com aids acabou meio que se tornando real naquela cidade. Se tornou tão real que até eu mesmo acreditei e nem fiz o exame, por medo do resultado e também por acreditar que realmente estava com aids, apesar de não ser uma pessoa promiscua e sempre usar o preservativo. E, para piorar a situação, os sintomas  que eu estava apresentando eram bem parecidos com os da aids: fraqueza, diarreia, emagrecimento rápido e exagerado. O jeito era esperar os sintomas mais severos aparecerem para dar um fim a minha vida.
    As vozes começaram a disparar com o tempo:
    - Ele está se preparando para virar um mendigo. – tinha ouvido essa voz bem nítida em minha mente, mas o engraçado é que o cara estava na outra ponta do quarteirão. E a voz era sussurrada, logo o cara teria que gritar para que eu ouvisse esse comentário.
    Comecei a ouvir também que os evangélicos viviam comentando que eu estava com demônio no corpo, tanto que cheguei a procurar algumas igrejas para expulsar o suposto tinhoso que tinha se apossado do meu corpo.
    Com o tempo as vozes que eram comentaristas e zombeteiras passaram a ser ameaçadoras:
    -Vamos pegar ele hoje de noite?
    Essas vozes ameaçadoras eram as piores. Acho que são elas que fazem boa parte das pessoas com esquizofrenia a terem algum tipo de reação violenta. Mas a maioria se tranca em casa mesmo, ao contrário do que muita gente pensa.
    Essas vozes ameaçadoras são tão complicadas que resolvi pedir demissão do meu serviço e ir parar nas ruas. Tinha que fugir desses “inimigos imaginários” que queriam me pegar de qualquer jeito.
  Também tive algumas vozes sem noção, ou seja, não diziam coisa com coisa. Uma vez, de madrugada, comecei a ouvir uma voz que parecia estar falando em alemão. Era alta parecia estar falando ao microfone e também gritava. E isso me fez pensar que era o pastor da igreja que ficava perto do local onde morava na época.
    Fiquei rindo por um bom tempo com aquela gritaria toda, pois ela não parava um instante sequer. Cheguei a pensar que o dono dessa voz iria ter um ataque do coração, pois não parava nem para respirar. Hoje sei que essa voz foi uma grande alucinação, pois aconteceu de madrugada e provavelmente a vizinhança teria reclamado por causa do suposto som alto vindo da igreja. 
    Tive outras vozes sem noção.Quando estava surtado morando nas ruas de Belo Horizonte, uma voz aguda e feminina ficou horas seguidas pedindo para que entrasse em alguns locais. Eu obedecia, entrava e ficava esperando ela dar mais ordens. Como ela não me dizia mais nada, ia embora e voltava a ficar sentado nas calçadas das ruas. Essa voz era bem estranha mesmo, não dizia coisa com coisa, ainda bem que durou apenas algumas horas. 
    E também tem a voz da nossa consciência, que acredito que muitas pessoas confundem com alucinações. Acho que em determinada fase de nossas vidas começamos a refletir se fomos boas pessoas, se agimos corretamente diante dos fatos. Talvez seja a crise da meia idade, ou a idade de Cristo. Muitas pessoas começam a se culpar exageradamente por certas atitudes que tiveram pelo caminho de suas vidas. Dependendo da pessoa e da situação, podem até surtar. (foi o meu caso).  Na bíblia (não sou evangélico e nem católico), dizem que Judas se matou depois de ter traído Jesus. (é só um exemplo).
   O sentimento de culpa exagerado é também um dos sintomas da esquizofrenia. Não está atualmente citada no CID atual, mas já esteve. Também retiraram o complexo messiânico dos sintomas que constavam no CID, o motivo por qual não sei. Talvez alguns queiram reduzir a esquizofrenia a somente um desequilíbrio químico, ou seja, o excesso de dopamina. Já ouvi psiquiatra afirmando que esquizofrenia é igual a diabetes, é só tomar o remedinho que tudo está bem e controlado. O problema é que a dopamina é necessária ao nosso organismo, na dosagem certa, é claro. Os antipsicóticos reduzem essa substância para diminuir nossa reação diante dos pensamentos e alucinações, mas também diminuem a nossa vontade de realizar as tarefas básicas do dia a dia. A dopamina é a responsável pela motivação, pela vontade de executar as ações. 
a luta entre o bem e o mal em nossas consciências 

    Então, quem tem esquizofrenia pode ter o sentimento de culpa exagerado, e as vozes de nossa consciência podem se tornar tão brutais que podem nos levar á uma crise de consciência braba e nos julgar por atos que não foram tão cruéis assim. No meu caso me senti culpado por tudo. A voz foi incessante e me culpou por muita coisa, de coisas que havia feito e outras que não havia feito. Me senti muito culpado também pelo fato de achar que estava com aids e supostamente ter contaminado as poucas pessoas com quem tive relacionamento sexual sem preservativo. Na época em que comecei minha vida sexual a aids ainda era quase que exclusividade dos homossexuais, os casos de mulheres infectadas com o vírus do HIV estavam começando a aparecer. Como penso que quem transmite o vírus da aids conscientemente seja um assassino, também passei a me consideram um, e a voz foi cruel comigo e não me perdoou, tanto é que cheguei a pedir para um policial me prender durante a fase aguda do meu segundo surto psicótico.
    Essas vozes parecem vir de fora, é como se fossem ecos. Elas parecem bater em alguma coisa e voltar para nossas mentes, talvez por isso temos a convicção de que são outras pessoas falando.
    Como podem ter observado, tive quatro tipos de vozes: comentaristas, zombeteiras ameaçadoras e as sem noção. Ainda existem as vozes de comando, que são bem comuns nas pessoas com esquizofrenia. Tive a sorte de não ter esse tipo de voz, pois poderia representar algum perigo para outras pessoas. Mas por sorte só representei perigo para mim. e talvez por isso não cheguei a ser internado. E do jeito que falam sobre os manicômios, foi melhor ficar nas ruas mesmo até melhorar. Tive a sorte de encontrar muita gente boa pelo caminho. 
    Até hoje ouço essas vozes, mesmo estando com o fone de ouvidos na maior altura ouvindo um heavy metal. Mas elas não me fazem tanto mal como antigamente. A gente meio que se acostuma com elas, tudo o que é novidade pode nos assustar, mas hoje não dou tanta importância a elas e parece que elas acabam ficando meio sem graça para continuar a me importunar.