sábado, 30 de janeiro de 2021

Filme Mente Brilhante Como baixar em HD

 Filme Mente brilhante Assistir em HD



    Filme sobre a Bibliografia do Matemático Americano "John Forbes Nash", que durante a sua vida foi diagnosticado com Esquizofrenia. Até que um dia conhece Alicia, uma de suas alunas e que o fará transformar a sua vida para sempre. Uma excelente historia de Superação e Amor.
 Na CDE (Central de Downloads do Esquizo) você baixa o filme em HD. 
    Prepare a pipoca e boa diversão.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Vozes na esquizofrenia

 

Vozes que escuto na esquizofrenia

    A alucinação auditiva é um dos sintomas clássicos da esquizofrenia. Nem toda pessoa com esse transtorno tem esse tipo de alucinação. Ouvir vozes também não é exclusividade de quem tem esquizofrenia. Quem está em depressão  também pode ouvir vozes (depressão psicótica). Assim como os bipolares em crise, que podem ter delírios e psicoses. 
    Uma das curiosidades principais que as pessoas têm acerca da esquizofrenia são as vozes. O que elas nos dizem? São vozes dos “amigos” imaginários que talvez possamos ter ou criar? São vozes do bem ou do mal? ou são vozes do além?
  Até hoje os cientistas não sabem explicar o verdadeiro motivo pelos quais as pessoas com esquizofrenia ouvem vozes. Estudos não faltam, mas até hoje não foram conclusivos. Existe a teoria de que seja a área responsável pela audição que fica com uma superatividade durante um surto psicótico. Devem existir várias outras, mas explicar a origem deste fenômeno não é o objetivo principal desta postagem. Afinal, sou apenas uma pessoa com esquizofrenia, que, além de curiosa, procura também ajudar a esclarecer esse transtorno que ainda é um mistério para a ciência. 
    Em primeiro lugar, gostaria de dizer que a maioria das pessoas com esquizofrenia não tem amigos imaginários, e sim muitos inimigos imaginários, devido, principalmente, a mania de perseguição. Também se faz necessário ressaltar que cada esquizofrenia é única, pois é um transtorno que envolve muito o lado psicológico do indivíduo, não sendo apenas um mero desequilíbrio químico do cérebro (aumento de dopamina). Obviamente existem os sintomas e comportamentos semelhantes, como a desconfiança exagerada, a reclusão, etc. Por isso irei citar as minhas vozes e algumas que já ouvi dizer que muitos ouvem por ai, mas que não aconteceram comigo.
    Antes dos surtos, já era uma pessoa um bocado desconfiada e um pouco retraída. Mas nada que me impedisse de ter uma vida relativamente normal. Ia à shows, cinema, trabalhava, etc... Às vezes saía sozinho e às vezes com uma namorada ou outra.(meus relacionamentos não duravam mais do que duas semanas). 
    Mas, por volta dos 28 anos as coisas começaram a mudar em minha vida. Morava em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais e realmente era uma pessoa bem comentada por lá. Mas geralmente falavam bem de mim, por ser uma pessoa honesta e trabalhadora. Era um bom operador de som e não sei por que muitas garotas e mulheres daquela cidade me achavam bonito. O fato de morar na capital também acredito que ajudou para que eu tornasse uma pessoa bem falada naquele lugar.
- Olha, um gato andando com um cachorro. (cheguei a ouvir quando estava passeando com um cão)
- Ele está magro.
-Ele está gordo.
-Ele é bonito.
-Ele é feio.
    Acima alguns dos comentários que eu ouvia logo quando cheguei na cidade. Isso me incomodava um pouco, mesmo os elogios, pois as pessoas pareciam ter um pouco de receio de falar com aquele cara esquisito e caladão que eu era. 
   Também ouvia de verdade muitos comentários a respeita de minha sexualidade. Não ficava com todas as garotas que se aproximavam de mim, e muitos pensam que todos os homens tem que “pegar” todas que aparecem pela frente, caso contrário o cara é gay.
   E, como já relatei,  era um cara caladão, um pacato cidadão mesmo. E isso, para alguns moradores daquela cidade  era legal, mas, para outros era sinônimo de “mitidez”. Acredito que quem seja muito calado e que não saia cumprimentando todo mundo seja visto com um pouco de antipatia. Acho engraçado as pessoas não gostarem tanto das pessoas caladas e já acharem normal a fofoca e um monte de merdas que algumas pessoas saem falando por aí. Ou seja, para ser bem visto é melhor falar bobagem do que ficar calado... Vá entender os "normais"...  Não tenho paciência para ficar falando do tempo e da vida alheia, os assuntos mais usados para quem não tem assunto para conversar... 
pessoas fofoqueiras existem em todo lugar, tudo o que é ruim se alastra mais rapidamente...

    Com o passar do tempo e pelo fato de ser um bom empregado criei algumas inimizades no trabalho, já que eu ganhava um pouco mais do que o restante dos funcionários da empresa em que trabalhava. Aquela situação de ter algumas inimizades no trabalho me fez uma pessoa mais retraída e desconfiada do que eu já era.
    Após alguns anos trabalhando naquela cidade passei a ouvir mais comentários do que costumava ouvir no início. Ouvia comentários depreciativos das pessoas, mesmo elas estando há uns trinta ou mais metros de distância de mim. 
   No início eram comentários zombeteiros, depreciativos mesmo. As vozes comentavam coisas banais do dia a dia, falavam coisas que eu estava fazendo:
- Ele nem consegue correr direito. - ouvi quando estava fazendo caminhada.
- Ele está com a mesma roupa de ontem.
- Ele gosta de Roberto Carlos...
- Ele está com aids...
    Esse último comentário foi o que mais me prejudicou. Isso aumentou principalmente em uma fase em que estava um pouco triste e parecia que o meu sistema imunológico estava em baixa, pois foi um período em que tive muita diarreia e outros problemas que os médicos classificavam como virose, depois da ida ao hospital. Também peguei dengue duas vezes quase que seguidamente.
   E, numa dessas emagrecidas o boato de que eu estava com aids acabou meio que se tornando real naquela cidade. Se tornou tão real que até eu mesmo acreditei e nem fiz o exame, por medo do resultado e também por acreditar que realmente estava com aids, apesar de não ser uma pessoa promiscua e sempre usar o preservativo. E, para piorar a situação, os sintomas  que eu estava apresentando eram bem parecidos com os da aids: fraqueza, diarreia, emagrecimento rápido e exagerado. O jeito era esperar os sintomas mais severos aparecerem para dar um fim a minha vida.
    As vozes começaram a disparar com o tempo:
    - Ele está se preparando para virar um mendigo. – tinha ouvido essa voz bem nítida em minha mente, mas o engraçado é que o cara estava na outra ponta do quarteirão. E a voz era sussurrada, logo o cara teria que gritar para que eu ouvisse esse comentário.
    Comecei a ouvir também que os evangélicos viviam comentando que eu estava com demônio no corpo, tanto que cheguei a procurar algumas igrejas para expulsar o suposto tinhoso que tinha se apossado do meu corpo.
    Com o tempo as vozes que eram comentaristas e zombeteiras passaram a ser ameaçadoras:
    -Vamos pegar ele hoje de noite?
    Essas vozes ameaçadoras eram as piores. Acho que são elas que fazem boa parte das pessoas com esquizofrenia a terem algum tipo de reação violenta. Mas a maioria se tranca em casa mesmo, ao contrário do que muita gente pensa.
    Essas vozes ameaçadoras são tão complicadas que resolvi pedir demissão do meu serviço e ir parar nas ruas. Tinha que fugir desses “inimigos imaginários” que queriam me pegar de qualquer jeito.
  Também tive algumas vozes sem noção, ou seja, não diziam coisa com coisa. Uma vez, de madrugada, comecei a ouvir uma voz que parecia estar falando em alemão. Era alta parecia estar falando ao microfone e também gritava. E isso me fez pensar que era o pastor da igreja que ficava perto do local onde morava na época.
    Fiquei rindo por um bom tempo com aquela gritaria toda, pois ela não parava um instante sequer. Cheguei a pensar que o dono dessa voz iria ter um ataque do coração, pois não parava nem para respirar. Hoje sei que essa voz foi uma grande alucinação, pois aconteceu de madrugada e provavelmente a vizinhança teria reclamado por causa do suposto som alto vindo da igreja. 
    Tive outras vozes sem noção.Quando estava surtado morando nas ruas de Belo Horizonte, uma voz aguda e feminina ficou horas seguidas pedindo para que entrasse em alguns locais. Eu obedecia, entrava e ficava esperando ela dar mais ordens. Como ela não me dizia mais nada, ia embora e voltava a ficar sentado nas calçadas das ruas. Essa voz era bem estranha mesmo, não dizia coisa com coisa, ainda bem que durou apenas algumas horas. 
    E também tem a voz da nossa consciência, que acredito que muitas pessoas confundem com alucinações. Acho que em determinada fase de nossas vidas começamos a refletir se fomos boas pessoas, se agimos corretamente diante dos fatos. Talvez seja a crise da meia idade, ou a idade de Cristo. Muitas pessoas começam a se culpar exageradamente por certas atitudes que tiveram pelo caminho de suas vidas. Dependendo da pessoa e da situação, podem até surtar. (foi o meu caso).  Na bíblia (não sou evangélico e nem católico), dizem que Judas se matou depois de ter traído Jesus. (é só um exemplo).
   O sentimento de culpa exagerado é também um dos sintomas da esquizofrenia. Não está atualmente citada no CID atual, mas já esteve. Também retiraram o complexo messiânico dos sintomas que constavam no CID, o motivo por qual não sei. Talvez alguns queiram reduzir a esquizofrenia a somente um desequilíbrio químico, ou seja, o excesso de dopamina. Já ouvi psiquiatra afirmando que esquizofrenia é igual a diabetes, é só tomar o remedinho que tudo está bem e controlado. O problema é que a dopamina é necessária ao nosso organismo, na dosagem certa, é claro. Os antipsicóticos reduzem essa substância para diminuir nossa reação diante dos pensamentos e alucinações, mas também diminuem a nossa vontade de realizar as tarefas básicas do dia a dia. A dopamina é a responsável pela motivação, pela vontade de executar as ações. 
a luta entre o bem e o mal em nossas consciências 

    Então, quem tem esquizofrenia pode ter o sentimento de culpa exagerado, e as vozes de nossa consciência podem se tornar tão brutais que podem nos levar á uma crise de consciência braba e nos julgar por atos que não foram tão cruéis assim. No meu caso me senti culpado por tudo. A voz foi incessante e me culpou por muita coisa, de coisas que havia feito e outras que não havia feito. Me senti muito culpado também pelo fato de achar que estava com aids e supostamente ter contaminado as poucas pessoas com quem tive relacionamento sexual sem preservativo. Na época em que comecei minha vida sexual a aids ainda era quase que exclusividade dos homossexuais, os casos de mulheres infectadas com o vírus do HIV estavam começando a aparecer. Como penso que quem transmite o vírus da aids conscientemente seja um assassino, também passei a me consideram um, e a voz foi cruel comigo e não me perdoou, tanto é que cheguei a pedir para um policial me prender durante a fase aguda do meu segundo surto psicótico.
    Essas vozes parecem vir de fora, é como se fossem ecos. Elas parecem bater em alguma coisa e voltar para nossas mentes, talvez por isso temos a convicção de que são outras pessoas falando.
    Como podem ter observado, tive quatro tipos de vozes: comentaristas, zombeteiras ameaçadoras e as sem noção. Ainda existem as vozes de comando, que são bem comuns nas pessoas com esquizofrenia. Tive a sorte de não ter esse tipo de voz, pois poderia representar algum perigo para outras pessoas. Mas por sorte só representei perigo para mim. e talvez por isso não cheguei a ser internado. E do jeito que falam sobre os manicômios, foi melhor ficar nas ruas mesmo até melhorar. Tive a sorte de encontrar muita gente boa pelo caminho. 
    Até hoje ouço essas vozes, mesmo estando com o fone de ouvidos na maior altura ouvindo um heavy metal. Mas elas não me fazem tanto mal como antigamente. A gente meio que se acostuma com elas, tudo o que é novidade pode nos assustar, mas hoje não dou tanta importância a elas e parece que elas acabam ficando meio sem graça para continuar a me importunar.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Policiais militares estragaram a minha bike

 



    

imagem ilustrativa

Semana passada, depois do almoço no restaurante popular, me dirigi à uma lanchonete que frequento desde 2016. Lá tem um mingau de milho verde que é uma dilicia...

     Prendi a bike em frente de uma delegacia da polícia militar. Degustei a saborosa iguaria da culinária mineira e depois fui comprar um troço em uma drogaria para fazer um shampoo caseiro que promete melhorar um pouco a juba. Acho que esses shampoos comuns têm muita química, principalmente o condicionador. 

    Na volta, desprendi a bike e fui descendo para voltar para casa. Três quarteirões depois, a surpresa: o pneu da frente está esvaziando lentamente, da mesma maneira que esvaziou há alguns meses atrás, quando prendi a bike na mesma delegacia. 

     Na primeira vez, claro, nem pensei em se tratar de algo proposital, afinal, é normal pneu furar. Mas uso fita antifuro entre o pneu e a câmera que diminui bastante a chance do pneu furar. É muita coincidência: o mesmo tipo de furo, o mesmo tempo para esvaziar, e, para piorar, foi no mesmo local o furo: a delegacia. E pneu não fura com a bike parada...

    Em dois anos e meio o pneu furou 3 vezes: duas na delegacia e a outra foi na minha viagem de bike pela região sudeste, em que pedalei 3050km em 55 dias. Nessa viagem passei por estradas que tinham aquelas arames que saiam dos pneus das carretas. Claro que tentava me desviar deles, mas claro que passei por cima de um ou outro. Mas só furou o pneu uma vez.

    Para piorar, comecei a notar que estava tendo dificuldades em passar as marchas. Fui tentar dar uma regulada, e, para a minha surpresa, notei que o câmbio dianteiro estava quebrado. Na primeira vez que o pneu furou na delegacia, o câmbio estava entortado na parte metálica.  Consegui desentortar, mas agora ele está quebrado na parte de plástico. Ainda está dando para andar, com problemas na hora de passar marchas, mas não sei até quando a parte de plástico irá aguentar.  Quem puder me ajudar entre em contato nos comentários ou pelo email:

memoriasdeumesquizofrenico555@gmail.com

Quem já me ajudou não precisa me ajudar novamente. 



     Quem acompanha o meu blog, o meu canal no youtube e a minha página no face sabem que há algum tempo relato que a polícia militar vem acionando a sirene sempre quando me avista. Isso aconteceu e acontece com muita frequência, até em locais em que não tem ninguém por perto já acionaram a sirene. Em uma oportunidade a viatura se aproximou há dois metros de mim e o motorista me deu uma encarada e depois se afastou.

    Não estou acima do bem e do mal, quando estava viajando pela estrada real fui revistado algumas vezes e pediram meus documentos. Foram abordagens comuns, pois eu era um viajante entrando em cidades pequenas. E depois da revista os policiais foram amistosos comigo e conversamos sobre o caminho da estrada real.

    Mas, de dois anos para cá a sirenada está sendo constante. Antes disso só havia ouvido aquela sirene de perseguição policial, ou quando estavam em uma emergência e então acionam a sirene para abrir o trânsito. Agora, constantemente os policiais acionaram a sirene brevemente, o motivo, não sei. 

     Nessa última vez que o pneu furou na delegacia cheguei a perder a cabeça, discuti com alguns policiais, pois isso não se faz com ninguém. Não tenho passagem pela polícia, sou uma pessoa do bem, tenho a minha renda, que não é grandes coisas, mas que dá para ir sobrevivendo. Sou grato por estar vivo e com relativa saúde física e mental. Poderia ter sido muito pior se não tivessem aparecido pessoas bondosas pelo meu caminho nos momentos mais difíceis nos surtos que tive. 

        Também estou me questionando sobre o acidente que tive de bike. Claro que não posso reclamar, pois estava na contramão e em boa velocidade em uma descida. Mas a moto com a qual colidi apareceu meio que de repente e passou muito próximo da minha bike. Consegui desviar da moto, mas o pedal da bike parece ter batido onde o motociclista apoia o pé e aí tive um tombo daqueles. E o estranho é que logo apareceu um policial perguntando ao motociclista se queria fazer um boletim de ocorrência, sendo que apenas o retrovisor estava quebrado, e eu estava todo ralado, sangrando e com suspeita de fratura no pé, pois o meu dedão estava doendo muito. (no hospital fiquei sabendo que apenas o osso do dedão do pé havia saído do lugar)

    Fico me questionando o que fiz para ficar levando sirenada da polícia com tanta frequência, pois só saio de casa para ir almoçar, jogar um futebol e comprar algo no supermercado e nas padarias. Gosto de comer doces, biscoitos, etc.. Mas não posso comprar tudo de uma vez, senão eu como tudo. Então, sempre quando dá vontade de comer algo doce, saio para ir à padaria ou ao supermercado. O açúcar é meu vício, mas sempre procuro controlar a glicose no sangue e os triglicerídeos. 

    Por falar em vício, um que adquiri depois que quebrei o dedão do pé esquerdo foi o de pedalar. Então ás vezes saio de casa só  para pedalar mesmo. Todo dia pedalo 6km para ir almoçar no restaurante popular. E desde então praticamente não tenho me pesado mais na balança da farmácia, pois estou com o mesmo peso de quando tinha 22 anos. 

essa é a Margarida, ela é simples, e é por isso que gosto dela.


    Analisando essa situação, chego à conclusão que essa sirenada começou depois que comecei a criticar alguns políticos aqui de Belo Horizonte, que simplesmente não fazem nada. Tem um vereador, que é um dos mais faltosos, que nem sequer justifica suas ausências. Em um certo mês que a câmera teve nove sessões, ele simplesmente faltou em três, e em uma delas nem sequer justificou. Acho que faltei três dias em todos os meus dezessete anos trabalhando como operador de som. E, claro que tive que justificar minhas ausências. Já trabalhei com dengue, com a mão quebrada, com o pé machucado.... 

    Confesso que era adepto daquela frase: "Bandido é que tem medo da polícia"...

    Hoje tenho medo sim da polícia, tenho medo dos maus policiais e não está escrito na testa quem é bom ou mau policial.  E eles se sentem à vontade de fazer o que quiserem contra a minha pessoa, afinal, eu sou esquizofrênico e tudo é coisa da minha cabeça...                                                                                     Em Belo Horizonte e, claro, em outras cidades existe uma estreita relação, não sei se correta, entre polícia e política. Não preciso falar muito sobre essa questão... 

    Mas vou seguindo a minha vida, com a consciência tranquila, pois, pelo menos não matei e nem atirei em ninguém. 

      Fui muito ridicularizado por alguns policiais no dia que reclamei do pneu furado. Mas sei que boa parte deles estão na fila do psiquiatra que atende a polícia.   Alguns são desligados e outros continuam a base de medicamentos. 


                                                                                      https://www.otempo.com.br/cidades/policial-militar-entra-em-surto-psicotico-e-atira-no-vizinho-em-betim-1.2432882?fbclid=IwAR3WxXS_ZRDuVimy2_p57BRvMe-rx5JDWDWD_wyT5MFBX-XMiDPU-rVgnAU                                                                                                                                                                                            Obs: me desculpem se a postagem foi mal feita e tiver alguns erros de português, mas senti que tinha que fazer, mas não tive e não estou tendo nenhum prazer em fazer isso, em relembrar esse acontecimento e essa covardia que alguns policiais militares fazem.  Sempre escrevi esse blog na maioria das vezes com alegria, usando até um pouco de humor falando sobre a minha esquizofrenia, mas falar sobre esses assuntos é complicado para mim. Acho que por ser do signo de libra me importo muito com a justiça. 

     E me desculpem os  bons policiais, hoje já não sei se são a maioria ou minoria na corporação, mas tive que fazer esta postagem denúncia. 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Mensagem de natal do esquizo

 O natal do Covidão

    Ontem, anti-véspera de mais um natal, fui, como sempre, almoçar no restaurante popular. A movimentação, claro, foi maior que a de costume.  Quando falo de costume, uso como parâmetro a circulação de pessoas deste atípico ano. Não houve aquela imensa aglomeração de pessoas e carros como nos anos anteriores, mas foi maior do  que deveria ser, em virtude da pandemia. 
    Mas, o que notei de diferente mesmo não foi a maior quantidade de pessoas e de carros circulando no centro da cidade. O olhar das pessoas estava um pouco diferente. A pandemia não mudou apenas a nossa rotina diária, nos mudou um pouco por dentro. Claro que existem pessoas que não ligam para nada e continuam a viver como se nada estivesse acontecendo, mas nota-se que a maioria das pessoas está um pouco cansada de viver no meio de tantas dúvidas. Dúvidas sobre até quando iremos ter que viver dessa maneira, com medo de tudo e de todos. Medo de contrair uma doença um pouco desconhecida, medo do tratamento que ainda não existe, medo de uma vacina que não foi testada o tempo que deveria ser. 

O que mudou em minha vida?

    Para mim, particularmente, no convívio social pouco ou quase nada mudou. Sou um cara antissocial e minha rotina nesse aspecto continua praticamente a mesma; acordar, tomar café, internet, filmes, séries, andar de bike, internet, comer, dormir, e ver mais filmes e séries. Às vezes gravo algum vídeo ou faço alguma postagem para este blog que escrevo desde o ano de 2012. 
    Mas, para mim, mesmo não mudando muita coisa, não estou gostando da situação. Não sou egoísta, não gosto de ver as pessoas em situação complicada. Claro que não sou um santo, se tem pessoas que desejam o meu mal, desejo que Deus lhe dê em dobro o que desejam para mim.
    A verdade é que as pessoas felizes de verdade não se preocupam tanto com a vida alheia. Aqui onde moro o desemprego atingiu alguns moradores, que, infelizmente tiveram que morar nas ruas. Outros estão passando dificuldades, e alguns, infelizmente, parecem não aceitar muito a ideia de  verem uma pessoa aposentada e meio que é um pouco alheia à tudo o que acontece em sua volta. Digo alheio pois meio que naturalmente fico distante de tudo, mas não no sentido de me alegrar com o infortúnio de outras pessoas. 
    O que mudou um pouco na minha vida foi a questão da hipocondria. No início foi complicado lidar com a situação de poder pegar um vírus desconhecido através do ar, dos objetos, e no contato com as pessoas. Acho que foi algo semelhante o que aconteceu com o surgimento da AIDS. As pessoas tinham medo de cumprimentar ou de se aproximar de uma pessoa com HIV. Mas o pior de tudo nesta pandemia é a dúvida, a cada dia aparecem notícias novas. Notícias e opiniões diferentes que nos deixam mais confusos ainda. Uns dizendo que precisamos nos preocupar e outros afirmando que não, que a doença mata um número baixo de infectados. Mas, e as sequelas da doença? Tem ou não tem? As dúvidas estão sendo tão prejudiciais quanto o próprio vírus. 

A saúde mental na pandemia

    O estrago que o vírus está causando não é somente nas pessoas que se contaminaram. A saúde mental da população em geral piorou. O consumo de ansiolíticos e antidepressivos aumentou consideravelmente. 
    Acredito que não tenha uma pessoa que não esteja sofrendo o impacto dessa pandemia. Algumas mais, outras menos. Até mesmo aquelas pessoas que vivem naquelas cidadezinhas do interior estão sendo atingidas, mesmo que o vírus não tenha circulado por esses lugares. É que boa parte dessas cidades foram fechadas para o turismo, afetando consideravelmente a arrecadação. As que não foram fechadas os moradores provavelmente ficam com receio de ter um contato com algum viajante ou turista que esteja por esses lugares. 
    A saúde mental está prejudicada pelas incertezas que esse vírus está deixando no ar, tanto no sentido literal como no figurado. Não temos certeza se a economia no mundo não sofrerá um colapso. Não sabemos se quando sairmos de casa voltaremos contaminados. Não sabemos se iremos resistir ao vírus, não sabemos até quando teremos que viver desta maneira, com medo de tocar nos objetos e nas pessoas, com medo de andar, com medo de respirar, enfim, com medo de viver. 

De volta ao natal



    Mas natal para mim nunca significou muita coisa. Não condiciono a minha alegria ou comportamento à datas. Por exemplo, nunca fui  em um cemitério no dia de finados. As pessoas que já faleceram não estão lá, não me interessa um monte de ossos. Espero que as pessoas que gosto e que já se foram estejam em um plano superior e melhor do que este em que estamos vivendo. Elas estão guardadas em minhas lembranças e penso nelas vários dias do ano, não somente no dia de finados.
    Não tenho nada contra as festas e confraternizações de fim de ano, afinal temos que nos divertir, celebrar, festejar, E cada um faz isso de sua maneira. Festejar para mim não significa me embebedar e me empanturrar de comida. Festejo e celebro a vida dia a dia, da minha maneira. Todos os dias festejo a chance de estar vivo e com relativa saúde, pois, devido aos surtos, passei por situações complicados e posso dizer que tive uma experiência de quase morte. E uma experiência dessas nos muda completamente por dentro. A natureza é onde procuro celebrar e festejar a minha vida. E nessa festa não precisa de tantos convidados: apenas a natureza, os animais, o ar puro e o criador. O som não é o batidão, é o som do vento, do canto dos pássaros e o ambiente não é agitado, é de uma paz infinita. 
    Natal tinha algum significado quando eu era criança, pois ficava naquela expectativa de receber algum presente bem bacana para me divertir. Não gostava muito daquelas reuniões de família, e ficava calado no meio da festa, assistindo televisão enquanto as pessoas comiam e bebiam.  Nunca acreditei em papai noel, apesar de que, naquela época as crianças eram bem mais inocentes do que as da geração de hoje. Mas ficava com aquele negócio de ter que ser bonzinho o ano inteiro para merecer presente. 
    Porém, se ele existisse, eu iria pedir um mundo com mais respeito e compreensão.  
     Gostaria de desejar muita paz, proteção e luz para todas as pessoas que se cuidaram e que irão se cuidar nestas festas de fim de ano, fazendo a confraternização apenas com pessoas do seu convívio diário. Aos que irão cair nas baladas, festas e comemorações em massa, desejo boa sorte e que tenham responsabilidade sem que precise que algo aconteça com si próprio ou com alguma pessoa mais próxima.
    Que tenhamos um feliz ano novo, livre não somente do Covid, como também de um vírus que é o pior e mais mortal de todos: a maldade humana. 


quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Divagações esquizofrênicas 19: O dia a dia de um esquizofrênico e o seu mundo (o quartinho)

           Divagações de um esquizofrênico em um mundo de "normais"...



O acidente

    Olá pessoal, meu nome é Julio Cesar tenho 52 anos e não sou "o esquizofrênico" e sim uma pessoa que tem os sintomas que as pessoas chamam de esquizofrenia. Tenho minhas qualidades e defeitos como qualquer outro ser humano. Não sou inteligente e nem tenho baixa inteligência, me considero na média e apenas um cara esforçado que consegue aprender certas coisas na base do esforço e repetição. 
    Para quem me acompanha no youtube, no último vídeo relatei sobre o acidente que tive de bicicleta. Foi um acidente sério, voltei ao local onde capotei e vi que "voei" por uns sete metros após bater em uma moto. O dedão do pé direito saiu do lugar e tive dores em várias partes do corpo, se não fosse o capacete acho que não estaria aqui para contar-lhes mais esta história. 
    Mas já estou recuperado 90%, o punho e o cotovelo que ainda doem um pouco. 
    E sempre procuro tirar lições de tudo o que acontece em minha vida, principalmente das negativas. Eu estava descendo na contramão na maior velocidade, ouvindo heavy metal no fone de ouvido na maior altura. Por sorte sempre uso o capacete para proteger meu cabeção. 
    Mas fazia aquele caminho há dois anos sem maiores problemas. Na verdade a principal causa do acidente foram as paranoias. Me lembro que estava totalmente distraído na hora do acidente, a moto apareceu assim do nada e não teve como me desviar totalmente dela. A gente começa a ter pensamentos paranoicos do nada e de repente estamos totalmente distraídos e envolvidos com esses pensamentos.            Não me lembro exatamente no que estava pensando, mas basta sair pelas ruas para as paranoias começarem a tomar conta da minha mente. É algo que não desejo à ninguém. 
    Me lembro também que estava muito agitado, pois  há muito tempo não tomava o diazepan. Sentia que precisava de algo mais forte para dar uma boa apagada, mas havia esquecido o nome do antialérgico que geralmente tomamos com o antipsicótico clorpromazina. Fui no grupo esquizofrenia e me informaram que era o fenergan. Mas acabei me esquecendo de comprar e aí sofri o acidente dois dias depois. 
    A minha bike, que batizei de Margarida, apenas sofreu "escoriações" e teve o pedivela entortado, pois a batida foi meio forte. O conserto fica em 80 reais, quem puder ajudar entre em contato pelo email:
memoriasdeumesquizofrenico555@gmail.com
Julio Cesar dos Santos de Oliveira
   Agência 2332 Ipatinga MG
   Caixa Econômica Federal
   Operação 023
   Conta 00016678-2
Sentia que estava precisando dar uma "apagada"...


    Muitos devem estar pensando: "Ah, por que ele não toma os medicamentos para ter uma vida melhor?". Olha, fiz isso durante seis anos e não tive qualidade de vida nenhuma, apenas engordava e ficava o dia inteiro dormindo. Sem contar o fato de que meus sentimentos sumiam, me sentia um robô, tanto física como emocionalmente. 
    Mas tudo isso é passado, aprendi a lição e agora não vou andar mais na contramão, e, quando for ouvir música no fone, vou fazer uma playlist de músicas românticas internacionais...
    E o melhor de tudo é que o cara da moto não sofreu nada, apenas o retrovisor da sua moto que quebrou. É o que sempre acontecia nos meus surtos, a única pessoa prejudicada era eu mesmo. Então por isso sinto que posso ir testando o meu limite de ficar sem os antipsicóticos, ficando na dúvida se minhas surtadas atuais são produtos da esquizofrenia ou da abstinência das medicações que usei ao longo desses anos. 


O dia a dia

    Muitas pessoas pedem para que eu poste  no canal vídeos falando sobre o meu cotidiano. Mas, se eu postar todos os dias vídeos sobre a minha rotina, a maioria das pessoas irá pensar que estou postando o mesmo vídeo sempre. A minha vida é um pouco monótona e entediosa, ainda mais agora na pandemia. 
Basicamente fico boa parte do dia na net e na tv, pois ligo o notebook na telona via cabo HDMI, pois não gosto muito da programação da tv aberta. 
    Antes da pandemia todas as quartas feiras ia ao centro de convivência jogar um futebolzinho, que era o meu melhor antiestresse.  Os bicudos que eu dava na bola, os meus xingamentos e a  extravasada na hora dos gols me deixavam bastante relaxado. O meu centro de convivência é tricampeão do torneio da primavera que tem aqui em BH dos centros de convivência. E, modéstia à parte, fui artilheiro nas três edições. Não sou de contar vantagem sobre isso  pois futebol é um jogo coletivo. Meu nome futebolístico é Juliovik, a lenda viva do futebol. Tenho 52 anos mas ainda jogo razoavelmente bem, e, quando as canelas começarem a doer, vou jogar no gol, também sou bom debaixo das traves (também com as mãos grandes...)



    Minha outra diversão é a bike. Às vezes saio para pedalar nas redondezas, tipo uns 60 70km. E todo dia pedalo 6km para ir almoçar no restaurante popular. É um bom vício pedalar. 
    Antes da esquizofrenia aparecer em minha vida já tinha esse estilo não muito agitado de vida, o que me fazia falar era o trabalho. E sempre gostei mais do dia do que da noite. Cachoeiras, praias, enfim, sol e ar puro era o que me fazia sentir bem. 
    Mas acredito que também seja uma pessoa introvertida, não devemos botar tudo na conta da esquizofrenia. Não gosto de ficar conversando com todo mundo, não é o meio estilo ser popular. 
   O resto sou um pacato cidadão, que gosta de ouvir música, ler, aprender coisas novas e ficar em paz, por isso levo uma vida mais reclusa, o mundo atual está uma loucura total. Gosto de assistir filmes e seriados, mais de humor mesmo. Quem tiver alguma dica que poste nos comentários, acho que já assisti quase todos desse gênero. 
   E outra coisa que gosto de fazer é comer: como todo bom mineiro gosto de pão de queijo, pastel de queijo, biscoito de queijo, doce de leite, rocambole e outros quitutes da culinária mineira. 
    Sou tão antisocial que nem celular tenho. Aliás, até que tenho o aparelho, mas não uso o chip por que cancelaram pois não coloquei crédito. Uso o celular apenas para ouvir música, não fiz a recarga do chip pois somente a operadora que me ligava para me oferecer planos de internet.. Ou seja, estava pagando para eles me ligarem... No final do mês tinha que ficar pensando em alguém para ligar e jogar conversa fora para usar os créditos e não jogar dinheiro fora. 
     Às vezes nem música estou ouvindo, mas ando com os fones no ouvido, para ter uma desculpa de falar que não ouvi determinada conversa. 
    Sou tão antisocial que só uma vez na minha vida comprei sapatos, gosto de tênis mesmo, e de usar tênis velhos que se se acomodam ao formato de nossos pés. 
   Terno e gravata meu corpo nem sabe o que é isso. Acho que me sentiria meio que enforcado usando um acessório vestimental na minha garganta. 
    Sou tão antisocial que em boa parte dos dias quando coloco minha cabeça no travesseiro de noite consigo contar as palavras que foram ditas por minha pessoa. 
    Não gosto muito de conversar sobre o que é certo ou errado, sobre o tempo, sobre política, sobre religião. Gosto de conversar com pessoas que tenham algo para me ensinar, gosto de aprender. Não sou inteligente, mas apenas esforçado e curioso. Me lembro que às vezes só ficava perto das pessoas que considerava inteligente apenas para ouvi-la falar. 
    Enfim, gosto da minha companhia, tenho paz quando estou sozinho com os meus pensamentos. Não tive sucesso financeiro, mas, por tudo que passei me considero um vencedor, e ter a consciência tranquila não tem preço. Acredito que não valha a pena ficar babando ovo de ninguém para obter algum tipo de vantagem. E a liberdade, não só de ir e de vir, e sim de ser quem eu sou mesmo de verdade, Se isto não agrada muitas pessoas, o problema é delas, pois não obrigo ninguém a conversar comigo e a gostar de mim.  Mas hoje em dia a coisa está tão complicada que se você estiver em paz já corre o risco de ter inimigos... 
    Este mundo infelizmente parece que não deu certo, se tem gente que acha que deu, deve estar ruim da cabeça... 
    Espero que ainda dê tempo de consertá-lo e que o criador tenha misericórdia de todos os que são de boa vontade.

Meu quartinho



     Resolvi pintar o meu quartinho. Não é meu, mas, como passo a maior parte do dia nele, decidi dar uma melhorada no visual dele para melhorar o astral. Incrível como uma boa pintura e uma cor mais alegre mudam o ambiente. Usei verde com azul e o resultado ficou legal, às vezes dá uma impressão que o quarto é verde, outras que o quarto é azul e outras azul piscina ou outra cor. 
     Também aprendi a mexer com cimento, para tampar alguns buracos nas paredes. Aprender coisas novas pode ser uma ótima terapia. 
    É um quarto simples, deve ter quatro meses por três. Mas não tenho vergonha de mostrá-lo, teria vergonha sim de dizer que roubei, enganei ou matei para conseguir algo. Sempre quando deito à noite e coloco a cabeça no travesseiro tenho  a consciência tranquila. Claro que errei muito nesta minha vida, principalmente pelo fato de não me conhecer completamente. Sempre quando via a famosa frase do filósofo Sócrates "Conhece-te a ti  mesmo", ficava meio intrigado, com os pensamentos vagos, como se à procura de respostas que não sabia onde encontrá-las. Foi preciso surtar  e passar por situações complicadas para começar a me entender um pouco. 
     Gosto de dinheiro, mas não faço loucuras e nem faria para tê-lo. Como disse, ter paz, consciência tranquila e liberdade são os meus maiores bens. 

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Desistências

 Quem nunca passou por momentos difíceis em suas vidas?


    

    Depois que a esquizofrenia apareceu em minha vida, tive vários momentos de desânimo total, a ponto de tentar o autoextemínio ou então ficar inerte à tudo e à todos.
    Um dos piores momentos foi em 2004. Estava tão debilitado fisicamente e mentalmente que pedi demissão da firma onde trabalhava, em uma pequena cidade do  interior de Minas Gerais. 
    Com a grana do acerto, fui em uma churrascaria para fazer a minha última refeição, e depois fui na casa da luz vermelha para ter a minha última transa. Estava mais aliviado do que desesperado. Acho que estava me sentindo mais leve por não ter que ver mais tantas pessoas. Estava tão tranquilo que fiquei ouvindo a garota de programa falar sobre seus problemas conjugais, que havia ido para aquele lugar pois seu marido era muito violento.
    No dia seguinte comprei um colchonete, um radinho e um monte de pilhas. Não tinha mais coragem de tentar tirar a minha vida, então queria deitar em uma calçada, ligar o radinho de pilha e ficar lá até morrer. 
   E fiquei assim sexta feira e todo o final de semana. Na segunda feira começou a agitação no centro, várias pessoas passavam pela calçada para me ver. Tive que tomar diazepan acho que de hora em hora para não surtar. Apareceu um policial e me deu um tapa nas costas, pois eu estava deitado de bruços. Depois apareceu uma ambulância e mais policiais. Provavelmente alguém havia me denunciado por estar tomando medicamento por seguidas vezes. Eles não foram muito amigáveis comigo. Mas, antes que me abordassem novamente apareceu uma assistente social e foi possível ouvir ela dizendo que me conhecia e que eu era um cara trabalhador e que não usava drogas e que gostava de praticar esportes. O policial até veio a se desculpar comigo. 
    Então fui levado para um albergue e permaneci por lá por mais de um ano, convivendo com ex detentos, pessoas em situação de rua e trecheiros que viajam pelo Brasil meio sem destino certo. Comecei a fazer o tratamento e hoje estou indo bem, não estou curado, mas só tenho que agradecer por estar vivo para poder contar estas histórias. Acho que meu anjo de guarda trabalha muito bem e que sou um cara de sorte, apesar de não ser rico e só ter uma bike usada e uma tv LCD de 32 polegadas. Ah, e tenho um notebook da Dell, que consegui comprar quando estava viajando por aí com a minha mochila economizando a grana do aluguel. 
   Mas me considero um cara de sorte, não era nem para estar vivo, mas estou. Estou vivo e ainda consegui me entender um pouco como pessoa após os surtos. Loucura para mim hoje em dia é querer agradar à todos deixando de ser você mesmo. 
   Podemos tirar lições até das piores situações em que vivemos em nossas vidas. 

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

O vizinho aloprado

     Quem não tem um vizinho sem noção e chato?


    Quem me acompanha sabe que moro em um quartinho de aluguel, juntamente com vários outros inquilinos, aqui em Belo Horizonte.
    E estamos sujeitos a ter todo tipo de vizinhos, desde os mais quietinhos  até os mais bagunceiros. 
Mas um dos vizinhos que tenho é estranho: fica conversando acredito que no celular, boa parte do dia e principalmente das dez das noite até às seis da manhã. 
    Os quartos ficam lado a lado e de madrugada qualquer barulhinho acaba virando um barulhão. O inquilino do andar de cima que fica andando de um lado para outro, os gatos brigando à procura de parceiros e por aí vai. Não tenho certeza se esse vizinho conversa sozinho ou então tem um outro notívago do outro lado da linha.
    Já pedi várias vezes para que ele parasse com a faladeira de madrugada, mas em vão. O outro vizinho parece não queixar-se da falação, talvez por ter um sono pesado. Esse outro vizinho ronca um pouquinho, mas não me incomoda muito. Mas já repararam que toda pessoa que ronca é a primeira a dormir e sempre tem um sono pesado?
    Mas, voltando ao vizinho aloprado, a solução que encontrei foi deixar o ventilador ligado no máximo. Como era um ventilador antigo a zoeira do equipamento se sobressaía a voz do falastrão. 
   Mas no final do mês passado o ventilador queimou e não teve conserto. Passei várias noites em claro escutando o diálogo do elemento. Claro que perdi a paciência e zoei o cara sem noção, que parecia se divertir com a situação.
    Como a grana estava curta resolvi pedir ajuda aos meus amigos virtuais, tanto do facebook como do meu canal no youtube e lá do blog. 
    Fui na loja e achei um lindo ventilador por um bom preço. A vendedora, ao observar que fiquei encantado com o visual do aparelho disse que o preço da etiqueta estava errado. Não era 150 reais e sim 200 reais.
    E, para piorar, o cartão que me ofereceram era de uma anuidade de dez reais. À princípio achei bem barato, mas depois a vendedora disse que a anuidade seria paga mensalmente. 
     Não tenho motivos para ter cartão de crédito com "anuidade mensal" de dez reais e então voltei para casa sem o lindo ventilador.
     Mas, como disse, havia pedido ajuda para meus amigos, que mais uma vez me deram uma força. 


    Comecei a pesquisar os ventiladores nas tradicionais lojas e encontrei o mesmo modelo da loja pela metade do preço!!!
    Como sou paranoico também no mundo virtual, não fiz a compra através de cartão e sim boleto bancário.
    O produto demorou um dia útil para chegar em casa e estou muito satisfeito com o ventilador. Além de lindão ventila que é uma beleza! Não é dos mais potentes, é mais indicado para ventilar um quarto de tamanho pequeno a médio. A única coisa que não gostei foi não ter a possibilidade de incliná-lo para baixo. Então resolvi fixá-lo na parede e está dando aquela refrescância nesse inverno que está tendo tardes quentes aqui na capital mineira. 
    Agora, além de poder me refrescar, estou podendo dormir novamente sem ter que ficar ouvindo a voz do vizinho aloprado que conversa com um outro ser aloprado ou então conversa sozinho mesmo. Eu mesmo converso comigo, adoro conversar com pessoas inteligentes (shasuashaushas).  Mas sempre procuro sempre ter meus diálogos interiores durante o dia e até às dez da noite. 
    Obrigado de coração aos que me ajudaram mais uma vez. 
    Vou colocara abaixo o link do ventilador, que ainda está em promoção. Como disse, ele não é para grandes ambientes, ele tem apenas 75W, mas funciona bem.
https://www.magazineluiza.com.br/ventilador-de-mesa-britania-bvt310-turbo-385cm-3-velocidades/p/020431400/ar/arvm/